VV∴ MM∴, Digníssimos Vigilantes, Respeitáveis Irmãos:
Antes de adentrar esta Sublime Ordem, quando ainda menino, meu imaginário sobre a Maçonaria era tecido por mitos, boatos e histórias sussurradas com medo ou admiração.
Dizia-se que os Maçons eram mágicos, poderosos, envoltos em mistérios, fazedores de pactos ocultos, homens que falavam com forças sobrenaturais. Chegavam a dizer que, para entrar, era preciso sacrificar o que mais se amava, beber sangue, vender a alma. E que o Grau 33 era o trono dos semideuses.
Cresci com essa ideia.
Contudo, ao trilhar meu próprio caminho, ao buscar por mim mesmo e não por vozes alheias, comecei a compreender o que realmente é a Maçonaria.
Entrei. Vi. Vivi.
E aprendi que o que nos eleva ao mágico e sobrenatural não é o número de graus, mas a profundidade da vivência de cada um deles. "Damos o que mais amamos" pois assim foi nos mandado (e a este mistério só um mestre do silêncio sabe entender), não só para entrar mas para evoluir lá dentro.Que não se trata de um caminho de privilégios ou posições hierárquicas, mas de retificação interior. De construção silenciosa.
Hoje, sei que os graus não definem quem é mais maçom ou mais digno. Sei que o maior dos Mestres pode estar oculto sob o avental de um Aprendiz atento.
Há quem acredite que subir graus é subir espiritualmente. Há quem creia que mais graus significam mais luz, mais poder, mais importância em Loja ou nas Potências.
Mas pergunto, Irmãos:
Se eu ler o Alcorão, a Torá, a Bíblia, o Bhagavad Gita, o Livro dos Espíritos, os fundamentos da Umbanda ou do Hermetismo… serei eu maior do que meu pai, que orava em silêncio e praticava a bondade sem diplomas?
Serei eu maior que meu Irmão de Loja, que talvez ainda esteja no grau 1, mas vive plenamente os princípios de fraternidade, justiça e humildade?
E então, lembro do arquétipo do profeta Elias.
Ungido, iluminado, elevado, ainda assim, com toda sua grandeza, declarou: "Não sou maior do que meus pais."
Irmãos, esse é o ensinamento: A verdadeira grandeza não se mede em graus, mas em virtudes.
Podemos e devemos estudar. Nossa Ordem é formada por buscadores da Verdade. E que cada um explore os céus conforme sua sede.
Mas jamais confundamos busca com vaidade, ou conhecimento com superioridade.
A Maçonaria ensina que não há entre nós títulos de nobreza espiritual, mas um chamado à retidão.
Se estudamos mais, que seja para servir mais.
Se subimos um grau, que seja para nos curvar mais humildemente diante do símbolo.
Pois aquele que se julga maior por conhecer mais… ainda nada compreendeu.
A busca é individual, sim.
Mas o Caminho é coletivo. E quem caminha na frente, ilumina com sua lanterna, não para brilhar sobre os outros, mas para guiá-los com amor e humildade.
Que nenhum Irmão se iluda:
A vaidade do conhecimento é mais perigosa que a ignorância.
Porque a ignorância sabe que precisa aprender.
Mas a vaidade… acredita que já chegou.
Que esta instrução não sirva como crítica, mas como um espelho.
E que cada um de nós possa se olhar, se lembrar de quando entrou na Ordem…
De quando tremia diante da Luz…
E de como, no silêncio, descobriu que o maior grau que existe…
É o de Homem de Bem.
Fonte: Facebook_Átrio do Saber
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