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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

segunda-feira, 8 de junho de 2020

MAÇONARIA REALISTA

MAÇONARIA REALISTA
José Maurício Guimarães

Este é um texto excepcionalmente mais longo que os de costume. Para os que não têm paciência, recomendo nem começarem a leitura. Pior do que não ler, é lerem "por alto", passando os olhos descuidadamente e depois emitirem juízo equivocado sobre o meu pensamento. Temos aqui 2.424 palavras em 41 parágrafos. Os de fôlego curto, mais dados à leitura do Twitter ou WhatsApp, desaconselho maiores esforços; simplesmente deletem a mensagem.

Não tenho medo nem melindres em ser polêmico. Sei que em qualquer hipótese, seja abanando a cabeça como carneirinho, seja apontando o que minha consciência julgue oportuno ponderar, sempre haverá leitores que me combaterão, e isso é ótimo! − educadamente uns ou grosseirões outros poucos, além dos que, a contragosto, vestirão a carapuça e deixarão de falar comigo. Não faz mal; já vivi bastante para aprender que o homem de bem não tem compromisso com o erro; que o compromisso do maçom é com a razão; e, por último (last but not least) tenho convicção íntima de que faço parte da Ordem não para alcançar proveitos que não os do meus esforços em progredir como pessoa. Não acho penoso respeitar as Potências e Obediências; me agrada honrar os Corpos Superiores e seus dirigentes que me distinguiram com os Altos Graus. Minha vida é simples e assim nada faço ou digo com o propósito premeditado de afrontar diretamente os Cargos ocupados pelos dirigentes de nossas Instituições.

Divergências e diferenças de opinião são parte do "fazer maçônico", principalmente quando nossa postura é respaldada por nossa história pessoal como cidadão, profissional, pai de família e possuidores de ilibada carreira maçônica (ilibada é a pessoa sem mancha, puro, livre de culpa ou de suspeitas). Em nossa retaguarda – e diante dos meus olhos – temos o Artigo 5º da Constituição Federal que proclama a todos iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-nos a livre manifestação do pensamento.

Assim sendo, vamos às reflexões.

domingo, 7 de junho de 2020

FOTO MAÇÔNICA DE DOMINGO

Por Géplu













Philippe nos enviou essas fotos com estas explicações: 

Você volta de uma visita à famosa Capela Rosslyn (www.rosslynchapel.com), a que provocou muitas fantasias maçônicas, e decide andar pela rua principal que atravessa a vila de Roslin. 

Uuma grade encimada pelo esquadro e o compasso, um pequeno pôster destacando o trabalho a serviço da comunidade e, atrás da grade, o acesso a um edifício feio que abriga o Lodge Rosslyn St Clair 606 (www. rosslynmasonic606.co), uma loja da Grande Loja da Escócia que recebeu patente em 7 de maio de 1877 e recebeu o nome do primeiro grão-mestre, William St. Clair. 

Se você também estiver perto de sua casa ou viajando, perceber um edifício, um objeto ou uma decoração maçônica ou evocar alvenaria, não hesite em nos enviar fotos com algumas explicações. 

Esses "depoimentos" são muito populares entre os leitores de blogs. (tradução livre)

Fonte: Blog hiram.be

PÍLULAS MAÇÔNICAS

ELO DE LIGAÇÃO

Tempos atrás, o Irmão Ronaldo Teixeira Pinto, da Loja Jacques de Molay, levantou um assunto interessante: qual o elo de ligação entre a Maçonaria Operativa e a Maçonaria Especulativa?

Aparentemente, a resposta é: a necessidade de sobrevivência da Ordem. Mas para sobreviver, é necessário que haja crescimento. Esse crescimento foi gerado pelo “Interesse”.

Vou tecer algumas considerações, expostas abaixo, para no final esclarecer o que vem a ser esse “interesse”.
  • A Francomaçonaria possuiu dois ramos principais, bem distintos quando à origem e ao comportamento. O ramo Inglês e o Francês. A Francomaçonaria Brasileira, e as demais da América do Sul, são de origem francesa. Na Austrália, EUA e Nova Zelandia a origem é inglesa.
  • Na Inglaterra, a idéia de uma sociedade obreira declinava pouco a pouco, e reencontrou força e vigor graças ao acrescentamento de elementos novos, encontrados, antes de tudo na burguesia e nas profissões liberais e, posteriormente na nobreza e realeza. Aos primeiros, essa nova organização, oriunda de uma guilda quase moribunda de ofícios, estendia seus fins e sua influência, dando-lhes um novo aval entre os homens de condição social mais elevada.
  • Na França, diferentemente do exposto acima, o povo começava a despertar para idéias novas (muitas emprestadas da Inglaterra) e preparava sua Revolução, enquanto a Inglaterra já fizera a sua e decapitara seus reis. Submetera a Igreja ao Estado, e aspirava repouso.
  • Desse modo, enquanto a Lojas Inglesas reuniam, de maneira geral, pessoas extremamente respeitáveis, ponderadas, cultivando cuidadosamente, com submissão, as leis do reino e as leis da natureza, as Lojas Francesas abrigavam, sob a Lei do Silencio, tudo quanto o reino podia conter de hermetistas, alquimistas, “filósofos” e “iluminados”. Desse modo, a Loja tornou-se a veste que lhes permitiu passar despercebida – e, em seguida, ficar ao abrigo das perseguições do poder real e do poder religioso – uma sociedade frívola que dança inconscientemente seus últimos minuetos, quando a casa, já rachada, começou a desmoronar. (Marius Lebage).
Aparentemente, o “elo’ de ligação entre a Maçonaria Operativa e Especulativa, denomina-se ’interesse” no sentido mais amplo da palavra.

Na Inglaterra: INTERESSE em contatar, e se misturar com pessoas da alta sociedade e se sentir no mesmo nível, característica da Maçonaria mundial.

Na França: INTERESSE em se ter base camuflada para contestar a Igreja e o governo, e ter local para expressar livremente seus pensamentos.

Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com

EM PÉ OU SENTADO?

EM PÉ OU SENTADO?
(republicação)

Em 03.09.2015 o Respeitável Irmão Paulo Assis Valduga, Loja Luz Invisível, REAA, GOERGS (COMAB), Oriente de São Borja, Estado do Rio Grande do Sul, solicita esclarecimentos para o que segue: paulovalduga@gmail.com

Tenho uma dúvida (ou desconforto) com relação à leitura dos Decretos dos Grãos Mestres com a Loja em Pé e à Ordem (que bela redundância: de pé e à ordem!); penso que sendo apenas um ato administrativo poderia, muito bem, ser lido com os Obreiros sentados.

Não teria, neste caso, algum resquício aristocrático quando os editos reais deveriam ser ouvidos e acatados pelo povo com subserviência? Quiçá por termos "Soberanos" como Grão-Mestres devemos nos portar da mesma forma....

CONSIDERAÇÕES:

Pois é Mano, a escola maçônica prega a humildade como uma grande virtude. Infelizmente, hábitos e hábitos se arraigaram ao longo dos tempos, mas há pelo menos uma Luz no fim do túnel, pois já existem regulamentos que não mais obrigam colocar a Loja à Ordem para esse procedimento. Enquanto que outros...

Vaidades de vaidades, disse o pregador. Alias, tem certas coisas que eu não consigo entender, sobretudo quando elas acontecem no ambiente dos Mestres, já que deles é conhecida à lamentação: “eis que chegará o tempo em que tu dirás; essa idade não me agrada...”.

Por outro lado, penso que passamos pelos tempos e a Maçonaria, apesar das suas tradições, usos e costumes, precisa acompanhar os novos tempos – sem ferir os verdadeiros Landmarks.

Quanto ao pronome de tratamento “Soberano” ele é ainda resquício de quando o Soberano Grande Comendador do REAA era ao mesmo templo o Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil. 

Felizmente essa prática foi excluída (cada macaco no seu galho), todavia o tratamento de Soberano ainda acabou permanecendo como tradição no simbolismo do Grande Oriente do Brasil. Não me pergunte o porquê...

T.F.A. 
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.008 – Florianópolis (SC) - sexta-feira, 1º de abril de 2016

A QUINTESSÊNCIA

A QUINTESSÊNCIA
Ir ∴ Luis Reinaldo Sciena*

As idéias originais atribuídas aos grandes filósofos gregos (Sócrates, Platão, Aristóteles e principalmente Pitágoras), de que todos os corpos, vivos ou não, são compostos por terra, fogo ar e água (os quatro átomos), parece aos olhos do Sec. XXI algo muito primitivo e desprovido de caráter científico. Por sinal, é muito fácil associar idéias místicas a essa concepção e justificá-la por meio de argumentos pouco prováveis e de impossível verificação.

Porém não podemos desconsiderar a racionalidade científica dos gregos que, para dizer pouco, moldou o pensamento ocidental moderno. E num exercício de raciocínio, vamos voltar para época de Pitágoras (570/71 – 496/97 AC), e fazer uma pesquisa científica imaginária: do que é feito um ser humano?

Durante a vida, precisamos de alimentos. Esses alimentos, de alguma forma, se transformam em corpo humano e nos sustentam. Considerando a cadeia alimentar, tudo o que consumimos é de origem vegetal, o que conduz à pergunta: vegetais são feitos do que? A mais óbvia resposta é terra.

Sem a água os vegetais não se desenvolvem. Além disso, nosso consumo de água é notável. A água é muito diferente da terra e juntos formam lama que, grosso modo, é comparável em viscosidade e densidade a certos fluidos corporais.

O ar é essencial para as plantas e para nós. O consumo direto de ar pela respiração também o coloca na condição de elemento constituinte.

O Sol é essencial para a vida. Ele é a força transformadora de terra, água e ar em plantas. As plantas com água e ar em seres do reino animal, incluindo nós. O melhor representante terreno desse poder transformador é o fogo.

Logo, não é difícil concluir que nós somos feitos de terra, água, ar e fogo, assim como todos os demais corpos animados e inanimados, em diferentes concentrações dos quatro elementos.

Parece uma hipótese razoável considerando que o principal instrumento de investigação dos gregos era a lógica.

Mas nós, diferentemente de corpos inanimados, temos consciência de nossa própria existência, somos movidos por idéias e empreendemos ações transformadoras. Isso conduziu à idéia da existência de um quinto elemento superior aos quatro primeiros, a quintessência, que nos fez passar do mundo quaternário (da matéria inanimada) ao mundo quinário. Do mundo da matéria para o mundo da vida e da inteligência.

Para representar o ser humano e a inteligência, a escola Pitagórica apropriou-se do pentagrama como seu símbolo e estudou suas propriedades matemáticas. Interpreta-se sua forma como a de um ser humano com 5 prolongamentos (braços, pernas e cabeça), e a inteligência é representada pelo centro do pentagrama.

Uma vez inserido no mundo da inteligência, animado pela quintessência, o ser humano inicia seu aprendizado e a construção de sua representação do universo. Temos ferramentas para esse aprendizado e construção: nossos sentidos e nossa inteligência.

Atualmente, sabemos que obtemos informações do meio ambiente por meio dos 5 sentidos que exploram o meio ambiente (visão, audição, gustação, olfato e tato), o sentido do equilíbrio que é capaz de avaliar a posição de nosso corpo em relação ao campo gravitacional (o labirinto), o fluxo contínuo do tempo e o estado de nosso organismo (informações processadas, em sua maioria, inconscientemente).

Interessa-me nessa abordagem os 5 sentidos que nos dão acesso a exploração do meio ambiente e às informações veiculadas pelas linguagens humanas (verbal, escrita, gestual etc).

Os 5 sentidos são janelas abertas para o universo que permitem, ao longo da existência humana, acumular informações que, uma vez processadas, criam um modelo mental da Natureza. Enquanto os sentidos do tato, olfato e gustação permite-nos absorver informações físicas num raio de abrangência muito limitado, a visão e a audição expandem esse raio ao infinito graças às linguagens de codificação de informações. Boa parte do conhecimento humano está disponível para quem dele quiser se apropriar, por meio de livros, filmes, softwares etc.

Os conhecimentos memorizados e processados, com a devida reflexão que cada tema merece (isso é de caráter pessoal) criará, em nossa mente, um modelo representativo do universo que enxergamos que não é intrinsecamente igual para todos.

Sabe-se hoje que o córtex visual e o córtex auditivo do cérebro reagem da mesma forma quando vivemos uma experiência ou nos lembramos dela. De fato, aparentemente não há diferença para o cérebro entre viver uma experiência ou recordar uma experiência.

Como temos a linguagem que permite compartilhar essas recordações e experiências com outros seres humanos, podemos conversar longamente sobre elas, portanto revive-las, relatando nosso ponto de vista. Talvez ocorra a convergência de idéias para um consenso comum em torno de uma idéia que denominei realidade média.

O microcosmo (o Homem) tem dentro de si a representação do macrocosmo (A Natureza). No meu entendimento, o que convencionamos chamar de macrocosmo é a realidade média, que versa parcialmente sobre o comportamento do macrocosmo e não exatamente o que ele é.

Concluindo esse raciocínio, a quintessência parece ser o universo conspirando para ter consciência de si próprio, portanto da realidade. Desconcertante...

Nos últimos 15 minutos apresentei conceitos que agora estão na memória dos leitores. Esses 15 minutos tornaram-se uma experiência que agora faz parte de um mundo virtual que poderemos compartilhar pela linguagem. A realidade se virtualizou e virou informação. Muito desconcertante.

Bibliografia:
  • Curso de Maçonaria Simbólica - Autor: Theobaldo Varoli Filho - Editora: A Gazeta Maçonica
  • Grau de Companheiro e seus Mistérios - Autor: Dr. Jorge Adoum - Editora: Editora Pensamento
  • Peródico: Scientific American Brasil - Edição Especial 04 - Segredos da Mente
  • Artigo: Como o Cérebro Cria a Mente, autoria de Antonio R. Damasio
  • Artigo: O Problema da Consciência, autoria de Francis Crick e Christof Koch
  • Artigo: O Enigma da Cosciência, autoria de David J. Chalmers EditoraCampus
  • Periódico: Scientific American Brasil - Edição 31 - dezembro 2004.
  • Artigo: Computador Buraco Negro - autoria de Seth Lloyd e Y. Jack Ng Editora: Duetto
  • Filósofos gregos na Internet:www.wikipedia.org
Londrina, abril de 2008.
Comp∴ Luis Reinaldo Sciena. Regeneração 3a. no. 14 Grande Oriente do Paraná -lsciena@sercomtel.Com.br

http://www.abemdaordem.com.br

sábado, 6 de junho de 2020

DE PÉ OU SENTADO?

DE PÉ OU SENTADO?
(republicação)

Em 01.09.2015 o Respeitável Irmão Márcio Pelegrini, sem declinar o nome da Loja, REAA, GOB-PR, Oriente de Chopinzinho, Estado do Paraná, apresenta a dúvida seguinte: marciopelegrini@hotmail.com

Caro Irmão Pedro, tratando do REAA, Grau 1, quando o Venerável Mestre pede para o 1º Vigilante verificar se todos os presentes nas Colunas são Maçons, o manual orienta que o 1º Vigilante diga, após a batida de malhete: Em pé e a Ordem em ambas as Colunas. Diz também que ele faz a verificação de seu lugar... Nesse momento, o 1º Vigilante deve fazer a verificação em pé e a Ordem ou sentado?

CONSIDERAÇÕES:

Deixando a redundância do ritual de lado, já que ninguém fica à Ordem sentado – de pé e à Ordem (sic) – o Vigilante cumprindo a sua segunda obrigação, ainda sentado, ordena que todos fiquem à Ordem em ambas as Colunas. 

Prontamente os ocupantes das Colunas (inclusive o Segundo Vigilante) o obedecem. De imediato assim também se posta o Primeiro Vigilante – desse modo, todos, sem exceção, nas Colunas ficam à Ordem (os Vigilantes deixam os seus malhetes). Compondo o Sinal Gutural, o Primeiro Vigilante então do seu lugar observa e a seguir comunica o Venerável Mestre conforme prescreve o Ritual.

Uma atenção ao procedimento: o Primeiro Vigilante deve ter discernimento necessário para observar um pequeno espaço de tempo entre o seu comando e a execução da sua ordem nas Colunas e por fim, quando ele mesmo se posiciona à Ordem. 

O motivo dessa sequência de curto espaço de tempo é para que de modo lógico, primeiro os demais para ele se identifiquem antes que ele próprio se posicione também à Ordem.

Finalizando, como foi citado na pergunta o Manual, cabe ainda alertar que todos os Manuais de Dinâmica Ritualística estão suspensos desde 2.009 pelo Soberano Grão-Mestre pelo Decreto nº 1.102 datado de 15/05/2009 em seu Artigo 5º conforme transcrito abaixo:

“Decreto 1102, Artigo 5º - Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação revogada todos os Manuais de Dinâmica Ritualística (o grifo é meu) e as disposições em contrário”.

T.F.A. 
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.006 – Florianópolis (SC) - quarta-feira, 30 de março de 2016

AVENTAIS

French Master's Apron France - séc XIX

O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO

O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO

É o Rito mais popular entre a população maçônica brasileira. A maioria dos autores é coincidente na afirmação de que este Rito teria surgido na França pela criação do Rito de Perfeição ou Heredom. Os Jacobistas exilados na França muito contribuíram para a formação e a propagação deste Rito.

Este Rito compreende 33 Graus, distribuídos da seguinte forma:
  • Graus Simbólicos ou Oficinas Simbólicas ou Lojas Azuis - 1 a 3
  • Graus Inefáveis ou Oficinas de Perfeição - 4 ao 14
  • Graus Capitulares ou Oficinas Vermelhas - 15 ao 18
  • Graus Filosóficos ou Oficina de Kadosh - 19 ao 30
  • Graus Administrativos ou Consistórios - 31 e 32
  • Supremo Conselho - 33
O Rito Escocês é um Rito especial, inclusive no que diz respeito às suas origens.

Todos os Ritos conhecidos têm a sua história e origem bem definidas. A história e a origem do Rito Escocês dão margem a muitas indagações, a começar pelo fato de que é Escocês e nasceu na França.

O sistema escocês teve origem na França pelos partidários dos Stuarts, que se encontravam lá exilada. O Rei Carlos I, da família dos Stuarts, da Inglaterra e da Escócia, havia sido deposto pelo ditador Oliver Cromwell. Foi a primeira manifestação maçônica ocorrida na França, por volta de 1650. O Sistema Escocês não tinha uma linha obediencial, eis que não se submeteu à Grande Loja da Inglaterra, quando, em 1717, ela foi fundada. Era um sistema livre praticado por Lojas Livres e por Maçons Livres. A partir de segunda metade do século XVIII é que foram criados os 25 Graus do chamado Rito de Heredom, que mais tarde receberiam a adição de mais oito Graus com a fundação do Supremo Conselho de Charleston, a partir de 1800. Esse Supremo Conselho foi o primeiro do mundo, sendo assim, o Supremo Conselho Mater-Mundi.

As causas da criação dos Altos Graus são obscuras. Alguns autores acham que foram políticas, sendo uma maneira de controlar as Lojas Maçônicas; outros acham que foram doutrinárias com extensão da Maçonaria Simbólica, agregando novos estudos no desenvolvimento dos Maçons; outros acham, ainda, que as vaidades pessoais e a busca de títulos deram causa à criação dos Altos Graus. O Rito Escocês foi o primeiro Rito Maçônico a possuir Altos Graus. Na origem dos Altos Graus há certa uniformidade entre os autores, apesar dos que defendem a participação efetiva de Frederico II da Prússia, o que não é realidade, mas concordam que o Discurso do Cavaleiro de Ramsay, o Capítulo de Clermont e o Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, Grande e Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém, constituem os pontos fundamentais na origem dos Altos Graus.

O documento produzido pelo Cavaleiro de Ramsay induziu a uma reforma maçônica com a adoção dos Altos Graus. Este documento passou à história como o Discurso de Ramsay.

O Capítulo de Clermont foi criado em Paris e teve pouca duração. Pregava basicamente duas coisas: não se submeter à Grande Loja da Inglaterra e praticar, propagar e divulgar os Altos Graus.
O Conselho dos Imperadores do Oriente e do Ocidente, também fundado a partir do Capítulo de Clermont, era a Grande e Soberana Loja Escocesa de São João de Jerusalém e foi uma importante Potência escocesa. Foi essa Potência que criou um sistema escalonado de 25 Graus, que eram chamados Graus de Perfeição, os que iam do Grau 4 ao 25. Esta escala de 25 Graus recebeu a denominação de Rito de Perfeição ou Rito de Heredom.

Posteriormente, Morin recebeu do Conselho dos Imperadores do Oriente e Ocidente uma carta-patente que o credenciava a criar Lojas dos Altos Graus nas Américas, muito embora ele tenha constatado que aqui na América já havia Lojas de Altos Graus em pleno e perfeito funcionamento.
Essa tal carta-patente, cuja autenticidade foi questionada, mais tarde foi autenticada pelo Conde Auguste de Grasse-Tilly, primeiro Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho da França.

Ao sistema de 25 Graus do Rito de Heredom, os norte-americanos adicionaram mais oito Graus, criando assim a escalada hierárquica que temos atualmente no Rito Escocês Antigo e Aceito.

A denominação "Antigo e Aceito" surgiu na França por cópia de uma situação criada com a fundação da Grande Loja de Londres. Ocorre que, já bem anteriormente, a Ordem Maçônica recebia os "Aceitos" que eram Maçons que, apesar de aceitos na Ordem, não exerciam as profissões dos Operativos. Com a criação da Grande Loja de Londres, muitas Lojas fizeram-lhe oposição, não se submetendo à nova Obediência. Os Maçons das Lojas subordinadas à Grande Loja foram considerados "Modernos" (o que não tem nada a ver com o Rito Moderno, que surgiria mais tarde na França). Já os Maçons residentes foram considerados "Antigos".

Algo semelhante aconteceu na França, mais tarde. O Grande Oriente da França resolveu fazer uma revisão nos Altos Graus e apresentou um Rito que tinha apenas quatro Altos Graus.

Nascia aí o Rito Francês, ou Francês Moderno ou, simplesmente, Moderno.

Passaram, então, os adeptos do Rito Escocês, que vinha expan-dindo-se, a criticar o novo Rito, chamando-o de "Moderno", enquanto denominavam a si mesmos de "Antigos e Aceitos", ao mesmo tempo em que deram oficialmente nome ao Rito de Rito Escocês Antigo e Aceito.

Como dissemos, o primeiro Supremo Conselho criado no mundo foi o Norte-americano de Charleston; o segundo foi o Supremo Conselho da França e a partir daí estendeu-se para o mundo pelas mãos do Conde de Grasse-Tilly.

Pelo que a história registra o Rei Frederico II da Prússia pouco ou nada teve a ver com a criação e expansão dos Altos Graus, que foram criados por norte-americanos de origem judaica.

Os Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito:

LOJAS SIMBÓLICAS
- Aprendiz Maçom
- Companheiro Maçom
- Mestre Maçom

LOJAS DE PERFEIÇÃO
- Mestre Secreto
- Mestre Perfeito
- Secretário íntimo
- Preboste e Juiz
- Intendente dos Edifícios
- Mestre Eleito dos Nove
- Mestre Eleito dos Quinze
- Mestre Eleito dos Doze
- Grão-Mestre Arquiteto
- Real Arco
- Perfeito e Sublime Maçom

CAPÍTULOS
- Cavaleiro do Oriente ou da Espada
- Príncipe de Jerusalém
- Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
- Cavaleiro Rosa-Cruz

CONSELHOS KADOSH
- Grande Pontífice
- Mestre Ad Vitam
- Noaquita ou Cavaleiro Prussiano
- Cavaleiro do Real Machado
- Chefe do Tabernáculo
- Príncipe do Tabernáculo
- Cavaleiro da Serpente de Bronze
- Escocês Trinitário
- Grande Comendador do Templo
- Cavaleiro do Sol
- Grande Escocês de Santo André da Escócia
- Cavaleiro Kadosh

CONSISTÓRIOS
- Grande Inspetor
- Sublime Príncipe do Real Segredo

SUPREMO CONSELHO
- Soberano Grande Inspetor Geral

Relacionamento Com o Rito Moderno

Os Graus 9, 14, 15 e 18 do Rito Escocês são idênticos aos Graus 5, 6, 7 e 8 do Rito Moderno.

Fonte: http://otemploeomacom.blogspot.com

sexta-feira, 5 de junho de 2020

LOJA DE MESA

LOJA DE MESA
(republicação)

Loja de mesa Em 01/09/2015 o Irmão Luiz Felipe Russo Schmidt, Loja Joaquim Gonçalves Ledo, 3.079, REAA, GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, pede o esclarecimento seguinte: luizfelipe@bettischmidt.com.br

Entro em contato para sanar uma dúvida. Preparando o trabalho para o ERAC (tema: Sessões em Loja), deparei-me com o seguinte questionamento (o qual não tenho conseguido encontrar resposta): o Ritual para o Banquete Ritualístico seria o mesmo para todos os Ritos? Agradecendo, desde já, pela atenção; despeço-me.

CONSIDERAÇÕES:

Eu prefiro usar o termo Loja de Mesa, já que na oportunidade, abre-se uma Loja onde nela se reúnem os convivas. 

Com a profusão dos ritos maçônicos, sobretudo a partir do século XVIII, esses adquiriram suas próprias características, tanto sob o ponto de vista cultural e doutrinário, bem como com os seus usos e costumes oriundos das regiões terrenas de onde são procedentes os seus rituais. 

Assim, embora de espinha dorsal muito parecida, as Lojas de Mesa, conforme os Ritos e Trabalhos viriam assumir também as características próprias dos diversos ritos maçônicos. No geral, embora às vezes de modo sutil, existem sim diferenças. 

Outro aspecto que também altera essa pragmática ritualística é sem dúvida a imensa profusão de rituais e mais rituais editados ao longo dos tempos. 

Destes viriam aparecer ainda muitos enxertados e, quando não, inventados ao gosto de muitos autores ou mesmo de Obediências que de quando em quando editam “rituais especiais” que mais parecem uma colcha de retalhos além de um repositório de invencionices.

T.F.A. 
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.004 – Florianópolis (SC) - segunda-feira, 28 de março de 2016 

A COR DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO

A COR DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO
Autor: Sérgio Quirino Guimarães
ARLS Presidente Roosevelt, Nº25 – GLMMG

Normalmente ouço a pergunta, qual cor representa o Rito Escocês, o azul ou o vermelho? Acredito que a pergunta é feita de maneira errada. Penso ser mais correto se a pergunta fosse sobre a cor predominante das alfaias e templos onde se praticam o Rito Escocês Antigo e Aceito nos Graus Simbólicos.

Os Mestres sabem do que estou dizendo, e os que já alcançaram os Graus Superiores viram que há uma grande alternância de cores, mas a resposta catedrática é a cor VERMELHA. Logicamente, na época da “Lenda”, os aventais eram simples pedaços de couro para a proteção corporal dos obreiros. Na Maçonaria Operativa (quando eram usados) tinham o mesmo propósito.

Na formatação da Maçonaria Especulativa o ambiente e os adornos pessoais ganharam formas, tamanhos, símbolos e cores que representariam, não só os valores intrínsecos da Ordem, como também influências temporais e políticas da época.

Lembremos que no início da Maçonaria Especulativa havia um bom vínculo entre a Maçonaria e a Igreja, herança da Maçonaria Operativa. O conflito só foi “institucionalizado” em 1738 através da Bula Papal In Eminenti. Na Liturgia da Igreja Católica a cor vermelha é a mais importante, pois está ligada ao sacrifício de Jesus e dos Santos que foram martirizados por conta de sua crença.

É a cor dos Cardeais, que usam o solidéu e faixa abdominal vermelha. E são eles que elegem os papas. Fazendo uma analogia com a monarquia, se o Papa tivesse o título de rei, os Bispos seriam os príncipes.

O vermelho também é símbolo de poder e realeza desde a época em que Roma governava o mundo. Os Césares se apresentavam com mantos vermelhos e depois, a história nos retrata Reis com suas coroas e também vistosas capas vermelhas.

É nesse ponto que entra a influência da realeza junto à Maçonaria Especulativa do REAA: a família Stewart ou Stuart era de origem Bretã que se consolidou como Dinastia Real na Escócia a partir de 1371 e na Inglaterra entre 1603/1649 e 1660/1714. Porém houve a Guerra Civil Inglesa, tendo o Rei Carlos I sido decapitado e a Rainha Católica exilada na França juntamente com vários membros da aristocracia que foram iniciados em Lojas Maçônicas Francesas e colaboraram na referida formatação da Maçonaria Operativa. Sendo eles nobres aristocratas e católicos, nada mais natural que nas Lojas e adornos (avental) constasse sua condição de “Sangue Real”.

E o VERMELHO tornou-se a cor predominante nos ambientes onde eram desenvolvidos os trabalhos do REAA.

Tal situação foi confirmada pelas seguintes instituições e literaturas: Primeiro Supremo Conselho do Rito Escocês dos Maçons Antigos e Aceitos (1801), Grande Oriente Brasileiro (1834), Regulador Geral do REAA para o Império do Brasil (1857), Congresso de Supremos Conselhos do REAA (1875) e Regulamento Geral da Ordem Maçônica no Brasil (1902) e também em vasta literatura atual.

Para alguns Irmãos pode parecer inacreditável, mas o Rito Escocês foi criado na França, teve influências católicas e aristocráticas, sendo o histórico e legítimo avental do Mestre Maçom para o REAA, de couro branco, forrado no verso, tendo nas laterais da frente e na abeta, fitas vermelhas e bordado as Letras M B.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

quinta-feira, 4 de junho de 2020

ORDEM DO DIA - PALAVRA NA COLUNAS E VIGILANTES

Em 17/02/2020 consulta que faz o Respeitável Irmão Tacachi Iquejiri, Loja Luz de Outubro, 2.081, REAA, GOB-MS, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul.

ORDEM DO DIA – PALAVRA NAS COLUNAS.

Tendo surgido dúvida quanto à circulação da palavra na Ordem do Dia, no REAA, no momento da discussão e pelo que consta do ritual de aprendiz, página 61, onde se lê: "O Ven∴ Mestre o põe em debate e depois em votação, passando-se aos demais. O Or∴, qualquer que seja o assunto debatido, dá as suas conclusões, antes da votação.". Não determina se a palavra será concedida pelos Vigilantes ou se o uso é livre. Eis a dúvida.

CONSIDERAÇÕES:

Isso já está subentendido, pois o Venerável Mestre ao pôr um assunto em debate, consuetudinariamente ele o faz de modo que se siga o giro da palavra, ou seja, Sul, Norte e Oriente. 

Assim ele, ao coloca-la no Ocidente (a palavra), a mesma parte da Coluna do Sul. Desse modo, obviamente que é o Vigilante da respectiva Coluna quem autoriza o uso da mesma na sua Coluna. Note que o anúncio pertinente ao período da Ordem do Dia fora feito pelo Venerável, seguido dos respectivos Vigilantes.

Nesse sentido, a praxe no REAA é de que a cada assunto posto em debate o Venerável anuncia à Loja que o mesmo está para discussão e consideração a partir da Coluna do Sul, por conseguinte, o Vigilante respectivo informa que a palavra está no Sul. Reinando nela silêncio, o 2º Vigilante imediatamente assim anuncia ao 1º Vigilante até que por fim o assunto antes da votação em debate chegue novamente ao Venerável para discussão no Oriente. 

Reitero que todo esse procedimento tem sido seguido no Rito de há muito sendo tradicional e costumeiro, de tal modo a não precisar estar esmiuçado no Ritual. Giro da palavra a partir do Sul e o ato de pedir a palavra ao respectivo Vigilante nas Colunas é procedimento consagrado como uso na Maçonaria. Acredito que isso não precise estar escrito.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br - 03/06/2020

FRASES ILUSTRADAS


A BUSCA

A BUSCA

Nesta Organização entramos pequenos, em trevas e assustados. Crescemos, somos inundados de luz e sentimos júbilo. Entramos egocêntricos e somos infundidos por amor. É um grupo que constrói, que fascina, que nos traz um testemunho que cresce através do tempo e nos indica um caminho que pode levar à sabedoria.

Independentemente do Rito ou Potência, progredimos por etapas que nos preparam para uma ascenção, para a expansão da consciência, através da reflexão. Nesta reflexão procuramos respostas para os problemas que todo ser humano dissimula para si mesmo: o sentido da vida, o sentido da morte e a imortalidade da consciência.

As respostas a estas questões formaram uma tradição que vem se firmando através de nosso estudos – bem diferentes daqueles que as ciências e as filosofias possam nos mostrar. As reflexões sobre questões tão transcendentais foram armazenadas pelas várias gerações de Irmãos que nos antecederam, e cada um em sua época histórica deixou seu legado com sua própria visão e entendimento. Esse conhecimento, portanto, é uma herança da mais alta espiritualidade, que não pode e não deve ser desprezado ou considerado com pouco caso.

Agora, nós também estamos deixando nosso legado. Quer queiramos ou não, seremos -inevitavelmente- julgados pelos nossos posteriores por nossas ações e comportamentos, pelo que fazemos ou deixamos da fazer, pois o homem percebe rapidamente as relações que existem entre as coisas. Quais as luzes que esperamos receber? Quais as que podemos dar? Basta um pouco de observação para avaliar a ignorância humana. Apesar de todo magnífico avanço tecnológico -as vezes assustador- , a humanidade continua presa aos seus parcos sentidos, frágeis percepções que são filtradas por um intelecto precário. Insegura nas percepções, equivocada nas interpretações, a humanidade ainda caminha por um mundo onde cada som, cada cor, cada forma é uma ilusão.

Acomodando-se nesse grande panorama de ilusões, satisfaz-se com as aparências e abraça tenazmente o que elegeu como verdade, consolidando seu orgulho obstinado, sem progresso, nem luz. Esforçamo-nos com empenho para tornarmos o mundo inteligível e na realidade criamos mais relações entre as coisas do que nos dedicamos a conhecer as próprias coisas. Estaremos observando a harmonia do Todo, procurando num processo de simbiose interiorizar a maravilha da Natureza e do Universo e ter consciência de que fazemos parte desse Todo? ou estaremos apenas criando uma imagem inteligível para nosso intelecto, sendo, portanto, um reflexo e não a própria essência?

Nessa construção mental, que por vezes resulta num conjunto de processos que dão certo, não raro ficamos envolvidos num emaranhado de ordenações simbólicas ou religiosas sujeitas sempre a padrões estabelecidos e estruturados num rigor permanente e inflexível. Com certeza esquecemos que simbolismo e mesmo citações bíblicas são parâmetros que devem nos nortear e auxiliar a descobrir verdades veladas aos olhos comuns. O que vemos num Templo maçônico? o que compreendemos de nossos rituais?

Toda evolução espiritual ou moral inicia quando o ser humano toma consciência da imperfeição do conhecimento obtido apenas pelo seu intelecto e sentidos. A percepção -o que sentimos- é realizado pela consciência da diferença entre o objeto e eu. Portanto, minha percepção é o terceiro ponto resultante do objeto e eu. Toda percepção é o vértice superior de um triângulo cuja base acarreta a própria percepção, portanto, vemos que a mente humana só apreende diferenças. O mundo da manifestação ou mundo objetivo, portanto, só é discernível por uma triangulação efetuada pela mente.

Assim, tudo o que existe para o homem é duplo em natureza e triplo na manifestação. Toda visão humana do mundo está sujeita ao triângulo. Assim, nenhuma impressão nos ocorreria num mundo onde todas as partes fossem idênticas, por exemplo, não teríamos consciência de um aroma no qual vivêssemos permanentemente. O homem só percebe o Universo que é regido pelo nº 3. Ele é a chave de sua codificação. Nosso sistema sensório só percebe as diferenças. Se não fossem as diferenças, como seria para nós o Universo? Se abolíssemos toda percepção das diferenças seríamos espectadores de um Universo indiferenciado. O que seriam então as realidades? Teríamos ultrapassado as realidades? Estaríamos em face do Verdadeiro?

Todos desejamos ardentemente que as realidades sejam duradouras e assim queremos fixar tudo com que temos contato: fortuna, amigos, conhecimento. Buscamos riqueza, apegamo-nos às honrarias e tornamo-nos, por vezes, obstinados com aquilo que acreditamos que sabemos. Somos ansiosos em ter, suplantando o ser.

Nesse transcorrer de nossa existência, vemos e não tomamos -ou não queremos tomar- consciência que tudo que é visível desagrega-se e desaparece. Assim, acabamos montando nossas vidas num presente mecânico, perseguido pelo passado e temerosos do futuro. Nos agitamos no meio de cores, sons e formas e nem sequer nos preocupamos em saber qual é a força única que está por trás de todas essas impressões dos sentidos, e muito menos percebemos que há uma Intenção diretora que talvez seja a energia primeira. Não precisamos rotular ou dar nomes, mas compreender!

Então, o Universo apresenta-se não como uma grande máquina, mas sim como uma grande Consciência. Poderia ser o Universo um campo de Consciência? O que vemos num Templo Maçônico?, o que compreendemos de nossos rituais? Que Irmãos foram esses que nos legaram a possibilidade de compreender o Universo, qual nosso papel como unidades viventes com consciência, através de toda essa simbologia manifesta nos Templos e na dinâmica dos Rituais? As chaves estão aí, à disposição de todos que são aceitos pela Ordem Maçônica, não pelos Irmãos ou pelas Leis que nos regem, mas pela Egrégora formada por todas as mentes afins.

A Maçonaria hoje, é antes de tudo uma escola de comportamento, fixa-se na boa conduta, na construção moral da Humanidade. Mas para agirmos, temos que mudar, para mudar é preciso compreender, para compreender é preciso refletir, para refletir é preciso conhecer. E a possibilidade do conhecimento está para nós, no Templo com a simbologia e nos Rituais. Nosso conhecimento vem da antiga Tradição. Se estudarmos sem preconceitos (pré-conceito, suposto pré-conhecimento) nossos rituais e simbologia, verificamos que preservam ensinamentos esotéricos que remontam ao antigo Egito, Pérsia, Grécia, Oriente, que foram preservados da turba iletrada precisamente por saber-se que esta, em suas condições de ignorância e carência de educação, não poderia compreender as verdades profundas do Homem, da Natureza e de Deus. Se retrocedermos às origens de toda Tradição, – não a Maçonaria constituida como organização – verificamos que o conhecimento primordial adquirido pelos homens que almejavam a elevação da humanidade, apareceram em todas as épocas.

Evidências históricas podem ser encontradas em todos os grupos, seitas, ordens, místicos, religiosos, ao longo dos séculos e milênios. Ao estudarmos esses grupos obteremos delineamentos satisfatórios através do misticismo oriental cabalístico, hermético, pitagórico e gnóstico que resguardaram suas doutrinas através dos símbolos que se assemelham com uma relação que pouco diferem entre si.

Esses grupos abrigavam em seu meio, homens que buscavam o auto-aperfeiçoamento, que tivessem a capacidade de especulação científica, amplitude do horizonte mental e dedicação a ideais, pessoas notáveis por sua inteligência, perspicácia e erudição, pessoas possuindo uma vontade desenvolvida e concepções claras a respeito do trabalho a desenvolver para a elevação da humanidade. Combatidos, perseguidos e dizimados, seus ideais mantiveram-se mostrando-nos que ideais superiores nem sempre são objetos de agrado e culto. Citaremos algumas sociedades, grupos e místicos ilustres que foram fontes inspiradoras de pureza e moralidade em sua época e que deixaram suas raízes até nossos dias:
  • séc. III : maniqueistas;
  • séc. IV: Iamblicus (ou Jâmblico)…;
  • entre séc. III e IX: Magistri Comancini, Artífices Dionisianos…;
  • séc. IX: Cátaros, Patarini, Cavaleiros de Malta…;
  • séc. XII: Albigenses, Cavaleiros Templários, Hermetistas…;
  • séc. XIII: Trovadores, Fraternidade dos Winkelers, Apostolikers…;
  • séc. XIV: Misticismo Alemão (Nicholas de Basiléia), Christian Rosencreutz, os Fraticelli…;
  • séc. XV: Fraters Lucis (Florença), Sociedade Alquímica, Sociedade da Trolha, Templários, Irmãos da Boêmia, Rosa-Cruzes…;
  • séc. XVI: Ordem de Cristo, Cornelius Agrippa, S. João da Cruz, Felipe Paracelsus, Militia Crucifera Evangelica…;
  • séc. XVII: Rosa-Cruzes, Templários, Quietistas…;
  • séc. XVIII: Frater Lucis, os Cavaleiros e Irmãos Iniciados de S. João Evangelista da Ásia (ou Irmãos Asiáticos), Martinistas, Sociedade Teosófica…
Todos esses grupos em sua manifestação exotérica se apresentavam segundo às exigências de sua época histórica. Só através de muitas e por vezes penosas formas, a alma adquire experiência, e por conseguinte, esses grupos tem sido escolas pelas quais adquirimos conhecimentos. Somos todos peregrinos que buscamos a verdade nos assombros das diferentes fases da vida humana.

Bibliografia:
“Arcanos Maiores do Tarô” – G.O. Mebes – Ed. Pensamento
“Dicionário de Maçonaria” – J.G. Figueiredo – Ed. Pensamento
“Glossário Teosófico” – Helena P. Blavatsky – Ed. Ground
“Legado do Saber” – Max Guilmot – Biblioteca Rosacruz – GLB
“Maçonaria e Misticismo Medieval” – Isabel Cooper-Oakley – Ed. Pensamento

JOSÉ EDUARDO STAMATO
M∴I∴, ARLS “Fraternidade Universitária Santo André” – 3417, Brasil

Fonte: https://www.maconaria.net

quarta-feira, 3 de junho de 2020

DESFAZER O SINAL

DESFAZER O SINAL
(republicação)

Em 01/09/2015 o Respeitável Irmão Leniro Almeida, atual Venerável Mestre da Loja João Vieira Chagas, 2.467, GOB-AL, Oriente de União dos Palmares, Estado das Alagoas, apresenta a seguinte questão: leniroalmeida@hotmail.com

Estou com duvidas e gostaria de suas orientações às quais são boas, de ótimos resultados e proveito. Quando os Irmãos na Palavra a Bem da Ordem e do Quadro em Particular estão à Ordem para fazer uso da palavra, os Vigilantes e o Venerável podem solicitar que fiquem à vontade e discassem da posição gutural. Estou vendo umas discordâncias e gostaria de orientações.

CONSIDERAÇÕES:

A prerrogativa de autorizar algum Irmão a desfazer o Sinal no momento do uso da palavra (falar a vontade) é apenas do Venerável Mestre e nunca dos Vigilantes. 

À bem da verdade, essa prática não deve ser usada de modo prosaico e o Venerável deve avaliar muito bem se a situação é plausível para que alguém desfaça o Sinal.

Uma das regras do verdadeiro REAA é a de que um obreiro ao usar da Palavra a faça sempre à Ordem, salvo se de acordo com o momento ritualístico o ritual determine o contrário.

Assim, essa prática deve ser evitada o máximo possível pelo Venerável, fazendo desse expediente apenas uma situação esporádica e não corriqueira.

An passant, o Obreiro quando compondo o Sinal Penal, pelo desconforto causado fala menos e assim poupa os demais de ficar “aguentando” certos discursos rançosos e intermináveis.

É também de péssima geometria, portanto nem está previsto, o hábito de certos obreiros que ficam solicitando permissão para desfazer o Sinal. Isso fica somente a critério do Venerável se ele assim entender. No mais, em se estando com as mãos desocupadas, em Loja aberta fala-se à Ordem.

T.F.A. 
PEDRO JUK
Secretário de Orientação Ritualística do GOB-PR - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.001 – Florianópolis (SC) sexta-feira, 25 de março de 2016

MINUTO MAÇÔNICO

CINZEL

1º - É a ferramenta especificamente reservada ao Aprendiz e simboliza as vantagens da educação. 

2º - Movido pelo Maço, sem o qual seu emprego seria nulo, o Cinzel tem por missão fazer desaparecer as asperidades, isto é, os erros e os preconceitos. 

3º - Ao ser aplicado sobre a Pedra Bruta, o Cinzel é seguro com a mão esquerda, lado passivo, que corresponde à receptividade intelectual e ao discernimento especulativo. 

4º - O simbolismo do Cinzel é muito extenso. Simboliza a inteligência, porque, com ele, o artista lavra o mármore e faz prodígios na pedra tosca. É o símbolo do progresso humano, da Razão, sendo também, como o Malho, o da Arquitetura, da Escultura e das Belas Artes. 

5º - Em Maçonaria, o cinzel é também o emblema do senso crítico, do discernimento na investigação e deve, sob os golpes do Malho, afastar o supérfluo, corrigir os erros e dar uma forma ao informe.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

INICIAÇÃO E INICIADO

INICIAÇÃO E INICIADO

Palavra derivada da mesma raiz latina de initia, que significa os primeiros ou fundamentais princípios de uma ciência. A prática da Iniciação ou admissão nos Sagrados Mistérios, ensinados pelos Hierofantes ou Sábios Sacerdotes dos Templos, é uma das mais antigas. Era praticada em todas as antigas religiões locais. Na Europa foi abolida com a queda do último templo pagão. Atualmente existe apenas uma iniciação conhecida do público, que é a Iniciação nos Ritos Maçônicos. A Maçonaria, contudo, já não tem mais segredo a revelar ou encobrir. Nos dias florescentes da Antiguidade, os Mistérios, segundo os maiores filósofos gregos e romano , constituem a mais Sagrada de todas solenidades, bem como a virtude mais benéfica e altamente estimulada. Os Mistérios representavam a passagem da vida mortal para a morte finita e as experiências da alma e do Espírito desencarnado no mundo da subjetividade. Em nossos dias, por já se ter perdido o segredo, o candidato passa por diversas cerimônias que nada significam e é Iniciado na Alegoria Solar de Hiram Abiff, o “Filho da Viúva”. {Ninguém pode alcançar as sublimes regiões, onde moram os Mestres, sem ter passado antes pela estreita porta da Iniciação, a porta que conduz à vida perdurável. Para que os homens se encontrem em condições de cruzar tal porta, é preciso chegar a um grau muito alto de evolução para que deixem de ter o menor interesse por tudo quanto pertença à vida terrena, salvo o poder servir, com toda a abnegação, ao Mestre e ajudar na evolução da humanidade, embora à custa dos maiores sacrifícios pessoais. O processo Iniciático é como um espinhoso sendeiro de quatro etapas ou graus diversos de Iniciação, cada uma dessas Iniciações é acompanhada de uma expansão da consciência, que proporciona o que se chama de “Chave do Conhecimento”, que é também a Chave do Poder, visto que nos reinos da Natureza “Saber é Poder”. (A. Besante, Sabedoria Antiga)

Iniciado (do latim initiatus)

Designa-se com este nome a todo aquele que foi admitido nos mistérios e a quem foram revelados os segredos da Maçonária ou da Ciência do Oculto. Na Antiguidade, eram aqueles que tinham sido Iniciado no Arcano do Conhecimento, ensinados pelos Hierofantes dos Mistérios, e, em nosso tempo, aquele que foram Iniciados pelos Adeptos da Sabedória dos Mistérios, que , apesar do transcurso dos séculos, conta com alguns partidário na Terra.

Fonte:https://www.facebook.com/otemploeomacom

terça-feira, 2 de junho de 2020

PALAVRA E VOTAÇÃO SOBRE O BALAÚSTRE (ATA DE UMA SESSÃO MAÇÔNICA)

Em 13/02/2020 o Respeitável Irmão Reginaldo Celio de Freitas, Loja União e Segredo, 165, Grande Oriente Paulista (COMAB), REAA, Oriente de Franca, Estado de São Paulo, formula a seguinte questão.

PALAVRA SOBRE O BALAÚSTRE

Sirvo me desta para dirimir uma dúvida que ocorreu em sessão: Após a Leitura do Balaústre, passa a palavra nas Coluna e Oriente para se "algum" Irmão se quiser pronunciar... Sabendo que somente os Irmãos presentes na Sessão do Objeto "PODEM VOTAR".
Pergunto Somente Irmãos "PRESENTES no dia do Objeto Lido podem se pronunciar? ou qualquer Irmão que estiver na Sessão?

CONSIDERAÇÕES

Tudo é uma questão de lógica. Aprovam e se manifestam apenas os que estiveram presentes à sessão que gerou o Balaústre (Ata). 

Seria difícil entender como alguém que não esteve presente possa opinar ou palpitar sobre algo que ele não viu e nem dele fez parte. Reitero, ausentes, além de não votar, também não se pronunciam.

Assim, o Balaústre deve ser comentado (se for o caso) e votado apenas pelos que estiveram presentes na sessão a ele pertinente. No caso dos ausentes, e agora presentes no momento da sua leitura e votação, esses não devem votar e nem se manifestar, mas sim se abster, o que se faz em se posicionando à Ordem, postura essa que, dentre outros, indica no REAA também privar-se de votar.

A rigor, já que o Balaústre como de costume não é aprovado na mesma sessão, porém na seguinte, penso que o ideal seria então que o ritual já orientasse quanto a esse procedimento, de tal maneira que o Venerável, ao colocar o Balaústre para manifestação e votação já informasse que apenas devem participar os Irmãos que estiveram presentes à sessão relativa ao conteúdo que acaba de ser lido.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

A HISTÓRIA DA MAÇONARIA NA INGLATERRA

A HISTÓRIA DA MAÇONARIA NA INGLATERRA SEGUNDO WILLIAM PRESTON (PARTE 2)
Traduzido por Luciano R. Rodrigues 

Maçonaria na Inglaterra de 1216 até 1461 

História da Maçonaria na Inglaterra durante o reinado de Henry III, Edward I, Edward II, Edward III, Richard II, Henry IV, Henry V e Henry VI

Na ascensão de Edward I em 1272, o cuidado dos pedreiros foi con!ado a Walter Gi"ard (arcebispo de York), Gibert de Clare (conde de Gloucester) e Ralph (senhor de Mount Hermer, o progenitor da família dos Montagues). Esses arquitetos administraram o acabamento da Westminster Abbey, que havia sido iniciado em 1220, durante a menoridade de Henry III. No reinado de Edward II, a fraternidade foi empregada na construção de Exeter, faculdades Oriel, Oxford, Clare-hall e Cambridge e ainda muitas outras estruturas, sob os auspícios do Walter Stapleton (bispo de Exeter) que tinha sido nomeado Grão-Mestre em 1307. 

A maçonaria #oresceu na Inglaterra durante o reinado de Edward III, que se tornou o patrono da ciência e o incentivador da aprendizagem. Ele aplicou com assiduidade incansável as constituições da Ordem, sendo revistos e melhorados os encargos antigos e acrescentou vários regulamentos úteis para o código original de leis. Ele patrocinou as lojas e designou cinco deputados sob ele para inspecionar os trabalhos da fraternidade: 

segunda-feira, 1 de junho de 2020

INTERNET - ESQUADRO E COMPASSO

INTERNET - ESQUADRO E COMPASSO
(republicação)

Em 26.08.2015 o Irmão Marcos Soares, Companheiro Maçom da Loja Estrela de Davi, 4.058, REAA, GOB-RJ, Oriente de Jacarepaguá, Estado do Rio de Janeiro, solicita o que segue:
marcos.soares@pobox.com

Caro irmão, pesquisando na Internet sobre o tema esquadro e compasso, e particularmente sua disposição no Grau 2, encontrei o texto do link... http://iblanchier3.blogspot.com.br/2012/08/disposicao-do-esquadro-e-do-compasso-no.html ...que faz referência ao seu e-mail como provável autor. Caso o texto, de fato, seja de sua autoria, seria possível nos indicar a literatura de referência sobre esse tema e que definitivamente nos esclareça se há ou não posição correta do compasso parcialmente sobre o esquadro?

CONSIDERAÇÕES:

POR QUE "LOJA" MAÇÔNICA???

POR QUE “LOJA” MAÇÔNICA???
Kennyo Ismail

Qual maçom nunca foi questionado por um profano do porquê do termo “LOJA”? Muitos são aqueles que perguntam se vendemos alguma coisa nas Lojas, para justificar o nome. Alguns, fanáticos e ignorantes, chegam a ponto de indagar que é na Loja que os maçons vendem suas almas!

Em primeiro lugar, precisamos ter em mente que, só porque “loja”, em português, denomina um estabelecimento comercial, isso não significa que o mesmo termo em outras línguas tem o mesmo significado. Vejamos: