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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 24 de maio de 2022

ENTRADA DO CORTEJO - INGRESSO NO ORIENTE

ENTRADA DO CORTEJO

Em 26/08/2017 o Respeitável Irmão Paulo Sérgio Carvalho Batista, Loja Sepé Tiaraju, nº 1.174, REAA, GOB-RS, Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, solicita os esclarecimentos seguintes:

No REAA, o Mestre de Cerimônias compõe a loja e organiza o cortejo no Átrio, para a entrada no Templo, todos os Irmãos revestidos de suas insígnias e trajados conforme o Ritual formará fila dupla obedecendo à ordem prevista no Ritual.

Após as Bat⸫ do Gr⸫ na porta de entrada do Templo pelo Irmão Mestre de Cerimônias, o Irmão Cobridor Interno abre a porta e a marcha inicia sem o Sinal de Ordem, entrando todos em silêncio, ocupando cada qual o seu lugar, conservando-se em pé, voltados para o eixo do Templo. Neste momento os Irmãos Secretário, Orador, 1º Diácono, Mestres Instalados e Autoridades sobem para o Oriente ocupando seus respectivos lugares? Ou esperam no Ocidente pelos Irmãos Venerável Mestre e Mestre de Cerimônias subirem ao Oriente, para só após eles (Irmãos Secretários, Orador, 1º Diácono, Mestres Instalados e Autoridades) subirem e ocuparem seus lugares em Loja?

CONSIDERAÇÕES:

Como se trata de ingresso no Templo antes do início dos trabalhos, cada qual deve diretamente ocupar o seu lugar em Loja, tanto nas Colunas como no Oriente conforme determina o Ritual, apenas ingressando por último o Venerável Mestre que vai conduzido ao lugar devido pelo Mestre de Cerimônias.

Assim, respondendo a sua questão, todos os que ocupam lugar no Oriente já para lá se dirigem sem a necessidade de aguardar condução formal e nem de convite para tal.

Cabe mencionar que essa regra não se aplica às entradas formais explicitadas nos Rituais e nos Regulamentos que acontecem depois da abertura dos trabalhos.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONARIA EGÍPCIA

MAÇONARIA EGÍPCIA

O criador da Maçonaria Egípcia e do Rito Egípcio foi o Conde Alexandre de Cagliostro (1749-1796), nascido em Túnis. Ele não deve ser identificado com o mistificador Giuseppe Balsamo (1743-1795), o palermitano recrutado pelos Jesuítas para personificar e lançar a infâmia sobre o verdadeiro Conde de Cagliostro.

Alexandre de Cagliostro foi iniciado nos segredos da Maçonaria Egípcia pelo misterioso Mestre Altothas em 1776, ano da fundação da Ordem Illuminati. E poucos sabem que o ápice da Ordem Illuminati foi constituído por seis afiliados: quatro conhecidos (Weishaupt, von Knigge, Goethe, Herder) e dois secretos (Franklin e Cagliostro).

De fato existiu uma conexão secreta entre a Ordem Illuminati de Weishaupt e a Maçonaria Egípcia de Cagliostro que foi fundada oficialmente em 1785, ano da supressão da Ordem Illuminati. Além disso, Napoleão Bonaparte foi iniciado por Cagliostro na Maçonaria Egípcia e os Ritos Maçônicos de Memphis, de Misraim e de Memphis-Misraim sao descendentes dessa Maçonaria Egípcia.

Entre 1810 e 1813, em Nápoles (Itália), os três irmãos Bédarride (Michel, Marc e Joseph) receberam os Poderes Supremos da Ordem de Misraim e desenvolveram o Rito de Misraim na França. Eles conferiram o caráter oficial do Rito em Paris, em 1814. O Rito era composto por 90 graus, tomados do Escocismo Maçônico, o Martinismo e outras correntes maçônicas, e os últimos quatro graus receberam o nome de "Arcana Arcanorum".

Em 1815, em Montauban (França), a Loja-Mãe do Rito de Memphis foi constituída com Samuel Honis eleito como Grão Mestre, sendo sucedido, em 1816, por Gabriel-Mathieu Marconis. Em 1838, Jean Etienne Marconis de Nègre, filho deste último, assumiu o Rito de Memphis. O Rito, para J. E. Marconis de Nègre, era uma continuação dos antigos mistérios praticados na Antiguidade, na Índia e no Egito. As Constituições do Rito declaravam: "... o rito maçônico de Memphis é a continuação dos Mistérios da Antiguidade. O Rito ensinou aos primeiros homens a prestar homenagem à divindade... ". O Rito de Memphis chegou aos graus 92 e 95.

Em 1881, o general italiano Giuseppe Garibaldi, reuniu os Ritos de Memphis e Misraim e se tornou o Grande Hierofante de ambos. Após a morte de Garibaldi, em 1882, os Ritos entraram em um período "obscuro" até que, em 1890, várias lojas de ambos os Ritos foram reunidas e surgiu o Rito de Memphis-Misraim. Em 1900, para a liderança do Memphis-Misraim foi indicado o italiano Ferdinando Francesco degli Oddi que foi substituído, em 1902, pelo inglês John Yarker. O Rito chegou aos 97 graus.

Em 1902, o alemão Theodor Reuss estabeleceu o Santuário Soberano de Memphis-Misraim na Alemanha e em 1913, após a morte de Yarker, ele se tornou o Chefe Internacional do Rito. Em 1924, T. Reuss passou ao Oriente eterno e a sucessão foi interrompida, menos na O.T.O. (Ordo Templi Orientis), ordem de neotemplários fundada por Reuss, em 1905, na Alemanha. Na verdade, a O.T.O. englobou o Rito de Memphis-Misraim, embora numa versão reduzida onde seus graus principais estavam incorporados.

Em 1909, Theodor Reuss concedeu uma patente ao famoso martinista Gerard Encausse (Papus). Os sucessores de Papus foram Charles Detré (Tedé), Jean Bricaud, Constant Chevillon, Charles-Henry Dupont e Robert Ambelain. Em 1939, Jean Bricaud passou ao Oriente eterno e foi sucedido por Chevillon. Em 1944, Chevillon foi assassinado por colaboradores franceses do nacional-socialismo e foi sucedido por Dupont. E, em 1960, Ambelain sucedeu a Dupont.

Em 14 de novembro de 1973, o italiano Francesco Brunelli (1927-1982) foi nomeado por Robert Ambelain responsável pelo Rito para a Itália. Em 22 de novembro de 1973, Francesco Brunelli (Nebo) - o Grão Mestre da Antiga e Tradicional Ordem Martinista e do Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim - foi recebido com todas as honras na Grande Oriente da Itália, no Palazzo Giustiniani. Mas a atividade do Rito na Itália e na Grande Oriente da Itália foi lendária nos anos setenta.

Em 1981, Francesco Brunelli contatou o conhecido iniciado italiano Frank G. Ripel para reestruturar o Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim e a situação do Rito era a seguinte: 99º ou Chefe Internacional da Ordem Oriental Egípcia do Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim, 98º ou Superior Desconhecido (do grau VIIº ao XIIIº da Ordem da Rosa Mistica), 97º ou Substituto do Chefe Internacional, 96º ou Chefe Nacional, 1º-95º ou Maçon Operativo (do Iº ao VIº da Ordem da Rosa Mistica). Na renovada Ordem Oriental Egípcia do Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim da qual nós vamos falar brevemente, do 1º ao 95º, encontram-se as 6 Operações Alquímicas associadas aos graus 1°-3º, 4º-33º, 34º-42º, 43º-63º, 64º-74º e 75º-95º.

Frank G. Ripel estava na direção da Ordem Oriental Egípcia do Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim entre 1981 e 1999, quando ele a tornou "adormecida".

No final de março de 2003, Frank G. Ripel, sendo o Grão Mestre do O.C.I. (Ordem dos Cavaleiros Iluminados) teve um contato com o espanhol Gabriel López de Rojas, fundador e Grão Mestre da Ordem Illuminati, O.H.O. da Societas O.T.O. (Ordo Templi Orientalis), grau 33º do Rito Escocês Antigo e Aceito, grau máximo de alguns Ritos egípcios. Quando Gabriel López de Rojas percebeu que a Ordem Oriental Egípcia do Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim de Frank G. Ripel estava "adormecida", propôs a Ripel de "despertá-la" e o mesmo aceitou, fazendo-a reviver, em 1º de maio de 2003, com o nome de Maçonaria Egípcia do Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim.

A Maçonaria Egípcia do Rito Antigo e Primitivo de Memphis e Misraïm é estruturada da seguinte forma:

99º Grande Hierofante ou Chefe Internacional do M.E.A.P.R.M.M. e do O.C.I.:Frank G. Ripel

98º Superiores Desconhecidos (O.C.I.)

97º Substitutos do Chefe Internacional do M.E.A.P.R.M.M. Idioma italiano: Galbix Red. S.D.(98° O.C.I.)

Idioma inglês: Matthew J. Alexander

96º Chefe Nacional para a Italia: Tiziana Dark. S.D. (98° O.C.I.)

Fonte: http://conhecendomaconaria.blogspot.com

segunda-feira, 23 de maio de 2022

INSTRUÇÕES E O TEMPLO COBERTO PARA IRMÃOS DO MESMO GRAU?

INSTRUÇÕES E O TEMPLO COBERTO PARA IRMÃOS DE UM MESMO GRAU?
(republicação)

Em 25/08/2017 o Respeitável Irmão Vitorino Ribeiro Loja Estrela do Noroeste Nº 265, GLESP, sem mencionar o nome do Rito, Oriente de Pirajuí, Estado de São Paulo, solicita o seguinte esclarecimento.

Em nossa Constituição & Regulamento Geral 2ª Edição – Outubro de 2001 – em seu Capítulo V – Da Passagem de Grau – Artigo 217 § 2º - “Quando apresentado um trabalho ou ministrada uma instrução, o Templo deverá ser coberto àqueles que estiverem em grau ou instrução menores”.

Pergunto:

Se a Sessão está sendo realizada em 1º Grau – Aprendiz Maçom, se o Obreiro foi ritualisticamente Iniciado, se naquela ocasião recebeu da Loja o Ritual do Grau, contendo todas as Instruções, por que deveria ter o Templo coberto? E se lá na Sala dos PP⸫PP⸫ esse Obreiro abrir seu Ritual na mesma página que está sendo ministrada a Instrução ao “Irmão mais adiantado” lá dentro? Até onde penso sobre o assunto, tal fato enquadraria caso ao ser Iniciado o Obreiro recebesse o fascículo da Primeira Instrução, e assim sucessivamente, recebendo os seguintes até alcançar o conhecimento da Sétima Instrução.

Lembro-me da minha Iniciação, ao chegar em casa por volta de 01h30min, li o Ritual inteiro, mesmo desconhecendo as partes abreviadas, e nem por isso considero que cometi falta grave, afinal, logo nas primeiras páginas encontro:“para uso e guarda do Irmão...”

Reparta comigo um pouco do vasto conhecimento maçônico que o Prezado Irmão possui, e desde já antecipo meus sinceros agradecimentos e meu Tríplice e Fraternal Abraço.

COMENTÁRIOS:

Sem ensejar qualquer crítica pejorativa aos regulamentos de uma Obediência, essa de cobrir o Templo a um Irmão do mesmo grau por motivo de instrução, eu entendo que, além de improcedente, também não faz sentido algum. 

Ora, sabidamente o que não é permitido é a presença de Irmãos que não tenham ainda atingido o grau condizente com aquele em que a Loja esteja trabalhando. Agora, estender essa proibição àqueles de um mesmo grau que presumidamente ainda não tenham recebido instrução é alguma coisa altamente contraditória.

Penso que é como bem colocou o Irmão na sua questão, pois tudo relativo ao grau, no caso das instruções, está no ritual, portando, a alegação de sigilo nesse caso não faz nenhum sentido.

Assim, sob a óptica da tradição, não deveria existir na Maçonaria nenhuma regra condicionante nesse sentido, salvo aos Mestres que alcançam o veneralato de uma Loja e por consequência tenham que passar pela cerimônia de Instalação (que não é grau) para adquirirem o título distintivo de Mestre Maçom Instalado. Apenas nesse caso é que entre os Irmãos Mestres pode existir restrição entre alguns deles para participação numa determinada etapa dos trabalhos da Loja.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

A RÉGUA DE 24 POLEGADAS

A RÉGUA DE 24 POLEGADAS
Álvaro Botelho Reis
C∴ M∴ ARLS Deus, Justiça e Amor - Sumaré/SP
ÁLVARO BOTELHO REIS

Deste importante instrumento simbólico no Rito Escocês Antigo e Aceito, extrairemos as duas principais lições práticas, que são as seguintes.

PRIMEIRA LIÇÃO
A origem da palavra régua é francesa (règle) e significa “lei ou regra”. Trata-se de um instrumento cuja primeira idéia que nos impõe é a do traçado reto e de medida. Junto ao Malho e o Cinzel, a Régua completa os instrumentos de trabalho do aprendiz maçom. Ela servirá para medir e traçar sobre a pedra bruta o corte a ser efetuado. De nada nos serve o Cinzel, símbolo da razão e discernimento, e do Malho, símbolo da vontade, determinação e força executiva, sem as propriedades diretivas da régua. Sem diretrizes podemos fazer com que nossa pedra bruta torne-se mais irregular ainda.

O traço de retidão é visto de uma maneira muita rígida nos ensinos orientais. No budismo, o Iluminado traçou aos seus discípulos os Oito Caminhos Nobres. “Compreensão correta, Pensamento correto, Linguagem correta, Comportamento correto, Modo de vida correto, Esforço correto, Desígnio correto, Meditação correta”. Buda traçou com sua régua o código para que seus seguidores evitassem dissabores e tristezas no caminho da vida.

Analogamente, todo credo, nação ou instituição depende de regras para sua identidade e funcionamento. Sem critérios, a vida seria por demais defeituosa e complicada. Daí a necessidade que o homem teve em estabelecer leis e padrões de conduta que norteassem suas ambições. Isso nos faz lembrar da maior lição sobre a régua já registrada pela história.

Após 400 anos escravizados pelos egípcios, o povo judeu foi libertado por Moisés que prometeu guiá-los de volta à terra prometida (palestina). Moisés, homem educado na corte egípcia, entendia que depois de 400 anos como escravos, os israelitas haviam perdido sua identidade como nação. O judeu era simplesmente um povo sem lei. Moisés receava o efeito catastrófico que seria adentrar a palestina com um grupo de mais de dois milhões de pessoas desorganizadas, sem regras e princípios. O resultado óbvio seria a auto-aniquilação daquele povo em disputas por terras e sucessão do poder. Revelando-se um grande estrategista, ao sair do Egito, Moisés acampou com todo o povo ao pé do Monte Sinai e fez o uso da régua. Criou o código civil, o código penal, o direito de família, leis ambientais e de uso da terra, leis religiosas, código sanitário, realizou o censo, dividiu o povo em tribos, instituiu hierarquia de comando, criou um exército de 605.550 homens e para coroar sua gestão, entregou os Dez Mandamentos, supostamente escrito pelo próprio Deus, que equivaleria hoje à nossa constituição.

Moisés havia feito o uso da régua, mais sabia que faltava o uso do cinzel e do malho. Por isso ainda não permitiu que o povo entrasse na palestina logo após a criação das leis, mas obrigou-os a viver como nômades durante 40 anos, pela orla do deserto na Península do Sinai, até que entendessem as regras criadas. Esses 40 anos foi o período necessário para se lapidar a pedra bruta desta nação, antes que finalmente entrassem na terra há tanto tempo prometida.

Hoje vivemos em uma sociedade com excesso de regulamentação, um emaranhado de leis que vai do direito internacional às regras de trânsito. No entanto presenciamos constantemente nosso governo, grandes corporações e até simples funcionários usando as leis existentes para cometer injustiças através de manobras jurídicas e “Litigâncias de Má Fé”.

Nem tudo que e legal é justo. Por este motivo o maçom tem como responsabilidade traçar para si padrões ou “standards” não apenas baseados nas leis, mais principalmente na justiça irrestrita.

Sobre a primeira lição, ficam algumas perguntas para reflexão:
  • Estou traçando critérios para meu o aperfeiçoamento pessoal? Para o aperfeiçoamento de meus filhos, Subordinados e pessoas pelas quais tenho alguma responsabilidade?
  • Esses critérios são baseados na justiça irrestrita ou nas minhas ambições pessoais?
  • Como maçom, seria capaz de abrir mão de um direito garantido por lei, uma vez que entendesse que esse causaria dano ou injustiça ao meu próximo?
SEGUNDA LIÇÃO
A segunda lição prática do nosso estudo é sobre as 24 polegadas da régua que representa o total de horas de um dia. Lembra que o dia deve ser vivido com critério dividido entre o trabalho, laser, espiritualidade e o descanso físico e mental.

O filósofo grego Demócrito, do século V a.C, escreveu, – “Ocupe-se de pouco para ser feliz”. Demócrito não pregava a ociosidade, mas sim a administração do tempo. Dizia que uma única coisa deveria ser feita por vez. Hoje vivemos na era da hiperatividade e da multitarefa. A dinâmica do trabalho na vida moderna nos exige cada vez mais padrões de eficiência e resultado.

Em nome da competitividade, somos obrigados ainda a consumir enormes quantidades de informações. Política, mercado, informações técnicas, MBA´s, segundas línguas, cursos de especialização, seminários, etc. Uma única edição de domingo da “Folha de São Paulo” contém mais informação do que um leitor médio encontraria durante toda a vida no século XVII.

As novas tecnologias de informação como celular, e-mail, internet, palm-top e outros, ao invés de proporcionar mais tempo livre, nos tornam escravos em tempo integral. Somem-se ao trabalho todos os outros papeis que temos que cumprir. Somos filhos, pais, cônjuges, irmãos, amigos, membros de uma igreja e maçons. Como reagir diante deste caos de demandas simultâneas?

A Dra. Yuhong Jiang, pesquisadora da Universidade de Harvard – E.U.A. vem reafirmar hoje o ensinamento feito por Demócrito 2.500 anos atrás. Seu trabalho científico mostra que o cérebro humano é incapaz de processar duas coisas ao mesmo tempo. O cérebro é capaz de receber estímulos simultâneos, mas não é capaz de tomar decisões simultâneas. Ao receber múltiplas demandas, o cérebro sofre alterações orgânicas e entra em exaustão. Por tempo prolongado, os danos são catastróficos: Estresse, depressão, síndrome do pânico, psicoses, insônia, mialgias, doenças gastrintestinais, alteração de pressão arterial, etc.

A administração do tempo expressa na lição das 24 polegadas nunca foi tão necessária como hoje em nossos dias. Para sermos felizes temos que reconhecer e aceitar nossos limites, aprender a dizer não. Eliminar atividades desperdiçadoras de tempo. Estabelecer metas para vida e realizá-las em ordem de prioridade.

Para finalizar este estudo, sito as palavras do Reis Salomão, uma das figuras mais estudadas pela maçonaria. Em uma época quando ainda não havia televisões, celulares, computadores nem flutuações de câmbio, este filósofo escreveu:

Existe um tempo próprio para tudo,
E há uma época para cada coisa debaixo do céu:

Um tempo para nascer e um tempo para morrer;
Um tempo para plantar e um tempo para colher o que se semeou;

Um tempo para matar, um tempo para curar as feridas;
Um tempo para destruir e outro para reconstruir;

Um tempo para chorar e um tempo para rir;
Um tempo para se lamentar e outro para dançar de alegria;

Um tempo para espalhar pedras, um tempo para juntá-las;
Um tempo para abraçar, e um tempo para afastar-se;

Um tempo para procurar e outro para perder;
Um tempo para armazenar e um para distribuir;

Um tempo para rasgar e outro para coser;
Um tempo para estar calado e outro tempo para falar;

Um tempo para amar, e um tempo para odiar;
Um tempo para a guerra, e um tempo para a paz.

Fonte: https://www.maconaria.net

domingo, 22 de maio de 2022

APLAUSOS

APLAUSOS
(republicação)

Pergunta que faz o Respeitável Irmão Ivan Barbosa, Oriente do Espírito Santo. 
blacbeltrio@hotmail.com

Caro Irmão Pedro, como sempre este eterno aprendiz volta a lhe recorrer em busca de socorro... Bom, estive hoje em um Seminário de Ritualística e restou a seguinte dúvida de minha parte: no Ritual de Aprendiz, em fls. 140/141 o Venerável pede aos Vigilantes que convidem os obreiros das Colunas para unirem-se a ele a fim de ajudarem a APLAUDIR a aquisição da Loja... Bem, neste momento não deveria mencionar "pela Bateria" ??? Visto que aplauso é uma coisa, bateria de grau é outra... Por cinco vezes é mencionada a palavra APLAUSOS, e muito embora se explique que seguem os APLAUSOS de agradecimentos pela mesma Bateria, não se menciona que deve ser o aplauso feito pela Bateria do Grau. Não deveria conter esta explicação para que não restassem dúvidas? Visto que Bateria se tem um modo ritualístico de se fazer e aplauso não.

CONSIDERAÇÕES:

Em Maçonaria existem dois tipos de aplausos. Aquele que exorta a bateria do Grau e o de louvor conhecido com “bateria incessante”. Tanto para o primeiro quanto para o segundo caso os movimentos vibratórios são feitos com as mãos, ou mão; pela percussão dos malhetes e, às vezes com o cabo da espada na porta do Templo no ofício do Cobridor. A bateria feita com o punho cerrado dada na porta do templo é a Bateria Maçônica Universal (igual à de Aprendiz) e as demais dos outros graus subsequentes. Os aplausos, como dito, são normalmente constituídos pela Bateria do Grau. Os que portam malhetes o fazem percutindo o mesmo na forma de costume sobre o Altar e mesas. Os demais executam o ato estendendo o braço esquerdo à frente e próximo ao ventre tendo a respectiva palma da mão aberta e voltada para cima que fica parada. Sobre esta o executor bate com a mão direita espalmada. No caso citado pelo Irmão, o Venerável recomenda que o neófito seja aplaudido. Obviamente o aplauso é feito pela bateria como menciona o próprio Venerável. Não existe o formato de aplauso profano na Maçonaria, como, por exemplo, aplaudiríamos um ator no teatro. Em Maçonaria os aplausos são, ou pela bateria do Grau, ou o incessante que é executado da mesma forma, porém com ritmo cadenciado e igual no compasso. Ademais, sempre que for solicitado o ato, o Venerável determina a razão, daí saber-se-á se a bateria em forma de aplauso é a do grau ou a incessante. Bateria e aplauso em Maçonaria seria uma espécie de sinônimo, diferenciando-se apenas se ela é incessante ou do grau. Essa é uma norma consuetudinária e seria, a meu ver, um excesso de preciosismo identificá-la no Ritual.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 758 Florianópolis (SC) – 23 de setembro de 2012

A RESPONSABILIDADE EXISTENCIAL

A RESPONSABILIDADE EXISTENCIAL
Ir∴ José Cássio Simões Vieira
MI da ARLS Theobaldo Varoli Filho

Todas as vezes em que tratamos do tema LIBERDADE, um dos componentes do tripé da Maçonaria, ressaltamos dever ser ela condicionada à RESPONSABILIDADE, que, por sua vez, não pode de existir sem a primeira, numa verdadeira dialética da autonomia.

De fato, convém que entendamos o que seja responsabilidade, não no sentido jurídico, mas no que diz respeito à responsabilidade existencial.

Vejamos, de início, a etimologia da palavra existência. O termo provém do latim existere, formado pela preposição ex (fora de) e pelo radical sistere (por, colocar). Correspondem estes aos vocábulos gregos ek e stasis, os quais, através do latim, ecstasis, deram origem à palavra "êxtase", que expressa o fato de sair-se de si mesmo.

Nossa existência, pois, desse ponto de vista, não pode considerar-se como algo estável ou imanente, mas um contínuo "sair-se de si mesma", um "vir-a-ser", um transcender, um salientar-se de algo, significando uma forma, um modo de relacionar-se com o mundo.

"O homem é aquilo que aspira mais além de si" (Jaspers), com o que se enfatiza o ser humano como emergente, em evolução.

A importância desse conceito reside no fato de devermos ver o existir humano como contínua criação. Não como um ser (palavra que sugere algo de estático), mas como um sendo, um pode ser, um vir-a-ser.

A vida nos é dada, mas não nos é dada feita. Recebemo-la vazia e temos que preenchê-la, com nosso próprio esforço, esforço esse que não podemos delegar a quem quer que seja.

Realmente, o homem é um contínuo criar-se, um contínuo fazer-se a si mesmo, como possibilidade aberta. "Não foi feito, mas é o que se faz". Daí a famosa frase de Sartre "O homem é o ser que não é o que é e que é o que não é", expressando o contínuo evoluir, o contínuo transcender, que faz com que ele, em qualquer momento, seja algo que está deixando de ser e que não terminou, portanto, de ser o que é.Somos nossa escolha.

Se o homem está, continuamente, em processo de fazer-se a si mesmo, elege, constantemente, seu caminho e se autodetermina, pelo menos em condições de normalidade psíquica.

"Somos nossa escolha", dentro dos limites de nosso mundo dado. E, se não podemos mudar esses limites, podemos escolher COMO dirigir nossa vida dentro deles. Tal é nossa liberdade.

É comum ouvirmos pessoas não plenamente cônscias de sua responsabilidade existencial "Eu não pedi para nascer. Vocês agora é que resolvam meus problemas, façam alguma coisa por mim ou me agüentem".

Sem embargo de certas doutrinas espiritualistas, cujo mérito, no momento, não nos cabe discutir, consideremos que, de fato, ninguém pediu para nascer. Consideremos, simplesmente, que o homem seja "lançado" no mundo, de maneira passiva, com sua carga genética, sua constituição, seu temperamento, num dado momento histórico, numa dada cultura. A partir daí, ele vai tomando conhecimento desse mundo, que ele mesmo não criou e ao qual acha-se submetido totalmente, pelo menos no início de sua vida no plano terrestre.

Cabe ao homem, porém, assumir sua condição de existente, tomando a iniciativa de descobrir o sentido de sua vida e orientar suas ações, dentro de ampla faixa de escolhas existenciais, nas direções mais diversas, sendo responsável por tudo aquilo que escolhe ou faz. Não importa o que as circunstâncias fazem do homem, mas o que ele FAZ do que fizeram dele.

Por isso, diz Sartre, "O homem é condenado a ser livre", ou seja, deve ele, a cada momento, usar de sua liberdade e escolher o que fará de si.

O homem e o mundo

Sustentamos que o homem, em condições normais, é plenamente responsável por aquilo que faz, numa relação única e intransferível com seu mundo. Por isso, é o homem, filosoficamente, chamado de ser-no mundo.

De que se trata esse mundo?

Não se trata apenas do ambiente em que o homem vive, nem de suas relações com as coisas ou com os demais.

Na verdade, o homem e o mundo são um só. À medida que, vivendo ao mesmo tempo e inseparavelmente em um ambiente, com os demais, o homem vai criando um mundo próprio, ao eleger, a cada momento, o que tem sentido para seu projeto de ser, desenvolvendo uma concepção de mundo e de si mesmo.

Em outras palavras, o homem tem que construir seu mundo a cada momento, dentro de suas circunstâncias, que são parte integrante de todos nós, na medida em que não somos uma peça isolada, suficiente e completa. "O homem é ele e suas circunstâncias" (Ortega y Gasset).

Se o homem concebe seu mundo, elege, com esse mundo a ele integrado, tudo o que tem significado para sua vida, de acordo com seu projeto de vida. Há em tudo uma intencionalidade, pois, como vimos, não concebemos o mundo como um dado bruto, desprovido de significados. "O mundo que concebo é o mundo para mim". Criamos, portanto, nossa realidade. Vemos as coisas de acordo com nosso "plano de mundo", com nossa "aspiração".

Em síntese, o homem, enquanto existente, não pode ser compreendido a não ser em relação com seu mundo, relação essa na qual ele cria seu mundo e, ao mesmo tempo, é criado por ele. Não existe uma dicotomia homem/mundo, sujeito/objeto.

A idéia de ser-no-mundo, portanto, deixa claro que o homem constrói sua vida, determinado o sentido histórico-significativo de sua existência.

O sentido de vida e a Maçonaria

Viktor Frankl, famoso psicoterapeuta austríaco, criador da Logoterapia, sobrevivente dos campos de concentração nazistas, convivendo com seus companheiros de infortúnio, observou que apenas sobreviviam as pessoas que encontraram um sentido de vida, ingrediente indispensável não só para resistir e superar as grandes crises, mas também para incentivar a vontade de viver.

Quem elege como escolha existencial o aperfeiçoamento do caráter e a busca da elevação cultural, moral e espiritual do ser humano, muito se beneficiará com os ensinamentos hauridos na Ordem Maçônica. Para tanto, a Instituição exige de nós que sejamos homens retos na concepção de nossos valores, qual o fio de prumo, que se situa na perfeita perpendicular. Compara-nos a blocos de pedra, cujas arestas devem ser removidas, cujos lados devem ser polidos e cujos ângulos devem ser tornados perfeitamente retos, para que se assentem, com perfeição, na monumental construção do Templo Social.

A escolha desse sentido de vida depende de nossa inteira liberdade, dentro da concepção que tivermos de nossa existência e do que quisermos fazer dela, quer dizer, de nós e de nossas circunstâncias.

Tudo dependerá de nós! A Ordem não poderá nos dar mais daquilo que optarmos buscar. . .

Fonte: JBNews - Informativo nº 0173 - 16 de fevereiro de 2011

sábado, 21 de maio de 2022

UM SÓ GOLPE DE MALHETE

UM SÓ GOLPE DE MALHETE
(republicação)

Em 23/08/2017 o Respeitável Irmão Antonio do Nascimento, Loja Acácia da Colina, Rito Brasileiro, sem mencionar o nome da Obediência, Oriente de Piracicaba, Estado de São Paulo, solicita o seguinte esclarecimento:

Recorro aos vastos conhecimentos maçônicos do estimado Irmão para tirar uma dúvida. Se uma Sessão de Finanças é aberta pelo Venerável Mestre com um só golpe de malhete, há necessidade de abrir o Livro da Lei? Bem sei que o saudoso Irmão Castellani defendia que qualquer sessão deve ser aberta ritualisticamente.

Eu tenho um entendimento sobre o referido assunto, mas não sei se está correto. Na minha maneira de ver, se toda a Abertura Ritualística foi suprimida (pelo golpe de malhete) não há necessidade de que seja aberto o Livro da Lei, uma vez que este procedimento está incluído na Abertura Ritualística da sessão. Procurei nos Consultórios Maçônicos do Irmão Castellani e nada encontrei a respeito.

Eu e alguns Irmãos trocamos ideias sobre essa questão, com entendimentos diferenciados (alguns concordam com a minha interpretação, outros não). Argumenta-se que o Livro da Lei deve sempre ser aberto, mesmo que a sessão tenha sido iniciada com um só golpe de malhete.

Entendo que a Sessão de Finanças é uma sessão estritamente administrativa e para reforçar o meu entendimento, tenho lembrado que nas sessões eleitorais o Livro da Lei não é aberto.

Desde já, agradeço a sua atenção e atendimento ao meu pedido.

CONSIDERAÇÕES:

Tudo vai depender do que exaram os regulamentos da Obediência. Como não existe essa informação na sua questão, vou seguir o exemplo do Grande Oriente do Brasil e o que prevê o seu Regulamento Geral da Federação nos Artigos 108 e 109. Nesses Artigos fica claro que a Sessão é Ordinária de Finanças no Grau de Aprendiz Maçom, portanto aberta ritualisticamente conforme o ritual do Rito praticado.

No rigor da lei e da tradição maçônica não existe nenhuma “sessão ritualística aberta com um só golpe de malhete”. O que se anuncia com um golpe de malhete é a Ordem do Dia de uma sessão regular onde serão tratados, nesse caso, somente assuntos pertinentes às finanças da Loja.

Outro importante aspecto que deve ser considerado a respeito, é que os assuntos votados na Ordem do Dia somente têm a chancela da legalidade se a Loja tiver sido regularmente aberta e, para tal, existe, conforme o Rito, uma liturgia específica que envolve a bateria do grau e a exposição das Três Grandes Luzes Emblemáticas (Livro da Lei, Esquadro e Compasso) como condição única para se abrir uma Loja.

Não menos importante ainda é a existência de um autêntico Landmark da Ordem (imemorial, espontâneo e universalmente aceito) que adverte que uma Loja somente seja aberta na presença das Três Grandes Luzes, ou Luzes Emblemáticas da Maçonaria.

Assim, independente do tipo de Sessão Maçônica (ordinária ou magna), se for realizada ritualisticamente em Loja aberta, não há como iniciar os seus trabalhos com um só golpe de malhete, já que para se abrir o Livro da Lei (condição sine qua non para se abrir a Loja) existe uma liturgia de abertura e nela se processam golpes de malhete para a abertura e o encerramento tantos quantos forem necessários pelo grau de trabalho.

Já que Sessão Eleitoral também foi mencionada na questão, vale a pena mencionar a título de exemplo que, no caso de eleição para Grão-Mestre, o Ritual de Mestre Maçom do REAA⸫ do GOB prevê uma Sessão Extraordinária, cuja mesma é sempre aberta e encerrada ritualisticamente, não existindo, portanto esse famigerado “um só golpe de malhete” para a abertura dos trabalhos.

Dados a todos esses comentários é que o saudoso Irmão José Castellani já nos alertava para esse equivoco quando afirmava que “não é maçônica uma sessão aberta com um só golpe de malhete”.

Agora, se existem Obediências com Regulamentos e/ou Decretos em vigência de Poderes constituídos que exaram métodos contrários ao que aqui foi comentado, há que se discutir então até que ponto isso é legal sob a égide da tradição maçônica.

Concluindo, salvo as Sessões Administrativas ou alguma outra determinação superior oriunda de um tribunal eleitoral, por exemplo, a única oportunidade em que um Venerável Mestre pode utilizar-se da prática de “um só golpe de malhete” numa sessão ritualística é para encerrá-la onde porventura o momento inevitavelmente requeira essa providência (sinistros, emergência médica, etc.).

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE SALVADOR ALLENDE

SALVADOR ALLENDE GOSSENS (Valparaíso, 26 de junho de 1908 — Santiago do Chile, 11 de setembro de 1973). Ex-Presidente do Chile. Fundador do Partido Socialista naquele país, governou o Chile de 1970 a 1973, quando foi deposto por um golpe de Estado liderado por seu chefe das Forças Armadas, Pinochet. Seu avô, Ramón Allende foi o 7º Grão-Mestre da Grande Loja do Chile. Allende foi Venerável-Mestre da Loja Hiran nº 65, em Santiago, Chile.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 1935

Loja: Progresso nº 4, Valparaíso, Chile.

Idade: 27 anos.
Oriente Eterno: Faleceu aos 65 anos de idade, assassinado a tiros.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

O QUE É RITO E O QUE É RITUAL

O QUE É RITO E O QUE É RITUAL
Kennyo Ismail

Rito e Ritual: costuma-se fazer grande confusão entre esses dois termos, principalmente na Maçonaria. Alguns acreditam serem sinônimos, outros que se trata de coletivo e unidade. Há ainda algumas explicações filosóficas complexas ou mesmo reflexões etimológicas sobre os termos, que, muitas vezes, mais complicam do que explicam.

Ao pesquisar sobre os termos na literatura maçônica, você pode se deparar com afirmações de que Rito é a teoria e Ritual é a prática. Ou que Rito é conteúdo e Ritual é forma. Ou que o Rito é um conjunto de graus, sendo que cada grau é um Ritual.

Em homenagem aos doutos do direito, os quais compõem parcela significativa dos membros da Ordem Maçônica, utilizemos de analogia com dois termos jurídicos para explicar o que é Rito e o que é Ritual. Pois bem, se Rito fosse lei, Ritual seria instrução normativa.

Um Rito é realmente como uma lei. É um conjunto de preceitos e obrigações gerais que produz efeitos sobre aqueles que estão sob seu alcance. Assim como uma lei, um Rito reflete princípios que o orientam, possui elementos históricos, além de buscar um objetivo específico. Para ilustrar essa afirmação, podemos utilizar o Rito Escocês Antigo e Aceito – REAA, devido à sua expressividade no cenário maçônico brasileiro. Da mesma forma que uma lei é desenvolvida com base em valores de uma determinada sociedade e normas éticas oriundas desses valores, o REAA tem por base os princípios de Fraternidade, Tolerância, Caridade e Verdade, conforme missão declarada do Supremo Conselho do Rito Escocês “Mãe do Mundo”. Assim como uma lei surge de uma demanda social presente em um contexto histórico específico para tratar de um conflito ou situação que necessite ordenamento, o REAA surgiu, em Maio de 1801, para trazer ordem ao caos em que se encontrava o Rito de Heredom nos EUA, com dezenas de diferentes autoridades conferindo os graus de diferentes formas. E assim como uma lei atende a um objetivo específico por meio de sua observância, o REAA tem por objetivo o desenvolvimento moral e espiritual de seus membros por meio de sua prática.

Já o Ritual é como uma instrução normativa, um manual de procedimentos que determina e regulamenta como essa lei deve ser praticada e observada. Uma lei pode ter várias instruções normativas, quando necessário. Como bem registrou Vincenzo Cuoco, “sem instrução, as melhores leis tornam-se inúteis”. Do mesmo modo, o Ritual é o manual de procedimentos que determina a prática do Rito, o qual pode ter vários rituais. E sem os rituais, não há como praticar o Rito. O Rito está morto.

Uma instituição que possui um sistema de ritos e rituais que podem colaborar para suas compreensões é a Igreja Católica. A Igreja possui vários ritos: Rito Ambrosiano, Rito Bracarense, Rito Galicano, Rito Bizantino, Rito Romano, etc. Cada um desses Ritos possui diferentes Rituais para sua prática: missa, batismo, crisma, casamento, natal, etc. E mesmo dentro de um Rito específico, como o Rito Romano, há variações nos Rituais, conforme país, movimentos, etc.

Retornado ao exemplo do REAA, algo similar ocorre, havendo Rituais diferentes de um mesmo grau conforme país e Obediência Maçônica. Assim sendo, ao contrário dos prejulgamentos inconsequentes de alguns maçons quando dizem que “o Rito Escocês deles é diferente do nosso”, ou ainda pior, “isso não é Rito Escocês”, a variação não é no Rito e sim nos Rituais. Essas diferenças nos Rituais são algo totalmente natural e esperado, e cuja única consequência negativa são as ofensas que a fraternidade sofre com tal ignorância e intolerância de alguns pelo que é diferente do que se está acostumado.

É também por esse motivo que o Ritual de Emulação é chamado de Ritual e não de Rito, pois se refere a um manual com textos e práticas específicas, que segue estritamente as diretrizes do sistema inglês, sistema esse que a Grande Loja Unida da Inglaterra opta por não chamar de Rito. Há na Inglaterra outros tantos rituais diferentes: Bristol, East End, Falcon, Goldman, Henley, Humber, Logic, Newman, Oxford, Paxton, Stability, Sussex, Taylor, Universal, Veritas, West End, etc. Porém, todos esses Rituais, assim como o de Emulação, como boas instruções normativas que são, também seguem as mesmas diretrizes da “lei” maçônica inglesa pós-1813.

O próprio Rito de York, o legítimo, norte-americano, não fica de fora de ter diferentes rituais. Há nos graus simbólicos diferentes versões do Ritual de Webb, além do Ritual de Duncan e tantos outros pouco conhecidos por grande parte dos maçons, mas todos provenientes do Antigo Rito de York.

Enfim, como registrado anteriormente, a existência de diferentes Rituais é algo natural e esperado em todos os Ritos Maçônicos. Entretanto, essas definições de Rito e Ritual, tão básicas e essenciais para a Maçonaria, infelizmente não estão presentes na educação maçônica convencional, cabendo a cada um de nós colaborar para que esse conhecimento seja compartilhado entre nossos Irmãos.

Fonte: https://www.noesquadro.com.br

sexta-feira, 20 de maio de 2022

FILIAÇÃO E REGULARIZAÇÃO DE APRENDIZES E COMPANHEIROS

FILIAÇÃO E REGULARIZAÇÃO DE APRENDIZ E COMPANHEIRO
(republicação)

O Respeitável Irmão Nilson Alves Garcia, Deputado Federal, Loja Estrela da Serrinha, REAA, GOB-GO, Oriente de Goiânia, Estado de Goiás, solicita esclarecimento para o que segue:

No caso de regularização e/ou filiação de um Aprendiz Companheiro Maçom, ao prestar compromisso, o mesmo sobe ao Oriente. O Ritual em vigência não trata dessa possibilidade, pois ao que parece ele só se refere ao Mestre Maçom, já que no Oriente só ingressam Mestre. Qual a sua opinião?

CONSIDERAÇÕES:

Filiação – RGF, Art.º 50 a 61 inclusive; Regularização – Art.º 50 a 61.

Provavelmente os “fazedores de rituais” esqueceram que Aprendizes e Companheiros são passiveis de Filiação e Regularização, assim como também esqueceram que na alegoria iniciática do REAA⸫ no Oriente só ingressam Mestres.

Infelizmente ainda são muitos os Irmãos que desconhecem essa particularidade e que o Oriente em Loja aberta é lugar apenas daqueles que atingiram a plenitude maçônica, o que, sob o aspecto iniciático, significa que o Mestre representa a maturidade humana. 

Assim não faz nenhum sentido que um Aprendiz, digno representante da infância, ou um Companheiro como virtuoso representante da juventude, ocupem lugar na maturidade em Loja.

Na síntese iniciática da evolução da Natureza o primeiro ciclo é a primavera, segundo o verão e terceiro o outono. A senda maçônica do REAA⸫ segue essa ordem e nela todas as coisas acompanham a ordem, a harmonia e o equilíbrio do Universo. Ninguém nasce com a idade madura (Aprendiz no Oriente?).

Desafortunadamente os nossos ritualistas ainda continuam a só copiar procedimentos anacrônicos e desprovidos de razão, ficando o ideário verdadeiro subjugado ao segundo plano amparado pelos carimbos e convenções da peripatética Maçonaria latina do “onde está escrito” ou “no ritual está assim escrito”. Na realidade isso nada mais é do que mero comodismo e uma desculpa dada por aqueles que pouco compreendem da liturgia maçônica.

Dado a esses pormenores e por eu não me sentir confortável em simplesmente realizar algo sem saber o que estou fazendo e usando como desculpa o “no ritual está assim” é que eu tenho recomendado, na medida do possível, que o Altar dos Juramentos nas Lojas do rito não seja fixo, de tal maneira que nessas ocasiões possa se trazer o Altar para bem próximo do limite com o Ocidente. Dessa forma, sem ferir a liturgia iniciática, o recipiendário (Aprendiz ou Companheiro), diante do Altar dos Juramentos não ingressa no Oriente.

Outra possibilidade no caso de Regularização ou Filiação de portadores do 1º e 2º Graus durante a ratificação do compromisso, é que ele poderia se aproximar o máximo possível do Oriente, mas sem nele adentrar, enquanto que lhe seria trazido um Livro da Lei para a ratificação.

Em qualquer um dos casos, posicionando o Altar ou trazendo-lhe um Livro da Lei, a verdadeira liturgia não seria ferida, obviamente desde que os encarregados pelo desenvolvimento ritualístico compreendam o que significa a senda iniciática do simbolismo.
Eram essas as minhas considerações.

Não há aqui nenhuma intenção de estimular práticas contrárias ao ritual, mas sim complementá-lo com atos ritualísticos tão necessários para a salutar compreensão da “arte”. Aos que discordarem lhes é facultado o direito de seguir o que lhes é conveniente, inclusive o de explicar convincentemente a razão e o porquê de Aprendizes e Companheiros ingressarem no Oriente, mas sem o amparo comodista do “no ritual está escrito assim”. A rigor essa é uma resposta muito pobre e despida de fundamentos.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

SER MAÇOM E ESTAR MAÇOM

SER MAÇOM E ESTAR MAÇOM
(Desconheço a autoria)

Gostaria de agradecer o convite por parte do venerabilíssimo mestre, para fazer uso da palavra nesta sessão. Esse auspicioso fato gera, para mim, duplo sentimento, pois me sento sobremaneira honrado, e, ao mesmo tempo, por demais preocupado, diante da plêiade de veneráveis irmãos presentes.

Inicialmente, quero confessar ao venerabilíssimo mestre, às respeitáveis autoridades que ornam o oriente deste augusto templo, e aos estimados e respeitabilissimos irmãos presentes a esta sessão, a minha confissão de fé nos postulados da maçonaria e o respeito às autoridades legalmente constituídas, como embasamento e sustentáculos de minha crença nos princípios que me ensinaram, os quais procuro cultuar, obedceder e transmitir aos mais novos.

É possível, que no curso de minha fala, venha abordar problemas internos de nossa sublime ordem, que existem por obra e graça da conduta de alguns irmãos, e que precisam, de alguma forma, ser resolvidos.

Se isso ocorrer, antecipo, com todas as forças de meus sentimentos, minhas desculpas, deixando claro que não se trata, absolutamente, de nada existente no plano do relacionamento pessoal, reafirmando que seria única e exclusivamente, para justificar a minha passagem, não apenas pelos templos que tenho frequentado, mas, principalmente, pela obediência ao cerimonial de nossa iniciação.

O tema sobre o qual vou discorrer, “ser maçom e estar maçom”, é, ao mesmo tempo, de fácil exposição, como, também, de expressiva complexidade, gerando, sem dúvida, preocupação.

Deixando de declinar o nome da loja e dos irmãos, tenho conhecimento de um acontecimento real e verdadeiro, em que o candidato foi regularmente sindicado, foi iniciado, elevado e exaltado, satisfazendo a todas as exigências, frequência, metais, visitas e trabalhos. Passado algum tempo de sua exaltação, abordou um irmão do quadro, indagando que já estava participando da loja há mais de três anos. Já era mestre, e, no entanto, ninguém falava na sua parte. Que parte? Perguntou o irmão. Ora, disse ele, eu sei que a maçonaria é rica e ajuda os irmãos, e eu quero saber quando vou recebeu a minha parte. O irmão, atônito, procurou explicar o que era a maçonaria, e o interesseiro nunca mais voltou à loja.

Esse irmão era maçom ou simplesmente estava maçom, esperando a oportunidade para se locupletar, para tirar proveito da maçonaria, da loja ou dos irmãos?

Muito a propósito, meus irmãos, e fica, aqui, registrado o alerta, existe nas ruas de São Paulo uma pessoa, que ao passar por um possível maçom, diz: “tudo justo e perfeito”?. Alguns irmãos já foram abordados. Alega ser do interior e pede ajuda financeira. Quando o irmão abordado faz o telhamento, ele acompanha com sinais e toques até o grau de mestre. Aprofundando-se na identificação, entretanto, ao atingir o grau de companheiro, ele foge repentinamente.

Quantos participam do universo da nossa sublime ordem, e, por certo, os irmãos presentes conhecem ou conheceram, aqueles que estão ou estavam maçons, a espera, simplesmente, de uma oportunidade para tirar proveito, para se locupletar da maçonaria ou dos irmãos?

Eis, meus irmãos, a importância da sindicância e a grande responsabilidade de cada sindicante ao entrevistar um candidato. Em minha caminhada maçônica, de quase três décadas, já ouví dizer que candidatos foram entrevistados por telefone, estando em outro oriente, e que candidatos foram entrevistados por apenas um dos três sindicantes, limitando-se os dois outros a copiarem os dados colhidos.

Não basta, para ser maçom, ser sindicado, iniciado, elevado ou exaltado. Nem os graus recebidos pelo irmão, de aprendiz, de companheiro ou de mestre, e nem o avental e o colar, fazem de um irmão um maçom.

É necessário muito mais!

Já foi dito que “não é a púrpura e o arminho que fazem o juiz. É a integridade, é o saber. É o amor à virtude, o zêlo da justiça.” Assim, também, pode-se dizer, que não é o avental, nem o colar e nem o grau que fazem o maçom. É a sua conduta, o seu caráter, o seu procedimento dentro e fora do templo. É a exteriorização das luzes que emanam do seu templo interior.

A constituição do Grande Oriente do Brasil, em seu artigo 1º, ao tratar dos princípios gerais da maçonaria, apresenta dez incisos, como postulados da conduta do maçom, dentre os quais, peço vênia para mencionar os de número iii e vi, que estabelecem, respectivamente:

“iii – proclama que os homens são livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o princípio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um”;

“vi – considera irmãos todos os maçons, quaisquer que sejam suas raças, nacionalidades, convicções ou crenças.”

Mas não é só!

Quando de nossa iniciação, no curso das viagens, explica o irmão orador: “se desejais tornar-vos um verdadeiro maçom, deveis primeiro morrer para o vício, para os erros, para os preconceitos vulgares e nascer de novo para a virtude, para a honra e para a sabedoria.”

Façamos uma auto-indagação. Perguntemos a nós mesmos, se conseguimos alcançar essa meta, ou seja, se conseguimos morrer para o vício, para os erros e para os preconceitos vulgares, e se nascemos de novo, para a virtude, para a honra e para a sabedoria.

Se a minha resposta, se a sua resposta, se a nossa resposta for afirmativa, com certeza, somos maçons. Se, entretanto, duvidosa ou negativa for a resposta, certamente, não somos maçons, mas estamos maçons.

Mais adiante, o irmão orador explica ao iniciando os deveres do maçom, dizendo:

“O segundo dos vossos deveres e o que faz que a maçonaria seja o mais sagrado dos bens, além de ser a mais nobre e a mais respeitável das instituições, é o de vencer as paixões ignóbeis, que desonram o homem e o tornam desgraçado; praticar, continuamente, a beneficência, socorrer os seus irmãos, prevenir as suas necessidades, minorar os seus infortúnios, assistí-los com os seus conselhos e as suas luzes. Toda ocasião que ele perde de ser útil é uma infidelidade; todo socorro que recusa é um perjúrio; ...”

Para aprovarmos o ingresso de um candidato aos nossos sublimes mistérios, exigimos que seja livre e de bons costumes, e é o que afirma o irmão experto, ao apresentá-lo ao templo, para receber a luz.

Ser maçom, meus irmãos, é cumprir o sagrado compromisso assumido por ocasião de nossa iniciação. É investir tempo, sentimento, dedicação sem limites, na construção do nosso templo interior. É perquirir e buscar o aprimoramento de nosso caráter, de modo a nos posicionarmos perante a sociedade, como homens diferenciados, e sejamos reconhecidos como homens livres das pressões maléficas, de conduta ilibada e de bons princípios e costumes salutares.

Chegou às minhas mãos, há alguns anos, um trecho extraído do discurso proferido pelo grande orador, por ocasião da inauguração do templo da Grande Loja de Valparaiso, Chile, em 30 de novembro de 1872, quando disse o irmão, com rara felicidade:

“A profissão do maçom é a mais difícil de ser exercida, porque toda ela é praticar virtudes, vencer dificuldades, semear o bem nas terras do porvir e tornar a semear o bem que se colhe.

Trabalhemos, eduquemos, cultivemos com solicitude e esmero as inteligências e os corações; exerçamos nossa profissão iniciando as novas gerações, realizando o progresso nas que hoje existem; e ao pisar estes umbrais do templo, ao inclinar nossas frontes ante a grandeza dos nossos símbolos, possamos estender os braços, louvar nossa missão e exaltar com o lábio agradecido, nossas doutrinas e nossas convicções ao supremo criador dos mundos.”

O maçom deve estar sempre alerta e vigilante, atento para não ser surpreendido pelo envolvimento de suas próprias imperfeições intrínsecas, porque, como ser humano, não está livre nem isento da falibilidade, do orgulho e da vaidade.

Mazzini, filósofo da unificação do povo italiano, grande maçom, considerado o apóstolo dos humildes, quando lutava pela reivindicação dos trabalhadores, seus compatriotas, procurava orientar o povo, ensinando e advertindo que a única maneira que os homens têm para fazer vitoriosos os seus direitos, é ter perfeita compreensão do cumprimento de seus deveres para com deus, para com a humanidade e para consigo mesmo.

Nesse mesmo sentido, devemos lembrar o presidente Kennedy, tão cedo e tão drasticamente tragado pela força do mal que impera e campeia no mundo profano, quando falou, certa vez, para os jovens soldados americanos, em que exortava, em outras palavras, que o importante não era saber o que a nação poderia oferecê-los, mas, sim, o que eles poderiam oferecer para a nação.

Parafraseando, meus irmãos, esse saudoso mártir, podemos, igualmente, exortar, que não basta perquirirmos o que a maçonaria pode fazer por nós, mas sim, reafirmar a indagação, perguntando o que nós podemos fazer pela maçonaria.

Para sermos maçons, devemos procurar, com todas forças que o grande arquiteto do universo nos concede, observar, cumprir e obedecer o decálogo da maçonaria, que me foi passado, na loja Roma, por ocasião de minha iniciação, no dia 11 de dezembro de 1976, que peço permissão para apresentá-lo, pois, certamente, os irmãos mais novos dele não tenham tido conhecimento, e aos antigos, uma oportunidade de recordá-lo:

“Deus é a sabedoria eterna, onipotente e imutável: suprema inteligência e inextinguível amor. Deves o adorar, reverenciar e amar. Praticando as virtudes, muito o honrarás.

Tua religião consiste em fazer o bem, por ser um prazer para ti, e não unicamente, um dever. Constitui-te um amigo do homem sábio e obedece seus preceitos. Tua alma é imortal. Nada farás que a degrade.

Combaterás incessantemente o vício. Não farás a outrem o que não quizeres que te façam. Deverás ser submisso ao teu destino e conservar vivo o fogo da sabedoria.

Honrarás teus pais. Respeitarás e tributarás homenagens aos anciãos. Instruirás os jovens.

Sustentarás tua mulher e filhos. Amarás tua pátria e obedecerás suas leis.

Teu amigo será para ti tua própria imagem. O infortúnio não te afastará de seu lado e farás por sua memória o que farias por ele em vida.

Evitarás e fugirás de amigos falsos, assim como, quando possível, os excessos. Temerás ser a causa duma mancha em tua memória.

Não permitirás que as paixões te dominem. Serás indulgente com o erro.

Ouvirás muito, falarás pouco e obrarás bem. Olvidarás as injúrias. Darás o bem em troca do mal. Não abusarás de tua força ou superioridade.

Estudarás o conhecimento dos homens. Buscarás sempre a virtude. Serás justo. Evitarás a ociosidade.”

O comparecimento dos irmãos às sessões de sua loja, com efetiva participação nos trabalhos desenvolvidos é indispensável. O irmão deve contribuir diretamente com sua ação, para que o venerável mestre, juntamente com sua administração, possa conduzir a loja de modo dinâmico e empreendedor, num ambiente de harmonia e fraternidade, para que os irmãos do quadro tenham satisfação e alegria em comparecer às sessões, fazendo lembrar as palavras do salmista, quando disse: “alegrei-me quando me disseram vamos à casa do senhor”.

Não é certo que o irmão faltoso, por cerca de dois ou três meses, ao chegar à loja, em vez de procurar por uma visão panorâmica dos trabalhos e dos irmãos do quadro, pergunte apenas ao irmão tesoureiro: quanto devo? Ou qual é o meu débito? Tais indagações, poderiam gerar uma resposta, em forma de pergunta, qual débito meu irmão, débito para com a loja, com os irmãos ou com a maçonaria?

Não basta a contribuição material. Estar em dia com o irmão chancelar e com o irmão tesoureiro, pouco significa, porque decorre unicamente, de uma pequena parte do conjunto das obrigações assumidas. “sois maçom? A resposta não pode ser: “meus irmãos como contribuinte me reconhecem”.

Nosso irmão Gióia Júnior, numa de suas campanhas, distribuiu um soneto de sua autoria, intitulado “ser maçom”, que diz:

"Ser maçom é querer tudo puro e correto,
É ter limpos os pés e ter limpas as mãos,
É querer habitar entre muitos irmãos
E louvar o poder do supremo arquiteto.

Ser maçom é ser bom e generoso e reto
E os enfermos buscar para torná-los sãos
E os pobres procurar para dar-lhes o teto, e os órfãos socorrer – e amparar os anciãos.

Ser maçom é ser forte e enfrentar a procela, é amar a existência e fazê-la mais bela,
É buscar a justiça, a igualdade, o direito.

Afinal, ser maçom é buscar a verdade,
Ser maçom é lutar em prol da liberdade,
Ser maçom é querer tudo justo e perfeito!.”

Registra o livro da lei, que Geová destruiu as cidades de Sodoma e Gomorra, em consequência da extrema perversidade do seu povo. Registra, também, que o patriarca Abraão procurou interceder em favor dos moradores de Sodoma, perguntando, se ali houvesse cinquenta justos, ainda, assim, a cidade seria destruída? Se achar cinquenta justos, não a destruirei, disse o senhor. Insistindo, perguntou o patriarca, se somente quarenta e cinco justos forem encontrados? Não a destruirei, foi a resposta. E se apenas quarenta? Também não a destruirem. Se forem encontrados apenas trinta? Pouparei a cidade. Se ali forem encontrados apenas vinte?, insistia o patriarca. Não a destruirei, por amor aos vinte. Finalmente, Abraão faz a última pergunta, e se forem encontrados somente dez justos? A resposta de Geová foi a mesma: não destruirei a cidade, se encontrar apenas dez justos.

E nem mesmo dez justos foram encontrados naquela cidade, que acabou por ser destruída.

Elevemos, pois, caríssimos irmãos, os nossos pensamentos ao Sup∴arq∴ do universo, e senhor dos mundos, ele, que é onipresente, onisciente e onipotente, em preces ungidas de fé, para que a cadeia da fraternidade una os nossos corações, os nossos sentimentos e os nossos ideais e assim possamos alcançar o objetivo visado, para maior grandeza de nossa sublime e sempre gloriosa instituição, e que, num diálogo, como aquele acima mencionado, possa o grande arquiteto encontrar na maçonaria, número inferior a dez, não de maçons, mas de antimaçons.

Sejamos maçons, obreiros livres e de bons costumes, cada um, com o coração limpo e puro, e todos irmanados nos princípios basilares de liberdade, igualdade e fraternidade.

E assim, somente assim, seremos maçons e não estaremos maçons!

Muito obrigado.

Salve a maçonaria !

Fonte: http://cidademaconica.blogspot.com

quinta-feira, 19 de maio de 2022

GARANTE DE AMIZADE

GARANTE DE AMIZADE
(republicação)

O Respeitável Irmão Abtino Berlanda Costa, Mestre Instalado da Loja José Guimarães Gonçalves, 120, R⸫E⸫A⸫A⸫, Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro, Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio deJaneiro, apresenta a seguinte questão:
Contato: abtino.berlanda@gmail.com

Gostaria de obter uma resposta do Irmão Pedro Juk sobre o significado da existência do GARANTE DE AMIZADE, suas atribuições, responsabilidades e áreas de atuação dentro da Maçonaria e se ela se estende dentro da jurisdição da Obediência, ou não.

CONSIDERAÇÕES:

Garante, do francês garant. Substantivo de dois gêneros designa a pessoa responsável por alguma coisa; abonador, fiador. Amizade, do latim vulg. amicitate. Substantivo feminino designa, dentre outros, estima, simpatia ou camaradagem entre grupos ou entidades. Vinculação de caráter exclusivamente social; relações. Entendimento, fraternidade. Nesse sentido, geralmente o Garante de Amizade é o representante de uma Obediência Maçônica estrangeira junto a uma Obediência nacional, ou o representante de uma Obediência nacional, junto a uma Obediência estrangeira. Normalmente nas Obediências brasileiras um Garante de Amizade deve satisfazer no mínimo alguns requisitos como – ser Mestre Maçom por um período mínimo de três anos; conhecer a língua falada no país da Obediência na qual ele pretende ser o representante; estar em pleno gozo dos seus direitos maçônicos perante a Obediência que será por ele representada, dentre outras. Para tanto um Garante de Amizade tem como principais atribuições aquelas de visitar a Obediência pela qual ele fora nomeado geralmente a cada dois anos; manter correspondência epistolar com a Obediência que representa, estimulando a troca de informações, publicações, livros, etc.; estar presente em solenidades que indiquem relevância que venham ocorrer na Obediência que ele representa; prestar conta de suas atividades em relatório anual para a Secretaria de Relações Exteriores da Obediência que ele pertença, etc. Em termos é o que posso relatar sobre o assunto, muito embora essa não seja a minha área. Por fim, sugiro ao Irmão que procure junto a sua Obediência (Grande Loja) informações mais detalhadas a respeito, já que cada Potência Maçônica possui suas características próprias, cujas informações talvez possam enriquecer melhor os detalhes do que é um Garante de Amizade.

T.F.A. 
Pedro Juk - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 757 Florianópolis (SC) – 22 de setembro de 2012

FRASES ILUSTRADAS

 

O USO DO CELULAR “EM LOJA”

O USO DO CELULAR “EM LOJA”
Ir∴ Marcelo Artilheiro - Outubro/2019

Conforme dispõe o Decreto n. 525, de 03 de outubro de 2001, do GrandeOriente do Brasil – GOB, verbis, “Art. 1° - Fica vedado o uso de aparelho telefônico celular em locais onde estiver sendo realizada Sessão de qualquer espécie ou evento maçônico”. O uso do celular tem seu uso restrito, todavia, não proibido, isso porque não se interpreta o direito em tiras; não se interpreta textos normativos isoladamente, mas sim o direito, no seu todo, caso contrário, opera-se à incerteza jurídica. Interpretar o direito é formular juízos de legalidade, outra coisa é a formulação de juízos de oportunidade ou de discricionariedade.

Não obstante a suposta “proibição” é comum, vários irmão utilizarem seus celulares para fotos em momentos de posses, iniciações, consultar agendas, legislação e etc., em outras palavras utilizar o celular para fins “maçônicos”, úteis e não profanos, torpes sem que possam comprometer ou atrapalhar o andamento da sessão. Penso que a proibição visou proibir o uso paralelo ou fútil do equipamento, como com joguinhos, vídeos, atender chamadas, bate papos e etc. Até porque, atualmente, os celulares, são minicomputadores, inclusive, já assistir irmãos apresentando “peças de arquiteturas” lendo diretamente de seus celulares.

O direito a integridade/regularidade de uma sessão maçônica, transcende o plano e as “paredes” do templo ou da própria Loja que a organiza, ultrapassando questões meramente domésticas, constituindo-se prerrogativa jurídica de titularidade coletiva da potência a qual a loja se encontre vinculada, no caso, o GOB. Dentro desse contexto, emerge, com nitidez, a ideia de que a qualquer sessão maçônica constitui-se patrimônio público maçônico, e bem jurídico tutelado, nos termos do inciso VIII, do Art. 49, do Código Disciplinar Maçônico.

Portanto, impõe-se a ponderação que consiste em estabelecer-se uma hierarquia axiológica variável entre as “normas” ou “direitos” em conflito. Isso implica em que se atribua a um deles uma importância ético-jurídico maior, um peso maior do que o atribuído ao outro, em outras palavras, o direito de fazer ouso racional e maçônico de seu celular e o dever de não perturbar a sessão maçônica (que é o direito do outro irmão de ter uma sessão maçônica sem transtorno).

O Decreto não hierarquizou ou fixou qualquer valor, nem estabeleceu a proibição total ou o uso imoderado do celular, todavia, estabeleceu, no seu art. 2°,condição para o uso no caso de situação extraordinária, verbis: ”Art. 2° - Antes do início da sessão o Venerável recomendará a todos que desliguem seus aparelhos celulares, ou que os coloquem no “modo silencioso” para os que necessitem atender casos de emergência.”

O direito e legislação maçônica são racionais, isso porque a decisão a ser proferida por uma autoridade maçônica ou um VM em uma Loja, com fundamento no Decreto é a aplicação de uma proposição abstrata munida de generalidade a uma situação de fato concreta, em coerência com a regra legal. Eis o que define a racionalidade do direito maçônico: as decisões deixam de ser arbitrárias e aleatórias, tornam-se previsíveis. Racionalidade jurídica é isso: o direito maçônico permite a instalação de um horizonte de previsibilidade e calculabilidade em relação aos comportamentos dos irmãos, sobretudo àqueles que se encontram em Sessão fazendo ou não uso de seus celulares.

O reconhecimento desse direito de titularidade coletiva, tal como se qualifica o direito a uma Sessão Maçônica sem perturbação, equilibrada, estável e previsível constitui, portanto, um direito inalienável, irrenunciável e fundamental maçônico, todavia, plenamente exercitável e compatível com as modernas tecnologias se utilizadas maçonicamente e com sabedoria.

Fonte: https://artilheiro7.wixsite.com

quarta-feira, 18 de maio de 2022

REPRESENTANTE DO GRÃO-MESTRE

REPRESENTANTE DO GRÃO-MESTRE
(republicação)

O Respeitável Irmão Jocely Xavier Araujo, Mestre Instalado da Loja Hermann Blumenau, REAA⸫, GOB-SC, Oriente de Blumenau, Estado de Santa Catarina, apresenta a seguinte questão:
jxa@tpa.com.br

Poderia nos informar, se quando da visita à Loja, de um Irmão representando o Grão-Mestre (grande secretário ou não), ele assina o livro de presença da Loja ou de visitantes?

CONSIDERAÇÕES:

Penso que só assinam o livro de presença da Loja, pela própria definição, os Irmãos do Quadro. Nesse caso, se o representante do Grão-Mestre for um Irmão da própria Loja, este assinará normalmente como pertencente ao quadro, porém preferencialmente junto com o Venerável no fechamento do rol de presenças. Em sendo o Representante de outra Loja, ele assinará por último o livro de presença dos visitantes. Cabe aqui uma observação – quando é o próprio Grão-Mestre que visita a Loja, ele pode assinar - se preferir - o rol de presenças da própria Loja, tomando-se em conta que o seu cargo lhe dá o direito de ser o dirigente dos trabalhos de qualquer Loja da Obediência na qual ele é o maior mandatário. Nesse sentido, somente ele em pessoa, é que recebe o malhete na forma protocolar do Venerável Mestre por ocasião da sua visita, nunca o seu representante. Essa observação está diretamente ligada à tradição.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 755 Florianópolis (SC) – 20 de setembro de 2012

MINUTO MAÇÔNICO

QUADRILONGO

1º - É um quadrado com dimensões e proporções e de 1 a 2 e é a forma que se dá a um Templo Maçônico.

2º - A proporção perfeita para a construção de um Templo Maçônico é a chamada “proporção áurea”.

3º - Se o templo for realmente orientado no sentido Oeste-Leste, desloca-se com a Terra e vai ao encontro do Sol.

4º - Nas sociedades iniciáticas, Templo é o lugar onde se reúnem os seus adeptos; esotéricamente, é o ser humano ideal e perfeito, que deve ser “edificado” pelos “construtores” da raça; é o Iniciado verdadeiro mas ainda muito raro.

5º - A forma retangular do Templo parece-nos preferível a qualquer outra, prática e simbolicamente. Com efeito, esta forma presta-se perfeitamente para a disposição interna e representa o corredor ou o “caminho” que leva do Ocidente ao Oriente, isto é, em direção à Luz.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

AS TRÊS GRANDES LUZES DA MAÇONARIA, A MORAL E A ÉTICA

AS TRÊS GRANDES LUZES DA MAÇONARIA, A MORAL E A ÉTICA
Autor: Rui Bandeira

As três grandes luzes da Maçonaria são o Compasso, o Esquadro e o Livro da Lei Sagrada.

Talvez o mais conhecido dos símbolos da Maçonaria seja o que é constituído por um esquadro, com as pontas viradas para cima, e um compasso, com as pontas viradas para baixo.

Como normalmente sucede, várias são as interpretações possíveis para estes símbolos.

É corrente afirmar-se que o esquadro simboliza a retidão de caráter que deve ser apanágio do maçom. Retidão porque com os corpos do esquadro se podem traçar facilmente segmentos de reta e porque reto se denomina o ângulo de 90 º que facilmente se tira com tal ferramenta. Da retidão geométrica, assim facilmente obtida, se extrapola para a retidão moral, de caráter, a caraterística daqueles que não se “cosem por linhas tortas” e que, pelo contrário, pautam a sua vida e as suas ações pelas linhas direitas da Moral e da Ética. Esta caraterística deve ser apanágio do maçom, não especialmente por o ser, mas porque só deve ser admitido maçom quem seja homem livre e de bons costumes.

É também corrente referir-se que o compasso simboliza a vida correta, pautada pelos limites da Ética e da Moral. Ou ainda o equilíbrio. Ou a também a Justiça. Porque o compasso serve para traçar circunferência, delimitando um espaço interior de tudo o que fica do exterior dela, assim se transpõe para a noção de que a vida correta é a que se processa dentro do limite fixado pela Ética e pela Moral. Porque é imprescindível que o compasso seja manuseado com equilíbrio, a ponta de um braço bem fixada no ponto central da circunferência a traçar, mas permitindo o movimento giratório do outro braço do instrumento, o qual deve ser, porém, firmemente seguro para que não aumente ou diminua o seu ângulo em relação ao braço fixo, sob pena de transformar a pretendida circunferência numa curva de variada dimensão, torta ou oblonga, assim se transpõe para a noção de equilíbrio, equilíbrio entre apoio e movimento, entre fixação e flexibilidade, equilíbrio na adequada força a utilizar com o instrumento. Porque o círculo contido pela circunferência traçada pelo instrumento se separa de tudo o que é exterior a ela, assim se transpõe para a Justiça, que separa o certo do errado, o aceitável do censurável, enfim, o justo do injusto.

Também é muito comum a referência de que o esquadro simboliza a Matéria e o compasso o Espírito, aquele porque, traçando linhas direitas e mostrando ângulos retos, nos coloca perante o facilmente perceptível e entendível, o plano, o que, sendo direito, traçando a linha reta, dita o percurso mais curto entre dois pontos, é mais claro, mais evidente, mais apreensível pelos nossos sentidos – portanto o que existe materialmente. Por outro lado, o compasso traça as curvas, desde a simples circunferência ao inacabado (será?) arco de círculo, mas também compondo formas curvas complexas, como a oval ou a elipse. É, portanto, o instrumento da subtileza, da complexidade construída, do mistério em desvendamento. Daí a sua associação ao Espírito, algo que permanece para muitos ainda misterioso, inefável, obscuro, complexo, mas simultaneamente essencial, belo, etéreo. A matéria vê-se e associa-se assim à linha direita e ao ângulo reto do esquadro. O espírito sente-se, intui-se, descobre-se e associa-se, portanto, ao instrumento mais complexo, ao que gera e marca as curvas, tantas vezes obscuras e escondendo o que está para além delas – o compasso.

Cada um pode – deve! – especular livremente sobre o significado que ele próprio vê nestes símbolos. O esquadro, que traça linhas direitas, paralelas ou secantes, ângulos retos e perpendiculares, pode por este ser associado à franqueza de tudo o que é direito e previsível e por aquele à determinação, ao caminho de linhas direitas, claro, visível, sem desvios. O compasso, instrumento das curvas, pode por este ser associado à subtileza, ao tato, à diplomacia, que tantas vezes ligam, compõem e harmonizam pontos de vista à primeira vista inconciliáveis, nas suas linhas direitas que se afastam ou correm paralelas, oportunamente ligadas por inesperadas curvas, oportunos círculos de ligação, improváveis ovais de conciliação; enquanto aquele, é mais sensível à separação entre o círculo interior da circunferência traçada e tudo o que lhe está exterior, prefere atentar na noção de discernimento entre um e outro dos espaços.

E não há, por definição, entendimentos corretos! Cada um adota o entendimento que ele considera, naquele momento, o mais ajustado e, por definição, é esse o correto, naquele momento, para aquela pessoa. Tanto basta!

O conjunto do esquadro e do compasso simboliza a Maçonaria, ou seja, o equilíbrio e a harmonia entre a Matéria e o Espírito, entre o estudo da ciência e a atenção às vias espirituais, entre o evidente, o científico, o que está à vista, o que é reto e claro e o que está ainda oculto ou obscuro. O esquadro é sempre figurado com os braços apontando para cima e o compasso com as pontas para baixo. Ambas as figuras se opõem, se confrontam: mas ambas as figuras oferecem à outra a maior abertura dos seus componentes e o interior do seu espaço. A oposição e o confronto não são assim um campo de batalha, mas um espaço de cooperação, de harmonização, cada um disponibilizando o seu interior à influência do outro instrumento. Assim também cada maçom se abre à influência de seus Irmãos, enquanto ele próprio, em simultâneo, potencia, com as suas capacidades, os seus saberes, as suas descobertas, os seus ceticismos, as suas respostas, mas também as suas perguntas (quiçá mais importantes estas do que aquelas…) a modificação, a melhoria, de todos os demais.

Quanto ao Volume da Lei Sagrada, este pode ser qualquer dos Livros de qualquer das religiões que acreditem na existência de um Criador, qualquer que seja a conceção que Dele se tenha, mais ou menos interventor no Universo ou mero Princípio Criador catalisador e e definidor do Universo.

O Livro da Lei Sagrada contém em si as normas básicas da atuação e convivência humanas, referencial para a conduta do homem de bem. Em suma, simboliza o conjunto de regras que a Sociedade determina aceitáveis para que a sã convivência entre todos seja possível, ou seja, A Moral inerente à Sociedade e que todos os que a integram devem respeitar e seguir.

Nas sessões de Loja, o Compasso e o Esquadro são colocados SOBRE o Volume da Lei Sagrada. Não porque se entenda que são mais importantes aqueles do que este, mas, pelo contrário, porque o Volume da Lei Sagrada simboliza a base Moral sobre a qual assenta a Ética de cada um.

Esta, a Ética, defini-a já como o conjunto de princípios que norteiam a determinação e utilização dos meios à nossa disposição para atingirmos os fins que nos propomos.

O Esquadro traça, sobre o pano de fundo da Moral, as linhas éticas que o Homem deve definir para a sua atuação. O Compasso define os limites que essas linhas devem respeitar.

O conjunto de ambos simboliza, assim, também a Ética que, tal como eles assentam no Volume da Lei Sagrada, assenta na Moral sobre que esta se constrói.

Porque a ética sem Moral pode usar esse nome, mas não é verdadeiramente ética – ou então teríamos que aceitar como tal a “honra dos ladrões”, a dita “ética dos criminosos”. A Ética tem que necessariamente ser individualmente construída respeitando e assentando na Moral da Sociedade em que nos inserimos, pois nenhum homem é uma ilha podendo arrogar-se o direito de definir o seu conjunto de princípios fora da Moral da Sociedade em que se insere.

As Três Grandes Luzes da Maçonaria são, assim, o conjunto de símbolos que deve guiar a atividade de aperfeiçoamento do maçom, homem livre de escolher e determinar os Princípios que o norteiam, mas sempre harmoniosamente integrado na Sociedade em que se insere.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com