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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

INTUIÇÃO E ESOTERISMO

INTUIÇÃO E ESOTERISMO

“Esoterismo” designa o ensinamento reservado, no interior de um grupo, para discípulos escolhidos.

Onde constam duas espécies de doutrinas assim denominadas:- uma exotérica, que pode ser comunicada aos estranhos, e a outra esotérica ou secreta, que era reservada aos membros da iluminadora fraternidade, isto é, revelada aos iniciados no mistério.

Os dois adjetivos “exotérikos” e “esotérikos” que pertencem ao vocabulário filosófico da Grécia antiga; designam, e ao mesmo tempo distinguem, os aspectos exteriores e interiores de um mesmo ensinamento, proposto de acordo com o grau de adiantamento dos aprendizes.

O conhecimento intuitivo é o um discernimento claro e imediato, é a visão das coisas no seu proceder divino, é um ver luminoso que não tem necessidade de julgamento ou passagens demonstrativas. É o perceber instantâneo de um objeto cuja realidade pode ser material ou espiritual. Talvez pudéssemos melhor dizer que é uma ligação entre duas essências.

Porém, este primoroso e íntimo saber apreendido pela intuição não é transmissível pela palavra, não se faz por meio de um mediador e, portanto, não pode ser ensinado por um professor. Isso, porém, não significa que esta faculdade não esteja à inteira disposição de todos nós.

Esta faculdade não é uma privilégio de alguns poucos iluminados, mas é uma capacidade natural e comum a todas as pessoas. Todos somos gênios em potencial.

É dessa encantadora faculdade de conhecer algo sem meditação e na sua plenitude que nasce em nós a comunicação do Bem, do Belo e do Amor a Deus. É a espécie de conhecimento mais precisa de que é capaz a fragilidade humana. A Intuição conhece o sentido da vida, pertence à Ciência Sagrada.

É por esta razão que os mestres nos ensinam que as premissas só podem ser conhecidas por si mesmas, sem intermediários, através da visão direta de nossa alma.

Desta mesma forma é que nos ocorre as premonições, que experimentamos a clarividência, que intuímos o amor, o belo, o bem e as verdades primeiras, inclusive as famosas descobertas das ciências, como o átomo, os antibióticos, os múltiplos universos...

Podemos agora entender melhor o quão difícil é para aqueles que pretendem comunicar conhecimentos sobre a fé, sobre uma visão ou sobre um êxtase experimentado por um artista, a noção da harmonia, um axioma cientifico, os mistérios acromáticos e enfim, sobre verdades transcendentes à razão.

Nas instituições de ensinamentos reservados aos seus discípulos, um conhecimento é dito secreto não é necessariamente porque foi alguém que proibiu sua divulgação, mas porque somente será aprendido pelo olho interno do aprendiz, e este pode ainda não ter atingido o nível necessário de percepção.

O máximo que se pode fazer relativamente aos conhecimentos obtidos através da Intuição é indicar ao aprendiz quais os métodos ou caminhos que o levariam a atingir um determinado conhecimento, fornecendo-lhe um quadro de orientações e não um conjunto de definições, visto que é um conhecimento íntimo, pessoal, pois a participação isolada , de quem aprende é indispensável.

Bibliografia: Intuição & Maçonaria de Fernando César Gregório (Editora “A Trolha”)

Caminhos para termos uma intuição.

Temos de ter alguns princípios em mente, para continuarmos; Nas antigas escolas de mistérios era de conhecimento esotérico que “Tempo e espaço não existem”, “Todos nós somos uma única pessoa, somos como lâmpadas, que embora separadas recebem uma só Energia (Cósmica)”.

Como “Tempo e espaço não existem” pode-se dizer que o passado, o presente e o futuro estão acontecendo agora, pois “Todos nós somos uma única pessoa” então podemos dizer que para ter uma intuição basta o individuo estar harmonizado com esta “Energia (Cósmica)” que esta dentro de si, assim obterá quaisquer resposta às suas perguntas do passado ou do futuro.

Os ensinamentos esotéricos acima só poderiam ser revelados aos verdadeiros iniciados, para que não se houve discussão do tipo “como tempo não existe?”, “como espaço não existe?”, pois não se conseguia provar, mas tinham a intuição que as premissas eram verdadeiras.

E como entrar dentro de si? Basta o individuo ser um autêntico Maçom, Rosa-Cruz, Cristão, Judeu, Muçulmano, Budista ou seguir qualquer filosofia do bem.

É por isso que a Maçonaria que não é uma religião, sendo considerada como a mãe de todas as religiões, pois ela aceita tudo de bom em todas as religiões, e é por isso é que somos livres e de bons costumes.

Portanto para termos uma boa Intuição, temos de ter uma predisposição vinda da alma, em sermos bons, devendo cavar masmorras ao vício, ter uma vida equilibrada em todos os aspectos, tanto físico como mental.

Fazer alguns exercícios mentais ajuda a aumentar e melhorar a intuição, por exemplo, procure em sua meditação matinal intuir sobre o seu dia, e na meditação noturna verifique quais das intuições deram certo no decorrer do dia, fazendo este exercício você aprenderá a entender quando a intuição é verdadeira ou não.

Considerações:

Pode alguém ter uma intuição no meio do barulho?
Pode alguém ter uma intuição com o físico doente?
Pode alguém ter uma intuição com a mente perturbada?
Resposta:- Até pode ter uma intuição, mas é muito mais difícil.

Para finalizar, é pela Intuição que chegamos à “Deus” e tudo aquilo que não conseguimos ver, entender ou ate mesmo acreditar.

Fonte: http://cidademaconica.blogspot.com

terça-feira, 21 de setembro de 2021

PARAMENTOS

PARAMENTOS
(republicação)

O Respeitável Irmão Thiers Antônio Penalva, Loja Deus e Liberdade, 62, COMAB, Oriente de Montes Claros, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão: (t.penalva@uol.com.br)

Volto a pedir socorro mais uma vez. Fui convidado para uma Sessão Pública e o Venerável pede na correspondência para irmos de paramentos dos altos graus para que a cerimônia fique mais bonita e colorida! O tema da palestra era importantíssimo, mas achei muito "pavonismo" na convocação. Evidente que não compareci. O que o Irmão acha dessas exibições?

CONSIDERAÇÕES:

De forma legal é necessário observar o que é permitido nesse caso em conformidade com o Regulamento, Constituição e, ou Ritual da Obediência. Digamos que assim legalmente seja permitido, o que há de se fazer? Cumprir o que está escrito.

Por outro lado o Obreiro que não quiser expor essas “qualidades”, humildemente comparecerá a cerimônia usando apenas os paramentos do simbolismo.

Dadas essas ponderações o que segue estaria de acordo com os usos e costumes da Maçonaria.

De maneira tradicional sessões do Simbolismo maçônico comportam apenas e tão somente costumes hauridos da tradição maçônica – três graus.

Em se tratando do Rito Escocês Antigo e Aceito o costume equivocado de se usar paramentos de graus ditos superiores no simbolismo, provavelmente apareceu com a criação das hoje extintas Lojas Capitulares no primeiro quartel do Século XIX na França.

Após o retorno às origens (cada macaco no seu galho), o simbolismo ficou desligado dos “altos graus”, entretanto muitos costumes, dentre os quais o de se apresentar em Loja simbólica com paramentos que não lhe dizem respeito, ainda é imprecisamente revivido.

Nunca é demais lembrar que aqui no Brasil por um bom tempo no passado, o Soberano Grande Comendador era também o Grão-Mestre da Maçonaria Brasileira. Embora tal fato nos dias atuais não esteja mais previsto, algumas tentativas de “inserções” por parte de alguns Irmãos dos Supremos Conselhos não raras vezes aparecem.

Legalmente, e até por uma questão de reconhecimento, o Simbolismo tem sua administração (Grande Oriente e Grande Loja) completamente distinta dos Supremos Conselhos – pelo menos isso acontece no GOB.

Do meu ponto de vista particular, penso que simbolismo é simbolismo e altos graus são altos graus. Em Lojas simbólicas dever-se-ia se apresentar o Maçom apenas e tão somente com paramentos que são previstos no Franco Maçônico Básico de direito, simplesmente porque os três primeiros Graus são universais, enquanto que “graus superiores” são características próprias de Ritos, fato que não os faz um melhor do que o outro devido a sua quantidade de graus.

A diferença está mesmo no Homem e não da parafernália paramentativa.

Assim também penso que a Sublime Instituição é, dentre outras, uma escola de humildade, muito embora me pareça que para alguns ela sirva como uma passarela de vaidades.

O mais interessante, sendo inclusive um caso para reflexão, é que ninguém colará um grau além do de Mestre, em não sendo ele um Mestre. Assim, só para lembrar - embora a lição esteja explícita - algo me parece contraditório, pois “vaidades de vaidades, disse o pregador; tudo é vaidade”.

Finalizando, essa estória de “mais bonito” em Maçonaria tem dado muito que falar. Como se isso não bastasse ainda querem acrescentar o adjetivo “colorido”. Ora, isso me parece estar mais de acordo com um carro alegórico de uma escola de samba do que com uma sessão maçônica.

E.T. – Nada tenho contra os paramentos da escola de Perfeição, Capítulo, Kadosh ou Consistório (inclusive delas faço parte como obreiro). Nesse colégio, os paramentos correspondentes são perfeitamente apropriados, todavia em minha modesta opinião eles não se coadunam como paramentos que devam ser usados Simbolismo.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 578, Florianópolis (SC) 28 de Março de 2012.

O GADU E A MAÇONARIA

O GADU E A MAÇONARIA
Ir∴ Antonio Rocha Fadista

A entrada para a Ordem Maçônica de pessoas que não eram obreiros da construção, a partir do séc. XVII, deflagrou o processo de transformação da Maçonaria Operativa em Especulativa. Este processo viria desaguar na criação da Grande Loja de Londres, a primeira do sistema obediencial. Até à promulgação da Constituição de 1723 a Maçonaria tinha sido essencialmente religiosa, influenciada pela Igreja Católica, à sombra e sob a proteção da qual ela vivera durante a histórica e muitas vezes centenária construção das grandes catedrais góticas da Idade Média.

A Constituição de 1723 confirmou a necessidade da crença num ser criador do Universo e numa vida posterior à morte física. A partir de então, o maçom não pode ser um “libertino irreligioso nem um ateu estúpido” mas adquiriu o direito de adorar o Deus de sua escolha, e não mais, exclusivamente, o Deus cristão.

Daí a dissidência e consequente criação da Grande Loja dos Antigos, que acusava a Grande Loja de Londres – dos Modernos – de permitir excessiva liberdade religiosa aos seus membros. Felizmente, a Maçonaria inglesa selou a paz com a união de 1813 e com edição dos seus rituais em 1815, nos quais prevaleceram – e prevalecem até hoje – a liberdade de crença de cada um dos seus membros.

Deste modo, a História de nossa Instituição pode ser dividida em três períodos bem característicos. Mais precisamente, dois períodos, sendo o segundo subdividido em dois ouros períodos.

O primeiro período foi o Operativo, e o segundo é o Especulativo. Por sua vez, o período Especulativo se divide em antes e depois de 1877.

Como já dito, no período Operativo o conceito de Deus era Trinitário, e até Mariano. Todos os documentos da época, os assim chamados Old Charges – Antigos Deveres – registram esta influência: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É o conceito da Igreja Católica.

O grande problema, que marcaria a fundação da Grande Loja dos Antigos começou exatamente pela liberdade de crença inserta na Constituição de 1723, que também passou a usar oficialmente o termo Grande Arquiteto do Universo.

Esta expressão não consta de nenhuma das Old Charges, mas era muito empregada pela Igreja, onde pode ser encontrada, por exemplo, nas catedrais medievais, também com a variante Grande Arquiteto da Igreja, além de ilustrações de bíblias do séc. XIV e seguintes.

Na mente de Anderson, de Desaguilliers e dos demais vinte e cinco legisladores de 1723, o G.A.D.U. é o conhecido Deus bíblico. Na primeira parte desta Constituição é dito que “Adão, nosso primeiro Pai, criado à imagem de Deus, o Grande Arquiteto do Universo…”. Toda esta primeira parte da Constituição de 1723 está impregnada do Antigo Testamento.

O exame do espírito e da letra desta Constituição, mostra que a Maçonaria Obediencial nasceu teísta. Esta concepção tem sido confirmada inúmeras vezes pelas Grandes Lojas Mãe do Mundo – Inglaterra, Irlanda e Escócia.

A interpretação deísta, que se acentua depois de 1815, atinge o auge em 1877, com a eliminação pelo Grande Oriente de França, do art. 1º de sua Constituição, artigo este que exigia a crença em Deus e na imortalidade da alma, e com o posterior “expurgo”, de todos os rituais, da expressão G.A.D.U. e de todas as orações.

Com esta atitude, o GOF e demais Potências que o seguem, o provocam o grande cisma da maçonaria, a chamada “Summa Divisio”. A partir deste ponto a Maçonaria se divide em duas partes, após o rompimento de relações com as Grandes Lojas Mães – inglesa, irlandesa e escocesa – e com todas as demais que a elas aderem, relações estas que permanecem rompidas até hoje.

O pretexto para a eliminação da exigência da crença em Deus era a defesa da Absoluta Liberdade de Pensamento. Na realidade, foi fruto de infiltrações em Lojas, do espírito anti-clerical, anti-religioso e por fim, antiteísta dos iluminados da Baviera, dos filadelfoss, dos carbonários, em suma, de irreligiosos e ateus. Grupos minoritários, mas ativos, que conseguiram dividir a Instituição em duas correntes distintas, em duas Maçonarias.

Uma Regular, Ortodoxa e Tradicional, que tem espírito religioso (porque não aceita os irreligiosos) e é apolítica. Outra, Irregular, heterodoxa, que é irreligiosa e política.

A união das duas Grandes Lojas inglesas, com a reforma dos seus rituais em 1815, evitou que se interpretasse deísticamente o 2º parágrafo do 1º artigo da Constituição de Anderson, como o fez o Grande Oriente de França. Este Grande Oriente não aceitou a reforma de 1815 e se apegou à Constituição de 1723, ignorando, no entanto, o 1º parágrafo do seu 1º artigo, que fala do estúpido ateu e do libertino irreligioso. Transcrevemos abaixo os textos pertinentes da Constituição de Anderson de 1723 e da mesma Constituição reformada em 1815.

Texto de 1723: – Posto que nos tempos antigos os maçons tivessem a obrigação de seguir a religião do próprio país ou nação, qualquer que ela fosse, presentemente julgou-se mais conveniente obrigá-los a praticar a religião em que todos os homens estão de acordo, deixando-lhes plena liberdade às convicções particulares…

Texto de 1815: – De todos os homens, (o Maçom) deve ser o que melhor compreende que Deus enxerga de maneira diferente do homem; pois o homem vê a aparência externa ao passo que Deus vê o coração… Seja qual for a religião de um homem ou sua forma de adorar, ele não será excluído da Ordem se acreditar no glorioso Arquiteto do Céu e da Terra e praticar os sagrados deveres da moral…

Por conseguinte, o texto da reforma de 1815 deixa claro que já não se trata da ampla tolerância proclamada por Anderson. O perigo do deísmo se conjurou por um teísmo pessoal.

O objetivo principal desta mudança era evitar a formação de movimentos laicistas que pudessem levar, como de fato acabaram levando, à ruptura de 1877 pelo Grande Oriente de França.

Daí se concluir que a reforma de 1815 foi a salvação da Maçonaria Regular. Foi a partir deste momento que começou o afastamento do Grande Oriente de França, que culminaria em 1877 com a eliminação da exigência da crença no G.A.D.U. 

O Grande Oriente de França tentou, diversas vezes, a reconciliação com as Grande Loja Unida da Inglaterra e suas aderentes, sem nenhum sucesso até hoje.

Já o Grande Oriente da Itália (Palazzo Giustiniani), que abandonou em 1972 os conceitos adotados em 1877, foi reconhecido como Potência Regular pela UGLE.

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

CONFERÊNCIA E O OBREIRO À ORDEM

CONFERÊNCIA E O OBREIRO À ORDEM
(republicação)

Consulta apresentada pelo Respeitável Irmão Gercilene Rolim Formiga, Venerável Mestre da Loja José Rodovalho de Alencar, 2.912, GOB, sem declinar o nome do Oriente e o Estado da Federação.
gercileneformiga@hotmail.com

Tendo em vista a omissão da Constituição do GOB, RGF e do próprio ritual do REAA, e entre irmãos há opiniões divergentes com relação à apresentação do Saco de Propostas e Informações (REAA) quando o Orador e Secretário, a convite do Venerável, comparecem ao Altar para atestar o resultado do mesmo. Pergunto. Eles deverão ficar à Ordem ou somente em pé?

CONSIDERAÇÕES:

Não é uma questão de omissão no caso da Constituição e Regulamento Geral da Federação do GOB, pois procedimentos ritualísticos específicos de um Rito não fazem parte dos Diplomas Legais referendados. 

Quanto ao Ritual, talvez, entretanto certas normas são consuetudinárias na Maçonaria e em particular para o Rito em questão:

No caso do Rito Escocês Antigo e Aceito, rito de origem latina (francês), todos os Obreiros que estiverem em pé e parados em Loja aberta (após assim declarada pelo Venerável Mestre), sem que estejam empunhando um instrumento de trabalho, estarão à Ordem, isto é: corpo ereto, pés em esquadria, compondo o Sinal do Grau em que porventura a Loja estiver trabalhando. 

Assim, durante a verificação do Saco de Propostas e Informações (a Loja já está aberta) as duas Dignidades citadas, como testemunhas do ato, se aproximam do Altar ocupado pelo Venerável Mestre, cada um guardando certa distância da sua cátedra de trabalho (mesas) e se posicionam à Ordem, observando o procedimento.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 575, Florianópolis (SC) 25 de Março de 2012.

A RELAÇÃO ENTRE A REVOLUÇÃO FARROUPILHA E A MAÇONARIA

A RELAÇÃO ENTRE A REVOLUÇÃO FARROUPILHA E A MAÇONARIA
Eliane Lucia Colussi 
Professora do Curso de História da Universidade de Passo Fundo 

A Revolução Farroupilha é considerada um dos episódios mais importantes e simbólicos da história política e cultural do Rio Grande do Sul. Entre os aspectos que freqüentemente justificam a sua grandeza está a vinculação com a construção da identidade regional. Os diversos episódios em torno da revolução sustentam as teses, com algumas variações, das diferenças de “ser gaúcho”. Porém, a temática “farroupilha” somente passou a ser foco de estudos mais aprofundados e sistemáticos nas primeiras décadas do século XX. As comemorações do “Centenário da Revolução”, em 1935, inauguraram a entrada da Guerra dos Farrapos no discurso historiográfico e na própria história do Rio Grande do Sul(1).

Os aspectos mais relevantes na descrição e na interpretação da revolução residem na centralidade do descontentamento de setores da elite socioeconômica sul-riograndense com a política centralista imperial. Nesse sentido, pretendo propor algumas reflexões que possam contribuir para o debate sobre o papel da revolução na história do Brasil meridional. A abordagem principal focaliza os farrapos e a provável influência da maçonaria no decorrer da guerra. Antecipo meu posicionamento a propósito da questão: tal influência não foi fundamental e nem decisiva. Contudo, frente à complexidade da realidade social do Rio Grande do Sul no contexto, a maçonaria esteve presente e, em alguma medida, contribuiu para os resultados daquele movimento político histórico. 

domingo, 19 de setembro de 2021

DECORAIS E ABRILHANTAIS

DECORAIS E ABRILHANTAIS
(republicação)

O respeitável Irmão Antonio Raia, Mestre Maçom, sem declinar a Loja, Rito e Oriente, apresenta a seguinte questão: 
antonio_raia@hotmail.com

Desde já, gostaria de agradecer o sempre de Pé e a Ordem com que o Eminente Irmão nos responde. E, mais uma vez vou com outra consulta; “Irmãos que decorais a Coluna do Norte e Irmãos que abrilhantais a Coluna do Sul”. Qual o verdadeiro SIGNIFICADO de decorais, e abrilhantais? Pois dei recentemente a explicação que recebi outrora e fui indagado por um Mestre Instalado, Grau 33, (Inspetor Litúrgico) aonde eu li, pois não estava explicando como devia. Não discuti, pois estava em Loja com Aprendizes e Companheiros e respeitando a sua AUTORIDADE garanti que iria pesquisar e quando tivesse a certeza voltaria àquela Loja para responder a mesma coisa, ou responder e pedir desculpas se errei.

CONSIDERAÇÕES:

No caso do Primeiro Vigilante e a locução “(...) decorais a Coluna do Norte” existem dois aspectos para serem considerados: Primeiro, DECORAR, como verbo transitivo direto que menciona o ato de guarnecer com adorno, ornamentar, realçar, avivar, etc. Nesse sentido o significado está diretamente ligado à Meia-Noite que em linhas gerais representa de forma figurada a maturidade e a aproximação do fim da vida.

A Obra, nessa definição, é o elemento construído ao longo da vida que, se bem aplicada e bem produzida decora a passagem do Homem pela efêmera vida terrena. Em síntese é a moldura do quadro da vida. 

No segundo aspecto e de caráter exteriorizado seria do verbo “decorar” com transitivo direto e indireto que exprime dentre outros o caráter de “honrar, enobrecer”. Assim o significado está diretamente ligado àqueles que se posicionam na Coluna do Norte, cujo intuito é também o de honrar e enobrecer aquele espaço de trabalho, ou seja: os que honram e enobrecem Setentrião.

No caso do Segundo Vigilante e a locução “(...) abrilhantais a Coluna do Sul”, ABRILHANTAR concerne ao Meio-Dia e a ação da Luz que abrilhanta a elevação da Obra. Nesse sentido o Meio-Dia, ou Sul está representado pelo quadrante por onde a Luz se desloca, ou a passagem do Sol (ponto de vista do Hemisfério Norte).

No próprio Painel da Loja, há que se notar a existência de três janelas – uma no Oriente, uma no Sul e a outra no Ocidente. Isso implica a marcha da Luz. Daí, nessa relação não existir janela na banda Norte.

Por assim ser o verbo “abrilhantar” tido como verbo transitivo direto menciona dar brilho, ou luz viva para alguma coisa. Também tornar brilhante, luzente e reluzente. Isso implica que o Obreiro dá Luz ao trabalho, tornando-o brilhante, reluzente.

Esse trabalho é a obra elevada, ou a Obra da Vida. ABRILHANTAR, ainda como verbo transitivo direto, implica em dar brilho, realçar, etc. 

Também completa a explicação se tomado como verbo pronominal que exara a tornar-se brilhante, reluzente, adquirir maior brilho, maior realce; realçar-se. 

Assim o verbo “abrilhantar” sugere uma ligação direta, em termos de Maçonaria, com os ocupantes da Coluna do Sul, donde o Segundo Vigilante observa a passagem no Sol no meridiano do Meio-Dia, tendo sobre si, no caso do Rito Escocês Antigo e Aceito a Estrela Flamejante, apresentada como a Estrela Hominal (objeto de estudo do Companheiro) que recebe o brilho, posto que ela, a Estrela, representa o Homem e a sua Obra (letra G=geometria) na fase intermediária da vida – entre a infância e a maturidade.

Agora quanto ao Mestre Instalado, Grau 33 e Inspetor litúrgico eu gostaria de deixar aqui uma pequena observação. Qualquer questionamento, desde que seja feito nos moldes maçônicos, pode ser feito por um Obreiro, porém como Irmão do simbolismo. 

A despeito de que Mestre Instalado não é grau, porém uma distinção, este se coaduna perfeitamente com os Graus Simbólicos, portanto lhe é de direito, todavia Inspetor Litúrgico do Rito são arte e ofício daqueles que pertencem aos chamados “altos graus” do escocesismo, assim nunca é demais lembrar que não existe e não pode haver qualquer interferência desses “altos graus” no simbolismo, sobretudo discutindo ritualística do universal franco básico maçônico (Aprendiz, Companheiro e Mestre). 

É obvio que qualquer Obreiro pertencente aos “altos graus”, por extensão é um Mestre Maçom e como Mestre Maçom ele deverá se pronunciar os Graus Simbólicos.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 574, Florianópolis (SC) 24 de Março de 2012.

AS LOJAS UNIVERSITÁRIAS E A MODERNIZAÇÃO DA MAÇONARIA

AS LOJAS UNIVERSITÁRIAS E A MODERNIZAÇÃO DA MAÇONARIA

A criação e desenvolvimento de Lojas Universitárias é algo ainda pouco estudado na literatura maçônica. Por este aspecto ainda existem muitas dúvidas sobre o funcionamento e a finalidade desse tipo de Loja. O presente artigo tem por objetivo classificar e analisar o panorama das Lojas Universitárias no Brasil e a sua contribuição para a modernização da Maçonaria na primeira década do Século XXI. O estudo foi amparado por uma pesquisa de cunho histórico e bibliográfico, além da experiência recente do autor na qualidade de fundador da Loja Maçônica “Universitária-Verdade e Evolução” nº. 3492 em Brasília – DF
Introdução

As Lojas Maçônicas Universitárias e Acadêmicas fazem parte de um intenso programa de modernização da Ordem e de rejuvenescimento de seus quadros e funcionam em todo o Brasil, independentemente de Obediência Maçônica.

sábado, 18 de setembro de 2021

ENTRADA FORMAL NA LOJA

ENTRADA FORMAL NA LOJA
(republicação)

Em 01/06/2017 o Respeitável Irmão Francisco Elias P. Amorim, Loja Luz e Fraternidade Castanhal, 28, REAA, sem mencionar a Obediência, Oriente de Castanhal, Estado do Pará, através do Consultório Maçônico José Castellani, apresenta a seguinte questão:

Se possível, gostaria de obter informações sobre a entrada em Loja, "romper a marcha com o pé esquerdo" e seu real significado.

CONSIDERAÇÕES:

Em Loja aberta ao se passar pela porta do Templo passa-se andando normalmente. Tanto faz com qual pé se entra no recinto. Ocorre é que logo após o ingresso, quem adentrou no recinto deve primeiro parar próximo à porta e aguardar ordens.

Como existem diferenças de procedimentos ritualísticos entre os Ritos e Trabalhos maçônicos, esse distingue se apresenta, principalmente nesse caso, logo após o protagonista ter entrado no recinto.

É nesse sentido que será então abordada a prática litúrgica da Marcha do Grau no REAA.'. ao se ingressar no Templo depois de a Loja ter iniciado os trabalhos.

Ratifico, trata-se do ato de romper a Marcha (passo) como formalidade de ingresso após já se te adentrado ao recinto.

Vamos aos procedimentos: como a Loja já está trabalhando, quem nela ingressar pela primeira vez na sessão (um visitante ou um retardatário), se devidamente autorizado o faz vindo do Átrio andando normalmente. Assim que ele passar pela porta, a uma distância dela compatível (no extremo do Ocidente), fica à Ordem de frente para o Oriente – corpo ereto, pés em esquadria e sinal composto. Ao passar pela porta tanto faz o pé que ingressa por primeiro no recinto. Não existe nenhuma regra para isso. Qualquer menção nesse sentido é mera invenção.

Prosseguindo: tendo ingressado, estando à Ordem, inicia-se a Marcha do Aprendiz sempre com o pé esquerdo por tratar-se do REAA.'., até porque todos os três passos que compõe a Marcha são sempre feitos avançando primeiro o pé esquerdo e juntando a ele o direito pelos calcanhares. Nunca é demais lembrar que a Marcha de qualquer Grau Simbólico no REAA.'. principia-se sempre pela de Aprendiz, por conseguinte, o início de contínuo se dará com o pé esquerdo.

Quanto à razão do procedimento se principiar com o pé esquerdo, esse hábito se sacramentou com a evolução dos rituais simbólicos escoceses no século XIX, já que primitivamente não existia propriamente a Marcha, mas sim a evolução de oito passos normais em linha reta do Ocidente para o Oriente. Provavelmente o hábito de se romper a Marcha com o pé esquerdo fora adquirido de costumes marciais.

Existem algumas correntes místicas que até atribuem esse costume às suas convicções e credos pessoais, entretanto essa teoria cai por terra, especialmente quando se tratar de ritos oriundos da vertente francesa de Maçonaria (como é o caso do REAA.'.), cuja qual evoluiu a partir do Século das Luzes se embasando, portanto nos princípios da razão não admitindo nela ideias supersticiosas.

Assim, no escocesismo simbólico a regra de avançar por primeiro o pé esquerdo durante a execução da Marcha é apenas um procedimento que torna a prática uniforme em qualquer situação. Nunca é demais lembrar que existem ritos nos quais, ao contrário do pé esquerdo, rompem a Marcha com o pé direito, enquanto que outros ainda nem Marcha adotam.

Não obstante ao hábito do pé esquerdo, o que existe no REAA.'. é a disposição litúrgica com que ocorrem as suas respectivas Marchas nos três graus, isso porque o mote doutrinário do rito é a evolução do homem a partir da sua infância, juventude e maturidade associado à evolução da Natureza, o que faz com que nele exista um simbolismo particular em cada grupo de passos correspondentes aos três graus do franco-maçônico básico – o primeiro (Aprendiz), ao juntarem-se os pés a cada passo em linha reta sugere a infância e os primeiros caminhares guiados pelo tutor; o segundo (Companheiro) se refere à capacidade de naturalmente saber retornar ao caminho original numa eventual necessidade de desvio para investigar a Natureza, o que sugere a pragmática de ação e trabalho característica da segunda etapa da vida, a juventude; por fim o terceiro (Mestre) representa a evolução anual do Sol e a morte da Natureza, sugerindo o início, meio e fim da existência humana e a Obra realizada ao longo da vida. Nada disso, entretanto, tem a ver com o pé que se rompe a marcha, a despeito de que mesmo sendo uma longa jornada ela se inicia sempre pelo primeiro passo.

Concluindo, o costume de romper a Marcha com o pé esquerdo ou direito (conforme o rito), não é o mesmo que passar com passos normais pela porta que dá acesso à Sala da Loja. O primeiro caso é regra litúrgica, já no segundo é apenas o ato literal de se deslocar (caminhar), não existindo para tal, digamos, como regra de entrar no recinto com o pé direito ou com o esquerdo. Isso tanto faz.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE CARLOS TORRES PASTORINO

CARLOS JULIANO TORRES PASTORINO (Rio de Janeiro, 1910 — Brasília, 1980). Ex-padre, Escritor, jornalista, teatrólogo, radialista, historiador, filólogo, filósofo, professor, poliglota, poeta e compositor. Falava fluentemente vários idiomas, legando-nos inúmeros livros didáticos. Traduziu obras de vários autores ingleses, franceses, espanhóis, italianos, clássicos latinos e gregos. Dedicou-se ao estudo da Doutrina Espírita e da fenomenologia mediúnica, e como um escritor é de sua autoria o livro de bolso que tornou-se o maior best-seller de auto-ajuda no País, "Minutos de Sabedoria". Desde criança demonstrou inusitada inteligência e vocação para a vida eclesiástica com apenas 14 anos de idade, em 1924, recebeu os diplomas de Geografia, Corografia e Cosmografia, do Colégio D. Pedro II e, logo em seguida, ainda no mesmo ano, o diploma de Bacharel em Português, no mesmo colégio. Viajou para Roma a fim de cursar o Seminário, onde, em 1929, foi diplomado pelo Cardeal Basilio Pompili, para a Ordem Menor de Tonsura. Formou-se em Filosofia e Teologia em 1932, sendo ordenado sacerdote em 1934. Abandonou a vida eclesiástica da Igreja Católica Romana, quando, em 1937, aguardava promoção para diácono. Surpreendeu-se com a recusa do Papa Pio XII, em receber o Mahatma Gandhi em seu tradicional traje branco. O Colégio Cardinalício exigia que o grande líder da India vestisse casaca, para não quebrar a tradição das entrevistas dos chefes de Estado. O Prof. Pastorino, diante dessa recusa, imaginou que se Jesus visitasse o Vaticano, não se entrevistaria com o Papa, pois vestia-se de forma similar a Gandhi, e jamais se sujeitaria ao rigor exigido pela Igreja. Foi Iniciado no Rito Escocês Antigo e Aceito (Grandes Lojas).
Loja: Atlântida nº 6, Brasília, DF, Brasil.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

T.F.A.

T.F.A.
Sérgio Quirino Guimarães

A maioria dos Maçons aceita passivamente toda e qualquer explicação sobre os símbolos, alegorias e costumes da Sublime Ordem. Esquecem que basicamente a Maçonaria é uma FONTE INSPIRADORA DE NOBRES VALORES.

Para a perpetuação das instruções inspiradoras criou-se uma codificação explícita desses valores, mas que só são captadas em sua plenitude à medida de nossa maturidade moral, intelectual e de comprometimento para com a metodologia maçônica. Se lhe parece complicado, vamos a um exemplo bem pueril: na Escada de Jacó há três símbolos: uma Cruz, uma Âncora e uma Mão com um Cálice. Aposto que de pronto todos os Irmãos lembraram que estes símbolos representam a Fé, a Esperança e a Caridade, afinal para os Ritos que trabalham com esta alegoria a explicação é bem clara e não precisamos usar a faculdade do raciocínio, usamos apenas a faculdade da memorização.

Mas se eu quiser saber se o cálice está indo de encontro à mão ou está indo no sentido contrario? O que você me responderia? EXISTE UMA INSTRUÇÃO MUITO BONITA QUANTO A ISTO, porém só é vivenciada quando assumimos que somos Maçons Especulativos.

Especular na época atual tem uma conotação um pouco pejorativa, pois lembramos das operações financeiras que visam apenas lucros ou conjecturas sem base científica ou reais que lembram bisbilhotices.

Mas a característica especulativa do Maçom se dá pela examinação com atenção, pela indagação, pela pesquisa, pela meditação e reflexão dos símbolos de nosso cotidiano. Vou propor um exercício que a princípio parece uma discussão sobre o “Sexo dos Anjos” porém espero que seja um motivador de inquietudes e desperte o senso crítico dos Irmãos.

Vamos lá: Procure em um dicionário o significado de Tríplice:


e Triplo:


Segundo o dicionário é a mesma coisa, então está correto dizermos Tríplice e Fraternal Abraço ou Triplo e Fraternal Abraço e quanto ao “F” que segundo os dicionários pode ser Fraternal ou Fraterno, pois ambas as palavras designam adjetivo do que é próprio ou diz respeito a irmãos ou irmãs.

OPA! Nosso “TFA” tem quatro traduções?

Tríplice e Fraternal Abraço / Triplo e Fraternal Abraço / Tríplice e Fraterno Abraço / Triplo e Fraterno Abraço e olha que eu não vou piorar as coisas conjecturando sobre a mudança da ordem das palavras (TFA ou TAF).

Feito o imbróglio, permitam-me mostrar o que ESPECULEI, lembrando que é apenas a interpretação de um Irmão. Não creio no “Triplo” por ser um valor exponencial, em uma relação de dependência, onde uma incógnita depende do valor de outra e não há harmonia; “X” é o triplo de “Y” o que nos passa a mensagem de uma superioridade, mas também de uma inferioridade. Já o “Tríplice”é o resultado da somatória de três elementos que não são qualificados ou quantificados. (Mas que bem poderiam representar as três Colunas da Loja).

Quanto ao “F” não abro mão de ser FRATERNAL, posso dar um abraço fraterno (http://www.dicionariodoaurelio.com/dicionario.php?P=Fraterno) no meu cachorro porque por ele tenho afeição, já para os que foram iniciados o sentimento é o fraternal (http://www.dicionariodoaurelio.com/dicionario.php?P=Fraternal) porque ocorre entre pessoas unidas como Irmãos.

Respondendo ao querido Irmão Laurindo Roberto Gutierrez da Loja Maçônica Regeneração III do Oriente de Londrina/Paraná, o TFA não “é da Maçonaria em geral”, nós do REAA comumente o usamos, mas a real/mítica explicação de sua origem somente é apresentada em um determinado grau superior do Rito de York. Em outras línguas e conforme o rito praticado temos despedidas muito poderosas, cito duas:

Fiel e Sinceramente.

Com Fervor e Zelo.

Obs.: Não aceite passivamente o que escrevi acima, procure saber um pouco mais sobre o assunto, faça uma Prancha de Arquitetura e quando ela estiver pronta, leve para sua Loja enriquecendo nosso Quarto de Hora de Estudos.

Lembrem-se que todos nós, independente do Grau ou do Cargo, somos responsáveis pela qualidade das Sessões Maçônicas.

Autor: Sérgio Quirino Guimarães

ARLS Presidente Roosevelt, 25 – GLMMG

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

GLOBOS E O TOPO DAS COLUNAS SOLSTICIAIS B E J

GLOBOS E O TOPO DAS COLUNAS SOLSTICIAIS B E J
(republicação)

O Respeitável Irmão José Aparecido dos Santos, sem declinar o nome da Loja e o Oriente apresenta a seguinte questão:
aparecido14@gmail.com

Gostaria de maiores informações sobre as disposições sobre os capitéis das Colunas J e B, quando são iniciados os profanos e é informado que estão dispostos sob as duas Colunas, três romãs entre abertas e o significado é a união fraterna entre todos os amigos, irmãos do universo. Mas, em visita a uma Loja do Rito REAA, não tinha as romãs e sim sob a Coluna J Globo Terrestre e a Coluna B Globo Celeste, e não tinham informações do porque destas duas disposições diferentes das demais Colunas, e em leitura de alguns livros e disposição de Templos, verifiquei que estes dois Globos ficam dispostos no Oriente e nos capitéis das duas colunas que estão uma de cada lado no Altar de Salomão (Sólio). E este amigo, irmão é uma pessoa de sapiência e tenho plena certeza em dar estas explicações.

CONSIDERAÇÕES:

De fato existe muito pouca explicação no tocante aos símbolos que adornam os capitéis das Colunas Gêmeas – B e J. Ocorre que muitos autores não explicam que esses símbolos, sejam eles relativos ao Grau de Aprendiz ou ao Grau de Companheiro se apresentam apenas no Painel da Loja. Ainda assim essa nuance é bem mais própria dos ritos latinos quanto à exposição no dito Painel.

No Rito Escocês Antigo e Aceito, as Colunas Vestibulares marcam a passagem dos trópicos de Câncer ao Norte e Capricórnio ao Sul. Para os dois primeiros graus simbólicos do Rito, essas Colunas, além daquelas que estão posicionadas no átrio (entrada da Sala da Loja) elas ficam bem visíveis como parte integrante do corolário simbólico do Painel.  

Dessa maneira, esse costume de decorar o capitel das Colunas posicionadas no átrio deveria ser evitado, pois os símbolos do topo são distintos conforme o Grau – três romãs entreabertas (Aprendizes) e os Globos (Companheiros). Nesse sentido as Colunas dispostas no átrio corretamente não possuem símbolo algum sobre o seu capitel. 

No intuito de se evitar uma falsa interpretação, as romãs e os globos estão dispostos e visíveis sim, porém no Painel da Loja conforme o Grau trabalhado. Infelizmente muitos ritualistas não se aperceberam desse detalhe e continuam exarando instruções sem uma melhor explicação do fato, o que tem trazido em não raras vezes o elemento contraditório e mesmo confuso.  

Outro aspecto deveras importante é saber no qual sistema a Loja pratica a sua ritualística – a dos Ritos de origem francesa, ou a dos Trabalhos ingleses (na Inglaterra não se reconhece rito, porém trabalho). 

No sistema latino (francês) do qual faz parte o Rito Escocês Antigo e Aceito é praticamente unânime que a localização da porta de entrada do Templo (Loja) está posicionada no extremo do Ocidente em sua porção central, enquanto que no formato anglo-saxônico (inglês) essa não é uma tônica comumente seguida, pois conforme o costume do Trabalho, a porta de entrada pode estar situada no lado Norte, raras vezes na parte central e em outras com duas portas, à direita e à esquerda da parede ocidental. 

Nesse caso e conforme o costume, as Colunas Gêmeas (assim comumente são tratadas na Inglaterra) podem aparecer ladeando a porta no interior ou exterior da mesma, bem como diante do tapete central, às vezes na frente do Segundo Vigilante e em outras até no Oriente. 

Já no sistema latino como citado anteriormente, as Colunas B e J estão posicionadas junto à entrada e normalmente invertidas em relação ao sistema inglês, salvo o Rito Escocês que é de origem francesa, porém mantém a posição das Colunas no formato antigo (igual ao inglês). 

Outra característica dos ritos de origem latina é que estes, exceto o Rito Escocês, interiorizam as Colunas (junto à porta, porém do lado de dentro), já no verdadeiro escocesismo simbólico estas ficam dispostas no átrio (externas) como Colunas Vestibulares, ou Pilares Solsticiais. 

Assim, os símbolos sobrepostos aos capitéis no “Rito Escocês Antigo e Aceito” estão presentes sobre as Colunas visíveis no Painel do Grau e não necessariamente nas Colunas existentes no átrio.

Quanto a Loja que possui Colunas no Oriente ladeando o sólio, se ela pratica o Rito Escocês Antigo e Aceito, está inquestionavelmente equivocada.

Finalizando, gostaria de reforçar o que venho de há muito tempo explanando: urge a necessidade de que o estudante de Maçonaria compreenda que existem diferenças, às vezes sutis e outras gritantes entre os dois sistemas principais praticados no mundo. 

Um é o latino que é de tendência “Deísta” e o outro o anglo-saxônico, cujo arquétipo é mais “Teísta”. Conforme o sistema e a tendência os Ritos e Trabalhos se desenvolveram e aperfeiçoaram a partir do Século XVIII e, para a interpretação salutar dessa doutrina e ritualística, é no mínimo imprescindível que se conheça essa diferença, principalmente aqui no Brasil onde a imensa maioria dos Irmãos “acha” que tudo é igual na concepção doutrinária, litúrgica e ritualística. Ledo engano!

E.T. – Na referência feita sobre as Colunas Vestibulares no tocante ao Rito Escocês, elas são as mesmas, tanto as do átrio como aquelas desenhadas no Painel.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 571, Florianópolis (SC) 21 de Março de 2012.

UM MAÇON E SUA RELIGIOSIDADE

UM MAÇON E SUA RELIGIOSIDADE

Pode um Maçon ser um Homem crente?

Pode um Maçon ser um Homem praticante de uma fé/crença?

Perguntas que muitos fazem, respostas que poucos as conseguem entender, pois por isso mesmo hoje decidi apresentar-vos a visão de um Maçon, face à sua vivência enquanto Maçon e enquanto Muçulmano.

O que diferencia um Maçon Muçulmano de ou outro qualquer Maçon, seja ele Cristão, Judeu, Deísta, Budista e ou apenas crentes no Grande Arquiteto Do Universo.

Deixo-vos a minha opinião suportada por uma vivência de um momento muito especial no que respeita à pratica Religiosa e a Observância Maçónica daqueles que são os princípios da Maçonaria, falo da Liberdade, da Igualdade, do Direito ao Livre Arbítrio, dos Bons Costumes e da Tolerância e Respeito.

O mês de Ramadão de 1435/2014.

- Um mês de Ramadão terminado!
- O dia de Eid al-Fitr comemorado!

E agora, agora vamos a mais um balanço:

Um mês de reflexão, de observação interior e de avaliação dos limites, limites esses que nem sempre julgamos poderem ser atingidos.

Um mês de auto disciplina física e intelectual, um mês onde acima de tudo a mente esteve, tanto quanto possível, apenas fixada no bem, na família, nos amigos, na partilha, no fazer o bem e deixar de lado todas as intenções e pretensões pessoais, ou seja um mês de trabalho individual para melhorar a minha postura, ação e atitude face ao colectivo e à sociedade.

Pois bem, do ponto de vista pessoal e é isso que interessa, pois cada um deve começar o trabalho por si mesmo e nunca pelos outros, digo-vos que o meu Ramadão foi completado a 100%.

No que respeita à convicção de fé/crença essa sai reforçada, olhando à mesma como um processo de evolução e aperfeiçoamento pessoal, no entanto esclareço que neste tema de fé/crença, cada um tem o direito em optar pelo processo/caminho que bem entender, desde que essa seja a sua vontade e opção feita de forma livre e consciente.

Esta minha escolha é mais um processo, adicionado a outros, com o qual me sinto bem e através do qual tenho vindo a reforçar as minhas convicções, enquanto Homem Livre e de Bons Costumes (assim espero ser reconhecido) o qual me tem ajudado a percorrer esta minha caminhada.

O que me torna diferente dos outros, findo o Ramadão?

Bem na verdade NADA!

Exactamente “NADA”, não consigo encontrar nada que me diferencie de todos os Meus Irmãos Maçons, sejam eles Cristãos, Judeus, Deístas, Budistas e ou apenas crentes no Grande Arquiteto Do Universo.

Em nada e em caso algum tenho o direito, ou posso sentir-me diferente, seja para melhor e ou para pior, apenas porque escolhi este ou aquele caminho, reconheço hoje, tal como sempre fiz, todos os Meus Irmãos de igual forma, sem qualquer diferença originada por qualquer Credo, Estatuto Social, Convicção Ideológica, Clubismo Desportivo e ou Opção Filosófica.

Depois desta caminhada chego à conclusão que na minha fé/crença, bem como todos os rituais e práticas executadas, em nada me tornam diferente e têm apenas os seguintes objetivos:

1 Tornar o Homem mais Humilde e menos Egocêntrico, pois a prática de nos dirigirmos ao Grande Arquiteto Do Universo, tem como principal objectivo tornar-nos mais Humildes aquando lidamos com todas as formas de vida, por Ele criadas.

2 Tornar o Homem totalmente consciente de que esta Caminhada (Vida) é apenas uma etapa de aprendizagem e que por isso mesmo devemos de olhar muito mais para o que está ao nosso lado e não apenas para o reflexo da nossa própria imagem no Espelho, pois quando a Luz se extingue também o nosso reflexo nos abandona e ai só quem está ao nosso lado e DEUS/YHVH/ALLAH, nos pode dar a mão.

3 Tornar o Homem mais consciente daquilo que são as necessidades de todos aqueles que jejuam permanentemente para lá do Ramadão, os quais jejuam infelizmente porque não tem meios para se poder alimentar, vestir e ou ter uma habitação condigna.

4 Tornar o Homem mais “Homem” e menos “Entidade Divina”, POIS neste período todos são elevados à mesma condição, O Rico, O Pobre, O Doutor, O Ignorante, O Inteligente, O sem Curso Superior, O Sacerdote, O Crente, O Homem e A Mulher, todos, mas mesmo todos, são iguais, todos passam pela mesma privação independentemente daquilo que são perante, ou aparentam ser, independentemente dos Rótulos e Medalhas com que se apresentam, ou se possam vir a apresentar no seu dia-a-dia Profano e ou Sagrado.

Por isso findo este processo apenas quero deixar um registo de desejo:

Que O Grande Arquiteto Do Universo nos proteja a todos das Trevas que vamos encontrando ao Longo desta nossa Caminhada (Vida), que a Luz do Sol, direta e ou na Lua refletida, nos Ilumine até que a Meia Noite do nosso Dia chegue e que lá no Oriente Eterno, onde todos nos voltemos a Reconhecer e a Reencontrar, sejamos o reflexo daquilo que aqui fizemos, pois lá seremos apenas mais uma Luz, junto de todas as outras, sem qualquer distinção, diferença e ou diferenciação.

Disse!

Alexandre T.

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

OFICIAIS ENTRE COLUNAS

OFICIAIS ENTRE COLUNAS
(republicação)

O Respeitável Irmão Guilherme Braga Abreu Pires Neto, Secretário da Loja Francisco de Miranda, 2.967, GOB-RJ, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão: 
guilhermeneto@cccrj.com.br

Ontem realizamos nossa ultima sessão do ano e surgiu uma dúvida que gostaria de tirar com você. De acordo com a planta do templo, constante no Ritual de Aprendiz na página 22, as colunas do templo (J e B) estão no átrio. Por um problema qualquer em nosso templo as colunas estão dentro do Templo.

Quando o Mestre de Cerimônias vai circular com o Saco de Propostas e Informações e o Irmão Hospitaleiro vai circular com o Tronco e se anunciam que o Tronco ou o Saco de Propostas esta entre Colunas eu considero que se faça uma linha entre o 1º Vigilante e o 2º Vigilante e o respectivo Irmão se poste no meio dos dois. 

Mas outro Irmão afirmou que não, que teria que se considerarem as colunas J e B. Gostaria que o prezado Irmão nos orientasse.

CONSIDERAÇÕES:

Quanto à posição entre as Colunas J e B, é assunto fora de questão, pois elas são vestibulares e permanecem no átrio da Loja. As Colunas a que se refere o tema são mesmo as Colunas do Norte e a do Sul. 

Apenas para melhor esclarecer, dá-se o nome de Coluna do Norte o espaço e conjunto nele distribuído que está situado no lado esquerdo daqueles que da porta de entrada olham para o Oriente, cujos limites dão-se da seguinte forma:

Largura – do eixo (equador) do Templo até a parede Norte (topo), ou vice-versa. Comprimento – da parede ocidental e o espaço de entrada da porta do Templo até a entrada e balaustrada do Oriente, ou vice versa. 

Na Coluna do Norte militam, dentre outros, o Primeiro Vigilante, o Tesoureiro, os Aprendizes, o Primeiro Experto, o Segundo Diácono, etc. 

Já a Coluna do Sul, simétrica à Coluna do Norte é o espaço e o conjunto nele arranjado situado à direita daqueles que do ponto de vista da porta de entrada vislumbram o Oriente. 

Seus limites dão-se na forma que segue: Largura – do eixo (equador) do Templo até a parede Sul (topo), ou vice-versa. Comprimento – da parede ocidental e o espaço de saída da porta do Templo até a saída e balaustrada do Oriente, ou vice versa. 

Na Coluna do Sul militam, por exemplo, o Segundo Vigilante, o Chanceler, os Companheiros, o Mestre de Harmonia, o Cobridor Interno, etc.

Nesse sentido, o que estiver posicionado sobre o eixo longitudinal no Templo (equador), no Ocidente, estará “entre Colunas”, ou entre as Colunas do Norte e do Sul.

Por exemplo: o Painel da Loja situada no centro do Ocidente está entre colunas.

Entretanto, existe uma regra para aqueles que por dever de ofício precisem se posicionar “entre Colunas”. Estes estarão assim dispostos, porém o mais próximo possível da porta de entrada que é o lugar de onde se inicia a marcha em direção à Luz determinada simbolicamente pelos passos do Aprendiz. 

Em linhas gerais esse ponto de partida estará obviamente sobre o eixo, todavia o mais próximo admissível do Primeiro Vigilante, isto é, alinha-se pela direita deste. 

Assim também um visitante ao ingressar na Loja ali estaciona para as providências de praxe (sempre próximas do Primeiro Vigilante). 

Essa toponímia abstrata e relativa à Marcha da Luz é o ponto aonde o neófito recebeu a Luz. 

Inquestionavelmente, todo Maçom um dia foi o coadjuvante principal na alegoria do “Fiat Lux”, o que em linhas gerais representa o início. 

Por assim serem, os Oficiais ao partirem com a bolsa, dali rompem o seu trajeto. Assim também ali encerram o percurso aludindo o cumprimento da missão. É certo que o ciclo se encerra onde ele começou – isso é regra iniciática.

Essas considerações estão dispostas para o Rito Escocês Antigo e Aceitas com base na sua tradição, uso e costume.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 568, Florianópolis (SC) 18 de Março de 2012.

FRASES ILUSTRADAS

 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

CANDIDATO - CALÇA ARREGAÇADA

CANDIDATO - CALÇA ARREGAÇADA
(republicação)

Em 01/06/2017 o Respeitável Irmão Marco Nascimento, Loja José Caraver, 101, GLMERGS, REAA, sem mencionar o nome da Cidade, Estado do Rio Grande do Sul, através do meu Blog http://pedro-juk.blogspot.com.br solicita o seguinte esclarecimento:

Novamente venho encaminhar uma curiosidade sobre o "porque da calça recolhida até a altura do joelho por ocasião de nossa Iniciação”. Qual o seu significado? Já procurei através das leituras, mas não localizei algo que pudesse esclarecer esta duvida.

CONSIDERAÇÕES:

De modo geral a iniciação maçônica dá suporte à alegoria do nascimento de um novo homem.

Assim, aquele que se propõe a ingressar na Maçonaria deve acima de tudo manifestar humildade e se apresentar despojado das vaidades mundanas. Nesse sentido os ritos maçônicos preparam esse novo Homem para receber a Luz, o que fazem apresentando-o alegoricamente conforme exaram os seus respectivos rituais na primeira etapa da Iniciação.

No caso do REAA.'., dentre outros, o candidato ao se apresentar com a calça da perna direita arregaçada até um pouco acima do respectivo joelho, está representando um homem despojado das vaidades terrenas – uma das condições para ser recebido maçom.

Essa alegoria na realidade é fruto haurido de teatros iniciáticos antigos e usados, conforme o ecletismo da Moderna Maçonaria, para construir pelos seus ritos e rituais o seu arcabouço doutrinário, sobretudo aqueles que constroem essa relação com base nos cultos e mitos solares da antiguidade – a morte e o renascimento da Natureza.

Em inúmeras dessas concepções antigas, quando o iniciado passava pela prova dos elementos, em especial a da Terra, ele era despojado dos costumes e vícios adquiridos durante a vida de até então. Em síntese era a preparação para a purificação pelos elementos, quando então era comum o candidato ser apresentado com partes do seu corpo desnudo, o que sugeria o desprendimento dos costumes mundanos.

No caso da Moderna Maçonaria, a exemplo do REAA.'., esse costume ancestral é revivido quando o iniciado morre simbolicamente na Câmara de Reflexão (testamento filosófico) para mais tarde, já no Templo, renascer para a Luz, porém não sem antes estar despido das concepções mundanas que o afligiam.

Assim, no intuito de representar essa condição é que o candidato se apresenta com o pé direito descalço (respeito ao ambiente consagrado) e a perna direita desnuda até o joelho (humildade e desapego das coisas materiais).

É oportuno salientar que os procedimentos ritualísticos se diferem na Moderna Maçonaria conforme os seus ritos e trabalhos maçônicos, contudo a ideia é sempre a mesma, a de reconstruir um novo Homem e, esse novo Homem trará sempre consigo a virtude da humildade.

E.T. – qualquer menção aqui feita à Antiguidade como período da história da civilização humana, a mesma não tem a pretensão de sugerir existência de Maçonaria naquela época.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

BANDEIRA

1º - Figurando a fidelidade à pátria entre os princípios da Maçonaria, a Bandeira do Brasil é hasteada em todas as Oficinas da Ordem, recebendo nas solenidades um culto especial, de acordo com a ritualística adotada por cada Potência.

2º - Pano com desenho variado, usado como distintivo por certas Oficinas e pela própria Ordem Maçônica.

3º - Cada Potência maçônica pode adotar uma bandeira especial;

4º - Geralmente se usa a conhecida pelo nome de maçônica, a qual consiste num retângulo azul orlado de branco, tendo no centro o esquadro e o compasso.

5º - Nas cerimônias de banquete, é o nome simbólico dado à toalha de mesa ou ao guardanapo.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA

LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA
Ir∴ Charles Evaldo Boller 

Sinopse: Estamos nesta biosfera para comer uns aos outros, mas enquanto não chegar a nossa vez, a vida pode ser desfrutada com qualidade. 

Mesmo que entre as criaturas da biosfera exista luta permanente, quando uma alimenta-se do corpo da outra para sua sobrevivência, a atitude do homem, em resultado de sua capacidade de pensar, por empatia para com seus semelhantes, deveria ser mais benevolente, mais condescendente, e prevalecer mais respeito. 

A análise torna o estudante sábio quando deduz que as melhores virtudes afloram enquanto não ocorre luta pelo espaço vital e o meio de sustentação da vida; muitas criaturas disputando o mesmo espaço e recursos despertam os mais cruéis instintos selvagens, daí a necessidade de diminuir a prole ser algo a plantar na mente de todos. 

Se isto não ocorrer e o esgotamento da natureza levar ao colapso, a capacidade de pensar livremente de nada mais servirá, pois o frágil sistema econômico mundial vai falir e as dores de aflição serão progressivas em violência até encontrar seu ponto de equilíbrio: matando a maioria dos pobres. A natureza será igualmente mortal para obter o equilíbrio, mesmo que para isto mais uma espécie deva ser extinta: o próprio homem. 

Resta ao livre pensador usar o que está desenhado no projeto do Grande Arquiteto do Universo onde consta uma fórmula para derramar sabedoria na mente de todos os homens de boa vontade. Nós sabemos perfeitamente decifrar esta fórmula, está escrita claramente na mente e no coração de todos os homens, é só buscar e praticar. Colocar fé na possibilidade dos sofrimentos resultantes das convulsões do agonizante sistema econômico mundial seja minimizado pela prática daquilo que existe latente em cada ser humano e até nos animais. Ter esperança que a ação da Maçonaria e outras instituições assemelhadas sejam bem sucedidas em formar o maior número possível de homens e lideranças para acelerar o aporte do salto de inspiração, do insight que livrará a todos das crises que assolam a sociedade. Todos os homens, e não apenas os maçons, sabem do que se trata! Teimosamente o homem insiste em esquecer-se da prática da atitude que poderia melhorar a efêmera existência neste sistema de coisas. Que a crise de esquecimento passe e seja logo esquecida! 

Enquanto isto convém lembrar-se do prazer que sentem os carnívoros quando bebem do sangue das outras criaturas que com seus corpos os alimentam! Ao devorar um belo pedaço de picanha, qual o homem que naquele momento pensa que aquilo que está ingerindo é o cadáver de outra criatura criada pelo sistema do Grande Arquiteto do Universo para a manutenção da vida? Poucos! Pense no caranguejo, ostras e mariscos que são cosidos vivos para servir de alimento! Insensíveis, continuaremos a comer da carne uns dos outros para sobreviver, é criatura comendo a outra porque assim nos foi transmitido pela evolução das criaturas vivas desta biosfera. Ao menos com nossos assemelhados deveríamos usar de empatia e minimizar a miséria e o sofrimento, mesmo que a solução para manter o equilíbrio do sistema de suporte da vida seja a morte de todas as criaturas. 

A solução para boa convivência consiste no amor fraterno que pavimenta o caminho em direção a um futuro promissor, repleto de felicidade para as criaturas. Este sim tem a capacidade de solucionar todos os problemas da humanidade. Grandes pensadores e iniciados, em todos os tempos já o divisaram como a única solução para obter convivência pacífica até que a morte venha e nossos corpos sejam dados como alimento para outras criaturas sobreviverem por mais uns tempos até que a sua vez também chega para alimentar outras criaturas em círculos fechados a que denominamos ecossistemas.

O Grande Arquiteto do Universo escreveu em nosso DNA, em nossa mente a solução para uma vida com qualidade; é só praticar o amor fraterno para com tudo o que nos cerca porque estamos em equilíbrio e devemos respeitar os limites impostos pela Natureza. Caso contrário, desapareceremos como espécie ou até destruiremos nossa biosfera, o nosso lindo Jardim do Éden que vaga pelo espaço infindo a um destino desconhecido que só o Grande Arquiteto do Universo sabe. Somos todos tripulantes desta linda nave espacial linda e azul feita do nada para nosso usufruto enquanto ser. 

Bibliografia: 

1. ABBAGNANO, Nicola, Dicionário de Filosofia, Dizionario di Filosofia, tradução: Alfredo Bosi, Ivone Castilho Benedetti, ISBN 978-85-336-2356-9, quinta edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1210 páginas, São Paulo, 2007; 

2. BOURRICAUD, François; BOUDON, Raymond, Dicionário Crítico de Sociologia, tradução: Durval Ártico, Maria Letícia Guedes Alcoforado, ISBN 978-85-0804-317-0, segunda edição, Editora Ática, 654 páginas, São Paulo, 2007; 

3. GEORGE, Susan, O Relatório Lugano, Sobre a Manutenção do Capitalismo no Século XXI, título original: The Lugano Report, tradução: Afonso Teixeira Filho, ISBN 85-85934- 89-1, primeira edição, Boitempo Editorial, 224 páginas, São Paulo, 1999; 

4. MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e lá Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, primeira edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003; 

5. MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro del Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, nona edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999; 

6. ROUSSEAU, Jean-Jacques, A Origem da Desigualdade Entre os Homens, tradução: Ciro Mioranza, primeira edição, Editora Escala, 112 páginas, São Paulo, 2007. 

Data do texto: 08/01/2010

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade. 

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná 
Local: Curitiba 
Grau do Texto: Aprendiz Maçom 
Área de Estudo: Educação, Filosofia, Maçonaria, Sociologia 

Fonte: JBNews - Informativo nº 0170 13/02/2011

terça-feira, 14 de setembro de 2021

TRANSMISSÃO DA PALAVRA E DA PALAVRA DE PASSE

TRANSMISSÃO DA PALAVRA E DA PALAVRA DE PASSE
(republicação)

Questão apresentada pelo Respeitável IrmãoAntonio Raia, sem declinar o nome da Loja e do Oriente.
antonio_raia@hotmail.com

Na página 165/166 no Ritual de Aprendiz, as palavras são; Sagrada e Semestral. A Palavra Sagrada dá-se letra por letra e, depois sílaba por sílaba, visto que oAprendiz só sabe soletrar - Quando vos disserem: Dai-me a Palavra Sagrada deveis responder: Não v∴ p∴ d∴s∴n∴sol∴, dai-me a p∴ let∴ que eu vos darei a seg∴. Quem pergunta dá a primeira letra e quem é interrogado dá a segunda e assim sucessivamente. Dada à última letra, dão-se, também alternadamente, as sílabas.

No mesmo ritual na página 49, Venerável: Em pé meus Irmãos, (O 1º Diácono, sobe os degraus do Trono, pelo norte, com passos normais e coloca-se em frente ao Venerável Mestre). O Venerável Mestre dá-lhe, no ouvido direito a Palavra Sagrada, letra por letra.

O fato ocorreu ontem em uma Loja, que não gostaria de identificar e um Respeitável Irmão Mestre Instalado, questionou presente e ouvindo as devidas explicações ao Irmão Aprendiz, questionou: Por que ao transmitir no momento da abertura dos trabalhos a transmissão da Palavra Sagrada, a forma não é igual à dada na instrução? Ao qual respondi que no momento de Instrução é dada ao Aprendiz, que não sabe ler nem escrever e, na transmissão da Palavra Sagrada é transmitida do Venerável Mestre para um Irmão Mestre que sabe ler e escrever. E o Respeitável Irmão Mestre Instalado, não se deu por satisfeito, continuando indignado por ninguém saber responder. Qual a resposta que poderei dar ao Respeitável Irmão que aproveitou o momento para também questionar? Por que o Irmão Aprendiz não tem a palavra de passe?

CONSIDERAÇÕES:

Como bem dito pelo Irmão, a transmissão da Palavra Sagrada no início e encerramento dos trabalhos do Rito Escocês Antigo e Aceito nos graus simbólicos é dada entre Mestres letra por letra apenas por aquele que a comunica. Essa transmissão é uma reminiscência dos antigos Canteiros Medievais quando no início da jornada de trabalho as primeiras providências tomadas eram as de marcar o local da obra de tal maneira que ela viesse ficar esquadrejada, nivelada e aprumada. Ao término da jornada de trabalho o seu produto era verificado e conferido na sua aprumada, nivelamento e esquadrejamento para bem pagar os obreiros e despedi-los contentes e satisfeitos.

Na Moderna Maçonaria que é dotada do aspecto especulativo, no canteiro (Loja), constrói-se um novo Homem ao invés de literalmente se elevar uma construção. Assim, no Rito em questão, transmite-se a palavra do Grau que se simbolicamente for transmitida de forma correta, o ato estará “justo e perfeito”, tanto para começar a jornada de trabalho quanto para encerrá-la.

Em assim sendo, esse procedimento ritualístico não pode ser comparado com o telhamento maçônico que é outro fato e que tem por objetivo verificar a qualidade (grau) e regularidade do Obreiro. Nesse caso, as letras no Grau de Aprendiz, após o Toque, são dadas soletradas de tal maneira que cada um transmita uma letra por sua vez.

Ainda em relação à palavra soletrada e silabada no final é, infelizmente, um equívoco que vem de há muito tempo enraizado nos nossos rituais.

Esse procedimento de soletrar e silabar a palavra não são próprios da Maçonaria latina, porém da anglo-saxônica (inglesa) que a dá de forma diferente, inclusive usando o termo de “partida ao meio” quando cada coadjuvante dá soletradas duas letras e ao final dão-se intercaladas as sílabas.

Excepcionalmente essa regra invadiu os procedimentos latinos e de maneira incoerente acabaram por dar ao final, a palavra silabada que, mal interpretada fora copiada do costume inglês - aquele de se partir ao meio que, diga-se de passagem, não é o mesmo que silabar.

Agora, se está escrito no ritual em vigor, ter-se-á que cumprir a regra, embora seja um tanto quanto difícil de explica-la.

Quanto à inexistência da palavra de passe para o Aprendiz é devido a sua fase de aprendizado que está relegada a infância simbólica. É óbvio que aquele que ainda não sabe pronunciar a palavra por inteiro e que depende de soletra-la para se fizer entender não poderia possuir uma senha dotada de uma palavra de passe. Se ao menos ele pudesse silabá-la..., talvez.

Na alegoria da vida proposta na senda iniciática da Maçonaria, o Aprendiz ainda ofuscado pela Luz carece de um guia permanente na sua jornada, já que a intuição é ainda a sua ferramenta principal.

É com base nesse costume que o Aprendiz no Rito em questão executa a sua Marcha em linha reta com a tônica que dela não deve se desviar, posto que pela sua etapa iniciática, simbolicamente ele ainda não detém esclarecimento necessário para se desviar do percurso retilíneo, pois se assim o fizesse, fatalmente não saberia voltar. Assim não haveria sentido algum de que o Obreiro ainda presente nessa etapa viesse a ter uma Palavra de Passe.

O termo “passe” está diretamente ligado à passagem para o grau subsequente, quando na jornada cíclica da evolução o protagonista passa para a perpendicular ao nível*, isto é atravessa o equador no sentido do Norte (lugar do Aprendiz) para o Sul (lugar do Companheiro).

Essa passagem na Maçonaria latina (francesa) recebe o título de Elevação, enquanto que na inglesa é mesmo “Passagem”.

Enfim, aquele que estiver apto para passar de um para o outro hemisfério (Norte para o Sul – mudança de Grau) só o fará se comprovar essa aptidão. Como não vivemos mais na Maçonaria Operativa, comprova-se essa habilidade por uma Palavra de Passe, dada a consideração de que essa é restrita apenas ao Obreiro que cumpriu devidamente a primeira etapa da escalada iniciática.

Não obstante a essas considerações, embora até possa existir correlação, o assunto aqui tratado não visou abordar a circulação em Loja ou deslocamento de Obreiros no cumprimento formal da ritualística.

(*) Passagem para a perpendicular ao nível – significa que uma linha perpendicular ao nível (horizontal) é o prumo que na sua interseção (entre corte) com uma linha horizontal determina o ângulo de 90º (se não possuir ângulo reto não é perpendicular, porém oblíqua). O Nível está no Norte com o Primeiro Vigilante, enquanto que o Prumo está no Sul de posse do Segundo Vigilante. Esse caráter assume o significado simbólico da passagem do Norte (Grau de Aprendiz) para o Sul (Grau de Companheiro). De maneira enganada, muitos tratadistas pronunciam e escrevem inadvertidamente o termo como “da perpendicular ao nível” ao invés da forma correta que seria, “para a perpendicular ao nível”. Isso acaba trazendo uma falsa interpretação de que as ferramentas estão invertidas, ou tratando absurdamente o nível como perpendicular e o prumo como horizonte. O símbolo correto está visível no avental do Venerável Mestre onde existem três conjuntos compostos por uma linha horizontal e outra vertical – o Nível (horizontal) e o Prumo (a perpendicular). Como muitos inventores não conhecem a exegese simbólica do símbolo, talvez pela lei no menor esforço, preferem chama-lo de “tau invertido”, letra grega que além de estar de cabeça para baixo, o que não faz sentido algum, também nunca fez parte da tradição, uso e costume da verdadeira Maçonaria.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 566, Florianópolis (SC) 16 de Março de 2012.