Ir∴ Luiz Felipe Brito*
Nada permanece exceto a mudança. Heráclito de Efeso. Nihil ex nihilo. (Nada vem do nada). Parmenides de Eléia.
Um papel em branco representa uma matriz de possibilidades.
Quando falo de matriz de possibilidades não me refiro a um sistema caótico.
Probabilidades caóticas remetem ao mesmo tempo a um infinito e disperso número de direções. Nada permaneceria, tudo seria mudança.
Porém quando observamos a existência podemos constatar, que mesmo sob leis aparentes de entropia, a complexidade, ou seja, o agregar com sentido, emerge espontaneamente. Algo surge do nada?
Se pudermos representar as probabilidades caóticas como vetores, estes encheriam um espaço, mas permaneceriam isolados uns dos outros. Haveria espaços virtuais entre eles que representariam a impossibilidade de sentido ou de concordância.
Tais espaços virtuais seriam o nada verdadeiro. Do nada, nada provém.
De fato nem mesmo o espaço para albergar os vetores de probabilidade teria razão de ser.
Porém percebemos que no cosmo os vetores podem se associar em sinergia, permitindo o surgir do sentido e da complexidade.
O papel representaria a sinergia potencial entre todos os vetores de probabilidades, formando um espaço vivo de possibilidades. Uma matriz de possibilidades de onde qualquer movimento de relação poderia surgir.
O que é a mudança se não movimentos de relação?
Tudo muda, nada permanece enquanto movimento, mas tudo permanece enquanto espaço de possibilidades.
Dentro desta percepção particular, podemos conjecturar que o nada de fato não existista, pois se fosse realidade não permitiria qualquer sinergia ou sentido.
O que seria de fato então o nada, ou o número zero, ou se preferir o papel em branco?
Seria, como já dito e dentro desta linha de pensamento, uma matriz totipotente de possibilidades, decorrente da sinergia possível entre todos os eixos de probabilidade.
A falta de capacidade de perceber esta miríade infinita e concomitante de possibilidades em sinergia seria a responsável por aferirmos ao papel em branco uma ausência de que ele de fato não é portador.
Linhas que surjam de movimentos dissecados neste papel são apenas frações do todo. Ou são apenas evidenciações de fragmentos do todo. Mas de forma nenhuma surgiram do nada, pois foram apenas evidenciados.
Não existe qualquer movimento se não houver espaço de possibilidades para tal.
Tudo muda dentro da permanência.
Porém a permanência não seria um espaço fechado? Uma limitação? Um beco sem saída?
Não se pensarmos na permanência do absoluto.
O espaço absoluto de possibilidades, uma sinergia plena de um espaço sem fim.
GADU, o mantenedor ativo do absoluto, poderia ser, de forma superficial, comparado a uma esfera, cujo centro está em todas as partes e cujas bordas não existam.
Assim o considerando não seria uma unidade, mas Uno.
Não estaria sujeito às mudanças, mas seria a matriz absoluta das possibilidades.
Absoluto como se aberto ao sem fim. Estaria em tudo sem se tornar parte.
Não seria a soma de todas as coisas, mas o espaço que permite todas as somas.
Todos os números da existência seriam apenas um ponto finito dentro desta matriz plena. Tal matriz plena é representada para nossa compreensão racional como a sinergia total entre toas as infindas possibilidades.
GADU não venceu o caos, a luz não venceu as trevas.
O caos é fragmento de percepção, assim como as trevas o são. Em essência nunca possuíram lugar na existência.
O zero representaria o estado potencial de uma superfície de água, e não a ausência em essência.
A unidade elementar representa sinergia dentre eixos de possibilidade. Uma onda que percorre o lago.
Os diversos números são pontos do entrecruzar de muitas linhas, e em si comportam muitas relações, estando interconectados em proporções de equilíbrio com o todo que o cerca.
O infinito representaria todas as possibilidades de movimentos dentro desta matriz sinérgica sem fim.
*O Ir∴ Luiz Felipe Brito Tavares escreve aos sábados.
É AM da Loja Luz do Planalto nr. 76 de São Bento do Sul - SC
Fonte: JBNews - Informativo nº 280 - 04.06.2011
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