Páginas

PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sábado, 11 de junho de 2022

O RITO ADONHIRAMITA HISTÓRIA E IDIOSSINCRASIAS

O RITO ADONHIRAMITA HISTÓRIA E IDIOSSINCRASIAS
Irm.˙. André Otávio Assis Muniz

I. Problemática do tema

Pesquisar sobre o Rito Adonhiramita é defrontar-se com uma montanha de opiniões, teorias e idéias cristalizadas que, em geral, correspondem-se muito pouco com a realidade histórica dos fatos.

Escrever sobre ele requer a disposição necessária para enfrentar a oposição dos que, de uma forma ou de outra, sentem-se mais confortáveis com a mistificação e com a lenda, em prejuízo dos fatos e da história documentada.

Desde a década de 1970 se criou uma impressão de que o Rito seria místico em demasia, que traria idéias muito diferentes de outros ritos ou até, absurdamente, que seria, por essas tantas diferenças, um rito “irregular”.

As fontes oficiais, ou seja, os rituais e os documentos expedidos pelas instituições do Rito, não são rigorosas com os métodos de pesquisa histórica, o que leva a um emaranhado de informações não verificáveis e oriundas de fontes sem isenção ou sem valor para a pesquisa dos fatos originais.

Uma rápida pesquisa pela internet revela uma verdadeira montanha de relatos e resumos, um mais inexato e fantasioso que o outro.

Pretendemos com esse artigo fornecer pistas de pesquisa e elementos básicos para que o pesquisador maçônico possa guiar-se e desenvolver desdobramentos fiáveis sobre o Rito Adonhiramita,
longe das invenções e das teorias sem base que abundam sobre ele.

II. Origens do Rito Adonhiramita

II.1. O contexto histórico: A França Maçônica do século XVIII

O Rito Adonhiramita é filho da Maçonaria francesa. Para compreender suas origens é necessário compreender como se desenvolve a Maçonaria Francesa no século XVIII.

Na França a Franco-Maçonaria obediencial, ou seja, regulamentada por um sistema institucionalizado, foi implantada por volta de 1725, através de imigrantes ingleses exilados por razões políticas ou religiosas. Em Paris é notável o número deles e sua origem, em geral, é Londres. Junto com suas bagagens trazem os costumes e procedimentos maçônicos utilizados na capital inglesa daquela época, da primeira Grande Loja de 1717. Esses primeiros costumes sofrerão significativas mudanças em pouco tempo.

Na Inglaterra, a partir de 1725, com o desenvolvimento do Grau de Mestre, começam a se desenvolver os Graus de Aperfeiçoamento. Muitas Lojas os praticam e não havia nenhum regulamento em relação a eles. Os mais antigos fazem referência à lenda do terceiro grau e ao espírito cavalheiresco.

Obviamente que, com o trânsito de maçons entre Londres e Paris, esses desenvolvimentos, em pouco tempo, estarão em uso no território francês.

Em 1730, a Grande Loja de Londres introduz inovações em seus procedimentos litúrgicos como reação ao tristemente célebre “Masonry Dissected” de Samuel Pritchard, que seria traduzido e
reeditado na França em 1745 como “L’Ordre des Francs-Maçons trahi”.

Com o sucesso de vendas da obra de Pritchard, e com a lenda de que os franco-maçons se ajudam financeiramente, de que nenhum maçom é deixado na penúria, de que sendo maçom a vida se torna mais fácil, há verdadeira corrida de uma horda de profanos que, tendo se apoderado dos segredos ritualísticos das Lojas através da citada obra, apresentam-se às Lojas como maçons…

As modificações introduzidas pela Grande Loja de Londres, visando identificar os falsos maçons produzidos pela obra de Pritchard são, basicamente, a inversão do pé da marcha, a inversão das Colunas dos Aprendizes e Companheiros, a mudança das palavras e a introdução de uma palavra de passe no Grau de Aprendiz.

Em 1728 estava organizada a primeira instituição maçônica na França, a “Grande Loja da França”. Em 1735, a Grande Loja da França solicita da Grande Loja de Londres a autorização necessária para tornar-se uma Grande Loja provincial, o que foi negado. Em 1743, a autorização foi dada e uma instituição foi constituída com o nome de “Grande Loja Inglesa da França”. Essa mesma instituição, em 1773, mudaria seu nome para “Grande Oriente da França”.

Os rituais transplantados de Londres a Paris são, obviamente, os já modificados 13 anos antes, ou seja, com as Colunas invertidas, a mudança das palavras, o pé direito iniciando a marcha e a Palavra dePasse no Grau de Aprendiz.

As Lojas francesas praticavam tanto os 3 Graus Fundamentais (Aprendiz, Companheiro e Mestre), quanto os Graus de Aperfeiçoamento. Com o passar do tempo, quase em cada província francesa haverá um sistema diferente. A criação de sistemas ritualísticos como a “Reau-Croix”, conhecida como “Ordem dos Sacerdotes Eleitos do Universo” (Elus Cohen) na década de 1740, a Estrita Observância Templária (de origem alemã) e o sistema conhecido como “Rito de Perfeição de Heredom” (1758), originado com o discurso de Ramsay em 1738, que misturavam pretensões políticas, valores cavalheirescos e temas alquímicos, herméticos e esotéricos, produziram o caldo cultural necessário para uma verdadeira explosão de Graus Maçônicos.

II.2. Adonhiram

A Constituição da Grande Loja de Londres, dita “de Anderson”, cita Adonhiram como o chefe dos trabalhadores na Montanhas do Líbano, em numero de 30.000, que se revezavam com os sidônios (p.10).

Na obra de Samuel Pritchard, na parte relativa ao Grau de Mestre, aparece o nome de Hiram e não Adonhiram.

Há alguma hipóteses plausíveis para a utilização do nome “Adonhiram” em substituição a Hiram. Alguns rituais franceses do século XVIII, como o reproduzido no “Le Régulateur du Maçon – 1785/1801”, falam de Hiram como aquele a quem Salomão deu a autoridade sobre todos os obreiros a saber: 30.000 homens destinados a cortar os cedros do Líbano, 70.000 aprendizes, 80.000 Companheiros e 3300 mestres.

Fica fácil perceber aqui a causa da confusão. Se Anderson fala que os 30.000 trabalhadores das Montanhas do Líbano estavam sob as ordens de Adonhiram, e os rituais falam que esses mesmos 30.000 homens, destinados a cortar os cedros do Líbano, estavam sob as ordens de Hiram, então, Hiram e Adonhiram devem ser o mesmo personagem. Só que a Constituição de Anderson, na sequência, fala que Hiram, Rei de Tiro, enviou seu homônimo “o Maçom mais completo sobre a Terra”, Hiram ou Huram. (“But above all, He sent his namesake Hiram, or Huram, the most accomplish’d Mason upon Earth”.)

Em 1744 foi publicado o “Catechisme de Franc Maçons ou Le Secret Des Franc Maçons” (Catecismo dos Franco-Maçons ou O segredo dos Franco-Maçons), escrito por Louis Travenol que, utilizando o pseudônimo de Leonard Gabanon, denominava “Adonhiram” ao arquiteto chefe das obras do Templo de Salomão, o qual comumente é denominado, nos dias de hoje, apenas de Hiram.

Cabe frisar que em outros rituais franceses do período aparece também o nome Adonhiram e, inclusive, continua aparecendo em rituais do Rito Moderno de 1788 (Recueil des Trois Premiers Grades de La Maçonnerie – Apprenti, Compagnon, Maitre au Rite Français – 1788). Ou seja, não é uma particularidade da obra de Louis Travenol e nem uma “irregularidade” do Rito. Trata-se de algo bastante generalizado na Maçonaria Francesa do século XVIII.

A mim, como pesquisador maçônico, parece que houve alguma confusão entre os personagens bíblicos Adoniram, que era chefe dos trabalhados forçados para a construção do Templo (2Sm.20,24; 1Rs.5,14) e que acabou sendo morto a pedradas pela revoltada população (1 Rs. 12,18), e Hiram Abif, filho de uma viúva da tribo de Naftali e de um cidadão de Tiro, que era hábil no trabalho com bronze (1Rs. 7, 13-22) e com muitos outros materiais (2Cr. 2, 13-14). Essa confusão pode ter sido aumentada e reafirmada pela prática de alguns Altos Graus onde a figura de Adonhiram reaparece.

A explicação de que se trataria da utilização do pronome de tratamento hebraico “Adoni” (senhor) antes do nome próprio “Hiram”, não parece muito plausível, tendo em vista que em nenhum outro local da Bíblia se vê esse tipo de utilização. Adonías, por exemplo, quarto filho do Rei Davi, citado nos livros de Reis e Samuel, não era o “Senhor Onías”.

II.3. A normatização dos Graus na Maçonaria Francesa e a “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita”


Ao longo de quase 50 anos, como podemos ver, os Graus e sistemas se multiplicavam ao ponto de um mesmo Grau ter dezenas de versões diferentes e variações importantes nas palavras de reconhecimento.

Em 1773, devido ao caos instalado pela enormidade de graus praticados sem qualquer regulação, o Grande Oriente da França, tentando introduzir alguma uniformidade nesse emaranhado, cria uma comissão dos Altos Graus que permanecerá com uma atividade bastante modesta até 1782, quando será criada a Câmara dos Graus.

Em 1780, como reação à publicação do “Catechism de Franc Maçons”, mais uma obra medíocre das tantas que abundavam (e ainda abundam), que desagradou profundamente a um grande estudioso maçonólogo da época, Louis Guillemain de Saint Victor, este preparou um estudo contendo pesquisas relativas aos mistérios da Antigüidade, e lançou dois anos depois a “Recueil Precieux de La Maçonnerie Adonhiramite” (Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita). A parte publicada em 1782 abrangia 4 graus, ou seja, Aprendiz, Companheiro, Mestre e Mestre Perfeito. Em 1785 ele lança uma segunda parte onde outros graus eram tratados. Eram eles:

1. Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove;
2. Segundo Eleito ou Eleito de Perignam;
3. Terceiro Eleito ou Eleito dos Quinze;
4. Aprendiz Escocês ou Pequeno Arquiteto;
5. Companheiro Escocês ou Grande Arquiteto;
6. Mestre Escocês;
7. Cavaleiro da Espada ou Cavaleiro do Oriente ou da Águia;
8. Cavaleiro Rosa-Cruz.

Ao final dessa edição, constava também a tradução do alemão de um grau denominado “Noaquita ou Cavaleiro Prussiano”, o qual era atribuído a um autor maçônico denominado Bérage. Este “13º” foi interpretado por alguns autores como o último grau da Maçonaria Adonhiramita. No entanto, se bem analisado o contexto, fica claro que não existe qualquer ligação entre os graus anteriores e esse 13º grau. Além do mais o próprio autor, Louis Guillemain de Saint Victor, afirmou que o grau de Cavaleiro Rosa-Cruz é o ápice e o término de seu sistema.

O período em que Louis Guillemain de Saint Victor escreve é extremamente significativo para a Maçonaria Francesa. Em 1° de Fevereiro de 1782, mesmo ano em que foi lançada a primeira parte da “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita” ocorre a 121ª assembléia do Grande Oriente da França, onde os irmãos constituem a Câmara dos Graus que se reúne para debates em 19 de fevereiro de 1782. Em 5 de março, o Irmão Orador Roëttier de Montaleau, propõe o estudo de todos os graus existentes praticados na França para que se faça uma síntese dos mais importantes e se crie um sistema ordenado, que contemple toda a filosofia maçônica.

Em 21 de fevereiro de 1783, a Câmara dos Graus apresentará o resultado de uma pesquisa sobre 38 Altos Graus sem nenhum resultado prático.

Em 2 de fevereiro de 1784 é publicada uma circular anunciando que sete Lojas Capitulares Rosa-Cruz se associaram para formar o Grande Capítulo Geral da França. Esse Capítulo Geral da França, vai analisar nada menos de 81 Graus diferentes, onde se contavam 75 Altos Graus só entre os chamados “escoceses” e mais de 135 sistemas ou ritos. O Capítulo Geral tentará os resumir em 5 Ordens, que se tornarão, por assim dizer, o fundamento da “ortodoxia maçônica” na França, que sintetizarão os elementos fundamentais dos ensinamentos e a forma mais tradicional da família de graus que ele representa.

Já na época de formação do Grande Capítulo Geral, depois de se definir que todos os Graus estudados seriam resumidos em 4 Ordens, se estabeleceu uma 5ª Ordem, chamada de “Ilustre e Perfeito Mestre” que seria o Grau Acadêmico e administrativo destinado a conservar e estudar todos os graus e sistemas e que também serviria para administrar o Grande Capítulo Geral.

Em 19 de março de 1784, é publicado o ritual da 1ª Ordem – Eleito Secreto.

Em 18 de dezembro de 1784 é publicado o ritual da 2ª Ordem, Escocês.

Em 19 de Maio de 1785 é publicado o ritual da 3ª Ordem, Cavaleiro do Oriente.

No segundo semestre de 1785 se publica o ritual da 4ª Ordem, Soberano Príncipe Rosa-Cruz.

O Grande Oriente da França e o Grande Capítulo Geral da França entrariam em conflito diversas vezes, pelo fato de haver uma certa confusão em relação à autoridade sobre os Graus e as Lojas.

II.4. A estrutura da “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita”

A estrutura apresentada pela “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita” se serviu da base lançada pelo Capítulo Geral da França a partir de 1784 (tendo em vista que a segunda parte da Coletânea sai exatamente no ano em que o Capítulo Geral da França publica o último de seus rituais, o da 4a Ordem).

Louis Guillemain de Saint Victor apenas desenvolveu um pouco mais a estrutura apresentada pelo Grande Capítulo Geral da França, focalizando-se em temas que julgava importantes e desdobrando a 1a e a 2a Ordem em 3 Graus cada uma. Vejamos a estrutura de ambos:

Comp.Pr. da Maç. Adonhiramita – Capítulo Geral da França
Parte 1 (1782)
1- Aprendiz 1 – Aprendiz
2- Companheiro 2- Companheiro
3- Mestre
4- Mestre Perfeito 3- Mestre
Parte 2 (1785)
5- 1º Eleito ou Eleito dos Nove
6- 2º Eleito ou Eleito de Perignam Eleito (1a Ordem)
7- 3º Eleito ou Eleito dos Quinze
8- Apr. Escocês ou Pequeno Arquiteto
9- Comp. Escocês ou Grande Arquiteto Escocês (2a Ordem)
10- Mestr. Escocês
11- Cav. da E. ou Cav. do Or. ou da Ág. Cav. da Esp./do Or.(3aOrdem)
12- Cavaleiro Rosa-Cruz Sob. Pr. Rosa-Cruz (4a Ordem)

II.5. A repercussão da “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita”

A obra de Louis Guillemain de Saint Victor teve repercussão extremamente positiva a ponto de em 1785 (ou seja, apenas 3 anos após o lançamento da primeira parte e no mesmo ano do lançamento da segunda), já estar sendo publicada, em francês mesmo na Filadélfia, EUA. Esta obra se tornou uma referência canônica do Rito Adonhiramita, e com ela o próprio rito alcançou ampla divulgação e expansão na Europa, chegando a se tornar o principal rito do Grande Oriente Lusitano e sendo exportado para suas colônias na África, Ásia e Novo Mundo, inclusive o Brasil.

Na França, tornou-se, junto com a estrutura proposta pelo Grande Capítulo Geral, o padrão de “Ortodoxia Maçônica”.

Aliás, é sob o titulo de “Ortodoxia Maçônica” (“Orthodoxie Maçonnique suive de La Maçonnerie Oculte”, editada em 1837), que Jean Baptiste Marie Ragon (1781-1862) irá cometer dois erros grosseiros que se propagarão com grande sucesso.

O primeiro erro de Ragon é a atribuição da “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita” ao Barão de Tschoudy (Théodore Henry de Tschoudy). Esse erro será repetido “ad nauseam” em Portugal e no Brasil.

Tschoudy não teve absolutamente nada a ver com o Rito Adonhiramita. Sua obra, “A Estrela Flamejante” lançava as bases de uma Ordem denominada de ‘Ordem da Estrela Flamejante’, de características alquímicas.

Em 1766, Tschoudy instituiu, mais no papel do que efetivamente, sua Ordem, baseado na lenda de que tradições alquímicas teriam sido passadas pelos ascetas da antiga Tebaída às Ordens de Cavalaria cristã e dessas para a Franco- Maçonaria.

Tschoudy faleceu em 1769, ou seja, 13 anos antes do lançamento da primeira parte da “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita”.

Ragon confundiu as coisas e atribuiu ao Barão a autoria da “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita”.

O segundo erro de Ragon foi a afirmação de que o Rito Adonhiramita constava de 13 Graus, pois, para Ragon, o Grau de Noaquita, seria o 13º Grau.

III. O Rito Adonhiramita no Brasil

III.1. Primórdios

A obra fundacional do Rito Adonhiramita, ou seja, a “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita” veio para o Brasil através de uma edição de 1810. Essa edição foi traduzida e publicada pela “Typographia Austral”, no Rio de Janeiro, no ano de 1836 como “Coleção Preciosa da Maçonaria Adonhiramita”.

A primeira Loja REGISTRADA no Grande Oriente do Brasil como praticante do Rito Adonhiramita foi a “Sabedoria e Beneficiência”, um ano depois do lançamento da tradução à qual aludimos acima (1837).

Há a hipótese de que a Loja “Reunião” (1801) e a Loja “Distintiva” (1812), ambas localizadas na atual Niterói, trabalhariam no Rito Adonhiramita, mas não é possível afirmar isso com certeza.

O Grande Oriente do Brasil, à época, era uma Obediência Mista, ou seja, trabalhava os Graus Simbólicos e os Graus Superiores, sem divisão.

A Carta concedida para a fundação do Grande Oriente Brasílico previa a autorização para se trabalhar em todos os Graus utilizados na França e em Portugal, com a exceção dos pertencentes ao Rito Escocês Antigo e Aceito que, desde 1801, exigia a concessão de uma patente separada, patente essa que deveria ser emitida pelo Supremo Conselho de Charleston ou por Supremo Conselho por ele reconhecido. Justamente por isso, posteriormente (1854), o Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil se tornaria também o Soberano Comendador do REAA, pois este era o único Rito trabalhado no Brasil (introduzido em 1829) que exigia uma autorização separada. Já em 1832 foi fundado o Supremo Conselho do REAA no Brasil que trabalharia como uma Potência Maçônica Independente.

Tendo isso em mente, fica clara a baboseira de se falar em “patente de regularidade” para o Rito Adonhiramita e Moderno, como se eles fossem o REAA…

Em 1839, o GOB criaria um “Grande Colégio dos Ritos”, que era um tipo de departamento para o governo dos Ritos Adonhiramita, Moderno e Escocês (de maneira irregular), já que o REAA deveria funcionar, e de fato já funcionava, separado.

Em 1854, com a incorporação regular do Rito Escocês Antigo e Aceito ao GOB, o “Grande Colégio dos Ritos” sofreu uma transformação. Tendo em vista que, oficialmente, o REAA se incorporaria ao GOB e exigia um governo separado, não poderia ser simplesmente juntado ao “Grande Colégio de Ritos” ou fundido como era antes. Sendo assim, em 1855 foi criado o “Sublime Grande Capítulo dos Ritos Azuis” (i.e. Moderno e Adonhiramita), que comporia colateralmente ao Supremo Conselho do REAA, as Oficinas Chefes dos Ritos.

Para governar as Lojas e Câmaras do REAA, o Grão-Mestre teria que se tornar, também, o Soberano Comendador do Supremo Conselho.

O “Sublime Grande Capítulo dos Ritos Azuis” teve existência curta. Em 1863, menos de dez anos após sua criação, ocorreu a dissidência liderada por Joaquim Saldanha Marinho, onde foi criado o “Grande Oriente do Vale dos Beneditinos.

No Grande Oriente “dos Beneditinos” o Rito Adonhiramita foi muito bem sucedido. O número de Lojas trabalhando no rito suplantou aquelas do GOB.

Foi o Grande Oriente “dos Beneditinos” que criaria o primeiro corpo capitular do Rito Adonhiramita no Brasil, em 3 de Outubro de 1872 seria criado o “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas”.

No GOB foram fundadas as Lojas “Aliança” (1869) e a “Redenção” (1872), que perfaziam 3 Lojas (com a “Firmeza e União”) do GOB contra 5 em funcionamento no Grande Oriente dos Beneditinos.

Com essas 3 Lojas, o GOB criou pelo decreto nº 21 de 2 de abril de 1873 o “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas”, homônimo ao seu concorrente no outro Grande Oriente. Cabe salientar que o erro de Ragon, o de que o Rito Adonhiramita tinha 13 Graus, sendo o último o de “Cavaleiro Noaquita”, vingou no Brasil.

III.2. Desenvolvimento

Até 1951, esse corpo seria, na prática, o departamento do GOB para o governo do Rito Adonhiramita. Nesse ano, em 23 de maio, pelo decreto n. 1641, o Grão Mestre do GOB, Joaquim Rodrigues Neves promulgava a nova Constituição, onde estava claro que, a partir de então, o GOB só regeria os 3 Graus Simbólicos, mantendo relações “da mais estreita amizade e tratados de reconhecimento”.

Aqui começa uma longa série de equívocos dentro da Maçonaria brasileira, equívocos esses que se mantêm até os dias de hoje.

A separação entre Potência Simbólica e Filosófica, até por uma questão de simples lógica, não pode admitir qualquer tratado de “reconhecimento”. A Potência Simbólica só “reconhece” os Graus 1, 2 e 3, sendo, portanto, ilegítima sua interferência ou “reconhecimento” em Graus que estão fora de sua competência jurisdicional. Da mesma maneira, as Potências Filosóficas, enquanto instituição, não têm que ser consultadas ou dar quaisquer pareceres sobre rituais ou questões relativas aos Graus 1, 2 e 3.

Tratado de Amizade e Cooperação é muito diferente de Tratado de RECONHECIMENTO. É um show bizarro e deprimente ouvir que tal ou qual Potência Filosófica é “irregular” por não manter Tratado de Amizade e Cooperação com a Potência Simbólica X ou Y.

Aos Irmãos que afirmam esse tipo de ASNEIRA, pedimos que perguntem na secretaria da Grande Loja Unida da Inglaterra, quais são as Potências Filosóficas ou os Graus Colaterais que são por ela reconhecidos. A resposta será “nenhum” e “nenhuma”. A Grande Loja Unida da Inglaterra não interfere, não autoriza ou mantém quaisquer relações oficiais com instituições que tratem de assuntos fora dos Graus 1, 2 e 3 incluso o Real Arco (que é apêndice do Grau de Mestre). A Grande Loja Unida da Inglaterra não tem qualquer interesse ou ingerência sobre se seus membros irão ou não irão cursar quaisquer Graus colaterais ou superiores ao Grau 3 e onde farão isso. Já no Brasil, a “misturada” é a regra…

É óbvio e ululante que um Grão-Mestre consciencioso, ao ver a necessidade de qualquer alteração, consultará aqueles Irmãos da Potência Simbólica (que eventualmente podem pertencer a uma
Potência Filosófica do Rito, mas não obrigatoriamente) que forem mais eruditos e doutos nas questões históricas, filosóficas e ritualísticas, mas nunca como uma consulta institucional que se confunda com dependência.

Já presenciamos o absurdo de um Grão-Mestre Estadual exigir Graus Filosóficos para a composição de Grande Secretaria de Orientação Ritualística. Ou seja, a confissão de dependência em relação a outra instituição para tratar de assuntos internos.

Da mesma forma, é uma declaração de tremenda ignorância maçônica tentar legitimar uma Potência Filosófica com “reconhecimento” por parte de Potência Simbólica.

A Potência Filosófica, no máximo, pode exigir como pré-requisito para a admissão em suas fileiras que o candidato seja Mestre Maçom de uma Potência Simbólica reconhecida por um determinado grupo de Potências. Mas isso não pode se confundir com a Potência Simbólica “indicar” a qual Potência Filosófica o seu membro se filiará e, muito menos, com a Potência Filosófica mendigar um “reconhecimento” institucional de uma Potência Simbólica (que, como dissemos, só tem legitimidade para reconhecer GRAUS SIMBÓLICOS).

Voltemos ao nosso tema…

Em 1953, o “Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas” passaria a se chamar “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil”.

Em 15 de Abril de 1968, era assinado entre o então Grão-Mestre do GOB, Álvaro Palmeira e o Presidente do “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil”, Josué Mendes, um Tratado de Aliança e Amizade.

E nesse período, de 1953 a 1968, o Rito Adonhiramita ficou “irregular”? Respondam os defensores dos “reconhecimentos” por Potência Simbólica…

III.3. O Grande Cisma de 1973

Em 1973, ocorre a grande “reviravolta” no Rito Adonhiramita. Neste ano, treze Grandes Orientes Estaduais se desligam do Poder Central do GOB. Isso, para o GOB, significa a perda da maior parte de suas Lojas praticantes do Rito Adonhiramita e uma cisão interna dentro do “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil”, que só poderia admitir Irmãos ligados ao GOB.

Para recuperar o Rito Adonhiramita dentro do GOB e dentro do “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil”, é necessário atrair Irmãos de outros ritos para ele. Como fazer isso?

Essa foi a questão colocada pelos Irmãos Adonhiramitas remanescentes. Em 1973, sob o comando do Irmão Aylton Menezes, o “Muito Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil” muda seu nome para “Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita” (ECMA). Restava ainda a completa reformulação do Rito para que se tornasse mais atrativo para uma população maçônica majoritariamente do REAA, ou seja, habituada a um sistema de 33 Graus e que não se sentiria atraída por um rito com apenas 13 (12 na verdade).

III.4. As influências intelectuais no processo de reformulação

Na década de 1970, a literatura maçônica no Brasil estava fortemente influenciada pelas obras de autores como Joaquim Gervásio de Figueiredo, Charles Webster Leadbeater e Jorge Adoum. Tais obras eram fartamente publicadas pela Editora Pensamento. A chamada “Escola Histórica” ou “Documental” tinha pouca ou nenhuma influência na maior parte dos maçons brasileiros (tem hoje?).

Tanto Joaquim Gervásio de Figueiredo quanto Jorge Adoum e C.W. Leadbeater eram ligados à Sociedade Teosófica (organização fundada nos EUA, em 1875, por Helena Petrovna Blavatsky e Henry Steele Olcott) e entusiastas da Co-Maçonaria (Maçonaria Mista, para homens e mulheres).

A Co-Maçonaria nasce na França com a Iniciação de Marie Deraismes em 1882 na Loja “Les Libres Penseurs”. Esta Loja pertencia à Grande Loja Simbólica Escocesa e foi desligada logo que correu a notícia da Iniciação de Marie Deraismes. A segunda Loja a adotar a Iniciação feminina foi a “La Jérusalem Ecossaise”, onde Georges Martin foi Venerável Mestre. Ambas as Lojas adotavam o Rito Escocês Antigo e Aceito. Esse, obviamente, foi o rito adotado inicialmente para o desenvolvimento da Co-Maçonaria.

A primeira Grande Loja fundada fora da França foi a de Zurich, em 1895. Ela constituía a seção nº 3 da “Grande Loge Symbolique Ecossaise Mixte de France”, e era considerada como uma das cinco Lojas (a quinta foi fundada em 1902) do “Le Droit Humain” ainda unicamente francês. Em 1900, a Ordem Co-Maçônica tornou-se internacional e, para tanto, foi fundado um Supremo Conselho Misto dito “universal”, bem como o “Le Droit Humain” Internacional.

Em 1902, a Loja nº 6 “Human Duty” foi criada em Londres, sob a impulsão de Annie Besant, importante figura dentro da Sociedade Teosófica e autora de diversos livros ocultistas traduzidos para o português e consumidos por maçons brasileiros, de Francesca Arundale e de George Arundale.

A fundação, seguida da iniciação de quatro novos membros, teve lugar em 26 de setembro no REAA, rito de base de “Le Droit Humain”. Mas a partir da reunião seguinte, um ritual Inglês (muito provavelmente o de Emulação) foi implementado com a autorização das autoridades do “Le Droit Humain”.

Os fundadores da nova Loja londrina tinham consciência da necessidade de ter uma prática maçônica mais próxima possível da inglesa, para que sua oficina pudesse se desenvolver em uma Inglaterra totalmente indiferente, senão francamente hostil, à noção de Co-Maçonaria. Era preciso adotar sem demora um ritual em harmonia com aqueles praticados nas lojas masculinas inglesas. Se a questão fosse simplesmente constituir uma loja co-maçônica de franceses que, por razões profissionais ou outras, vieram a se instalar na Inglaterra, poder-se-ia conceber de continuar a utilizar o REAA, mas não era o caso: tratava-se de implantar e desenvolver a Co-Maçonaria na Inglaterra.

Entre 1915 e 1925 Annie Besant, ajudada por C.W. Leadbeater (1847-1934), outro notório teosofista e autor de livros fantasiosos baseados em “clarividência” ou em métodos que incluíam a conversa com uma gata, elaborou rituais específicos para a Federação Britânica. Tais rituais misturavam alguns elementos: O ritual de Emulação inglês, alguns usos do Rito de York (Norte Americano), o REAA como era praticado na França, alguns elementos do Rito de Mênfis-Misraim, procedimentos muito infLuenciados por usos eclesiásticos (Leadbeater fora padre da Igreja Anglicana e era bispo da Igreja Católica Liberal, também ligada à Sociedade Teosófica) e as doutrinas teosofistas.

Em 1916 a revisão dos rituais do “Craft” (Graus Simbólicos) foi terminada. C.W. Leadbeater logo escreveu um livro de interpretações ocultistas para o ritual – que ele mesmo tinha ajudado a compor, e esse livro se tornou um sucesso no Brasil: “A Vida Oculta na Maçonaria”, também editado pela Editora Pensamento.

Alguns dos membros do recém fundado “Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita” eram leitores dessas obras, sem contar o expressivo número de maçons que também eram membros da Sociedade Teosófica.

A necessidade de reformulação e a possibilidade de alterar sensivelmente os rituais em uso, utilizando a apreciação pela doutrina teosofista de Leadbeater, caíram como uma luva. Os procedimentos descritos na “A Vida Oculta na Maçonaria” logo estariam figurando nos novos rituais do Rito Adonhiramita…

A divisão em 33 Graus citada por Leadbeater com acentuadas explicações ocultistas etc., unida à necessidade de atrair Irmãos do REAA para o Adonhiramita também veio a calhar.

Dentro de 9 anos, ou seja, em 1982, o Rito Adonhiramita no seio do GOB e do ECMA estava completamente transformado: 33 Graus, Cerimonial de Incensação, Cerimonial de Acendimento das Luzes, acentuada influência ocultista e uma tendência a contínuas modificações.

IV. A acomodação dos Graus Adonhiramitas aos Graus do REAA

Para a plena acomodação dos Graus Adonhiramitas no esquema de 33 Graus do REAA, era necessária a divisão em Câmaras Ritualísticas. Essa divisão, obviamente, não existe na “Compilação Preciosa da Maçonaria Adonhiramita”, que foi escrita bem antes do aparecimento dessas divisões no seio do REAA.

O sistema de divisão em Lojas de Perfeição, Capítulos, Areópagos ou Oficinas de Kadosh, Consistório e Supremo Conselho foi adaptado ao Rito Adonhiramita com a manutenção dos 10 Graus “filosóficos” originais diluídos dentre os Graus Escoceses. Todos, obviamente, com os cerimoniais do “Ritual de Lauderdale”, levemente modificados.

Tendo em vista que o Rito Adonhiramita até então só era praticado no Brasil, ou seja, que não havia a preocupação em se manter alguma uniformidade com outros corpos Adonhiramitas no estrangeiro, as modificações, invenções e teorizações desprovidas de base documental se tornaram um hábito nos primeiros escalões do Rito.

V. As invenções místicas e os equívocos oficializados

Como tradicionalista, não tenho absolutamente nada contra os ensinamentos herméticos ou as tradições esotéricas. Leia-se bem: TRADIÇÕES esotéricas.

Uma Tradição é a transmissão, de forma ortodoxa, de um conjunto de ensinamentos cuja origem se perde na noite dos tempos e cujo rastro pode ser historicamente traçado através de escrituras, documentos, registros, mitos etc. que, em geral, contam com vasta fundamentação simbólica, filosófica e até antropológica.

Bem diferente de uma autêntica Tradição Esotérica é uma invenção baseada em uma suposta clarividência, intuição ou achismo sem fundamentação, sem respaldo em qualquer tradição e sem uma lógica interna que possa, sequer, justificar a sua existência dentro de um determinado sistema de maneira coerente.

Não só o Rito Adonhiramita, mas infelizmente todos os Ritos Maçônicos são vitimados pelo que chamamos de “iluminados”, que tiram do bolso “descobertas”, “usos e costumes”, “melhorias”, “adaptações” ou “interpretações” que fazem com que intelectuais não iniciados e indivíduos externos mais qualificados, ao analisarem a Maçonaria, acabem por considerá-la como uma imensa maçaroca de crendices mal digeridas, recoberta com o discurso de “combate à ignorância, à superstição e o fanatismo” para ocultar uma grande inanição intelectual.

Como instituição que deve zelar por ensinamentos tidos por “esotéricos”, ou seja, reservados a um grupo seleto, seria desejável que o processo de seleção contemplasse um rigor bem maior, especialmente no que tange a atributos intelectuais e morais, além da adoção de critérios claros e rigorosos para qualquer tipo de alteração em rituais.

No Rito Adonhiramita atual alguns procedimentos são invenções puras e simples. Um exemplo é a “circulação em infinito”, que não consta em nenhum documento histórico do Rito e nem em qualquer outro ritual de onde poderia ter sido tirado.

Apesar da interpretação forçada para enxertar um significado, o fato é que não há em toda a histórica litúrgica do Ocidente ou do Oriente, a tal “circulação em infinito”.

Inventem explicações místicas, ocultistas, extraterrestres ou seja lá o que for. Mas não chamem isso de Tradição e nem tentem obrigar os outros a acreditar nisso.

Não contentes com a tal circulação, os “iluminados” ainda inventaram que é necessária uma inversão em seu sentido em acordo com o Grau trabalhado, transformando a circulação em Loja num verdadeiro bailado e um inferno para os oficiais que necessitam se movimentar. Pior ainda é que o sentido das circulações muda a cada reforma nos rituais.

A passagem obrigatória por trás da cadeira do Venerável é outra invenção. Tentando imitar a “Ara” do Ritual de Lauderdale (que foi imitada do Rito de York Norte Americano), sobre a qual fica a luz perpétua ou “fogo sagrado” (imitada do Rito de Menfis-Misraim), mas arrastando a mesma Ara para o Oriente, alguém achou bonito imitar o uso norte-americano de não atravessar a linha entre a Ara e a mesa do V.M. e, como a Ara está no Oriente (pois o painel tem que ficar no meio da Loja, o que não acontece nem no Lauderdale, nem no York), a solução foi esmagar o pobre oficial em trânsito entre a cadeira do VM e a parede do Oriente.

Se o erudito Louis Guillemain de Saint Victor assistisse uma Loja do Rito Adonhiramita hoje, ficaria bastante chocado por ver tantas e tantas inovações.

Há também a longa e enfadonha história das cores de gravatas, as discussões sobre gravatas borboletas ou comuns, uso ou não uso de balandrau e outras muitas inutilidades completas que tomam o tempo de quem gostaria de se dedicar a estudos mais sérios e acaba sendo envolvido em debates sobre gravatinhas, frufrus, cor de terno e até de meias, mas que nada trazem em matéria de compreensão de si mesmo, do ser humano, da humanidade, do cosmos ou sequer da história ou das autênticas tradições do Rito que está sendo praticado.

Da mesma forma, vemos com assombro notórias invenções e teorias apócrifas sobre a história do Rito Adonhiramita (e também de outros ritos) sendo estampadas nas edições oficiais dos Rituais, que não apresentam fontes, bases ou elementos minimamente fiáveis sobre o que apresentam. É lamentável ver os Aprendizes a serem doutrinados com esse tipo de material de baixo nível.

VI. Conclusão

O presente artigo, como foi dito em sua introdução, tem por objetivo despertar nos Irmãos, especialmente os do Rito Adonhiramita, o gosto pela pesquisa e lhes dar elementos básicos, fiáveis e colhidos de forma metodologicamente correta, para o desenvolvimento de pesquisas mais acuradas e específicas.

Não temos a fantasia de, em umas poucas páginas, esgotar um assunto tão vasto. No entanto, talvez este seja o primeiro texto sobre o Rito Adonhiramita no Brasil que apresenta, de forma cronológica e metódica, considerações sobre o desenvolvimento do Rito, suas alterações, influências intelectuais e as formas tomadas ao longo do tempo.

Quanto mais profunda a pesquisa, menos abrangente ela deve ser. Justamente por isso optamos pela abrangência, para que, posteriormente, cada detalhe possa ser pesquisado com profundidade.

VII. Bibliografia

SAINT-VICTOR, Louis Guillaume. Recueil Précieux de La Maçonnerie Adonhiramite: Contenant les trois Points de La Maçonnerie Ecossoise, le Chevalier de L’Orient e le vrai Rose-Croix, qui n’ont jamais été imprimes: Précédés de trois Elus, e suivis du Noachite, ou le Chevalier Prussien, traduit de l’Allemand; Enrichi d’un Abrégé de l’Histoire de ces Grades. Philadelphie: Philarethe, 1786.

MOLLIER, Pierre. Le Régulateur du Maçon: 1785/ “1801”. Paris: A L’Orient, 2004.

NAUDON, Paul. Histoire, rituels et tuileur des Hauts Grades Maçonniques. 5. ed.; Paris: Dervy, 2003.

WAITE, Arthur Edward. A New Encyclopedia of Freemasonry. New York: Wing Books, 1996.

Recueil des Trois Premiers Grades de La Maçonnerie: Apprenti, Compagnon, Maître au Rite Français. 2.ed.; Paris: A L’Orient, 2001.

MAINGUY, Irène. Symbolique des Grades de Perfection et des Ordres de Sagesse. 2.ed.; Paris: Dervy, 2003.

MAINGUY, Irène. Symbolique des Chapitres en franc-maçonnerie: Rite Écossais Ancien et Accepté et Rite Français. 2.ed.; Paris: Dervy, 2005.

MARCOS, Ludovic. Histoire Illustré du Rite Français. Paris: Dervy, 2012.

CASTELLANI, José. CARVALHO, William Almeida de. História do Grande Oriente do Brasil: A Maçonaria na História do Brasil. São Paulo: Madras, 2009.

COOPER, J.C. An Illustrated Encyclopaedia of Traditional Symbols. London: Thames & Hudson, 1973.

GUIMARÃES, João Nery. Reprodução das Constituições dos Franco-Maçons ou Constituições de Anderson de 1723. Brasília: Gráfica e Editora do Grande Oriente do Brasil, 1997.

TREXLER, C. DeForrest. The Degree Rituals of The Supreme Council, 33º, AASR for the Northern Masonic Jurisdiction United States of America. Lexington: Supreme Council, 33º, 2008.

PIRES, Joaquim da Silva. Ritos Moderno e Adonhiramita. Londrina: A Trolha, 2006.

MUNIZ, André Otávio Assis. Curso Elementar de Maçonologia. São Paulo: Richard Veiga Editorial, 2016.

GROSJEAN, Marc. Georges Martin Franc-Maçon de L’Universel: Fondateur de l’Ordre Maçonnique Mixte International : Le Droit Humain. Tome I. Paris: Detrad, [200-].

GROSJEAN, Marc. Georges Martin Franc-Maçon de L’Universel: Fondateur de l’Ordre Maçonnique Mixte International : Le Droit Humain. Tome II. Paris: Detrad, [200-].

GROSJEAN, Marc. Le Droit Humain International: 1913-1945 De l’éveil à la mise en oeuvre. Paris: Detrad.

Maçonaria Adonhiramita: Ritual de Aprendiz Maçom. São Paulo: GLESP, 2006.

Ritual do 2º Grau: Companheiro Maçom Adonhiramita. Brasília: Grande Oriente do Brasil, 2005.

Ritual do 1º Grau: Aprendiz Maçom Rito Adonhiramita. Brasília: Grande Oriente do Brasil, 2009.

Ritual do 2º Grau: Companheiro Maçom Rito Adonhiramita. Brasília: Grande Oriente do Brasil, 2009.

TSCHOUDY, Théodore Henry. La Estrela Flamígera: Catecismo o instrucción para el grado de Adepto o aprendiz Filósofo sublime y desconocido. Barcelona: Obelisco, 2005.

Lumières de la Franc-Maçonnerie Française. Paris: Télètes, 2006.

PRESTON, William. EVERDEN, Campbell. Freemasonry and its etiquette. 2.ed.; New York: Gramercy, 2001.

JONES, Bernard E. Freemasons Guide and Compendium. 2.ed.; Nashville: Cumberland House, 2006.

CAYRU, Henrique Valadares. O Aprendiz Maçom: Seguido de: As Constituições de Anderson, Os Landmarques da Franco Maçonaria. Brasília: Grande Oriente do Brasil, 1997.

Bíblia de Estudo NVI: Nova Versão Internacional. São Paulo: Vida, 2001.

LEADBEATER, C. W. A Vida Oculta na Maçonaria. 19.ed.; São Paulo: Editora Pensamento, 2013.

Ritual do Primeiro Grau: Aprovado pelo Supremo Conselho Internacional “Le Droit Humain”. Rio de Janeiro: 1987.

Fonte: http://ritoserituais.com.br

sexta-feira, 10 de junho de 2022

LUZ VERMELHA

A LUZ VERMELHA
(republicação)

Em 04/09/2017 o Respeitável Irmão Eduardo Bettoni, Loja Paese Novo, 107, REAA, GLERGS, Oriente de Antonio Prado, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a questão abaixo:

Construímos nosso Templo em 2004. Na época um Irmão ficou com a responsabilidade da iluminação da Loja. Estrelas, planetas, colunas, etc., e colocou uma lâmpada vermelha dentro do Templo, em cima da Porta de Entrada.

Questionei-o na época, mas se limitou a dizer que era necessária. Sempre tive curiosidade sobre o significado dela. Busquei em livros e na internet, e nada achei sobre a tal lâmpada, que existe em outros templos também. Normalmente de cor vermelha. Algumas na parede, outras penduradas.

A única coisa que encontrei foi um texto da luz do átrio, que na realidade é um comentário que é feito por vários integrantes da loja. Nada de simbolismo.

Minha dúvida: Qual o significado e em qual rito ela é utilizada? Se eu posso excluir da minha Loja?

CONSIDERAÇÕES:

Ainda no mês de outubro próximo passado eu respondi uma questão relacionada a essa famigerada lâmpada vermelha que vez por outra ainda aparece na Maçonaria.

Esse anacronismo vem de tempos passados quando esse costume acabou ingressando como decoração de muitos templos maçônicos.

É lamentável que ainda hoje esse absurdo possua espaço na nossa Moderna Maçonaria.

Essa tal “luz vermelha”, segundo a irresponsabilidade dos seus inventores, imagina a presença da Divindade. Ora, além de desmedido despropósito querer compara-la à Divindade, o pior é que alguns ainda não aprenderam que, por exemplo, no REAA⸫ o símbolo da Divindade é unicamente o Delta Radiante que vai colocado ao alto no Retábulo do Oriente.

Existe ainda uma gama desses inventores que quer justificar essa besteira, idealizando que isso era um costume da Maçonaria de Ofício onde os maçons iluminavam a frente de um local com uma luz vermelha no intuito de indicar que ali ocorreria uma reunião maçônica – nos tempos de antanho nem mesmo existiam lâmpadas elétricas, muito menos ainda, “vermelhas”.

Como se pode ver, o poder da imaginação parece não ter limites.

Justificativa capenga, os maçons do passado primavam muito pela discrição e segurança contra perseguições, portanto não iriam aleatoriamente ficar indicando os locais das suas reuniões com luz de matiz avermelhado na intenção de chamar atenção.

Assim, essa “luz vermelha” retrógrada, que ainda alguns querem lhe dar uma feição divina, ou ainda um artifício para chamar atenção, nada mais é do que o mais puro exercício de irresponsável imaginação, pois na realidade “luz vermelha” na porta, universalmente é conhecida como símbolo de outra coisa que não cabe aqui mencionar.

Enfim, essa lâmpada vermelha, tanto no lado de dentro como no lado de fora da porta do Templo é inexistente na liturgia e simbolismo maçônico, não existindo, portanto, na séria literatura maçônica qualquer explicação para essa barbaridade. Se existe alguma coisa, fique certo que isso nada mais é do que mera especulação.

Na pura Maçonaria não deveria existir essas elucubrações.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

CURIOSIDADES SOBRE A TOMADA DA BASTILHA II


CURIOSIDADES SOBRE A TOMADA DA BASTILHA II
Postado por Ir∴  Humberto Siqueira Cardeal

Apenas a primeira mentira

Revolução Francesa - 14 de julho de 1789

Bastilha era uma bela fortaleza medieval. Hoje faria o encanto dos milhares de visitantes que, na Europa, fazem fila para conhecer castelos de outrora.

É por volta de 1380 que ela começa a proteger Paris. Desde o inicio de sua existência até 14 de julho de 1789, seu ultimo dia - talvez o mais glorioso de todos - ela inspirou confiança aos parisienses.

Há muito era ela a mais pacifica das prisões. Limpa, bem decorada: os condenados que quisessem podiam mudar-se para lá com seus criados e móveis. O governador, geralmente nobre de boa educação, tinha o hábito de convidar os presos à sua mesa. Aqueles que tinham cozinheiro próprio retribuíam a amabilidade pelo gosto da boa companhia e da conversa: falava-se sobretudo de filosofia e de negócios de Estado.

Tão pacifica era ela que os carcereiros eram geralmente inválidos de guerra: alguns sem braço, outros com perna de pau. Ninguém pensava em fugir. Quando no fatídico 14 de julho de 1789 foi traiçoeiramente invadida, ela encarcerava apenas sete prisioneiros. Era de fazer inveja à nossas prisões super lotadas nas quais os motins e as condições de vida desumanas ceifam tantas vidas.

Quem eram esses sete prisioneiros? Quatro falsários, notórios na praça; um jovem tarado sexual cuja família pedira ao Rei sua detenção; e dois loucos.

Como se deu sua tomada? À aproximação dos invasores o governador Launay desarmou a guarnição e os convidou a parlamentar. Durante as tratativas, Launay e seus homens foram trucidados. Sua cabeça posta na ponta de um varapau e conduzida pelas ruas de Paris. Dois soldados inválidos são enforcados e um terceiro tem as mãos decepadas. Era a primeira vez que a Bastilha via tanta atrocidade.

Este era apenas o primeiro ato de uma Revolução cujas conseqüências se estendem dramaticamente até nossos dias.

Fonte: http://jamilkauss24.blogspot.com

quinta-feira, 9 de junho de 2022

SÓLIO E A ORDEM PARA O USO DA PALAVRA

SÓLIO E A ORDEM PARA O USO DA PALAVRA
(republicação)

Em 06/09/2017 o Respeitável Irmão José Maria Alves Ramos, Loja Colunas do Atlântico, 105, REAA, GLMES, Oriente de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, apresenta a seguinte questão:

Fui iniciado no Rito York na Loja Quatuor Coronati 145 – Rio de Janeiro – RJ – GLMERJ, iniciação: 05/11/2006 Passagem: 07/08/2007 Elevação: 15/07/2008 Instalação: 06/06/2011. Exerci o Veneralato naquela Loja em 2 períodos: 2011-2012 e 2012-2013.

Em 17-08-2017, por motivo de mudança de residência, fui Filiado na Loja Colunas do Atlântico. 

Em uma sessão, Loja aberta, por deferência do Venerável Mestre eu estava sentado na cadeira ao seu lado esquerdo. Quando a palavra foi aberta no Oriente eu pedi licença e, autorizado, me manifestei. Imediatamente após, um Irmão Mestre Instalado se manifestou para criticar-me por ter usado da palavra estando, segundo ele, no Sólio. Seu argumento era que me manifestando no Sólio a palavra não poderia voltar para outros Irmãos no Oriente. Entendo que SÓLIO é ‘a cadeira’ onde tem assento o Venerável Mestre da Loja. Os demais, a seu lado, estão sentados no Oriente. Enfim, peço seu parecer.

CONSIDERAÇÕES:

Precisamos conhecer em qual escola esse nosso Irmão Instalado aprendeu tamanha bobagem. Ora, uma coisa nada tem a ver com a outra.

A regra vigente é a de que assim que todos os do Oriente já tenham porventura usado da palavra, por último quem fala é o Venerável Mestre. 

Entretanto, existem duas exceções. 

A primeira é para o encerramento ritualístico dos trabalhos quando o Venerável, após ter usado da palavra para as suas considerações finais, passa a mesma ao Orador para que ele, como Guarda da Lei, dê as suas conclusões sob o ponto de vista legal. 

A segunda exceção é quando porventura estiver presente o Grão-Mestre. Nesse caso, é ele o último a fazer uso da palavra – depois dele ninguém mais fala.

É também oportuno mencionar que o uso da palavra no Oriente depende de autorização do Venerável Mestre.

No mais, para o uso dela não existe ordem de prioridade, nem mesmo para aqueles, que não o Grão-Mestre, estejam por acaso, ocupando as cadeiras de honra que ficam costumeiramente posicionadas uma à direita e outra à esquerda do sólio. 

Assim, essa “estória” de que depois dos ocupantes das cadeiras de honra, ninguém mais pode falar estando abaixo do sólio, é pura balela que não guarda nenhuma justificativa.

P.S. Essa ideia de que Mestre Maçom Instalado é uma espécie de oráculo da Maçonaria, nem sempre condiz com a realidade – há exceções. 

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

NO SÉCULO XXI FARÁ SENTIDO SER-SE MAÇOM? (II)

NO SÉCULO XXI FARÁ SENTIDO SER-SE MAÇOM? (II)
Paulo M.

Uma das características da maçonaria é a sua aparente aversão por tudo quanto seja novo. Aqui, a maçonaria trai claramente a sua raiz anglo-saxónica tradicionalista, com a primazia do costume sobre o estatuído, da tradição sobre a modernidade, em suma, da imutabilidade sobre a inovação. Esta tendência é, simultaneamente, uma das suas maiores fraquezas e uma das suas maiores forças. Em 300 anos a maçonaria não mudou grande coisa; de facto, os princípios da maçonaria são, hoje, os mesmos que eram há 300 anos. Houve, porém, suficiente bom-senso aquando da sua instituição para que estes se tivessem mantido relevantes até aos dias de hoje. Contudo, à boa forma anglo-saxónica, os tais “princípios” não estão propriamente escritos numa lista – precisamente do mesmo modo que o Reino Unido não tem uma Constituição, mas se considera ser esta o conjunto dos documentos legais, sentenças judiciais, costumes, tratados e outros – contrariamente com o que sucede com a maioria dos países, que têm uma constituição escrita e claramente delimitada. Pode considerar-se, todavia, que os que se seguem corresponderão, grosso modo, ao que a Maçonaria tem como propósito.

Tornar homens bons em homens melhores. A maçonaria nunca pretendeu ser um refúgio de homens caídos, ou um reformatório de almas perdidas. Não cura o alcoolismo, não dá aconselhamento psiquiátrico, e muito menos transforma bandidos em anjos. A maçonaria sempre teve, e terá, elevados padrões de exigência moral que se aplicam quer aos seus membros quer àqueles que pretendem sê-lo, e por isso os seus regulamentos e costumes prevêem especificamente que pessoas que enfermem das limitações acima descritas não integrem as suas fileiras – e sejam mais tarde discretamente afastadas se a triagem não tiver sido eficaz. O estrito cumprimento das leis dos países em que está implantada, bem como o dos deveres cívicos, familiares, laborais e religiosos, são algo que se espera – mais, se exige – de qualquer maçon, sob pena de eventual exclusão ou mesmo expulsão da Ordem. Quanto à forma como, cumpridos estes requisitos mínimos, um homem bom se torna melhor, essa dependerá exclusivamente da vontade de cada um, daquilo que escolha melhorar e de onde pretenda chegar. É um caminho estritamente individual e profundamente pessoal, do qual a maioria nunca fala ao longo de toda uma vida.

Fomentar e nutrir o amor fraternal. Organizados em lojas e reunindo-se regularmente em sessões – que, tipicamente, contam entre uma e três dezenas de presenças – os maçons executam rituais razoavelmente semelhantes em todo o mundo, o que torna as cerimónias maçónicas num elo de ligação, numa experiência comum entre homens oriundos das mais diversas proveniências entre quem se fomenta o espírito de grupo e as ligações próximas e de longo prazo. Ao atravessar barreiras sociais, económicas, raciais, religiosas e políticas a maçonaria congrega homens que, de outro modo, nunca se teriam conhecido, e aqui se tratam entre si por “irmão” e por tu, independentemente das posições, cargos e honrarias que uns e outros tenham ou mereçam (ou não…) dentro ou fora da maçonaria. A fraternidade e a tolerância são valores preponderantes por serem conducentes à harmonia que se procura e que é essencial ao bom funcionamento das lojas e da sociedade em geral.

Construir e promover a autoconfiança. A loja constitui um microcosmos da sociedade envolvente, quer na sua diversidade, quer na multiplicidade de ofícios que aí existem. Tal como uma associação tem o seu presidente, o seu tesoureiro, o seu secretário, etc., também em cada loja há ofícios semelhantes – e alguns outros diferentes – que vão sendo ocupados sucessivamente por diferentes pessoas. No processo, não só estas prestam um serviço à loja, como recebem da loja a possibilidade de enriquecer a sua experiência no exercício do cargo. Aprende-se, assim, coisas simples – e fastidiosas, mas necessárias! – como elaborar um acta; outras, atemorizantes para tantos, como falar em público exprimindo uma ideia que antecipadamente se tenha elaborado; ou percepções mais profundas, como a de que um cargo é, ou deve ser, acima de tudo, a prestação de um serviço, e não uma manifestação de poder.

Cultivar a solidariedade. Os maçons são encorajados a tomar parte activa na comunidade, e a prestar auxílio aos mais carenciados na medida das possibilidades de cada um. Se bem que a maçonaria não seja uma instituição de beneficência, no sentido de que este não é o seu propósito fundamental, é esta, contudo, uma das vertentes de enriquecimento pessoal que fomenta e promove. Nem sempre o auxílio prestado é em espécie; rapidamente se aprende que a maior dádiva é que cada um dê um pouco de si, seja do seu tempo, do seu saber, ou mesmo do seu sangue – como a Loja Mestre Affonso Domingues tem promovido intermitentemente há um número apreciável de anos.

Buscar a Verdade. Nem as lojas são locais de culto, nem as sessões e rituais maçónicos foram concebidos enquanto substituto de uma ida à igreja, templo, mesquita ou similar. A maçonaria regular exorta cada um dos seus membros a cumprir os deveres que a sua crença lhe imponham. Simultaneamente, o princípio da tolerância é constantemente recordado, especialmente no que concerne a tolerância religiosa, uma vez que esta está matricialmente na origem da Maçonaria. Espera-se de cada um que procure (e cumpra com) a Verdade que lhe seja mais adequada, e que aceite a diversidade de percursos que, frequentemente, serão tantos quanto aqueles que os percorrem.

Baixar a guarda. Reduzida ao essencial, pode dizer-se que a maçonaria proporciona aos seus membros um contexto onde, por algum tempo, se podem refugiar das lutas e fadigas do mundo exterior, despir as cotas de malha e baixar as espadas das lutas do dia-a-dia. É para isso que se cultiva um ambiente de confiança, e que os assuntos fracturantes e a própria discórdia são deixados à porta do Templo. Longe de constituir um momento de fraqueza, esta vulnerabilização deliberada acaba por se traduzir num momento te repouso, de descontracção, e mesmo de um certo abandono, que ajuda a retemperar-nos as forças.

Como se vê, a maçonaria só aparentemente é avessa ao que é novo; a mensagem da maçonaria é que, de tão intemporal, não carece, porventura, de modernização…

Fonte: https://bibliot3ca.com

quarta-feira, 8 de junho de 2022

NA ACLAMAÇÃO, SE VOLTAM PARA O VENERÁVEL MESTRE

Em 25.10.2021 o Respeitável Irmão Rogério Alves Leoni, Loja Independência e Luz, 301, REAA, GOB-RJ, Oriente de Barra Mansa, Estado do Rio de Janeiro, formula a questão seguinte:

SE VOLTAM PARA O VENERÁVEL?

Quando o Venerável fala " a mim meus Irmãos", os Irmãos se viram para ele ou se mantém na posição em que estão?

CONSIDERAÇÕES:

Nesse contexto ritualístico, a expressão dita pelo Venerável Mestre denota que todos sigam-no, ou estejam junto com ele.

A bem da verdade, todo esse procedimento rotula uma aclamação ao Sol simbolizado com fonte de sabedoria. No abrir dos trabalhos, a sua plenitude ao Meio-Dia e, no encerramento, a certeza da sua volta (Sol), porque quanto mais escura é a madrugada, mais próximo está o raiar de um novo dia.

Era comum entre os povos do Norte, dentre ele os árabes, por exemplo, saudar a volta do Sol no solstício de inverno tendo às mãos um ramo de acácia.

É esse o argumento dessa alegoria no REAA. Assim, o Venerável Mestre saúda e pede que todos o acompanhem nos procedimentos.

Nessa ocasião todos o seguem permanecendo como estão nos seus lugares, o seja, sem a necessidade de que a assembleia se volte para o Venerável Mestre. Até porque todos, inclusive o próprio Venerável, se reportam nesse momento aclamando à Luz.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

QUATRO

1º - Número que, entre os antigos, era consagrado a Mercúrio e que, entre os pitagóricos, era chamado o número perfeito, sendo, portanto, considerado um número sagrado.

2º - Em muitas nações da antigüidade e da atualidade, o nome de Deus foi composto de quatro letras, e de maneira mais proeminente entre os judeus que o escrevem IHVH e o denominavam Tetragramaton ou seja, o nome de quatro letras.

3º - O número 4 é o número da harmonia: é a ação da unidade exercida sobre o ternário da forma. É o número dos elementos: ar, terra água, fogo. É o equilíbrio perfeito, o quadrado, o positivismo, o realismo. O quatro é o cubo, a imagem da Terra.

4º - O Quatro é a conseqüência do ternário, porque este é o espírito, o movimento, a resistência que conduzem naturalmente àquele que é a estabilidade, a harmonia. O número dos quatro pontos cardeais e da Tetractys.

5º - Antigo símbolo egípcio do Quaternário, hoje mais substituído pelo Esquadro, que, no entanto, tem também significado diferente.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

A MAÇONARIA NA RESISTÊNCIA FRANCESA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

A MAÇONARIA NA RESISTÊNCIA FRANCESA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Denis Lefebvre – Paris – Revista História-Abril 2012 – Tradução José A. Filardo

Tudo começa pela lei de 13 de Agosto de 1940, que trazia a proibição das “sociedades secretas”. Ninguém se engane: por trás destas palavras é a maçonaria que é o alvo. E ela somente. No fundo, os funcionários se viram na obrigação de assinar uma declaração por sua honra de jamais ter pertencido a uma associação secreta ou de ter rompido toda conexão com ela. Depois de 19 de Agosto, um decreto constatava a “nulidade” do Grande Oriente de França e da Grande loja de França. Somente no início de 1941 que são, à sua vez, visadas a Grande Loja Nacional independente, a Federação Francesa Droit Humain, a Sociedade Teosófica… obediências que sido esquecidas em 1940!

Em Agosto de 1941, foi promulgada uma lei ordenando a publicação no Diário Oficial dos nomes dos antigos dignitários. Neste mesmo texto, aplicava-se a eles a interdição “de exercer funções públicas e mandatos enumerados no artigo 2 da lei de 2 de junho de 1941, passando a ter o status de judeus.” Avaliza-se assim oficialmente a noção do “complô judaico-maçônico”; perto de 3.000 funcionários perdem seus empregos, a noção de “dignitários” se estende aos maçons que ocupavam cargos no seio de suas lojas, ou seja, no seio da estrutura maçônica de base: 18.000 nomes são publicados. Os franceses descobrem que são irmãos fustigados desde décadas, com fama de dirigirem a França: poucos dos poderosos, cidadãos como tantos outros, carteiros, comerciantes, nenhum deles judeus, muito longe disso. Enfim, um reflexo da sociedade.

Muitos franceses se interrogam, ao ponto de que os anti-maçons devem se justificar quando eles escrevem em 1941 em uma de suas publicações: “Não se trata do valor dos homens, mas da superioridade de sua organização que devemos pesquisar os principais motivos para a força maçônica”.

Este quadro legislativo e realçado por um trabalho em profundidade dentro da sociedade. A ação engajada é multiforme. Os serviços de Vichy e das forças de ocupação colocaram a mão, a partir do verão de 1940, sobre um tesouro extraordinário: os arquivos das obediências francesas e seus documentos mais recentes. Diversos serviços dotados de pessoal e meios financeiros consequentes administram o patrimônio, os classificam e os utilizam. Com muitos objetivos: alguns atacam a história da maçonaria para demonstrar sua influência perniciosa sobre a sociedade; outros estabelecem as fichas de maçons, mortos ou vivos; outros publicam livros ou lançam filmes em cinema como, por exemplo, Forças Ocultas em 1943.

Outros ainda conduzem operações policiais com a finalidade de ajudar o governo de Vichy em sua caça aos funcionários maçons; de verificar suas declarações; de confrontá-las com os arquivos. Eles realmente deixaram a maçonaria e quando? Esta tarefa é conduzida em todo o território pelo Serviço Especial das associações dissolvidas dirigido por Georges Moerschel. Um serviço que em dezembro de 1943 agrupa 23 pessoas. Inquéritos, audiências, interrogatórios, perseguições: nada lhe falta. Os arquivos do Grande Oriente conservaram os dossiês montados durante quatro anos. Eles são edificantes, ao mesmo tempo ricos e pobres, mas reveladores do trabalho efetuado. Para cada pessoa interrogada (forem antigos parlamentares ou cidadãos comuns) encontra-se uma ata da audiência, uma declaração complementar do interessado e, frequentemente, uma lista de documentos ou de material maçônico apreendido em seu domicílio e enviado “às autoridades de Ocupação”.

Alguns deles – examinando as atas – fingiam ter esquecido tudo e quando perguntados sobre os nomes dos maçons que eles conheciam, citavam apenas os mortos. Outros se recusavam a responder. E uma maioria absoluta, este documentos mostram uma grande dignidade da parte das pessoas interrogadas. Mas percebe-se que eles sabem que suas declarações serão confrontadas às de outros.

Encontram-se também nestes cartões os relatórios redigidos depois de vigilâncias a pé ou de domicílios. Eles são muito numerosos e se referem, sobretudo aos dignitários conhecidos: o objetivo é saber se eles estão em uma ação de resistência. O dossiê do industrial Louis Villard, antigo secretário do Conselho da Ordem do Grande Oriente é, neste particular, edificante: ele é seguido quase permanentemente até o verão de 1942 pelo menos, e seu domicilio foi invadido pelo menos seis vezes. A cada dia, um relato manuscrito era redigido. Cada pessoa que ele encontrava era, ela mesma, objeto de vigilância e anotação. Outros, além dele, se “beneficiarão” das mesmas medidas.

O objetivo desses inquéritos era certamente vigiar e verificar as declarações de uns e de outros sobre seu investimento real na maçonaria, medir suas redes no seio da “família maçônica”. Mas, também criar pressões sobre os maçons… para os impedir de entrar na Resistência.

Sim, porque resistência havia. Resistência maçônica? A pergunta merece ser feita. É, realmente, difícil estabelecer as razões da entrada de maçons, homens e mulheres, na ação clandestina. Será que eles fizeram esta escolha aplicando os princípios fundamentais da maçonaria: liberdade e justiça, em particular? Muitos deles (e sem dúvida a totalidade) estão também animados por uma rejeição da ditadura, do fascismo, do racismo, das ideologias totalitárias, da colaboração de Vichy. Eles são patriotas e republicanos. Com frequência também, eles são militantes engajados na vida da cidade, em um sindicato ou partido. Eles podem ser contatados por um maçom, uma camarada, um membro de sua família, um amigo, um vizinho.

Alguns exemplos permitem medir a complexidade do problema. Por que na Martinica, o irmão Maurice des Êtages, um notável local, conselheiro geral socialista, em dissidência dos jovens martinicenses? Por que, a partir de 1940, o governador do Chad, Félix Éboue, socialista e maçom, se junta à France Libre? Em Pas-de-Calais, como analisar a decisão de um Guy Mollet, que entra para a OCM, organização civil e militar? Ele é, ao mesmo tempo, socialista, sindicalistas, professor e maçom… O engajamento maçônico é um elemento de explicação de suas escolhas, mas não exclusivamente.

Por que recrutar os maçons? Eles cultivam a discrição (o “segredo”, diriam alguns), sabem se calar. Este é um dos ensinamentos do trabalho em loja. A priori, eles podem ser confiáveis. Outro elemento é determinante: a composição sociológica das lojas faz com que eles sejam capazes de coletar informações em todos os níveis da sociedade.

Alguns dos “pluralistas” da militância entram, assim, para a Resistência. A escolha da rede não tem a mínima importância: o essencial é agir, de combater na COM, de liberação no Franc-Tireur. Nos movimentos nacionais ou locais, que eles criam ou animam: no Norte, com a Voz do Norte, na zona costeira do Languedoc-Rousillon com o Cotre. Eles estão presentes nas ferrovias (o grupo Maximilien-Fer é uma criação dos irmãos) na polícia (uma presença muito forte no seio da Honneur de la Police), nos Correios e Telégrafos. Em Paris, e também na província: em Limoges, os chefes de três movimentos que estruturam o Exército secreto são irmãos.

Certamente, existe também uma ação resistente especificamente maçônica. A partir de setembro de 1940, os irmãos de uma loja de Saint-Germain-em-Laye se encarregam das atividades de coleta de informações em ligação, em um primeiro momento, com o Serviço de Inteligência britânico, e depois com um movimento francês, o da Liberation. É preciso citar Patriam Recuperare, ao mesmo tempo loja e rede de Resistência, estrutura original criada no outono de 1940 que reunia irmãos e posteriormente profanos por espaços em diferentes níveis. Tudo se interpenetra aqui: manter o espírito maçônico e unir as lojas clandestinas através da França; constituir um comitê de ação maçônica para preparar a resistência oficial ao final da guerra: resistir ajudando os judeus, escondendo paraquedistas, organizando os esquemas de evasão.

Por vezes, também, se eles criam um movimento, os maçons se abrem para o exterior, reunindo à sua ação os não maçons, e não hesitam em se voltar para outras estruturas para que a ação seja ainda mais eficiente. NO final de 1940, cinco irmãos de Saint-Etienne e um profano criam um pequeno grupo que se junta ao movimento Coq Enchainé, antes de migrar para o Liberation, com múltiplas atividades: divulgação de jornais, fabricação de carteiras de identidade falsas, ocultação de resistentes e de judeus, etc. Este Coq Enchainé também recruta entre os maçons de Lyon e no meio da esquerda política e sindical. Em suas publicações, ele defende a República e o secularismo… Referências à maçonaria?

Tudo isso tem um preço e os maçons vão pagar um pesado tributo. Depois da guerra, as listas serão estabelecidas, para cada obediência, mas elas rapidamente se revelam incompletas e os próprios maçons listados pelos jornais nãos estão preocupados em voltar ao passado. Admite-se comumente que 700 irmãos e irmãs morreram durante este período, sejam mortos em combate, seja diretamente em consequência de suas atividades de resistência, seja nos campos de concentração.

Ah, os campos… aqui ou lá, fala-se de lojas maçônicas nos campos de prisioneiros e de concentração… O que pensar disso? Em sua obra A Maçonaria sob a Ocupação, André Combes consagrou um capítulo a esta questão onde ele constata: “nos campos de prisioneiros ou de concentração, maçons reconheciam-se por vezes como tal, mas dispomos apenas de informações imprecisas sobre os contatos que eles puderam nutrir e sobre as lojas clandestinas.”.

Ele cita, entretanto, alguns exemplos: uma loja em Berlim em 1943, outra em oflag em Westphalien, outra – iniciativa do tenente coronel Machet, “instalada” em Nienburg am Weser, e depois transferida para Colditz e em Lubeck. Admite-se que um grupo maçônico funcionou em Auschwitz e que os irmãos reuniam-se em Orianemburg, mas esta história nunca foi escrita.

Em Buchenwald, na falta da constituição de uma loja, os maços deportados estiveram presentes, e mesmo aceitos nesta condição pelo Comitê de Defesa de interesses franceses, enquanto um comitê maçônico foi constituído. É igualmente um maçom, Constantin Buron, que compões no campo O Canto dos Deportados Franceses. Os maçons se reuniam algumas vezes. Não existindo templo, eles desenhavam um retângulo no solo, no interior do qual eles se sentavam.

O que se segue é conhecido. A maçonaria retoma uma atividade legal na metrópole em 1944… mas o essencial foi feito em dezembro de 1943 por Charles de Gaulle em Alger, depois de um pedido dos irmãos. Interrogado, o chefe do France Libre declara: “Nós nunca reconhecemos a lei de Vichy, em consequência, a maçonaria nunca cessou de existir na França.” Segue-se uma portaria contendo a anulação da dissolução das associações ditas secretas.

A maçonaria sai bem enfraquecida destes quatro anos de guerra. Falta-lhe recuperar seus bens dispersos por toda a França. Sobretudo, falta-lhe reinstalar-se em uma vida normal, fazer retornar a ela seus membros dispersos. Com relação a isso, a situação de seus membros parecia trágica. Para se limitar ao Grande Oriente, segundo os números disponíveis, a obediência da Rue Cadet não reagrupou mais que entre 5.000 e 7.000 irmãos – contra 28.000 em 1938 – dos quais a maioria tinha mais de 60 anos de idade. Soma-se a isso uma crise moral, que se precisava assimilar, pois ela percebeu que sua existência podia ser ameaçada: Pétain e o regime de Vichy tinham falhado em consegui-lo, mas foi por bem pouco. Ela também pode medir quanto era odiada por uma parte da população, ela que entendia estar trabalhando pelo bem da Humanidade. Integrando todos estes elementos, profundamente traumatizada, ela se volta para si mesma, por longos anos a fim de se reconstruir.

Fonte: https://bibliot3ca.com

terça-feira, 7 de junho de 2022

DISCORDÂNCIA DE RESPOSTA - LADO QUE O VENERÁVEL INGRESSA NO ALTAR

DISCORDÂNCIA DE RESPOSTA
(republicação)

Em 03/09/2017 o Respeitável Irmão Carlos Alberto de Souza Santos, Loja Harmonia e Concórdia, 4.418, REAA, GOB-RJ, Rio de Janeiro, RJ, apresenta a seguinte questão:

Meu Irmão Pedro Juk, aqui vos fala é o irmão Carlos Santos que por várias vezes recorreu ao irmão na época em que fui Secretario Adjunto de Ritualística do GOB/RJ. Inclusive cheguei a conversar com o irmão pelo telefone.

Bom o motivo de meu contato é que pela primeira vez discordo do Irmão na seguinte questão:

Pois bem, no JB News 2283 o Irmão respondeu a pergunta de um irmão Cícero Luiz Calazans de Lima, sem declinar o nome da Loja, REAA, GOB-AL, Oriente de Maceió, Estado de Alagoas em julho de 2016.

Pergunta do irmão:

1 - A ida do Venerável Mestre ao oriente para tomar assento no seu lugar é pelo lado norte ou sul? E por quê?

Sua resposta:

Não é uma questão de circulação, até porque no Oriente ela não existe, todavia a praxe tem sido que, chegando ao Altar, nele se ingresse pelo lado Norte e dele se saia pelo lado Sul. A situação é apenas pela praticidade do procedimento, já que quem ingressa no Oriente, o faz obrigatoriamente vindo da Coluna no Norte (ingressa-se no Oriente pelo nordeste). Assim a distância percorrida até o Altar fica a mais curta possível. O mesmo acontece com a saída, já que do Oriente obrigatoriamente se sai ingressando na Coluna do Sul (sai pelo sudeste). A ordem é só pelo exercício utilitário, não existindo nesse procedimento nenhum motivo esotérico ou outro qualquer que racionalmente possa ser imaginado.

Pois bem, penso eu e como hoje mestre de Cerimônias tenho o seguinte procedimento: Não é uma questão de circulação, até porque no Oriente ela não existe, todavia a minha praxe tem sido, chegando ao altar, nele ingresse o Venerável Mestre pelo lado Sul pelo motivo que o Venerável foi instalado no trono de Salomão ingressando pelo lado Sul.

OBS: Penso que se tomou assento pela primeira vez, subindo pelo Sul é por ali que deve tomar assento sempre.

Meu irmão, aguardo o seu retorno, pois para mim será muito valioso.

Aguardo ansiosamente também o seu retorno a Secretaria de Ritualística do REAA – GOB.

CONSIDERAÇÕES:

Primeiro um fraterno abraço ao meu estimado Irmão Carlos Alberto.

Vamos à questão da sua discordância.

Veja: essa prática de Instalação não é original no REAA⸫, sendo a mesma mais um enxerto adotado pelo GOB desde 1968 usando um Ritual de Instalação encomendado e feito por um respeitável Irmão oriundo de outra Obediência.

Esse ritual adotado foi sistematicamente urdido e adaptado, não indo nem de perto ao encontro do que verdadeiramente prevê a Instalação da Moderna Maçonaria anglo-saxônica de onde esse costume é original (na Instalação inglesa não existem “práticas esotéricas”).

O verdadeiro ritual de instalação inglês não trata de lendas, sinais, gestos e segredos à moda desses rituais conhecidos aqui na Maçonaria brasileira.

Sabe-se perfeitamente que na França, de onde o REAA⸫ é oriundo, o termo Instalação é meramente sinônimo da posse de um Mestre Maçom eleito para dirigir uma Loja.

A despeito desses comentários, o GOB reeditou seu ritual de Instalação em 2009 e nele colocou o Mestre Instalador conduzindo o novo Venerável ao trono pelo Sul. Na realidade, isso nada tem de extraordinário, senão uma forma simplificada e mais cômoda para que, após estar o Venerável em posição no seu lugar de direito, o seu condutor se coloque à sua direita. É somente nesse sentido que o Instalador, caminhado de costas, traz o Venerável entrando pelo Sul para que ele, automaticamente já fique à direita do empossado.

Embora essa prática até possa parecer uma regra fundamental que dê origem ao lado de se ingressar no sólio, na verdade não o é, sendo apenas um meio para facilitar o deslocamento dos dois personagens na oportunidade – o Instalado e o Instalador.

Assim, partindo da premissa da não originalidade da Instalação no escocesismo é que eu dei a resposta ao Irmão Cícero que fora mencionada na sua questão, ou seja, afirmei que se ingressa pelo lado norte do Altar e, dele se sai, pelo seu lado Sul (não é uma questão de circulação).

Fica ainda o alerta de que toda a liturgia dos três autênticos Graus da Moderna Maçonaria Universal não sofre, em hipótese alguma, influências ritualísticas de procedimentos que não lhes são originais - é o caso dessa cerimônia esotérica de Instalação.

Ainda outros comentários sobre o assunto no REAA⸫:
Note--se que o Venerável ingressa coincidentemente por onde originalmente ele é abordado durante os trabalhos (geralmente pela sua direita, ou seu ombro direito). É o caso, por exemplo, do Primeiro Diácono quando o aborda durante a transmissão da Palavra; dos Oficiais quando fazem a coleta com as respectivas bolsas (Propostas e Informações e de Solidariedade); do Mestre de Cerimônias quando leva ao Venerável Mestre a Ata e o Livro de Presenças para a sua assinatura; na Iniciação quando o Experto conduz o Candidato ao Altar para bater e pedir passagem pela terceira porta simbólica durante a terceira viagem, etc.

Se existe abordagem pelo seu lado esquerdo (Sul) nos trabalhos da Loja, ela somente acontece na prova da Taça Sagrada, já que a liturgia desse teatro necessita de condução abrupta do candidato quando em retirada. Assim, por razões óbvias, o protagonista fica o mais próximo possível da saída do Oriente. 

Entretanto, vale a pena comentar que a prova da Taça também não é uma prova original no escocesismo e, com isso, ela teve que sofrer adaptação para o lado Sul do Altar.

Outro exemplo de adaptação, mas que também não pode influenciar à ritualística do simbolismo é a entrega das ferramentas simbólicas durante a cerimônia de Instalação e Posse das Dignidades e Oficiais. Embora esses procedimentos aconteçam pelo lado Sul do Altar, eles também em nada influenciam o lado pelo qual o Venerável Mestre ingressa no Altar.

Por assim ser, eram essas as minhas justificativas meu Irmão, embora não as coloque com caráter laudatório, até porque, muitas delas, eu volto a repetir, não fazem parte da verdadeira cultura do REAA⸫
Entendo que se consuetudinariamente a Instalação é uma realidade na Maçonaria Brasileira, assim devemos cumprir, entretanto, se faz cogente também que compreendamos que Mestre Maçom Instalado não é grau, senão um título honorífico dado àqueles que foram eleitos para dirigir uma Loja Simbólica. Por extensão, nenhum ato litúrgico da Cerimônia de Instalação deve reger ou coordenar a espinha dorsal da ritualística do franco-maçônico básico.

P.S. – A grande possibilidade dos meus auxílios à ritualística do GOB está na vitória do Irmão Barbosa Nunes ao Grão-Mestrado Geral em 2018.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

AS ORIGENS E A HISTÓRIA DA MAÇONARIA NO BRASIL

AS ORIGENS E A HISTÓRIA DA MAÇONARIA NO BRASIL

As Origens e a História da Maçonaria no Brasil Um pouco de sua história e contribuição nos acontecimentos históricos do Brasil

História

A Maçonaria éa maior e mais antiga organização fraternal do planeta. Não se sabe exatamente como e quando começou. Para muitos estudiosos, a maçonaria se originou na Idade Média com as sociedades, também conhecidas como guildas dos construtores das catedrais e castelos. Há evidências, segundo ainda outros autores, de que a maçonaria foi influenciada, em seus primórdios, pela Ordem dos Cavaleiros Templários, um grupo de monges, cristãos e guerreiros formado em 1118 para ajudar e proteger peregrinos em suas viagens à Terra Santa.

Maçonaria no Brasil

Há um capítulo em branco na História do Brasil, e esse capítulo é o que se refere à Maçonaria, presente em todos os momentos decisivos e importantes de nossa pátria. Em torno da excepcional contribuição da Maçonaria para a formação de nossa nacionalidade, é inadmissível qualquer dúvida. De nenhum importante acontecimento histórico do Brasil, os maçons estiveram ausentes. Da maioria deles, foram os elementos da Maçonaria os promotores. Não há como honestamente negar que o Fico, A Proclamação da Independência, a Libertação dos escravos, A Proclamação da República, os maiores eventos de nossa pátria foram fatos organizados dentro de suas lojas. Antes de tudo isso, já naInconfidência Mineira, a Maçonaria empreendia luta renhida em favor da libertação de nossa pátria. Todos os conjurados, sem exceção, pertenciam à Maçonaria: Tiradentes, Thomas Antonio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto, e até mesmo o Judas, o traidor Joaquim Silvério dos Reis, infelizmente também pertencia à ordem.

Há que se ressaltar também a grande contribuição de um maçon ilustre Francisco Antonio Lisboa, o Aleijadinho. Este grande gênio da humanidade. Maçom do grau 18, Aleijadinho, autor de obras sacras, fez questão de secretamente homenagear a Maçonaria em suas esculturas. Ao bom observador e conhecedor da maçonaria, não passará despercebido, ao conhecer a obra do grande mestre, detalhes, pequenos que sejam que lembram a instituição maçônica. Os três anjinhos formando um triangulo, o triangulo maçônico, tornaram-se sua marca registrada.

A própria bandeira do estado de Minas Gerais foi inspirada na Maçonaria: o triangulo no centro da bandeira mineira é o mesmo do delta luminoso, o Olho da Sabedoria.

A independência do Brasil foi proclamada em 22 de agosto de 1822, no Grande Oriente do Brasil. O grito de independência foi mera confirmação. Ninguém ignora também que o Brasil já estava praticamente desligado de Portugal, desde 9 de janeiro de 1822, o dia do Fico. E o Fico foi um grande empreendimento Maçônico, dirigido por José Joaquim da Rocha, que com um grupo de maçons patriotas, fundou o Clube da Resistência, o verdadeiro organizador dos episódios de que resultou a ficada.

A libertação dos escravos no Brasil foi, não há como negar, uma iniciativa de maçons, um empreendimento da Maçonaria. A Maçonaria, cumprindo sua elevada missão de lutar pela reivindicação dos direitos do homem, de batalhar pela liberdade, apanágio sagrado do Homem, empenhou-se sem desfalecimento, sem temor, indefessamente pela emancipação dos escravos.

Para confirmar estes fatos basta verificar a predominância extraordinária de maçons entre os líderes abolicionistas. Dentre muitos destacaram-se Visconde de Rio Branco, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Eusébio de Queiroz, Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, Cristiano Otoni, Castro Alves, e muitos outros.

A proclamação da República, não há dúvidas de que também foi um notável empreendimento maçônico. O primeiro Ministério da República, sem exceção de um só ministro, foi constituído de maçons. Mera casualidade? Não. Ele foi organizado por Quintino Bocaiúva, que havia sido grão-mestre.

Assim foi e tem sido a atuação da Maçonaria com relação ao Brasil, sempre apoiando e lutando para a concretização dos ideais mais nobres da pátria, comprometendo-se em favor da liberdade e condenando as injustiças.

Fonte: JBNews - Informativo nº 0174 - 17/02/2011

segunda-feira, 6 de junho de 2022

IRMÃO RETARDATÁRIO

RETARDATÁRIO
(republicação)

Em 02/09/2017 o Respeitável Irmão Moisés Pinho, Loja Luiz Gonçalves Pereira, 13, REAA, Grande Oriente da Paraíba, COMAB, Oriente de João Pessoa, Estado da Paraíba, solicita o seguinte esclarecimento:

Gostaria de esclarecimento sobre a chegada de um irmão retardatário. Quando o irmão efetuar a bateria universal na porta. O Cobridor interno deve responder com a mesma bateria? Ou apenas informa ao 2°vig?

Devemos ou não responder com batidas na porta?

Hoje, usamos apenas uma batida na porta para avisar ao retardatário que aguarde ser anunciado.

Existem irmãos contrários a qualquer batida. Eles defendem que apenas seja anunciada a batida na porta como consta no ritual.

Eu defendo a resposta com a mesma bateria universal. Meu questionamento a eles é o seguinte:

Como o irmão saberá que foi ouvido? Como o irmão saberá que deve aguardar?

Obs. Levando em consideração que não temos o Cobridor Externo.

CONSIDERAÇÕES:

Eu já perdi as contas de quanto escrevi a respeito desse péssimo hábito – o de chagar atrasado.

Como esse costume parece continuar existindo, principalmente na Maçonaria brasileira, vamos então reprisar esses comentários.

Antes de tudo, o melhor mesmo é enfatizar que ninguém deveria chegar atrasado para não atrapalhar a liturgia dos trabalhos, assim como respeitar àqueles que virtualmente cumprem o horário marcado. 

Como o atraso existe, mas não pode ser institucionalizado, segue-se então o consuetudinário maçônico.

Consuetudinariamente, a primeira regra é que, salvo na Iniciação, não existe bateria profana na porta do Templo em Loja aberta, portanto é inexistente a invenção dessa pancada única.

Assim, já que é permitido, se um obreiro chegar após o início dos trabalhos e tiver acesso ao átrio, em não havendo nele o Cobridor Externo, o retardatário então dará na porta a bateria universal que é a de Aprendiz e de acordo como o Rito praticado. 

Se o momento do pedido for propício para sua entrada, o Cobridor Interno fará a comunicação na forma de costume imediatamente após ouvir o pedido de ingresso e as providências serão formalmente tomadas.

Se o momento for inoportuno, então o Cobridor Interno responderá simplesmente com a mesma bateria (a universal), pelo que o retardatário no átrio entente que deve aguardar, e assim o faz.

O que não deve nessa oportunidade acontecer é o repicar de outras baterias que não a de Aprendiz, não importando o Grau de trabalho da Loja naquele momento.

Assim, a resposta para aguardar é dada pelo Cobridor Interno apenas pela repetição da bateria universal maçônica, nunca por uma única só pancada, ou mesmo baterias de outros graus.

Ainda, é adequado esclarecer o que é “momento oportuno para o ingresso”. Nesse caso o mesmo deve ser avaliado conforme o que está acontecendo durante o desenvolvimento dos trabalhos naquele momento. É de boa geometria nunca se interromper abruptamente um procedimento ritualístico, portanto aguarda-se primeiro o momento oportuno para o ingresso do retardatário.

São inúmeros os momentos litúrgicos expressos pelo ritual que não devem ser interrompidos. A questão é sempre usar do bom senso para que o atrasado não atrapalhe ainda mais o desenvolvimento dos trabalhos. Por exemplo, não interromper durante a dialética de abertura, na transmissão da Palavra Sagrada, na abertura e leitura do Livro da Lei, na leitura do Balaústre (ata), etc.

Também é obrigação do retardatário saber que a repetição da bateria universal em resposta a sua quando pede ingresso, significa que ele deve aguardar o momento possível para o seu ingresso.

Quanto à questão de como um retardatário saberá se o seu pedido de ingresso foi ouvido, me parece óbvio que ele saberá, ou pela resposta à sua bateria dada da mesma forma pelo Cobridor, ou simplesmente ouvindo (mesmo que a porta esteja fechada) os reclames do Cobridor Interno comunicando à Loja na forma de costume que batem regularmente na porta do Templo.

A despeito de tudo isso, entenda-se que essa é uma situação extraordinária e não corriqueira que, devido ao seu caráter precário, muitas vezes precisa ser resolvida conforme a ocasião. 

Concluindo, o atraso é uma atitude que deve ser, na medida do possível, evitada. Por ser um hábito de péssima geometria, o mesmo não possui um embasamento legal que lhe sirva como um elemento norteador. Institucionalizar o atraso é o mesmo que torna-lo legal e, num caso desses, parece ser uma atitude no mínimo temerária.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

CEGUEIRA MAÇÔNICA

CEGUEIRA MAÇÔNICA
Irmão Carlos Augusto G. Pereira da Silva
Loja “Obreiros de São João” no 42 –Porto Alegre/RS

O maior perigo, atualmente, é você parar de caminhar, por acreditar que já chegou lá. (José L. Tejon)

Meus Irmãos, todos!

Precisamos, na Maçonaria, relacionarmos o que fizemos em nossos Templos, com o que a sociedade precisa para ser feliz, caso contrário, s.m.j., não terá finalidade o que lá realizamos, inicialmente, com uma profunda reflexão sobre nossos valores e saberes relevantes, para que não fiquemos somente no sonho ou na retórica estéril.

E nisso, podemos utilizar o que a cultura nos proporciona, como, por exemplo, o filme “Ensaio sobre a Cegueira”, obra de José Saramago, e que, muito bem, foi transposta para a tela do cinema, pelo cineasta Fernando Meirelles.

Há necessidade de nos analisarmos e verificarmos o que temos e precisamos aperfeiçoar para agir, tanto no âmbito pessoal como no âmbito institucional.

O autoconhecimento:

“Existe um modelo chamado Janela de Johari, desenvolvido em 1963, por Joseph e Harry Ingham, em que os autores explicam as quatro áreas da personalidade humana, baseada numa matriz, originada por dois processos, a autoexposição e a busca de feedback. Uma destas áreas, a chamada área cega, é aquela em que o próprio indivíduo não conhece aspectos a respeito de si mesmo, mas que os outros veem. Esta “cegueira” impacta o nosso autoconhecimento e, consequentemente, a forma como nos relacionamos com os outros. O mesmo fato ocorre com as organizações, na Maçonaria, que, muitas vezes, não conseguem perceber o que se passa dentro delas próprias e, se não forem os clientes, os Maçons, o mercado - as Lojas -, os consultores - os expertos -, e outros instrumentos - os estudos -, os debates, tais como as pesquisas, acabam por não se darem conta do que precisam melhorar.”

E nós, Maçons, em todos os aspectos, precisamos melhorar.

Melhorar nas administrações das Lojas, com possíveis cursos para as Luzes; melhorar o ensinamento maçônico, com saberes relevantes e úteis para o agir maçônico; melhorar na relação de fraternidade, com uma boa administração de recursos humanos; melhorar com orientação de liderança maçônica, que saiba agir nos múltiplos aspectos da gestão; e, entre outras tantas e necessárias melhorias, visão de líder, para que possamos realizar tudo isso, se faz necessário.

Afinal, só é líder, quem serve.

Uma outra melhoria, que se faz necessária: a que elimina a CEGUEIRA MAÇÔNICA. Aquela que elimina as pessoas contaminadas, via preconceito e discriminação, que ficam isoladas em nosso meio. Contaminadas do quê? Do conhecimento, da ética, do estudo, da busca, e do fazer que, infelizmente, além do preconceito e discriminação, causam ciúmes, nestes que praticam o isolamento.

São aqueles contaminados pela CEGUEIRA BRANCA, os isolados no filme, os diferentes, mas que ajudam na evolução.

Quantas vezes isolamos Irmãos, porque pensam diferente do que nós, que, infantilmente, possam representar ameaça sobre os nossos interesses pessoais, e que geram qualquer tipo de desconforto em relação ao nosso padrão pessoal?

Suas ações nos forçam para sair da ZONA DE CONFORTO. E o filme, exatamente, mostra que foram estas pessoas, contaminadas pela CEGUEIRA BRANCA, que pensam diferente e fazem diferente, que foram as que sobreviveram e tiveram a chance ou oportunidade de recomeçar. As mentes abertas vão mais longe.

E nós, achando que aqueles Irmãos, que nos trazem conhecimento, práticas novas e o NOVO, são arrogantes, chatos e metidos, não é mesmo. Só que eles avançam. Evoluem. E alguns achando que ficar na ZONA DE CONFORTO é bom. Será suficiente para alcançar algo?

Quantos tipos de CEGUEIRA existem na MAÇONARIA?
O egocentrismo;
A inveja, pelo sucesso do outro;
O orgulho, daqueles que não podem ouvir críticas;
A gestão para grupos, as panelinhas;
A corte;
O boicote, aquilo que está dando certo nas Lojas;
O ciúme infantil, pelo que o outro realiza de melhor; e eu não consigo;
A fofoca, que, aliás, é sempre bem aceita pelos Maçons;
A falta de ética nas relações;
A subserviência ao poder;
A dissimulação;
O servilismo à hierarquia; e
A falta de fraternidade, que é tanto falado em nosso meio, mas é pouco praticada. Meus Irmãos, a CEGUEIRA MAÇÔNICA é qualquer atitude que nos impede de enxergarmos o OUTRO que é nosso Irmão. É qualquer atitude que não esteja de acordo com aquilo que falamos. Isso é CEGUEIRA MAÇÔNICA. Seriam essas, então, as manifestações desta doença em nosso meio.

O filme também nos mostra que são nas situações limítrofes, que reconhecemos os VERDADEIROS VALORES DAS PESSOAS ou IRMÃOS. É neste momento que sabemos com quem podemos contar de fato. São aqueles que não ficam só nas palavras, mas juntam-se a nós para a busca da solução: pessoas, Irmãos ÉTICOS, VALOROSOS, TRANSPARENTES, LEAIS e CLAROS EM SUAS POSIÇÕES.

As escalas de valores são convergentes.

São os verdadeiros valores que direcionam a ação. Principalmente para os ÉTICOS. O que o ser humano é capaz de fazer é motivado por necessidades, mas definido por seus valores.

Meus Irmãos, Todos, não deixemos ser contaminados pelos vírus da CEGUEIRA MAÇÔNICA. Tenhamos a capacidade de realizar a sinergia dos talentos em nosso meio. Fiquemos com a CEGUEIRA BRANCA, aquela que nos dá condições de evoluir, conforme o filme.

Apesar do CAOS, que estamos vivendo no mundo hoje, e, também, na MAÇONARIA, pela falta de norte, tenhamos olhos para as coisas boas.

Tenhamos a lucidez de agir, com ÉTICA e com VALORES, para que possamos TORNAR FELIZ A HUMANIDADE, sem preconceito ou discriminação, iniciando esta atitude aqui dentro da MAÇONARIA, já que falar aos outros o que devem fazer, sem dar exemplo é propaganda enganosa, permitindo a propagação da CEGUEIRA, e isso não é digno para um MAÇOM.

Pensemos nisso! Levemos este tema para debate em nossas Lojas. Afinal, só há compreensão com debate, e comprometimento com ação.

Fraternalmente! Pare de observar, comece a fazer. É SEMPRE MELHOR FAZER PARA ENSINAR DEPOIS, DO QUE ENSINAR SEMPRE SEM NUNCA FAZER.

Fonte: https://martinlutherking63.mvu.com.br

domingo, 5 de junho de 2022

LEITURA DO LIVRO DA LEI NA ABERTURA DOS TRABALHOS

LEITURA NO LIVRO DA LEI NA ABERTURA DOS TRABALHOS
(republicação)

Em 04/09/2017 o Respeitável Irmão Carlos Alberto de Souza Santos, Loja Harmonia e Concórdia, 4.418, REAA, GOB-RJ, Rio de Janeiro, RJ, pede resposta para o seguinte:

Na abertura dos trabalhos, no momento em que o VM fala: achando-se a Loja regularmente constituída, procedamos à abertura.................. Irmão Mestre de Cerimonias, conduz o Irmão Orador ao Altar dos Juramentos.

Pois bem, o Mestre de Cerimônias faz o procedimento e o Orador conforme diz no ritual toma o Livro da Lei às mãos e lê o Salmo 133 no caso de sessão grau 1. O que acontece é que tenho ido a Loja do REAA/GOB que o irmão Orador, após estar diante do Altar, abre a Bíblia estando à mesma apoiada no Altar, ali mesmo ela permanece no momento em que faz a leitura, com o Orador ficando com braço direito estendido e braço esquerdo flexionado, tendo na sua mão o esquadro e compasso, e estes encostados na altura do peito.

Gostaria de esclarecimento

CONSIDERAÇÕES:

Bem, é como diz o caso, se a coisa é simples, então é melhor complicar.

Ironicamente parece que é assim que alguns Irmãos interpretam os trabalhos maçônicos – complicando-os por excelência.

“Meeeeu Deeeeus!” Se o ritual é tão claro, então por que complicar?

Ora, diz o ritual em vigência “toma o Livro da Lei às mãos”.

Tomar o Livro “às mãos” significa que o Orador deve segurar o Livro com as suas duas mãos para fazer a leitura apropriada.

Concluída a leitura, obviamente ele coloca o Livro aberto sobre o Altar dos Juramentos, apanha o Esquadro e o Compasso que ali já se encontram e imediatamente os dispõem sobre o mesmo Livro conforme o grau de trabalho da Loja.

Agora essa de estender o braço direito e com a mão esquerda encostar o Esquadro e o Compasso no peito, nada mais é do que pura invenção. 

Assim, isso simplesmente não existe e é pura bobagem criada por mentes imaginosas que teimam em instituir procedimentos inexistentes para a liturgia maçônica.

O correto é, com simplicidade, meramente seguir o que claramente menciona o ritual em vigência.

Enquanto isso, posso lhe afirmar que, se não é jabuticaba e só existe no Brasil; ou é besteira ou é privilégio de alguns.

T.F.A.
PEDRO JUK -jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br