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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 11 de maio de 2025

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

FREQUÊNCIA

O maçom jamais estará "ausente" aos trabalhos, mesmo que se encontre fora e longe da Loja, pois está ligado permanentemente pela Iniciação e pela Cadeia de União.

No entanto, essa ausência apresenta aspectos negativos em certas circunstâncias; o ausente que não se comunica mentalmente com a Loja no momento da sessão e que "esquece" o seu compromisso sofre um desgaste maior, uma vez que não pode energizar suas baterias Uma vez Iniciado, sempre Iniciado, é o lema espiritual. Para manter a união, a Loja deve, por sua vez, invocar a presença espiritual do ausente. Em especial durante a formação da Cadeia de União.

Se, por motivos imperiosos, o maçom não pode assistir aos trabalhos de sua Loja, no momento convencional (horário estabelecido para o início dos trabalhos), deve recolher-se em si mesmo e pôr-se em meditação e, assim, sua mente integrar-se-á ao grupo e a sua participação será "notada" e o elo aliado aos demais para a corrente fraternal.

A frequência à Loja deve ser encarada com seriedade, uma vez que o maçom é um adulto responsável e a instituição maçônica não é um mero clube social ou de serviço.

Busque o maçom cumprir os compromissos assumidos na sua Iniciação.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 62.

ÀS MÃES

(Autor desconhecido)
Nenhuma pessoa humana, por mais extraordinária que seja, é capaz de concentrar em si todo o amor, todo o carinho, toda a dedicação de que uma mãe é capaz.

Amorosa, ela nos dá a existência em meio a sofrimentos, ca rinhosa, ela nos ensina os primeiros passos, dedicada, ela nos e duca e acompanha o nosso desenvolvimento físico, moral e intelec tual.

Na doença é nosso conforto material e espiritual, à cabecei ra, sua mão maternal nos acaricia e jamais nos desampara. Sofre quando sofremos, alegra-se quando nos alegramos, amargura as sas derrotas e vibra com nossas vitórias. Aflige-se com nossas titudes rebeldes, aconselha-nos em nossas dúvidas e tudo faz pa- ra que jamais a semente da ingratidão venha a brotar no terreno de nossos sentimentos e afetos.

Infelizmente, somos obrigados a confessar, apesar dos des- velos e caminhos de todas as mães, existem filhos ingratos e des naturados. Ingratos porque não veneram sua mãe na proporção de seus merecimentos, desnaturados porque a desamparam, a esquecem, quando talvez mais seja necessária para ela o conforto da pre - sença do filho ausente.

Ela que nos ensinou a trilha do dever, ela que nos ensinou o caminho da verdade, ela que nos orientou na estrada da vida ela que nos deixou o exemplo de suas lições, ela que lutou pela nossa felicidade não merece a afronta da negra imagem da ingrati dão.

Com seu grande e materno coração, não sabe o que é o rancor, desconhece o que é o ódio, ignora o que seja o desamor. Por isso, neste dia dedicado às mães, façamos da gratidão a flor mais bela do jardim de nossos sentimentos, constituamos o reconhecimento a pedra mais preciosa da jóia de nossos afetos, para abraçá-la afe tuosamente e cobri-la com os beijos do nosso reconhecimento de a mor filial.

Capaz dos maiores sacrificios, resistindo às mais duras in gratidões, o amor de mãe não se extingue porque é feito da têmpe ra do heroismo, do heroísmo da maternidade.

Não bastassem essas razões para venerá-la, não fossem sufi cientes essas provas para amá-la, a nossa condição de filhos se- ria suficiente para testemunhar o nosso carinho e o nosso afeto àquela que, sangue de nosso sangue, carne de nossa carne, osso de nossos ossos, envolve a doce imagem da qual somos reflexo:

Nossa mãe.

sábado, 10 de maio de 2025

FRASES ILUSTRADAS

TRANSFORMAÇÃO DA LOJA

(republicação)
Questão que faz o Respeitável Irmão Sílvio J. Sabino, Secretário da Loja Verdadeira Amizade, 2.366, REAA, GOB-MG, Oriente de Além Paraíba, Estado de Minas Gerais.
silviosabino@sumicity.com.br

Mais uma vez recorro aos seus conhecimentos. No Ritual do REAA do GOB do Grau 2 (parte I pág. 22) que trata da transformação da Loja de Aprendiz em Loja de Companheiro. No Ritual o Orador coloca o Esq∴ e o Comp∴ na posição do grau e retorna ao seu lugar acompanhado do M∴ de CCer∴. Já na transformação da Loja de Companheiro em Loja de Mestre (Ritual Grau 3 pág. 42) o Orador vai ao Alt∴ dos JJur∴, lê Eclesiastes Cap. 12, versículos 7 e 8, coloca o Esq∴ e o Comp∴ na posição do Grau e volta ao seu lugar. Em seguida o M∴ de CCer∴ substitui o painel do Grau e as luzes dos castiçais do Ven∴ Mestre e IIr∴ VVig∴ são acesas pelo M∴ de CCer∴. Minha dúvida é: por que não se lê Amós 7, versículos 7-8, substitui o Painel e acedem as luzes na transformação da Loja de Aprendiz para Loja de Companheiro? 

CONSIDERAÇÕES:

A razão é a seguinte: no Ritual de Mestre esse procedimento já foi corrigido, porém não ainda no de Companheiro. Aprontei já os provimentos para correção do Ritual de Aprendiz e os enviei ao Soberano e ao Eminente Irmão Gouveia. Estou aguardando os seus pareceres. 

Quanto ao de Companheiro estou em fase de execução. Nesse sentido também no Ritual de Companheiro estou propondo que o procedimento seja completo com os mesmos métodos do Ritual de Mestre, todavia na transformação de Aprendiz para Companheiro. 

Essas transformações devem ocorrer de modo completo, já que a Loja será transformada em outro Grau e, no mínimo devem ser alteradas as luzes litúrgicas, a leitura do Livro da Lei conforme o Grau, a disposição das Luzes Emblemáticas e a exposição do Painel de acordo com a situação. 

Como se trata de transformação da Loja que já está aberta, no seu retorno apenas não haverá a necessidade da leitura do Livro da Lei. 

Finalizando, recomendo que enquanto não houver a correção legal, que se cumpra o que está em vigência.

T.F.A. 
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
JB News – Informativo nr. 1.259 Florianópolis (SC) – terça-feira, 11 de fevereiro de 2014.

MAÇONS FAMOSOS


JURANDY DO SAX. Nome artístico de José Jurandir Félix (Água Branca-PB, Brasil, 09 de novembro de 1955). Músico, saxofonista, bacharel em música pela UFPB - Universidade Federal da Paraíba.

Desde 2000 faz apresentações, ao pôr do sol, tocando o “Bolero de Ravel” na praia fluvial de Jacaré, no município de Cabedelo (região metropolitana de João Pessoa), sempre de roupa branca, e chega de barco tocando os inconfundíveis acordes da música. Detentor do recorde mundial - registrado no Guiness Book - como o artista que mais executou o Bolero de Ravel, sendo atualmente computados mais de 7500 apresentações. @jurandydosax

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 17 de dezembro de 2017.

Loja: Cavaleiros do Sol, n° 42, João Pessoa - PB

Idade que foi Iniciado: 62 anos.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

A BUSCA FOCADA E A IMPORTÂNCIA DA CURIOSIDADE DIRECIONADA

Quando enfrentamos um problema complexo, frequentemente escutamos a expressão: “É mais difícil do que encontrar uma agulha no palheiro”. No entanto, ao procurar uma agulha em um monte de palha, devemos manter nossa atenção focada em encontrar a agulha, e não em admirar as palhas.

Isso também se aplica à nossa busca por soluções e ao alcance de nossos objetivos. Precisamos manter nossa atenção no que realmente importa.

A palavra “curioso” tem raízes no latim “curiosu”, que descreve não apenas alguém com sede de conhecimento, que deseja ver e desvendar, que está atento, mas também aquele que é indiscreto, bisbilhoteiro, fofoqueiro.

Objetos ou fatos incomuns despertam nossa curiosidade e podem desviar nossa atenção. Portanto, devemos nos alertar sobre o perigo de nos distrairmos com algo curioso e perdermos de vista nosso propósito, pois nossa atenção pode se dispersar.

Dizem que, quando uma pessoa não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve, pois ela não tem um objetivo definido. Mas quando se tem clareza sobre onde se quer chegar, busca-se evitar distrações para alcançar a meta desejada o quanto antes.

Assim, devemos exercitar nossa mente e nosso coração para que estejam sempre ocupados com bons pensamentos e propósitos nobres, evitando distrações que nos desviem da busca pelas “agulhas”, ou seja, dos nossos objetivos.

Fonte: Facebook_Pedreiros Livres

sexta-feira, 9 de maio de 2025

FRASES ILUSTRADAS

COMISSÃO DE ADMISSÃO E GRAUS - FILIAÇÃO DE OBREIRO

Em 19.09.2024 o Respeitável Irmão Paulo Amorim, Loja Filhos de Salomão, 2311, GODF/GOB, Oriente de Guará II, Brasília, Distrito Federal.

COMISSÃO DE ADMISSÃO E GRAUS

Boa tarde meu Irmão Pedro Juk! Tira uma dúvida do seu Irmão. A Comissão de Admissão e Grau tem que fazer parecer no caso de Filiação de Irmão com quite placet válido?

CONSIDERAÇÕES:

Em se tratando do Grande Oriente do Brasil, a minha opinião é de que um Irmão portador de Quitte-Placet dentro do prazo de validade (180 dias) tem o direito de pedir sua “filiação” em qualquer Loja da Federação (Lojas do GOB). 

Salvo melhor juízo, por ser matéria regulamentada pelo Regulamento Geral da Federação, a Comissão de Admissão e Grau, nomeada pela Loja, não pode interferir neste Diploma Legal.

Finalizando, destaco: por esta não se tratar de matéria comum ao meu ofício (liturgia e ritualística), os comentários aqui deixados não têm nenhum caráter laudatório. Esta é apenas a minha opinião.

 

T.F.A.
PEDRO JUK – SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

PROFANAÇÃO OU SACRILÉGIO?

Sérgio Quirino

Não sendo a Maçonaria uma religião, como podemos, então, tratar de profanações e sacrilégios?

Em primeiro lugar, precisamos entender a sutil diferença entre profanação e sacrilégio, apesar de serem considerados sinônimos em alguns dicionários.

O termo sacrilégio é a junção do latim sacer, que significa sagrado, e legere, que significa roubar. Portanto, DE DENTRO PARA FORA.

Já o termo profanação origina-se de profanāre, o qual entendemos como tornar profano. Contudo, o que vem a ser “profano”? De forma simplista, é Pro = fora, fano = templo. DE FORA PARA DENTRO.

O conceito lexical de ambas as palavras encontra-se no ato do desrespeito ao que é sagrado, em um espaço, objeto, pessoa ou ideia. E essa sacralidade não é um preceito religioso. É o sentimento de respeito e veneração, a exemplo de diplomas, fotos dos antepassados, um lar, um bebê ou um ancião.

Logo, a profanação e o sacrilégio ocorrem em nosso meio quando agimos de forma inapropriada ou degradante com tudo o que envolve a Maçonaria, falhando, conscientemente ou não, com promessas feitas.

Dessa forma, devemos compreender que símbolos, alegorias, objetos e, até mesmo, jargões não podem ser tratados e usados de maneira irreverente ou como linguagem e manifestações comuns.

Decerto, muitos ocorridos acontecem por ingenuidade de acreditarmos que, usando nossos símbolos, estamos exaltando a Ordem, e o resultado pode ser exatamente o contrário. Exemplo notório é o uso de adesivos do Esquadro e do Compasso em lataria de automóveis que avançam o sinal e estacionam em locais proibidos.

Há os desconexos que bradam nossas palavras com hálito etílico e outros que fazem sinais de ordem em ambientes públicos. Esses são exemplos claros de sacrilégios, visto que retiramos (roubamos) elementos inerentes aos labores intratemplo e os expomos no extratemplo.

Muitos não imaginam o quão pernicioso é para a Ordem o uso do Balandrau em Sessões Públicas, e há ainda a capacidade dos Irmãos de participarem com essa vestimenta de Pompas Fúnebres em cemitérios. Isso é fornecer subsídio às mentes criativas e preconceituosas da sociedade.

As profanações ingênuas estão na forma como se tratam aspectos extratemplo, mas que podem ocorrer intratemplo. Exemplos são as festividades comemorativas de bodas matrimoniais. Não há “Casamento Maçônico”, existe um cerimonial de Reconhecimento Conjugal, que deve ser realizado conforme o ritual específico – sem bênçãos, imposição de mãos e orações religiosas que podem não ser entendidas por grupos religiosos diferentes.

A segunda afronta/profanação que tem se manifestado com frequência, a qual não se pode dizer que acontece por ingenuidade, são as mais pesadas e conscientes. São justificadas como algo natural e consequência da evolução da sociedade. Modificações de rituais, invocação de leis profanas em nossos regramentos e desrespeito a autoridades simbólicas e efetivamente eleitas ocorrem pelas mãos e mentes de quem não compreende a missão da Maçonaria.

Em síntese, devemos compreender que:
MAÇONARIA DE VERDADE É DENTRO DO TEMPLO.
MAÇOM DE VERDADE É FORA DO TEMPLO.

Fonte: Facebook_Maçonaria

quinta-feira, 8 de maio de 2025

FRASES ILUSTRADAS

CIRCULAÇÃO PARA COLETA

(republicação)
O Respeitável Irmão Teodoro R. Freitas Silveira, Tesoureiro da Loja Apóstolos da Galileia, 2.412, REAA, GOB, sem declinar o nome do Oriente (cidade) e o Estado, apresenta a dúvida que segue:
teodorofreitas19@gmail.com

Quando estão presentes em uma sessão o Eminente Grão Mestre e um Deputado Federal, e eles estão compondo o Altar juntamente com o Venerável Mestre, a circulação correta é: 

1 - “Na circulação deve seguir-se a ordem: Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes, Orador, Secretário, Cobridor Interno, Mestres do Oriente, (Eminente Grão Mestre e Deputado Federal), Mestres das Colunas do Sul e do Norte, Companheiros e Aprendizes, ou 

2 - “Na circulação deve seguir-se a ordem: Venerável Mestre,(Eminente Grão Mestre e Deputado Federal), Primeiro e Segundo Vigilantes, Orador, Secretário, Cobridor Interno, Mestres do Oriente, Mestres das Colunas do Sul e do Norte, Companheiros e Aprendizes.

Pelo Ritual, na página 42, não traz claramente esta situação, gostaria de merecer seus esclarecimentos para repasse à Loja. 

CONSIDERAÇÕES: 

Primeiro gostaria de fazer a seguinte ponderação. No Altar ocupado pelo Venerável Mestre pelo que consta no Ritual de Aprendiz em vigor de maneira clara e sucinta é que quem toma assento ao lado do Venerável na sua direita (só existe uma cadeira) é o Grão-Mestre Geral, ou o seu Adjunto, ou o Delegado do Grão-Mestre Geral nas Lojas dessa jurisdição – na ausência deles, a cadeira fica vazia.

No seu lado esquerdo (também só existe uma cadeira) para o Grão-Mestre Estadual, ou o seu Adjunto. Na ausência destes, pode ocupar o lugar o ex-Venerável mais recente – ainda na ausência destes três, a cadeira fica vazia. Então não entendi bem o Deputado Federal ocupando lugar ao lado do Venerável.

Dadas essas assertivas, a circulação no caso da bolsa de propostas ou de beneficência, o Oficial circulante aborda primeiro por ordem hierárquica os detentores dos respectivos malhetes que são as Luzes da Loja. Ato seguido as Dignidades do Orador e do Secretário e por fim nessa primeira etapa o Cobridor Interno. Essa é uma regra tradicional do rito. 

Dando sequência, indistintamente os Mestres do Oriente (inclusive os que ocupam cargo e nesses também se incluem as autoridades presentes), indistintamente os Mestres da Coluna do Sul (inclusive os que ocupam cargo), indistintamente os Mestres da Coluna do Norte (inclusive os que ocupam cargo), Companheiros e Aprendizes. Por fim, o próprio Oficial no exercício do seu ofício auxiliado pelo Cobridor Interno. 

Ainda um esclarecimento. No uso acima do termo “indistintamente” este se refere em não existir prioridade para os demais ocupantes de cargo. 

Na prática do bom senso, estando presente alguém de direito ao lado do Venerável, após a abordagem dos seis primeiros cargos, o Oficial de retorno ao Oriente no cumprimento da sua missão, a ele(s) se dirige por primeiro e na ordem hierárquica, se for o caso.

T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.257 Florianópolis (SC) – domingo, 9 de fevereiro de 2014.

CURIOSIDADES


O Mito de Dédalo e o Labirinto:
Dédalo, um renomado arquiteto e inventor, foi incumbido pelo rei Minos de Creta de projetar um imenso labirinto para aprisionar o temido Minotauro, uma criatura meio homem, meio touro. Esse labirinto era um verdadeiro enigma, projetado para confundir todos aqueles que se aventurassem por suas entranhas.

A Fuga do Labirinto:
Quando o labirinto foi concluído, Dédalo percebeu que também se tornara prisioneiro da própria criação. Com a intenção de escapar, ele teve uma ideia brilhante! Usando sua inteligência e habilidade, construiu asas de cera e penas para si e seu filho Ícaro. Eles se prepararam para voar, mas Dédalo alertou Ícaro para não voar muito alto, onde o sol derreteria a cera, nem muito baixo, onde o mar poderia molhar suas asas.

A Trágica Lição:
Empolgado com a sensação de liberdade no ar, Ícaro ignorou o aviso de seu pai e voou cada vez mais alto, deslumbrado pela sensação de tocar o céu. Tragicamente, o sol derreteu a cera das asas de Ícaro, e ele caiu no mar Egeu e se afogou. Dédalo, ao perceber que não podia salvar seu filho, desembarcou em uma ilha e chorou amargamente.

O Legado de Dédalo e Ícaro:
A história de Dédalo e Ícaro é uma poderosa lição sobre a moderação e o respeito às orientações dos mais experientes. Ela nos ensina a importância de compreender nossas limitações e a não deixar que a ambição nos conduza ao desastre. Mesmo com a perda trágica de Ícaro, Dédalo seguiu sua jornada como um grande inventor e contribuiu com seus talentos para a sociedade grega.
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** Este post, apesar de não tratar de Maçonaria, é uma lição que serve para ilustrar a mente dos maçons, que devem ser sempre abertos a novas ideias e novas lições.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

ALEIJADINHO E A MAÇONARIA

por: Renan Williams Soglia Moore (*)

Aleijadinho e a Maçonaria – Uma Perspectiva Histórica da Ligação do Mestre à Irmandade

A Maçonaria é, por sua própria natureza, um sistema de moralidade velado em alegorias e ilustrado por símbolos.

Este conceito, profundamente enraizado na história da fraternidade, torna-se especialmente relevante no contexto da Igreja de São Francisco de Assis, localizada em São João del-Rei, no estado de Minas Gerais, Brasil.

Construída entre 1774 e 1809, esta igreja foi projetada e decorada por Antônio Francisco Lisboa , mais conhecido como Mestre Aleijadinho, sob a supervisão de Francisco de Lima Cerqueira e Francisco de Lima e Silva.

O caráter simbólico e esotérico de sua obra convida à reflexão sobre a possível ligação entre Aleijadinho e a Maçonaria, tema que tem gerado debates e especulações entre historiadores e estudiosos.

A Iniciação de Aleijadinho na Maçonaria: Um Enigma Não Resolvido

Ao longo da história, houve muito debate sobre a potencial iniciação de Aleijadinho na Maçonaria, embora não haja registros históricos ou documentos oficiais que confirmem isso.

A Maçonaria, como a conhecemos hoje no Brasil, começou a se organizar formalmente em 1822 com a fundação do Grande Oriente Brasileiro, que mais tarde se unificou como Grande Oriente do Brasil (GOB).

No entanto, os ideais maçônicos circulavam no Brasil desde o final do século XVIII, em meio ao movimento iluminista, o que influenciou o discurso político e cultural da época.

É possível que, embora a Maçonaria ainda não estivesse totalmente institucionalizada, suas ideias já estivessem influenciando a sociedade brasileira, como evidenciado pela primeira loja maçônica registrada no Brasil em 1797, no estado da Bahia, e seu provável envolvimento na Inconfidência Mineira.

Simbolismo Maçônico na Igreja de
São Francisco de Assis


A Igreja de São Francisco de Assis, com sua arquitetura impressionante e decoração intrincada, apresenta vários elementos que, quando examinados pela lente da Maçonaria, sugerem uma possível familiaridade do Aleijadinho com os rituais e símbolos da fraternidade.

A Maçonaria, com seu foco na liberdade de pensamento e expressão, desafia convenções e hierarquias estabelecidas, e isso se reflete nas obras de Aleijadinho.

Suas criações parecem carregar uma mensagem simbólica que aponta para os princípios da irmandade, como se o próprio Mestre tivesse escolhido deixar um legado visual que ressoasse com os ideais maçônicos de sua época.

Os símbolos maçônicos são evidentes no próprio layout da igreja. No interior, em dois altares laterais, localizados em posições geográficas exatas correspondentes a um templo do Rito Escocês Antigo e Aceito (A∴A∴S∴R∴), o Sol e a Lua são meticulosamente esculpidos, símbolos fundamentais para os maçons.

Além disso, os vitrais da igreja criam uma conexão simbólica com o nascer do sol, ecoando a conhecida expressão maçônica:

“Assim como o Sol nasce no Leste para fazer seu curso e começar o dia…”.

O arranjo preciso desses elementos cria uma atmosfera que faz referência direta ao ritual maçônico, principalmente em momentos como o amanhecer, quando o Sol passa por uma das janelas, criando uma cena visualmente marcante e simbolicamente rica.

Outro elemento de destaque na Igreja de São Francisco de Assis é a escultura de São João Batista, que aponta para cima, como se chamasse a atenção dos fiéis – ou, como os maçons podem interpretar, de seus irmãos.

A presença de São João Batista, símbolo de renovação e iniciação, parece reforçar a ideia de que a obra de Aleijadinho carrega uma mensagem mais profunda, talvez um convite à reflexão sobre os mistérios da vida e da espiritualidade.

Influência maçônica na arquitetura externa da Igreja


A Maçonaria não se limita ao interior da igreja, mas também se reflete em sua arquitetura externa.

As torres do campanário, juntamente com os batentes da porta principal e as colunas do portão, apresentam uma semelhança impressionante com as colunas de um templo maçônico, representando os pilares fundamentais da fraternidade.

Além disso, a cruz no topo da igreja é uma Cruz de Lorena, um símbolo associado às Cruzadas e aos Cavaleiros Templários, cujos princípios e mistérios são frequentemente ligados à Maçonaria.

Este símbolo, juntamente com a arquitetura da igreja, sugere uma possível conexão com o esoterismo medieval e os rituais iniciáticos que moldaram a história da irmandade.

Curiosamente, do outro lado da rua, a poucos metros da igreja, ergue-se a Associação de Artesãos de São João del-Rei, local que poderá, em tempos passados, ter sido uma loja maçónica ou uma guilda de maçons operativos.

Embora não haja evidências conclusivas, a possibilidade de Aleijadinho ter participado de reuniões maçônicas neste local não pode ser descartada, dado o contexto histórico e a presença de elementos maçônicos em sua obra.


Conclusão: O Legado do Aleijadinho e da Maçonaria

Embora as evidências documentais sobre a iniciação de Aleijadinho na Maçonaria sejam escassas, as evidências circunstanciais não podem ser ignoradas.

A simbiose entre a arte de Aleijadinho e os símbolos maçônicos é inegável e revela uma profunda ligação do Mestre com os ideais da irmandade.

Para um historiador maçônico, esses sinais podem não ser suficientes para uma confirmação definitiva, mas para um historiador maçom, eles carregam um peso simbólico significativo.

O legado de Aleijadinho, com suas obras-primas na Igreja de São Francisco de Assis, continua sendo um testemunho da fusão de arte, espiritualidade e princípios maçônicos.

A cidade de São João del-Rei, com sua rica história e sua inestimável igreja, convida todos, especialmente os maçons, a explorar os mistérios ocultos em sua arquitetura e simbolismo.

Assim, a figura de Aleijadinho se reafirma não apenas como um mestre da arte barroca, mas também como um homem possivelmente imerso nas influências da Maçonaria, cujos ensinamentos e símbolos estão imortalizados em sua obra.

A verdadeira iniciação de Aleijadinho, se é que ocorreu, permanece um mistério, mas sua obra continua falando por si, desafiando o olhar atento daqueles que buscam entender as profundezas da Maçonaria e do esoterismo.

Para os maçons, especialmente os maçons brasileiros, a Igreja de São Francisco de Assis em São João del-Rei continua sendo um local de devoção, reflexão e talvez de novas revelações sobre o legado do Mestre Aleijadinho.

(*) Renan Williams Soglia Moore M ∴ M ∴ de A ∴ R ∴ L ∴ S ∴ Fronteira Paulista n.º 448 (Bragança Paulista – SP), sob a égide da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo – GLESP. Bacharel em História e Especialista em História da Arte e Museologia

Fonte: Revista O Malhete

quarta-feira, 7 de maio de 2025

FRASES ILUSTRADAS

ESTRELA - CINCO OU SEIS PONTAS?

(republicação)
Em 24/07/2018 o Respeitável Irmão Eflaviano Pires Macedo, Loja Caratinga Livre, 0922, REAA, GOB-MG, Oriente de Caratinga, Estado de Minas Gerais, solicita o seguinte esclarecimento:

ESTRELA. CINCO OU SEIS PONTAS?

Estudando o Grau 2 passei por uma citação sem referências que a Estrela Flamejante no passado tinha 6 pontas e depois passou ser adotada com 5, você tem alguma referência que trata do assunto?

CONSIDERAÇÕES:

Lamento dizer, mas não é nada disso.

A Estrela Flamejante, a de cinco pontas, é símbolo especulativo, sobretudo da vertente francesa da Maçonaria (latina). De origem pitagórica, ela somente ingressou na constelação simbólica maçônica nos meados do século XIV. Como símbolo hominal e com a letra G no centro, a Pentalfa é um dos ornamentos da Loja de Companheiro no REAA∴ (rito de origem francesa). 

Nesse sentido a sua interpretação se coaduna com espinha dorsal doutrinária no escocesismo como uma Luz intermediária (entre o Sol e a Lua). De concepção mais próxima ao deísmo, característica comum a quase toda a Maçonaria francesa, ela é objeto de estudo nos ritos que detém esse formato. 

No caso do REAA.'., embora ele pelas suas raízes até possua alguma influência teísta haurida da sua banda anglo-saxônica, a Estrela Flamejante concentra uma belíssima alegoria de transformação e comunicação entre o espírito e a matéria (cinco princípios). Nesse particular ela é um símbolo direcionado ao Segundo Grau.

A Estrela Hexagonal, ou a de seis pontas, é a conhecida Blazing Star comum à Maçonaria anglo-saxônica, cuja qual é reconhecidamente de concepção teísta. Pelo caráter de Estrela de Davi ela é admitida nas preleções inglesas da Tábua de Delinear. Tem a mesma função flamejante, porém com aspecto doutrinário que condiz com a sua essência bíblica. Assim, a Magsen David é própria como símbolo do Craft e em linhas gerais representa a integração homem-espírito que vislumbra o aprimoramento daquele que busca o aperfeiçoamento calcado na Fé e na Esperança pelo alcance do objetivo.

Ambos os símbolos flamejantes, a Estrela Pentagonal (Pentalfa) e a Hexagonal (Ardente) são símbolos exclusivamente especulativos e nem eram conhecidos dos Maçons Operativos. Assim, essa justificativa de que uma se transformou na outra é mera justificativa capenga e temerária.

É preciso que se compreenda que com o advento dos ritos maçônicos a partir do século XVIII, cada um deles traz tradição oriunda das suas raízes (sociais, políticas e religiosas), portanto particularidades doutrinárias, em muitos pontos, se diferem entre eles. É impossível se imaginar um mesmo relicário simbólico para todos os ritos maçônicos. Pelas suas vertentes, embora de mesmo objetivo, os ritos não raras vezes consagram para si particularidades únicas.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

PÍLULAS MAÇÔNICAS

nº 93 - A Ordem Maçônica

O termo “ORDEM”, nas línguas de origem latina, como o francês e o português, define-se como sendo a designação da Franco-maçonaria Universal. O termo inglês equivalente é “CRAFT”, com o significado mais de corporação, de ofício, no sentido das Guildas (A História Resumida da Franco-maçonaria de Louis Lartigue).

As expressões “Ordem dos franco-maçons” e “Ordem Maçônica” remontam à própria introdução da Arte Real na França, e sublinham o caráter aristocrático que ela logo assumiu. Teria desagradado aos grandes senhores da Corte de Luiz XV traduzir Craft por “corporação”, expressão honorável, porém plebeia, enquanto que o termo Ordem poderia referir-se tanto a Ordem Real, ou as Ordens Religiosas, etc.

Observe-se, a titulo de curiosidade, que foi nessa época que se instituiu nas Lojas Francesas o costume do porte da espada, privilégio nobre, e por esta razão muito utilizado na Loja pelos plebeus (Alec Mellor).

Esse mesmo termo (colocar-se na ordem), porém escrito com “o” minúsculo é usado na Maçonaria, com o significado de efetuar o sinal simbólico do grau no qual trabalha a Loja.

Existem ligeiras diferenças entre os diversos sinais de Rito para Rito, inclusive, nos sinais de ordem.

Ritualmente, o sinal de ordem só deve ser dado em duas condições:

- em Loja

- no telhamento

Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com

TOLERÂNCIA E SEUS LIMITES

Rui Bandeira

Em Maçonaria, o conceito de Tolerância não inclui qualquer noção de superioridade do tolerante perante o tolerado. Isto é, não se tolera a opinião ou a crença do outro porque somos boas pessoas e achamos que, devemos fazê-lo, apesar de entendermos que nós é que estamos certos e o outro é que está errado, fazendo-lhe o favor de aceitar que ele tenha opinião errada.

O conceito maçónico de Tolerância existe como corolário do princípio da Igualdade, basilar entre os maçons. Deve-se tolerar e tolera-se a opinião diferente ou divergente do outro, porque, como iguais que somos, cada um tem o direito a ter a sua opinião, como muito bem entenda tê-la. E tolera-se e deve tolerar-se a opinião diferente e divergente do outro em relação à nossa, porque não devemos ter a sobranceria de achar que nós é que somos os iluminados, tocadas pela graça divina de estarmos sempre certos.

Quando o nosso igual tem uma opinião diferente ou divergente da nossa, quatro hipóteses podem existir: ou o outro está errado e nós certos, ou somos nós que estamos errados e é o outro quem está certo, ou afinal estamos ambos errados e é outra qualquer posição que está certa, ou até podemos ambos estar certos, só que em planos, tempos ou condições diferentes.

A Tolerância não é um favor, uma concessão ou uma generosidade. A Tolerância é a simples consequência de se reconhecer que a perfeição humana não existe e, portanto, de admitir como um facto da vida que todos e cada um de nós temos os nossos defeitos, as nossas imperfeições, os nossos acertos e os nossos erros e é, por conseguinte, até mais do que imperativo ético, um ato de inteligência tolerar o outro com os seus defeitos, imperfeições e erros, pois só assim podemos esperar que os nossos sejam, por sua vez, tolerados.

Situações que por vezes são apresentadas como de Tolerância nada têm a ver com a mesma: a "tolerância" do branco em relação ao negro (ou vice-versa) não é mais do que racismo comprometido; a do homem para com a mulher (ou vice-versa), não passa de machismo (ou feminismo) mentecapto; a do cristão para com o judeu ou o muçulmano, ou do judeu para com o muçulmano ou o cristão ou a do muçulmano para com o cristão ou o judeu, mais não significam do que a tentativa de ocultar sectarismo religioso; a do rico em relação ao pobre apenas disfarça o sentimento de culpa pela sorte do conforto material ou desejo de continuar a explorar o deserdado. Porque o branco e o negro são ambos humanos e ambos têm carne e ossos e sangue vermelho e coração e cérebro. Porque homem e mulher se complementam e são mutuamente indispensáveis. Porque cristãos, judeus e muçulmanos creem no mesmo Deus. Porque o rico e o pobre só se enobrecem pelo trabalho.

Quando se fala de Tolerância, é frequente vir à baila a questão dos seus limites. Existe alguma tendência para se considerar existir algo de contraditório entre a Tolerância e a consideração de existência de limites à mesma. A meu ver, esta é uma falsa questão, que um pouco de reflexão facilmente resolve.

Antes do mais, é preciso entender que o conceito de Tolerância se aplica a crenças, a ideias, ao pensamento e respetiva liberdade, às pessoas e sua forma, estilo e condições de vida, mas nada tem a ver com o juízo sobre atos. Cada um de nós deve tolerar, aceitar e respeitar, independentemente da sua diferença em relação a si e ao seu entendimento, a crença alheia, as ideias e o pensamento de outrem, pois a liberdade de crença e de pensamento são expressões fundamentais da dignidade humana. Cada um de nós deve tolerar, aceitar e respeitar o outro, quaisquer que sejam as diferenças que vejamos nele em relação a nós, porque o outro é essencialmente igual a mim, não ferindo essa essencial igualdade as particulares diferenças entre nós existentes. Mas não é do domínio da Tolerância o juízo sobre os atos. O juízo sobre atos efetua-se em função da moral e das regras sociais e legais vigentes.

Explicitando um pouco mais: tenho o dever de aceitar alguém que pense de forma diferente da minha, que tenha uma crença religiosa diferente da minha, uma orientação sexual diferente da minha, um estilo de vida diferente do meu. Mas já não tenho idêntico dever em relação a atos concretos desse outro que se revelem violadores da lei, da moral ou da própria noção de Tolerância. Designadamente, não tenho que tolerar manifestações de intolerância em relação a mim, às minhas crenças e convicções, tal como não só não tenho que tolerar, como não devo fazê-lo, atos criminosos, cruéis, degradantes ou simplesmente violadores das consensuais regras de comportamento social.

Temos o dever de tolerar, de aceitar, a diferença - no estilo, nas ideias, nas crenças, no aspeto ou nas condições individuais. Por outro lado, temos o direito e o dever de ajuizar, de exercer o nosso sentido crítico, relativamente a ações concretas.

Ninguém vive isolado da Sociedade e todos têm de cumprir as regras sociais que viabilizam a sã convivência de todos com todos. Consequentemente, é uma simples questão de bom senso que devemos aceitar, valorizar, integrar as diferenças. Quem é diferente, tem direito a sê-lo. Quem pensa diferente, tem o direito de assim fazer. Mas, por outro lado, o direito à diferença não legitima a atuação desconforme com as regras sociais, legais, morais, em vigor na Sociedade em causa. Ninguém pode pretender só gozar das vantagens sem suportar os inconvenientes. Quem vive em Sociedade tem o direito de exigir que esta e os demais aceitem as suas diferentes ideias, conceções, condição. Mas tem o correlativo dever de respeitar as normas sociais, legais e morais vigentes. Se o não quiser fazer, deve afastar-se para onde vigorem normas que esteja disposto a seguir.

As Sociedades evoluem e é bom que assim seja. Também por isso é inestimável e rica a diferença. Também por isso devemos aceitá-la e aceitar que quem defende ideias ou conceções ou condições diversas da norma procure convencer os demais da bondade das suas escolhas. Isso é Liberdade, isso é Democracia. Nem uma, nem outra subsistem sem a indispensável Tolerância da Diversidade. Mas precisamente por isso - afinal porque quem quer e merece ser respeitado tem o dever de respeitar - o direito de defesa das ideias e convicções, o direito a tentar convencer os demais, o direito a pregar a evolução pretendida, não se confunde com qualquer pretensão de agir como se pretende, se em contrário da lei, do consenso social, da postura moral da Sociedade em que se está inserido.

Resumindo: a Tolerância obriga a respeitar a Diversidade e a diferença; impõe a aceitação da divulgação, da busca de convencimento, mesmo da propaganda das ideias ou conceções diversas. Mas não que se aceitem condutas prevaricadoras do que está legal e socialmente vigente - enquanto o estiver. Por isso entendo que os domínios da Tolerância e do Juízo sobre os atos concretos são diferentes. As ideias, as conceções, as condições confrontam-se, debatem-se, mutuamente se influenciam, enfim interagem no domínio da Liberdade e, assim, da mútua Tolerância. Os atos, esses, necessariamente que têm de respeitar o estabelecido enquanto estabelecido estiver. Se assim não for, o que é aplicável à violação do consenso social não é a Tolerância - é a Justiça, seja sobre a forma de Justiça formal, seja enquanto censura social seja no domínio do juízo individual.

Portanto, onde tem lugar a Tolerância, esta não tem limites. Onde há limites, sejam legais, sejam de normas sociais ou morais, não se está no domínio da Tolerância, mas no domínio do tão justo quanto possível juízo concreto sobre atos concretos.

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

terça-feira, 6 de maio de 2025

FRASES ILUSTRADAS

PAVIMENTO MOSAICO E ORLA DENTEADA NA MAÇONARIA

Em 12/09/2024 o Irmão Rafael Gonçalves Zanelato, Loja Professor Hermínio Blackman, REAA, GOB-ES, Oriente de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, apresenta a dúvida seguinte:

PAVIMENTO MOSAICO E ORLA DENTEADA

Antecipadamente já gostaria de parabenizar e agradecer o irmão por tanto conhecimento que compartilha para nossos estudos e melhor compreensão da Arte Real, colaborando assim de forma significativa para nossa evolução. 

Estou no meu quarto trabalho e sempre recorro aos seus conhecimentos, para um melhor entendimento e aprendizado.

Estou elaborando um trabalho com o tema: O Pavimento Mosaico, a Dualidade da Vida. Nos meus estudos estou recorrendo a alguns livros e também material online, e por duas vezes vi citações que a Orla Denteada possui triângulos de cores azuis e brancas e não das cores pretas e brancas comumente visto em lojas nos demais materiais e escritas, inclusive uma dessas citações, está contida no livro “Maçonaria, 100 Instruções de Aprendiz do Autor Raymundo D’Elia Jr, na Página 88. O Irmão saberia me explicar, ou me passar alguma informação sobre esse fato? Inclusive se o irmão puder contribuir com mais materiais sobre o tema, ficarei muito feliz e agradecido.

CONSIDERAÇÕES:

Ao que me consta, o preto e o branco são as cores predominantes nos elementos construtivos do Pavimento Mosaico e da Orla Denteada, mormente no piso dos templos maçônicos, conforme os ritos.

Como símbolos maçônicos integrados, o Pavimento Mosaico e a Orla Denteada entraram tardiamente na estrutura especulativa e doutrinária da Ordem. Na Maçonaria Anglo-saxônica o Pavimento era conhecido apenas como "O belo piso da Loja” (The beautiful flooring of the Lodge). 

Conforme os ritos maçônicos que adotam o Pavimento Mosaico, ele pode se apresentar feito um tabuleiro de xadrez (Checkered Pavement) preto e branco, ou como um quadriculado preto e branco arranjado de maneira oblíqua. 

Como elemento simbólico maçônico, esse piso quadriculado é geralmente contornado por uma moldura de acabamento formada por triângulos ligados entre si, dispostos como dentes no seu entorno. Esta orla, ou borla dentada, geralmente preta e branca, recebeu o nome de Orla ou Borla Denteada. Em linhas gerais, é a guarnição que contorna o Pavimento Mosaico.

No REAA, o mais comum é que os quadrados brancos e pretos que compõem o solo do templo, dispostos de modo oblíquo, cubram todo o piso ocidental da Loja. Dentre outros, este piso simboliza o caminho das pedras lavradas por onde passa o Iniciado. É o solo do Mundo em suas diversas variações. Sua construção geométrica também serve para orientar a posição dos pp nas MMarch do 1º e 2º Graus. 

Historicamente, o Pavimento Mosaico é de origem sumeriana e era o solo de muitos templos religiosos na antiga Mesopotâmia. Sua principal característica era a de representar o “solo” do Mundo”, de onde brotavam enormes pés de papiros e lótus (colunas estilizadas).

À vista disso, na Maçonaria o Pavimento Mosaico simboliza o solo terrestre, lugar onde, em última análise, o Iniciado trabalha pelo seu aperfeiçoamento. Nesse contexto, a Loja é a oficina e o maçom é o operário – simbolicamente, esta oficina revela um canteiro de obras que se encontra situado sobre a face da Terra, mais precisamente na sua a região equatorial.

Ainda sobre o Pavimento Mosaico e a Maçonaria, há a influência hebraica. Neste contexto, o termo “mosaico” se aplica ao patriarca bíblico Moisés (Moshé), o qual, segundo a lenda, decorou o piso do Santo dos Santos, no Tabernáculo, com pequenas pedras coloridas. Como o Tabernáculo foi o ancestral do Templo de Jerusalém, nada há o que se estranhar por esta afinidade. 

Graças a isso, o substantivo mosaico acabaria se consagrando como um piso construído por ladrilhos variegados. Já como adjetivo, é um termo derivado do nome próprio, Moisés.

Sob essa óptica, vale mencionar que o Templo Hebraico (o de Jerusalém) acabaria, de modo consagrado, se tornando na maior alegoria maçônica, e é daí que surge a relação íntima do Pavimento Mosaico com o piso dos templos maçônicos de alguns ritos, na Moderna Maçonaria.

Também sob influência esotérica do Hermetismo, o Pavimento Mosaico expõe aos iniciados na Maçonaria os princípios da dualidade da vida e das coisas do mundo. Conforme Hermes Trismegisto e a sua tábua esmeraldina, as coisas se explicam pela qualidade dos seus opostos. Por exemplo: o branco se explica pela existência do preto; a luz, pela existência da escuridão; o bem, pela existência do mal, etc. - “Tudo o que está em cima, também está em baixo”.

Quanto à Orla Denteada que decora as bordas do Pavimento Mosaico, é também a moldura marchetada que aparece contornando muitos painéis de diversos graus maçônicos. 

Como esses painéis condensam os símbolos e os segredos de uma Loja aberta em um determinado grau, a Orla (Borla), ao contornar todo o esse relicário simbólico, representa a guarnição da Oficina de trabalho, onde os maçons constantemente trabalham unidos em prol da fraternidade universal.

Nesse sentido é que a Orla, ou Borla Denteada, aparece como o acabamento decorativo que circunda muitos Pavimentos Mosaicos de diversos templos maçônicos espalhados pela face da Terra.

Assim, em Maçonaria o Pavimento Mosaico é chão da Loja e a Orla, ou Borla, os seus limites – Norte-Sul, Leste-Oeste. São os elementos simbólicos que compõem, com a Corda com 81 Nós, os Ornamentos da Loja.

Sobre o autor e a sua obra mencionada, por não os conhecer eu prefiro não comentar. 

E T - Podem existir rituais em que a Orla Denteada apareça formada por triângulos de coloração azul em fundo branco. Quero crer que esta aparência seja apenas de caráter decorativo. Desconheço qualquer outra justificativa fundamentada para o caso.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONARIA E JUDAÍSMO

A tradição judaica não é dominada por muitos escritores maçônicos que, por isto mesmo, cometem muitos pecados de interpretação no tocante à sua influência na maçonaria. Antes de apontar a influência judaica na maçonaria seria interessante fixar alguns traços da cultura judaica, comumente desprezados, para não se incorrer em erros lamentáveis. Veja-se, por exemplo, as colunas do Templo de Salomão que estão citadas em Reis I, 7, 21: “Ergueu as colunas diante do pórtico do santuário; ergueu a coluna do lado direito, à qual deu o nome de Jaquin; ergueu a coluna da esquerda e chamou-a Boaz”. Quando se pergunta a um professor de hebraico o que significa BOAZ , ele discorrerá sobre o significado e a tradução desta palavra. Se perguntarmos, ao mesmo professor, o que significa BOOZ, muito empregada pelos maçons franceses e repetida pelos brasileiros e que é uma corrupção de BOAZ, ele não saberá, obviamente, o significado da palavra, pois ela não tem nada a ver com o hebraico. Quanta discussão inútil se evitaria se se pudesse resolver a questão filologicamente.

Os caracteres da escrita hebraica não possuem vogais. Normalmente são substituídos por sinais (massoréticos) que agem como vogais. Assim, se um judeu religioso escrevesse o nome de Deus em hebraico, no alfabeto ocidental soaria algo como: D–s ou N-ss- S-nh-r, tomando todo o cuidado para não tomar o santo nome em vão. Os judeus pronunciam o nome de Deus de várias maneiras: El, Eloim, El Shadai, Adonai etc. Contudo, o nome inefável de Deus [desnecessário dizer que o hebraico se lê da direita para a esquerda] raríssimamente é grafado (quando o é, normalmente para uso em pesquisa etimológica sobre a origem do Nome) ou pronunciado (sendo que, nestas pouquíssimas vezes, não é propriamente pronunciado e, sim, soletrado com as letras hebraicas: iod, hei, vav e hei). Em inglês, o nome inefável é transliterado como YHVH (Javé em Português, como se verá a seguir). Os estudiosos cristãos ensinam que os judeus adoram Deus com um nome relacionado com a letra W. Tal fato se deve à dominação que os alemães exerceram no campo teológico nos últimos duzentos anos. O W, em alemão, é pronunciado como o V em português e inglês e o vav em hebraico. Os alemães também grafam como J onde encontram o iod hebreu ou o Y em inglês (tal letra inexiste no alfabeto português) quando ele ocorre. Assim YHVH apareceria como JHWH. A Bíblia de Jerusalém grafa como Javé e/ou Iahweh.

A tradição judaica afirma que a atual pronúncia do Nome é um segredo para sempre perdido desde a destruição do Templo e é considerado impróprio tentar pronunciar o Nome. Quando o Nome ocorre em caracteres hebraicos deve ser usada uma palavra substituta, ou seja Adonai.

Outro traço importante na cultura religiosa hebraica é o termo Bíblia. Claro que Bíblia é o têrmo português para a palavra hebraica Tanach . Tanach ou Tanack é um acrônimo construído pelas três seções da Bíblia: a Torah , ou seja a Lei, o Nevi’im , ou seja os Profetas e o Kesuvim ou Ketuvim , ou seja os Escritos ou os Hagiógrafos. Na versão moderna, constituem os 39 livros (considerando-se Samuel I e II e Reis I e II como livros separados) da Escritura Hebraica que, obviamente, os judeus não chamam de Velho Testamento. Aquilo que os cristãos chamam de Velho Testamento e Novo Testamento, os judeus chamam de Escritura Hebraica e Escritura Cristã. O cânon hebraico difere do cânon cristão por desconsiderar os livros escritos em grego e os suplementos gregos de Ester e Daniel. Para uma breve recordação, o cânon hebraico lista os seguintes livros:

Pentateuco: 1- Gênesis, 2- Êxodo, 3- Levítico, 4- Números, 5- Deuteronômio;
Profetas: [anteriores] 6- Josué, 7- Juízes, 8- Samuel (I e II), 9- Reis (I e II), [posteriores]10- Isaías, 11- Jeremias, 12- Ezequiel, 13- ‘Os Doze’ profetas, na ordem retomada pela Vulgata: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias;
Hagiógrafos: 14- Salmos, 15- Jó, 16- Provérbios, 17- Rute, 18- Cântico dos Cânticos, 19- Eclesiastes (Coelet), 20- Lamentações, 21-Ester, 22- Daniel, 23- Esdras, 24- Neemias e 25- Crônicas.

Aqui surge uma questão que agora pode ser respondida com maior conhecimento de causa. Quando um candidato maçônico judeu presta um juramento, a Torah deve ser posta no altar como Livro da Lei? Não. A Torah é somente uma parte da Bíblia judaica. Colocar a Torah no altar seria o equivalente para os cristãos de se colocar somente os quatro Evangelhos no altar, sem as Epístolas, o Apocalipse etc. O Livro dos Profetas e os Hagiográfos assumem um importante papel na adoração judaica e no entendimento da lei judaica. A Torah é a mais importante seção da Bíblia, e é particularmente venerada, mas não é toda a Escritura.

Seria, então, o caso de se colocar o Talmud no altar para os candidatos judeus? Aqui, convém esclarecer que o Talmud é um livro de interpretação legal. O Talmud também ensina uma grande parte sobre o pensamento judeu e a crença religiosa, mas ele não é a Sagrada Escritura. As obras de Santo Agostinho e de São Tomás de Aquino desempenham o mesmo papel numa relação similar com a Bíblia dos cristãos, contudo, também não são as Escrituras.

Surge agora uma outra pergunta. Os judeus usam chapéu em Loja? Aqui convém distinguir entre o chapéu propriamente dito e quipá (kipah), uma espécie de solidéu. O solidéu (solis Deo = só a Deus) designa o pequeno barrete, geralmente feito de fazenda mole e flexível, o qual se ajusta à cabeça, com que os padres cobrem a coroa ou pouco mais e que deve ser tirado ante o sacrário. A cobertura da cabeça é preconizada em diversos ritos maçônicos (apesar da prática não ser uniforme) para os Mestres em qualquer Sessão, ou para todos os Obreiros, ou apenas para os Mestres em Sessão do terceiro grau. Geralmente, tal cobertura é necessária e feita com o chapéu negro desabado, podendo-se, todavia, utilizar o solidéu (que é o quipá hebraico) em Sessões do terceiro grau ou de Pompas Fúnebres. O judaísmo adota a prática oriental de cobrir a cabeça durante as orações como um sinal de respeito, enquanto nos países ocidentais a prática é totalmente ao contrário: descobre-se a cabeça exatamente pela mesma razão. Algumas Obediências Maçônicas decidiram que o quipá (iarmulque [yarmulke], barrete, tiara etc.) não é um chapéu no sentido maçônico, mas um elemento do vestuário. O R∴E∴E∴A∴adota a opinião que o barrete do rito não deve ser removido, por exemplo, durante a saudação da bandeira. Deve ser considerado, também em maçonaria, o barrete frígio, que era um pequeno boné de feltro, de forma cônica e com um pequeno rebordo, com o qual, na Antiguidade, o senhor cobria a cabeça do escravo na cerimônia de libertação e que era tomado como emblema de liberdade; graças a isso, ele é, em alguns ritos, um símbolo maçônico, já que a maçonaria sempre foi libertária.

Uma última distinção deve ser feita sobre o diferente uso do conceito fariseu entre cristãos e judeus. O judaísmo moderno é farisaico no seu temperamento, mas os judeus não usam a palavra como um sinônimo de “hipócrita”. É provável que este último significado adveio de um conflito entre aqueles que escolheram seguir Jesus e Paulo e aqueles que permaneceram com o cerne da fé judaica. Naquele tempo, os fariseus dominavam o pensamento e a prática judaica e é melhor denunciar o farisaísmo como um desvio do pensamento judeu do que denunciar os judeus propriamente ditos, desde que os antigos cristãos almejavam converter os judeus. Os fariseus e os saduceus eram os competidores primários no pensamento e na prática religiosa dos judeus, embora houvessem outros grupos, como os essênios, buscando oferecer ideias diferentes. Os saduceus eram o partido da classe sacerdotal e mantinham a posição de que somente a Lei escrita deveria ser seguida à risca. Os fariseus conseguiam fazer uma combinação mais flexível entre a Lei escrita e a oral. Outra importante distinção era que os fariseus afirmavam que uma pessoa não deveria pertencer, necessariamente, à classe sacerdotal para bem cumprir os mandamentos e adorar a Deus. É esta última diferença que é a mais importante no desenvolvimento do judaísmo na sua forma para os últimos dois mil anos. Alguns autores fazem um símile entre este conflito e o da Reforma protestante, quinze séculos depois.

Existem traços comuns entre os rituais, símbolos e palavras maçônicos e judaicos. Um dos landmarques judaicos é a crença num Deus que criou tudo na nossa existência e que nos deu uma Lei para ser seguida, incluindo, ipso facto, os preceitos morais de relacionamento humano. A crença em Deus, a prece, a imortalidade da alma, a caridade, o agir respeitosamente entre os seus semelhantes fazem parte integrante do ideário maçônico – pelo menos da maçonaria teísta – como também do judaísmo, e por que não dizer de todas as grandes religiões do mundo (o budismo seria um caso à parte).

O judaísmo ensina que a Lei de Deus está contida na Torah, a parte principal da bíblia judaica que contém os 5 primeiros livros de toda a Bíblia, como visto anteriormente, ou seja, o Pentateuco dos cristãos. A tradição judaica ensina que a Torah é a eterna lei dada por Deus e é completa, nunca será mudada até mesmo por Deus e, obviamente, nunca poderá ser alterada por qualquer mortal. Já aqui surge naturalmente uma comparação com os landmarques maçônicos que preceituam não estar no poder de qualquer homem-maçom ou corpo maçônico fazer inovações na estrutura básica da maçonaria. Nos tempos modernos, ambas assertivas podem cheirar politicamente incorretas, apresentando um odor dogmático que repulsa as mentes liberais e tolerantes no limiar do terceiro milênio, mas convém salientar que isto se refere aos fundamentos que deverão permanecer intocados. Tanto que um dos livros clássicos de Pike se intitula Moral e Dogma. Assim, maçonaria e judaísmo, tais como os padrões éticos das outras grandes religiões, ensinam que devemos nos autodisciplinar e manter nossas paixões em constante guarda. O disciplinamento ritualístico, seja nas sinagogas seja nas lojas maçônicas, auxilia a desenvolver esta habilidade.

Outra similitude poderá, também, ser encontrada na cerimônia da circuncisão e do Bar Mitzvah. Logo após o nascimento de todo judeu homem, ele é circuncisado pelo rabino, ou seja, é feito o corte no prepúcio do pênis do bebê, numa cerimônia familiar como um sinal ancestral de aliança entre Deus e o patriarca Abraão. Treze anos depois, já adolescente, o mesmo judeu macho participa do Bar Mitzvah que consiste em aprender a recitar preces e passagens bíblicas em hebraico e a participar em rituais judaicos quando, enfim, adquire todos os direitos e deveres do homem judeu. Todos os maçons já fizeram, aqui, a comparação com a iniciação maçônica do profano e a exaltação ao grau de mestre quando se adquire a plenitude maçônica…

No tocante à liberdade individual, maçonaria e judaísmo emulam para ver quem apresenta maior performance de respeito e apoio. Tal fato, contudo, não é exclusivo dos dois, pois o cristianismo apresenta, também, considerações profundas sobre o livre-arbítrio, mas não é o caso de ser aqui discutido. O judaísmo ensina que todo ser humano é capaz do bem e do mal e tenta ajudar o fiel a usar o livre-arbítrio para escolher o caminho eticamente correto. A maçonaria ensina que aqueles que são moralmente capazes podem encontrar a “luz” na maçonaria se eles desejarem isto por suas próprias vontades livres. Os maçons franceses, principalmente os do Grande Oriente de França, chegaram ao ponto de colocar como um dos seus lemas a liberdade absoluta de pensamento. O conceito de exercitar a vontade livre para aceitar a lei e a reparação pelas transgressões passadas é o que preconiza o Rosh Hashanah e o Yom Kippur. Os judeus acreditam que dez dias no início do novo ano judeu devem ser usados para reparar os pecados passados e buscar a resolução firme de evitar o pecado no futuro. De modo análogo, a maçonaria ensina que todo homem deve lutar para crescer moralmente e livrar-se de todo preconceito. Não é a toa que a disputa entre a maçonaria francesa e a inglesa se dá entre a liberdade absoluta de pensamento, preconizada pelos franceses, contra o teísmo inglês, que forçou a própria reformulação da Constituição de Anderson, quinze anos após a sua promulgação.

A luz é um importante símbolo tanto no judaísmo como na maçonaria. “Pois o preceito é uma lâmpada, e a instrução é uma luz”, Prov. 6, 23. Um dos grandes feriados judaicos é o Chanukah ou seja o Festival das Luzes, comemorando a vitória do povo de Israel sobre aqueles que tinham feito da prática da religião um crime punível pela morte, ali pelo ano 165 a. E. V. (Os judeus substituem o antes de Cristo e o depois de Cristo pelo antes e depois da Era Vulgar). A luz é um dos mais densos símbolos na maçonaria, pois representa (para os maçons de linha inglesa) o espírito divino, a liberdade religiosa, designando (para os maçons de linha francesa) a ilustração, o esclarecimento, o que esclarece o espírito, a claridade intelectual. A Luz, para o maçom, não é a material, mas a do intelecto, da razão, é a meta máxima do iniciado maçom, que, vindo das trevas do Ocidente, caminha em direção ao Oriente, onde reina o Sol. Castellani diz que graças a essa busca da Verdade, do Conhecimento e da Razão, é que os maçons autodenominam-se Filhos da Luz; e talvez não tenha sido por acaso que a Maçonaria, em sua forma atual, a dos Aceitos, nasceu no “Século das Luzes”, o século XVIII.

Outro símbolo compartilhado é o tão decantado Templo de Salomão. Figura como uma parte central na religião judaica, não só por ser o rei Salomão uma das maiores figuras do panteão de Israel, como o Templo representar o zênite da religião judaica. Na maçonaria, juntou-se a figura de Salomão, à da construção do Templo, pois os maçons são, simbolicamente, antes de tudo, construtores, pedreiros, geômetras e arquitetos. Os rituais maçônicos estão prenhes de lendas sobre a construção do Templo de Salomão. Para os maçons existem três Salomões: o Salomão maçônico, o bíblico e o histórico.

Outro traço cultural comum seria a obediência para com a autoridade. Max Weber propôs três tipos de autoridade: a tradicional, a carismática e a racional-legal. A primeira adstrita às sociedades antigas, a segunda referente aos surtos de carisma que a humanidade vive de tempos em tempos e a terceira, apanágio da modernidade. A tradição judaica ensina uma obediência respeitosa para com os pais e os rabinos. A maçonaria ensina, desde a Constituição de Anderson de 1723, o respeito para com a autoridade legitimamente constituída. (Este preceito é cristalino na maçonaria de cunho anglo-saxão, já os latinos, no embate contra o trono e a cruz…).

Como último aspecto comum, tem-se os esforços positivos na maçonaria e no judaísmo para encorajar o aprendizado. A cultura judaica tem uma larga tradição de impulsionar o maior número de judeus a se notabilizar pelo conhecimento nas artes, na literatura, na ciência, na tecnologia, nas profissões em geral. Durante séculos, os judeus têm se destacado nos diversos campos do conhecimento humano e o seu empenho em melhorar suas escolas e seus centros de ensino demonstram cabalmente isto. Digno de notar-se é que as famosas escolas talmúdicas – as yeshivas – vem do verbo lashevet , ou seja sentar-se. Deste modo, para aprender é necessário sentar-se nos bancos escolares. Assim, também na maçonaria, nota-se uma preocupação constante, cada vez maior, com o desenvolvimento intelectual dos seus epígonos, no fundo, não só como um meio de melhorar a sua escola de fraternidade e civismo como também para perpetuar os seus ideais e permanecer como uma das mais ricas tradições do mundo moderno.

Fonte: Revista Universo Maçônico