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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

VERDADE

VERDADE
Rui Bandeira

Depois de ter dedicado um texto ao primeiro termo da divisa utilizada pela maçonaria de língua inglesa, Amor fraternal, e um segundo texto dedicado ao segundo termo, Auxílio, encerro o ciclo com algumas considerações sobre o terceiro termo da trilogia, Verdade.


Este tema, já foi soberbamente tratado neste blogue pelo Paulo M., num conjunto de cinco textos que intitulou "Perceção, verdade e tolerância", que facilmente pode ser localizado através do marcador Verdades. Em muito concisa, e por isso grosseira, súmula, no primeiro desses textos, assinala-se a limitação dos nossos sentidos e do nosso cérebro no que toca ao reconhecimento do que designamos por verdade. No segundo, as limitações que a linguagem coloca à transmissão da verdade percecionada. No terceiro, a diferença entre a ciência e a fé, entre o que se sabe ser verdade e o que se crê o seja. No quarto desses textos, refere-se como cada uma das várias religiões possui, não uma, mas a (sua) verdade, a qual é incompatível, pelo menos na sua totalidade, com as igualmente absolutas verdades das demais religiões. Finalmente, no último desses textos, assinala-se que a maçonaria não toma partido entre religiões, até porque "não pretende, ao contrário da Religião, tratar da relação entre o Homem e o seu Criador; apenas trata da relação entre o Homem e o Homem".

Mas então se os nossos sentidos e o nosso cérebro são suscetíveis de ser enganados na determinação da verdade, que Verdade é essa que a Maçonaria enfatiza na sua divisa? Se a nossa linguagem é inevitavelmente imperfeita na transmissão da Verdade, que Verdade transmitem os maçons? Se o que se sabe ser verdade em bom rigor não é completa e absolutamente demonstrável, apenas se pode almejar a concluir que não está demonstrado ser falso, e se há verdades que não são passíveis de serem demonstradas pela razão, qual, afinal, o objeto da Verdade da divisa maçónica?

A meu ver, a resposta está, não na busca do Absoluto, mas na descoberta do individual. A Verdade Absoluta é inatingível aos humanos, pelo menos neste plano da existência. Pelo método científico, a Humanidade vai-se cada vez mais aproximando da fixação de muitos aspetos da Verdade - mas frequentemente, cada novo avanço num aspeto acaba por impor a conclusão de que o que se tinha por certo noutro aspeto, afinal não é verdadeiro. Muitas "verdades" científicas de ontem está hoje comprovado que afinal não são tão verdadeiras. Quantas verdades científicas hoje indiscutivelmente aceites amanhã se comprovará afinal não serem bem assim? A crença, ou a fé, bem vistas as coisas, não passa de um (necessário?) artifício que nós, imperfeitos humanos, utilizamos para conformarmos a nossa necessidade de atingir a verdade à inevitabilidade da impossibilidade de satisfação dessa necessidade.

A Verdade que importa, a Verdade da divisa, então não estará no inatingível conceito absoluto, mas apenas - e muito é! - em cada um de nós. A Verdade que interessa é a Verdade do que cada um É. Não é isto de pouca monta! Cada um tomar consciência da sua Verdade, do que efetivamente É, despojado de todas as máscaras, artifícios e armaduras que a Vida nos constrange a usar para (sobre)vivermos em Sociedade, não é tarefa simples nem fácil. Os nossos instintos básicos (desde logo o de sobrevivência), combinados com os condicionamentos da nossa educação e aprendizagem, condicionam-nos, desde muito cedo e muito profundamente a escondermos as nossas imperfeições, incapacidades, fraquezas, dos outros. Aprendemos que estas imperfeições, incapacidades, fraquezas, são vulnerabilidades que constituem alvos para os ataques de outrem. Por isso, desde a mais tenra infância vamo-nos condicionando (viciando?) a escondê-las de todos os outros. E acabamos por o fazer tão bem, mas mesmo tão bem, que até o escondemos de nós próprios! Acabamos por fingir para nós próprios sermos algo diferente do que na realidade somos. Essa inconsistência entre a nossa imagem - perante os outros e perante nós próprios - e a nossa verdadeira natureza, mais tarde ou mais cedo paga-se, por vezes com preço elevado. O nosso desconforto com a inconsistência entre o que somos e o que nos obrigamos a mostrar (e a mostrar-nos...) paulatinamente vai pesando, vai-nos limitando, vai-nos afetando, vai-nos desgastando. Alguns sentem-no como um simples cansaço (quão disparatado é classificar de simples o cansaço de nós próprios...), que vamos gerindo com uma férias ou uns momentos de cumplicidade e recolhimento com os nossos entes queridos. Outros vão cada vez gerindo pior a situação e sobrevêm as depressões, as perdas do gosto da vida...

A solução está em perder o receio e adquirir a capacidade de espreitar por debaixo da armadura, por detrás da máscara, ignorando os artifícios, e confrontarmo-nos com o que realmente somos, identificando as nossas forças, mas também as nossas fraquezas, as nossas virtudes e os nossos vícios, os nossos anseios e os nossos medos. Essa audácia permite-nos reconhecermo-nos de novo a nós próprios, como realmente somos e não como mostramos, possibilita-nos a lufada de ar fresco do reencontro com a nossa pureza - a pureza que julgávamos perdida e que, afinal, cada um de nós conserva, só que que subjugada, embrulhada, tapada, escondida, por mil e um artifícios, máscaras, armaduras e desculpas.

Esse trabalho de redescoberta da nossa Verdade é propiciado pela vivência maçónica. E é libertador. Da ganga que insensivelmente fomos acumulando, do peso de tudo o que usamos para nos escondermos. Torna-nos mais livres e mais leves!

Mais: os maçons aprendem não apenas a redescobrir a Verdade que efetivamente são e escondem dentro de si, mas também a partilhar essa Verdade com os seus Irmãos, permitindo-se despojar das suas defesas perante estes - porque sabem que, em Loja e entre as Colunas de seus Irmãos estão seguros e protegidos e livres de ataques. Assim cada um não só pode ver-se como na Verdade é, como também pode ter a noção de como realmente são os seus Irmãos. E essa mútua transparência permite que todos se descubram, afinal, tão profundamente iguais, no fundo das suas incomensuráveis diferenças! Talvez isto permita perceber porque e como se estabelecem os fortes e profundos laços entre os maçons!

A Verdade da divisa é, afinal, a Verdade inerente a cada um, por ele redescoberta e posta em comum com os seus Irmãos.

É na franca exposição da Verdade que cada um é que se possibilita identificar o Auxílio de que cada um carece e do que cada um pode prestar e a todos envolver no Amor Fraternal.

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

MESTRE DE CERIMÔNIAS E DIÁCONOS - CONDUTAS RITUALÍSTICAS

MESTRE DE CERIMÔNIAS E DIÁCONOS - CONDUTAS RITUALÍSTICAS
(republicação)

Em 07/06/2017 o Respeitável Irmão Eduardo Muzzolon, Loja Pensamento e Luz, 2700, REAA, GOSP-GOB, Oriente de São Paulo, Capital, solicita esclarecimentos para as seguintes questões:

MESTRE DE CERIMÔNIAS E DIÁCONOS

Cá estou mais uma vez para solicitar esclarecimento sobre detalhes das circulações do Mestre de Cerimônias e dos Diáconos.

1) Onde no Ritual e no MDR é citado "acompanhar" e/ou "conduzir", a posição do Mestre de Cerimônias é atrás, ao lado ou na frente do acompanhado/conduzido?

2) Na abertura dos trabalhos, é necessário que o 1º Diácono retorne a seu lugar para que só então o 2º Diácono dirija-se ao 1º Vigilante?

CONSIDERAÇÕES:

1 - Bem, em qualquer orientação tradicional no REAA.'. o Mestre de Cerimônia não “acompanha”, porém “conduz” alguém. Assim ele sempre vai à frente do conduzido, como que abrindo caminho para passagem. 

Infelizmente muitos desses detalhes às vezes passam despercebidos em alguns rituais e manuais, o que geralmente tem acabado em contradição. 

São as sutilezas da liturgia e da ritualística maçônica que não podem passar despercebida por aqueles que nela se envolvem, tanto como praticantes, ou como dela seus instrutores. Nesse sentido o ideal é se estabelecer que sempre o Mestre de Cerimônias no exercício da sua função seja o condutor e nunca o acompanhante.

2 – Transmissão da Palavra Sagrada: não se trata bem de retornar (chegar de volta) ao seu lugar, mas para o bem da harmonia ritualística (disciplina) o Segundo Diácono nessa oportunidade deve ficar atento ao deslocamento do Primeiro Diácono retornando ao seu lugar. Assim que ele de volta se aproxime do Oriente (antes de nele reingressar), ele (o Segundo Diácono) então inicia o seu deslocamento até o Primeiro Vigilante. 

Em síntese, o Segundo Diácono não precisa aguardar que o Primeiro Diácono, de retorno, ocupe de volta o seu lugar em Loja para ele iniciar a sua missão, entretanto deve observar se Primeiro Diácono já cumpriu o seu dever, ao tempo que se evite com isso o encontro de ambos quando em trânsito pela Coluna do Norte.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

A ESSÊNCIA DA MAÇONARIA ESCOCESA

A ESSÊNCIA DA MAÇONARIA ESCOCESA
Tradução J. Filardo

Publicações recentes criaram um debate sobre como a Maçonaria Escocesa é diferente de outras formas de Maçonaria. Nós explicamos anteriormente que há diferenças substanciais nos paramentos (o uso de aventais embaixo do paletó é apenas um exemplo), ou em seu ritual visto que não existe ritual e regulamento escocês “padrão” (As lojas escocesas têm uma ampla independência nesses assuntos).

No entanto, estas são manifestações externas de razões mais profundas, mais fundamentais, a respeito de porque essas diferenças existem. Tendo sido questionados sobre o que podemos fazer melhor que reproduzir este artigo que, esperamos, responderá a todos aqueles que pediram mais informações. Infelizmente, não é possível responder a todos os emails e mensagens sobre este assunto – daí a postagem deste artigo.

A Grande Loja da Escócia reconhece numerosas Grandes Lojas em todo o mundo como ‘regulares’ e as Lojas visitantes sob aquelas Grandes Lojas Irmãs são permitidas desde que acordos sejam feitos através dos respectivos Grandes Secretários. As Grandes Lojas Irmãs Reconhecidas são corpos soberanos por direito próprio e a Grande Loja da Escócia não pode interferir nos assuntos internos dessas Grandes Lojas, embora o conselho possa ser oferecido se solicitado. Em outras palavras, cada Grande Loja tem seus próprios procedimentos internos, burocracia em alguns casos, definições quanto ao significado de vários aspectos da Maçonaria. No último caso, tais definições são aplicáveis apenas à Grande Loja em questão e não podem ser ‘transferidas’ para a Maçonaria Escocesa.

Recentemente tem havido alguma discussão como o ‘significado’ do Ritual Maçônico Escocês, Paramentos e Simbolismo. Ao ler a Constituição e as Leis da Grande Loja da Escócia (GLoS), alguém poderia ser perdoado por pensar que não havia opiniões sobre esses assuntos. O silêncio sobre o significado de todos os aspectos da Maçonaria Escocesa, não apenas na Constituição e nas Leis, mas também em outras publicações oficiais, não significa que tais opiniões não existam, muito pelo contrário. Por que então não há explicações oficiais de nenhum dos elementos da Maçonaria Escocesa? Esta questão vai para o ponto crucial do que é a Maçonaria Escocesa.

A GLoS acredita que a Maçonaria Escocesa é uma estrutura dentro e ao redor da qual indivíduos realizam sua jornada maçônica. Essa visão é criada em parte pela história e origem da Maçonaria Escocesa, bem como pela psique dos escoceses em geral. Sem entrar em muitos detalhes, é suficiente explicar que, antes da criação da GLoS, em 1736, existia uma rede nacional de Lojas, desde pelo menos 1598, senão antes, cuja composição incluía maçons operativos e não operativos. Havia Lojas cuja composição era inteiramente de maçons operativos (por exemplo, a Loja Journeymen Masons, No. 8), Lojas que não tinham maçons operativos como membros (por exemplo, a Loja Haughfoot) e Lojas que tinham tanto maçons operativos como não operativos como membros (por exemplo, a Loja de Aberdeen 1ter). Essas Lojas existiam independentemente umas das outras e sem qualquer “sede” para direcioná-las de um ponto central. Esse sistema era, e até certo ponto ainda é, bem adequado à psique dos maçons escoceses (se não a população em geral). A independência das Lojas antes de 1736 também se traduziu em um grau significativo de independência para as Lojas fundadas depois de 1736.

Ao contrário de outras Grandes Lojas, que têm e usam muito mais poder e autoridade do que a GLoS, ela funciona mais como um facilitador e órgão consultivo. Não se conhece esse método não autoritário de governança em outras partes do mundo maçônico e ele tem um impacto direto sobre a natureza da Maçonaria Escocesa. Em primeiro lugar, porque a participação na Maçonaria é uma experiência pessoal que difere de pessoa para pessoa, o significado de diferentes aspectos da Maçonaria também pode diferir de pessoa para pessoa. Embora possa haver um consenso entre alguns maçons escoceses sobre o que qualquer palavra ou símbolo particular pode significar, pode haver outras explicações alternativas.

A letra “G” será suficiente para ilustrar esse ponto. Um maçom que seja cristão pela fé geralmente interpretará a letra ‘G’ como G_D, mas um maçom que é muçulmano pode muito bem rejeitar essa ideia porque ele não pode aceitar que G_D possa ser reduzido a uma mera letra de um alfabeto humano. (1) Ele argumentará que a letra ‘G’ significa geométrica ou talvez geometria. Por razões semelhantes, um maçom que seja judeu pode argumentar que ‘G’ representa a bondade – a bondade inata dentro de cada ser humano. Existem várias outras interpretações possíveis. Uma vez que a GLoS expressasse uma opinião quanto ao significado da letra ‘G’, essa se tornaria a interpretação de fato e, portanto, amplamente aceita pela maioria dos maçons escoceses. Se a GLoS fornecesse tais interpretações, ela criaria, de fato, um dogma maçônico escocês e que poderia ser usado para definir a Maçonaria como uma religião – algo que os maçons regulares sempre rejeitaram.

A Maçonaria Escocesa é, portanto, considerada uma experiência individual, ou jornada, ainda que tomada com a ajuda, assistência e orientação de outros maçons. O significado e a interpretação do Ritual Maçônico Escocês, Paramentos e Simbolismo, por uma boa razão, não são fixos e são deixados à interpretação do maçom individual. Esta é uma das razões pelas quais a Maçonaria Escocesa permanece única no mundo e deve permanecer assim por muito tempo.

Robert L D Cooper, FRSA, BA, FSA Scot

Curador do Museu e Biblioteca da Grande Loja da Escócia

(1) G_D é usado aqui em deferência aos nossos irmãos judeus e muçulmanos que não interpretam G_D da maneira cristã.

[Reproduzido do GLoS Year Book, 2015 – Ed.]

Fonte: https://bibliot3ca.com

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

EXISTE JÓIA PARA O SUBSTITUTO DO VENERÁVEL?

EXISTE JÓIA PARA O SUBSTITUTO DO VENERÁVEL?
(republicação)

O Respeitável Irmão José Daniel Massaroni, Loja Conciliação e Justiça, GOB, sem declinar o nome do Rito, Oriente de Presidente Prudente, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:
j1daniel@terra.com.br

Na questão apresentada pelo Irmão Washington Mendes, JB NEWS nº 554, o Irmão tem alguma informação se existe um colar e joia próprios para o uso pelo Irmão que está substituindo o Venerável ou simplesmente utiliza a faixa de Mestre Maçom, que o Irmão substituto usa nas Sessões?

Bom dia,

No JB News nr. 554 o Ir. fez uma explanação sobre a substituição de cargos. Na ausência do Venerável Mestre, o 1º Vigilante substitui o Venerável e se já for Mestre Instalado poderá até atuar no cargo em uma Iniciação. Mas a dúvida é a Faixa e a Joia que o mesmo utilizará se for somente Mestre Maçom? Sabemos que o avental poderá ser o de Mestre; a dúvida é a Faixa e a Joia; o que o distinguiria no cargo que está substituindo?

CONSIDERAÇÕES:

Não existem joias e nem paramentos para substitutos eventuais no caso do cargo de Venerável Mestre. Esses paramentos somente são entregues àquele que legalmente eleito tomou posse (instalado).

Na eventual substituição pelo Primeiro Vigilante não sendo ele Mestre Instalado (caso precário), este simplesmente ocupa o lugar – não usa a joia, nem o avental e nem os punhos do Venerável de ofício. O que distingue o substituto no caso precário é apenas o lugar que ele ocupa em Loja (o trono).

Sendo um Mestre Instalado substituto ocasional esse permanece com o avental de ex-Venerável podendo então usar a joia distintiva e os punhos do Venerável de ofício. Isso acontece porque um Mestre Instalado foi um dia Venerável Mestre, portanto tomou posse com o primeiro malhete da Oficina.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 620, Florianópolis (SC) 09 de Maio de 2012.

MINUTO MAÇÔNICO

DEBATES

1º - Discussões realizadas nas Oficinas maçônicas, relativamente a assuntos em pauta na Ordem do Dia, ou de outros que podem surgir no decorrer da sessão.

2º - Quando em um debate, um irmão desejar fazer uso da palavra, deverá solicitá-la ao Venerável, se estiver sentado no Oriente, ou ao Vigilante, quando em uma coluna.

3º - Os debates precisam ser conduzidos de acordo com os fraternais princípios da Instituição. A mais estrita cortesia deverá ser observada durante o debate, numa Loja de Maçons, sobre questões que produzam diferença de opinião.

4º - Dando-se o caso de um membro da Loja suscitar uma questão de ordem, o Irmão que estiver falando é obrigado a interromper o seu discurso. O Venerável verificará se a questão de ordem tem procedência e autorizará ou não o Irmão a continuar a falar.

5º - "É preciso que seja lembrado de que o objetivo de uma discussão é, sempre, no sentido de elucidar e de encontrar a verdade, e não para assegurar a vitória de alguém".

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

O GADU E A MAÇONARIA

O GADU E A MAÇONARIA
Ir∴Antonio Rocha Fadista
A∴R∴L∴S∴
Or∴Rio de Janeiro RJ


A entrada para a Ordem Maçônica de pessoas que não eram obreiros da construção, a partir do séc. XVII, deflagrou o processo de transformação da Maçonaria Operativa em Especulativa. Este processo viria desaguar na criação da Grande Loja de Londres, a primeira do sistema obediencial. Até à promulgação da Constituição de 1723 a Maçonaria tinha sido essencialmente religiosa, influenciada pela Igreja Católica, à sombra e sob a proteção da qual ela vivera durante a histórica e muitas vezes centenária construção das grandes catedrais góticas da Idade Média.

A Constituição de 1723 confirmou a necessidade da crença num ser criador do Universo e numa vida posterior à morte física. A partir de então, o maçom não pode ser um “libertino irreligioso nem um ateu estúpido” mas adquiriu o direito de adorar o Deus de sua escolha, e não mais, exclusivamente, o Deus cristão.

Daí a dissidência e consequente criação da Grande Loja dos Antigos, que acusava a Grande Loja de Londres – dos Modernos – de permitir excessiva liberdade religiosa aos seus membros. Felizmente, a Maçonaria inglesa selou a paz com a união de 1813 e com edição dos seus rituais em 1815, nos quais prevaleceram – e prevalecem até hoje – a liberdade de crença de cada um dos seus membros.

Deste modo, a História de nossa Instituição pode ser dividida em três períodos bem característicos. Mais precisamente, dois períodos, sendo o segundo subdividido em dois ouros períodos.

O primeiro período foi o Operativo, e o segundo é o Especulativo. Por sua vez, o período Especulativo se divide em antes e depois de 1877.

Como já dito, no período Operativo o conceito de Deus era Trinitário, e até Mariano. Todos os documentos da época, os assim chamados Old Charges – Antigos Deveres – registram esta influência: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É o conceito da Igreja Católica.

O grande problema, que marcaria a fundação da Grande Loja dos Antigos começou exatamente pela liberdade de crença inserta na Constituição de 1723, que também passou a usar oficialmente o termo Grande Arquiteto do Universo.
Esta expressão não consta de nenhuma das Old Charges, mas era muito empregada pela Igreja, onde pode ser encontrada, por exemplo, nas catedrais medievais, também com a variante Grande Arquiteto da Igreja, além de ilustrações de bíblias do séc. XIV e seguintes.

Na mente de Anderson, de Desaguilliers e dos demais vinte e cinco legisladores de 1723, o G.A.D.U. é o conhecido Deus bíblico. Na primeira parte desta Constituição é dito que “Adão, nosso primeiro Pai, criado à imagem de Deus, o Grande Arquiteto do Universo…”. Toda esta primeira parte da Constituição de 1723 está impregnada do Antigo Testamento.

O exame do espírito e da letra desta Constituição, mostra que a Maçonaria Obediencial nasceu teísta. Esta concepção tem sido confirmada inúmeras vezes pelas Grandes Lojas Mãe do Mundo – Inglaterra, Irlanda e Escócia.

A interpretação deísta, que se acentua depois de 1815, atinge o auge em 1877, com a eliminação pelo Grande Oriente de França, do art. 1º de sua Constituição, artigo este que exigia a crença em Deus e na imortalidade da alma, e com o posterior “expurgo”, de todos os rituais, da expressão G.A.D.U. e de todas as orações.

Com esta atitude, o GOF e demais Potências que o seguem, o provocam o grande cisma da maçonaria, a chamada “Summa Divisio”. A partir deste ponto a Maçonaria se divide em duas partes, após o rompimento de relações com as Grandes Lojas Mães – inglesa, irlandesa e escocesa – e com todas as demais que a elas aderem, relações estas que permanecem rompidas até hoje.

O pretexto para a eliminação da exigência da crença em Deus era a defesa da Absoluta Liberdade de Pensamento. Na realidade, foi fruto de infiltrações em Lojas, do espírito anti-clerical, anti-religioso e por fim, antiteísta dos iluminados da Baviera, dos filadelfoss, dos carbonários, em suma, de irreligiosos e ateus. Grupos minoritários, mas ativos, que conseguiram dividir a Instituição em duas correntes distintas, em duas Maçonarias.

Uma Regular, Ortodoxa e Tradicional, que tem espírito religioso (porque não aceita os irreligiosos) e é apolítica. Outra, Irregular, heterodoxa, que é irreligiosa e política.

A união das duas Grandes Lojas inglesas, com a reforma dos seus rituais em 1815, evitou que se interpretasse deísticamente o 2º parágrafo do 1ºartigo da Constituição de Anderson, como o fez o Grande Oriente de França. Este Grande Oriente não aceitou a reforma de 1815 e se apegou à Constituição de 1723, ignorando, no entanto, o 1ºparágrafo do seu 1ºartigo, que fala do estúpido ateu e do libertino irreligioso. Transcrevemos abaixo os textos pertinentes da Constituição de Anderson de 1723 e da mesma Constituição reformada em 1815.

Texto de 1723: – Posto que nos tempos antigos os maçons tivessem a obrigação de seguir a religião do próprio país ou nação, qualquer que ela fosse, presentemente julgou-se mais conveniente obrigá-los a praticar a religião em que todos os homens estão de acordo, deixando-lhes plena liberdade às convicções particulares…

Texto de 1815: – De todos os homens, (o Maçom) deve ser o que melhor compreende que Deus enxerga de maneira diferente do homem; pois o homem vê a aparência externa ao passo que Deus vê o coração… Seja qual for a religião de um homem ou sua forma de adorar, ele não será excluído da Ordem se acreditar no glorioso Arquiteto do Céu e da Terra e praticar os sagrados deveres da moral…

Por conseguinte, o texto da reforma de 1815 deixa claro que já não se trata da ampla tolerância proclamada por Anderson. O perigo do deísmo se conjurou por um teísmo pessoal.

O objetivo principal desta mudança era evitar a formação de movimentos laicistas que pudessem levar, como de fato acabaram levando, à ruptura de 1877 pelo Grande Oriente de França.

Daí se concluir que a reforma de 1815 foi a salvação da Maçonaria Regular. Foi a partir deste momento que começou o afastamento do Grande Oriente de França, que culminaria em 1877 com a eliminação da exigência da crença no G.A.D.U.
O Grande Oriente de França tentou, diversas vezes, a reconciliação com as Grande Loja Unida da Inglaterra e suas aderentes, sem nenhum sucesso até hoje.

Já o Grande Oriente da Itália (Palazzo Giustiniani), que abandonou em 1972 os conceitos adotados em 1877, foi reconhecido como Potência Regular pela UGLE.

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

terça-feira, 9 de novembro de 2021

PARAMENTOS DOS VIGILANTES

PARAMENTOS DOS VIGILANTES
(republicação)

Questão apresentada pelo Irmão Antonio Lourenço Gelain Junior, Aprendiz Maçom da Loja Cavaleiros da Arte Real, GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná.
Contato: gelain@arlscavaleirosartereal.com

Caro Irmão Pedro Juk, Em algumas Lojas que tenho visitado (REAA), os paramentos (avental e colar) dos Vigilantes são diferentes. Sou filiado ao GOB-PR, vejo em todas as Lojas que o Venerável Mestre possui paramentos novos (avental, colar e punhos em azul celeste, orlados em dourado e com o instrumento de trabalho do Venerável [esquadro] bordado ao centro). Em algumas lojas, os paramentos dos vigilantes são iguais ao do Venerável Mestre, somente trocando o Tau pelas rosetas e o esquadro (ferramenta do Venerável) pelo nível e prumo (no avental e nos punhos). Gostaria de saber se procedem estes novos paramentos e se há alguma resolução para que os institua.

CONSIDERAÇÕES:

Os paramentos das Luzes da Loja (Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes) do Rito Escocês Antigo e Aceito no Grande Oriente do Brasil estão previstos no ritual do Mestre Maçom em vigor no título 1.4 – “Dos Títulos e Insígnias”.

Obviamente por vossa pessoa ainda estar colado no grau de Aprendiz, não tem como ainda possuir o Ritual do Mestre.

Em linhas gerais o avental do Venerável Mestre possui contorno azul-celeste nas bordas e abeta debruados em dourado. As duas fitas pendentes em azul e também debruadas em dourado com o pingente também dourado. No centro do avental e logo abaixo da abeta está bordado em dourado dois ramos de acácia tendo ao centro a joia do cargo que é um Esquadro dourado. Distribuídos sobre a abeta e nos cantos inferiores logo abaixo do pingente se apresentam três símbolos inerentes ao Nível e o Prumo equivocadamente conhecidos na Maçonaria brasileira como “taus invertidos”. 

O Venerável usa também punhos azul-celeste debruados em dourado sendo bordados na face de fora em cada punho os ramos de acácia com o Esquadro. O colar é também azul-celeste debruado em dourado, tendo bordados dois ramos de acácia em dourado que se cruzam na base. Preso ao colar vai o Esquadro na cor dourada (joia do Venerável Mestre).

O avental do Mestre Instalado (Ex Venerável) é igual ao do Venerável Mestre se diferenciando apenas na joia bordada no avental, sendo substituído o Esquadro pelo Esquadro e Compasso cujas pontas deste estarão sobre um arco de círculo. Da mesma forma é o colar que é igual ao do Venerável, porém a joia é substituída por aquela descrita acima sobre o quarto de círculo (a joia também é dourada). O Mestre Instalado (Ex Venerável) não usa punhos. 

Os Vigilantes – os paramentos se diferenciam dos do Venerável Mestre nos seguintes aspectos. No lugar dos Níveis/Prumos (os tais “taus invertidos”) estarão rosetas azuis (iguais do avental do Mestre). No lugar da joia (esquadro) dourada e bordada no centro do avental estarão bordadas as joias respectivas dos Vigilantes (o Nível dourado para o Primeiro Vigilante e o Prumo dourado para o Segundo). Os ramos de acácia dourados permanecem. Os punhos são iguais aos do Venerável, substituídas apenas pelas respectivas joias dos Vigilantes (sempre douradas). O Colar é igual ao do Venerável Mestre, porém a joia é aquela pertencente ao respectivo Vigilante (Nível e Prumo dourados).

Finalizando, essa a descrição do que está em vigência no Grande Oriente do Brasil no Rito Escocês Antigo e Aceito.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 617, Florianópolis (SC) 06 de Maio de 2012.

NASCER DE NOVO

NASCER DE NOVO
Autor: Geovanne Pereira

Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. (João 3:3)

Nascemos quando morremos e morremos quando nascemos.

No nascimento, deixamos para trás uma existência, outra realidade, outra maneira de nos expressar, de ser, portanto, morremos e, quando morremos, deixamos essa existência física, para tomamos outra mais sutil, mais leve e simples, pois nascemos de novo.

A morte é uma fronteira que constantemente atravessamos, é um limite que sempre nos transforma e muda todo o nosso ser em nós.

Diariamente vivemos mortes constantes. Todos os dias algo dentro de nós é renovado, morre e é transformado. Superamos ciclos, queimamos etapas, morremos e nascemos de novo, completamente transformados.

Isso também acontece à nossa mente, que à medida que amadurece, nasce e morre, nos transforma como pessoas, criando um caráter e uma personalidade definida, uma maneira de pensar e entender que, se formos realmente trabalhadores e perseverantes, nunca haverá estagnação consciencial.

Ao criar nosso personagem para atuar neste imenso teatro, é inicialmente formado o esqueleto que sua educação e tradição moldou, que você carrega através de seus laços de sangue, através de todo condicionamento social, escolástico e parental.

Com o tempo, esse esqueleto vai se tornando pesado com todas as nossas crenças e tudo isso é alimentado por um sistema circulatório cheio de incertezas, medos e neuroses.

Nossa pele é rasgada e remendada à medida que passamos por todas as batalhas que a vida social coloca diante de nós. Dor e sofrimento acabam bronzeando a pele desse boneco de carne que nos representa e que, constantemente, pensa e diz o que é esperado dele.

Somos nós, aqueles que nossos pais querem ter quando criança, aqueles que nossos professores gostariam de ter quando estudante, aqueles que nossos amigos querem ter como amigo e aquele que nosso parceiro deseja ter como amante.

Isso é tudo o que somos? Somos como os outros esperam que sejamos. Mas sabemos realmente “como” somos ou ao menos “quem” somos?

Suponho que a maioria responderia afirmativamente, enganando a si mesmos. Mas, mentindo não descobrimos quem realmente somos. A cura se encontra depois do reconhecimento da doença. Visitando o interior de si mesmo encontrarás a cura para seus males, o VITRIOL real.

Você pensa que sabe quem é mas, no final, é apenas mais uma crença, uma crença sobreposta por muitas outras que estão sob essa máscara, que você acha que identificam e definem você.

Finalmente, encare a realidade.

Perceba que vivemos apenas para atender às expectativas, mas que nunca soubemos criar as nossas.

Enfrentar o fato de que nunca nos conhecemos e que nunca nos encontramos é um processo brutal de morte.

Morte porque, a partir daquele momento, morre aquele personagem que encarnamos no passado; morre o advogado covarde que sempre sai em nossa defesa, que cria argumentos para justificar nossos vícios e paixões; morrem todos os sonhos e esperanças de outros que tanto nos esforçávamos para cumprir.


Expectativas morrem e, com elas, objetivos e realizações que não nos definiram como pessoas.

É uma morte intelectual; uma morte mental; uma verdadeira iniciação, onde enterramos alguém que nunca fomos, mas que nos permite nascer de novo e nos dá a oportunidade de começar a nos conhecer e ser quem realmente somos, realizando nossos próprios sonhos, realizando nossas próprias realizações e superando nossos próprios objetivos.

A partir desse momento, você será uma nova pessoa no mundo e tudo ao seu redor morrerá por você.

Sua família deve se transformar para conhecê-lo novamente, para saber quem você realmente é. Um novo alguém que fala dizendo o que quer ouvir de seus próprios lábios, que pensa o que seu próprio coração dita, sem influências ou imposições: apenas você e seu novo modo de ser você.

Você nasceu e, como em todos os nascimentos, é um processo doloroso que requer adaptação e aprendizado do zero.

Mas o esforço valerá a pena, porque não haverá mais ninguém a não ser você para criticar o quão bom ou ruim você é, pois agora você conhece a ti mesmo e, quando cometer erros, não será apenas mais um erro, será apenas a tentativa, o treinamento perpétuo para se refinar, se aperfeiçoar, erguendo templos às suas virtudes e reconhecendo sua real personalidade purificada.

Será para você difícil e provavelmente doloroso, pois não há mais uma armadura e você estará constantemente exposto.

Logo você saberá como impermeabilizar seu coração e mente de toda negatividade; compreenderá a incompreensão daqueles que se encontram estagnados e inconscientes; e essa “inveja” despertará naqueles que não ousaram morrer o desejo de renascer como você.

Autor: Geovanne Pereira

Geovanne é professor de Filosofia, psicanalista, Mestre Maçom da ARLS Jacques DeMolay, n°22 – GLMMG e, para nossa alegria, também um colaborador do blog.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

INSCRIÇÕES NA ARCA DA ALIANÇA

INSCRIÇÕES NA ARCA DA ALIANÇA
(republicação)

Em 03/06/2017 o Respeitável Irmão Euro Ferreira Guedes, Loja Pedro Michael Struthos, 2065, REAA, GOB-RO, Oriente de Guajará Mirim, Estado de Rondônia, solicita a seguinte informação:

Versa minha pergunta sobre as inscrições existentes na Arca da Aliança. No Ritual do Grau 4, Supremo Conselho do Grau 33, vemos as inscrições existentes na Arca da Aliança e uma breve explicação sobre as mesmas. Procurei algo mais explicativo e elucidativo sobre essas inscrições, mas não encontrei em lugar nenhum qualquer referência sobre as mesmas. O Ir teria alguma coisa a dizer sobre essas inscrições?

CONSIDERAÇÕES:

Penso que o Irmão se refere a uma inscrição confusa constituída por alguns caracteres das chaves do alfabeto codificado maçônico e o número 3.000 – pelo menos é essa inscrição que aparece na Arca da Aliança nos rituais que possuo, embora quase de identificação inelegível (pelo menos os meus). 

Originalmente nas gravuras da Arca da Aliança apresentadas pela cultura hebraica essas inscrições não aparecem e não fazem sentido algum.

Provavelmente autores maçônicos a incluíram na Arca por se assemelhar às inscrições de um epitáfio muito comum em alguns Painéis do Terceiro Grau. Mesmo assim, embora se façam presentes, os rituais do Mestre Secreto não mencionam em nem explicam o significado dessas inscrições, salvo se existir alguma que eu não conheça.

Na verdade, a Arca como um dos utensílios do Templo, se apresenta no Grau 4 da Loja de Perfeição como um elemento propiciatório e que fica no Oriente da Loja, este isolado do recinto, pois simbolicamente ali só tem ingresso de modo discreto e silencioso aquele que possuir a chave para abrir a passagem que se encontra na balaustrada (Z.'.).

Na doutrina do Mestre Secreto a Arca que retém as Tábuas da Lei possui relação com os quesitos filosóficos da teoria da Mônada (Gotfried Wilhelm Leibniz – 1646/1716) – o elemento constitutivo de todas as coisas.

Assim, sob o ponto de vista da Maçonaria filosófica do REAA.'. a Arca, dentre outros, simboliza também o túmulo, ou o lugar de Hiran, mas não o Hiran personagem, e sim um elemento representativo do “testemunho” dessa aliança que “resplandece” no interior do homem.
Sem definir nenhum aspecto laudatório, é muito provável que devida essa analogia, alguém fez com que o conhecido epitáfio de alguns Painéis do Terceiro Grau, pelo menos parte dele ao que parece, desafortunadamente fosse parar como inscrição na Arca da Aliança de alguns rituais maçônicos, o que é um lamentável engano.

A título de esclarecimento essa inscrição ao se referir ao epitáfio e Lenda Hirâmica exprime a seguinte mensagem com base no Ano da Verdadeira Luz (Ano Lucis) e segundo alguns exegetas: “lendariamente Hiran Abif teria sido morto e sepultado há mais de 3.000 anos” (essa morte simbólica está no interior do homem). Note bem que essa inscrição caberia muito bem quando a tratamos em relação aos Painéis do Terceiro Grau. Talvez seja por isso que os rituais do Mestre Secreto não a expliquem – pelo menos até onde eu sei, ou mesmo tragam uma breve explicação (que eu não conheço) como diz o Irmão.

Se é que possa haver alguma afinidade entre essa inscrição e a Arca, e se ela é parte do epitáfio do Painel do Mestre, é isso que eu posso comentar.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MASONERÍA EN EL PARAGUAY

MASONERÍA EN EL PARAGUAY
Luis Verón

Hoy 18 de enero, se cumplen 142 años de la instalación en nuestro país de la primera logia masónica que funcionó regularmente en el Paraguay. Desde entonces, la fraternidad estuvo muy presente en la historia, coadyuvando en la recuperación nacional, luego de la hecatombe del 70. La memoria de grandes hombres e importantes obras quedan deslucidas con la situación actual de esa centenaria institución.

Y amaneció en el Oriente

El 1 de enero de 1869, las fuerzas aliadas ocuparon militarmente la capital paraguaya.

La encontraron desolada, excepto algunos extranjeros y famélicos animales.

Con las fuerzas invasoras, llegaron muchos vivanderos y paraguayos exiliados.

Entre la oficialidad brasileña y argentina, se encontraban numerosos iniciados en la masonería, esa fraternidad varias veces centenaria de luchadores por el republicanismo, la democracia, la instrucción pública, el conocimiento y la convivencia según reglas de juegos civilizadas. Los presidentes de los países beligerantes y los generalísimos de dichos ejércitos eran grandes maestros de la masonería en sus respectivos países: Mitre, Sarmiento, Caxias, Peixoto, Osorio, etc.

domingo, 7 de novembro de 2021

RECUSA DE CARGOS

RECUSA DE CARGOS
(republicação)

Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Juliano Francisco dos Santos Braga, Secretário da Loja Liberdade e Justiça, nº 41, GOB, Oriente de Bom Sucesso, Estado de Minas Gerais. juliano.agro@ig.com.br

Prezado Irmão Pedro Juk, assino a revista Trolha e este mês vi seu e mail no canto esquerdo inferior da pagina de perguntas e respostas. Tenho uma duvida a respeito dos cargos em Loja que quando estamos numa reunião onde têm poucos obreiros para trabalhar ou não foram os titulares, o Mestre de Cerimonia começa distribuir as joias e noto que alguns Irmãos não querem ou ficam se esquivando de assumir o cargo naquela reunião. A questão é a seguinte: o Irmão pode recusar cargo oferecido pelo Mestre de Cerimônia naquela reunião?

CONSIDERAÇÕES:

A questão é sempre de bom senso. Sem a presença de titulares de certos cargos o Mestre de Cerimônias deve solicitar auxílio para o preenchimento preferencialmente de outros Mestres do quadro da Loja. 

É possível solicitar também auxílio de visitantes se estes se fizerem presentes, desde que sejam da Obediência a que pertença a Loja.

Também o Mestre de Cerimônias deve ter o discernimento de não revestir uma autoridade presente, salvo se ela própria se colocar a disposição, já que determinados cargos no caso do Grande Oriente do Brasil obedecem a um protocolo de recepção exarado pelo Regulamento Geral da Federação.

Quanto à pergunta propriamente dita, os cargos em Loja são ocupados por Mestres Maçons e em sendo eles Mestres devem obrigatoriamente saber o ofício dos diversos cargos. Assim é consuetudinário em Maçonaria que ninguém deve se recusar a ocupar um cargo quando solicitado pelo Mestre de Cerimônias. A recusa normalmente é sinônima de despreparo.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 616, Florianópolis (SC) 05 de Maio de 2012.

COWANS: OS PEDREIROS SEM A PALAVRA - CAPÍTULO II

COWANS: OS PEDREIROS SEM A PALAVRA - CAPÍTULO II
Autor: Victor Guerra
Tradução: José Filardo

Os cowans nas exposérs e nos rituais maçônicos

A etimologia da palavra cowans preencheu muitas páginas da historiografia inglesa e pouquíssimas páginas, para não mencionar quase nenhuma, em francês.

Embora isso se deva talvez ao fato de o termo ter sido traduzido para o francês de uma maneira muito diferente, e sua singularidade como tal ter sido ocultada de uma maneira que a maioria dos dicionários maçônicos em uso, apesar de ser um termo amplamente usado em inglês na Maçonaria operativa e especulativa em seus primórdios, na bibliografia francesa, dificilmente esse fato é levado em consideração.

Revisando os dicionários em uso como, por exemplo, o Dictionary of Freemasonry, de Daniel Ligou, ou a Enciclopédia de Saunier, nem mesmo a prolífica Irene Mainguy trazem o termo em suas publicações. Quem o faz são Boucher e Bayard, mas acrescentando as citações já expostas sobre a loja de Kilwinning.

Apenas o dicionário de Solange Sudarkis[1] é um pouco mais explícito. Esta autora nos remete às Constituições de Anderson de 1738, cujas palavras são retomadas por Laurence Dermott no Ahiman Rezon. Estendendo-se a autora do repertório em sua entrada ao que já foi exposto neste artigo, sem se aventurar em nenhuma outra novidade.

Nesta busca pela etimologia, há quem nos leve de volta às origens gregas para nos dizer que daí vem uma expressão semelhante que significa algo como “cachorro”. Continuando com essas andanças, existem aqueles que acabam diante da Revista de Maçonaria que, em seu volume 1, cita o Cavaleiro Ramsay quando fala sobre An Inquire Concerning Cowans; e sem sair do solo inglês, a pena de Sir Walter Scott cita os referidos operativos em seu romance Rob roy:

Ela não valoriza um Cawmil Mair como Cowan, e você pode dizer a Mac Callum More que Allan Iverach disse que sim.

É isso que alguns documentos repetem uma e outra vez, mas é preciso dizer que esse conjunto de contribuições dificilmente nos tira da roda gigante da repetição de citações, muitas delas tendo como base o que já foi bem escrito por Mackey, ou pelo próprio Joseph Fort Newton[2].

Quem vem em nosso auxílio neste árduo desbaste entre fontes primárias é, como quase sempre, o grande aluno do fenômeno maçônico, Henry Carr[3], que nos oferece mais pistas sobre tal termo, pelo menos para seguir adiante.

Os cowans nas Antigas Obrigações (Old Charges)

Analisei a etimologia do termo e sua adequação nos campos profissionais relacionados ao mundo da cantaria e, é claro, seu atrito socioprofissional devido a diferentes mudanças nos setores profissionais, e não vejo que manifestem uma atenção especial nas diversas regulamentações socioprofissionais do século XVI ao XVIII, ou seja, nas Antigas Obrigações (Old Charges).

Pode-se dizer que sua presença em tais textos é mínima, como nos mostra o prestigioso pesquisador da chamada Escola Autêntica, Henry Carr, que escreve que a presença dos cowans é notada em dois manuscritos, o Dumfries No. 4 e o Wilkinson.

O primeiro deles, de 1710, em sua lenda do Ofício, nos expõe outra variante do termo: cowin e em cujo texto se insere nesta frase:

The Assembly Itim that no master masson shall make any mould square or Rule to any Layer or cowin Itm that no mg within or without a loge shall set a lay mould of stone or other ways without».[4]

A tradução francesa se apresenta assim:

Item, nul maître maçon ne fabriquera aucun gabarit, equerre ou regle pour un poseur ou un cowan.

Que viria a ser traduzido para o português assim:

Nenhum Mestre Maçom fabricará qualquer modelo, esquadro ou régua para alguém que se passa por (se apresenta), ou que não tem qualidades (finge) ou um cowan.

No Prefácio do referido manuscrito fala-se “das obrigações de todos os maçons verdadeiramente qualificados”. Assim, fazendo-se uma distinção entre maçons qualificados e os “outros”, deve se referir, portanto, aos cowans, que além disso qualifica como trabalhadores temporários.

O segundo documento é o manuscrito Wilkinson de 1727, que Harold Wilkinson da Loja Pomfret nº 360 encontrou em 1946 entre os documentos de seu falecido pai Samuel Blaze Wilkinson (1851-1931). E, portanto, ele carrega seu nome.

O manuscrito Wilkinson parece representar um ritual anterior a exposér de Prichard, e parece não haver evidências de que ele tenha sido praticado em qualquer Loja de Northampton, onde foi encontrado. Tampouco se pode afirmar, certamente, por razões que explicaremos mais adiante, que o documento fosse escrito em data anterior ao que se diz. Este evento, como o resto da história, foi publicado por Knoop e Jones em sua resenha sobre tal manuscrito[5].

Em resumo, cowan é um termo que, primeiramente, vem do campo profissional rural, isto é, de uma guilda no amplo mundo do trabalho em pedra, mas que estava fora das questões regulatórias e da articulação das corporações de ofício. Não parece que eles tivessem regulamentos ou qualquer organização, pelo menos os historiadores não o incluem como tal.

Sabemos tangencialmente e por fontes das próprias corporações de ofício que esses trabalhadores, por diferentes razões, eram exógenos ao classismo da cantaria, uma vez que eram trabalhadores que não tinham a etiqueta das distintas organizações corporativas (irmandades, guildas, corporações, etc.), onde seus membros tinham diferentes formas de aceitação e reconhecimento(palavras e toques) que faltavam a esses trabalhadores rurais que não podiam, portanto, valer-se da ajuda fraterna das diferentes organizações do Ofício.

Isso que, em princípio, não deveria ter maior importância, pois os dois setores não estavam em concorrência conforme já foi dito, quando a pressão trabalhista os levou a se mover, alguns em direção a áreas rurais com a construção de igrejas, e outros em direção a cidades para reconstrução delas, como foi o caso de Londres. Isso demonstra que um terceiro significado estava emergindo, de maneira depreciativa, fazendo os cowans rurais parecerem intrusos.

Os cowans no ritual maçônico inglês

Por outro lado, como eu já disse, o termo cowan não merece muito mais atenção do mundo sócio trabalhista da cantaria no território inglês, uma vez que as fortes estruturas e regulamentos assumiram a situação como uma consequência da estratificação sócio trabalhista, e assim podemos entendê-la quando não encontrar na barafunda de manuscritos regulatórios (Antigas Obrigações) nada mais do que um número muito pequeno de citações.

Sem descurar o declínio das guildas operativas, paralelamente, a questão dos cowans passou a um segundo plano.

Em vez disso, com o surgimento da Maçonaria especulativa a partir de 1717 e a chegada das exposérs publicadas nos tabloides ingleses, bisbilhotando os trabalhos do ritual maçônico que naquela época era um produto de alta demanda entre o público em geral, e esse termo estava vinculado principalmente ao âmbito profissional sob várias acepções: maçons rurais, pedreiro de muros, maçom sem reconhecimento ou pedreiro temporários etc., leva a uma nova acepção, e os famosos cowans começam a aparecer, atribuindo-lhes ou assimilando-os a novos termos como: leigos que pretendem entrar nas lojas, eles também são descritos como intrusos, e um pouco mais tarde eles são denunciados como espiões.

Assim, nos chegam as diferentes exposérs nos jornais da época, que dada sua semelhança, fazem com que seu conteúdo nos ofereça certas garantias de que o que elas nos dizem corresponde a uma realidade na qual quase todas coincidem mais ou menos[6].

Uma dessas exposérs, a A Mason’s Confession (Confissão de um maçom) de 1727, que reuniu as cerimônias dos maçons especulativos daqueles primeiros anos, traz em sua primeira citação:

immediately after that oath, the administrator of it says, you sat down a cowan, I take you u Mason. (Imediatamente após o juramento, o presidente diz: aqui chegastes como cowan (profano) e eu te aceito como maçom).[7]

Uma frase que não deixa de ser surpreendente, pois pode ser interpretada como uma mão estendida a quem, depois de procurar um lugar na vida, a encontra com essa ajuda de ser aceito como maçom. Mas estamos falando da época especulativa, dez anos haviam se passado desde a fundação da Grande Loja, e não estamos mais falando de um profano, mas de um cowan. O que o autor de Confissão nos quer dizer com esta frase?

Que ainda pesava a herança operativa no seio da nova proposta especulativa. É uma possibilidade.

Outra citação que já conhecemos em parte é esta:

Q. How high should a mason’s siege be? A. Two steeples, a back, and a cover, knee-high all together. ——N.B. One is taught, that the cowan is taught, that the cowans stage is built up of whim stones, that it may so on tumble down again; is taught, that the cowans siege is build-up of whim stones, that it may soon tumble down again; and it stands half out in the lodge, that his neck may be under the drop in rainy weather to come in at his shoulders, and run out at his shoes».[8]

Um assento, um local … mas onde? O texto está se referindo à parte externa da loja, naquele ponto em que o último trabalhador, talvez o cowan, não estava sob o abrigo da Loja e, portanto, exposto a intempéries que lhe fustigavam todo o corpo. É possível que seja isso.

Por outro lado, nas Constituições de Anderson, o autor não foi sensível a essa questão em seu texto de 1723, cuja ausência não chamaria a atenção, se não fosse pelo fato de que quinze anos depois, na revisão de 1738, ele introduziu esta frase:

Os maçons livres e aceitos não permitirão aos cowans trabalhar com eles, e eles não serão empregados a menos que haja uma necessidade urgente…

Cabe então perguntar por que Anderson levanta essa questão de “necessidade urgente”, justamente naquele momento, 1738 …? Essa necessidade foi justificadamente invocada em 1666, após o incêndio em Londres, que fez com que chegassem à capital inglesa as mais variadas guildas de pedreiros.

Um pouco antes da modificação andersoniana, foi publicada a talvez mais importante exposér dentro desse panorama de rituais maçônicos, e ligada ao setor dos Modernos. Trata-se da obra de Prichard, Maçonaria Dissecada (1730) em que o termo que nos interessa aqui surge em várias ocasiões. Vejamos então as citações:

A certa altura do catecismo clássico dos trabalhos rituais, o Venerável Mestre pergunta ao Aprendiz Aceito onde ele se situa e este responde:

Apr: Ao norte.

VM: Qual é o seu dever?

Apr: Manter afastados todos os cowans ou bisbilhoteiros (eaves-droppers)

VM: Se um cowan for capturado, como ele deve ser punido?

Apr: Colocando-o sob os beirais da casa em tempo chuvoso até que a água entre por seus ombros e saia pelos seus sapatos.[9]

É aqui que se aprecia o vínculo que se faz entre os cowans como “bisbilhoteiros”, (eavesdroppers), que é exatamente o termo de correlação. Mas, para que se perceba como esses termos desaparecem ou se deformam com as traduções, naquela já mencionada de Renato Torres, neste caso da chamada Maçonaria Dissecada, ele traduz “To keep off Cowans and Eves-droppers”, como “Afastar profanos e bisbilhoteiros.”

Como se pode ver, os rituais e os catecismos valem-se das mesmas fontes, pelo menos em relação a algumas questões, pois mostram as coincidências entre as duas exposérs: A Mason’s Confession e a Maçonaria Dissecada.

Também aparece um pouco mais adiante, quando a VM continua com o catecismo:

P. Qual era a altura da porta da Câmara do Meio?

R. Tão alta que um cowan não conseguiria cravar um alfinete.

A resposta, digamos, está na tradução da seguinte frase do catecismo, pelo menos em relação à tradução francesa, quando diz:

Ela é tão grande que uma manobra (manoeuvre) não podia cravar um alfinete (épingle).

E comento que tal explicação está na tradução porque, por um lado, manouevre, geralmente traduzida como manobra e, como me explica o maçonólogo Joaquim Villalta, esse termo deveria ser traduzido como “peão” ou “mão de obra”, para se encaixar no entendimento mais adequado da frase, inclusive entendendo o termo “Pin” como prego, ou seja, um cravo pequeno e fino. Mas, no entanto, a frase na realidade, no idioma original em inglês, é “So high that a Cowan could not reach to stick a Pin in”, ou seja, que não existe manobra alguma, apenas a versão livre francesa de cowan[10].

Por sua parte, Laurence Dermott também dedica a eles várias citações em sua Bíblia constitucional, como é o Ahimam Rezon (1751) para os Antigos, onde ele escrevia sobre esses pedreiros marginais como “When sinful Cowans were grooving in the tide, the Mason Ark triumphantly did ride”.[11]

Pecaminosos… Por qual razão o seu trabalho nas áreas rurais, construindo muros, era repreensível ou imoral? Quando, na realidade, os irlandeses que constituíam a Grande Loja dos Antigos eram geralmente da mais baixa classe social de Londres, ou pelo menos assim eram considerados, incluindo o próprio pai fundador.

Laurence Dermott se deixa resvalar ladeira abaixo quando indica que nobres ricos podem contratar bons maçons e não cowans. Tinha ele medo da concorrência?

When Men of Quality, Eminence, Wealth, and Learning, apply to be made, they are respectfully accepted, after due Examination; for such often prove good Lords (or Founders) of Work, and will not employ Cowans when true Masons can be had; they also make the best Officers of Lodges, and the best Designers, to the Honour and Strength of the Lodge; nay, from among them the Fraternity can have a Noble Grand Master; but those Brethren are equally subject to the Charges and Regulations, except in what more immediately concerns Operative Masons»[12]

Aqui, Dermott repete o que Anderson disse em 1738:

But Free and Accepted Masons shall not allow Cowans to work with them, nor shall they be employed by Cowans without an urgent Necessity; and even in that Case they must not teach Cowans, but must have a separate Communication; no Labourer shall be employed in the proper Work of Free-Masons.[13]

A seção dedicada ao telhador (Tyler) se determina:

BROTHER V. W.: You are appointed Tiler of this Lodge, and I invest you with the implement of your office. As the sword is placed in the hands of the Tiler, to enable him effectually to guard against the approach of cowans and eavesdroppers, and suffer none to pass or repass but such as are duly qualified, so it should admonish us to set a guard over our thoughts, a watch at our lips, post a sentinel over our actions; thereby preventing the approach of every unworthy thought or deed, and preserving consciences void of offense toward GOD and toward man.[14]

Mas nas Constituições dos Antigos, Ahiman Rezón, a palavra cowan aparece cerca de catorze vezes e novamente em Tubal Kain.

Outros textos rituais seguem linhas semelhantes, seja de uma forma muito definida, como já vimos ou retirando certas assimilações.

No Guia de maçons escoceses de 1829:

P. Quem são aqueles a quem você chama cowans?

R. Aqueles que não são maçons.[15]

Mais adiante, se pergunta:

P. Um maçom pode seguir sendo um Cowan?

R. Aquele homem que ingressa por mera curiosidade, para ganhar posição social ou vantagens nos negócios, o falso maçom é o verdadeiro cowan, uma fonte sutil de problemas dentro do corpo do Ofício, que certamente afetará a vida da Irmandade. se não se tiver cuidado.[16]

A pergunta que poderíamos fazer é: por que se segue em 1829 assimilando a questão dos falsos maçons aos cowans? E não apenas isso. Como é possível continuar mantendo-os como fonte de diversos problemas, e isso não é feito falando diretamente de profanos que desejam ingressar na Maçonaria?

Em geral, essas são perguntas que os historiadores não se fizeram, mas que dificilmente foram objetivadas, e a possível resposta que temos para essa tendência dos maçons de manter as analogias antigas dentro dos rituais que nos podem parecer um tanto estranha e até pouco compreensível, mas explica o conteúdo e o continente, embora no final o que resta de tudo isso, e se torna muito evidente, é o interesse em assemelhar o termo cowan a uma série de atitudes reprováveis.

Nesse sentido o ritual Duncans’ Masonic Ritual and Monitor (1866) se expressa deste modo:

Q. Brother Tyler, your place in the Lodge. (Irmão Guardo do Templo Qual é o seu lugar na loja?)

A. Without the inner door. (Fora da porta interna)

Q. Your duty there? (Qual é o seu dever ali?)

A. To keep off all cowans and eavesdroppers, and not to pas o repas any but are duly qualified and have the Worshipful Master´s permission. (Manter afastados todos os profanos e bisbilhoteiros, e não deixe passar ninguém devidamente qualificado e sem a permissão do Venerável Mestre.)

Nesta linha que marca muito uma parte da ritualidade inglesa dos Antigos, mesmo quando a unificação de 1813 com os Modernos e os Antigos a tenha deixado para trás, e eles haviam se imposto uma normalização ritual através da implosão de ritual padronizado para esta nova fase, como é o ritual Padrão de Emulação, e onde se pode ver que em um ritual como o Duncan, o chamado Tyler (Guarda do Templo), localizado fora da loja, apresenta como missão, espada na mão, garantir que nenhum cowan ou intruso entre na loja.

A esse respeito, dos cowans surgiu um dilúvio de versos e canções satíricas, como a de Gavin Wilson, poeta e maçom da loja St. David no. 36 de Edimburgo, que em 1788 em suas canções satíricas apresenta os cowans como tolos que, pretendendo obter o Palavra de Maçom, podem ser enganados de mil e uma formas[17].

Por sua vez, o prestigiado Makey apresenta, quando narra como Robert Jamieson, em sua busca por possíveis derivações do termo, se coloca diante da alocução que termina com o termo “cachorro” (talvez ligando o fato de que os escritores bíblicos haviam exposto precisamente o cão como uma imagem de desprezo) e, a partir dessa acepção a que chega Jamieson, este o coloca em relação à língua sueca, para concluir a caracterização dos cowans como Kujon ou Kuzhhjohn que significa: “tolo”.

Continua…

Fonte: BIBLIOT3CA

Publicado originalmente em: ritofrances.net/

Notas

[1] – Dictionnaire vagabond de la pensée maçonnique. Éditions Dervy. 2017

[2] – The Builders. A Story and Study of Masonry. Grand Lodge of Iowa. 1914.

[3] – The Early Masonic Catechisms. Quatuor Conorati Lodge nº 2076. 1975.

[4] – MS. on two lines withgo owl.


[6] – Révaguer, Marie-Cécile. Les âges de la vie pour le franc-maçon britannique du XVIIIe siècle In: Les Âges de la vie en Grande-Bretagne au XVIIIe siècle. Presses Sorbonne Nouvelle, 1995.

[7] – En la traducción de Renato Torres, para el libro: Catecismos Masónicos (1696-1750). Edito Pardes. Este traduz a frase como: Você sentou-se como um cowan, eu lhe ergo como um pedreiro.

[8] – P. – Qual deve ser a altura de um assento de maçom? R. – Duas agulhas de campanário, um encosto e um teto, todos à altura do joelho. Nota- É ensinado que o assento de um cowan é feito de pedra vulcânica para que afunde rapidamente. E está localizado metade na loja, metade do lado de fora, para que o pescoço do cowan fique sob o beiral do telhado em tempo chuvoso e que a água lhe penetre por entre seus ombros e saia pelos seus sapatos.

[9] – O ilustrador W. Hogarth, em 1730, parodia esse curioso castigo em sua obra Night . Ver: Mulvey-Roberts, Marie. Hogarth on the Square: Framing the Freemasons. Journal for Eightieth-Century Studies. Vol. 23. 2003.

[10] – (Nota do Tradutor) Os Cowans, apesar de qualificados como pedreiros, não eram assim considerados pelas corporações, que os consideravam apenas “mão de obra” a ser contratada em caso de emergência. O que pode ter ocorrido é o tradutor francês interpretar a palavra cowan como mão de obra e ao grafar “main d’oeuvre”, escreveu “manoeuvre”, gerando assim uma distorção no entendimento da frase original em inglês.

[11] – “Quando os pecaminosos Cowans sucumbiam à maré, a Arca do Mason triunfante subiu.”

[12] – “Quando homens de qualidade, eminência, riqueza e aprendizado solicitam serem recebidos, eles são respeitosamente aceitos, após o devido exame; porque eles frequentemente provam ser bons Senhores (ou Fundadores) do Trabalho e não empregarão Cowans quando podem ter verdadeiros maçons; eles também são os melhores Oficiais da Loja, e os melhores Desenhistas, para a Honra e Força da Loja; mais que isso, de entre eles a fraternidade pode ter um Nobre grão-mestre; mas esses Irmãos estarão igualmente sujeitos aos Cargos e regulamentos, exceto no que concerne mais imediatamente aos Maçons Operativos.”

[13] – “IRMÃO VW: Fostes nomeado Tyler (guarda do templo) desta Loja e eu vos invisto com a ferramenta de seu ofício. À medida que a espada é colocada nas mãos do guardo do templo, para efetivamente permitir que ele se proteja contra a aproximação de cowans e espiões, e não permita que alguém passe ou repasse, a menos que esteja devidamente qualificado. Com isso se quer nos advertir a colocar guardar um guarda sobre nossos pensamentos, vigilância em nossos lábios, uma sentinela em nossas ações; evitando assim a abordagem de qualquer pensamento ou ato indigno e preservando as consciências sem ofender a DEUS e ao homem.”

[14] – A este respeito, há uma nota que diz Le Parfait Maçon – Pro-phanus significa fora do Templo, e o profano designa quem não entrou em seu Portal janua. O termo inglês Cowan designa qualquer estranho à guilda que não possua a Palavra, já que se tratava de um leigo, um espião ou um pedreiro ou um aprendiz que não foi recebido maçom (http://helmantica182.org/wp-content/uploads/2016/01/Lecturaspyg.pdf)

[15] – Contém uma nota que nos remete às Constituições Anderson de 1738


Fonte: https://opontodentrocirculo.com

sábado, 6 de novembro de 2021

A RESPONSABILIDADE DO PADRINHO

A RESPONSABILIDADE DO PADRINHO
(republicação)

Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Theódor Pesch Badotti, Loja Acácia Laranjeirense, GOB-PR, Rito Escocês Antigo e Aceito, Oriente de Laranjeiras do Sul, Estado do Paraná.
theodorbadotti@hotmail.com

Novamente entro em contato para ver se o Irmão pode auxiliar. A questão é sobre o PADRINHO. Estou desenvolvendo um trabalho sobre este tema e encontrei alguns textos que citam que a responsabilidade do padrinho termina quando o indicado é elevado a Companheiro. Isto tem procedência?

CONSIDERAÇÕES:

Acredito que isso em termos da Maçonaria brasileira é mera especulação. Citações desse porte não encontram qualquer justificativa, senão vejamos: em linhas gerais na Maçonaria latina o proposto é levado ao conhecimento da Loja para os procedimentos legais e no caso do Grande Oriente do Brasil é matéria inserida no Regulamento Geral da Federação.

Atualmente, o proponente preenche uma prévia que é discutida em Loja para que posteriormente seja entregue, ou não ao Candidato o questionário de costume. 

Aprovada a entrega e após o preenchimento e anexados os documentos necessários, é feita a publicação pelo Grande Oriente Estadual e pelo Poder Central. Cumprido o prazo legal após a publicação pelos poderes constituídos o Venerável nomeia os três sindicantes. Feita a sindicância é realizado o escrutínio secreto como último elemento de aprovação. Aprovado o proposto na forma da lei, a Loja solicita a autorização ao Grande Oriente Estadual que emite o “placet” de Iniciação. 

Ainda, outro aspecto marcante é que além do proponente, que só pode ser um Mestre, há ainda o abono de outro Mestre na proposta de iniciação.

Assim, em linhas gerais, passado todo o processo toda a Loja tem conhecimento de quem é o proposto, além da publicação no Boletim Estadual e Federal, o que de certa maneira torna o nome conhecido em todo o seio da Obediência.

No sistema latino, aprovado e iniciado o Candidato, o padrinho (indicante) não é o único responsável se porventura o proposto venha decepcionar com sua presença. É obvio que houve tempo para apreciação do nome indicado por todos os mecanismos constitucionais. A responsabilidade de uma Iniciação é particularmente da Loja que aprovou o ingresso do postulante.

A título de ilustração existem sistemas maçônicos como é o caso do anglo-saxônico (não no Brasil), que em algumas regiões as Regras Gerais indicam a responsabilidade do padrinho, porém o processo de admissão é completamente diferente daquele comumente por nós conhecido. 

Conforme a cultura e o costume em uma determinada latitude terrestre, o padrinho leva o nome do proposto ao Mestre da Loja que em sessão aberta proclama o nome do indicado para o conhecimento da assembleia, ao mesmo tempo em que dá um prazo (geralmente seis meses) para que haja manifestação a respeito do indicado.

Cumprido o tempo e não havendo revelações contrárias, o Mestre da Loja indica o nome do proponente e é marcada a data de admissão no novo membro (Iniciação). 

Iniciado o proposto, a responsabilidade pelo desempenho do novo membro iniciado é do padrinho até que ele mude de grau. Durante esse tempo, em havendo atitudes e procedimentos em desacordo com os princípios da Sublime Instituição, as punições incidirão não só sobre o elemento delituoso como também no seu padrinho. 

Essa atitude denota o caráter de responsabilidade daquele que se propõe a indicar um novo membro para a Ordem. 

Nesse caso a responsabilidade fica restrita ao Grau de Aprendiz, pois se o Iniciado não cumprir as regras, obviamente ele nem mudará de Grau, daí a colocação de que ao chegar ao Segundo Grau, cessa a responsabilidade do padrinho, o que não denota qualquer abandono, porém daí em diante, toda a Loja é responsável já que a continuidade na senda iniciática após o Primeiro Grau tem que ser verdadeiramente comprovada pelo mérito que é avaliado pelo quadro da Loja.

Aproveito para deixar uma pequena questão para reflexão. Seria essa prática bem sucedida na Maçonaria Brasileira em geral?

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 610, Florianópolis (SC) 29 de Abril de 2012.

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE ANDRÉ CITROËN

ANDRÉ GUSTAVE CITROËN (Paris, 1878 — Paris, 1935). Engenheiro e empresário francês de origem judaica holandesa e polonesa, pioneiro da indústria automobilística, fundador do império Citroën, com a alta compressão de motores, em 1919. É também conhecido por sua invenção das engrenagens bi-helicoidais ou "espinha de peixe". Com 10 anos de idade ele descobre as obras de Jules Verne, do qual se torna um leitor assíduo. Extraiu da sua obra os grandes princípios, que foram os seus ao longo de toda sua vida: o espírito de descoberta, o sentido de concorrência, a maravilha científica, a procura permanente da evolução. A edificação da Torre Eiffel, para a exposição universal de 1889, é o segundo acontecimento que decidiu a orientação do jovem adolescente. Graças a isso estudou para ser engenheiro. Durante a Primeira Guerra Mundial, Citroën foi responsável pela produção em massa de armamento. Após a guerra, em 1919, passou a fabricar automóveis. No início dos anos 1930, a empresa Citroën tornou-se a quarta maior fabricante de automóveis do mundo.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: Não identificada.

Loja: La Philosophie, Paris, França.

Idade: Não identificada.

Oriente Eterno: Faleceu aos 57 anos de idade, vítima de câncer do estômago.

Fonte: famososmacons.blogspot.com