Páginas

PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

segunda-feira, 25 de março de 2024

ENTRADA FORMAL

(republicação)
O Respeitável Irmão Edison Carlos Ortiga, sem declinar o nome da Loja, Obediência, Oriente (Cidade) e Estado da Federação, apresenta a questão abaixo:
capituloadonhiramita@gmail.com

Sempre aprendi e sempre ensinei - independente de rito - que em loja aberta se entra ritualisticamente. Eu, como autoridade, com frequência sou recebido com as honras protocolares e faço a minha entrada ritualisticamente. Mas tenho notado que autoridades do simbolismo, Grão-Mestre e Grão-Mestre Adjunto, quando são recebidos protocolarmente, entram no templo com os passos normais, não saúdam a ninguém e aguardam, em seus devidos lugares - entre colunas ou à entrada do Oriente, a chegada do Venerável que lhes passa o malhete. E quando está em comitiva, toda a comitiva adentra "profanamente". Fui questionar tais autoridades e eles disseram serem prerrogativas deles. Eles são realmente dispensados da entrada ritualística? Os protocolos de recepção são omissos quanto ao procedimento da entrada da autoridade. E como ficamos?

Considerações:

Esses procedimentos têm estado geralmente presos aos Regulamentos das Obediências. No Grande Oriente do Brasil, por exemplo, existe a possibilidade de o Grão-Mestre entrar em família, se esse for o seu desejo, acompanhado pelas demais autoridades. 

Uma autoridade reconhecida não entra executando marcha, até porque em sendo ele autoridade é reconhecidamente portador do Grau de Mestre Maçom. 

Geralmente entradas formais são para visitantes de outras Lojas, assim, o bom senso proclama não exigir de um Grão-Mestre entrada pela marcha e saudação. 

No Grande Oriente do Brasil existe um protocolo de recepção de acordo com as respectivas faixas dos portadores. Esse protocolo se diferencia pelo número de componentes da abóbada de aço e em sendo o Grão-Mestre ainda a entrega do malhete. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.061 - Florianópolis (SC) – terça-feira, 30 de julho de 2013

NÃO É FÁCIL DEFINIR A MAÇONARIA

Às vezes os maçons nem sempre fazem um bom trabalho ao definir exatamente o que são ou o que fazem, mas isso em geral ocorre porque as respostas que os não-maçons procuram são de fato muito complicadas. Nenhuma definição simples, em uma só linha, descreve de modo satisfatório o que é a Maçonaria.

Podemos dizer que a Ordem Maçônica é uma sociedade de cavalheiros preocupados com os valores morais e espirituais, além de uma das fraternidades mais antigas e populares do mundo.

É talvez, a “sociedade secreta” mais incompreendida que o mundo já conheceu, apesar de popular. É também a mais visível, pois existe em quase todas as regiões do mundo. Todos os estados apresentam Grandes Lojas, com sites próprios, redes sociais.

Os prédios maçônicos são claramente marcados, com endereços e números de telefones disponíveis. Os maçons não se escondem (usam anéis, camisas e adesivos em carros).

A Maçonaria é uma filosofia e um sistema de moralidade e ética e é bem básica nisso, com pontos que a difere de outras organizações.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

A BÍBLIA DOS MAÇONS

por Daniel Ligou
Tradução José Filardo

É um problema bastante complexo, porque o podemos examinar a partir de vários aspectos complementares. Primeiro, o essencial, a presença ou não da Bíblia, ou, mais genericamente, do Volume da Lei Sagrada (VLS) na oficina; depois, o papel que ela desempenha ou não no recinto maçônico, tanto como “luz” ou “utensílio”. Some-se a isso a participação da Bíblia na trama do ritual maçônico que apresenta a particularidade que divide com o companheirismo, de completar um fundo bíblico, essencialmente do Antigo Testamento , através de toda uma série de lendas parabiblicas que se desenvolvem no ritual para delas se retirar uma lição simbólica ou moral; enfim, a extraordinária variedade de “palavras” correspondentes a cada grau, palavras de passe, palavras sagradas, “grandes palavras” que os ritos, e especialmente o rito escocês Antigo e Aceito (REAA), em seus 33 graus – não economizam nem um pouco.

Mas, primeiro, algumas observações preliminares. Nós provavelmente seremos incompletos, mas privilegiaremos os ritos que conhecemos bem e, especialmente, aqueles que praticamos regular ou ocasionalmente, porque em nossa opinião, a Maçonaria, para ser verdadeiramente compreendida, deve ser vivida espiritual e emocionalmente, e não ser apenas sinônimo de conhecimento. Também o nosso comentário será essencialmente baseado nos três principais ritos praticados na França: o Rito Francês, o Rito Escocês e o Rito Escocês Retificado, pois não conhecemos os ritos ingleses a não ser através de textos que consultamos mais ou menos regularmente (fico feliz em concordar!). Por outro lado, para nosso grande pesar, não foi possível, por razões essencialmente linguísticas, usar os rituais alemães ou suecos. Quanto aos ritos praticados nos países latinos, eles não oferecem grande originalidade em relação aos que já conhecemos.

Outra observação. Trata-se de “ritos” e não de “obediências” ou “potências”. Portanto, não levaremos em conta “exclusivos”, “excomunhões” ou reivindicações de irregularidade. Além disso, o Rito Francês, conforme ele é praticado no Grande Oriente, ou o REAA na Grande Loja são ritos tão diferentes com o mesmo nome usado na Grande Loja Nacional francesa? Não, sem dúvida, porque suas fontes são comuns. Nós mesmos (tremo só de pensar) fizemos algumas alusões à “Maçonaria de Adoção”, que continuou até meados do século XIX, a Maçonaria feminina atual contentando-se em organizar – muito inteligentemente, diga-se de passagem – os textos masculinos do REAA ou do Rito Francês.

Notamos também que o Shiboleth da regularidade, aos olhos da Grande Loja Unida da Inglaterra, não é a Bíblia no sentido estrito, mas o VLS, isto é qualquer livro básico de natureza religiosa, e a crença no Grande Arquiteto e sua vontade revelada. Mas, se a Maçonaria tem, segundo as Constituições de Anderson de 1723, tem a pretensão, diga-se de passagem, com alguma justificação, de ser o “centro de União” e de agrupar “os homens bons e leais ou os homens de honra” e de probidade, quaisquer que sejam as denominações ou crenças religiosas que os ajudam a “se distinguir “, ela não deixa de ser o resultado de um legado, de uma tradição e de circunstâncias históricas que lhe deram um estrutura mental e um equipamento intelectual cristão, essencialmente reformado no início e mais ecumênico a seguir. Existe – e não pretendemos abordá-la -. uma maçonaria “sem Bíblia”.

Com efeito, onde quer que a Bíblia não é a alimentação diária dos Irmãos, ela se desvanece ou desaparece em favor do “livro da Constituição” na Bélgica e na França – evolução que não é de forma alguma incompatível com a crença no Grande Arquiteto conforme mostra a história do Rito Francês de 1787-1878, onde se prestava juramento ao Grande Arquiteto sobre o “Livro da Lei”. Em Israel é, obviamente, a Torah , sem o Novo Testamento, e em outros lugares o Alcorão, o Avesta, Confúcio. O REAA especifica, além da Bíblia, os Vedas, o Thipitaka, o Alcorão, o Zend Avesta, o Tao Teh King e os quatro livros de Kung Fu Tsen. Na loja (Inglesa) de Singapura, os irmãos têm uma dúzia de livros sagrados. E o Ir.´. Rudyard Kipling expressa perfeitamente este ecumenismo: “Cada um de nós falava do Deus que conhecia melhor.” Mas, onde começa e onde termina o sagrado? Por que não os Pensamentos do Presidente Mao? Pode-se ainda se perguntar se a prática de religiões como o confucionismo está em harmonia com o conceito de “Vontade Revelada”, tal como concebido pelas religiões monoteístas da Europa ou no Oriente Médio.

Enfim, fazemos, ou tentamos fazer um trabalho de historiador. Isto significa que teremos de distinguir o que é histórico do que é bíblico e, em relação à Bíblia e a história, o que é pura lenda, deixando claro que para todo Maçom, a lenda não passa da tradição no dogma católico, isto é, algo que assume valor doutrinário. Por outro lado, não nos cabe neste momento fazer a exegese do que seja biblicamente inspirado e muito menos dos textos utilizado. Menos ainda, praticar os métodos alegóricos, tipológicos ou anagógicos caros aos Padres da Igreja e aos dialéticos medievais onde encontramos muitos vestígios das “Old Charges” (os Antigos Deveres) que regulamentavam a Maçonaria operativa. Para nós, o Templo de Salomão é um edifício construído por um rei de Israel para a glória de Yahwe e não temos que querer saber se ele representa a igreja ou o Cristo. Isto pode parecer simplista para alguns, mas não acreditamos na virtude da mistura de gêneros.

Analisemos agora nosso primeiro ponto: a Bíblia, “instrumento” em loja, sobre a qual se presta juramentado. Você não precisa fazer prova de vasta erudição para constatar que a Maçonaria “operativa”, aquela dos construtores, intimamente ligada ao mundo clerical, pelo menos, pela construção de catedrais, era – como, a propósito, era o corpo dos ofícios – “guildas de artesãos”, “empresas” diferentes – de inspiração cristã, católicos na Inglaterra até a Reforma, anglicanos ou reformados posteriormente. Na França, Itália, Espanha, eles permaneceram fiéis à Igreja romana até seu desaparecimento natural ou supressão revolucionária. Às vezes, com o estofo de uma guilda profissional, mais frequentemente distintas das confrarias de penitentes. Elas estavam colocadas sob a invocação de santos padroeiros da profissão, e para “as pessoas da construção” muito particularmente “os Quatro Mártires Coroados” (Quatuor Coronati) que a encontramos na Inglaterra, mas também na Itália (Roma) e na França (Dijon). Além disso, não parece que, ao contrário das guildas, sempre suspeitas para a Igreja e o poder civil, estes “corpos” tinham, por pouco que seja rompido com a ortodoxia. Mas, voltemos à Inglaterra.

É difícil afirmar que a Bíblia figurava entre o “material” das lojas operativas inglesas antes da Reforma, pelo menos segundo o que pudemos deduzir das “Old Charges”. Por outro lado, sabemos que se prestava juramento ali, e que nada há de original, já que o “negócio jurado” era a regra um pouco por toda parte. O fato é que os primeiros documentos – o Regius (cerca de 1370) e o Cooke (cerca de 1420) – são perfeitamente silenciosos. Assim nenhuma suposição deve ser excluída: a Bíblia, quando se podia ter uma, o que, antes do desenvolvimento da impressão talvez não fosse tão fácil, o “livro” dos estatutos e regulamentos corporativos, relíquias como é tão frequentemente o caso na França? De qualquer forma, o juramento tinha um caráter religioso que ele conservou – exceto na Maçonaria “secularizada”.

Os documentos mais recentes, mas também posteriores à Reforma, são mais explícitos e o juramento sobre a Bíblia é, mais frequentemente afirmado pelo “Grand Lodge Manuscript ” No. 1 (1573), e No. 2 (1650 ), o “Manuscrito de Edimburgo” (cerca de 1696): “Fazemos com que eles tomem a Bíblia e prestem juramento”, o “Crawley” (cerca de 1700) onde o candidato jura sobre o livro sagrado por “Deus e São João”; o “Sloane” do mesmo período, sobre o qual a questão permanece em dúvida, o “Dumfries” n º 4 (cerca de 1710). Pode-se, portanto, supor que, desde a Reforma, o juramento sobre a Bíblia tenha se tornado a regra, o que levou o historiador francês A. Lantoine a dizer que este era um “landmark de contrabando huguenote”, uma expressão engraçada, mas definitivamente exagerada. Esta constatação não nos deve fazer perder de vista a perfeita ortodoxia católica primeiro, depois anglicana, das “Old Charges”. A este respeito, o texto mais característico é, sem dúvida, o “Dumfries No. 4” (cerca de 1710), descoberto nos arquivos da Loja desta pequena cidade, localizada na Escócia, mais nos confins da Inglaterra. O autor dá ao Templo de Jerusalém a interpretação cristã e simbólica tradicional e se inspira tanto no Venerável Bede quanto em John Bunyan. As orações são estritamente “niceanas”. As “obrigações” exigem a fidelidade a Deus, à Santa Igreja Católica (isto é, anglicana no sentido do Livro de Orações), ao mesmo tempo que ao Rei. Os degraus da Escada de Jacó evocam a Trindade e os doze Apóstolos; o mar de Airain é o sangue de Cristo; os doze bois, os discípulos; o Templo, os filhos de Deus e a Igreja; a coluna Jaquim significa Israel; a coluna Boaz a Igreja com um toque de antijudaísmo cristão. Lemos com surpresa: “Que ela foi a maior maravilha vista ou ouvida no Templo – Deus foi homem e um homem foi Deus. Maria foi mãe e, entretanto, era virgem”. Todo este simbolismo tradicional e a “tipologia” cristã admitida até o desenvolvimento da exegese moderna, encontra-se neste ritual. O catolicismo Romano, afirma Paul Naudon. Certamente não – ou melhor, certamente mais – porque podemos pensar que este é o redesenho de um texto mais antigo. As citações bíblicas são retiradas da “Versão Autorizada” do rei James, o que testemunha a ortodoxia anglicana do tempo da piedosa rainha Anne.

Se a Maçonaria tinha se mantido fiel a esta ortodoxia, ela não pode ter pretensões de Universalismo. E é isso, aliás, é que é regularmente produzido sempre que se quer vincular mais estritamente o ritual maçônico a uma confissão religiosa. O Rito Sueco, de essência luterana, não saiu de seu país de origem. O Rito Escocês Retificado, de tom nitidamente cristão, viu sua expansão limitada.

Ao contrário, o REAA, os ritos agnósticos, os ritos anglo-saxões “deconfissionalizados” são susceptíveis de desenvolvimento infinito. Este é, portanto, o grande mérito de Anderson e dos criadores da Grande Loja de Londres de ter entendido perfeitamente o problema. As Constituições de 1723 permitiram a expansão, embora na linha de uma Inglaterra já orientada em direção ao fluxo.

Assim, em países cristãos, a Bíblia era e permaneceu com o VLS, os testemunhos do século XVIII são quase unânimes, e as coisas quase não mudaram. Nos países anglo-saxões, ela é a primeira “luz simbólica”, o Esquadro e o Compasso são as outras duas. No rito de Emulação atual, a Bíblia deve estar aberta sobre o triângulo do Venerável, orientada no sentido de o dignitário a poder ler, e recoberta pelo esquadro e o compasso A página na qual o livro está aberto não é indicada, mas é tradicional – e moda – abrir no Antigo Testamento, quando se inicia um israelita. Nos EUA, a Bíblia é geralmente depositada sobre um altar especial no meio do Templo.

No REAA, a Bíblia está presente, aberta durante os trabalhos e colocada sobre o “altar dos juramentos” instalado ao pé dos degraus que conduzem ao Oriente e é recoberto com um pano azul com bordas vermelhas (as cores da Ordem). Ela pode ser aberta em qualquer lugar; é aberta preferencialmente em Crônicas 2.5 e em I Reis 6.7 onde se trata da construção do “Templo de Salomão.”

Na França, a Bíblia conheceu destinos diferentes. Os documentos mais antigos que possuímos mostram grande religiosidade, de orientação um tanto jansenista, e sabemos pelos textos de origem policial, que a Bíblia era aberta no primeiro capítulo do Evangelho de João. Tradição que se conservou perfeitamente no Rito Retificado, de inspiração claramente mais cristã. Mas, nos países católicos, a Bíblia não é, como na Inglaterra, o alimento espiritual da maioria dos cidadãos, especialmente depois que o Concílio de Trento limitou as possibilidades de leitura pelos simples fiéis. Além disso, conservando uma expressão religiosa sob a forma do Grande Arquiteto, que será colocado em questão somente em 1877, a Maçonaria francesa, em sua expressão majoritária, a Grande Loja e depois o Grande Oriente, viu desaparecer lentamente o livro dos “utensílios das Lojas” desde meados do século. Quando, nos textos de unificação do Rito Francês de 1785 – 1786, o “Livro das Constituições” assumiu seu lugar, ao lado do esquadro e do compasso, sobre o triângulo do Venerável, não houve qualquer protesto, e nem mesmo o Inglês o formalizaram.

Exceto nos ritos totalmente seculares – como o atual Rito francês – os juramentos que acompanham a iniciação e os “aumentos de salário” são prestados sobre o VLS. O que, em 1738, irritou muito o Papa Clemente XII que, na famosa bula de excomunhão In Eminenti, fala de “juramento estrito prestado sobre a Bíblia Sagrada.” É óbvio que, para o mundo anglo-saxão, um juramento não tem valor a não ser que ele tenha um significado religioso, atitude encontrada nos tribunais ou na “inauguração” de uma Presidente americano.

Não houve grandes mudanças em três séculos: o “Manuscrito Colne No. 1” especifica a forma do juramento: “Um dos mais antigos, tomando a Bíblia, e apresentando-a, de modo que aquele ou aqueles que deve(m) ser iniciado(s) maçom(s) possa(m) pousar e deixar estendida a mão direita sobre ela. A fórmula do juramento será então lida.” No Rito de Emulação atual, o candidato se ajoelha e coloca a mão direita sobre o Volume da Lei Sagrada, enquanto sua mão esquerda segura um compasso com uma das pontas dirigida contra o seio esquerdo exposto. Ao pronunciar a obrigação, o Venerável, em sua mão esquerda, trará o Volume, afirmando que a promessa foi feita “sobre este”. No Rito Escocês Retificado – que conservou algo da tradição cavalheiresca da maçonaria francesa do Iluminismo, completamente ausente em países anglo-saxões – o candidato coloca sua mão na espada nua do Venerável pousada sobre a Bíblia aberta no primeiro capítulo de São João. A promessa é feita sobre “o Santo Evangelho”. No Rito Escocês Antigo e Aceito, o candidato coloca sua mão direita sobre as “três grandes luzes” que estão sobre o “Altar dos Juramentos, o Volume da Lei Sagrada, o Esquadro e o Compasso”, enquanto o Grande Experto coloca uma ponta do compasso sobre seu coração e, “sob a invocação do Grande Arquiteto do Universo,” o candidato “jura solenemente sobre as Três Grandes Luzes da Maçonaria.”

Na França, nos anos 1745, de acordo com o Segredo dos Maçons do Abade Perau, o candidato se ajoelhava, o joelho direito descoberto, a garganta exposta, um compasso sobre o peito esquerdo e a mão direita sobre o Evangelho, “na presença de Deus Todo-Poderoso e desta sociedade.” Observe-se que o Rito Francês de 1785 prescrevia o juramento “sobre os estatutos gerais da Ordem, sobre esta espada, símbolo da honra e diante do Grande Arquiteto do Universo (que é Deus).”

Fonte: https://bibliot3ca.com

domingo, 24 de março de 2024

PROCEDIMENTOS NA TRANSFORMAÇÃO DA LOJA NO SEGUNDO GRAU

(republicação)
Em 20/04/2018 o Respeitável Irmão Mateus Barbosa Carvalho, Loja Tzedek, 4124, REAA, GOB-RS, Oriente de Canoas, Estado do Rio Grande do Sul, formula a seguinte questão:

PROCEDIMENTOS NA TRANSFORMAÇÃO DA LOJA

Tenho uma dúvida em relação à transformação da Loja de Aprendiz para Companheiro. Em nosso ritual do GOB atual (de 2009) não cita a leitura de Amós, o acendimento das luzes e a exposição do painel, porém no ritual de Mestre toda essa transformação é detalhada. Qual o procedimento correto? Estamos infringindo alguma lei ao adotar a transformação completa mesmo não estando descrita no Ritual?

CONSIDERAÇÕES:

Eu particularmente entendo que não existe “meia transformação”.

Em termos de rituais, felizmente as coisas já se colocaram nos seus devidos lugares no ritual de Mestre Maçom, entretanto infelizmente ainda não no de Companheiro Maçom. 

Obviamente que uma transformação deve ser completa e de acordo com a liturgia do Grau. Para se transformar uma Loja de um grau para outro é preciso que ela seja literalmente transformada na forma de costume, ou seja, feita a leitura do Livro da Lei de acordo com o Grau, a alteração dos objetos emblemáticos, a exposição do Painel da Loja pertinente e por fim também as luzes litúrgicas que devem corresponder em número às previstas para o trabalho.

Comentários à parte, eu tenho dito que é preciso se acabar na Maçonaria com essa mania latina de abreviar as coisas em nome de se ganhar tempo. Na realidade essa é uma atitude de péssima geometria e de desdenho para com a liturgia do Rito. 

Como temos que por lei seguir os carimbos e convenções da Maçonaria latina, embora esse ritual do Segundo Grau mencione irritantemente uma economia de procedimentos para a transformação da Loja, mesmo assim somos obrigados a segui-lo, pois ele é um ritual em vigência.

A propósito, outras considerações a respeito podem ser também encontradas no Blog do Pedro Juk em Perguntas e Respostas onde publiquei nesse mês de junho uma resposta que também aborda esse tema.

Enquanto isso só nos resta esperar que em breve aconteçam as revisões e correções tão necessárias nos nossos rituais

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.como
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

RAZÃO

A razão é a "liberdade do pensamento" que elabora o conhecimento, após momentos de meditação.

Grandes filósofos dedicaram-se a excursionar pela "alma" e pela "mente", como Aristóteles, Platão, Plotino, Santo Agostinho, Descartes, Fénelon, Bossuet, Kant e mais uma plêiade de pensadores do passado.

Os excessos de se pretender tudo esclarecer por meio da razão fizeram com que o pensamento da época conduzisse para o materialismo.

A maçonaria, que é filosoficamente eclética, usa a razão com equilíbrio, aliando-a ao significado esotérico dos símbolos.

Fé "raciocinada" significa analisar com profundidade os fenômenos ocorridos, isto é, encontrar alguma justificativa plausível; esse comportamento é próprio do filósofo, mas o maçom, homem comum, não possui essa capacidade analítica e, assim, aceita o símbolo como expressão de uma mensagem.

Se não houvesse a "liberdade" de escolha, tudo deveria submeter-se ao crivo da razão e, então, aquele que não souber raciocinar ficaria numa posição incômoda de ignorância.

O caminho mais curto para compreender um símbolo é "dialogar" com o mesmo; as respostas, satisfatórias, surgem na própria mente.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 325.

A IMPORTÂNCIA DO MESTRE DE HARMONIA

A música é uma das sete artes liberais. Tem o dom de preparar o ambiente para a meditação, para o culto espiritual, não só acalma, ameniza, conforta, como pode curar certos tipos nervosos e ajudar na cura de processos orgânicos. Esotericamente, os sons penetram de tal forma no íntimo dos seres humanos que lhes dão Harmonia e Paz.

Em função do ritmo, da melodia e da mensagem, o inverso é possível, ou seja, a desestabilização emocional, a afloração de sentimentos menos nobres. A Harmonia, em seu sentido mais amplo, é a ciência da combinação dos sons, o que forma os acordes musicais e tem por finalidade a formatação de uma das expressões na criação da Beleza.

No passado, a Coluna da Harmonia era composta por Irmãos músicos que tocavam, buscando propiciar a harmonia que deve reinar entre os Obreiros e equilibrar as emoções durante os rituais maçônicos. Hoje, os músicos foram substituídos por aparelhagem eletrônica, operada pelo Mestre de Harmonia.

Os discípulos de Pitágoras estudavam a música como disciplina moral, pois ela atuava no controle dos ímpetos das paixões agressivas e no afloramento dos sentimentos nobres e elevados; por meio da música buscavam desenvolver a união, pois entendiam que ela instruía e purificava a mente, desse modo eliminando, pela audição de melodias suaves e agradáveis, a angústia, anseios frustrados, agressões verbais e stress mental.

Portanto, em uma reunião Maçônica deve-se tocar a música que melhor traduza os sentimentos dos Irmãos em cada momento do ritual.

Correntes de Irmãos defendem a não programação de músicas de caráter religioso nas sessões ritualísticas, visto o caráter universal da nossa Ordem, evitando assim algum constrangimento de Irmãos que adotam outra religião. Corrente outra, sugere a não execução de músicas cantadas, salvo algumas entoadas por Coral, ou seja, na maioria das vezes deve se utilizar a música instrumental.

Outra corrente orienta que o fundo musical deve ser ouvido desde o início, quando da sala dos Passos Perdidos, com melodias que elevem os Irmãos aos mais nobres sentimentos, preparando-os para o início dos trabalhos, lugar onde devem estar paramentados e com as suas insígnias. A melodia pode ser de cunho religioso, de câmara, por ser um local onde todos se limpam mental e espiritualmente, deixando para trás as coisas do mundo profano, momentos de introspecção e a conscientização para a entrada no Templo, onde desenrolar-se-á a reunião de grande elevação espiritual.

Compreendem normas na Maçonaria que suas reuniões se realizem com músicas adequadas e propícias. As músicas são invariavelmente colocadas por hábito, por gosto ou por imitação, dificilmente associando o profundo trabalho de introspecção que é a litúrgica Maçônica a uma trilha sonora que estimule nos instantes de euforia, acalme nos momentos de meditação, espiritualize profundamente nos momentos de abertura e fechamento do Livro da Lei, que seja melodiosa e nos leve à profunda meditação do ato que fazemos quando os Irmãos Mestre de Cerimônias e Hospitaleiro circulam com a Bolsa de Proposições e Informações e a Bolsa para o Tronco de Solidariedade e, no momento do encerramento.

A música utilizada tem que ser analisada, em razão da mensagem que se pretende transmitir, como exemplo, deverá causar impressões inesquecíveis na mente do iniciado, pois nestas sessões se transmite a síntese filosófica da Instituição em que se ingressa, pois os ensinamentos seculares que são transmitidos, quando associados a uma música adequada, serão sempre recordados quando da audição de tal melodia. Em função do discorrido, o Mestre de Harmonia deverá desenvolver o entendimento da psicologia da Harmonia na Maçonaria, pois assim auxiliará, influenciando na manutenção do estado de consciência espiritualmente limpa dos Irmãos que adentram ao Templo Sagrado colocando músicas melodiosas e suaves, convidativas à meditação.

Programando músicas cantadas, porque acha que são bonitas, muitas das vezes não está contribuindo para a Harmonia da sessão e a formação da concentração necessária, pois induz sentimentos outros que levam os Irmãos a fazerem imagens mentais que os tirem da manutenção da egrégora pelo efeito dos sons e do ritmo. Por esse motivo, as músicas devem ser de caráter neutro, pois a melodia maçônica deve ser aquela que induza o Irmão a entrar dentro de Si, elevando-se à reflexão do seu Eu, e não propiciando o desvio dos pensamentos de Irmãos para ir ao ambiente externo no qual costumeiramente “aquela” melodia é ouvida.

Com a tenra idade que tenho na maçonaria e ainda com muito para aprender, concluo mui primariamente que muito há o que desvendar e de ser entendido numa preparação de Harmonia para um Templo Maçônico, pois os sons são energias que nos aproximam do G.’.A.’.D.’.U.’., estimulam-nos os sentidos e que devem ser conduzidas pelo Espírito com mãos hábeis e sensíveis para a devida sustentação do ambiente favorável ao trabalho dos Irmãos, mantendo o livre fluxo de energia que deverá circular, provendo-nos da Sabedoria, da Força e da Beleza, tríade que compõe as colunas que sustentam nossos intuitos de tornando-nos Homens de Bem, Harmoniosos, Justos e Perfeitos no nosso dizer e com os nossos passos do dia a dia.

Fonte: brasilmacom.com.br

sábado, 23 de março de 2024

RITUALÍSTICA

(republicação)
O Respeitável Irmão Hiroshi Murakami, Loja Antonio Vieira de Macedo, REAA, GOB, Oriente de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, questiona resposta apresentada sobre a verificação dos presentes em Loja de Companheiro quando da abertura dos trabalhos.
hiroshi.himura@gmail.com

Acho que o assunto abordado tem equivoco de ambas as partes. Senão Vejamos: Fala do Venerável Mestre - Em pé e à Ordem, meus Irmãos (isso quer dizer todos) Aí vem a observação - Todos nas colunas e no Oriente levantam-se, ficam à Ordem e voltam-se para o Oriente (isso é para que ninguém a não ser os Vigilantes vejam o que ocorre no momento do telhamento - caso contrário quem estiver a ser telhado poderá copiar de quem está sendo telhado) essa é a única razão para que se virem de costas ou seja todos voltados para o Oriente. Os Vigilantes percorrem as Colunas (colunas só existem no Oriente) O Ritual é claro. Não dá todas as explicações mas é claro.

Considerações:

Meu Irmão. Vou tentar mais uma vez esclarecer. O verdadeiro equívoco está no Ritual onde na página 29 está escrito que “Todos nas Colunas e no Oriente levantam-se (...)”. No Oriente não existe telhamento em nenhum dos graus simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceito. 

Há que se notar que no texto explicativo seguinte é exarado que os Vigilantes percorrem as suas Colunas. Ainda no mesmo explicativo: “Os Oficiais da Loja não serão examinados assim como os que se encontram no Oriente”. 

Dando sequência, já na página 30 o Venerável proclama: “Eu respondo pelos do Oriente. Sentai-vos”. Assim se a questão for contradição e equívoco como ficaríamos: apenas os do Ocidente devem sentar? E os do Oriente? Permanecem em pé? 

Vamos às explicações: Sabemos perfeitamente que os Irmãos das Colunas se voltam para o Oriente para que ninguém possa ver o que se passa na sua retaguarda. Todavia esse procedimento somente é executado no Ocidente (Colunas do Norte e do Sul) tendo como protagonistas os Vigilantes e aqueles que não exercem cargo, pois os que exercem ofício são Mestres. 

Assim, em primeira análise, seria redundante examiná-los, pois o Mestre de Cerimônias ao compor a Loja tem esse cuidado. Agora no Oriente, todos os que ali ocupam lugar, são também necessariamente Mestres de tal maneira que o Venerável em qualquer grau simbólico sempre proclama que responde pelos ali presentes. 

Se no Oriente só existem Mestres, o que deveria ser ocultado destes no telhamento? Remeto o Irmão ao ritual do Grau de Mestre para observar que ali os procedimentos já estão de acordo. Ninguém se vira para a parede Oriental no Oriente da Loja, dado que nesse espaço em Loja aberta e em qualquer grau simbólico não existe telhamento e, por conseguinte, nada nesse particular é vedado ao Mestre que atingiu a plenitude maçônica - como dito, em qualquer grau, e isso se aplica obviamente para o de Companheiro. 

O equívoco mesmo é o do ritual em questão e não vejo nele tanta clareza, pois manda todo mundo ficar em pé e posteriormente exara que uma parte tome assento novamente. E a outra? 

Essa “estória” de se ficar de costas para o Ocidente no quadrante oriental é prática equivocada de mistura de procedimentos com outros Ritos e Trabalhos que não possuem Oriente elevado. O próprio Rito Escocês nos seus rituais primitivos não possuíam oriente elevado, senão após a criação das Lojas Capitulares no início do Século XIX. 

Essas Lojas seriam posteriormente extintas, todavia deixaram como marca o Oriente elevado no simbolismo, constatando-se a partir de então esses procedimentos altamente contraditórios. 

Ao longo dos tempos esse erro crasso acabou por ser consuetudinário no Rito, porém aos olhos da razão ele jamais deveria ser considerado como “evolução de rituais” – tese que alguns ainda teimam em defender. 

Ora, o ato de evoluir merece uma justificativa clara e acadêmica, nunca embasada em certos rituais ultrapassados e sem qualquer merecimento de crédito. 

Ritos e Trabalhos (Craft) que não possuem o Oriente elevado e dividido por balaustrada, têm como Oriente apenas a parede de fundo e onde toma na cátedra por três degraus assento o Venerável, ou Mestre da Loja, bem como aqueles que simetricamente ao seu lado direito e esquerdo, porém abaixo do sólio, ali tem direito de permanecer. 

No exercício e prática desses costumes é que, exceto os encostados na parede Oriental, todos se voltam para o Leste nas oportunidades de telhamento.

Agora, geralmente ritos que possuem orientes elevados e demarcados pela balaustrada, como é o caso consuetudinário do simbolismo escocês, existe diferença de procedimentos, pois nesse limite existem apenas e tão somente Mestres Maçons. 

Ainda na questão o ritual Companheiro abordado, que justificativa seria aquela de que apenas os Vigilantes possam vislumbrar o que acontece? Teriam eles um posto mais elevado do que o Venerável? Penso que também há num equívoco, se não um erro de digitação, quando o Irmão afirma em seu escrito que “Colunas só existem no Oriente” (sic). Colunas do Norte e do Sul são partes representativas espaciais do Ocidente. 

Finalizando. O que merece e certamente será arrumado é o Ritual adequando-se à essência do Rito. A prática em questão é do Rito Escocês Antigo e Aceito e nunca produto de enxertia de outros procedimentos que não digam a ele respeito. 

Sabemos perfeitamente que a Maçonaria é composta por Ritos e Trabalhos do Craft, todavia cada costume possui o seu arcabouço doutrinário, litúrgico e ritualístico, desde que conferido o discernimento de que mistura de procedimentos não é evolução dos rituais. Um rito é uma parte integrante da Maçonaria Universal. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.060 - Florianópolis (SC) – segunda-feira, 29 de julho de 2013

MAÇONS FAMOSOS


JOSÉ ZACARIAS DE MIRANDA E SILVA (Baependi, MG, Brasil, 1851 — São Paulo, 1926). Pastor presbiteriano brasileiro, considerado um dos pioneiros do presbiterianismo no Brasil.

Ele formou-se em Magistério e foi professor de Latim, Francês, Álgebra e Aritmética, além de ser músico e atuar como maestro em banda, tinha a profissão de alfaiate.

Em 1899 com a "Questão Maçônica", seus familiares e fiéis insatisfeitos com a Primeira Igreja de São Paulo organizam a Igreja Filadelfa, de modo que ele então deixa o ministério sorocabano e passa a pastorear ao novo grupo que em 1900 uniu-se à Segunda Igreja de Modesto Carvalhosa, núcleo que formaria a Igreja Presbiteriana Unida; no sínodo realizado em 1903, ele se justificou declarando não ver incompatibilidade entre ser maçom e pertencer à igreja mas, diante da rejeição dos demais membros da igreja, abandonou a Maçonaria e passou ser um dos mais ardorosos defensores do Sínodo, posição que manifestava em artigos na Revista das Missões Nacionais, onde foi redator entre 1900 a 1903 (função já ocupada por ele entre 1894-1897); o Presbitério retribuiu-lhe a dedicação, ofertando-lhe uma pena de ouro.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 1883

Loja: Perseverança III, Sorocaba, SP, Brasil.

Idade que foi Iniciado: 32 anos

Faleceu aos 74 anos de idade.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

O NÍVEL CULTURAL DA MAÇONARIA

Denílson Forato, M∴M∴ 
ARLS Fraternidade e Amizade – 321 – GOP-COMAB / Brasil

Tenho verificado que a cultura na Maçonaria está muito aquém. O quadro é simplesmente desolador. O maçom em geral tem, em média poucos anos de estudo, não lê, não estuda e nada sabe. E o que tem esse fato a ver com a Maçonaria? Tudo! Não é possível realizar novos progressos sem o auxílio da cultura e do saber.

O 1º grau, há 40 anos atrás, dava ao cidadão uma base de cultura geral muito maior do que a de hoje e a culpa de tal retrocesso é, exclusivamente, do vergonhoso e criminoso sistema educacional que, paulatinamente, foi implantado no país e, evidentemente, dentro da própria Maçonaria. No 1o grau de hoje o estudante ainda é um se- analfabeto que não sabe sequer cantar o Hino Nacional, que há muito foi expulso das escolas.

O maçom não gosta de ler. A afirmativa é absolutamente VERDADEIRA. Há uma mínima parte do povo que ama a leitura, outra, um pouco maior, que a detesta e a esmagadora maioria nem sabe que ela existe, e a Maçonaria é formada por homens vindos do povo.

Em todos os rituais maçônicos, fala-se nas sete ciências que formavam a sabedoria dos antigos, composta pela Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. Quem só com apenas o 1o grau tem o mínimo de conhecimento sobre tais ciências? Com exceção de alguns rudimentos de Gramática e de Matemática, ninguém!

O mundo moderno não é mais composto por sete ciências; as ciências se multiplicaram infinitamente: Física, Química, Engenharia, Geografia, Medicina, Sociologia, Filosofia, História, etc., cada uma delas com infinitas especialidades e ramificações, cada vez mais avançando nos campos das descobertas, pesquisas e realizações enquanto o maçom ficou estacionado no atual 3, 1º grau. EIS O GRANDE PROBLEMA.

Hoje, com raríssimas e merecidas exceções, chega-se a Mestre Maçom entre seis meses a um ano e meio; ao Grau 33, entre três e quatro anos. Chega-se a Mestre e ao Grau 33 sem se sair do 1º grau. O dicionário de Aurélio Buarque de Holanda define: “MESTRE – homem que ensina; professor; o que é perito em uma ciência ou arte; homem de muito saber”.

Será que está acontecendo alguma coisa errada?

Para quem deseja subir nos graus da Maçonaria é exigido um trabalho escrito (muitas vezes meramente copiado, sem pretensão de aprender) e as taxas de elevação (que geralmente são caríssimas). Só isto, nada mais do que isto e… tome-lhe grau por cima de grau, sem o mínimo avanço cultural. Mas, em compensação, os aventais, colares e medalhas na subida dos graus vão ficando mais caros, mais bordados, mais coloridos e mais vistosos. E lá vai o nosso maçom falando em “beneficência”, “filosofismo”, “Pedra Bruta”, “Pedra Polida”, “Espada Flamejante”, “Câmara de Reflexões”, etc… E para completar o FEBEAMA (Festival de Besteiras que Assola a Maçonaria) diz, por ter ouvido dizer, que a Maçonaria é milenar.

Diz um provérbio popular que “NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE”. Como pode esperar a Maçonaria que seus Mestres Maçons, seus componentes dos Altos Corpos Filosóficos, sejam bons transmissores de suas doutrinas, histórias e conhecimentos se… nada sabem?

A Maçonaria é antes de tudo um vasto conjunto de ciências políticas, históricas, geográficas e sócio-econômicas adquiridas ao longo dos séculos. É simbolismo e filosofia pura, é ciência humana no seu mais Alto Grau. Como pode uma pessoa sem interesse pelo estudo adquirir e transmitir tantos conhecimentos? Só se for por um milagre!

Como pode, apenas com boas intenções, um leigo ensinar medicina para médicos, leis para juízes, aviação para um futuro piloto, engenharia para um futuro engenheiro, Maçonaria para um futuro Maçom?

Tiro por mim que já li quase uma centena de livros e que tenho mais como prazer do que por obrigação dedicar pelo menos meia hora por dia aos estudos maçônicos e outras literaturas de interesse para o meu aperfeiçoamento espiritual, cultural e profissional. E ainda não me considero um “EXPERT”. Reconheço, com toda humildade, que ainda tenho muito que aprender, e tenho o 3o grau completo.. Como pode uma pessoa sem cultura estudar e pesquisar as Lendas do Rei Salomão, Hiran Abiff, Rainha de Sabá, Cabala, entre tantos, sem conhecer História Antiga? Como podem entender a gama de conhecimentos contidos na Constituição de Anderson, Landmarks, Ritos, Painéis, entre outros assuntos totalmente desconhecidos do nosso Mestre Maçom e de uma grande parte daqueles que alcançaram o“TOPO DA PIRÂMIDE” e que se consideram com direito a cadeira cativa no Oriente para que seu “PROFUNDO SABER E CONHECIMENTO MAÇÔNICO POSSA ILUMINAR” as colunas.

A verdade costuma ser brutal mas, infelizmente, esta é a pura realidade que precisa de muitos com coragem para dizer.

O Maçom que estuda e pesquisa pode ser o “O SOL DA CULTURA”, talvez nem seja o vaga-lume que só tem sua luz notada nas trevas mas, com certeza, é o espelho que poderá transmitir a Luz do Sol ou pelo menos a do vaga-lume.

A Maçonaria, composta de homens livres e de bons costumes e de boa cultura, obviamente, será muito melhor. No século XVII ela era composta pelos iluministas, no século XIX, no Império Brasileiro era composta da nata intelectual da nação e hoje… sem comentários.

Uma sociedade, um país, é preparado primordialmente pelo sistema educacional e cultura que consegue adquirir e seria muito bom começarmos a preparar a Maçonaria, pelo menos em nossas Lojas, para o Terceiro Milênio, com pessoas um pouco mais cultas.

Nota do autor: O presente trabalho será lido por uma minoria de irmãos que cultivam o hábito pela leitura, mas se essa minoria o divulgar nas Lojas poderá estar prestando um grande serviço em defesa da nossa Sublime Instituição.

Fonte: Maçonaria.net

sexta-feira, 22 de março de 2024

CIRCULAÇÃO E RETÁBULO DO ORIENTE

(republicação)
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Ruy Mar Nunes, Mestre de Cerimônias da Loja Amor e Luz 1.159, REAA, GOB, Oriente de Pires do Rio, Estado de Goiás.
ruymarnunes@yahoo.com.br

Gostaria da ajuda do Irmão para esclarecer duas dúvidas: 

1 - A circulação no Ocidente é feita no sentido horário, logo após a entrada do cortejo ou somente depois da abertura ritualista? O ritual na pag. 42 não especifica quando deve iniciar a circulação ritualista. 

2 - O Ritual na pag. 14 diz "Na parede do fundo, no Oriente, em um painel, são representados os astros do dia e da noite (Sol e Lua), ficando o Sol à direita do V.M. e a Lua, em quarto crescente, à esquerda do V.M.” Pesquisei a respeito e encontrei em Rituais antigos ora o Sol à esquerda e a Lua à direita do V.M. ora o contrario. Acho estranho o Sol está no Lado Norte o lado escuro do Templo, onde tem assento os Irmãos Aprendizes e onde fica a Pedra Bruta. Qual seria a posição correta?

Considerações:

1 – Assim que o Venerável Mestre tomar assento e pronunciar – Irmãos; ajudai-me a abrir a Loja – os procedimentos para a abertura obedecem à ritualística. O que é na oportunidade abolido é apenas o Sinal, salvo aquele previsto no reconhecimento pelo Primeiro Vigilante, ou pelos Vigilantes conforme o Grau. Assim, procede-se normalmente com a circulação horária no Ocidente, bem como se faz o ingresso no Oriente pelo seu lado nordeste e a sua saída pala banda sudeste. 

2 – O Painel que o Irmão se refere trata-se do Retábulo do Oriente. O Sol do Retábulo se refere ao cargo do Orador donde emanam as Leis, enquanto que a Lua ao Secretário como luz reflexa que absorve as anotações. 

Essas duas luminárias são correspondentes às duas outras verdadeiras Dignidades no Rito Escocês Antigo e Aceito que em conjunto com as Três Luzes compõem as “cinco Dignidades”. 

Cabe aqui então uma pequena consideração. Infelizmente no GOB, as Dignidades de uma Loja são confundidas com cargos eletivos, no que é dado o equivoco de considerar os cargos como Dignidades alterando a tradição de cinco para sete. Se assim está escrito e aprovado temos que cumprir, porém não nos impede de apontar o engano. 

Quanto ao “estranho” pela sua referência do lado Norte e o Sol, este nada tem a ver com a Coluna do Norte e os Aprendizes, pois nesse particular a referida Coluna está posicionada no Ocidente (da balaustrada até a parede ocidental), enquanto que a banda do Oriente é um quadrante de onde vem a Luz. 

No tocante aos rituais antigos, devo salientar que em não raras vezes antiguidade não é sinônimo de qualidade verdadeira, pois esses rituais às vezes estão equivocados e por outras vezes pertencem a outro Rito. 

Tradicionalmente a Dignidade do Orador toma assento no Oriente à sua esquerda do ponto de vista de quem entra. 

Ainda em relação ao Sol e a Lua, a posição disposta no Retábulo, também se apresenta análoga a do Painel da Loja. 

Finalizando e registrando um esclarecimento o Sol e a Lua do Retábulo não possuem a mesma representação alegórica do Astro e do Satélite dispostos na abóbada celeste. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.059 - Florianópolis (SC) – domingo, 28 de julho de 2013

AS LOJAS E A GRANDE LOJA: CONCEÇÃO SIMBIÓTICA

Rui Bandeira
Expus em dois dos últimos textos as conceções polarizadas que podem existir nas relações entre as Lojas maçónicas e a respetiva Grande Loja ou respetivo Grande Oriente, essencialmente a que dá prevalência àquelas sobre esta ou este e a que assenta no pressuposto precisamente contrário. Efetuei, ainda que brevemente, a crítica de uma e outra posições. É agora tempo de indicar a conceção que tenho por correta e que acho que deve enformar o relacionamento entre as Lojas e a sua estrutura agregadora.

Conforme, em comentário a um dos textos, numa rede social, muito lucidamente escreveu Carlos D., um maçom que muito prezo e cujos escritos leio sempre muito atentamente, "efectivamente, a Loja constitui a base estrutural da Maçonaria" e, quer nas Grandes Lojas, quer nos Grandes Orientes, "ressalta a convicção da soberania das lojas, cabendo às "grandes" instâncias o exercício executivo dessa soberania colectiva". Efetuo estas citações porque resumem certeiramente os campos de atuação das Lojas e das respetivas estruturas agregadoras.

Com efeito, para o trabalho do maçom, para se ser maçom, a Loja é indispensável. É na Loja, com a Loja e pela Loja que o maçom se faz, cresce e evolui. Portanto, naturalmente que a Loja é o polo essencial em tudo o que respeita à integração, formação e acompanhamento dos seus obreiros. E, assim sendo, é a Loja soberana quanto à forma como funciona, como organiza o seu trabalho e o trabalho dos seus obreiros. Enfim, o paradigma da muito batida frase que postula integrar o conceito de Maçonaria o princípio maçom livre numa Loja livre.

Mas, se no plano interno, o trabalho da Loja é soberanamente definido por esta, no plano externo, no relacionamento da Loja com outras Lojas, no relacionamento da Loja com obreiros de outras Lojas, nos contactos nacionais e internacionais, mas também na preservação comum dos princípios e boas práticas maçónicas e na organização da utilização dos espaços utilizados pelas várias Lojas, é indispensável a articulação efetuada pela estrutura agregadora. Neste plano, a primazia, digamos assim, deve ser dada às orientações e decisões tomadas a nível de Grande Loja ou Grande Oriente, não sendo admissíveis, por dificilmente acomodáveis, derivas estabelecidas a seu bel-prazer por uma (ou mais) Lojas. Isto é evidente quanto à gestão da utilização dos espaços, mas também na preservação do correto cumprimento das normas e comportamentos assumidos internacionalmente. E obviamente que o relacionamento entre Lojas e entre uma Loja e obreiro de outra deve seguir normas e padrões estabelecidos pela estrutura agregadora, por clara necessidade de prevenção de conflitos.

Estes dois planos - relação da Loja com os seus obreiros, gerida pela Loja, e relação da Loja com outras Lojas e obreiros delas e utilização de espaços, gerida pela estrutura agregadora - complementam-se e devem ser geridos por ambos os níveis das estruturas com respeito e aceitação das respetivas competências. São ambos indisopensáveis. São ambos harmonizáveis e devem ser sempre mantidos harmonizados.

A Loja maçónica existe por e para os seus obreiros. A Grande Loja ou Grande Oriente existe por e para as suas Lojas. A compreensão destes simples factos habilita a entender que a relação entre ambos os níveis de estrutura é simbiótica. Cada nível necessita do outro e deve, portanto, respeitar as competências desse outro nível.

As Grandes Lojas ou Grandes Orientes necessitam das suas Lojas para fazerem sentido. As Lojas agregam-se em Grandes Lojas ou Grandes Orientes porque necessitam de assim fazer para eficazmente poderem funcionar. Não tem, assim, lógica pretender-se estabelecer hierarquias de importância entre ambos os níveis. Ambos são igualmente indispensáveis. Cada um deles necessita do outro. Cada um deles tem tarefas importantes a assegurar, para bem cumprir o seu papel. Em suma, são verdadeiramente simbióticos.

Não vale, pois, a pena complicar o que é simples, evidente e claro. Não se trata de quintas ou quintinhas de poder. Trata-se de estruturas, em diferentes níveis, de serviço. Se assim se entender, não faz então sentido a determinação de "quem é mais importante". Ambos os níveis são importantes, indispensáveis e nenhum funciona capazmente sem o outro. Isso é que interessa. O resto... são profanidades!

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

quinta-feira, 21 de março de 2024

QUESTÕES DE RECONHECIMENTO ENTRE AS OBEDIÊNCIAS MAÇÔNICAS

(republicação)
Em 19.04.2018 o Eminente Irmão Lourival Mariano de Santana, Grão-Mestre Estadual do GOB-SE, Oriente de Aracajú, Estado de Sergipe, apresenta algumas questões pertinentes ao GOB e outras em relação aos reconhecimentos.

QUESTÕES DE RECONHECIMENTO

É com grande satisfação que volto a entrar em contato com você para mais uma vez me servir dos seus conhecimentos.

Irei fazer um trabalho sobre a organização da maçonaria em geral no que tange à parte administrativa. Se o Irmão puder me ajudar neste sentido ou me direcionar para outras fontes eu ficarei muito grato.

São os seguintes questionamentos:
1- O sistema tripartite existe só no GOB ou existe também em outras potências?
2- Quando começou no GOB esse sistema?
3- Como funciona em outras potências no Brasil e mundo a fora?
4- Quantas potências existem no Brasil e quantas são reconhecidas?
5- Como se cria uma potência?
6- Por que a Grande Loja da Inglaterra tem o poder de reconhecimento?
7- Existe mais alguma potencia mundial com o mesmo poder da Inglaterra?

CONSIDERAÇÕES:

Segundo o que mencionam as autoridades do GOB, é apenas o Grande Oriente do Brasil que possui essa organização, cuja qual é composta por três poderes maçônicos, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Eu mesmo, pessoalmente, desconheço se esse sistema é adotado por outras Obediências ao redor do mundo.

Sem afirmar peremptoriamente, no GOB esse formato se consolidou desde o século passado, entretanto eu sugiro ao Irmão que obtenha melhores informações a respeito junto ao Poder Central.

Isso é particularidade de cada uma das Obediências. No Brasil, a COMAB e a CMSB não conta com um Poder Central tal qual acontece no GOB, mas sim como uma Confederação de Obediências Estaduais. A CMSB não adota o Poder Legislativo. Fora do Brasil, sugiro ao Irmão que contate aquelas que lhe forem convenientes e tenha delas diretamente essa resposta.

Conhecidas são aquelas oriundas do Grande Oriente do Brasil, no caso três, sendo as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) resultantes da cisão de 1927 e os Grandes Orientes Independentes (COMAB) oriundos da cisão de 1973. 

A questão de reconhecimento é um assunto muito delicado e que deixo essa informação para que seja obtida junto ao Poder Central. Eu, particularmente tenho apenas como autênticas no Brasil aquelas que surgiram do GOB, no caso, as Grandes Lojas e os Grandes Orientes Independentes, o restante é para mim, salvo raríssimas exceções, pura picaretagem.

Uma Obediência só pode ser criada se por ventura seguir os princípios de reconhecimento de alguma outra Obediência que seja considerada regular. Nesse sentido, a Obediência que irá reconhecer o nascimento de outra é quem dará esses pontos de reconhecimento.

Esse tem sido, segundo alguns exegetas, um assunto contraditório. Se ela tem esse poder de reconhecimento, provavelmente é porque ela assim se declarou e as outras a aceitaram como Obediência com poder para reconhecer. No tocante a Grande Loja inglesa, existe ainda o fator histórico e político que envolveu a expansão inglesa pelo mundo, sobretudo no século XIX e início do XX.

Não é bem uma questão de poder, mas o de se aderir ao reconhecimento. Muito próximo à Grande Loja Unida da Inglaterra, existe o sistema das Grandes Lojas Norte-americanas, a despeito de que, ao que parece, a Grande Loja Inglesa não interferir no sistema norte-americano de Maçonaria, e vice-versa. 

A questão pode ser subjetiva, pois qualquer Obediência pode se arvorar a reconhecer outra, desde que a outra- se submeta a esse reconhecimento.

Esses são os poucos comentários que me atrevo a proferir sobre esse assunto, já que essas questões administrativas e de reconhecimento não me são muito atraentes, posto que eu prefiro, sempre cumprindo a lei, me dedicar mais à filosofia, ritualística, liturgia e a história das origens da nossa Sublime Instituição. Particularmente, penso que a partir da Moderna Maçonaria, muitas inserções feitas a partir desses costumes obedienciais acabaram, às vezes, por descaracterizar os verdadeiros propósitos na Ordem. Vejo a Maçonaria como uma escola iniciática de razão e que objetiva o aperfeiçoamento humano, enquanto que o resto, se o Irmão me permitir, eu prefiro não comentar. 

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com.br
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

PRINCÍPIO EVOLUCIONISTA MAÇÔNICO

Autor: Irmão José Geraldo de Lucena Soares
Membro da Loja FRATERNIDADE JUDICIÁRIA, 3614 – Grande Oriente do Brasil
Mestre Instalado, Grau 33″ do rito escocês antigo e aceito

O evolucionismo é o quinto e último princípio estabelecido no primeiro artigo da Constituição do Grande Oriente do Brasil de 17 de março de 2007 e os quatro anteriores, juntamente com os conceitos e espécies de princípios e postulados da Sublime Ordem, foram objetos de breves comentários publicados neste blog.

Na verdade, podemos entender por evolução todo procedimento que desenvolva, aperfeiçoe e aumente o conhecimento objetivando uma utilidade para a causa a que se destina.

Na Instituição Maçônica esse evolucionismo dirige-se a todos os ramos do conhecimento humano, mas tem uma conotação especial que é a finalidade de engrandecer o Ser Humano no cultivo de virtudes para purificá-lo e aproximá-lo do G∴A∴D∴U∴

A História registra que desde seus primórdios a Fraternidade Maçônica sempre procurou evoluir através dos tempos e na época medieval a técnica das construções cada vez mais se aperfeiçoava em razão de estudos que buscavam melhoria na mão de obra artesanal.

Toda essa evolução tinha como estímulo as guildas que ministravam para cada ramo da especialidade novas medidas ou métodos para seu desenvolvimento.

Materiais não raras vezes eram substituídos por outros mais resistentes ou mesmo mais vantajosos, ensejando um benefício para a obra em construção evidenciando uma evolução que sempre foi perseguido pela Ordem.

E foi nesse cenário que o pensamento evolutivo da Maçonaria cresceu fazendo com que se estendesse também no âmbito espiritual proclamando a prevalência do espírito sobre a matéria, exortando o aperfeiçoamento moral, intelectual e social, “por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade;” (art.1. Parágrafo Único. I e II da Constituição do Grande Oriente do Brasil de 2007). Outras recomendações inseridas em textos infraconstitucionais também abrilhantam o panorama fraterno, espiritual e nobre da Ordem.

Por outro lado, os usos e costumes adotados durante os séculos pela maçonaria sempre foram marcados pelo avanço de melhorias em todos os níveis que podemos considerá-los como manifestações evolucionistas. Os Landmarks que são compilações dessas regras de conduta ainda não escritas trouxeram a sedimentação dos valores maçônicos e foram mais um marco desse desenvolvimento e aperfeiçoamento da Ordem. Ampliou-se também a doutrina que era apenas Operativa com a implantação da Maçonaria Especulativa mantendo-se, entretanto, a mesma unidade tanto formal como material.

Assim é que o art. 24. do Código Landmarks de Mackey dispõe textualmente da Maçonaria Especulativa como representação do evolucionismo de que estamos a tratar.

“A fundação de uma ciência especulativa, segundo métodos operativos, o uso simbólico e a explicação dos ditos métodos e dos termos neles empregados, com propósito de ensinamento moral, constitui outro Landmark. A preservação da lenda do Templo de Salomão é outro fundamento deste Landmark.”, reza o referido art.24 do Código Landmarks de Mackey.

Realmente, a criação desse departamento intelectual ou especulativo da Fraternidade conferiu-lhe uma nova dinâmica propiciando oportunidade para estudos aprofundados de filosofia, especialmente hermética, história diversificada, misticismo, esoterismo, teologia, conhecimento de livros tidos como sagrados de outras culturas, idiomas e muitos outros ramos de sabedoria.

Sobre a Maçonaria Especulativa foi dito que o preceito citado (art.24 do C.L.M.) “estabelece a Maçonaria Especulativa ou Intelectual, mantendo, como não poderia deixar de fazê-lo, a Maçonaria Operativa ou Primitiva, também conhecida como Azul. Não se trata de duas maçonarias, mas de uma só, com atribuições autônomas, mas com a mesma essência e cultivo das mesmas virtudes: aperfeiçoar o Ser Humano para aproximá-lo do Grande Arquiteto do Universo.” (Código Landmarks de Mackey- Anotado-2009 – págs. 70/71 – José Geraldo de Lucena Soares).

Igualmente, o Iluminismo do começo do Século XVII que se estendeu por toda Europa fez com sua influência evoluir o mundo maçônico recrutando inúmeros pensadores e cientistas que ainda hoje a cultura ocidental adota seus ensinamentos. “Filósofos, políticos e cientistas integravam esse cenário, surgindo daí, várias correntes ou vertentes dessa política social que se instalou, em última análise, em nome da liberdade de pensar, com o propósito de progresso cultural e de espírito. Aliás, esses ideais de avanço cultural já haviam sendo desenvolvidos desde a Renascença que mais tarde também contribuiu para deflagrar a Revolução Francesa de 1789.” (obra e autor já citados).

Figuras da alta intelectualidade da época passaram a ditar novas doutrinas e podemos citar René Descartes, Galileu Galilei, Francis Bacon, Thomas Hobbes, Baruch Spinoza, John Locke, Isaac Newton, Voltaire, Montesquieu, Rousseau, Kant, Adam Smith e tantos outros gênios da sabedoria. Estes mestres inovaram o pensamento da época nos diversos ramos do conhecimento e a Maçonaria Especulativa muito evoluiu no âmbito intelectual e também de espiritualidade.

De todo o exposto podemos afirmar que a evolução a que se refere o dispositivo constitucional ora em comento é da própria essência de qualquer empreendimento baseado na moral, ética, legalidade, honradez e outros elementos que possam elevar o Homem para o encontro da paz e felicidade com o auxílio do G∴A∴D∴U∴

E a Instituição Maçônica Universal e Milenar sempre adotou essas virtudes e muitas outras para purificação de seus membros e da humanidade.

Voltaremos oportunamente a dissertar sobre os Fins Supremos destes princípios, iniciático, filosófico, filantrópico, progressista e evolucionista: Liberdade, Igualdade e Fraternidade – art.1. caput, Constituição do Grande Oriente do Brasil de 2007.

Fonte: http://redecolmeia.com.br

quarta-feira, 20 de março de 2024

SÓ MESTRES PODEM OCUPAR O ORIENTE - REAA

(republicação)
Em 19/04/2018 o Respeitável Irmão José Tonete Sobrinho, Loja Guaicurus, 4.317, sem mencionar o nome do Rito, GOB-MS, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta a seguinte questão:

MESTRES E A OCUPAÇÃO DO ORIENTE

Pergunto: Somente Mestres podem ocupar lugares no Oriente. Não é incoerente o ritual na iniciação Aprendiz prestar seu juramento no Oriente. Não seria correto que o mesmo o fizesse no ocidente, ou que o Altar dos Juramentos localizasse no Ocidente em frente Venerável Mestre, pois a prerrogativa do Oriente são somente de Mestres. Se tal formalidade e excepcional por se tratar de Iniciação, não seria correto o Aprendiz aprender trabalhar em Loja acompanhado do Mestre de Cerimônias?

CONSIDERAÇÕES:

PÍLULAS MAÇÔNICAS

nº 39 - Bandeira Pirata dos Templários

A história da Ordem dos Templários já foi mencionada em diversos livros e é do conhecimento da maioria dos maçons. Resumindo, podemos dizer que teve um grande poder, um enorme prestígio, acumulou uma grande quantidade de conhecimentos e técnicas, principalmente referentes à navegação, além de uma incontável fortuna.

A maioria sabe, também, que o Símbolo representado por um crânio (ou caveira) sobre duas tíbias cruzadas pertence à Ordem dos Templários. Inclusive, quem teve a felicidade de ter assistido a palestra proferida pelo nosso querido Irmão Jamil El Chehimi (hoje no Orinte Eterno) sobre esse assunto, viu claramente esse Símbolo.

Condensando um capítulo do livro “Regnum” do Ir∴ Carlos Alberto Gonçalves – Editora A Trolha, citando o historiador Juan Atieza, temos o que segue abaixo:

“A Ordem dos Templários nasce, desenvolve-se, alcança seu zênite, decai e desaparece após um período de duzentos anos (1118 – 1312).”

“O Rei Felipe, que já vinha desviando seus olhares e sua cobiça para o imenso patrimônio e a enorme fortuna templária em solo francês, contava com as condições perfeitas para levar a cabo suas idéias e executar o seu ambicioso plano: A extinção da ordem dos Templários, com o apoio do Papa.”

“Na noite de 13 de outubro de 1307, Felipe desencadeou um forte ataque surpresa a todas as dependências templárias francesas, capturando 15 mil homens, além do seu Grão Mestre Jacques de Molay e sua guarda de 60 homens. Porém, apesar dos esforços de Felipe, nem todos os templários foram aprisionados, tendo logrado escapar 24 homens e toda a frota naval templária existente em portos franceses.”

Afinal o que aconteceu com essa frota que navegou para locais desconhecidos? Muitos historiadores concordam que tenha incorporado as frotas portuguesas (talvez pela afinidade entre Portugal e a Grã Bretanha) e as frotas Escocesas.

Baigent e Leigt, em “O Templo e a Loja” afirmam:

“...a frota templária escapou em massa dos diversos portos do Mediterraneo e do norte da Europa e partiu para um misterioso destino onde poderia encontrar asilo político e segurança. Esse destino seria a Escócia, via Portugal, onde uma parte dela seria incorporada.”

“...coincidência ou não, a pirataria européia começou nessa época e seu padrão sugere que muitos piratas não eram meros flibusteiros que atacavam qualquer um, mas “piratas” muito curiosos que limitavam sua atenção aos navios do Vaticano e outros, leais ao catolicismo (espanhóis, franceses, italianos, etc)”

“...quando a Inquisição espanhola foi estabelecida no Novo Mundo, depois de 1492, os “piratas templários” estenderam seus ataques ao Caribe e, até mesmo, aos portos do pacífico, do Peru e do México, tudo em nome de uma guerra naval que foi travada por mais de 200 anos.”

Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com

EDUCAÇÃO NA MAÇONARIA

Charles Evaldo Boller

O cidadão que bate na porta de um templo da Maçonaria em busca da luz, a educação que leva à sabedoria, aguarda que a ordem maçônica possua um método de ensino que o transformará em homem melhor do que já é. Isto é evidente na redação da absoluta maioria das propostas de admissão. Tempos depois, alguns não encontram este tesouro, desiludem-se e adormecem. Para estes, a almejada luz foi apenas um lampejo. Longe de constituir falha do método maçônico de educação de construtores sociais, a rotatividade é devida principalmente a nestes cidadãos a luz não penetrar, isto porque eles mesmos não o permitem. A anomalia é consequência do condicionamento a que foram submetidos ao confundirem educação com aquisição de conhecimentos na sociedade. É comum não perceberem a sutil diferença entre os dois propósitos. Professor de escola da sociedade ensina, transmite conhecimentos e não educa. São raros os professores das escolas que mostram caminhos e motivam o livre pensamento, e mesmo assim, isto ainda não constitui educação. Em educação existe apenas o ato de educar-se, de receber luz de fora e sedimentar em si novos conceitos, princípios e prática de virtudes. É impossível educar outra pessoa, a não ser que esta, na prática de seu livre arbítrio, consinta e se esforce em mudar a si próprio. No universo dos seres pensantes existe apenas a auto-educação. Qualquer um só pode educar a si próprio.

Ao mestre maçom é dada a atribuição de ensinar. Pelo modelo do mundo, é de sua atribuição transmitir conhecimentos e, pelo da Maçonaria, é induzir o educando a decidir qual caminho deseja seguir em sua jornada. O método da ordem maçônica visa provocar cada um a descobrir seus próprios caminhos. Ler em conjunto as instruções do ritual não faz do mestre um educador maçônico, mas um professor que transmite conhecimento; ele não induz a luz, a educação da Maçonaria, a almejada sabedoria; para tal, ele carece de um condicionamento de auto-formação. O mestre que apenas dá instruções de forma mecânica nem instrui, pois se comporta a semelhança do modelo do mundo, onde os governos propiciam instrução e igrejas conceitos de ação e moral, que na maioria das vezes visa apenas escravizar para o trabalho ou ao fundamentalismo radical. Auxiliar alguém em mudar o rumo de sua jornada, na presença do livre arbítrio, é educação. Romper a "couraça de aço" que envolve o intelecto do educando exige uma expressão de arte, algo quase místico.

Para despertar dentro do educando as potencialidades de seus dons, exige-se do mestre obter conhecimento lato da natureza humana. Para aprofundar-se no conhecimento das características humanas exige-se dele que conheça antes a si mesmo, da forma a mais ampla possível - é a essência do "conhece-te a ti mesmo", de Sócrates. Este autoconhecimento só aflora quando ele atinge a fase de auto-realização em sua vida, o último estágio que um ser humano atinge depois de atender a todas as demais necessidades, e que Abraham Maslow definiu para o indivíduo que procura "tornar-se aquilo que os humanos podem ser, eles devem ser: eles devem ser verdades à própria natureza delas". É neste último patamar que se considera a pessoa coerente com aquilo que ela é na realidade, seu verdadeiro eu, de ser tudo o que é capaz de ser, de desenvolver seus potenciais até o limite. Só então é possível ao mestre conhecer a natureza humana alheia, onde a educação passa a obter característica de arte ao invés de ciência.

É ilusão pensar que pelo fato do maçom ver-se mergulhado numa sociedade de homens bons, livres e de bons costumes, já seja o suficiente para fazer dele um homem bom. Se ele não o desejar e não agir conforme, de nada adiantam os melhores mestres que nunca obterá a sabedoria maçônica; esta luz só penetra num homem se este o permitir. Por mais que o mestre se esforce, ou possua proficiência num determinado tema, se o caminho para dentro do educando não estiver aberto, isto não sedimentará e não se transformará em educação ou em luz maçônica. Se o recipiendário não se abre ao que lhe é transmitido, de nada vale o mais habilidoso educador. O mestre educador exerce apenas um impacto indireto, por uma espécie de indução; um potencial que todos têm latentes em si de influenciar terceiros por um conjunto de atividades intelectuais, afetivas e espirituais. Para romper os bloqueios do educando, o mestre deve encontrar-se primeiro, mudar-se, e só então obterá a capacidade de induzir luz maçônica ao outro - de fazer o outro mudar - momento em que, mente e coração do educando se abrem, e ele mesmo passa a efetuar mudanças em si, exercendo seu potencial de auto-educação. Em todos os casos o educando só muda se o mestre mudar antes. O aprendizado torna-se ainda mais eficiente quando as provocações provêm da ação do grupo sobre o individuo - é o efeito tribal fixado profundamente na mente de cada indivíduo, fenômeno psicológico e social desenvolvido desde os vetustos homens das cavernas - é quando a maioria das barreiras e bloqueios desaba e abre-se espaço para a auto-educação; neste caso, com o objetivo de obter aprovação do grupo e identificar-se com seus semelhantes. Fica mais efetivo quando uma força assemelhada é aplicada a si mesmo, para obter a aprovação própria, algo que lança o homem na obtenção de sua derradeira necessidade: a auto-realização.

Note-se que educação maçônica, a luz, a sabedoria, não têm nada a ver com decorar rituais, conhecer ritualística, ser uma enciclopédia ambulante; é uma arte que adquire contornos quase mágicos, principalmente quando os resultados aparecem e produzem bons frutos ao induzir os outros a mudarem para melhor como edificadores sociais. Enquanto a ciência pode ter tratamento intelectual com a transmissão de instruções, a arte de educar da Maçonaria vai muito além, e alcança intuição cósmica, limitada apenas nas fronteiras que cada um impõe a si próprio. Enquanto o talento analisa e é consciente, o gênio intui e vai muito além da consciência, pode até alcançar o místico.

Abordagens técnicas não furam a couraça do livre arbítrio do educando, mas a alma da educação pode ser alcançada pela "metafísica" da arte de ensinar os caminhos para a luz. É uma mistura equilibrada de conhecimento, emoção e espiritualidade; elementos dependentes entre si. A educação que quebra as barreiras do livre arbítrio apresentará sempre contornos lúdicos na sua indução. Para isto exigem-se do educador maçônico autoconhecimento e auto-realização. Tal personagem porta a capacidade de induzir na mente do educando uma caminhada que o motiva em efetuar mudanças em sua vida; não porque o mestre assim o determina ou exemplifica, mas porque o educando assim o deseja. Quando o mestre adquire esta arte de atingir e motivar o educando pela auto-educação, terá quebrado a barreira da indiferença do livre arbítrio e o educando se modifica porque ele assim se auto-determina. Com isto o mestre alcança a plenitude de sua atribuição. É a razão do educador maçônico nunca ser definitivo em suas colocações e sempre apresentar as verdades sob diversos ângulos, para que o educando possa escolher ele próprio qual é o melhor caminho a seguir. É a razão de propiciar aos educandos a possibilidade de debater num grupo, em família, os temas com que a Maçonaria os provoca e eles mesmos definirem, cada uma a sua maneira, as suas próprias verdades. É a razão de o mestre brincar com os pensamentos, propiciando emoção agradável, conduzindo as provocações apenas na direção certa do tema e onde cada um define suas próprias veredas. Em todos os casos onde o educando sente-se livre para pensar e intuir, ele derruba as inexpugnáveis barreiras do livre arbítrio que o impedem, em outras circunstâncias mais rígidas e ritualísticas, de obter as suas próprias verdades pelos eternos ciclos de tese, antítese e síntese. Da mágica que se segue da absorção da luz pela auto-educação é que surge a razão do maçom nunca iniciar um trabalho sem invocar a fonte espiritual da arte de educar à glória do Grande Arquiteto do Universo, a única fonte de luz da Maçonaria.

Bibliografia:

ROHDEN, Humberto, Educação do Homem Integral, primeira edição, Martin Claret, 140 páginas, São Paulo, 2007.
Blog Segredo Maçônico

Fonte: http://blogoaprendiz.blogspot.com

terça-feira, 19 de março de 2024

JÓIAS DISTINTAS

(republicação)
Questão apresentada em 02 de novembro de 2.010 e recuperada em 07 de abril de 2.013. O Respeitável Irmão Marcos A. P. Noronha, Venerável Mestre da Loja Universitária, Ordem, Luz e Amor, 3.848, GOB-PR, Oriente de Foz do Iguaçu, Estado do Paraná, apresenta a questão seguinte:
mn.luola@gmail.com

Às vezes, por questão de treinamento ou ainda por falta de Mestre Maçom na Sessão, salientando que a Loja para estar Justa e Perfeita necessita para ser aberta de tão-somente sete Mestres, é designado algum Companheiro para exercer cargos de oficiais em uma das Colunas, como por exemplo, 2º Diácono, Mestre de Harmonia. Nestas ocasiões o Irmão (Companheiro), que estará portando o avental de seu grau, deve usar a faixa (o certo seria colar) com a joia do cargo? Adianto minha opinião, sem querer com isso interferir em sua resposta: consoante com o trabalho que escrevi com o título "O Mestre Instalado" e publicado pela Editora Maçônica "A Trolha Ltda" na Coletânea de Trabalhos nº 8, de setembro de 2009, quando o 1º Vigilante substitui o Venerável na presidência de uma Sessão, aquele não pode utilizar o avental de Mestre Instalado (se não o for), mas ele utiliza o colar de Venerável, entendo que o Companheiro não pode, por óbvio, utilizar o avental de Mestre, mas deve utilizar a faixa (colar) do cargo que estiver exercendo "ad hoc", ou seja, ele não estará usando a faixa de Mestre e sim a faixa (colar) com a joia do cargo. Meu entendimento, data vênia, é robustecido pelo que prescreve o Ritual do 3º Grau (Mestre Maçom) do GOB, Ed. 2009, pg. 22, se não vejamos: "Além do respectivo Avental, o Mestre quando não estiver exercendo o cargo de Vigilante, de Dignidade ou de Oficial usa uma faixa em material acetinado (...) e, em sua extremidade a joia de Mestre em metal dourado." (destaque da transcrição). Ou seja, o Companheiro não deve portar a faixa de Mestre, pois ele não é Mestre, mas deve portar o colar com a joia do cargo, quando estiver "ad hoc" exercendo cargo de oficial ou até mesmo de dignidade, por exemplo, de tesoureiro ou chanceler, haja vista que um Companheiro não deve exercer cargo no Oriente e muito menos de Vigilante. Entendo que nosso parecer está consoante, também, com o que prescreve o citado Ritual à pg. 30 quando trata dos paramentos de Dignidades e Oficiais. Desde já sou mui grato pela atenção dispensada.

Considerações:

Isso seria o mesmo que tapar o sol com a peneira, pois cargos em Loja somente serão exercidos por Mestres Maçons. Entretanto entendo perfeitamente que na realidade das Lojas isso não acontece, geralmente pela falta de Mestres em número suficiente para pelo menos ocupar alguns cargos. 

Assim, como a boca se entorta de acordo com o hábito do cachimbo, pelo menos que um Companheiro não ocupe, além dos Vigilantes, do Mestre de Cerimônias e outros que exercem ofício no Oriente, o cargo de Cobridor também, ele deve usar a joia distintiva correspondente ao cargo que ele precariamente estiver assumindo. 

Como bem disse o Irmão, a faixa é alfaia do Mestre e esta em hipótese alguma deve ser vestida pelo Companheiro. O avental então não merece nem mesmo comentário. Assim, tolera-se no caso precário, o uso do colar com a joia distintiva e nada mais.

T.F.A. 
PEDRO JUK
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.057 - Florianópolis (SC) – sexta-feira, 26 de julho de 2013