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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quarta-feira, 23 de junho de 2021

QUEM INSTRUI, PRIMEIRO OU SEGUNDO VIGILANTE?

QUEM INSTRUI - PRIMEIRO OU SEGUNDO VIGILANTE?
(republicação)

Em 20/04/2017 o Respeitável Irmão Jaime Ribeiro da Silva, sem mencionar o nome da Loja, Rito e Obediência, Oriente de Cruzeiro, Estado de São Paulo, através de correspondência via Trolha, formula a seguinte questão:

Cabe ao Primeiro Vigilante instruir os Companheiros e ao Segundo Vigilante os Aprendizes?

Não é o que ensina a primeira instrução dos Aprendizes.

CONSIDERAÇÕES:

De modo autêntico quem instrui os Aprendizes é o Segundo Vigilante, enquanto que os Companheiros é o Primeiro Vigilante.

Essa prática na Moderna Maçonaria é devida à hierarquia na Loja e não pelo fato de que se deva coincidir com o Vigilante da respectiva Coluna.

Nos ritos maçônicos que nasceram no hemisfério setentrional, sempre os Aprendizes ocuparão o Norte e os Companheiros o Sul. Isso se dá inclusive para aqueles ritos que por razões históricas tradicionalmente invertem os seus Vigilantes (o Primeiro no Sul e o Segundo no Norte). Mesmo nesses, os Aprendizes permanecem no Norte e os Companheiros no Sul, excetuando-se algum rito que porventura tenha nascido no hemisfério meridional, como é o caso do Rito Brasileiro – nesse os Aprendizes ficam no Sul e os Companheiros no Norte.

Para que se possa entender isso é preciso antes se despir da fantasia de que o Templo Maçônico seja um modelo copiado do Templo de Jerusalém, pois na realidade a sala da Loja é simbolicamente um canteiro especulativo de obras composto simbolicamente por um segmento da superfície do Planeta e situado sobre o equador terrestre, cujos limites são relativos aos pontos cardeais. Seu piso é o solo terrestre e a sua cobertura é o céu.

Dados esses comentários indispensáveis, segue então a razão histórica do ministério de instrutor dado a cada Vigilante da Loja maçônica.

Na Maçonaria de Ofício (antecessora da Maçonaria dos Aceitos), na época dos canteiros medievais quando não existiam ainda nem ritos e nem templos maçônicos, os maçons se reuniam literalmente nos canteiros de obras, nos adros das igrejas e nas tabernas. Naqueles tempos, quando da admissão de um novo membro na guilda de construtores – isso ocorria geralmente no solstício de verão europeu, dia de São João, o Batista – costumeiramente era o Segundo Vigilante que recebia o candidato à admissão e lhe ministrava as primeiras instruções e informações. Instruído e informado, o candidato era então conduzido até o Primeiro Vigilante que fazia uma prece em seu favor. Em seguida o candidato era recebido na forma de costume pelo Mestre da Obra (na época um Companheiro experiente) que lhe tomava a “obrigação” diante do Evangelho de São João entregando-lhe em seguida as luvas e o avental operativo. O candidato então era constituído Aprendiz Admitido no Ofício e o Segundo Vigilante o conduzia até os instrumentos de trabalho para lhe ensinar os segredos da profissão.

Para receber aumento de salário, o que viria ocorrer somente após ter sido cumprido o seu tempo de aprendizado (geralmente de três ou cinco anos), o Aprendiz era então proposto e instruído como Companheiro de Ofício. Nessa oportunidade, quem o recebia era o Primeiro Vigilante, ocasião em que verificava e comprovava a sua habilidade no exercício da profissão. Certificando-se, o Primeiro Vigilante lhe ministrava as instruções finais e o recomendava ao Mestre da Obra para que ele fosse constituído Companheiro de Ofício (Fellow Craft).

Essa é uma síntese de como era o processo ancestral da Iniciação e do aumento de salário de um maçom operativo, bem como o de quem o instruía no trabalho. É oportuno lembrar, entretanto, que naquela época a Maçonaria de Ofício era constituída apenas por duas classes de trabalhadores - a dos Aprendizes e a dos Companheiros. Elas eram classes profissionais e não graus especulativos como hoje os conhecemos, a despeito ainda de que o Mestre da Obra era um Companheiro escolhido entre os mais experientes da Guilda.

Dado a esse roteiro ancestral é que genuinamente o Segundo Vigilante era quem recebia e instruía os Aprendizes e o Primeiro Vigilante, os Companheiros, destacando que na época o processo iniciático não era como o que hoje conhecemos e nem mesmo se dava em recintos decorados por liturgias específicas. A Loja era literalmente uma oficina (canteiro de obras) onde trabalhavam os artífices da pedra de cantaria.

Assim, no intuito de se preservarem os costumes do passado, é que alguns ritos da Moderna Maçonaria procuraram preservar a tradição (a exemplo do REAA) atribuindo emblematicamente ao Segundo Vigilante a missão de instruir os Aprendizes e ao Primeiro os Companheiros, destacando-se que os Aprendizes ocupam o Norte do recinto e o Segundo Vigilante o Sul, enquanto que os Companheiros ocupam o Sul e o Primeiro Vigilante o Norte.

Nesse caso a questão não é a de que os Vigilantes necessariamente precisem ser os instrutores nas suas respectivas Colunas, mas a de tradição e hierarquia, até porque esse tem sido apenas um elemento figurado de interpretação, pois a qualquer Mestre do Quadro é dado o ofício de instruir.

É verdade, porém, que existem ainda muitos rituais escoceses em vigência adotados pelas Obediências que às vezes não seguem essa regra autêntica, contradizendo equivocadamente as verdadeiras origens e costumes da Ordem. Infelizmente eles existem e muitos deles são legalmente adotados.

Outro aspecto relevante para ser observado é que na Moderna Maçonaria a regra que envolve os Vigilantes, e deles qual instrui, não é universal quando se tratar de Ritos e Rituais, pois nem todos eles seguem essa particularidade, já que originariamente muitos ritos nasceram cada qual com a sua própria liturgia. Em síntese, não se deve generalizar procedimentos na Maçonaria achando que nela tudo é igual.

Mesmo nos rituais escoceses brasileiros encontramos inúmeras contradições nesse sentido que geralmente foram adquiridas através de cópias (tesoura e cola) de rituais anacrônicos do passado, mas que continuam se espalhando como ervas daninha no solo da cultura maçônica.

Não me canso de mencionar que infelizmente muitos Irmãos, sem qualquer critério, ficam por aí defendendo teses ritualísticas, principalmente em grupos na Internet e fazendo comparações como: “era assim no passado”, “eu tenho muitos rituais antigos”, etc. Infelizmente, esses se esquecem de que antes de se proferir considerações laudatórias, primeiro é prudente se certificar da veracidade dos fatos escritos. Afinal, nem tudo que reluz é ouro.

Outro enorme problema relacionado aos que apenas se prendem nos escritos de rituais anacrônicos é o de que muitos deles não compreendem a razão existencial de cada prática ritualística e a sua simbologia. Sintetizando, a questão não é apenas a de estar escrito, mas sim a razão dela existir na liturgia do rito – isso é básico para a compreensão de um arcabouço doutrinário.

Concluindo, são esses os apontamentos relativos às instruções e quem é o responsável por ministra-las aos Aprendizes e Companheiros, particularmente no Rito Escocês Antigo e Aceito.

E.T. 1 – A questão de quem deve instruir e de quem deve receber a instrução é somente de caráter figurado para preservar tradições, mas não de obrigatoriedade, já que é dever de todo o Mestre Maçom ministrar preleções instrutivas em Loja, daí nem sempre a incumbência de prover instruções inseridas nos rituais estarem direcionadas exclusivamente para esse ou aquele Vigilante. Conforme os rituais, delas geralmente participam, além dos Vigilantes, o próprio Venerável, o Mestre de Cerimônias, os Diáconos, etc. - tudo conforme o Rito adotado. O mais tradicional no que diz respeito à incumbência dos Vigilantes para esse mister é mesmo o das instruções que visam promover aumento de salário.

E.T. 2 – Como prática dos “antigos”, vide o Craft inglês que aqui no Brasil é conhecido como Rito de York. Nele a Pedra Bruta fica junto ao Segundo Vigilante no Sul e os Aprendizes no lado oposto no nordeste da sala da Loja, enquanto que a Pedra Cúbica fica junto ao Primeiro Vigilante no extremo do Ocidente e os Companheiros no lado Sul da Loja. Esse é um fato que demonstra perfeitamente não haver necessidade de coincidência de lado (coluna) entre o que instruí e o que é instruído.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

TRIÂNGULO EQUILÁTERO - 1º

1º - O triângulo eqüilátero, cujos três lados são iguais, é um triângulo isósceles, tendo sido a forma mais importante entre as Religiões e também na Maçonaria.

2º - Os antigos representavam a Divindade sob a forma de um triângulo eqüilátero com um olho no meio, ao passo que os cristãos modernos empregam esta mesma figura para representar a Trindade, escrevendo no meio, em caracteres hebraicos, o nome de Jehovah.

3º - “Não há símbolo mais importante em sua significação, mais variado em sua aplicação, ou mais geralmente difundido em todo o sistema da Maçonaria que o triângulo. Portanto, um estudo dele não poderia deixar de ser interessante para o pesquisador Maçom". (Mackey)

4º - Entre os egípcios, a escuridão, através da qual o candidato à iniciação devia passar, era simbolizada pela trolha, importante ferramenta maçônica, que, em seu sistema hieroglífico, tinha a forma de um triângulo.

5º - Símbolo da perfeição, o triângulo representa em duas de suas pontas a lei da dualidade, as forças binárias da natureza que se combinam com a terceira para produzir a criação e que encontram a sua perfeição no ponto em que se unem e combinam.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

O TRABALHO NA MAÇONARIA

O TRABALHO NA MAÇONARIA
Kennyo Ismail

Quem nunca ouviu a máxima de que “o trabalho dignifica o homem” a qual foi tão bem defendida por Voltaire, Adam Smith, dentre outros? Voltaire, maçom, registrou que “o trabalho nos afasta de três grandes males: o ócio, o vício e a pobreza”. Já na visão de Adam Smith, “onde predomina o capital, o trabalho prevalece”. Essa relação entre homem e trabalho não é apenas suportada pelas Ciências Sociais, mas também pelas ensinamentos judaicos, cristãos e islâmicos: “E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.” (Eclesiastes 3:13); “Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho.” (I Coríntios 3:8); “Que trabalhem por isso, os que aspiram lográ-lo!” (Alcorão, 37:61).

Este é um assunto sobre o qual as diferentes vertentes – socialistas ou capitalistas, ateus e crentes – concordam: o homem nasceu para trabalhar e viver dos frutos de seu trabalho. Na Maçonaria não é diferente: uma vez feito maçom, o Aprendiz já é chamado ao trabalho, sendo apresentado a ele suas ferramentas de trabalho.

Porém, um erro que muitos podem cometer ao promover uma abordagem simplista sobre o assunto é pensar que o trabalho dignifica o homem, pois através dele pode-se proporcionar uma vida decente para si e sua família. Tal raciocínio está equivocado, pois, nesse sentido, não seria o trabalho que dignifica o homem, mas o seu resultado: o salário. Cometer esse erro seria desonroso, negligenciando e zombando tanto o homem quanto o seu trabalho, por julgar que o trabalho só tem valor porque gera um salário e que o homem só trabalha para ganhar o seu próprio pagamento.

O trabalho produz mais do que simplesmente o salário do trabalhador. O trabalho gera um produto ou serviço que é demandado por outra pessoa ou pela sociedade. O trabalho gera habilidade e experiência para aquele que o executa. O trabalho cria não apenas relações comerciais, mas também sociais. Trabalho resulta em aprendizagem e conhecimento. Trabalho proporciona prazer quando bem feito. Trabalho estabelece parcerias.

Desse modo, o trabalho mostra que todos nós dependemos uns dos outros, porque um alfaiate não pode fazer um terno sem o agricultor que planta e colhe o algodão, o caminhoneiro que transporta o algodão para a fábrica, o operário da indústria textil que o transforma em tecido, o motorista da transportadora que entrega o tecido para o atacadista, e, finalmente, o atacadista que o fornece para o alfaiate. Apenas pelo trabalho de muitos trabalhadores, o alfaiate pôde realizar seu próprio trabalho. E o ciclo de trabalho não para por aí, visto que o terno produzido pelo alfaiate vestirá outro profissional, o qual depende não apenas do alfaiate, mas de muitos outros profissionais para sobreviver e poder desempenhar seu trabalho, do qual outros trabalhadores podem depender, incluindo o alfaiate.

Assim sendo, como pode o salário chamar a atenção quando o trabalho significa algo muito maior e muito mais relevante para a vida de todos os homens de boa vontade? Quando o trabalho cria uma riqueza muito mais valiosa, imensurável em comparação com o salário? Pensando assim, pode-se afirmar que o salário é, talvez, o resultado menos importante do trabalho, servindo apenas como moeda de troca para os produtos e serviços dos trabalhadores – algo necessário entre os homens para tornar o fruto de seus trabalhos mais acessível a todos.

Olhe para si mesmo e veja a imensidão que lhe rodeia. Veja cada objeto, parte e acessório que você está usando. Olhe para o ambiente ao seu redor e tente imaginar quantos trabalhadores de todo o mundo estiveram envolvidos na produção desses utensílios. Olhe para o celular que provavelmente está contigo agora. Imagine a energia que talvez mantém sua lâmpada ou computador ligado. Agora pense nas vastas redes de produção e de transporte e os milhares de trabalhadores envolvidos nelas para permitir que este livro estivesse em suas mãos neste exato momento, sem mencionar as paredes em que talvez se encontre e serviços de água, internet, telefone, etc. Sem dúvida, podemos dizer que milhões de trabalhadores de sua cidade, estado, país e inclusive de outros países estiveram e estão envolvidos na produção dos produtos e serviços que neste momento circundam você.

Às vezes, a pressa da vida diária não nos permite parar por alguns minutos e fazer essa reflexão. Simplesmente olhar ao redor e entender como todos nós somos dependentes do trabalho de inúmeros trabalhadores desconhecidos e sermos gratos a cada um deles.

Um dos principais ensinamentos maçônicos é o de que, para fazer qualquer trabalho, deve-se equilibrar três conceitos arquetípicos diferentes que são potenciais em cada um de nós: sabedoria, força e beleza. Somos ensinados que estes são pré-requisitos para qualquer grande e importante empreitada. Fugir disso pode levar à infeliz tendência de sacrificar um planejamento adequado, o refinamento estético ou a mão de obra adequada em uma tentativa equivocada de ser “prático”. Quando cometemos essa imprudência e erguemos uma estrutura sem a devida força ou beleza, não estamos conservando qualquer coisa de valor, senão sendo contrários aos melhores lições da tradição maçônica.

Pensando em termos individuais, não seria útil ter a vontade e a força para realizar um trabalho se o trabalhador não tem a sabedoria ou as habilidades necessárias para completá-lo. Da mesma forma, se tem a inteligência e a força para trabalhar, mas falta a vontade, significa que nada será feito. E do mesmo modo, é impossível para um trabalhador produzir apenas com a vontade e a inteligência, mas sem a força exigida. Ou seja, é necessário empregar todas essas três qualidades para que um trabalho seja feito de uma forma justa e perfeita. Este é o segredo da perfeição: não está no trabalhador, mas em seu trabalho.

Isso nos leva a uma característica essencial da Ordem Maçônica. Nossa tradição valoriza todas as classes sócio-econômicas e recusa-se a levar em conta a posição profana de um homem, a não ser em termos de seu caráter moral. É fácil de entender a partir desse ensinamento que nossa Ordem ensina a dignidade de todo o trabalho. Em seu clássico trabalho, Moral & Dogma, o célebre filósofo maçônico norte-americano Albert Pike ensina-nos:

Que nenhum companheiro imagine que o trabalho dos humildes e sem influência não vale o feito. Não há limite legal para as possíveis influências de uma boa ação ou uma palavra sábia ou um esforço generoso. Nada é muito pequeno. Quem está aberto para a penetração profunda da natureza sabe disso. Embora, na verdade, nenhuma satisfação absoluta poderá ser concedida à filosofia, mais em circunscrever a causa do que em limitar o efeito, o homem de pensamento e de contemplação cai em êxtases insondáveis​​, tendo em vista todas as decomposições de forças resultantes na unidade. Todos trabalham para todos. (DE HOYOS, Arthuro. Ed. Albert Pike’s Morals and Dogma of the Ancient e Accepted Scottish Rite of Freemasonry: Annotated Edition. Washington, DC: Supreme Council, 2011.)

Não é apenas o seu trabalho que o dignifica, mas o trabalho de todos os homens em todo o mundo que contribui para que você, um indivíduo, possa viver com dignidade. O maçom deve procurar compreender que o que o conecta a todos os homens de boa vontade do mundo é o trabalho digno que cada um realiza. Trabalho esse que, direta ou indiretamente, afeta todos os outros. Além da fé no Grande Arquiteto do Universo, o trabalho é um dos grandes laços que nos une em um vínculo que, mitologicamente, nós, como maçons identificamos como o mesmo vínculo compartilhado por aqueles que trabalhavam no Templo de Salomão.

Portanto, durante a execução de um trabalho perfeito, o trabalhador está aprendendo, desenvolvendo-se, evoluindo, interagindo com fornecedores e clientes, em parcerias, atendendo a uma demanda de um indivíduo, um grupo ou sociedade, gerando empregos, proporcionando felicidade para si e para os outros, contribuindo com o seu trabalho para a humanidade, e é isso que conecta todos os homens de bem no mundo. Há algo mais digno do que isso?

Fonte: www.noesquadro.com.br

terça-feira, 22 de junho de 2021

DIVERSAS DÚVIDAS

DIVERSAS DÚVIDAS
(republicação)

O Respeitável Irmão Manoel Elielson Cordeiro de Jesus, Secretário da Loja Tiradentes, 2.530, GOB, Oriente de Aracajú, Estado de Sergipe, apresenta a seguinte questão: 
fcjecoturismo@hotmail.com 

1 - O Átrio faz parte do Templo? Na página 22 do Ritual de Aprendiz ele está contido na planta do Templo, daí a dúvida. 

2 - No nosso antigo "Manual de Dinâmica Ritualística do REAA", ano 2000, no capítulo "Normas gerais de comportamento ritualístico", Item 46 diz que: Não é permitida a presença de imagens de santos, ou símbolos religiosos, no templo, para não interferir com a crença pessoal dos Obreiros. Na minha Loja tem uma imagem de São João Batista no Átrio, à esquerda da entrada do templo.

3 - No nosso Regulamento Interno diz que a LOJA pode “conceder ainda a maçons regulares do quadro ou de outras Lojas, os seguintes títulos: Fundador, Past Máster, Construtor da arte Real”. No Regimento de Títulos e Condecorações diz que qualquer título emitido pela Loja precisa receber o aval da Comissão. Na minha Loja foram distribuídos vários títulos de "Construtor da Arte Real" para Irmãos do quadro.

Irmão Juk, não sou melindroso nem quero criar atrito ou desarmonia em Loja. Quando faço estes questionamentos é porque reina a dúvida e o Irmão mesmo sabe que numa Loja o Venerável precisa tá bem assessorado para tomar algumas medidas sem ferir a legislação maçônica.

CONSIDERAÇÕES:

01 – De fato. O Átrio é a antessala (vestíbulo) do Templo onde os Obreiros aguardam o momento específico de entrada para o início dos Trabalhos e em linhas gerais ele faz parte do Templo, inclusive
em muitos rituais está nele previsto o formato do pavimento mosaico. No Átrio não é lugar de reuniões para bate-papos, assinatura no livro de presenças, se paramentarem, etc. Nesse vestíbulo, no Rito Escocês Antigo e Aceito estão localizadas as duas colunas vestibulares ou solsticiais (B e J) e não raras vezes nesse sítio a liturgia maçônica dele faz uso para prática ritualística. Não há como se confundir o Átrio com a Sala dos Passos Perdidos onde nessa última é que é o local de encontro e preparação para os trabalhos da Loja. Da Sala dos Passos Perdidos que se passa para o Átrio. 

02 – Muito embora a Maçonaria tenha também nascido na sombra da Igreja Católica, essa prática deve ser evitada justamente pelo conceito dogmático religioso. Mesmo sob a influência da Igreja, para a Sublime Instituição a figura do Santo está realmente relacionada mais às datas solsticiais nos períodos dantes operativos e suas reuniões semestrais nas datas que geralmente coincidiam com as comemorações religiosas alusivas à João, o Batista (solstício de verão na meia esfera Norte) e João, o
Evangelista (solstício de inverno no hemisfério Norte). 

03 – Quanto à concessão de títulos me parece que é uma questão interna da vossa Loja. Nada posso opinar, senão que seja observada a impossibilidade de contradição com as Leis do Grande Oriente do Brasil no tocante ao assunto.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
DEZ/2011
Fonte: JB News – Informativo nr. 472 Florianópolis (SC) 13 de dezembro de 2011.

O PASSO LATERAL DA MARCHA DE COMPANHEIRO

O PASSO LATERAL DA MARCHA DE COMPANHEIRO
(Desconheço a autoria)

A Marcha é uma técnica adotada nos três Graus Simbólicos. Como recém-elevados ao Grau de Comp∴ Maç∴, a Sublime Instituição abriu-nos uma porta a mais para ser explorada através dos estudos. E, estudando, notamos pequenas diferenças ritualísticas entre as diversas Potências, mas não nos esqueçamos que todos somos Maçons e, como tais, temos como meta final o mesmo resultado moral, ou seja, a construção de nosso Templo Interior para a Glória do G∴A∴D∴U∴, não importando a Potência à qual pertençamos. Enquanto AApr∴MMaç∴, ainda sem sabermos ler e nem escrever, somente soletrar, obrigatoriamente temos que ser guiados e orientados por nossos MM∴ na luta e na perseverança em nosso caminhar na senda da Perfeição, isto é, pelo caminho que nos leva das trevas à Luz, do Ocidente para o Oriente, do mundo objetivo dos sentidos para o mundo subjetivo do espírito. Este objetivo não é somente dos AApr∴ mas também dos CComp∴ e dos MM∴.

Sendo assim, nossos passos, sempre iniciados com o pé esquerdo, são obrigatoriamente retos e dirigidos, sempre na mesma direção, pelos IIr∴ mais experientes e compreende três passos de longitude desigual e proporcional a 3-4-5, lembrando o Teorema de Pitágoras e, a cada passo, juntando os pés em ângulo reto, em esquadria. Estes três passos simbolizam as três qualidades morais que caracterizam a conduta do Apr∴ - Retidão, Decisão e Discernimento. Também simbolizam que o maçom deve andar sempre retamente, em busca da virtude e da perfeição. Como CComp∴, devemos sempre nos recordar de que tudo tem lógica e, portanto, a lógica é o caminho mais seguro que pode existir. Também temos que ter sempre em mente que devemos nos guiar a nós mesmos, uma vez que procuramos desenvolver o autodomínio. No Grau de Comp∴, a Marcha é a continuação do caminhar iniciado no grau anterior. É a Marcha do Apr∴ acrescida de mais dois passos.

Ao passarmos do Nível à Perpendicular, ou dos cuidados do 1º Vig∴ para os do 2º Vig∴, ou seja, da Coluna onde operávamos com Força para a Coluna onde iremos trabalhar com a Beleza, e sedentos por novos conhecimentos, deixamo-nos dominar pelos nossos devaneios: - Abandonamos a linha central trilhada enquanto AApr∴, dando o primeiro passo da marcha de Comp∴ em linha oblíqua para a direita ou para a esquerda, dependendo da Potência. Este passo lateral e oblíquo é realizado conduzido por nossa faculdade de criar e, assim, arriscamo-nos aos perigos do desconhecido. Por isso, este passo denomina-se de Imaginação. Saindo da trajetória a que estávamos obrigados enquanto AApr∴, significa que já podemos e devemos variar nossos caminhos em busca da Verdade. A Razão, vigia e controla constantemente os devaneios da criação, ou seja, da Imaginação.

A Razão, que acompanha e reconduz a Imaginação de volta à realidade, sempre que esta se exceder, é simbolizada pelo pé direito que segue o esquerdo, formando uma esquadria. E é este pé esquerdo que dará o segundo passo, em ângulo reto, denominado de Afetividade, retornando ao equador da Loja, demonstrando Obediência e Amor ao Trabalho. Neste passo do pé esquerdo, o direito o acompanha, simbolizando o regresso da Imaginação ao caminho inicial da Retidão, da Decisão e do Discernimento, evidenciado nos três passos iniciais. A esquadria formada ao terminar a marcha leva o nome de Razão, protetora da Inteligência. O primeiro passo oblíquo também poderia se denominar de Livre Arbítrio significando que não precisamos mais caminhar em linha reta, pois já adquirimos conhecimento, podendo sair da trajetória. O segundo passo seria o da Consciência, pois já conseguimos discernimento e, por conseguinte, sabemos voltar ao caminho da retidão quando nossa Razão assim ordenar. Isto demonstra que, quando nos desviamos da linha reta a que estávamos obrigados como AApr∴, é porque os nossos MM∴ já nos consideraram aptos a observar, procurar, experimentar e quantificar os métodos para assimilar e usufruir da filosofia contida e ensinada no Grau de Comp∴.

Como todo adolescente, sentimo-nos cheios de energia e totalmente independentes, auto-suficientes. Julgamo-nos possuidores dos conhecimentos, dos segredos e dos mistérios do caminho a ser percorrido e não levamos em conta as sábias orientações dos mais velhos e mais experientes que podem nos mostrar os atalhos para evitar passos desnecessários. Assim, através do livre-arbítrio de que somos dotados, abandonamos, impetuosamente, a linha central por onde até então trilhávamos e optamos por outros caminhos para chegarmos à Verdade, contrariando aqueles métodos impostos que nortearam nosso procedimento desde o início de nossa senda. Ao contrariarmos as regras seguidas até então, nós, os CComp∴, como adolescentes no caminho da Perfeição, não devemos ser reprimidos em nosso processo criativo nem tampouco doutrinados com teorias que determinem nosso progresso, mas orientados para tais teorias. É por isso que no Grau de Comp∴ há uma mudança no posicionamento das Três Luzes Emblemáticas, onde o Compasso, agora, está entrelaçado ao Esquadro, ou seja, uma perna do Compasso está livre do domínio moral do Esquadro simbolizando que nós, os CComp∴ já nos encontramos em condições de trilhar pelos caminhos da Verdade, em busca do saber, livre de preconceitos e de superstições.

Os cinco passos do Comp∴ também nos recordam a Conjugação dos Quinários: - De cinco anos é a idade do Comp∴; os golpes de malhetes; as pancadas de bateria; os toques no sinal de reconhecimento. Cinco são as luzes que iluminam e cinco os pilares que sustentam a Loja de Comp∴. De cinco viagens se compõe a elevação ao Grau. Quintessência é o quinto elemento. Quinta Ciência é a classificação da Geometria dentro das Sete Artes ou Ciências Liberais e, posicionada ao Meio Dia, a Estrela Rutilante com suas cinco pontas a lembrar-nos que a Mente deve ser posta em Ação e Movimento, portanto, devemos Criar e Trabalhar com Sabedoria e Conhecimento!

Esta Peça de Arquitetura tem como finalidade um breve estudo sobre o tema "O Passo Lateral da Marcha de Comp.’.Maç∴

BIBLIOGRAFIA
Companheiro Maçom – Ir∴ Inácio Jorge Paulo Filho – Ed. Country
Curso de Maçonaria Simbólica – Companheiro – Theobaldo Varoli Filho – A Gazeta Maçônica
Grau de Companheiro e Seus mistérios – Jorge Adoum – Ed. Pensamento
Caminhos da Perfeição: O Companheiro – Walter de Oliveira Bariani – Ed. Maçônica A Trolha
Cartilha do Companheiro – José Castellani e Raimundo Rodrigues – Ed. Maçônica A Trolha

segunda-feira, 21 de junho de 2021

REAA E SUA RELAÇÃO COM A ASTRONOMIA

O REAA E SUA RELAÇÃO COM A ASTRONOMIA
(republicação)

Em 16/04/2017 o Respeitável Irmão Warley Pompeu Marques, Loja Major Adolfo Dourado, 2.196, REAA, GOEPA – GOB, Oriente de Belém, Estado do Pará, solicita esclarecimentos para o que segue:

Como a Astronomia Influenciou de forma determinante no R.E.A.A.?
Já que é um Rito que abarca o Estudo da Natureza e Deísta (Filosófico)?

Grato pelos seus esclarecimentos.

CONSIDERAÇÕES:

Resumidamente na Moderna Maçonaria a Astronomia como ciência só seria mencionada a partir do século XVIII quando do envolvimento das Sete Artes e Ciências Liberais da Antiguidade nas lições especulativas e dos catecismos dá época. Como ciência, a Astronomia aparece na ordem dada por Boécio (trivium e quadrivium) como a sétima ciência e, em linhas gerais, tem sido abordada na Maçonaria como exemplo de harmonia e equilíbrio existente no Universo.

No que diz respeito a esse tema e o Rito Escocês Antigo e Aceito em particular, objetivamente a Astronomia se apresenta relacionada ao estudo que compara a evolução humana à Natureza. Em tese, na ciência maçônica a Astronomia é mais um elemento comparativo do que um estudo de mecânica do Universo.

Em alguns ritos maçônicos a relação Astronomia - Maçonaria pode ser observada nas abóbadas (firmamento) e seus astros, constelações e estrelas que decoram o teto da Loja; na alegoria relativa à movimentação anual e diária do Sol (solstícios e equinócios; meio-dia, meia-noite), nos destaques dados ao Sol e a Lua como elementos referenciais e ainda nos ciclos naturais se relacionados aos alinhamentos que envolvem o Sol e as Constelações do Zodíaco (não confundir com astrologia).

De fato, a Moderna Maçonaria, eclética por natureza, montou a sua estrutura doutrinária visando aprimorar o homem comparando-o a um elemento suscetível às Leis da Natureza, seja ela tomada do ponto de vista deísta ou teísta.

Nesse particular, o Templo Maçônico esotericamente representa o palco desse teatro de transformação, estando ele intimamente ligado ao código natural das Leis do Universo. Nele o Homem, independente da sua óptica religiosa, é a matéria prima empregada na realização da Grande Obra, ou da Obra do Sol.

É nesse sentido que a ciência da Astronomia, em maior ou menor escala, é aplicada na Maçonaria.

Seja ela de modo figurado ou filosófico, ela é uma ciência importante que compõe o mecanismo simbólico destinado a alcançar o objetivo proposto.

Obviamente que na Maçonaria o estudo da Astronomia não é aprofundado tal como se faz parte na agrade curricular de uma universidade, entretanto, também ela não é levada como uma questão empírica, já que indubitavelmente, mesmo de modo superficial, essa ciência tem sido um dos esteios das práticas especulativas maçônicas.

Concluindo, vale a pena antes mencionar que teísmo e deísmo são concepções filosóficas. A primeira admite a existência de um deus pessoal, causa do mundo, enquanto que a segunda se relaciona a um sistema ou atitude dos que, rejeitando toda espécie de revelação divina e, portanto, a autoridade de qualquer Igreja, aceitam, todavia, a existência de um Deus, destituído de atributos morais e intelectuais, e que poderá ou não haver influído na criação do Universo – in Dicionário Eletrônico Aurélio. O REAA, como filho espiritual da França, é um rito deísta, todavia não há como negar que ele, nos seus graus simbólicos, também recebeu historicamente influências teístas adquiridas por influências anglo-saxônicas (dos “antigos”).

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

SOLSTÍCIO DE INVERNO

SOLSTÍCIO DE INVERNO

Hoje 21 de Junho no hemisfério sul, as 11:54m, o Sol incide no ponto mais inclinado da Terra, será o dia mais curto e a noite mais longa do ano.

É o Solstício de Inverno que se inicia.

As árvores se despedem das folhas, e o solo as transforma em adubo... 

Como parte da Natureza, pra nós também é hora de limpar, transformar em adubo aquilo que já serviu , mas não serve mais... abrir espaços deixar galhos a mostra... aguardar.

Com reverência e intenção, abra seus armários, da cozinha, do quarto, do coração, e tire tudo que é velho. 

Devolva a semente para terra. 

Abra espaços para aguardar o novo da próxima estação. 

Renove, recicle, doe e espere...

Inverno é tempo de espera, de tolerância, de observação, de cultuar o silêncio com sabedoria.

"Ouça com paciência e fale somente para ajudar” 

*Feliz Solstício!*

Fraternalmente!!

EJS.∴

https://www.facebook.com/otemploeomacom/posts/3516487128379694

domingo, 20 de junho de 2021

ÁTRIO: FORMAÇÃO DO CORTEJO

ÁTRIO: FORMAÇÃO DO CORTEJO
(republicação)

O Respeitável Irmão Nelson Carlos Sabel, Mestre Instalado da Loja Fraternidade e Justiça nº 70, Grande Loja de Santa Catarina, Oriente de Blumenau, Estado de Santa Catarina, apresenta a seguinte questão:
nelson@saxonia.com.br

Irmão Pedro, novamente recorro à sua inesgotável sabedoria Maçônica. Por favor, informe, à luz do R∴ E∴A∴A∴ da M∴R∴G∴L∴S∴C∴, a correta formação de entrada dos Obreiros no Templo (considere apenas Obreiros da Loja e sem a presença de autoridades Maçônicas).

Sei que, primeiramente, adentram os Aprendizes Maçons, posteriormente os Companheiros para, por último, adentrarem os Mestres e Mestres Instalados.

Minha dúvida é: Qual a ordem de formação no Átrio e, consequentemente, de entrada dos Mestres Maçons e dos Mestres Instalados no Templo, observando-se o cargo que exercem em Loja?

CONSIDERAÇÕES:

Devido às diferenças às vezes significativas entre os rituais escocêses praticados nas Obediências brasileiras, urge que no tocante à vossa questão seja observado o que exara o regulamento e os procedimentos ritualísticos específicos da Obediência.

As considerações que seguem não estão reportadas ao que se faz especificamente nessa ou naquela Obediência, porém no tocante ao consuetudinário, já que essa formação de préstito é mais ligada aos procedimentos litúrgicos aprovados pelas assembléias e afins do que propriamente uma tradição no Rito em questão. Antes dos apontamentos propriamente ditos, se faz cogente compreender que o texto que segue não tem qualquer finalidade de se contrapor aos regulamentos e rituais em vigor e legitimamente aprovados. Assim legalmente cumpre-se o que está escrito no ritual vigente.

O mais comum que se encontra atualmente é o seguinte: No átrio o Mestre de Cerimônias forma o préstito estando próximo à porta no lado esquerdo de quem entra primeiramente os Aprendizes e simetricamente no lado direito os Companheiros. Posteriormente os Mestres Maçons sem cargo que ocuparão as Colunas de tal maneira que a metade permaneça atrás dos Aprendizes e a outra atrás dos Companheiros. Em seguida os Oficiais (Mestres que ocupam cargos), primeiro os que exercem ofício no Oriente dividido se possível em número igual à esquerda e a direita da porta e imediatamente atrás dos Mestres Maçons sem cargo. À retaguarda destes os demais Oficiais mantendo o lado dos seus respectivos lugares de ofício em Loja no Ocidente. Posteriormente se colocarão as Dignidades do Orador no lado esquerdo e do Secretário no lado direito, o que corresponde o lado dos seus assentos no Oriente. Em seguida e dividido se possível em número igual à esquerda e à direita correspondente aos seus assentos no Oriente, porém abaixo do sólio, os ex-Veneráveis (Mestres Instalados). Ao centro do préstito e ao fundo estará o Venerável Mestre ladeado pelos Vigilantes (outras três Dignidades ou as Luzes da Loja), estando o primeiro à direita do presidente e o segundo a sua esquerda. Estarão já presentes no interior do Templo o Cobridor Interno e o Mestre de Harmonia.

Estando tudo pronto o Mestre de Cerimônias ao centro no átrio e de frente para a porta de entrada dá nela com o punho cerrado a bateria na forma de costume. O Cobridor Interno abre a porta, o Mestre de Harmonia faz soar música apropriada e o Mestre de Cerimônias dá o comando para o ingresso.

Entram primeiros os Aprendizes, em seguida os Companheiros, os Mestres Maçons sem Cargo, os Oficiais (Mestres que ocupam cargos), as primeiras duas Dignidades do Orador e do Secretário, ato seguido os Mestres Instalados (ex-Veneráveis) seguidos imediatamente pelos Vigilantes. Por último tendo o Mestre de Cerimônias como guia, isto é, à sua frente, entra o Venerável Mestre. O Cobridor Externo permanece no Átrio pelo lado Norte que só ingressará no momento propício após a abertura dos trabalhos.

O cortejo ingressa na ordem acima descrita, porém sem circulação. Os da esquerda pelo lado Norte e os da direita pelo lado Sul. Os que tomam assento no Oriente para lá se dirigem diretamente. Todos permanecem em pé tendo à sua retaguarda os respectivos assentos até o momento em que o Venerável comande que todos devam sentar. Imediatamente após o ingresso do Venerável no recinto, o Cobridor Interno fecha a porta.

Essa tem sido a maneira corriqueira adotada para a procissão de entrada, ainda que em algumas Obediências esteja prevista a entrada de visitantes e autoridades conforme o seu protocolo de recepção.

Finalizando, insisto e ratifico: esses apontamentos são restritos ao Rito Escocês Antigo e Aceito de maneira geral e não ao Rito Escocês dessa ou daquela Obediência.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 547, Florianópolis (SC) 26 de fevereiro de 2012.

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE ADHEMAR PEREIRA DE BARROS

ADHEMAR PEREIRA DE BARROS (Piracicaba, 22 de abril de 1901 — Paris, 12 de março de 1969). Aviador, médico, empresário e influente político brasileiro entre as décadas de 1930 e 1960, chegando a ser prefeito e governador de São Paulo. Concorreu à presidência da república do Brasil em 1955 e em 1960, conquistando, nas duas eleições, o terceiro lugar. Ademar foi operado, em janeiro de 1969, de hérnia e litíase. Em 7 de março, tentou se curar no santuário e gruta de Lourdes na França, onde se acredita haver águas milagrosas. Em Lourdes teve uma síncope. Faleceu, em Paris, cinco dias depois. Sua Loja praticava o Rito Escocês Antigo e Aceito.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 12 de setembro de 1949 (Segunda-feira).

Loja: Guatimozin nº 66 - GLESP, Liberdade, SP, Brasil

Idade: 48 anos.

Oriente Eterno: Faleceu aos 67 anos de idade, dois meses depois de operar uma hérnia.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

O QUE É MAÇONARIA?

O QUE É MAÇONARIA?

Nos últimos anos, com a intensificação da comunicação e compartilhamento de textos na internet, em revistas e programas de televisão, o interesse da comunidade pelos assuntos da Maçonaria aumentou. Frequentemente, pessoas não pertencentes à Ordem desejam saber mais sobre a mesma e leem alguns livros, pesquisam em sites especializados, assistem a reportagens do Discovery, National Geographic e History Channel, sem obterem uma resposta satisfatória sobre o que é a Maçonaria e qual a sua finalidade.

Isso me faz lembrar o “eterno dilema das definições” e aquele fato jocoso – repetido por mil articulistas (sem citarem a fonte) – sobre a pergunta feita ao professor de Filosofia, Jules Lachelier. A narrativa tem origem na introdução do Curso Moderno de Filosofia de Denis Huisman e André Vergez: por ocasião de sua aula inaugural em Toulouse, ao ser perguntado sobre “o que é a Filosofia“, Jules Lachelier, para estupefação dos seus alunos, respondeu com apenas duas palavras: “não sei“.

Huisman e Vergez contam que toda a cidade de Toulouse zombou do brilhante professor vindo de Paris, que nem sequer sabia o que era a disciplina que estava encarregado de ensinar. Entretanto, a resposta de Lachelier teve um sentido profundo, ou seja – a Filosofia não é matéria de conhecimento. Noutras disciplinas existe algo para ser ministrado de modo racional – seja numa sequência lógica de proposições e teoremas (como no caso da Matemática) ou no conjunto de fatos e fenômenos físicos e biológicos. Mas, a Filosofia requer do pensador uma maneira própria de ver e tentar explicar a realidade, isto é: uma orientação cognitiva (visão de mundo) que abranja seus valores existenciais e normativos, suas emoções e sua ética.

Caso semelhante se dá com a Maçonaria que também não obteve, até os dias de hoje, uma definição unânime por parte das inteligências mais privilegiadas da humanidade. Se alguém, não iniciado em nossos mistérios, perguntasse “o que é Maçonaria?“, nem os mais destacados iniciados de nossa Ordem assumiriam a responsabilidade de defini-la. Para a estupefação de nossos interlocutores, seríamos obrigados a responder apenas com aquelas palavras mágicas de Lachelier: “não sei“.

Só os detratores da Maçonaria têm definições preparadas, na ponta da língua, como ferramenta ou arma de ocasião, do tipo “cento e quarenta e três respostas sobre tudo o que você sempre quis saber sobre maçonaria mas tinha vergonha de perguntar“. Nós maçons não pretendemos responder ao universo de perguntas sobre nossa Ordem porque somos eternos questionadores dos fatos sociais, filosóficos e culturais que interessam ao bem-estar da humanidade. Nossa Ordem é dinâmica e, apesar das leis centenárias que a regem, muda constantemente de acordo com a evolução do pensamento humano e seus anseios mais íntimos. Por isso um candidato à iniciação Maçônica nada pode saber sobre nossa Ordem. Apenas espera-se que ele venha a descobrir alguma coisa ao percorrer os graus aos quais tiver acesso durante sua vida na organização.

Os dicionários, as enciclopédias, os sites da internet, livros e programas de televisão, somente darão a entender, sem clareza, que Maçonaria é “uma sociedade cujo objetivo principal é desenvolver o relacionamento fraterno, a filantropia e outras particularidades de que somente os maçons têm conhecimento“. Por esta e muitas outras razões, pode-se dizer que a Maçonaria é apenas semelhante a uma escola no sentido comum da palavra.

O estudo da origem e evolução da palavra Maçonaria nos remete ao ofício de alvanel (aquele que trabalha com pedra – “mason” em inglês ou “maçon” em francês, cujo significado é pedreiro). Esta explicação, apesar de fornecer uma ideia do nosso simbolismo e da atividade de construtores à qual nos empenhamos, não define “o que é a Maçonaria“, mas fornece uma analogia entre alguns de nossos métodos especulativos com o ofício operativo de quem lavra a pedra irregular para assentá-la à regularidade de uma construção. A pedra é o homem; a construção é a sociedade.

O simbolismo é parte desse sistema que consiste na prática de lançar juntas (syn+bálein) duas coisas que, por analogia ou relação de semelhança, despertam a compreensão de outra realidade: “pedra-homem”; “edifício-sociedade”. Este aspecto da “técnica” maçônica – progredindo do senso comum para o senso crítico – distingue nossa atividade da especulação religiosa e do sectarismo político. A nenhum maçom, todavia, é imposto abandonar suas convicções religiosas nem abandonar o ideário político que tenha abraçado. Todavia, aprendemos a nos deslocar do senso comum (o conhecimento mediano compartilhado pela maioria das pessoas) para uma expansão possível da consciência que a iniciação nos propicia. Se durante esse processo abandonarmos alguma coisa, essas serão as noções facciosas, os preconceitos, os delírios fantasiosos e o raciocínio falacioso. Obrigamos-nos, mediante o senso crítico, a contestar todo movimento ou intenção que simule a veracidade.

Mas as religiões, as universidades e as demais ordens iniciáticas não fazem o mesmo? Sim, realmente o fazem. Contudo a Maçonaria não obriga nem avalia seus membros quanto ao nível de senso crítico alcançado; não impõe fórmulas dogmáticas nem induz seus participantes a acreditarem em coisas que não possam ser demonstradas ou comprovadas. Não incentiva delírios ou imaginações exacerbadas, deixando que cada um distinga, por si mesmo e a seu tempo, o falso do verdadeiro. Coroando tudo isso – e aqui reside sua marca histórica e fundamental – a Maçonaria se rege pelo amplo sistema participativo, libertário e democrático; em nossas fileiras prevalece sempre o contraditório e a eleição universal de seus dirigentes.

Conclusão

A figura do Rei Salomão no simbolismo maçônico ilustra o senso crítico como estágio superior do poder e realeza. Diz a Bíblia que Deus apareceu a Salomão em sonhos, dizendo-lhe:

– Pede o que queres que eu te dê.

E Salomão respondeu:

– Sou apenas um menino pequeno; não sei como sair, nem como entrar; dai, pois, ao vosso servo um coração entendido para julgar, para que prudentemente eu possa discernir entre bem e mal.

E disse Deus:

– Porquanto pediste discernimento e o que é justo, e não suplicaste para ti muitos dias de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, eis que faço segundo tuas palavras: dou-te um coração sábio e discernimento.

O diálogo entre a divindade e o rei – Arte Real – expressa a aspiração ao senso crítico e a conquista da “técnica” que o iniciado realiza dentro de si e sobre as ideias que recebe do mundo, produzindo ideias novas e superiores que a simples realidade não pode fornecer. Isto, apesar de não definir, é a Maçonaria.

Autor: José Maurício Guimarães

Texto adaptado pelo irmão José Maurício do artigo Em Direção ao Senso Crítico, também de sua autoria, publicado na Revista Triângulo, da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, e também nesse blog. Você pode conferi-lo clicando AQUI.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

sábado, 19 de junho de 2021

DIVERSAS DÚVIDAS

DIVERSAS DÚVIDAS
(republicação)

O Respeitável Irmão Manoel Elielson Cordeiro de Jesus, Secretário da Loja Tiradentes, 2.530, GOB, Oriente de Aracajú, Estado de Sergipe, apresenta a seguinte questão: 
fcjecoturismo@hotmail.com 

1 - O Átrio faz parte do Templo? Na página 22 do Ritual de Aprendiz ele está contido na planta do Templo, daí a dúvida.

2 - No nosso antigo "Manual de Dinâmica Ritualística do REAA", ano 2000, no capítulo "Normas gerais de comportamento ritualístico", Item 46 diz que: Não é permitida a presença de imagens de santos, ou símbolos religiosos, no templo, para não interferir com a crença pessoal dos Obreiros. Na minha Loja tem uma imagem de São João Batista no Átrio, à esquerda da entrada do templo.

3 - No nosso Regulamento Interno diz que a LOJA pode “conceder ainda a maçons regulares do quadro ou de outras Lojas, os seguintes títulos: Fundador, Past Máster, Construtor da arte Real”. No Regimento de Títulos e Condecorações diz que qualquer título emitido pela Loja precisa receber o aval da Comissão. Na minha Loja foram distribuídos vários títulos de "Construtor da Arte Real" para Irmãos do quadro.

Irmão Juk, não sou melindroso nem quero criar atrito ou desarmonia em Loja. Quando faço estes questionamentos é porque reina a dúvida e o Irmão mesmo sabe que numa Loja o Venerável precisa tá bem assessorado para tomar algumas medidas sem ferir a legislação maçônica.

CONSIDERAÇÕES:

01 – De fato. O Átrio é a antessala (vestíbulo) do Templo onde os Obreiros aguardam o momento específico de entrada para o início dos Trabalhos e em linhas gerais ele faz parte do Templo, inclusive
em muitos rituais está nele previsto o formato do pavimento mosaico. No Átrio não é lugar de reuniões para bate-papos, assinatura no livro de presenças, se paramentarem, etc. Nesse vestíbulo, no Rito Escocês Antigo e Aceito estão localizadas as duas colunas vestibulares ou solsticiais (B e J) e não raras vezes nesse sítio a liturgia maçônica dele faz uso para prática ritualística. Não há como se confundir o Átrio com a Sala dos Passos Perdidos onde nessa última é que é o local de encontro e preparação para os trabalhos da Loja. Da Sala dos Passos Perdidos que se passa para o Átrio.

02 – Muito embora a Maçonaria tenha também nascido na sombra da Igreja Católica, essa prática deve ser evitada justamente pelo conceito dogmático religioso. Mesmo sob a influência da Igreja, para a Sublime Instituição a figura do Santo está realmente relacionada mais às datas solsticiais nos períodos dantes operativos e suas reuniões semestrais nas datas que geralmente coincidiam com as comemorações religiosas alusivas à João, o Batista (solstício de verão na meia esfera Norte) e João, o
Evangelista (solstício de inverno no hemisfério Norte). 

03 – Quanto à concessão de títulos me parece que é uma questão interna da vossa Loja. Nada posso opinar, senão que seja observada a impossibilidade de contradição com as Leis do Grande Oriente do Brasil no tocante ao assunto. 

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com - DEZ/2011
Fonte: JB News – Informativo nr. 471 Florianópolis (SC) 12 de dezembro de 2011.

PAINÉIS E TAPETES

 

MAÇOM, HOMEM DE FÉ RACIOCINADA

MAÇOM, HOMEM DE FÉ RACIOCINADA
Ir∴ Valdemar Sansão

“Sou sábio porque sei que nada sei, enquanto os outros nem isso sabem” (Sócrates).

Do ponto de vista religioso, a fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões; todas as religiões têm os seus artigos de fé. Sob esse aspecto, a fé pode ser raciocinada ou cega. A fé cega, não examinando nada, aceita sem controle o falso como verdadeiro, e se choca, a cada passo, contra a evidência e a razão; levada ao extremo, produz o fanatismo.

Na verdade com fé não há perguntas; sem fé não há respostas.

Ensinaram-nos que a fé se exercita nos templos e por meio de orações.

Homem de fé seria o que reza, o que vai à missa, ao templo, pelo menos uma vez por semana. Não se deita nem se levanta sem orar. E continua rogando, rogando, rogando...Porém, ao primeiro obstáculo, prostra-se e abandona a sua fé.

‘Se Deus quiser; Deus castiga; Deus o proteja; vá com Deus; Deus lhe pague”, são expressões do cotidiano repetidas irracionalmente.

Aprendemos ao orar o “Pai Nosso” aceitar que seja feita a vontade Dele, mas insistimos em que tudo seja feito de acordo com a nossa vontade.

Em todos os tempos a Maçonaria afirmou a existência de um Poder Criador a que proclama sob o nome de GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO. Ele é o fundo verdadeiro e único de todas as concepções.

Tudo o que necessitamos saber é que ELE está sempre presente em toda a parte e o homem que se separa mentalmente de Deus é fraco e desamparado – eis aí o homem – porém, quando olha para o céu, recebe com paciência as vicissitudes e as tribulações da vida, porque sabe que não são senão de curta duração, e devem ser seguidas de um estado mais feliz, suporta com heroísmo e serenidade estranhas provocações e contundentes pedradas, afronta a calúnia e a maldade, a perseguição e o menosprezo dentro de inalterável paciência e indefinível força moral, tem consciência de sua unidade com Deus, - eis aí o verdadeiro Maçom – é superior aos sóis e estrelas, porque com fé “transportam-se as montanhas”.

Exige-se dos candidatos à iniciação maçônica a declaração de sua fé em Deus. Aquele que negar a existência de Deus, é negado o privilégio da iniciação, sendo o ateísmo uma desqualificação para a Maçonaria.

Chamamos o Grande Arquiteto do Universo que está sempre a nosso favor, impulsionando-nos, pela lei do determinismo ao crescimento.

A lei é o bem, o amor, a calma, a perfeição. A contra-lei é o mal, o ódio, a impaciência, e a imperfeição. Sabemos que o egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade é a fonte de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver outro, tal é nosso dever nos dias tumultuados que vivemos; mas Deus – Ser absoluto – dá-nos a faculdade de existir para o verdadeiro, para o Belo, para o Bem, tríplice realização do Divino, para amar e progredir, infinitamente.

Não receamos também admitir nossa dúvida e nossa incerteza. Só aquele que detém a verdade não duvida, e só aquele que reconhece sua ignorância é humilde. Não duvidamos por duvidar, nem por rebeldia contra os que afirmam com arrogância. Duvidar para nós é saber que não se sabe.

Aceitamos a Maçonaria e uma vez por semana nos encontramos em nossas Lojas, revigorando nossa amizade para em seguida, reencentarmos nossa viagem através das misérias e das loucuras do mundo, falamos dela respeitosamente; entretanto, imobilizamos a mente em questões de tolerância no servir.

Para crer, não basta ver, é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega não é mais deste século, porque quer se impor e exige abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre arbítrio (em Filosofia, livre arbítrio é a faculdade da livre determinação da vontade humana e sua capacidade de escolha entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos).

A incredulidade de São Tomé de que nos fala a Escritura, não é mais que a metáfora com que se nos quer advertir que a fé, isto é, aquela que salva, a que conduz à Verdade, seja iluminada pela razão e se apóie na convicção da consciência.

A fé raciocinada, a que se apóia sobre os fatos e a lógica, não deixa atrás de si nenhuma obscuridade; crê-se porque se está certo, e não se está certo senão quando se compreende; eis porque ela não se dobra; porque não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.

Aprendemos que a lei é o bem, o amor, a calma, a perfeição. A contra-lei é o mal, o ódio, a impaciência e a imperfeição. Que o egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade é a fonte de todas as virtudes.

Destruir um e desenvolver outro., tal deve ser o objetivo de todos os esforços do homem, se ele quer assegurar sua felicidade neste mundo, assim como no futuro.

A Maçonaria não nos inspira a ter certeza, mas a ter fé. Fé raciocinada, é o que nos recomenda a todo o momento. Se nos recomenda a fé é porque não pretende que estejamos certos do que é a verdade. Reconhece nossa dúvida, nossa ignorância, e, diante dela recomenda, não a certeza dos fanáticos, mas a fé raciocinada (a única que existe de fato) para evitar a crença cega que muitos denominam fé.

Fé cega não é fé verdadeira, mas auto-engano ou ingenuidade.

Esforcemo-nos, portanto, para solidificar nossa fé nos pilares da razão, da Ciência, da experiência. A humildade em reconhecer a nossa ignorância e a fraqueza de nosso raciocínio nos aproxima mais das virtudes divinas do que uma suposta sabedoria.

Fé raciocinada é privilégio de uma pequena parcela dos seres que habitam a Terra. È preciso antes que o homem aprenda a raciocinar, para só depois chegar a uma fé racional.

Meus caríssimos Irmãos! Muitas vezes se tem dito que a Maçonaria não adota e nem impõe qualquer crença religiosa, qualquer sistema filosófico. Sua fé, imutável e universal, é a Fé na Razão e na Consciência do homem.

Quando a razão reconhece uma verdade como certa, a Maçonaria ensina que essa concepção humana corresponde a uma realidade.

Quando a consciência reconhece uma Verdade Moral, a Maçonaria ensina que ela deve merecer a mesma certeza que as verdades de ordem material.

Por isso que a Maçonaria não pode e não irá ainda em nossos tempos tornar-se uma doutrina de massas. É preciso que as pessoas estejam antes aptas a reconhecer os próprios limites de sua humanidade, suas faculdades e predisposições mais íntimas, para só então compreender a incerteza contida no conhecimento de si mesmos. Com isso queremos dizer que só quando os homens se conhecerem um pouco mais saberão o bastante para se entregar, como ato de coragem e não de desistência, ao desconhecido que nos chama.

Despido do orgulho de sua suposta sabedoria, o homem tem tempo para encontrar dentro de si a chama eterna, embora muitas vezes ofuscada, de uma predisposição inata que o liga ao Bem, ao Perdão e ao serviço da fraternidade, sendo dele constante em elogiar seus Irmãos.

Somos na Humanidade os membros de uma só família, na obrigação de amparo e defesa recíproca, mas nem sempre cumprimos o dever de solidariedade.

Devemos assistir a todas as reuniões e, quando, por doença ou por imperioso empecilho não possamos comparecer, comunicaremos ao Venerável Mestre, enviando-lhe, ao mesmo tempo, o óbolo para o Tronco de Solidariedade, pois nunca nos esqueçamos que a coleta em auxílio dos necessitados é obrigatória.

Quantos fazem de suas Lojas verdadeiros redutos de “hostilidades cordiais”, em discussões vãs e irritantes nas quais se combatem mutuamente, à distância do entendimento e do perdão. Não guardam a benção da igualdade entre si. Transformam os elos da irmandade em teias grossas de egoísmo, dentro das quais se encarceram. Somente acreditam na VERDADE e aceitam-na, se os seus interesses imediatos, mesmo quando mesquinhos, não são prejudicados.

A fé para ser proveitosa, deve ser ativa; tem, pois, tudo de bom e de belo, em sua pureza e em sua racionalidade.

Amemos a Deus, mas sabendo porque o amamos; cremos em suas promessas, mas sabendo porque nelas cremos.

Por isso, devemos despir-nos das ilusões de erudição e intelectualidade, depositando nossa fé simples, na grandeza que pressentimos pelo coração, sem desprezar o que entendemos pela razão.

Que a inteligência nos aponte o caminho, e a moral nos dê a força para caminhar.

Permita-nos o Grande Arquiteto do Universo, resplandeça para todos que nos cercam, a harmonia e o amor, pois só dentro destas Leis nos tornamos seres livres, iguais e fraternos. Livres que devemos ser qualquer que seja nosso destino e nossa situação. Basta que o homem se julgue livre para que possa ser como tal; iguais pela maneira que devemos tratar aqueles que nos são semelhantes; e fraternos quando apertamos a mão de alguém necessitado de misericórdia e justiça. Assim compreenderemos a justiça, praticaremos a lei de Deus e, com fé raciocinada, e todos os povos serão realmente Irmãos!

Fonte: JBNews - Informativo nº 129 - 03/01/2011

sexta-feira, 18 de junho de 2021

PRÁTICAS RITUALÍSTICAS E REGIMENTAIS

PRÁTICAS RITUALÍSTICAS E REGIMENTAIS
(Republicação)

Em 13/04/2017 o Respeitável Irmão Ícaro Bandeira, Loja Academia de Suassuna Carpinense, REAA, GOIPE (COMAB), sem mencionar o nome do Oriente (Cidade), Estado de Pernambuco, através do meu blog de perguntas e respostas http://pedro-juk.webnode.com/ formula as seguintes questão:

Meu estimado, irmão, mais uma vez venho solicitar vossa ajuda no sentido de dissipar algumas dúvidas no que tange a práticas ritualísticas e regimentais, considerando o grande cabedal de conhecimento que o irmão detém.

Passarei a expor minhas dúvidas:

1 - Em minha Oficina, o dirigente ordena que, na abertura o Livro da Lei, antes mesmo do término da leitura e da disposição do E.'. e do C.'. sobre o mesmo, de acordo com o grau a ser trabalhado, os irmãos já se mantenham à Ordem. De outra banda, numa oficina do GOB que visitei recentemente, o sinal só feito após o término da leitura e da disposição das ferramentas. Qual maneira de se proceder estaria de acordo com a boa ritualística?

2 - Recentemente, quando dos treinos a respeito do telhamento em minha Oficina, um irmão ensinou que quando o obreiro atrasado pede autorização ao Venerável Mestre para tomar lugar em Loja (antes das perguntas), deverá ficar com o braço estendido à frente, numa espécie de juramento. Entendo que tal postura seria inconveniente, uma vez que estando de pé, e em Loja aberta, o obreiro deverá ficar sempre à Ordem. Gostaria de vossas considerações a tal respeito.

3 - Por fim, gostaria do seguinte esclarecimento: minha Oficina tem um reduzido número de obreiros, por ser uma loja relativamente nova; temos três Mestres Instalados, alguns Mestres mais antigos (quatro ou cinco) e alguns mais novos, dentre eles, este que vos subscreve (um ano de exaltado), além de dois Companheiros e dois Aprendizes. Com a proximidade do pleito - junho próximo-, os irmãos foram uníssonos no sentido de sugerir que este que vos fala suceda a direção da oficina, pois os Mestres Instalados da Suassuna Carpinense já estão com idade avançada. Todavia, a constituição do GOIPE aduz que só Mestres com três anos de exaltação podem ser candidatos, conforme repliquei na ocasião. Em contrapartida, os irmãos argumentaram que isso não seria óbice, pois o Grão-Mestre supostamente poderia mitigar esse prazo a pedido. Gostaria das suas considerações.

CONSIDERAÇÕES:

1 - No caso do REAA, a regra original e universal é a de que somente se faz Sinal após a Loja estar devidamente aberta (na forma ritualística). A exceção é apenas aquela que demanda antes da sua composição para a competente verificação nas Colunas pelo Vigilante, ou Vigilantes conforme o caso, certificando-se simbolicamente que os verificados estão habilitados para participar dos trabalhos. Na realidade é desse procedimento que depende a continuidade ritualística para abertura da Loja.

Assim, no que diz respeito a sua questão, o Livro da Lei é aberto, lido no trecho específico e por fim sobre ele são dispostos, na forma de costume, o Esquadro e o Compasso. Somente a partir desse momento o Venerável ordena que todos (nas Colunas e no Oriente) fiquem à Ordem; nunca antes. Em qualquer circunstância, mesmo sendo ela contraditória, segue-se o ritual em vigência.

2 - Essa do braço estendido à frente não existe nessa oportunidade e é um gesto que deve ser abortado. Só espero que isso não esteja inserido no ritual. É certo o que observa o Irmão na sua questão: “é inconveniente”, pois ingressando formalmente, depois de saudar as Luzes o retardatário se posiciona à Ordem para responder ao telhamento tradicional (questionário).

3 - Nada contra os novos e os antigos. Em qualquer caso, segue-se a Constituição da Obediência. Entretanto, se for possível legalmente abrandar o previsto no artigo constitucional por Decreto ou Ato do Grão-Mestrado, então a decisão de solicitar essa providência à Obediência é exclusiva da Loja.

Ratifico que essa prática se dará somente se houver legalidade para tal.

T.F.A.
PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br