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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 16 de janeiro de 2022

A LEI INICIÁTICA DO SILÊNCIO

A LEI INICIÁTICA DO SILÊNCIO
Autor: Antônio Rocha Fadista
Mestre Instalado da ARLS Cayrú, Nº 762 – GOERJ / GOB

Platão, chamado a ensinar a arte de conhecer os homens, assim se expressou: “os homens e os vasos de terracota se conhecem do mesmo modo: os vasos, quando tocados, têm sons diferentes; os homens se distinguem facilmente pelo seu modo de falar”.

O pensamento do filósofo Iniciado nos oferece uma excelente oportunidade para uma profunda reflexão, principalmente para todos os que integram a Ordem Maçônica.

Nem sempre nos damos conta de como nos tornamos prisioneiros das palavras que proferimos, por serem elas a expressão do poder do pensamento e da transmissão das nossas idéias e sentimentos, tornando-se assim o centro emissor de vibrações tanto positivas quanto negativas.

Existe um elemento que realmente identifica o Homem como sendo a síntese de todas as forças vitais, como o ser que interliga todos os planos, do mais denso como o mineral, ao mais sutil, como o divino, que cada um tem dentro de si. Este elemento é a palavra, intimamente ligada ao silêncio, outra sublime expressão da psique humana.

No mundo profano a palavra, falada ou escrita, é usada indiscriminadamente e muitas vezes é usada mais na prática do mal do que do bem. A sociedade humana está cheia de palavras que ofendem, que humilham, que magoam e que denigrem a honra do próximo. Se se trabalhasse mais e se falasse menos, com certeza que a humanidade teria uma vida comum mais evoluída e mais civilizada; infelizmente, existem palavras em excesso não só no mundo profano como também nos Templos Maçônicos.

Tal situação é inconcebível em um Maçom, orientado que é para refletir sobre a realidade e sobre o conteúdo oculto das palavras que, em última análise, refletem a essência interior do ser humano.

Não por acaso a doutrina Maçônica reserva o silêncio ao Aprendiz, de acordo, aliás, com a Tradição Pitagórica.

A entrada da Escola fundada pelo Filósofo de Samos, na cidade de Crotona – onde o isolamento do mundo externo era total – exibia a seguinte advertência: “Proibida a Entrada de Profanos”. Esta Escola tinha um sistema de três graus: o de Preparação, o de Purificação e o de Perfeição. Os neófitos, proibidos de falar, eram só ouvintes e cumpriam um período de observação, durante o qual a regra era calar e pensar no que ouviam. Para atingir o Mestrado, era necessário praticar o silêncio durante cinco anos.

Sem dúvida, constitui uma grande prova para todos e também para o Aprendiz, ouvir os Companheiros e os Mestres sem poder falar. Chílon, um dos sete sábios da Grécia Antiga, quando perguntado sobre qual a virtude mais difícil de praticar, respondia: calar.

No mundo maçônico, a dimensão da palavra falada e escrita não é diferente. Na Maçonaria, a relação palavra-linguagem assume tanto os fatos exteriores quanto o ato individual, como pensamento puro que se exprime através da fala ou da escrita.

No Zend Avesta, que contém toda a sabedoria da antiga Pérsia, encontramos normas e regras sobre o uso e o controle da palavra, cuja universalidade desafia os séculos.

Ao entrar em nossa Sublime Instituição encontramos, na ritualística, referências à sacralidade da palavra que, como meio de expressão dos pensamentos e dos sentimentos, deve ser sempre dosada, moderada, e espelhar o equilíbrio interno do orador. Como dizia o Irmão Dante Alighieri na Divina Comédia, exortando o personagem Metelo : “usa a tua palavra como um ornamento”.

À primeira vista, o silêncio do Aprendiz poderia parecer um condicionamento e um castigo; na realidade, o silêncio, a meditação e o raciocínio, são a única via que leva à libertação das paixões e dos maus pensamentos. Além de exercitar a autodisciplina, em seu silêncio o Aprendiz apreende com muito maior intensidade tudo o que ouve e tudo o que vê. Na realidade, o Aprendiz dialoga consigo mesmo e, neste diálogo, ele analisa, critica e tira suas próprias conclusões: em suma, pelo silêncio, a Maçonaria estimula o Aprendiz a desenvolver a arte de pensar, a verdadeira e nobre Arte Real.

Ao cruzar as portas de uma Loja Maçônica, trazendo consigo os conceitos de liberdade total, sem as restrições que lhe impõem a moral e a razão, o Aprendiz paulatinamente aprende a controlar os seus impulsos pela prática espartana do silêncio, aprimorando o seu caráter e preparando-se para ser mais um líder da Magna Obra de construção da sociedade do futuro, na qual prevaleçam a Liberdade responsável, a Igualdade de oportunidades e a Fraternidade solidária.

Tudo se resume na prática da Lei do Amor. O amor se oferece; não se pede e também não se exige. Certamente que o Grande Arquiteto do Universo ilumina e abençoa a todos os que pensam mais do que falam, pois estes espiritualizam a sua matéria, e são os Seus filhos mais diletos.

Em tempo: o Aprendiz não só pode, como deve se manifestar, principalmente quando tiver informação relevante sobre qualquer candidato à Iniciação. Basta pedir a palavra ao Vigilante de sua coluna.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

sábado, 15 de janeiro de 2022

TRANSFORMAÇÃO DA LOJA E A MUDANÇA DO SINAL

TRANSFORMAÇÃO DA LOJA E MUDANÇA DE SINAL
(republicação)

Em 20/06/2017 o Respeitável Irmão João Batista de Jesus Goes Pires Castanho. Loja Fraternidade São Roquense, 3.931, GOSP-GOB, Oriente de São Roque, Estado de São Paulo, solicita as informações seguintes:

Caro Irmão Pedro, em primeiro lugar gostaria de lhe agradecer por tantas explicações sobre a ritualística, venho aprendendo muito com o Irmão, e na medida do possível tentando colocar seus ensinamentos em prática na nossa Loja, tenho uma dúvida, que se possível, gostaria muito que esclarecesse. Quando se esta trabalhando no Grau de Aprendiz e a Loja irá se transforma para o Grau de Companheiro, em que momento mudamos o sinal para o Grau de Companheiro, assim que se altera o Compasso, ou depois de toda a Loja transformada, ou seja, depois das velas acesas, do acendimento da Estrela Flamejante e a troca do Painel?

CONSIDERAÇÕES:

Embora existam muitos aspectos que envolvem a transformação de Loja, como Painel, Luzes, etc., a principal é sempre aquela que determina a abertura ou a transformação da Loja, ou seja, a disposição das Três Grandes Luzes Emblemáticas, ou Luzes Maiores no lugar de costume. 

Delas o fundamental ainda é a disposição (modo de colocação), conforme o Grau, do Esquadro e do Compasso sobre o Livro da Lei.

Assim, mudando-se a disposição dos objetos emblemáticos mencionados, imediatamente o Venerável Mestre ordena a alteração do Sinal em Loja.

As outras providências da praxe se dão após todos estarem à Ordem no Grau correspondente ao trabalho da Loja que acaba de ser transformada.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE CAB CALLOWAY

CABELL CALLOWAY III (Rochester, NY, 1907 - Hockessin, EUA, 1994). Cantor norte-americano de jazz e líder de banda. Em 1931, gravou a famosa "Minnie the Moocher" (que mais tarde apareceria no famoso desenho da Betty Boop, assim como as músicas "St James Infirmary Blues" e "The Old Man of the Mountain", ambas cantadas por Cab). Calloway tinha um estilo enérgico de cantar e liderou uma das mais famosas big bands dos Estados Unidos, no começo de 1930 até o final de 1940. Gravou inúmeros filmes, onde se mostrava um ótimo ator e cantor, como também um excelente dançarino, misturando elementos de sapateado com passos que remetiam à dança de rua popularizada somente nos anos 1970.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 6 de junho de 1933 (Terça-Feira).

Loja: Pioneer nº 1 (Prince Hall), St. Paul, Minnieapolis, EUA.

Idade: 25 anos.

Oriente Eterno: Faleceu aos 86 anos de idade, vítima de pneumonia.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

O ÚNICO REAL SEGREDO DA MAÇONARIA

O ÚNICO REAL SEGREDO DA MAÇONARIA*
Joseph F. Newton

Quando pode olhar por sobre os rios, os morros e o distante horizonte com um profundo sentimento de sua própria pequenez no vasto panorama das coisas que o rodeiam e, assim mesmo, ainda conservar a fé, a coragem e a esperança - que são as raízes de toda virtude.

Quando sabe que, no fundo de seu coração, todo homem é nobre, tão vil, tão divino e tão solitário como ele mesmo, e procura conhecer, perdoar e amar seu semelhante.

Quando sabe simpatizar com os homens em suas tristezas, sim, mesmo em seus pecados, sabendo que cada homem luta duramente contra muitos óbices em seu caminho.

Quando aprendeu como fazer amigos e conservá-los, e sobretudo, como conservar seu próprio amigo...

Quando nenhuma voz de desespero atinge seus ouvidos em vão e nenhuma mão procura sua ajuda sem obter resposta.

Quando achar um bem em toda fé que ajuda qualquer homem a ver as coisas divinas e a perceber significações majestosas na vida, qualquer que seja o nome desta crença.

Quando conservar a fé em si mesmo, em seus companheiros, em seus irmãos, em seu Deus, em sua mão uma espada contra o mal, satisfeito em viver, mas não temendo morrer.

Tal homem encontrou o único real segredo da Maçonaria, aquele que ela procura transmitir ao mundo inteiro.

*Colaboração do Irmão Luiz Guerra

Fonte: Boletim Informativo Arte Real nº 1 - 24/02/2007

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

PALAVRA SAGRADA DO 3º GRAU - EXISTE MAIS DO QUE UMA?

Em 23/07/2021 o Respeitável Irmão André Corado, Loja Mahatma Gandhi, 90, sem mencionar o nome do Rito, GLMERJ (CMSB), Oriente do Rio de Janeiro, apresenta a questão seguinte.

PALAVRA SAGRADA DO MESTRE MAÇOM

Gostaria de saber porque os Mestres tem duas Palavras Sagradas.

CONSIDERAÇÕES:

A bem da verdade, pelo menos até onde eu entendo, não existem duas PPal∴SSagr∴ para um mesmo grau. É normal sim existir uma Pal∴ Sagr∴ e uma Pal∴de Pas∴, mormente a partir do 2º Grau (no 1º somente a Pal∴ Sagr∴).

Infelizmente, nesses termos, ao que parece existe ritual aprovado com duas PPal∴ SSagr∴, o que no mínimo para mim parece altamente contraditório – “yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay”.

Desafortunadamente na Maçonaria Brasileira, em particular, tem sido comum a existência de muitos “compiladores de rituais” que se acham altamente conhecedores da história da Ordem, contudo, esses, o que de fato têm feito é descuidadamente semear procedimentos equivocados e contraditórios nocivos à liturgia maçônica. Esses experts quando indagados a respeito, geralmente só sabem mencionar que está escrito em algum lugar, contudo não avaliam antes se esse escrito está de fato nos conformes com as exigências da Arte, ou seja, se a fonte é de água limpa.

Destaque-se que é primário nos estudos maçônicos logo se observar que palavras, e até sinais, se diferem conforme o rito e os respectivos graus, sobretudo por motivos culturais e doutrinários.

Desse modo, provavelmente por descuido, e às vezes por ignorância mesmo, alguns ao topar com PPal∴ SSagr∴ e de Pas∴ diferenciadas inseridas no mosaico da história da Maçonaria (conforme o rito ou trabalho), inadvertidamente, por acharem que tudo é a mesma coisa, logo enxertam em rituais de ritos que simplesmente as desconhecem, tanto no seu sentido, como no seu significado.

Esses ritualistas, então lançando mão do jeitinho latino de ser, logo inserem práticas e procedimentos em ambientes relativamente desconhecidos para elas. Daí, dá no que dá, ou seja, ninguém entende nada, senão o de que está escrito em algum lugar, como se isso bastasse para ser um elemento verdadeiro – ledo engano!

No caso a Pal∴ Sagr∴, como dito, existem muitas delas, mas apenas uma por rito e grau, isto é, cada macaco no seu galho.

Nesse particular, basta que se observem as duas principais vertentes de Maçonaria, a anglo-saxônica e a latina onde no caso do 3º Grau as PPal∴SSagr∴, embora de uma mesma raiz, se diferenciam conforme os costumes (ritos e rituais).

Fatalmente, é nesse ambiente que alguns ditos ritualistas misturam as coisas e logo, para acomoda-las, saem inventado desculpas, como por exemplo a da existência de duas PPal∴ SSagr∴ num mesmo grau. Ora, certamente somente uma delas é matéria que faz sentido. A outra é produto de enxerto e geralmente não encontra sustentação no arcabouço doutrinário original do grau e do rito.

De fato, eu tenho questionado essas meras cópias de rituais anacrônicos, assim como tenho também questionado as autoridades maçônicas que aprovam e adotam rituais sem antes atentar para o bom senso dos fatos que compõem a sua liturgia.

Na questão da Pal∴ Sagr∴ Moab∴, por exemplo, de há muito tenho explicado que ela é uma corruptela que acabou sendo consagrada no REAA. Ela é mesmo um paradoxo, já que no tocante ao REAA o correto deveria ser M∴ B∴, destacando que o seu significado se associa à frase original “tut∴ nos oo∴”, ou “ainda há tut∴ nos oo∴” - marrow in bone (note as iniciais no contexto da frase). Para ilustrar, basta observar o verdadeiro avental de Mestre Maçom do REAA aprovado desde 1875 no Congresso de Lausanne na Suíça. Esse avental original, orlado em vermelho, traz nele as letras M∴ B∴. Será por quê?

Infelizmente fizeram, inventaram e deturparam tanto os rituais que chegaram a dar um significado de “a c∴ s∴ d∴ dd∴ oo∴” para a palavra Moab∴ que por sua vez é originária do termo moabitas, habitantes de Moab, ou Moabe, mencionado na Bíblia.

A título de ilustração seguem alguns comentários sobre essa palavra no intuito de demonstrar que ela nada tem a ver com o sentido da Palavra no REAA que é o da “c∴ que se d∴ dos oo∴”. Nesse sentido, note que os moabitas foram um povo nômade que se estabeleceu a Leste do Mar Morto por volta do século XIII a.C., na região que mais tarde ficaria conhecida como Moab ou Moabe. Os moabitas eram um povo que descendia de Moab, filho de Ló. Eram parentes próximos dos israelitas e até tinham boa convivência com eles. Moab significa, em hebraico, “de seu pai”. Consta no Antigo Testamento ser esse o nome de um filho de Ló. Ele era ancestral dos moabitas (vide a tragédia que se assolou sobre Sodoma e Gomorra).

Ora, é difícil racionalmente engolir que os nativos de uma região montanhosa, hoje pertencente a Jordânia, e conhecidos como moabitas, tenham alguma coisa a ver com uma tradução igual a frase “a c∴ se d∴ dd∴ oo∴”. Me parece que isso esteja muito longe de ser uma tradução Moab∴, até porque não faz absolutamente nenhum sentido.

Como diz o ditado, água mole em pedra dura tanto bate até que fura, assim a Pal∴ Sagr∴ Moab∴ virou uma corruptela de M∴ B∴ no REAA.

Como se não bastasse essa aleivosia de tradução, alguns ainda a misturam com uma Pal∴ Sagr∴ do Rito Moderno, bem como também com outras derivações de rituais e trabalhos anglo-saxônicos (ingleses, irlandeses e escoceses) onde a palavra, com o mesmo sentido, tem escritas às vezes diferenciadas.

Por uma questão de sigilo não vou mencioná-las aqui, embora todas, sem exceção, tenham uma estreita relação com a frase “Marrow in Bone” – vide, por exemplo, a lenda Noaquita (Noé e seus três filhos: Sem, Can e Jafé) e a sua associação com a lenda de H∴ A∴.

No caso da sua questão propriamente dita, é provavelmente daí que vem a anomalia de existir mais de uma Pal∴ Sagr∴ em um mesmo grau de um mesmo Rito. Na verdade, isso nada mais é do que um acréscimo equivocado.

Um exemplo desses enxertos, embora não relativo às PPal∴, mas aos Painéis, é o do Painel do 1º Grau do REAA, onde alguns rituais desse Rito no Brasil trazem dois painéis, sendo um o original, que é o francês, e outro advindo do Craft, que um enxerto no escocesismo. Para justificar a inserção indevida de mais um painel, absurdamente alguns ritualistas passaram a chamar o intruso de Painel Alegórico, não obstante o Rito em questão ser de origem francesa e tradicionalmente possuir apenas e tão somente um Painel.

Nesse caso, ao tempo de se corrigir e eliminar o painel que não é nativo do rito, preferiu-se antes mantê-lo mascarando-o como Painel Alegórico, coisa que, como mencionado, ele não exista de modo algum no REAA.

Em síntese, na Maçonaria inglesa o painel é a Tábua de Delinear (Tracing Board), na francesa é simplesmente o Painel do Grau – cada um no seu sistema.

Vale a pena mencionar que entre ambos os painéis existem muitas diferenças no seu conteúdo simbólico, cujo corolário adapta-se ao teor iniciático do rito. Não dá para se misturar as coisas.

Dando por concluído, reitero que esse pode ser o caso de mais uma flagrante acomodação, onde um Rito estranhamente acabou indevidamente ganhando, num mesmo grau, duas PPal∴ SSagr∴.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BÍBLIA DE JEFFERSON

BÍBLIA DE JEFFERSON
Ir∴ Hercule Spoladore

Thomas Jefferson, um dos pais fundadores da nação americana, teve uma vida política bastante rica, ocupando cargos legislativos e executivos tais como deputado e governador da Virgínia, ministro, vice-presidente e presidente dos Estados Unidos. Próximo de sua morte, escolheu para seu epitáfio a expressão “Aqui jaz Thomas Jefferson, Autor da Declaração de Independência Americana, do Estatuto de Liberdade Religiosa da Virginia e Fundador da Universidade de Virgínia.”

Cientista, fazendeiro e arquiteto, sua imensa biblioteca foi incorporada à Biblioteca do Congresso Americano, após o incêndio que a destruiu na guerra de 1812. Jefferson nasceu em 13.04.1743 em Shadwell, Virgínia e faleceu em 04.07.1826 em Monticello, Virgínia. Fazia parte da fraternidade maçônica universal.

Deísta, Jefferson em 1813 elaborou uma bíblia fazendo recortes no Novo Testamento dos textos dos evangelhos, retirando destes as partes que considerava sobrenaturais ou que supôs hajam sido incompreendidas pelos evangelistas. O deísmo é uma escola filosófica que ensina ser Deus um ser superior, criador dos céus e da terra, mas que não intervém no seu funcionamento, permitindo que o universo realize seu curso na conformidade das leis naturais. Sua doutrina considera a razão como o caminho capaz de assegurar a existência de Deus, desconsiderando a prática de qualquer religião. A maioria dos deístas mostra respeito aos ensinamentos morais de Jesus.

A Bíblia de Jefferson ou mais formalmente A Vida e a Moral de Jesus de Nazaré, é formada de versículos dos 4 evangelhos, dispostos misturados numa ordem cronológica criando uma só narrativa. Inicia com a história do nascimento de Jesus e termina com o seu sepultamento.

Começa, assim, com Lucas 2 e Lucas 3, depois Marcos 1 e Mateus 3, terminando com João 19, estando distribuída em 17 capítulos.

Os versículos anotados por Jefferson são aqueles que não falam de anjos, profecias, milagres e nem fazem referências à Trindade, à divindade de Jesus e sua ressurreição. Exclui também aqueles que falam de condenação eterna e igreja institucionalizada. De modo que, foram selecionados os versículos que tratam dos aforismos morais e das parábolas de Jesus, constituindo assim um código de moral cristã despido do sobrenatural e de qualquer dogma religioso. Como o próprio Jefferson falou ao concluí-lo: “o que resta é o mais sublime e benevolente código de ética já oferecido ao homem”.

A nação americana foi formada sob a influência dos iluministas europeus. Thomas Jefferson, juntamente com John Adams, Benjamin Franklin, Thomas Paine, George Washington e outros, disseminaram os princípios deísticos produzindo sólidos efeitos sobre as estruturas política e religiosa dos Estados Unidos. Daí, a Bíblia de Jefferson ser considerada um código de ética cristão pleno de racionalidade, sem as amarras do sobrenatural próprias das religiões, ou seja, um guia moral dentro do agigantado labirinto da vida.

Fonte: JBNews - Informativo nº 155 - 29/11/2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

OS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS E A PRETENDIDA ORIGEM DA MAÇONARIA

CAVALEIROS TEMPLÁRIOS E AS ORIGENS DA MAÇONARIA
(republicação)

Em 19/06/2017 o Respeitável Irmão Demétrius Galego Davis, Loja José Caraver, 101, REAA, Grande Loja do Estado do Rio Grande do Sul, Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta o seguinte:

Há alguns dias recebi de um irmão do quadro da Loja que pertenço, a indicação para acessar seu Blog e, de imediato, já me pus a ler algumas Peças muito bem elaboradas e de riqueza significativa de temas maçônicos.

Na atualidade, estou fazendo pesquisas para elaborar uma Peça sobre o tema "Cavaleiros Templários e as Origens da Maçonaria". Confesso ter recebido algumas dicas de pesquisa (Jacques De Molay, A Lenda do Santo Graal e a Arca da Aliança, etc.)... Mas, confesso que estou um pouco "perdido" para elaborar esse trabalho.

Pelo exposto, gostaria de saber se o estimado Irmão teria alguma pesquisa já feita sobre esses temas, que poderiam ser úteis na elaboração da Peça de Arquitetura que ainda irei elaborar. Se o irmão tiver disponibilidade e aceitar compartilhar conhecimento comigo, serei muito grato.

CONSIDERAÇÕES:

FRASES ILUSTRADAS

ASPECTOS DO RITO SCHRÖDER

ASPECTOS DO RITO SCHRÖDER
Autor: Tiago Valenciano

Com mais de duzentos anos de existência, o Rito Schröder foi aprovado pela Maçonaria Alemã em 1801, após reunião da Assembleia dos Veneráveis Mestres da Grande Loja de Hamburgo. A essência do rito deve-se ao aperfeiçoamento da moral e à simplicidade. Da moral, pois sendo um maçom “livre e de bons costumes” deve zelar pela mesma em suas atividades da vida profana; da simplicidade, uma crítica feita pelo criador do rito, Friedrich Ulrich Ludwig SCHRÖDER, em alusão aos rituais exagerados da época.

Caracterizando a maçonaria como união de homens bons, voltada para a prática do humanismo, o entendimento dado à mesma por este rito refere-se à simbologia dos três graus iniciais – e não ao esoterismo. Assim, o Rito Schröder labuta exclusivamente nos três graus simbólicos: Aprendiz, Companheiro e Mestre. Além disso, todos os irmãos usam cartola e luvas brancas durante as sessões. As sessões são encerradas sempre por uma cadeia de união, conforme o ritual apropriado.

Na administração da loja, os cargos de VM, vigilantes e tesoureiro são eletivos, sendo o orador escolhido pelo VM para as questões que este considerar importante. O próprio VM é o guarda da lei. Secretário, diáconos, mestre de harmonia, cobridores e preparador são os demais cargos em loja, sendo o 1° diácono também mestre de cerimônias.

Após a abertura dos trabalhos, estende-se um tapete no centro do templo (que é também o painel do respectivo grau), com os lados representando os quatro pontos cardeais. Há três portas no mesmo, simbolizando o VM e os vigilantes, além de alguns símbolos alusivos à maçonaria. Ainda existem três colunas, com três grandes velas cada, sendo: A Coluna da Sabedoria fica na posição Nordeste, a da Força na posição Noroeste e a da Beleza no meio da orla sul do Tapete. O andar no interior do templo deve ser esquadrejado.

O templo é ornamentado com as colunas J (esquerda) e B (direita), fora do mesmo. A construção é feita sob um único nível, sem degraus do Ocidente para o Oriente. As paredes e o teto podem ser pintados da cor azul celeste ou variáveis, com simplicidade. Acima do VM, no oriente, deve-se instalar um triângulo com a letra “G” ao centro ou um esquadro/compasso, dispondo da mesma letra. As mesas são retangulares. Os aprendizes (norte) e companheiros (sul) sentam-se na primeira fileira.

Outro aspecto diferencial do rito diz respeito aos trajes e paramentos. O avental do Aprendiz é como os dos demais ritos, branco, utilizado com a abeta levantada; o de Companheiro é branco, orlado de azul celeste em torno da abeta – esta utilizada abaixada; e, por fim, o de Mestre, é orlado por todo de azul celeste, tanto na abeta como em torno do mesmo. Além dos aventais, o uso de luva é obrigatório em todas as sessões, bem como o traje maçônico completo: terno preto, gravata borboleta preta e camisa branca. Ainda assim, salientamos o uso de cartola em todas as sessões.

A introdução do rito no Brasil ocorreu em 1855, com a Loja “Amizade Alemã”, de Joinville. Mediante aos acontecimentos da Primeira Guerra Mundial, em 1917, a loja ficou proibida de trabalhar no rito, pois este era praticado em língua alemã, país adversário brasileiro naquela disputa. Até então, cerca de 50 lojas já exerciam atividades sob o Rito Schröder. Com a suspensão da loja em 1937, o rito ficou adormecido, retornando apenas em 1956 – já com rituais impressos em português.

Atualmente, as lojas do rito concentram-se nos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, com algumas lojas universitárias existentes no país. No Paraná, apenas o Grande Oriente do Paraná possui lojas regulares do rito, que são: 1) ARLSU Construtores de Templos nº 138, fundada em 2008 do oriente de Curitiba; 2) ARLS Trajano Reis nº 100, fundada em 1991 (a primeira do Estado), do oriente de Curitiba; 3) e a ARLS Demolay Nelson Dequech nº 133 fundada em 2006, do oriente de Londrina.

Bibliografia – sites consultados.

BUSCA AÉREA. Schroder, o rito do terceiro milênio. Disponível em: <>. Acesso em: 30 Março 2010.
FILHO, Ubyrajara de Souza; RINKUS, Werner. Rito de Schroder. Disponível em: . Acesso em: 30 Março 2010.
NETO, Rui Jung. Rito Schroder – Loja Maçônica Estrela do Sul. Disponível em: <> Acesso em: 30 Março 2010.
OS PRINCIPAIS RITOS PRATICADOS NO BRASIL E NO MUNDO. Rito Schroder. Disponível em: <> Acesso em: 30 Março 2010.

Fonte: https://pavimentomosaico.wordpress.com

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

O LUGAR DO COBRIDOR EXTERNO NO ENCERRAMENTO DOS TRABALHOS

O LUGAR DO COBRIDOR EXTERNO NO ENCERRAMENTO DOS TRABALHOS
(republicação)

Em 20/06/2017 o Respeitável Irmão Ilson A. Rhoden, Loja Gonçalves Ledo, REAA, GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, pede esclarecimentos para:

Estava eu exercendo a função de cobridor externo na última sessão de minha loja, Joaquim Gonçalves Ledo, do Oriente de Curitiba, de fronte ao Irmão Clemente Escobar, que nos lê em cópia e que ocupava a função de Cobridor Interno, quando me veio a dúvida acerca da correta posição do cobridor externo no encerramento dos trabalhos, mais precisamente durante a retirada dos Irmãos do Templo.

O Irmão Clemente defendeu a tese de que o cobridor externo, por lógica, deveria se posicionar na parte externa, ao lado da porta, no átrio.

Diante da minha dúvida consultei a dinâmica ritualística do Rito Escocês Antigo e Aceito, a qual creio ser de grande parte de sua lavra, e constatei que a dinâmica não faz menção expressa ao Cobridor Externo, somente ao Cobridor Interno, durante o encerramento.

Posto isto, qual o posicionamento correto do Cobridor Externo durante a retirada dos Irmãos do Templo?

a) no átrio, conforme sugeriu o Irmão Clemente;

b) de fronte ao Cobridor Interno, na coluna do Norte, onde eu estava postado;

c) deve se retirar com os demais oficiais da Loja;

Desde já muito obrigado pela atenção e pelas considerações, as quais tenho certeza serão muito esclarecedoras.

CONSIDERAÇÕES:

Antes de tudo é preciso mencionar que existe um grave erro na posição dos lugares dos Cobridores dentro da Loja. O Interno no Sul e o Externo no Norte, ambos próximos à porta, o que aconteceu no ritual em vigência foi um erro de impressão que colocou os dois Cobridores, um de frente para o outro. O sentido correto das respectivas cadeiras é a de que elas fiquem voltadas para o Oriente em posições simétricas no extremo do Ocidente à direita e à esquerda da porta.

Note que além do Primeiro Vigilante existem outros oficiais que no Ocidente ficam de frente para o Oriente. É o caso dos Expertos, do 2º Diácono, do Mestre de Harmonia.

Reforçando os erros de impressão que acontecem nos atuais rituais do GOB, observe no Ritual de Mestre na Planta do Templo e veja qual é o Painel que está colocado no centro. Note que equivocadamente no Terceiro Grau está impresso o Painel do Primeiro Grau, o que obviamente não faz sentido.

Assim, antes das convenções peripatéticas comuns à Maçonaria latina como as do “onde está escrito” ou “onde está impresso”, é preciso que em alguns casos a situação seja mais bem avaliada. É o caso dos assentos dos Cobridores voltados um de frente para o outro que deveriam estar voltados para o Oriente.

Dados esses comentários e respondendo a sua questão, o Cobridor Externo no encerramento dos trabalhos no REAA⸫ se retira junto com os demais Mestres. Cobridor Externo fica no átrio somente durante a abertura dos trabalhos, ingressando em seguida. 

A título de ilustração, isso é particularidade de alguns ritos e não uma constante ritualística, posto que no Craft Inglês, por exemplo, geralmente o Guarda Externo (o Tiler) permanece o tempo todo no átrio, não ingressando na sessão, inclusive nem sempre ele é membro da Loja na qual está trabalhando. No costume inglês o Guarda Externo é um Past Master e literalmente é pago (recebe pelo ofício) para exercer essa função nos dias de sessão das Lojas.

T⸫F⸫A⸫
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

BALANDRAU

1º - Espécie de opa ou beca com mangas, o Balandrau é fechado até o pescoço, sendo confeccionado de tecido preto que pode variar de acordo com o clima.

2º - O Balandrau é usado por certas irmandades em atos religiosos, tendo sido adotado como vestuário pelos irmãos de várias Lojas do Brasil.

3º - O uso do Balandrau, segundo nos parece, é uma peculiaridade da Maçonaria brasileira, pois nenhum autor ou dicionarista maçônico, fora do Brasil, refere-se a ele como indumentária maçônica.

4º - Esta peça de vestuário parece ter sido adotada pelos Maçons brasileiros como substituto barato e confortável do traje a rigor preto exigido nas cerimônias maçônicas, que é o smooking com gravata borboleta e luvas brancas.

5º - Assim, em várias Potências, o uso do Balandrau não foi aprovado nem desaprovado, foi simplesmente tolerado, não constituindo, portanto, para muitos, um traje litúrgico

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

"ASSOMBRAÇÕES MAÇÓNICAS..."

"ASSOMBRAÇÕES MAÇÓNICAS..."

Começo o título do texto de hoje com a palavra "assombrações" porque de lés-a-lés surgem notícias que assombram o mundo maçónico.

Algumas vezes são verídicas e factuais, outras nem tanto, mas a maioria totalmente falsas. Contudo, as notícias que me suscitam alguma preocupação na verdade, são aquelas que são mesmo verdadeiras e que focam algo que foi feito ou envolveu de forma negativa algum membro da Ordem Maçónica.

Quando algum maçom transgride as regras da "civilização", seja através de condutas marginais ou por comportamentos ditos desviantes, e por isso mesmo passiveis de críticas por ultrapassarem qualquer tipo de razoabilidade, não será apenas o maçom em questão que sofre as consequências, mas a Maçonaria na generalidade; até porque a opinião pública irá sempre condenar a Maçonaria no seu todo e não apenas quem foi o causador da notícia ou situação em apreço.

Quando ocorrem esse tipo de situações, por norma, são sempre desenvolvidas novas teorias face às existentes bem como outras são usualmente relembradas, sejam elas verdadeiras ou falsas -para o comum dos mortais o que importa é falar, mesmo que não saiba do quê!- e são sempre lançados para a "fogueira" nomes de eventuais maçons, tenham essas pessoas ligações à Maçonaria ou não, acarretando sérios prejuízos para essas personalidades.

Naturalmente que todos os maçons condenam quem não sabe viver em sociedade, principalmente aqueles que se assumem como sendo "pessoas livres e de boa conduta", porque esses devem ter sempre algum cuidado e parcimónia nas suas ações, uma vez que estão sempre debaixo do escrutínio permanente do mundo profano.

Algo que os maçons deverão ter atenção é que devem nas suas práticas mundanas ter os mesmos comportamentos que terão na sua vida privada, ou seja, " fazer à vista de todos o que fariam se ninguém os estivesse a observar". E ter tal noção é uma forma de limitar acontecimentos onde poderão "derrapar" ou que sejam propícias situações impróprias para os maçons, seja a nível pessoal como coletivo.

O "segredo" que é análogo à Maçonaria também fomenta tais situações, porque pode levar a pensar que a coberto de um certo tipo de secreticidade tudo se possa fazer; o que na realidade é completamente falso!

A ignorância profana sobre o que se passa no seio das Lojas Maçónicas leva à efabulação sobre o que por lá é tratado. E essa é quiçá uma das condicionantes a que todos os maçons estão sujeitos.

Normalmente quando a Maçonaria é falada nos círculos mais mundanos é quase sempre referente a teorias que pululam por aí, sobre os rituais possíveis de serem praticados ou pela eventual identificação dos membros de alguma Obediência. Mas quando algum maçom se mete a jeito, tanto pior... A mediatização que envolva um caso que envolva um maçom ou algum alegado maçom é amplamente exponenciada, mesmo que o indivíduo seja inocente ou não. A fome pela obtenção de informação sobre qualquer coisa que envolva ou toque a Maçonaria é sempre enorme.

Mas quando é tornado público situações que envolvem conflitos de egos, usurpações de poder, ambições desmedidas, projetos pessoais e afins, obviamente que a crítica é forte e incisiva, pois se a Maçonaria se assume como uma Ordem de carácter espiritual, como podem ter lugar tais comportamentos!?

Mas a verdade é que eles existem e temos de viver com eles, tentando solucioná-los da melhor forma possível e caso a caso. E estes "fantasmas" que vão aparecendo de tempos a tempos e que alimentam o descrédito que a população tem sobre a Maçonaria é sempre alvo de repúdio, inclusive interno no seio das várias Obediências.

-Os problemas entre" egos e malhetes" acabam sempre por prejudicar o "esquadro e o compasso"...-

O que me remete em jeito de conclusão para a seguinte reflexão:

Farão estas individualidades tanta falta à Maçonaria que ela não subsista sem eles ou eles é que sentem que fazem falta à Maçonaria para que esta Instituição possa progredir?!"

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

LANÇAMENTO DA PEDRA FUNDAMENTAL DO TEMPLO

Em 21.07.2021 o Respeitável Irmão Alexander George Whyte Gailey, Loja Renascer de Cotia, 3706, GOB-SP, REAA, Oriente de Cotia, Estado de São Paulo, apresenta a questão que segue.

PEDRA FUNDAMENTAL

Venho por esta solicitar orientação sobre o lançamento da pedra fundamental do projeto que temos da construção de nosso Templo. Alguns Irmãos comentaram que existe um “ritual “para este tipo de procedimento e gostaria que pudesse nos esclarecer com a luz de sua sapiência.

CONSIDERAÇÕES:

Na verdade, a Pedra Fundamental na Moderna Maçonaria não se trata especificamente de uma pedra angular, mas genericamente é o marco inicial simbólico da construção de um templo maçônico.

Especulativamente, consiste em colocar em uma urna algo que represente aquele solene momento e fique devidamente registrado para a mente dos pósteros. Geralmente a tendência é de que essa urna seja aberta futuramente quando a Loja comemorar o seu jubileu de prata, jubileu de ouro, ou outro qualquer momento relevante para a Loja.

A bem da verdade, esse costume rememora de maneira simbólica os tempos operativos da Maçonaria quando era colocada, no canto nordeste da obra, a sua pedra angular, ou seja, o marco referencial de onde partiam todos os nivelamentos, alinhamentos e aprumadas da construção. Era uma espécie de 0=PP, ou o ponto de partida da obra.

Na Moderna Maçonaria, especulativa por excelência, esse costume é relembrado em se enterrando num lugar próximo ao canto nordeste do canteiro de obras uma urna representativa, contudo tomando-se o cuidado para que esse elemento emblemático não venha posteriormente atrapalhar a construção da verdadeira estrutura da fundação da obra.

A referência “canto nordeste” vem dos tempos do ofício quando era marcado o primeiro “canto” em cujo qual se utilizava o cordel de 12 nós equidistantes que servia para esquadrejar as esquinas da edificação em se aplicando a 47ª Proposição de Euclides (Teorema de Pitágoras).

O canto, ou esquina inicial, ficava na banda nordeste do canteiro porque no hemisfério Norte, berço de nascimento da Maçonaria, esse era hipoteticamente o lugar mais escuro e mais distante da luz que aparentemente vinha da banda Sul (do mais escuro para o mais iluminado). Na verdade, é a aparente declinação máxima do Sol em direção ao Sul no inverno setentrional.

A aplicação prática desse teorema era a de que partindo dessa pedra angular (canto inicial) marcavam-se três nós do cordel em direção ao Sul (Meio-Dia); quatro outros nós em direção ao Ocidente (ocaso do Sol); fechava-se a hipotenusa desse triângulo retângulo com cinco nós. Dessa aplicação resultava o “canto” esquadrejado (90º). Não à toa que o substantivo “canteiro” é derivado de “canto”.

Assim, simbolicamente os rituais, ou os roteiros especulativos, vivenciam essa antiga gênese de edificação do período operativo da Maçonaria, ordenando para tal um cerimonial para o lançamento da Pedra Fundamental.

Em linhas gerais o ponto básico dessa cerimônia especulativa consiste em fazer com que os oficiais da Loja literalmente percorram os quatro cantos do polígono que baliza futura construção (pelo terreno ao ar livre) como que vivenciando essa alegoria. Para isso a comitiva parte simbolicamente do canto nordeste e paulatinamente passa respectivamente pelos cantos noroeste, sudoeste e sudeste, voltando ao canto nordeste que é o ponto inicial. O trajeto simula o quadrilongo projetado do Templo.

No caso do ritual, no GOB existe um “Roteiro de Lançamento da Pedra Fundamental” que se encontra em Rituais Especiais, Eventos Irrestritos e Roteiros, Decreto 1517/17, edição 2017 em vigência.

Vale mencionar que esse roteiro do GOB carece de correção porque lamentavelmente na sua página 231, consta uma planta onde o ponto cardeal Norte descrito está contraditório à situação do retângulo emblemático, pois a orientação que deveria coincidir com os pontos cardeais Norte, Sul, Leste e Oeste encontra-se com o Norte apontando para o Leste (Oriente). Entenda-se que a grande marcha (procissão dos Oficiais) que ocorre na cerimônia de Lançamento da Pedra Fundamental é horária e parte do canto nordeste. Sem dúvida, isso precisa ser corrigido, fazendo assim com que os pontos cardeais Norte, Sul, Leste e Oeste coincidam com os lados Norte, Sul, Leste e Oeste do retângulo balizador da futura construção.

Em relação ao cerimonial propriamente dito, vale mencionar que o final da grande marcha ocorre quando a procissão atingir novamente o canto NE, onde nele é enterrada a urna que simboliza a Pedra Fundamental.

É nesse momento que a urna recebe elementos como jornais da época, moedas, notas, copias de discursos proferidos na ocasião, ata do evento, cópia do projeto, fotos, e outros elementos que possam fazer parte da solene ocasião e relembradas no futuro.

Eram esses os suscintos comentários, destacando que procurei também ilustrar a origem dessa cerimônia que atualmente tem sido própria de muitos ritos maçônicos especulativos da Moderna Maçonaria.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

RESPOSTA A UM MAÇOM DESILUDIDO - II

RESPOSTA A UM MAÇOM DESILUDIDO - II
J. Filardo M∴ I∴ 

O artigo anterior foi a expansão de uma resposta que dei privativamente a um irmão que comentou outra matéria, para compor o texto sobre a desilusão ou quebra de expectativa, algo que, em minha opinião, representa um dos maiores, se não o maior problema da Maçonaria em nível mundial.

Esse irmão replicou ao meu comentário ainda com algumas noções equivocadas sobre a Ordem Maçônica. Volto a publicar minha resposta à sua réplica.

A instituição Maçonaria (especulativa) conforme a conhecemos foi inventada em 1717 e é essa à qual pertencemos. Basta ler o Artigo 1 da Constituição de Anderson, para ver que os inventores dela pretendiam somente que a loja fosse “um centro de união para reunir homens que de outra forma nunca se conheceriam”. Eles não falaram em sociedade iniciática ou coisa parecida.

“Artigo 1 – Um maçom é obrigado por seu mandato a obedecer à lei moral e, se compreende bem a arte, nunca será um ateu estúpido nem um libertino irreligioso. Embora nos tempos antigos os maçons fossem obrigados em cada país a praticar a religião daquele país, qualquer que fosse ela, agora é considerado mais conveniente apenas obrigá-los a seguir a religião com a qual todos os homens concordam, isto é, ser homens bons e verdadeiros, ou homens de honra e probidade, quaisquer que sejam as denominações ou confissões que ajudam a diferenciá-los, de forma que a Maçonaria se torne o centro de união e o meio para estabelecer uma amizade sincera entre homens que de outra forma permaneceriam separados para sempre”.

O “ritual” operativo era simples, chamava-se “Palavra de Maçom” e o maçom era (ainda é) “feito” e não “iniciado”. O Aprendiz não era bem um membro da loja. Ele estava vinculado diretamente ao Mestre da Loja a quem devia obediência. Terminado o seu período de treinamento, geralmente de sete anos, ele era apresentado à Loja para receber sua obrigação, o toque de maçom e a (s) palavra (s) de passe. Nesse momento, liam para ele a História do Ofício (algo como aquela introdução das Constituições de Anderson – que não era exatamente igual à dos Operativos, já que Anderson inventou uma mitologia própria dessa nova invenção de 1717) e suas Obrigações (Old Charges) que ele jurava cumprir. Passava então a ser Companheiro. O grau de mestre só viria a ser inventado vinte anos depois.

Esse ritual foi adotado pelas lojas da Maçonaria de 1717. Toda a filosofia adicional foi gradativamente sendo introduzida e deformando a instituição original, transformando-a em outra coisa totalmente diferente. Isso aconteceu principalmente no Continente europeu, quando a Franco-Maçonaria foi transplantada para o ambiente latino. Foi também quando Rosacruzes e outros hermetistas descobriram as lojas maçônicas que lhes ofereciam a estrutura ideal para estudar suas matérias. E assim foi, um pendura uma coisa aqui, outro pendura algo acolá e aquela pequena construção que abrigaria os homens sérios e de bons costumes foi se transformado em uma catedral barroca parecida com a Sagrada Família de Barcelona.

Quanto aos operativos, eles eram efetivamente rudes e analfabetos, com exceção talvez do Mestre da loja (proprietário da empreiteira) que detinha um conhecimento um pouco mais ampliado, provavelmente conseguindo ler as plantas traçadas pelo Arquiteto (que quase nunca era um maçom, e na maior parte das vezes era um eclesiástico). Se puder ler em inglês, leia as constituições manuscritas dos operativos (publiquei na Amazon um livro “Old Charges of the British Freemasons” que dá uma visão mais clara do mundo deles.

As catedrais eram concebidas por eclesiásticos ou nobres que eram os arquitetos. Veja-se o caso da Catedral de St. Paul em Londres em que o arquiteto foi o Mestre de Loja (Operativa) Sir Christopher Wren e as lojas operativas irlandesas, escocesas e inglesas a construíram.

Os maçons eram apenas uma das guildas que construíam aquelas obras, havia guildas de pedreiros, de ferreiros, de vidreiros, de carpinteiros, de escultores, etc. cada uma delas especializada em uma parte da obra. Essa noção de que só os maçons pedreiros construíram as catedrais é parte da plêiade de desinformação publicada por “achistas” que não pesquisam e que ousam publicar suas ideias sem base. A Madras aceita tudo.

Mas, conforme dissemos no artigo anterior, a Maçonaria pura e simples se reduz ao cultivo da fraternidade, ao aperfeiçoamento pessoal e sua projeção no meio e dentro desse aperfeiçoamento pessoal, existem os “Altos Graus” ou Graus Filosóficos. Ninguém é menos maçom se não for além do terceiro grau. E um maçom de grau 33 (ou de grau 99 como no rito Memphis Misraïm) não é mais importante que um maçom de grau 3.

Agora uma confissão. Eu mordo a língua e me penitencio de público nesse momento. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa…

Eu costumava fazer blague de algumas lojas que eu chamava de R.E.A.A. – Ritual E Ata e Ágape. Minha crítica era que aquelas lojas não exercitavam um aspecto tradicionalmente desenvolvido na Maçonaria brasileira: a participação na política de sua comunidade. É claro que não me referia ao Rito Escocês, e também eu dizia isso sobre as lojas das grandes cidades que geralmente não têm ação política porque os centros de poder são muito descentralizados, o que não ocorre em pequenas e médias cidades, onde a Maçonaria pode exercitar sua tradicional influência sobre as instituições da sociedade, em linha com nossos fundadores de 1822.

A Maçonaria brasileira, tanto reconhecida quanto não reconhecida, não tem consciência de que têm o DNA francês e que o intervencionismo é uma de suas características. Pretende seguir a orientação de Londres de “não discutir política nem religião”, mas na prática cada candidato que ingressa na Ordem tem no seu inconsciente a imagem da maçonaria “francesa” que foi a Maçonaria brasileira até início do século XX. E muitas vezes se frustra ao descobrir que isso é coisa do passado e que hoje muitas lojas são apenas e tão somente redutos conservadores.

Mas, Oh meu Zeus! como estava enganado. A velhice trouxe-me o aumento do entendimento, juntamente com o gosto pelo estudo da história, e acabei descobrindo que o “ágape”, ou “copo d’água” e a loja de mesa são a tradição mais cara e mais importante da Maçonaria, herdada, isso sim, do Mitraismo, com seus jantares ritualísticos, através da Maçonaria Operativa reunida em tabernas, pois é à mesa, em torno de um bom prato e uma cerveja que se formam os vínculos mais estreitos.

Na Maçonaria cabem todas as personalidades – para isso existem diferentes ritos que atendem a diferentes tendências – mas que têm um núcleo comum que no fundo é o rito “Palavra de Maçom” original, acrescido de mil penduricalhos e adereços “descobertos” e agregados pelos “achistas” de plantão, descontentes com aquela simplicidade clássica.
Mithraeum

Nela há lugar para todo mundo, desde os mais simples até verdadeiros gênios inquietos que se perguntam: “Mas é só isso?” e insatisfeitos partem para uma busca mais profunda de um significado que lhe satisfaça. Todos são importantes e apesar de seus graus, sempre serão Mestres Maçons e serão melhores maçons na medida em que exercitarem, não os seus altos conhecimentos, mas a simples fraternidade.

Fonte: https://bibliot3ca.com

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

RETORNO DO USO DA PALAVRA

Em 20/07/2021 um Respeitável Irmão de uma, Loja do GOB-PR, REAA, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

USO DA PALAVRA

Ontem em seção fiquei na dúvida em relação da palavra do bem e da ordem, o Irmão Companheiro pediu a palavra, o que lhe foi concedida de pronto, terminou de explanar, e foi passada a palavra a outro Irmão Companheiro, e quando este segundo Irmão terminou de explanar o Irmão Companheiro que já havia feito uso da palavra por primeiro solicitou novamente a palavra e lhe foi concedida novamente.

A minha dúvida é neste caso foi feito correto lhe devolvendo o uso da palavra, ou não deveria
ser lhe dado novamente o uso da palavra pela segunda vez?

CONSIDERAÇÕES:

Enquanto a palavra ainda estiver na coluna, embora não recomendável, o obreiro até pode pedi-la novamente ao Vigilante, podendo este concedê-la ou não.

Caso em que a palavra já esteja em outra coluna, o Vigilante informa ao Venerável Mestre que um obreiro da sua Coluna está pedindo a palavra novamente. A critério do Venerável Mestre, ele pode ou não a conceder. Concedendo-a, a palavra será colocada novamente nas colunas, obedecendo o giro completo, isto é, retorna a partir da Coluna do Sul.

Dado a particularidade ritualística é recomendável que o Venerável Mestre pondere e só a conceda novamente se de fato o motivo exigir, caso contrário, muitos poderão se achar no direito de pedir a palavra novamente, causando com isso prejuízos ao andamento da liturgia.

Reitera-se, estando a palavra ainda na mesma coluna, como foi dito no começo, é até aceitável, mas não recomendável, cabendo nesse caso ao Vigilante avaliar o pedido de retorno.

Assim, é recomendável que a Loja programe uma instrução para o tempo de estudos sobre o uso da palavra em Loja, sobretudo para que o maçom aprenda que ele deve ser claro e objetivo nos seus pronunciamentos, falando apenas o estritamente necessário, evitando com isso repetições e declarações enfadonhas amparadas por rançoso lirismo.

Ensina-se no primeiro trivium (gramática, retórica e logica), inclusive, que o usuário da palavra deve respeitar os ouvidos da assembleia que o ouve. Ficar corriqueiramente pedindo para usar a palavra novamente não é salutar para as exigências da Arte. É primário na Maçonaria se saber que o maçom ouve mais do que fala – vê, ouve, bem age, medita e se cala. Nada disso pode ser compreendido como cerceamento da liberdade, mas uma salutar regra de convivência em sociedade.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

ABERTURA DO LIVRO DA LEI

ABERTURA DO LIVRO DA LEI

1. Não são todos os Ritos que abrem o Livro da Lei, pois, em alguns deles, o Livro permanece fechado, bastando a sua presença. Dos seis Ritos praticados no Brasil temos:

Escocês: faz a abertura e leitura dos versículos;
York: faz a abertura, mas não há leitura dos versículos;
Adoniramita: faz a abertura e a leitura dos versículos;
Schroeder: o Livro permanece fechado;
Brasileiro: faz a abertura e leitura dos versículos;
Moderno: o Livro permanece fechado (nesse caso, rigorosamente, o Livro é a primitiva Constituição de Anderson de 1723, se for seguida à reforma francesa de 1877).

O Livro das Sagradas Escrituras é o Livro da Lei Moral, para os Ritos teístas, representando, portanto o caminho da retidão, a ser seguida pelo maçom; não é o símbolo da presença divina, pois esta é representada pelo Delta e não pelo Livro. Os agrupamentos maçônicos primitivos, tanto os de ofício (ou operativos), quanto os dos primeiros aceitos (especulativos), não utilizavam a Bíblia, que só seria introduzida nos Trabalhos em 1740, pela Primeira Grande Loja, a de Londres, fundada em 1717.

2. No Grau de Aprendiz, tanto no G.O.B., como também nas Grandes Lojas influenciadas por algumas Grandes Lojas Norte-Americanas, que trabalham no Rito de York, adotaram a abertura do Livro da Lei no Salmo 133. A leitura desse Salmo surgiu na Inglaterra por volta de 1753, quando não havia, ainda, um Rito inglês plenamente estabelecido.

Essa leitura foi abandonada, depois, e o Rito passou a preconizar a abertura do Livro em qualquer lugar e sem necessidade de qualquer leitura; algumas Grandes Lojas Norte-Americanas, contudo, passaram a utilizar o Salmo, influenciando as Grandes Lojas brasileiras.

Hoje, só os Grandes Orientes Independentes - é que usa o Evangelho de S. João cap. I, 1 a 5, que é tradicional no R.E.A.A., pois mostra o triunfo da Luz sobre as trevas, que é o lema do Grau de Aprendiz: 'No princípio era o Verbo, e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por ele; e nada do que foi feito, foi feito sem ele. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens: e a luz resplandece nas trevas, mas as trevas não a compreenderam'.

3. O Rito Adoniramita também homenageia o Evangelista, abrindo o Livro no Evangelho de S. João, cap. 1: 6-9: 'Houve um homem enviado por Deus, que se chamava João. Este veio por testemunho da Luz, a fim de que todos cressem por meio dela. Ele não era a Luz, mas veio para que desse testemunho da Luz. Era a Luz verdadeira, que alumia a todos os homens, que vêm a este mundo'.

4. No R.E.A.A. a abertura do Livro da Lei se dá: (Bíblia de Jerusalém).
Grau de Aprendiz: (Salmo 133) 'Vede: Como é bom, como é agradável habitar todos juntos, como irmãos. É como óleo fino sobre a cabeça, descendo a barba, a barba de Aarão, descendo sobre a gola de suas vestes. É como o orvalho do Hermon, descendo sobre os montes de Sião, porque ali manda Iaweh a bênção, a vida para sempre'.

Grau de Companheiro: (Am. 7,7-8). 'Assim me fez ver: Eis que o Senhor estava de pé sobre um muro e tinha em sua mão um fio de prumo. E Iaweh me disse: Que vês, Amós? Eu disse: 'Um fio de prumo'. O Senhor disse: 'Eis que vou pôr um fio de prumo no meio do meu povo, Israel, não tornarei a perdoá-lo'.
Grau de Mestre: (Ecl. 12, 1-7). 'Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os dias da desgraça e cheguem os anos dos quais dirás: 'Não tenho mais prazer'. Antes que o pó volte à terra de onde veio e sopro volte a Deus que o concedeu'. (V. Amós, Eclesiaste, Livro da Lei, Salmo 133)

Fonte: https://focoartereal.blogspot.com

domingo, 9 de janeiro de 2022

CARACTERÍSTICAS DO TEMPLO NA SUA DECORAÇÃO E AS COLUNAS ZODIACAIS

Em 18.07.021 o Respeitável Irmão Hugo Schirmer, sem mencionar o nome da Loja, Rito Adonhiramita, GORGS (COMAB), Oriente de Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a questão seguinte;

DECORAÇÃO DO TEMPLO E AS COLUNAS ZODIACAIS.

Boa tarde Amado Irmão Pedro Juk. Estou numa encruzilhada.

Temos duas correntes de Maçonaria?

a) Ritos da Corrente Anglo saxônica, têm decoração no Templo, desnudo? Sim? Não?

b) Ritos da Corrente Latina ou Francesa, têm a dita decoração?

c) Corrente brasileira, têm a dita decoração no Templo?

Templo, Loja, Oficina, ou como se quiser.

Decoração que digo, seriam colunas, degraus, correntes, janelas, etc.

É que me apareceu uma dúvida sobre esse detalhe, que nunca me chamou atenção, talvez porquê sempre se trabalha em templos diversos do seu Rito.

Afinal quem têm Colunas Zodiacais? Ou não têm?

COMENTÁRIOS:

No tocante aos rituais anglo-saxônicos e a decoração da Sala da Loja (é assim que e chamado o espaço de trabalho na corrente inglesa), não se trata de uma decoração desnuda propriamente dita, mas diferente, talvez mais simples, da de ritos de outras vertentes maçônicas – tanto sob o aspecto decorativo, quanto no aspecto topográfico, cujo qual não adota separação e elevação do quadrante oriental da Loja.

Compreenda-se que o conjunto simbólico primordial do grau está o Quadro da Loja, conhecido na vertente inglesa como a Tábua de Delinear (Tracing Board).

Ainda sobre a vertente anglo-saxônica e a decoração do espaço de trabalho, não existe uma regra apropriada, senão a de que espaço comporte os trabalhos maçônicos de acordo com o costume, portanto é comum se observar na vertente anglo-saxônica uma variedade decorativa, variedade essa que é tomada ipisis litteris como decoração ou arranjo, onde muitos desses elementos nem mesmo fazem parte do relicário simbólico do working – são portanto meramente elementos decorativos que nem constam em catecismos e regulamentos maçônicos.

Essa característica é bastante comum na vertente anglo-saxônica de Maçonaria, não existindo, contudo, uma decoração elaborada para a abóbada como acontece no REAA, por exemplo. Também não há cor determinada para a pintura das paredes, etc.

De comum mesmo é a posição dos principais Oficiais e as Luzes Menores conforme o working, assim como alguns elementos que são de uso universal da Maçonaria, independente de rito ou trabalho, como é o caso do Livro da Lei, do Compasso e do Esquadro (Luzes Maiores).

Já a vertente latina de Maçonaria possui outra característica, provavelmente pela sua constituição histórica a partir do Grande Oriente da França no século XVIII e posteriormente o Rito dos 7 Graus seguido do sistema conhecido como escocesismo.

A característica da vertente latinha e a decoração dos seus Templos (assim conhecidos na Maçonaria Francesa), a despeitos dos elementos universais utilizados, foi construída conforme os ideais dos seus ritos, principalmente no caso o Rito Francês, ou Moderno (à época conhecido por Rito dos 7 graus), assim como os Ritos Adonhiramita e Escocês Antigo e Aceito originário da corrente escocesista em França a partir de 1649.

Conforme a história de cada um desses ritos é que foram construídas dada uma das respectivas decorações dos seus templos, em particular o REAA que veio ter o seu primeiro ritual para o simbolismo em 1804, mas que já em 1820/21 sofreria modificações devidas à constituição das Lojas Capitulares (vide essa história).

Nesse sentido a vertente latina de Maçonaria, criou atributos próprios, como o da topografia da Loja com o Oriente elevado e dividido para assim acomodar o santuário Rosa-Cruz.

Essa forma capitular do Grande Oriente dirigir todos os graus até o Capítulo, logo veio alterar inclusive o ritual original do REAA que não possuía essa distinção e com isso sofreu alteração quando o Grande Oriente o adotou fazendo para tal adaptação para o seu sistema capitular.

Assim, o REAA passava a seguir a mesma topografia (oriente elevado e dividido) do Rito Francês (7 Graus) e do Adonhiramita originalmente com 12 Graus. Note que o ápice da escalada iniciática desses ritos era o Grau Rosa-Cruz e era dirigido pelo Grande Oriente da França. Seguindo esse mesmo parâmetro o REAA teria no Grande Oriente suas Lojas Capitulares cujo ápice era o 18º Rosa-Cruz e o dirigente da Loja era o Athersata que era também o Venerável Mestre, enquanto que os demais graus ficariam como o II Supremo Conselho, o da França.

Nesse contexto, os Ritos Francês e Adonhiramita adotavam a cor azul para as paredes dos seus templos, enquanto que o REAA por influência da Loja Mãe Escocesa (extinta em 1816) adotava a cor encarnada associada ao escocesismo, por extensão aos “Stuarts” e o catolicismo (vermelho – a cor do cardeal). A cor encarnada do Rito seria oficializada no Conselho de Lausanne, realizado na Suíça em 1875.

No que concerne à Maçonaria Brasileira, não se trata bem de ser uma corrente maçônica, mas a de ser uma Maçonaria filha espiritual da França, pois os primeiros ritos praticados no Grande Oriente Brasílico (depois do Brasil) foram os ritos Moderno e Adonhiramita, em seguida oficialmente, a partir de 1832 do REAA. Obviamente que as características de cada um desses ritos seriam aqui também implantadas, contudo, o que também houve de fato, foi uma mistura de procedimentos de uns em outros ritos – coisas da Maçonaria latina.

Sob essa óptica a Maçonaria Brasileira teve uma formação básica latina, embora não se possa negar que de há muito tempo também já se pratica por aqui a Maçonaria anglo-saxônica e anglo-americana.

O que de fato não se pode negar na história da Maçonaria Brasileira foi a infeliz mistura de praticas ritualísticas decorrente da profusão de rituais no contexto social (século XIX até os meados do XX) da época na Maçonaria Tupiniquim (é preciso conhecer essa história).

Acrescente-se a isso ainda a existência de três Obediências regulares brasileiras, tendo cada qual o seu elenco de rituais que, a priori, acabaram ganhando suas próprias características, sobretudo pelas práticas muitas vezes enxertadas de uns em outros ritos.

Especificamente sobre as Colunas Zodiacais na decoração dos Templos do REAA, essa construção alegórica associada a um rito solar teve sua origem nas Lojas Mães Escocesas, depois Loja Geral Escocesa, não as colunas propriamente ditas, mas as doze constelações zodiacais como marcos do movimento imaginário do Sol na sua eclíptica.

Na sua decoração inicial iam apenas as constelações do Zodíaco, fixadas ou desenhadas na base da abóbada, posteriormente seria adotado o uso de colunas encravadas nas paredes Norte e Sul para indicar o caminho iniciático do maçom. Nesse sentido, vale a pena mencionar que no princípio essas colunas nem mesmo existiam, só se tornando definitivas com a evolução dos rituais a partir do final do século XIX e começo do século XX.

O que se pode dizer a respeito é que as Colunas Zodiacais são elementos alegóricos originais do REAA, sobretudo porque explicam uma doutrina iniciática que tem por desiderato comparar a evolução (transformação) do elemento homem com a transformação da Natureza operada pela revolução anual e aparente do Sol formando os ciclos da Natureza (estações do ano).

Desse modo, outros ritos que porventura as adotem, o fazem por pura enxertia, pois esses elementos emblemáticos não se coadunam com o arcabouço doutrinário de outros ritos latinos e muito menos ainda com os trabalhos anglo-saxônicos.

Vale mais uma vez mencionar que essa alegoria natural é originária da Loja Mãe Escocesa, loja criada em outubro de 1804 para elaboração do primeiro ritual simbólico do REAA na França. Assim, essa Loja Mãe, que seria extinta em 1816 por motivos capitulares, originalmente deu ao REAA a abóbada estrelada e decorada com astros e constelações, das quais inclusive as zodiacais figuradas na sua base, além da cor encarnada do Templo; a posição original das Colunas Solsticiais B e J, norte e sul respectivamente; e a aclamação Huzzé como saudação ao Sol.

Enfatizo que tudo isso é contribuição da Loja Mãe Escocesa que, diga-se de passagem, nada tem a ver com outros ritos que não o escocesismo.

Assim, rituais que porventura mencionam Colunas Zodiacais fora do REAA, fatalmente estão bastante equivocados, não passando de elementos de enxertos que nada contribuem para a compreensão da essência iniciática de cada rito ou trabalho. Originalmente, o Rito Francês, ou Moderno, Adonhiramita e o próprio Rito Brasileiro não trazem na sua estrutura simbólica as Colunas Zodiacais – essa é a verdade.

Eram esses os meus breves comentários a respeito, destacando que esse é um assunto complexo e precisa ser compreendido na sua essência, caso contrário certamente as conclusões podem deixar muito a desejar.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A LÓGICA E A RETÓRICA

A LÓGICA E A RETÓRICA

O estudo da Gramática conduz naturalmente ao da Lógica, isto é, à compreensão do Verbo ou Logos que constitui a Realidade interior representada por cada símbolo ou letra da Verdade, assim como ao reconhecimento de suas relações.

A lógica é pois, primitivamente, a faculdade de relacionar as letras simples para formar e interpretar palavras ou orações, isto é, conjuntos harmônicos que tem um sentido definido; e este sentido possui o mesmo Verbo ou logos que se encontra no princípio de tudo: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”.

A Gramática, ou seja o estudo dos símbolos, é pois, uma introdução ao conhecimento ou percepção espiritual da Realidade que é o Verbo. Este conhecimento faz-nos entrever a relação lógica entre todas as coisas, e particularmente entre as causas e princípios invisíveis e seus efeitos visíveis.

Com a Retórica aprendemos o uso deste conhecimento, levando à expressão, o Verbo ou princípio latente do que desejamos. A eficácia e efetividade desta faculdade depende inteiramente do progresso realizado na precedente: devemos aprender a relacionar-nos intimamente com o Verbo Criador, para poder expressá-lo e depois vê-lo manifestado.

Quando entendemos o significado esotérico destas duas Artes, facilmente compreenderemos porque o aprendiz pode tão somente familiarizar-se com seus primeiros rudimentos, na medida em que estes o ajudam a melhor dominar a Gramática. Somente ao Companheiro será possível medir com sua inteligência os significados da Lógica, e só o Mestre poderá avançar com real eficiência no domínio da Retórica.

Fonte: Sociedade das Ciências Antigas
Colaboração: Renato Burity

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

sábado, 8 de janeiro de 2022

MARCHA DO COMPANHEIRO - OLHANDO PARA O ORIENTE, OU PARA A ESTRÊLA FLAMEJANTE?

Em 15/07/2021 o Respeitável Irmão Frans Robert Lima Melo, Loja Nove Acácias, 3874, REAA, GOB-SP, Oriente de Rosana, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte pergunta

MARCHA DO COMPANHEIRO

A pergunta é referente aos passos do segundo grau para o REAA. Neste sentido, inicia nos passos do Grau 1 e dando os passos do Grau 2, o irmão deve olhar para a Estrela Flamejante? A minha questão é neste sentido, olha para a estrela ou faz todos os passos olhando para o Oriente? Porque no meu ver a busca de todo irmão é chegar a luz que brilha no Oriente, a busca pela sabedoria. Se a estrela flamejante significa Gnose (sabedoria) então olhar para ela e não para frente (Oriente) está correta. Obrigado pela atenção.

CONSIDERAÇÕES:

Em que pesem as inúmeras divagações especulativas sobre a letra G no REAA, o seu significado original é Geometria. Reitero, Gênio, Geração, Gnose (conhecimento), God, etc., não condizem com a realidade em se tratando do REAA.

Destaco que a Geometria, como 5ª Ciência possui significado deveras importante para as concepções emblemáticas, já que a Moderna Maçonaria tem como sua ancestral a Maçonaria de Ofício, ou Operativa, esta haurida dos canteiros medievais da Idade Média.

Assim, sob o aspecto da originalidade, os “construtores” usavam a Geometria como uma ciência primordial para projetar e executar as grandes construções em pedra calcária, como foi o caso das grandes catedrais – vide as aprumadas e os cantos da obra e a aplicação da 47ª Proposição de Euclides.

Posto isso, no passado especulativo, desafortunadamente muitos rituais enxertados do REAA estranhamente traziam a Estrela Flamejante no Oriente, isso quando não - para piorar o engodo – ainda dentro do Delta. Destaque-se que a estrela pitagórica, ou pentagonal (cinco pontas) traz no seu interior a letra G, mas não dentro do Delta.

Desse modo esse importante símbolo acabou colocado em alguns rituais no Oriente, embora se saiba que a Estrela Flamejante com a letra G ao centro originalmente ocupa lugar no meridiano do meio-dia, ou seja, pendente do teto sobre o lugar do 2º Vigilante.

Foi graças a invenção de se colocar a Estrela no Oriente que se criou a inverdade de que o Companheiro, ao executar a Marcha do Grau, deva fazê-la olhando para a Estrela e a letra G. Ora, nada tem uma coisa a ver com a outra, pois os passos do Grau são dados em direção ao Oriente da Loja.

No REAA, independente das estapafúrdias justificativas (como a de caminhar olhando para a Estrela), a Marcha do Grau é executada movimentando-se do Ocidente e direção do Oriente. A referência dessa jornada é o eixo do Templo (equador) que, em linhas gerais, nesse caso norteia a direção.

Nesse sentido, a Marcha do Grau é executada com o maçom olhando para o Oriente, não importando se a letra G com a Estrela lá estejam ou não. A Marcha do Grau é uma coisa e olhar a Estrela é outra. Não há relação entre os passos e a Estrela.

Vale comentar que rituais comprometidos com a verdade posicionam a Estrela Flamejante e a letra G no lugar original, isto é, no Sul, ao alto no meridiano do meio-dia.

De qualquer maneira, no REAA, qualquer referência feita à letra G, deve ser em se olhando para o Sul, já Marcha do Grau sempre se faz olhando para frente, no caso, para o Oriente que é o lugar da Luz.

Por oportuno vale mencionar que existem muitas orientações e esclarecimentos a respeito no SOR - Sistema de Orientação Ritualística implantado na plataforma do GOB RITUALÍSTICA pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral. Acesse e confira o que lá oficialmente se faz presente.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br