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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quinta-feira, 14 de julho de 2022

OPOSIÇÃO À MAÇONARIA E LIVROS ANTIMAÇÔNICOS

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Análise resumida da perseguição religiosa e política aos maçons pelo mundo e o que realmente se faz dentro dos templos da Maçonaria.

Inúmeras obras antimaçônicas foram escritas no passado. Algumas com consequências mortais, instigando a perseguição de parte dos fundamentalistas políticos e religiosos. São exemplos: a perseguição na Alemanha, por Adolf Hitler; na Espanha, Francisco Franco; diversos papas católicos e líderes de outras miríades de religiões fundamentalistas. Milhares de maçons foram assassinados em consequência destas obras escritas apenas para público profano desejoso de conhecer os "terríveis segredos da Maçonaria". Outros tinham por alvo disseminar mentira e instigar à discriminação racial, guerras ideológicas e sanguinárias, como no caso de "Os Protocolos dos Sábios de Sião".

Houve obras antimaçônicas que causaram até bem para a ordem maçônica porque trouxeram mais informação útil que alguns livros maçônicos escritos com o objetivo de auxiliar, ou registrar fundamentos, filosofias e sua história ou liturgia. Existem obras de autores maçônicos causadores de danos graves; são os escritos por pessoas de pouco ou nenhum conhecimento técnico histórico. Inventaram estórias e dados inconsistentes que, de tanto serem replicadas, alcançaram até status de verdade, mas alimentam as baterias dos detratores. Existem casos onde os fatos relatados têm mínima chance diante de uma pesquisa superficial; é pura ficção, de pouco ou nenhum suporte. Obras que não respeitam a inteligência dos antimaçons, e certamente, muito menos ainda, a dos maçons. O observador arguto deduz prontamente que, os piores inimigos estão dentro da Maçonaria, constituído de "irmãos" oportunistas e astutos na preparação de ardis, que à luz da pesquisa desmoronam, revelando sórdidos objetivos comerciais. Estes sim expõem a Maçonaria Universal a ridículo e perigo; geram a munição que os detratores da instituição maçônica buscam para carregar suas armas insidiosas.

Apenas um ano após a aparição da primeira constituição maçônica, quando, em 1724, foi escrito o Livro das Constituições de James Anderson, surgiu em Londres, de autor anônimo e edição de Willian Wilmont, um pequeno impresso com o título "Revelado o Grande Mistério dos Maçons". Tudo leva a crer que o autor foi um covarde maçom, cujo único objetivo foi vender informações maçônicas ao maior número de pessoas. Depois surgiu "Toda a Instituição Maçônica", revelando até sinais e palavras. Foram muitos os textos que surgiram na época, alguns até plágio dos primeiros, mas todos com o objetivo de fazer dinheiro à custa da curiosidade profana. A partir de 1730 surgiram obras antimaçônicas de vulto e impacto: "A Maçonaria Dissecada" de Samuel Prichard. Em 1744, o abade Perau publicou o livro: "A Ordem dos Franco-maçons Traída e Seus Segredos Revelados". Neste mesmo ano, Luiz Traveno publicou diversos livros versando sobre Maçonaria, sempre expondo assuntos internos, no claro objetivo de apenas vender livros e fazer dinheiro. Em 1760 foi editado um livro de autor desconhecido, "As Três Batidas Distintas". Em 1762 apareceu o livro "Jaquim e Boaz". Depois surgiu "Memórias do Jacobismo", do padre Augustinho Barruel, o qual é considerado, de fato, o pai da antimaçonaria, pois sua criatividade criou fábulas tão verossímeis que estas ainda hoje prejudicam os maçons.

De todos estes autores podemos aceitar até motivação por ódio e oportunismo comercial contra a Maçonaria, pois não eram maçons. Entretanto, o maior mestre do engodo, de todos os tempos, foi o aprendiz maçom Leo Taxil, este causou estragos terríveis à ordem maçônica. Depois deste "irmão" surgiu frei Boaventura em seu livro "A Maçonaria no Brasil", também pretendia contar os "segredos" dos homens que se reuniam a portas fechadas em confrarias fraternas.

O supremo campeão é sem dúvidas "Os Protocolos dos Sábios de Sião", obra ficcional na qual foram baseadas as invenções de alguns detratores e principalmente de parte do padre Barruel, dando conta de uma suposta "Conspiração Maçônica", e onde foram dramatizadas situações sem fundamento que muitos males causaram aos maçons ao longo do tempo; nem as dramatizações de Leo Taxil e todos os anteriores ao padre Barruel causaram tanto mal. Mesmo escrevendo diversos livros dos dramas e problemas proporcionados, não se esgota o assunto da antimaçonaria.

Na Internet encontram-se inúmeros sites contendo informações desencontradas da organização e ação da Maçonaria que carecem até de algum discernimento para perceber o engodo nelas contido. Em sua maioria são produções que usam os livros já citados e até da bíblia judaico-cristã como plataforma da calúnia e raciocínio falso. Todo extremismo, todo fundamentalismo religioso e político tem estas características; quando não consegue convencer pelo argumento lógico e claro, apela para a mentira e fantasia, torce o sentido das palavras de seus

livros sagrados para denegrir qualquer obstáculo que lhes embarace o caminho aos negócios bilionários ou caça ao poder efêmero.

Felizmente a instituição maçônica provê abertura para debate de amplo leque. Maçonaria não se faz com templos, livros, grandes lojas, grandes orientes, sinais, palavras de passe ou palavras sagradas! Estas são apenas ferramentas, utensílios que facilitam o raciocínio, abrem o entendimento. Maçonaria se faz dentro da mente e no coração! Todo o resto é ilusão! Nem mágica ou misticismo colaboram, antes denigrem e municiam os inimigos com argumentação para quebrar e hegemonia da Maçonaria Universal. Não fossem a pequenez e fragilidade humana, as ferramentas, obediências, ritos e locais de reunião seriam até desnecessárias! A Maçonaria seria dispensável! Tentar revelar os "segredos" da ordem maçônica é seguramente um vão esforço dos detratores de alcançarem o vento na corrida! Grandes pensadores já intuíram em tempos idos que, onde existirem pessoas que se tratam como irmãos e demonstram profundo amor entre si, com certeza ali estará o espírito do Grande Arquiteto do Universo e se pratica a verdadeira Maçonaria; independente se as pessoas forem ou não iniciadas. A iniciação verdadeira ocorre no coração. É dádiva divina! Resultado de sã racionalidade, lógica e espiritualidade, equilibrados.

Uma dos mais fantásticos insights proporcionados pela Maçonaria é o autoconhecimento; "o conhece-te a ti mesmo", de Sócrates; a viagem interior que afasta da mente todo apego estrito à palavra escrita ou falada e revela a espiritualidade; o lugar onde está o Deus, onde cada um tem o Deus criado a partir de antropomorfismo que é característica do homem comum. O maçom sequer discute ou gera Deuses à sua imagem e semelhança, porque seres desta magnitude não cabe dentro da lógica e apenas gera separação e ranger de dentes, daí usar apenas do conceito de um Princípio Criador, ao qual denomina Grande Arquiteto do Universo. É a razão da paz encontrada entre as colunas das lojas dos maçons.

É o conhecimento da verdade relativa em todas as questões que conduz ao crescimento pessoal e espiritualidade avançada; o maçom que possui o conhecimento da Maçonaria em si não é idólatra, materialista ou medíocre. O fundamentalismo de qualquer espécie terá muito trabalho para manter a cegueira que subjuga por uns tempos, já que a evolução espiritual e do autoconhecimento do maçom promovem o discernimento que conduz à sabedoria e liberdade.

O livre pensador torna-se independente de intermediários na busca de sua espiritualidade. O Deus que busca está perto para o iniciado e muito longe ao cego escravizado, num hipotético céu, em virtude de estar submetido a dogmas e fantasias dos inimigos da liberdade. As religiões querem escravos do pensamento para manter seu poder temporal efêmero, algo do que a Maçonaria liberta seus homens e, devido a isto, as religiões odeiam a ordem maçônica criando mentiras. O mesmo faz o poder político absolutista, ditatorial.

Vencer aos detratores da Maçonaria é a razão do maçom cauterizar e envolver sua mente de forte couraça de aço. Aprende a usar da espada numa mão, que é sua língua manejada com maestria na derrubada das mentiras ou raciocínios ilógicos e, na outra mão, porta a trolha com a qual constrói e apazigua uma sociedade livre de obscurantismo.

O corpo do maçom, que constitui seu templo, o seu lugar de adoração sagrado, permanece puro, imaculado da perfídia imunda do obscurantismo gerados por religiões e ideologias políticas que conspurca a sociedade humana. Porque o Deus que reside no maçom é tão verdadeiro como aquele que reside em qualquer outra criação do Universo. A Maçonaria promove nos homens por ela treinados a mais ampla liberdade; a suprema liberdade do pensamento; é onde qualquer ser racional é absolutamente livre por característica de projeto devido ao Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:
1. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora Ltda., 368 páginas, São Paulo, 2004;
2. BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçônica, Editora Pensamento, 1979;
3. CARVALHO, Francisco de Assis, O Avental Maçônico e Outros Estudos, Nº 6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 160 páginas, Londrina, 1989;
4. FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 550 páginas, São Paulo, 1989;
5. PROBER, Kurt, História do Supremo Conselho do Grau 33 do Brasil, Volume 1, 1832 a 1927, primeira edição, Kosmos, 405 páginas, Rio de Janeiro, 1981;
6. WESTCOTT, William Wynn, Maçonaria e Magia, título original: Tha Magical Mason, tradução: Joaquim Palácios, ISBN 85-315-0384-1, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix Ltda., 240 páginas, São Paulo, 1983.

Biografia:

1. Augustin Barruel ou Abbé Augustin Barruel, jesuita francês. Nasceu em 2 de outubro de 1741. Faleceu, em 5 de outubro de 1820, com 78 anos de idade. Escreveu que a revolução francesa foi planejada e executada por sociedades secretas;

2. Francisco Franco ou Francisco Bahamonde Franco, escultor, militar e político espanhol e português. Nasceu em El Ferrol, Galícia em 4 de dezembro de 1892. Faleceu em Lisboa, em 20 de novembro de 1975, com 82 anos de idade. Caudilho do povo espanhol;

3. Hitler ou Adolf Hitler, estadista, militar e político alemão. Nasceu em Braunau, Áustria em 20 de abril de 1889. Faleceu em Berlim, Alemanha, em 30 de abril de 1945, com 56 anos de idade, suicídio. Fundador do Partido Nacional Socialista Alemão;

4. James Anderson, escritor, maçom e ministro religioso inglês. Nasceu em Aberdeen, Escócia em 1679. Faleceu, em 1739, com 59 anos de idade. Conhecido pela autoria da Constitutição dos Maçons Livres ou a Constituição de Anderson;

5. Luiz Travenol, escritor e maçom francês. Também conhecido por Leonardo Gabanon. Em 1743, Publicação de Catechismes des Franc-maçons, revelando segredos, de autoria de Travenol;

6. Marie Joseph Gabriel Antoine Jogand-Pagès, falsário francês. Também conhecido por Léo Taxil. Nasceu em 21 de março de 1854. Faleceu, em 31 de março de 1907, com 53 anos de idade;

7. Samuel Prichard, escritor e maçom inglês. Em 1730, Publicação do livro Maçonaria Dissecada de Samuel Prichard, que divulgou Segredos Maçônicos e provocou alterações nos Rituais dos Modernos. Inglaterra. Em 1738, Publicação de Recepção Misteriosa, tradução mal feita de Maçonaria Dissecada de Samuel Prichard.

Data do texto: 07/11/2005

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Fonte: JBNews - Informativo nº 0177 - 20 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2022

VISITANTE DE OUTRO RITO

Em 10.12.2021 o Respeitável Irmão Rogério Avelar Polito, Loja Cavaleiros do Oriente, 76, GLMMG, sem mencionar o Rito e Oriente, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

VISITA EM LOJA DE OUTRO RITO

Estimado Irmão Pedro Juk, por gentileza, peço seu entendimento sobre o tema supracitado é indicado na questão abaixo.

O obreiro de uma loja praticante do Rito de York, ao visitar uma loja do REAA, este Irmão pode ou não pode executar os sinais, toques e palavras do rito de York?

CONSIDERAÇÕES:

Em linhas gerais, sem que seja uma regra rígida, um visitante oriundo de uma Loja de outro rito deve se adequar aos trabalhos da Loja visitada.

Salvo melhor juízo, essa é uma regra de educação, pois um visitante não deve interferir nos trabalhos da sua anfitriã. Afinal, a Loja que recebe um visitante não pode alterar o seu ritual, sua forma de trabalho em face a uma visita.

Prevendo-se situações desagradáveis que possam ocorrer, sugere-se ao visitante que antes se certifique de qual é o rito da Loja que ele irá visitar. Caso não seja o mesmo rito que ele pratica na sua Loja de origem, então é de bom alvitre que o visitante chegue com antecedência e se apresente relatando a situação.

Em assim procedendo, prudentemente o visitante terá tempo para se adequar ao ambiente e aprender o necessário para ingressar na Oficina visitada.

Não há, contudo, uma forma de recepção generalizada quando se trata de um visitante de outro rito. Cada caso é um caso, sendo que cada qual deve ser analisado com prudência e bom-senso para que uma visita não acabe se tornando em sinônimo de interferência nos trabalhos alheios. Lembro que visita a outra Loja é direito consagrado do maçom, mas existem regras para o visitante e o visitado.

No tocante ao visitador do Rito de York, como o Irmão menciona, ele deve seguir as regras do REAA, que é o rito a Loja visitada.

Por exemplo quando do uso da palavra: para não interferir no andamento litúrgico, o visitante deve se dirigir protocolarmente à assembleia e falar à Ordem como previsto no REAA (fala em pé e à ordem). Nesse caso, destaco que os Sinais de Ordem, em ambos os ritos, são muito parecidos, portanto, sem excesso de preciosismo, o visitante não precisa alterar o Sinal de Ordem desse para aquele rito.

Por razões óbvias, é prudente que um visitante de outro rito, caso não conheça a contento a ritualística da Loja visitada, apenas se limite a assistir os trabalhos. Digo isso porque não raras vezes vê-se visitantes ocupando cargos nas lojas visitadas. Numa situação dessa (ritos diferentes) esse não é um procedimento aconselhável.

Também se recomenda um cuidado especial com o traje, pois muitos ritos não admitem o uso do balandrau. Nesse caso é prudente também que o visitante se apresente trajado na maneira consagrada, ou seja, de terno preto, sapatos e meias pretas e camisa branca. Já os paramentos do visitante, os mesmos devem ser aqueles adotados pelo seu rito (da Loja que ele pertence).

A Loja anfitriã também deve se mostrar tolerante, pois alguns ritos usam cobertura (chapéu, cartola), outros utilizam gravata borboleta, outros ainda se servem de gravatas lisas de cores distintas (preta, azul, grená, branca), etc. A utilização dessas peças de vestuário em Loja por visitantes não alterará a liturgia dos trabalhos. Como dito, antes de tudo deve imperar o bom-senso.

Algumas Obediências possuem regras claras a esse respeito nos seus regulamentos. Daí a importância de que nessas ocasiões o visitante de outro rito sempre se apresente com tempo hábil para antes tomar conhecimento das exigências que porventura possam se apresentar na ocasião.

De tudo é inadmissível que um visitante, por conta do seu rito de origem, venha interfir no andamento dos trabalhos da Loja que ele visita. Fora isso, o bom-senso é sempre bem-vindo. Também é inadmissível uma loja não receber um visitante regular por conta de diferença nos trajes.

Concluindo, especificamente a respeito da sua questão – um visitante do Rito de York em Loja do REAA - entendo que no caso o Sinal de Ordem é perfeitamente admissível (são parecidos entre os ritos), já o toque e palavras me parecem inadequados nesse contexto. Por isso mais uma vez reitero a importância de que um visitante de outro rito chegue com antecedência mínima para que detalhes a respeito possam ser adequados aos costumes da loja anfitriã. Enfim, são várias as situações que poderão se apresentar envolvendo visitantes de outro rito (toques, baterias, palavras, etc.).

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hortmail.com.br
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

IMORTALIDADE

1º - É o estado daquilo que não pode morrer. Quase todas as religiões possuem a crença na imortalidade, muitas vezes, porém, trata-se apenas de uma crença na pura e simples continuação da vida.

2º - Segundo a teosofia hindu, o princípio espiritual no homem é imortal, neste sentido que persiste através de vidas sucessivas.

3º - A doutrina da imortalidade da alma afirma que, após a morte, a alma sobrevive ao corpo, entrando este em decomposição, enquanto aquela permanece indefinidamente com os caracteres constitutivos de sua individualidade.

4º - Esta doutrina é aceita pelo cristianismo, pelo islamismo e pelo espiritualismo em geral. M. Ferreira dos Santos disse: As razões filosóficas da existência e da sobrevivência da alma são numerosas e poderosamente bem fundadas.

5º - A crença na imortalidade da alma é um corolário da crença em Deus e, conseqüentemente, é um dos dogmas fundamentais da Maçonaria.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

PORQUE SOMOS MAÇONS REGULARES?

Os outros (liberais) partem do postulado da liberdade de crença ou não no Criador, uns e outros, sem se remeterem a uma posição contemplativa, buscam o seu próprio aperfeiçoamento, "não faças aos outros aquilo que não gostavas que te fizessem", mas com efeitos diversos ao nível de intervenção na sociedade. De facto, enquanto os regulares situam-se no plano do sagrado, os outros colocam-se no campo do laicismo, e consequentemente envolvem-se mais directamente na vida profana que procuram aperfeiçoar, senão mesmo transformar.

Para um maçon "regular" a sociedade só será mais perfeita se isso decorrer do processo de aperfeiçoamento individual, de cada um, enquanto para um maçon "irregular", o essencial é ser ele o agente da transformação da sociedade. Isto é, passa o maçon em vez de ser o destinatário das suas reflexões e consciência, para procurar o auto aperfeiçoamento, a considerar-se o agente de transformação e da perfeição da sociedade. Bem se compreende que esta atitude possa gerar desde logo, a quebra de harmonia entre os maçons. Ultrapassada a intimidade de cada um, em que só cada qual é juiz de si próprio, e de acordo com os parâmetros da sua autodefinição, sendo portanto responsável pela sua própria consciência, os maçons irregulares confrontam-se exteriormente sobre as varias actividades que poderão contribuir para transformação e aperfeiçoamento da sociedade...e estas serão tantas quantas as percepções do que é a perfeição da sociedade. (...) Aos que se consideram maçons regulares, para que efectivamente o sejam, é necessário serem reconhecidos como tal, é indispensável que tal estatuto lhes seja reconhecido. De facto o reconhecimento é essencial para atestar um dos requisitos fundamentais e integradores da regularidade, que é o da legitimidade da transmissão da própria regularidade. Só assim se constitui legitimamente a regularidade.

Um pouco à semelhança do próprio processo de reconhecimento da independência dos Estados, em que não basta a proclamação unilateral de independência, é crucial que a comunidade internacional a reconheça, e depois, para se ser verdadeiramente membro de pleno direito da comunidade internacional, ou de comunidades regionais (como os Estados membros da União Europeia), é ainda necessário o respeito da legalidade universal, que tem como referência a declaração universal dos direitos do homem.

Um maçon que respeite as regras da regularidade, tem pois de respeitar as suas regras essenciais: Os landmarks, as constituições, os regulamentos, a regularidade da transmissão maçónica, enfim o próprio cumprimenta das leis civis. Um maçon que portanto seja irregular quanto à sua filiação numa Grande Loja ou Grande Oriente irregular, não pode ser considerado regular pela

comunidade maçónica regular...não pode pois aceder a sessões rituais regulares. Só o poderá fazer se, e quando por um processo dito de regularização, deixar a sua obediência irregular e for recebido como regular por uma obediência maçónica com estas características.

M.E. -L.N.C.

Fonte: http://luzoriente.blogspot.com

terça-feira, 12 de julho de 2022

AGNOSTICISMO - CANDIDATO AGNÓSTICO

O Respeitável Irmão Petrônio Cardoso Júnior, Loja Tiradentes, REAA, GOB-MG, Oriente de Campo Belo, Estado de Minas Gerais, apresenta o que segue:

AGNÓSTICO

Alguém que se declara agnóstico em proposta de admissão, pode ser aceito em nossa Ordem (GOB)?

COMENTÁRIOS (PESSOAIS):

Agnosticismo não é ateísmo. Na verdade, o agnosticismo adota uma linha de pensamento que não leva um indivíduo a crer ou deixar de crer em Deus. Um agnóstico, segundo opiniões abalizadas, apenas não acredita que a razão humana seja capaz de provar a existência de Deus.

Filosoficamente, isso leva a entender que o agnosticismo revela que as questões metafísicas e absolutas são inacessíveis ao espirito humano por não serem capazes de sofrer análise pela razão.

Nesse contexto, o agnosticismo parece não discutir a crença ou não em Deus, todavia revela em não acreditar que a razão humana possa provar a Sua existência.

No tocante ao ateísmo, que significa, em grego, a negação da existência de Deus, por si só relata de imediato a inexistência de Deus.

Assim, enquanto que o agnosticismo alega a impossibilidade de provar, ou não, a existência de Deus, o que não é uma negação, o ateísmo literalmente nega a Sua existência.

No tocante à sua questão, salvo melhor juízo, eu entendo que com base nos relatos acima descritos, parece não haver impedimento para que um indivíduo agnóstico possa vir receber a iniciação maçônica. 

Em contra partida, aquele que se declarar ateu, aí me parece que as coisas mudam de figura. Diferente do agnóstico, que desconhece ou não consegue provar a existência de Deus, o ateu, peremptoriamente a nega.

Por fim, vale lembrar que a Moderna Maçonaria é um composto de ritos maçônicos que lhe dão base estrutural. Neles seguem métodos, práticas características e costumes hauridos da cultura dos povos. Nesse sentido, prudentemente é bom se usar o bom senso em se vislumbrando as propostas iniciáticas do rito e as características de crença de cada candidato.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

APÓS DOIS ANOS E MEIO, O MAÇOM JÁ SABE TUDO!!!

Adaptado de texto publicado por Luciano R. Rodrigues

Pesquisadores da United States Chamber of Freemasonry (grupo de pesquisa maçónica com sede em Washington D.C.), divulgaram resultados de um estudo que demonstra que o tempo médio até que um novo Maçom ache que sabe tudo é de cerca de dois anos e meio.

“Sim, vai variar de loja para loja”, explicou o Irmão Ledge Porter. “Mas de um modo geral, em algum momento entre dois e três anos, um Maçon vai acreditar saber o suficiente para começar a se sentir superior aos novos iniciados”.

Falando sobre o paradoxo que contrasta os resultados do estudo com a afirmação de que a Maçonaria é um processo de aprendizagem ao longo da vida:

“Oh, não há dúvida de que muitos dos maçons realmente não acreditam que sabem tudo, mas uma vez que atingiram este momento crítico, desenvolvem certos sentimentos (Publicado em freemason.pt)de presunção de que têm bastante conhecimento e na verdade, o suficiente para que eles possam até mesmo começar a fazer julgamentos morais sobre o comportamento de um novo membro”.

Observando que muitos Maçons são convidados a ocupar cargos de oficiais numa loja dentro dos seus primeiros anos, nós entendemos que pode haver uma ligação.

“Nós não vimos uma conexão causal sólida”, disse Porter. “Isto é, nós ainda não descobrimos se ocupar um cargo de oficial nos faz sermos um pouco burros moralizantes, ou se leva dois anos até se interiorizar a cultura maçónica na medida em que a pessoa se sente confortável em fazer correcções públicas aos novos irmãos”.

Porter acrescentou: “É claro, a satisfação presunçosa de corrigir um novo Maçom em público é algo que fica com os maçons durante toda a sua carreira maçónica, por isso não esperamos que esta pesquisa leve a qualquer cura. No entanto, pensamos que isto pode ter alguma utilidade, porque alguns daqueles que atingiram este momento não estão apenas a fazer julgamentos sobre novos membros, mas também sobre oficiais mais velhos”.

Em resumo, lamentavelmente não é difícil encontramos tais atitudes em irmãos que se acham superiores, seja por tempo de iniciado ou por algum grau conquistado. O conhecimento deve ser utilizado para nos igualarmos e não para nos tornar superiores aos mais novos.

Fonte: https://www.freemason.pt

segunda-feira, 11 de julho de 2022

RETARDATÁRIO PEDINDO INGRESSO

(republicação)

Em 20/09/2017 o Respeitável Irmão Nilson Alves Garcia, Loja Estrela da Serrinha, GOB-GO, REAA, Oriente de Goiânia, Estado de Goiás, formula a seguinte questão:

RETARDATÁRIO PEDINDO INGRESSO.

Mano Pedro, em primeiro lugar eu lhe peço desculpas pela pergunta. Mas a pessoa só acredita em você. O Irmão ao chegar atrasado bate maçônicamente. Esta sendo lida a ata. Como o Cobridor bate para que o Irmão aguarde já que no momento não é possível dar entrada. A quem o cobridor deve anunciar que maçônicamente batem a porta. 

CONSIDERAÇÕES:

Essa é uma norma consuetudinária. Não está escrita porque não se pode institucionalizar o atraso. Mas como isso acontece...

Havendo um retardatário, este ao pedir ingresso dá na porta do Templo apenas à bateria universal que é a mesma do Aprendiz Maçom. 

Não importa o grau de trabalho da Loja; ele dará somente a bateria universal e em seguida só faz aguardar as providências.

Se o momento não for propício para o seu ingresso, como é citado na questão e não existindo Cobridor Externo, o Cobridor Interno ao ouvir a bateria, sem qualquer comunicação à Loja, imediatamente dá pelo lado de dentro da porta à mesma bateria universal (Aprendiz).

O retardatário ao ouvir a réplica deve aguardar, já que esse é o sinal de que seu pedido fora ouvido, mas o momento ainda não é próprio para o seu ingresso. 

Não importando o grau em que a Loja esteja trabalhando, o retardatário não dará nenhuma outra bateria. Ele simplesmente aguarda.

Chegando o momento propício, o Cobridor Interno comunica ao Segundo Vigilante que batem maçônicamente à porta do Templo. Esse por sua vez comunica ao Primeiro Vigilante que comunica o Venerável Mestre. A partir daí é o Venerável que determina quais as providências que devem ser tomadas.

Alguns rituais preceituam que o Cobridor Interno faz a comunicação sobre a presença de um retardatário diretamente ao Primeiro Vigilante que, a seguir, comunica o Venerável Mestre.

Eu entendo que isso só se dá quando a Loja ainda não estiver aberta, como é o caso da abertura ritualística onde o Primeiro Vigilante cumprindo o seu primeiro dever solicita ao Cobridor Interno (que está como ele no extremo do Ocidente) que proceda a verificação, pelo que o Cobridor verifica e retoma o diálogo diretamente com o Primeiro Vigilante.

Já em Loja declarada aberta, no caso de um retardatário, o Cobridor informa por primeiro ao Segundo Vigilante – segue-se a mesma ordem do que ocorre na Iniciação quando o Candidato em Loja aberta bate à porta do Templo e o Cobridor comunica por primeiro ao Segundo Vigilante.

São essas as situações, destacando-se que em qualquer situação um retardatário somente se faz anunciar pela bateria maçônica universal (a do Aprendiz). Cabe ao Cobridor, se for ocaso, quando da verificação, informar o grau de trabalho da Loja.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

O NÍVEL CULTURAL DA MAÇONARIA

Denílson Forato, M∴M∴ 
ARLS Fraternidade e Amizade – 321 – GOP-COMAB / Brasil

Tenho verificado que a cultura na Maçonaria está muito aquém. O quadro é simplesmente desolador. O maçom em geral tem, em média poucos anos de estudo, não lê, não estuda e nada sabe. E o que tem esse fato a ver com a Maçonaria? Tudo! Não é possível realizar novos progressos sem o auxílio da cultura e do saber.

O 1º grau, há 40 anos atrás, dava ao cidadão uma base de cultura geral muito maior do que a de hoje e a culpa de tal retrocesso é, exclusivamente, do vergonhoso e criminoso sistema educacional que, paulatinamente, foi implantado no país e, evidentemente, dentro da própria Maçonaria. No 1o grau de hoje o estudante ainda é um se- analfabeto que não sabe sequer cantar o Hino Nacional, que há muito foi expulso das escolas.

O maçom não gosta de ler. A afirmativa é absolutamente VERDADEIRA. Há uma mínima parte do povo que ama a leitura, outra, um pouco maior, que a detesta e a esmagadora maioria nem sabe que ela existe, e a Maçonaria é formada por homens vindos do povo.

Em todos os rituais maçônicos, fala-se nas sete ciências que formavam a sabedoria dos antigos, composta pela Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. Quem só com apenas o 1o grau tem o mínimo de conhecimento sobre tais ciências? Com exceção de alguns rudimentos de Gramática e de Matemática, ninguém!

O mundo moderno não é mais composto por sete ciências; as ciências se multiplicaram infinitamente: Física, Química, Engenharia, Geografia, Medicina, Sociologia, Filosofia, História, etc., cada uma delas com infinitas especialidades e ramificações, cada vez mais avançando nos campos das descobertas, pesquisas e realizações enquanto o maçom ficou estacionado no atual 3, 1º grau. EIS O GRANDE PROBLEMA.

Hoje, com raríssimas e merecidas exceções, chega-se a Mestre Maçom entre seis meses a um ano e meio; ao Grau 33, entre três e quatro anos. Chega-se a Mestre e ao Grau 33 sem se sair do 1º grau. O dicionário de Aurélio Buarque de Holanda define: “MESTRE – homem que ensina; professor; o que é perito em uma ciência ou arte; homem de muito saber”.

Será que está acontecendo alguma coisa errada?

Para quem deseja subir nos graus da Maçonaria é exigido um trabalho escrito (muitas vezes meramente copiado, sem pretensão de aprender) e as taxas de elevação (que geralmente são caríssimas). Só isto, nada mais do que isto e… tome-lhe grau por cima de grau, sem o mínimo avanço cultural. Mas, em compensação, os aventais, colares e medalhas na subida dos graus vão ficando mais caros, mais bordados, mais coloridos e mais vistosos. E lá vai o nosso maçom falando em “beneficência”, “filosofismo”, “Pedra Bruta”, “Pedra Polida”, “Espada Flamejante”, “Câmara de Reflexões”, etc… E para completar o FEBEAMA (Festival de Besteiras que Assola a Maçonaria) diz, por ter ouvido dizer, que a Maçonaria é milenar.

Diz um provérbio popular que “NINGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE”. Como pode esperar a Maçonaria que seus Mestres Maçons, seus componentes dos Altos Corpos Filosóficos, sejam bons transmissores de suas doutrinas, histórias e conhecimentos se… nada sabem?

A Maçonaria é antes de tudo um vasto conjunto de ciências políticas, históricas, geográficas e sócio-econômicas adquiridas ao longo dos séculos. É simbolismo e filosofia pura, é ciência humana no seu mais Alto Grau. Como pode uma pessoa sem interesse pelo estudo adquirir e transmitir tantos conhecimentos? Só se for por um milagre!

Como pode, apenas com boas intenções, um leigo ensinar medicina para médicos, leis para juízes, aviação para um futuro piloto, engenharia para um futuro engenheiro, Maçonaria para um futuro Maçom?

Tiro por mim que já li quase uma centena de livros e que tenho mais como prazer do que por obrigação dedicar pelo menos meia hora por dia aos estudos maçônicos e outras literaturas de interesse para o meu aperfeiçoamento espiritual, cultural e profissional. E ainda não me considero um “EXPERT”. Reconheço, com toda humildade, que ainda tenho muito que aprender, e tenho o 3o grau completo.. Como pode uma pessoa sem cultura estudar e pesquisar as Lendas do Rei Salomão, Hiran Abiff, Rainha de Sabá, Cabala, entre tantos, sem conhecer História Antiga? Como podem entender a gama de conhecimentos contidos na Constituição de Anderson, Landmarks, Ritos, Painéis, entre outros assuntos totalmente desconhecidos do nosso Mestre Maçom e de uma grande parte daqueles que alcançaram o“TOPO DA PIR MIDE” e que se consideram com direito a cadeira cativa no Oriente para que seu “PROFUNDO SABER E CONHECIMENTO MAÇÔNICO POSSA ILUMINAR” as colunas.

A verdade costuma ser brutal mas, infelizmente, esta é a pura realidade que precisa de muitos com coragem para dizer.

O Maçom que estuda e pesquisa pode ser o “O SOL DA CULTURA”, talvez nem seja o vaga-lume que só tem sua luz notada nas trevas mas, com certeza, é o espelho que poderá transmitir a Luz do Sol ou pelo menos a do vaga-lume.

A Maçonaria, composta de homens livres e de bons costumes e de boa cultura, obviamente, será muito melhor. No século XVII ela era composta pelos iluministas, no século XIX, no Império Brasileiro era composta da nata intelectual da nação e hoje… sem comentários.

Uma sociedade, um país, é preparado primordialmente pelo sistema educacional e cultura que consegue adquirir e seria muito bom começarmos a preparar a Maçonaria, pelo menos em nossas Lojas, para o Terceiro Milênio, com pessoas um pouco mais cultas.

Nota do autor: O presente trabalho será lido por uma minoria de irmãos que cultivam o hábito pela leitura, mas se essa minoria o divulgar nas Lojas poderá estar prestando um grande serviço em defesa da nossa Sublime Instituição.

Fonte: maçonaria.net

domingo, 10 de julho de 2022

E PLURIBUS UNUM - LEMA DO GORGS

Em 09/07/2022 o Respeitável Irmão Fernando Luiz Koehler, Loja Plácido de Castro, GORGS, Oriente de Santa Cruz do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, faz a seguinte pergunta:

E PLURIBUS UNUM

Tomei a liberdade de entrar em contato via e-mail pra solicitar um apoio teu para um Trabalho de Pesquisa sobre um tema que vou te expor.

Como és um expert em assuntos maçônicos, me lembrei de ti para me auxiliar nessa tarefa, lógico se tiver disponibilidade.

O tema é a citação latina E PLURIBUS UNUM utilizada pela Maçonaria. Esta citação está no símbolo utilizado pelo Grande Oriente do Rio Grande do Sul e creio que também seja utilizado pelas demais potências.

Não encontrei material de pesquisa sobre o do porquê a Maçonaria utilizou essa citação em seu símbolo, quando foi utilizada essa citação assim como o seu significado dentro da nossa ordem.

Pesquisei no Google e só encontrei que essa citação foi utilizada pelos Estados Unidos no século 18 e aí vai. Não cita nada em relação a Maçonaria.

O meu interesse nessa matéria é que me solicitaram que fizesse uma Instrução a respeito.

Caso tu possas me ajudar no sentido de encontrar as explicações sobre esse símbolo te agradeço muito.

Só pra te passar, sou duplamente filiado à Loja Venâncio Aires desde 2008 e desde aquela época represento a mesma na PALM como Deputado, que é o Poder Legislativo do GORGS.

CONSIDERAÇÕES:

“E pluribus unum” é uma expressão latina cujo significado é “entre muitos, um” que parece ter ficado conhecida nos Estados Unidos da América do Norte por conta de ela ter sido escolhida, em 1776, como um lema utilizado na Revolução Americana. A provável razão da sua adoção foi para representar naquela ocasião a união das treze colônias independentes que se tornavam uma grande e única nação.

No contexto maçônico, entendo que não é uma expressão utilizada “pela” Maçonaria como um todo, mas particularmente por uma Obediência Maçônica que a adotou provavelmente para simbolizar a união das Lojas que estão sob a sua jurisdição, quem sabe?

Não tome essa minha colocação como uma afirmativa laudatória, porém como uma possibilidade.

Nesse sentido o lema, ou a expressão “E pluribus unum” não possui adoção universal na Maçonaria, isto é não é um lema maçônico que esteja presente na amplitude do seu contexto. Como dito, é uma adoção de uma, dentre tantas, obediência ou potência maçônica. O GOB, por exemplo, adota do seu escudo distintivo a frase latina “Novae Sed Antiquae” que significa “Nova, Porém Antiga”.

No que diz respeito ao traçado da sua Peça de Arquitetura, sugiro que o Irmão, para alcançar seu objetivo examine a história do Grande Oriente do Rio Grande do Sul, sobretudo aquilo que diz respeito à heráldica do seu escudo representativo, até porque deve existir nesse conjunto um memorial descrevendo o significado do conteúdo adotado.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONARIA E INTERVENÇÃO NA SOCIEDADE

Rui Bandeira

Da predisposição de ambas as correntes relativamente ao papel mais ou menos ativo, mais ou menos institucionalmente interventivo, da Maçonaria na Sociedade decorrem assinaláveis diferenças na intervenção política.

A Maçonaria Regular não busca ter qualquer intervenção política em termos institucionais. Porque intervenção política implica confronto de ideias, entende que é normal que nas suas fileiras existam defensores das várias ideias em confronto e não se arroga o direito de se pronunciar institucionalmente a favor de uns dos seus obreiros e contra o entendimento de outros dos seus obreiros. A Maçonaria Regular é assim politicamente neutra. Cada um dos seus obreiros defende, dentro dos limites dos Valores essenciais da Maçonaria (hoje, felizmente, consensuais no mundo desenvolvido), as posições políticas que bem entende. Para a Maçonaria Regular, é possível e normal que dois políticos se digladiem na defesa de posições políticas divergentes, sendo ambos maçons - e quiçá integrando até a mesma Loja! O objetivo da Maçonaria Regular é sempre o mesmo: aperfeiçoar os seus obreiros, desejando que estes contribuam para o aperfeiçoamento da Sociedade. Quando os seus obreiros são políticos, apenas pretende que sejam cada vez melhores políticos, que, defendendo as suas ideias, o façam com Dignidade, com Elevação, com Honestidade, com Sentido de Dever e de Serviço Público.

A Maçonaria Liberal, na medida em que pratique uma intervenção política, defendendo uma posição política, tenderá a juntar elementos de pensamentos tendencialmente compatíveis entre si e com a corrente de pensamento prosseguida pela Obediência. Será tendencialmente mais eficaz na defesa dos Valores da Instituição. Também se "amarra" às consequências dos eventuais reveses que a posição política que ativamente prossiga venha a sofrer. Nesse sentido, convém não esquecer a identificação histórica da Maçonaria com a I República e as consequências sofridas quando esta caiu...

Entendo que é estulto pretender afirmar-se, em absoluto, a superioridade de uma corrente sobre a outra. Cada uma das correntes tem a sua orientação e a sua prática, que será certamente a melhor para quem concorda e se sente confortável com elas. Entendo que, também nesta questão, devem os maçons atender e praticar a Virtude que consideram seu apanágio, a Tolerância. Cada um deve aceitar a posição do outro, ainda que (sobretudo quando) diversa da sua. O Outro tem tanto direito às suas convicções como nós. Devemos aceitar sem rebuço ou hesitação as convicções dos demais, tal como temos o direito de exigir que as nossas convicções sejam respeitadas pelos demais.

Em matéria de intervenção da Maçonaria na Sociedade, a questão não deverá ser nunca quem está certo e quem está errado quanto à intervenção política. Cada um, cada corrente, atua segundo a sua tradição. a sua evolução histórica, a sua forma de pensar. Em matéria de intervenção da Maçonaria na Sociedade, o mais produtivo é determinar o que cada um pode contribuir para a Sociedade, em prol desta.

E muito há para fazer e é possível fazer, em diversos campos de intervenção: na educação ambiental como na educação para a saúde, na promoção da igualdade de género, como na integração dos que, a qualquer título ou por qualquer condição sejam diferentes, na cooperação com as entidades que prestam auxílio e solidariedade a quem necessita como na promoção do desenvolvimento justo, sustentado e integrador, na atenção aos mais novos como na consideração e apoio aos mais idosos, na promoção da formação como no apoio e fruição das artes. Em pequenas organizações ou ações locais levadas a cabo pelas Lojas ou em mais amplos objetivos coordenados pelas Grandes Lojas ou Grandes Orientes.

Reduzir a intervenção da Maçonaria na Sociedade à política é, no meu entender, pensar muito pequeno, muito pouco e muito limitado, Há todo um conjunto de temas e necessidades e atividades e intervenções em que os maçons podem dar o seu contributo. E porventura ajudar a alterar e melhorar a nossa Sociedade muito mais e muito mais proficuamente do que imiscuindo-se na política.

Atenção, não me interpretem mal! Tenho todo o respeito por todos aqueles que se dedicam à defesa da causa pública. Não alinho nas algazarras de denegrimento dos políticos. A Política é uma atividade nobre, que é imensamente útil à Sociedade, desde que exercida com motivações e comportamentos nobres. Nesse sentido, tenho todo o respeito por todos os políticos que se comportam como bons maçons (sejam-no ou não). O que eu não quero é ver maçons a terem comportamentos de (certos) políticos...

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

sábado, 9 de julho de 2022

ORLA DENTEADA CONTORNANDO O PAVIMENTO MOSAICO

Em 09.12.2021, através do Blog do Pedro Juk, o Respeitável Irmão Eduardo Zandonadi, Loja João Racy, 1.385, REAA, GOB, Oriente de Guapó, Estado de Goiás, apresenta a dúvida seguinte:

ORLA E PAVIMENTO MOSAICO

Primeiramente nosso reconhecimento e respeito por sua dedicação ao estudo sobre as coisas de nossa Ordem. Sobre a Orla Dentada em especial, uma dúvida remanesce: seria correto afirmar que ela deveria margear todo Pavimento Quadriculado? Na planta do Templo, página 22 do Ritual do 1º Grau (REAA), o Pavimento Quadriculado se apresenta sem a Orla... - Também na parte do Ritual que trata da ¨Disposição e Decoração do Templo¨, não se fala do Pavimento Quadriculado, tampouco da Orla Denteada. Desde já, nosso agradecimento pelas orientações e o nosso fraterno abraço.

CONSIDERAÇÕES:

Pavimento Quadriculado, em se tratando de Maçonaria, é o mesmo que Pavimento Mosaico. O que às vezes o difere é a sua construção dependendo do rito que o utiliza.

No REAA, que é o caso da sua questão, ele é formado por quadrados brancos e negros dispostos de maneira oblíqua, como está no Ritual do GOB em vigência.

A bem da verdade, a Orla Dentada, Marchetada ou Denteada, não é elemento original do REAA, contudo acabou se consagrando como um dos ornamentos da
Loja.

Na verdade, esse ornamento acabou aparecendo no REAA por conta de outros costumes que o utilizam em torno de um tapete ou mesmo de um quadrângulo limitado pela Orla Denteada. Ela também é mencionada em instruções maçônicas hauridas de outros costumes, mas que acabaram ganhando espaço no simbolismo do REAA.

Em linhas gerais, como símbolo ele caracteriza uma borda ou os limites da Oficina onde os maçons trabalham em perfeita união.

Nesse contexto, onde o Pavimento Mosaico ocupa todo o Ocidente da Loja (REAA), independente dele estar representado ou não no piso (contornando o pavimento), oficialmente a Orla Denteada está representada no Painel do Grau onde ela aparece contornando o agrupamento de símbolos que representam a Loja no seu grau de trabalho.

No ritual de Aprendiz do REAA em vigência no GOB, a Orla é também mencionada na segunda instrução desse ritual, dele à página 175, último parágrafo.

Assim, não há necessidade específica que no REAA a Orla Denteada deva literalmente aparecer contornando o Pavimento (piso do recinto). Oficialmente ela se apresenta como um dos elementos simbólicos que constituem o Painel do Grau. A propósito, o Painel do Grau sintetiza, através dos seus símbolos, a Loja.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE HIPÓLITO DA COSTA

HOPÓLITO JOSÉ DA COSTA PEREIRA FURTADO DE MENDONÇA (Colônia do Sacramento, hoje Uruguai, 13 de agosto de 1774 — Londres, 11 de setembro de 1823). Jornalista e diplomata uruguaio que viveu no Brasil, patrono da cadeira 17 da Academia Brasileira de Letras. Atualmente seus restos mortais estão nos Jardins do Museu da Imprensa Nacional. No Brasil é considerado o patrono da imprensa.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 12 de março de 1799 (Terça-Feira).

Loja: Washington, nº 59, Filadélfia, Estados Unidos.

Idade: 25 anos.

Oriente Eterno: Faleceu aos 49 anos de idade.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

ÉTICA E MAÇONARIA

Carlos António Porto de Sousa

Depois de falarmos das virtudes, das formas de amizade e das várias espécies de prazer, resta-nos discutir em linhas gerais a natureza da felicidade, já que afirmamos que ela é o fim da natureza humana. (Aristóteles, em Ética a Nicómaco)

Não é minha pretensão apresentar respostas sobre a ética e a maçonaria, mas sim abrir uma linha de estudo e debate para que possamos encontrar um caminho na presente ordem mundial e diante das necessidades que exigem que nos adequemos a um mundo que não tem mais “fronteiras”, que está sempre perguntando quem somos nós e qual o nosso papel e participação nesta nova ordem.

O presente texto é o resultado das minhas leituras sobre ética numa perspectiva actual, através dos paradigmas de um mundo globalizado, que exige que nos adequemos a ele se quisermos contribuir para a construção de um mundo melhor.

A Maçonaria, Ordem espalhada no mundo seguindo leis e costumes tradicionais sobrevive, assim, obedecendo aos limites das suas Normas, Constituições, Regulamentos, Regimentos, Landmarks. O mais importante é que estes limites estipulam legalmente o que é e o que não é Maçonaria. Qualquer (Publicado em freemason.pt) coisa fora desses postulados descaracteriza a Ordem. Desta forma, cresce sem governo central ou mundial, mas pura e limpa. Não obstante, pelas questões da supremacia do domínio, existem correntes que se proclamam provedoras únicas de patentes concessoras do direito de existir, conceder e reconhecer existências. Criam-se os blocos e cercam-se em si num obscuro relacionamento reservado e exclusivista. Mas, o que tem a ver a ética com isto? Como a ética pode ser trabalhada na maçonaria? A maçonaria é uma instituição ética? Como a maçonaria pode influenciar os cidadãos para a construção de uma sociedade mais justa e ética? Estaríamos cumprindo com o nosso papel de combater as tiranias cavando masmorras aos vícios e promovendo a ética e a moral? Como estamos lidando com as vicissitudes deste novo milénio, onde a electrónica, a genética, a clonagem e o uso de novas tecnologias estão dando início a intensos debates sobre o “usá-los ou não”? E, por fim, o que nós, maçons, podemos fazer para darmos a nossa contribuição para a construção de um mundo melhor para os nossos descendentes? Agora, neste momento, a principal questão a ser respondida é: “Afinal, o que é ética?” Muitos a definem como um conjunto de “valores construídos pela sociedade humana em toda a sua história e que norteiam o seu coexistir, ou seja, definem como o homem deve se comportar diante de se mesmo. Condutas familiares, trabalhistas, profissionais, grupais, corporativos etc., são exemplos de valores éticos positivos ou negativos presentes na história da humanidade conduzindo-a em direcção ao porvir. O certo é que estes valores influenciam a qualidade de vida, o desenvolvimento cultural e a preservação da própria cultura.

No seu significado na nossa língua, ética e moral têm o mesmo significado antigo. Referem- se ao conjunto de costumes tradicionais de uma sociedade: valores e obrigações para a conduta dos seus membros.

O dicionário Mini Aurélio Século XXI dá os seguintes significados:ÉTICA – refere-se ao “estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal”.

MORAL – refere-se ao “conjunto de regras de conduta ou hábitos julgados válidos, quer de modo absoluto, quer para o grupo ou pessoa determinada”.

Moral, assim, pode ser definida como o conjunto de valores que toda cultura e cada sociedade institui para todos os seus membros. Desta forma este conjunto de valores se constitui, basicamente, no que deve valorar como o bom ou mau; como se deve distinguir o bem e o mal; e, por fim, o comportamento necessário, aconselhável, o permitido e o proibido.

Sobre a origem da moral alguns pensadores reúnem-se em dois grupos ou correntes: o primeiro, diz que a moral tem a sua origem em princípios metafísicos e, como tal, é superior ao homem; seria ela de “inspiração divina”; o outro, afirma ser ela de origem puramente humana. Uma tem uma essência eterna e imutável e como produto do homem, deve ser adaptada às suas necessidades. Ou seja, é decorrente do tempo histórico e da evolução das relações sociais.

Mesmo assim, é certo que a moralidade é a obediência ao costume de tal forma que onde não há nenhum costume certo, nenhum modo tradicional de agir e de avaliar, não há moralidade, prevalecendo, desta forma, o “amoral”.

Entendida como um estudo racional da moral, a ética tem data de nascimento e origem. Ela nasce na Grécia do século V a.C. e com a atitude de reacção aos sofistas por parte de Sócrates. Esta problemática relação situa-se no âmago do agir comunicativo.

A ética é a vida pensada (filosofia), enquanto que a moral é o conjunto de regras concretas (leis). A ética é o pensar as leis, compreendê-las, criticá-las. A moral e a ética são temporais, ou seja, evoluem com o decorrer do tempo, criando novos conceitos e regras. A moral não pensa em “liberdade” ou na “dignidade” do individuo, a ética sim. Neste aspecto, a maçonaria induz-nos a pensar sobre como nos devemos comportar em relação aos outros e a nós mesmos. A luta e o trabalho pela conquista e pela posse determinam um ambiente de competição, onde a vitória de um resulta na derrota do outro. Assim, durante o processo da sua evolução o homem foi desenvolvendo um sistema de regras que passaram a orientar o que é certo ou errado, o bem e mal, o liberado e (Publicado em freemason.pt) o proibido, conduzindo-nos a um comportamento “adequado” e “aceitável” pelo grupo social da nosso convívio. Desta forma surge a moral. E ela é fruto dos costumes, da cultura. Já a ética é o que vem do nosso interior, é o que “mora” dentro da gente, o que advêm das nossas relações sociais, das conversas, do consenso. Das nossas abstracções sobre o “ser” ou “não ser” correctos. Ela é para muitos intuitiva e busca direccionar as relações entre os seres humanos e o seu modo de ser, de pensar, de agir de acordo com as circunstâncias. Assim, podemos afirmar que uma das nossas principais características – a conduta racional – é a base da ética. Desta forma, podemos definir a ética como o resultado das reacções humanas às acções e estímulos provocados pela sociedade.

A ética pode ser destrutiva (negativa) quando comportamento dissociado, atitude preconceituosa, desconfiança, descrença no valor humano, discurso diferente da práxis tornam-se presentes na sociedade. Ela é positiva (construtiva) quando o comportamento harmonioso, atitude aberta, inteira confiança, crença no valor do ser humano, discurso coerente com a práxis são elementos norteadores da sociedade.

A questão que nos cabe levantar neste momento é: “A maçonaria está cumprindo com as suas obrigações de lutar pela harmonia das sociedades, pela justiça e combatendo as desigualdades?” Será que o seu papel social está de acordo com os novos tempos? Os seus pressupostos morais estão servindo de base para a construção de uma ética voltada para os novos tempos? Estamos construindo uma ética maçónica positiva ou negativa?

Na maçonaria, a ética é ligada directamente ao princípio da busca da Verdade, tendo a sua origem nas tradições gregas, onde os seus pensadores afirmam que a busca da verdade não esta dissociada da prática do bem. A verdade e a virtude são os dois pólos de uma única busca que caracteriza a ética iniciática, a ética maçónica. Consideramos a ética como sendo de carácter universal e que pertence à historia do ser humano. Desta forma, o Maçom deve considerar a ética como principio que não pode ser colocado em dúvida e que deve ser o ponto de partida para as suas acções. A conduta ética maçónica tem dois aspectos: um, o Maçom deve viver não só segundo os seus princípios (íntimos) e perseguir a prática da virtude; e o outro, a construção de atitudes que sejam voltadas para compreender a ética e a sua adequação às continuas mudanças na colectividade humana.

O certo da ética é lutar pela autonomia, liberdade de expressão, delegação e divisão de responsabilidades; por outro lado, o seu lado negativo é dominação, autoritarismo, centralização e dependência. Tudo isto redunda apenas na necessidade do poder. Mas afinal, se isto acontecer na Maçonaria, o que poderíamos fazer para mudar? Sendo a ética maçónica fundamentada na íntima relação entre a virtude e a verdade, é um sistema de princípios aberto, ao qual todo Maçom oferece a sua contribuição, de modo a adequá-los ao bem pessoal e social. O bem individual do Maçom é o bem de todos os maçons. E o bem desta fraternidade é o bem de toda a sociedade, pois se depreende daí que a maçonaria não pode caminhar separada do restante da sociedade, sendo as suas vitórias ou derrotas decorrentes da labuta diária de todos nós. Assim, o conceito de irmandade passa a ser aplicado a toda a humanidade quando a maçonaria se volta, de forma progressiva, para o bem comum. Desta forma, torna-se necessário que no mundo os fins sejam alcançados em estrita obediência aos princípios da virtude, da razão, da moral e da ética, sem os quais não haverá processo evolutivo.

Sabemos que ser ético é agir de acordo com os valores morais que uma sociedade construiu como sendo os justos e perfeitos. Os princípios da Maçonaria reforçam a particularidade e o culto da ética pelo Maçom. Os princípios norteadores da Maçonaria estabelecem-se como regras jurídicas e isto a têm mantido viva através dos tempos. O que ocorre é que maçons que estiverem quebrando alguns princípios jurídicos podem esbarrar, inclusive, nas leis que regem a convivência em sociedade e sofrerem acções comuns da lei (Publicado em freemason.pt) profana por pura falta de ética. No entanto, cabe-nos perguntar: nós estamos dando o devido encaminhamento ético de acordo com os nossos costumes e códigos que nos regem e que nos mantiveram activos até hoje? Os nossos Irmãos que cometem abusos de poder político e económico, crimes contra a sociedade, contra a família etc., estão recebendo as punições previstas nas nossas leis maçónicas?

A ética maçónica é pautada nas normas que consistem no seu fim, visando o comportamento moral do indivíduo ou de todos os membros da Ordem. Na vida real, o Maçom, como qualquer outro indivíduo, ao defrontar-se com os problemas recorre às normas reconhecidamente profanas, cumpre as suas normas e formula os seus juízos de valores e argumentos para justificar as suas atitudes e decisões com base na vida profana e, muitas vezes, em total desacordo com a sua vida maçónica. A ética maçónica não deve ser mera transcrição de um discurso irracionalmente ordenado das razões normativas presentes nas sessões ou na comunidade maçónica. A ética maçónica não é hermeticamente fechada num círculo. Ela é dinâmica e faz parte da evolução humana. Ou melhor, ela é a evolução humana.

Seria bom observar alguns milenares valores fundamentais, individuais – válidos até hoje e que estamos sempre dispostos a defendê-los:ser honesto em qualquer situação;
ter coragem para assumir as decisões;
ser tolerante e flexível;
ser íntegro;
ser humilde.

Os valores acima são condensados na filosofia maçónica. Alguém se importa? Estes valores não podem, não devem ser apenas objectos do discurso, de pesquisas e estudo. Ou tudo não passa de mera retórica?

As organizações profanas se convencem cada vez mais que para sobreviver terão que agir com muito mais atenção em relação á ética, pois qualquer reflexo produz história boa ou má. E o julgamento é certo.

Como dissemos, não podemos ser inocentes e pensar na Maçonaria, enquanto Loja, Potência e/ou Confederação como apenas, e unicamente, entidades jurídicas. Nós existimos como seres sociais e construtores da história, são muitos os exemplos a serem citados. Será que hoje estamos dando a nossa contribuição para a construção de uma história moralmente ética e que será julgada positivamente no futuro? Será que a maçonaria do futuro poderá se orgulhar da nossa participação no desenvolvimento humano? As nossas atitudes hoje, por menores que sejam, trarão grandes reflexos no futuro. É o “efeito borboleta” da Teoria do Caos. O mundo profano olha para nós e espera uma resposta que diga a eles que não somos representantes do mal, que estamos aqui para contribuir positivamente e com ética construtiva para o futuro da humanidade. Se acertamos ou erramos, isto faz parte da busca e da luta pela “verdade” e isto nós fazemos com o G:. A:. D:. U:. guiando-nos e iluminando-nos, afinal, estamos todos juntos num “barco chamado Terra” e, perante Ele e o Universo, estamos com a mão no “timão” da nossa história.

Sabemos, porém, que nem tudo é sempre simples e claro quando se fala em ética e nas relações sociais. Ela gera questões extremamente delicadas e, na maioria das vezes, de foro íntimo. Temos os nossos limites, impostos pelas nossas crenças e leis, e devemos conduzir-nos individualmente ou colectivamente dentro deste espaço limitado e definido por nós mesmo. Assim, podemos estabelecer algumas estratégias a serem seguidas por nós, maçons, ou por qualquer outra pessoa:Saiba exactamente quais são os seus limites éticos;
Avalie detalhadamente os valores da Instituição a qual você pertence;
Trabalhe sempre com base em factos;
Avalie principalmente os riscos da sua decisão;
Saiba que, mesmo ao optar pela solução mais ética, poderá se envolver em situações delicadas;
Ser ético, muitas vezes, significa perder status, benefícios etc.;

A ética é também “intuição”. Mesmo que afirmem que a intuição não tem nada de racional, as nossas reflexões intuitivas sobre ética são palpáveis e independe de conhecimento intelectual adquirido. Certamente, quem tem conhecimento adquirido e pode usá-lo para analisar a relação com a sociedade e com o mundo tem a sua responsabilidade ampliada por este conhecimento. Sócrates afirmava que o ser humano só se realiza como pessoa quando se volta para o seu interior – conhece-te a ti mesmo – pois o “teu mundo” é um retrato (Publicado em freemason.pt) do teu interior. Preparar o indivíduo para a cidadania é o objectivo da pedagogia iluminista. Viver bem com o irmão é o princípio da filosofia maçónica e a sua pedagogia é desenvolver e propagar a Igualdade, a Liberdade e a Fraternidade para construirmos um mundo Justo e Perfeito, enterrando-se os vícios e promovendo as virtudes.

Os maçons que fazem parte de qualquer Potência legitimada pela tradição dos Landmarks e Antigas Constituições de Anderson, devem atentar para o seguinte: agir eticamente dentro (ou fora) da Loja, Potência e ou Confederação, sempre foi e será uma decisão pessoal. É claro que sempre estamos sujeitos a deslizes e equívocos. Nunca se esqueçam, porém, de que este costuma ser um caminho sem volta. Para o bem ou para o mal. Cuidado!

Não podemos transformar em mentiras tudo o que os nossos antecessores construíram. Temos uma conduta moral e ética a seguir. Trilhemo-la de verdade ou a retórica jogar-nos-á na inexorável lixeira da história e levar-nos-á ao esquecimento e, inequivocamente, à nossa destruição como homens e, principalmente, como maçons.

Estamos, constantemente, sendo confrontados com especulações sobre o nosso existir. Cabe-nos definir qual, realmente, é o nosso existir.

Bibliografia
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de filosofia. São Paulo: Moderna, 1992.
CHALITA, Gabriel. Vivendo a filosofia. São Paulo: Ática, 2005.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio Século XXI Escolar; O minidicionário da língua portuguesa. Coordenação de edição, Margarida dos Anjos, Marina Baird de Holanda Ferreira; 4a Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001
HECK, José N. e ORSINI, Ricardo. Moral e Ética em Habermas, sem fonte de publicação e data.
OS PENSADORES (COLECÇÃO). História da Filosofia. São Paulo: Nova Cultural, 1996.
SUGIZAKI, Eduardo. A Moral e a Ética – Definições e Origens. Apostila de Curso. Goiânia: Universidade Católica de Goiás: 1998.

Material pesquisado em endereços electrónicos
ALVES, Creusa Maria Oliveira Alves. O que é Ética. Disponível em: http://www.webartigos.com.
AUTOR DESCONHECIDO. Ética e Intuição – Intuição e Maçonaria. Disponível em: http://www.a-partir-pedra.blogspot.com.
AUTOR DESCONHECIDO. Ética Maçónica. Disponível em: http://www.asceta33.wordpress.com.
FADISTA, Antonio Rocha. Ética e Virtude Maçónicas. Disponível em: http://www.maconaria.net.
HECK, José N. & ORSINI, Ricardo. Moral e Ética em Habermas.
MONTE, Joaquim. Ética e Estética na Maçonaria. Disponível em: http://www.lojahugosimas.com.br.
NAVES, Doracino. Venerável Mestre, professor de ética. Disponível em: http://www.gloriadoocidente.org.
PEROTTONI, Marco Antonio. Ética Maçónica.
SANTOS, Bartolomeu Martins. Você é um Maçom Ético?
ZVEITER, Waldemar. Ética e Política sob a Óptica da Maçonaria. Disponível em: http://www.lojahugosimas.com.br.

Fonte: https://bibliot3ca.com

sexta-feira, 8 de julho de 2022

DA PERPENDICULAR AO NÍVEL OU PARA A PERPENDICULAR AO NÍVEL?

(republicação)

Em 20/09/2017 um Irmão que me pede para não divulgar o seu nome e o da sua Loja, Grande Oriente Lusitano, formula a seguinte questão:

DA PERPENDICULAR AO NÍVEL OU PARA A PERPENDICULAR AO NÍVEL?

Envio-lhe este e-mail após ter lido o seu artigo com o nome em assunto (http://iblanchier3.blogspot.pt/2012/10/perpendiculacao-ao-nivel.html).

Gostaria de pedir uma explicação relativamente à expressão "da Perpendicular ao Nível". Após ler o seu texto a minha dúvida adensou-se, pois concordo consigo.

O meu método de estudo de Maçônico baseia-se em tentar encontrar a Verdade mais antiga, indo à sua origem e tentando perceber qual o seu significado original. Como tal, gostaria de lhe perguntar qual a origem da expressão da "Perpendicular ao Nível"? Provém de alguma versão Rito Escocês Antigo e Aceito?

Mais, gostaria de saber a sua opinião sobre o cruzar da Palavra, isto é o 2º Vigilante (Perpendicular) fala para os Aprendizes Maçons (para Norte), enquanto o 1º Vigilante (o Nível) fala para Sul. Como tal, será que a ascensão do Perpendicular ao Nível, possa ser uma alusão à subida da "regência" do 2º Vigilante (Perpendicular) à do 1º Vigilante (Nível)?

Gostaria de saber a sua opinião mais aprofundada sobre o assunto. Irei subir o meu salário daqui a poucas sessões e estou a escrever uma prancha relativamente a este assunto e gostaria de saber um pouco mais.

Aceita o meu TFA⸫ (Como dizemos em Portugal, Aceita o meu TAF⸫).

CONSIDERAÇÕES:

Dois aspectos a se considerar no caso do REAA.

“Perpendicular ao Nível”. A questão não é o “da perpendicular ao” (saindo da, partindo da), mas o de “para a perpendicular ao” (indo para, se dirigindo para, se deslocando para). 

A Perpendicular é o Prumo que é representado por uma linha vertical que vai perpendicular ao Nível. É um símbolo parecido com um “tê” invertido (letra T). Esse símbolo na Moderna Maçonaria é comumente utilizado no avental do Venerável Mestre e dos ex-Veneráveis, equivocadamente chamados de “Taus invertidos”. 

Assim, a linha horizontal é a representação do Nível e a vertical a do Prumo. Por conseguinte, um segmento de linha (no sentido vertical) é perpendicular a outro segmento de linha (no sentido do horizonte). Em síntese é o Prumo que se coloca perpendicularmente ao Nível. 

Como o Nível é a joia do Primeiro Vigilante, por extensão esse instrumento representa também a Coluna do Norte, enquanto que o Prumo, como joia do Segundo Vigilante representa a Coluna do Sul. O Nível está no Norte e o Prumo está no Sul.

Por questão iniciática, os Aprendizes ocupam no REAA o Topo da Coluna do Norte (parede setentrional) e os Companheiros o Topo da Coluna do Sul (parede meridional). 

Estando o Aprendiz preparado e instruído conforme as exigências da Arte ele obtém o seu aumento de salário (Elevação), ou seja, passa do Primeiro para o Segundo Grau (sai do Norte e vai ocupar lugar no o Sul).

Essa ascensão iniciática se traduz na passagem (Elevação) de uma para outra Coluna, ou seja, do Nível ao Norte para o Prumo ao Sul e significa alegoricamente que se vai “para” a perpendicular ao Nível.

A meu ver, o grande problema que tem causado falsa interpretação é que muitos rituais apresentam essa frase como “da perpendicular ao nível”. Na verdade é um erro ortográfico que dá outro sentido à locução. Escrito dessa forma ela nos dá a falsa impressão de que “vamos da perpendicular (Prumo) para o Nível”, o que é no mínimo contraditório, pois inverte o rumo do Aprendiz passando para Companheiro. Inverte também as Colunas e as joias dos Vigilantes.

Assim, o correto é usar a preposição “para” como elemento que exprime lugar ao qual alguém ou algo se dirige, ou para onde volta à vista. Nesse caso, do topo da Coluna do Norte para o topo da Coluna do Sul.

O termo correto é “para a perpendicular ao nível”

Lembra-se que a caminhada iniciática se principia no topo da Coluna do Norte (Aprendiz) e vai para o topo da Coluna do Sul (Companheiro). Só depois de cumprida obrigatoriamente essa jornada é que o postulante chegará ao mestrado no Oriente.

Quem instrui os Aprendizes e Companheiros – Essa não é questão iniciática, mas sim de tradição histórica. Não se trata também de “cruzar” a palavra. É só uma questão de hierarquia e nada tem a ver com a responsabilidade pela Coluna. O responsável por toda a Loja é o Venerável Mestre e os Vigilantes são os seus auxiliares – um Vigilante não é o dono da respectiva Coluna, ele apenas auxilia o Venerável.

A origem desse costume não está no Rito, mas nas origens das classes de trabalhadores nos canteiros medievais do passado. 

Nos canteiros de trabalho (Maçonaria Operativa) as iniciações operativas geralmente se davam nos períodos solsticiais. O proposto era então recebido reservadamente pelo Segundo Vigilante (2º Warden, na época) que o instruía sobre as obrigações de ofício (Old Charges). Em seguida ele era conduzido até o Primeiro Vigilante (1º Warden) que fazia uma oração em favor do candidato. Como conclusão da admissão, ele, agora o Aprendiz Admitido, sob a tutela do Mestre da Obra prestava o juramento sobre o Evangelho de São João e lhe eram entregues o avental e luvas para o ofício. Durante o tempo relativo ao seu aprendizado na arte de construir (geralmente três anos), era o Segundo Vigilante o seu instrutor. 

O mesmo depois ocorria com Aprendiz Admitido ao passar para Companheiro do Ofício, ou do Craft. Na ocasião do seu aumento de salário era o Primeiro Vigilante (Warden) o seu instrutor. Em seguida, agora como Companheiro, ele prestava o seu juramento e passava aproximadamente cinco anos se aperfeiçoando. Durante esse tempo paulatinamente o Primeiro Vigilante lhe ia sendo revelando os segredos do ofício.

É daí a origem da instrução aos Aprendizes pelo Segundo Vigilante e dos Companheiros pelo Primeiro Vigilante.

É nesse sentido que no verdadeiro REAA ⸫ os Aprendizes, ao Norte recebem simbolicamente instrução do Segundo Vigilante que fica no Sul e os Companheiros, ao Sul a recebem do Primeiro Vigilante que fica no Norte.

Obviamente que isso é tudo simbólico e traduz um costume operativo à época em que não existiam Templos Maçônicos e nem existiam graus maçônicos, senão apenas duas classes de trabalhadores, cujos quais eram dirigidos por um Companheiro experimentado e designado como o Mestre da Obra.

É sabido e é de boa geometria que na Moderna Maçonaria Aprendizes e Companheiros recebam instruções dos Mestres do quadro e não restritamente apenas dos Vigilantes.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

PROCESSO DE CANDIDATURA E PAGAMENTO DA JOIA

Denilson César

O que é um processo de candidatura para ser admitido na maçonaria?

Com a proliferação de lojas espúrias, são inúmeros os posts de pessoas que integram essas lojas nos grupos de Facebook, WhatsApp e redes sociais em geral para quem for interessado falar com ele no privado. Após uma apresentação bem elaborada para um leigo, eles vêm com o golpe: o pagamento da joia.

Para título de informação, vamos saber como é o processo de candidatura na maçonaria regular de forma resumida:

Primeiramente, você que é interessado na maçonaria ou até nem interessado é sabe que algum conhecido ou amigo é maçom e por interesse seu você começa a fazer perguntas (as quais ele responde ou não) que demonstram interesse na Ordem. Se você não tem interesse, mas o seu conhecido ou amigo enxerga que você tem perfil ( perfil aqui falo de um todo e não apenas o financeiro como muitos pensam ) faz um convite para conhecer a instituição. Nos dois casos, você aceitando será primeiro convidado a alguma reunião branca (sessão em que podem frequentar familiares dos maçons, amigos e interessados) para você ter um contato inicial. Depois, em outro momento, é convidado para alguma social da Loja que o convidante integra para conhecer os Irmãos da Oficina e assim possa bater um papo descontraído. São duas maneiras iniciais que a maçonaria regular usa para conhecer o possível candidato e talvez futuro membro. Nas conversas informais é possível saber muito sobre quem a pessoa é, suas convicções, sua visão de mundo, suas crenças, enfim. Se o indivíduo se declarar ateu, pode esquecer.

Nesse meio tempo é dado a ele um formulário pra preencher com seus dados pessoais. Esse formulário deve ser devolvido ao convidante seja pessoalmente ou por e-mail. O formulário será avaliado pela Loja, será feita uma rigorosa revisão e sua ficha criminal será levantada para saber se não deve nada à justiça. Não vou detalhar o que acontece a partir de agora por razões íntimas da Ordem Maçônica: depois que a ficha corrida for levantada e ser constatado que esteja tudo bem, a Loja fará uma votação para saber se todos concordam com a possível admissão do candidato. Se algum maçom (é preciso que seja apenas um) reconhecer o rosto do sujeito e saber que ele não é uma boa admissão para a Loja, a palavra dele bastará para que ali seja encerrado o processo de candidatura.

Caso não haja nenhum tipo de impedimento o processo segue. São feitas visitas (não falarei quantas) a residência do candidato para saber quem ele é, com quem mora, quem é sua família, se é casado (a esposa precisa concordar livremente e de bom grado sobre a admissão do marido, caso contrário, não entra). Muitas Lojas também optam por fazer visitas ao ambiente de trabalho do convidado e também procuram saber informações em segredo sobre o profissional que ele é.

Após terminadas as sindicâncias, a Loja voltará a discutir sobre a situação do candidato e os maçons que foram fazer as visitas serão ouvidos para saberem o que foi encontrado, se está tudo em consonância com o que candidato colocou no formulário e se o que foi dito sobre o candidato pelo convidante realmente procede. Feito isso, algumas Lojas chamam o indivíduo para uma entrevista. Uma conversa final sobre o pagamento da joia e a iniciação. A iniciação só será feita após o pagamento dessa taxa a qual chamamos de joia. O valor varia de Loja pra Loja e obediência pra obediência. É muito comum as Lojas maçônicas dividirem esse valor caso o candidato não posso arcar de uma única vez.

Divide-se em duas, três, quatro vezes, depende da situação. O que importa é que será pago. Após valor ser devidamente pago o dia da iniciação é marcado na Loja que o candidato fará parte. Vejam que o assunto sobre a joia é o último a ser falado antes da iniciação e depois de transcorrer todo o processo anterior é que haverá a conversa sobre o valor a ser entregue.

Isso que acabei de escrever é a versão resumida de um processo de candidatura e iniciação de um homem na maçonaria regular e leva alguns meses. Eu não expliquei os pormenores que são de cunho estrito da maçonaria, mas o grosso e o que pode ser exposto está aí. Vejam só todo o crivo que se passa, tudo que é feito para o sujeito ser admitido. Não é uma coisa fácil. E mesmo assim ainda acontece de entrar quem não deve. É uma minoria, claro, mas acontece. Tem gente lá dentro que não se sabe nem como o indivíduo entrou (muitas vezes melhor nem saber) , mas tá lá e é preciso trabalhar para que ele mude (ou caia fora). A maçonaria é uma família e sendo assim precisa saber quem colocará pra fazer parte da sua família. Não pode ser qualquer um. E ninguém pense que só entra quem tem dinheiro, pois já vi marceneiro entrar e dono de transportadora ficar de fora.

Aí vem alguém sabe-se lá de onde e põe em grupos de rede social: “quem tiver interesse pra entrar na maçonaria fale comigo pelo privado! Aqui praticamos a verdadeira maçonaria!” O incauto vai atrás, é elogiado, é bem tratado, passam um vídeo explicativo pra ele com uma coisa que não tem nada a ver com maçonaria prometendo mundos e fundos (ele também não faz ideia) e depois mandam pagar uma ” joia” e se demorar ficam cobrando pra pagar. Como algo assim pode ser sério? Sem critérios, sem investigação, sem uma coisa presencial? E ainda enchem a boca pra dizer audaciosamente que “praticam verdadeira maçonaria.” Pagou tá dentro!

Não caia nessa! Não existe convite online, não existe iniciação online, isso é coisa de loja espúria, é charlatão querendo tirar proveito do seu dinheiro!

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

quinta-feira, 7 de julho de 2022

SINAL E TOQUE DO MESTRE MAÇOM NO REAA

(republicação)

Em 18/09/2017 o Respeitável Irmão Márcio Peligrini, Loja Luz da Verdade, 2678, REAA, GOB-PR, Oriente de Chopinzinho, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

SINAL E TOQUE DO MESTRE MAÇOM – REAA

Tenho uma questão a propor: No Ritual do Grau de Mestre, 2009, nas páginas 132 e 133 aparece a exposição do ensinamento inicial ao Mestre com relação aos Sinais, Toques e Palavras. O texto é reproduzido parcialmente a seguir: (fica por mim suprimido o texto para não transcrever excessivamente parte do Ritual).

Quando fui exaltado me ensinaram 4 sinais:
1 – O de Ordem
2 – O de Adm⸫
3 – O de Socor⸫
4 – O de Saudação

Logo, não recebi referência alguma ao Sinal apresentado no destaque em amarelo (trecho por mim suprimido), feito antes dos C⸫PP⸫PP⸫. Além disso, no Manual também não encontrei o Sinal de Socor⸫.

Pergunto: Ele existe? Se sim, onde é ensinado?

Sobre o Sinal descrito em amarelo (trecho por mim suprimido), seria: o Sinal de Aprendiz, depois o de Companheiro e, após a pergunta afirmativa a m⸫ d⸫ s⸫ o p⸫ e⸫ e a m⸫ esq⸫ na c⸫ ocorre antes de fazer os C⸫ PP⸫ PP⸫? Isso Está correto?

CONSIDERAÇÕES:

Posso lhe afirmar que os C⸫ PP⸫ PP⸫ da Maç⸫ são simplesmente tradicionais na Maçonaria. O que existiu é que alguns rituais do passado não o mencionavam.

Felizmente na edição de 2009 do Ritual do GOB eles foram corretamente inseridos no Ritual de Mestre, embora com erros de impressão, o que tornou confuso o gesto de cautela que deve ser utilizado antes da sua execução. 

Assim, independente desse equívoco na impressão, o gesto existe sim (não como um Sinal) e fiz a sua descrição dando toda a orientação possível ao seu respeito nos Procedimentos Ritualísticos de Mestre Maçom do GOB-PR, edição 2016, Decreto 1708 do Grão-Mestre Estadual. Concito o Irmão a consulta-lo para dirimir suas dúvidas. 

Além dos Procedimentos Ritualísticos o Irmão encontrará no Blog do Pedro Juk em Perguntas e Respostas – http://pedro-juk.blogspot.com.br – publicado no dia trinta de outubro do corrente ano uma resposta intitulada “Mestre – Dúvida no Ritual de Exaltação REAA⸫ - T⸫ e Pal⸫ Sagr⸫”. Confira.

Na realidade os C⸫ PP⸫ PP⸫ da Maç⸫ compõem um conjunto de toques que dados ao mesmo tempo perfazem o T⸫ do Mestre. O gesto (que nada tem a ver com o Sinal de Aprendiz e de Companheiro), bem como o questionário que antecede a composição dos C⸫ PP⸫, tem o desiderato de tratar com prudência o ato de verificar a qualidade maçônica de alguém no Terceiro Grau – não formar os C⸫ PP⸫ sem as cautelas necessárias.

Infelizmente, o mesmo Ritual de 2009 comete outro equívoco ao produzir uma prática abreviada (veja página 40, segundo parágrafo), o que é uma lástima, já que esse procedimento “preguiçoso” (girando os pp⸫) só compromete a prudência que é merecida pelos C⸫ PP⸫ PP⸫ e a transmissão da Pal⸫ Sagr⸫ do Mestre.

Quanto ao Sinal de Socor⸫ ele está perfeitamente descrito no Ritual de 2009 na sua página 39, assim como também é mencionado no exemplar dos Procedimentos Ritualísticos aludido acima.

E.T. – Veja nos Procedimentos Ritualísticos do Mestre o nome correto que é dado aos C⸫ PP⸫ PP⸫ da Maç⸫, antigamente do Companheirismo. 

T.F.A.
PEDRO JUKv-vjukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS