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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 14 de setembro de 2021

A HIPÓTESE DE DEUS

A HIPÓTESE DE DEUS
(Autor: João Anatalino)

 

Assim, o tempo, para os cientistas, começou junto com o espaço, e por isso ele sempre é representado por duas linhas que começam em um ponto zero e se alongam na mesma proporção, em setas orientadas em duas dimensões: a dimensão do tempo, que nos faz pensar em eternidade e a dimensão do espaço, que nos faz pensar em infinidade. “Há cerca de 15 bilhões de anos”, escreve Hawking, “ todas (as galáxias) teriam estado umas sobre as outras, e a densidade teria sido enorme. Esse estado foi denominado átomo primordial pelo sacerdote católico Georges Lemaiter, o primeiro a investigar a origem do universo que agora chamamos de big-bang.” A partir desse momento, segundo essa tese, o universo, que estava contido nessa região extremamente carregada de energia, tornou-se uma imensa bolha de gás que nunca mais deixou de se expandir.[3]

A Bíblia, ao registrar esse fato não é menos metafórica e misteriosa do que os compêndios científicos que procuram explicar como o universo nasceu. Ela fala que “no início Deus criou o céu e a terra. A terra, porém, estava informe e vazia e as trevas cobriam a face do abismo.” E então, do meio ás trevas Deus fez sair a luz. E Deus viu que a luz era boa e por isso a separou das trevas.[4]

O texto bíblico parece sugerir que Deus já existia antes de começar a fazer o universo. Assim, Ele não pode ser o universo, como sustentam os adeptos do panteísmo, que identificam Deus com a sua própria criação, como se esta fosse algo capaz de existir por si própria.[5]

A Bíblia identifica Deus como “o Espírito que movia-se sobre as águas.” Expressão enigmática que nunca pode ser explicada a contento dentro da lógica comum, já que, se o mundo ainda era pura trevas e a terra era informe e vazia, que “águas” eram essas sobre as quais o Espírito de Deus se movia? Pois, ao que parece, elas já existiam antes de Deus separar a luz das trevas. Assim, a Bíblia nos dá uma identificação e uma ideia do que era Deus antes de começar o mundo: Ele era “Espírito”, seja qual for o significado que o cronista bíblico quisesse dar á essa expressão. Mas não responde á segunda pergunta: O que Ele fazia antes de começar o mundo?

Essas especulações se tornaram tão intrigantes que os próprios rabinos israelenses, produtores e comentadores da Bíblia, tiveram que quebrar a cabeça para responder á multiplicidade de perguntas que surgiram a esse respeito. Foi então que nasceu, entre os mestres cabalistas, a chamadaGrande Assembleia Sagrada, que se refere a um grupo de rabinos dedicados ao estudo da personalidade do Ser Supremo, sua natureza e seus atributos. Das especulações produzidas por esse grupo surgiu a chamadaSiphra Dtzenioutha, conhecido como o “Livro do Mistério Oculto”, parte mais misteriosa do Sepher há Zhoar, a bíblia cabalista. [6]

Para responder á intrigante pergunta de quem era Deus e o que fazia antes de começar a fazer o universo físico, esses estudiosos criaram os conceitos de “Existência Negativa” e “Existência Positiva” termos utilizados pelos cultores da Kabbalah mística para designar Deus “antes” e “depois” de fazer o mundo. Nesse sistema, Deus (Ain em hebraico), é visto como uma forma de "energia" que em dado momento expandiu-se para fora de si mesmo, tornando-se o universo material (Ain Sof Aur- אין סוף). Esse termo, na Kabbalah, significa Luz Ilimitada. É a luz que se espalhou pelo nada cósmico, dando origem a tudo que existe. Essa visão mística do nascimento do universo, expressa no Livro do Mistério Oculto (Siphra Dtzenioutha), é definida com a misteriosa frase “antes que o equilíbrio se consolidasse, o semblante não tinha semblante”[7].

Aqui está inserta a estranha idéia de que antes de fazer o mundo, ou seja, antes de Deus manifestar-se como existência no mundo das realidades sensíveis, Ele já existia como potência, que embora não manifesta, já continha todos os atributos do universo manifestado. Ele já era todas as coisas, que viviam uma “existência negativa”, na qual a mente humana não pode penetrar justamente porque ela só pode conceber um plano de existência positiva, onde as ações podem ser identificadas e suas causas recenseadas.

Agora, como capturar uma realidade que está além da nossa capacidade de mentalização? Sabemos que ela existe porque suas manifestações emanam para o plano da realidade sensível e é causa de fenômenos observáveis e mensuráveis. Quem sabe definir o que é a eletricidade, por exemplo? Sabemos como ela se manifesta, como atua e até já aprendemos a usá-la para as nossas finalidades, mas o que ela é nenhum cientista, ou filósofo, até agora, ousou afirmar.

“Antes que o equilíbrio se manifestasse, o semblante não tinha semblante” é uma forma metafórica de explicar aquilo que a nossa linguagem não consegue articular num discurso lógico. Então os cabalistas recorrem á metáfora, ou ao símbolo, para dizer que a criação divina já existia antes de existir. Ou seja, antes que o universo adquirisse uma forma, ele já estava na Mente de Deus, como presença sem forma, sem nome, impossível de ser pensado pela mente humana. Era o próprio Caos primordial, no dizer dos filósofos gnósticos, que ao “vazar” para além de si mesmo adquiriu uma organização.

Deus já era antes de ser o universo. Ou como diz Rosenroth “o universo inteiro é a vestimenta da Divindade: Ele não apenas contém tudo, mas também Ele mesmo é tudo e existe em tudo”. Essa é outra maneira de dizer que Deus, em sua Existência Negativa, é o “Espírito que se move sobre as águas” e na sua “Existência Positiva”, ele é o próprio universo.[8]

Outra visão dessa realidade pode ser posta em forma de analogia, seguida de um símbolo mediato. Os cultores da Kabbalah mística dizem que “Deus é pressão”, e que sua manifestação no mundo das realidades fenomênicas tem a forma de um círculo cujo centro está em toda parte e cuja circunferência está em parte alguma. Sabemos que todo círculo tem um centro e uma circunferência. O centro é o ponto de onde ele emana e a circunferência uma corda que o limita. Dizer que o centro do círculo está em toda parte e que sua circunferência está em parte alguma é falar de um espaço que não começa em ponto algum e não acaba em lugar nenhum, uma dimensão sem início nem fim. Ou como diz MacGregor Mathers, “ O oceano sem limites da luz negativa não procede de um centro, pois não o possui. Ao contrário, é essa luz negativa que concentra um centro, a qual é a primeira das sefiroths, manifestas, Kether, a Coroa.” [9]

Assim, essa idéia da divindade supre a necessidade que a mente humana tem de situar um início para o universo e imaginar, não um fim para ele, mas uma finalidade. Destarte, a dimensão da Existência Negativa é um momento anterior á qualquer manifestação da Divindade no terreno das realidades positivas, ou seja, um estado latente de potência concentrada em si mesma, que em dado momento cedeu á “pressão” interna da sua própria potencialidade e “gerou a si mesmo”. Figurativamente, o big-bang seria o “parto de Deus”, o qual, simbolicamente poderia ser representado por um ponto dentro do círculo, como o faz Madame Blavatsky em sua cosmogonia da Criação.



Em analogia ao conceito bíblico de criação, poderíamos dizer que o big-bang dos cientistas equivale ao momento em que Deus “separou a luz das trevas”, ou seja, o momento em que o Grande Arquiteto do Universo “pensou” o universo, na tradição maçônica.

Essa é a base da formidável arquitetura universal que a inteligência dos sábios rabinos de Israel conceberam e que a sensibilidade mística dos espíritos que não se contentam em viver no estreito território que a linguagem lógica nos obriga a permanecer adotou. Entre estes estão os maçons espiritualistas, que veem na sua Arte muito mais do uma mera prática social derivada de uma tradição que incorpora ideias esotéricas.

O conceito de que Deus é o Grande Arquiteto do Universo tem sido empregado em muitos sistemas de pensamento e o cristianismo místico o tem adotado em várias de suas manifestações. Ilustrações de Deus como o arquiteto do universo podem ser encontradas nas nossas Bíblias desde os primeiros séculos da Idade Média e tem sido regularmente empregadas pelos doutrinadores cristãos de todas as tendências.

São Tomás de Aquino, um dos mais respeitados filósofos da Igreja Católica, sustentou a existência de um Grande Arquiteto do Universo, que seria a Primeira Causa de todas as coisas. Por seu turno, João Calvino, um dos mais influentes divulgadores da Reforma Protestante, também se refere á Deus como sendo uma espécie de Arquiteto, pois seu trabalho de construção do universo material, o cosmo, e do universo espiritual (a humanidade em sua história moral) assemelha-se á construção de um grande edifício.[10]

Na Maçonaria, o termo Grande Arquiteto do Universo é uma metáfora que, na sua origem, tem inspiração cabalística. Era um termo aplicado á divindade pelos maçons operativos, construtores de catedrais e grandes obras públicas, que viam em Deus o autor dos planos estruturais do edifício cósmico e por analogia, da humanidade. Nesse sentido, o mundo físico e mundo espiritual eram construídos a partir de uma estratégia desenvolvida por Deus, que como se fosse um arquiteto, pensava os planos do universo e seus mestres (os anjos) e pedreiros (os homens) o construíam.

Essa era uma idéia extraída da interpretação cabalística da Bíblia, pois a Kabbalah vê o universo como se fosse um edifício sendo construído em dez etapas de manifestação da potência divina, que é simbolizada na chamada Árvore da Vida, ou Árvore Sefirótica, símbolo de extraordinário conteúdo esotérico, que se presta às mais diversas analogias e ilações, unindo a mística das antigas religiões do oriente com as modernas descobertas da física atômica.

O termo “Grande Arquiteto do Universo” também foi apropriado pela filosofia gnóstica, sistema de pensamento onde o Criador “gera” um casal real (Cristo e Sofia, o primeiro par de eons), a partir do qual a sabedoria (gnosis) é trazida para o mundo. Através da atuação desse “casal cósmico”, nascem os “eons” (anjos, para uns, arquétipos para outros) que orientam os homens em suas ações. Constrói-se assim, o mundo e o homem, com o Grande Arquiteto traçando os planos estruturais e seus agentes trabalhando para executá-los.

Assim, o Grande Arquiteto do Universo, que os maçons, em sua linguagem simbólica, abreviam para G. '. A.' .D. '. U. '. , é o termo utilizado para representar Deus em seu trabalho de arquitetura cósmica. Os anjos são seus mestres supervisores e os homens seus pedreiros. Fecha-se, dessa forma, o círculo místico que explica a forma maçônica de pensar um começo do universo e abre-se, para todos os temas do seu catecismo, uma justificativa do porque a Arte Real os trata desse modo.

O G.‘. A.’. D.’. U.’., portanto, é um símbolo que representa a “Hipótese Deus” dos cientistas, pois somente através dessa ferramenta linguística a mente humana pode conceber realidades que estão fora do alcance da seu alcance lógico.

Qualquer coisa, para ser entendida, precisa ter um começo. Deus é o começo. Não satisfaz ao maçom pensar nele como um ancião de barbas brancas, semelhante a um velho patriarca bíblico, que procura criar e manter sua família confinada ás tradições de um clã, nem se comunga, na Maçonaria, com a visão – por muitos chamada de científica – que vê a Divindade orientando um processo de criação que se assemelha ao trabalho de um pecuarista selecionando crias para melhorar a sua espécie. Ao contrário, aqui a idéia é a de que aqui estamos como funcionários Dele, construindo alguma coisa que Ele arquitetou. Por isso o maçom é o pedreiro da obra universal e Deus é o Grande Arquiteto do Universo.

Destarte, para a Maçonaria, a Hipótese Deus já está suficientemente provada.

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

ABERTURA DO COMPASSO

ABERTURA DO COMPASSO
(republicação)

Questão que faz o Irmão Roberto de Lima, ao que parece Irmão adormecido, Oriente de Caraguatatuba, Estado de São Paulo.
sosboraceia@uol.com.br

Como já estamos afastados a certo tempo de nossa Loja, aproveito o momento para perguntar ao Irmão por que o compasso tem que estar aberto a 30º na Loja de Aprendiz, a 45º na Loja de Companheiro e a 60º na de Mestre.

CONSIDERAÇÕES:

Embora não devesse responder a Irmãos que não estão na ativa, não é do meu feitio deixar alguém sem resposta, entretanto o que segue não irá acompanhado de explicações como de costume eu faço.

Se a questão for relacionada às Três Grandes Luzes Emblemáticas da Maçonaria temo em informar que isso não faz sentido algum, pois o Compasso é graduado simplesmente em uma abertura propícia que se coadune com os ramos do esquadro na composição sobre o Livro da Lei. 

É sabido que o que altera não é a abertura, porém a posição entre um e outro conforme o Grau que a Loja estiver trabalhando.

Se a abertura do compasso estiver relacionada ao momento litúrgico e ritualístico inerente à Iniciação, Elevação e a Exaltação, este seguro e pousado sobre o peito, só existe uma abertura – noventa graus para o Aprendiz e o Companheiro (uma ponta sobre o lado esquerdo do peito e a outra apontada para cima). Para o Mestre não existe qualquer abertura (as duas pontas ficam pousadas no lado esquerdo do peito).

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 564, Florianópolis (SC) 14 de Março de 2012.

A MORTE DE SÓCRATES

A Morte de Sócrates
(Jacque-Louis David/1787)
A MORTE DE SÓCRATES

Condenado à morte pelo povo de Atenas, Sócrates, rodeado por um grupo de amigos desolados, prepara-se para beber uma taça de cicuta. Na primavera de 399 a.C., três cidadãos atenienses instauraram um processo contra o filósofo. Acusavam-no de não venerar os deuses da cidade, de introduzir inovações religiosas e de corromper os jovens de Atenas. A gravidade das acusações era de tal ordem que exigia pena capital.

Sócrates reagiu com serenidade absoluta. Apesar de, durante o julgamento, lhe ser dada a oportunidade de renunciar às suas ideias, ele preferiu manter-se fiel à busca da verdade a assumir uma conduta capaz de o tornar benquisto entre seus inquisidores. Segundo o relato de Platão, ele desafiou o júri com as seguintes palavras:

“Enquanto eu puder respirar e exercer minhas faculdades físicas e mentais, jamais deixarei de praticar a filosofia, de elucidar a verdade e de exortar todos que cruzarem meu caminho a buscá-la […] Portanto, senhores […] seja eu absolvido ou não, saibam que não alterarei minha conduta, mesmo que tenha de morrer cem vezes.”

Testemunha silenciosa da injustiça cometida, Platão está sentado ao pé da cama do mestre. A seu lado, uma pena e um rolo de pergaminho. Platão contava 29 anos quando Sócrates foi executado, mas David o retratou como um ancião circunspecto e grisalho. No corredor ao fundo, carcereiros conduzem Xantipa, a mulher de Sócrates, para fora da cela. Sete amigos apresentam graus variados de consternação. Críton, seu companheiro mais chegado, está sentado a seu lado e contempla o mestre com devoção e preocupação. Mas o filósofo, cujos torso e bíceps são de um atleta, mantém-se ereto e altivo, sem que se perceba qualquer sinal de apreensão ou arrependimento. O fato de ter sido acusado de loucura por um grande número de atenienses não abalou suas convicções.

David havia planejado pintar Sócrates no ato de beber o veneno, mas o poeta André Chenier sugeriu que o efeito dramático seria bem maior se ele fosse retratado no momento em que terminava um argumento filosófico e, ao mesmo tempo, recebia com tranquilidade a taça de cicuta que daria fim à sua vida, simbolizando, dessa forma, tanto um ato de obediência às leis de Atenas como um compromisso de fidelidade à sua missão. Estamos testemunhando os últimos momentos edificantes de um ser extraordinário.”

Trecho da obra “As Consolações da Filosofia” de Alain Botton

Esta pintura de Jacque-Louis David, e o texto descrevendo-a, retratam de maneira fiel a imagem que temos do primeiro filósofo de grande nome, e que é reverenciado até hoje, e sempre representará a filosofia e sua essência.

Sócrates podia ter fugido, mas não o fez, preferiu morrer mas deixar vivo seus ideais. Um ato raro em qualquer época.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

domingo, 12 de setembro de 2021

INGRESSO FORMAL EM LOJA ABERTA

Em 18.02.2021 o Respeitável Irmão Antônio Fernando da Silva Simões, Loja Fraternidade de Santos, 132, GOB-SP, REAA, Oriente de Santos, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

INGRESSO COM FORMALIDADE

Gostaria do seu esclarecimento quanto ao ingresso no Templo sem formalidades. Vejo a prática em algumas Lojas, que consiste no irmão parar entre Colunas e apenas saudar as Luzes sem que façam o procedimento completo, ou seja, não dão os passos do Graus, apenas fazem o sinal. Sempre ouvi que toda Ritualística é formal sem haver a necessidade de ser solicitada. Pode me esclarecer, por favor. Agradeço a vossa atenção e esclarecimentos.

CONSIDERAÇÕES:

Além dos ingressos formais para autoridades e lojas visitantes previstas no RGF e nos respectivos rituais, em linhas gerais, aquele que ingressar em Loja aberta, no caso do REAA, deve atender à formalidade consagrada na forma seguinte: pela Marcha do Grau em que a Loja estiver trabalhando seguida da saudação às Luzes da Loja na forma de costume, podendo ainda, conforme o caso, responder ao questionário do telhamento antes de ser conduzido ao seu lugar.

Quanto ao questionário do telhamento, esse é aplicado a um visitante, contudo nada impede que um Irmão do quadro possa também ser submetido. O critério é do Venerável Mestre.

Não existe prática ritualística pela metade, isto é, em Loja aberta do REAA, a ordem formal é a de que se execute por primeiro a Marcha do Grau e em seguida a saudação às Luzes. Não há meia formalidade, portanto o Venerável Mestre não deve dispensar nenhuma etapa das suas etapas.

É bom que se diga que os visitantes que ingressarem após a Ordem do Dia (que não ingressaram em família) também se sujeitam às formalidades.

Concluindo, entendo que regras são feitas para serem cumpridas. A boa geometria não acompanha desleixo e favorecimentos.

T.F.A.
PEDRO JUK - http://pedro-juk.blogspot.com.br
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O COMPASSO É A ALETHEIA

O COMPASSO É A ALETHEIA
Sérgio Quirino

Costumamos ver o compasso como instrumento para traçar circunferências. Com isso, nos concentramos na simbologia desses círculos.

Simbolicamente, a variação dos diâmetros nos remete às possibilidades de ampliar horizontes, projetar nossa atuação na sociedade, especular sobre pertencimento, similaridade e diferença e entender nosso papel real nas relações humanas.

Devemos ir além do simples traço da haste na ponta de grafite do compasso. O braço móvel deve ser estudado observando sua habilidade de se deslocar, a possibilidade de registrar ângulos e de fazer comparações entre distâncias, de forma clara e evidente.

Em síntese, o compasso é espírito, não uma entidade imaterial, mas o princípio, o propósito e a verdade do que traçamos para nossa vida.

Quando permitimos a prevalência da matéria sobre o espírito, estamos iniciando uma jornada. Porém, quando o espírito prevalece sobre nossas ações terrenas, alcançamos a plenitude da vida.

O que vem a ser a plenitude da vida? Uma pequena mudança na ordem das palavras facilitará a compreensão: Vida plena!

A vida plena é a Aletheia, manifesta no uso maçônico do compasso.

“Aletheia, palavra grega, significa o não-oculto, não-escondido, não-dissimulado. O verdadeiro é o que se manifesta aos olhos do corpo e do espírito; a verdade é a manifestação daquilo que é ou existe tal como é. O verdadeiro é o evidente ou o plenamente visível para a razão.” Marilena Chauí (Filósofa, escritora e Professora da USP.)

Somente pela verdade e na busca do que é verdadeiro, podemos projetar “as hastes de nosso compasso” e observarmos se estamos sendo conduzidos por uma aspiração que trará enlevo coletivo ou se trata de mero desejo de ganho individual.

Há, ainda dois outros elementos para compreender a mensagem do compasso. Sua haste (braço) fixa e o ponto de encontro entre as duas hastes (braços) que são usadas por quem o manuseia.

A ponta final da haste (braço) fixa, se manterá irredutivelmente imóvel. Esta posição fixa corresponde à Moral e à Ética.

Podemos e devemos procurar novos “traçados da vida”, porém, sem perder a ligação com nossos princípios fundantes. Ao completarmos o ciclo (círculo), haverá um ponto equidistante em que, conscientemente, refletiremos sobre o que não ultrapassamos ou deixamos para trás.

Necessário ainda lembrar que, de toda a estrutura do compasso, a que menos damos atenção é justamente àquela que faz com que o instrumento execute sua missão: O ponto de encontro entre as duas hastes.

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

sábado, 11 de setembro de 2021

DO MEIO-DIA À MEIA-NOITE - ERRATA

DO MEIO-DIA À MEIA-NOITE - ERRATA
(republicação)

A resposta Meio-Dia a Meia-Noite acabou sendo publicada nesse domingo (edição nr. 561) com incorreção por culpa do JB News que não fez a revisão devida.

No primeiro parágrafo publicado ontem, a Jóia do Segundo Vigilante está trocada. O correto é o “Prumo = Equidade”.

Fonte: JB News – Informativo nr. 561, Florianópolis (SC) 11 de Março de 2012.

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE TONICO

JOÃO SALVADOR PEREZ (São Manuel, SP, 1917 - São Paulo, 1994). Cantor brasileiro que, junto com seu irmão José Salvador Perez, formaram a dupla caipira brasileira "Tonico & Tinoco", considerada uma das duplas mais importantes da história da música brasileira. Em 64 anos de carreira, Tonico e Tinoco realizaram quase 1.000 gravações, divididas em 83 discos. A dupla é uma das recordistas de vendas no Brasil e de acordo com diferentes fontes suas vendas totais variam entre 20 milhões, ou até 50 milhões. A dupla realizou cerca de 40.000 apresentações em toda a carreira. A primeira canção que aprenderam foi “Tristeza do Jeca” em 1925. Em 15 de agosto de 1935 fizeram a primeira apresentação profissional. Cantaram na Festa de Aparecida de São Manuel, onde milhares de pessoas de todo o Brasil visitam o segundo Santuário dedicado à Padroeira do Brasil. Junto com o primo Miguel, formavam o "Trio da Roça". A Loja que foi iniciado é federada ao Grande Oriente do Brasil.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 08 de agosto de 1975 (Sexta-feira).
Loja: Francisco Glicério nº 1522, Santo Amaro, SP, Brasil.
Idade: Não identificada.
Oriente Eterno: Faleceu aos 77 anos de idade, após uma queda da escada do prédio onde morava.

BARÃO THÉODORE DE TSCHOUDY

 
BARÃO THÉODORE DE TSCHOUDY, escritor e filósofo que viveu no xéculo XVII.

Em 1730, nasceu o Théodore de Tschoudy, considerado o organizador da segunda parte da obra Recueil Précieus de la Franc-maçonnerie Adonhiramite (Compilação Preciosa da Maçonaria Adorinamita), cuja primeira edição ocorreu em 1787. O Barão Tschoudy foi membro do parlamento de sua cidade natal, Metz, França, onde residiu de 1756 a 1765. 

Maçom entusiasta e estudioso, Tschoudy utilizou seu aguçado espírito crítico para bater-se contra a proliferação desordenada dos altos graus do Rito de Heredom, do qual derivariam alguns dos ritos atuais, como o escocês, o moderno e o Adonhiramita. Inicialmente, Tschoudy se propôs a reformar os graus então existentes, reduzindo-os a quinze e depurando-os de tudo o que não fosse fiel à tradição maçônica. Em 1766, Tschoudy publicou L'Étoile Flamboyante ou La Société des Francs-Maçons (a Estrela Flamígera ou A Sociedade dos Franco-Maçons), obra em que propôs a criação de uma nova Ordem de altos graus, a Ordem da Estrela Flamígera, com três graus: Cavaleiro de Santo André, Cavaleiro da Palestina e Filósofo Desconhecido. Desentendendo-se com os membros do novo Conselho, dedicou-se ao já citado Recueil Précieus de la Franc maçonnerie Adonhiramite. 

Alguns autores, porém, atribuem a autoria da Compilação a Louis Guillemain Saint-Vitor. Esta interpretação foi feita por Ragon, que citou este último autor em seu ritual de mestre, na bibliografia nele mencionada. A confusão se deve à divisão da obra em duas partes, de estilos totalmente diferentes, sendo, a primeira, pródiga em notas e explicações, enquanto a segunda é lacônica e breve. Deduzem, os estudiosos, que a primeira parte foi escrita por Saint-Vitor e a segunda, por Tschoudy, em data anterior àquela. 

A Compilação, aceita-se hoje, foi publicada em dois volumes, em 1787, incluindo os graus simbólicos, graças a Saint-Vitor, que os escreveu pouco antes da publicação, ou seja, quase vinte anos depois da morte de Tschoudy. A primeira parte da Compilação era relativa aos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. A segunda, compreendia os graus de perfeição: Primeiro Eleito ou Eleito dos Nove, Segundo Eleito Nomeado de Pérignan, Terceiro Eleito Nomeado eleito dos Quinze, Pequeno Arquiteto, Grande Arquiteto ou Companheiro Escocês, Mestre Escocês, Cavaleiro da Espada Nomeado Cavaleiro do Oriente ou da Águia, Cavaleiro Rosa Cruz e O Noaquita ou Cavaleiro Prussiano.

Na Europa, o Rito Adonhiramita foi praticado na França e em Portugal, difundindo-se das colônias e sendo o preferido da armada napoleônica. Com a difusão do Rito Francês ou Moderno, o Rito Adonhiramita começou a ser abandonado, restringindo a sua prática ao Brasil, onde se encontra a sua Oficina Chefe. Graças a isso, o Rito manteve a sua pureza original e não sofrendo as influências do teosofismo, ocorrida com os outros ritos no final do século XIX. 

Em Portugal, a primeira Loja Maçônica se instalou em 1727, sendo regularizada pela Grande Loja de Londres em 1735, denominada Hereges Mercantes. Na Loja de Coimbra, fundada em 1773, encontravam-se os brasileiros Antônio de Morais Silva, Antônio Pereira de Souza Caldas, Francisco de Melo Franco e Joaquim José Cavalcanti. Igualmente, em outras lojas, em Lisboa e no Funchal, existiam irmãos brasileiros. 

Em 18 de fevereiro de 1722, foi inaugurada a Academia Científica, fundada no ano anterior, com o apoio do então Vice-Rei D. Luís de Almeida Portugal Soares de Alarcão d'Eça e Melo Silva Mascarenhas, Marquês de Lavradio. Em 6 de junho, adota o nome de Sociedade Literária Rio de Janeiro, funcionando até 1790, quando a devassa da Inconfidência Mineira suspendeu os seus trabalhos. Essa Academia é tida, hoje, como uma loja maçônica disfarçada, como sugerem alguns textos posteriores como o que se segue, de autoria do Barão do Rio Branco, em Efemérides Brasileiras: 

"Uma divisão naval francesa, comandada pelo Capitão Landolphe, tendo cruzado alguns dias perto da barra do Rio de Janeiro, fez algumas presas e segui, nesta data, para o Norte. Na altura de Porto Seguro, encontrou-se com a esquadra do comodoro inglês Rowley Bulteel, e no combate renderam-se duas fragatas francesas. Os prisioneiros foram entregues no Rio de Janeiro, ao Vice-Rei, Conde de Resende. Refere o Comandante Landolphe, que foi bem tratado, porque era pedreiro-livre. Um dos filhos do vice-rei levou-o a uma festa maçônica - introduzindo-o no recinto do templo - diz ele em suas memórias, ouvi, com muito prazer, o discurso do venerável..." 

Outro fato importante, que poucas obediências de outros países possuem, é o manifesto, como prova de regularidade de origem da Maçonaria Brasileira, através de uma Loja Adonhiramita - A Loja Reunião - que se subordinava ao Grande Oriente de França. Em 1815, foi fundada a Loja Comércio e Artes que, com a divisão do seu quadro, formou outras duas: a Loja União e Tranqüilidade e a Loja Esperança de Niterói. Essas lojas adonhiramitas fundaram, em 17 de junho de 1822, o Grande Oriente do Brasil. 

Em 1839, a Constituição do Grande Oriente do Brasil criou o Colégio dos Ritos, incluindo o Rito Adonhiramita. Em 1851, foi criado o Colégio dos Ritos Azuis e em 1873, o Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas, também pelo Grande Oriente do Brasil. Após a separação da Maçonaria Brasileira, os graus simbólicos ficaram com o Grande Oriente do Brasil e as Grandes Lojas e os Altos Graus jurisdicionados às respectivas Oficinas Chefes dos Ritos. Em 2 de junho de 1973, o Mui Poderoso e Sublime Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas para o Brasil instituiu os graus de Kadosh e aumentou o número de graus para trinta e três. A partir dessa data, o governo das Oficinas Litúrgicas do Rito Adonhiramita ficou a cargo do Excelso Conselho da Maçonaria Adonhiramita. 

O Rito Adonhiramita é o segundo mais praticado no Brasil, com especial concentração nos Estados de São Paulo, Santa Catarina e Pará. Atualmente, ele é reconhecido pelas potências maçônicas regulares, participantes da Confederação Maçônica Interamericana e Grande Oriente do Brasil.

Fonte: JBNews - Informativo nº 0171 - 14 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

SILÊNCIO DOS APRENDIZES E COMPANHEIROS

Em 12/02/2020 o Respeitável Irmão Olgmar Eudes de Matos, Loja União Fraterna de Campo Limpo de Goiás, REAA, GOB-GO, sem mencionar o Oriente, Estado de Goiás, apresenta a questão seguinte:

SILÊNCIO DOS APRENDIZES E COMPANHEIROS

Muito embora eu tenha o CIM de numeração bem antiga, fato que decorre de eu ter ficado em adormecimento por mais de 40 anos, tendo retornado em janeiro deste ano ao meio maçônico, causou-me surpresa ao ler o Regimento Interno da Loja, as condições de manifestações de Irmão Aprendiz e Companheiro, durante as reuniões, ou seja "que podem se manifestar somente quando conclamado a fazê-lo ou em decorrência de situação de relevância", o que me gerou muitas dúvidas sobre a determinação contida no Regimento Interno.

Procurei na Constituição e no RGF e não encontrei óbices à fala de qualquer Irmão em sessões regulares. Pode ser falha minha em não ter notado tal determinação nas Regulamentações superiores.

Mas, como sou e serei um eterno aprendiz e gosto de saber das coisas maçônicas, consultei o nosso Valoroso Venerável e outro Irmão do Quadro e as respostas não supriram ou satisfizeram meu desejo de saber, para um melhor polimento da minha pedra bruta, dormente em minha pessoa.

Quando leio o Símbolo Maior da Ordem: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, encontro aí, um grande paradoxo com a realidade Regulamentar Interna da Loja, que parece estar em confronto, com a bandeira maçônica, tão venerada por todos nós.

Daí, informado pelo nosso zeloso Venerável, de sua Sabedoria e Didática nos conhecimentos maçônicos, venho perguntar-lhe sobre tal dúvida, além do que, acho eu, que é quando se é Aprendiz e Companheiro que mais precisamos de esclarecimentos dos Irmãos Mestres e até mesmo podermos dar ideias em questões em discussão nas sessões. Mais cabeças pensam melhor que menos cabeças, penso aí adaptando um dito popular.

Se possível e sem causar transtornos ao Nobre e Poderoso Irmão, agradeceria pelos ensinamentos quanto à matéria.

CONSIDERAÇÕES:

Em se tratando do REAA, o mencionado silêncio dos Aprendizes e Companheiros é apenas simbólico, portanto, não deve ser tomado ao pé da letra como se os portadores dos dois primeiros graus devessem literalmente permanecer mudos em Loja.

Ora, compreenda-se que a alegoria do silêncio é relativa ao conhecimento do iniciado. Desse modo o Aprendiz representando a infância, ou a etapa inicial, requer ainda vencer uma ampla jordana de aprendizado. Usando também da sua intuição e amparado pelos Mestres da sua Loja, observador, ele segue paulatinamente a senda do aprimoramento.

Vários aspectos iniciáticos sugerem essa representação alegórica, pelo que podemos citar, por exemplo, a Pal∴ Sagr∴ e a sua forma única de ser transmitida no 1º Grau, isto é sol∴. Aludindo ao princípio ou os primeiros passos, o iniciado na etapa primitiva ainda não sabe ler, somente sol∴. Emblematicamente, sugere-se ao iniciado a possibilidade de progresso pelo aprendizado, respeitando as regras e a ordem natural.

O silêncio nesse caso é a reflexão sobre cada etapa a ser vencida na jornada. O silêncio aqui não é o de ficar com a boca fechada, mas é o silêncio da introspecção daquele
que caminha do Ocidente (ocaso) em direção ao Oriente (nascente).

Utilizando-se do silêncio para as coisas que ainda não lhe foram reveladas, o Aprendiz pode, com critério, pedir a palavra para se manifestar em assuntos que lhe são pertinentes. O Aprendiz, por exemplo, se submete a interrogatórios para aumento de salário e apresentação de peças de arquitetura. Por aí se vê que o silêncio não é absoluto, mas inerente àquilo que ainda não lhe é permitido perscrutar.

Com o Companheiro é a mesma coisa, a despeito de que ele demonstra mais conhecimento haurido do progresso das suas instruções. O emblema dessa evolução é o número maior de luzes litúrgicas acesas na Loja de Companheiro.

A sua idade simbólica, por si só já demonstra essa evolução. Não à toa que no REAA a Pal∴ Sagr∴ no 2º Grau é transmitida por ssíl∴. O progresso é demonstrado pela evolução da forma sol∴ para a sil∴.

Assim, o silêncio nesse grau denota responsabilidade. Primeiro a de não perscrutar aquilo que só lhe será permitido quando ele alcançar a C∴ do M∴. Segundo é a de não revelar a um Aprendiz os segredos do Grau de Companheiro. O silêncio iniciático se revela na sua construção interior, onde nenhum ruído se ouve pela utilização das ferramentas.

Tal como o Aprendiz, o Companheiro se submete às verificações de costume para o seu aumento de salário, portanto ele pode perfeitamente se manifestar em Loja, desde que seja sobre assuntos que lhe são permitidos.

Concluindo, devo reiterar que essas são considerações pertinentes ao REAA. Isso implica que não se trata de um comentário generalizado, a despeito de que cada rito possui a sua característica, podendo assim existirem outros procedimentos que não corroboram com os aqui apresentados. Isso inclusive explica de o porquê dos regulamentos da Obediência não atuarem em assuntos que constroem a forma litúrgica e ritualística de cada rito. Entendo que o Regimento Interno de uma Loja, no mínimo de ser coadunar com o que preconiza o rito por ela adotado.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

POR QUE O GADU É SEMPRE REPRESENTADO COM UM COMPASSO?

POR QUE O GADU É SEMPRE REPRESENTADO COM UM COMPASSO?
por Hervé HOINT-LECOQ
Tradução J. Filardo

Você sabia?

As instruções em perguntas e respostas são prolíficas sobre o uso do compasso na Maçonaria. A origem deste uso é dita bíblica e muitas ilustrações medievais a atestam. Mas por que o GADU é então representado com um compasso?

Então, todos nós temos em mente essas ilustrações de Deus, geômetra, posando com um compasso para traçar o mundo. Esta imagem vem de uma tradição iconográfica que remonta ao século XIII, graças a uma suposta encomenda da mãe de Saint Louis* de várias Bíblias ilustradas para a Rainha Blanche de Castela (conhecida como a Bíblia de Viena, codex 2554 alto à esquerda) e seu marido Luís VIII (a chamada Bíblia moralizada de Viena – codex 1179 no alto à direita), para Marguerite de Provence (Manuscrito de Toledo, canto inferior esquerdo) e Saint Louis (conhecida como Bíblia OPL – Oxford Paris Londres por causa de sua dispersão entre essas cidades – canto inferior direito).

Sobre essas representações das chamadas bíblias “moralizadas” (uma expressão que data do primeiro quartel do século XV para descrever as ilustrações comentadas de passagens do Antigo Testamento), podemos assim ver Deus o Criador em seu trono, sob jovens traços, o associando a Jesus, com o compasso sobre o cosmos, em uma moldura com quatro lobos apoiados por quatro anjos.

Para entender a razão, precisamos voltar à Bíblia, precisamente em Provérbios 8, tratando da sabedoria e, mais precisamente, Provérbios 8.25 a 31: “Antes que as montanhas fossem estabelecidas, Antes que as colinas existissem, eu nasci; Não havia ainda feito nem a terra, nem o campo, Nem o primeiro átomo da poeira do mundo. Quando ele organizou os céus, eu estava lá; Quando ele desenhou um círculo na superfície do abismo, Quando ele fixou para as nuvens acima, E as fontes das profundezas jorraram com força, Quando Ele deu um limite ao mar, Para que as águas não transbordassem, Quando eu coloquei as fundações da terra, eu estava trabalhando com ele, e eu fazia diariamente suas delícias, brincando constantemente em sua presença, brincando sobre o globo de sua terra e encontrando a minha felicidade entre os filhos do homem.”

Entendemos então por que, nessas primeiras representações, Deus não é o velho de cabelos grisalhos que agora imaginamos (visto que ele é à imagem dos homens que manuseiam o instrumento), mas também por que essa ferramenta de Geômetra sempre revestida nos operativos, como mais tarde entre os especulativos de tal importância: este círculo traçado sobre o abismo, portanto, coloca o compasso como a primeira ferramenta da Criação. Justificando assim seu lugar no Volume da Lei Sagrada.

Fonte: https://bibliot3ca.com

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

SINAL DE SOCORRO

SINAL DE SOCORRO
(republicação)

Em 24/05/2017 o Respeitável Irmão Alex Martins de Oliveira, Loja Mensageiros da Luz, REAA, GOB-ES, Oriente de São Mateus, Estado do Espírito Santo, formula a questão seguinte:

Venho através dessa, solicitar mais uma vez, seus conhecimentos. No ritual de Mestre Maçom existe uma forma de pedirmos auxílio (socorro) a outros Irmãos.

Minha pergunta é: como devemos instruir os Aprendizes e Companheiros que por ventura necessitarem desse auxílio?

CONSIDERAÇÕES:

De modo geral o Sinal de Socorro na Moderna Maçonaria, desde a criação do Terceiro Grau especulativo em 1725, tem sido de domínio apenas daqueles que atingiram a plenitude maçônica. Assim, os Aprendizes e os Companheiros dele ainda não podem ter conhecimento.

Essa norma se prende principalmente ao hábito de que no passado operativo (Maçonaria de Ofício), apenas tinham a liberdade para contratar obras aqueles que comprovadamente dominavam a arte de construir e eram proprietários de guildas de construtores.

Na época da Maçonaria Operativa ainda não existia o grau de Mestre especulativo tal como hoje o conhecemos, já que na realidade existiam apenas duas classes de profissionais (Aprendizes e Companheiros) dos quais deles, apenas um Companheiro experiente era escolhido para liderar a guilda de construtores. Em síntese esse Companheiro era eleito pelos membros da confraria de pedreiros e tido como o Mestre da Obra e, pelo seu padrão profissional lhe era dado o direito de pleitear junto às autoridades, principalmente as eclesiásticas, seu livre deslocamento pelos longínquos rincões da Europa medieval em busca de contratos profissionais.

Naquelas ocasiões, sobretudo se levando em conta as dificuldades enfrentadas e comuns àquele período da história, esses profissionais ao se deslocarem geralmente careciam de ajuda para encarar as agruras do ambiente. Em face dessa situação eles então adotavam, diante das necessidades, sinais convencionais e discretos que objetivavam chamar atenção e pedir ajuda àqueles que os reconhecessem também como construtores da pedra calcária. Na verdade esse sinal era propriamente um pedido de socorro (não confundi-lo com os sinais de reconhecimento profissional).

Como os Aprendizes Admitidos e os Companheiros do Ofício (nomes dado às classes profissionais da época) geralmente permaneciam nas guildas e só se deslocavam eventualmente, porém sempre acompanhados do seu líder, eles não detinham o conhecimento do Sinal de Socorro, ficando o mesmo restrito apenas ao Mestre da obra que era também o líder da guilda de pedreiros e, havendo necessidade de pedir ajuda para alguém, ele é que assim procedia pelo Sinal.

Foi desse costume que mais tarde muitos ritos da já Moderna Maçonaria, especulativa por excelência, adotariam também um simbólico Sinal de Socorro que, diga-se de passagem, pode variar de acordo com as práticas ritualísticas dos diversos ritos hoje existentes e conhecidos. Nessa concepção, sugestivamente apenas os Mestres Maçons dele têm conhecimento.

Na Moderna Maçonaria, esteticamente essa conotação ganharia reforço a partir de 1725, sobretudo pelo aparecimento da Lenda do Terceiro Grau, cuja alegoria destaca o suplício simbólico recebido pelo Mestre Hiran e que fora aplicado pelos três maus Comp.'. - J.'., J.'., e J.'.

Não obstante a importância que tem para a Maçonaria todos os seus Sinais, sobretudo como elementos do seu verdadeiro penhor de segredo, o de Socorro geralmente se mantém mais como figura decorativa decalcada na tradição do que uma prática efetiva que possa se apresentar diante de uma real necessidade, pois isso obviamente se dá pelas circunstâncias atuais em que vivemos onde, devido à evolução das coisas, existem hoje inúmeros meios para que se possa pedir ajuda, ou mesmo identificar alguém que dela esteja carecendo, inclusive, se for o caso, também dos Aprendizes e Companheiros, mesmo que na liturgia maçônica tradicional o Sinal de Socorro continue sendo ainda privativo dos Mestres Maçons.

Na Maçonaria da atualidade não cabe mais a regra de que um pedido de socorro fique restrito a um Sinal. Embora ele exista entre os Mestres, a sua presença possui apenas uma faceta emblemática haurida dos nossos ancestrais.

Precisamos avaliar que vivemos hoje em dia num mundo onde nenhum maçom que porventura precise de ajuda, dar-se-á satisfeito apenas em compor um Sinal e ficar aguardando providências. Pensar assim é fugir à realidade, portanto deixemos que as nossas tradições permaneçam como respeito aos nossos antepassados e se perpetuem como nossos usos e costumes, mas não ao ponto de se imaginar que atualmente um maçom carente de ajuda (seja ele Aprendiz, Companheiro ou Mestre) precise ficar fazendo Sinal até que outro Irmão eventualmente possa perceber.

Essas práticas antigas eram válidas nos tempos dantes e que serviam às vezes até para que um maçom pudesse preservar a sua própria vida ao se encontrar diante de uma situação onde Irmãos lutavam em ambos os lados de uma contenda, mas isso nem sempre foi uma regra, senão uma exceção.

Na Moderna Maçonaria fica a tradição simbólica de que o Sinal velado de Socorro só é reconhecido entre os Mestres Maçons, porém ratifica-se que isso não implica que socorrer ou pedir ajuda para alguém seja coisa restrita aos detentores do Terceiro Grau. Diante da justa necessidade, todos os maçons, sem qualquer exceção, têm o direito e a obrigação de dar, pedir e receber ajuda, seja por meio de um Sinal ou não.

Por fim, aproveito a oportunidade para alertar que sinais maçônicos são privativos dos maçons, e dentre eles próprios existem regras particulares relativas aos seus graus. Assim é oportuno salientar que não existe e é fruto da mais pura invenção e absoluta imaginação a tal “estória” da existência de um Sinal de Socorro feito com as luvas e restrito às esposas dos maçons. Isso é pura bobagem e não existe na tradição maçônica. Sinais maçônicos, sejam eles quais forem, somente são conhecidos daqueles que foram iniciados na Maçonaria regular. A propósito, a entrega de luvas femininas ao iniciado não é regra maçônica universal.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

A ARTE DE PALAVREAR

A ARTE DE PALAVREAR

Artifício bastante usado nos discursos políticos, a retórica é um dos instrumentos centrais na estratégia de argumentação. Dentro do pensamento filosófico, Aristóteles estabeleceu os conceitos fundamentais para convencer, persuadir e emocionar.

Talvez isso possa parecer um tanto difícil, mas pense em um político que você, leitor, julga ser habilidoso. Ok, pense no que o torna hábil: é sua capacidade de descobrir o que determinada população precisa? Ou seria a capacidade de propor soluções pertinentes e, de fato, resolver esses problemas? Agora, pense em como esse político, essa figura pública, atinge os seus eleitores, como ele chega até essas pessoas. Em que pesem as novas tendências do marketing político[1] e os últimos avanços tecnológicos, esse político – velho ou moço, homem ou mulher, caucasiano ou afrodescendente – consegue alcançar o seu alvo com algo tão simples quanto elementar: os políticos usam as palavras.

Que os políticos gostam de falar (e realmente precisam falar) todos sabem; o que poucos têm noção é que, na maioria das vezes, as palavras que são ditas nos discursos políticos não são jogadas a esmo, mas, ao contrário, exaustivamente pensadas, estudadas e ensaiadas. A essa “arte-técnica” da oratória dá-se o nome de retórica. E, diferentemente do que se imagina, a retórica não é um recurso criado pelo marketing eleitoral.

Aristóteles tem um livro que, infelizmente, não faz parte do catálogo editorial brasileiro[NB], mas nem por isso deixa de ser fundamental. Em “Retórica”, o filósofo grego analisa com precisão os elementos que constituem um discurso. A leitura do livro mostra que alguns conceitos tidos hoje como inovadores já eram analisados pelo pensador, como o fato de a retórica ser dividida em três tipos: a política (ou deliberativa); a forense (ou legal); e o epidíctico (ou a oratória que censura ou louva um determinado elemento, aspecto, personagem).

No caso da retórica deliberativa, Aristóteles teoriza que a maneira mais importante e efetiva para obter sucesso em persuadir o eleitorado e dissertar sobre as coisas públicas é entender profundamente as formas de governo, assim como seus costumes, suas instituições e seus interesses. Isso porque, argumenta Aristóteles, “os homens são convencidos por considerações de seus interesses; e seu interesse está baseado na manutenção da ordem estabelecida”.

A discussão mais comum, hoje em dia, gira em torno da chamada retórica de Perelman[2], que tirou seus exemplos de discursos filosóficos e políticos, entre outros. Devido a isso ele assume o caráter de convencimento que a retórica proporciona aos discursos dos oradores. “Eu diria que a retórica se configura por um conjunto de estratégias linguísticas que visam à persuasão por meio da comoção”, opina a professora e doutoranda em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Suzana Leite Cortez. João Bôsco Cabral dos Santos, doutor em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica melhor: “o orador chama atenção construindo uma imagem que espelhe aquilo que seus ouvintes gostariam de ouvir. A gesticulação e a forma como se aproxima, toca e fala com as pessoas têm que estar em sintonia com a forma como as palavras são ditas e como esse orador direciona seu olhar”. Para João Bôsco dos Santos, “nos dizeres políticos é preciso falar o que o outro quer ouvir de si, como se fosse o outro dizendo para si mesmo”.

No maior dos dicionários da língua portuguesa, o Houaiss (Ed. Objetiva), a palavra “retórica” recebe significado de:
  • A arte da eloquência, a arte de bem argumentar;
  • Emprego de procedimentos enfáticos e pomposos para persuadir ou por exibição; discurso bombástico, enfático, ornamentado e vazio;
  • Discussão inútil; debate em torno de coisas vãs.
  • Sendo os dois últimos indicados como de uso pejorativo.
Se todos esses significados, para o bem ou para o mal, fazem parte da política, fica fácil dizer que a “retórica é intrínseca à arte da política”. E essas são as palavras do professor e doutor em História Econômica, Fábio Duarte Joly, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Segundo Joly, “sendo a política um exercício do convencimento com o intuito a se chegar a um consenso, a retórica joga nela um papel fundamental”.

O eleito

Quanto a esse último item, como não pensar no presidente dos Estados Unidos, eleito no fim de 2008, Barack Obama? “Yes, we can” foi o mote que fez história, que realmente moveu multidões às urnas. “Ele sensibilizou seus eleitores, utilizando o que denominamos uma retórica da redenção redimida: creiam-me, erramos, mas somos fortes, os melhores, sempre”, sentencia Bôsco. Já para o cronista português, José Manuel dos Santos, ouvir Obama “é voltar a ler a Retórica de Aristóteles. Ele convence porque argumenta (logos[3]), porque emociona (pathos[3]) e porque há um ‘eu’ que diz ‘vós’ e é reconhecido (ethos[3])”.

A parceria entre Obama e seu jovem redator de discursos de 27 anos, Jon Favreau, certamente funcionou melhor do que o esperado. Favs, como é conhecido, tornou-se um especialista na escrita do próprio presidente e entre os discursos deste escondem-se inúmeras palavras redigidas ou editadas pelo chamado prodígio.

A propósito, muito se fala em torno das habilidades oratórias do presidente dos EUA, mas esquece-se de que o Brasil teve um presidente – considerado por alguns um demagogo – que também tem o dom da palavra. Nesse caso, ficam claras, portanto, as diferentes maneiras de se apoderar da retórica. Em seus discursos, o presidente Lula se preocupa em utilizar um recurso que, na opinião de Bôsco, é voltado para conquistar os que fazem questão de rejeitá-lo, mas só consegue aumentar o apreço dos que o amam e “fomenta, ainda mais, o recalque de uma sociedade de uma social democracia falida, calcada na força disciplinarizante de instituições reguladoras”, brada o professor. À sua maneira, Cortez prefere indicar o uso de expressões populares, “como uma forma de estar mais próximo do grande público”.
Usar ou não usar? Eis a questão

Duas coisas podem acontecer àqueles que decidem realmente usar a arte de bem argumentar em seus dizeres. Podem receber grandes elogios sobre as performances utilizadas ou pelas belas e sábias palavras – mas, nesse caso, o elogio seria mais bem aplicado se dirigido aos ghost writers por trás dos discursos -, ou críticas ferrenhas atacando-os, acusando-os de fazer logomaquias por meio de happenings bizarros[4] e exagerados que transformam a política, por exemplo, em uma técnica para única e exclusivamente conquistar o poder. “A retórica desprovida de qualquer estudo científico é comumente vista como discurso ‘floreado’. Daí podemos falar em algo pejorativo”, arrisca Cortez. Como foi dito anteriormente por Joly – que também é o organizador da obra “História e Retórica: ensaios sobre historiografia antiga” (Ed. Alameda) -, Bôsco concorda que a retórica sempre fez parte da política e afirma que “a política sempre foi constituinte, constitutiva e constituída pela retórica”.

“O ser humano sempre teve necessidade de fazer valer suas opiniões”, completa Cortez, que coloca, além disso, que o uso da retórica tem bases culturais e se diferencia conforme mudam as habilidades de orador para orador e os entornos sociais[5]. O que difere seu uso atual com o de tempos anteriores é que hoje ela funciona como um ponto de tensão “da competição entre marqueteiros”, indica Bôsco. “Outrora a retórica era sempre apagada dos dizeres políticos porque soava como dizeres de uma égide proselitista, demagógica”, ele compara. Atualmente, é como se os oradores fizessem parte de um “campeonato de força ilocucionária”. A professora Suzana discorda dessa mudança. Para ela, são os “sujeitos que fazem parte da política” que podem mudar as formas de discursar, e não o contrário.

Do fim ao princípio

De volta ao político imaginado no início deste texto, é preciso saber que ele está sujeito aos desvios que a sensação do poder pode proporcionar. Todavia, se ele é lembrado por suas habilidades oratórias, isso pode ser considerado algo bom. Retornando às palavras do cronista português, “a reanimação de um verbo político inanimado é o início de um início. Porque a dignidade da política começa na dignidade da palavra que a diz”.

Para Joly, mesmo que o senso comum ligue retórica à enganação, se as pessoas souberem avaliar os discursos políticos tendo em vista sua construção retórica, elas terão meios suficientes para analisar melhor um determinado político. Dessa forma, torna-se óbvio dizer que a retórica por si só não é boa ou má. Bons ou maus são aqueles que se utilizam dessa arte com, ou sem, suas próprias noções de integridade.

Notas

[1] – Carreira levada ao ápice ao longo da década de 1990, o marketing político já é de conhecimento mesmo do público que não é militante. Além disso, no entanto, há os bastidores. No filme“Recontagem“, protagonizado por Kevin Spacey, a alta cúpula decide com ações de marketing de guerrilha quais são as estratégias que devem ser tomadas para vencer as eleições para a presidência em 2000.

[2] – Filósofo do direito, o polonês Chaim Perelman observou que as áreas da Filosofia, do Direito e da História se estabeleciam utilizando a retórica como instrumento elementar. No site do Programa Especial de Treinamento em Ciências Jurídicas, há mais informações a respeito.

[3] – Logos, Ethos e Pathos são as três principais formas de persuadir a audiência/ público/leitores. Logos é o apelo utilizado à razão; pathos é o voltado às emoções; e ethos é aquele calcado na reputação de quem se pronuncia.

[4] – Entre acontecimentos dignos de nota vale a pena recordar a performance do ex-deputado federal Roberto Jefferson durante um depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o escândalo dos correios. Naquela ocasião, o político atraiu a atenção usando artimanhas específicas de retórica, como se vê no link a seguir: http://www.youtube. com/watch?v= OkhaxJOI5Ss&NR=1

[5] – Os artifícios da retórica necessitam respeitar o contexto da audiência. De nada adianta, por exemplo, apresentar uma fala rebuscada para um público que não partilha do mesmo código de compreensão de quem transmite a mensagem. Nesse sentido, cabe ao político – caso se trate de um político – analisar se as metáforas cabem e se serão bem aceitas dentro daquele cenário. Talvez por esse motivo, a mensagem central é sempre a mais simples. Tome-se como exemplo o fato de Lula e Barack Obama terem feito uso, em 2002 e 2008 respectivamente, menção à ideia de “mudança”.

[NB] – Para a felicidade dos amantes da leitura, o livro Retórica já está disponível no catálogo editorial brasileiro. Inclusive é uma das sugestões de leitura do blog na página Biblioteca.

Outras Notas

[a] – Nelson Rodrigues se referia àqueles cuja capacidade retórica era superlativa como “homem-discurso”. No caso, o jornalista se referia ao também jornalista e político Carlos Lacerda, um dos principais algozes do então presidente Getúlio Vargas. Lacerda – ou Corvo, como era conhecido – era dotado de uma verve tão apaixonada quanto inflamada não apenas ao falar, mas também ao escrever. Não por acaso, uma de suas biografias se chama “O Demolidor de Presidentes”.

[b] – Preparando um Discurso:

A preparação de um discurso requer inúmeros cuidados, principalmente porque suas variações dependerão dos resultados que o orador pretende obter e do público ao qual ele irá se dirigir, como adverte Joly. “A emoção, a necessidade de tocar fundo os atos humanos, é uma característica marcante”, enumera Cortez.

Mesmo com essas subjetividades, de acordo com Bôsco, é possível elaborar uma lista das principais características de um discurso retórico, que deve:
  • Remeter a uma crença das pessoas do auditório;
  • Fabular imagens de realização de quem o escuta;
  • Conter dizeres que enganam porque persuadem por sua verossimilhança com um real possível;
  • Produzir efeitos de espelhamento do outro naquele que escuta;
  • Legitimar memórias, desejos imaginários, valores de verdade;
  • Fomentar a capacidade de um ser de sentir-se realizado;
  • Conter dizeres que deixam escapar vestígios da imaginação de quem ouve, que revelam seus saberes;
  • Provocar no ouvinte sensações de poder.

Autor: Luiz Marcelo Viegas

Mestre Maçom da ARLS Pioneiros de Ibirité, nº 273, jurisdicionada à GLMMG. Membro da Academia Mineira Maçônica de Letras. Contato: opontodentrodocirculo@gmail.com

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

POTÊNCIA MAÇÔNICA, OBEDIÊNCIA MAÇÔNICA E ORDEM MAÇÔNICA - DEFINIÇÃO

Em 09/02/2021 o Respeitável Irmão João Batista dos Santos, Loja Luz e Caridade, 0525, REAA, GOB-MG, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão que segue:

POTÊNCIA, OBEDIÊNCIA E ORDEM

Preciso de um apoio desse ilustre e sábio irmão!

Quero saber a sua definição para o seguinte:

Qual é a diferença entre *Potencia*, *Obediência* e *Ordem*, na administração da
Maçonaria?

CONSIDERAÇÕES:

Baseado no que mencionam bons dicionários da nossa língua, e no que se adequa à Maçonaria, o substantivo feminino, “Potência”, dentre outros, menciona autoridade, domínio. Ainda sob essa óptica, o substantivo feminino, “Obediência”, dentre outros, também alude à sujeição, dependência.

No que diz respeito ao substantivo feminino “Ordem”, me parece que o significado que mais se adequa é o que menciona uma confraria que se compromete a cumprir preceitos exarados em estatuto próprio. Seus membros prometem viver sob autoridade de certas regras.

No tocante aos títulos Potência e Obediência, entendo que ambos são títulos distintivos consagrados na Moderna Maçonaria, tanto para os denominados Grandes Orientes (vertente francesa), assim como as Grandes Lojas (vertente inglesa).

Pertinente ao termo Potência em Maçonaria, ele menciona autoridade e domínio, no caso sob as Lojas jurisdicionadas e Obediência cabe designar como submissão à vontade, no caso a de um Poder que governa uma constelação de Lojas.

Desse modo, parece que ambos os títulos acabam se correlacionando como entidades autônomas e soberanas que governam uma congregação de Lojas, no caso, Lojas Simbólicas.

Quanto à palavra Ordem, no caso Ordem Maçônica, vejo que a colocação extraída do dicionário, aqui já mencionada, é a definição que mais se adequa.

Concluindo, devo salientar que as exposições por mim aqui emitidas são de cunho interpretativo, mas não laudatório, pois não sou nenhum expert na ciência da gramática, podendo, portanto, serem contestadas pelos que de fato dominam as regras do vernáculo.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

APRENDIZ

1º - Somos todos crianças na estrada do crescimento espiritual. Passadas vacilantes e inseguras, tropeços e tombos são freqüentes, pois ainda não possuímos muita firmeza em nossos passos.

2º - Para aprender a correr é necessário o aprimoramento, que conseguimos com a humildade de nos levantarmos e continuarmos; de termos a coragem de aprender e não se acomodar com aquilo que já conhecemos.

3º - É aqui, no dia-a-dia, expostos às mais diversas vibrações, que conseguimos constatar se o que aprendemos de moral e de espiritual ficou ou não em palavras apenas.

4º - A felicidade e a tristeza caminham juntas, e se ambas não se alternassem em nossas vidas, não sairíamos de nossa posição comodista.

5º - É a chama divina atuando em nossas vidas, fazendo com que nós constantemente nos reavaliemos. O progresso, a evolução são a constante do caminho para o aprimoramento espiritual e moral. Principalmente para nós, irmãos maçons.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

BEM-VINDOS À MAÇONARIA - 1ª PARTE

BEM-VINDOS À MAÇONARIA - (1ª PARTE) 
Valdemar Sansão 

Ninguém ama aquilo que não conhece bem e nem se esquece daquilo que ama. Ninguém dá o que não tem 

a) SIMBOLISMO MAÇÔNICO 

O símbolo é imagem, é pensamento... Ele nos faz captar, entre o mundo e nós, algumas dessas afinidades secretas e dessas leis obscuras que podem muito bem ir além do alcance da ciência, mas que nem por isso são menos certas. Todo símbolo é, nesse sentido, uma espécie de revelação. 

Na Maçonaria, o símbolo é constante e latente em todas as suas partes. É preciso, portanto, penetrar pacientemente seu significado. 

Somente pelo estudo dos símbolos é que se pode chegar ao esoterismo. (Esoterismo opõe-se a Exoterismo; podemos traduzir livremente esses dois termos por ensino secreto e ensino público. Hoje, aliás de forma abusiva, a tendência é fazer da palavra esoterismo sinônimo de ocultismo. 

Não podemos nos gabar ou nos vangloriar de sermos um “Iniciado”, ou, em outras palavras, de ser o único a estar de posse do Conhecimento e da Verdade. 

“Iniciado” (de initium, começo) quer dizer simplesmente “colocado no caminho”, e o Maçom sincero sabe, mesmo quando se tornou Companheiro e Mestre, que ele continua a ser um Aprendiz. 

Seu acerto é nosso, seu insucesso reparte-se conosco. Abra seu coração, coloque-nos a par das suas dificuldades, transmita-nos suas vivências, ensine-nos também a ser caminho. 

Você já sentiu as transformações que opera. Já sentiu seus progressos? 

O estudo aprofundado dos símbolos e, sobretudo, dos símbolos maçônicos pode levar muito longe. Nesta terra, tudo é símbolo; as próprias palavras, na realidade, não passam de símbolos das idéias. 

Na vida corrente, são muitos os símbolos de deferência, de amizade, de alegria, de luto, etc. o homem que saúda tirando o chapéu ou inclinando a cabeça simboliza com isso a deferência que ele quer manifestar à pessoa saudada; o aperto de mão – que se transformou numa cortesia banal – é um símbolo de afetividade, de cordialidade, de devotamento, de lealdade; sua recusa é símbolo de inimizade. O brinde é um símbolo de amizade e de esperança em alguém ou em alguma coisa. Por que levantar a mão direita por ocasião de um juramento senão para simbolizar a sinceridade? O anel de casamento não simboliza, acaso, a aliança indefectível que deve unir os esposos? Etc. 

Todo mundo compreende esses símbolos simples e banalizados. Mas existem outros símbolos menos freqüentes, mais ocultos: filosofais, religiosos, iniciáticos. Durante seu tempo de aprendizado, a tarefa exclusiva do Aprendiz consiste na observação e análise de tudo o que se passa num mundo inteiramente novo para ele, devendo concentrar seus esforços por aprender, assimilar e adotar as posturas e atitudes desconhecidas no mundo profano. 

As vezes, sua casca é dura de ser quebrada, mas a semente, uma vez libertada, mostra-se tanto mais deliciosa! 

O iniciado deve romper a casca mental, isto é, fugir do racionalismo esterilizante, para atingir a transcendência; somente depois de romper essa casca é que se torna possível o acesso á verdadeira iniciação. 

Todos os símbolos abrem portas, sob a condição de não nos atermos apenas – como geralmente acontece – às definições morais. A iniciação “abre portas” até então proibidas ao recipiendário. 

b) INSTRUMENTOS DE TRABALHO DO APRENDIZ-MAÇOM 

São determinados instrumentos profissionais, a maioria tirada da antiga arte arquitetônica, que a Maçonaria simbólica usa como emblema de Virtudes e ensinamentos. 

São os seguintes os principais instrumentos e utensílios do Aprendiz – Maçons, e seus respectivos significados morais: 

a) A RÉGUA DE 24 POLEGADAS (precisão na execução durante 24 horas de cada dia); 
b) O MAÇO (decisão na aplicação); 
c) O CINZEL (discernimento na investigação). 

A Régua de 24 polegadas figura nas Lojas simbólicas da Franco-Maçonaria como instrumento de trabalho e medida do tempo, no sentido de que não se deve mal gastar as horas na ociosidade e egoísmo, mas parte delas na meditação e estudo, parte no trabalho, e parte no recreio e repouso, “porém todas no serviço da humanidade”; 

O Maço (MALHO) com o cinzel, é o instrumento de trabalho do Aprendiz, para alegoricamente “desbastar a pedra”, ou educar a agreste e inculta personalidade para uma vida ou obra superior. O malho simboliza a vontade, energia, decisão, o aspecto ativo da consciência, necessário para vencer e superar os obstáculos; 

O Cinzel corresponde à penetração, discernimento e receptividade intelectuais, ou o aspecto passivo da consciência, indispensável para descobrir as protuberâncias ou falhas da personalidade. 

c) OUTRAS OBSERVAÇÕES 

- Sois Maçom? 
- MM. II. C. T. M. RR. 

Isso porque um Aprendiz Maçom deve duvidar de si mesmo e da fragilidade de seus conhecimentos maçônicos. Ele deve, portanto, evitar de dar uma opinião sem antes recorrer às luzes da sabedoria de seus Irmãos. 

- De que forma vos fazeis reconhecer como Maçom? 
- Através dos Sinais, Palavras e Toque. 

Um Maçom se reconhece pelo seu modo de agir, sempre eqüitativo e sincero (sinais); sua linguagem leal e sincera (palavras); enfim, pela atitude fraternal que manifesta com todos aqueles que está unido pelos laços de solidariedade. 

- A que horas os Maçons costumam começar e terminar seus trabalhos? 
- Os trabalhos começam ao Meio-dia e terminam à meia noite. 

Estas horas convencionais indicam que o homem atinge parte de sua maturidade, na metade de sua vida, antes de poder ser útil a seus semelhantes; mas que, deste instante, até a sua hora final, deve trabalhar sem descanso para o bem estar comum! 

d) AMOR FRATERNAL 

O grande mistério maçônico esta na simplicidade que se configura na palavra amor. O amor e respeito a tudo e a todos. 

 Agora como Maçom tem por missão eliminar de dentro de si o egoísmo, daí a necessidade de cultivar seu espírito de coletividade através do Amor Fraternal. E não é por acaso que em Loja de Aprendiz, o Livro Sagrado é aberto sobre o altar no Salmo 133 (A excelência da União Fraternal – Cântico de Romagem de Davi): 

Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os Irmãos, - traduz a satisfação e a alegria do Amor Fraternal. 

Fontes consultadas: 

- “A Simbólica Maçônica” – Jules Boucher; 

- Instruções Complementares Para Maçons 1º Grau – GOP); 

- “O DESPERTAR PARA A VIDA MAÇÔNICA” 

Da Primeira à Sétima Instrução – Grau I  - Valdemar Sansão (aguardando publicação) 

Fonte: JBNews - Informativo nº 0171 - 14 de fevereiro de 2011

terça-feira, 7 de setembro de 2021

DO MEIO-DIA À MEIA-NOITE

DO MEIO-DIA À MEIA-NOITE
(republicação)

O Respeitável Irmão Nilson Garcia, Mestre Instalado, Loja Estrela da Serrinha, GOB, Oriente de Goiânia, Estado de Goiás, apresenta a seguinte questão: 
nilson@higintel.com.br 

O que significa no Rito Escocês Antigo e Aceito o termo que se relaciona com o tempo de trabalho “do Meio-Dia à Meia-Noite”?

CONSIDERAÇÕES:

Existe uma definição clássica relacionada ao Meio-Dia como horário que alude ao ápice da Luz e a questão da “igualdade”, tomando-se em conta de que com o Sol a pino, ninguém faz sombra a ninguém, torna simbolicamente um momento propício para o início dos trabalhos justos e perfeitos. Daí a obrigação do Segundo Vigilante (nível = igualdade) observar a passagem do Sol no meridiano conforme a dialética de abertura dos trabalhos.

Por outro aspecto o tempo de trabalho que se refere ao período “Meio-Dia até à Meia-Noite” está relacionado diretamente à vida simbólica do Maçom e as suas obrigações morais, éticas e sociais como esteios da sua “obra” durante a vida. Em linhas gerais a alegoria do tempo está relacionada à juventude e a maturidade. 

O Companheiro cuja idade se reporta à fase da vida de ação e trabalho está apto para abrilhantar (Segundo Vigilante ao Meio-Dia - Irmãos que abrilhantais a Coluna do Sul...) e começar a “obra” em direção ao seu ápice, daí a juventude relacionada ao Meio-Dia.

Já a Meia-Noite alude ao final da vida quando o Mestre, entre o Esquadro e o Compasso, acaba e decora (Primeiro Vigilante no ocaso do Sol - Irmãos que decorais a Coluna do Norte...) a “obra”, ensina e expõe a sua experiência adquirida ao longo da vida. 

Em síntese esse tempo de trabalho implica que o Maçom, de acordo com a sua experiência, trabalha ao longo da vida compondo a arquitetura de acordo com os ensinamentos e aprendizado. 

É regra na doutrina maçônica – o Aprendiz, ainda ofuscado pela Luz faz uso da “Intuição”. O Companheiro no ápice da Luz tem por regra a “análise”. O Mestre, pela sua maturidade e idade avançada representa a “síntese” do conhecimento adquirido. A trilogia Intuição – Análise – Síntese está correlacionada diretamente aos três ciclos iniciáticos.

Cabe aqui ainda uma observação: Embora o termo Meia-Noite se comporte na doutrina como elemento de finalização, existe ainda o comportamento doutrinário de que a morte reconduz o corpo do Homem ao elemento “Terra”, todavia tal qual a Natureza, o conhecimento e a fé não morrem, porém renascem a cada fim do inverno. 

Prevalece não o abstrato, contudo, o concreto. Ou seja: a obra permanecerá para a posteridade, afinal o produto colheita será feita, conforme a semeadura.

Recomendo uma boa meditação e observação no conteúdo da Lenda de Hiran. Indubitavelmente nessa alegoria que encerra a Iniciação está a chave filosófica e doutrinária (Palavra Perdida).

Observar a Lenda com critério e razão significa entender o que fazemos no Canteiro, deixando de nos preocuparmos apenas com o teatro ritualístico que embora não menos importante, só se completa quando o Obreiro verdadeiramente souber o seu papel como integrante da Sublime Instituição. 

Afinal, como escrito no texto, a Meia-Noite está longe de ser o fim das “coisas”, pois quanto mais escura é a madrugada, mais perto está o raiar de um novo dia – isso também explica o testamento filosófico da Câmara de Reflexão, as Colunas Zodiacais e a aclamação Huzé como saudação à LUZ.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 561, Florianópolis (SC) 11 de Março de 2012.