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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 13 de agosto de 2024

FRATERNIDADE, FANATISMO E IGNORÂNCIA

Abraão Lincoln, Presidente dos Estados Unidos da América do Norte no século passado, maçom e um dos mais proeminentes defensores da verdadeira fraternidade maçônica, numa ocasião em Loja, quando seus irmãos lhe pediram uma explicação do sentido da palavra fraternidade, Lincoln citou o seguinte exemplo :- Ele mesmo, num inverno gélido da América do Norte, encontrava-se nas proximidades de um outeiro, coberto de neve, observando com curiosidade dois rapazotes que alegremente desceram o morro sobre um trenó. Após a chegada do veículo ao pé da colina, o rapaz maior pôs o pequeno nas costas e o carregou na garupa até o cume da elevação, puxando, ao mesmo tempo, ofegante, o seu pesado trenó em uma corda morro acima. Várias vezes já tinham descido e subido, quando, após outra descida Lincoln se aproximou do rapaz mais velho e lhe dirigiu a palavra: “Mas é uma pesada carga que tu sempre levas morro acima”. O interpelado, entretanto, respondeu sorridente: “Não senhor, esta carga não me pesa, pois este é meu irmão”. Para Lincoln fora sempre esta resposta a mais acertada definição da palavra fraternidade, a frase tão simples e ingênua: Esta carga não me pesa, pois este é meu irmão”. Amor fraternal requer um espírito elevado.

Feliz toda Loja Maçônica onde reina este verdadeiro espírito de fraternidade. Este amor fraternal é o cimento místico que une os verdadeiros maçons dentro de uma loja. Combatemos em nossas Lojas o vício, a vaidade e o nosso egoísmo, que é o maior inimigo da fraternidade. O Lídimo Maçom, porém , age sempre dentro dos princípios da fraternidade. Condição primordial para tanto é que os irmãos de uma loja se conheçam bem e não só superficialmente, assim que cada um pode ter plena confiança no outro, pois pode chegar o momento em que o nosso espírito de fraternidade é posto a prova contra eventuais difamadores profanos e até mesmo, contra “Irmãos” que ao terem seus próprios interesses pessoais contrariados se esquecem dos princípios maçônicos chegando a se negar receber o cumprimento fraternal de outro Irmão. O estreitamento dos laços de amizade e fraternidade devia ser a maior preocupação dos dirigentes de uma oficina. Para tanto não é preciso qualquer sacrifício. Quando por exemplo no dia do aniversário ou numa outra ocasião festiva familiar de um Irmão, um telegrama, um cartão ou um simples telefonema para este Irmão, aprofundamos em nós mesmos o sentimento humanitário e no coração de nosso Irmão, produz um efeito salutar, pois este Irmão Maçom percebe, satisfeito que não é um mero número dentro de sua Loja, mas sim uma personalidade estimada por seus Irmãos.

Há muitas idéias poderosamente benéficas que não se realizaram por causa das condições egoístas em que vivemos.

Devemos difundir a idéia de que a verdadeira guerra santa é a que fazemos na vida conosco mesmos, quando lutamos pelo nosso melhoramento moral. Se alguém sentir-se incapaz para empreender a luta, ilumine seus pensamentos com uma só filosofia e penetre o verdadeiro conhecimento da lei da vida e tenha o máximo cuidado de interrogar a si mesmo com o rigor e a imparcialidade que convém. Ora, se há ponto em que mais imparciais precisamos ser, é precisamente no que aos nossos pensamentos diz respeito e o que ao nosso modo de julgar e de apreciar se refere.

Por mais bela e fecunda que seja uma semente, jamais nada ela produzirá, se não conseguir irromper a luz. O embrião das boas ações, dos gestos generosos, das atitudes corretas, todos os têm, mas sucede que muitos o deixam morrer, outros os encaram com indiferença, como se a vida fosse um mero jogo de crianças, uma simples competição de interesses, ou uma cruel rivalidade de egoísmo e ambições.

Assim sendo, é bom lembrarmos o que é fraternidade: união ou convivência como irmão, amor ao próximo, fraternização, harmonia, paz, concórdia; bem como o que é Maçonaria: uma associação de homens sábios e virtuosos, que se consideram irmãos entre si, cujo fim é viver em perfeita igualdade, intimamente ligados por laços de reciproca Estima, Confiança e Amizade, estimulando-se uns aos outros, na prática das virtudes.

Considerando as definições acima, a Fraternidade Maçônica tem que ser pura, devendo se apresentar onde couber uma causa justa. O verdadeiro Maçom pratica o bem e leva sua solicitude aos infelizes, quaisquer que sejam eles, devendo desprezar o egoísmo e a imoralidade, dedicando-se aos seus semelhantes, pois o sentimento de Fraternidade para o Maçom deve ser um sentimento nato, e assim sendo, a Fraternidade Maçônica deve ser o ideal de todo e qualquer Maçom, tendo em vista que é o laço sagrado que une a todos os Maçons, independentemente de Lojas e Potências a que pertençam. Fizemos um juramento, e por ele somos unidos; somos uma família, e a família é a matriz do homem e o berço da sociedade. “Amai-vos mutuamente com afeição terna e fraternal. Adiantai-vos em honrar uns aos outros”. (Epístola aos Romanos, l2-10).

E quando falarmos de Fraternidade, recordemos sempre o caso que contou o Presidente Lincoln aos seus Irmãos Maçons e gravemos em nossa memória aquela frase que ficou célebre nas Lojas Americanas: ”Esta carga não me pesa, pois este é meu Irmão”.

FANATISMO

Fanatismo: advém do latim “fanum”, templo, lugar sagrado. Em latim, “Fanaticus”, era o inspirado, o entusiasmado, o agitado por furor divino. Posteriormente tomou o sentido de exaltado, de delirante, de frenético, e, finalmente, o de supersticioso.

Os fanáticos eram os sacerdotes antigos do culto de Ísis, Cibele e Belona, etc., que eram tomados de delírio sagrado, e que laceravam-se até fazer correr sangue. A palavra tomou, assim, um sentido de misticismo vulgar, que admitia poderes ocultos, que podem intervir graças ao uso de certos rituais.

O mesmo termo é usado para indicar a intolerância obstinada daquele que luta por uma posição, considerada por ele, evidentemente e verdadeira, estando disposto a empregar até a violência para a validade de suas opiniões e na tentativa de converter a outros que não aceitam suas idéias. Torna-se o termo, por extensão, o apontador de toda e qualquer crença, religiosa ou não, onde há demonstração obstinada por parte de quem a segue.

O fanático, em vez de fazer de sua fé um caminho de libertação, faz dela uma prisão para si mesmo e para os outros. Em vez de aprofundar as verdades da fé para iluminar com elas a vida, aceita a letra dessas verdades sem saborear o conteúdo das mesmas. O fanático não dialoga. Fala sozinho. Para ele, quem tem a mesma fé não precisa dizer nada. E quem não tem a mesma fé, não tem nada a dizer e merece o desprezo e a condenação, aqui e na eternidade.

O fanatismo é uma fé cega, inconsciente, irrefletida, em muitos casos independente da própria vontade que o ser humano sente por uma doutrina ou um partido. A religião do fanático não se fundamenta no amor, mas no medo. Medo de errar, de pecar, de desviar-se do caminho. Ele fala demais para não escutar. Acredita que a melhor defesa da própria fé é o ataque a fé dos outros.

Como podemos ver meus Irmãos o fanatismo é a veneração exagerada de uma idéia, uma religião, etc. Devemos pois, então ter muito cuidado com o nosso modo de agir não deixando-nos levar por um entusiasmo exagerado, para que, por conta de um exibicionismo ridículo ou por conta de uma conduta exacerbada sejamos levado a um comportamento incompatível, para com os princípios maçônicos.

A Maçonaria condena o Fanatismo com todas as suas forças. Em vários graus, as instruções giram em torno desta execrável paixão, considerada como um dos inimigos da Ordem Maçônica. “Um passo mais além do entusiasmo, e se cai no fanatismo; outro passo mais e se chega a loucura”. Jean B.F. Descuret)

A IGNORÂNCIA

1 - A Ignorância no mundo profano.

Pejorativamente, chamam-se pessoas de IGNORANTES no afã de lhes desafiar os brios, tentando mostrar uma faceta grossa, obscura e de atraso evolutivo onde a IGNORÂNCIA é encarada como a mãe de todos os vícios e seu principio o de nada saber ou saber mal. Eis porque afirmarem o muito das vezes ser o IGNORANTE um ser grosseiro, irascível e perigoso, perturbando e desarmonizando a sociedade, não permitindo que os homens conheçam seus direitos. Mesmo vivendo em um Estado LIBERAL eles tornam-se escravos por conta de sua ignorância. Ë comum em muitas regiões, as vezes nem tão longínquas deste nosso Brasil, ouvirmos falar de escravidão.

Como um “Coronel” nordestino, numa entrevista, a anos atrás, ao Fantástico, na qual gabava-se que todos os trabalhadores de sua fazenda tinham boa moradia, mas admitia que escola e igreja ele não permitia, assim como nenhum tipo de cultivo junto a moradia dos colonos, e que tudo que estes necessitassem deveria ser adquirido no armazém da fazenda, o que resultava invariavelmente ao final do mês este colono ficar devendo ao Coronel. Isto na realidade representa dois tipos de escravidão:- Uma física e outra intelectual, e vejam bem, sem ter o ônus de adquirir o escravo como antigamente.

Isso não é um caso isolado. Na verdade o próprio Estado, que deveria zelar pelo desenvolvimento cultural do povo, age em sentido contrário. A maioria das medidas sérias visando aprimorar a qualidade da educação são abandonadas, enquanto isso medidas populistas, eleitoreiras e inócuas são adotadas.

Nessa situação, com a maioria da população mantida no estado de semi analfabetismo, aqueles que detém o poder podem usar o povo como “massa de manobra”, destarte imperando a impunidade.

Além do problema educacional, temos um outro muito mais grave. O problema da corrupção. Pegue-se o exemplo da cidade de São Paulo, dilapidada a céu aberto. Porque isso aconteceu? Aconteceu porque a população, mesmo a mais informada, virou as costas para a cidade; a maioria sequer sabe em quem votou para vereador. E os que sabem raramente acompanham sua atuação. Como conseqüência temos uma impunidade crônica, campo fértil para a atuação das máfias. A impunidade prospera de fato, quando a ignorância dos direitos sobressai e impera. E qual seria a solução? A solução não esta na policia, mas nas salas de aula. Assim como ensinam matemática e português, as escolas devem levar a sério, e não apenas em momentos especiais, mas diariamente, a disseminação das noções de direitos e deveres.

Isto só serve para demonstrar que apesar de Constituições Liberais, um povo ignorante acaba se tornando escravo. São inimigos do progresso, que, para dominarem, afugentam as luzes, intensificam as trevas e permanecem em constante combate contra a Verdade, o bem e a Perfeição.

2 - A ignorância no mundo maçônico.

Na evolução da humanidade, as verdades da vida vão se aclarando de acordo com o ritmo que as inteligências captam o descortinar do conhecimento. Grandes filósofos, profetas e mesmo o Mestre que foi Cristo, não puderam trazer toda a luz dos seus conhecimentos porque havia de ser respeitada a IGNORÂNCIA da época e o nível intelectual que as sociedades se apresentavam.

Na filosofia maçônica também acontece esse respeito. O Apr\ conhece tudo aquilo que uma ponta de véu levantado lhe permite entender, o mesmo acontecendo com o Mestre e os diferentes graus.

A IGNORÂNCIA não é de toda inoportuna. Às vezes ela tem utilidade. “QUEM MAIS SABE, MAIS SOFRE”, isso explica quando tal conhecimento está ligado às aflições, porém no patamar do equilíbrio, o saber é sempre bem visto, pois poderá despertar no homem o ensejo de servir como “professor” daqueles que estão ainda no estágio de IGNORÂNCIA.

A vida plena do homem nos leva a entender que somos IGNORANTES nos mais diversos graus. Quando o homem evolui e procura alcançar um estágio na vida, galgando assim um cume, logo poderá observar que de cima desse cume haverá uma nova planície a percorrer, que lhe proporcionará nova jornada de conhecimentos. A IGNORÂNCIA poderá ser reduzida, porém sempre existirá, pois ela faz parte das metas e objetivos do homem. O conhecimento total ao G\A\D\U\pertence.

A IGNORÂNCIA é a grande alavanca que dá ao homem o estímulo para a luta do saber. Os graus da maçonaria são os maiores exemplos da disciplina, onde a verdade será descoberta de acordo com a condição interna de cada aprendiz.

Ser IGNORANTE não é pejorativo, é, antes de mais nada, um estado evolutivo.

Perto de coisas maiores, todos somos IGNORANTES. Os discípulos ignoravam a grandeza de propósito que estava guardada na mente e no peito de JESUS. Com o aprendizado, eles lutaram e cresceram, dando um passo a mais no saber, deixando sua IGNORÂNCIA um pouco mais curta.

Fonte: http://trabalhosdamaconaria.blogspot.com

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

FRASES ILUSTRADAS

SAUDAÇÃO AO VENERÁVEL MESTRE NA ABERTURA RITUALÍSTICA

Em 02/11/2023 o Respeitável Irmão José Cavalcanti de Carvalho, Loja Cedros do Líbano, 1688, REAA, GOB-RJ, Oriente de Miguel Pereira, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte dúvida:

SAUDAÇÃO AO VENERÁVEL

Na abertura dos trabalhos, o 1º Diácono se desloca até o 1º Vigilante saindo do Oriente em direção à Coluna do Sul e dela passa para o Norte pelo espaço próximo à porta de entrada e vai até o seu destino. De retorno, vai da Coluna do Norte diretamente ao seu lugar no Oriente. Pergunta: Meu Valoroso Irmão, no momento da saída do Oriente e do retorno, deve o 1º Diácono faz a saudação (parada) conforme orienta o Ritual em sua página 42?

CONSIDERAÇÕES:

Durante a abertura dos trabalhos a Loja está em processo de abertura, porém ainda não está aberta. 

Nesse sentido, antes de abrir a Loja, obedece-se apenas à circulação horária como está previsto no SOR – Sistema de Orientação Ritualística (Decreto 1784/2019).

Nesta condição, a Loja entra em processo de abertura quando o Venerável Mestre, no REAA, solicitar ajuda dos Irmãos para abrir a Loja (Abertura Ritualística).

Assim, como a Loja não foi até então declarada aberta, o Diácono, ao entrar e sair do Oriente, ainda não faz a saudação pelo Sin∴ ao Venerável Mestre, e nem mesmo faz parada formal; retorna normalmente ao seu lugar.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

SALMO 133- UMA REFLEXÃO MAIS PROFUNDA

No Rito Escocês Antigo e Aceito praticado pela Grande Loja do Estado de São Paulo – GLESP, não se abre uma loja de aprendizes sem a invocação do Grande Arquitecto do Universo precedida pela leitura do cântico de Salmo n° 133. Este que historicamente faz parte dos salmos de romagem compostos pelo Rei David de Israel, e desde tempos medievais já era entoado pelas ordens militares de cavalaria, como a Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (Templários). Poucos ainda sabem que salmos são canções judaicas para inspirar guerreiros, elevar a mente e o coração ao Eterno Deus, reflexionar sobre erros, e para rejubilar nas vitórias.

A canção nº 133 foi escrita para ser entoada enquanto os cidadãos iam em romaria a Jerusalém ofertar no tabernáculo, isso porque no momento da sua composição ainda não havia o templo, que seria anos depois construído pelo Rei Salomão, filho do Rei David. Acredita-se também que era utilizado nas idas ao combate contra os povos vizinhos, pagãos, que desafiavam o exército de Israel. Então o Salmo nº 133 possuí inicialmente uma fundamentação filosófica, quer para a paz ou para a guerra.

Numa segunda análise podemos dar a característica política deste Salmo. As tribos, ou Estados de Israel eram doze, a saber: Rúben, Simeão, Judá, Zebulão, Issacar, Dã, Gade, Aser, Naftali, Benjamim, Levi e José, este último representado por Manassés e Efraim, todos filhos de Israel. No capítulo 49 de Génesis lemos a divisão de cada território as cada tribos viriam a ocupar num momento futuro, parcelas ordenadas pelo próprio Israel, anteriormente chamado Jacob, o mesmo que teve o sonho na cidade de Bétel, em que uma escada se ascendia para o céu e anjos subiam e desciam, e no topo estava o Eterno Deus. É evidente que nem todos foram beneficiados com este fraccionamento, alguns mais privilegiados pela fartura agrícola, outros por terem acesso ao mar, alguns com regiões totalmente desérticas ou até mesmo sem herança de terra, como no caso da tribo de Levi. Então é natural que houvesse discórdias entre estes irmãos, e o Rei David para manter a nação unida e pronta para combates de guerra, compõe o Salmo 133 orquestrando a união dos irmãos e o quão bela ela é.

Em terceira análise observamos a continuação da canção, rezando que a união é como um óleo de unção. É bem sabido que a unção por meio de óleo era o meio de dignificar a bênção. O óleo de nardo que era preciosamente utilizado em altas cerimónias, nos dias de Jesus Cristo custava 300 moedas de prata, isto é, 300 dias de salário de um trabalhador comum. Então comparar a união dos irmãos a um óleo é dizer que a união e concórdia vale em muito o esforço. O óleo descer sobre a barba e as franjas das vestes de Aarão é mais precioso ainda, a barba é símbolo de sabedoria e autoridade, e as franjas das vestes é o eterno lembrete da obediência das normas divinas, vale lembrar que o Rei de Israel, neste caso David, era o escolhido pelo Eterno Deus para reinar, o seu representante imediato, portanto, o rei incentivar a união das tribos era sinónimo de ordem suprema. A união é uma bênção que vem do Eterno Deus. Mais uma vez observamos um novo fundamento, o espiritual do Salmo n° 133.

Por fim, em quarta análise a união é colocada como dependência para a vida. O orvalho do Hérmon que desce para os montes de Sião. O Monte Hérmon está há mais de 200km de distância de Sião, hoje conhecida como Jerusalém. O Hérmon fica quase permanentemente coberto de neve e gelo. Os montes de Sião são naturalmente desérticos, áridos. Mas em determinados momentos, principalmente nas madrugadas, o Hérmon faz descer um orvalho para os vales que chegam a Jerusalém, umedecendo a terra e tornando-a fértil, além do seu degelo alimentar o Rio Jordão e o Mar da Galileia. Então toda a região dos montes de Sião é beneficiada por essa provisão. É a união com o Hérmon que faz Sião produzir bons frutos e preservar a vida. Em última fundamentação, a geográfica do Salmo nº 133.

Se os irmãos estiverem unidos eles receberão o que finaliza a canção: “ali o Senhor ordena a bênção e vida para sempre”. Que nas nossas lojas possamos aplicar não somente durante as sessões os fundamentos deste belíssimo salmo, mas no nosso quotidiano, pois quer em loja ou fora de loja, toda a humanidade é irmanada e precisa ser fraterna. Que assim seja!

Renan Williams Soglia Moore, M∴M∴ – A∴R∴L∴S∴ Fronteira Paulista n.º 448 / Or∴ de Bragança Paulista – SP; Cap∴ Visconde de Mauá dos Maçons do Arco Real n.º 9 / Or∴ de São Paulo – SPFonte: 

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

domingo, 11 de agosto de 2024

DIA DOS PAIS

 

FASE DA LUA NO PAINEL - QUARTO CRESCENTE VISTO DO NORTE

Em 01/11/2023 o Respeitável Irmão Robson Lopes, Loja Mestre Hiran, REAA, GOB-RJ, Oriente de Nova Iguaçu, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão:

LUA NO PAINEL DO REAA

Estava conversando com um irmão Companheiro Maçom que me atentou para o fato das fases da Lua nos Painéis do 1° e 2° graus estarem em fases distintas.

Enquanto o Painel do 1° Grau a Lua se mostra em Crescente, a do 2° Grau está em minguante.

Ele me questionou o porquê, foi quando juntos embarcamos em uma busca.

Descobrimos que ambas as fases podem ser vistas a Luz do dia, uma iniciando-se após o meio-dia e indo até a meia-noite (Crescente) e outra surgindo a meia-noite e se estendendo até a manhã, antes do meio-dia (Minguante).

Mas de toda forma especulados, não sabemos se há realmente alguma relação do gênero, ou se houve um erro de impressão do ritual de companheiro e ambos os painéis deveriam ter a Lua Crescente para fortalecer a noção de meio-dia.

CONSIDERAÇÕES:

Na verdade, a Lua (para governar a noite) ali se apresenta sempre na fase crescente, nunca minguante. A explicação para isso é simples. As fases seguem a evolução natural dos ciclos. Visando o aprimoramento, o símbolo na Maçonaria segue também a ordem natural, ou seja do quarto crescente para o plenilúnio.

Deste modo, eventuais aparecimentos da Lua em quarto minguante é descuido e erro de impressão.

No caso da diferença de representação da Lua entre o ritual de Aprendiz e de
Companheiro, a do 2º Grau está correta e o do 1º errada, para a Maçonaria.

Neste contexto, explica-se que a representação simbólica da Lua, sempre em quarto crescente na Maçonaria, deve ser representada como de quem a observa do hemisfério Norte, isto porque o REAA é um rito maçônico solar, nascido na meia-esfera setentrional da Terra (acima da linha do Equador).

Vale lembrar que toda a representação simbólica, solar e lunar do Templo, também corresponde ao hemisfério Norte. Assim, a disposição estelar da abóbada, simbolicamente corresponde ao céu setentrional.

Consequentemente, olhando do Norte para o firmamento, a Lua em quarto crescente se parece com a letra “C invertida”, ou parecida como um “D”. Já, quando observado da banda Sul, se parece com a letra “C”. A questão desta diferença é apenas do ponto de visualização, destacando que a Maçonaria é simbólica, portanto, em qualquer situação, seu simbolismo astronômico refere-se ao firmamento do Norte.

Ao concluir, é possível afirmar que o novo ritual de Aprendiz do REAA que virá em 2024 trará esta representação corrigida, ou seja, a Lua estará igual à presente no Painel do 2º Grau (um “C” invertido), tanto no painel como na abóbada celeste. Descarta-se qualquer relação com a fase lunar de quarto minguante.

T.F.A.
PEDRO JUK  - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

OS SALMOS

As Sagradas Escrituras contêm 150 Salmos coletados em um livro; o vocábulo Salmo vem do grego, Salmos, significando um poema cantado e acompanhado por instrumentos musicais.

Em hebraico, esse livro denomina-se Sepher Tehilim, significando Livro dos Louvores.

Setenta e três Salmos são atribuídos ao rei Davi; doze a Ásafe; um a Etã; e doze aos filhos de Coré.

O Livro dos Salmos descreve, como louvor, a criação e demais acontecimentos históricos, iniciando com a criação e concluindo com o cativeiro.

Outros tratam da glória de Jerusalém e seu grande templo, tanto do passado como do futuro; outros são proféticos.

Os Salmos são cantados; o Sacerdote dá a cada Salmo uma entonação diferente. O cântico demonstra o valor dos sons, que são vibrações que penetram naqueles que ouvem.

Alguns Salmos, como o 133, são usados nas cerimônias maçônicas, por ocasião da abertura do Livro Sagrado. O Oficiante ajoelha-se, toma entre as mãos o Livro e lhe faz a leitura, emprestando à sua voz todo sentimento, respeito e veneração.

O Salmo 133 inicia: "Oh! Quão bom e agradável é aos Irmãos viverem em união".

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 357.

QUE A NOSSA AUSÊNCIA NÃO PREENCHA UMA LACUNA!

Autor: Márcio dos Santos Gomes

“As redes sociais são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.” (Zygmunt Bauman)

Com o benefício da visão retrospectiva, temos ainda fresco na memória o cenário em que o trato entre os irmãos se dava, notadamente, em ágapes e eventos de confraternização maçônica. Agora, com as viciantes e infernais redes sociais tornando-se uma unanimidade e invadindo a privacidade, as formas de comunicação e manifestações ampliaram-se exponencialmente. Participamos de vários grupos de bate-papos e as interações são palpitantes e, por vezes, carregadas de contratempos e desencontros.

Em nossa Ordem demorou menos do que pensávamos; sorrateiramente instalou-se a controvérsia ideológica e as trocas de farpas. Nos grupos de WhatsApp é recorrente manifestações de irmãos que afirmam ser melhor calar para que a estupidez não se ofenda. Haja chatice e mimimi, mesmo com as reiteradas divulgações de regras de etiqueta e de convivência em redes sociais, incansavelmente direcionadas pelos administradores aos mais renitentes, até utilizando o recurso de elogiar a verve dos hiperativos juramentados, na tentativa de atingir a tão sonhada harmonia.

Os combativos e viciados em disputas de opinião (os irascíveis de sempre), dia sim, dia também, querem firmar suas posições amparados em sofisticada retórica, discordando de tudo e de todos, fazendo julgamentos destrutivos de argumentos dos quais não concordam, assumindo postura de deterem o monopólio da razão e o malhete da censura, acreditando que a liberdade de expressão é um direito só deles, julgando-se do lado certo da história e, quando confrontados, ameaçam deixar o grupo denotando melindres, falta de empatia e, de plano, ainda depreciam os discordantes. Eventualmente, para alívio geral, cumprem o prometido, e a ausência deles preenche uma lacuna, como diz o famoso trocadilho da citação de Stanislaw Ponte Preta:

“Há sujeitos tão inábeis que sua ausência preenche uma lacuna.”

Porém, como sói acontecer, reiteradamente esses adictos protagonistas não resistem mais do que um ou dois dias e voltam rapidamente utilizando-se do link de acesso do aplicativo, alegando que “um irmão importante e influente” ou o próprio Venerável ligou derramando afagos convencendo-o a retornar, pois o desafortunado faz muita falta no grupo, em face de seu elevado nível cultural e notória sabedoria, estas raramente demonstradas em Loja, mediante apresentação de trabalhos consistentes. Tréguas e conflitos alternam-se, basta nova postagem provocativa e capítulos inéditos da série “não vale a pena ver de novo” voltam à ribalta.

Nos grupos, em geral, parte dos membros adota a locução latina: audi, vide, tace, si vis vivere in pace. Outros tantos permanecem apenas como espiões, para ficarem sempre bem-informados, poucos torcendo para que o circo pegue fogo e o palhaço saia chamuscado. E é o que ocorre naturalmente, para o infortúnio de muitos e o deleite de alguns. Aconselham os especialistas que o ideal é manter as notificações silenciadas em determinados grupos. E se não gostar da postagem, utilize o recurso de “apagar para mim”, que dizem ser melhor do que ficar ruminando o conteúdo. Tal estratégia é utilizada por vários administradores atentos que excluem, em tempo, as postagens inoportunas (“apagar para todos”), até mesmo alertando, suspendendo ou excluindo os recalcitrantes. A alternativa “limpar conversa” é deveras libertadora.

Quem nunca pode constatar nos grupos de WhatsApp e em variados encontros por videoconferência a situação de irmãos sendo elogiados por trabalhos ou palestras e a reação daqueles que se sentem desconfortáveis e saem à francesa, às vezes deixando no Chat ou no Grupo manifestações de desagrado por não concordarem com algumas afirmações apresentadas ou respostas que não os satisfizeram na integralidade? Perdem a oportunidade de defender seus argumentos democraticamente. Em contrapartida, a Loja desses luminares segue o destino traçado por Lewis Carroll no qual, quanto mais Alice caminha, mais longe fica do seu destino. No caso vertente, as Lojas andam para trás ou com o freio de mão puxado.

Essa avaliação pode estar errada? Claro que sim! Os universos individuais compõem-se de diferentes repertórios e as intenções nem sempre são bem captadas, mas as bolhas se autoalimentam de uma forma ou de outra. Como adiantam os profetas do óbvio, as consequências vêm depois. Na realidade, nos fóruns de debates, os discordantes tentam desacreditar todo o processo e, em muitas oportunidades, os idealistas “pagam o pato”. A percepção geral é de que o bom senso em torno de ideias e ideais comuns, outrora construídos com sacrifícios pelos irmãos que nos antecederam, estão fora de moda e vem sendo bloqueados como fruto de intolerâncias e ressentimentos, levando à insatisfação e à desmotivação em nossas Lojas e grupos.

No ensejo, fica um clamor aos chatos de galocha: avaliem a possibilidade de tirar o cavalo da chuva e pregar em outra freguesia! Só que não, pois, caso permaneçam, saibam que são amados mesmo sugando as energias do grupo, pois os irmãos têm saco de filó reforçado pela Maçonaria que prega há mais de 300 anos a prática da tolerância e do espírito fraternal com inspiração no Salmo 133. Mas, lembrem-se da Regra 34 dos Beneditinos[1]:

“É proibido resmungar! Não é proibido discutir, debater, discordar. É proibido resmungar. Resmunga aquele que em vez de acender uma vela, amaldiçoa a escuridão.”

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

sábado, 10 de agosto de 2024

FRASES ILUSTRADAS

APRENDIZES E COMPANHEIROS OCUPAM CARGOS?

(republicação)
Em 29/05/2018 o Respeitável Irmão José Roberto Natulini Filho, Loja Miguel Abrão Ajuz Neto, 3.084, REAA, GOB-PR, Oriente de Ponta Grossa, Estado do Paraná, apresenta a questão seguinte:

APRENDIZES E COMPANHEIROS OCUPAM CARGOS?

Minha dúvida se refere à ordem de coleta do Saco de Propostas e Informações e do Tronco de Beneficência. O atual REAA do GOB; e as orientações dos Procedimentos Ritualísticos do REAA do GOB/PR quanto à circulação: Venerável Mestre, 1º e 2º Vigilantes, Orador, Secretário, Cobridor Interno, Irmãos do Oriente, Mestres da Coluna do Sul, Mestres da Coluna do Norte, Companheiros, Aprendizes e depois o portador do recipiente.

O Irmão já teve a oportunidade de escrever que não há a prática de se fazer a coleta dos Oficiais nas Colunas em separado dos demais Mestres - http://pedro-juk.blogspot.com.br/2017/09/circulacao-da-bolsa-reaa.html

Porém - por mais que não seja de boa geometria (sempre leio os escritos do Irmão e conheço a sua orientação de Aprendizes e Companheiros não assumirem cargos), quando, eventualmente, algum Irmão Aprendiz e/ou Companheiro está desempenhando cargo em Loja como Oficial nas Colunas, como deve proceder ao Mestre de Cerimônias e/ou o Irmão Hospitaleiro? Faz a coleta do Irmão Oficial (Aprendiz ou Companheiro) como se Mestre fosse? Ou colhe conforme o seu respectivo grau?

Faço-lhe a presente pergunta diante de um questionamento que recebi após uma sessão. Eu era o Irmão Hospitaleiro e fiz a coleta de um Irmão Companheiro, que estava como oficial, quando recolhi dos Companheiros. Porém, um Irmão Mestre me questionou dizendo que “quando o Companheiro e/ou Aprendiz ocupa cargo de Oficial ele representa um Mestre” e por isso eu não deveria ter feito a coleta juntamente com os Companheiros.

Como não sou Mestre de Cerimônias e/ou Hospitaleiro de ofício; gostaria das considerações do Irmão quanto ao procedimento a ser adotado na situação acima para sair da dúvida.

COMENTÁRIOS:

CURIOSIDADES


D. Manuel II (Lisboa, 15 de novembro de 1889 – Londres, 2 de julho de 1932), também chamado "o Patriota" ou "o Desaventurado", foi o último Rei de Portugal e dos Algarves de 1908 até à sua deposição em 1910 com a Implantação da República Portuguesa.

Nesta rara imagem, que pertence ao Museu Maçônico Português, Manuel aparece paramentado de Aprendiz Maçom, mas, conforme explicação de próprio museu, D. Manuel II nunca foi Maçom, e esta imagem, de antes de 1908, foi uma montagem feita para tentar ligá-lo à Ordem, por um grupo antimaçônico.

O Museu Maçônico Português, localizado na Rua do Gremio Lusitano 25, 1200-212 Lisboa, passou por reformas no ano de 2023 e após a reabertura, a imagem de D. Manuel II não está mais exposta.

Fonte: Facebook_Curiosidades Maçônicas

SEGURANÇA INFORMÁTICA

Paulo M.

Uma vez deixei o carro mal travado num parque de estacionamento, e ele foi bater noutros dois. Não houve danos pessoais, tanto mais que ninguém estava presente. A seguradora pagou os danos que o meu carro causou nos outros e os danos do meu carro saíram-me do bolso. Tirando as fotos e o gozo dos colegas, a história ficou por ali. Não é este, no entanto, o típico acidente automóvel. O normal é o condutor, ou um peão, fazerem alguma coisa de errado –pode ser uma manobra desastrada, ou mera distração que leve a uma omissão – e em consequência disso haver um acidente, frequentemente com danos pessoais.

Quando os acidentes ocorrem na estrada já todos sabemos o que há a fazer. Afinal de contas, por um lado, as regras do código da estrada já têm muitos anos – de facto, é de 3 de Outubro de 1901 a publicação do Regulamento sobre Circulação de Automóveis, e de 1928 o primeiro Código da Estrada. Por outro, não podemos conduzir um automóvel sem aprender primeiro como se faz, e passar um par de exames que o atestem. Por tudo isto, dar hoje um toque com o carro não é propriamente notícia – a sociedade já teve cerca de um século para se ir habituando ao fenómeno dos automóveis nas estradas e transmitir essa experiência através das gerações.

Apesar de a Internet existir desde os anos 70 – há quase 50 anos - só há pouco mais de 20 começou a ser usada em contexto doméstico. Até então, o seu uso estava reservado aos governos, instituições militares, universidades e algumas grandes empresas, normalmente ligadas à tecnologia. Foi na última década que o uso da Internet explodiu, sendo hoje raro o computador – e não esqueçamos que os smartphones não são outra coisa – que não esteja ligado à autoestrada digital.

Ao contrário dos automóveis, que só podem, pelo menos em teoria, ser conduzidos por quem conheça o Código da Estrada e seja portador de Carta de Condução, qualquer pessoa pode comprar um computador ou um telemóvel e, sem mais cerimónias, ligar-se à Internet. É, aliás, o que faz a esmagadora maioria das pessoas. Para facilitar este fenómeno, os fabricantes de computadores tornam-nos, a cada ano, mais fáceis de utilizar. Já o mesmo não se pode dizer dos telefones… mas enfim.

Os primeiros condutores de automóveis eram entusiastas da mecânica, tal como os primeiros utilizadores da internet eram entusiastas da tecnologia. Hoje os carros avisam quando precisam de manutenção, e largamo-los na oficina para o efeito, arrancando pouco depois num automóvel de substituição. De resto, metemos combustível, líquido no limpa-para-brisas, e está feita a nossa parte. Compramos computadores, usamo-los durante um tempo, depois ficam lentos e esquisitos, pedimos ao filho do vizinho para os reinstalar, o que começamos a fazer com alguma regularidade, e ao fim de um tempo compramos outro. Com os telemóveis é igual: carregamo-los à noite, reiniciamo-los de vez em quando se ficam lentos, e ao fim de um a dois anos trocamo-los por um modelo novo e deixamos o antigo a apanhar pó numa gaveta. A maioria das pessoas não sabe nada da tecnologia que constitui a Internet, nem dos cuidados a ter, nem há ainda uma cultura na nossa sociedade quanto aos riscos e comportamentos a evitar.

Entretanto, temos uma conta no Facebook, outra no Gmail, mais umas quantas de outras redes sociais, vemos notícias, trocamos links com outros, visitamos sites… A certa altura damos por nós em sites com publicidade agressiva, e mesmo obscena, janelinhas a abrir umas depois das outras, o botão de voltar atrás que não funciona… Depois aparece outra janelinha a dizer: “Tem vírus! Descarregue aqui um antivírus grátis!”. E nós, atarantados, lá fechamos o Chrome, ou o Internet Explorer… para logo depois nos aparecer no email uma mensagem: “O acesso à sua conta na CGD está bloqueado. Visite este site e introduza os seus dados pessoais para o desbloquear”… Pouca sorte, logo eu que só tenho conta no Montepio… mas está aqui outra mensagem… uma promoção… “Olha, posso ganhar uma Nespresso, ou 400 euros em cartão no LIDL… deixa lá ver o que é…” e carregamos… e, sem que alguma vez venhamos a aperceber-nos, o nosso computador passou a ser usado por uma rede internacional de ciber-criminosos. E a promoção? Ah… a rena do Pai Natal depois traz.

Há essencialmente duas coisas que as redes de crime organizado procuram obter dos cidadãos mais desavisados através dos computadores: os dados pessoais, e o acesso aos próprios computadores. Os dados pessoais servem para nos imputar despesas, revertendo os proveitos para os criminosos. Eles podem ficar, num exemplo muito simples, alojados num hotel, e ficar o pagamento da estadia por nossa conta. Também podem tentar obter os nossos dados de acesso ao homebanking para transferir as nossas poupanças para uma offshore… Mais prosaicamente, podem limitar-se a vender os nossos dados pessoais para efeitos de marketing – e lá passamos a receber uma montanha de emails com publicidade.

Já o acesso aos nossos computadores é mais apetecível, pois é mais útil aos criminosos, mas só pode obter-se de uma de duas maneiras: ou através de um defeito no sistema – do mesmo modo que uma janela que não feche pode ser usada por um ladrão para nos entrar em casa – ou porque voluntariamente os deixamos entrar – como alguém que nos toque à campainha a pedir para usar o nosso telefone para ligar para o 112 por ter havido um acidente na rua, e nós, cheios de boa vontade, abrimos a porta...

Tal como muitas doenças podem ser evitadas através de vacinação e/ou prevenção, não se tendo comportamentos de risco, também aqui a estratégia é semelhante. Vacinar-nos corresponde à atualização permanente dos sistemas – o que é fácil com os computadores mas pouco comum nos smartphones por responsabilidade dos fabricantes. Já os comportamentos de risco de que nos devemos abster são, na verdade, a maior brecha, e o mais bem sucedido vetor de ataque. Os criminosos só querem uma coisa: que instalemos um pequeno software no nosso dispositivo. Para isso contarão todas as histórias da carochinha: que é um anti-vírus, que é para pôr o smartphone mais rápido, que é para ver filmes de graça… oferecem sempre qualquer coisa. Só temos que instalar o tal programa – que até pode ser um joguinho, que até funciona... mas não é só um joguinho. Não é por acaso que se chama “cavalos de Tróia”, ou trojan a esses programas, que parecem ser uma coisa inocente mas são só um dispositivo de penetração da nossa segurança perimétrica.

Uma vez instalados, podem com facilidade intercetar todas as teclas em que carregamos, e assim ficar a saber as nossas passwords em todos os sites que visitamos, assim como o conteúdo de todos os textos que escrevemos. Pode ser, depois, que o nosso PC comece a ficar muito lento, pois está a fazer operações matemáticas que servem para gerar dinheiro digital. Um programa malicioso pode também codificar todos os nossos ficheiros – as fotos, os trabalhos, tudo! – e depois pedir um resgate em troca da chave de descodificação. Sem a chave correta, os nossos dados estão perdidos para sempre. É certo que tudo isto é grandemente inconveniente para nós, mas estamos longe de ser as únicas vítimas da nossa falta de cuidado: é que a maioria desses programas maliciosos logo trata de se tentar espalhar por mais dispositivos.

É assim que todos os nossos amigos com quem trocamos emails vão receber uma mensagem, aparentemente enviada por nós, convidando-os a instalar, também eles, o programa. A mensagem pode ser variada, desde um genérico “olha lá para isto” a um específico “Vamos contribuir para a UNICEF este Natal. Se quiseres entrar, acrescenta o teu nome e o montante na lista em anexo e manda-ma de volta”. E depois a lista é, afinal, um cavalo de Tróia. Já começámos a fazer estragos junto dos que nos estão mais próximos.

Pouco depois, o nosso computador – ou smartphone – liga-se a um site na China, ou na Rússia, na América Latina ou na cidade ao lado da nossa… e recebe uma lista de instruções. Pode ser uma lista de endereços de emails, e logo uns milhares de emails com publicidade, ou maliciosos, serão enviados a outros tantos alvos. Pode ser uma lista de sites a que o dispositivo vai aceder, uma vez após outra, durante o dia todo. Um oceano é feito de uma multidão de gotas de água. Ninguém se afoga numa uma gota de água; agora, num milhão de gotas de água… É assim que um site pode ficar inacessível por ter dezenas ou centenas de milhares de dispositivos a aceder-lhes repetidamente. E para que serve isso? Uma vez mais, para que os criminosos possam pedir um resgate ao dono do site: “Paguem, e nós paramos.”

Como se vê, as nossas ações não nos afetam só a nós – tal como podemos transmitir certas doenças aos que nos rodeiam se não formos cuidadosos. Uma vez afetados, só com software especializado poderemos remover o bicharoco. De novo, o filho do vizinho saberá o que usar. Podemos zelar pela segurança dos nossos dispositivos ligados à Internet através de três medidas:

– A primeira consiste em mantermos o dispositivo atualizado. Todos os sistemas modernos podem atualizar-se de forma automática, sejam MacOS, Linux ou Windows. Convém é ver se para as versões que temos instaladas ainda se produzem correções. Quando assim é, é normal haver várias atualizações por mês. Já os smartphones atualizam-se menos frequentemente – alguns nunca. A única coisa que podemos fazer, na maioria dos casos em que assim é, é comprar um mais recente. Curioso…

– A segunda medida é não executar programas – nenhuns! – sem primeiro averiguar, através de uma busca do Google, por exemplo, se o programa em causa é malicioso. Se o estamos a fazer a pedido de alguém que conheçamos, convém confirmar a autenticidade do pedido…

– A última medida – a mais difícil – passa por interiorizar que não há ofertas grátis. Toda a gente nos tenta oferecer qualquer coisa, e é difícil dizer que não. Para isso, temos que nos voltar a recordar do que nos ensinaram em crianças: que não devemos abrir a porta a estranhos. Neste caso, a nossa porta é o nosso dispositivo, abri-la é instalar coisas, e os estranhos são o mundo inteiro…

A Internet foi democratizada há 20 anos. Entretanto, os avanços tecnológicos têm sido tremendos. Enquanto a indústria não resolve as fragilidades deste ecossistema em constante e acelerada mudança, temos que, cada um e para benefício de todos, zelar por defender os nossos dispositivos da sua principal vulnerabilidade: nós mesmos.

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

FRASES ILUSTRADAS

APRENDIZ NO ORIENTE EM LOJA FECHADA

Em 30.10.2023 o Respeitável Irmão Paulo Sidney Silveira, Loja Guaiahó, REAA, GOB, Oriente de São Vicente, Estado de São Paulo, apresenta a dúvida seguinte:

EM LOJA FECHADA

Mestre Maçom, a Loja não estando aberta levei um recém Aprendiz até o Oriente para mostrar-lhe onde fica o Livro da Lei, onde fica o Secretário, o Orador; mostrei a espada flamejante expliquei que só Mestres Instalados é que podem segurar, enfim levei ao Oriente só para mostrar seria a primeira seção após a iniciação.

Posso fazer isso ou não uma vez que pesquisei e não vi nada que pudesse não fazer isso.

Mais uma vez a Loja não estava aberta.

COMENTÁRIO:

A Loja estando fechada, ou seja, sem estar em trabalho maçônico, nada impede que um Aprendiz ou um Companheiro transite conduzido pelo recinto.

O que de fato não pode é um Aprendiz ou um Companheiro ingressar no Oriente em Loja aberta. 

Fora isso, é livre a perambulação, até porque geralmente os colaboradores faxineiros (não iniciados), comumente transitam por todos os espaços do templo para efetuar a limpeza. 

Obviamente que a faxina é feita quando a Loja não estiver trabalhando.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O TEMPLO DE SALOMÃO

Edivaldo José de Souza

O Templo de Salomão foi o primeiro construído na cidade de Jerusalém, capital de Judá (sul de Israel), pelo rei Salomão, no ano 957 a.C., no local chamado de Monte Moriah. Esse local foi determinado por seu pai, o rei Davi. O Templo foi protegido por uma grande muralha. Para a sua construção, o rei Salomão pediu ajuda ao rei Hiram, de Tiro, capital da Fenícia (Líbano), que, por sua vez, incumbiu o arquiteto Hiram Abif de ser o empreendedor de tamanha obra. O magnífico Templo era considerado como a Morada de uma Divina Presença, o “Shekhinah”.

Constituído de uma sala principal chamada “O Santuário”, encontravam-se ali três conjuntos importantes de objetos para os rituais: os candelabros, a mesa dos pães, e o altar de ouro para os perfumes. Numa área atrás do altar principal, ficava a sala "Sagrado dos Sagrados", e na porta de entrada, duas enormes figuras de Querubins. Dentro dessa sala, estavam alguns elementos do Tabernáculo de Moisés, dentre eles a Arca da Aliança ou Arca Sagrada, que continha as tábuas com os Dez Mandamentos. A Arca era um conjunto de três caixas, sendo duas de ouro e uma de madeira, colocadas uma dentro da outra.

Abaixo da edificação, existiam inúmeros túneis e câmaras, as quais, entre várias funções, poderiam ser usadas para esconder a Arca da Aliança, caso houvesse uma eventual invasão. No entanto, o paradeiro dessa Relíquia até hoje permanece desconhecido.

Quando construiu esse Templo, o próprio rei Salomão profetizara que um dia ele seria destruído. Confirmando sua previsão, a cidade e o templo foram arrasados no ano 586 a.C., pelo exército de Nabucodonosor, rei da Babilônia (região do Iraque), que deportou milhares de hebreus (judeus) vivendo no local, para a Babilônia. Cinco décadas depois, o rei Ciro, da Pérsia (Irã), conquistou a Babilônia e permitiu então que os hebreus retornassem a Jerusalém.

Logo, um segundo Templo foi construído no ano 515 a.C., no mesmo local que o primeiro, sob a direção de Zorobabel, mas também, foi demolido em definitivo, quando da construção de um terceiro, construído na mesma plataforma que os anteriores, e conhecido como Templo de Herodes. O término dessa edificação, provavelmente, ocorreu na última década que antecedeu o nascimento de Jesus. Todavia, no ano 70, já na era cristã, novamente, foi destruído, dessa vez, pelos romanos, sob o comando do Imperador Tito. Os romanos pouparam apenas parte do muro ocidental, hoje, conhecido como O Muro das Lamentações e considerado pelos judeus como um local sagrado de oração.

Existe, inclusive, uma prece em que os judeus imploram pela reconstrução do mesmo. Uma parte da comunidade judaica acredita que um próximo venha tomar forma novamente, não mais pelas mãos do homem, mas sim pela Vontade Divina. Segundo os rabinos, “os textos sagrados dizem que a Morada de Deus só poderá ressurgir das Mãos do Messias”. De acordo com a previsão deles, “ninguém sabe exatamente quando Ele estará entre nós”.

A história iniciática aponta que a construção do Templo de Salomão, seu canteiro de obras, suas lendas e seu simbolismo se tornariam, mais tarde, o arquétipo utilizado pela Maçonaria Especulativa, como base da tradição maçônica e de seus ensinamentos. O espaço arquitetônico dos templos maçônicos são inspirados nesse Templo.

”...poderá ressurgir das Mãos do Messias”. De acordo com a previsão deles, “ninguém sabe exatamente quando Ele estará entre nós”. Diríamos nós: ele já veio e fundou uma nova Jerusalém, erguendo nela majestoso Templo dedicado ao Supremo Arquiteto do Universo, em sua manifestação cíclica avatárica. Porém, sem muralha alguma e sob a égide de uma Nova Era.

Fonte: Revista Arte Real nº 10

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

FRASES ILUSTRADAS

O LUGAR EM QUE SE FAZ A SAUDAÇÃO

Em 29/10/2023 o Respeitável Irmão Luiz Carlos Machado, Loja Conselheiro Ramalho, 0522, REAA, GOB-SP, Oriente de Mogi Mirim, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

LUGAR DA SAUDAÇÃO

Permita-me, mais uma vez, esclarecer uma dúvida.

Em sua publicação de 29 de agosto de 2023, "lugar de saudação do Venerável Mestre na entrada do oriente", fica claro que o momento da saudação seria a partir da balaustrada (referência).

Nossa Loja, 0522-Conselheiro Ramalho, já com o título de Distinção Maçônica, possui um templo que, acredito, foi construído conforme o layout daquela época. Nossas colunas, por exemplo, avançam no oriente. Por questões de ordem econômica, fica inviável algumas alterações.

Voltando ao tema, nossa balaustrada fica paralela com o primeiro degrau, e é de lá que
fazemos o sinal para entrar no Oriente. Já vi em algumas Lojas que a balaustrada fica no terceiro degrau (que deve ser o correto), de modo que, o próximo passo já seria no Oriente.

Estamos fazendo o certo ou o sinal deveria ser feito no último degrau? De certa forma, o segundo e terceiro degrau já estão no Oriente.

Agradeço suas considerações.

RESPOSTA

Sabemos que existem diferenças, mesmo que pequenas, na disposição arquitetônica interna dos nossos Templos. Assim, a questão tem sido aonde (em que lugar) presta-se a saudação ao Venerável Mestre, tanto na entrada como na saída do Oriente, em Loja aberta.

À vista disso, e com a enorme demanda de questões sobre este fato, resolveu-se identificar um ponto referencial para marcar em que lugar se fazer a saudação. Nesse sentido, elegeu-se o alinhamento da balaustrada como baliza de orientação para a saudação, sobretudo porque a balaustrada é o elemento, visível e palpável, que indica o limite entre o Oriente e o Ocidente no Templo.

Na prática, isto significa que imediatamente ao se ingressar no Oriente (pelo nordeste), faz-se a saudação ao Venerável Mestre. Em resumo, logo que os dois pés estiverem inteiramente sobre o piso oriental (próximo do Orador) o protagonista pára e presta o cumprimento.

Deste modo, além do referencial da balaustrada, fica determinado que independentemente da constituição arquitetônica do acesso ao Oriente (interno ou externo) faz-se a saudação assim que se alcançar totalmente o nível do piso oriental. Não se saúda antes de ingressar, ou sobre qualquer um dos degraus, porém quando se estiver integralmente sobre o piso do Oriente.

Vale também ressaltar que na retirada do Oriente, sempre pelo sudeste, presta-se a saudação ainda sobre o Oriente, ou seja, logo antes de descer em direção ao Sul.

Finalizando, vale comentar que no novo ritual de Aprendiz do REAA, que virá em 2024 no GOB, o acesso do Ocidente para o Oriente será feito por apenas um degrau, como originalmente sempre foi no Rito, Certamente isso facilitará sobremaneira o entendimento de aonde é o lugar em que se faz a saudação ao Venerável Metre, pelo menos nas novas edificações.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

UM ESPAÇO PARA A NAÇÃO

Marco Morel & Françoise Jean de Oliveira Souza
Antonio Gouveia Medeiros [gouveiasc@gmail.com]
Grupo Arte Real/SC

Os 94 homens que se reuniram no dia 24 de junho de 1822 num sítio no porto do Méier, na Praia Grande (atual Niterói-RJ) e fundaram o Grande Oriente do Brasil (GOB) sonhavam alto, mas tinham os pés no chão. O dia inteiro de exaustivos trabalhos foi encerrado com um lauto banquete - e a comida que sobrou foi distribuída aos pobres das redondezas, reforçando assim a filantropia tão presente nas preocupações maçônicas. Congregados naquele momento, não poderiam imaginar que meses depois teriam seus destinos individuais tão separados, nem tinham certeza dos rumos políticos que ajudavam a transformar.

A formação que originou o GOB veio da loja Comércio e Artes, a mesma que surgira em 1815, se dissolvera com a repressão de 1818 e reaparecera sob as bênçãos do Grande Oriente Luso-Brasileiro e sob os novos ares do liberalismo em 1821. Agora, em 1822, a Comércio e Artes crescera demais e nela não cabiam tantos integrantes que pretendiam entrar. Os maçons então resolveram, numa solução salomônica, subdividir a loja em três: manter a Comércio e Artes e criar mais duas, União e Tranqüilidade e a Esperança de Niterói. A distribuição dos integrantes em cada uma foi feita por sorteio. O sorteio era tradicionalmente visto como uma instância igualitária, ou seja, que evitava favoritismo e deixava nas mãos da Providência Divina o destino dos envolvidos. Além disso, os iniciados deveriam portar uma roseta ou laço em forma de flor no braço esquerdo: branco para a primeira loja, azul para a segunda e vermelho para a terceira. Todos juntos criavam, assim, o azul vermelho e branco que caracterizava a Revolução Francesa, paradigma da modernidade política, mas ao mesmo tempo repudiada em seus "excessos" pelos liberais do nascente século XIX.

O GOB adotou o Rito Francês Moderno, criado em 1783 e composto por sete graus:

Lojas Azuis
1. Aprendiz
2. Companheiro
3. Mestre

Primeira Ordem de Rosa-Cruz
4. Mestre Eleito

Segunda Ordem de Rosa-Cruz
5. Mestre Escocês

Terceira Ordem de Rosa-Cruz
6. Cavalheiro Rosa-Cruz

Quarta Ordem de Rosa-Cruz
7. Soberano Príncipe Rosa-Cruz

O maçom que presidiu a instalação dos trabalhos do GOB foi o capitão engenheiro João Mendes Viana, na condição de venerável da loja Comércio e Artes. Qual o destino de Mendes Viana? Eleito segundo grande vigilante do GOB foi enviado a Pernambuco como emissário na missão estratégica para articular a Independência.

Acabou aproximando-se dos chamados liberais exaltados que assumiram o poder provincial e proclamariam a Confederação do Equador contra o centralismo imperial. Detido por ordem de d. Pedro I, Mendes Viana passaria sete anos do Primeiro Reinado como preso político nos cárceres do Rio de Janeiro, ao lado de Cipriano Barata. Ao ser solto, em 1830, Mendes Viana estava com a saúde irremediavelmente debilitada pelas precárias condições em que foi forçado a viver e faleceu logo depois. Mais uma trajetória de vida destruída devido ao engajamento maçônico. Mas naquele momento de otimismo e entusiasmo da fundação do GOB e preparação da Independência tal previsão trágica parecia impensável.

Estavam presentes, entre os 94 fundadores, uma verdadeira galeria de Pais da Pátria, alguns antigos maçons como José Bonifácio, o coronel Luiz Pereira da Nóbrega e o padre Belchior de Oliveira, além de Domingos Alves Branco Muniz Barreto, frei Francisco Sampaio, cônego Januário da Cunha Barbosa, José Clemente Pereira e Joaquim Gonçalves Ledo. Outros, apesar de terem os nomes registrados, tornaram-se ilustres desconhecidos e se apagaram ainda na poeira do próprio tempo em que viviam. O tenente- coronel e cirurgião Manuel Joaquim de Menezes, um destes fundadores, lançou três décadas depois um pequeno livro que, até hoje, é uma das principais fontes de informação sobre tais episódios - embora também envolvido nos jogos de ocultações e revelações tão próprios da Ordem dos Pedreiros-Livres. Um dos mais destacados e convictos do grupo, o major Albino dos Santos Pereira, teria um fim trágico, como se verá a seguir.

O sítio em Niterói fora decorado à maneira de um templo maçônico, sem faltar a Sala dos Passos Perdidos. A comissão de organização era composta pelos irmãos Manoel dos Santos Portugal, João da Silva Lomba e Antônio José de Souza, que se encarregaram do banquete maçônico e das demais providências, como levar apetrechos e a decoração do local com os símbolos adequados.

Nas primeiras reuniões do GOB a clandestinidade (ou segredo, como então se dizia) era fundamental não só por uma questão de fidelidade ritualística, mas pela própria segurança de seus membros e por estarem tramando pela Independência do Brasil. Entretanto, logo se percebeu que tudo que era discutido no recinto acabava vazando para Portugal e para os comandantes das tropas portuguesas sediadas no Brasil. Daí resultou, no encontro de 2 de agosto de 1822, a exclusão de seis irmãos do círculo maçônico – após investigações internas que levaram aos nomes dos que foram considerados delatores.

Uma das tarefas marcantes do GOB foi enviar emissários às mais importantes províncias brasileiras para articularem politicamente a Independência na forma como estava sendo concebida: unidade territorial brasileira, monarquia constitucional e governada pelo príncipe da dinastia de Bragança. Note-se que, desse modo, os maçons contribuíram mais efetivamente para a criação de laços de tipo nacional e de um modelo de Estado centralizado, mas poucos colaboraram para a consolidação da própria maçonaria como instituição de nível nacional, naquele momento.

É precipitado apontar este GOB como embrião de um partido político, pois suas características se diferenciavam bastante da máquina partidária típica do século XX. Entretanto, não se deve desprezar a maçonaria como uma forma de agrupamento e organização.

Quando se falava já naquela época em "partidos", era mais do que tomar um partido ou formar facções descartáveis: havia modos de agrupamento em torno de um líder, através de palavras de ordem e da imprensa, em determinados espaços associativos e a partir de interesses ou motivações específicas, além de se delimitarem por lealdades ou afinidades (intelectuais, econômicas, culturais etc.) entre seus participantes. Tais agrupamentos eram identificados por rótulos, símbolos ou nomeações, pejorativos ou não. As maçonarias eram uma dentre as várias formas existentes de sociabilidade.

Pode-se perceber que o nó da questão em que se envolveu a maçonaria em 1822 foram as presenças de José Bonifácio e d. Pedro I em seus quadros como dirigentes máximos (grão-mestre). Daí resultou, num primeiro momento, a força e a vitória da entidade, com a Independência proclamada, como seus membros queriam. Daí resultou, logo depois, a destruição dos trabalhos maçônicos e até da vida pública de vários irmãos.

Se do ponto de vista externo o GOB serviu, no tempo e na hora certa, como espaço aglutinador, tal papel foi efêmero - as dissensões internas e as intervenções externas acabaram destruindo naquele momento este núcleo de associação. A recriação do GOB e das maçonarias posteriores já pertenciam a outro contexto, com outros objetivos e horizontes.

(Compilado do Livro O PODER DA MAÇONARIA – A HISTÓRIA DE UMA SOCIEDADE SECRETA NO BRASIL – De Marco Morel e Françoise Jean de Oliveira Souza – Rio de Janeiro; Nova Fronteira, 2008)

Se você deseja saber mais: http://www.ediouro.com.br/site/authors/index/2766

Fonte: JBNews - Informativo nº 244 - 29.04.2011

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

FRASES ILUSTRADAS

GESTO - MANIFESTAÇÃO PELA APROVAÇÃO

Em 29.10.2023 o Respeitável Irmão Marcos Paulo Franco, Loja Cavaleiros de São Jerônimo, 4331, sem mencionar o Rito e o Oriente, GOB-SP, Estado de São Paulo, apresenta o que segue:

GESTO DE APROVAÇÃO

Pelo Sinal de costume. Me exaltei há poucos dias atrás e uma das minhas grandes dúvidas e pensamentos é o seguinte: Quando é em que momento a maçonaria adotou o sinal de costume para aprovação de algum assunto?

É sabido por nós que o sinal de costume nos recorda algo trágico na história da humanidade. Gostaria de ter mais conhecimento desse assunto, tendo em vista que não encontrei nenhuma literatura maçônica que trata desse assunto.

CONSIDERAÇÕES:

Nada a ver uma coisa com outra. Esse gesto de aprovação é largamente utilizado no mundo e não foi criado pelo nazismo. Foi sim, utilizado pelo nazismo. Esse gesto, que não é sinal, é imemorial nas sociedades civilizadas.

Longe de qualquer questão desta natureza, a Maçonaria, que inegavelmente também foi perseguida pelo nazismo, jamais se espelharia em algo a ele relacionado, para criar um gesto de aprovação. Não devemos ficar a imaginar coisas e tirar conclusões apressadas.

Vale a pena lembrar que o próprio símbolo adotado pelo nazismo, a suástica, foi copiada e não criada pelos adoradores de Hitler. Assim, a cruz gamada é um símbolo muito mais antigo do que o nazismo, sendo um emblema natural do hinduísmo e do budismo, possuindo significado de alto valor espiritual e filosófico, portanto, muito longe das ideias e das atrocidades do nazismo.

Assim também é a forma gestual de expressar aprovação, cuja qual, de domínio público, não possui nenhuma relação incestuosa com as sombras do ódio.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br