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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

PÍLULAS MAÇÔNICAS

nº 59 - Teria sido Jesus, um Essênio?

Teria, realmente, Jesus pertencido à seita judaica dos Essênios?

Aparentemente, de acordo com as opiniões, dadas abaixo, de alguns escritores famosos sobre o fato, escritores historiadores, que são os que se aplicam neste caso, tudo nos leva a crer que, não.

Em caso afirmativo, a conclusão mais razoável é que se Jesus conviveu com os Essênios, tendo assimilado algumas de suas figuras e idéias, deles se afastou, divergindo em pontos fundamentais.

Vamos abrir parênteses para dar uma excelente definição de “historiador”, de Cervantes: “Os historiadores devem ser precisos, verídicos e totalmente imparciais; nem o interesse, nem o medo, o ódio ou a afeição poderiam afastá-los da senda da verdade, da qual a história é a mãe, a conservadora das grandes ações, o testemunho do passado, o exemplo e o ensinamento para o presente e a advertência para o futuro”.

Deste modo, vejam a opinião de Eleutério Nicolau da Conceição, no livro “Maçonaria – Raízes Históricas e Filosóficas”, pg. 177: “Certos livros afirmam que Jesus e Batista tinham sido Essênios, mas que Jesus era um grau superior ao de João. Por ocasião de seu batismo, Jesus se teria dado a conhecer por sinal, toque e palavra... etc. Parece incrível que histórias desse tipo sejam repetidas sem que aqueles que o fazem, tenham levantado perguntas óbvias: como aquela informação teria chegado ao escritor? Os autores desses artigos não exercitaram seu pensamento critico para perguntar como o autor original teria acesso a essas informações desconhecidas de todos os estudiosos do tema, que buscam avidamente referencias palpáveis, verificáveis na arqueologia e documentos antigos, da passagem pela Terra do Jesus histórico”

Continuemos obtendo mais depoimentos de escritores, como, por exemplo, James H. Charleswort – no livro “Jesus dentro do Judaísmo”, pg. 74 : “...Assim como não existem dados sustentando a idéia de Jesus ter sido Essênio, já que não há qualquer referencia a ele nos documentos conhecidos, não se pode tampouco afirmar que nunca houve contato entre ambos os grupos, cristãos e Essênios. Existem, contudo, oposições evidentes nos ensinamentos e praticas de Jesus comparados com os da seita zadokita: os Essênios eram rigorosos cumpridores da lei, guardando o sábado com maior rigor até do que os fariseus. Jesus ensinava: “o sábado foi feito por causa do homem, não o homem por causa do sábado”. Em certas ocasiões mandou seus discípulos que colhessem espigas (trabalhassem) para se alimentar no sábado. Os Essênios superiores praticavam todo um ritual, mantendo rigor ainda maior em relação a estranhos, e o compartilhar de refeições era para eles um ato sagrado, apenas com os membros de seu grupo; Jesus era acusado pelos fariseus de comer com publicanos e pecadores, a ralé da época, o que, se feito por um Essênio, provocaria sua expulsão da Ordem. Por último, os Essênios tinham uma cerimônia na qual amaldiçoavam seus inimigos; enquanto Jesus ensinava: “Amai vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem”.

Igualmente, o historiador John P. Meir – no livro “Um Judeu Marginal”, Imago, 1993, pg. 100, nos relata, com muita sabedoria: “Seja como for (e não há como verificar tal afirmação), não existem indicações de que Jesus tenha tido contato direto com a comunidade de Qumrãn, em qualquer tempo. Ele não é mencionado nos documentos encontrados em Qumrãn, ou próximo a ele, e sua atitude independente com relação à interpretação estrita da Lei Mosaica é a própria antítese dos rigorosos membros da seita Qumrãn, que consideravam até os fariseus muito indulgentes. Tudo isso não evitou que alguns escritores imaginosos vissem Jesus e Batista em alguns textos de Qumrãn, o que apenas mostra que a fantasia intelectual não conhece limites!

Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com

PELICANO

Neste antigo símbolo maçônico, vemos o sacrifício da mãe Pelicano bicando seu peito para alimentar seus bebês com o próprio sangue. Este simbolo proeminente do século XVIII, é do 18º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, "Cavaleiro Rosa+Cruz", e foi aprovado como tal pelo fato de que o pelicano, na antiga arte cristã, foi considerado como o emblema do Salvador.

O simbolismo do Pelicano, como um representante do Salvador, é aceito quase universalmente e deve ser derivado da crença comum de que o pelicano alimenta seus filhotes com seu sangue, como o Salvador derramou seu sangue para a humanidade, e, portanto, o pássaro é sempre representado como sentado no ninho e rodeado por sua ninhada de filhotes, que estão mergulhados nas feridas do peito de sua mãe. Mas esta não é a idéia exata do simbolismo, que na verdade refere-se à ressurreição e é deste ponto de vista, mais aplicável a "Christo" e ao grau maçônico, que a ressurreição é uma doutrina.

Em um Bestiarium antigo (ou História Natural), a biblioteca real de Bruxelas, citado por Larwood e Hotten em um livro recente sobre a história dos sinais e simbolos das Ordens Iniciáticas, esta declaração é feita: "A fêmea do Pelicano é tão dedicada a seus indefesos filhotes, que quando eles nascem e começam a crescer, rebelam-se contra os machos adultos, atacando-os com suas asas e bicando seus olhos, tentando afastá-los do ninho. O Pelicano macho, maior e mais forte, investe contra a fêmea expulsando-a do ninho, matando todos os filhotes. Depois de três dias, ela retorna ao ninho e senta-se entre as pequenas aves mortas, e começa a bicar o peito e a derramar seu sangue sobre eles. Desse modo, simbolicamente atendendo a um "comando espiritual", ela consegue ressuscitar os filhotes abrindo mão da sua própria vida."

Outros estudos indicam que o Pelicano Masculino, que destruiu seus jovens, representa a serpente, ou princípio do mal, que trouxe a morte para o mundo, enquanto sua mãe, que gera-os, representa o Mestre Jesus, "O Christo" que disse: "Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos."


Fonte: Facebook_O Templo e o Maçom

terça-feira, 6 de agosto de 2024

FRASES ILUSTRADAS

USANDO A PALAVRA - REAA

Em 27/10/2023 o Respeitável Irmão Cleiton Rocha Matos, Loja Guardiões do Olimpo. 3368, REAA, GOB-MT, Oriente de Nova Olímpia, Estado do Mato Grosso, formula a presente questão:

USANDO A PALAVRA

Meu irmão na sessão de ontem surgiram alguns questionários e saudar ou cumprimentar as autoridades em loja, gostaria de saber como se procede em uma Loja que tem as luzes, o poderoso deputado federal, o venerável deputado estadual?

APONTAMENTOS:

Primeiramente eu gostaria de mencionar que o modo costumeiro e consagrado de se dirigir à Loja no REAA, não deve ser confundido com "saudação maçônica", isto por conta de que no ritual de Aprendiz Maçom, vigente no GOB, está claramente escrito, em sua página 42, quando e a quem o maçom deve prestar saudação em Loja.

Neste contexto, também é oportuno lembrar que saudação maçônica em Loja é sempre feita pelo Sin∴ Pen∴ do grau embora nem sempre ele seja propriamente uma saudação. Há momentos em que o Sinal é feito para saudar alguém e em outros para desfazer o Sin∴ de Ord∴.

No caso, faz-se a saudação maçônica por um gesto penal. Volta-se ao Sin∴ de Ord∴ no caso de se permanecer em pé. Já, quem estiver em pé usando a palavra, naturalmente fica à Ordem, desfazendo o Sin∴ de Ord∴ pelo Sin∴ Pen∴antes de sentar.

 Graças a isto, e as sutilezas da ritualística, no uso da palavra não existe saudação maçônica. O que de fato existe é o modo protocolar de se dirigir à Loja, ou seja, notadamente dirigir-se mencionando por primeiro às Luzes da Loja (os detentores dos malhetes), depois às autoridades (sem a necessidade de individualiza-las), e por fim, de modo genérico, meus Irmãos. No caso de estar presente o Grão-Mestre, ele é mencionado imediatamente após às Luzes, mas na frente das demais autoridades.

Recomenda-se também, que o usuário da palavra eleja uma das autoridades presentes para que, em seu nome, as demais se sintam mencionadas. Neste sentido, vale lembrar que a objetividade assegura, com boa geometria, a fluidez dos trabalhos.

Em relação à sua pergunta, orienta-se que o usuário da palavra se dirija protocolarmente por primeiro mencionando as Luzes da Loja (Venerável Mestre e Vigilantes), autoridades, e por fim, genericamente, “meus Irmãos”. No caso da sua Loja, que tem no seu quadro duas autoridades, estando apenas elas presentes, é possível nominá-las uma a uma, por se tratar de número reduzido de autoridades.

Ao concluir, vale mencionar que nominar autoridades individualmente, ou generalizá-las, é apenas uma questão de escolha da Loja, visto que não existe uma regra em si, porém, o bom senso. O que de fato não se deve é confundir, “modo protocolar de se dirigir à Loja” com “saudação maçônica em Loja”.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS QUE LÊEM E MAÇONS QUE NÃO LÊEM


É comum encontrar Maçons mergulhados na obscuridade sobre a própria instituição à qual pertencem. Enquanto um relojoeiro sabe dos mecanismos dos relógios e um advogado domina a jurisprudência, muitos Maçons estão às escuras sobre a história, simbolismo e cerimônias maçônicas.

O problema é duplo: há aqueles que entram por motivos alheios à busca de conhecimento e se tornam indiferentes, e outros, embora com boas intenções, negligenciam a busca por aprendizado adicional além da iniciação.

Isso resulta em um dilema: a Maçonaria é uma instituição que atrai indivíduos em busca de graus e posições, mas muitos deles não têm interesse em expandir seu conhecimento maçônico. Em vez de se envolverem na compreensão dos princípios mais básicos, buscam avidamente títulos e distinções.

Essa atitude prejudica a Ordem. Homens que ocupam postos de destaque na Maçonaria, mas que desconhecem seus fundamentos, minam sua credibilidade. Se a indiferença prevalecer, a Maçonaria pode perder sua posição como uma escola de pensamento e filosofia.

A solução? Encorajar a leitura e estudo dentro da Ordem. Se mais Maçons dedicarem um tempo para se aprofundar na Maçonaria além das cerimônias, a instituição como um todo se beneficiará. Afinal, o sucesso da Maçonaria depende da inteligência e dedicação de seus membros."

Resumido do Texto Original de Albert G. Mackey.

Publicado em 1875 e reimpresso no “The Master Mason” em outubro de 1924.

Albert Gallatin Mackey, 33º (1807 – 1881), foi um médico americano, e é mais conhecido por ter sido autor de vários livros e artigos sobre a Maçonaria, sobretudo, os Landmarks da Maçonaria. Ele desempenhou funções como Grande Orador e Grande Secretário da Grande Loja da Carolina do Sul, assim como de Secretário-geral do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceite da Jurisdição Sul dos Estados Unidos.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

FRASES ILUSTRADAS

INEXISTÊNCIA DE ACLAMAÇÃO NO TERCEIRO GRAU

(republicação)
Em 29/05/2018 o Respeitável Irmão Ronaldo Pinto de Morais (Moura), Editora Maçônica A Trolha, Oriente de Londrina, Estado do Paraná, solicita o seguinte esclarecimento:

ACLAMAÇÃO NO GRAU DE MESTRE

Peço mais uma vez sua ajuda para lhe perguntar: Por que no Grau de Mestre não tem ACLAMAÇÃO?

CONSIDERAÇÕES:

A IRMANDADE

Jesuel Rosa de Oliveira

A palavra irmandade, em seu sentido mais amplo, é designada aos homens nascidos do mesmo seio materno, onde os mais conhecidos irmãos sanguíneos, podem ver a partir do Livro da Lei em Gênesis Cap. 4, Vers. 1 e 2, onde diz: “Coabitou o homem com Eva, sua Mulher.
Esta concebeu e deu a luz à Caim; Então disse: Adquiri um varão com auxilio do senhor; Depois deu a luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas e Caim, lavrador” más em Hebraico como em muitos outros idiomas, aplica-se aos membros de uma mesma família, de uma mesma tribo, de um mesmo povo, por oposição aos “estrangeiros” enfim, um povo descendente do mesmo ancestral, como Israel por exemplo. (Gen. Cap. 13, Vers.  que transcrevo a seguir:

“Disse Abrão à Ló: Não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os seus pastores, porque somos pastores chegados ”.

Além dessa fraternidade baseada na carne, a bíblia conhece outra, a do vínculo espiritual: Irmandade pela fé, simpatia, por função semelhante, por aliança contraída pela fé, em nosso caso, pelo sublime juramento.
Este uso simbólico da solidariedade que mostra a irmandade entre os humanos, como realidade vivida, não se limita ao mero parentesco sanguíneo, embora consista seu fundamento natural, a revelação não parte do fato de todos os homens são naturalmente irmãos.

Não que o sentido da palavra seja intrigante e ela rejeite o ideal da fraternidade universal; Más sabem-se da descoberta do sentido é bem improvável, e pode se considerar a sua busca decepcionante, caso não seja procurado em Deus e sua extrema justiça, pois o gesto é bem este, visado pela comunidade fraternal, elementares na raça, no sangue ou na religião.

O sentido universal da irmandade, fundamenta-se entre nós na pessoa que inicialmente nos apresentou à ordem, é a primeira pessoa que reconhecemos como irmão fraterno, que por juramento, assumimos o compromisso de ajudar e socorrer quando necessário, convivemos em harmonia, dentro e fora do seio da grande família maçônica universal, de onde partem valiosos ensinamentos, para então propagarmos ao mundo e as criaturas.
Se partirmos do princípio de que cada irmão espalhado pelos recantos do universo, propagam os ensinamentos maçônicos, e refletirmos no sentido amplo da palavra “irmandade” veremos que é muito mais que isso, sim, o laço fraternal que espalhamos por onde quer que estejamos.

Então, em posse dessa valiosa informação e por mais que procuramos falar, seria impossível explicar o real sentido da palavra, que depois de pronunciada, por reflexão chegamos ao seu ponto mais alto e talvez a entendamos.

Sejamos sensatos a ponto de não rebuscarmos no íntimo de nosso ser, respostas rápidas para assuntos tão profundos, é preciso sentir a necessidade de ter por perto um irmão, um companheiro para podermos contar em todas as horas, não que essa seja unicamente o anseio da alma atormentada pelas buscas incessantes, más sim, não nos preocupar em compreender tudo.

“Para entender o que é irmandade, é preciso sentir-se irmão ”.

Fonte: http://www.pedreiroslivres.com.br/ Texto: Jesuel Rosa de Oliveira M∴M∴ 

domingo, 4 de agosto de 2024

FRASES ILUSTRADAS

COMPOSIÇÃO DA LOJA COM SETE MESTRES - REAA

Em 01.08.2024 o Poderoso Irmão Clemente Escobar, a pedido de um Irmão que não me foi identificado, Loja do REAA, GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, apresenta a dúvida seguinte

COMPOSIÇÃO DA LOJA

Gostaria de saber como ocorre a movimentação do Mestre de Cerimônias e demais Mestres quando temos apenas 7 Mestres na sessão.

O Mestre de Cerimônias deve realizar todos os cargos faltantes: Guarda Interno, 1 e 2 Diácono, Hospitaleiro?

Sabendo que AApr∴ e CComp∴ não podem executar cargos, no intuito da facilitar a condução da sessão, em caráter excepcional o Companheiro não poderia assumir a harmonia, o Apr∴ ou Comp∴ não poderiam ocupar algum cargo imóvel em sua coluna?

CONSIDERAÇÕES:

 Uma Loja do REAA com a presença mínima de 7 Mestres Maçons, deve ser composta precariamente da seguinte forma: Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes, Orador, Secretário, Cobridor Interno e Mestre de Cerimônias. Na ocasião da transmissão da Palavra Sagrada, o Mestre de Cerimônias, temporariamente, exerce a função do 2º Diácono e o Secretário do 1º Diácono. Isto ocorre apenas quando do diálogo ritualístico que envolve os Diáconos e na transmissão, propriamente dita. Depois o Mestre de Cerimônias e o Secretário voltam aos seus lugares.

No tocante a ocupação de cargos por Aprendizes e Companheiros, absolutamente eles não ocupam nenhum cargo. Deve-se isso ao Art. 229 RGF– Para o exercício de qualquer cargo ou comissão é indispensável que o eleito ou nomeado pertença a uma das Lojas da Federação e nela se conserve em atividade. § 1º – Os cargos são privativos de Mestre Maçom (grifo no original).

Assim, o dispositivo legal não permite que Aprendizes e Companheiros ocupem cargo em Loja aberta, nem como instrução, e nem em “cargo imóvel”.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

A SALA DOS PASSOS PERDIDOS

Muitos maçons ignoram que a sala dos Passos Perdidos é uma das antecâmaras do templo e o seu comportamento reflete o ato dos profanos, quando deveria ser um local de respeito e de satisfações, momentos de troca de comprimentos, de observação, de tratos sobre a próxima entrada em templo, passando pelo Átrio Purificador.

O nome "Passos Perdidos" traduz desorientação, mas apenas inicial, uma vez que de imediato surgirá o rumo certo, em especial quando o Mestre de Cerimônias estender o convite para o ingresso no Átrio.

Não podemos esquecer que ao adentrar o edifício onde a Loja se localiza, estaremos ingressando em uma Loja Maçônica, não em um clube, nem em dependências profanas.

Muitos confundem essas situações e apresentam-se totalmente despreparados, provocando discussões, elevando a voz, fumando, quando não bebericando (há Lojas que mantém um bar nas dependências da sala dos Passos Perdidos) bebidas alcoólicas.

O comportamento do maçom deve ser preparatório para o ingresso em templo; uma preparação educada e consciente, aptos para a purificação do Átrio.

O maçom deve sê-lo a todo o tempo o Templo; permanentemente, uma vez que difere do profano.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 355.

ESPADA FLAMEJANTE

Ir∴ Sergio Quirino Guimarães
Belo Horizonte - MG

Flamejante ou Flamígera? Pode parecer a mesma coisa, mas há uma sutil diferença; Flamígero vem do latim flammigeru que corresponde a flammiferu que em português é Flamífero que é o adjetivo daquilo que apresenta chamas.

Já Flamejante é o adjetivo do que flameja, sendo flamejar um verbo intransitivo que traduz a ação de lançar chamas.

Numa visão pessoal passível de concordância ou não e acreditando que na Maçonaria nem tudo o que se vê é o que se compreende, eu penso que quando a espada está sobre o Altar do Venerável Mestre ela é uma Espada Flamígera, nas Sessões Magnas na hora da Sagração ela é uma Espada Flamejante.

Quando ela está no Altar ela ilumina, quando ela está sobre nós, ela lança a Luz, principalmente se pensarmos que a batida do Malhete é o "interruptor".

Flamejante também é uma espécie de estilo arquitetônico conhecido como gótico florido, muito comum nas catedrais do Velho Continente, é caracterizado por ornamentos que tem o aspecto de chamas.

As espadas em si podem ser vistas sobre três aspectos em nossas sessões: primeiro quanto ao aspecto do "Poder Temporal", quem tem a espada "comanda", o Venerável Mestre "comanda" os trabalhos da Oficina, Os Guardas Interno e Externos "comandam" o movimento na Porta do Templo, lembrando que somente eles podem "tocar" a porta.

Há em alguns ritos a instrução para que a espada dos Guardas tenha a mesma forma da espada do Venerável Mestre, principalmente se pensarmos que o cargo dos Guardas ou Cobridores deva ser ocupado por um Past-Venerável, no Rito de York é assim!

O segundo aspecto é o "Poder Espiritual", somente aqueles instalados no Trono de Salomão, somente aqueles que foram sagrados em determinados Graus Superiores é que compreendem que quando segurada pelo punho é uma arma ofensiva, mas se segurada pela lâmina sua conotação é totalmente diferente.

É saber se colocar como Bom Pastor. E nesse ponto que surgiu a forma ondulada da lâmina, os ritualistas da Maçonaria leram em Gênese, capítulo 3, versículo 24 (Ele expulsou o homem e colocou diante do jardim do Éden os querubins e a espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida) e interpretaram que o "instrumento" que Deus deu aos querubins deveria estar à disposição do Presidente da Loja, pois ele com Sabedoria fará o uso correto da espada de fogo que pode ferir, mas que tem a missão primaz de afastar as trevas.

O terceiro aspecto é o simbólico, como extensão do braço direito daquele que a segura, indicando que não haverá lugar no mundo onde aquele que está vendo a ponta da espada poderá se refugiar em segurança da justiça maçônica, mas também amplifica todos os sentimentos emanados pelo Irmão que a segura com o braço esquerdo, pois o coração de cada Maçom é uma usina a produzir as mais puras vibrações em prol da sociedade.

A intenção deste pequeno artigo é despertar nos Irmãos a vontade de saber um pouco mais sobre o assunto, fazer uma pesquisa e quando ela estiver pronta, levar para sua Loja enriquecendo nosso Quarto de Hora de Estudos. Lembrem-se que todos nós independente do Grau ou de Cargos somos responsáveis pela qualidade das Sessões Maçônicas.

Fonte: JBNews - Informativo nº 244 - 29.04.2011

sábado, 3 de agosto de 2024

VERIFICAÇÃO PELOS VIGILANTES NO SEGUNDO GRAU

(republicação)
Em 28.05.2018 o Respeitável Irmão Edson Duraes, Loja Estrela Mística, 3.929, REAA, GOB-SC, Oriente de Itajaí, Estado de Santa Catarina, pede esclarecimentos para as dúvidas seguintes:

VERIFICAÇÃO PELOS VIGILANTES:

Gostaria de sua opinião sobre as seguintes situações, levando-se em conta que não devemos incluir ou omitir palavras, procedimentos, etc., senão seguir o Ritual e que, em cada Loja que visito, vejo procedimentos diferentes.

1 - Ritual de Aprendiz Maçom: (pág. 45)
O 1º Vigilante ao verificar se todos os presentes nas colunas são maçons, diz: "Em pé e à ordem em ambas às colunas" (Todos se levantam à Ordem e o 1º Vig∴ faz a verificação do seu lugar).
Comentário: sem comentários

2 - Ritual de Companheiro: (pág.29).
A verificação se todos os presentes são maçons é feita da seguinte forma: o Venerável diz: "Em pé e à ordem, meus IIr∴" (Todos nas colunas e no Oriente ficam à Ordem e voltam-se para o Oriente). O Ven∴diz: "IIr∴ 1º e 2º VVig∴, verificai se todos os IIr.: das colunas são CComp∴" (Os VVig∴ percorrem suas colunas, começando pelo Ir∴ que está mais próximo da porta de entrada, recebem o Sinal, o Toque e a Palavra de Passe de cada um, findo o que voltam a seus lugares. Os oficiais da Loja não serão examinados assim como os que se encontram no Oriente).
Dúvida: O Ven∴ Mestre não fica de Pé e à Ordem e nem precisa ficar de costas para todos porque se está de costas e de pé e à Ordem ficaria incoerente a frase da pagina 30, após esses procedimentos: "Ven∴ - Eu respondo pelos do Oriente. Sentai-vos". Ele estaria respondendo por uma coisa que não está vendo e, se estivesse de pé, o correto seria dizer "sentemo-nos" e não "sentai-vos".
O que acha disso? Estou correto nessa interpretação? 

3 - Ritual de Mestre: (pág. 51).
O 1º Vigilante ao verificar se todos os presentes nas colunas são maçons, diz: "Venerab∴ Ir∴ 2º Vig∴, vamos percorrer nossas colunas para certificarmo-nos se todos os IIr∴ são MM∴MM∴. VVen∴ IIr∴, em pé, sem estarem à Ordem, em ambas as colunas". (Os IIr∴ das Colunas, voltam-se para o Oriente, de sorte que nenhum veja o que se passa à sua retaguarda).
Comentário: Mais simples e coerente que o grau 2. A ordem está explícita que é nas colunas, sem estarem à Ordem. O Oriente permanece sentado. Os IIr∴ nas colunas, exceto oficiais, vão ser telhados no sinal, toque e palavras. O Venerável responde pelo Oriente e utiliza o tempo verbal correto: "sentai, VVen∴ IIr∴”.
Então, para os graus 1 e 3, parece estar claro no Ritual. O problema que tenho visto é no grau 2 e cada Loja tá fazendo de uma maneira diferente.
Poderia fazer um comentário principalmente se minhas ponderações relativas ao grau 2 estão corretas?

CONSIDERAÇÕES:

MAÇONS FAMOSOS


ALFREDO MARIA ADRIANO D'ESCRAGNOLLE TAUNAY (Rio de Janeiro, 1843 - Rio de Janeiro, 1899). Escritor, músico, professor, engenheiro militar, político e historiador brasileiro. Como oficial do Exército, enfrentou desafios no sul de Mato Grosso contra os paraguaios. Taunay é conhecido por obras icônicas como "Inocência", um romance sertanejo emblemático, similar a Romeu e Julieta. Foi também fundador da Academia Brasileira de Letras e criador da Cadeira n.° 13, honrando Francisco Otaviano. Também é o patrono da Cadeira Nº 2 da Academia Maçônica de Artes, Ciências e Letras do Estado do Rio de Janeiro, a AMACLERJ.

Há registros de seu envolvimento com a Loja Maçônica Estrella do Norte por volta de 1873, participando ativamente enquanto Visconde de Rio Branco liderava. Taunay até escreveu a biografia deste período marcante. Contudo, as suas datas maçônicas são desconhecidas por falta de registro.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

ENTENDENDO OS TERMOS "MAÇONS ANTIGOS, LIVRES & ACEITOS"

Por: Kennyo Ismail

O termo “Maçons Antigos, Livres & Aceitos” que, utilizando a abreviação maçônica do REAA, fica “MM AA LL & AA” talvez seja, depois de “GADU”, o termo mais usado na Maçonaria. Apesar disso, parece que poucos são os maçons que sabem seu verdadeiro significado e o que se vê são muitos maçons experientes inventando significados mirabolantes e profundamente filosóficos para um termo que teve caráter político na história da Maçonaria.

O termo geralmente é utilizado após o nome da Obediência ou, muitas vezes, faz oficialmente parte do nome. Em inglês a sigla é AF&AM (Ancient, Free and Accepted Masons), cujo significado é o mesmo do termo em português: Maçons Antigos, Livres & Aceitos. Porém, os Irmãos também podem em muitas Obediências se depararem com termo diferente, sem o uso do “Antigo”, apenas: “Maçons Livres & Aceitos” ou “F&AM – Free and Accepted Masons”.

Afinal de contas, o que significa esse termo e qual o motivo da variação?

Em primeiro lugar, ao contrário do que muitos possam pensar, o termo nada tem com o Rito Escocês. Pelo contrário, foram os fundadores do Supremo Conselho do Rito Escocês em Charleston que, influenciados pelo termo, resolveram pegar emprestado o “Antigo” e o “Aceito”.

Na verdade, o termo e sua variável surgiram do nome oficial das duas Grandes Lojas inglesas rivais, historicamente conhecidas por “Antigos” e “Modernos”. O nome da 1ª Grande Loja (1717) era “Grande Loja dos Maçons Livres e Aceitos da Inglaterra”. Já sua rival (1751) foi fundada com o nome de “Grande Loja dos Maçons Livres e Aceitos da Inglaterra de acordo com as Antigas Constituições” e por isso costumava ser chamada de “Antiga Grande Loja da Inglaterra”. Dessa forma, a mais nova se proclamava “Antiga” e chamava a primeira, que era mais velha, de “Moderna”. A partir daí, nos 60 anos de rivalidade entre essas duas Grandes Lojas, os maçons da Grande Loja dos “Modernos” ou daquelas fundadas por essa usavam o termo “Maçons Livres e Aceitos”, enquanto que os da Grande Loja dos “Antigos” ou daquelas fundadas por essa eram tidos como “Maçons Antigos, Livres e Aceitos”. Nesse período, a Grande Loja da Irlanda (1725) e a Grande Loja da Escócia (1736) se aproximaram dos “Antigos” e de certa forma aderiram ao termo. As duas Grandes Lojas inglesas resolveram se unir em 1813, porém, os termos permaneceram nas Grandes Lojas constituídas por essas, que consequentemente passaram àquelas que constituíram depois.

O maior reflexo dessa “rivalidade” e o uso dos termos que a representam ocorreu nos EUA, que tiveram Grandes Lojas fundadas pelos Modernos, pelos Antigos, e pelas Grandes Lojas da Irlanda e da Escócia. Com isso, 26 Grandes Lojas Estaduais usam o termo COM “Antigos” e outras 25 Grandes Lojas usam SEM “Antigos”:

F&AM (trad.: Maçons Livres & Aceitos) = 25 GLs: Alabama, Alaska, Arizona, Arkansas, Califórnia, DC, Flórida, Geórgia, Havaí, Indiana, Kentucky, Louisiana, Michigan, Mississipi, Nevada, New Hampshire, New Jersey, New York, Ohio, Rhode Island, Tennesse, Utah, Vermont, Washington, Wisconsin.

AF&AM (trad.: Maçons Antigos, Livres & Aceitos) = 26 GLs: Colorado, Connecticut, Delaware, Idaho, Illinois, Iowa, Kansas, Maine, Maryland, Massachusetts, Minnesota, Missouri, Montana, Nebraska, Novo México, Carolina do Norte, Dakota do Norte, Oklahoma, Oregon, Carolina do Sul, Dakota do Sul, Texas, Virgínia, West Virgínia, Wyoming, Pensilvânia.

Apesar de a rivalidade ter acabado no início do século XIX, os termos permaneceram e podem ser vistos em várias outras partes do mundo. Alguns exemplos:

COM “Antigos”: Bolívia, Chile, Cuba, Costa Rica, Equador, Grécia, Guatemala, Honduras, Israel, Nicarágua, Panamá, Peru, África do Sul, Espanha, Venezuela.

SEM “Antigos”: Argentina, China, Finlândia, Japão, Filipinas, Porto Rico, Turquia.

Com o “Antigos” já desvendado, cabe aqui compreender a expressão “Livres & Aceitos”:

“Livres” se refere aos maçons que tinham direito de se retirarem de suas Guildas e viajarem para realizar trabalhos em outras localidades, enquanto que os “Aceitos” seriam os primeiros maçons especulativos que, apesar de não praticarem o Ofício, ingressaram na Fraternidade.

Hoje, usar ou não o “Antigos” não faz mais tanta diferença. O importante é que não esqueçamos que o “Livres & Aceitos” é um elo, um registro histórico da transição entre a Maçonaria Operativa e a Especulativa. Qualquer interpretação diferente é tentar jogar nossa história fora.

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

PALAVRA DE PASSE - QUANDO A SOLICITAR?

Em 27/10/2023 o Respeitável Irmão Moacyr Dutra Júnior, Loja Cruzeiro Fluminense, REAA, GOB-RJ, Oriente de São Gonçalo, Estado do Rio de Janeiro, faz a pergunta seguinte:

PALAVRA DE PASSE

O ritual de Companheiro na página 88, descreve a Pal∴ de Pas∴ e diz que o momento de a dar é ao entrar em Loja. Por outro lado, na instrução dos pp∴ do Gr∴, é passado os c∴ pp∴ e após deve-se cumprimentar as Luzes. (Não fala em dar a Pal∴ de Pas∴). Gostaria da sua interpretação, se a Pal∴ de Pas∴ é dada ao entrar em Loja e após, fazer os pp∴ do gr∴ ou se dá a palavra após a conclusão dos pp∴ do gr∴.

CONSIDERAÇÕES:

Primeiramente eu gostaria de informar ao Irmão que tudo isso já se encontra corrigido no SOR – Sistema de Orientação Ritualística, que é um instrumento de orientação e correção dos rituais e que se encontra hospedado na página oficial do GOB a disposição dos Irmãos. O SOR foi criado pelo Grão-Mestre Geral pelo Decreto 1784/2019 e publicado no Boletim Oficial do GOB sob o nº 31, em outubro de 2019.

Nesse particular, destaco que o SOR foi preparado para atuar sobre os conflitos e erros existentes nos rituais vigentes, lembrando que um dos ofícios do Grão-Mestre Geral é ser o guardião dos rituais do GOB, portanto ele pode editar Decretos sobre os rituais que estão sob a sua guarda a qualquer momento, se julgar necessário.

Dito isto, os elementos citados na sua questão já se encontram corrigidos no SOR. Assim, a Pal. de Pas∴ somente é solicitada (pelo 2º Exp∴), quando um Irmão desconhecido, ainda no átrio, pedir ingresso no Templo – a Pal∴ de Pas∴nunca é transmitida dentro, mas próximo à porta, pelo lado de fora do Templo.

Assim, esta prática não tem nada a ver com a entrada formal em Loja pela Marcha do Grau. Neste caso, o protagonista, depois de ter concluído os passos do Grau, saúda às Luzes da Loja na forma de costume, sem que seja utilizada, nesse instante, a Pal. de Pas∴.

Deste modo, reitera-se: a Pal∴ de Pas∴ somente é solicitada pelo examinador a um irmão desconhecido que pede para ingressar no Templo durante os trabalhos. Nunca a Pal∴ de Pas∴ deve ser transmitida dentro da Loja, a despeito de que ela foi instituída como um artifício velado de passagem de quem vem de fora para dentro.

Todos estes elementos, já corrigidos pelo SOR, farão parte do novo ritual de Companheiro do REAA que virá em 2024.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

DO FIO DE PRUMO AO NÍVEL

Por Joaquim Grave dos Santos

Do fio de prumo ao nível, da construção pessoal ao combate pela equidade social

Subordinado ao Fio de Prumo, Jóia Móvel do 2° Vigilante, o Aprendiz trabalhou na vertical, na profundidade de si mesmo, aprendendo a conhecer melhor as irregularidades da sua Pedra Bruta, e a retificá-las. Muito embora este labor não tenha cessado, porque tanto o autoconhecimento como o autoaperfeiçoamento estão sempre na base de qualquer trabalho iniciático, ao passar da Perpendicular ao Nível, o novo Companheiro depara-se com uma dimensão até então inexplorada, a horizontalidade. Que interpretação podemos retirar desta descoberta, e deste Instrumento Simbólico que acabou de receber, e que é também a Joia Móvel do Vigilante da sua Coluna?

De acordo com um Ritual do Rito Francês já do meio do século XIX, “o Nível, que orna o 1° Vigilante, simboliza a igualdade social, base do direito natural”. Também no nosso Ritual de Elevação ao 2° Grau, o Recipiendário, que recebe o Nível e o Fio de Prumo para realizar a sua Quarta Viagem de Instrução, na qual irá descobrir o quadro temático “A Humanidade”, é exortado pelo Venerável Mestre a progredir “para a Justiça e para a Igualdade”, através do bom uso destes instrumentos. Salienta-se também que, nesta Cerimónia, de todas as ferramentas recebidas no decurso das Cinco Viagens do Companheiro, é precisamente o Nível que o Recipiendário é convidado a depositar na Mesa dos Compromissos, juntamente com a Trolha, estando o mesmo presente na fórmula da obrigação deste Grau: “Sobre este Nível, emblema da igualdade social…’.

Não restam, pois, dúvidas que existe, no Rito Francês, uma interpretação societária muito acentuada, no que concerne a este Símbolo, que é sobejamente enfatizada nos textos que integram os seus Rituais. Mas também resulta igualmente claro que, neste sistema de trabalho Maçónico, horizontalidade e verticalidade são eixos inseparáveis, aparentemente opostos, mas na realidade complementares, que se revelam indispensáveis na comprovação da adequação da Obra realizada. O conhecimento adquirido pelo Aprendiz no decurso da sua experiência iniciática “na vertical’, deverá agora ser empregue aprofundando “na horizontal’ o seu relacionamento com os seus semelhantes, de modo a que desta conjugação de domínios resulte um contributo mais efetivo para o progresso da sociedade. Contributo este que deve ser fundamentado numa perspetiva mais abrangente do mundo, plano no qual o Companheiro se integra, explorado sem dogmas nem preconceitos, à luz de um novo olhar sobre os factos sociais, verificados a Nível e a Fio de Prumo. Observação esta na qual “o Maçon deve fazer prova de prudência, de estabilidade, e de equilíbrio, mas também de espirito crítico e de invenção, tirando sempre partido das lições da experiência’.

Esta inseparabilidade da vertical e da horizontal encontra-se, aliás, bem presente no funcionamento mecânico do Nível. Este instrumento é composto por um Fio de Prumo, que só equilibrará numa posição vertical, se a base de sustentação das suas pernas for perfeitamente horizontal. Ou seja, o “bom equilíbrio’ só é conseguido quando todos os pontos, que compõem os seus apoios no plano, se encontram à mesma cota altimétrica. Pessoalmente, penso que esta realidade física, transposta analogicamente para o contexto do relacionamento interpessoal, ilustra que a nossa interação com os nossos semelhantes só pode ser positivamente equilibrada, quando baseada na equidade, e no respeito pelas liberdades e pelos direitos dos outros, ponto de partida essencial para que se verifique a reciprocidade de comportamentos relativamente a nós próprios. E porque não há planos perfeitamente horizontais, o Rito Francês faculta-nos ainda a Trolha, para rematarmos a Obra, colmatando com o cimento da Tolerância, da Fraternidade, e da Solidariedade, os pequenos desníveis que possam prejudicar a perfeita verticalidade do Fio de Prumo, que integra o Nível. Compete ao Maçon, enquanto Obreiro esclarecido, e conhecedor tanto dos Planos da Obra como das boas regras da Arte, determinar quando o cimento já não é suficiente para equilibrar este instrumento de controlo. Desníveis existem, que introduzem tais desequilíbrios, que só pela desconstrução e pela posterior reconstrução do trabalho realizado, se torna possível obter o aprumo necessário à boa qualidade do Edifício. Princípio este, que tanto se aplica à Construção do Templo Interior, que é o Homem, como do Templo Exterior, que é a Sociedade.

Assim, o Companheiro, que aceitou o desafio do combate da passagem da Pedra Bruta à Pedra Cúbica Pontiaguda, deve tomar consciência que, com este Aumento de Salário, o seu trabalho iniciático deixou de se focalizar apenas em si próprio, pois a Maçonaria do Rito Francês não tem por objeto apenas o aperfeiçoamento ético e intelectual dos indivíduos, busca também o progresso moral e material das sociedades. É nesta dupla demanda, que se fundamenta o percurso iniciático neste sistema Maçónico, que visa transformar o Maçon num melhor Homem, e num melhor Cidadão, construtor de uma sociedade mais justa, que ambiciona ser Universal. Ideal este que se persegue, através de um trabalho incessante, que tem a Estrela Flamejante por guia, e o Mundo por horizonte. E, porque neste nosso Rito terreno, a Perfeição é um conceito que não existe, aqui a Pedra Cúbica não representa a Pedra de Fecho da Obra, na qual o Maçon aspira converter-se, é tão somente o sítio onde o Companheiro afia as suas ferramentas, como é claramente referido nos textos das nossas antigas Instruções do século XVIII, para depois retornar ao desbaste da sua Pedra, sempre Vigilante e Perseverante.

Meus Queridos Irmãos recentemente recebidos neste novo Grau, é tempo de começarem a procurar a melhor posição na qual a vossa Pedra, já aperfeiçoada pelo trabalho do Aprendiz, melhor se integra nas Grandes Obras da Maçonaria, e da Sociedade. À criança, que configura o neófito que fostes, sucede-se o jovem, que procura completar a sua formação, mas que já é chamado a participar ativamente nos Trabalhos da Oficina, e da Cidade. A Maçonaria, como todas as Artes Operativas, aprende-se fazendo, pois toda a ação é também uma nova fonte de aprendizagem. Espera-se, pois de vós, a partir de agora uma maior proatividade. Não basta ficarem apenas pela observação do Trabalho dos Mestres, sempre fecunda em termos de Transmissão. Importa agora que também parteis à procura de novas “verdades aqui adquiridas”, através das leituras e da reflexão, das viagens a outros Estaleiros, e da oportunidade de participação nos debates, que agora se vos apresenta. É um novo direito, que devereis aproveitar com ponderação, sempre que sentirdes que a vossa Palavra poderá acrescentar algo de útil à Prancha coletiva que está a ser traçada. Devereis ter sempre em atenção que essas “verdades aqui adquiridas” se tornarão estéreis, se não forem devidamente irradiadas através de uma ação consistente no mundo profano, que contribua para fazer despertar a tal “Humanidade melhor e mais iluminada”, que alimenta a nossa Utopia, e a nossa fé de Maçons. Parti, pois, meus Queridos Irmãos Companheiros, para esta viagem iniciática de Estaleiro em Estaleiro, de livro em livro, de Sessão em Sessão, sempre com o bordão na mão, e a sacola das ferramentas às costas. Segui a nossa Estrela Polar, astro do Pensamento Livre que nos incita a Pensar, e a tomar o nosso destino nas nossas mãos, enquanto seres emancipados de obscurantismos, e dotados de Razão. Abastecei-vos com os alimentos do espírito, que saciarão a vossa fome e sede de conhecimentos e, tal como é dito no nosso Ritual, “que os nossos votos vos acompanhem”, pois os vossos passos, embora não tão guiados como o foram na vossa Idade anterior, continuarão a ser amparados, por uma Câmara do Meio ansiosa por vos receber. Sois Espigas de Trigo caídas à terra, nas quais depositamos as nossas intenções, e a nossa esperança de que vinguem, para que já suficientemente instruídos, se juntem a nós neste trabalho sempre difícil de traçar os planos de uma Obra tão imprevisível, como é a da construção de uma Loja Maçónica. Desfrutai, todavia, este vosso tempo de explorações, e de novas descobertas sem pressa, pois há todo um novo mundo para apreender e, “tudo chega para quem sabe esperar”.

Recordo com boa memória o meu tempo de Companheiro, que foi longo. O começar a usar da palavra não foi fácil. Era Obreiro de uma Loja na qual havia vários Irmãos de grande capacidade retórica e, durante o meu tempo de Aprendizagem, sempre achei que nunca conseguiria verbalizar com aquele brilho. A primeira vez que falei em Loja foi à força, o Venerável Mestre disse ao Vigilante que lhe parecia que eu tinha pedido a palavra, e assim fui projetado no abismo, sem ter sequer comigo o paraquedas de ter pensado antes no que iria dizer. Mas fui, a pouco e pouco, ganhando confiança, encorajado por constatar que as minhas primeiras intervenções, sempre muito tímidas, em geral até tinham bom acolhimento, e que as pequenas Pedras que ia acrescentando eram consideradas, pelos meus Irmãos e Irmãs, uteis para a Construção. Tudo isto fez-me compreender que pela Palavra se Constrói e, que em Maçonaria, se as demandas são individuais, a Obra é sempre coletiva. Depois, o Caminho fez-se caminhando, como diria o poeta António Machado.

Daí que eu pense que, nos nossos percursos Maçónicos, nunca devemos perder o espírito exploratório do Companheiro. As zonas de conforto conduzem sempre ao estancamento, pelo que experimentar a riqueza da diversidade, procurando trabalhar com novos grupos, novas formas de trabalho, são desafios que todo o Mestre não deve rejeitar. E, uma visão mais transversalizada da Maçonaria é sempre um meio excelente para compreendermos melhor o trabalho que se faz no nosso Rito, e na nossa Loja. Da mesma forma, a Ação é também um instrumento fundamental na nossa autoconstrução, e na nossa inserção no mundo profano, e parte integrante da nossa dupla demanda. Recordemo-nos novamente que, tal como escreveu o Irmão Philippe Guglielmi, num dos seu Editoriais da revista JOABEN,

“Do vazio íntimo, no momento da Iniciação quando morre o antigo homem, ao vazio social, página em branco de uma sociedade mais justa cujas regras se encontram por escrever, o Franco-maçom que trabalha no Rito Francês constrói a sua emancipação, tijolo após tijolo”

Termino pois, por aqui, esta minha Viagem de hoje, permanentemente disponível para novas aventuras intelectuais, e sempre pensando que, tal como cantou Jacques Brel, “telle est ma quête, suivre l’Etoile” !

Fonte: https://bibliot3ca.com

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

ABERTURA DA LOJA E O NÚMERO MÍNIMO DE MESTRES

Em 27/10/2023 o Respeitável Irmão Luiz Maurício Sardinha Barreto, sem mencionar o nome da Loja, Rito Brasileiro, GOB-RJ, Oriente de Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão:

NÚMERO MÍNIMO DE MESTRES

Aconteceu pela primeira vez em minha Loja de não termos 7 Mestres para abrir a sessão. Presentes estavam 5 Mestres e 5 Companheiros. Os irmãos iam chegando e assinando o livro de presenças.

Neste caso a sessão nem inicia e é cancelada a sessão? Começa a sessão até o momento em que se pergunta se há número legal e ali é cancelada? Faz-se um registro que não houve sessão devido a número insuficiente? A página do livro de assinatura cancela?

RESPOSTA:

Sem o número de sete Mestres Maçons não se abre a Loja, isto é, nem mesmo é formado o préstito de entrada. Assim, impreterivelmente segue-se o previsto no RGF, como abaixo descrito:

CARGOS SOMENTE PARA MESTRES MAÇONS - Art. 229 – Para o exercício de qualquer cargo ou comissão é indispensável que o eleito ou nomeado pertença a uma das Lojas da Federação e nela se conserve em atividade.

§ 1º– Os cargos são privativos de Mestre Maçom (o grifo é meu).

Quanto ao Livro de Presenças, inutiliza-se a página aberta nele redigindo uma nota informando que a sessão não fora aberta pela ausência de número mínimo de Mestres Maçons.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

SER MESTRE MAÇOM É...

Autor: Rui Bandeira

… mais do que uma chegada, uma nova partida; não um objetivo atingido mas um projeto sempre em execução. A Exaltação à Mestria possibilita que o Obreiro atento o entenda desde logo.

Simplesmente, enquanto até aí o maçom teve guias e apontadores de caminhos, quando a Loja concede a ele a sua “carta” de Mestre, este sente-se um pouco como aquele que, após as suas lições e o seu exame de condutor, recebe a sua carta de condução: está habilitado a conduzir (a conduzir-se…) mas… inevitavelmente que sente alguma ansiedade por estar por sua conta e risco, sem rede que ampare suas quedas em possíveis erros.

Assim, apesar de serem as mais visíveis manifestações da mudança de estado conferida pela Exaltação à Mestria, não são o seu direito à palavra e o seu direito ao voto que são importantes. Importante é a sua total capacidade de exercer o seu verdadeiro e pleno direito ao seu caminho. O direito a trilhar o seu caminho por si, só, se assim escolher ou assim tiver que ser, ou acompanhado por quem quiser que o acompanhe e que o queira acompanhar, se assim for de vontade dos interessados, pelo tempo que quiser, por onde quiser, como quiser, para o que quiser.

O direito ao seu caminho enquanto cidadão já o tinha desde que atingiu a idade adulta e como adulto foi pela lei do Estado considerado. O direito ao seu caminho enquanto maçom, ou seja, o caminho do aperfeiçoamento, da busca da excelência, da proximidade tão próxima quanto humanamente possível for, da Perfeição, a ser trilhado por si só, como quiser, quando quiser, pela forma que quiser, adquire-o o Maçom com a sua Exaltação à Mestria, após o tempo de preparação que necessário foi para que não seja em vão que esse direito lhe seja conferido, para que efetivamente o exerça. Porque é um direito que o Mestre Maçom deve exercer como um dever, com a diligência do cumprimento de uma obrigação.

Ser Mestre Maçom é, assim, essencialmente cumprir o dever de exercer o seu direito de escolher e percorrer o seu caminho para a excelência.

Para quem andou longo tempo a ser guiado, não é fácil ver-se, de um momento para o outro, responsável pelo seu caminho, sem ajuda, sem orientação, sem rede.

Responsável, porque livre, porque pronto, porque assim é o destino do homem que busca o brilho da Luz, da sua Luz. Mas, após uma pausa para ganhar orientação e pesar as suas escolhas, todos os Mestres Maçons seguem o seu caminho – porque para isso foram preparados, por isso são Maçons, com isso são verdadeiramente Mestres.

O caminho que cada Mestre Maçom decide escolher tem em conta a primacial pergunta que faz a si mesmo: Que fazer, como fazer, para ser melhor? A essa pergunta cada Mestre Maçom vai obtendo a sua resposta, pessoal, íntima, tão diferente das respostas de outros quanto diferente dos demais ele é. E é na execução da resposta que vai obtendo, no traçar do trabalho que essa resposta propõe, que o Mestre Maçom constrói, porque construtor é, o seu percurso. E a cada estação conquistada, novamente a mesma pergunta de sempre se lhe coloca: que fazer, como fazer agora para ser de novo melhor? E nova resposta e novo percurso e nova paragem, com nova e sempre a mesma pergunta, com outra resposta e outro percurso, incessantemente se apresentam.

Mas o Mestre Maçom não sabe apenas buscar a resposta à sua pergunta. Sabe também que, embora cada um trilhe o seu solitário caminho, os caminhos dos maçons têm muito de comum e sobretudo são postos por eles muito em comum.

O Mestre Maçom sabe assim que o que adquire, o que ganha, o que aprende, o que consegue, não é para ser avaramente fruído apenas por si, antes é para ser posto em comum com a Loja, pois também é do comum da Loja que recolhe contributos, ajudas, meios, ferramentas, para melhor e mais frutuosamente obter respostas às suas perguntas.

Ser Mestre Maçom é, assim, sempre, dar o seu contributo à Loja, seja no que a Loja lhe pede e ele está em condições de dar, seja no que ele próprio considera poder tomar a iniciativa de proporcionar à Loja. Porque ser Mestre Maçom é também saber que, quanto mais der, mais receberá, que a sua parte contribui para o todo mas também aumenta em função do aumento desse todo e que, afinal, não é vão o dito de que “dar é receber”.

Ser Mestre Maçom é portanto saber que o seu percurso pessoal será mais bem e mais facilmente percorrido se o for com a Loja, pela Loja, a bem da Loja. Porque o bem da Loja se traduz em acrescido ganho para o maçom, que assim consegue realizar o paradoxo de ser um individualista gregário, porque integra e contribui para um grupo que é gregário porque preza e impulsiona a individualidade dos que o compõem.

Ser Mestre Maçom é descobrir que a melhor forma de aprender é ensinar e assim escrupulosamente executar o egoísmo de ensinar os mais novos, os que ainda estão a trilhar caminhos que já trilhou, dando-lhes o valor das suas lições e assim ganhando o valor acrescido do que aprende ensinando – e sempre o homem atento aprende mais um pouco de cada vez que ensina.

Ser Mestre Maçom é comparecer e trabalhar na Loja, mas sobretudo trabalhar muito mais fora da Loja. Porque o que se faz em Loja não passa de “serviços mínimos” que apenas permitem a sobrevivência da Loja e o nível mínimo de subsistência do maçom. O trabalho em Loja é apenas um princípio, uma partícula, uma gota, uma pequena parte do trabalho que o Mestre Maçom deve executar em cada um dos momentos da sua existência.

Ser Mestre Maçom é portanto mais do que aguardar que algo lhe seja pedido, antes tomar a iniciativa de fazer algo – não para ser reconhecido pela Loja, mas essencialmente por si, que é o que verdadeiramente interessa.

Ser Mestre Maçom não é necessariamente fazer grandes coisas, excelsos trabalhos, admiráveis construções. Mais válido e produtivo é o Mestre Maçom que dedica apenas cinco minutos do seu dia a fazer algo muito simples em prol da sua Loja, da Maçonaria, afinal de si próprio, desde que o faça efetivamente todos os dias, do que aqueloutro que uma vez na vida faz algo estentório, notado, em grande estilo, mas sem continuidade. Porque a vida não se esgota num momento, nem numa hora, nem num dia. A vida dura toda a vida e é para ser vivida todos os dias de toda a vida.

Ser Mestre Maçom não é necessariamente ser brilhante, mas é imprescindivelmente ser persistente E o Mestre Maçom que persistentemente realize dia a dia, pouco a pouco, o seu trabalho, pode porventura passar despercebido, não receber méritos nem medalhas nem honrarias, mas tem seguramente o maior mérito, a maior honra, a melhor medalha, o maior reconhecimento a que deve aspirar: o de ele próprio reconhecer que fez sempre o seu trabalho, deu o seu melhor, persistiu na sua tarefa e, de cada vez que olhou para si próprio, viu-se um pouco, um poucochinho que seja, melhor do que se vira da vez anterior. E assim sabe que, pouco a pouco, no íntimo do seu íntimo, sem necessidade que outros o honrem por tal, ganhou um pouco mais de brilho, está um passo mais próximo do seu objetivo, continua frutuosamente percorrendo o seu caminho para o que sabe ser inatingível e, no entanto, persiste em procurar estar tão próximo de atingir quanto possível: a Perfeição!

Em suma, ser Mestre Maçom define-se com o auxílio de uma frase que li há algum tempo e que foi dita por alguém que creio até que nem sequer foi maçom, Manuel António Pina, jornalista, escritor, poeta, laureado com o Prémio Camões em 2011, falecido em 19 de outubro de 2012: o Mestre Maçom é aquele que aprendeu e que pratica que o mínimo que nos é exigível é o máximo que podemos fazer.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com