Por @androsbaruc
I. O Venerável como Jardineiro Espiritual
Aquele que assume o Malhete da Loja, assume também uma missão: ser jardineiro das almas que ali germinam. Não é apenas um administrador, mas um arquétipo vivo do Mestre que conduz, corrige, ensina, inspira e sobretudo serve.
Um Venerável Mestre não deve reinar, mas orientar. Deve ser a coluna invisível que sustenta e organiza, sem autoritarismo, mas com firmeza, sensibilidade e clareza de propósito.
II. O Recrutamento: Sementes Selecionadas com Sabedoria
Recrutar não é buscar quantidade, mas qualidade.
A entrada de um novo membro deve ser tão solene quanto um novo elo numa corrente sagrada.
O que observar em um candidato:
Sede de conhecimento real (e não apenas curiosidade).
Conduta moral elevada e constante.
Espírito de serviço.
Ausência de vaidades desmedidas ou pretensões sociais.
A sindicância deve ser mais que um formulário.
Deve ser um verdadeiro rito preliminar, no qual os sindicantes se envolvem profundamente, observando traços de humildade, estabilidade emocional, capacidade de silêncio e retidão moral. A pressa nesse processo pode corromper a cadeia iniciática desde o primeiro elo.
III. A Iniciação: A Verdadeira Lapidação
A cerimônia de Iniciação não pode ser apenas ritualística, ela precisa ser vivencial, emocional e simbólica.
O neófito precisa ser tocado na alma, não apenas instruído na mente. A descida às trevas, o renascimento à luz, o impacto dos símbolos e o eco das palavras devem marcá-lo para sempre.
Mas a lapidação começa no dia seguinte à Iniciação.
É aí que o verdadeiro trabalho começa: o despertar do Aprendiz. Ele deve ser conduzido com paciência, sem sobrecarga, mas com constância.
Sugere-se:
Instruções regulares, breves, simbólicas e com espaço para dúvidas.
Rituais bem realizados (sem correria ou superficialidade).
Um padrinho atuante, que seja amigo e guia.
IV. A Elevação e Exaltação: Degraus ou Decoração?
Muitos sobem degraus. Poucos evoluem.
Elevar ou Exaltar sem preparo é como dar a um aprendiz a chave de um cofre que ele não sabe abrir.
Portanto:
Para a Elevação:
Certifique-se de que o Aprendiz aprendeu a calar, observar e trabalhar.
Questione-o simbolicamente: que pedras ele lapidou? Que paixões venceu?
Trabalhos escritos ou orais curtos são bons termômetros.
Para a Exaltação:
O Companheiro deve demonstrar que sabe usar as ferramentas do conhecimento.
Deve compreender o símbolo e vivê-lo no cotidiano.
É necessário envolvimento com a Loja: presença, participação, sugestões.
A formação do Mestre deve ser simbólica, ritualística e operativa: ele não pode ser apenas alguém que "tem um grau", mas alguém que representa a Maçonaria onde pisa.
V. A Loja como Obra Viva
Uma Loja deve ter um Plano, mas também um Espírito.
Planejamento administrativo é importante, sim mas, não deve jamais abafar o sopro iniciático.
Sugestões administrativas:
Reuniões bem planejadas, mas abertas à sugestões.
Relatórios e indicadores, mas também momentos de silêncio e meditação.
Instruções que não sejam monólogos, mas provocações ao pensar simbólico.
Rituais completos e respeitados, sem pressa nem "atajos".
O Venerável deve manter vivo o fogo do altar e a vibração do Templo. A Loja precisa ser escola, templo e oficina ao mesmo tempo.
VI. A Instrução Permanente: Mestrado Qualificado
O Mestre não é um título, é uma função de alma.
Para qualificá-lo, é preciso oferecer:
* Instruções filosóficas, espirituais e operativas.
* Leituras guiadas com espaço para debate.
* Vivências (retiros, estudos simbólicos fora do templo, visitas a outras Lojas).
Envolvimento social e filantrópico para exercitar o Amor Fraternal no mundo profano.
Uma Loja que forma Mestres qualificados forma colunas vivas para sustentar o Templo da Humanidade.
Conclusão: Da Pedra Bruta ao Obelisco Luminoso
Ser Venerável Mestre é lapidar homens, talhar destinos, construir pontes entre o visível e o invisível.
A missão não é fácil mas, é sublime.
Formar Aprendizes que aprendem, Companheiros que buscam e Mestres que servem, essa é a obra.
Não apenas recrutar, mas renascer com eles.
Que aquele que empunhar o Malhete jamais o use como martelo de vaidade, mas como instrumento de equilíbrio.
Que seu olhar não busque multidões, mas homens despertos.
E que a Loja que ele dirige, seja um Templo no plano visível e um Farol nos mundos invisíveis.
Fonte: Facebook_Átrio do Saber
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