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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 7 de setembro de 2021

A MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

A MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL 
Fuad Haddad

“A História da nossa independência está intimamente ligada com a Fundação do Grande Oriente do Brasil, Obediência Mater da Maçonaria Brasileira.”

Apesar do farto material documental existente, pouco se publica sobre o papel importante, decisivo e histórico que a Maçonaria, como Instituição, teve nos fatos que precipitaram a Proclamação da Independência.

Deixar de divulgá-los, é ocultar a verdade e conseqüentemente ocorrer no erro da omissão, que nem a História e nem o tempo perdoam, principalmente para com aqueles nossos irmãos, brava gente brasileira, que acreditavam, ou ainda mais, tinha como ideário de vida a Independência da Pátria tão amada.

O objetivo principal, sem dúvida nenhuma, da criação do Grande Oriente foi engajar a Maçonaria na luta pela independência política do Brasil.

Desde sua descoberta em 1500, o Brasil foi uma colônia Portuguesa, sendo explorada desde então pela sua metrópole , não tinha, portanto, liberdade econômica, liberdade administrativa, e muito menos liberdade política.


Como a exploração metropolitana era excessiva e os colonos não tinham o direito de protestar, cresceu e descontentamento dos brasileiros. Iniciam-se então as rebeliões conhecidas pelo nome de Movimentos Nativistas, quando ainda não se cogitava na separação entre Portugal e Brasil. Estampava-se em nosso País o ideal da liberdade. A primeira delas foi a Revolta de Beckman em 1684, no Maranhão.

No início do século XVIII, com o desenvolvimento econômico e intelectual da colônia, alguns grupos pensaram na independência política do Brasil, de forma que os brasileiros pudessem decidir sobre seu próprio destino. Ocorreram, então, a Inconfidência Mineira (1789) que marcou a história pela têmpera de seus seguidores; depois a Conjuração Baiana (1798) e a Revolução Pernambucana (1817), todas elas duramente reprimidas pelas autoridades portuguesas. Em todos estes movimentos a Maçonaria se fez presente através das Lojas Maçônicas e Sociedades Secretas já existentes, de caráter maçônico tais como: Cavaleiros das Luz na Bahia e Areópago de Itambé na divisa da Paraíba e Pernambuco, bem como pelas ações individuais ou de grupos de maçons.

Nos dias atuais, os grandes vultos e os fatos marcantes da nossa história estão, na maioria das pessoas, adormecidos. O sentimento cívico esta distante e muitas vezes apagado em nossas mentes. Fatos e acontecimentos importantes marcaram o início da emancipação política da nossa nação. Retomemos os tempos idos e a alguns referenciais da nossa rica história.

- Início do século XIX – ano de 1808 – D. João e toda família real, refugia-se no Brasil em decorrência da invasão e dominação de Portugal por tropas francesas, encetadas pelo jugo napoleônico.

Este fato trouxe um notável progresso para a colônia, pois esta passou a ter uma organização administrativa idêntica à de um Estado independente. D. João assina o decreto da Abertura dos Portos, que extinguia  o monopólio português sobre o comércio brasileiro. O Brasil começa a adquirir condições para ter uma vida política independente de Portugal, porém sob o aspecto econômico, passa a ser cada vez mais controlado pelo capitalismo inglês.

- Ano de 1810 – Ocorre a expulsão dos franceses pôr tropas inglesas, que passam a governar Portugal com o consentimento de D. João.

- Ano de 1815 – D. João, adotando medidas progressistas, Põe fim na situação colonial do Brasil, criando o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, irritando sobremaneira os portugueses.

- Ano de 1820 – Cansados da dominação e da decadência econômica do país, os portugueses iniciam uma revolução na cidade do Porto culminando com a expulsão dos ingleses. Estabelecem um governo temporário, adotam um constituição provisória e impõem sérias exigências a D. João (agora já com o título de rei e o nome de D. João VI), ou seja:
- Aceitação da constituinte elaborada pelas cortes,
- nomeação para o ministério e cargos públicos,
- sua volta imediata para Portugal.

Com receio de perder o trono e sem outra alternativa, face as exigências da Corte (Parlamento português), D.João VI regressa a Lisboa (Portugal) em 26 de abril de 1821, deixando como Príncipe Herdeiro, nomeado Regente do Brasil pelo Decreto de 22 de abril de 1821, o primogênito com então 21 anos de idade – PEDRO DE ALCANTARA FRANCISCO ANTÔNIO JOÃO CARLOS XAVIER DE PAULA MIGUEL RAFAEL JOAQUIM JOSÉ GONZAGA PASCOAL CIPRIANO SERAFIM DE BRAGANÇA E BURBON. O Príncipe Dom Pedro, jovem e voluntarioso, aqui permanece, não sozinho pois logo viu-se envolvido por todos os lados de homens de bem, Maçons, que constituíam a elite pensante e econômica da época.

Apesar de ver ser aceitas suas reivindicações, os revolucionários portugueses não estavam satisfeitos. As cortes de Portugal estavam preocupadas comas perdas das riquezas naturais do Brasil e previam sua emancipação, como ocorria em outros países sul-americanos. Dois decretos em 1821 de números 124 e 125 emanados das Cortes Gerais portuguesas, são editados na tentativa de submeter e inibir  os movimentos no Brasil. Um reduzia o Brasil da posição de Reino Unido à antiga condição de colônia, com a dissolução da união brasílico-lusa, o que seria um retrocesso, o outro, considerando a permanência de D. Pedro desnecessária em nossa terra, decretava a sua volta imediata.

Os brasileiros reagiram contra os decretos através de um forte discurso do Maçom Cipriano José Barata, denunciando a trama contra o Brasil. O Maçom, José Joaquim da Rocha, funda em sua própria casa o Clube da Resistência, depois transformado no Clube da Independência. Verdadeiras reuniões maçônicas ocorrem na casa de Rocha ou na cela de Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio, Frei Sampaio, no convento de Santo Antônio, evitando a vigilância da polícia. Várias providências foram tomadas, dentre elas: consultar D. Pedro; convidar o Irmão, Maçom, José Clemente Pereira, Presidente do Senado a aderir ao movimento e enviar emissários aos maçons de São Paulo e Minas Gerais. Surge o jornal, “Revérbero Constitucional Fluminense”, redigido por Gonçalves Ledo e pelo Cônego Januário, que circulou de 11 de setembro de 1821 a 08 de Outubro de 1822, e que teve a mais extraordinária influência no movimento libertador, pois contribuiu para a formação de uma consciência brasileira, despertando a alma da nacionalidade.

Posteriormente a 29 de julho de 1822 passa a ser editado o jornal – “Regulador Brasílico-Luso”, depois denominado, “Regulador Brasileiro”, redigido pelo Frei Sampaio, que marcou também sua presença e atuação no movimento emancipador brasileiro.

Na representação dos paulistas, de 24 de dezembro de 1821, redigida pelo Maçom José Bonifácio de Andrada e Silva, pode-se ler o seguinte registro:
“É impossível que os habitantes do Brasil, que forem honrados e se prezarem de ser homens,  possam consentir em tais absurdos e despotismo... V.Alteza Real deve ficar no Brasil, quaisquer que sejam os projetos das Cortes Constituintes, não só para  o nosso bem geral, mas até para a independência e prosperidade futura do mesmo. Se V. Alteza Real estiver (o que não é crível) deslumbrado pelo indecoroso decreto de 29 de setembro, além de perder para o mundo a dignidade de homem e de príncipe, tornando-se escravo de um pequeno grupo de desorganizadores, terá que responder, perante o céu, pelo rio de sangue que, decerto, vai correr pelo Brasil com a sua ausência...”.
- 09 de janeiro de 1822 – Na sala do trono e interpretando o pensamento geral, cristalizando nos manifestos dos fluminenses e dos paulistas e no trabalho de aliciamento dos mineiros, o Maçom José Clemente Pereira, presidente do Senado da Câmara, antes de ler a representação, pronunciou inflamado e contundente discurso pedindo para que o Príncipe Regente Permanecesse no Brasil. Após ouvir atentamente, o Príncipe responde: “estou pronto, diga ao povo que fico”.

A alusão às hostes maçônicas era explícita e D. Pedro conheceu-lhe a força e a influência, entendendo o recado e permanecendo no Brasil. Este episódio, conhecido como o Dia do Fico, marcou a primeira adesão pública de D. Pedro a uma causa brasileira.

- Em 13 de maio de 1822 – os Maçons fluminenses, sob a liderança de Joaquim Gonçalves Ledo, e por proposta do brigadeiro Domingos Alves Munis Barreto, resolviam outorgar ao Príncipe Regente o título de Defensor Perpétuo do Brasil, oferecido pela Maçonaria e pelo Senado.

- Ainda em maio de 1822 – aconselhado pelo então seu primeiro ministro das pastas do Reino e de Estrangeiros, o Maçom, José Bonifácio de Andrada e Silva, D. Pedro assina o Decreto do Cumpra-se, segundo o que só vigorariam no Brasil as Leis das Cortes portuguesas que recebessem o cumpra-se do príncipe regente.

- Em 02 de junho de 1822 – em audiência com D. Pedro, o Irmão José Clemente Pereira leu o discurso redigido pelos Maçons Joaquim Gonçalves Ledo e Januário Barbosa, que explanavam da necessidade de uma Constituinte. D. Pedro comunica a D. João VI que o Brasil deveria ter suas Cortes. Desta forma, convoca a Assembléia Constituinte para elaborar uma Constituição mais adequada ao Brasil. Era outro passo importante em direção à independência.

- Em 17 de junho de 1822 – a Loja Maçônica, “Comércio e Artes na Idade do Ouro” em sessão memorável, resolve criar mais duas Lojas pelo desdobramento de seu quadro de Obreiros, através de sorteio, surgindo assim as Lojas “Esperança de Niterói” e “União e Tranqüilidade”, se constituindo nas três Lojas Metropolitanas e possibilitando a criação do “Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano”, que depois viria a ser denominado de “Grande Oriente do Brasil”.

José Bonifácio de Andrada e Silva (O Patriarca da Independência) é eleito primeiro Grão-Mestre, tendo Joaquim Gonçalves Ledo como 1º Vigilante e o Padre Januário da Cunha Barbosa como Grande Orador. O Objetivo principal da criação do GOB foi de engajar a Maçonaria como Instituição, na luta pela independência política do Brasil, conforme consta de forma explícita das primeiras atas das primeiras reuniões, onde só se admitia para iniciação e filiação em suas Lojas, pessoas que se comprometessem com o ideal da independência do Brasil.

- No dia 02 de agosto – por proposta de José Bonifácio, é iniciado o Príncipe Regente, D. Pedro, adotando o nome histórico de Guatimozim ultimo imperador Asteca  morto em 1522), e passa a fazer parte do Quadro de Obreiros da Loja Comércio e Artes. 

- No dia 05 de agosto – por proposta de Joaquim Gonçalves Ledo, que ocupava a presidência dos trabalhos, foi aprovada a exaltação ao grau de Mestre Maçom que possibilitou, posteriormente, em 04 de outubro de 1822, numa jogada política de Ledo, o Imperador ser eleito e empossado no cargo de Grão-Mestre, do GOB. 

Porém, foi no mês de agosto de 1822 que o Príncipe, agora Maçom, tomou a medida mais dura em relação a Portugal, declarou inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil sem o seu consentimento.

Em 14 de agosto parte em viagem, com o propósito de apaziguar os descontentes em São Paulo, acompanhado de seu confidente Padre Belchior Pinheiro de Oliveira e de uma pequena comitiva. Faz a viagem pausadamente, percorrendo em 10 dias, 96 léguas entre Rio e São Paulo. Em Lorena, a 19 de agosto, expede o decreto dissolvendo o governo provisório de São Paulo. No dia 25 de agosto chega a São Paulo sob salva de artilharia, repiques de sino, girândolas e foguetes, se hospedando no Colégio dos Jesuítas. De São Paulo se dirige para Santos em 5 de setembro de 1822, de onde regressou na madrugada de 7 de setembro. Encontrava-se na colina do Ipiranga, às margens de um riacho, quando foi surpreendido pelo Major Antônio Gomes Cordeiro e pelo ajudante Paulo Bregaro, correios da corte, que lhes traziam noticias enviadas com urgência pelo seu primeiro ministro José Bonifácio.

D. Pedro, após tomar conhecimento dos conteúdos das cartas e das noticias trazidas pelos emissários, pronunciou as seguintes palavras: “As Côrtes me perseguem, chamam-me com desprezo de rapazinho e de brasileiro. Verão agora quanto vale o rapazinho. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações; nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal”.

A independência do Brasil foi realizada à sombra da acácia, cuja as raízes prepararam o terreno para isto. A Maçonaria teve a maior parte das responsabilidades nos acontecimentos literários. Não há como negar o papel preponderante desta instituição maçônica na emancipação política do Brasil.

Desde 1815 com a fundação da Loja Maçônica Comércio e Arte, que daria origem as Lojas União e Tranqüilidade e Esperança de Niterói e a posterior constituição do Grande Oriente do Brasil em 17 de Junho de 1822, o ideário de independência se fazia presente entre seus membros e contagiava os brasileiros.

À frente do movimento, enérgica e vivaz, achavam-se a Maçonaria e os Maçons. Entre seus principais Obreiros, pedreiros livres, de primeira hora podemos destacar: Joaquim Gonçalves Ledo, José Bonifácio da Andrada e Silva, José Clemente Pereira, Cônego Januário da Cunha Barbosa, José Joaquim da Rocha, Padre Belchior Pinheiro de Oliveira, Felisberto Caldeira Brant, o Bispo Silva Coutinho, Jacinto Furtado de Mendonça, Martim Francisco, Monsenhor Muniz Tavares, Evaristo da Veiga dentre muitos outros.

Faz-se necessário também alçar a figura do personagem que se destacou durante todo o movimento articulado e trabalhado pela Maçonaria, o Príncipe Regente, Dom Pedro.

Iniciado Maçom na forma regular prescrita na liturgia e nos rituais maçônicos, e nesta condição de pedreiro livre no grau de Mestre Maçom, aos 24 anos de idade, proclama no 07 de setembro a nossa INDEPENDÊNCIA.

Posteriormente, no dia 04 de Outubro de 1822, D. Pedro comparece ao Grande Oriente do Brasil e toma posse no cargo de Grão-Mestre, senda na oportunidade aclamado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.

No mesmo dia, Joaquim Gonçalves Ledo, redigiu uma nota patriótica ao povo Brasileiro, a primeira divulgação, depois da independência, que dizia: “Cidadãos! A Liberdade identificou-se com o terreno; a natureza nos grita Independência; a razão nos insinua; a justiça o determina; a glória o pede; resistir-lhe é crime, hesitar é dos covardes, somos homens, somos Brasileiros. Independência ou Morte! Eis o grito de honra, eis o brado nacional...”

BIBLIOGRAFIA 
História do Grande Oriente do Brasil
José Castellani
A Maçonaria e as Forças Secretas da Revolução
Morivalde Calvet Fagundes
A Maçonaria na independência do Brasil
Teixeira Pinto
Os Maçons na Independência do Brasil
José Castellani
A Maçonaria e a independência Brasileira
Tito L. Ferreira e Manoel Rodrigues Ferreira
A Independência e o Império do Brasil
Melo Morais 
*Fuad Haddad é adjunto para o Rito Escocês Antigo e Aceito da Grande Secretaria Geral de Orientação Ritualística. 

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

O APRENDIZ GRÃO-MESTRE

O APRENDIZ GRÃO-MESTRE
(republicação)

O Respeitável Irmão Thiers A. P. Ribeiro, Loja “Deus” e Liberdade, 62, COMAB, Oriente de Montes Claros, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:
t.penalva@uol.com.br

Volto a pedir sua ajuda. Há uns 30 anos o Grão-Mestre (fica omitida a Obediência pelo autor da resposta), nomeou por escrito um Aprendiz para representá-lo em Sessão de Iniciação em nossa Loja. O mesmo foi convidado a fazer parte do Altar junto ao nosso Venerável. Pergunto: O Irmão Aprendiz estava em nossa Loja como se fosse o Grão-Mestre? Poderia ele tomar assento no altar?

CONSIDERAÇÕES:

Nem uma coisa, nem outra! Aliás, nem Aprendiz e nem Companheiro! Salvo se alguém estiver brincando comigo e sem querer duvidar do estimado Irmão consulente, às vezes gostaria de crer que estou literalmente fora da realidade.

No entanto, como isso aconteceu há trinta anos e imaginando que tal não mais aconteça e que também o “atrapalhado” não esteja mais exercendo cargo, vamos ao palavrório:

Esse Grão-Mestre no mínimo confundiu as coisas. Se o seu substituto imediato que é o Grão-Mestre Adjunto estivesse naquela oportunidade impossibilitado de representá-lo, então ele poderia pelo menos ter nomeado um Mestre Maçom para cumprir a missão.

Nesse caso o Mestre estaria apenas e tão somente presente na Sessão como representante e nunca como Grão-Mestre. Assim ele nem poderia receber o primeiro malhete da Oficina, bem como as honras devidas de praxe. Afinal, o representante é - como diz o termo - apenas o representante e não o Grão-Mestre.

Agora, o absurdo de o Aprendiz representa-lo, obviamente que não (e nem mesmo um Companheiro), pois via de regra, ele nem mesmo tem acesso ao Oriente em Loja aberta, quiçá então tomar assento no lugar do Grão-Mestre. Isso é pura besteira e ainda por cima, da bem qualificada.

Acredito que o nosso tal Grão-Mestre da época nem mesmo deveria ocupar um cargo dessa envergadura se estivesse praticando esse tipo de bobagem. O Grão-Mestre trapalhão deve ter confundido as coisas, já que ele possui prerrogativa sim, porém balizadas pelas Leis vigentes, como por exemplo, e dentre outras, a de mandar que seja realizada uma Iniciação, uma Elevação e uma Exaltação em tempo precário (a exemplo do que José Bonifácio fez em relação a D. Pedro I por ocasião da Independência do Brasil), assim como presidir todas as Lojas da sua jurisdição e mandar funcionar e encerrar Lojas na competência e abrangência do seu mandato.

Essa regra hoje em dia deve ser muito bem observada, devendo para tal estar de conformidade com a Constituição atual da Obediência. Agora fazer de um Aprendiz seu representante, só mesmo se o Diploma Legal da Obediência previr essa gigantesca anomalia.

De resto essa trapalhada não merece mais nenhum comentário, salvo àquele que se refere aos limites dos direitos e obrigações do mandatário maior de uma Obediência.

Acontecimentos dessa estirpe somente servem para revelar o seguinte: ou o mandatário é portador do analfabetismo maçônico, ou é mesmo excesso de poder – as asas são dadas àqueles que sabem voar, no entanto nem todos aqueles que são portadores de asas sabem voar corretamente.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 558, Florianópolis (SC) 08 de Março de 2012.

A GRANDE MARCA

A GRANDE MARCA

Conheça a grande marca encravada nos altos do ex-Palácio Cruz e Souza, na Praça XV de Novembro, que durante dezenas de anos abrigou a sede do governo do Estado de Santa Catarina. O texto é do Ir∴ Klaus Martins, datado de 2005.  Agora, observem a descoberta que foi feita de uma das janelas situadas no 5º andar do prédio das Secretarias, bem ao lado do ex-palácio, por aguçados olhos:

Meus queridos,

Uma pequena aula de história, leiam com atenção, por favor.

No século XVIII o governador Silva Paes iniciou, em data ainda ignorada, a construção de uma nova "Casa de Governo". O prédio aparece numa gravura de 1785, com três secções e dois pavimentos. Durante quase um século o Palácio foi palco de importantes acontecimentos políticos e militares.

A ação do tempo, a má conservação e as reformas sem critério foram deteriorando o prédio durante o séc. XX. Em 1977 deu-se início a um grande trabalho de restauração do edifício, que passou a denominar-se, em 1979, Palácio Cruz e Sousa, em homenagem ao grande poeta catarinense. Em 1984 o prédio é tombado como patrimônio histórico do Estado e iniciam-se novas obras de restauração que lhe devolvem as características originais da reforma feita por Hercílio Luz em 1898.

E, 1986 o Palácio foi reaberto, passando a sediar o Museu Histórico de Santa Catarina.

O Palácio é importante exemplar da arquitetura eclética do final do século XIX, caracterizando-se por uma conciliação de estilos anteriores, principalmente o barroco e o neoclássico.

Sobre as platibandas do telhado existem figuras simbólicas modeladas em cimento: Mercúrio, Santa Catarina e outras.

Internamente destacam-se o trabalho de marchetaria com influência portuguesa nos assoalhos, as pinturas das paredes, os detalhes em gesso nos tetos que tem um significado relacionado à antiga utilização das salas e o vitral em estilo art-nouveau da Sala de Jantar.

O mobiliário, os utensílios e as obras de arte, em exposição ou na Reserva Técnica, formam o acervo deste Museu. Horário de Visitação:

Terça a Sexta-feira, das 10:00 h às 19:00 h
Sábados, das 13:00 h às 19:00 h
Domingos e Feriados, das 15:30 h às 19:00 h

Só não mencionaram a assinatura da obra, não é?

Reparando de minha janela, não que tenha uma visão tão boa assim, mas um detalhe me chamou a atenção: uma pequena gravura entalhada num dos vértices do telhado, quase escondida, impossível aos olhos profanos na data de sua construção, mas hoje, com o Edifício das Secretarias ao lado é possível se ter uma visão do alto, mais precisamente do 5º andar.

Vejam se reconhecem.

Assinatura dos pedreiros livres?

Abraços

Klaus

29/09/2005

Fonte: JBNews - Informativo nº 141 - 15/01/2011

domingo, 5 de setembro de 2021

TROTES DA INICIAÇÃO

TROTES DA INICIAÇÃO
(republicação)

O Respeitável Irmão Juliano Francisco Martinho, Secretário da Loja Igualdade, 1.647, GOB, Oriente de Monte Alto, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte e lamentável questão:
juliano.martinho@ig.com.br

Recentemente participei de uma sessão de iniciação que me deixou extremamente chocado com a quantidade de ações, a meu ver, imprudentes e despropositadas, realizadas pelos Irmãos daquela Oficina durante o tempo de reflexão do Neófito, nosso novo Irmão. De inicio, fiquei sabendo que o Candidato foi recolhido por Irmãos à porta do cemitério as 12:00 horas (a cerimônia teve inicio as 20:00 horas). Foi vendado e introduzido em um veiculo e ficaram durante uma hora circulando com o Candidato deitado no banco de trás.

Uma vez no interior da Loja, o Candidato foi colocado em uma sala fechada, muito quente, onde intermitentemente entravam Irmãos gritando, batendo portas e latas vazias de tinta. Foi dada ao Candidato uma corda, a qual ele não deveria soltar a não ser se lhe dissessem uma senha. Esta corda era puxada vez ou outra, chegando a arrastar o Candidato pela sala.

Depois, apresentaram ao Candidato uma cadeira onde havia uma tabula com pregos, e o forçavam a sentar-se (logicamente os pregos eram retirados). Fizeram-no ainda, andar em uma gangorra.

Eu já tinha ouvido falar destas praticas, mas presenciar algumas foi algo extremamente constrangedor. Fiquei imaginando a que tipo de reflexão elas levaram o pobre Candidato. Seguramente, não a pretendida. Durante a sessão propriamente dita, algo mais estranho ainda ocorreu. Em determinado momento, os trabalhos foram suspensos, e todos se retiraram para o Átrio, lá, colocaram um caixão aonde um Irmão deitou-se, e outro ficou ao lado em profunda lamentação.

O candidato foi levado até o caixão onde a venda foi retirada e a cena lhe foi apresentada. Então, outro Irmão apareceu e proferiu uma oração. Ao termino, todos voltaram ao Templo e os trabalhos foram retomados.

Meu Irmão. Sei perfeitamente que todas as ações realizadas antes do “caixão”, são incorretas e repreensíveis, mas, gostaria de saber se a ação do caixão já existiu no R∴E∴A∴A∴, é enxerto de outro Rito ou invenção dos Irmãos daquela Oficina?

Quero deixar registrado que sou contrario a realização destas, ou de qualquer outra ação que não conste nos Rituais. Certo de vossos esclarecimentos, antecipadamente agradeço a atenção.

CONSIDERAÇÕES:

É extremamente lamentável quando nos deparamos com acontecimentos desse tipo dentro da Sublime Instituição, e o que é pior: recepcionando um Candidato. Fico aqui imaginando que conceito deve ter feito o Iniciando durante essa verdadeira “baderna organizada”. Tomara "Deus“ que ele (o iniciado) esteja ainda presente na Ordem e, tomara mais ”Deus” ainda que ele já não tenha se tornado também mais um ator dessa comédia burlesca.

Sinceramente, eu gostaria de saber quem é o Orador dessa Loja. Que representante é esse do Ministério Público Maçônico que permite atos e cerimônias que não estão previstas no Ritual? No mínimo essa barbaridade deveria ser denunciada ao poder competente da justiça maçônica.

Salvo juízo em contrário, no GOB esses procedimentos são repudiados e não estão previstos no ritual. Acredito também que nas nossas Obediências coirmãs isso não esteja previsto, porém se estiver, prefiro me calar, todavia imensamente decepcionado.

Penso que Lojas que assim procedem estão muito longe, mais muito longe mesmo de compreender o que é Maçonaria. Pensam uns desse naipe que Maçonaria é necrópole fazendo incursões em cemitérios. Outros ainda fazem da Ordem Maçônica uma escola de trotes, momento em que aproveitam para expor os seus sentimentos de sadismo. Outros ainda mais querem julgar a coragem do proposto através da famigerada, esdrúxula e ultrapassada prova da “cadeira de pregos”, procedimento esse criado por um delator e caluniador da Maçonaria (Léo Taxil). Pasme então: os arcanos do conhecimento dessa Oficina introduzem uma prova criada por um inimigo e delator da Sublime Instituição para completar a algazarra. É mesmo deplorável.

Um Canteiro de Obra desse quilate provavelmente nada constrói e quando assim se propõe, fatalmente edificará sobre um alicerce comprometido. Infelizmente ainda existe uma gama de Irmãos que querem justificar o injustificável alegando tal “tradição” da Loja.

Ora, tradição é a da Maçonaria e não da Loja. Na verdadeira e tradicional Maçonaria (escola de moral, ética, direito e razão), esteja certo, absurdos dessa natureza nunca ganharam guarida.

Quanto ao ataúde e o lamento durante a cerimônia – pelo seu relato esse é mais um enxerto praticado contra o Rito Escocês Antigo e Aceito, e o que é pior, além de copiar uma prática inexistente no Rito em questão, ainda a copiam de maneira completamente errada!

O “teatro do perjuro” existe corretamente em outro Rito, e nele o procedimento é verdadeiro e tradicional. Nele o primeiro ato se inicia na Câmara de Reflexão e o seu epílogo (segundo ato) num determinado momento durante a cerimônia de Iniciação (apresentação teatral ao Candidato do final trágico daquele que comete falta à fé jurada).

Essa é sem dúvida uma belíssima alegoria que é executada com requintes de teatralização para a boa compreensão do iniciando, todavia não é prática doutrinária, pelo menos como alegoria e cena, do Rito Escocês Antigo e Aceito e nem mesmo da forma praticada conforme exposição dos fatos que deram origem a essa consulta.

Infelizmente, houve no passado, muitos rituais escoceses que sofreram enxertos de práticas de outros ritos, o que fez, e ainda faz para alguns, o sentido de que a prática esta correta. Daí o aparecimento desse teatro ainda se fazer presente em alguns rituais brasileiros.

Ilustrando, existem ocorrências que se tornaram norma consuetudinária, como é o caso, por exemplo, da prova da “taça sagrada”, prática essa original de outro Rito, entretanto arraigou-se de tal forma na grande maioria dos rituais escoceses praticados no Brasil que hoje é praticamente impossível se retirarem o costume dessa estrutura ritualística.

Considerações à parte, o fato é que nesse caso, o do perjuro, a intenção além de ser alienígena no Rito Escocês, é nele equivocadamente interpretada como uma forma de apenas se assustar o Candidato. Ora, esquecem esses protagonistas o principal, ou seja: a mensagem moral exarada pela apresentação desse teatro iniciático.

O que me faz tirar essa conclusão é o fato de que uma Loja que pratica todo um corolário de barbaridades como o citado durante o questionamento no começo desse escrito, certamente não deverá estar nem um pouco preocupada com o verdadeiro objetivo da prática, a despeito de que nem mesmo deva ela entender qual a razão de uma passagem litúrgico-ritualística - seja ela qual for.

É até interessante uma reflexão sobre o caso. Primeiro aparece um cemitério, corda para arrastar o Candidato, batucada em lata de tinta vazia, cadeira de prego, gangorra, etc. Mais tarde para coroar a cena encerram com um protagonista fazendo papel de morto, outro lamentando e outro fazendo oração.

A cena assim produzida é no mínimo contraditória, para não se dizer tragicômica. Imagine-se o que deve ter pensado o assistente principal no dia da sua Iniciação. Acho eu que devem ter levado bastante a sério o jargão do “pobre candidato”, porém pobre não, todavia um “coitado de um candidato”.

Assim, se a Loja que praticou esse mistifório for pertencente ao GOB, ela simplesmente se contrapôs acintosamente ao que está legalmente escrito no ritual em vigência, sendo, portanto passível de punição.

Caso ela pertença à outra Obediência, no tocante ao “perjuro”, carece-se de uma melhor análise e verificação do que está previsto no ritual atual. Ritual aprovado e em vigor, mesmo sendo contraditório com a pureza de um Rito, deve ser legalmente observado e cumprido.

Já em relação aos outros acontecimentos narrados, se eles estiverem previstos legalmente, eu prefiro mesmo é me calar, porém não sem antes apresentar o meu veemente protesto contrário aos absurdos descrevidos.

Igualmente, fica ratificada que o teatro do perjuro não é prática tradicional do puro Rito Escocês Antigo e Aceito, porém é tradição sim em outro Rito. Assim quero deixar bem claro que não vai aqui qualquer crítica ou desrespeito ao Rito e ao seu ritual que verdadeiramente faz uso desse teatro simbólico como detentor da sua tradição, uso e costume.

Os apontamentos aqui descritos são apenas para aqueles que praticam o Rito Escocês Antigo e Aceito, contudo extensivos a outros ritos que porventura possam vir de encontro com a sua estrutura ritualística, litúrgica e doutrinária;

Concluindo. Só tenho a lamentar que práticas ligadas às raias do absurdo ainda façam parte furtivamente da nossa Sublime Instituição. É verdade que acontecimentos dessa magnitude têm apenas o compromisso de suprir o “ego vivendi” e nunca o “cosmos vivido” daquele que jurou cumprir e fazer cumprir as Leis que dão esteio e amparo para o verdadeiro construtor social. Tenho dito!

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 556, Florianópolis (SC) 06 de Março de 2012.

A MAÇONARIA ENTRE A HISTÓRIA E AS LENDAS DE FUNDAÇÃO

A MAÇONARIA ENTRE A HISTÓRIA E AS LENDAS DE FUNDAÇÃO
Tradução José Filardo

O que não se tem escrito sobre a Maçonaria e suas origens! A tarefa do historiador torna-se mais árdua devido a todo o tempo em que os próprios maçons procuraram adornar a instituição maçônica com lendas, atribuindo-lhe uma tradição secular. Referências bíblicas, pegada Templaria, imagem de construtores de catedrais moldaram a imaginação desta sociedade iniciática, dando-lhe peso e credibilidade no correr dos séculos. O desafio parece, no entanto, grande de distinguir o que é mito ou história.

Batalhas em torno da “primeira” obediência maçônica
Em 1988, o estudioso escocês David Stevenson publicou na prestigiada editora universitária de Cambridge, The Origins of Freemasonry: Scotland’s Century, 1590-1710. (As origens da Maçonaria: o século da Escócia, 1590-1710) Concebido segundo padrões acadêmicos, com um importante aparato crítico e sem relação com os empreendimentos editoriais de “maçonólogos” e historiadores oficiais de Obediências britânicos, este trabalho erudito era destinado a um público limitado no mundo acadêmico. No entanto, tornou-se rapidamente uma referência e um verdadeiro sucesso editorial. Relançado em inglês, ele foi ainda traduzido para o francês em 1992 porque causou, em sua época, um terremoto de que certos aduladores da Grande Loja Unida da Inglaterra e de sua “maternidade universal”, como a Grande Loja dos modernos escrevia em francês no texto no século XVIII, ainda não se recuperaram. Este é, notadamente, o caso de John Hamill autor de uma história institucional autorizada – no sentido que tem as biografias autorizadas: O Craft: Uma História da Maçonaria Inglesa. De fato, a história maçônica institucional não começou em uma noite de junho 1717 em Londres. Mesmo se os partidários das origens inglesas da Maçonaria moderna podiam muito bem insistir em referências à ordem no Diário do estudioso Elias Ashmole em meados do século XVII, a história das origens estava por ser reescrita, um projeto que ainda está bem aberto até hoje.

sábado, 4 de setembro de 2021

AUSÊNCIA DO VENERÁVEL: SUBSTITUIÇÃO / PARAMENTOS

AUSÊNCIA DO VENERÁVEL: SUBSTITUIÇÃO / PARAMENTOS
(republicação)

Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Washington Mendes, Loja Libertas Quae Sera Tamen, 2.574 – GOB-RJ, REAA, sem declinar o nome do Oriente, Estado do Rio de Janeiro.
wlmo@uol.com.br

Nesta administração, biênio 2011/2013, estou como 1º Vigilante. Ocorre que em outras ocasiões da ausência do Venerável Mestre (administrações passadas), o 1º Vigilante substituía o Venerável e na ausência deste, naturalmente, o 2º Vigilante. Por problemas de ordem pessoal, um determinado Irmão, decano da Loja, não deixou o 2º Vigilante assumir uma Sessão Ordinária.

Acontece que nesta administração o 1º Vigilante sou eu e assumi desde a posse, por três vezes, o cargo de Venerável, pela ausência do mesmo. O Irmão Orador disse-me que eu não usaria a joia de Venerável Mestre, ficando sem nenhuma. Não sou vaidoso a ponto de criar celeumas por causa da joia ou de outra coisa. Ocorre que prefiro hoje em dia buscar o conhecimento e não aceitar passivamente a colocação de Irmãos, colegas de trabalho, familiares, etc., pois existe muito "achismo" e "invencionices".

Gostaria de saber, somente para conhecimento, onde está previsto que o Venerável substituto não usa joia do cargo na sessão. Eu não encontrei nada, porém como não sou Mestre Instalado, achei que só poderia estar no ritual de Instalação de Venerável Mestre o amparo de tal situação. Nos demais cargos não vejo isso acontecer, senão o 1º Vigilante substituto não usaria a joia, o 2º Vigilante também não e assim sucessivamente. Todos os substitutos usam as joias do cargo. Poderia me esclarecer?

CONSIDERAÇÕES:

Para um melhor esclarecimento, primeiro seguem algumas ponderações. O Primeiro Vigilante substitui o Venerável Mestre em caráter precário e apenas nas Sessões Ordinárias (Econômicas), enquanto que nas Sessões Magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação, por exemplo, o substituto, se for o caso, será o ex-Venerável mais recente. O Primeiro Vigilante somente presidirá Sessões Magnas se ele for detentor do título de Mestre Instalado (Mestre Instalado não é Grau).

Em havendo impedimento definitivo do Venerável, pelos dispositivos legais, será realizada então uma nova eleição, independente de que o Primeiro Vigilante já tenha sido Venerável em ocasião (ões) anterior (es), isto é, Mestre Instalado.

A questão propriamente dita. Não sendo o Primeiro Vigilante um Mestre Instalado na ocasião da substituição precária do Venerável, este não pode usar a joia, bem como o avental e os punhos do Mestre Instalado, já que para tal ele precisaria ter passado pela cerimônia de Instalação, esta restrita apenas àqueles que foram eleitos para tal. Isso é contingência do ato de Instalação e daí, do título distintivo. Assim essa previsão é restrita ao Conselho de Mestres Instalados. 

Um Mestre Instalado será sempre um Mestre Instalado, todavia a joia do Venerável, passado o seu período no cargo, será substituída pela do ex-Venerável (no ritual de Mestre Maçom encontram-se essas distinções).

Quanto aos outros cargos quando substituídos, não sendo o do Venerável, não existe qualquer problema, pois estes não dependem do título distintivo do Mestre Instalado.

T.F.A.
PEDRO JUK
Contato: jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 554, Florianópolis (SC) 04 de Março de 2012.

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE GENE AUTRY

ORVON GROVER AUTRY (Tioga, Texas,1907 - California, 1998). Artista norte-americano conhecido por suas perfomances em discos, filmes e televisão. Era conhecido como The Singing Cowboy. Foi o primeiro superstar desse gênero, seguido por Roy Rogers, que alcançou a preferência dos fãs depois que Autry se alistou na II Grande Guerra. Ficou famoso mundialmente como Gene Autry, o cantor country que dominou o rádio a partir dos anos 1920, ou o mocinho do cinema de bang-bang e das revistas em quadrinhos que habitaram o imaginário juvenil dos anos 30 em diante. Popularmente chamado de "Cowboy Cantante", Gene trabalhou como telegrafista em St. Louis logo que deixou a escola. Nas folgas do trabalho, aprendeu violão e saiu a apresentar-se por bares locais, sendo uma atração obrigatória nos bailes da pequena cidade. De bar em bar conseguiu ser convidado para o rádio, em 1928, dando início a carreira. Em 1931 surgiu a primeira oportunidade de gravar um disco, pela Columbia Records. A partir de 1934 veio o convite para cavalgar no cinema, onde em apenas seis anos estrelou em 44 produções que o consagraram como o primeiro grande mocinho do faroeste, o precursor do grande Roy Rogers que viria depois dele. A partir de 1940, já famoso no mundo das sétima e nona artes, respectivamente o cinema e os quadrinhos, As aventuras de Gene Autry foram adaptadas para os quadrinhos inicialmente por Tillman Goodan, que faleceria em 1958. Uma segunda série foi desenhada por Bob Stevens e Bert Laws. Nos jornais foram publicadas tiras de quadrinhos de 1940-1942; e 1952-1955. A Editora Dell Comics publicou comics books com os quadrinhos do cantor. Autry parou com os shows em 1964, com uma carreira de mais de 600 gravações. De 1960 a 1982 ele foi um executivo do baseball.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 1927.
Loja: Catoosa nº 185, Catoosa, Oklahoma, EUA.
Idade: 20 anos.
Oriente Eterno: Faleceu aos 91 anos de idade, vítima de linfoma.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

VALERÁ A PENA SER MAÇOM NO SÉCULO XXI?

VALERÁ A PENA SER MAÇOM NO SÉCULO XXI?

Aqui há alguns tempos atrás o Paulo M. elaborou através da sua pena dois textos em formato de “mini-seriado” que me motivaram a reflexão que partilho convosco hoje e cuja questão central figurava na seguinte pergunta “No século XXI fará sentido ser-se Maçom?” e que é uma questão bastante pertinente para todos os Maçons, independentemente do seu Grau ou Qualidade, ou seja, independentemente do grau que detenham na sua caminhada maçónica e do cargo que ocupem nas estruturas maçónicas (Respeitáveis Lojas ou na Obediência Maçónica em si).

Esta pergunta que serve de tema para o texto de hoje é uma reflexão e questionamento que faço a mim próprio diariamente.

Será que valerá a pena nos dias de hoje, que em pleno século XXI, num tempo tão avançado tecnologicamente, mediaticamente etc etc etc… continuar a existir uma instituição como a Maçonaria e mesmo assim existir quem queira fazer parte integrante dela, nomeadamente eu inclusive?!

Será que existe qualquer mais valia para a Sociedade existirem pessoas que integrem Ordens de cariz iniciático e fraternal como a Maçonaria?

Com que interesse essas pessoas, nos tempos que correm, ambicionam entrar numa Obediência Maçónica?

Estas questões com que me deparo no meu dia-a-dia encerram elas próprias as suas respostas, a meu ver.

Poderá aparentar alguma estranheza responder a uma única questão (tema central) com outras três dúvidas/questões. Mas de facto elas fazem todo e qualquer sentido!

À primeira questão que se me apresenta, posso afirmar que sim!

Faz todo o sentido existir uma Ordem como a Maçonaria, uma vez que aMaçonaria é uma Ordem iniciática e ritualística, universal e fraterna, filosófica e progressista, firmada no livre-pensamento e na tolerância entre as pessoas, tendo por objectivo o desenvolvimento espiritual do homem com vista à construção de uma sociedade mais livre, justa e igualitária. Ordem esta que se preocupa em formar os seus membros para além de lhes propiciar as “ferramentas filosóficas e inteletuais” de forma a que possam potenciar as suas melhores qualidades pessoais, polindo o seu comportamento, de maneira a evitar a prática de atitudes desviantes ou consideradas como erráticas ou indignas pela sociedade vigente.

Com esta última afirmação, posso eu responder também à minha segunda dúvida.

Não obstante o desenvolvimento intelectual e tecnológico da sociedade atual, a Maçonaria terá sempre lugar no tempo e na história, ou não fosse ela também uma instituição secular. As instituições vivem de pessoas e da sua comunhão e contato entre si, partilhando o que se sabe, aprendendo e obtendo conhecimentos que não se detinham, por forma a formar-se uma cadeia de partilha que se funcionando em pleno poderá fomentar o progresso da Sociedade no geral e das pessoas no singular. E existe algo que nem a própria tecnologia nem o mediatismo e consumismo atual poderá fazer.

Esse “algo” apenas poderá ser encontrado na vivência e prática espiritual de cada um de nós. E poderá ser aí que residirá a importância da existência de instituições que se interessem por esse “lado”.

A espiritualidade de cada um depende da sua cultura, educação e da sua experiência de vida. Uma prática espiritual pessoal dependerá sempre do que se ambiciona e se pretende da vida e do que já se obteve até então. E a maioria das vezes o problema será no que já se obteve ou não, e o que se fazer para se obter tal. Alguns sentem que necessitam de muito para viver, outros nem tanto assim… O que poderá levar a comportamentos e práticas incorretas na procura e obtenção daquilo que se poderá considerar como aquilo que fará falta para completar ou complementar a sua vida.

Se na sua vivência mundana, alguém denotar em si mesmo uma atitude ou comportamento errado, se decidir retornar ao “caminho certo”, com certeza tal será benéfico para todos; mas para o próprio será o reconhecimento das suas falhas e um sinal de humildade em querer mudar para “melhor”. Para os restantes, que o acompanham na sua vida, será a demonstração de um altruísmo e nobreza que o ajudarão, por certo, no futuro, a ter uma prática social que será digna de alguém que se considera livre, mas principalmente de bons costumes. E isso será reconhecido por quem o tiver que o fazer!

Saber o que está correto, certo ou errado e escolher sabiamente o caminho a seguir não está ao alcance de todos, e é gente assim que, por norma, interessa à Maçonaria. Gente que não é perfeita no sentido estrito da palavra, mas que procura aperfeiçoar-se a si mesmo, através do trabalho, do estudo, do relacionamento fraternal com os restantes membros, mas fundamentalmente através de um processo de auto-conhecimento, ou seja, do “conhecer-se a si próprio”. Isto tudo (é) feito através de uma via espiritual.

No entanto, a observação da boa conduta e boas práticas de maçons reconhecidos na sociedade poderá também a suscitar a vontade de profanos a entrar na Maçonaria, uma vez que tal poderá despontar o interesse destes em elevarem também a sua conduta e forma de estar na vida pela simples observação da ação da Maçonaria e dos seus membros na sociedade de que fazem parte integral.

Todavia, certamente que quem deseja fazer bem, “praticar o Bem”, não necessita de ser maçom para o fazer. Tal depende exclusivamente da vontade de cada um! Mas sendo maçom, tal não é excepção, mas sim uma das regras que o deverão nortear nas suas práticas e condutas sociais.

A Maçonaria não é um clube social, benemerente ou filantrópico em exclusivo. - Não é apenas isso e é muito mais!-

Se alguém desejar entrar na Maçonaria para socializar, exercer a sua caridade ou filantropia, aumentar a sua lista de contatos pessoais e/ou fazer amigos, para isso já existem outras instituições para tal. Instituições que cuidam em exclusivo desses assuntos. Quem vier ou desejar entrar para a Maçonaria para isso somente, irá perder o seu tempo e fará perder tempo à Ordem e aos seus membros.

A Maçonaria apesar de ter estas preocupações – que tem!- tem também outras que estão para além do que é mensurável e visível. E tal encontrar-se-à na componente espiritual e iniciática que a Ordem encerra em si e que propicia aos seus filiados. E isto apenas estará ao alcance daqueles que compreenderem a Ordem, percebam os seus fins e desígnios. Ou não fosse por isso também que a formação é gradual e exponencial, para que o conhecimento seja obtido integralmente, mas passo a passo…

Concluindo, ao efetuar o somatório de toda estas reflexões que fiz, chego à conclusão que sim, vale a pena ser Maçom no século XXI e possivelmente também nos séculos vindouros...

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

SAUDAÇÃO E USO DA PALAVRA

SAUDAÇÃO E USO DA PALAVRA
(republicação)

Em 24/05/2017 o Respeitável Irmão Euro Ferreira Guedes, Loja Pedro Michael Struthos, 2065, REAA, GOB-RO, Oriente de Guajará Mirim, Estado de Rondônia, solicita a seguinte informação:

SAUDAÇÃO E USO DA PALAVRA

Eis minha dúvida, em relação à SAUDAÇÃO no REAA: Nosso Ritual do REAA/GOB, não faz referência alguma do modo como os Irmãos, ao usarem a palavra, devem saudar os presentes. Quem deve ser saudado, qual a ordem, em que momentos? As Luzes tem prioridade, isto é, devem ser saudadas por primeiro, ou são colocadas na Ordem hierárquica normal? A saudação inicia-se na mais alta autoridade presente, desce pelas faixas e termina onde? No Aprendiz? Tenho visto Irmãos saudarem as autoridades, uma a uma, e terminarem em Mestres Instalados, Mestres, Companheiros e Aprendizes. É necessário tudo isso? Muitas vezes a saudação fica mais longa que as palavras do Irmão. Em que ocasiões devem ser feitas essas saudações? Toda vez que for necessário usar a palavra, isto é, na Ordem do Dia e na Palavra a Bem da Ordem? Aguardo luzes.

CONSIDERAÇÕES:

Primeiro. Já comentei bastante a respeito. Tenho dito: “quando do uso da palavra o obreiro cumpre antes o protocolo que é o de mencionar as Luzes, demais Dignidades e apenas alguns dos presentes a Loja, sem o exagero de dirigir individualmente a todos que a compõem”.

Segundo. Na verdade essa atitude não é saudação, pois quando o obreiro se posiciona à Ordem para usar da palavra ele está primeiro cumprindo uma formalidade consuetudinária do Rito que diz: “todo o obreiro que estiver em pé e parado em Loja aberta fica à Ordem e, antes de sentar novamente, desfaz o Sinal na forma de costume”.

O mais comum e recomendável para a ocasião do uso da palavra é a de que o obreiro ao fazer uso da mesma, estando à Ordem, assim proceda mencionando protocolarmente por primeiro: “Luzes da Loja, demais Dignidades, Autoridades (sem descrevê-las uma a uma), meus Irmãos”. A partir daí ele simplesmente faz o seu pronunciamento e, ao final, desfaz o Sinal pela pena simbólica e torna a tomar assento.

Só isso basta. É de péssima geometria o usuário da palavra ficar mencionando exageradamente uma a uma as autoridades e demais presentes na sessão antes de usar propriamente a palavra. Quem assim o faz, além de desnecessariamente querer “dourar a pílula”, ainda toma tempo da sessão e esgota a paciência dos outros. Em síntese é uma atitude improdutiva.

A postura de se estar à Ordem para o uso da palavra não deve ser confundida com saudação maçônica, embora que para tal também se fique à Ordem.

A liturgia da saudação maçônica é feita a partir do Sinal de Ordem que deve ser composto e desfeito imediatamente pela pena simbólica quando se estiver em Loja aberta conforme especifica o Ritual de Aprendiz na sua página 42, último parágrafo. Nele está escrito que a saudação se faz apenas ao Venerável Mestre quando se entra e sai do Oriente, ou às Luzes da Loja após a entrada formal (depois da Marcha do Grau). Isso nada tem a ver com procedimentos para o uso da palavra.

Dadas essas premissas, quando alguém fica à Ordem durante o uso da palavra dirigindo-se protocolarmente às Luzes, demais Dignidades, Autoridades e demais Irmãos presentes, por exemplo, não se está saudando ninguém pelo Sinal, mas sim cumprindo a tradição de assim se postar antes de fazer uso da palavra (quem estiver em pé, obrigatoriamente compõe o Sinal de Ordem). Terminada a fala, antes de sentar, desfaz-se o Sinal. Ratificando, isso não é saudação maçônica.

Todas as saudações em Loja são feitas pelo Sinal, entretanto nem sempre quem estiver compondo o Sinal estará obrigatoriamente saudando alguém. Infelizmente, uma boa parte dos que se dizem conhecedores de ritualística e escrevem nossos rituais (quando não os copiam apenas), na verdade não a entendem a contento, portanto não se apercebem desses detalhes. São eles apenas subservientes da moda peripatética latina que é a de se cumprir apenas o que está escrito, mesmo sem saber se o que está escrito faz algum sentido ou não. Aliás, desses, a grande maioria ainda não sabe nem o porquê das nossas práticas litúrgicas.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL

"NOVAS" ORGANIZAÇÕES MAÇÔNICAS INTERNACIONAIS DE "RECONHECIMENTO"
Marcelo Artilheiro

UNIÃO MAÇÔNICA DO MEDITERRÂNEO

Em 2000 foi fundada a União Maçônica do Mediterrâneo por iniciativa do Grão-Mestre Franco Franchi, Grão-Mestre da Grande Loja de Itália, que na ocasião fezum apelo às potências maçônicas da bacia do Mediterrâneo, trata-se de umaAssociação de 15 Obediências, adogmáticas e liberais dos países da bacia do Mediterrâneo. A UMM trabalha para a manutenção e difusão da cultura e da história iniciática do Mediterrâneo e para o estudo dos problemas da atualidade. Pretende interpretar sinais dos novos tempos, não em competição, mas como alternativa a outras instituições maçônica internacionais, como objetivo de dar força e autonomia a uma Maçonaria livre das rígidas regras impostas pela Grande Loja Unida de Inglaterra. A UMM tem uma visão aberta e moderna da Maçonaria, que abrange não só a velha Europa, mas também países do Oriente Médio e do Norte de África. Uma perspectiva que visa incentivar o diálogo para garantir um futuro de tolerância, respeito e partilha com todos os que sofrem guerras, fanatismos e privações de todo o tipo.

CLIPSAS OU CENTRO DE LIGAÇÃO E DE INFORMAÇÃO DAS POTÊNCIAS MAÇÔNICAS SIGNATÁRIAS DO APELO DE ESTRASBURGO

O CLIPSAS ou Centro de Ligação e de Informação das Potências Maçônicas Signatárias do Apelo de Estrasburgo é um organismo internacional que visa reagrupar Obediências Maçônicas da maçonaria liberal e adogmática de todo o mundo e congregar maçons, homens e mulheres, que considerem que a “Liberdade Absoluta de Consciência é a grande vitória da humanidade sobre ela mesma“. Tem como objetivo principal criar um centro de união fraternal entre os Maçons que consideram que a liberdade de consciência é uma vitória da humanidade sobre si mesma e que, longe de ser um fator de desunião, ela conduz, graças à livre confrontação de opiniões, à supressão de todas as barreiras.

Fundada em 22 de Janeiro de 1961 por convocatória dirigida à maçonaria mundial pelo Grande Oriente da Bélgica e o Grande Oriente de França, para um encontro em Estrasburgo, encontro esse motivado pela intransigência crescente que a Grande Loja Unida de Inglaterra e outras a esta associadas, nomeadamente as Grandes Lojas dos vários estados dos Estados Unidos da América, que pretendiam impor como regra às restantes Obediências Maçônicas mundiais a exclusividade da crença dogmatica e obrigatória de Deus (não aceitando religiosos de outras religiões não monoteístas, agnósticos, descrentes ou ateus) para além da não aceitação como iniciados de mulheres, “escravos, negros, índios e deficientes”.

As Obediências Maçônicas então reunidas e que não aceitam nem se mantem nas regras atrás referidas e respeitando as suas soberanias, os seus ritos e os seus símbolos numa real e verdadeira cadeia de União Universal, decidiram assinar entre si um acordo em Estrasburgo.

Deve-se entender que o CLIPSAS é por isso uma Federação Internacional de Obediências Maçônicas (associações legais nos seus próprios países) e não centralizada não tendo por isso os seus órgãos que promulgar decretos impositivos ou que invadam o espaço das Obediências membros que a esta pertençam.

Os seus fundadores e continuadores consideram por isso que o CLIPSAS deve ser a pedra angular de uma União Fraternal de Maçons que consideram que a liberdade de consciência é a maior vitória da humanidade e que deve ser porisso um fator de união e não de desunião entre todos os homens e mulheres iniciados e que isto deve ser o princípio de supressão de barreiras entre estes e entre toda a humanidade.

Assim, o CLIPSAS, organiza colóquios anuais em que se discutem não só temas maçônicos mas também temas sociais que preocupam o mundo moderno, efetuando sínteses, para que, e de forma positiva se possa refletir em conjunto e possam participar de forma construtiva na criação de uma opinião e aprofundamento de uma reflexão interna não só nas Obediências Maçônicas que desta fazem parte mas e mais importante sobre os seus membros, Maçons (mulheres e homens), que enquanto seres sociais poderão contribuir para que um mundo seja um lugar mais justo, fraternal e livre.

Deste modo, o CLIPSAS, não proíbe que algumas Lojas ou até de Obediências signatárias, abram algum livro sagrado (Bíblia, Torah, Alcorão, etc.) durante seus trabalhos e roguem pela proteção dogmática do Grande Arquiteto do Universo ou que imponham acesso exclusivo de homens ou de mulheres à sua iniciação, apenas pretende que as suas signatárias não proíbam que outras o façam e ao estabelecer mútuo reconhecimento entre as suas signatárias na prática permitem visitas e a participação em igualdade de circunstâncias de homens e mulheres maçons aos seus trabalhos desde que assim aceites pelas suas Lojas.

ALIANÇA MAÇÔNICA EUROPEIA

A Aliança Maçônica Europeia (AME) possui mais de 30 obediências provenientes de 16 países europeus (Áustria, Bélgica, Croácia, Espanha, França, Grécia, Itália,Luxemburgo, Holanda, Polónia, Portugal, Roménia, Suíça e Turquia –Convidados: Alemanha e Hungria) com o objetivo de representar junto da União Europeia, os valores defendidos pela Franco-Maçonaria Liberal.

Estes valores foram herdados do espírito do Iluminismo do século XVIII, ou seja, de um período da nossa civilização onde, sem ignorar uma dimensão espiritual, foram expressas a fé no perfeccionismo do ser humano, a promessa da sua capacidade em fazer progredir o mundo para um futuro melhor do que o passado, mais livre e mais igual e a convicção que esta capacidade está diretamente ligada à possibilidade de se servir da razão (suprema faculdade do homem» segundo Voltaire.)

A franco-maçonaria liberal, corrente na qual se inscreve a AME, define-se como sendo adogmática, o que significa que não impõe nenhuma crença aos seus membros porque ela promove a liberdade de consciência, o livre-arbítrio e o espírito crítico. Não são nem uma religião nem uma seita nem um partido político. As obediências da AME são compostas por membros que escolhem refletir e promover os mais altos valores morais de uma forma progressista liberta de modelos de pensamentos recebidos ou de movidos por ideologias do momento.

Estão imbuídos de ideais de democracia, de fraternidade, de igualdade de direitos para todos os seres humanos e do direito de cada um à dignidade humana. Fundamentam a sua estrutura na Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, na Convenção Europeia para a Proteção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais de 1950 e na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia de 2000. Rejeitam todo o tipo de discriminação e forma de obstar a liberdade de expressão qualquer que seja o domínio.

Defendem o princípio de uma laicidade europeia o que implica uma independência estreitíssima das instituições europeias com as igrejas e organizações filosóficas. Consideram que as convicções filosóficas ou religiosas são do foro privado e não podem ser impostas.

Independência, mas não ignorância e felicitam-se pelo Diálogo instaurado noArtigo 17º do Tratado de Lisboa entre as Instâncias europeias, as igrejas, as organizações filosóficas e não confessionais. Situam-se, plenamente, no ontexto deste artigo procurando torná-lo mais eficiente, buscando, assim, trazer reflexões nos debates que aludem à construção da Europa. É com este objetivo que se define como “centro de ligação, de observação e de estudos, afim de aperfeiçoar a ação comum dos nossos membros, face à União Europeia, aos Estados Membros e a qualquer instituição europeia.” Concretamente, organizamos sessões de trabalho sobre temas como: educação, democracia, cidadania, diálogo intelectual, desigualdades, inovação social, etc. Organizamos Colóquios no Parlamento Europeu.” Os relatórios desses trabalhos estão disponíveis neste site: http://www.ame-ema.eu/

A Aliança Maçônica Europeia pode realizar qualquer intervenção respeitando o seu objetivo, permitindo ou facilitando a realização do mesmo. A AliançaMaçônica Europeia (A.M.E.) está inscrita no Registo de Transparência da UniãoEuropeia com o nº 916946818172-34.

Fonte: https://artilheiro7.wixsite.com

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

INDUMENTÁRIA DO MESTRE MAÇOM - A FAIXA

Em 08/02//2021 o Respeitável Irmão Emerson Paião, Loja Justiça e Caridade, 1.293, REAA, GOB-GO, Oriente de Itumbiara, Estado de Goiás, apresenta a seguinte questão:

A FAIXA DO MESTRE

Tomo a liberdade de pedir um breve esclarecimento, se possível.

Faz parte das insígnias do Mestre Maçom a Faixa (Fita). Embora prevista, vê-se em diversas Lojas do REAA que não é utilizada, muitas vezes ficando restrita a Comissão de treze membros, por exemplo, como em nossa Loja, nas sessões magnas.

Pergunto:

1) seu uso continua obrigatório?

2) sendo obrigatório, é usada em qualquer tipo de sessão?

Desde já agradeço a atenção e desejo uma ótima semana meu Irmão.

CONSIDERAÇÕES:

Sem dúvida. A faixa, conforme previsto no Ritual do REAA, Mestre Maçom em vigência no GOB é parte da sua indumentária.

Sendo assim, ela deve ser usada pelo Mestre, tanto nas sessões ordinárias como nas magnas.

O ritual também prevê que os que ocupam cargo, ficam dispensados do uso da faixa porque já trazem o colar com a joia distintiva do cargo. Contudo, tem sido nossa orientação que os Cobridores e os Expertos, além do colar, usem por debaixo dele também a faixa porque, conforme previsto no ritual, há nela (na faixa) um dispositivo anelar metálico destinado a acomodar a espada.

A faixa do Mestre também traz dela apensa a joia do Mestre Maçom.

Por oportuno, lembro que a origem da faixa vem do talabarte que nele trazia presa a bainha com a espada. Seguindo essa origem é que a faixa vai vestida do ombro direito para o quadril esquerdo (lembra o talabarte).

Na Maçonaria Francesa a espada, além de arma branca, também simbolizava nobreza. Nos séculos XVIII e XIX era costume na França, principalmente, que os nobres usassem uma espada. Nesse sentido, a galante Maçonaria Francesa, independente da classe social do Mestre Maçom, preconizava o uso da espada para todos. O sentido é mais ou menos o do chapéu que, tradicionalmente nas Lojas de Aprendizes e Companheiros, como símbolo de autoridade, só o Venerável usa chapéu, enquanto que nas Lojas de Mestres, todos indistintamente usam chapéu. Em síntese é como o rei que diante dos seus súditos se apresenta coberto, enquanto que diante dos seus pares, todos se cobrem.

Na Moderna Maçonaria, na maioria dos ritos o uso da espada por todos os Mestres caiu em desuso, permanecendo como símbolo desse antigo costume a faixa e a joia do Mestre.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

SOMOS PÓ E EM PÓ NOS TORNAREMOS

SOMOS PÓ E EM PÓ NOS TORNAREMOS
Autor: Fernando Alves Viali
Loja Ciência e Trabalho, nº 30, oriente de Ituiutaba – MG

Faz parte de nosso comportamento humano o apego, quase irracional, aos bens materiais, principalmente àqueles que envidamos maiores esforços e para os quais sofremos um longo período de espera entre o desejo e a conquista.

Não é raro o mesmo comportamento nosso em relação às conquistas pessoais, seja no campo profissional, social e até mesmo financeiro; quando somos erigidos a qualquer condição que desnivela-nos para cima em relação a outros, por alguma distinção que nos coloque em patamares de “superioridade” tendemos ao mesmo apego que sempre nos norteou desde a infância, com relação às coisas materiais. Somos impulsionados, por forças quase imperceptíveis, a renegar pessoas e atitudes que outrora convivíamos e comungávamos na mais perfeita coerência e harmonia.

O quase “complexo” de ascensão que as efêmeras bajulações e as ilusórias vantagens nos oferecem ofuscam a nossa verdadeira personalidade levando-nos, de forma vertiginosa, à prática de atitudes incoerentes com aquilo que a nossa verdadeira força humana gostaria de ver realizado.

Quando Santo Agostinho inspirou-se para deixar-nos o célebre legado na sentença: “Eu prefiro os que me criticam porque me elevam aos que me elogiam, porque me corrompem”, certamente ele estava entrementes buscando explicação para este conflito existencial frente a nossa irracionalidade e incoerência como seres intitulados de humanos.

No tenso, atribulado e confuso dia de nossa iniciação na ordem, nas preparações exordiais levam-nos à sala de reflexões de nosso intra mundo, a qual de forma propositada e estratégica situa-se um nível abaixo do prédio onde a beleza e os adornos do luxo mundano nos serão apresentados horas após. Desvendados, atônitos e isolados, por mais que a ocasião e o tumulto da data festiva nos tenham excitado a mente e a vaidade por termos sido aceitos na grande ordem, naquele momento somos concitados interiormente pelas reais forças que deviam nos impulsionar invariavelmente; os símbolos e as descrições que não só nos alertam e nos advertem para a responsabilidade da missão que nos propusemos aceitar, mas também nos fazem despertar a consciência de nossa existência humana no contexto em que fomos inseridos na jornada da vida.

“Tu és pó e em pó te tornarás”; embora esta frase não seja recente e nem teve como signatário nenhum filósofo ou pensador carente de perdão Divina, nós a renegamos ou pelo menos não a abstraímos além de sua magnífica força expressiva. Esta frase milenar está grafada e é exposta na Sala de Reflexões, antes que façamos o nosso juramento de aceitação e ingresso na Ordem Maçônica, exatamente pela força que ela representa no ciclo nascimento vida e morte.

A expressão de que nós viemos do pó e a ele retornaremos não pode ser interpretada como desvalorização do ser humano, titular e ou detentor provisório daquela matéria, ao contrário, tal assertiva tem o condão de nos alertar para que não confundamos as glórias, as lisonjas, os cargos, as posições sociais e financeiras e nem as eventuais belezas que esta matéria esteja usufruindo ou exibindo, com a verdadeira missão que temos como verbos animadores desta personagem, no efêmero espetáculo de nossa representação no teatro da vida.

Quando foi instituída a prática de inumar os restos materiais daquele que teve a vida perecida, tal ato não foi em vão, pois devemos ter alerta sempre a consciência de que a morte terrena não representa o fim da vida e sim o renascimento, razão que inspirou, na integração do homem com a natureza, a inumação dos restos mortais como força simbólica de que a semente, originária da planta que secou e sucumbiu renascerá para nova vida.

Cabe-nos como maçons, rememorarmos sempre àquela advertência escrita e por nós vislumbrada nos momentos que antecederam nossa iniciação, para que tenhamos sempre alerta a nossa consciência de que nos policiemos diuturnamente em nossos atos e omissões e não nos deixemos nos embriagar com a vaidade das insígnias e distinções que a própria ordem nos oferece, nos desviando do propósito maior que é a nossa construção interior para que possamos verdadeiramente ser pedras uniformes na edificação do grande templo da humanidade.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

EM PÉ E À ORDEM

EM PÉ E À ORDEM
(republicação)

Em 24/05/2017 o Respeitável Irmão Euro Ferreira Guedes, Loja Pedro Michael Struthos, 2065, REAA, GOB-RO, Oriente de Guajará Mirim, Estado de Rondônia, solicita a seguinte informação:

Toda vez que durante a ritualística tivermos que ficar em pé e à Ordem, assim o fazemos ficando de frente para o eixo da Loja, a não ser que o Ritual determine de outra forma, ou existem ocasiões em que devemos nos voltar em outra direção? Exemplo: a abertura do Livro da Lei, entrada da Bandeira, etc.

CONSIDERAÇÕES:

Em se estando à Ordem no seu lugar em Loja o obreiro terá imediatamente à sua retaguarda o assento que ocupa. Não precisa virar o corpo todo ficando de frente para alguém ou alguma coisa. A referência para a sua postura é o seu assento de onde ele simplesmente se levanta e se posiciona na forma de costume (à Ordem). O máximo que cada um pode fazer, dependendo da ocasião, é voltar o seu olhar para alguém ou alguma coisa girando a cabeça.

Nesse caso, seguem alguns exemplos conforme a ocupação de alguns lugares em Loja na oportunidade em que se esteja à Ordem: a) o Venerável no Oriente fica de frente para o Ocidente; b) o Primeiro Vigilante do Ocidente fica de frente para o Oriente; c) o Segundo Vigilante do Ocidente ao Sul fica de frente para o eixo do Templo; d) o Orador no Oriente fica de frente para o Secretário; este por sua vez fica de frente para o Orador; e) o Mestre de Harmonia e os Cobridores, do extremo do Ocidente, ficam de frente para o Oriente, f) na Coluna do Norte os demais ocupantes ficam voltados para o eixo do Templo, assim como também os do Sul ficam voltados para o eixo, etc.

Enfim, a referência é a disposição dos assentos conforme a planta do templo mencionada no Ritual em vigência, cabendo, entretanto uma observação. No atual Ritual, o de 2.009, há um erro de impressão das figuras que representam os assentos dos Cobridores. No ritual, equivocadamente, essas cadeiras aparecem uma de frente para a outra (ou voltadas para o eixo). Entenda-se que essa forma impressa está errada, pois cada Cobridor na sua Coluna originalmente fica voltado para o Oriente (o correto é que as cadeiras simetricamente fiquem voltadas de frente para o Oriente).

No caso do ingresso e retirada do Pavilhão Nacional, durante o canto dos hinos e saudação à Bandeira, cada obreiro volta para ela apenas a sua face (cabeça). Estando o Pavilhão em deslocamento, segue-se o seu movimento pelo recinto com o olhar movendo na sua direção apenas a cabeça.

Eram essas as considerações, não sem antes ratificar que esses apontamentos se referem aos obreiros posicionados à Ordem estando cada qual no seu lugar em Loja.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

CONSAGRAÇÃO

Sagração = Ato de dar caráter sagrado a alguma coisa; consagração.
Consagração = Ato ou efeito de consagrar.

1º - É o ato de tornar sagrado um edifício ou um Templo por meio de cerimônia especial, a fim de torná-lo apto ao exercício dos trabalhos maçônicos.

2º - As Lojas foram dedicadas em honra a Deus e aos propósitos da Maçonaria. Tal cerimônia estendeu-se, posteriormente, ao Estandarte da Oficina.

3º - É assim chamada, também, a cerimônia pela qual os profanos são investidos, sob a invocação do Ser Supremo, com o primeiro grau da Ordem, e os Maçons em geral com os novos graus que lhes são concedidos.

4º - "No REAA, o recipiendário é "recebido, feito e constituído Maçom". O Venerável coloca a folha de sua espada sobre a cabeça do iniciado, pronuncia a fórmula consagratória, e bate na espada com três golpes de malhete".

5º - Sagração - dá-se este nome à primeira cerimônia realizada num templo maçônico recém construído ou adaptado e que não se deve confundir com a de Inauguração de Loja, que se pratica em local já sagrado.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

REGRAS RITUALISTICAS MAÇÔNICAS (I)

REGRAS RITUALÍSTICAS MAÇÔNICAS (I)
Ir∴ Valdemar Sansão

“Nada somos; o que buscamos é tudo” (Holdelin)

Loja – local em que uma sociedade maçônica realiza suas Sessões e, por extensão, qualquer corporação maçônica. O vocábulo deve ser mais usado para designar não o local de reunião, que é o Templo, mas, sim, a corporação maçônica, quando os seus membros reúnem-se num Templo; ao final de uma Sessão, a Loja é considerada fechada, mas o Templo continua aberto, inclusive para outras Lojas.

Uniformidade dos Trabalhos – A uniformidade dos TTrab∴MMaç∴ é realmente impossível de ser atingida, principalmente pelo fato de que cada Grande Loja, ou Grande Oriente, tem autoridade para introduzir modificações nos Rituais, os quais, de vez em quando, precisam ser modernizados. Isto, porém, não justifica os clamorosos atentados cometidos, como o de se modificar a ritualística de um Rito, amoldando-a a de outro, como se tem verificado.