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PERGUNTAS & RESPOSTAS

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sexta-feira, 13 de maio de 2022

REFLEXÕES SOBRE A CÂMARA DE REFLEXÕES

REFLEXÕES SOBRE A CÂMARA DE REFLEXÕES

A Câmara de Reflexões é a verdadeira chave da iniciação do neófito na Ordem Maçônica, tendo ela uma enorme importância para o Maçom futuramente, pois é justamente nesse momento que o neófito reflete sobre toda a sua vida profana e como deverá segui-la após adentrar na Maçonaria...

I - INTRODUÇÃO:

A Câmara de Reflexões é a verdadeira chave da iniciação do neófito na Ordem Maçônica, tendo ela uma enorme importância para o Maçom futuramente, pois é justamente nesse momento que o neófito reflete sobre toda a sua vida profana e como deverá segui-la após adentrar na Maçonaria.

Em se tratando realmente do verdadeiro ponto crítico da Iniciação, espera-se inspirar ao Candidato, dentro da Câmara de Reflexões, sentimentos de profundo respeito que hão de levá-lo a entregar-se a uma meditação profunda, através da qual o seu espírito purificado será levado a compreender o valor das coisas terrenas e o valor inestimável dos bens espirituais. Sem essa meditação em lugar tão apropriado, a verdadeira iniciação torna-se irrealizável.

Encontramos também um ambiente sombrio, adornado de emblemas fúnebres, destacando frases marcantes, no qual o profano faz o seu testamento, a fim de lembrar ao Candidato a sua morte para o mundo profano e que, purificado e regenerado, deverá começar uma nova vida. Esse cenário decifra para muitos profanos, como também para numerosos Maçons, que a Câmara de Reflexões pode ter o objetivo de amedrontar o iniciante, provocando nele terror físico, disso resultando, muitas vezes, situações constrangedoras e não iniciáticas. Esta situação se agrava ainda mais quando o profano não é devidamente instruído pelo Ir∴ Experto. 

No entanto, devemos nos apegar ao fato da Câmara de Reflexões possuir toda essa carregada simbologia, mas no intuito de despertar a reflexão profunda ao profano.

Ao entrar no prédio da loja, com os olhos vendados, o candidato é recolhido à Câmara, e essa simbologia corresponde a Terra, a qual, por sua vez, representa a materialidade.

II - FUNDAMENTOS DA CÂMARA

A Câmara de Reflexões é também o símbolo manifesto de um estado de conseqüência equivalente, mas seu simbolismo não para aí. É considerada como uma descida aos infernos, ou seja, aos lugares inferiores, visto que, na Câmara de Reflexões o neófito é obrigado a descer em si mesmo, entregando-se a uma introspecção muito importante. Trata-se, portanto de um recuo, de um retrocesso ou reflexão em si mesmo. Isso levou o simbolista francês Presigout a preferir dar a esse local a denominação de Câmara de Reflexão, porque, diz ele, o profano não se entrega a reflexões, mas opera sobre si mesmo uma reflexão, no sentido de “inversão”, para poder nascer de novo.

E de fato, ao fazer passar o profano pela Câmara de Reflexão, espera-se que o isolamento que ele vai se encontrar, a atmosfera que nela existe e os objetos que nela se encontram, hão de concorrer para levá-lo a novas descobertas e a proporcionar-lhe ensinamentos novos. Isso, sem dúvida, há de ajuda-lo a realizar esse recuo sobre si mesmo, assim como um corpo muda de direção depois de chocar-se com outro.

O choque de espírito contra a superfície refletora da Câmara há de leva-lo a examinar as suas idéias, a compará-las e, desse processo, há de resultar certamente um pensamento novo.

Existe também a idéia de que esse simbolismo significa a posição de feto no ventre e constitui o tempo da gestação que precede o novo nascimento. Esse ventre é comparado à Câmara de reflexão, aonde o embrião se desenvolve. E pelo aspecto fúnebre entende-se como o significado da morte do neófito na vida profana.

Pode-se entender, ainda, o aspecto de uma gruta ou de uma caverna sombria, por simbolizar o centro da Terra, o seio da natureza material, de onde vimos e para onde voltaremos, com o nosso físico dissolvido e transformado em pó, o que é lembrado ao iniciante pelos despojos humanos nela contidos.

Por seu isolamento e suas paredes negras, a Câmara de reflexões representa um período de escuridão e maturação silenciosa da alma, por meio da meditação e da concentração em si mesmo, período que prepara o verdadeiro progresso, efetivo e consciente, que se manifestará posteriormente à luz do dia.

A finalidade da Câmara de reflexões não é infundir terror físico aos iniciantes, como infelizmente ainda alguns supõem. Ao contrário, pretende se criar um estado de espírito indispensável à compreensão dos ensinamentos decorrentes do simbolismo e do esoterismo da Iniciação Maçônica. A incompreensão dos elevados objetivos da Iniciação por parte de muitos iniciadores faz, muitas vezes, abortar essa necessária predisposição espiritual.

Ao fazer passar pela Câmara de reflexões o profano, pretende-se mostrar que tinha chegado o momento de morrer para o vicio, as paixões, os preconceitos e os maus costumes; para fazer-lhe compreender que diante da morte desaparecem o orgulho e a ambição humana, e que de nada valem o poder e as riquezas do mundo.

A permanência do iniciante na Câmara de reflexões representa o período de gestação do Maçom, pois, ao morrer para o mundo profano, ele prepara a sua mente e o seu espírito para o nascimento de uma nova vida. É necessário que se conceda ao profano tempo suficiente para meditação frente aos símbolos que se encontram na Câmara de reflexões, tendo-se o cuidado para que nada venha perturbá-lo durante aquele período. Deve-se evitar a todo custo fazer entrar dois profanos ao mesmo tempo na Câmara, sob o pretexto anti iniciático de se ganhar tempo. Os profanos devem ser convidados a comparecerem com antecedência suficiente para que cada um possa permanecer pelo menos meia hora dentro da Câmara.

III - DESCRIÇÃO DA CÂMARA

A Câmara de Reflexões é um cubículo que não deve receber luz do exterior, sendo iluminada apenas por uma vela ou uma lamparina. As paredes, forradas e pintadas de preto, ostentam várias inscrições e emblemas fúnebres formando um conjunto. Em seu interior encontram-se uma mesa e um banco pequenos, um esqueleto humano ou um crânio e ossos, enxofre, e outra sal e mercúrio, um pedaço de pão, uma bilha d’água, uma campainha, papel e caneta.

Muitas Lojas mais modestas, porém mais interessadas no estudo da doutrina e do simbolismo maçônicos, representam tais objetos sobre um simples painel. Sobre ele acham-se pintados vários emblemas: no alto, a palavra V.I.T.R.I.O.L. (Visita Interiora Terrae, Retificandoque, Invenies Occultum Lapidem), que significa: “Visita o interior da terra e, retificando, encontrarás a Pedra Oculta”. Logo abaixo, um galo, uma bandeirola, na qual estão inscritas as palavras Vigilância e Perseverança. No meio do quadro vêem-se uma ampulheta, uma foice, um crânio com duas tíbias cruzadas. De cada lado, duas taças com os símbolos do enxofre e do sal marinho. O do enxofre é um triângulo com vértice para cima e uma pequena cruz grega embaixo; o do sal é um circulo atravessado por uma diagonal horizontal. O galo representa o Mercúrio e estarão pintados, por baixo de duas taças, de um lado a bilha d’água e, do outro, o pão. 

IV - AS CITAÇÕES DA CÂMARA DE REFLEXÕES

Sobre as paredes da Câmara de Reflexões há inscrições, descritas abaixo, com a finalidade de levar o profano a encarar o ato a que vai ser submetido, com a honestidade a que deve fazer jús.

• SE A CURIOSIDADE AQUI TE CONDUZ, RETIRA-TE

A Maçonaria não pode servir de campo experimental para satisfação de uma simples curiosidade. Inteiramente dedicada ao estudo de problemas fundamentais e de grandes ensinamentos, todo elemento possuído por uma simples curiosidade, longe de lhe ser útil, seria um perigo. Sendo manifesto o desejo da Maçonaria de participar ao mundo a sua utilidade por meio de sábios e discretos ensinamentos e por elevados exemplos, ela reprime a louca afeição ao superficial, ao fútil, engrandecendo no homem o desejo de instruir-se através de estudos sadios, sérios e proveitosos.

• SE TENS RECEIO DE QUE SE DESCUBRAM OS TEUS DEFEITOS, NÃO ESTARÁS BEM ENTRE NÓS

O ensinamento que essa frase encerra é fundamentalmente proveitoso. O homem não pode alcançar um grau de elevada perfeição, senão pelo constante estudo de si mesmo e com o conhecimento mais amplo de seus próprios defeitos, e, dessa forma, a Maçonaria exige de seus adeptos uma recíproca advertência sobre si mesmos. O Maçom, para seguir o seu caminho de constante aprendizado, precisa transparecer, sem receios, todos os seus defeitos, por mais amargo que isso venha a ser, pois é através desta exteriorização que se pode lapidar a verdadeira pedra bruta.

• SE FORES DISSIMULADO, SERÁS DESCOBERTO

A hipocrisia é uma das causas principais que fazem progredir o mal no mundo, devendo o Maçom fazer sempre o possível para desmascará-la, combatendo-a por toda a parte onde ela se encontre. Todo aquele que finge, aquele que oculta, cedo ou tarde será desmascarado e seus vícios expostos à luz do sol, à luz da verdade.

• SE ÉS APEGADO ÀS DISTINÇÕES MUNDANAS, RETIRA-TE; NÓS AQUI, NÃO AS CONHECEMOS

A Maçonaria respeita as hierarquias do mundo profano e as distinções sociais exigidas pela ordem social. No entanto, dentro de seus templos, isso é desprezado pelo princípio da igualdade que deve reinar entre todos os seres, sem mais distinções que as merecidas pela virtude, nobreza e talento; da mesma forma em que os trabalhos dos Aprendizes Maçons iniciam-se ao meio dia, fazendo com que os irmãos trabalhem sem fazer sombra uns aos outros.

Esse sentimento de igualdade tráz, por conseguinte, uma evolução em conjunto muito mais forte e duradoura, fazendo com que o sentimento de desprezo ou o próprio individualismo não sejam bem quistos na Ordem Maçônica.

• SE TENS MEDO, NÃO VÁS ADIANTE

Embora a Maçonaria não pretenda despertar o terror ao iniciante, essa inscrição existe para indicar que no momento de perigo, o homem carente de fé e de valor, que se deixa dominar pelo terror e a superstição, não consegue exteriorizar a sua pedra bruta.

O sentimento de medo faz com que o homem bloqueie seu caminho a ser triunfado, inibindo a sua coragem, perseverança, auto-estima, valor e fé, que é justamente o que o iniciante está precisando exteriorizar nesse momento.

• SE QUERES BEM EMPREGAR A TUA VIDA, PENSA NA MORTE 

Sendo a morte o fim de tudo, a sua aproximação será o castigo ou a recompensa da vida, de acordo com o emprego que lhe foi dado e a

direção que lhe foi impressa. O homem deve refletir sobre a morte para assim valorizar e lapidar a sua vida. Sendo assim, o Maçom deve fazer de sua vida um caminho laborioso, superando obstáculos, com a máxima valorização intrínseca de si mesmo.

Pode-se entender, ainda, a morte, como sendo o fim da vida profana e o nascimento na vida maçônica, na qual o iniciado começa a glorificar a verdade e a justiça, levantando templos à virtude e cavando masmorras ao vício.

V - O SIMBOLISMO DOS ELEMENTOS DA CÂMARA

A VELA

A Câmara de reflexões é iluminada apenas pela luz de uma vela ou de uma lamparina. Há várias interpretações sobre este símbolo. Pode ser a primeira luz da Maçonaria que o profano recebe, de início fraca, para que o profano, através dos pensamentos que o ambiente lhe sugere, possa acostumar a sua visão espiritual à luz deslumbrante das verdades que lhe serão reveladas.

A luz dessa vela é o reflexo e a representação da divindade no plano terrestre. É ela o único asilo seguro contra as paixões e perigos do mundo e que proporciona o repouso, o discernimento e a luz da inspiração, quando a Ela se recorre.

Esse clarão simboliza então a lâmpada da razão, iluminando a Câmara que não é outra coisa senão o interior do homem, dando lhe assim a esperança de um mundo novo e diferente, que se abre a sua frente, mundo do qual ele não pode fazer uma idéia precisa, mas que na iniciação haverá de descobrir.

O GALO

O galo representa o Mercúrio, principio da Inteligência e da Sabedoria. Essa ave é, também, um símbolo de Pureza.

O Galo é um gerador da esperança, o anunciador da ressurreição, pois seu canto marca a hora sagrada do alvorecer, ou seja, a do triunfo da Luz sobre as Trevas. A sua presença na Câmara de Reflexões simboliza o alvorecer de uma nova existência, visto que o iniciante vai morrer para a vida profana e renascer para a vida maçônica, sendo ele o signo esotérico da Luz que o Profano vai receber.

Também simboliza a Vigilância que o iniciado deve manter relativamente ao papel que desempenha na sociedade. Também simbolizado por forças adormecidas que a Iniciação pretende realizar, esotericamente simbolizado pela “força moral”, indestrutível, guiando os passos do Maçom dentro e fora do Templo.

A BANDEIROLA

Colocada por baixo do Galo traz inscritas as palavras Vigilância e Perseverança. Consideradas do ponto de vista etimológico, essas palavras podem significar “vigiar severamente”. Indicam ao Futuro Maçom que deve, a partir daquele momento, prestar toda a atenção e investigar os vários sentidos que podem oferecer os símbolos, os quais, só conseguirá entender completamente através de uma paciente Perseverança. Assim como o dever moral, que o Maçom deve colocar em prática dedicando-se a uma Vigilância constante. É também a difícil tarefa de desbastar a Pedra Bruta que só alcança algum sucesso, quando realizada com a mais firme Perseverança.

O CRÂNIO

A presença de um Crânio pode despertar no profano alguns pensamentos, através dos quais ele poderá imaginar a representação, pela caixa óssea, da inteligência e Sabedoria, da qual ela é símbolo. A Sabedoria é tão importante para o nosso cotidiano como o conjunto de nossa existência e para as grandes decisões. Pode ser vista como a Razão governando a prática pela teoria.

Assim como na Câmara, os ossos são um mero complemento do Crânio como símbolos da Morte.

A AMPULHETA

Como é um instrumento para medir o tempo, é considerado na Maçonaria, um símbolo que mostra, pelo escoamento da areia, o rápido transcorrer do tempo, e recorda ao profano a brevidade da existência humana, aonde têm um significado esotérico com diversas interpretações.

O tempo passa e voa, e a vida sobre a terra é semelhante ao cair da areia. Por isso é preciso saber aproveitá-la em coisas úteis e proveitosas para si próprio e também para a humanidade. Pois uma vida dedicada ao acumulo de riquezas e ao gozo dos prazeres sensuais não contribui para a felicidade de ninguém, é uma vida desperdiçada. O iniciante deve lembrar que as pequenas porções do tempo juntam-se umas as outras e terminam no seio da Eternidade.

A FOICE

Símbolo muitas vezes não utilizado, mas que representa o símbolo da destruição e da morte, que em dado momento perturba a vida de qualquer pessoa, sem distinção de classe social. Pode ser interpretada como também, um símbolo do tempo, mostrando-nos a curta duração de nossa existência terrena e despertando-nos o medo.

O PÃO E A ÁGUA

Tende a assemelhar a Câmara de Reflexões a uma masmorra, onde o profano deve ser recolhido. Mas o Pão simboliza o laço de fraternidade entre os irmãos e a Água é o símbolo da purificação. São emblemas da simplicidade que deverá reger a vida do futuro iniciado, assim como alimentos do corpo e do espirito, os quais são indispensáveis, mas que não devem ser o único objetivo da vida.

Sendo assim, é o elemento indispensável à vida, e o pão, provindo do trigo, simboliza a força moral e o alimento espiritual.

O SAL

É o símbolo da mão estendida, representando a hospitalidade. Os antigos Greco-Romanos o simbolizavam pela amizade, finura e limpeza da alma e da alegria. Seria como se fosse algum dizer de boas vindas ao iniciante, mostrando-lhe que ele será acolhido alegremente, com todo o coração, e que ele há de se sentir em “sua casa”. Assim, o profano, com o espirito livre, se entregará inteiramente à conquista das verdades prometidas.

O MERCÚRIO

Representado pelo Galo, é um símbolo não apenas de Vigilância e Coragem, como também de Pureza. Princípio fêmea, na alquimia, é considerado Hermeticamente como o princípio da Inteligência e Sabedoria.

ENXOFRE

É considerado o princípio macho, na alquimia. É o símbolo do espírito e por isso simboliza o ardor.

“ A pedra Filosofal é um Sal perfeitamente purificado, que coagula o Mercúrio afim de fixá-lo em um Enxofre extremamente ativo. Esta fórmula sintética resume a Grande Obra em três Operações que são: a purificação do Sal, a coagulação do Mercúrio e a fixação do Enxofre”. (In “O Simbolismo Hermético” de Oswald Wirth)

TESTAMENTO

É o ato que geralmente, na vida Profana, é praticado a aqueles que se encontram à beira da morte. Mas na Maçonaria é considerado como um testamento “filosófico”, e não um testamento “civil”, como o dos profanos. No testamento o iniciado irá “testemunhar” por escrito as suas intenções filosóficas, assumindo, dessa forma, uma obrigação prévia. Sua verdadeira finalidade não é somente responder as perguntas, mas sim, fazer com que o iniciado expresse sua opinião sobre elas e escreva as suas últimas vontades, como se fosse mesmo morrer, no seu Testamento. O profano expressará seus últimos pensamentos e suas últimas disposições, pois é sob influência da Câmara de Reflexões que ele dirá a verdade.

Assim, por esse documento, em que a sua mente só dirá a verdade, a Loja terá um conhecimento quase perfeito dos verdadeiros sentimentos do Profano.

VI - CONCLUSÃO

Resumidamente, a Câmara de Reflexões nada mais é do que a transição da vida profana para a vida Maçônica, que usa de seus elementos e simbolismos para preparar o iniciante para essa nova e frutífera vida. A Câmara de reflexões leva o neófito ao mundo da introspecção. Mais tarde, pelo V∴M∴fica sabendo: "Os símbolos que ali existem vos levaram, certamente, a refletir sobre a instabilidade da vida, lição trivial sempre ensinada, e sempre desprezada".

Assim, constatamos que a Câmara de Reflexões tem como fundamento maior fazer com que o iniciante consiga exteriorizar, expor a sua pedra bruta, para que assim, a mesma possa ser permanentemente lapidada, intuito este, inerente à Maçonaria.

É neste local que o iniciante consegue se preparar para se tornar um verdadeiro Aprendiz Maçom, resgatando o seu verdadeiro eu interior e desprezando a sua parte infrutífera, catalisando assim todos os elementos necessários para o início dos trabalhos Maçônicos.

Essa fundamental preparação realizada pela Câmara no candidato, torna se claramente necessária ao entender-se que tal profano já está prestes a iniciar-se na Ordem. A garimpagem de um irmão Maçom, o achado dessa nova pedra bruta (o iniciante), já fez com que se trouxesse uma grande expectativa de mais um irmão abrilhantando os trabalhos em Loja. Mas sem dúvida esse momento de garimpagem do próprio candidato, dentro da Câmara de reflexões, é vital para sua completa preparação.

Bibliografia

Ritual do Primeiro Grau – Aprendiz – GOB;
ASLAN, Nicola, Comentários ao Ritual de Aprendiz – VADE MÉCUM INICIÁTICO, Editora MAÇÔNICA, Rio de Janeiro;
WIRTH, Oswald – O Simbolismo Hermético

Fonte: JBNews - Informativo nº 0172 - 15/02/2011

quinta-feira, 12 de maio de 2022

VISITANTE DE OUTRO RITO

VISITANTE DE OUTRO RITO
(republicação)

Em 16/08.2017 o Respeitável Irmão Jocely Xavier Araújo, Loja Herbert Jurk, REAA, GOB-SC, Oriente de Timbó, Estado de Santa Catarina, pede esclarecimentos.

Mais uma vez, peço desculpas, mas, preciso de seus esclarecimentos, caso possível:

O Irmão que visita uma Loja que pratica outro rito do seu, qual o sinal que deve praticar, o da Loja que está visitando ou aqueles da sua?

CONSIDERAÇÕES:

Lembra-se que a intervisitação maçônica entre Lojas e obreiros regulares é tida na maioria das classificações como um Landmark maçônico.

Para que se evite uma situação embaraçosa na intervisitação, o ideal é que o visitante procure não chegar atrasado, ou mesmo poucos minutos antes do início da sessão da Loja visitada.

É de bom tom que um visitante se adeque às regras do ambiente visitado.

Chegando com antecedência, se o rito for diferente do seu, ele procurará explicar a situação e, devidamente reconhecido, aprende o sinal do rito praticado pela Loja visitada sem maiores problemas. Assim a Loja anfitriã também deve com amabilidade auxiliar o visitante ensinando-o no que for necessário para o bem da liturgia, da ritualística e da fraternidade maçônica.

Caso a situação por escassez de tempo não possibilite o ensino e o aprendizado (providências de última hora), o visitante então pode fazer o Sinal do Grau de acordo com o seu Rito, enquanto que essa possibilidade também deve ser reconhecida por aqueles que o recebem. Obviamente que os sinais maçônicos essenciais, embora às vezes com algumas variações, não se diferem muito entre os ritos praticados.

Com bom senso tudo se resolve. É pertinente também que um Irmão antes de visitar uma Loja, primeiro busque informação sobre o Rito que lá é praticado. Com essa atitude, evitam-se contratempos de última hora. 

Se não for possível obter informação antecipada, que pelo menos se procure chegar com razoável antecedência para se inteirar da situação. 

Nunca é demais lembrar que as Lojas também têm por obrigação instruir seus obreiros para essas eventuais situações, tanto como as para receber um visitante, bem como aquelas em que se visita uma Loja que pratica outro Rito. 

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com.br
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

AS LETRAS M∴ B∴

AS LETRAS M∴ B∴
M∴M∴ José Roberto Mira
A∴R∴L∴S∴ RENASCER 130 (G∴O∴P∴)

M - a mais sagrada de todas as letras, segundo o dicionário esotérico, pois é ao mesmo tempo masculino e feminino, isto é uma letra andrógina. É uma letra mística em todos os idiomas, orientais e ocidentais. O nome sagrado de Deus em Hebraico, aplicado à letra M, é “MeBorach”, que quer dizer o  Santo ou o Bendito.

- É uma clara expressão da dualidade dos princípios superpostos, que evidenciam a lei da polaridade. Mostra claramente a relação entre o superior e o inferior, o céu e a terra e o espírito e matéria. O lado curvo, corresponde a involução ou revelação do espírito na matéria. O lado reto, é o ascendente que corresponde à evolução do Espirito na matéria. O lado reto mostra o domínio do homem, e o lado curvo o da matéria. A forma hebraica desta letra é Beth, e tem uma relação com o princípio da vida.

Em nossa pesquisa encontramos varias interpretações para o M∴B∴ umas até interessantes, que tentaremos reproduzir, e outras tão absurdas que não convém nem citá-las, por riscos de reproduzirmos o ridículo sem berço e sem fundamento.

MohaBon

Respeitando as várias opiniões, já que existem muitas controvérsias sobre a origem do M∴B∴, preferimos ficar com o que nos ensinou nossos mestres, que alias é endossado pela convenção de “Lösane”, Setembro de 1875, que afirma o seguinte: - “O avental do Mestre Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, será branco forrado de vermelho com as iniciais M∴B∴”.

“A carne se desprende dos ossos”!! em hebraico M∴H∴B∴, que foi adotada pela maioria dos ritos maçônicos. É lógico que a tradução difere de acordo com o idioma, mas a essência é e será sempre a mesma em todos os ritos e potências.

Mak Benak

O manuscrito “The Graham”, do ano de 1726, fala sobre a lenda de Noé e seus três filhos “Sem, Cam e Jafet, que encontramos nos antigos rituais. Noé teria recebido do GADU, a missão de construir a Grande Arca, que embora de madeira fora construída segundo a Geometria, e de acordo com as regras maçônicas. Diz a lenda que os três filhos foram até o túmulo do pai Noé, a fim de tentar descobrir o segredo que possuía o grande patriarca Bíblico”.

Um dos filhos teria dito:- “Ainda há tutano neste osso”! (Marrow in the Bone) – segundo alguns pesquisadores maçônicos, origem das iniciais M∴B∴, que mais tarde se tornaria “Mak Benak”. A lenda de Hiram ainda não era conhecida.

Moab Bem-ami

Jules Boucher, defende a teoria Moabita (“O que vem do Pai”), aliás interpretação aceita por muitos rituais antigos, que cita o incesto praticado pela duas filhas de Ló (Gênesis cap. 19 vs. 30 a 38). Ló vivia com suas duas filhas, num local onde não existia nenhum outro homem. Para que se cumprisse a tradição do patriarcado, e a geração do genitor, e não havendo outra solução, elas resolveram embebedar o pai com vinho, e copularam com ele, totalmente embriagado. A primeira a cometer o incesto foi a primogênita, que engravidou e deu a luz a um filho, dando lhe o nome de “Moab” (que vem do pai), em seguida a Segunda filha a imitou e deu a luz a “Bem-Ami” (pai do filho).

Desse fato surgiu na Maçonaria a estranha interpretação “Aquele que vem do pai” ou “geração do pai’. Maçons que aceitavam essa hipótese tentaram relacionar a imoralidade do incesto com podridão, putrefação etc. Adversários da maçonaria, aproveitaram-se disto para desmoralizar e denegrir a sublime ordem, como por exemplo o escritor antimaçônico Paulo Rosenem sua obra “Satan e Cia”.

Maugh Bin

Num apêndice da sua obra “History of Free Masonary”, à página 487, R. F. Gould reproduz uma publicação do jornal sensacionalista “Flying Post” (Correio Volante), impresso em Abril de 1723, descrevendo o que seria uma iniciação Maçônica. Prossegue o articulista contando que ao candidato, entre outras coisas, era revelada a palavra “Maughbin“, a qual era transmitida de ouvido a ouvido ate chegar ao Mestre. Então o candidato era posto à ordem como o Mestre, e devia recitar:

Fui iniciado Maçom,
Vi “B” e “J ”.
Prestei o raríssimo juramento.
Conheço a pedra o diamante e o esquadro.
Conheço perfeitamente a parte do Mestre.
Como um probo “Maughbin” poderá dizer-vos

Mac Benah

Os Jacobitas e a lenda de Hiram – vasta literatura, levanta a hipótese de a lenda de Hiram ter surgido por inspiração política dos partidários dos Stuarts, os Jacobitas.

Em 30.01.1649, o Rei Carlos I dos Stuarts foi decapitado por decisão do parlamento Inglês. Após a morte do Rei os maçons Jacobitas, por segurança acobertavam seu partidarismo por segredo. Assim o filho do decapitado passou a representar o Verbo, a Palavra Perdida, e os maçons eram os filhos da viúva, alusão a rainha Henriette de França, viúva do finado Rei.

Mackey, na sua enciclopédia definiu a palavra MacBenah como derivada do dialeto gaélico, significando “Filho Abençoado”, alusão ao príncipe filho de Carlos I. A nosso ver os maçons Jacobitas apenas se aproveitaram da doutrina maçônica da época, em proveito de suas tendências de hegemonia dos Stuarts, mas é bom lembrar, que a lenda do Mestre Hiram só viria a existir quase um século após.

Maçonaria Brasileira

Só a titulo de curiosidade, vamos citar o Irmão Manuel Gomes no seu “Manual do Mestre Maçom”, pag. 321 a 334 “O manifesto Maçônico do primeiro Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, José Bonifácio de Andrada e Silva, que entre outras observações, critica a disseminação de lojas estrangeiras, com rituais executados nos vários idiomas, menos no da nossa pátria, e conclama os maçons patriotas a usarem obrigatoriamente nos aventais de mestre as iniciais M∴B∴, alusivo a “Maçonaria Brasileira”.

A bem da verdade em nossa pesquisa, encontramos uma infinidade de explicações e definições a respeito do M∴B∴. Como se vê, não obstante as inúmeras definições e variações, a mensagem que fica é a mesma, pondo em sua mente um novo modo de pensar, elevando–se acima do material, temporal e finito, num nível superior de compreensão e consciência que o tornará um autentico e digno maçom.

Para finalizar, uma máxima mística para refletirem:

“NASCEMOS PARA MORRER,

E MORREMOS PARA NASCER”!!

Meus Irmãos; que o G∴A∴D∴U∴ cuja sabedoria divina dirige suave e poderosamente todas as coisas, nos abençoe e nos ilumine para que possamos passar um pouco do nosso modesto conhecimento a todo irmão que queira fazer progresso na nossa “Sublime Ordem”.

Livros e Autores Consultados
  • Curso de Maçonaria Simbólica – Theobaldo Varoli Filho
  • O Mestre Maçom – Francisco Assis Carvalho (Chico Trolha)
  • A Simbólica Maçônica – Jules Boucher
  • Manual do Mestre Maçom – Manoel Gomes
  • Maçonaria e o Livro Sagrado – Zilmar de Paula Barros
  • Maçonaria Mística – Rizzardo da Camino
  • Ritualística Maçônica – Rizzardo da Camino
  • Bíblia Sagrada.
Nota do Editor

Esse artigo foi elaborado pelo Irmão José Roberto Mira, Mestre Maçom na Loja Renascer 130, jurisdicionada ao Grande Oriente Paulista (GOP), e foi encontrado na internet em uma pesquisa sobre M∴ B∴ . Para incluir na revista fizemos um resumo, omitindo várias partes e termos que não caberiam na revista, portanto, caso haja interesse, sugerimos sua pesquisa.

Fonte: Revista M∴ B∴1 - Maio de 2021

quarta-feira, 11 de maio de 2022

QUESTÕES SOBRE O USO DE MEDALHAS MAÇÔNICAS

MEDALHAS MAÇÔNICAS
(republicação)

Em 16/08/2017 o Respeitável Irmão Leutério Luiz de Lara, Loja Palmeira da Paz, sem mencionar o nome do Rito, GOB-SC, Oriente de Blumenau, Estado de Santa Cataria, apresenta as questões seguintes:

Recebi a incumbência de pesquisar qual é o uso correto das diversas medalhas, ou seja, quais devem ser usadas e em que parte do traje maçônico devem ser colocadas, respeitada a ordem de precedência, etc.

Nada encontrei a respeito, salientando que a Lei nº 088, de 21/09/2006, que alterou o regime de recompensas, não faz qualquer menção a tais pontos.

Preciso de respostas para os seguintes questionamentos:

1. É possível usar todas as medalhas ao mesmo tempo, como a de "Benemérito da Ordem", "Grande Benemérito da Ordem", "Estrela de Distinção Maçônica" e a medalha distintiva de "Instalação de Venerável"?

2. Qual a ordem de colocação das medalhas no peito? 

3. No lado direito ou esquerdo do peito?

4. É possível usar tais medalhas ou algumas delas no avental?

5. Em que datas/sessões posso ou devo usar tais medalhas?

Por ventura, o Irmão conhece algum documento oficial expedido pelo GOB regulando o uso correto das medalhas?

Há um manual orientativo?

CONSIDERAÇÕES:

Embora legal, eu penso ser constrangedor que numa escola de virtudes, como a Maçonaria, onde cultivamos a humildade, se tratar de assuntos desse quilate.

Mas como os homens são perfectíveis, vejamos no que eu posso lhe ajudar.

Se é possível ou não, acho que isso fica ao critério do detentor dessas distinções. Sob a minha óptica eu entendo que bastaria o usuário trazer consigo apenas aquela de mais alta distinção.

Como eu entendo que se deveria usar apenas a de mais alta distinção, penso que essa pergunta fica prejudicada.

Pelo que eu tenho visto, é comum o seu uso na lapela esquerda do bolso do paletó, embora existam aquelas que ficam apensas em uma fita tipo colar que envolve o pescoço.

O avental maçônico é indiscutivelmente um dos maiores símbolos maçônicos. Sem ele o maçom não ingressa nos trabalhos de uma Loja. Avental não foi feito para nele se pendurar medalhas.

Geralmente os detentores dessas distinções usam-nas nas Sessões Magnas. Mas, via de regra, isso não é obrigatório.

Por eu não me preocupar e nem ser simpático a essas práticas, consequentemente eu desconheço se existe algum diploma legal ou um manual que trate desses pormenores, até porque eu uso na Loja apenas as minhas insígnias maçônicas – avental, colar e a respectiva joia.

Respeitando as opiniões e gostos alheios, são esses os meus econômicos comentários.

E.T. – Nada contra as condecorações e distinções maçônicas e nem contra aqueles que as recebem. Receber um reconhecimento é gratificante. Porém, o que o maçom não precisa é tocar trombetas pelos seus feitos e merecimentos.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

KARMA

1º - Palavra sânscrita significando ação, movimento. Na Filosofia hindu, é uma entidade que porta, que leva o individual, através do sâmsara (ciclo da transmigração da alma entre nascimentos e mortes).

2º - Em um nível mais fundamental, a Lei do Karma nos ensina que certos tipos de ação nos leva inevitavelmente à resultados similares.

3º - No ensinamento Budista, a lei do karma, diz somente isto: "para todo evento que ocorre, seguirá um outro evento cuja existência foi causada pelo primeiro, e este segundo evento poderá ser agradável ou desagradável se a sua causa foi benfazeja ou não."

4º - O Karma é freqüentemente pintado com alguma coisa negativa ou 'ruim', mas pode ser também positivo e 'bom'. Na verdade Karma é neutro. karma é um constante equilíbrio de forças entre nós mesmos e o mundo em que vivemos.

5º - Existem três ações prejudiciais do corpo, quatro da voz e três da mente. As três ações prejudiciais do corpo são (1) matar, (2) roubar e (3) comportamento sexual impróprio. As quatro ações prejudiciais da voz são (4) mentir, (5) discurso cruel, (6) calúnia e (7) fofoca maliciosa. As três ações prejudiciais da mente são (8) avareza, (9) raiva e (10) ilusão. Evitando-se estas dez ações prejudiciais nós poderemos evitar as suas conseqüências similares.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

A "FALSA" SIMPLICIDADE DO RITO SCHRÖDER

A "FALSA" SIMPLICIDADE DO RITO SCHRÖDER
Autor: Tiago Valenciano

Quem assiste pela primeira vez a uma sessão do Rito Schröder acredita que ele é um sistema simplificado, sem conteúdo aprofundado de ensinamentos. Engana-se quem caracteriza o rito como simples, pois, só pelo fato de ser praticado enquanto rito maçônico há a necessidade de conter um espírito que o conduz, pautado por um conjunto de ideias que dão tom ao rito.

O Irmão iniciado nos ritos Escocês, Brasileiro e Adonhiramita, por exemplo, que contem um sistema “mais sofisticado de ritualística” que os demais pode acreditar que os adeptos do rito Schröder fazem suas sessões sem conteúdo ritualístico significativo. A rápida duração e não presença de elementos presentes na maioria dos ritos – abertura do livro da lei, conferência da palavra sagrada e circulação do saco de propostas e informações, faz com que o rito possua esta alcunha de “simples”.

Nosso intuito neste pequeno trabalho não é comparar o Rito Schröder com os demais ritos maçônicos, mas demonstrar que tal rito possui um espírito maçônico próprio, único e que, da felicidade do Irmão Schröder em concebê-lo – aliás, o único rito praticado no país que leva o nome de uma pessoa, houve um surgimento de um novo ideal maçônico.

Pautado na corrente idealista alemã que conta com nomes como Hegel, Kant, Fichte, Goethe entre outros em que o ser é reduzido à consciência, o rito Schröder adota o postulado de que o conhecimento do homem é adquirido pelo próprio homem. O que identifica um maçom do rito é a dignidade e a ética, espíritos do humanismo que prega a virtude da razão própria para aperfeiçoamento pessoal.

Inspirado por tal princípio libertário da Alemanha do fim do Século XVIII, o Irmão Schroder acredita que a maçonaria não é uma instituição esotérica e, preocupado com as excessivas interpretações ritualísticas (que ainda hoje permanecem!), ele procurou criar um sistema de ensino (rito) diferente de tudo o que existia na época, com a seguinte máxima: a maçonaria é uma união de virtudes e a loja é o local na qual os irmãos se reúnem para, juntos, envidar virtuosos esforços para o progresso da humanidade.

Deste modo, o pensamento humanista da época valorizava uma grande preocupação com o preparo mental e intelectual do candidato, solidificando a maçonaria em três importantes pilares: a simplicidade, a essencialidade e a moralidade. O rito Schroder afasta, portanto, todo tipo de simbolismo considerado místico, esotérico, religioso e excessivo de seus rituais.

Os três pilares acima citados são entendidos assim: a) simplicidade: desde os paramentos até a decoração do templo e a explicação simbólica da maçonaria no tapete, a entrada e saída de loja, a abertura e o encerramento, por si só o rito prevê a simplicidade; b) essencialidade: presente no conhecer a si mesmo durante a viagem nos três graus simbólicos, enfatizando a preocupação intelectual humanista da época; c) moralidade: no rito, o ensinamento ocorre na oficina. É lá que o maçom aprende e, para isso, não precisa nada jurar: um sincero aperto de mãos mostra a dignidade do maçom Schroder.

Por estas razões não considero o rito simples. É um rito simples ritualisticamente falando, mas com conteúdo moral e intelectual significativo em que a descoberta do homem pelo homem é a tarefa primordial. Afinal, de que valem as descobertas científicas no campo da biologia, das ciências exatas e da terra se a principal questão que nos ronda desde que nascemos ainda permanece: quem sou eu, quem somos nós?

Bibliografia

SOUZA FILHO, Ubyrajara de. Vade-Mecum do Aprendiz – Rito Schroder. Londrina: Ed. Maçônica A trolha, 2011.

Fonte: https://pavimentomosaico.wordpress.com

terça-feira, 10 de maio de 2022

CÂMARA DO MEIO - LUGAR OU A LOJA?

CÂMARA DO MEIO
(republicação)

Em 15/08/2017 o Respeitável Irmão Airton Fortes Borowski, Loja Antonio Xavier, REAA, GORGS (COMAB), Oriente de Passo Fundo, Estado do Rio Grande do Sul, solicita esclarecimentos para o seguinte:

CÂMARA DO MEIO

A grande duvida que eu tenho é se os Irmãos Aprendizes e Companheiros podem circular pelo centro da Loja (Câmara do Meio) quando em sessão de Aprendiz ou se Câmara do Meio só é quando a sessão é de Grau 3.

Gostaria de sua opinião quanto à circulação dos Aprendizes e Companheiros quando chegam após o inicio da sessão, e tem que ir até o Ir⸫ Chanceler para assinar o livro de presença. Passam pelo centro da loja?

CONSIDERAÇÕES:

Infelizmente ainda alguns insistem nesses conceitos anacrônicos. 

O termo Câmara do Meio em Maçonaria designa a Loja do Mestre, ou a Loja onde trabalham apenas aqueles que alcançaram a plenitude maçônica e não o centro, ou o meio do Templo.

Diga-se de passagem: “não existe Câmara do Meio em Loja de Aprendiz e nem de Companheiro”.

Por questão iniciática, também é óbvio que em Loja do Terceiro Grau não ingressam Aprendizes e nem Companheiros.

Do mesmo modo, também não ingressam Aprendizes em Loja de Companheiro.

Quanto à circulação de Aprendizes e Companheiros na hipótese de terem chegado após o início da sessão, sendo possível os seus ingressos, eles transitam normalmente pelo centro da Loja até a mesa do Chanceler para assinar o livro de presenças, por exemplo, pois o centro do recinto, como já foi explicado, nada tem a ver com a Câmara do Meio do Mestre, cuja qual é toda a Loja do Terceiro Grau e não apenas uma parte específica da sala da Loja.

Essa bobagem de Câmara do Meio ser o centro da Loja é um desses absurdos que foram deixados por autores retrógrados e que infelizmente, vez por outra, ainda aparecem para atormentar a razão das coisas.

Concluindo, não embarque nessa ideia meu Irmão.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

SILÊNCIO MAÇÔNICO

SILÊNCIO MAÇÔNICO
Sérgio Quirino Guimarães

O exercício do silêncio é tão importante quanto a prática da palavra. (Willian James) 

Esta frase resume bem o ensinamento maçônico do “permanecer calado”, não como uma imposição de grau, mas, sim como uma virtude que alerta para a necessidade de preparo para o “Uso da Palavra”. 

Temos alguns Ritos Maçônicos que determinam quais Obreiros podem ou não podem se manifestar durante as sessões e este ponto é inquestionável. Não há de se fazer comparações ou avaliações, se é preconizado pelo Rito que Aprendizes devem permanecer em silêncio, esta é a verdade para o Rito e deve ser seguida, se há Ritos que permitem a fala dos Aprendizes, tudo bem. Jamais devemos deixar de obedecer as normas e procedimentos ritualísticos. O que não pode acontecer é confundir Silêncio com Sigilo ou Segredo. 

A todos os Maçons (independentes de Graus e Ritos) é obrigatório o Sigilo quanto ao conteúdo dos Rituais e a manutenção dos Segredos do Rito. 

O silêncio é uma virtude aprendida na Maçonaria e que é usada não só nos trabalhos maçônicos, mas na vida profana. O Silêncio Maçônico é a discrição que conquista a confiança dos que nos rodeiam. 

Esta virtude nos remete ao VITRIOL para silenciosamente corrigirmos nossos defeitos e usar prudência e tolerância em relação aos defeitos dos outros. 

Portanto, o propagado SILÊNCIO MAÇÔNICO nada mais é do que a profunda atenção que todos nós devemos ter antes de falar, quem não conhece frases que comparam palavras com flechas? Após faladas ou lançadas, não há como interromper sua trajetória e ao encontrarem o alvo, o resultado é proporcional à intenção do “arqueiro”. 

Há três curiosidades muito interessantes quanto ao Silêncio: Já houve ritos onde havia um Oficial responsável pela manutenção do silêncio durante os trabalhos, era o Mestre Silenciário; em outros ritos dão ao Aprendiz a alcunha de Silenciário e por fim na Roma antiga havia o culto à Deusa Lara ou Deusa do Silêncio. Os romanos prestavam exéquias a Ninfa do Lácio, que recusou-se a auxiliar Júpiter a capturar Juturna e contou a Juno as intenções de seu marido. Como castigo, Júpiter arrancou-lhe a língua. 

O ícone maçônico que bem simboliza o Silêncio é a Trolha! Porque com ela recolhemos a fina massa que deve selar nossos lábios as imperfeições humanas. 

Bom, se o tema desse artigo é o Silêncio Maçônico, acho que já falei demais. Boa semana a todos. A intenção deste pequeno artigo é despertar em você a vontade de saber um pouco mais sobre o assunto, fazer uma Prancha de Arquitetura e quando ela estiver pronta, levar para sua Loja enriquecendo nosso Quarto de Hora de Estudos. Lembrem-se que todos nós, independente do Grau ou do Cargo, somos responsáveis pela qualidade das Sessões Maçônicas.

Fonte: JBNews - Informativo nº 0172 - 15/02/2011

segunda-feira, 9 de maio de 2022

OFÍCIO DO CHANCELER

OFÍCIO DO CHANCELER
(republicação)

Em 12/08/2017 o Respeitável Irmão Cláudio Rodrigues do Oriente de Belo Horizonte me envia uma questão formulada pelo Respeitável Irmão Maurício José Razzaboni, Loja Rui Barbosa, nº 10, REAA, Grande Oriente do Paraná (COMAB), Oriente de Sertanópolis, Estado do Paraná.

Estou elaborando um trabalho sobre a importância do Chanceler e li seu trabalho publicado no JB News – informativo n. 1590 e gostaria primeiro de parabeniza-lo pelo excelente trabalho.

Estou elaborando um trabalho para ser apresentado em minha loja e gostaria se possível, da ajuda do Irmão, pois tenho um número reduzido de obras maçônicas.

Pois bem.

No REAA de qualquer Potência, é preciso, para a loja ser justa e perfeita: “que três a governem, cinco a componham e sete a completem”.

No vosso trabalho, o irmão citou o Chanceler, para compor os sete mestres.

DÚVIDAS:

1. Quem verifica se a Loja está completa? Seria o Chanceler no momento da coleta das assinaturas dos presentes?

2. Em caso positivo, não seria conveniente adicionar uma pequena fala ao Chancelar, ainda na sala de passos perdidos, avisando o Venerável mestre que a Loja contém o número suficiente/legal para ser aberta? (É esse o ponto de pesquisa do meu trabalho).

Veja o Mestre de Cerimonias, comunica ao Venerável Mestre que os Irmãos estão revestidos de suas insígnias, pois este os revestiu, anteriormente.

E o trabalho do chanceler é verificar as faltas, presenças e assinaturas dentro outros.

A meu ver seria também o responsável para comunicar o Venerável do número de Irmãos presentes.

Compulsando outros rituais de outras Potências, bem como a obra do irmão José Castellani, no tocante ao REAA, o aludido Irmão faz referência a este procedimento, asseverando que o Irmão chanceler comunica o Venerável do número de presentes (para abrir a sessão) dentro do templo, antes da ritualística com os Vigilantes.

Porém, acredito ser pertinente tal comunicação, na Sala de Passos Perdidos, antes de adentrar no tempo, como acima mencionei.

Neste sentido estou elaborando um trabalho e gostaria que o Irmão, se possível, respondesse minhas indagações.

CONSIDERAÇÕES:

Bem, devo comentar que não citei o Irmão Chanceler na resposta mencionada no JB News 1590. Naquele questionário, a questão nº 5 se referia ao número mínimo de Mestres para a abertura da Loja, pelo que eu citei como resposta que no REAA⸫ seriam as três Luzes da Loja, o Orador, o Secretário e, somados a esses cinco, ainda o Cobridor Interno e ao próprio Mestre de Cerimônias – obviamente essa seria uma condição precária.

Sem dúvida que dentre as obrigações do Chanceler, uma delas é a de registrar no livro próprio da Loja a presença dos Irmãos do quadro, dos visitantes e deles colher suas assinaturas. 

Num caso de estarem presentes apenas sete Mestres para os trabalhos, então o Mestre de Cerimônias é quem geralmente assume a eventual lacuna deixada pela falta do titular da chancelaria exercendo também o seu ofício.

Também não se discute aqui as obrigações dos titulares dos cargos na Loja, já que se eles existem é porque os trabalhos litúrgicos deles dependem. 

Assim, é devido a isso que o Chanceler responde ritualisticamente, conforme especifica ritual, a indagação do Venerável Mestre quando ele pergunta se existe número regular de Irmãos para a abertura dos trabalhos. É sabido que o número mínimo regular é de sete Mestres.

Evidentemente que a dialética de abertura da Loja envolve aspectos simbólicos e, dentre os quais, o do ofício do Chanceler que é quem guarda do Livro de Presenças da Loja. Entretanto, isso é meramente simbólico, pois se porventura não existisse na oportunidade a presença mínima de Irmãos exigida por lei, a Loja nem mesmo estaria em processo de abertura.

Agora ainda querer atribuir ao Chanceler à missão de comunicar ao Venerável no ambiente que antecede os trabalhos da inexistência desse número regular me parece ser um excesso de preciosismo, pois esse baixo índice de presença seria obviamente notado por aqueles que transitam no recinto. Em síntese, não há o porquê de comunicar o óbvio. 

Concluindo, não obstante a sua boa vontade e preocupação com as práticas da liturgia maçônica, eu penso que não seria pertinente o Chanceler comunicar o que está escancaradamente visível.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

A CORDA DE OITENTA E UM NÓS

A CORDA DE OITENTA E UM NÓS

As sociedades místicas de modo geral adotam elementos simbólicos para sua difusão e entendimento dos iniciados que ao leigo não são dados a conhecer.

A tais elementos simbólicos são atribuídos significados próprios que ao serem ministrados aos Aprendizes, favorecem a aprendizagem da filosofia, da ritualística e da liturgia maçônica.

Na história da humanidade os símbolos são partes importantes no processo de evolução dos povos hoje eles são utilizados em todas as áreas do conhecimento, e até mesmo na pronuncia de uma simples palavra, estabelecem parâmetros que ficam sujeitos a determinada interpretação.

Na prática da caminhada maçônica esta regra ocupa um lugar de destaque, senão vejamos, assim que adentramos ao Templo nossos olhos são guiados espontaneamente a todos os símbolos presentes e dispostos de modo harmonioso, de modo que em um simples relance conseguimos entender seus significados, desde que estejamos preparados para isso.

Uma das possíveis origens da “corda de 81 nós”, ocorre quando em 23 de agosto de 1773, por ocasião da palavra semestral em cadeia da união na casa "Folie-Titon" em Paris, tomava posse Louis Phillipe de Orleans, como Grão-Mestre da Ordem Maçônica, na França, onde estavam presentes 81 irmãos em união fraterna, e a decoração da abóbada celeste apresentava 81 estrelas.

Assim a “corda de oitenta e um nós” é um símbolo presente na maioria dos Templos Maçônicos, ela é instalada circundando as paredes do Templo entre o início de abóbada celeste e as colunas zodiacais. A corda, preferencialmente, será de sisal, com 81 (oitenta e um) nós dispostos da seguinte maneira: um nó central que é colocado no centro do Oriente sobre o trono de Salomão.

A corda conta ainda com quarenta “nós”, eqüidistantes, de cada lado que se estendem pelo Norte e pelo Sul; os extremos da corda terminam, em ambos os lados da porta ocidental de entrada, em duas borlas, elas estão ali permanentemente como símbolos da a Justiça (ou Eqüidade) e a Prudência (ou Moderação), que devem nortear os iniciados no caminho da perfeição muito embora existam.

Em alguns templos da na França e nos painéis dos primeiros graus as cordas são representadas por doze “nós” representando os signos do Zodíaco.

A estrutura dos “nós” (melhor denominados “laços”) representados pelo o símbolo do infinito como símbolo da perpetuação da espécie humana, pela sua forma simboliza a penetração macho/fêmea, dando a entender que a obra da renovação é duradoura e infinita. Este é um dos motivos pelos quais tais laços são chamados "Laços de Amor", por demonstrar a dinâmica Universal do Amor na continuidade da vida. A Corda de 81 laços representa ainda a união dos pensamentos e das ações no aprimoramento do homem pelo homem em benefício da humanidade a laçada, deve lembrar ao maçom que é preciso tomar muito cuidado para não puxá-la transformando-a em nó apertado o que significa a interrupção ou o estrangulamento da fraternidade que deve existir entre os Irmãos.

O “nó” central dessa corda que deve estar acima do Trono de Salomão (cadeira do V.’.M.’.) e representa o número UM, a unidade, indivisível, princípio e fundamento do Universo.

Alguns estudiosos estabelecem que a abertura da corda, na entrada do Templo simboliza o propósito de estar, a Maçonaria, sempre aberta para acolher novos membros, novos candidatos que desejem receber a Luz Maçônica, no entanto podemos entender esta interrupção sendo a Ordem Maçônica uma instituição dinâmica e progressista, estando, sempre aberta às novas idéias, venham contribuir para a evolução do Homem e para o progresso racional da humanidade, visto que o Maçom não pode ser aquele que rejeita as idéias novas, em benefício de um conservadorismo rançoso, muitas vezes dogmático e, por isso mesmo, altamente deletério.

As cordas tem um significado especial para a História da Humanidade; retrocedendo no tempo... na Grécia antiga as cordas necessárias usadas na defesa das cidades eram confeccionadas com os cabelos longos das mulheres. Já os agrimensores egípcios usavam a cordas com “nós” para declinarem os terrenos a serem edificados, sendo que os “nós” demarcavam os pontos específicos das construções, eles marcavam os pontos onde deveriam ser necessárias aplicações de travas, colunas, encaixes, representando, portanto, os pontos de sustentação.

Na Idade Média, a corda era aplicada como instrumento para medir e demonstrar dimensões e proporções da cúpula que se desejava construir Sua origem mais remota parece estar nos antigos canteiros trabalhadores em cantaria, ou seja, no esquadrejamento da pedra informe medieval, que cercava o seu local de trabalho com estacas, às quais eram presos anéis de ferro, que, por sua vez, ligavam-se, uns aos outros, através de elos, havendo uma abertura apenas na entrada do local.
Contudo, encontramos ainda, na Sociedade dos Construtores (Maçonaria Operativa), considerado o embrião na Maçonaria como conhecemos hoje, a herança da “corda” está sempre presente. Nos primeiros momentos ela era desenhada no chão com giz ou carvão, simbolizando a sacralidade daquele espaço no momento da realização dos trabalhos.

Depois de feita a análise da natureza dos símbolos, a disposição simbólica da “corda de oitenta e um laços” no Templo, assim como sua origem nesta sublime Instituição vamos buscar o entendimento do significado filosófico da adoção do número 81(oitenta e um), dos laços eqüidistantes, senão vejamos:

Esotericamente, o significado dos “oitenta e um laços” nos mostra a perfeição da perfeição pois 81 é o resultado de 33 (3 x 3 = 9 x 3 = 81) que é a representação da união fraternal e espiritual, que deve existir, entre todos os Maçons do mundo; representa, também, a comunhão de idéias e objetivos da Maçonaria, que evidentemente, devem ser os mesmos, em qualquer parte do planeta.

Por outro lado encontramos em cada perna da corda 40 (quarenta) nós que representam um número considerado sagrado, pois esse número representa a realização de um ciclo que conduz a mudanças radicais.
“O número 81 segue alguns princípios místicos apresentados pela Cabala senão vejamos:

• 81 é o quadrado de 9 que é o quadrado de 3, número perfeito e de alto valor místico para todas as antigas civilizações tendo ele como base o número 3 :
• Três eram os filhos de Noé – Sem; Cam e Jafé
• Três os varões que apareceram a Abraão
• Três são os dias de Jejum dos Judeus desterrados
• Pedro negou Cristo por 3 vezes
• Três são as virtudes teolegais – FÉ, ESPERANÇA e AMOR
• Em todas as religiões existem tríades divinas
o Sumérios = Shamash - Sin – Ichtar
o Egípcios = Osiris – Isis – Orus
o Hindus = Brahma – Vishnu – Shiva
o Taoismo = Yang – Ying e Tao
o Trindade Cristã = Pai – Filho – Espírito Santo.
• O número 40 – quarenta nós para cada lado, extraindo-se o nó central -Número que representa a penitencia e a expectativa
• Quarenta dias foi a duração do dilúvio
• Quarenta dias Moisés passou no Monte Sinai quando recebeu as tábuas da Lei
• Quarenta dias durou o jejum de Cristo no deserto preparando-se para a morte terrestre - que é representado pelos laços da direita.
• Quarenta dias Jesus esteve na terra após sua ressurreição quando se preparava para a Eternidade estão representados pelos 40 laços da esquerda.

Se buscarmos as justificativas nos princípios da cabala veremos que: o número 81 representa o quadrado de 9, que, por sua vez, é o quadrado de 3, número Perfeito, bastante estudado em Escolas Esotéricas e de alto valor místico, para todas as antigas civilizações; devemos associá-lo pois ao número Três, eram os filhos de Noé; Três os profetas que apareceram a Abraão; Três os dias de jejum dos judeus desterrados; Três as negações de Pedro; Três as virtudes teologais (Fé; Esperança e Amor).

Além disso, as tríades divinas sempre existiram, em todas as religiões dos povos da antiguidade: Shamash, Sin e Ichtar, dos Sumérios - Osiris, Isis, Horus, dos Egípcios - Brahma, Vishnu e Siva, dos Hindus - Yang, Ying e Tao, do Taoismo - Pai; Filho e Espírito Santo, da Trindade Cristã. Também não poderíamos deixar de citar a tríplice argamassa que une nossas oficinas Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Ainda, com relação às pessoas podemos analisá-las segundo valores numéricos, que lhe são próprios; o som que lhe é próprio; e a figura que a caracteriza. Como temos nove variações comportamentais segundo a Psicologia, teremos 81 variações de comportamento. Concluímos então em um estudo livre, que esta corda mostra também os 81 comportamentos que uma pessoa pode ter em uma existência, sendo então a representação do indivíduo e suas mudanças humorais.

Em um dos graus filosóficos vamos encontrar uma outra explicação para os 81 laços: Hiram Abiff tinha 81 anos quando foi assassinado. No Estatuto do Supremo Conselho do REAA estabelece que para se chegar ao grau 33 são necessários 81 meses de atividades maçônicas.

O estudo deste e dos outros símbolos que compõe a liturgia maçônica é de grande importância para o entendimento do conjunto do simbolismo maçônico, pois cada um dos símbolos e alegorias fazem parte do legado das tradições esotéricas dos antepassados.

Fonte: https://focoartereal.blogspot.com

domingo, 8 de maio de 2022

REAA - FORMA DE SE TRANSMITIR A PALAVRA NA LITURGIA DE ABERTURA E ENCERRAMENTO

Em 04.10.2021 o Respeitável Irmão Carlos Henrique Silva Oliveira, Loja Aliança Fraternal, 3.779, REAA, GOB-SP, Oriente de Santos, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

TRANSMISSÃO DA PALAVRA NA LITURGIA DE ABERTURA

Venho por meio desta solicitar, que esclareça uma dúvida em relação a compreensão textual sobre a transmissão da palavra sagrada do grau de Aprendiz.

1) Temos que sussurrar a palavra por inteiro (sem soletrar) e depois repeti-la soletrando-a?

2) Só sussurrar a palavra somente soletrada?

3) Primeiro sussurrar de forma soletrada e depois repeti-la silabada?

CONSIDERAÇÕES:

Essas explicações encontram-se no SOR - Sistema de Orientação Ritualística hospedado na plataforma do GOB-RITUALÍSTICA. Vale mencionar que as orientações contidas no SOR são para aplicação imediata sobre os rituais do GOB que estão em vigência desde 2009.

Esse sistema de orientação (SOR) está no site oficial do GOB e é amparado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral publicado no Boletim Oficial do GOB em outubro de 2019.

A despeito disso, no tocante aos procedimentos propriamente ditos, na liturgia da transmissão da palavra para a abertura e o encerramento dos trabalhos de Aprendiz, o transmissor da palavra a comunica de modo sussurrado, letra por letra no ouvido do coadjuvante. Isto é, a dá soletrada, mas sem a troca das letras entre os interlocutores como geralmente ocorre em um telhamento.

Esse procedimento ritualístico (abertura e encerramento) que se dá entre os Diáconos e as Luzes da Loja não é um exame para se verificar a qualidade de um maçom (telhamento), é porém uma simples transmissão que ocorre entre Mestres Maçons, cujo desiderato é reviver antigos costumes operativos que ocorriam no canteiro (hoje Loja) quando do esquadrejamento dos cantos, do nivelamento e da aprumada da obra.

Assim, especulativamente, substituindo o velho costume dos canteiros de ofício medievais, atualmente no REAA transmite-se na ocasião a palavra sagrada do grau de modo sussurrado (sigiloso) por inteiro e, no caso de Loja de Aprendiz, letra por letra, mas sem intermitência de troca de letras entre os interlocutores tal como quando ocorre em um telhamento (exame de um maçom).

De tudo, é de boa geometria que o maçom compreenda desde cedo o significado das passagens ritualísticas emanadas do ritual. Em resumo, saber o que está se fazendo. Na liturgia e ritualística maçônica, muitas coisas que parecem possuir o mesmo sentido, na verdade têm significados distintos.

Vale também lembrar que no Grau de Aprendiz, a palavra sagrada é dada sussurrada "soletrada", independente da ocasião em que ela possa ocorrer, ou seja, tanto na transmissão para abertura e encerramento dos trabalhos, assim como quando indagada e proferida em um telhamento com o objetivo de se reconhecer a qualidade de um maçom.

No grau de Aprendiz a diferença é a de que no telhamento os dois protagonistas trocam entre si as letras da palavra (quem pede sempre é quem dá a primeira letra), enquanto que na transmissão para abertura e encerramento não há troca de letras, pois o transmissor, nessa oportunidade, a dá na forma de costume, isto é, inteira e soletrada, e no ouvido direito do receptor.

Outro aspecto importante a se observar é o de que no grau de Aprendiz não existe mais ao final da transmissão, em qualquer das ocasiões, a equivocada repetição por sílabas entre os coadjuvantes. Destaque-se que essa correção e orientação se encontra no SOR desde 2019, portanto o ato de no 1º Grau se repetir silabada a palavra que simbolicamente só pode ser soletrada não deve mais ser praticado no REAA.

Isso se explica no simbolismo maçônico porque iniciaticamente o Aprendiz, simulando o início da jornada de aprimoramento, representa a infância. Desse modo, ainda ofuscado pela Luz, o Aprendiz só sabe "soletrar", não fazendo, portanto, nenhum sentido de que nessa representação emblemática o iniciado venha pronunciar por “sílabas” uma palavra que, na sua condição iniciática, só lhe é permitido “soletrar”.

Diferente do Aprendiz, o Companheiro, por ser iniciaticamente mais evoluído, já sabe pronunciar por sílabas a palavra, enquanto que o Mestre, experiente, por dominar a escrita e a leitura, pode perfeitamente pronunciar a palavra com naturalidade. Ora, em termos iniciáticos isso é ponto pacífico na doutrina do REAA, pois essa alegoria tem o desiderato de demonstrar exatamente a evolução do obreiro na senda do aperfeiçoamento.

Concluindo essas considerações, a alegoria da transmissão da palavra para a abertura e encerramento se inicia no grau de Aprendiz com o Venerável Mestre dando, letra por letra, sussurrada e por inteira no ouvido do 1º Diácono, a palavra sagrada do 1º Grau: B, -, -, -. Apenas isso, sem interlocução e sem silabá-la no final. E assim procede-se sucessivamente até que a palavra tenha alcançado o 2º Vigilante para ele então declará-la J∴ e P∴.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BEM-VINDO À MAÇONARIA - 3ª PARTE

BEM-VINDO À MAÇONARIA - 3ª PARTE 
Ir∴ Valdemar Sansão   

Em Maçonaria ninguém poderá esgotar um assunto, porque a cada minuto que passa a nossa mente concebe novas definições para os mesmos símbolos. 

a) AS TRÊS VIAGENS E OS QUATRO ELEMENTOS 

Segundo o rito antigo, diz Ragon, o aspirante viajava pelos subterrâneos e não pelo templo. No fim de suas caminhadas, ele encontrava a seguinte inscrição: 

“Quem quer que tenha feito essas viagens, sozinho e sem medo, será purificado pelo fogo, pela água e pelo ar e, tendo podido vencer o terror da morte, com a alma preparada para receber a luz, terá o direito de sair do seio da terra e de ser admitido à revelação dos grandes mistérios”. 

“Ele tinha o direito de voltar sobre seus passos, se lhe faltasse coragem para ir mais longe”. 

O primeiro elemento é a Terra, o domínio subterrâneo onde se desenvolvem os germes e as sementes. Ela é representada pela Câmara de Reflexões onde está encerrado o Recipiendário. A primeira viagem refere-se ao Ar, a segunda à Água, a terceira ao Fogo

As purificações que acompanham tais viagens lembram que o homem nunca é suficientemente puro para chegar ao templo da filosofia. 

Já, de acordo com Wirth, o simbolismo dessas três viagens: “A primeira viagem é o emblema da vida humana. O tumulto das paixões, o choque dos interesses diversos, a dificuldade dos empreendimentos, os obstáculos que os concorrentes interessados em nos prejudicar e sempre dispostos a nos desencorajar multiplicam sob nossos passos, tudo isso é figurado pela irregularidade do caminho que o Recipiendário percorreu e pelo ruído que se fez a seu redor”. 

“Para desenvolver ao Recipiendário sua segurança, submetem no à purificação pela Água. Trata-se de uma espécie de batismo filosófico, que lava de toda impureza... ao ruído ensurdecedor da primeira viagem seguiu-se um tinido de armas, emblema dos combates que o homem constantemente é forçado a travar”. 

“Para contemplar a verdade que se esconde dentro dele mesmo, o Iniciado deve saltar um tríplice cinturão de fogo. É a prova do Fogo... O iniciado permanece no meio das chamas (paixões ambientes) sem ser queimado, mas ele se deixa penetrar pelo calor benfazejo que dele emana”

Acrescentamos que, aos quatro elementos, costuma-se fazer corresponder os quatro períodos da vida humana: infância, adolescência, idade madura e velhice. Poderíamos ainda fazê-los corresponder aos quatro pontos cardeais, às quatro estações, às quatro idades do Mundo: idade do ouro, da prata, do bronze e do ferro, etc. Todas essas comparações são bastante banais e quase não ajudam para a compreensão dos símbolos. 

Pode-se admitir – sem grandes dificuldades – que o homem se compõe não só de um corpo e de uma alma, mas de quatro partes distintas, às quais daremos seus nomes latinos: Spiritus, Animus, Mens, Corpus. A cada uma dessas partes faremos corresponder um dos elementos na seguinte ordem: Fogo, Água, Ar, Terra. 

b) DEUS, O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO 

A noção do Grande Arquiteto do Universo, na Maçonaria, é ao mesmo tempo mais ampla e mais limitada que a do Deus das diferentes religiões. (Note-se que não suprimimos a palavra “Deus”, mas que lhe acrescentamos o epíteto de “Grande Arquiteto do Universo”). 

A Franco-Maçonaria, desde sua origem, adotou a expressão “O Grande Arquiteto do Universo”, mostrando assim a sua concepção da divindade em suas relações com o mundo e com o homem. 

O Grande Arquiteto do Universo simboliza o princípio reitor (aquele que rege) da Maçonaria e do Universo. Trabalhar para a glória do Grande Arquiteto do Universo, isso pode significar, ad libitum (à escolha, à vontade): ou trabalhar sob o signo de Deus; ou, ainda, trabalhar de acordo com o princípio reitor que orienta para o Progresso a evolução do mundo e da humanidade. 

O primeiro artigo das Obrigações de um Franco-Maçom, de Anderson, foi redigido nestes termos: “Um Maçom é obrigado, por sua condição, a obedecer à lei moral; e se ele compreende bem a Arte, nunca será um ateu estúpido, nem um libertino irreligioso”. Mais embora, nos tempos antigos, os Maçons fossem considerados, em cada país, como pertencente à religião, fosse qual fosse, desse país ou dessa nação, considera-se agora mais a propósito deixar a cada um suas opiniões particulares, isto é, que sejam pessoas de bem e leais, em outras palavras, homens honrados e probos, sejam quais forem as denominações ou crenças que possam diferenciá-los. A Maçonaria torna-se, assim o centro da União e o meio de assegurar uma fiel amizade entre pessoas que, de outra forma, continuariam perpetuamente afastadas uma das outras. 

c) LIVRE E DE BONS COSTUMES 

Para que um candidato seja admitido à iniciação, a Maçonaria exige que ele seja “livre e de bons costumes”. 

A segunda parte esteve sempre e continua ainda em pleno vigor, porém a primeira sofreu modificações no decorrer dos séculos, desde os da Maçonaria operativa. 

Existindo os servos, durante a Idade média, todas as corporações exigiam que o candidato a aprendiz para qualquer Oficio tivesse “nascido livre”, visto que, como servo ou escravo, ele não era dono de si mesmo. No entanto, quando a escravidão foi suprimida na Grã-Bretanha, a Grande Loja da Inglaterra teve de modificar os seus estatutos, substituindo a expressão “nascido Livre” pela de “homem livre”. 

d) MORAL MAÇÔNICA 

Moral – Conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupo ou pessoa determinada. 

A Moral está na base da Maçonaria, em sua história, em suas leis, em todo o seu desenvolvimento. É a razão de ser e o principal objetivo da Instituição que, sem ela, não se poderia manter. Esse objetivo é mesmo assinalado na primeira linha do primeiro artigo dos “Deveres de um Maçom”, nas “Constituições” Maçônicas, desde 1723: “Um Maçom é obrigado pela sua dependência (à Ordem) a obedecer à Lei moral...”. Assim, a Moral maçônica é a moral solidarista (que tem responsabilidade recíproca). 

e) O BEM E O MAL 

A Maçonaria procura fazer penetrar na consciência dos Maçons a seguinte fórmula: fazes tudo o que pode contribuir para a felicidade da Humanidade; abstenha-se de fazer tudo o que pode causar prejuízo ou pena à Humanidade. A Maçonaria ensina aos seus adeptos: fazes parte da Humanidade, a sua (dela) prosperidade é a tua prosperidade: o seu sofrimento é o teu sofrimento; o que é bom ou mau para ela o é igualmente para ti; a Humanidade florescente é o teu Paraíso; a Humanidade perecendo é o teu inferno. O Bem é o que, sendo generalizado, criaria à espécie humana condições de existência mais favoráveis à sua felicidade. O Mal é o contrário. 

Fontes consultadas: 
- “A Simbólica Maçônica” – Jules Boucher; 
- “Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia” – Nicola Aslan; 
- Ritual do Aprendiz Maçom – GLESP; 
- “O DESPERTAR PARA A VIDA MAÇÔNICA” 

Fonte: JBNews - Informativo nº 0169  - 12 de fevereiro de 2011

sábado, 7 de maio de 2022

SAUDAÇÃO NO USO DA PALAVRA - REAA

SAUDAÇÃO E USO DA PALAVRA
(republicação)

Em 11/08/2017 o Respeitável Irmão Cesar Salim, Loja União, Pátria e Caridade, 1.258, REAA, GOB-RJ, Oriente de Itaocara, Estado do Rio de Janeiro, solicita o seguinte esclarecimento:

SAUDAÇÃO NO USO DA PALAVRA

Poderoso Irmão sabedor que sou de suas explicações sobre o assunto, mesmo assim eu gostaria de expor em tempo de estudos sobre a saudação em Loja, ao solicitar a palavra, quem saudamos primeiro? Temos um ex Venerável que não concorda com a saudação as luzes em primeiro lugar e sim temos de saudar em sua opinião todos no Oriente e depois os Vigilantes. Certo de sua resposta para possamos apresentar em Loja agradecemos e enviamos nosso TFA. 

CONSIDERAÇÕES:

A questão é que isso não é saudação, mas uma maneira protocolar de se dirigir em Loja ao se usar a palavra no REAA⸫. Além do que, quem usa a palavra estando em pé obedece à outra norma do Rito, ou seja: em Loja aberta quem se posicionar em pé, fica à Ordem e, antes de retomar assento desfaz o Sinal pela pena simbólica – isso não é saudação, mas uma conduta ritualística.

Assim, o usuário da palavra antes de discorrer sobre um assunto, autorizado, costumeiramente ele menciona por primeiro as Luzes da Loja, em seguida as autoridades presentes (sem a necessidade de mencioná-las uma a uma) e por fim, genericamente, todos os demais pronunciando: meus irmãos. 

É de péssima geometria o costume de se ficar enumerando e mencionando cada autoridade presente, Mestres Maçons Instalados, etc. 

Se o usuário da palavra ainda assim quiser fazer deferência às autoridades, então se sugere que ele, de modo sucinto, apenas mencione a mais alta autoridade presente - o Grão-Mestre, por exemplo - em nome de quem se saúdam todas as demais.

A objetividade é uma das virtudes aplicadas na Maçonaria e, ao mesmo tempo, evitam-se massagens em “certos egos” que adoram essa benevolência.

A propósito, no GOB⸫, saudações (pelo Sinal) em Loja somente se dão ao Venerável Mestre quando do ingresso e saída do Oriente ou as Luzes da Loja quando do ingresso formal pela Marcha do Grau – vide Ritual de Aprendiz do REAA em vigência. 

Concluindo, compreenda-se que a saudação pelo sinal é o ato de se saudar alguém pelo Sinal de Ordem, desfazendo-o imediatamente em seguida pelo Sinal Penal. Já estar à Ordem e se dirigindo a alguém, a exemplo de como se faz quando do uso a Palavra, não é atitude de saudação.

E.T. – nossos rituais ainda mencionam a rançosa e redundante frase: “de pé e à Ordem”. Ora, pergunta-se: alguém ficaria à Ordem sentado?

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE NAT KING COLE

NATHANIEL ADAMS COLES (Montgomery, 1919 — Santa Mônica, 1965). Cantor e músico de jazz norte-americano. Conhecido como a voz de veludo, a beleza do timbre de barítono contribuiu para torná-lo popular. Essa Loja da qual foi Iniciado é da Potência norte-americana, Prince Hall, cujo nome é uma homenagem a Fats Waller, nome artístico de Thomas Wright Waller, maestro, pianista compositor, cantor de jazz e também Mestre Maçom.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 09 de janeiro de 1944 (Domingo).

Loja: Thomas Waller nº 49, Los Angeles, Estados Unidos.

Idade: 24 anos.

Oriente Eterno: Faleceu aos 45 anos de idade, vítima de câncer de pulmão.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

O ESQUADRO E O COMPASSO

O ESQUADRO E O COMPASSO
Autor: Rui Bandeira

Talvez o mais conhecido dos símbolos da Maçonaria seja o que é constituído por um esquadro, com as pontas viradas para cima, e um compasso, com as pontas viradas para baixo.

Como normalmente sucede, várias são as interpretações possíveis para estes símbolos.

É corrente afirmar-se que o esquadro simboliza a retidão de caráter que deve ser apanágio do maçom. Retidão porque com os corpos do esquadro se podem traçar facilmente segmentos de reta e porque reto se denomina o ângulo de 90 º que facilmente se tira com tal ferramenta. Da retidão geométrica assim facilmente obtida se extrapola para a retidão moral, de caráter, a caraterística daqueles que não se “cosem por linhas tortas” e que, pelo contrário, pautam a sua vida e as suas ações pelas linhas direitas da Moral e da Ética. Esta caraterística deve ser apanágio do maçom, não especialmente por o ser, mas porque só deve ser admitido maçom quem seja homem livre e de bons costumes.

É também corrente referir-se que o compasso simboliza a vida correta, pautada pelos limites da Ética e da Moral. Ou ainda o equilíbrio. Ou a também a Justiça. Porque o compasso serve para traçar circunferência, delimitando um espaço interior de tudo o que fica do exterior dela, assim se transpõe para a noção de que a vida correta é a que se processa dentro do limite fixado pela Ética e pela Moral. Porque é imprescindível que o compasso seja manuseado com equilíbrio, a ponta de um braço bem fixada no ponto central da circunferência a traçar, mas permitindo o movimento giratório do outro braço do instrumento, o qual deve ser, porém, firmemente seguro para que não aumente ou diminua o seu ângulo em relação ao braço fixo, sob pena de transformar a pretendida circunferência numa curva de variada dimensão, torta ou oblonga, assim se transpõe para a noção de equilíbrio, equilíbrio entre apoio e movimento, entre fixação e flexibilidade, equilíbrio na adequada força a utilizar com o instrumento. Porque o círculo contido pela circunferência traçada pelo instrumento se separa de tudo o que é exterior a ela, assim se transpõe para a Justiça, que separa o certo do errado, o aceitável do censurável, enfim, o justo do injusto.

Também é muito comum a referência de que o esquadro simboliza a Matéria e o compasso o Espírito, aquele porque, traçando linhas direitas e mostrando ângulos retos, nos coloca perante o facilmente perceptível e entendível, o plano, o que, sendo direito, traçando a linha reta, dita o percurso mais curto entre dois pontos, é mais claro, mais evidente, mais apreensível pelos nossos sentidos – portanto o que existe materialmente. Por outro lado, o compasso traça as curvas, desde a simples circunferência ao inacabado (será?) arco de círculo, mas também compondo formas curvas complexas, como a oval ou a elipse. É, portanto, o instrumento da subtileza, da complexidade construída, do mistério em desvendamento. Daí a sua associação ao Espírito, algo que permanece para muitos ainda misterioso, inefável, obscuro, complexo, mas simultaneamente essencial, belo, etéreo. A matéria vê-se e associa-se assim à linha direita e ao ângulo reto do esquadro. O espírito sente-se, intui-se, descobre-se e associa-se portanto ao instrumento mais complexo, ao que gera e marca as curvas, tantas vezes obscuras e escondendo o que está para além delas – o compasso.

Cada um pode – deve! – especular livremente sobre o significado que ele próprio vê nestes símbolos. O esquadro, que traça linhas direitas, paralelas ou secantes, ângulos retos e perpendiculares, pode por este ser associado à franqueza de tudo o que é direito e previsível e por aquele à determinação, ao caminho de linhas direitas, claro, visível, sem desvios. O compasso, instrumento das curvas, pode por este ser associado à subtileza, ao tato, à diplomacia, que tantas vezes ligam, compõem e harmonizam pontos de vista à primeira vista inconciliáveis, nas suas linhas direitas que se afastam ou correm paralelas, oportunamente ligadas por inesperadas curvas, oportunos círculos de ligação, improváveis ovais de conciliação; enquanto aquele, é mais sensível à separação entre o círculo interior da circunferência traçada e tudo o que lhe está exterior, prefere atentar na noção de discernimento (entre um e outro dos espaços).

E não há, por definição, entendimentos corretos! Cada um adota o entendimento que ele considera, naquele momento, o mais ajustado e, por definição, é esse o correto, naquele momento, para aquela pessoa. Tanto basta!

O conjunto do esquadro e do compasso simboliza a Maçonaria, ou seja, o equilíbrio e a harmonia entre a Matéria e o Espírito, entre o estudo da ciência e a atenção às vias espirituais, entre o evidente, o científico, o que está à vista, o que é reto e claro e o que está ainda oculto ou obscuro. O esquadro é sempre figurado com os braços apontando para cima e o compasso com as pontas para baixo. Ambas as figuras se opõem, se confrontam: mas ambas as figuras oferecem à outra a maior abertura dos seus componentes e o interior do seu espaço. A oposição e o confronto não são assim um campo de batalha, mas um espaço de cooperação, de harmonização, cada um disponibilizando o seu interior à influência do outro instrumento. Assim também cada maçom se abre à influência de seus Irmãos, enquanto que ele próprio, em simultâneo, potencia, com as suas capacidades, os seus saberes, as suas descobertas, os seus ceticismos, as suas respostas, mas também as suas perguntas (quiçá mais importantes estas do que aquelas…) a modificação, a melhoria, de todos os demais.

Tantos e tantos significados simbólicos podemos descobrir e entrever nos símbolos mais conhecidos da Maçonaria… Aqui deixei, em apressado enunciado, alguns. Cada um é livre, se quiser, de colocar na caixa de comentários, o seu entendimento do significado destes símbolos, em conjunto ou separadamente, ou apenas de um só deles. Todos os significados simbólicos são bem-vindos! Cada um é também livre de, se quiser, nada partilhar, guardando para si,as conclusões que nesse momento tire. Tão respeitável é uma como outra das posições. Este espaço é livre e de culto da Liberdade. Afinal de contas, tanto o esquadro como o compasso estão abertos… abertos às livres opções, entendimentos e escolhas de cada um!

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

sexta-feira, 6 de maio de 2022

QUESTÕES RITUALÍSTICAS: SAÍDA ANTECIPADA, RETARDATÁRIO E SAUDAÇÃO

QUESTÕES RITUALÍSTICAS: SAÍDA ANTECIPADA, RETARDATÁRIO E SAUDAÇÃO
(republicação)

Indagações apresentadas pelo Respeitável Irmão Gilson Sousa, membro da Loja Barão do Rio Branco, 2.441 – GOB-AC, sem declinar o nome do Oriente (Cidade), Estado do Acre.
gilsonbambu@gmail.com

1 - Se um Irmão cobrir definitivamente o templo ele passa pelo Irmão Hospitaleiro a fim de deixar o seu óbolo? Caso positivo, como o faz?

2 - Ao passar pela primeira vez pelo equador do Templo ele saúda ou não o Delta Luminoso?

3 - Ao entrar no Templo após o inicio dos trabalhos ele vai ao Irmão Chanceler para assinar o livro, ou o Mestre de Cerimônias leva o livro para a assinatura?

CONSIDERAÇÕES PARA O R⸫E⸫A⸫A⸫

Primeiro eu gostaria de salientar que embora ainda exista o ranço de se propagar o jargão de que um Irmão ao se retirar da Loja “cobre o Templo”, essa referência é totalmente errada. Quem cobre o Templo é o Cobridor. Assim quem se retira é que terá o Templo a ele coberto. Um Templo é coberto por telhas, daí o neologismo maçônico do “telhamento”. Imagine, por exemplo, os “Aprendizes cobrindo o Templo”. Ora, então aos olhos da razão, os demais se retirariam enquanto que os Aprendizes permaneceriam guardando o Templo!

Questão 01 – então se um Irmão “tiver o Templo coberto definitivamente”, antes da circulação do tronco, o Mestre de Cerimônias o conduzirá até o lugar do Hospitaleiro que lhe oferece a bolsa na forma de costume. O retirante deposita o óbolo e em seguida acompanha o Mestre de Cerimônias até “entre Colunas”, próximo à porta. Este (o retirante) se posiciona à Ordem de frente para o Oriente, saúda as Luzes da Loja (Venerável, Primeiro e Segundo Vigilantes) pelo Sinal. Ato seguido acompanha o Mestre de Cerimônias em retirada (em deslocamento, o Mestre de Cerimônias vai sempre à frente – ele conduz, e não acompanha).

Questão 02 – No Grande Oriente do Brasil, ninguém faz qualquer saudação ao cruzar a linha do Equador. A saudação está prevista somente para o Venerável Mestre quando da entrada e saída do Oriente e às Luzes da Loja por ocasião do ingresso ou retirada em Loja aberta, ou ainda se o ritual em vigência assim determinar.

Ratificando, não existe nenhuma saudação, seja ela ao Delta, ou ao Venerável por ocasião em que o obreiro precise cruzar o eixo do Templo durante a circulação que, diga-se se passagem, ela (a circulação) só existe no Ocidente.

Questão 03 – Após a entrada do retardatário em Loja aberta, que deve ser formal (marcha e saudação às Luzes da Loja), geralmente o Venerável determina que o Mestre de Cerimônias conduza o Irmão até a mesa ocupada pelo Chanceler para a assinatura devida e posteriormente ocupe o seu lugar em Loja.

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: Fonte: JB News – Informativo nr. 753 Florianópolis (SC) – 18 de setembro de 2012