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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sábado, 18 de junho de 2022

A PARTICIPAÇÃO DA MAÇONARIA NA ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA

A PARTICIPAÇÃO DA MAÇONARIA NA ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA
José Luiz Ribeiro de Melo

Existem fatos importantes da história do Brasil que ao longo do tempo são esquecidos e pouco, muito pouco, ou nada, acontece para ilustrar esses acontecimentos quando se deveria comemorar a cada ano, a data histórica ou o feito dos heróis.

A abolição da escravatura, último país a declarar a fim dessa prática abominável, é uma dessas datas que, nos dias atuais, não tem merecido o destaque que o ato da Princesa Isabel trouxe ao Brasil, não somente no aspecto econômico, mas, principalmente, pelo seu alcance humanitário, de respeito aos direitos humanos.

Nestas reflexões, a abordagem fica restrita ao papel desempenhado pela maçonaria como instituição, no processo abolicionista, sabendo-se de antemão que não há muitos trabalhos publicados sobre o assunto.

O que se tem claramente é a participação de maçons, principalmente porque faziam parte do governo imperial ou porque exerciam atividade como escritores e jornalistas conceituados e influentes na formação da opinião pública, e essencialmente através da ação isolada e integrada de seus membros e das Lojas Maçônicas.

Prova disso foi o apoio dos maçons à criação da Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, concebida pelo maçom Joaquim Nabuco que, tanto quanto a Maçonaria, utilizava de códigos secretos para proteger seus componentes, isto, em meados de 1883.

Outra instituição, também de inspiração maçônica, foi a Confederação Abolicionista, indicada pelo maçom José do Patrocínio, tendo como princípio defender a abolição de forma pública, mas, também, através de ações secretas, pois “seus agentes ocultos aconselhavam a fuga das fazendas, criavam esconderijos para os escravos fugidos, despachavam outros para o Ceará, dispunham de cartas de liberdade, mandavam castigar por seus capoeiras os secretas que os queriam prender em flagrante roubo de escravos, cometiam, enfim, uma série de proezas que entusiasmava tanto o público, que os seguia com interesse, como os apóstolos, que os realizavam”.

Provas há de que as Lojas Maçônicas passaram a recomendar aos seus membros a compra de cartas de alforria de escravos, prática comum dentro da Instituição, conforme escreve o renomado autor Rizzardo da Camino:

“( ... ) não havia festividade maçônica ou evento histórico que fosse comemorado sem que um maçom não colocasse dentro do “Saco de Beneficência” uma carta de alforria de um escravo; essa prática, rara no início, foi-se repetindo com mais frequência até que nos últimos anos, consistia um motivo de grande júbilo quando eram contadas, no fim de cada coleta, o número das cartas de alforria”.

Mas, quem foram esses maçons que se empenharam em defesa dos escravos, que combateram com coragem a escravidão e se tornaram relevantes no processo da abolição? Muitos, senão a maioria, são poucos citados nos bancos escolares e desconhecidos da própria Instituição Maçônica, mas que devem merecidamente ser reconhecidos.

Somente para ilustrar, faço a menção a quatro nomes, simbolizando toda gama de irmãos maçons que colocaram suas virtudes, inteligência e trabalho na luta pela Abolição da Escravidão em nosso país:

Luiz Gonzaga Pinto da Gama, negro, poeta, escritor, jornalista e advogado, iniciado na Loja América; Antônio Bento de Souza e Castro, Juiz de Direito; Francisco Barbosa Gê Acayaba Montezuma, Visconde de Jequitinhona, negro, médico, exerceu o cargo de Grande Comendador Soberano do Supremo Conselho do Grau 33; Adolfo Bezerra de Menezes, médico, espírita, escreveu o livro “A Escravidão no Brasil” e, nele, inseriu:

“Nenhuma questão, segundo penso, reclama tão serenamente a atenção de quem se interessa pelo bem estar e futuro do paíz, como a emancipação da escravatura”.


Registre-se o Projeto de Lei da Loja América, de autoria do maçom Ruy Barbosa, encaminhado ao Grande Oriente Brasileiro, que estabelecia como princípio o combate à escravidão, nos seguintes termos:

“A Loja América apresenta à sábia consideração do Grande Oriente do Vale dos Beneditinos o seguinte projeto, requerendo sua conversão em lei geral e obrigatória para toda a Maçonaria estabelecida no país.

Art. 1º. Sendo verdade inconcussa que a emancipação do elemento servil e a educação popular são hoje duas grandes ideias que agitam o espírito público e de que depende essencialmente o futuro da nação, a Maçonaria brasileira declara-se solenemente a manter e propagar esses dois princípios, não só pelos recursos intelectuais da imprensa, da tribuna e do ensino, como também por todos os meios materiais atinente a apressar a realização dessas ideias entre nós. (...)

O que se tem na memória são fragmentos da história, da história pouco difundida da presença da Maçonaria no movimento abolicionista desde muito cedo, diferentemente da Igreja Católica que somente se fez presente no final do processo, mas, que corrobora com a persistente intenção de desqualificar o trabalho maçônico e a sua participação efetiva em todos os movimentos políticos brasileiros, sempre em defesa da Liberdade.

Bibliografia

  • O Contributo da Maçonaria para a Abolição da Escravatura, Márcio Antônio Silva de Pontes.
  • A Maçonaria e a Abolição, Odálio Botelho.
  • Considerações acerca da participação Maçônica na libertação dos escravos, Carmem Gessilda Burgert Schiavon
Fonte: https://opontodentrocirculo.com/revista-libertas/

sexta-feira, 17 de junho de 2022

CIRCULAÇÃO DO TRONCO DE BENEFICÊNCIA - REAA

Em 17.11.2021 o Respeitável Irmão Romeu Mattar Filho, Loja Bartolomeu Bueno da Silva, 71, REAA, GLEGO (CMSB), Oriente de Goiânia, Estado de Goiás, formula a seguinte questão:

CIRCULAÇÃO DA BOLSA

Minha dúvida é a Circulação da Bolsa de Beneficência. Fui indicado para o cargo de Hospitaleiro e me sinto um pouco inseguro.

CONSIDERAÇÕES:

Sob o ponto de vista da originalidade do REAA, a circulação consagrada é a de que o Irmão Hospitaleiro se coloque entre as colunas do Norte e do Sul (sobre o eixo), no extremo do Ocidente com o recipiente aberto e seguro pelas duas mãos junto ao quadril esquerdo. Essa é a postura que deve ser mantida pelo Oficial, estando ele parado ou em deslocamento na Loja.

Qualquer Irmão quando abordado pelo Hospitaleiro durante coleta, sentado, deve depositar o óbolo com a mão direita fechada. O único que deposita em pé é o Hospitaleiro no exercício do seu ofício.

A regra de abordagem tradicional dos seis primeiros cargos é a seguinte: Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes (as Luzes da Loja); Orador e Secretário (demais Dignidades); e o Cobridor Interno (importância pelo Landmark do sigilo). Prosseguindo, os ocupantes das cadeiras de honra se ocupadas, à direita e a esquerda do Venerável Mestre (se elas estiverem previstas no ritual); os demais ocupantes do Oriente; Mestres das Colunas do Sul e do Norte (com cargo e sem cargo – sem distinção), Companheiros e Aprendizes e, por fim, o próprio Hospitaleiro que, geralmente auxiliado pelo Cobridor Interno, deposita o seu óbolo.

Esse é o percurso tradicional dos seis primeiros cargos, cuja sequência nada tem a ver com uma suposta estrela de seis pontas que, de fato nem mesmo existe no REAA. De qualquer modo, sugiro ao Irmão que siga o ritual da sua Obediência em vigor, pois sabemos perfeitamente que podem existir variações nesse trajeto por conta dos inúmeros rituais que já foram impressos, principalmente no Brasil.

Basicamente é isso, lembrando que uma Loja somente pode ser aberta com a presença mínima de sete Mestres Maçons, nesse caso, é obrigatório o preenchimento dos seis primeiros cargos acima mencionados que, somados ao oficial que recolhe a coleta, perfaz o número mínimo obreiros necessários para que uma Loja possa ser aberta REAA.

Vale ainda mencionar que quando se fala em originalidade, menciona-se as fontes primárias que deram corpo ao primeiro ritual para o simbolismo do REAA na França a partir de 1804. Temos assim como fontes principais o “Regulador do Maçom” (1801) do Grande Oriente da França, a exposure relativa aos Antigos Ingleses intitulada “As Três Pancadas (Batidas) Distintas na Porta da Antiga Maçonaria” (1760) e, por fim, as influências da Loja Geral Escocesa que fora criada em outubro de 1804 para elaborar o primeiro ritual. O primeiro composto desse ritual seria editado na França em 1820, 1820 com o título de Guia dos Maçons Escoceses, embora já deturpado e influenciado pela criação das Lojas Capitulares (1814) e pelo Regulador do Rito dos Sete Graus.

Por fim, lembro também que na Moderna Maçonaria tradicional, isto é, naquela sem invenções e enxertos, Aprendizes e Companheiros não ocupam cargos.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MÁXIMAS MAÇÔNICAS

MÁXIMAS MAÇÔNICAS
Ir∴ Marcos Alberto Moreira Menezes (33ºManaus – AM )

01) Adora o Grande Arquiteto do Universo, que é Deus. 

02) Ama o teu próximo como a ti mesmo.

03) Não faças mal a ninguém, mas antes, faze o bem que puderes, pelo amor ao próprio bem, mesmo aos inimigos, se e que aspiras à perfeição; porque não só és responsável pelo mal que fizeres, mas também pelo bem que deixares de fazer.

04) Escuta sempre a voz da tua consciência. Ela é um dos teus juízes.

05) Conhece-te a ti mesmo: corrige os teus defeitos e vence as tuas paixões. 

06) Nos teus atos mais secretos, sabe que há o olho onividente da providência: ele te vê. Supõe sempre que tens o mundo por testemunha.

07) Estima os bons, alenta os fracos, atende aos maus e não odeies a ninguém.

08) Não julgues superficialmente as ações de teus irmãos; Louva pouco e censura muito menos ainda; Lembra-te que, para julgar o homem, é necessário sondar-lhe a consciência e esquadrejar-lhe as intenções. ºO julgamento pertence ao Grande Arquiteto do Universo, porque só ele pode sondar o coração das criaturas.

09) Dize a verdade, pratica a justiça, procede com retidão.

10) Nunca bajules: É uma traição; Se alguém te bajular, toma cuidado, para que não te corrompa.

11) Respeita o peregrino nacional ou estrangeiro e auxilia-o sempre.

12) Deixa falar os homens: cada um só dá o que tem.

13) Suporta tudo com resignação e tem sempre confiança no futuro, pois se agires corretamente, nenhuma força te impedirá de chegares ao bom termo.

14) Respeita a mulher, não abuses jamais de sua debilidade, defende-a sempre, antes queira morrer do que desonrá-la.

15) Evita as questões, previne os insultos e procura sempre ter a razão do teu lado.

16) Fala moderadamente com os pequenos, prudentemente com o grandes, sinceramente com os teus iguais e os teus amigos, docemente com os que sofrem, mas sempre de acordo com a tua consciência e princípios de sã moral. 

17) Lê e medita, observa e imita o que for bom, reflete e trabalha, ocupa-te do bem estar dos seus irmãos e assim contribuirás para o bem coletivo.

18) Não te envergonhes do teu destino, pensa que este não te desonra nem te desagrada; O modo como desempenhas a tua missão é que te enaltece ou amesquinha perante os homens. 

19) Nunca prometas com a intenção de não cumprir. Ninguém é obrigado a prometer, mas, prometendo, é responsável.

20) A tolerância não vai a ponto de proteger atos imorais.

21) Sê o amparo dos aflitos. Tolera todas as crenças e todos os cultos, mas tens o dever de lutar contra a superstição e a ignorância.

22) Educa, ensina; Esclarece, inspirado pela circunspeção e pela benevolência, aos outros com o teu conselho.

23) Justo e valoroso, defende o oprimido e protege a inocência, não exaltando jamais os serviços prestados.

24) Procede de tal maneira que a razão fique sempre ao seu lado.

25) Ama a pátria e a liberdade; Sê bom cidadão, bom esposo, bom pai, bom filho, bom irmão e bom amigo.

26) Com o faminto reparte o teu pão, aos pobres e forasteiros dá hospitalidade.

27) Cumpre o teu dever, aconteça o que acontecer.

28) Trabalha sobre o pedestal da justiça, da verdade. da honra e do progresso.

29) Tem por divisa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. 

30) Tem fé, esperança e caridade: Fé - como que vê o infinito; Esperança - Como que olha para o céu e Caridade como quem vê o céu e a terra.

31) Não sejas fácil em te encolerizares. A ira é sinal de fraqueza.

32) Faz do teu corpo um tempo, do teu coração um altar, e do teu espírito um apóstolo do amor, da verdade e da justiça. 

33) Sê justo, porque a equidade é o sustentáculo do gênero humano.

Fonte: JBNews - informativo nº 0176 - 19/02/2011

quinta-feira, 16 de junho de 2022

LUGAR DA SAUDAÇÃO AO VENERÁVEL MESTRE

Em 15.11.2021 o Respeitável Irmão Marcus Vinicius Mendes dos Santos, Loja Amor e Luz, REAA, GOB-GO, Oriente de Pires do Rio, Estado de Goiás, apresenta a seguinte questão:

LUGAR DA SAUDAÇÃO

Minha dúvida é: ao entrar no Oriente onde se deve saudar o Venerável Mestre, no degrau abaixo do piso do Oriente (último antes de entrar) e na saída saúda também deste degrau ou ainda dentro do Oriente. Desde já agradeço sua sabedoria.

CONSIDERAÇÕES:

Caro Irmão, conforme menciona o Sistema de Orientação Ritualística do GOB RITUALÍSTICA, Aprendiz, REAA, item 31 a saudação é feita em se tendo como referência a linha da balaustrada, tanto para entrar, como quando sair. Ainda como referência, ingressa-se no Oriente pelo lado do Orador e, dele se sai pelo lado do Secretário.

No ingresso, assim que o protagonista pisar no Oriente, ao lado da balaustrada e em seu nível de chão abaixo do sólio, ocorre a saudação. À saída, ainda no Oriente, no nível de chão abaixo do sólio, imediatamente antes de descer, ao lado da balaustrada, faz a saudação.

O SOR - Sistema de Orientação ritualística - GOB RITUALÍSTICA, www.ritualistitica.gob.org.br é uma ferramenta hospedada na plataforma que orienta e corrige os rituais do GOB e devem ser aplicados sobre os mesmos até que haja nova impressão. Esse dispositivo (o SOR) está amparado pelo Decreto 1784/2019 do Soberano Grão-Mestre Geral que é o guardião dos rituais. Nesse sentido, o SOR é para ser aplicado e está em vigência. Lá existe mais de uma centena de orientações e informações. Confira.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

ANTIGOS DEVERES E NOVAS OBRIGAÇÕES

ANTIGOS DEVERES E NOVAS OBRIGAÇÕES
Ir∴ Antônio do Carmo Ferreira
Grão Mestre do GOI-PE - Or∴ Recife - PE


Tenho alertado nossos irmãos Maçons a respeito dos compromissos para com a comunidade em que nos encontramos por ser aí que residimos ou em face de, em seu âmbito, achar-se instalada a nossa Loja. Em ambos os casos, direta ou indiretamente, o Maçom tem a ver com essa comunidade, como qualquer outro cidadão o tem em iguais circunstâncias, devendo com ela contribuir para melhoria de seus costumes e bem estar de todos que ali habitam. Mais ainda porque é para tornar felizes as pessoas que nós nos entranhamos de Maçonaria. Pelo menos este é o objetivo. E mesmo porque ao se beneficiar o todo, a parte do mesmo termina por usufruir desses benefícios.

Quando, em meus artigos, refiro-me à Maçonaria comunitária, quero tratar deste assunto. Digo que cada Loja deve ter o seu projeto e até pareço exagerar nestas referências.

Entendo que é através desse instrumento que se põe em prática o que foi a prendido durante a formação templária, como também que o projeto estimulará a permanência do Maçom, por muito mais tempo, em atividade na Ordem. Basta constatar que a execução do projeto leva o Maçom a envolver-se com ele, constituindo-se num desafio, seja por sua condição de contribuinte dos meios, seja como dirigente. E nestas condições, decerto, não serão regrados esforços para que a missão tenha pleno êxito.

Quero ressaltar, porém, que o envolvi mento, tal como foi exposto acima, torna-se um fato circunstancial. Enquanto que o caráter de construtor social que se assume ao ser iniciado Maçom adverte-me que este envolvimento deve ser inerente. A construção social é compromisso que o Maçom deve resgatar não por uma obrigação (entendida aqui como um gesto forçado), mas sim por amor à realização do que lhe é devido.


A filantropia que está na definição da Ordem, é o nome deste compromisso, sendo seu exercício parte exotérica da vida do Maçom. Falhar para com ele nem pensar, dado que tal indiferença, todos sabemos, seria desonroso para o Iniciado.

“Amar ao próximo” foi um mandamento que se tornou evidente com o nascimento da civilização cristã e está catalogado entre as virtudes Maçônicas que nos são da das a conhecer desde a passagem pelo “banco das reflexões”, claro que chamando a atenção para o fato de que a prática dessa virtude ilustrará nossos dias, daí em diante e por toda a vida. O apóstolo Paulo, ao escrever aos Coríntios, estabeleceu esta marca que a Maçonaria tomou como mote: “Ninguém busque o seu interesse, mas o do próximo” (I Cor 10, 24).

A mim me parece que já se torna necessário a Ordem repensar seu dicionário no tocante à expressão “amor fraternal”. É o “espírito do tempo” que exige isto. Os Estatutos das Potências estão cansados de repetir que a “Maçonaria é uma Instituição Iniciática, Filantrópica...” Mas já está no momento de ir mais além, explicitando que “filantropia” não é teoria, é prática e, como tal absolutamente necessária, distinguindo-se de “caridade”, a qual, embora contida na filantropia, é de menor hierarquia.

Em nossos dias, fazer caridade é dar uma esmola, isto é, colocar, por exemplo, algum dinheiro na bacia do pedinte postado na cabeceira da ponte, ou servir um prato de sopa na calçada de sua residência a alguém que passa faminto, ou dar um velho e surrado cobertor a quem treme de frio de baixo da marquise, etc. Houve um tempo distante, mais de 2 mil anos, em que a palavra “caridade” era sinônimo perfeito de pleno
“amor ao próximo”, a ponto de ser uma das três virtudes teologais. As duas outras eram Fé e Esperança, mas elas ambas subalternas à caridade (I Cor 13, 13).

Filantropia, nos tempos de hoje, ocupa um espaço mais amplo. É um estágio mais evoluído dessa caridade. Esse gesto de dar esmola, e não são poucos que entendem as sim, contribui para corromper os costumes Já a filantropia não. É a contribuição não somente destinada a atender a carências imediatas, mas também e sobretudo o caminho para fomentar a melhoria das condições de sobrevivência seja de uma
organização, se ja de uma coletividade. É uma contribuição para o progresso, o qual também se inclui na definição da Ordem: Iniciática, Filantrópica, Progressista ... daí ser preciso e urgente reformar nosso dicionário!

O projeto de filantropia é uma proposta da Loja. Não deve ser uma imposição do Venerável nem de qualquer obreiro isolado.

Pois, por seu significado e destinação, é um instrumento consensual. Todos os membros da Loja deverão estar engajados. Será uma imensa Oficina. Tanto que se me proponho a realmente ser um Construtor Social, tenho que me debruçar sobre esta nobre missão, conhecendo minha comunidade e suas carências, interpretando os seus sonhos, avaliando suas possibilidades, estabelecendo prioridades, colaborando,
enfim, com a pavimentação de seus grandes caminhos.

Se o quadro da Loja é de poucos obreiros, juntem-se várias Lojas. Se já existe um projeto vitorioso, procuremos nos associar à iniciativa. Que a Loja não seja o limite, mas a vertente. Não esquecer que antes como agora a Ordem é construir. Que à responsabilidade individual sobreponha-se o compromisso coletivo da Oficina, como o “Orvalho do Hermon” da Maçonaria comunitária do mundo atual.

Fonte: Fonte: omalhete.blogspot.com

quarta-feira, 15 de junho de 2022

LUGAR DO 2º DIÁCONO EM LOJA NO REAA

Em 10.11.2021 o Respeitável Irmão Jocely Xavier Araújo, Loja Herbert Jurk, 2.818, REAA, GOB-SC, Oriente de Timbó, Estado de Santa Cataria, solicita esclarecimentos.

LUGAR DO SEGUNDO DIÁCONO

Mais uma vez, venho incomodá-lo, desde já desculpe. REAA. Qual o local correto do segundo Diácono? Ritual 1º GRAU, Página 46 - VEN∴ Ir∴ 2º. Diác∴, qual é o vosso lugar em Loja? 2º Diác∴ - À direita do Ir∴ 1º Vig∴

Esse à direita do 1º Vig∴ significa a sua cadeira está realmente à direita da mesa do Ir∴ 1º Vig∴ encostada na parede, ou à direita do Ir∴ 1º Vig∴, mas um pouco à frente deste isso é aproximadamente na metade da mesa?

COMENTÁRIOS:

Na realidade, no REAA, o 1º Vigilante não fica de fato “encostado” na parede ocidental, mas um pouco afastado dela, isto é, mais ou menos de 1,00m a 1,20m da parede.

Contudo sabemos perfeitamente que às vezes o mobiliário da Loja precisa se adequar ao tamanho do espaço. Assim, num caso desses, o “à direita do Irmão 1º Vigilante” não carece ser simétrico, mas pelo seu lado direito um pouco mais à frente.

Agora quando o espaço for suficiente e o Vigilante não precise ficar encostado na parede ocidental, aí o “à direita” deve ficar simétrico, ou quase simétrico, ao conjunto mobiliário do 1º Vigilante, ou seja, de fato à direita.

Via de regra, tudo depende do espaço, adequando-se conforme a necessidade. Agora em ambientes espaçosos, o 2º Diácono deve ocupar lugar à direita e simétrico ao 1º Vigilante (como se apresenta na página 22 do ritual de Aprendiz em vigência, item 1.3.2 – Planta do Templo), ambos na Coluna do Norte.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

KADOSCH

1º - Palavra hebraica significando "santo, purificado, consagrado". É o nome de um anjo, mas, principalmente, o de um grau maçônico.

2º - No REAA, segundo as Potências, o grau relembra as perseguições de que foram objeto os Cavaleiros Templários por Felipe o Belo e o Papa Clemente V.

3º - Composto de um corpo de doutrinas progressistas em que se propagam os pontos fundamentais maçônicos da Liberdade, Igualdade, Fraternidade, com um caráter eminentemente filosófico e instrutivo.

4º - Existem vários graus de Kadosch. Oliver enumera cinco e os rituais franceses se referem a sete; mas, em todos eles, a doutrina e os modos de reconhecimento são substancialmente os mesmos.

5º - Na maçonaria designa ora um grau ora um sistema e implica ou deveria implicar conhecimento de profundos e misteriosos ensinos maçônicos.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

PEDRA BRUTA

PEDRA BRUTA
Afonso Estebanez

Eu pedra bruta do tempo
que me passou esquecido
no inventário do momento
de viver de eu ter morrido
percorro o longo decurso
de todo o tempo perdido.

Eu profetas de gomorras
ruir de torres tombadas
sodomas de meus sentidos
de extintas almas salgadas
artesão de antigos sonhos
de mãos rudes algemadas.

Eu perdido se me encontro
sensível ao que não sente
descaminho de um futuro
de algum passado presente
vou pedra fingindo a carne
e sangue fingindo a gente.

Eu castelos de crepúsculos
naus sombrias sobre vagas
eu mortalha dos moluscos
de esperanças naufragadas
faz-se em mar a minha vida
das marés que são choradas.

Eu templo de deuses mortos
becos tortos sem calçadas
vendo o mundo das janelas
que o amor deixou fechadas
sou um elo entre essas vidas
que se atraem separadas.

Hoje sou pastor de rios
sentinela das colinas
mirante das fortalezas
nas ameias das neblinas…
É por mim que à noite
os ventos vêm chorar
sobre as ruínas.

Fonte: rimad.net

terça-feira, 14 de junho de 2022

ÚLTIMO A FALAR - GRÃO-MESTRE USANDO A PALAVRA

Em 08.11.2021 o Respeitável Irmão Marcelino Pereira Neto, Loja Cavaleiros Templários, nº 05, Ritual de Emulação, GORR, COMAB, Oriente de Boa Vista, Estado de Roraima, formula a seguinte questão:

FALA DO GRÃO-MESTRE

No REAA, quando do uso da palavra o Grão-Mestre esteja presente e outros Grão-Mestres de outras potencias também estiverem, qual a ordem de pronunciamento destes? O Grão-Mestre da Potência fala primeiro ou depois do Venerável Mestre

CONSIDERAÇÕES:

Salvo melhor juízo, pois não tenho em mãos o ritual dessa Obediência Estadual da COMAB, em linhas gerais e de modo consagrado, depois das conclusões do Orador fala somente o Grão-Mestre da Obediência a qual a Loja pertence.

Estando presente Grão-Mestres visitantes, estes falam antes da fala final do Venerável Mestre quando a palavra a bem da Ordem estiver no Oriente, ou seja, antes de o Venerável passar a palavra ao Orador para as conclusões finais.

Vale mencionar ainda que tudo isso se dá nas sessões em que o Grão-Mestre, ou os Grão-Mestres ainda estejam presentes para o encerramento dos trabalhos (sessões econômicas, ou ordinárias). 

Há sessões, no entanto, como as magnas por exemplo, o Grão-Mestre se retira com formalidade antes do encerramento (depois da Bandeira). 

Nesse caso o titular fala por último ainda no período da palavra sobre o ato realizado. Nessa ocasião, havendo Grão-Mestres visitantes, estes falam imediatamente antes do Grão-Mestre Estadual da Obediência que a Loja pertence.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

DEUS, OU SEJA, A NATUREZA

DEUS, OU SEJA, A NATUREZA
J.Filardo

Veiculado como de autoria de Baruch de Spinoza, mas que teria sido escrito por um médium mexicano Francisco Javier Ángel Real (conhecido como Anand Dilver) em seu livro “Conversaciones con mi Guía”. (A ser verificado).

Porém, independente da autoria, o texto fala por si mesmo, e seria o seguinte:

Deus teria dito:

“Pare de ficar rezando e batendo no peito! O que quero que faça é que saia pelo mundo e desfrute a vida. Quero que goze, cante, divirta-se e aproveite tudo o que fiz pra você.

Pare de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que você mesmo construiu e acredita ser a minha casa! Minha casa são as montanhas, os bosques, os rios, os lagos, as praias, onde vivo e expresso Amor por você.

Pare de me culpar pela sua vida miserável! Eu nunca disse que há algo mau em você, que é um pecador ou que sua sexualidade seja algo ruim. O sexo é um presente que lhe dei e com o qual você pode expressar amor, êxtase, alegria. Assim, não me culpe por tudo o que o fizeram crer.

Pare de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo! Se não pode me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de seus amigos, nos olhos de seu filhinho, não me encontrará em nenhum livro.

Confie em mim e deixe de me dirigir pedidos! Você vai me dizer como fazer meu trabalho?

Pare de ter medo de mim! Eu não o julgo, nem o critico, nem me irrito, nem o incomodo, nem o castigo. Eu sou puro Amor.

Pare de me pedir perdão! Não há nada a perdoar. Se eu o fiz, eu é que o enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso culpá-lo se responde a algo que eu pus em você? Como posso castigá-lo por ser como é, se eu o fiz?

Crê que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que Deus faria isso? Esqueça qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei, que são artimanhas para manipulá-lo, para controlá-lo, que só geram culpa em você!

Respeite seu próximo e não faça ao outro o que não queira para você! Preste atenção na sua vida, que seu estado de alerta seja seu guia!

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é só o que há aqui e agora, e só de que você precisa.

Eu o fiz absolutamente livre. Não há prêmios, nem castigos. Não há pecados, nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Você é absolutamente livre para fazer da sua vida um céu ou um inferno.

Não lhe poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso lhe dar um conselho: Viva como se não o houvesse, como se esta fosse sua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não houver nada, você terá usufruído da oportunidade que lhe dei.

E, se houver, tenha certeza de que não vou perguntar se você foi comportado ou não. Vou perguntar se você gostou, se se divertiu, do que mais gostou, o que aprendeu.

Pare de crer em mim! Crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que você acredite em mim, quero que me sinta em você. Quero que me sinta em você quando beija sua amada, quando agasalha sua filhinha, quando acaricia seu cachorro, quando toma banho de mar.

Pare de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra você acredita que eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que me agradeçam. Você se sente grato? Demonstre-o cuidando de você, da sua saúde, das suas relações, do mundo. Sente-se olhado, surpreendido? Expresse sua alegria! Esse é um jeito de me louvar.

Pare de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que o ensinaram sobre mim! A única certeza é que você está aqui, que está vivo e que este mundo está cheio de maravilhas.

Para que precisa de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procure fora. Não me achará. Procure-me dentro de você. É aí que estou, batendo em você.”

A fraqueza encontrada nele é a indefinição quanto ao Mal. Sendo o Deus do texto tudo o que existe, ele englobaria o Mal? Então ele não seria “puro Amor.” E deveria reconhecer o mal como uma de suas qualidades.

Se atribuirmos o Mal a uma outra entidade, considerando o poder demonstrado por essa entidade, concluiríamos que o Deus do texto não é tudo, mas parte de alguma coisa maior.

Na minha opinião, essa coisa maior é Zeus!

Fonte: https://bibliot3ca.com

segunda-feira, 13 de junho de 2022

ABSTENÇÃO NA VOTAÇÃO - RETIDÃO. O ESQUADRO E O PRUMO

Em 29/10/2021 o Respeitável Irmão, Robson Lopes, Loja Mestre Hiram, 1.427, sem mencionar o Rito, GOB-RJ, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a dúvida seguinte:

ABSTENÇÃO NA VOTAÇÃO

Acompanho seu blog, que muito me instrui, e instiga a buscar os fundamentos de nossas Augustas práticas.

As vezes em sessão vejo alguns irmãos visitantes ficarem em pé e a ordem em momentos de votação da oficina. Essa prática é hábito consolidado entre os irmãos é alguma determinação do GOB, ou não há uma palavra final nesse sentido?

Outra dúvida que tenho é sobre o simbolismo do esquadro e do prumo, que em nossas instruções ambos são tratados como retidão, mas não consigo conceber a diferença conceitual, ou ambos simbolizam exatamente o mesmo princípio sem distinção?

CONSIDERAÇÕES:

Ficar à Ordem para demonstrar abstenção em uma votação, é um costume consagrado em muitos ritos maçônicos que são aqui praticados.

É bom que se diga que esse não é um costume universal, pois alguns ritos possuem características próprias nesse particular. Alguns ritos até adotam uma espécie de sinal não iniciático, como é o caso do Rito Adonhiramita, para identificar aquele que quer se abster de votar. Em outros ainda, o obreiro permanece como está (sem estender o braço à frente).

Em linhas gerais, o que tem prevalecido em boa parte dos ritos, como é o caso do REAA, é o de se ficar à Ordem para demostrar abstenção numa votação.

No tocante ao simbolismo do Esquadro e do Prumo, instrumentos imprescindíveis nas edificações perfeitas e duráveis, o Esquadro, objeto constituído por dois segmentos de retas (ramos) que proporcionam o canto perfeito (90º).

Esse canto perfeito é construído nas edificações a partir da aplicação da 47ª Proposição de Euclides, ou o Teorema de Pitágoras. Graças a essas propriedades, encontradas no triângulo retângulo, o aspecto dos cantos elevados sobre uma base esquadrejada tem o caráter de retidão. É o ponto de partida da pedra angular.

Sob o ponto de vista iniciático essa alegoria sugere o homem de caráter, justo nas suas ações. Em síntese o Esquadro representa o caminho da retidão a ser seguido pelo iniciado.

Quanto ao Prumo, por este não pender como as oblíquas, dá o sentido aprumado para os cantos esquadrejados. Nesse sentido ele representa uma edificação elevada a prumo. Esse elemento, por não pender como as oblíquas, representa o direito igual (equidade) de cada um. É o critério de moderação e igualdade. Enfim, o prumo simboliza o que é conforme com o direito. Todas essas virtuosas aplicações devem fazer parte do cotidiano do iniciado – um homem de ações justas.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A INFLUÊNCIA DO NÚMERO TRÊS

A INFLUÊNCIA DO NÚMERO TRÊS

O número 3 tem grande influência, não só na maçonaria, mas em várias áreas.

Falar sobre o simbolismo mágico que envolve os números é um assunto tão fascinante quanto a eterna busca para explicações que decifrem a alma humana. Independente do tempo e do espaço, de religiões e conceitos, o ser humano sempre criou e procurou símbolos e códigos para decifrar a si mesmo. E a simbologia dos números é um deles.

As tradições relatam que os povos primitivos utilizavam os dedos e pedras para fazer seus primeiros numerais. Os egípcios aprenderam a Matemática com os hebreus cativos, há mais de 300 anos antes de construir as pirâmides. A Matemática explica que os primeiros números surgiram quando os pastores começaram a contar seus rebanhos no final do dia, comparando a quantidade de ovelhas à determinada quantidade de pedras. Uma das ciências mais antigas da História, a Numerologia, foi utilizada pelos povos fenícios, babilônicos, egípcios, gregos, romanos, chineses e árabes.

Ao longo do desenvolvimento desta ciência, cada número passou e ter um significado. E o simbolismo do número três é um dos mais curiosos e complexos nas mais diversas culturas e seus simbolismos. O três significa “A Criação”, a natureza tríplice de Deus (criação – conservação – destruição). Pode significar também o desenvolvimento ordenado do Universo em sua total harmonia e os três principais ciclos da vida: nascimento, apogeu e morte.

Já na Filosofia, por definição do pensador Pitágoras, representa o conhecimento: música, geometria e astronomia. Em outras culturas é definido ainda como o símbolo sexual masculino: pênis e testículos; a composição do homem: corpo, alma e espírito, ou as três esferas concêntricas do Universo: o natural, o humano e o divino. Para os chineses é o número perfeito porque reúne o homem, a terra e o céu. Já os gregos vêem a Deusa e a vegetação em três aspectos: jovem, mãe e velha.

Bíblia – Na Bíblia o número três significa a comunhão perfeita, a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Jesus, Maria e José, três pessoas formam a Sagrada Família. Três eram os reis magos que visitaram o menino-Deus. Três foram as tentações superadas por Cristo no deserto. Aos trinta anos, iniciou sua vida pública que durou três anos. Doze eram os números de apóstolos (um mais dois, igual a três) e três eram as Marias presentes em sua crucificação. Aos trinta e três anos foi morto e três dias depois, Cristo ressuscitou.

Bruxaria – Já para as bruxas, o número três, representado pelo triângulo, significa a manifestação da magia ocidental e é usado em invocações para invocar espíritos. O sinal da entidade é colocado no centro do triângulo. O triângulo invertido representa o princípio masculino. Há também o símbolo das três luas, indicando três faces: A Virgem, A Mãe e A Anciã.

Maçonaria – Na Maçonaria os três pontos também possuem um significado todo especial e com as mais variadas interpretações. O maçom, quando assina qualquer documento, finaliza sua assinatura com três pontos, que podem significar: liberdade, igualdade e fraternidade; presente, passado e futuro; luz, trevas e tempo; nascimento, vida e morte; ou ainda sabedoria, força e beleza.

Política – Na esfera política, sobretudo na democracia, o número três se torna especial já que a sociedade civil organizada está apoiada em Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).

Fonte: JBNews - Informativo nº  0175 - 18/02/2011

domingo, 12 de junho de 2022

OS PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DO SIÃO

OS PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DO SIÃO
(republicação)

Em 12/09/2017 o Respeitável Irmão Leonardo Pimentel (Théodore Henri Du Tschudy), Loja Arautos do Progresso, 30, Rito Adonhiramita, GOIPE (COMAB), sem mencionar o nome do Oriente, Estado de Pernambuco, apresenta o que seguem pedindo comentários:

Não sei se viste uma publicação de um dos intelectuais que Brasil produziu o Gustavo Barroso. Trata-se da publicação dos "Protocolos dos Sábios de Sião". Numa versão que baixei internet dessa tradução por Gustavo Barroso, tinha sempre notas capitulares de tópicos a serem discorridos, onde sempre relacionava essa supostas teorias da conspiração com a Franco-maçonaria. Contando com sua sapientíssima mente meu Amado Irmão peço-te ajuda pela revelar ou entender o que se faz jus e/ou o que são puras elucubrações.

COMENTÁRIO:

Indubitavelmente o livro que causou mais estrago e caluniou a Maçonaria foi essa famigerada fraude inventada no início do século XX, mais precisamente em 1901, pelo anti-semita e membro da polícia política do Czar, Sergei Aleksandrovick Nilus, cujo imbecil livreto ficou bem conhecido como os Protocolos dos Sábios do Sião.

Mesmo os mais famosos detratores e perseguidores da Ordem não conseguiram alcançar o estrago que essa obra falaciosa causou. 

Mesmo as “exposures” de Samuel Prichard em 1730 intitulada “Masonry Dissected” e a do Abade Perau em 1744 denominada “L’Ordre des Francs-Maçons Trahi et Leur Secret Révelé”, ou ainda, em 1730, o publicado no Daily Journal de Londres nº 2998, “Mystery of Free-Masonry” e, mesmo as bulas papais, não conseguiram atingir esse resultado.

Assim também não atingiu esse intento, o padre Augustinho Barruel com a sua obra antimaçônica “Memórias do Jacobinismo”, bem como Paul Rosen com seu “Satã Y Cia” em 1888 e também o embusteiro Léo Taxil, codinome de Gabriel Antonio Jogang Pagés com suas detrações e invenções de práticas demoníacas falsamente atribuídas à Ordem a pedido da Igreja, etc.

Já não se pode dizer o mesmo do falacioso livreto “Os Protocolos dos Sábios do Sião” que se diferenciou de todas as outras tentativas de caluniar a Maçonaria. Essa praga literária conseguiu se espalhar pelo mundo feito uma erva daninha. 

Como uma epidemia ele serviu de anteparo para racistas do naipe do monstro nazista Adolf Hitler, do fascista Mussolini e ainda do ditador espanhol Francisco Franco que, como “Átilas Modernos”, cometeram toda a sorte de barbarismo contra a humanidade.

Na realidade, essa má fadada obra criada por Sergei Nilus nasceu de um plágio distorcido que se baseou numa obra filosófica do advogado francês Maurice Joly intitulado “Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu”, também conhecido como “A Política de Maquiavel no Século XIX”.

O tendencioso Sergei Nilus distorceu o conteúdo literário de Maurice Joly e o adaptou para as suas necessidades racistas e preconceituosas fazendo com que o texto parecesse tratar de um Congresso Sionista supostamente ocorrido na Basiléia em 1897. Segundo o rocambolesco Nilus, esse Congresso teria se reunido em vinte e quatro sessões, nas quais os Sábios do Sião, com a conivência da Maçonaria haviam elaborado um plano para a destruição econômica do mundo – era, segundo o lunático Nilus, um plano judaico-maçônico de dominação mundial.

O autor tendencioso facilmente envolveu a Maçonaria na sua trama caluniosa por saber que a liturgia maçônica comumente trata de lendas bíblicas, passagens e palavras ligadas à civilização hebraica – vide essa influência, sobretudo no REAA.

Verdadeiramente, o escrito de Nilus nada mais era do que uma chula adaptação em plágio da descrição satírica da obra de Maurice Joly que se referia à política de Napoleão III.

Embora servido como excelente material de apoio para tendenciosos caluniadores e adeptos do racismo que só divulgam aquilo que lhes é conveniente, essa falcatrua caluniosa, conquanto o estrago já feito, não tardaria a ser descoberta, o que ocorreu nos dias 16 e 17 de agosto de 1921 quando toda essa história mentirosa fora desmascarada e publicada pelo “Times”. 

Conforme nos explica o autêntico maçonólogo e padre espanhol José Antônio Ferrer Benimeli, in tradução publicada na revista A Trolha, nº 17, página 3 de maio de 1984, a origem dessa fraude seria descoberta quando um correspondente do “Times”, em Constantinopla, havia encontrado em uma casa de livros, abandonado por um oficial do antigo exército do Czar e que havia pertencido à polícia secreta “Okhrana”, um volume escrito em francês, do qual faltavam as primeiras páginas, da obra de Maurice Joly - os Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu.

Ainda, segundo Ferrer Benimeli, o arguto jornalista inglês correspondente do Times que havia descoberto o livro, ao lê-lo, logo se deu conta de que ele continha uma série de passagens estritamente parecidas, senão paralelas, com o texto dos Protocolos dos Sábios do Sião de Nilus – o correspondente inglês conhecia perfeitamente o livreto de Nilus, pois o próprio “Times” já o havia também publicado em maio do ano anterior. 

Por esse feito, não lhe foi difícil identificar que o dito livro encontrado se tratava da obra do advogado francês Maurice Joly intitulada Os Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu, cuja qual fora publicada em Bruxelas no ano de 1864 e possuía um total de 337 páginas, além de uma advertência composta por mais três páginas.

No que diz respeito à verdadeira obra de Maurice Joly, seu conteúdo tratava de dirigir uma eloquente sátira contra a política de Napoleão III, cujo qual é apresentado na obra como um déspota que sabe guardar as aparências de um regime liberal. Em nenhuma oportunidade o nome de Napoleão III é mencionado por Joly. É Maquiavel quem fala por ele e Montesquieu representa o papel de homem honesto que se escandaliza com o cinismo do seu interlocutor.

Desse diálogo literário que envolve as arguições de Maquiavel representadas pela aborrecida política de Napoleão III, é que Sergei Nilus, o militar pertencente à polícia política do Czar da Rússia, plagiou e compôs o seu calunioso livreto que tanto mal causou à humanidade - “Os Protocolos dos Sábios do Sião”.

Assim, acreditar que existiu um Congresso Sionista na Basiléia em 1897 onde os Sábios do Sião teriam elaborado um plano de destruição do mundo com a conivência da Maçonaria só se baseando num escrito que é comprovadamente um fruto de imaginação construído sobre um plágio mal elaborado e estabelecido sobre uma descrição satírica da política de Napoleão III que fora publicada em 1864, é verdadeiramente uma estupidez.

A despeito de todos esses comentários, mesmo que comprovada à fraude já no primeiro quartel do Século XX, provavelmente no intuito de suprir ideais preconceituosos, muitas edições dos Protocolos dos Sábios do Sião continuaram a ser publicados pelo mundo, inclusive na atualidade e bem ao gosto dos partidários do segregacionismo, dos caluniadores e dos preconceituosos.

Hitler, por exemplo, com o seu Mein Kampf e em conjunto com a sua camarilha de assassinos nazistas exterminou milhares de judeus, maçons e outras minorias sociais ainda nos meados do Século XX, sabendo-se que muitas das suas atitudes odiosas e radicais encontraram justificativas nos famigerados Protocolos construídos pelo imaginário de Sergei Nilus. 

Assim também ocorreu com o ditador Francisco Franco na Espanha ao por em prática a sua política de perseguição e exterminação – maçons ibéricos foram assassinados aos milhares. 

Perscrutando a história, ver-se-á que ainda outros ditadores do ódio racial também enveredariam para o mesmo caminho tortuoso da discriminação embasada nas falcatruas caluniosas dos Protocolos dos Sábios do Sião.

No Brasil, para não fugir à regra, esse maldito livreto também apareceu, e ainda aparece publicado por grupos que disseminam ódio e racismo. 

Há que se registrar que por aqui esse embuste literário de Nilus foi muito apreciado pelo fascista Filinto Müller, inimigo da Maçonaria, chefe da polícia política de Vargas, torturador e personagem envolvido em várias arbitrariedades que ferem os direitos humanos. Torturador, esse fascista ganhou notoriedade internacional no atuar no caso da prisão e deportação para a Alemanha nazista de Olga Benário, executada em Bernburg em 1942. 

Quanto ao “intelectual” Gustavo Barroso que é mencionado na questão acima, acredito que ele, pela sua “intelectualidade”, pelo menos deveria saber que o famigerado livreto intitulado Os Protocolos dos Sábios do Sião, de conteúdo calunioso já havia sido comprovadamente desmascarado desde o ano de 1921. Mas, ao contrário disso, mesmo assim ele se manteve a favor do embuste, inclusive contribuindo com pareceres da sua lauda e sempre favoráveis ao texto mentiroso e que aparecem em edição dos Protocolos por aqui publicada. 

Embora alguns autores não o rotulem como anti-semita, por outro lado não é o que parece quando Gustavo Barroso se coloca em conivência com esses ideais.

Dadas essas considerações, infelizmente boa parte dos maçons brasileiros da atualidade se encontra alheia à realidade e desconhece completamente essa história.

Desafortunadamente, ainda a imensa maioria das Lojas não instrui e nem relata esses fatos que contribuíram com barbarismos contra a Sublime Instituição e a perseguição aos nossos Irmãos do passado.

Assim, ao concluir, deixo a orientação que para melhor conhecimento sobre essa barbárie publicada no início do Século XX e que ainda se faz presente entre nós, que monte-se uma grade para pesquisa começando por autores como o padre José Antônio Ferrer Benimeli in Maçonaria e Satanismo, como Francisco de Assis Carvalho in O Avental Maçônico e ainda em outras literaturas a respeito como as de autoria do padre maçonólogo Valério Alberton, do Irmão Leon Zéldis, de José Castellani, Alec Mellor, etc.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

BANQUETE RITUALÍSTICO OU BANQUETE MAÇÔNICO

BANQUETE RITUALÍSTICO OU BANQUETE MAÇÔNICO
Helio P. Leite*

Antes de chegar em Brasília, em pleno vôo, recebi uma consulta de um irmão, que pediu informações sobre o Ritual de Banquete em vigor no Grande Oriente do Brasil, isto porque, segundo ele, estava fazendo uma pesquisa sobre o tema e lhe faltava informação sobre qual ritual de banquete estaria em vigor, se ainda era o ritual que foi aprovado pelo Decreto 0259, de 26 de maio de 1999. Consulta que passo a responder.

Ocorre que, o então Grão-Mestre Geral, Irmão Marcos José da Silva, baixou o decreto 1506, de 11 de novembro de 2016, que “aprova e determina a aplicação do Ritual Especial para sessões restritas de Regularização de Loja, Consagração e Entrega de Estandarte, Sagração de Templo e Banquete Ritualístico (Loja de Mesa). Rituais esses que foram publicados em um livreto pelo Grande Oriente do Brasil, no mesmo ano. Com isso os respectivos rituais anteriores perderam suas validades.

No caso do Ritual Especial para o Banquete Ritualístico, publicado às págs. 115 a 161, do referido livreto, destacam-se as seguintes preliminares:

“O disposto neste Ritual será adaptado às particularidades de cada Rito, no qual tange à determinação de cargos, aos procedimentos, à Bat.’. do Gr.’., ao uso de Espadas e Estrelas, bem como às práticas ritualísticas, propriamente ditas.”

“Os Banquetes Maçônicos devem realizar-se, preferencialmente, nos edifícios maçônicos, em locais apropriados; entretanto, podem ter lugar em outro qualquer edifício, contanto que tudo se disponha de modo que de fora do recinto nada se possa ver ou ouvir, isto é, completamente coberto das vistas e dos ouvidos de profanos.

A bandeja grande (mesa) será disposta em forma de ferradura, cuja volta (cabeceira) corresponderá ao Or.’. e as extremidades ao Oc.’., estando ornada com bandeiras grandes (toalhas), sobre as quais será fixada fita azul para o alinhamento das armas ou canhões (copos).

Também, sobre a bandeja grande (mesa), para cada um dos participantes serão disponibilizados trolhas (colheres), picaretas (garfos), espadas ou alfanges (facas) e bandeiras (guardanapos), bem como duas armas (copos); uma destinada para a pólvora fraca (água) e outra para pólvora (suco) ou pólvora amarela (cerveja), ou pólvora forte (licores ou vinho branco ou tinto).

Quando o número de convivas for grande, poder-se-á colocar uma ou mais mesas retangulares no interior da ferradura.

No Or.’. pela parte central exterior da ferradura, tem assento aquele que dirige os trabalhos e são dispostos, alternadamente, ao seu lado, um à esquerda e outro à direita os VVisit.’. de graus, cargos mais elevados, e detentores de títulos.

Os VVig.’., as DDig.’., OOfic.’. da Loj.’. e MMestr.’. IInst.’. ocupam os lugares que lhes são destinados, conforme o disposto nos esquemas adiante apresentados e de acordo com o Rito praticado pela Loj.’..

O M.’. de CCer.’. (ou outro Oficial da Loj.’., conforme o Rito) e o Mestre de Banquetes (ou outro Oficial da Loj.’., conforme o Rito) tomam lugar na parte interna da ferradura.

Os outros maçons assentam-se indistintamente.

A parte interna da bandeja grande (mesa) só será ocupada quando não haja mais lugares no exterior, e os IIr.’. que aí se colocarem só se levantarão à última saúde.

Todos os Irmãos devem estar trajados com seus paramentos.

Os trabalhos realizam-se no Gr.’. de Apr.’., o dirigente dos trabalhos e os VVig.’. utilizam Malhetes, sendo que o Ven.’. Mest.’. sempre assume a direção, enquanto que a presidência pode ser também por ele exercida face à ausência do Grão-Mestre Geral e do Grão-Mestre Estadual ou Distrital.

O Banquete Maçônico é uma tradição antiga que não convém romper. Todas as LLoj.’., devem, ao menos uma vez por ano, reunir seus membros em torno de uma Mesa Fraternal. A melhor época para essas reuniões é o Solstício de Inverno (fenômeno astronômico usado para marcar o início do inverno. Ocorre normalmente por volta do dia 21 de junho no hemisfério sul e 22 de dezembro no hemisfério norte).

Antes do início dos trabalhos o Ven.’. Mestre tem por obrigação esclarecer quanto à Bateria do Grau de Aprendiz do Rito praticado pela Loja, tendo em vista que poderão estar participando IIr.’. de outros Ritos.

Ressaltará, ainda, que para que o ágape transcorra com paz e harmonia, é necessário que todos observem algumas regras. Ao seu comando de: I) Sentemo-nos! – Todos devem sentar-se de forma silenciosa e ordenada; II) Solicito o obséquio de permanecermos em silêncio e sentados! – Todos devem manterem-se em silêncio e com atenção aos próximos comandos do Venerável; III) Vamos iniciar o serviço! – Todos devem aguardar que sejam servidas as telhas (pratos), e inicia-se a degustação.

Após o fim do qual o Venerável ordenará que sejam retiradas as telhas (pratos); IV) Peço que todos abasteçam suas armas (copos), depositando-as sobre a fita azul! – Todos enchem suas armas (copos) com a bebida de preferência, e as colocam sobre a fita azul disposta ao centro da mesa; V) De pé, armas (copos) na mão! – Todos os convivas da Mesa Principal e os convivas da parte externa do “U” levantam-se com as armas (copos) na mão. Os demais convivas da parte interna da mesa devem permanecer sentados, e com as armas (copos) na mão; VI Atenção – Armas (copos) em frente! – Todos pegam as armas (copos) e levam-nas à frente, à altura do queixo, quer estejam de pé ou sentados; VII) Saudações – Devem ser feitas com vigor e entusiasmo, conforme cada uma delas é anunciada, sendo a terceira de cada grupo a mais vigorosa; VIII) Descansar armas (copos)! – Simultaneamente e moderadamente todos colocam as armas (copos) sobre a faixa azul disposta na mesa; IX) À Ordem de Mesa – Sentados, todos devem fazer o Sinal Cultural com a mão direita e apoiar na lateral da bandeja grande (mesa) a mão esquerda em esquadria.

Por fim, é importante ressaltar que o abastecimento e ingestão de pólvora (bebida) só poderão ocorrer ao comando do Venerável Mestre, e que a quantidade de pólvora (suco, cerveja, ou licor, ou ainda vinho) deitada na Arma (copo) será totalmente consumida em três goles, esvaziando totalmente o conteúdo da Arma (copo), em cada uma das saúdes.
É importante lembrar que, por ser uma sessão ordinária especial, não se tratando de sessão magna, não há o ingresso do Pavilhão Nacional, nem saudação ao final.”

Ou seja, no Ritual para o Banquete, ora em vigor, de acordo com as explicações preliminares acima destacadas, e com a planta da mesa à pág. 120, para a Loja de Mesa, no REAA, foram eliminados os seguintes itens:
a) entrada e saída do Pavilhão Nacional, bem como sua saudação;
b) os botões de rosa para cada um dos comensais presentes, a chamada cadeia de flores;
c) os três castiçais e respectivas velas.

Embora, não tenha sido feito referência nas notas preliminares, consta do gráfico da planta da mesa, à pág. 120 as figuras do pão e de uma taça com vinho, ou seja, não foi explicada qual a finalidade da presença desses dois itens, na mesa à frente da posição do Venerável Mestre.

Por outro lado, houve uma inovação no item das bebidas, a presença de licor, que não era uma bebida até então incluída nos rol das bebidas tradicionalmente servidas no banquete.

Ademais em notas preliminares explicativas, em seu final, é lembrado que o banquete é realizado em “uma sessão ordinária especial”. Ocorre que não existe esse tipo de sessão no rol das sessões ordinárias previstas no Regulamento Geral da Federal, que é aprovado por lei. Até porque, se é uma sessão ordinária ela não é especial e se for especial não é ordinária.

Isto porque, a sessão de Loja de Mesa jamais poderia estar incluída no rol das sessões ordinárias previstas no RGF, porquanto, sempre foi uma sessão especial; não é ordinária, não é magna e não é pública. A Loja de Mesa, na qual se desenvolve o banquete ritualístico ou banquete maçônico, é realizada fora do Templo, em volta de uma mesa em forma de ferradura, que se desenvolve com base num ritual especial, onde são servidas comidas e bebidas alcoólicas, onde há momentos formais e momentos informais; onde são feitos brindes, onde é possível a apresentação de canto, música, declamação, e outra manifestações culturais.

Enfim, o banquete maçônico é um momento ímpar, onde se desenvolve a sociabilidade, a convivialidade, a confraternidade e a comensalidade, entre os comensais presentes, recepcionados e orientados pelo anfitrião do evento, o Venerável Mestre da Loja promotora do banquete.

*Autor do Livro Banquete Maçônico – Origens, Preparação & Ritualística.

Fonte: https://www.banquetemaconico.com.br

sábado, 11 de junho de 2022

TRIÂNGULOS DAS COLUNAS ZODIACAIS

TRIÂNGULOS DAS COLUNAS ZODIACAIS
(republicação)

O Irmão Felipe Leite, membro da Loja União Sertaneja, 8, Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, Oriente de Sete Lagoas, Estado de Minas Gerais apresenta a seguinte dúvida:
felipe@onetradeseguros.com.br

Gostaríamos que nos esclarecesse uma dúvida se possível. Conversando com o nosso Irmão Guilherme, que nos lê em cópia, surgiu uma dúvida do porque os triângulos do Zodíaco se encontram intermitentemente um com a base para cima e um com a base para baixo. Estamos fazendo o estudo, mas ainda não obtivemos um ponto comum. Talvez a explicação estará mais na frente, que não poderá ser respondido a um Aprendiz. Porém outros irmãos não souberam explicar esse significado ao Irmão Guilherme. Como você tem muitos artigos e é um grande estudioso dessa magnífica Ordem, talvez até já tenha uma resposta para esse questionamento e se me for possível, gostaria de aprender e se não, peço gentileza de repassar ao Irmão Guilherme, para que no momento oportuno me seja ensinado.

CONSIDERAÇÕES:

Tenho tratado exaustivamente do simbolismo das Colunas Zodiacais, próprias do Rito Escocês Antigo e Aceito. Em resumo as doze Colunas dispostas em grupos de seis em cada uma das paredes Norte e Sul (topos) representam a senda iniciática do maçom.

Divididas em grupos de três elas representam a partir do canto norte no Ocidente a Primavera (as três primeiras) e o Verão (as outras três). Já na parede Sul, partindo da grade do Oriente o primeiro grupo de três representa o Outono, enquanto que o último grupo, o Inverno. Essa alegoria reportada à Lei da Natureza sugere as etapas da vida do iniciado – infância, adolescência (Aprendiz), juventude (Companheiro) e maturidade (Mestre). 

Esses ciclos naturais se reportam ao ponto de vista do Hemisfério Norte do globo terrestre, cujo alinhamento com as constelações em numero de doze determina a faixa do zodíaco. O primeiro ciclo que principia em março parte do equinócio de primavera, enquanto que o segundo se inicia em junho no solstício de verão. Assim segue o terceiro ciclo que se inicia em setembro no equinócio de outono e por fim o quarto ciclo que começa no solstício de inverno. Essa é na verdade a alegoria do renascimento e morte da Natureza. Nesse ínterim a Maçonaria francesa associa alegoricamente a interpretação da morte e o renascimento do Iniciado (Lenda do Terceiro Grau). 

Resumos à parte formou-se o conceito duodenário zodiacal na Maçonaria que, diga-se de passagem, nada tem a ver com as previsões e adivinhações do horóscopo.

Nesta alegoria maçônica o espaço de um ano sugere uma espécie de protótipo dos ciclos naturais que emblematicamente se liga às fases da vida humana assim como àquelas inerentes à Iniciação.

Quanto aos triângulos estes estão dispostos com associação às constelações (signos) e os ciclos naturais terrenos. Os cultos solares são à base das principais religiões terrenas. Assim ainda existe o misticismo dessa ligação com os quatro Elementos Alquímicos da Antiguidade – Terra, Ar, Água e Fogo.

As provas da Iniciação no Rito Escocês possuem elo com os Elementos. A prova da Terra (Câmara de Reflexão), a prova do Ar (Primeira Viagem), prova da Água (Segunda Viagem) e a prova do Fogo (Terceira Viagem).

Em sendo as doze Colunas a representação desses ciclos iniciáticos seguem algumas concepções para cada um desses alinhamentos, porém senão antes especificar que os triângulos como símbolos alquímicos com ápice apontado para cima representam o Fogo e o Ar, enquanto que os apontados para baixo representam a Terra e a Água.

Colunas Zodiacais localizadas na parede Norte (sentido de leitura – do extremo Ocidente para a grade do Oriente):

1 – Constelação de Áries (Primavera), Fogo (ápice para cima). Nesse sentido se trata do fogo que constrói no interior, cujo estímulo se traduz no crescimento e no desenvolvimento. Afastado pelas trevas do inverno, este revive na primavera provocando o reavivamento da Natureza (ressurreição). O Equinócio e a passagem do Sol para o hemisfério norte. Os dias são iguais às noites na sua duração. Simboliza o ardor iniciático em direção à Iniciação.

2 – Constelação de Touro (Primavera), Terra (ápice para baixo). Implica na matéria receptiva da luz solar, cujo efeito é a fecundação. Os dias começam prevalecer mais que as noites. Esse conceito se coaduna com preparação interior. Simboliza que o recipiendário, posteriormente a uma criteriosa preparação será admitido nas provas.

3 – Constelação de Gêmeos (Primavera), Ar (ápice para cima). A Terra já fecundada pelo fogo se apresenta com vitalidade construtiva no elemento etéreo. Sublime e puro acentua a sublimação da Natureza. As noites se encurtam ainda mais e os dias aumentam em sua intensidade. Simboliza o Neófito que recebe a Luz.

4 – Constelação de Câncer (Verão), Água (ápice para baixo). A Natureza atinge a plenitude. Estação em que a força e a robustez da vegetação são resplandecentes, porém não há ainda propriedade para a colheita, pois os frutos estão por enquanto verdes. Solstício de Verão (João, o Batista) - os dias são longos em sua duração. Implica que o iniciado busca a judiciosa instrução e assimila os ensinamentos iniciático adquiridos.

5 - Constelação de Leão (Verão), Fogo (ápice para cima). A ação tórrida do fogo exterior intervém para ressecar e matar a constituição aquosa. Os frutos começam a amadurecer. Os dias são ainda longos prevalecendo à intensidade da Luz. Simboliza o Iniciado que começa adquirir a capacidade do julgamento das ações e ideias que porventura puderem seduzi-lo.

6 – Constelação de Virgem (Verão), Terra (ápice para baixo). A substância fecundada como esposa fertilizada pelo Fogo. A colheita está madura no momento em que o calor é agora menos tórrido. Os dias começam a encurtar para se aproximar do equilíbrio. É final de verão e aproxima-se a próxima estação. Simboliza o Iniciado que agora reúne os materiais e ferramentas. Do desbaste e preparação, aproxima-se o momento da elevação da Obra. Fica aqui a observação sobre Câncer. Este símbolo está situado no Norte e também corresponde a Coluna Solsticial “B” que marca a passagem do Trópico de Câncer como limite astronômico boreal da revolução anual do Sol. Daí Câncer estará sempre no Norte.

Colunas Zodiacais localizadas na parede Sul (sentido de leitura - da grade do Oriente para o extremo do Ocidente):

1 – Constelação de Libra, ou Balança (Outono), Ar (ápice para cima). É o equilíbrio das forças naturais construtoras e destrutivas. O fruto no ponto máximo da colheita e do sabor. Equinócio de Outono e os dias e noites são iguais em sua duração. O Sol se prepara para passar para o outro hemisfério. Simboliza agora o Companheiro e a juventude no estado máximo da atividade. A obra começa a ser elevada. A juventude, a ação e o trabalho são as pragmáticas do Grau. O trabalho começa ao Meio-Dia (puberdade).

2 – Constelação de Escorpião (Outono), Água (ápice para baixo). O aproveitamento do fruto e a preparação da semente que se apronta para morrer. Significa a base da construção vital e a combinação do elemento primário. O Sol se precipita para o outro hemisfério e as noites começam a prevalecer sobre os dias na sua duração. Simboliza um grau de maior de experiência, porém o Mestre é ferido de morte. O iniciado mata o iniciador.

3 – Constelação de Sagitário (Outono), Fogo (ápice para cima). A Natureza moribunda pela existência de pouca Luz assume um aspecto desolador e destaca o espírito do cadáver do Mestre. É o fim do outono que inexoravelmente encontrará a estação das trevas. Simboliza que o Companheiro se despede da juventude para ingressar na maturidade - “Eis que chegarão os dias em que tu dirás: essa idade não me agrada”.

4 – Constelação de Capricórnio (Inverno), Terra (ápice para baixo). A Natureza está morta. Nada mais vive. Os frondosos ramos verdes agora exibem os galhos desnudos. A substância terrena, embora inerte e passiva, permanece no aguardo de uma renovação e fecundação. A Terra fica viúva do Sol que atingiu o seu ápice no deslocamento para o outro hemisfério (há a prevalência das trevas – dias curtos e noites longas). É o solstício de inverno obedecendo a Lei Natural de morrer para renascer (João, o Evangelista). A semente que morreu, no futuro certamente produzirá bons frutos. Simboliza a idade madura e o Mestre. O túmulo é descoberto na certeza de que a semente (Sabedoria) um dia reviverá da escuridão – Natalis Invicti Solis.

5 – Constelação de Aquário (Inverno), Ar (ápice para cima). Na terra adormecida os elementos constitutivos da Natureza começam a se preparar para a nova geração que se aproxima. O Sol reinicia sua jornada de retorno e as noites começam a se encurtar. Simboliza que a vitalidade inerte começa a acordar. O cadáver do Mestre é desenterrado e uma cadeia de esforços é formada para ressuscitá-lo.

6 – Constelação de Peixes (Inverno), Água (ápice para baixo). O inverno chega ao seu fim. A neve se derrete impregnando o solo de fluídos imprescindíveis para a renovação e revitalização da Natureza. Os dias aumentam na sua duração anunciando a nova estação que virá com a passagem de retorno do Sol pelo equador. A época da ressurreição se avizinha. Enfim a Natureza reviverá pelos bens (frutos e sementes) produzidos pelas estações. Simboliza que o Mestre é levantado e revivido. Assim se despede o “caos”, pois a ressurreição traz consigo a Palavra Perdida. Fica aqui outra observação, agora sobre Capricórnio. Este símbolo estásituado no Sul e também corresponde a Coluna Solsticial “J” que marca a passagem do Trópico de Capricórnio como limite astronômico austral na revolução anual do Sol. Daí Capricórnio estará sempre no Sul.

Esse é um resumo da contingência iniciática do Rito Escocês Antigo e Aceito no tocante às doze Colunas Zodiacais. É dentro desse princípio iniciático que se configura muito a disposição de certos elementos na Sala da Loja. Um deles, por exemplo, é à disposição das três luzes sobre o Altar ocupado pelo Venerável Mestre e das três sobre cada mesa dos Vigilantes.

Em contraposição as Colunas Zodiacais em número de doze, as luzes são apenas nove, o que implica na falta de três. Essa contraposição está nos meses de inverno que simbolicamente possuem pouca, ou quase nada de luz. Daí na chave da iniciação (Exaltação), a Lenda no sistema latino apregoa lições de moral, ética e sociabilidade em um teatro que tem como elemento principal a busca da Luz.

Assim se pode compreender que a Terra fica viúva do Sol uma vez a cada ciclo completo (ano). Os Maçons, tomados no canteiro de aperfeiçoamento como elementos integrantes da Mãe Natureza, ao investiga-la são também conhecidos como os “Filhos da Viúva”. A verdadeira eternidade está na semente plantada, ou a obra deixada. Estas certamente permanecerão para sempre na mente dos pósteros.

Só não me aprofundo mais no tema, por duas simples razões: uma pela falta de espaço e outra devida os puristas de plantão que certamente me crucificariam - se ainda assim não me crucificarem - por revelar segredos (argh!) que só dizem respeito aos Mestres. Durma-se com um barulho desses!

Finalizando, devo aqui ratificar que toda essa conotação representativa às estações do ano como base doutrinária está relegada à meia esfera norte do planeta Terra. Isso é de assaz importância para a compreensão do Rito em questão que nasceu no hemisfério boreal. Inversões de colunas, bancos, lugares, etc., como vislumbram alguns tratadistas, nada mais é do que um mero desconhecimento da doutrina do Rito Escocês. É sempre bom lembrar que vivemos em uma sociedade iniciática simbólica que aperfeiçoa e investiga a Verdade, porém nunca com elucubrações tendenciosas que possam suprir as crenças pessoais, sejam elas, místicas, ocultas ou religiosas.

E.T. – Essas considerações se destacam na vertente francesa da Maçonaria (deísta). Aspectos doutrinários da vertente inglesa não tratam desses conceitos, embora o objetivo da Sublime Instituição seja apenas e tão somente um só independente da vertente a que pertença: Nas Lojas (Oficinas) por seus métodos particulares (ritos, ou trabalhos), ou pelas ilhargas culturais, objetiva-se forjar e aperfeiçoar um novo Homem que, tal qual a Natureza, morre para renascer. Já dizia o Irmão Voltaire, Iniciado já com seus oitenta anos, quando se referiu à Natureza: “Para esse relógio, certamente há de existir um relojoeiro”.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 768 Florianópolis (SC) – 03 de outubro de 2012

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE HAMILTON MOURÃO

ANTÔNIO HAMILTON MARTINS MOURÃO (Porto Alegre, 15 de agosto de 1953). General da reserva do Exército Brasileiro e político brasileiro (vice-presidente do Brasil), desde 2019. Em 2018, após longa atuação na carreira militar, passou para a reserva remunerada. No mesmo ano, foi anunciado como candidato a vice-presidente da República, na chapa encabeçada pelo deputado Jair Bolsonaro, sendo eleito ao cargo. De ascendência indígena, Mourão é filho do general de divisão Antonio Hamilton Mourão (amazonenses). A Loja que foi Iniciado, é federada à COMAB. Também é filiado à Loja República de França nº 326, Porto Alegre.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 16 de novembro de 1998 (Segunda-feira)

Loja: Liberdade e Justiça nº 208, Ijuí, RS, Brasil.

Idade: 45 anos.

Fonte: famososmacons.blogspot.com