Páginas

PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

ORIENTAÇÕES RITUALÍSTICAS PARA O REAA

ORIENTAÇÕES RITUALÍSTICAS PARA O REAA
(republicação)

Em 27/06/2017 o Respeitável Irmão Wesley J. Gonçalves, Loja Augusto Gonçalves, 3.311, REAA, GOEB-GOB, Oriente de Itagimirim, Estado da Bahia, solicitas informações para as questões seguintes:

Meu Irmão, tenho lido há alguns anos diversos trabalhos publicados pelo Irmão na internet, que contribuem sobremaneira para esclarecimento de dúvidas e aumentar o nível de conhecimento maçônico.

Estou Venerável Mestre de uma Loja no interior da Bahia que em sua fundação (2000) praticava o Rito Brasileiro, posteriormente mudou-se o Rito para o REAA.

Acontece que ainda existem influências que ao longo do tempo foram "modificando" o REAA de acordo com os "achismos" e "experiências" de alguns irmãos. Já consegui colocar muita coisa de volta no seu lugar, principalmente a circulação na abertura e encerramento dos trabalhos (sem sinal penal ao cruzar a linha do equador/delta), dentre outras situações.

Mas, tenho algumas dúvidas e espero que possa me ajudar, vamos lá:

1 - Os Aprendizes e Companheiros podem subir no Oriente para receber seu Diploma de Aprendiz/Companheiro? Uma vez que o Aprendiz recebe lá seu avental, presta seu juramento, etc..., seria possível receber no Oriente seu Diploma? 

2 - Sabemos que não há padronização de circulação no Oriente, mas pode haver circulação entre o Livro da Lei e o trono de Salomão? (No Rito Brasileiro existe e alguns insistem em continuar a fazer). 

3 - Ao término da Cadeia de União, alguns irmãos "sacodem" os braços ao tempo que dizem saúde (3x), isso é correto? (não consta isso no ritual, em minha opinião está incorreto). Outra questão também sobre a Cadeia de União, no ritual ela só é mencionada por ocasião da transmissão da Palavra Semestral, alguns insistem em fazê-la por outros motivos (oração por alguém, por exemplo), existe essa possibilidade? (no meu entendimento, não pode). 

4 - Qual a pronúncia correta da aclamação (Huzzé), seria Uzé ou Ruzé? 

5 - Quanto ao ex Venerável, (acredito ser o termo correto do REAA e não Past Master), existe a denominação de Venerável Mestre de Honra para se referir a ele? 

6 - Pode haver no Oriente circulação sem a condução do Mestre de Cerimônias? (O Orador é conduzido, enquanto o 1º Diácono o faz sozinho na transmissão da Palavra). 

7 - Na circulação do Saco ou Tronco, pela ordem: Venerável Mestre, 1º Vigilante, 2º Vigilante, Orador, Secretário, Cobridor Interno, Mestres do Oriente, Mestres do Ocidente, Companheiros e Aprendizes, mas havendo irmãos em companhia do Venerável Mestre no trono de Salomão, é recolhido de todos ou somente do Venerável Mestre e depois recolhe dos demais na ocasião em que se recolhe dos mestres do oriente?

CONSIDERAÇÕES:

Resposta p/nº 01 – Pois é mano, esse é um erro gravíssimo que ainda permanece no nosso Ritual. Iniciaticamente, somente ingressam no Oriente da Loja, os Mestres Maçons. 

O erro vem desde quando elevaram o Oriente na época das Lojas Capitulares (século XIX) na França, hoje extintas. Antes disso não havia demarcação do Oriente da Loja, já que o mesmo era apenas a parede oriental e os que imediatamente à sua frente tomavam assentos. Infelizmente, mesmo depois de extintas as Lojas Capitulares, o Oriente no REAA permaneceu elevado e dividido à moda capitular. 

Para resolver esse grave erro, algumas Lojas, durante a Iniciação e a Elevação, desloca o Altar dos Juramentos para bem próximo ao limite com o Ocidente. Assim, o protagonista (Aprendiz ou Companheiro) não entra no Oriente durante o juramento, ficando no Ocidente diante do Altar que continua no Oriente. 

Do mesmo modo, algumas Lojas também não entregam os paramentos no Oriente. O Venerável faz a entrega sem que o protagonista precise ingressar no Oriente. 

Entretanto é preciso lembrar que vivemos em uma Maçonaria latina com seus carimbos e convenções onde existe a regra de se cumprir o que está escrito.

Desse modo e sob a óptica do “está escrito”, segue-se o ritual, embora ele esteja nesse particular completamente errado.

Espera-se que em algum dia no futuro uma “alma iluminada” consiga convencer os guardiões dos rituais que normalmente não estão nem um pouco preocupados com a razão e o porquê da liturgia maçônica. 

Para que isso aconteça, o ritualista precisa compreender a razão pela qual os Aprendizes ocupam o topo do Norte e os Companheiros o topo do Sul. Do mesmo modo ele precisa compreender o porquê o Oriente só é ocupado por aquele que atingiu a plenitude maçônica. 

Quanto à entrega de Diploma ou qualquer outro procedimento que envolva a presença de Aprendiz ou Companheiro no Oriente eu não recomendo, pois penso que o ideal é primeiro reparar o erro e não aumenta-lo ainda mais.

Resposta p/nº 2 – A prática se refere ao REAA⸫ e não ao Rito Brasileiro. Assim, no escocesismo não existe circulação no Oriente, senão a regra de que nele se ingresse a partir da Coluna do Norte pelo nordeste e dele se retire em direção à Coluna do Sul pelo sudeste.

Devido à inexistência de circulação, não existe nenhuma regra que ordene alguém em deslocamento necessite passar primeiro pela frente ou por trás do Altar dos Juramentos. Geralmente se transita pelo espaço que oferecer melhor fluidez.

Resposta p/nº 3 – A forma de se executar a Cadeia de União é aquela que está prevista no ritual em vigência (edição 2009), ou seja, apenas cruzam-se os braços (o direito por sobre o esquerdo) na oportunidade em que se dão as mãos na forma de costume. 

Não existe nenhum outro movimento, a exemplo do de “sacudir” os braços ou proferir exclamação durante a sua realização. 

A Cadeia de União somente é realizada no REAA⸫ após estarem encerrados os trabalhos e apenas para dar conhecimento à Loja da Palavra Semestral. Nela não existem preces, orações e outros afins e dela somente participam os obreiros do Quadro. Não existe Cadeia de União para outra finalidade.

Resposta p/nº 4 – A pronúncia dessa aclamação se inicia com o som da letra “U”, embora a sua grafia se inicie com a letra “H”. 

A aclamação é uma saudação simbólica à Luz (Sol) e tem origem nos antigos cultos solares da Antiguidade. O termo H⸫ está intimamente ligado aos costumes dos árabes, cujos quais saudavam a volta do Sol no solstício de inverno no hemisfério norte. Na oportunidade eles agitavam um ramo florido de Acácia e pronunciava H⸫ Mais tarde Maomé viria proibir essa prática. 

Em Maçonaria no REAA⸫ a saudação é feita simbolicamente na abertura dos trabalhos ao Meio-Dia pela plenitude da Luz e no encerramento à Meia-Noite pela certeza de que quanto mais escura é a madrugada, mais próximo está o nascer de um novo dia. 

Essa aclamação só existe nos dois primeiros graus, já que na Câmara no Meio, por razões iniciáticas, a alegoria não prevê Luz em alusão ao inverno e a prevalência das trevas (dias curtos e noites longas). 
Assim, a tríade aclamada nada tem a ver com elucubrações ocultistas ou outros aparatos imaginativos do gênero. Na pura Maçonaria não existe espaço para ilações dessa envergadura. A Maçonaria é uma construtora social e não palco de proselitismos e crenças particulares.

Resposta p/nº 5 – Não. É pura invenção. Cumprido o tempo previsto na legislação, o Venerável Mestre é apenas o ex-Venerável e se distingue, em alguns casos, pelo termo “mais recente”.

De fato, ex-Venerável é o termo correto, já que “Past-Master” é costume utilizado pela vertente inglesa de Maçonaria. O REAA⸫ é filho espiritual da França, portanto da vertente latina de Maçonaria onde o Venerável que deixa o cargo é o ex-Venerável.

Por si só no Brasil, pela generalização do título distintivo de Mestre Instalado, seria redundante o termo Past-Master, já que qualquer Mestre Instalado (que não é grau) é um ex-Venerável.

Como já não bastasse toda essa massagem no “ego”, ainda inventa-se o Venerável Mestre de Honra! Como dizia Eça de Queirós: essa é mesmo d’escrachar.

Resposta p/nº 6 – Isso é uma questão ritualística. Os Diáconos, originários dos “antigos oficiais de chão”, são os mensageiros do Venerável para a conferência simbólica que propicia a abertura e o encerramento dos trabalhos na Oficina. 

Alguns deslocamentos previstos na liturgia maçônica nem sempre carecem do Mestre de Cerimônias como condutor – é o caso dos Diáconos, por exemplo.

Quanto ao caso da condução do Orador, o Mestre de Cerimônias obedece a uma ordem do Venerável como está previsto no ritual.

Não existe uma regra única determinando que qualquer deslocamento em Loja seja feita por condução do Mestre de Cerimônias. Existem casos que sim e outros que não. Isso não é uma constante e se dá apropriadamente de acordo com o momento litúrgico.

Resposta p/nº 7 – Mesmo que ocupadas às duas cadeiras de honra, não importando quem as esteja ocupando, o giro da bolsa é feito primeiro abordando as Luzes da Loja (Venerável e os Vigilantes), Orador, Secretário e Cobridor Interno. Em seguida os demais ocupantes do Oriente (podendo começar pelos ocupantes das cadeiras de honra), depois os Mestres da Coluna do Sul, os do Norte, os Companheiros e os Aprendizes. Por último recolhe o próprio oficial circulante que assim se comporta ajudado pelo Cobridor Interno. 

Em qualquer situação, os primeiros a serem abordados são os seis cargos mencionados, sempre se começando por aqueles que detêm o malhete. Em hipótese alguma se faz a coleta de alguém junto com a do Venerável Mestre, mesmo que ao seu lado estejam os Grão-Mestres. 

Outras observações – Somente existem duas cadeiras de honra colocadas à direita e à esquerda do Venerável Mestre. Nenhuma, além delas, pode ser ali colocada. O Decreto 1469/2016 do Poder Central regula as suas ocupações.

No site do GOB em Ritualística – Grande Oriente do Brasil existem orientações que alteram procedimentos nos Rituais do REAA de Aprendiz Maçom. Recomendo consulta. Somente tem acesso ao site o que for portador do GOB-CARD.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONARIA E COMPROMISSO

MAÇONARIA E COMPROMISSO
Autor: José Maurício Guimarães*

Na Iniciação, a Maçonaria como que “firma um contrato” com o novo homem: uma promessa mútua ou obrigação será mantida desde o instante do juramento (compromisso) e enquanto durar a recíproca confiança. Apesar dos juramentos serem tomados na primeira pessoa do iniciando, também a Loja – e a Ordem como um todo – assumem obrigações para com o Maçom. A partir da entrega do avental, o iniciado deverá estar seguro de encontrar amigos entre os Maçons – mais que amigos, Irmãos dedicados e leais – prontos a prestarem o justo e necessário auxílio nos momentos aflitivos e durante os combates travados sob o escudo da Virtude. Além disso, a estrutura administrativa e cultural da instituição deverá propiciar a Luz do Conhecimento em favor de cada um dos seus obreiros. Nas etapas da nova vida em Loja a palavra “virtude” revelará sua característica mais íntima: um PODER (virtus = vir, virilidade, força) pronto a passar do dever ao ato com coragem e desprezo pela dor. É por isso que usamos o tratamento “poderoso irmão” que corresponde a VIRTUOSO IRMÃO.

A palavra “Maçonaria” traz à mente, para quem não foi iniciado na Ordem que leva este nome, um relacionamento ou entendimento entre pessoas. É neste sentido que podemos conceituar a natureza social da Maçonaria: um acordo ou entendimento que produz uma série de compromissos.

Um compromisso, por sua vez, resulta de uma promessa a ser cumprida. A palavra promissum que herdamos do latim tem esse significado: coisa devida e obrigação solene assumida perante alguém ou um grupo de pessoas.

A obrigação solene é o principal elemento que faz dos rituais maçônicos atividades sagradas. Os juramentos (compromissos) são tomados em nome do que há de mais puro, tanto para a Loja quanto para o neófito recebido em seu quadro. Se for transcendente, essa pureza, inefável por si mesma, é tomada como o Princípio Criador e sua contraparte – a Consciência Moral. Ambos são invioláveis, sacrossantos e representados num livro sagrado (a Lei) que não pode ser levianamente tocado, infringido ou violado sem repercussões de foro íntimo. Assim, cada maçom, curvado em genuflexão diante do Mistério, deposita no escrínio de seu coração as cláusulas de um “contrato” gravado nos arquivos perenes da memória e de sua história pessoal.

A partir da Iniciação o candidato torna-se Aprendiz, isto é, aprende como aplicar a tríade Liberdade-Igualdade-Fraternidade em seus deveres para com Deus, para consigo mesmo e para com a humanidade. A Iniciação e seu tempo de Aprendiz não visam fazer dele um homem livre e de bons costumes, pois essas são condições necessárias (sine qua non) que ele deve trazer da vida secular. É necessário que o candidato possua o sentimento de sua própria liberdade e esteja plenamente consciente da distinção entre o bem e o mal. Se, sob quaisquer circunstâncias, ele age contra seus próprios valores é porque ainda é um escravo. Na Loja de Aprendiz o neófito vai tomar conhecimento, mediante o estudo, a observação e a experiência das ferramentas úteis à aplicação de sua liberdade e de seus bons costumes na condução de seus pensamentos, palavras e ações em direção a Deus, à pátria e à família.

A Consciência Moral consiste em tomarmos certa distância de nossos atos, o que nos permite reavaliá-los e conceber novas atitudes capazes de implementar o bem. Nesse particular vale a advertência de Schopenhauer: “é mais fácil pregar moral do que fundamentá-la na prática“.

Herdamos do antigo Direito Romano o sentido de “obrigação” que tem a promessa: ela retrata um vínculo entre coisas ou pessoas. Esse vínculo ou ligação (ligatio) constitui uma espécie de encargo (obligatio) – servidão voluntária que alguém toma sobre si em determinado momento e que deve ser levada a cabo desde então e até o futuro.

Assim é o Direito, conjunto de condições pelas quais o arbítrio de um pode conciliar-se com o arbítrio do outro, ordenando as associações humanas num sistema de normas lógicas, legítimas e válidas.

O compromisso visto por ambos prismas é, portanto, uma ligação que subordina a vontade singular à pluralidade que rege as relações humanas. Numa Loja maçônica esse acordo ou pacto é um vínculo moral que, além de gerar direitos (benefícios) dá origem a restrições, ônus e gravames (deveres). Como nas obrigações jurídicas, há sempre uma tarefa ou ofício – um fazer – , mas também o “não fazer” (non facere), duplo aspecto que reflete um ordenamento maior que o Direito e as leis.

Os sujeitos desse “contrato maçônico” oscilam entre a parte que tem o direito de exigir e a outra sobre quem recai o compromisso. Pactua-se sobre o pressuposto de que ambas nutrem uma permanente disposição para querer o bem sendo o objeto (o debitum) sempre o mesmo: um trabalho análogo ao dos antigos pedreiros (os operativos), mas desta vez construindo e reconstruindo a sociedade (os especulativos), levantando novos templos à Consciência Moral, à prática do dever, da justiça, da caridade e das grandes concepções da vida pública.

Toda esta analogia reflete o cenário do Direito das Obrigações com seus quatro elementos:
  • um sujeito ativo ou credor que tem o direito de exigir a solvência do encargo;
  • o sujeito passivo ou devedor, sobre quem recai o trato a ser cumprido;
  • o objeto do compromisso (debitum) que o devedor deve praticar ou abster-se de praticar em favor do sujeito ativo;
  • o vínculo jurídico que liga os sujeitos dessa obrigação.
Enquanto nas obrigações ditas “civis” um compromisso tem início, meio e término – ou seja, esgota-se ao ser satisfeito seu objeto integralmente – na Lei Natural e no âmbito moral os direitos e as obrigações possuem um conteúdo ditado pela natureza e válido para qualquer tempo ou lugar. Por exemplo: toda pessoa nasce entranhada de direitos que se desenvolvem à medida que sua personalidade amadurece, dando lugar a compromissos e obrigações de caráter social. São as convenções, ajustes e pactos.

Na mesma esteira o desenvolvimento da sociedade vem marcado por três estágios de reconstrução social dos quais brotaram a inclusão dos direitos e deveres do indivíduo:

Relativamente à cultura do Ocidente, contemplamos o primeiro estágio da reconstrução social no ordenamento religioso e moral contido do pensamento judaico-cristão. Segundo a tradição, no Antigo Testamento (primeiro acordo ou pacto) a aliança se desenvolveu desde Abraão até o decálogo entregue por Deus a Moisés com três deveres (mandamentos) para com Deus e sete outros de cunho social: “Honrarás o teu pai e a tua mãe, não cometerás homicídio nem adultério; não furtarás, não darás falso testemunho, nem cobiçarás a casa do teu próximo“. Desse conjunto de leis originaram-se 613 disposições, ordens e proibições em benefício de uma coletividade essencialmente nômade. Os direitos e deveres contidos nas tábuas da Lei e na Arca da Aliança visavam primeiro a coletividade – o povo hebreu – antes de se destinarem ao indivíduo.

Na nova aliança (Novo Testamento) Jesus autenticou as obrigações mosaicas e os direitos dela decorrentes, transformando-os em fundamentos de um nascente humanismo face ao poderio de Roma. O rigor da antiga lei, cuja maior parte fora adaptada pelos patriarcas a partir dos costumes egípcios, do Código de Manu e da Lei de Talião, foi explanado em termos de misericórdia e compaixão através do Evangelho condensado em apenas dois preceitos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo teu entendimento”. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo é semelhante a este: “Amarás o teu próximo como a si mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”

O Direito natural ou jusnaturalismo de John Locke, Hugo Grotius e outros se baseia na existência de conteúdos desse tipo. Mesmo quando não falam de uma transcendência admitem os padrões estabelecidos pela natureza e, portanto, válidos em qualquer tempo ou lugar. Paulo de Tarso, na Epístola aos Romanos, lembra o conjunto das obrigações naturais ressaltando a superioridade das mesmas em relação à criatura, dizendo: “… mesmos os gentios, que não têm lei, fazem por natureza as coisas que são da lei“. O primeiro desses compromissos sociais consiste no direito à vida e no dever de garanti-la em todos os aspectos.

O segundo grande estágio da reconstrução social foi firmado na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em 1789 pela Assembleia Nacional Constituinte. Nessa Declaração de Direitos moldaram-se os ideais da primeira fase da Revolução Francesa sintetizados no seu Artigo. 1.º: “Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum.” Esta tese, cláusula pétrea da cidadania, foi inspirada na Revolução Americana de 1776 e nas ideias do Iluminismo.

Cento e cinquenta e nove anos mais tarde sobreveio o terceiro estágio da reconstrução: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade“, Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pela ONU em 10 de dezembro de 1948.

Entre o primeiro estágio (lei mosaica) e o segundo passaram-se dezessete séculos. Mas entre o segundo e o terceiro (Declaração dos Direitos pela ONU), apenas um século e meio. Apesar de tudo, reconheçamos ou não este fato, a Consciência Moral avança mais rápido do que o progresso científico.

Outra consequência dos estágios da reconstrução social é a constante busca de uma solução possível do conflito entre obedecermos aos ditames da sociedade e a vontade que emana do nosso íntimo. Vem em socorro dos novos construtores a primeira norma do imperativo categórico da filosofia de Immanuel Kant (1724-1804): “age sempre de maneira que a norma de vontade possa ser erigida como legislação universal“. Kant definiu o imperativo categórico como o impulso que leva as pessoas a agirem em conformidade com os princípios determinantes da natureza humana. A ação, neste sentido, deve ser entendida como um objetivo, nunca como um meio.

Por isso os símbolos da Maçonaria apontam para uma diversidade de interpretações. A cada Aprendiz, Companheiro e Mestre deve ser dada a máxima liberdade para compreenderem e traduzirem no âmago da consciência o significado dos símbolos. Cada construtor do Templo maneja suas próprias ferramentas e descobre seu método de lavrar a pedra, desvendando por si mesmo o que ele deverá ser a partir do que é. A obra pela qual ele responde é o edifício inteiro (o Templo da Virtude) onde uma simples pedra colocada fora de esquadria compromete a estabilidade de todas as colunas, arcos e abóbada. Mais uma vez é a consciência que fiscaliza os trabalhos. Só ela pode corrigir os ângulos e a geometria. E quando julga, são valores que nascem da experiência individual, pois os símbolos existem mais para velar do que para revelar. O avental e cada ferramenta de trabalho possibilitam ao Maçom sua entrada no Templo Interior segundo recursos de sua consciência. Dessa forma, na consecução do “contrato” o Iniciado sai vencedor – contente e satisfeito – a um só tempo solitário e participante da Ordem.

Como se inserem nos dias de hoje e na vida do Maçom – seja ele Aprendiz, Companheiro ou Mestre – as promessa e obrigações assumidas que garantam seu vínculo com a Loja e com cada um dos Irmãos que o cercam?

Para os autênticos construtores sociais, ancorados no ontem (tradição), voltados para o hoje, com a firme bússola da Lei e seu significado, permanecem intactas as colunas que sustentam o humanismo lógico e ético:
  • a ação de uns para com os outros em espírito de FRATERNIDADE, garantindo-se o equilíbrio dos direitos, isto é – uma IGUALDADE;
  • a preservação da LIBERDADE com que todos nasceram (livres e iguais em dignidade e em direitos).
Contemplando este significado, comparado à luz dos estágios acima descritos, torna-se explicável a tríade com a qual a Maçonaria se identifica: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE.

Algumas correntes menos atentas ao conteúdo histórico, filosófico e sociológico do lema “Liberdade-Igualdade-Fraternidade”, consideram-no “mero apanágio da Revolução Francesa“, negando-lhe autenticidade entre os Livres Pensadores e Iluministas que lapidaram os cânones da Franco-Maçonaria a partir do século XVIII.

Para o Iluminismo há desigualdades naturais às quais temos que nos curvar: desigualdade de talentos, de saúde, de inteligência, de aptidões, e na aceitação delas reside a virtude da tolerância. Mas, sabedor disso, o maçom tem o dever de combater as desigualdades artificiais oriundas da injustiça social, fomentadas pela má distribuição de renda, pela avareza, pela corrupção e pelos falsos prestígios advindos dessas mazelas. Mesmo as desigualdades naturais podem resultar daquelas provocadas pela injustiça e falta de liberdade.

Cabe às Lojas e a cada Maçom em particular investigarem esses fatos sociais e promoverem a equidade de oportunidades – primeiro no seio da Ordem para depois – alicerçados no exemplo do “dever de casa” – expandirem o ideal nos quatro cantos da Terra. É nisso que reside o caráter especulativo da Maçonaria.

Finalmente, o vínculo que liga os sujeitos da obrigação maçônica pode ser apreciado nas seguintes cláusulas ou decálogo da Iniciação:

I – Cada obreiro, Loja e Potência Maçônica zelam pela manutenção da Ordem protegida da curiosidade e dos ataques a que possa ser exposta.
II – Desenvolvem seus trabalhos com disciplina, ordem e o respeito necessário.
III – Buscam uma convivência que propicie a maior perfeição possível em relação aos hábitos e aos costumes.
IV – Dirigem seus trabalhos em direção à Virtude e ao esclarecimento dos assuntos da Instituição.
V – Combatem sem trégua os vícios, a tirania, a ignorância, os preconceitos e os erros.
VI – Glorificam permanentemente o Direito, a Justiça e a Verdade.
VII – Promovem, em todos os setores da sociedade, atos que visem o bem estar da Pátria e da Humanidade.
VIII – Fazem de cada empreendimento fonte inesgotável de felicidade.
IX – Escudados na misericórdia praticam e ensinam a tolerância e a paz.
X – Mesmo nos momentos mais difíceis, esforçam-se para que prevaleça o amor à Ordem e o respeito às autoridades.

Estamos às portas do quarto grande estágio da reconstrução social. Parte da humanidade já percebeu isso e se apressa para adequar-se à Nova Era. O joio já está separado do trigo. É nas Ordens Iniciáticas que a colheita vem se tornando mais evidente. Aperta-se o tempo para o cumprimento integral do contrato: há os que permanecem em seus postos e os que, por infelicidade, buscam na deformação das cláusulas do contrato um abrigo temporário para a inadimplência.

*José Maurício foi o primeiro Venerável Mestre da Loja de Pesquisas “Quatuor Coronati” Pedro Campos de Miranda – GLMMG. Também é membro da Academia Mineira Maçônica de Letras.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

domingo, 23 de janeiro de 2022

RETORNO DA PALAVRA E AS COMPLICAÇÕES DA RITUALÍSTICA MAÇÔNICA

Em 06/08/2021 o Respeitável Irmão Arimar Marçal, Loja Santo Graal, 4.690, REAA, sem mencionar a Obediência, Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a seguinte questão:

RETORNO DA PALAVRA

Trago uma Questão de Ordem que acredito ser importante para que a Ritualística seja feita de forma correta quando em Loja. Estive visitando uma Oficina (muita amiga) do Rito Brasileiro e fui convidado a ajudar nos trabalhos ocupando o cargo de Mestre de Cerimônias (portanto, na coluna do Sul). A QUESTÃO: Quase ao final da Sessão, o 1º Vigilante, no uso da palavra se dirigiu nominalmente a mim, perguntando sobre o dia e horário das sessões em minha Loja (com o intuito de nos visitar), num gesto quase automático (no meu lugar) me virei para o Venerável Mestre e questionei “se o Venerável me permite” e respondi ao indagação do 1º Vigilante, informando o dia, local e horário das nossas Sessões. Por sequência, a palavra foi para o Oriente e após o Orador fazer suas considerações e declarar a Sessão Justa e Perfeita, o Venerável Mestre invocou uma Questão de Ordem objetivando instruir os aprendizes presentes declarou que “a palavra não poderia ter voltado para mim, a palavra não retorna” por estar na Coluna do Sul. Claro que não houve nenhuma animosidade e prudentemente não questionei o Venerável Mestre, muito pelo contrário mas, no meu entendimento a circunstância permitiria a minha resposta ao 1ᵒ Vigilante, simplesmente porque fui citado nominalmente (num assunto simples) e também porque não pedi a palavra para tratar de qualquer outro assunto. MEU ERRO Entendo que o meu procedimento correto seria: Não pedir diretamente ao Venerável Mestre e sim pedir a palavra ao 2ᵒ Vigilante, e este pedir ao Venerável que decidiria se permitiria ou não. Acredito que da forma como aconteceu, não só os Aprendizes e Companheiros, mas também os Mestres presentes, receberam uma Instrução errônea. É óbvio que não sou o dono da verdade, por isto recorro aos seus conhecimentos para dirimir a dúvida.

CONSIDERAÇÕES:

Comentários baseados no texto da questão.

A despeito de que eu não sei a qual Obediência pertence a Loja visitada e os procedimentos emanados do seu ritual, em linhas gerais, os ritos que adotam o giro da palavra, seguem exatamente esse preceito, isto é, não admitindo que aleatoriamente Irmão de uma Coluna fique indagando Irmão em outra Coluna. A palavra até pode retornar, contudo a critério do Venerável Mestre que, se assim entender deve retornar o giro da palavra, isto é, a partir da Coluna do Sul.

Não sei se no ritual da Loja visitada, mas me parece que pela sua questão o 1º Vigilante senta no Norte e o Mestre de Cerimônias no Sul. É bom que se diga que originalmente o Mestre de Cerimônias no Rito Brasileiro toma assento ao Norte, não no Sul.

Nesse caso, se o Mestre de Cerimônias estivesse no lugar correto (Norte, não no Sul no Rito Brasileiro), em princípio o 1º Vigilante, estando na mesma Coluna que o Mestre de Cerimônias (ambos no Norte), estando a palavra na sua Coluna, ele poderia perfeitamente ter indagado ao Mestre de Cerimônias e este tê-lo respondido na forma de costume.

Contudo, ao que parece, o lugar do Mestre de Cerimônias está no Sul, não no Norte onde seria o correto. Nesse caso o Vigilante também não tinha nada que indagar Irmão de outra Coluna. Ora, ele poderia pedir ao Venerável Mestre que o fizesse quando a palavra chegasse ao Oriente e, o Orador, quando da saudação aos visitantes, se encarregaria de informar à Loja.

Nesse quadro, a questão me parece se prejudicar pela inversão de lugar do Mestre de Cerimônia, ou seja, contrário à originalidade do Rito Brasileiro.

Como vem apresentado na sua questão, me parece ter existido uma sucessão de erros. Ora, o 1º Vigilante não deveria indagar Irmão de outra Coluna. Também o Mestre de Cerimônias deveria pedir a palavra ao Vigilante da sua Coluna e não ao Venerável Mestre. Por fim o Venerável, da mesma forma, não tinha nada que suscitar questão de ordem após as conclusões do Orador. Que ele então o fizesse quando dos seus comentários derradeiros antes de passar a palavra ao Guarda da Lei. O único que fala após as conclusões do Orador é o Grão-Mestre. Tudo isso conforme a tradição e os elementos consuetudinários.

E assim segue a carruagem. Conforme o que fora relatado na questão e bem ao gosto do tempero latino de ser, um simples pedido de informação em momento inapropriado acaba causando todo esse entrevero na ritualística.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O IRMÃO LUIZ GAMA

O IRMÃO LUIZ GAMA*

Um Venerável Mestre negro lutando por negro.
Negro diante das leis, para que o negro tivesse direitos.
Negro falando, em época que o negro gemia...

Luiz Gonzaga Pinto da Gama, “advogado dos escravos”, precursor do Abolicionismo e Venerável da Loja Maçônica “América”.

Luiz Gama nasceu na Bahia a 21 de junho de 1830. Filho natural de uma africana livre, Luiza Mahin, da nação Nagô, e de um fidalgo, que arruinado por dívidas de jogo vendeu o próprio filho a um comerciante de escravos. O nome do genitor jamais foi mencionado pelo filho lançado fora.

Luiz Gama foi revendido no Rio de Janeiro a um outro comerciante de São Paulo, o alferes Antonio Pereira Cardoso, que o levou a Santos, e, posteriormente, a pé, com a idade de 10 anos, juntamente com um lote de escravos, a Campinas.

Outro ponto obscuro na vida de Luiz Gama é o fato de ter obtido a prova de que tinha nascido livre, após o seu retorno à cidade de São Paulo. Antes de sua liberdade, aprendeu vários ofícios na casa do alferes. Em 1848 abandonou a casa do seu antigo senhor para sentar praça na Força Pública de São Paulo.

Amigo do professor de Direito, Dr. Furtado de Mendonça, assimilou grandes conhecimentos jurídicos que o transformaram num notável advogado, orador eloqüente e um dos mais devotados lutadores da causa do negro: valores que, sem a menor dúvida, justificam o título de “advogado dos escravos”. Poeta, publicou poesias satíricas, como a memorável sátira contra os brancos: “A Bodarrada”. Também é de sua lavra: “Primeiras Trovas Burlescas de Getulino”.

Ingressou no jornal “O Ipiranga” como aprendiz de tipógrafo, depois para a redação do “Radical Paulista” que tinha como colaboradores Rui Barbosa e Castro Alves. Seu nome consta da fundação do Partido Republicano de São Paulo, pobre, mas com a cidade toda enlutada e o seu ataúde carregado à mão pelo povo. Perdia o abolicionismo um dos seus mais importantes próceres.

Luiz Gama desenvolveu intensa atividade jurídica para libertar os seus irmãos forçados à escravidão, até a sua morte.

Luiz Gama chegou a ocupar o lugar de Venerável da Loja Maçônica “América” de São Paulo a 1o de agosto de 1870; em 1872 e 1873. como 2º Vigilante e Venerável Mestre no ano de 1874. Em 1868 recebe o Grau 18, Príncipe Rosa Cruz.

No dia 25 de agosto de 1882 foi sepultado Luiz Gama no Cemitério da Consolação, na Rua A, Nr. 17, na ocasião, com 52 anos de idade.

Seu testamento de Fé e de Amor está transcrito na carta que endereçou ao seu filho e publicada por Pedro Calmon no “Jornal do Comércio”, do Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1930. Assim aconselhou:

Meu filho.

Dize a tua mãe que a ela cabe o rigoroso dever de conservar-se honesta e honrada; que não se atemorize da extrema pobreza que lego-lhe, porque a miséria é o mais brilhante apanágio da virtude.

Tu evita a amizade e as relações dos homens; eles são como o oceano que se aproxima das costas para corroer os penedos.

Sê republicano como o foi o Homem-Cristo Faze-te artista; crê, porém, que o estudo é o melhor entretenimento, e o livro o melhor amigo.

Faze-te apóstolo do ensino, desde já. Combate com o ardor o trono, a indigência e a ignorância. Trabalhe por ti e com esforço inquebrantável para que este país em que nascemos, sem rei e sem escravos, se chame Estados Unidos do Brasil.

Sê cristão e filósofo; crê unicamente na autoridade da razão, e não te alie jamais a seita alguma religiosa. Deus revela-se tão-somente na razão do homem, não existe em Igreja alguma do mundo.

Há dois livros cuja leitura recomendo-te: a “Bíblia Sagrada” e a “Vida de Jesus” por Ernesto Renan.

Trabalha e sê perseverante.

Lembra-te que escrevi estas linhas em momento supremo, sob a ameaça  assassinato. Tem compaixão de teus inimigos, como eu compadeço da sorte dos meus.

Teu pai Luiz Gama.

*(transcrito do livro O Despertar para a Vida Maçônica, de Valdemar Salomão, Editora Maçônica A Trolha)

Fonte: JBNews - Informativo nº 156 - 30/01/2011

sábado, 22 de janeiro de 2022

LEITURA DE LANDMARKS EM LOJA PELO ORADOR

O Respeitável Irmão Tiago Witzke, Loja Regeneração Guabirubense, 4.100, REAA, GOB-SC, Oriente de Brusque, Estado de Santa Catarina, apresenta as seguintes questões:

LEITURA DE LANDMARKS

Abertura da Loja, após a leitura das atas, o Venerável Mestre pergunta ao Orador se tem atos, leis e decretos a serem lidos, posso fazer a leitura de Landmarks? Ou somente informo se constam atos "atuais".

Há possibilidade abertura da palavra aos demais Irmãos, quando os Trabalhos são apresentados entre Colunas, sejam de Aprendiz ou Companheiro?

Com relação ao conteúdo em seu blog, eu poderia estar apresentando em Loja algumas peças de arquitetura do Ir∴? Só mais uma dúvida... Sempre ouvi que Trab∴ apresentados entre CCol∴ não podemos nos manifestas, mesmo se for para ser complementado.

Procede?

CONSIDERAÇÕES:

Em linhas gerais, Landmaks da Maçonaria são os limites ou os marcos de antigas obrigações (Old Charge) que servem como regras básicas.

Para serem legítimos, os Landmarks devem ser espontâneos, imemoriais e universalmente aceitos. Nesse contexto são as obrigações, costumes e tradições que regem a Maçonaria.

No tocante ao que menciona a sua questão sobre esse assunto, a leitura de leis, atos e decretos nada tem a ver com leitura de Landmarks pelo Orador. Veja, as leis, atos e decretos são diplomas legais expedidos pela Obediência e geralmente são lidos pelo Guarda da Lei para dar conhecimento à Loja. Em síntese, o Orador não fica lendo Landmarks em Loja salvo se alguma questão legal careça desse apontamento, embora isso seja muito difícil, pois as Constituições e o Regulamentos Gerais das Obediências são construídos observando os verdadeiros Landmarks da Ordem.

A propósito, nos Rituais do GOB, REAA em vigência, o Venerável Mestre não pergunta ao Orador se há leis e decretos para serem lidos. Isso é informado pelo Secretário no período do Expediente. No caso, se houver, o Venerável solicita ao Mestre de Cerimônias que os encaminhe até o Orador para leitura.

Quanto à questão de uma peça de arquitetura ser apresentada entre Colunas no Tempo de Estudos, esta pode, se devidamente autorizada, perfeitamente sofrer algum comentário. Nesse caso obedece-se ao giro da palavra a partir da Coluna do Sul. O mais apropriado, contudo, é que os comentários fiquem para o período do uso da Palavra a Bem da Ordem em Geral e do Quadro em Particular.

Não existe nenhuma regra especial àquele que usa a palavra ou apresenta uma Peça de Arquitetura entre Colunas. Isso é pura invencionice e fantasia.

A propósito, para que se evitem comentários falaciosos desse tipo, recomenda-se que a Peça de Arquitetura seja apresentada do lugar do apresentador, sem a perda de tempo de ser ele conduzido para entre colunas.

É bom que se diga que peças de arquitetura e outros elementos de avaliação que visem aumento de salário possuem regras próprias que devem ser observadas no Regulamento Geral da Federação. No caso de aumento de salário (colação de grau), a mesma é matéria da Ordem do Dia porquê haverá votação, inclusive com transformação de Loja em outro Grau (vide Artigos 35 e 36 do RGF).

Por oportuno, vale ainda informar que está em vigência desde 2019 o SOR - SISTEMA DE ORIENTAÇÃO RITUALÍSTICA hospedado na plataforma do GOB-RITUALÍSTICA. Todas as orientações ali contidas devem ser aplicadas imediatamente sobre os rituais até que haja nova edição. Esse Sistema é amparado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral. Para acessar é necessária a Palavra Semestral, CIM e o GOB-CARD.

No que diz respeito ao uso de matérias hospedadas no meu Blog, fique integralmente à vontade.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE CAFÉ FILHO

JOÃO FERNANDES CAMPOS CAFÉ FILHO (Natal, RN, 1899 – Rio de Janeiro, 1970). Advogado e político brasileiro, tendo sido o 18.º presidente do Brasil entre 24 de agosto de 1954 e 8 de novembro de 1955. Também foi o 13.º vice-presidente do país entre 1951 e 1954, função que assumira paralelamente com a de presidente do Senado Federal. Filho de presbítero da Igreja presbiteriana, foi o único potiguar e o primeiro protestante a ocupar a presidência da república do Brasil (junto com Ernesto Geisel, são os únicos protestantes que presidiram o Brasil). Também foi o primeiro a exercer a Presidência tendo nascido após a Proclamação da República. Seu nome consta na Lista Oficial de Presidentes Maçons do Grande Oriente do Brasil.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: Não identificada.

Loja: Não identificada.

Idade: Não identificada.

Oriente Eterno: Faleceu aos 71 anos de idade.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

O AVENTAL MAÇÔNICO

O AVENTAL MAÇÔNICO

O Avental é um símbolo, ou seja, tem significado representativo e não substitutivo, em outras palavras, representa algo para o “operário maçom”. Dentre suas funções, serve para lembrar ao seu usuário que ali esta para cumprir com seus deveres como maçom, homem e cidadão, deveres estes tantos ritualísticos como legais, simboliza também sua consciência.

O avental é parte, da parte visível do grau do maçom. Dizem que a alma constrói o seu corpo ou Avental, que será puro ou impuro conforme os seus desejos e pensamentos. Assim, em cada grau, o Avental simboliza o progresso da alma com a sua própria espiritualidade/consciência. O estado de pureza inicial está patente no Avental de Aprendiz. Tábua rasa própria do recém-nascido (Aprendiz). Com o progresso maçônico, o iniciado receberia riquezas espirituais, filosóficas, éticas, morais, intelectuais e etc., simbolizadas nos adornos do seu Avental.

Tradicionalmente, o Aprendiz usa o avental com a abeta levantada enquanto o Companheiro utiliza a abeta do seu avental para baixo. O Aprendiz usaria a abeta levantada para proteger o chacra localizado na região do plexo solar, zona dos cascalhos da pedra bruta que está a desbastar. Esta serve para lhe lembrar permanentemente que, a parte espiritual (representada pelo triângulo) deve estar acima da parte material (representada pelo retângulo).

O Companheiro por se encontrar mais evoluído não precisa em tese, de proteção, pois já diferencia o espiritual do material, assim já não precisa de ser constantemente recordado deste carácter dualístico do avental.

A maçonaria é simbólica, ou seja, mescla o externo (o visível/símbolo) e o interno (o invisível/significado), o avental, neste espaço aberto a todos os graus (aprendiz, companheiro e mestre), representa exotericamente a vestimenta corpórea da alma, mas esotericamente, simboliza a condição imortal da alma, que sobrevive à morte do seu corpo físico temporal.

Marcelo Artilheiro
Outubro de 2019

Fonte: https://artilheiro7.wixsite.com

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

ORDEM NO USO DE COLARES COM AS JOIAS DISTINTIVAS - DO CARGO E DA AUTORIDADE

Em 02.08.2021 o Respeitável Irmão Mateus Ferreira Satler, Loja Harmonia, 1625, REAA, GOB-MG, Oriente de João Monlevade, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte:

ORDEM NO USO DOS COLARES E JOIAS

Tenho uma dúvida com relação ao uso de colares. Quando um Mestre Instalado ocupa cargo em uma loja, qual colar deve usar: 1) apenas o colar do cargo, 2) apenas o colar de Mestre Instalado, ou 3) ambos os colares com as respectivas joias ao mesmo tempo? Sendo este último caso, qual deveria vir por cima e qual deveria vir por baixo?

COMENTÁRIOS:

O prevalece é o cargo que ele ocupa na Loja aberta.

A autoridade, nesse caso não perde o seu status, pois ele continua sendo autoridade, porém naquele momento está ocupando um cargo em um Loja.

Assim, a autoridade veste por último a joia distintiva do cargo que ele ocupará (de oficial ou dignidade), nesse caso ela vai por cima daquela que o define como autoridade.

É permitido também, ficando por conta de escolha da autoridade, vestir apenas a joia do cargo. O que não pode é o ocupante de um cargo em Loja não trazer a sua joia distintiva (do cargo).

Na ordem de valor, a joia do cargo em Loja prevalece sobre a outra qualquer (vai vestida por sobre a outra).

No caso específico da sua questão o M∴ I∴ veste por último a joia do cargo.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

UM AUSPICIOSO COMEÇO

Cardeal Gianfranco Ravasi
UM AUSPICIOSO COMEÇO
Rui Bandeira

No passado dia 14 de fevereiro, na página 29 do jornal italiano Il Sole 24 Ore, o Cardeal Gianfranco Ravasi publicou, sob o título Cari fratelli massoni (Queridos Irmãos Maçons) um texto no qual convida ao diálogo entre a Igreja Católica e a Maçonaria. O Cardeal Ravasi é o Presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, um organismo da Cúria Romana, o que nos deve alertar para o peso institucional que esta iniciativa terá.

No seu texto, o Cardeal Ravasi invoca os valores comuns entre as duas instituições, a dimensão comunitária, a beneficência, a dignidade humana e a luta contra o materialismo, e invoca mesmo a necessidade de "superar a atitude de certos setores integristas católicos que - para atacar alguns representantes hierárquicos da Igreja de que eles não gostam - recorrem à arma da acusação de uma sua apodítica filiação maçónica" (tradução minha).

No primeiro parágrafo, está o atalho para o texto original, em italiano. Pode também ler-se o referido texto numa tradução para castelhano, efetuada por um elemento da Loja espanhola Manuel Iradier, da cidade de Vitoria - Gasteiz, que aqui fica disponível através do atalho:

Esta posição pública do Cardeal Ravasi certamente terá uma adequada e ponderada resposta por parte dos responsáveis da Maçonaria, no sentido da correspondência ao convite efetuado. Para já, o Grão-Mestre do Grande Oriente de Itália, Irmão Stefano Bisi, logo no dia imediato enviou uma carta ao Il Sole 24 Ore, manifestando o seu apreço pela iniciativa e confirmando a disponibilidade para o diálogo também por parte da Maçonaria.

Designadamente, refere o Grão-Mestre do Grande Oriente de Itália que ficou "satisfeito ao saber que, sem preconceito e com a ampla visão cultural que o distingue, (o Cardeal Ravasi) falou sem ideias preconcebidas da Maçonaria indo para além dos esclarecimentos e posições oficiais e escritos da Igreja, amplamente conhecidos, e reconhecido que entre as duas instituições existem também valores comuns que as unem, sem que isso anule as visões diversas e a demarcação das claras diferenças" (tradução minha).

A terminar, frisou que "a Maçonaria não é inimiga da Igreja, de nenhuma igreja, e tem sido sempre a casa do diálogo e da tolerância. Não se opõe a qualquer religião e deixa os irmãos livres de seguir a sua fé. Mas os tempos mudam e a Humanidade está ameaçada por grandes perigos, como o terrorismo fundamentalista, a decadência de valores, a globalização desenfreada. A grandeza das instituições seculares, espirituais e religiosas a que o homem adere, procurando vias pessoais de melhoria e elevação, está em saber lidar com estes desafios delicados, participando na e partilhando a resolução das necessidades e dos problemas que surgem. E igualmente em ter a coragem de ir além de "hostilidade, insultos, preconceitos recíprocos", como no caso da Igreja e Maçonaria" (tradução minha).

Pode ler-se o texto original da resposta em: 

Toda a longa viagem começa com um primeiro e, por vezes pequeno, passo. Espero que o passo dado pelo Cardeal Ravasi, e logo acompanhado pelo Grão-Mestre do Grande Oriente de Itália seja efetivamente o início da longa viagem que ponha termo às mencionadas "hostilidade, insultos, preconceitos recíprocos" e permita inaugurar uma era de cooperação entre as duas instituições, não especialmente em benefício de nenhuma delas, mas a bem da Humanidade.

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br (14/03/2016)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

SILABADA OU SOLETRADA

SILABADA OU SOLETRADA
(republicação)

Questão apresentada pelo Respeitável Irmão André A. Kraemer, Loja Templários do Apocalipse, 2.973, REAA, GOB-ES, Oriente de Vila Velha, Estado do Espírito Santo.
aakraemer@hotmail.com

Irmão Pedro Juk, durante uma instrução aos Aprendizes de minha Loja, surgiu uma dúvida que por incrível que possa parecer, nunca tinha observado mesmo lendo o Ritual com frequência. Estou tomando como base o Ritual impresso em 2009. Na pag. 165 diz "a pa⸫ sagr⸫ dá-se let⸫ por let⸫ e depois sil⸫ por sil⸫", em seguida diz “que quando pedida a pal⸫ deve-se dizer Não v⸫ p⸫ v⸫ d⸫ s⸫sol⸫ dai-me a p⸫ let⸫ etc". Aí no meu entender já existe uma contradição. Somente soletrada e também silabada? Não bastasse isso, na pag.49 instrui como o Venerável deve passar a pal⸫ para o 1º Diácono que mais uma vez conflita. Como ele deve passar? Há um erro de gráfica no Ritual? Como surgiram muitas "opiniões" diferentes em Loja, e não estando bem certo, peço sua ajuda já que sou sabedor do grande conhecimento que tens de nossa ritualística. Particularmente entendo que é unicamente soletrada e não silabada, mas gostaria de confirmar isso já que nossa Loja prima muito pela ritualística e cumprimento rigoroso do RGF.

CONSIDERAÇÕES:

Tenho derramado rios de tinta para extirpar essa anomalia dos nossos rituais, todavia até agora nada!

O que acontece é o seguinte: Essa prática equivocada vem de há muito tempo sendo praticada na Maçonaria brasileira sem que se apercebesse que existem dois sistemas doutrinários distintos na Sublime Instituição – a francesa e a inglesa. No sistema francês, donde o Rito Escocês é filho espiritual, a palavra no grau de Aprendiz é simplesmente dada soletrada (letra por letra), enquanto que no sistema inglês, em linhas gerais ela é dada de trás para frente, ou “partida ao meio”. Esse termo “partida ao meio” é que viria acabar gerando essa confusão no Rito Escocês no Brasil particularmente, pois ritualistas do passado por mera graça de se “achar bonito” inseriram esse costume que simplesmente contradiz a doutrina do Rito. No sistema francês onde o Aprendiz representa a infância, a Palavra “deveria” ser simplesmente soletrada, sem que houvesse a prática de ao final os protagonistas a pronunciassem por sílabas. Ora, a pronúncia silabada é no Rito Escocês, prática do Grau de Companheiro. A regra é muito simples: o Aprendiz (infância) soletra; o Companheiro (juventude) dá por sílabas e o Mestre (maturidade) transmite por inteiro de forma normal. Obviamente que a regra se aplica a cada palavra senha no procedimento de transmissão ou reconhecimento, já que cada grau simbólico possui a sua própria palavra e esta é transmitida sempre na forma do Grau – Primeiro Grau, soletrada; Segundo Grau, silabada e Terceiro Grau na forma normal. É sempre bom lembrar que aqui está se tratando do Rito Escocês Antigo e Aceito que, apesar do nome, é de origem francesa. Também é imprescindível que o estudante de maçonaria tenha por conta a importância de se conhecer os dois principais sistemas doutrinários maçônicos – o inglês e o francês. Embora o objetivo da Maçonaria seja único, os sistemas de aperfeiçoamento em não raras vezes se diferem, sobretudo a partir do Século XVIII com o surgimento dos ritos maçônicos com particularidades de usos e costumes regionais.

Voltando ao tema, há que se observarem alguns pormenores não menos importantes. Existe a transmissão da palavra por conta do que se averigua a qualidade maçônica que é o telhamento (neologismo maçônico) e faz parte do “cobridor do grau” (cobre-se com telhas e não com trolhas).

Nesse caso os protagonistas soletram a palavra cada qual por sua vez, dando a primeira letra sempre aquele que pergunta, obtendo como resposta a segunda e assim por diante. Isso bastaria. Todavia o ritual, enganosamente embasado provavelmente em outro costume evoca ao final que os protagonistas deem a palavra também por sílabas (o que está escrito nos obriga a cumprir, mas que está errado, isso está).

Retomando, existe no Rito em questão a prática da transmissão da palavra por ocasião da abertura e encerramento dos trabalhos da Loja. Essa prática litúrgica e ritualística não é “telhamento”, porém a simples transmissão, fato que faz diferença no ato entre os protagonistas (o Venerável, os Diáconos e os Vigilantes). Nesse caso quem transmite a palavra a pronuncia por inteiro conforme o Grau – soletrada no Grau de Aprendiz; silabada no de Companheiro e de forma normal no Grau de Mestre. Não existe nesse caso troca de letras ou sílabas entre os coadjuvantes. Os protagonistas são Mestres e entre eles na oportunidade o ato não é de reconhecimento, porém da simples transmissão.

Finalizando, devo alertar que se cumpra o que está escrito, legalmente aprovado em vigência. Essa é sem dúvida mais uma das inúmeras questões controvertidas existentes na Maçonaria, não por culpa da Instituição, todavia por conta de falsas interpretações que ganham guarida em rituais antigos e ultrapassados. Enquanto isso ocorre, fica difícil explicar racionalmente para o Aprendiz, por exemplo, que simbolicamente ele, por representar a infância, deve apenas soletrar sua palavra de reconhecimento, ao mesmo tempo em que o Ritual em algumas ocasiões contradiz essa tese.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com 
Fonte: JBNews n. 698, 25/07/2012

FRASES ILUSTRADAS

 

CONTRIBUTOS PARA UMA BREVE HISTÓRIA DO REAA

CONTRIBUTOS PARA UMA BREVE HISTÓRIA DO REAA
Publicada pelo Ir.’. Sergio Santos (Portugal)

Não existe prazer maior que ficar firme sobre o vantajoso terreno da verdade. (Francis Bacon)

1-Introdução

A título de esclarecimento prévio importa referir que esta prancha é traçada nas condições possíveis a quem não é investigador especializado no assunto e que reside longe dos grandes centros e, por isso, tem dificuldade de acesso às fontes bibliográficas tradicionais. Não pretende, por isso, ser criadora de informação histórica e filosófica nova por o meu engenho e a impossibilidade de acesso a fontes originais não o permitirem, nem ser esse o seu objectivo. Daí que, embora tal não seja do agrado de muitas pessoas ligadas à investigação histórica, esta prancha tenha sido elaborada recorrendo a fontes em suporte digital, sobretudo as disponíveis na Internet, em português ou outras línguas europeias, sujeitando-as ao crivo do meu sentido crítico, visando um maior enriquecimento pessoal com base na reflexão sobre a informação que ao longo dos últimos anos fui recolhendo.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

SESSÕES CONJUNTAS

SESSÕES CONJUNTAS
(republicação)

Questão que faz o Respeitável Irmão Joab José de Andrade, Mestre Instalado da Loja Fraternidade Acadêmico Alfenense. 3.373, REAA, GOB, dentre outras, Oriente de Alfenas, Estado de Minas Gerais
joabjosedeandrade@bol.com.br

Gostaria de dirimir minha dúvida a respeito do seguinte:

REGULAMENTO GERAL DA FEDERAÇÃO - Lei nº 0099, de 9 de dezembro de 2008, CAPÍTULO IV - DOS DEVERES E DIREITOS, Art. 97 - São direitos da loja: Cap. VII - realizar sessões, podendo ser em conjunto com outras Lojas. Dúvida: Essas outras Lojas entende-se por Lojas do GOB, ou de outra Potência (Grandes Lojas) também. O Capítulo em lide não define, apesar de entender que somente podemos realizar sessões em conjunto com Lojas da Federação. Certo da pronta atenção do Eminente Irmão, aguardo com um TFA.

CONSIDERAÇÕES:

Obviamente que quando tratamos do Regulamento Geral da Federação, este aborda as Lojas da constelação do Grande Oriente do Brasil e nunca de outras Obediências.

Assim, já que está previsto no Regulamento do GOB, as ações se aplicam única e exclusivamente para as Lojas da Federação.

Entendemos que cada Obediência brasileira tem os seus próprios regulamentos e somente a elas se aplicam as respectivas Leis.

À bem da verdade, no tocante ao GOB, esse procedimento (sessão conjunta) não deveria existir em caráter normal, entretanto, como está prevista a sessão conjunta, há que se cumprir o que está escrito. Em linhas gerais essas “sessões” acabam por trazer dúvidas. Por exemplo: na disposição da direção dos trabalhos, na elaboração da ata (balaústre), nas propostas e informações, no tronco de beneficência. Penso eu que o nosso Regulamento deveria ser mais claro, até prevendo a tal Sessão, todavia em casos extraordinários de comemorações. Agora em sessões ordinárias, magnas e outras previstas questionam-se os procedimentos.

Finalizando. Como está previsto no GOB, as sessões conjuntas são permitidas somente com Lojas do GOB.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JBNews n. 695, 22/07/2012

MINUTO MAÇÔNICO

BEIJO DA PAZ

1º - Sinal de amizade ou reconciliação (Ósculo). O "beijo da paz" é uma tradição que remonta aos primeiros cristãos.

2º - As epístolas de São Paulo terminavam sempre com a fórmula "Beijai -vos uns aos outros pelo santo ósculo".

3º - Este beijo, santificado pela fé, era dado aos novos batizados, como sinal de fraternidade, estendendo-se depois às assembléias de fiéis, noivados, etc.

4º - Nas iniciações, o beijo é dado pelo Venerável na fronte dos iniciados.

5º - O beijo fraternal dos Maçons é o sinal exterior do afeto que os une.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

SOU MAÇOM E TENHO ORGULHO EM SER MAÇOM

SOU MAÇOM E TENHO ORGULHO EM SER MAÇOM
António Jorge
Mestre Maçom – R∴ L∴ D. Fernando II, nº118 – Grande Loja Legal de Portugal / GLRP

É certo que ao longo dos 300 anos de História da Maçonaria, muito foram os momentos em que os Maçons foram perseguidos, intimidados e até mesmo mortos, pelo simples facto de o serem.

Quem conhece a história, vem-lhe imediatamente à memória as diversas bulas (desde 1738, foram publicadas 20 bulas e 4 encíclicas) que a Igreja Católica fez, perseguindo a Maçonaria e intimando os católicos a não aderirem à Ordem. Decorrente desta atitude, os Maçons foram sujeitos às torturas da Inquisição, tendo sofrido todo o tipo de maus tratos e até a morte.

A isto, acresce a atitude de regimes totalitários, que nunca viram com bons olhos o livre pensamento e o não poderem controlar a Maçonaria, sujeitando-a às formas de opressão que normalmente estão subjacentes a regimes deste tipo.

Ainda recentemente, numa conferência organizada pela Grande Loja Unida de Inglaterra, um historiador afirmou que se estima que o regime nazi tenha morto cerca de 200.000 Maçons, a maioria nos campos de concentração.

Em Portugal, os Maçons foram perseguidos religiosamente nos Séculos XVIII e XIX (e XX) e a Maçonaria foi proibida pelo Estado Novo em 1935 [1], tendo os seus bens sido entregues à Legião Portuguesa em 1937. Só viria a sair da clandestinidade após a revolução de 1974. Desde essa altura até aos dias de hoje, surgem periodicamente na Comunicação Social notícias não abonatórias sobre a Maçonaria, que, ou não correspondem à realidade, ou confundem os Maçons enquanto indivíduos, com a Maçonaria como Instituição.
Não confundamos a árvore com a floresta.

A generalização em Ciências Sociais, é algo quase impossível, porque se está a lidar com pessoas, e estas são todas diferentes. Se pensarmos um pouco, facilmente percebemos que, se os actos de um indivíduo colocassem em causa todas as organizações a que este pertence e esse anátema se estendesse a todos os seus membros, então não haveria ninguém que não fosse atingido, já que em todas as organizações, mais cedo ou mais tarde, aparece sempre uma “ovelha negra”.

A Maçonaria, ao longo dos tempos, também teve as suas “ovelhas negras”, mas também teve, e tem, milhares (milhões) de pessoas disponíveis para ajudar de forma desinteressada a que o mundo se torne um espaço melhor para todos vivermos. É estranho o sentimento de ter de lutar para poder ajudar os outros, mas esta parece ser a sina da Maçonaria, ao qual temos de pôr um término.

Recordemos o presidente honorário do Partido Socialista e antigo Presidente da Assembleia da República, António de Almeida Santos, que em 10 Janeiro de 2012 considerou “estúpida” a ideia de obrigar políticos a declarar ligações maçónicas e frisou que a perseguição aos Maçons representa o regresso ao Portugal mais “nojento” dos tempos do salazarismo. António de Almeida Santos falava aos jornalistas na Assembleia da República, antes da sessão de lançamento de dois livros da sua autoria: “Elogio da Política, da República e da Globalização” e “Nova Galeria de Quase Retratos”, tendo afirmado o antigo ministro de Estado, visivelmente indignado:

“Isso é salazarismo puro. A perseguição aos membros da Maçonaria é uma coisa que não tem senso no Portugal de hoje. Mas o que é que é isto? É o regresso ao Portugal mais nojento? Sinceramente!!!”

Toda esta desconfiança, os boatos, as difamações, criam insegurança em muitos membros da Ordem, levando a que optem por não revelar a sua condição de Maçons.

Em Inglaterra, nos Estados Unidos, no Brasil, e noutros países, ser Maçom, não só é normal, como é um motivo de orgulho para os que o são. Em Portugal, temos de caminhar rapidamente para esta mesma situação. Vivemos tempos em que os maçons já se podem assumir como tal, e devem assumir-se. Só assim conseguiremos desfazer a aura de desconfiança que acompanha a Maçonaria e fazer dela um parceiro social visto como um membro positivo da sociedade.

É tempo de “sairmos do armário” e assumirmos o que somos. É tempo de dizermos abertamente:

Notas



Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

REAA - INSTRUÇÃO E INSTRUTOR DOS COMPANHEIROS

Em 28.07.2021 o Respeitável Irmão Dirceu Aparecido Machado Borges, Loja Justiça e Caridade, 1293, REAA, GOB-GO, Oriente de Itumbiara, Estado de Goiás, formula a questão seguinte:

INSTRUÇÃO DO COMPANHEIRO

No Sistema de Orientação Ritualística para o REAA, Ritual de Companheiro Maçom, o Eminente Irmão sugere, ao final, uma Terceira Instrução (sobre o Painel do Grau em Loja de Companheiro).

Notei que o diálogo que compõe a referida orientação é somente entre o Venerável e o 1º Vigilante. Como o mesmo é um pouco extenso, tomei a liberdade de perguntar ao Irmão se não se poderia dividir as respostas também com o 2º Vigilante, até para não ficar um pouco cansativo.

No aguardo, agradeço antecipadamente.

CONSIDERAÇÕES:

A intenção de ter colocado apenas o 1º Vigilante, sem a participação do 2º Vigilante, foi para cumprir a regra das tradições, usos e costumes, onde originalmente é o 1º Vigilante quem instrui o(s) Companheiro(s) no caso do REAA.

Notadamente perceba que no Ritual de Aprendiz do REAA, GOB, já consta na sua página 18, da Disposição e Decoração do Templo a separação do ofício de instruir entre os dois Vigilantes, pelo menos simbolicamente.

A propósito, esse costume advém da Maçonaria de Ofício, quando quem ministrava os ensinamentos ao Fellow Craft (Companheiro de Oficio) era o 1º Warden, mais tarde o 1º Vigilante. Obviamente estamos falando de Maçonaria Operativa quando os operários eram de fato cortadores e assentadores da pedra calcária, destacando que na época existiam apenas duas classes de operários. Essas classes profissionais não eram graus especulativos, saliente-se.

Nesse período da nossa história, ainda não existia o grau especulativo de Mestre Maçom. O dirigente dos trabalhos era um Companheiro experimentado, cujo qual era então conhecido como Mestre da Obra.

Assim, no passado operativo, quando um pedreiro era admitido, o 2º Warden era quem primeiramente o recebia e o instruía no ofício, enquanto que o 1º Warden, era quem ensinava as regras mais avançadas da arte de construir aos Companheiros.

A bem da verdade esse costume era também um respeito à hierarquia já utilizada nos canteiros de obras.

Destaque-se que na época não existiam templos maçônicos elaboradamente decorado e nem ritos maçônicos especulativos com os seus planteis simbólicos. A Loja, ou o alojamento, era de fato uma oficina de trabalho onde os operários especializados elevavam a obra (catedrais, igrejas, abadias, mosteiros, etc.).

Mais tarde, por volta do século XVII, com o advento da Maçonaria dos aceitos, ou especulativa, e finalmente, no século XVIII a Moderna Maçonaria, as práticas passaram a ser simbólicas, contudo, muitas tradições e costumes ainda permaneceriam – e até hoje permanecem - mesmo que de modo alegórico e emblemático.

Assim, atualmente não importa onde os Aprendizes e Companheiros, conforme o Rito, ocupem lugar em Loja, pois quem oficialmente os instrui, com base nos velhos costumes, são os Vigilantes, ou seja, o 2º os Aprendizes e o 1º os Companheiros.

O REAA, preservando essas tradições, adota essa hierarquia. Enganam-se aqueles que pensam que é necessariamente o Vigilante da Coluna o instrutor. Tudo faz parte do canteiro especulativo e nele muitas práticas se derivam nos nossos antepassados oriundos das Guildas de Construtores da Idade Média – é preciso se respeitar essa regra.

Dando por concluído, a terceira instrução do Companheiro sugerida pelo Sistema de Orientação Ritualística no REAA procura manter a tradição de que é ofício do 1º Vigilante, do Norte, instruir os detentores do 2º Grau, no Sul.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

AS LETRAS M∴ B∴

AS LETRAS M∴ B∴ 
M∴M∴ José Roberto Mira
A∴R∴L∴S∴ RENASCER 130 (G∴O∴P∴)

M - a mais sagrada de todas as letras, segundo o dicionário esotérico, pois é ao mesmo tempo masculino e feminino, isto é uma letra andrógina. É uma letra mística em todos os idiomas, orientais e ocidentais. O nome sagrado de Deus em Hebraico, aplicado à letra M, é “MeBorach”, que quer dizer o Santo ou o Bendito.

B – É uma clara expressão da dualidade dos princípios superpostos, que evidenciam a lei da polaridade. Mostra claramente a relação entre o superior e o inferior, o céu e a terra e o espírito e matéria. O lado curvo, corresponde a involução ou revelação do espírito na matéria. O lado reto, é o ascendente que corresponde à evolução do Espirito na matéria. O lado reto mostra o domínio do homem, e o lado curvo o da matéria. A forma hebraica desta letra é Beth, e tem uma relação com o princípio da vida.

Em nossa pesquisa encontramos varias interpretações para o M∴B∴ umas até interessantes, que tentaremos reproduzir, e outras tão absurdas que não convém nem citá-las, por riscos de reproduzirmos o ridículo sem berço e sem fundamento.

MohaBon

Respeitando as várias opiniões, já que existem muitas controvérsias sobre a origem do M∴B∴, preferimos ficar com o que nos ensinou nossos mestres, que alias é endossado pela convenção de “Lösane”, Setembro de 1875, que afirma o seguinte: - “O avental do Mestre Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, será branco forrado de vermelho com as iniciais M∴B∴”.

“A carne se desprende dos ossos”!! em hebraico M∴H∴B∴, que foi adotada pela maioria dos ritos maçônicos. É lógico que a tradução difere de acordo com o idioma, mas a essência é e será sempre a mesma em todos os ritos e potências.

Mak Benak

O manuscrito “The Graham”, do ano de 1726, fala sobre a lenda de Noé e seus três filhos “Sem, Cam e Jafet, que encontramos nos antigos rituais. Noé teria recebido do GADU, a missão de construir a Grande Arca, que embora de madeira fora construída segundo a Geometria, e de acordo com as regras maçônicas. Diz a lenda que os três filhos foram até o túmulo do pai Noé, a fim de tentar descobrir o segredo que possuía o grande patriarca Bíblico”.

Um dos filhos teria dito:- “Ainda há tutano neste osso”! (Marrow in the Bone) – segundo alguns pesquisadores maçônicos, origem das iniciais M∴B∴, que mais tarde se tornaria “Mak Benak”. A lenda de Hiram ainda não era conhecida.

Moab Bem-ami

Jules Boucher, defende a teoria Moabita (“O que vem do Pai”), aliás interpretação aceita por muitos rituais antigos, que cita o incesto praticado pela duas filhas de Ló (Gênesis cap. 19 vs. 30 a 38). Ló vivia com suas duas filhas, num local onde não existia nenhum outro homem. Para que se cumprisse a tradição do patriarcado, e a geração do genitor, e não havendo outra solução, elas resolveram embebedar o pai com vinho, e copularam com ele, total mente embriagado. A primeira a cometer o incesto foi a primogênita, que engravidou e deu a luz a um filho, dando lhe o no me de “Moab” (que vem do pai), em seguida a Segunda filha a imitou e deu a luz a “Bem-Ami” (pai do filho).

Desse fato surgiu na Maçonaria a estranha interpretação “Aquele que vem do pai” ou “geração do pai’. Maçons que aceitavam essa hipótese tentaram relacionar a imoralidade do incesto com podridão, putrefação etc. Adversários da maçonaria, aproveitaram-se disto para desmoralizar e denegrir a sublime ordem, como por exemplo o escritor antimaçônico Paulo Rosen em sua obra “Satan e Cia”.

Maugh Bin

Num apêndice da sua obra “History of Free Masonary”, à página 487, R. F. Gould reproduz uma publicação do jornal sensacionalista “Flying Post” (Correio Volante), impresso em Abril de 1723, descrevendo o que seria uma iniciação Maçônica. Prossegue o articulista contando que ao candidato, entre outras coisas, era revelada a palavra “Maughbin“, a qual era transmitida de ouvido a ouvido ate chegar ao Mestre. Então o candidato era posto à ordem como o Mestre, e devia recitar:

Fui iniciado Maçom,
Vi “B” e “J ”.
Prestei o raríssimo juramento.
Conheço a pedra o diamante e o esquadro.
Conheço perfeitamente a parte do Mestre.
Como um probo “Maughbin” poderá dizer-vos

Mac Benah

Os Jacobitas e a lenda de Hiram – vasta literatura, levanta a hipótese de a lenda de Hiram ter surgido por inspiração política dos partidários dos Stuarts, os Jacobitas.


Em 30.01.1649, o Rei Carlos I dos Stuarts foi decapitado por decisão do parlamento Inglês. Após a morte do Rei os maçons Jacobitas, por segurança acobertavam seu partidarismo por segredo. Assim o filho do decapitado passou a representar o Verbo, a Palavra Perdida, e os maçons eram os filhos da viúva, alusão a rainha Henriette de França, viúva do finado Rei.

Mackey, na sua enciclopédia definiu a palavra MacBenah como derivada do dialeto gaélico, significando “Filho Abençoado”, alusão ao príncipe filho de Carlos I. A nosso ver os maçons Jacobitas apenas se aproveitaram da doutrina maçônica da época, em proveito de suas tendências de hegemonia dos Stuarts, mas é bom lembrar, que a lenda do Mestre Hiram só viria a existir quase um século após.

Maçonaria Brasileira

Só a titulo de curiosidade, vamos citar o Irmão Manuel Gomes no seu “Manual do Mestre Maçom”, pag. 321 a 334 “O manifesto Maçônico do primeiro Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil, José Bonifácio de Andrada e Silva, que entre outras observações, critica a disseminação de lojas estrangeiras, com rituais executados nos vários idiomas, menos no da nossa pátria, e conclama os maçons patriotas a usarem obrigatoriamente nos aventais de mestre as iniciais M∴B∴, alusivo a “Maçonaria Brasileira”.

A bem da verdade em nossa pesquisa, encontramos uma infinidade de explicações e definições a respeito do M∴B∴. Como se vê, não obstante as inúmeras definições e variações, a mensagem que fica é a mesma, pondo em sua mente um novo modo de pensar, elevando–se acima do material, temporal e finito, num nível superior de compreensão e consciência que o tornará um autentico e digno maçom.

Para finalizar, uma máxima mística para refletirem:

“NASCEMOS PARA MORRER,
E MORREMOS PARA NASCER”!!

Meus Irmãos; que o G∴A∴D∴U∴ cuja sabedoria divina dirige suave e poderosamente todas as coisas, nos abençoe e nos ilumine para que possamos passar um pouco do nosso modesto conhecimento a todo irmão que queira fazer progresso na nossa “Sublime Ordem”.

Livros e Autores Consultados

  • Curso de Maçonaria Simbólica – Theobaldo Varoli Filho
  • O Mestre Maçom – Francisco Assis Carvalho (Chico Trolha)
  • A Simbólica Maçônica – Jules Boucher
  • Manual do Mestre Maçom – Manoel Gomes
  • Maçonaria e o Livro Sagrado – Zilmar de Paula Barros
  • Maçonaria Mística – Rizzardo da Camino
  • Ritualística Maçônica – Rizzardo da Camino
  • Bíblia Sagrada.
Fonte: https://bancadosbodes.com.br/revista-mb-01-maio-2021/