Páginas

PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

LOJA UNIVERSITÁRIA "ISAAC NEWTON"


A Isaac Newton University Lodge nº 859 é uma Loja Maçônica Universitária localizada na renomada Universidade de Cambridge, Inglaterra. Com mais de 150 anos de existência, é exclusiva para membros matriculados na universidade e foi fundada em 1861. Desde então, tem sido um ponto de encontro para os estudiosos, mantendo tradições como o uso de uniformes e vestimentas da corte durante as reuniões. Com uma rica tradição que perdura até os dias de hoje, no ano de 2013 tinha aproximadamente 200 membros ativos.

A Loja se reúne no histórico "Bateman Street Masonic Hall", exibindo um distintivo que combina o brasão de armas de Isaac Newton (um par de tíbias humanas cruzadas) com o emblema da Universidade de Cambridge.

Diferentemente de outras Lojas Maçônicas, a Isaac Newton University Lodge tem o privilégio de iniciar membros a partir dos 18 anos, refletindo sua ligação estreita com a academia e o conhecimento.

Além da Isaac Newton Lodge, outras Lojas têm laços estreitos com as faculdades de Cambridge, como a "Lodge of Trinity" e a "Lady Margaret Lodge", proporcionando um ambiente de camaradagem e aprendizado.

Uma curiosidade é que Isaac Newton nunca foi Maçom, mas a utilização de seu nome para batizar a Loja foi uma escolha perfeita!

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

ROCK E CLÁSSICA

Ir∴ Luiz Felipe Brito Tavares

A vida exterior é rock pesado. Desencontros, fragmentações, desestruturações e principalmente ruído, muito ruído. Sensações primitivas e alucinadas em ritmo nada equilibrado.

Catarse permanente cheia de vozes aflitas brigando por serem escutadas por ouvidos ausentes. Liberação hemorrágica de energia, sem nunca coagular.

Qualquer participante distraído é levado pelo avassalador fluxo turbulento a se precipitar no ritmo pesado do descaso.

Evisceração à moda do pepino do mar lançando seu conteúdo interior no vácuo desagregador de um espaço sem espaços.

Boot do sistema apertado por dedo nervoso e compulsivo ininterruptamente.

De fato nada permanece.

Porém muitos buscam a permanência e onde ela estará?

Não no mundo exterior onde rolam continua e caoticamente as pedras vãs. Lá não existe liberdade, pois não existem caminhos.

A vida interior é música celestial. Quem já ouviu sabe do que falo. Harmonia que se faz em ondas sucessivas e contínuas, formando uma unidade uníssona e garantindo a permanência e continuidade.

Tear mágico a tecer tecido sedoso.

Suavidade que segue linhas delicadas no compasso de dançarinos sincronizados e sinérgicos.

Ordem que rodopia em eixo sem nunca se repetir, mesmo sem nunca se desfazer.

A vida interior é permanência aberta e livre. Caminhos amplos a serem percorridos sem cansaço. Caminhos que são gradientes, nos preenchendo de energia quanto mais perto estivermos da fonte absoluta que, no entanto nunca será alcançada, pela graça da eternidade.

Como viver em meio ao ruidoso rock e permanecer sob a harmonia do clássico?

Seria possível separar batidas aleatórias e dar a elas um sentido ordenado e precioso aos ouvidos?

Fazer prevalecer a permanência não obstante a mudança. A questão é de foco e de simetria.

Encontrar notas musicais como nós mesmos que buscam o mesmo destino, que desejam compor uma partitura etérea, mesmo que encarnada no mundo entrópico.

Perceber que o caos do Rock alucinante apenas faz fundo para que os verdadeiros e belos desenhos se sobressaiam.

Ao refletirmos uns aos outros em harmonia criamos um espaço imanente em meio a aparente fragmentação. Criamos um mundo próprio, em meio aos impróprios, e funcionamos como farol permanente e agregador.

Seremos ouvidos aptos a resgatar vozes desgastadas e desbastadas pela inércia da alienação exterior.

Cada um de nós amplificará o som daqueles que como nós pensam e criaremos uma bela música audível em ampla intensidade de sentido suplantando em muito o sibilante, mas sem sal, ruído das pedras que sempre rolarão, embora para lugar algum.

O que não compõem não existe. Quando nos iluminamos para esta verdade o ruído simplesmente desaparece, pois de fato nunca existiu em essência.

Desbastemos as pedras barulhentas que descem sem cessar em esferas perfeitas que deslizam formando graciosa melodia que sobe aos céus.

Fonte: JBNews - Informativo nº 294 - 18.06.2011

domingo, 25 de janeiro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

PORTADOR DE QUITTE-PLACET - REGULAR E IRREGULAR

Em 06.08.2025 o Respeitável Irmão Moacir de Paula Guerra Filho, Loja União de Manhuaçu, REAA, GOB MINAS, Oriente de Manhuaçu, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão.

PORTADOR DE QUITTE-PLACET 

Estamos com uma dúvida: O Irmão Portador de Quite Placet válido, pode visitar Lojas, nesse período de seis meses, ou está com todos os seus direitos maçônicos suspensos?

CONSIDERAÇÕES:

Segue apenas a minha opinião, visto que esta não é uma questão inerente à Secretaria Geral de Orientação Ritualística.

Assim, entendo que um Ir∴ portador de Quitte-Placet, dentro do prazo de validade, para participar regularmente dos trabalhos maçônicos em uma Loja, deve primeiro solicitar a sua Filiação. Obtida a mesma nos conformes legais, ele poderá participar dos trabalhos, fazendo, inclusive visitas a outras coirmãs. 

O prazo de validade do Quitte-Placet (seis meses) não dá direito à participação, dentro deste prazo, nos trabalhos de uma Loja, mas dá direito ao portador de pedir filiação em uma Loja da Obediência que expediu o Quitte-Placet. Caso a validade esteja expirada, o seu portador passará pelas formalidades de Regularização.

É esse o meu entendimento. Sou da opinião de que não é justo que um portador de Quitte-Placet, enquanto válido, fique seis meses frequentando Lojas como visitante sem pertencer ao quadro de nenhuma uma Loja e nem recolher os metais devidos. Assim, primeiro pede-se a filiação e depois de formalmente filiado passa então a frequentar os trabalhos regulares novamente.

T.F.A.
PEDRO JUK – SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

A CONSAGRAÇÃO

O vocábulo significa tornar sagrado um templo, isto é, habilita-lo para receber os adeptos com a finalidade de honrar e cultuar uma divindade.

A maçonaria consagra os seus templos usando um ritual apropriado através de tocante cerimônia; o uso da consagração é relativamente moderno, pois as constituições de 1717 e 1723 nada referem a respeito.

A consagração, porém, não é ato exclusivo que respeite a um templo, pois todo "novo maçom", logo após a sua iniciação, é consagrado pelo venerável mestre, que coloca a lâmina de sua espada sobre sua cabeça e pronuncia a fórmula consecratória com o malhete na lâmina por três vezes.

Na época cavalheiresca, os cavaleiros eram consagrados, também, com a espada, batendo a lâmina nos ombros difere da cerimônia maçônica, pois, na realidade, quem consagra não é a espada, mas sim as "vibrações" que os golpes do malhete produzem e que penetram na parte íntima do neófito.

Todo maçom deve recordar, sempre, que além de iniciado foi consagrado para sua maçônica missão.

Sagrado significa "selecionado".

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 99.

COMO É QUE O ORGULHO DO MAÇOM SE MANIFESTA?

Léo G. Santos ·

Porquê abordar este assunto, que parece mais uma questão de sociologia do que de Maçonaria, numa Loja onde o trabalho sobre o simbolismo é primordial?

A resposta é simples: "O orgulho é para um maçom o que uma miragem é para um errante desesperado no deserto". É uma ilusão necessária e irresistível. Por conseguinte, é necessário tornar-se seu senhor através de um trabalho árduo, correndo o risco de permanecer seu escravo submisso.

Como todos sabemos, tudo na Loja é uma dualidade:

• Sol / Lua
• Branco / Preto do pavimento
• Meio-dia / Meia-noite
• Zénite / Nadir
• Este / Oeste
• Norte / Sul
• Coluna J / B
• Espada / Bastão
• 1º Vig. / 2º Vig.

Podemos, portanto, deduzir que o orgulho também tem o seu binómio, é uma realidade. Chama-se humildade. Este termo grego é mais conhecido por "húmus", a terra, que quase beijamos quando passamos pela porta inferior durante a nossa iniciação.

Voltemos ao orgulho para o definir melhor.

"Há uma diferença entre o orgulho e a vaidade. O orgulho é o desejo de estar acima dos outros; é o amor solitário de si próprio. A vaidade, por outro lado, é o desejo de ser aprovado pelos outros. No coração da vaidade está a humildade, uma incerteza sobre si mesmo que é curada pelo elogio".

O orgulho é compararmo-nos com os outros. Não certamente para nos alimentarmos deles e crescermos, mas para os anularmos, a fim de nos tranquilizar-mos quanto aos nossos medos fundamentais. O orgulho é uma manifestação de esquizofrenia: é dizer ao outro: "Preciso de ti para que me reconheças", mas ao mesmo tempo dizer-lhe: "Nego-te para não perder o meu lugar de escolhido, de mais amado".

Assim, tudo o que vou dizer baseia-se no seguinte princípio: "A escuridão não existe como entidade, é apenas o resultado de uma ausência de luz. Da mesma forma que o frio é uma ausência de calor". Assim, parece-me que o orgulho é uma ausência de humildade. Se a humildade é terrena, sólida, concreta, a sua antítese é a vacuidade ou a ilusão.

O maçom que cresceu de acordo com as etapas convencionais da Maçonaria (Aprendiz, Companheiro e Mestre), aquele que estudou os símbolos e os integrou, para lhes dar sentido na vida quotidiana e na fraternidade, torna-se como um fio de prumo. É equilibrado, alinhado, justo e ocupa o seu próprio lugar, com os dois pés bem assentes na terra. Não procura ocupar o lugar do vizinho. Não procura ser considerado mais do que aquilo que se considera ser, simplesmente É.

Por outro lado, o maçom que perdeu a verdadeira intensidade das provas de iniciação sabe muito bem que lhe faltam peças, partes do seu todo pessoal. Não está completamente cheio de si e esta falta leva-o a intelectualizar-se, a fantasiar com o seu espírito. Então, ele pensa! Pensa, encontra respostas lógicas. Discute e, sobretudo, agita-se. Cria perturbações, porque o que é na sua essência mais profunda diz-nos muito mais sobre ele do que aquilo que nos diz com as suas palavras ou gesticulação estéreis.

Surgem então os debates e as rivalidades.

"O orgulho divide-nos ainda mais do que o interesse". O maçom torna-se incapaz de reunir o que está disperso, porque está agora num estado de separação, de divisão e, sobretudo, de discriminação de todas as coisas.

O masculino e o feminino já não são duas faces da mesma moeda, mas dois gêneros humanos distintos que devem ser colocados em dualidade e mesmo em conflito. Para ele, os aprendizes tornam-se pequenos principiantes. Os companheiros são de baixo nível e facilmente humilhados, e todos os outros mestres são rivais que devem ser ultrapassados o mais rapidamente possível.

Este tipo de maçom orgulha-se do seu avental e das suas promoções no seio da Loja. Alguns chegam mesmo a pensar que os cargos são uma forma de reconhecimento, uma forma de patente. Deve ser verdade, porque durante a distribuição dos cargos no início do ano, ouvimos outros irmãos ou irmãs virem felicitá-los pela sua nova nomeação. Pensemos bem: as únicas felicitações possíveis são as que devem vir no fim do ano, quando o oficial fez um bom trabalho.

No século XVIII, Antoine de Rivarol dizia:

"É preciso fazer morrer o orgulho sem o ferir. Porque se o ferirmos, ele não morre".

O orgulho é um animal duro. Quanto mais é ferido, mais incha. Está desligado da realidade das coisas, não tem contato com os seus vizinhos, refiro-me à inteligência do coração ou à da razão. Todos nós conhecemos pessoas eruditas ou muito cultas, mas totalmente cheias de um orgulho que tenta desesperadamente mantê-las acima dos outros, como se os outros pudessem diluí-las. Conheço até uma categoria de orgulhosos que ultrapassam todos os outros. Chamam-lhes os modestos.

Como escreveu La Rochefoucauld nos seus pensamentos: "A modéstia é o mais alto grau de orgulho". Não devemos confundir humildade com modéstia. Jules Renard escreveu: "Ser modesto! É o tipo de orgulho que menos desagrada".

Gostaria agora de vos falar de um outro tipo de orgulho. Chama-se "orgulho espiritual". O seu representante é um escolhido. Ele é o embaixador do Grande Arquiteto na Terra. Está em ligação direta com ele. Foram-lhe atribuídos superpoderes. Faz questão de ser o líder indiscutível da prática do ritual. Pode mostrar-vos a lista dos seus títulos e distinções… em suma, diz-vos com falsa modéstia que o seu percurso maçônico o tornou melhor. Pode até ser condescendente. Este tipo de pessoa é bastante perigoso, porque avança sorrateiramente com a máscara de um maçom que só trabalha para si e não se interessa pela sua própria vida.

Fonte: Facebook_Átrio do Saber

sábado, 24 de janeiro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

ELEMENTO ESTRANHO NA RITUALÍSTICA

Em 06.08.2025 o Aprendiz Maçom Marcos Spengler, Loja Luz e Razão, 3930, REAA, GOB-RS, Oriente de Santo Ângelo, Estado do Rio Grande do Sul, solicita esclarecimentos.

ELEMENTO ESTRANHO

Tenho a seguinte dúvida?

O uso do ataúd∴ do REAA ainda é permitido nas iniciações.

Já faz bastante tempo que esta aberração foi retirada dos rituais do REAA no GOB. Assim, oriento verificar o Ritual de Aprendiz em vigência de 2024. Confira se há alguma referência a urn∴ mort∴ ou similar. Certamente o Irmão não encontrará nada nesse sentido.

Por conta disso, alerta-se: quem estiver inserindo práticas não previstas pela ritualística estará desrespeitando o Ritual - vide título 1.2 - Interpretação Deste Ritual, Aprendiz Maçom, página 13, GOB.

Reitera-se: o que não estiver previsto no ritual não deve ser praticado, sob pena de estar cometendo um delito maçônico, e como tal assim será tratado.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

GEORG ADOLPH DEMMLER


Georg Adolph Demmler (Güstrow, Alemanha, 22 de dezembro de 1804 – 2 de janeiro de 1886, Schwerin, Alemanha) foi um arquiteto, desenhista e político alemão.

Em 1835, foi nomeado "Landesbaumeister" (Mestre Construtor do Estado). Dois anos depois, Paulo Friedrich, Grão-Duque de Mecklemburgo-Schwerin, recrutou-o para ajudar nos seus ambiciosos planos de desenvolvimento e nomeou-o "Hofbaumeister" (Mestre Construtor da Corte). Onde ele conseguiu elaborar a maioria dos planos que foram usados em projetos futuros, incluindo a renovação do Schweriner Schloss - Castelo de Schwerin.

Foi iniciado na Freimaurerloge "Harpokrates zur Morgenröthe" em Schwerin, Alemanha, em 1826, aos 22 anos, e foi membro vitalício.

Fonte: Instagram_Coluna Cultural Maçônica

APÓS A LUZ MAÇÔNICA

Após a Luz: O Nascer de um Novo Homem e Jornada da Pedra Bruta 

Receber a Luz Maçônica não é um ato de mágica que altera a realidade externa; é um despertar profundo que transforma irrevogavelmente a paisagem interna. Quando a venda cai, o mundo físico permanece o mesmo, mas o olhar daquele que foi iniciado jamais será igual.

O que muda, verdadeiramente, na vida do Iniciado?

1. O Olhar Sobre Si Mesmo (A Pedra Bruta)
A mudança mais imediata é a consciência da própria imperfeição. O iniciado deixa de justificar seus erros com desculpas do mundo profano e assume a responsabilidade de desbastar a sua Pedra Bruta. Ele entende que seus vícios e paixões desordenadas são arestas que precisam ser removidas com o malho da vontade e o cinzel da razão. A vida passa a ser uma constante oficina de autoaperfeiçoamento.

2. A Percepção do Outro (A Tolerância)
A Luz revela que a verdade não é propriedade de um só homem. O maçom aprende a respeitar as divergências, entendendo que somos todos irmãos em humanidade. Onde antes havia julgamento, passa a existir a tolerância. Ele aprende a ouvir mais e falar menos, buscando compreender antes de querer ser compreendido.

3. O Sentido de Propósito (A Construção do Templo)
A vida deixa de ser uma busca vazia por bens materiais ou status. O iniciado compreende que é uma peça fundamental na construção de um Edifício Social mais justo e perfeito. Suas ações no mundo profano passam a ser pautadas pela retidão, pois ele sabe que representa uma instituição milenar e que suas atitudes devem refletir a Luz que recebeu.

4. A Fraternidade Real
Por fim, ele descobre que nunca mais estará só. Ele ganha irmãos que não compartilham seu sangue, mas compartilham seus ideais. A solidariedade deixa de ser uma palavra bonita para se tornar uma prática diária através da Cadeia de União.

Receber a Luz não é o fim da caminhada, mas apenas o primeiro passo de uma longa jornada em busca da Verdade.

Fonte: Facebook_Federação Maçônica de São Paulo

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

VISITANTE DE OUTRO RITO

Em 05.08.2025 o Respeitável Irmão Jefferson Carlos de Souza, Loja Perseverança e Vigor, 2638, REAA, GOB-SP, Oriente de Rio Claro, Estado de São Paulo, pede o seguinte esclarecimento.

VISITANTE

Tomo a liberdade de lhe escrever, mesmo reconhecendo que o assunto que desejo tratar não está diretamente ligado à ritualística — campo em que o Irmão é amplamente reconhecido — mas sim por admirar sua experiência, lucidez e firmeza nos posicionamentos que compartilha.

Fui iniciado na ARLS Cruzeiro do Sul nº 3631, Rito Brasileiro, no Oriente de Florianópolis - SC (GOB). Há cinco anos mudei-me para São Paulo e, desde então, estou regular e ativo em minha atual Loja. Apesar disso, mantive um compromisso pessoal de, ao menos uma vez por ano, estar presente nos trabalhos da minha loja mãe, por respeito, gratidão e vínculo afetivo com os irmãos que me acolheram na minha jornada iniciática.

Em minha última visita, fui questionado por um grande Irmão sobre o motivo de eu não utilizar o avental e a gravata do Rito Brasileiro durante as sessões que visito a Cruzeiro do Sul. Segundo ele, por ter sido investido com o avental de Mestre Maçom do Rito Brasileiro, seria meu direito usá-lo sempre que julgar conveniente.

Minha dúvida se dá justamente neste ponto: o Irmão considera apropriado — ou conveniente — que eu substitua o avental e a gravata do REAA pelo do Rito Brasileiro nessas ocasiões?

Caso seja possível dedicar-me alguns minutos com sua opinião, ficarei profundamente agradecido.

No aguardo, deixo meu TFA e votos de saúde, luz e sabedoria em sua caminhada.

CONSIDERAÇÕES:

Lamento dizer, mas o Irmão da Loja visitada lhe deu uma informação completamente errada e sem nenhum sentido.

Veja, não obstante a sua pessoa estivesse visitando uma Loja a qual um dia pertencera, inclusive nela tendo sido iniciado, atualmente não há, entre ela (a Loja) e o Irmão, qualquer vínculo como obreiro regular do quadro, visto que nela nem mesmo é filiado.

Nesse sentido, o Irmão é membro regular de outra Loja, inclusive de outro rito e de outro Oriente (Cidade), na qual recolhe os seus metais.

À vista disso, na Loja do Oriente de Florianópolis mencionada, o Irmão é um visitante, portanto nela se apresenta como um visitante do REAA, e não mais do Rito Brasileiro.

Se, ao em vez disso o Irmão fosse filiado na Loja de Florianópolis, então poderia se apresentar vestindo as alfaias do Rito Brasileiro, mas não é o caso.

Por conta disso, essa "estória" de se achar que um obreiro, mesmo de outro rito, possa se apresentar paramentado no rito em que foi investido pela primeira vez é algo completamente equivocado, e até irresponsável, eu diria.

Uma Loja pode mudar de Rito (isto é permitido no RGF), todavia feita a mudança, todos os seus obreiros se vestem conforme o novo rito adotado, e nunca no rito que deixaram de praticar.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A ERA DA REALIDADE FABRICADA

Vivemos um tempo em que a política parece encenada, a história é apresentada como narrativa “pronta” e o cotidiano, cada vez mais mediado por telas, vai se afastando da experiência direta. Não é raro ouvir, mesmo entre pessoas comuns, uma frase que carrega inquietação: “Tudo é falso.”

Este ensaio propõe olhar para essa sensação com seriedade — não como mero pessimismo, mas como um sinal do nosso tempo. E, à luz da filosofia e da tradição iniciática da Maçonaria, sugere uma resposta: o iniciado não vence a ilusão negando o mundo, mas trabalhando para edificar em si um Templo interior, onde a Verdade e a Luz não dependem das modas, do ruído ou das aparências.

Nos últimos anos, muitos passaram a duvidar da autenticidade do que os cerca. Da produção de alimentos à política, das narrativas históricas às finanças, uma impressão de irrealidade se espalhou. E expressões como “Estamos assistindo a um filme” ou “Alguém está movendo as peças no tabuleiro” já não pertencem apenas a debates marginais: aparecem no cotidiano, como reflexo de um cansaço profundo.

Isso é paranoia? Ou indica uma transformação real na forma como o ser humano se relaciona com a realidade?

Neste texto, o autor recorre à filosofia, à ciência cognitiva, à crítica cultural e às tradições espirituais da Maçonaria para nomear o fenômeno: a era da realidade fabricada. E pergunta: o que a Ordem, com sua linguagem simbólica e seu método iniciático, tem a oferecer quando as aparências parecem engolir a verdade? Quando a passagem das trevas à Luz se torna, mais do que nunca, necessária?

Introdução: “Tudo é falso”

Na última década — especialmente após as grandes turbulências globais recentes — uma frase inquietante ganhou força:

“Nossa comida é falsa, nossas notícias são falsas, nossos políticos são falsos, nossa história é falsa, até nosso sistema financeiro é falso.”

Em torno disso, surgem variações:

  • “Estamos assistindo a um filme.”
  • “Os que mandam estão movendo as peças.”
  • “Eu não acredito mais em nada do que vejo.”

Ainda que ditas com leveza, essas frases expressam uma ansiedade concreta: a sensação de que as estruturas que sustentam a vida moderna deixaram de ser “reais” — não apenas por serem imperfeitas, mas por parecerem simulações, ilusões ou manobras.

Para muitos, isso não é só uma ideia: é uma experiência. Não se trata apenas de reconhecer que existem mentiras, mas de sentir que a própria percepção se torna instável — como se a vida fosse conduzida em um palco, e não vivida com presença.

A Maçonaria começa exatamente aí.

O candidato é conduzido à Loja na escuridão, reconhecendo que sua visão é limitada e que a Luz — a Verdade — não é entregue pronta: é buscada. A Ordem, portanto, não oferece apenas uma teoria, mas um método: discernir, trabalhar, lapidar, e edificar em si uma base interior capaz de resistir ao caos do mundo profano.

Para compreender a crise atual, vale olhar para suas raízes.

Uma genealogia filosófica da ilusão

A suspeita de que o mundo aparente não é o mundo verdadeiro é antiga. A filosofia ocidental nasce sob esse tema, e inúmeros pensadores enfrentaram o problema das aparências. A pergunta é perene: o que vemos é o real — ou apenas sombras?

A Caverna de Platão: uma imagem iniciática

Em A República, Platão descreve prisioneiros numa caverna, condenados a ver apenas sombras numa parede. Para eles, aquelas sombras são “tudo”. Não conhecem os objetos, nem a Luz do mundo exterior.

A imagem é contemporânea: um ambiente escuro, figuras projetadas, espectadores passivos. Mas Platão fala da alma não despertada.

Na leitura simbólica, essa caverna se aproxima do estado do homem antes do trabalho interior. Sair dela é atravessar um limiar — uma passagem do Ocidente ao Oriente, do olhar comum ao olho interior. Platão ainda lembra: quem retorna para contar o que viu muitas vezes encontra resistência. Não é diferente com aquele que se põe a trabalhar sobre si: o mundo que se contenta com sombras raramente aplaude quem busca a Luz.

Descartes: dúvida e fundamento

Descartes considerou a possibilidade de um engano total — um “gênio maligno” que distorcesse os sentidos1. Restou-lhe a certeza do penso, logo existo.

Hoje, muitos se sentem em um cenário semelhante: excesso de informação, contradições, versões concorrentes, interesses ocultos. Só que, onde Descartes buscou firmeza, o homem contemporâneo frequentemente encontra exaustão — e, às vezes, niilismo.

A resposta maçônica não é render-se à dúvida, mas reencontrar a certeza por meio de disciplina, estudo, simbolismo, virtude e Fraternidade. A Verdade não se impõe pela força — ela se constrói no trabalho.

Nietzsche: quando a verdade vira disputa

Nietzsche proclamou a morte da verdade absoluta2. Em seu lugar, narrativas competem, perspectivas se chocam, e o sentido se fragmenta.

Aqui, a alegoria maçônica da Palavra Perdida ganha força: não é que a verdade tenha deixado de existir, mas que foi obscurecida. Recuperá-la é obra de vida — não uma opinião de momento.

Foucault: verdade e poder

Foucault argumentou que “verdades” são produzidas por estruturas de poder3. Instituições delimitam o que pode ser dito, reconhecido e aceito como real.

A Maçonaria antecipa esse risco ao chamar o Irmão a submeter tudo à consciência, ao crivo da razão e à virtude. A obrigação, nesse sentido, não é apenas um juramento: é uma proteção contra narrativas impostas.

Debord e Baudrillard: o espetáculo e o simulacro

Debord falou de uma sociedade que troca a vida pela representação4. Baudrillard foi além, descrevendo um mundo em que signos se referem a signos, e a simulação substitui a substância5. 

O profano então percebe: “parece falso”. Talvez não porque haja uma mentira única, mas porque a mediação virou o próprio mundo.

A Loja, por contraste, é presença: palavra dita, ritual vivido, silêncio compartilhado, experiência real — e isso tem peso iniciático.

McLuhan: o meio nos molda

McLuhan lembrou que o meio molda a consciência6. Não é só o que chega até nós, mas como chega. E, quando o meio muda, o próprio senso de realidade muda.

Daí a importância de aprender a pensar com profundidade, a discernir, a simbolizar — habilidades que a Arte Real cultiva.

Os domínios “fabricados”

Essa sensação de irrealidade não fica só no plano das ideias. Ela aparece em experiências concretas, especialmente em cinco áreas: alimento, notícias, política, história e finanças.

Alimento: sustento sem vitalidade

A frase “nossa comida é falsa” reflete a industrialização do alimento: produção pensada para eficiência e lucro, não para nutrição. O vínculo com a terra e com o trabalho humano se torna distante, invisível.

Em tradições espirituais, alimento não é só matéria: carrega força vital. Por isso, o tema toca também o espírito — não apenas o corpo.

Notícias: fatos ou narrativas?

Hoje, notícias são percebidas como enquadramentos. Realidades paralelas surgem, e cada grupo consome versões que reforçam sua visão.

Hannah Arendt alertou: quando fatos cedem lugar a narrativas, a liberdade se enfraquece7. Sem um chão comum, não há deliberação, apenas disputa.

Ao maçom cabe investigar, comparar, ponderar, não reagir por impulso.

Política: imagem acima da substância

A política vira performance, marca, marketing. A gestão real se perde em encenação.

A Ordem sempre ensinou: não julgar pela aparência, mas pela integridade. Liderança, na visão maçônica, é serviço e virtude — não teatro.

História: memória selecionada

A frase “a história é escrita pelos vencedores” reforça que a história nunca é um registro neutro. Ela é selecionada, interpretada e construída — e os fatos destacados ou omitidos acabam moldando a identidade nacional e cultural.

Nietzsche observou que, muitas vezes, a história é escrita para servir à vida — especialmente à vida do poder8. Foucault mostrou como narrativas históricas tendem a reforçar estruturas já existentes de autoridade9. 

A alegoria maçônica da Palavra Perdida volta a fazer sentido aqui: aquilo que foi esquecido ou obscurecido precisa ser recuperado por meio de um labor consciente.

Finanças: abstração total

O dinheiro se torna número, o valor se sustenta em crença, e instrumentos complexos se multiplicam.

Simmel já enxergava a crescente abstração do dinheiro10. A Arte Real responde lembrando: riqueza verdadeira não é acúmulo, mas virtude, sabedoria e Fraternidade.

Dimensão psicológica

A crise também é interior. Para entender por que tantos sentem que “tudo é falso”, precisamos lembrar: a mente constrói realidade.

O cérebro preditivo

A Neurociência sugere que o cérebro prevê e ajusta seus modelos. Quando sinais são contraditórios e ameaçadores, o modelo entra em colapso — e surge ansiedade, desconfiança, confusão.

A Ordem oferece estabilidade: razão, ritual e comunidade.

A necessidade de narrativa

O ser humano precisa de sentido. Quando narrativas antigas se quebram, outras surgem — algumas elevam, outras adoecem.

A Maçonaria oferece uma narrativa simbólica de morte e renascimento: não para fugir do mundo, mas para atravessá-lo com dignidade.

Desamparo aprendido

Sentir-se impotente leva à apatia. A jornada iniciática faz o contrário: devolve agência. Cada grau reforça responsabilidade, ética e trabalho interior.

O precedente histórico

Crises de verdade não são novidade.

Roma teve “pão e circo”. A Reforma fraturou certezas. O Iluminismo deslocou o eixo do mito para a razão. O século XX industrializou propaganda: Bernays mostrou como desejos e opiniões podem ser fabricados11. 

O que muda hoje é a escala: redes digitais aceleram tudo, e instituições lutam para manter coerência.

A dimensão esotérica e maçônica

A Maçonaria não é apenas moralidade: é iniciação. E sua linguagem simbólica é particularmente útil quando palavras se tornam armas e imagens se tornam enganos.

O mundo das aparências

Muitas tradições chamam o mundo fenomênico de véu. A venda do candidato expressa isso: a visão anterior era incompleta.

Viver apenas pelas aparências é permanecer na caverna. A Arte Real conduz ao olhar interior.

Ritual como modo de conhecer

Ritual não é enfeite: é epistemologia. Símbolos dizem o que a linguagem comum não sustenta.

Em um tempo de manipulação, isso é precioso: há verdades que se conhecem vivendo, não apenas debatendo.

A Palavra Perdida

A verdade não é “entregue”: é buscada, merecida e internalizada. Em um mundo de desinformação e hiper-realidade, essa lição é essencial.

Hiram Abiff

A lenda de Hiram fala de sabedoria atacada por ambição e ignorância. O reerguimento simboliza fidelidade e perseverança — a restauração da verdade pelo caráter, não pelo espetáculo.

O Templo de Salomão

O Templo é o homem aperfeiçoado. Se o mundo exterior parece artificial, o Templo interior precisa ser firme. O iniciado é arquiteto e pedra: trabalha em si para sustentar o todo.

O tabuleiro e os jogadores

A metáfora das “peças movidas por alguém” pode soar conspiratória, mas também aponta para estruturas reais de poder. Teorias das elites reconhecem que minorias influenciam rumos.

Ainda assim, a leitura iniciática é mais profunda: o tabuleiro é o mundo; somos peças, mas também podemos despertar como jogadores. A tarefa não é apenas denunciar forças externas, mas recuperar a própria agência e agir com retidão.

Contra-argumentos

Nem tudo é fraude. Instituições também servem ao bem comum. Complexidade pode parecer conspiração sem haver um plano. Erros em jornalismo e ciência não provam engano sistemático.

E há um risco: o cinismo virar outra forma de cegueira. A virtude está no equilíbrio: nem ingenuidade, nem ceticismo absoluto — discernimento.

A resposta iniciática à crise

Qual é a resposta maçônica para a era da realidade fabricada?

  1. Buscar a Luz — por estudo, reflexão e Fraternidade.
  2. Cultivar a virtude — ancorar-se na ação moral, não na reação.
  3. Edificar o Templo interior — não depender do mundo exterior para ter sentido.
  4. Servir à humanidade — agir como construtor, não apenas crítico.

Assim, o maçom se torna presença estabilizadora: clareza onde há confusão, Luz onde há trevas.

Conclusão: da ilusão à arquitetura

É compreensível sentir que “tudo é falso”. Vivemos cercados por imagens, narrativas e abstrações que muitas vezes encobrem o essencial.

Mas a Maçonaria lembra: essa condição não é nova. A jornada das trevas à Luz é a busca perene do ser humano.

Não se trata de escapar completamente das sombras, mas de reconhecê-las como sombras — e orientar-se rumo à fonte da Luz.

A Loja é refúgio e oficina: onde a verdade não é doutrina pronta, mas prática viva; não é posse, mas aspiração.

Em tempos de simulacro, o labor do maçom é ainda mais necessário: construir sobre o eterno, manter firme o Templo interior, buscar a Palavra com fidelidade e lembrar que a Luz permanece acessível a quem a procura com coração reto.

Autor: Maarten Moss

Fonte: The Square Magazine

*A tradução desse artigo foi realizada com o auxilio de IA.

Notas
  1. Descartes, René. Meditations on First Philosophy. ↩︎
  2. Nietzsche, Friedrich. On Truth and Lie in an Extra-Moral Sense. ↩︎
  3. Foucault, Michel. Power/Knowledge. ↩︎
  4. Debord, Guy. Society of the Spectacle. ↩︎
  5. Baudrillard, Jean. Simulacra and Simulation. ↩︎
  6. McLuhan, Marshall. Understanding Media. ↩︎
  7. Arendt, Hannah. Between Past and Future. ↩︎
  8. Nietzsche, F. On the Uses and Abuses of History for Life. ↩︎
  9. Foucault, Michel. Discipline and Punish. ↩︎
  10. Simmel, Georg. The Philosophy of Money. ↩︎
  11. Bernays, Edward. Propaganda. ↩︎

Referências

Fonte:opontodentrodocirculo.wordpress.com

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

O APRENDIZ E A PALAVRA

Em 05.08.2025 o Respeitável Irmão Édson dos Santos, Loja Regeneração Sul Bahiana, 994, REAA, GOB BAIANO, Oriente de Ilhéus, Estado da Bahia, apresenta a dúvida seguinte.

APRENDIZ E A PALAVRA

Bom dia, irmão. No ritual de Aprendiz diz que o Aprendiz não sabe falar ele sabe soletrar, como na transmissão da palavra sagrada. A minha pergunta é a seguinte:

O irmão Aprendiz pode solicitar a palavra?

CONSIDERAÇÕES:

Obviamente que sim. O Aprendiz pode pedir a palavra nos momentos apropriados.

O ato do Aprendiz somente saber soletrar a Palavra Sagrada é de cunho iniciático, podendo o mesmo se pronunciar normalmente quando autorizado ou inquirido.

No contexto iniciático, dar a Palavra Sagrada letra por letra significa aquele que está iniciando a sua jornada pela senda do conhecimento maçônico. 

Este ato se caracteriza pela infância; os primeiros anos; os primeiros passos.

É preciso separar o que é simbólico da realidade do cotidiano.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

LUIZ GONZAGA


Registro da visita de Luiz Gonzaga à Loja Calixto Nóbrega nº 15, Oriente de Sousa, Paraíba, em 17 de julho de 1975.

Luiz Gonzaga foi Iniciado na Maçonaria do Rito Moderno. Seu padrinho foi Florentino Guimarães. Apesar de não poder frequentar com assiduidade a sua Loja-Mãe, por conta dos seus compromissos, em toda cidade que ele ia, se tivesse tempo, fazia questão de se apresentar e participar das sessões e ajudar.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria 

O ESQUADRO


Ir∴ Rizzardo da Camino – escritor maçônico

Antes de tecermos considerações sobre o esquadro cumpre esclarecermos a respeito da distinção entre os símbolos. De uma forma generalizada tudo deverá ser considerado como símbolo, eis que o próprio homem é um símbolo, mas nem sempre devemos generalizar. Para melhor compreensão passaremos a classificar os símbolos, sem nos preocuparmos com a maior ou menor importância deste ou daquele objeto.

Assim, tanto o Livro Sagrado quanto Esquadro e Compasso passarão a ser conhecidos como utensílios.

A supressão do Livro Sagrado, em certos ritos, equivale a suprimir um utensílio que evidentemente fará falta para a construção do edifício físico-espiritual que é o futuro maçom.

O Esquadro é um utensílio que para os egípcios era um quadrado geométrico, ou seja, a figura de quatro lados iguais a quatro ângulos retos.

Também não deixa de ser uma jóia móvel, símbolo de mando que é colocado no Venerável da Loja.

Encontramos sua origem e uso no culto do Osíris na sala do Juízo, onde são julgados os homens que, encontrados com a perfeição necessária, são admitidos a prosseguir.

Embora um só esquadro possui dois significados, sendo que o primeiro é para a construção reta e perpendicular a fim de que resulte forte e segura.

Nas mãos do Venerável servirá para julgar e decidir. Era o símbolo do Deus Rã, o deus-sol, filho de Osíris e de Isis, que o empunhava na forma de um malhete, de haste longa e testa em forma de flecha pela composição de dois esquadros. Deus descendente e Deus ascendente. Quase que um prelúdio da Cruz cristã.

A matemática que faz parte da filosofia, através de Pitágoras demonstrou que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos.

Esquadro, do latim ex-cuadrare não deixa de ser, também, um instrumento de desenho usado na geometria. É um ângulo reto ou um triângulo. Sem dúvida trata-se do símbolo mais usado e conhecido na Maçonaria, podendo-se até sugerir como sinal de identificação. Por ser o quadrado perfeito, representa a terra e orienta a marcha do aprendiz do átrio até o Venerável na posição de ordem.

Esta posição apresenta quatro esquadros que em astronomia significam o corte dos diâmetros do círculo zodiacal, resultando as quatro partes conhecidas como as estações do ano. Todos os graus da Maçonaria contêm como símbolo primário o Esquadro, porque todos os graus conduzem ao aperfeiçoamento humano no caminho reto da justiça e comportamento. Por ser uma figura geométrica, é um utensílio de medida, sendo, portanto quem equilibra o comportamento humano.

Nos três graus simbólicos o aprendiz usa o Esquadro como signo de sua marcha; cada passo forma um Esquadro.

O companheiro...

O aprendiz que segue pelo seu caminho quer espiritual, quer material, o faz em linha reta, mas jamais deixará de verificar o que está ao seu lado. Seguindo a linha longa do Esquadro em frente, acompanhará a linha mais curta em direção oposta lateral; percorre, assim, o Universo, afastando-se cada vez mais do vértice para o infinito , abrangendo o que lhe está à direita.

À esquerda, terá o incognoscível, mas por tempo limitado, porque ao retornar de sua viagem percorrerá parte do caminho trilhado, já com a soma de uma experiência, abrangendo, porém a amplitude que em sua ida não pudera discernir. E no passar dos ciclos, em sua eternidade, o homem compreenderá o que significa romper horizontes.

Fonte: JBNews - Informativo nº 294 - 18.06.2011

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

PEDIR A PALAVRA NO REAA

Em 20.08.2025 o Respeitável Irmão Reinaldo de Barros, Loja Humanidade e Progresso, 3623, REAA, GOB-PE, Oriente de Caruaru, Estado de Pernambuco, solicita o seguinte esclarecimento:

PEDIR A PALAVRA

Valoroso Ir∴ Pedro Juk, venho por meio deste, solicitar de sua sapiência, uma dúvida que trago desde meu ingresso na Ordem nos idos de 2017.

Sempre me foi passada a informação de que na palavra a Bem da Ordem, o Irmão que dela queira fazer uso, faça pelo sinal de costume, sinal este que é o braço direito estendido à frente com a palma da mão voltada para baixo, sinal também utilizado em votações de algum assunto em assembleia.

Isto posto, certa vez indaguei a um mestre que, ao se pedir a palavra fazendo pelo sinal de costume, por que alguns irmãos batem palma, a resposta foi: para chamar a atenção do correspondente vigilante que poderia estar desatento a solicitação do Irmão. Afinal, o que é mito e o que é verdade nesse caso? Ou melhor dizendo, o que é certo e o que é errado?

Desde já agradeço a atenção dada a esta humilde solicitação. Parabenizo seu trabalho em prol de uma Maçonaria mais pujante, ordeira e pacífica!

CONSIDERAÇÕES:

Inicialmente, vamos tratar movimentos para pedir a palavra e aprovação como gestos, não como sinais, até porque os sinais maçônicos, tais como os de Ordem e Penais, encerram segredos reservados apenas aos iniciados e possuem um alto significado iniciático, sendo, inclusive, executados apenas em se estando em pé na forma de costume. Creio que assim fica mais apropriado.

Gestual para se pedir a palavra - A prática consagrada no REAA de se pedir a palavra é, estando sentado, bater com a palma da mão direita aberta sobre o dorso da mão esquerda fechada (para chamar atenção), em seguida levantar a mão direita espalmada o suficiente para se identificar.

Gestual de aprovação em votações nominais - Estender o braço e respectiva mão direita aberta, dedos unidos, levemente ao alto para a frente. Para se abster de votar, no caso do REAA, fica-se à Ordem.

Em linhas gerais, são estas as orientações no GOB para o REAA.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br