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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sábado, 26 de agosto de 2023

APRENDIZES E COMPANHEIROS EM VISITA DESACOMPANHADOS DE UM MESTRE

Em 14.04.2023 um Respeitável Irmão da Loja Regeneração Guabirubense, 4100, REAA, GOB-SC, Oriente de Brusque, Estado de Santa Catarina, apresenta a dúvida seguinte:

APRENDIZ E COMPANHEIRO VISITANTE

Desde quando iniciei, fui orientado que Aprendiz e Companheiro não devem visitar outras lojas sozinhos, devem estar acompanhando de um irmão Mestre.

Tivemos um caso recente, onde um Companheiro, sem comunicar os IIr∴, visitou uma Loja de outro Oriente sem a presença de um Mestre de nossa Loja.

Portanto, gostaria da opinião do Irmão sobre o fato e também se possui algo escrito sobre esse tipo de visitação sem a presença de mestre junto.

Desde já muito obrigado pela atenção.

CONSIDERAÇÕES:

No que diz respeito a alguma regulamentação nesse sentido por parte do GOB e em Lojas do REAA, posso lhe afirmar que não existe oficialmente nada que proíba Aprendizes e Companheiros visitarem Lojas regulares desacompanhados de um Mestre Maçom.

Nesse particular, vale lembrar que visitar lojas coirmãs é direito universal de um maçom. Dessa maneira pode-se afirmar que legalmente não há impedimento.

No entanto, em nome da prudência, em se tratando de um Aprendiz recém-iniciado, é cordato, se for possível, que um Mestre Maçom o acompanhe, pelo menos nas suas visitas iniciais, a despeito que isso, como foi dito, não seja uma regra, senão uma “recomendação” amparada pela sensatez, pois um Aprendiz nessa condição, pela sua pouca experiência, possa se constranger e precisar de ajuda, sobretudo se a sua pessoa não for conhecida dos Irmãos da Loja visitada.

Não obstante a isso, entretanto, nada impede que o Aprendiz possa fazer uma visita sem estar acompanhado. Nesse caso, a questão a ser levantada é a de se saber se um Irmão recém iniciado, desconhecido e desacompanhado, está apto a passar pelo telhamento de costume.

Assim, para casos como esse, recomenda-se prudência, já que costumeiramente nos é dito que a prudência tem sido a mãe de todas as virtudes.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

 

OSCAR FINGAL O'FLAHERTIE WILLS WILDE (Dublin, 1854 - Paris, 1900). Influente escritor poeta e dramaturgo britânico de origem irlandesa, autor do Best-seller O retrato de Dorian Gray. Depois de escrever de diferentes formas ao longo da década de 1880, tornou-se um dos dramaturgos mais populares de Londres, em 1890. Em 27 de novembro de 1876, foi Elevado ao Grau 18.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 23 de fevereiro de 1875.

Loja: Apollo University nº 357, Oxford, Inglaterra.

Idade que foi iniciado: 21 anos.

Faleceu aos 46 anos de idade, vítima de meningite.

Grau 3: 25 de maio de 1875.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

HISTÓRIA SINTÉTICA DO RITO BRASILEIRO

Ir∴ Gilmar Bellotti
Grande Regente do Supremo Conclave Autônomo para o Rito Brasileiro

Existe relatos que o Rito Brasileiro teria tido uma origem aparentemente romântica em Pernambuco, quando o comerciante e Maçom José Firmo Xavier pertencente à Grande Loja Provincial de Pernambuco, do Grande Oriente do Passeio, no século XVIII. Segundo alguns autores em 1878, segundo outros, em data muito anterior, ou seja, mais ou menos em 1848, o qual com um contingente além dele, mais 837 Maçons, elaboraram uma Constituição Especial do Rito Brasileiro, colocando o mesmo sob a tutela de D. Pedro II e do Papa. Existem depositados na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, dois documentos que pertenceram à D. Pedro II que nos dão informações sobre esta entidade, mas não há registros de sua efetivação.

O Rito Brasileiro passou por várias tentativas de implantação no decorrer dos anos, mas por problemas as vezes políticos e de interferências externas, não prosperou. Em 1914 o então Grão-Mestre Irmão Lauro Nina Sodré através do Decerto no 500, determinou sua criação, mas não foi adiante por não ter os Rituais, Constituição e uma Oficina Chefe.

Sua vitoriosa e efetiva reimplantação ocorreu em 1968 pelo Irmão Professor Álvaro Palmeira, quando formatou todos os Rituais dos Graus Simbólicos e Superiores (exceto o Grau 33), Constituição, Regulamentos, separando os Graus Simbólicos dos Graus Superiores criando a Oficina Chefe do Rito, dando ao Rito Brasileiro a característica Universal.

O Rito Brasileiro é produto da doutrina, da inteligência e da sabedoria de todos os Ritos que se acomodam no seio na Maçonaria em nosso Território. Assim, Álvaro Palmeira, na condição de Grão-Mestre Geral deixou, nas considerações, do Decreto no 2.080, de 19.03.1968:

“Considerando que a Maçonaria, sem perder esse caráter principal, intrínseco e característico de Instituição Iniciática de formação moral e filosófica, deve, entretanto, está presente ao estudo dos problemas da civilização contemporânea e neles intervir superlativamente, para que a Humanidade possa encaminhar-se, sobre o suporte da Fraternidade, a um mundo de Justiça, Liberdade e Paz, porque não há antagonismo entre a Verdade e a Vida”.

O Rito Brasileiro está inserido nos pressupostos da Ordem, referente à regularidade, à legalidade e à legitimidade. Acata os Landmarks e demais postulados tradicionais da Maçonaria, com os usos e costumes antigos.

Proclama a Glória do Deus Criador o qual denominamos o Supremo Arquiteto do Universo e a Fraternidade dos homens. Estabelece a presença, nas suas Sessões, das Três Grandes Luzes: o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso e emprega os símbolos da construção universal. Pode, dessa forma, ser praticado em qualquer País. Tem, como base ritualística, a da Maçonaria Simbólica (Graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre) sobre a qual se eleva a hierarquia filosófica de 30 Altos Graus (Graus 4 a 33).

O Rito Brasileiro é evolução, é futuro, é o nosso “Jeitão”, sem interferências internacionais. Na sua Oficina Chefe há normas precisas de uma Potência Soberana, Legítima e Legal destinada a cumprir as exigências de Regularidade Internacional; permitir às suas Oficinas o exercício pleno da defesa dos direitos da pessoa humana, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer formas de discriminação; condenar a exploração do homem, a ignorância, a superstição e a tirania; proclamar que o direito ao trabalho, à tolerância, à livre manifestação do pensamento e de expressão constituem apanágios da Franco-Maçonaria, cujo fim é a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, tendo a Justiça como valor inexcedível da sociedade humana fundada na harmonia social e comprometida com a solução pacífica das controvérsias. Isso implica justiça social e, antes de tudo, solução de problemas como fome, subnutrição, doença e habitação; império da Razão que, no contexto do mercado livre, pode ser ferramenta para a divisão harmoniosa dos recursos e das riquezas.

O Rito Brasileiro concilia a Evolução com a Tradição, para que assim, a Maçonaria não se torne uma força esgotada.

Especializa-se no cultivo da Filosofia, Liturgia, Simbologia, História e Legislação Maçônicas e estuda todos os grandes problemas nacionais e universais com implicações ou consequências no futuro da Pátria e da Humanidade. Realiza a indispensável cultura doutrinário-maçônica e também a cultura político-social dos Obreiros. Concilia a Razão com a Fé.

Impõe a prática do Civismo em cada Pátria, porque a Maçonaria é supranacional, mas não pode ser desnacionalizante. Álvaro Palmeira quando da reimplantação vitoriosa em 1968 declarou; “A Maçonaria não tem Pátria, mas, os Maçons a tem.

O Rito Brasileiro conviverá fraternalmente com todos os Ritos Regulares, através das inter-visitações e da multiplicidade de filiação como forma de divulgação de seus ideais. O Rito exige dos Obreiros a Vida Reta e o Espírito Fraterno e suas legendas são: - URBI ET ORBI e HOMO HOMINIS FRATER.

Por ser um Rito Teísta, o que significa: afirmação da existência de Deus, da possibilidade de Deus revelar-se (Revelação Divina), de Deus interferir em nossas vidas (Providência Divina) e a sua concepção de Deus é que ele seja o Supremo Arquiteto do Universo, e não Grande Arquiteto do Universo, pois “grande” não define bem e com profundidade a ideia de Deus, uma vez que “grande” é uma qualificação muito usada frequentemente para definir coisas imensas. Porém, se respeita as concepções de outros Ritos sem quaisquer restrições. O Rito Brasileiro é hoje uma realidade, e, apesar de todos os seus percalços, ele está aí, ele existe e sempre existirá, e vai continuar crescendo dentro de seu espaço, sem molestar ou interferir na prática dos outros Ritos, os quais respeita sem contestá-los.

O Rito Brasileiro está inserido e adotado nas três Vertentes da Maçonaria Regular Brasileira, com mais de 500 Lojas Simbólicas e vários Altos Corpos Filosóficos espalhados em todo Território Nacional. Já rompeu fronteiras com sua Doutrina e Ortodoxia sendo praticado em nosso País vizinho, o Paraguai.

O Rito Brasileiro é o segundo Rito mais praticado no Brasil, crescendo harmonicamente devido a sua identificação com a Cultura Nacional.

Pesquisas:
- Constituição e Regulamento do Rito Brasileiro.
- Rituais do Rito Brasileiro.
- Fernando de Faria - Trechos de seu livro “Rito Brasileiro uma Doutrina

Fonte:  revista-cavaleiros-da-virtude-049-marco-2023/

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

SEGUNDA PESSOA DO PLURAL

(republicação)
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Germano Vieira Filho, Loja Guardiã da Paz, 2.443, Rito Escocês Antigo e Aceito, GOB-RJ. Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro. 
gvfilho@embratel.com.br 

Rogo por esclarecimentos do porque em nossos rituais, os diálogos e outras falas se dão na 2ª Pessoa do Plural. É uma dúvida que gostaria de elucidar agora. 

CONSIDERAÇÕES:

Essa não é uma resposta laudatória, pois demanda talvez de um aprofundamento na pesquisa. É possível que a formalidade britânica tenha influenciado o idioma vernáculo latino a partir dos rituais no Século XVIII, sobretudo no tocante às revelações e obras espúrias que assolaram a Maçonaria. Esses escritos simplesmente revelavam a forma dos trabalhos em Loja (Maçonaria Dissecada de Samuel Prichard e A Ordem dos Franco Maçons Traída de Abade Luiz Perau dentre outras). 

Outra questão é tida inclusive no segredo, já que essa forma, digamos mais polida, se afasta do coloquial dando um rótulo velado para as questões maçônicas que merecem sigilo. Por exemplo: seria bastante comum um bisbilhoteiro perguntar a um maçom – você é Maçom? Já a pergunta original na segunda pessoa, além da formalidade exigida, denota um rótulo original para o tratamento das questões maçônicas, sobretudo na sua dialética. 

Na Inglaterra um “cowan” jamais poderia saber do feitio dialético maçônico. Ilustrando o termo “cowan” vem de um dialeto escocês e significa “aquele que assenta pedra sem argamassa”. Essa definição, trocando em miúdos, materializa o “picareta” e, por extensão em maçonaria é aquele que não sendo iniciado, tenta bisbilhotar os trabalhos regulares. 

T.F.A. 
PEDRO JUK
Fonte: JB News – Informativo nr. 0984, Florianópolis (SC) – terça-feira, 14 de maio de 2013

A VERDADEIRA MAÇONARIA

Wilson Namorato
Verdade, dizia Aristóteles, é a perfeita equação entre a imagem intelectual e o objeto. A Maçonaria para ser verdadeira deve estar em perfeita correspondência com os objetivos do Grande Arquiteto do Universo, considerando-se que ela é oriunda da inspiração divina e destina-se a manter no mundo um foco de luz capaz de iluminar as almas, erguendo o facho fulgurante dos eternos princípios dignificadores do homem.

A Maçonaria não é uma Obra exclusivamente humana, não nos referimos à parte material, administrativa, mas ao âmago, ao centro vital produtor da espiritualidade maçônica. Existiu na antigüidade sob outros nomes e com outras roupagens, e modernamente foi organizada sobre a base operativa preexistente, criando-se a analogia entre a pedra material e a construção espiritual. Quando nos referimos à Verdadeira Maçonaria temos em vista algo profundo e vital.

Destruir a Universalidade da Maçonaria, restringindo-a a um só país, é minar-lhe a existência. Como maçons, professamos a crença de que é nosso dever unir os homens de todos os países e procurar firmar entre eles a verdadeira amizade. Devemos manter nossa presente posição de caráter e de civilização, por meio de nossa ação em todo o mundo. Professamos imutável fé na Paternidade Divina e na Fraternidade Humana; nem as fronteiras das nações, nem as águas dos mares, nem as peculiaridades das línguas poderão impedir nossa união com os Irmãos de todo o mundo.

Sendo esse o caráter da Maçonaria, sua essência, não podemos nem devemos pregar lutas ou faccionismos, aliás, não pretendemos divisões que não são nem podem ser chamadas Maçonaria. Iniciamos a Era de Aquários, e marchamos para a unificação da humanidade. A Maçonaria, eterna depositária de maravilhosas verdades, não pode ficar estratificada, dividida, ao contrário, a Verdadeira Maçonaria rejuvenesce com a juventude dos séculos, e é eternamente uma florida primavera espiritual.

Quando dizemos – Verdadeira Maçonaria – estendemos as forças espirituais organizadas em base de concórdia e união, e não queremos falar em facções, pois se há facções já não há Maçonaria, deixa, portanto de existir a Verdade, porque na Mente do Grande Arquiteto do Universo, translucidamente gravada na amplidão da Natureza, tudo é unidade, universalidade, na infinita dispersão do Bem, do Bom e do Belo. Distinguimos perfeitamente entre Verdadeira Maçonaria e Verdadeiros Maçons; “o testemunho de um Maçom e a prova do seu credo, de seu caráter, não estão nos conselhos que ele dá ou na sabedoria que mostra, mas unicamente na retidão de sua vida”.

Fonte: Revista Arte Real nº 06

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

SUBSTITUIÇÃO DAS LUZES

(republicação)
Questão que faz o Respeitável Irmão José Aparecido dos Santos, Loja Justiça, nº 12, REAA, e Loja Frederico Chaulbaud Biscaia, 119, Rito Moderno ou Francês, Grande Oriente do Paraná (COMAB), ambas do Oriente de Maringá, Estado do Paraná. aparecido14@gmail.com 

Meu amigo, irmão, para minha compreensão de um eterno aprendiz, vejo as mudanças de cargos em Loja e gostaria de uma melhor compreensão. 

1 - Cargo de Venerável Mestre: Na falta deste, quem assume é o Primeiro Vigilante em Sessão Econômica, se for em Sessão Magna, deverá assumir o Mestre Instalado mais antigo de cargo, correto? E em sessão econômica, na falta do Venerável Mestre, Primeiro Vigilante, que assume é o Segundo Vigilante, correto? 

2 - Cargo de 1º Vigilante: Quando este falta, quem assume este cargo é o 2º vigilante ou o 1º Experto? Sendo esta uma dúvida e discussão de ritualística que temos tido com alguns irmãos! Gostaria de uma melhor compreensão sobre as faltas que houver nos Cargos das Luzes da Loja. 

CONSIDERAÇÕES:

Mano José Aparecido. Creio que há certa similaridade com uma questão apresentada por um Irmão do Oriente do Espírito Santo. Assim, estou lhe enviando a mesma. Caso tenhas mais alguma dúvida, retorne a questão. 

Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Marcos André Malta Dantas, sem declinar o nome da Loja, Grande Loja do Espírito Santo, Oriente de Vitória, Estado do Espírito Santo. Tenho uma duvida recorrente. Sabemos que quando o Segundo Vigilante falta o Irmão Experto é que ocupa seu lugar, mas quando o Irmão Primeiro Vigilante falta, existem duas alternativas, a primeira descrita no livro do Irmão Denizart, que o Segundo Vigilante ocupa o malhete e o Experto a coluna do Segundo Vigilante, mas lendo o Irmão Xico Trolha no seu livro cargos em maçonaria, diz: quando ocorre falta do Primeiro Vigilante, o Irmão Primeiro Experto assume o malhete, ficando o Segundo Vigilante no seu lugar. Qual a sua opinião? Em consulta ao Eminente Grão-Mestre ele concordou com o Irmão Xico Trolha. 

CONSIDERAÇÕES 

Verdadeiramente quem substitui o Segundo Vigilante em caráter precário é o Primeiro Experto. No caso da ausência do Primeiro, assume em seu lugar o Segundo e, por conseguinte o Primeiro Experto ostenta o malhete ao Meio-Dia. 

Comentando o saudoso Irmão e amigo “Xico”, discutíamos em não raras vezes o assunto, fato que o autor faria uma revisão corrigindo esse equívoco. Em princípio, comentava o mano Xico, que a sua opinião estava presa à posição topográfica assumida pelo Primeiro Experto no Rito Escocês, fato que dava a impressão que pela proximidade com o Primeiro Vigilante ele seria o seu substituto imediato. 

Com o aprofundamento das pesquisas, notou-se que a concepção estava equivocada, pois pela hierarquia das Luzes da Loja, na ausência do Primeiro Vigilante (segunda Luz da Loja), assume o Segundo Vigilante (terceira Luz da Loja). 

Assim, na ausência do Segundo Vigilante na Coluna do Sul pelo motivo de substituição ao Primeiro Vigilante, é que o Primeiro Experto entra em ação para ocupar o posto vago no Sul. 

Infelizmente, o saudoso Mano resolveu descansar na sombra da Acácia sem que antes tivesse feito à correção do tópico na sua obra Cargos em Loja. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 0982 - Florianópolis (SC) – domingo, 12 de maio de 2013

FRASES ILUSTRADAS

PRIMEIRO DEVER DO VENERÁVEL

Ir∴ Valdemar Sansão

O primeiro dever do Venerável é criar futuros bons Veneráveis

Instalação e posse

Nas Grandes Lojas do Estado de São Paulo (GLESP), na abertura solene da Cerimônia de Instalação e Posse do Venerável Mestre, o dirigente roga o auxílio do Grande Arquiteto do Universo para que aquele ilustre Irmão, M.·.M.·. que foi legalmente eleito para exercer o cargo, seja dotado de sabedoria para compreender, de discernimento para julgar e de meios para executar a Sagrada Lei, para que possa guiar e governar com Retidão, Verdade e Justiça sua Aug.·. e Resp.·. Loj.·. Simbólica.

O papel do Venerável é parecido com o do maestro de uma orquestra. Pode ensinar a teoria da música e tirar sons de um instrumento musical. Mas precisa ter a habilidade para juntar tantos músicos diferentes e fazê-los tocar a música em harmonia. Levá-los a executar a música em uníssono (no mesmo tom, ao mesmo tempo). Ele deve ser capaz de proporcionar essa habilidade ao grupo.

Preparação do eleito

O que acontece com aquele que acaba de ser eleito para dirigir sua Loja? Acreditamos como base imutável do trabalho de preparação do mesmo a valorização e apoio ao Irmão, independente do Rito praticado, uma vez que os Ritos são respeitáveis e contêm, em suas essências, a necessidade da Construção Social dos Maçons. É uma providência muito usual, às vesperas da “passagem do malhete”, o Resp.·. Ir.·. Delegado Regional promover uma reunião dos Mestres Instaladores e dos Veneráveis Eleitos com o objetivo de eliminar dúvidas sobre a realização do ato.

O treinamento breve e superficial, onde nem sequer os interessados se apercebem da grandiosidade que significa a Cerimônia, pode ter um impacto negativo no desempenho do futuro Venerável, se esses Irmãos não tiveram apoio e acompanhamento necessário para que sejam bem sucedidos nessa tarefa de tanta responsabilidade. A Potência espera muito dos novos Veneráveis e lhes cobrará conhecimento, desembaraço, responsabilidade, eficiência e acertos. Mas os Veneráveis por seu lado, sabem das dificuldades pelas quais irão passar e têm a expectativa, a curiosidade, a vontade do acesso a uma orientação oficial preparatória, segura, através da Potência. Um têm a expectativa do outro.

Sabemos que nada mais lógico e razoável seria a existência de um compêndio elementar destinado ao Venerável eleito, onde pudesse buscar a técnica de dirigir e orientar os seus liderados nos rudimentos da arte, da filosofia, da ciência e da doutrina, antes de iniciar seu Veneralato.

Missão do Venerável

Inspirar seus liderados a viverem uma vida melhor, cada um dando o melhor de si, lembrando-lhes da sua missão e dos valores que regem a vida maçônica: amor, honestidade, humildade, paciência, educação, bondade, compromisso, respeito, abnegação, perdão.

O Venerável, é o instrumento de ligação entre todos os elementos que constituem a sua Loja e os delegados do Grão-mestre. Não gerencia os Irmãos, influencia e os lidera para darem o melhor de si.

Conceitos de liderança

A maioria dos candidatos ao cargo de Venerável Mestre, tem o desejo sincero de exercer liderança da melhor forma possível. No fundo, as pessoas anseiam por uma vida significativa e satisfatória e, por isso, procuram por alguma coisa especial que faça aflorar o que eles têm de melhor. De preferência, buscam uma harmonia entre seus valores pessoais e os valores da Instituição.Uma coisa é certa: os Irmãos querem fazer parte de algo especial; de uma Loja da qual possam se orgulhar, e ao termino dos trabalhos que todos fiquem felizes porque se sentem fazendo a coisa certa.

Defendemos a tese de que a liderança não é poder e sim autoridade, conquistada com amor, dedicação e respeito pelos liderados.

Liderar significa conquistar os Irmãos, envolvê-los de forma que coloquem o coração, mente, espírito, criatividade e excelência à disposição da Loj.·. e da Ordem. É preciso fazer com que haja o máximo empenho na missão, dando tudo pelo conjunto.

Lembremos, outrossim, de que não é preciso ser Venerável da Loja para ser um lider e influenciar os Irmãos a terem mais entusiasmo, mais empenho e mais disposição – enfim, para se tornarem o melhor que podem ser.

O que define a palavra liderança é a capacidade de influenciar os Irmãos para o bem. Na verdade, na Loja todos são líderes, assumindo cada um a responsabilidade pessoal pelo sucesso da Oficina.

Limitações

Os humildes consideram sua liderança uma enorme responsabilidade e levam muito a sério a posição de confiança e os Irmãos a ele confiados. O Venerável sabe que os Irmãos vão cometer erros. Os VVig.·., o Orador, o M.·. de CCer.·., o Secretário e outros – muitas vezes, vão decepcioná-lo, vão magoá-lo, não se esforçarão como ele acha que deveriam e alguns não reagirão aos seus esforços. Por isso, aceitam as limitações nos outros e tem uma enorme capacidade de tolerar a imperfeição.

Autêntico, ele não posa de sábio, está sempre disponível e, de certa forma, vulnerável, porque tem sempre seu ego sob controle e não se baseia em ilusões de conhecimento por “iluminismo do Alto”, de grandeza, acreditando que é indispensável para a Instituição. Sabe muito bem que “os cemitérios estão repletos de pessoas indispensáveis”.

Seguro de suas forças e limitações, o Venerável humilde está consciente de que só com a ajuda de todos será capaz de manter as coisas em sua devida perspectiva.

Os menos humildes, não devem ficar ressentidos com as coisas que machucam e desapontam. Devem lembrar-se de que qualquer um pode liderar pessoas perfeitas – se elas existem - o que não devem esquecer jamais os que optam por liderar é que devem servir: “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo” (Jesus Cristo).

Muitos dos que assumem a liderança de sua Loja, enganam-se achando que é sua vez de serem servidos, agora que se tornaram líderes. A todo verdadeiro Maçom cabe tal responsabilidade: ” deve servir nunca se servir”.

Responsabilidade

O Mestre Instalado vai se apropiando de idéias dentro de si, interprenetrando a fusão de culturas, tradições, sentimentos, em estilo cultural comum, cabedal de conhecimentos adquiridos ao longo do tempo e burilados durante a sua presença à frente dos cargos que desempenhou na Loja, conhecimentos esses que deverá necessariamente ser posto de forma total “em pé e à ordem” da Sublime Instituição.

Conflitos

Obviamente, uma Loja Maçônica não é um lugar sem conflitos. Afinal, quando duas ou mais pessoas se reúnem para um propósito, uma coisa é certa, haverá conflito (especialmente se a Loja for saudável). O interessante é usar a inteligência para encontrar o caminho da comunicação entre os Irmãos e transformar a Loja num local onde os conflitos são solucionados e os participantes aprendam a não evitar divergências – mas a ter respeito, a escutar, a ser assertivos uns com os outros, a ser aberto a novos desafios, a valorizar a diversidade que existe em qualquer equipe saudável.

NÃO àquelas alianças destrutivas entre dois ou mais Irmãos que preferem falar dos outros (panelinhas), em vez de levantarem o problema para toda a Loja, a fim de que se encontre uma solução. NÃO aos integrantes dessas “panelinhas” que não têm a coragem moral de fazer a coisa certa em momentos de desafio e controvérsia.

Os Irmãos Jubelos existem sempre, são justamente os veículos necessários, como Pedro e Judas o foram para Jesus. Um o traiu antes da morte; o outro, O negou em vida por três vezes.

Simbolizam os três assassinos as expressões da nossa natureza material, os que fazem oposição aos nossos bons sentimentos; os assassinos podem ter outros nomes: Ignorância, Fanatismo e Ambição.

Essas fases negativas poderão ser, com o auxílio de nossos Mestres, transformadas em Sabedoria, Tolerância e Amor.

Disciplina

É uma palavra cuja raiz vem de discípulo, que é aquele que recebe ensinamento ou treinamento.

Lembrem-se de que disciplinar não é punir e humilhar os Irmãos. O objetivo é levá-los para o caminho certo, ajudando-os a se tornarem melhores, a vencer e ser bem-sucedidos e que respeito não é algo que se ganha quando se torna Ven.·. O respeito assim como o reconhecimento é conquistado pouco a pouco e exige que as partes renunciem interesses pessoais pelo bem maior, para que o todo se torne maior do que a soma de suas partes. Isso nos ensinou o Mestre dos Mestres: “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva”; “e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo” Qualquer um que queira ser um lider deve primeiro ser o servidor. Servir uns aos outros, conforme o dom que recebeu.

Venerável Mestre, Deus em sua infinita sabedoria, o colocou como dirigente de sua Loja, lugar onde pode aprender com eficiência e servir melhor. Hoje o imaginei recitando a magnífica Oração de Amor de São Francisco de Assis, adaptada para nossos dias:

“Ó Senhor, fazei de mim instrumento de tua paz:
Onde há ódio, faze que eu leve Amor e uma palavra de união;
onde há ofensa que eu leve o Perdão;
onde há discórdia e onde tantos procuram ser servidos, que eu leve a alegria de servir;
onde há dúvida, que eu leve a Fé;
onde há erro, que eu leve a Verdade;
onde tantos fecham a mão para bater, que eu abra meu coração para acolher;
onde há desespero porque a vida perdeu o sentido, que eu leve o sentido de viver, que eu leve a Esperança;
onde tantos sofrem a solidão que faz morrer, que eu seja o amigo que faz viver;
onde há tristeza, que eu leve a Alegria;
onde há trevas, que eu leve a Luz.

Ó Mestre faze que eu procure menos ser consolado do que consolar;
ser compreendido do que comprender;
ser amado do que amar;
onde tantos adoram a máquina, que eu saiba venerar o homem;
onde tantos endeusam a técnica, que eu saiba humanizar a pessoa;
onde tantos pedem o pão, que eu saiba ensinar a plantar o trigo;
onde tantos estão distantes, que eu seja sempre presente.

Porquanto – é dando que se recebe;
é perdoando que se é perdoado;
e onde tantos morrem na matéria que passa que eu viva no espírito que fica;
pois, é morrendo que se ressuscita para a vida eterna.
Onde tantos olham para a Terra, que eu saiba olhar para o Céu”.

Ao passar o cargo

Finalmente, se na Palavra sobre o ato realizado, algum Ir.·. pedir a palavra e quiser falar sobre a mais elevada distinção de reconhecimento que um obreiro pode almejar de sua Loja, que não fale por muito tempo.

Digam para não mencionar carreira da vida profana ou maçônica – isso não é importante. Falem que um dia foi plantado uma semente, minúscula, e que nasceu a plantinha que ajudamos a adubar, a regar, a podar esta pequena árvore cresceu, floriu, deu frutos e hoje nossa Loja com nome, número, Carta Constitutiva Definitiva, Estandarte e Hino no qual se enaltece a glória de Deus, do Patrono e da história da Loja.

Digam para não mencionarem Iniciações, Elevações, Exaltações ou Filiações realizadas, pois essas fazem parte das atividades normais de uma Oficina.

Façam sim, referência ao nosso denodo para ajudar os outros. Que tentamos amar qualquer um e a todos os Obreiros. Que procuramos ser justos.

Digam que não mencionem o sucesso que a Loja teve no equilíbrio das finanças, no trabalho sem igual da Secretaria, nas atividades da Chancelaria, isso não é importante.

Falem do esforço em arrecadar o possível para que nossa Hospitalaria pudesse apoiar as Associações que alimentam os moradores de rua, os que têm fome, que vestem os nús. Lembrem que acompanhamos os Irmãozinhos e familiares em suas enfermidades.

Concluindo

Ensinando, pesquisando, conversando, trazendo novas idéias à baila, mas principalmente revelando, em todos os momentos e ocasiões, o extremo dinamismo e amor à Ordem, que devem caracterizar aqueles que, um dia, tiveram a honra de ocupar o Trono de Salomão. Certo é que todos deixam sua marca na equipe – a única questão é o tipo de marca que cada um quer deixar.

E quando, por fim, formos atingidos pela foice da noite, nosso espírito poderá erguer seu vôo de fronte altiva e satisfeito conosco mesmo, chegar aos pés do Redentor, cobrindo as marcas de nossos pés cansados, de mãos vazias, mais calejadas por termos legado à Humanidade a dádiva de uma existência que comoverá pela tenacidade, beleza, grandeza e pela abnegação que procuramos servir nossos Irmãos, nossa Loja e a Humanidade...

Fonte: http://goeam.com.br

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

QUESTÕES RELATIVAS ÀS ORIGENS DO ESCOCESISMO

Em 13.04.2023 o Respeitável Irmão João Artur Gusmão Rodrigues, Loja União Mística, 2440, REAA, GOB-SC, Oriente de Videira, Estado de Santa Catarina, apresenta as dúvidas seguintes:

ORIGENS DO REAA

Primeiro gostaria de agradecer a sua disposição de responder prontamente as perguntas formuladas anteriormente sobre a alegoria das Provas, Viagens e Purificações. Se o Irmão se interessar, posso enviar mais tarde o trabalho que fiz sobre esse tema.

Mas o que me faz contatar o Irmão novamente é que agora estou iniciando uma pesquisa para outro trabalho, desta vez, sobre a origem do REAA. Assim pergunto ao Irmão:

1. Porque Escocês, Antigo e Aceito?

2. O Irmão em um “post”, afirmou que o REAA foi constituído de cima para baixo, ou seja, iniciou pelos altos graus. Qual seria esse rito? O Rito de Heredon? (que é o mesmo Rito de Perfeição?)

3. Qual o papel de Etienne Morin na criação do REAA?

4. Qual o papel, se é que teve influência, do discurso de Ransay para a criação dos altos graus?

CONSIDERAÇÕES:

Resposta para a pergunta nº 01 – No REAA esse nome se deve à família dos Stuarts que por diversas vezes ocuparam o trono da Inglaterra. Os Stuarts eram naturais da Escócia e estiveram envolvidos em acontecimentos que, direta e indiretamente, iriam influenciar nas origens do REAA em solo francês.

Na verdade, com a decapitação de Carlos I, rei católico da família stuartista, a sua viúva, a rainha Henriqueta de França recebe exílio político de Luiz XIV, rei da França.

Com isso a rainha viúva e seu séquito acabariam se instalando no Norte da França em Saint-Germain-em-Laye e, sob a capa de Lojas Maçônicas conhecidas como Guardas Irlandeses, ou Regimento Walch, tramaram em solo francês a retomada do trono inglês para reconduzir Carlos II à coroa inglesa. É oportuno lembrar que em 1649 Carlos I havia sido decapitado por conta da Revolução Puritana de Cromwell.

À vista disso, a presença de parte da família dos Stuarts no Norte de França acabou sendo um elemento importante que influenciou diretamente o sistema da vertente maçônica “escocesista” na França. Nesse contexto, a documentação básica do escocesismo ficaria composta na seguinte ordem: pelo discurso de André M. de Ramsay, pelo Capítulo de Clermont, pelo Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente (Pirlet) e finalmente pelo Rito de Perfeição, ou de Heredom.

Assim, todo esse movimento maçônico escocesista, stuartista e jacobita teve sua semente plantada a partir da presença política dos Stuarts no Norte da França a partir de 1649.

Graças a isso é que o título “escocês” passou a ser conhecido como um dos elementos de identificação dessa vertente maçônica constituída em solo francês.

Resposta para a pergunta nº 02 – Na verdade, o Rito intitulado Escocês Antigo e Aceito inicialmente estava ligado apenas aos Altos Graus. Vários fatores fizeram com que o Rito de Heredom, ou de Perfeição, com seus 25 graus originais saísse da França em direção a América Central e, posteriormente, aos EE. UU. da América do Norte.

Em linhas gerais, esse rito ao chegar na América pela carta conhecida como a Patente de Étienne Morim acabou se transformando em um rito de 33 graus, resultando na fundação e so Supremo Conselho do REAA.

Em face à guerra dos mulatos que ocorria ao final do século XVIII e início do século XIX em São Domingos, o rito foi levado da América Central à America do Norte. Dessa maneira, mais precisamente em Charleston na Carolina do Sul, a 31 de maio de 1801, sobre o paralelo 33 da Terra, era então fundado o 1º Supremo Conselho Mãe do Mundo para o REAA.

Desse modo, o Rito de Heredom, com seus originais 25 graus, acabaria se transformando no REAA com os 33 graus.

Nessa conjuntura, a patente de Morin possuía o desiderato de fundar, ao redor do mundo, outros Supremos Conselhos.

Essa condição de formar outros Supremos Conselhos com altos graus, inicialmente não se preocupava com o franco-maçônico básico universal composto pelos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre.

Foi dessa forma que REAA, então recém fundado, na verdade não possuía simbolismo, ou seja, dos seus 33 graus o rito realmente possuía 30 graus, cujos quais se iniciavam no 4º grau e iam até o 33º.

No REAA, a lacuna deixada pela falta dos três primeiros graus elementares e universais da Maçonaria foi resolvida em solo norte-americano em se emprestando esses graus do sistema das Lojas Azuis norte-americanas.

Por esse motivo, o REAA, filho espiritual da França (latino por excelência), nascia nos EE. UU. da América do Norte e no princípio trabalhava emprestando os três primeiros graus do sistema norte-americano (anglo-saxônico) que trabalhava conforme os “antigos” da Grande Loja rival dos “modernos” de 1717.

Com os três primeiros graus emprestados das Lojas Azuis o REAA então passava a contar com 33 graus, ou seja, três emprestados e outros 30 originais. Em solo norte-americano a questão parecia resolvida, todavia, o mesmo não se daria quando do retorno do REAA à França, quando este teve necessariamente que construir os seus primeiros rituais para o simbolismo, o que ocorreria em 1804, já que na Europa, distante da América do Norte, o sistema das Blue Lodges era completamente desconhecido.

Nessa época a Maçonaria francesa também vivia através de uma das suas vertentes, a influência da Primeira Grande Loja de Londres que havia sido fundada em 1717 e era conhecida pejorativamente como a Grande Loja dos Modernos (vide a história das duas Grandes Lojas rivais na Inglaterra).

Resposta para a pergunta nº 03 – Como já comentado anteriormente Étienne Morin trazia consigo uma patente para a fundação de novos Supremos Conselhos ao redor do mundo. Essa patente, por razões desconhecidas, acabaria nas mãos de Grasse Tily, Frederick Dalcho, dentre outros, todos fundadores do Primeiro Supremo Conselho.

A bem da verdade, alguns autores atribuem a Grasse Tilly a fundação, antes do de Charleston, de um Supremo Conselho em 1801 nas Índias Ocidentais, também conhecidas como São Domingos.

Relata-se ainda que que esse Supremo Conselho - que supostamente apareceu antes do de Charleston - seria desconhecido, ou “abafado” pelos norte-americanos.

De tudo, o fato é que foi sob essa patente conhecida como a Carta Patente de Morin que houve o engodo de que Frederico, o Grande, Rei da Prússia havia presidido uma reunião para a elaboração das Grandes Constituições de 1786. Dizem alguns que Frederico, nessa ocasião recomendava o aumento de 25 para 33 graus.

Na verdade, isso mais parece ter sido alguma estratégia de Tilly junto com os demais seus companheiros do que algo que mereça crédito, já que primeiramente o Rei Frederico normalmente dizia detestar qualquer grau acima do 3º - chamava de “ocos e vazios”. Em segundo lugar, seria impossível que Frederico o Grande, presidisse a reunião para a construção das Grandes Constituições, então escritas em maio de 1786, pois desde fevereiro daquele ano o Rei se achava entrevado em uma cama que lhe serviria em breve como leito de morte.

Por essas razões, experts desmentem a participação de Frederico o Grande na elaboração das Constituições de 1786. Desafortunadamente, mesmo assim ainda muitas autoridades do REAA preferem o fazer de conta e voltam os olhos para o lado contrário de onde se encontra a verdade.

Étienne Morin em si não teve nada a ver diretamente com isso, salvo ter possuído a patente que inexplicavelmente acabou um dia em mãos de Grasse Tilly, Delahogue, Dalcho, John Mitchel, Isaac Himann Long, etc.

Resposta para a pergunta nº 04 – Na conjuntura da Maçonaria, e particularmente para o escocesismo, André Michael de Ramsay, nascido na Escócia, filho de pai protestante, tentou proferir seu famoso discurso que, sob a sua óptica, afirmava que a Maçonaria não era herdeira dos construtores da Idade Média, mas tinha sim origens na Ordem da Milícia da Ordem do Templo, comumente conhecida como Templários. Evidentemente esse foi um ufanismo de Ramsay, pois na verdade ele propunha mesmo era uma aristocratização da Maçonaria, elegendo títulos pomposos para os altos graus que mais satisfaziam mesmo, em alguns casos, a vaidade de alguns. Ramsay teve o seu discurso proibido na França pelo cardeal Fleury, embora posteriormente ele tivesse sido impresso e divulgado.

De certo modo, os devaneios de Ramsay não foram levados muito a sério, em que pese a característica de altos graus acabasse se coadunando de maneira organizada na Maçonaria intitulada escocesista. À vista disso, o discurso de André Miguel de Ramsay acabou se constituindo em um dos elementos básicos para a construção do escocesismo na França.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

PÍLULAS MAÇÔNICAS

 nº 08 - Aprendiz

A palavra tem origem no tempo dos Maçons Operativos. Os Maçons da Idade Média formavam um grupo seleto e era a mais alta classe de artesãos naquele tempo. Isso requeria boa saúde, personalidade de moral impecável, alta inteligência, para ser um excelente Maçom Operativo, permitido trabalhar nas grandes casas de Deus, as magnificentes Catedrais, que era o seu trabalho.

Os operativos eram orgulhosos de suas habilidades, de sua reputação e da rigorosidade de suas leis.

Para se tornar um Maçom, um jovem era escolhido para servir por aproximadamente sete anos no aprendizado, antes de ser permitido fazer e submeter aos seus superiores, sua “Peça de Mestre” e ser admitido como um “Companheiro” da Ordem.

Antes dele começar o aprendizado, ele passava por uma prova, num curto período de tempo, onde deveria mostrar ser possuidor das qualificações necessárias de habilidade, decência e probidade. Somente depois disso é que ele era “registrado” como Aprendiz. É por isso que na Maçonaria inglesa e americana, ainda se encontra, na maneira de escrever, esse fato: “Entered Apprentice”.

Originalmente um Aprendiz não era considerado como membro da Ordem, mesmo após ter sido registrado no livro da Loja. Somente após ter passado seu aprendizado e ter sido aceito como “Companheiro” é que ele se tornava um legítimo membro da Ordem Maçônica. Esse comportamento foi aos poucos se modificando e após 1717, Aprendizes iniciados numa Loja faziam parte do conjunto constituinte da Ordem.

O Ritual nos ensina que o Aprendiz é o símbolo da juventude, o Companheiro é o símbolo da maturidade e o Mestre o da velhice. Provavelmente esse conceito é derivado do fato que, de modo geral, discípulos, iniciantes, são jovens; os experimentados são homens já formados na idade; e os criteriosos e informados, formam o grupo mais idoso.

Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com

PAVIMENTO MOSAICO

Rui Bandeira
Em todas as Lojas maçónicas regulares está presente, em todo ou em parte do solo da sala onde ocorrem as sessões de Loja, um pavimento mosaico, constituído por um conjunto de quadrados brancos e negros, colocados alternadamente entre si.

O símbolo remete claramente para a dualidade - mas também para a harmonia entre os opostos. Cada quadrado de uma das cores está rodeado de quadrados da outra cor. É assim frequente referir-se ao recém-iniciado que o pavimento mosaico representa a sucessão entre os dias e as noites, o bem e o mal, o sono e a vigília, o prazer e a dor, a luz e a obscuridade, a virtude e o vício, o êxito e o fracasso, etc.. Mas também a matéria e o espírito como componentes do Homem. Ou, simplesmente, recordar que, como resulta da lapidar equação de Einstein, a matéria é composta por massa, mas também por energia.

O dualismo provém de antigas tradições humanas. A civilização suméria dotava os seus templos de piso em pavimento mosaico, que só podia ser pisado pelo sacerdote no mais alto grau da hierarquia e só em dias de eventos importantes. Convencionou-se que o Santo dos Santos do Templo de Salomão teria um pavimento mosaico.

A filosofia pitagórica postulava que o UM se transformava em DOIS refletindo-se a si próprio e separando-se, original e reflexo, sendo assim o UM o princípio criador estático e o representando o DOIS a dinâmica da Criação. A interação entre o UM e o DOIS gerou o TRÊS, a Criação. Esta resultou, assim, da interação entre o estático e o dinâmico.

De onde resulta que a dualidade é fecunda, que é necessária a presença da dualidade para haver criação. Mas resulta ainda mais do que isso: não basta que exista dualidade, tem que haver interação entre os opostos para que a criação aconteça. Não bastam dois opostos estáticos; é necessário que esses dois opostos sejam dinâmicos e interajam entre si. Não basta, assim, a dualidade, é necessária a polaridade.

O pavimento mosaico recorda-nos assim que a vida é feita de contrastes, de forças opostas que se influenciam entre si, e que é através dessa influência mútua que ocorre a mudança, o avanço, a evolução. No fundo, a antiga asserção de que toda a evolução se processa através do confronto entre a tese a a antítese, daí resultando uma síntese, que passa a constituir uma nova tese, que se defrontará com outra antítese até se realizar uma nova síntese, que é um novo recomeço, assim e assim sucessivamente numa perpétua evolução...

Assim sendo, o que tomamos por mal, por desagradável, o que procuramos evitar, sendo-o assim, não deixa, porém, de ser necessário - pois é do confronto desse mal com o bem, do que queremos evitar com o que gostaríamos de conservar, daquilo que nos desagrada com aquilo que nos conforta, que resulta avanço, mudança, tendencialmente progresso (tendencialmente, porque nada se deve tomar como garantido: por vezes, a mudança mostra-se retrocesso...).

Nesse sentido, o bem, por si só é estático e estéril. O bem só evolui em confronto com o mal. É desse confronto entre ambos que resulta algo, é esse confronto bipolar que é fecundo. Aliás, em bom rigor, só podemos definir o bem em confronto com o mal, tal como necessitamos da sombra para bem apreender o que é a luz... Se Adão permanecesse no Paraíso, ainda hoje Adão seria Adão e nada mais do que Adão, feliz com sua nudez, mas inapelavelmente boçal. Foi o mal da expulsão do Paraíso que obrigou Adão a deixar de ser mera criatura e passar a ser homem; ou seja, a Humanidade só evolui porque sempre necessitou de se confrontar com o perigo, com a fome, com a necessidade, em suma, com o mal, e teve de superar todos os sucessivos obstáculos para atingir sucessivos patamares de bem, de satisfação, sempre confrontada com novos perigos, obrigando a novas superações. É ao superar os sucessivos obstáculos com que se depara que o Homem se supera a si mesmo.

O Pavimento Mosaico não é um espaço estático. É um caminho, com luzes e sombras, com espaços agradáveis e veredas desagradáveis, com seguranças e perigos. Ficar num quadrado branco e dele não sair não leva a lado nenhum... É necessário enfrentar a dualidade com que nos deparamos, suportar a polaridade inerente a tudo o que nos rodeia e, afinal, inerente a nós próprios e... fazer-nos à vida! Se tomarmos mais opções certas do que erradas, teremos mais sínteses brancas do que negras e desbravaremos um caminho de avanço. Se ou quando (porque é quase que inevitável que esse quando, muito ou pouco, cedo ou tarde, sempre apareça...) enveredamos por opções erradas, acabamos por cair em sombria síntese e deparar com retrocesso e não com o desejado progresso. Mas ainda assim, a solução não é ficar onde se foi parar, com receio de novo retrocesso: é prosseguir com nova síntese, efetuar nova opção, desejavelmente que se revele boa, para melhor sorte nos caber. E assim, em perpétuo movimento, em contínua progressão de inesgotáveis sínteses, o homem avança desde a sua tese inicial até à sua derradeira síntese... que, do outro lado da cortina descobrirá que não foi um fim, mas apenas um novo recomeço, uma nova tese para, noutro plano, se confrontar com fecunda antítese...

Um simples pavimento mosaico serve de ponto de partida para a mais profunda especulação. Basta atentar e meditar e estudar e trabalhar dentro de si mesmo, juntando a intuição à razão (outra dualidade; ou melhor, polaridade, de fecunda potencialidade...). O Pavimento Mosaico, se atentarmos na sua perspetiva dinâmica, recorda sempre ao maçom que o principal do seu trabalho não se efetua na Loja, na execução do ritual, na realização de tarefas de Oficial, na discussão de pontos de vista. O principal do seu trabalho faz-se no confronto de si consigo próprio, no uso frequente e equilibrado das duas grandes ferramentas de que dispõe naturalmente, a sua Razão e a sua Intuição, para trilhar sozinho os seus caminhos (e descobrir que, afinal, encontra frequentemente outros nos cruzamentos a que vai chegando). Por isso, o maçom deve reservar sempre uma parte do seu dia para efetuar a mais fecunda atividade que pode efetuar: pensar, meditar, especular. Tem as ferramentas. Só precisa de as usar. Dia a dia. E quanto mais as usar e quanto mais frequentemente as usar, mais fácil é esse uso, mais gratificante é o seu trabalho. Também dentro de cada um de nós há um pavimento mosaico, disponível para o percorrermos e nele ir tão longe quanto cada um quiser e puder!

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

terça-feira, 22 de agosto de 2023

CONFIRMAÇÃO MATRIMONIAL

(republicação)
Em 05/02/2018 o Respeitável Irmão Rubens Fernando Serman, Loja Amor e Caridade, 582, REAA, GOB-PR, Oriente de Ponta Grossa, Estado do Paraná, pede esclarecimentos para o que segue:

CONFIRMAÇÃO MATRIMONIAL

Determinado irmão de nossa Loja gostaria de realizar uma cerimônia de Confirmação de seu Casamento em nossa Loja. Já verifiquei que isto é possível e já realizado em outras Lojas que praticam o REAA, mas tenho algumas dúvidas, a saber:

1. Existe Ritual/Orientações a serem seguidas?

2. Esta solenidade pode ser realizada em dia e horário fora do normalmente adotado pela Loja? Ex: nossa Loja reúne-se as segundas e o irmão gostaria de realizar a sessão num sábado;

3. Existe um modelo de Ata para a solenidade?

Enfim, gostaria muito de ajudar na realização, porém tenho muitas dúvidas a respeito e, sem querer abusar, mas já abusando, será que o Irmão poderia me orientar onde conseguir estas informações?

CONSIDERAÇÕES:

Não existe nada em vigência nesse sentido em se tratando do Grande Oriente do Brasil. Os Rituais Especiais editados em um volume no ano de 2016 para as Lojas da Federação e que se encontra em vigor pelo Decreto 1506/2016, apenas contempla o seguinte: sessões para Regularização de Loja; Consagração e Entrega de Estandarte; Sagração de Templo e Banquete (Loja de Mesa), além da edição dos Decretos 1469 e 1476 que tratam respectivamente da ocupação das Cadeiras de Honra e do Cerimonial da Bandeira Nacional.

Como se pode notar nada contempla cerimônias que envolvam confirmações matrimoniais.

Embora essa solenidade não esteja prevista, tem sido tradição em algumas Lojas tratarem dessas homenagens seguindo rituais que não se encontram mais em vigência. 

Especificamente no que trata a questão nº 2, por ela não ser uma sessão oficialmente prevista (nem no ritual e nem no RGF), é preferível que ela, se realizada, não ocupe datas previstas no calendário da Loja. 

No meu entender, a Loja deve tratar desse assunto em separado.

Se ela não é uma sessão prevista oficialmente, obviamente não existe modelo de ata para tal. 

Sugiro que na hipótese de se realizarem trabalhos para esse afim, então que apenas se registrem esses fatos para ficarem gravados na história da Loja. 

Concluindo, penso ser oportuno mencionar que muitas dessas sessões especiais, a exemplo da de Confirmação Matrimonial não são tradicionais na verdadeira Maçonaria. Muitos rituais surgiram com essa finalidade, sobretudo, na Maçonaria latina, no afã de preencher determinados “gostos” seguidos por ideias inventivas. O resultado disso é que se criou uma expectativa como fosse da Maçonaria a obrigação de orientar e realizar invariavelmente esse tipo de sessão. Bem, “eu não creio nas bruxas, mas que elas existem; ah! Elas existem”. 

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

JOSÉ FRANCISCO DE SAN MARTIN

Ir∴ Ricardo Adolfo Venialgo. Ex-Venerável Mestre da Loja
“Ciencia y Justicia Dr. Manuel Belgrano” nr. 3 
Posadas – Argentina.

Valle de Posadas, 23 de agosto de 2010. (E.·. V.·.)
AL.·. G.·. D.·. G.·. A.·. D.·. U.·.
V.·. M.·. QQ.·. HH.·.
“El H.·. José Francisco de San Martín”

Quiero recordar con esta plancha, que hace pocos días atrás precisamente hace 160 años un 17 de agosto del año 1.850., siendo las 3 de la tarde pasaba al Or.·. Et.·., el muy Q.·. H.·. Don José Francisco, uno de los Padres Fundadores de nuestra Patria y héroe máximo en la guerra Libertadora no solo de nuestro país, sino también de Chile y Perú. Por tal razón quiero rendir mi Homenaje a ese Gran Capitán, recordando sus pasos por nuestra Institución, como gran iniciado que lo fue.

Mis fuentes para la presente plancha, son Félix Luna en su obra “Grandes protagonistas de la Historia” Ed. Planeta ed. 2.000., y “La Masonería Argentina a través de sus hombres” del H.·. Alcibíades Lappas. Ed. Buenos Aires 1.966.

La “Gazeta de Buenos Aires” publicaba tímidamente en su tirada del día viernes 13 de marzo de 1.812., que;.. “el día 9 del corriente ha llegado a este puerto la fragata inglesa Jorge Caning procedente de Londres en 50 días de navegación... han llegado entre otros el Tte. Cnel. de Caballería Don José San Martín.. el Capitán de Infantería Don Francisco Vera, el Alférez de Navío Don José Zapiola, el Capitan de Milicias Don Francisco Chilavert, el Alferez de Carabineros Reales Don Carlos María de Alvear y Balbastro, el sub teniente de Infantería Don Antonio Arellano y el primer teniente Barón del Olembert”, (cuyo apellido es Holmberg) seguía la gazeta diciendo... “estos individuos han venido a ofrecer sus servicios al gobierno y han sido recibidos con la consideración que se merecen por los sentimientos que protestan en obsequio de los intereses de la patria”. (tex de la gazeta.)

Así, como lo describía la Gazeta, llegaron estos ilustres desconocidos, a excepción de Alvear y Balbastro, que si tenía su tradicional familia en Buenos Aires, pero al moreno Teniente Coronel José Francisco no lo conocía nadie, ya que a los 5 años fue junto a su familia a vivir a España, volvía con 34 años el que había nacído en Yapeyú en aquel entonces tierras que dependían de la Misiones Jesuíticas.

¿Quienes eran estos casi desconocidos? ¿Qué los unía? Todo tiene su explicación, nada es porque si y, avocándonos a estudiar la historia de la Masonería en ella encontraremos una mejor explicación a la que nos brinda la Historia Oficial. A principios de 1.808., en fecha no precisada, siendo San Martín Edecán del General Francisco María Solano, Marquéz del Socorro, Capitán General de Andalucía , fue iniciado Masón en la Logia “Integridad” de Cádiz, logia en la que el Marquez era el Venerable Maestro.

Posteriormente se afilió a la Logia “Caballeros Racionales No 3” también de Cádiz, en la misma recibió el tercer grado de Maestro el día 6 de mayo de 1.808.- (Lappas ob cit. Pag 351.) No lo dice el historiador, pero advertimos nosotros que si se inició a comienzos de 1.808., y fue exaltado a Maestro el 6 de mayo de 1.808., contaba con tan solo 5 meses como masón desde su iniciación.

Es en definitiva en la Logia “Caballeros Racionales No 3” donde conoció a varios de los que lo acompañarían posteriormente en la Fragata Jorge Caning. El asesinato del Gral Francisco María Solano, a manos de un turma exaltada el día 24 de mayo de 1.808., de quién fuera su padrino en la logia “Integridad”, precipito que San Martín se fuera a Sevilla y es allí donde fue interceptado por Sir Charles Stuart, agente delegado en España de “La Gran Reunión Americana” de Londres, quién le brinda todo el apoyo financiero necesario para trasladarse a Londres. Lappas, no dice que Sir Charles Stuart, era Masón, pero nosotros deducimos que si lo era por semejante labor que desempañaba en España como “Delegado” de la Logia “La Gran Reunión Americana” que fuera fundada por el Venezolano Francisco de Miranda.

Llegado a Londres permaneció en esa ciudad por 4 meses y participó de la fundación de la logia “Caballeros Racionales No 7 de Londres” es en esa ciudad donde fue acogido por uno de los masones más prominentes el Conde de Fife, quién arreglo todos los pormenores de su viaje a Buenos Aires. Es entonces de este modo que llega San Martín con todos los antes nombrados por “La Gazeta” que dirigía el también H.·. Dr. Mariano Moreno.

Nos permitimos especular históricamente, que la Masonería Inglesa ha apoyado hasta económicamente a esta ahora Logia Caballeros Racionales No 7, y sus jóvenes militares Americanos en su regreso a Sud América en la Fragata inglesa Canning, ya que hacia el Norte partió Simón Bolívar, también miembro de “La Gran Reunión Americana” de su coterráneo y gestor intelectual de todas las campañas Libertadoras en América del Sur, el Ilustre H.·. Francisco Miranda.

Ya en Buenos Aires los viajeros se contactaron con el Dr. Julián B. Alvarez, quién era Venerable Maestro de la Logia “Independencia” logia donde se iniciaran los abogados, Manuel del Corazón de Jesús Belgrano y su primo Juan José Castelli. Julián Álvarez, introduce a los viajeros de Europa en la sociedad porteña y les facilita todos los elementos que los ayudarían en la formación de la “Logia Lautaro” cuyo primer Venerable Maestro fue Carlos María de Alvear y Balbastro.

Encontrándose el H.·. José Francisco en Córdoba organizando la campaña a Chile, crea la “Logia Lautaro de Córdoba”, según acta existente dice Alcibíades Lappas, del día 24 de mayo de 1.814. 

El 6 de Septiembre de 1.814., se hace cargo como Intendente de Cuyo para organizar el gran ejército, surgiendo simultáneamente otra “Lautarina” la de Mendoza, de la que participaba también el Abogado General Manuel Belgrano quién junto a San Martín ejercían presión sobre buenos Aires para convocar un Congreso que declarase la Independencia, dando ello sus frutos el 9 de Julio de 1.816., en Tucumán, ciudad a la que Belgrano acudió con su presencia hasta ese día glorioso.

Al asumir como Director Supremo Juan Martín de Pueyrredón, otro H.·. iniciado en la “Logia Lautaro” se encuentran en Córdoba y San Martín es designado General en Jefe del ejército de Los Andes por Decreto del 1 de agosto de 1.816, fundando casi al mismo tiempo “La Logia del Ejército de Los Andes” y asumía el cargo de Venerable Maestro, y destacamos que allí trabajó entre otros el Gral. Juan Gregorio de Las Heras, iniciado en la “Lautaro de Mendoza”.

Cuenta Lappas, que el parte diario de la Batalla de Chacabuco del día 12 de febrero de 1.817., firmado por el Libertador San Martín, no lleva su rubrica habitual, sino el que utilizaba en los documentos masónicos. Pensamos nosotros que habría firmado con su nombre Simbólico “Inaco” que era el utilizado en sus actuaciones en logia, y suponemos también todos los demás integrantes de las Lautarinas utilizaban nombres simbólicos o seudónimos. La explicación de ello es muy simple, ya que la poca documentación que existían en las Lautarinas, si llegara a caer en manos de algún adversario les iba a resultar difícil averiguar quien era Inaco, por ejemplo.

A fines de marzo de 1.817., regresa urgente y en estricto secreto a Buenos Aires para tratar con su H.·. Juan Martín de Pueyrredón, y la Lautarina Porteña, para tratar los planes de independizar al Perú.

Asegurada definitivamente la independencia de Chile con la última batalla el 5 de abril de 1.818., las autoridades Chilenas el 28 de enero de 1.819., lo nombran Gral en Jefe del Ejército Libertador de Perú, llegando a las playas Peruanas el 8 de septiembre de 1.820., el 10 de julio de 1.821 entró en Lima y 5 días después el Cabildo Limeño Proclamó la Independencia del Perú de la dominación Española y de cualquiera otra extranjera. El 28 de julio de 1.821, fue jurada la Independencia y el 2 de agosto San Martín fue proclamado “Protector del Perú”, y dispuso por ejemplo la liquidación de la Santa Inquisición y que todos los bienes del terrorífico Tribunal fueran destinados a La Biblioteca de Lima, y ante ese acto confiscatorio formuló su famosa expresión... “Es tan luctuosa a los tiranos como plausible a los amantes de la Libertad” 

En ese año 1.821., fundó la “Logia Paz y Perfecta Unión” de la ciudad de Lima que hasta la actualidad prosigue su labor masónica con el No 1 en el Registro de la Gran Logia del Perú.

La Logia “Estrella” de la ciudad de Guayaquil, fue la que preparó y organizó el encuentro Histórico entre el Libertador del Sur el H.·. Gral. José Francisco de San Martín y el Libertador del Norte el H.·. Gral. Simón Bolívar, llevada a cabo el día 27 de julio de 1822. No obstante declinar el Guerrero del Sur, todo el mando a los del norte para culminar las batallas por las independencias definitivas de los pueblos de la América del Sur, el destino quiso que otro H.·., fuera el que lo consolidara definitivamente en la batalla de Ayacucho el 9 de diciembre de 1824., recayendo ese honor el H.·. Gral. José Antonio de Sucre, ascendido a Mariscal después de la victoria final en Ayacucho.

Habiendo efectuado los conocidos renunciamientos el H.·. José Francisco se embarcó para Londres el 10 de febrero de 1.824., en esa ciudad mantuvo conversaciones con el H.·. Bernardino Rivadavia, pero no lograron conciliar puntos de vista. Pasó un temporada en la castillo de su amigo y H.·. el Conde de Fife, en la localidad de Branffshire Escocia, donde San Martín frecuentó las Logias San Andrés No 52 y San Juan Operativo No 92, ambas pertenecientes a la jurisdicción de la Gran Logia de Escocia, siendo el Conde de Fife su Gran Maestre hasta 1.848.

Posteriormente se trasladó Bruselas, donde se incorporó a la Lógia “Perfecta Amistad” que dependía del Gran Oriente de los Países Bajos. Los HH.·. patriotas belgas gestionaban la Independencia de la corona de Holanda, por esa razón le ofrecen el mando de las tropas, ofrecimiento que rechazó en una emotiva carta, en la que señalaba que siempre estuvo al lado de las libertades de los pueblos, y que al retirarse de la contienda americana, juró no desenvainar la espada si no lo requiriera así la libertad de su patria. No obstante ello recomendó a otro H.·. Masón el Gral. Van Halem.

En honor a San Martín la Logia “Perfecta Amistad” mandó acuñar una medalla de plata cuya réplica existe en poder de la Masonería Argentina. Además el Capitulo Rosa Cruz “Los Amigos Filántropos de Bruselas” hizo confeccionar otra medalla que se encuentra en el Museo Mitre de la ciudad de Buenos Aires.

Se radica finalmente en Francia, donde se encuentra con Alejandro Aguado, Marqués de las Marismas, a quién hacía largos años que no lo veía y hacia quién guardaba una fraternal amistad por haber pertenecido ambos a la Logia “Integridad” de Cádiz. Su H.·. Aguado invitó a José Francisco a residir cerca de el en el Bourg, cerca de París. Figuran sus firmas en las reuniones masónicas en la “Logia de Ivry”, de la que era su Venerable el médico de Aguado y de la Casa Real el Doctor Rayer, quién luego fue decano de la Facultad de Medicina de París.

Se apagaba la Luz del H.·. Gral. José Francisco, en Boulogne Sur Mer el día 17 de agosto de 1.850., a las tres de la tarde a los 72 años de edad., lejos y abandonado si se quiere por su amada patria a la que tanto de su vida dio a cambio absolutamente de nada. Sin embargo podemos apreciar cuan fructífera fue su labor dentro de la institución masónica y cómo se comportaron para con el exiliado gral., sus HH.·. Europeos, hasta le han brindado protección al errante Gral., en su deambular por el viejo continente, por lo que pudimos investigar no dejó nunca su actividad en las logias y murió al lado de ellos, nuestro moreno y H.·. Gral. Libertador de Naciones, Don José Francisco, y desde el Or.·. Et.·., seguirá integrando las cadenas de Unión de cada una de nuestras Logias hasta el fin de los tiempos. ¡ Gracias por todo lo que nos has brindado a nosotros los Americanos del Sur!! Mi Querido General.. ¡¡Gracias!! Te damos humildemente desde tu Misiones Natal, por La Libertad lograda por vos, tus soldados y todos los HH.·. que lucharon a tu lado por la Patria que soñabas... ¡¡ Gracias mi Q.·. H.·. Gral..!! Nosotros seguimos “En Pié y al Orden”

Fonte: JBNews - Informativo nº 216 - 01.04.2011

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

O BALANDRAU E OS COLLEGIA FABRORUM - TRAJE MAÇÔNICO

(republicação)
Em 20/01/2018 o um Respeitável Irmão que pratica o REAA no Rio Grande do Sul, comentando o uso do terno e do balandrau na Maçonaria, menciona o seguinte. 

O BALANDRAU DA ÉPOCA DOS COLLEGIA FABRORUM

(...) tem outra particularidade que me incomoda (não sei se estou usando o termo correto). É quando aludem a origem do balandrau aos Collegia Fabrorum. Não entendo patavina de moda, mas creio que a indumentária dos romanos naquele período nada se parece com um balandrau.

CONSIDERAÇÕES:

Os Collegia vestiam uma túnica sobre as vestes para diferenciá-los dos demais já que eles, acompanhando as legiões romanas, não se davam à atividade bélica. Conforme nos explicam alguns historiadores suas eram vestes compridas que iam até os talões (tornozelos) e alguns tinham neles capuzes presos à indumentária no intuito de cobrir a cabeça. Dessa vestimenta resultou também o hábito de muitos monges medievais.

Quanto à cor dessas vestimentas, elas eram geralmente de matiz escuro, negro ou marrom.

A Maçonaria, como herdeira dos construtores medievais, cujos quais sofriam forte influência da Igreja e, por extensão dos monges das Associações Monásticas, acabou adotando aos seus costumes essa vestimenta que, obviamente, seguiu os padrões evolutivos da moda, deixando os incômodos roupões pesados para adotar tecidos mais modernos, todavia manteve inquestionavelmente duas características: uma a de manter a cor negra e a segunda a de ser uma veste talar (que vai até os talões). Também não se adota atualmente no balandrau maçônico o capuz preso a ele.

Em termos de Moderna Maçonaria, autores impecáveis como o saudoso Theobaldo Varolli Filho sempre defenderam o uso do balandrau e do chapéu como indumentária obrigatória para todos os Mestres trabalhando na Loja em Câmara do Meio nos ritos que detém essa tradição.

A título de esclarecimento seguem algumas definições do balandrau conforme o disposto nos dicionários da língua portuguesa:

Balandrau (do latim “balandrana”) – substantivo masculino. 1. São as vestes utilizadas por algumas irmandades em cerimônias religiosas; 2. Capa ou casaco largo e comprido; 3. Antiga vestimenta de capuz e mangas largas; 4. Roupa ampla e comprida, sem cinto.

De fato, o balandrau utilizado atualmente por alguns ritos maçônicos não é literalmente vestimenta idêntica àquela utilizada pelos collegiati na época do imperador Numa Pompílio (século VI a. C.), entretanto a ideia da indumentária continua a mesma, até porque se ainda não existia Maçonaria naquele período da história, é inegável que aqueles usuários do antigo balandrau se dedicavam à construção e a reconstrução.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

VÍCIOS E VIRTUDES

Márcio dos Santos Gomes
O título desta Prancha decorreu de conversas com o meu Irmão padrinho, no trajeto de todas as quartas-feiras para a nossa Oficina, sobre a escolha de um tema complementar aos trabalhos que eu havia apresentado anteriormente a respeito da Terceira Instrução do Segundo Grau.

Repercutindo os temas complexos daquele trabalho, e aprofundando aspectos da filosofia iniciática, disse-lhe que havia me defrontado de uma forma embaraçosa com os questionamentos iniciais provocadores sobre “O que é a vida? Para que ela serve? Qual o seu fim?”, os quais lançam desafios ao livre pensador na direção da busca da “Verdade” e da necessidade de “Meditação” sobre a temática.

No processo de discussão, relatei-lhe que sempre retornava à minha mente aquelas perguntas do ritual de iniciação sobre o entendimento da Virtude e o que pensava ser o Vício, pois somente se pode trabalhar no sentido do aperfeiçoamento daquele e na desconstrução deste com o perfeito e justo entendimento dos respectivos limites de cada conceito e seus reflexos em nossa vida. Afinal, para isso eu entendia que meditar sobre a finalidade da vida seria um passo importante para começo de um plano de ação mais efetivo no sentido de dar concretude ao levantar templos à virtude e cavar masmorras ao vício, de forma a vencer paixões e submeter vontades, para o esperado aprimoramento espiritual.

Assim, recebi a sugestão do prezado Irmão para aprofundar o tema envolvendo Vícios e Virtudes.

Daí, deparei-me, na busca de literatura a respeito, com um texto anônimo, baixado da internet, sobre a “Finalidade da Vida”, que no processo de aquecimento preliminar apresentei no “Quarto-de-Hora de Estudos” do dia 09.06.10. No referido texto se afirma que ”a finalidade da vida terrena é o aprimoramento espiritual”. Prossegue o texto dizendo: “Tudo aqui na Terra são meios de se aprimorar espiritualmente. O estudo, o trabalho, o casamento, o lazer, etc., são meios de a pessoa evoluir”.

Não se pode olvidar que esse processo de evolução tem um ritmo diferenciado para cada indivíduo e, fazendo uma analogia com a mãe natureza, a profundidade das raízes que cultivamos, fortalecidas nos problemas enfrentados, nas penas e nas quedas, aí envolvida a construção dos nossos valores mais sagrados, nos dá forças necessárias para enfrentar a caminhada desafiadora de superação lançada pelo Grande Arquiteto do Universo, que sempre nos disponibiliza a inteligência como arma necessária para vencer as vicissitudes e romper as barreiras da ignorância.

Entretanto, esse aprimoramento espiritual passa por reflexões sobre o conhecimento que temos de nós mesmos, da consciência da nossa ignorância, que nos remete à inscrição do “conhece-te a ti mesmo” insculpida no Templo de Delfos, inspirada em Sócrates (470 ou 469 a.C.), onde se lembrava aos homens que eles não passavam de meros mortais e que nenhum homem pode fugir ao seu destino. Este lema Socrático estimula a consciência racional de si mesmo em cada ser humano, para organizar a própria existência, pois não somos o mesmo em todas as situações de nossa vida atribulada, “por isso chamamos o correto reconhecimento de si próprio de a essência da Sabedoria humana, pois o homem não cessa e não deve cessar nunca de aprender, de se formar e de evoluir”.

Ainda segundo Ubyrajara, “a psicologia nos ensina que quando uma pessoa amadurecida investe em se conhecer, liberta-se de certas restrições psicológicas arbitrárias impostas por sua educação e pela sociedade… o homem ignorante (Pedra Bruta) é uma presa fácil aos preconceitos… o conhece-te a ti mesmo é um chamamento ao homem para o despertar de suas Virtudes”.

Na sequência de seu raciocínio, aduz que “no contexto filosófico, a Maçonaria, através do convite para que o iniciado ‘visite o seu interior‘, procura despertar no Aprendiz o seu pensar em sua própria existência, alertá- lo de seus deveres morais para consigo mesmo; quando o homem se escraviza a dogmas, quando o homem se esquece de si próprio , está a negar-se como SER. O Aprendiz ainda muito próximo do mundo material deve começar a investir no “conhecimento de si mesmo‘ e através de uma transformação individual evoluir como SER”.

Essa evolução pressupõe o entendimento que o único bem a ser conquistado é a Virtude e esta consiste unicamente na coragem do homem de praticá-la, isto é, extirpar de si tudo que não for o bem. E para isso a primeira coisa é aprender a pensar, que demanda o saber ouvir com atenção. “Aprender a pensar é aprender a conhecer, é aprender a discernir, é aprender a concatenar os pensamentos, a aprender a falar”.

Pensar a Virtude é se conscientizar de todos os hábitos constantes que levam o homem para o bem, quer como indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente, quer coletivamente. Para Sócrates a Virtude é o fim da atividade humana e se identifica com o bem que convém à natureza humana. Platão (429-347 a. C.), que desenvolve a doutrina de Sócrates, apresenta a Virtude como meio para atingir a bem-aventurança. Aristóteles (384-322 a. C.) interpreta-a como qualidade ou disposição permanente do ânimo para o bem. Para ele, Virtude é um hábito bom. Santo Agostinho diz que “a virtude é uma boa qualidade da mente, por meio da qual vivemos retamente“. Santo Tomás de Aquino diz que “a virtude é um hábito do bem, ao contrário do hábito para o mal ou o vício“.

Esse aprendizado é estimulado no Aprendiz logo no ritual de iniciação quando o mesmo é instado a extinguir paixões, vícios e os preconceitos mundanos que possui, para viver com Virtude, Honra e Sabedoria. É-lhe ensinado que a Virtude é uma disposição da alma que induz à prática do bem e o Vício tudo aquilo que avilta o ser humano, o hábito desgraçado que arrasta para o mal. Esse processo de aperfeiçoamento é penoso e somente pode ser alcançado com muito trabalho para adaptar nosso espírito e regular nossos costumes pelos eternos princípios da moral, para darmos à nossa alma o equilíbrio de forças e de sensibilidade que constitui a “Ciência da Vida”.

Essa busca deve começar no fundo do coração e pode aparentar-se inicialmente muito fácil. Para isso vale trazer para reflexão a Lenda do Deus Brahma (criador da trindade Hindu), também conhecida como a Lenda dos Devas.

Conta a lenda que, após criar nosso Universo, preparando-o para toda forma de vida que surgiria em seu devido tempo, o deus Brahma deparou-se com grande problema: onde esconder o segredo da chama da criação divina? Pergunta aos demais deuses e recebe de imediato a resposta: – Esconda-o no mais alto dos céus. Brahma pensa e responde: – Não! Haverá de surgir seres inteligentes, que chamarão a si mesmos de humanos, e estes irão construir pássaros maiores dos que criei e descobrirão o segredo. O grupo medita e fala: – Esconda-o no mais profundo dos oceanos. Brahma, novamente, pensa e propõe: – Não! Um dia esse mesmo ser construirá peixes que em pouco tempo encontrarão o segredo. O grupo faz mais uma tentativa e, depois de longa introspecção, sugere: – Esconda-o nas profundezas da Terra. Brahma, responde de imediato: – Também não adiantará! Eles chegarão lá em pouco tempo e terão o segredo em suas mentes. Finalmente Brahma diz ao grupo: – O segredo da chama divina da criação deverá ficar escondido dentro do coração de cada um destes seres que estão por vir. Nada entendendo, perguntam do por que da escolha deste lugar tão fácil de ser achado, a que Brahma responde: – Estes seres que estão por vir jamais procurarão nada no fundo de seus próprios corações.

Então, se podemos facilitar, por que complicar? Para todo veneno temos um antídoto. Numa visão dualista, se o vício “é o oposto da virtude e sendo algo inato ao homem ele deverá ser combatido com o desenvolvimento da virtude através do autoconhecimento”. “O triunfo da virtude é a vitória do homem sobre suas paixões, conquistando a harmonia interior, quando se torna senhor de si”. Quando o homem compreender que o vício é incompatível com sua própria felicidade e até mesmo com sua própria segurança mais ele sentirá a necessidade de combatê-lo e será levado a agir assim por seu próprio interesse na busca da felicidade”.

Para ajudar a humanidade não afeita aos estudos filosóficos e meditações transcendentais, as religiões e assemelhados sempre ocuparam esse espaço procurando definir os contornos dos conceitos de vícios ou pecados a serem evitados e das virtudes necessárias a uma boa orientação para a vida em coletividade.

Os nossos conhecidos sete pecados capitais são quase tão antigos quanto o cristianismo. Mas eles só foram formalizados no século VI, quando o papa Gregório Magno, tomando por base as Epístolas de São Paulo, definiu como sendo sete os principais vícios de conduta: gula, luxúria, avareza, ira, soberba, preguiça e inveja. Mas a lista só se tornou “oficial” na Igreja Católica no século XIII, com a Suma Teológica, documento publicado pelo teólogo são Tomás de Aquino (1227-1274). No documento, ele explica o que os tais sete pecados têm o que os outros não têm. O termo “capital” deriva do latim caput, que significa cabeça, líder ou chefe, o que quer dizer que as sete infrações são as “líderes” de todas as outras.

E, do ponto de vista teológico, o pecado mais grave é a soberba, afinal é nesta categoria que se enquadra o pecado original: Adão e Eva aceitaram o fruto proibido da árvore do conhecimento, querendo igualar-se a Deus. A Igreja até tentou oferecer soluções para os pecados capitais, criando uma lista de sete virtudes fundamentais – humildade, disciplina, caridade, castidade, paciência, generosidade e temperança -, mas os pecados acabaram ficando mais famosos. Afinal, notícia boa não repercute.

Outras religiões, como o judaísmo e o protestantismo, também têm o conceito de pecado em suas doutrinas, mas os sete pecados capitais são exclusivos do catolicismo.

Assim, se conclui que ”desde que o homem começou a ter as primeiras noções de moral, vem-lhe sendo repetido que deve ser bom, que deve elevar sua vida e ser melhor. Entretanto, foi-lhe ensinado positivamente como fazer para alcançar semelhante desiderato?”. Respondendo a este questionamento, González Pecotche afirma que não foi ensinado ao homem como ser melhor, por falta de conhecimento daqueles que pretenderam fazê-lo, ao inculcar no semelhante, desde a mais tenra idade, pensamentos e sugestões incompatíveis com sua razão e sensibilidade. Prossegue, afirmando que sempre se buscou o fácil, o ilusório e sedutor, a fim de conquistar adeptos para uma ou outra seita religiosa ou tendência filosófica.

Na concepção daquele educador, o caminho passa pelo conhecimento, pelo bloqueio e na ação de debilitar e anular todas as deficiências psicológicas que afetam a criatura humana. Ressalta que “é preferível conhecer que inimigos temos dentro, para combatê-los com lucidez mental, a ignorá-los, enquanto ficamos à mercê de sua influência despótica, suportando docilmente a maioria dos desgostos e depressões que diariamente nos acarretam”. Com isso, assegura Pecotche, aquela citação de que “pau que nasce torto morre torto” torna-se inconsistente, pois que, ao modificar as causas que determinam a defeituosa configuração psicológica do indivíduo, modifica-lhe também a vida na totalidade de seu conteúdo.

No aspecto prático da sua doutrina Pecotche chama de deficiência ao pensamento negativo (dominante ou obsessivo) que, enquistado na mente, exerce forte pressão sobre a vontade do indivíduo, induzindo-o de modo contínuo a satisfazer seu insaciável apetite psíquico. Ilustra o autor que essas deficiências, em alguns casos, têm tanta influência na vida do ser humano e se evidenciam de tal maneira, que este é apelidado pelas suas características, tais como: vaidoso, rancoroso, egoísta, teimoso, intolerante e, em outros casos, de presunçoso, hipócrita, fátuo (vaidoso, pretensioso), intrometido, obstinado, néscio, etc. Nesse sentido, é trabalhoso descobri-las e convencer-se de sua realidade e enfrentar a tarefa de erradicá-las da nossa vida.

Para corrigir essas deficiências ou vícios, Pecotche criou a figura da “antideficiência”, que seria a virtude em ação ou forma de pensamento específico para opor-se a elas, para anular o despotismo que o pensamento-deficiência exerce sobre o mecanismo mental, sensível e espiritual do homem, vigiando, repreendendo e paralisando o vício.

Nesse desiderato, o trabalho de localizar e compreender cada deficiência demanda perseverança na vigilância sobre ela. Nessa senda, é indispensável manter-se firme no propósito de superação e adaptação à “antideficiência”. Para ilustrar essa necessidade de perseverar e cuidar, Pecotche traz a metáfora do fazendeiro que tem suas terras invadidas por feras, as quais, após assolar seus campos e sedentas de sangue, se lançam contra sua vivenda, com o objetivo de acabar com ele. Nesta imagem, alguém faz chegar ao fazendeiro armas de fogo para a defesa de sua vida e de seus bens, mas ele não sabe como usá-las. No início as feras se assustam com os estampidos, mas quando não vêm os resultados e se acostumam a eles voltam a atacar.

Nesse contexto, Pecotche afirma que as deficiências ou vícios são feras mentais que destroem os pensamentos e projetos úteis, como acontece com o pessimismo, a obstinação, o descuido, a irritabilidade, a veemência, etc. Essas deficiências afetam a vida psíquica, tal como fazem as enfermidades em relação ao corpo. Ainda segundo ele, não devemos nos iludir acreditando que uma deficiência, por leve ou inofensiva que pareça, possa permanecer em nossa mente sem prejudicar-nos. Para ilustrar novamente, cita o caso do camponês que levou dois filhotes de tigre para criar, presumindo que cresceriam mansos e inofensivos ao seu lado. Certo dia, já crescidos, esqueceu-se de levar-lhes alimento e os mesmos, impelidos pela fome, atiraram-se sobre ele e o devoraram. Vícios, como feras, enquanto não eliminados, serão sempre risco latente.

Portanto, devemos estar alertas e operantes no sentido de vencer as deficiências generalizadas no ser humano, dentre aquelas mais conhecidas e que retirei do rol apresentado por Pecotche, quais sejam: vaidade, falsa humildade, soberba, presunção, impaciência, egoísmo, cobiça, verborragia, rancor, intolerância, teimosia, hipocrisia, negligência, rigidez, petulância, etc. Assim, para quem se propõe a superar essas deficiências deve substituí-las por uma eficiência como objetivo a ser alcançado, onde deverá ser colocado o máximo de empenho. Portanto, na seqüência acima, teríamos a modéstia, sinceridade, humildade, paciência inteligente, desprendimento, honestidade, concisão, bondade, tolerância, docilidade, veracidade, diligência, flexibilidade, cordura (ser cordato), etc.

Além dessas e de outras deficiências e “antideficiências”que enumera, Pecotche destaca ainda uma série de pensamentos negativos que se manifestam esporadicamente e exercem pressão sobre a vontade e promovem um relaxamento circunstancial do juízo, denominados propensões. Estas devem ser também enfrentadas com a firme determinação de vencê-las, tais como as propensões a: adular, prometer, dissimular, iludir, isolamento, exagero, desalento, desespero, desatenção, confiar no acaso, pessimismo, licenciosidade, descuido, etc.

É preciso, pois, acabar com tais deficiências e pensamentos antes que eles acabem conosco, perseverando e assumindo uma condução consciente da vida, tornando-nos seres humanos mais plenos, persistentes no caminho do bem, não postergando a necessária e inadiável evolução interna nesta jornada material do aprimoramento do espírito, efetiva finalidade da vida, conforme avocado no início deste trabalho. Enfim, para uma reflexão mais profunda, vale o alerta do educador, escritor e naturalista norte-americano David Starr Jordan, “sabedoria é saber o que fazer, virtude é fazer”.

Fontes de pesquisa

Ritual e Instrução Grau 2 – R∴E∴A∴A∴ e Manual de Instruções – Grau 1-  R∴E∴A∴A∴

Souza Filho, Ubyrajara. Cognições e Evolução dos Rituais Maçônicos, Londrina (PR): Editora “A Trolha”, maio 2010

González Pecotche, Carlos Eduardo. Deficiências e Propensões do Ser Humano. São Paulo: Logosófica, 11ª Ed, 2005.

Revista Mundo Estranho – site: http://mundoestranho.abril.com.br/religiao/pergunta_287783.shtml

Fonte: https://www.banquetemaconico.com.br