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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quinta-feira, 7 de julho de 2022

TESEU E A INICIAÇÃO

Martha Follain

Na Mitologia Grega, os heróis eram semideuses, filhos de um deus e uma mortal (ou de uma deusa e um mortal), encarregados de cumprir tarefas para a humanidade. Eram masculinos, com exceção de Atlanta, heroína grega, que participou da caçada ao Javali de Caridon. Esses seres possuíam certos poderes, que os tornavam mais que humanos, mas menos que deuses, ficando à mercê desses – e, eram mortais. Assim, era Teseu, o maior herói ateniense, filho de Egeu e Etra, vencedor do Minotauro no labirinto de Creta.

O rei Egeu, de Atenas, não conseguia ter um filho; resolveu consultar o Oráculo de Delfos, que lhe respondeu: “não solte a boca do odre de vinho” na volta a Atenas”. No caminho, Egeu parou em Trezeno, para pedir ao rei Piteu que desvendasse a resposta da pitonisa. Piteu, que compreendera logo o sentido da mensagem, embriagou-o e colocou Etra, sua filha, na cama de Egeu. E, assim, Teseu foi gerado, passando a viver com sua mãe.

Aos dezesseis anos, já se tendo tornado famoso por seus feitos, vai a Atenas, e não foi reconhecido por seu pai. Egeu era casado com Medeia, a feiticeira, que lhe dera um filho, Medo. Medeia compreendeu logo quem era o recém-chegado, e resolveu envenená-lo. Mas Teseu percebe a armadilha e, no jantar, puxou de sua espada. Egeu, imediatamente, reconheceu-o.

Quando os primos de Teseu, os “palântidas”, os cinquenta filhos de Palas, irmão de Egeu, que sonhavam com a sucessão, souberam do acontecimento no jantar, resolveram tentar, ainda, conquistar o poder, mas Teseu conseguiu vencê-los.

A grande tarefa de Teseu foi matar o Minotauro no labirinto de Creta: Minos encomendou a Dédalo a criação do labirinto de Cnossos, para aprisionar o Minotauro, fruto da infidelidade de Pasífae, esposa de Minos. Essa traição aconteceu por vingança de Posseidon, o rei dos mares, que dera um touro branco de presente a Minos, para sacrifício. Minos ficou com o touro para si, e Posseidon fez com que Pasífae sentisse desejo pelo touro. Dessa relação, nasceu o Minotauro, que se alimentava de jovens atenienses. Dédalo confiou o segredo de como sair do labirinto a Ariadne, filha de Minos, que o contou a seu amante, Teseu.

Quando, pela terceira vez, Atenas forneceria o tributo de jovens destinados ao alimento do Minotauro, Teseu decidiu fazer parte do grupo, para matar o monstro. Derrotou-o, seguindo o conselho de Ariadne: amarrar um fio na entrada do labirinto e levá-lo consigo, para depois poder achar o caminho de volta. O herói acaba com a obrigação do sacrifício de sete moças e sete rapazes.

O navio, que transportava de volta Teseu e as setes moças e sete rapazes, estava com velas negras. “Se eu for vitorioso, “disse Teseu a seu pai”, içarei as velas brancas”. Mas, com a alegria da vitória, esqueceu a promessa feita a seu pai e não trocou as velas. Quando Egeu percebeu o navio com as velas negras, persuadido de que seu filho tinha morrido, suicidou-se, jogando-se ao mar.

As antigas culturas, que conhecemos, tinham, sem exceção, uma coisa em comum: símbolos e rituais. A partir de símbolos, elas criavam rituais, não só para as principais fases de transição da vida (ritos de passagem), mas, também, para o dia-a-dia e suas exigências. Em nossa sociedade e cultura, os ritos de passagem foram perdidos (adolescência-maturidade, solteiro-casado, etc.), e o estudo gnóstico cumpre esse papel, ritualizando, simbólica e filosoficamente, a senda do iniciado. Essa estrutura simbólica e ritual do gnóstico identifica numerosas heranças inconscientes coletivas, procedentes de diversas e antigas tradições. Os arquétipos ou símbolos são uma linguagem metafórica. Os rituais são as cerimônias de transformação interior; estão carregados de alegorias que se impõe desvendar e assimilar. Os símbolos utilizados têm origens diversas, e a espada, o número sete e o labirinto são alguns deles.

O mito de Teseu é, claramente, a descrição de um ritual de passagem: do profano ao sagrado; do homem profano, ao buscador. Pode-se compreender esse mito como o caminho que faz o indivíduo, a partir do momento que decide ser buscador: é o caminho do iniciado.

A espada, que Teseu usada no banquete, é símbolo da energia solar, do falo, da Criação e do Logos. Representa a força, a energia masculina e a coragem. É, também, um símbolo de justiça, de divisão entre o bem e o mal, de decisão. Uma espada dentro da bainha significa temperança e prudência. Acessório muito usado nas cerimônias de iniciação, geralmente, como símbolo de poder e autoridade, como emblema dissipador das trevas da ignorância. Nas reuniões de banquetes ritualísticos, é o nome que se dá à faca.

O número sete é místico – as sete cores do arco-íris, as sete notas musicais, os sete estados de consciência do homem, os sete raios cósmicos, etc. O número da vida – a união do ternário (espírito) com o quaternário (matéria). Os sete espíritos ante o Trono de Deus. Os sete Sacerdotes da Lei Cósmica. Os Sete Senhores do Carma. Os sete ciclos da Terra (quatro ciclos lunares com duração de sete dias). A origem do calendário atual. A renovação celular do corpo humano (sete em sete anos). Os sete orifícios do rosto humano. A plenitude, a ordem perfeita. A medida reguladora da coesão universal: sete planetas, sete divindades, sete metais, sete cores, sete dias da semana, sete chakras, sete pecados capitais e sete virtudes que lhe são contrapostas. A lei da evolução. O número dos adeptos e dos grandes iniciados. Quando Teseu se coloca entre os jovens que seriam devorados pelo Minotauro, passa a fazer parte da magia do número sete.

No mito de Teseu, o ápice de sua história é a entrada no labirinto, que representa sua alma, seu interior – ele vai até seu âmago destruir o mal ainda escondido. Somente Teseu conseguiu a façanha de sair vivo do labirinto, com a ajuda de Ariadne, que sabia o segredo. Esotericamente, por seus caminhos tortuosos e desconhecidos, o labirinto é considerado um símbolo da iniciação e representa a descoberta do centro espiritual oculto, a dissipação das trevas para o renascimento na Luz, a superação dos obstáculos e o encontro com o caminho da verdade.

Teseu passou por todas as fases de um ritual: separação, purificação, morte e renascimento. Teseu simboliza as transformações que acontecem com o aspirante ao conhecimento oculto. Ele vai crescendo, enfrentando vários inimigos, até deparar-se com o mais terrível deles: sua própria fraqueza, seu labirinto.

Ao buscador é ensinado que, ao sair de cada labirinto, o iniciado estará enriquecido, mais experiente e mais determinado, e que sempre haverá outros labirintos a serem conquistados, e não destruídos. O iniciado é um Teseu, que sempre se aventurará nos labirintos de suas escolhas.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

quarta-feira, 6 de julho de 2022

GESTICULAR DURANTE O USO DA PALAVA E DISPENSA DE SINAL

(republicação)

Em 18.09.2017 o Respeitável Irmão Bruno Manhães Ferreira, sem mencionar o nome da sua Loja, nem o Oriente, GLMERJ, REAA, Estado do Rio de Janeiro, apresenta o que segue:

GESTICULAR DURANTE O USO DA PALAVRA E DISPENSA DE SINAL

Na Loja está havendo a respeito do Sinal de Ordem e pediram aos Irmãos Aprendizes a pesquisarem sobre o assunto.

Como deve ser a postura quando se fala estando à Ordem? Em nossa loja muitos questionam o Irmão que gesticula com o braço esquerdo, dizendo que não pode que deve ficar imóvel. Mas no ritual não menciona o braço esquerdo.

Ainda sobre o Sinal de Ordem, é normal o Venerável Mestre dá a cortesia de falar sem estar à Ordem? Caso não fosse dada esta cortesia, como deveria ser feito? 

CONSIDERAÇÕES PARA O REAA⸫

Ato de gesticular a mão - Em Maçonaria o termo “estar à Ordem” significa “estar pronto”, “estar à disposição”, “estar preparado”, ou outras qualificações do gênero.

Todo o obreiro que estiver à Ordem, estará com o corpo ereto (prumo), pés unidos pelos calcanhares formando a esq⸫ e, ao mesmo tempo, compondo o Sinal do Grau.

É sabido entre os maçons que existem sinais maçônicos que ocupam as duas mãos, enquanto que outros não. Assim, no caso daqueles que ocupam apenas uma delas, a outra, com seu respectivo braço e antebraço fica parada. 

O ato de gesticular a mão que está livre da composição do Sinal durante a fala não faz parte da liturgia maçônica, senão como um hábito ou cacoete utilizado por alguns durante a fala. 

Obviamente que, se a mão desocupada não faz parte do Sinal, ela não será mencionada no ritual.

Embora o ideal fosse que nenhum movimento existisse nessa oportunidade, eu entendo que em não havendo exagero de gesto com a mão desocupada, também nada existe que possa impedir esse costume. Mas, ratifico isso não é regra.

Ato de falar sem a composição do Sinal – Essa “estória” de o Venerável Mestre indiscriminadamente ficar dispensando o Sinal de Ordem durante o uso da palavra é atitude muito pouco recomendável e não deve ser utilizada corriqueiramente. 

Em Loja aberta, quem fala em pé, fala à Ordem. Com muito bom senso o Venerável até pode em casos extraordinários dispensar a composição do Sinal de Ordem, entretanto isso não é uma regra, senão uma rara exceção. 

É de péssima geometria atitudes de alguns Veneráveis que fazem dessa cortesia excepcional prática comum durante os trabalhos. Sem Sinal aqueles obreiros que fazem intermináveis discursos repletos de rançoso lirismo ficam mais à vontade para esgotar a paciência dos outros, ao mesmo tempo em que castigam o pobre do Secretário que se vê obrigado a anotar todo o “relicário de abobrinhas”. 

Já ao contrário, pelo desconforto sentido pela composição do Sinal, o obreiro chato, sem se alongar, acaba falando menos, ou apenas o necessário.

Se o Venerável Mestre por alguma razão plausível resolver dispensar o Sinal de Ordem, o obreiro então desfaz o mesmo na forma de costume e, respeitosamente mantém o seu corpo ereto colocando as mãos cruzadas, ou sobre o avental, ou mesmo à sua retaguarda. Ratifico: isso também não é regra, mas sim uma prática eivada de boa educação e respeito pelos demais.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

ÁGUIA

1º - Esta ave de rapina, pelas qualidades que lhe foram atribuídas, desde a mais alta antigüidade, tornou-se um dos símbolos mais apreciados da humanidade.

2º - No Egito, na Pérsia e na Grécia, esta ave foi consagrada ao Sol. Foi a ave de Júpiter, entre os gregos, e o emblema da Divindade Suprema entre os druidas.

3º - É o símbolo de cada vidente que olha a luz astral e nela vê a sombra do passado, do presente e do porvir, tão facilmente quanto a águia olha o Sol. Na Cabala, a águia figura o Oriente, o que está à nossa frente; é a imagem de Uriel, o anjo do fogo purificador. (H. P. Blavatski)

4º - Por todas estas razões, a Águia entrou no simbolismo maçônico, onde tem um lugar proeminente, pois que, pela sua força, velocidade, tamanho e valor, ela foi considerada a primeira entre as aves, tornando-se o símbolo do que há de maior e de mais poderoso.

5º - Achando-se ligada a São João Evangelista, que em Maçonaria, simboliza o Solstício de Inverno, a Águia representa esta estação nos banquetes maçônicos.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

QUEIXAR-SE: UMA CONDUTA TÓXICA

José Cássio Simões Vieira
Mestre Instalado da ARLS Theobaldo Varoli Filho
São Paulo SP

Podemos comentar com os demais sobre os problemas que nos afligem, aqui e agora, e pedir apoio e proteção para que nos sintamos bem. Isso é sadio, é sermos abertos, comprometidos confiantes. Não precisamos usar de uma couraça para ocultar nossas dificuldades.

Bem diferente, porém, é queixar-se, lamuriar-se, o que traz implícita a mensagem “alguém é culpado do que acontece comigo”. Esse alguém pode ser o próximo (cônjuge, amigo, filho, empregado, patrão, seja lá a pessoa que for), o “sistema”, a vida, Deus, quem estiver mais à mão, enfim.

É como se disséssemos “Afinal, o outro está aí no mundo para ser o culpado de tudo o que vai mal comigo”; “se não fosse por você, eu estaria bem...”

Essa atitude é tanto mais tóxica quanto mais alguém se queixa de situações que ninguém pode fazer nada para modificá-las, ou que, de per si, são imutáveis. Há quem se queixe até de que o gelo é muito frio, ou que não se conforma com que 2 + 2 sejam 4.

Com isso, as pessoas se põem como vítimas, buscando algumas pseudo-vantagens dessa posição (lástima, fuga às responsabilidades, não cumprimento de suas tarefas etc.).

Um triunfador não faz tal papel. Em vez de se queixar, atua para melhorar as coisas, de forma criativa e real. Ele é o senhor de seu

destino, negativo e positivo; é o comandante de sua vida de “pecador e de justo”. Fabrum esse quemque fortunae, cada um é o artífice de sua própria sorte.

O PROBLEMA DA FELICIDADE HUMANA

Toda pessoa que não realizou suas potencialidades tem a tendência de se queixar, de uma forma ou de outra. É uma conduta sintomática.

Para quem encara a felicidade de um modo absoluto, consistindo na satisfação imediata de todos os caprichos momentâneos, a frustração é inevitável e queixar-se será o esperado. Age como a criança, dirigindo-se à busca do prazer imediato. Usa o “pensamento mágico”; não tolera a espera, a postergação nem a frustração.

O mesmo não se dá, porém, com a pessoa que atingiu a maturidade adulta, que planeja o futuro aqui e agora, valendo-se do passado como experiência – e não como justificativa de seus fracassos – e estabelece suas metas com critério realista.

Os ensinamentos maçônicos nos ajudam encarar a existência em seu conjunto e complexidade, como resultante da natureza do mundo e do próprio homem, de forma racional, sem expectativas mágicas ou falsas crenças.

A felicidade estando, sobretudo, em nós mesmos e dependendo, muito mais, de nossa personalidade e visão-de-mundo do que da “sorte”, ocorre sempre que condicionarmos nossos desejos às

situações reais, visto ser impossível eliminarem-se as leis naturais que as regem. Daí, não haver do que se queixar.

Não podemos fazer depender nossa felicidade de algo que não dependa de nós. Igualmente, sabemos que não podemos ser “felizes” o tempo todo e que a felicidade é, antes de tudo, um estilo de vida, uma posição existencial.

Isso, logicamente, não significa fazer o “jogo do contente”, rindo-se para tragar a própria dor. Tal conformismo mórbido é completamente distinto da conformação à realidade.

A conclusão, repassada de relativismo, do primeiro soneto de Poemas e Canções de Vicente de Carvalho, é um maravilhoso resumo do tema exposto:

“Essa felicidade que supomos,
A árvore milagrosa que sonhamos,
Toda arreada de dourados pomos,
Existe, sim, mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos.”

Fonte: JBNews - Informativo nº 0177 - 20 de fevereiro de 2011

terça-feira, 5 de julho de 2022

TÍMPANOS (SINOS) PERCUTIDOS PELAS LUZES DA LOJA

Em 08.12.2021 o Respeitável Irmão Marcelo Guazzelli, Loja Fraternidade VII, REAA, GORGS (COMAB), Oriente de Caxias do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, formula a pergunta seguinte:

SOM GRAVE OU AGUDO DOS TÍMPANOS

Tenho uma curiosidade a respeito dos tímpanos utilizados em Loja.

Existe uma ordem lógica para eles? Por exemplo, o tímpano do Venerável Mestre ter o som mais grave e ficando mais agudo para o 1º Vigilante e ainda mais agudo para o 2º Vigilante ou é um preciosismo?

CONSIDERAÇÕES:

Tímpanos juntos ao Venerável Mestre e Vigilantes no REAA é novidade para a minha pessoa. Originalmente essa prática é inexistente no Rito em questão.

Lamento em dizer que se no ritual da vossa Obediência ele apareça, devo em lhe dizer que isso não passa de uma mera invenção.

Dada a sua original existência, então se o som de um tímpano é mais grave ou agudo, ou ainda, se há uma ordem de execução, de fato eu não saberia lhe dizer.

Sugiro uma pesquisa no intuído de descobrir que é o autor dessa novidade no REAA. Assim, talvez ele possa nos oferecer uma explicação.

Nesse sentido, me arrisco a dizer que essa prática pode ter sido ressuscitada de alguns rituais retrógrados utilizados no escocesismo que traziam algo parecido, provavelmente mal copiado do Rito Adonhiramita, rito este que possui na sua liturgia as doze badaladas argentinas que são utilizadas em consonância com as horas simbólicas de abertura e encerramento dos trabalhos, contudo isso nada tem a ver com tímpanos no REAA percutidos ritualisticamente pelas Luzes Loja. Em síntese, isso não existe quando se trata do REAA.

Dadas essas considerações. espero que o Irmão então entenda não tenho como responder uma questão sobre algo que não existe. Como dito, eu já vi as badaladas argentinas, mas no Rito Adonhiramita.

Concluindo, a despeito desses comentários devo salientar que as minhas considerações não tem o fito de incentivar desrespeito a um ritual em vigência. Por oportuno deixo claro que as minhas colocações nesse breve arrazoado tratam apenas de ilustrar aspectos relacionados à originalidade do REAA.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com.br
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

24 DE JUNHO

Sebastião Marcondes
Muitos irmãos não entenderão a capa da Revista M∴B∴ desse mês, mas a intenção foi justamente essa, despertar a curiosidade para uma ilustração, de uma cena noturna com um símbolo, um Ganso.

A capa da primeira edição foi fácil, verde e amarelo com o esquadro e o compasso, ou seja, Maçonaria Brasileira. Agora, um ganso? O que isso tem a ver com maçonaria?

Sempre estudamos que maçom é uma palavra que significa pedreiro, construtor de templos e catedrais. Em nossos estudos vimos que esse os antigos pedreiros são chamados de “maçons operativos” e depois “surgiu” a “maçonaria especulativa”, onde estudiosos, pessoas cultas e filósofos começaram a estudar o simbolismo dos antigos pedreiros para a “lapidação de si próprio” e “construção do seu templo interior”. A maçonaria operativa existia por toda a Europa, afinal, onde existe construção de catedrais, existe maçons, e por toda a Europa, o que não faltam são catedrais, belíssimas, riquíssimas em detalhes.

Essa transição de operativa em especulativa iniciou após 1666, ano em houve o grande incêndio de Londres, que durou 4 dias, destruindo grande parte da cidade de Londres, engolindo mais de 13.000 casas e 87 igrejas, inclusive a Catedral de Saint Paul (São Paulo). O incêndio foi um desastre inimaginável que transformou Londres em um grande canteiro de obras, e uma vez que as construções de madeira foram, neste momento, proibidas, os pedreiros (maçons), com o intuito de reconstruir a cidade nos moldes medievais, se beneficiaram muito.

Um dos arquitetos “badalados” na época era o Sir Christopher Wren, e ele teve um lugar de destaque nesta reconstrução. Além de arquiteto, era projetista, astrônomo, geômetra e foi fundador e presidente da Royal Society. Ele estava em toda parte. Imagine que ele foi responsável pela reconstrução de mais de 50 igrejas, sendo a principal a Catedral de São Paulo.

Na época, devido ao grande número de maçons existente em Londres, surgiram algumas Lojas. As Lojas se reuniam em estabelecimentos conhecidos como tabernas e traziam como nome o próprio nome da taberna. As tabernas também eram frequentadas por pessoas da sociedade, como pessoas cultas, filósofos, cientistas e arquitetos. O Sir Wren e os seus amigos da Royal Society, também eram uns dos frequentadores. Ao lado do canteiro de obras da Catedral de São Paulo havia uma taberna chamada The Goose and Gridiron (O Ganso e a Grelha), a mais frequentada por Sir Wren, inclusive atas da Loja o menciona como o “Mestre da Loja”. 

Em 24 de junho de 1717, apesar de algumas pesquisas indicarem outra data, os maçons de quatro Lojas se reuniram no piso superior da Taverna “O Ganso e a Grelha” para se unirem e ter um Grão-Mestre como Centro de União e Harmonia. Esse momento foi a fundação da Grande Loja de Londres e Westminster, atual Grande Loja Unida da Inglaterra. Na mesma ocasião foi apresentada uma lista de candidatos adequados para o cargo de Grão-Mestre, sendo eleito, por uma maioria de mãos levantadas, o primeiro Grão-Mestre dos Maçons, o Cavalheiro Anthony Sayer. O carpinteiro Jacob Lamball e o Capitão Joseph Elliot foram eleitos Grandes Vigilantes. Oficialmente foi o ponto de partida da Maçonaria Moderna.

O dia da fundação, 24 de junho, também é o dia de Solstício de Verão (no hemisfério norte, nas antigas tradições) e dia de São João Batista, tornado como Patrono pelas corporações de construtores do Idade Média, aqueles célebres Maçons Operativos dos quais se originou a Maçonaria Especulativa. O Solstício de Verão, encarnado pela festividade de São João Batista, uma importância diferenciada, símbolo do início de numa nova vida, através do batismo, e da entrada numa época cíclica de maior Luz. O Batista, que hoje celebramos, lembra-nos, assim, o fundamento iniciático da Ordem a que pertencemos.

Pelos três motivos expostos, na opinião do editor da Revista M∴B∴, a data para se comemorar o Dia do Maçom, deveria ser 24 de junho. Sabemos que a atual data comemorada pelos Maçons Brasileiros é 20 de agosto, data essa, considerada por ter ocorrido a sessão histórica entre as Lojas de Maçonaria "Comércio e Artes" e "União e Tranquilidade", ocasião que Gonçalves Ledo fez um discurso inflamado, pedindo apoio aos maçons presentes e mostrando a necessidade de se proclamar a independência do Brasil, mas não consideramos como a melhor data para se comemorar o dia do maçom, até porque, seguindo os entendimentos históricos em torno dos calendários analisados pelo Irmão Pedro Juk, essa sessão ocorreu em 09 de setembro. E também não consideramos que o Dia do Maçom deva ser 22 de fevereiro, aniversário de George Washington, primeiro Presidente dos EUA. As datas de 20 de agosto ou 22 de fevereiro, podem ter relevância para alguns maçons de determinados localidades, entretanto, não deveria ser mais relevante para a Maçonaria do que o dia 24 de Junho.

Bibliografia
http://www.oprumodehiram.com.br/o-ganso-e-a-grelha-24-de-junho-de-1717-o-que-realmente-aconteceu-ali/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Royal_Society
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Londres
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_ma%C3%A7onaria
https://opontodentrocirculo.com/2015/06/25/os-primeiros-mestres-macons/
https://www.maconaria.net/solsticio-de-verao/
https://www.noesquadro.com.br/noticias/o-tal-dia-internacional-do-macom/
https://www.uninter.com/noticias/os-macons-e-sua-influencia-na-proclamacao-da-independencia-do-brasil
https://pedro-juk.blogspot.com/2018/08/20-de-agosto-dia-do-macom-brasileiro.html
http://www.brasilmacom.com.br/dia-internacional-do-macom/
https://folhadolitoral.com.br/maconaria/dia-do-ma-om-e-explica-o-da-data-no-brasil
Jornal O Zzé, no 23, de julho de 1997, disponívelem https://bancadosbodes.com.br/o-zze-no-23/
02

Fonte: Revista M∴ B∴ nº 02

segunda-feira, 4 de julho de 2022

CERIMÔNIA DE ENTREGA DAS LUVAS ÀS CUNHADAS

(republicação)

O Respeitável Irmão Aristides Prado, Loja Dario Veloso, GOBPR, Oriente de Curitiba Estado o Paraná, apresenta a seguinte questão:

Gostaria de saber se existe a tal de “cerimônia de entrega de luvas” para as cunhadas após a Iniciação. Fiquei sabendo que algumas Lojas no Brasil assim que termina a Sessão de Iniciação têm o costume de reunir cunhadas, sobrinhos e sobrinhas e também convidados para que o novo Irmão faça a entrega das luvas para a sua esposa. Isso está correto? Não se estaria quebrando o costume da liberdade? E se estiverem presentes algumas cunhadas que não receberam as luvas. Como fica a situação?

APONTAMENTOS:

A entrega das luvas para o iniciado e um segundo para a pessoa que lhe causar melhor estima está simplesmente presente no ato da Iniciação. Outra cerimônia posterior para entrega pessoal das luvas femininas à cunhada é desconhecida e não está prevista no Ritual em vigência. Quem entrega o primeiro par de luvas conforme explicitado na página 137 do ritual em questão é o Mestre de Cerimônias. Logo em seguida, ainda o Mestre de Cerimônias, este entrega um par de luvas de mulher, dizendo que as mesmas são destinadas àquela que mais direito tiver à estima e o afeto do iniciado.

Como se pode ver, o ritual é claro e transparente. O iniciado apenas recebe das mãos do Mestre de Cerimônias às luvas e nada mais. Não existe qualquer outro procedimento de entrega de luvas, senão o previsto exarado.

Os Irmãos precisam compreender que o que realmente existe nesse simples ato é uma grande lição de liberdade por parte da Maçonaria, quando dá ao novo Irmão a opção de entregar o par de luvas femininas, por exemplo, à sua mãe, sua madrinha, avó, irmã, ou a esposa.

É de péssima geometria a Loja se intrometer na liberdade íntima do Irmão. A moral está em que ele deva fazer o que a sua consciência mandar e não o que os outros mandem.

Antes que alguns propaguem equivocadamente que a Maçonaria possa dar a liberdade para que um Irmão entregue às luvas a uma amante, por exemplo, isso não procede, pois já que a Loja sindicou, procedeu de acordo com os conformes das leis e costumes, o novo iniciado somente sofreu o processo iniciático após terem sido cumpridas todas as praxes do modo legal e, obviamente, acredita-se que nenhuma Loja iria iniciar um elemento que não estivesse de conformidade com os nossos preceitos morais. Daí essa alegação cai inteiramente por terra e não há como se confundir liberdade com libertinagem.

Ademais, o Ritual também preceitua na página 12, segundo parágrafo “Nos trabalhos litúrgicos, em qualquer Sessão, (em grifo) é proibida a inclusão de cerimônias, palavras, expressões, atos, procedimentos ou permissões que aqui não constem ou estejam previstos, assim como é vedada a exclusão de cerimônias, palavras, expressões, atos, procedimentos ou permissões que aqui não constem ou esteja previstos, sendo que a transgressão destas advertências, configura ilícito maçônico severo e como tal será tratado”.

Finalizando, ratificamos a completa inexistência dessa tal de “cerimônia de entrega de luvas”. Durante a Iniciação e, nela em dado momento, o recém-iniciado recebe do Mestre de Cerimônias os dois pares de luvas, ouvido as explicações devidas, necessárias e suficientes.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 771 Florianópolis (SC) – 06 de outubro de 2012

LITURGIA, RITO E RITUAL

Izautonio da Silva Machado Junior*

Introdução

A maçonaria realiza as suas reuniões através de cerimônias litúrgicas, fazendo uso de rituais que seguem determinados Ritos. Mesmo nos sistemas maçônicos onde não se adota o termo Rito - como o inglês - as cerimônias seguem de modo geral uma ordem estabelecida, com o objetivo de revelar os conteúdos iniciáticos que a Ordem propõe aos seus membros.

O objetivo deste trabalho é apresentar as definições de Liturgia, Rito e Ritual, vocábulos comumente utilizados no meio maçônico, no entanto frequentemente mal-empregados e menos ainda compreendidos. A exata compreensão destes termos tende a clarificar o entendimento das cerimônias maçônicas, proporcionando uma percepção correta das formas e dos conteúdos, distinguindo o supérfluo daquilo que é essencial, e deste modo melhor internalizar as lições que estas cerimônias visam transmitir.

A Liturgia

Liturgia vem do grego leitourgia, e significa serviço, ação, trabalho ou serviço público. Nesse sentido, não visa a utilidade particular, mas a comunidade. A Liturgia pode ser conceituada como um conjunto de atos preordenados para o desempenho de um serviço público, cujo objetivo é estabelecer uma ordem coerente dos mesmos, de modo a proporcionar que os assistentes percebam qual a finalidade da cerimônia que está sendo realizada.

A Liturgia pode ser de ordem social ou de ordem religiosa.

Existem no plano social diversas formas de liturgias. Por exemplo, no Poder Judiciário, quando se estabelece uma sequência de atos ordenados que têm por escopo promover a Justiça; ou em uma Inauguração de edifício público, onde os atos solenes realizados buscam demonstrar ao público que aquela construção terá uma importante finalidade social.

Do mesmo modo, na esfera religiosa existem as formas de Liturgia. Por exemplo, as missas católicas e os cultos judaicos, onde se pretende, através de uma ordem de atos cerimoniais e rituais, transmitir os conceitos e sentimentos religiosos que fomentam a fé e orientam os devotos a seguir os seus princípios.

Nesse ponto, interessante anotar que no Antigo Testamento da tradução grega da Bíblia (Bíblia dos Setenta), o vocábulo “liturgia” é designativo do serviço de culto do Templo de Jerusalém. Somente mais tarde é que o termo passou a se referir também às celebrações cristãs.



LITURGIA CERIMONIAL E LITURGIA RITUAL

A Liturgia possui como tipos a Liturgia Cerimonial (da cerimônia) e a Liturgia Ritual (do rito).

Enquanto a cerimônia é o nome atribuído às formas exteriores de um ato, o Rito se relaciona com um Mito e com símbolos.

O objetivo central da Liturgia Cerimonial é transmitir a sensação de ordem e beleza, através das formas exteriores dos atos praticados, ao passo que a Liturgia Ritual visa transmitir os elementos essenciais, a expressão dos mitos e símbolos, a interiorizar nos participantes os conteúdos iniciáticos. (MUNIZ, 2016, p. 35)

Por exemplo, o caso do Sacramento do Batismo Católico. A Liturgia Cerimonial pode ser identificada pelos atos de entrada do sacerdote, pelos objetos ou pelas vestes usadas. Já a Liturgia Ritual está compreendida na essência do ato em si, que ocorre quando o sacerdote molha com água a cabeça do batizado, consagrando-o na fé cristã.

Trazendo esses conceitos para uma sessão maçônica, podemos dizer que a Liturgia Cerimonial pode ser observada em elementos exteriores, como o sentido da circulação em loja, as músicas tocadas, a procissão de entrada, os títulos das autoridades maçônicas, a posição de sentar, o local onde se coloca os paramentos etc. Já a Liturgia Ritual pode ser identificada em atos como a abertura e o fechamento da loja, a disposição das Três Grandes Luzes, a verificação pelo Cobridor se o Templo está coberto, as provas da Iniciação, os sinais, toques e palavras etc. Todos estes são elementos internos essenciais da Liturgia.

RITO

Etimologicamente, a palavra Rito vem do latim ritus e significa “ordem prescrita” ou “ordem estabelecida”, e traduz um uso ou costume aprovado.

O Rito é uma forma de expressão de um Mito. De fato, a maçonaria se estrutura em torno de mitos, como por exemplo podemos citar a Construção do Templo de Salomão e a Lenda do Terceiro Grau. O Mito é o coração de um Rito, pois este se estrutura de modo a expressar aquele.

Historicamente, alguns dos primeiros Ritos conhecidos foram os primitivos Ritos Adivinhatórios e os Ritos Sacrificiais, onde se pretendiam influenciar as forças invisíveis e as divindades por meio de oferendas ou homenagens (ASLAN, 2012, p. 1173). Com o tempo, foram se desenvolvendo, de um lado, os Ritos Sociais, como o casamento e o funeral, e de outro lado os Ritos Religiosos, por meio de cerimônias e cultos.

Salomão dedica o templo em Jerusalém c. 1896–1902, James Jacques Joseph Tissot (francês, 1836–1902), ou seguidores, Museu Judaico de Nova York.

Os Ritos possuem um aspecto exterior, manifestado pela Liturgia Cerimonial, e um aspecto interior, exprimido pela Liturgia Ritual.

Em termos maçônicos, o Rito é um método de conferir a luz maçônica, e se vale para esse intento de uma coleção de graus, onde cada um deles contém uma etapa de conhecimento e progresso nos estudos. O Rito determina o conjunto de diretrizes gerais pelas quais se praticam as sessões, e por intermédio do qual se expressam os elementos da Ordem.

Acredita-se que a terminologia maçônica se inspirou na Tradição da Igreja Católica (MELLOR, 1989, p. 213), que se divide em ritos, dos quais são espécies o Latino, o Bizantino, o Armênio, o Antioqueno, o Caldeu e o Alexandrino.

Como sabemos, na maçonaria existem diversos Ritos, que se distinguem entre si pela forma e possuem pontos fundamentais em comum, que são uma síntese da essência da maçonaria. Em outras palavras, a essência dos elementos maçônicos está presente nos Ritos, que são meios alternativos de se alcançar o mesmo objetivo, que é o de transmitir o conteúdo simbólico, filosófico e iniciático da maçonaria.

Em maçonaria, podemos dizer, sem sombra de dúvida, que a Cerimônia de Iniciação, parte essencial de todos os Ritos, que a realizam de variadas formas, é uma experiência representativa de uma Tradição que desde a Antiguidade segue os mesmos padrões: o aspirante deve renunciar à ambição e à possíveis aspirações para se submeter a uma prova, à qual deve se sujeitar sem esperança de sucesso. Deve estar preparado para passar por provações e inclusive morrer. A criação de uma atmosfera de morte e renascimento simbólicos é o verdadeiro propósito da Iniciação (HENDERSON, 2008, p. 170).

OS RITOS E SUAS VERSÕES

Como dissemos, é possível que a maçonaria tenha se inspirado na terminologia da Igreja Católica, que possui Ritos. O Rito Latino, que é o adotado pela Igreja Católica Apostólica Romana, possui como versões o Rito Romano, o Rito Ambrosiano, o Rito Moçárabe e o Rito Galiciano (ou Lionês). As versões são, portanto, formas diferentes de se praticar o mesmo rito. No exemplo, se tratam de variações do Rito Latino. Fazendo comparação com a maçonaria, podemos ver que o mesmo ocorre com seus diversos Ritos.

O Rito Escocês Antigo e Aceito possui versões na forma como é praticado nos diversos países, e mesmo dentro de um mesmo país, como no Brasil, onde observamos que há variações na sua prática entre as potências simbólicas.

Também no Rito de York americano isso é verdadeiro, na medida em que cada Grande Loja dos Estados Unidos pode adotar uma diferente versão do mesmo. No Brasil, a maioria das potências seguem o modelo da Grande Loja de Nova York, mas encontramos variação na Grande Loja da Paraíba, por exemplo, que adotou o modelo da Grande Loja de Nevada.

OS RITOS MAÇÔNICOS PRATICADOS NO BRASIL

O Brasil é um dos países onde a maçonaria pratica maior quantidade de Ritos diferentes, o que se configura em uma grande riqueza cultural disponível aos maçons brasileiros. Em nosso país, os Ritos praticados pelas potências reconhecidas são os seguintes:


Além desses, há outros Ritos que são adotados por potências não reconhecidas, dentre os quais citamos o Rito Antigo Primitivo de Memphis-Misraim.

RITUAL

A palavra ritual, do latim ritualis, isoladamente, possui outros significados. Como adjetivo, Ritual designa o que é relativo a Ritos (MENDES, 2011, p. 37). Como substantivo, de-signa o livro que contém a ordem e a forma de determinada cerimônia, das dramatizações e representações ritualísticas.

O Rito prescreve o conjunto de princípios gerais, enquanto que o Ritual é um conjunto de regras estabelecidas para a Liturgia das cerimônias maçônicas. Ao fazer analogia com ter-mos jurídicos, o Rito pode ser comparado a uma Lei - um conjunto de preceitos e obrigações gerais -, enquanto o Ritual pode ser comparado a uma Instrução Normativa - que regulamenta como essa Lei deve ser observada e praticada (ISMAIL, 2013).

Como substantivo, Ritual é o livro que serve como “manual de procedimentos”. Chamamos de Ritual o livro que usamos nas sessões, pois ele contém as fórmulas e instruções necessárias à prática uniforme e regular dos trabalhos, como por exemplo a fórmula ritualística de abertura e fechamento de uma sessão.

Enquanto o Rito é um gênero, o Ritual é uma espécie. Em outros termos, o rito é “continente” - que contém - e o ritual é “conteúdo” - está contido naquele. Cada Rito maçônico pode conter vários rituais, como o Ritual de Consagração de Templo, os Rituais de Iniciação, Elevação e Exaltação, o Ritual de Cerimônia Fúnebre, o Ritual de Loja de Mesa, os Rituais de abertura das sessões, entre outros.

Nesse ponto de nosso estudo, adverte-se não confundir Liturgia com Rito e com Ritual. Os Ritos fazem uso da Liturgia (Cerimonial e Ritual) para alcançar a finalidade de transmitir o seu conteúdo iniciático e simbólico, e também fazem uso dos rituais, para organizar os seus procedimentos nas sessões e cerimônias.

CONCLUSÃO

Conforme vimos, os vocábulos Liturgia, Rito e Ritual possuem definições diferentes, que se relacionam entre si, e que muitas vezes são objeto de confusão quando empregados no meio maçônico. A compreensão destes termos possibilita ao maçom ampliar a seu entendimento acerca das cerimônias da Ordem, e assim apreciar a sua ordem e beleza, consciente de que se tratam de elementos meramente formais, ao mesmo tempo em que se torna apto a captar os seus aspectos mais profundos e essenciais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASLAN, Nicola. Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia. Londrina: Editora Maçônica “A Trolha”, 2012.

HENDERSON, Joseph L. Os mitos antigos e o homem moderno. In: JUNG, Carl G. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.

ISMAIL, Kennyo. O que é Rito e o que é Ritual. Blog No Esquadro, 2013. Disponível em https://www.noesquadro.com.br/termos-e-expressoes/o-que-e-rito-e-o-que-e-ritual/. Acesso em 09 de maio de 2020.

MELLOR, Alec. Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons. São Paulo: Martins Fontes, 1989. MENDES, Fábio. Ritual de Emulação – O grau de Aprendiz Maçom. Sorocaba: Edição do Autor, 2011. MUNIZ, André Otávio Assis. Curso Elementar de Maçonologia. São Paulo, Richard Veiga, 2016.

*1Bacharel em Direito. Especialista em Direito Civil e Direito Processual Civil. Especialista em Maçonologia - História e Filosofia da Maçonaria. Mestre Instalado. Cavaleiro Templário do Rito de York. Past Ilustre Mestre do Conselho Lux Mundi no 54. Grau 28 do R.E.A.A. Presidente da Loja de Perfeição Jorge Teixeira. Desembar-gador do TJM da GLOMARON. Cad. Maçônico no 2434 GLOMARON. E-mail: izautonio@gmail.com

Fonte: Revista Triponto nº 1

domingo, 3 de julho de 2022

DIREITO OU ESQUERDO? COM QUAL PÉ SE INGRESSA NO TEMPLO?

Em 03.12.2021 o Respeitável Irmão Leonardo Pereira, Loja Obreiros de Macaé, REAA, GOB-RJ, Oriente de Macaé, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a dúvida seguinte:

O PÉ COM QUE SE INGRESSA NO TEMPLO

Em um bate papo com um irmão, surgiu o assunto sobre a entrada ao templo utilizando o pé esquerdo, com a loja ainda fechada. Alguns irmãos falam que se deve entrar com o pé esquerdo, obrigatoriamente, eu acredito que não exista tal exigência. Então gostaria de ter uma luz sobre esse assunto. Li seu artigo no blog que fala sobre este mesmo assunto. Poderia me esclarecer essa dúvida por favor? Pois estou querendo apresentar um trabalho sobre o tema e gostaria de fontes confiáveis como a do Ilustre irmão. Gostaria de fazer contato com a Ritualística do GOB, mas não encontrei nenhum meio de contato. No nosso ritual não achei nada que pudesse embasar minha opinião.

Desde já agradeço a atenção do Irmão.

CONSIDERAÇÕES:

Pois é, vira e mexe e aparecem as carcaças de dinossauro (difícil de ser consumida). Ora, isso é folclore, pura fantasia. Essa história de se utilizar de um pé específico para ingressar no templo (sala da loja), ou mesmo ingressar no Oriente, não faz parte da liturgia do REAA.

Vale mencionar que essa prática ritualística não consta no Ritual e nem no SOR - Sistema de Orientação Ritualística do GOB.

É uma incoerência que em uma Instituição que investiga a Verdade e prima pela razão, como a Maçonaria, ainda encontrarmos Irmãos que apregoam essas práticas
fantasiosas.

No REAA, genuinamente se ingressa normalmente no templo, não importando com qual pé se projeta o passo. Também não importa para esse procedimento a Loja estar aberta ou ainda fechada.

Imagine os Irmãos no préstito de entrada serem obrigados a entrar com o pé esquerdo, marchando feito um grupamento militar?

O templo maçônico é uma oficina simbólica de trabalho para aperfeiçoamento humano e não um palco de prosélitos sustentados por crenças individuais.

Não confundir com a Marcha do Grau que, por uma questão de uniformidade, é rompida em Loja aberta com o pé esquerdo, contudo isso nada tem a ver com ingressar no recinto do templo (passar pela porta).

Por fim, oriento-o a consultar o SOR, Sistema de Orientação Ritualística que está na plataforma no GOB-RITUALÍSTICA. Ele é um instrumento que orienta, corrige e adequa os rituais do GOB e está amparado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral que é o guardião dos nossos rituais.

T.F.A.
PEDRO JUK
Secretário Geral de Orientação Ritualística o GOB/PODER CENTRAL.
jukirm@hotmail.com

Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

INSTRUÇÃO DO GRAU DE APRENDIZ

TEMA: TEMPLO MAÇÔNICO

Desde que o ser humano aprendeu a reconhecer a existência de um ser supremo no Universo, que lhe deu origem e vida e que condiciona, orienta e comanda os seres que criou, ele também aprendeu a respeitar esta divindade, a tentar interpretar as suas manifestações e a exteriorizar os seus sentimentos sobre a forma de credos mais ou menos complexos. Para isso, locais especiais preparados de forma adequada e adornados de acordo com o grau de desenvolvimento dos povos, foram e são utilizados para as práticas religiosas e sagradas. Estes lugares sempre foram cercados de cuidados e segurança contra indivíduos estranhos e ameaçadores e intempéries. Com o passar dos tempos foram adquirindo características místicas, de acordo com o grau evolutivo da cultura que os construía e, para seu serviço, foram sendo treinados homens e mulheres, que transmitiam os ofícios litúrgicos de geração em geração, por processo permanente a seu serviço.

Um templo apresenta, em geral, uma distribuição interna do espaço, de acordo com a seita, ordem ou religião a que serve. Sendo esses espaços comuns à maioria dos templos, podendo-se citar:

1 – Local onde a divindade se manifesta. Normalmente é um altar de pedra ou de madeira, colocado em um ponto proeminente e bem visível, destacando-se no conjunto arquitetônico da construção.

2 – Concentração dos fiéis. Este espaço de razoável amplitude, devendo comportar a totalidade dos fiéis. Possui abertura para o exterior, não raro guardadas por animais selvagens ou seres mitológicos.

3 – Praça ou altar de sacrifícios. É aquele que o rito pratica seu ofertório sacrificial, seja ele realmente um sacrifício ou por meio de atos teatral. Estes atos costumam ser interpretados, também no espaço sacrificial do templo.

4 – Locais de iniciação de sacerdotes ou adeptos. Costumam ser reservados espaços específicos, dentro ou fora do templo, para a realização dos atos litúrgicos referentes as iniciações ou aceitação do pessoal que se dedicará ao serviço do rito ou do templo . Ai estão depositados os materiais iniciáticos, os altares ou tronos específicos, as câmaras de expiação, etc..

Além dessas características, os templos costumam ostentar ornamentos diversos, de acordo com a filosofia que orienta a seita, ordem ou religião. Normalmente encerram significados simbólicos, que servem para preservar os ensinamentos contra as mutações semânticas da língua predominante entre os adeptos, garantindo a sua perpetuidade.

O templo Maçônico é, em si mesmo, um símbolo múltiplo, dentro do qual devem ser desenvolvidas e aprimoradas as qualidades consideradas pela filosofia Maçônica como indispensáveis para atingir a perfeição. Se o homem é um templo, e se os templos são os locais de manifestações e adoração do G∴A∴D∴U∴, constitui-se dever do homem buscar, em si mesmo, as manifestações divinas que tornam um ser impar na natureza, ele que tem consciência do que deve ser e o que deve fazer para o ser.

A Maçonaria utiliza templos para a prática de sua liturgia, inspira-se nos relatos bíblicos sobre a construção do templo de Salomão, associados à práticas e lendas cristãs da Idade Média e conhecimentos ocultistas.

O Templo Maçônico tem forma retangular ou de um quadrilongo, seu comprimento é do oriente ao ocidente, sua largura de Norte a Sul, sua altura da Terra ao Zênite e sua profundidade da superfície ao centro da terra. Divide-se internamente em dois espaços, separado por uma balaustrada: O Oriente, de onde nasce a luz para os MM∴ e o Ocidente de onde chegam os MM∴ em busca da luz. No Oriente tem acento o Vem∴M∴ e os MM∴ que, por dever de ofício, direito honorífico ou convite específico, ali se colocam durante os trabalhos. No Ocidente tem assento os demais IIr∴.

Dá-se também a orientação do templo no sentido Oriente – Ocidente, seja porque essa era a orientação do templo de Salomão, seja porque, a sabedoria e a cultura veio do Oriente para o Ocidente, ou porque o Sol, símbolo da Sabedoria, ergue-se no Oriente, dirigindo-se para o ocidente.

O Templo Maçônico é decorado com Ornamentos e revestido de Paramentos e Jóias.

Os Ornamentos são: Pavimento mosaico, Orla dentada e a Corda de oitenta e um nós.

Os Paramentos são: O L∴ da L∴, Esquadro e o Compasso.

As Jóias são: Fixas (Prancha da Loja, P∴ B∴ e P∴P∴), e as Jóias móveis (Esquadro, Prumo e Nível).

Doze colunas zodiacais são colocadas nos lados do templo, simbolizando a luz que todos os MM∴ recebem no interior do templo.

No Oriente, há três altares, a saber: do Ven∴M∴ (retangular), do Or∴, do Secr∴ (triangulares).

No Ocidente existem quatro altares: 1º  Vig∴, 2º  Vig∴, Tes∴, Chanc∴.

O hábito de Estrelar o teto dos Templos tem sua origem no Egito antigo, notado no magnifico Templo de Carnac (hoje, Luxar). Porém para a simbologia Maçônica é correto que ele tenha apenas a presença do Sol e da Lua, e as nuvens de cor, mostrando a transição do dia (Oriente), para a noite (Ocidente).

Duas colunas denominadas de J∴ e B∴ ficam de cada lado externo da porta.

Podemos interpretar que o Templo Maçônico é o Símbolo do Universo, pois Deus ocupa todo o espaço e todo o tempo universal. Ele reproduz o macrocosmo em um microcosmo; segundo a máxima hermética: “Assim como é em cima é em baixo”.

A∴M∴ CARLOS ROBERTO SIMÕES
A∴ M∴ WALTER PEREIRA DE CARVALHO

BIBLIOGRAFIA:

· SEMINÁRIO GERAL DE MESTRES MAÇONS
Instituto de Estudos Maçônicos Específicos

· LITURGIA E RITUALÍSTICA DO GRAU DE APRENDIZ MAÇOM (Castellani, José)

Fonte: http://trabalhosdamaconaria.blogspot.com

sábado, 2 de julho de 2022

EXPEDIENTE PROFANO LIDO PELO ORADOR?

Em 01.12.2021 o Respeitável Irmão Tiago Witzke, Loja Regeneração Guabirubense, 4.100, GOB-SC, sem mencionar o Rito, Oriente de Brusque, Estado de Santa Catarina, pede esclarecimentos para o que segue:

EXPEDIENTE PROFANO

Com relação a leitura de Leis, Atos e Decretos são assuntos relacionados somente a maçonaria?

Por exemplo, saiu uma portaria da Secretaria de Saúde, que está relacionada as medidas de prevenção da COVID. Esse tipo de tema, também faço a leitura?

CONSIDERAÇÕES:

Se o assunto for de interesse da Loja, ou da Maçonaria em geral, entendo que é perfeitamente aceitável que seja dado conhecimento, contudo, é preciso que haja rigoroso critério no sentido de que o expediente seja de fato relevante ao ponto de que seja lido em Loja. É bom que se diga que uma sessão maçônica trabalha com assuntos maçônicos.

O Secretário deve separar expediente maçônico de assuntos a bem da Ordem ou do Quadro em particular.

No caso de um Ato, Lei ou um Decreto emanado de poderes públicos profanos, por exemplo, caso seja de interesse, será dado conhecimento no período apropriado, ou seja, na palavra a bem da Ordem pelo Secretário, e não direcionado ao Orador para leitura. Cabe ao Orador ler diplomas legais emanados dos poderes maçônicos e não profanos. Afinal estamos falando de uma sessão ordinária maçônica.

Enfim, recomenda-se que tudo seja analisado com critério, para assim se evitar procedimentos contrários aos afins maçônicos.

Especificamente no caso concernente à sua consulta, decreto sobre a COVID, sendo ele abrangente e que demande de providências que envolvam a suspensão preventiva dos trabalhos da Loja por força de decreto municipal ou estadual, obviamente que merece ser dado conhecimento à Loja, contudo a sua leitura será feita pelo Secretário e não pelo Orador. Providências a serem tomadas nesse caso cabem ao Venerável Mestre ou mesmo à Obediência Estadual.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÒNICA DE ZÉ RODRIX

JOSÉ RODRIGUES TRINDADE (Rio de Janeiro, 1947 — São Paulo, 2009). Cantor, compositor, multi-instrumentista, publicitário e escritor brasileiro. Era filho e neto de maçons e foi muito atuante na Ordem, chegando a ser Venerável. Escreveu “A Trilogia do Templo”, considerada obra essencial para maçons brasileiros. Foi Exaltado a Mestre um ano depois de Iniciado, pelo seu alto conhecimento sobre a Maçonaria.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 30 de novembro de 1991 (Sábado).

Loja: Apóstolos do Tempo nº 241, GLESP, São Paulo, Brasil.

Idade: 44 anos.

Oriente Eterno: Faleceu aos 61 anos de idade, vítima de mal súbito.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

POR QUE SÃO JOÃO, "NOSSO PADROEIRO"?

José Castellani

Além de girar em torno de seu eixo, a Terra desloca-se no espaço com um movimento de translação em torno do Sol, quando descreve uma elipse, de acordo com as leis de Kepler. Para o observador situado na Terra, todavia é como se esta fosse fixa e o Sol se movesse em torno dela, seguindo um caminho, que, como já foi visto, é chamado de eclíptica.

Em sua marcha em torno do Sol, a Terra, descrevendo uma elipse, ficará mais próxima, ou mais afastada do astro da luz. O ponto mais próximo 147 milhões de quilômetros é o periélio; o mais afastado 152 milhões de quilômetros é o afélio. Se a Terra, no movimento de translação, girasse sobre um eixo vertical em relação ao plano da órbita, as suas diferentes regiões receberiam iluminação sempre sob o mesmo ângulo e a temperatura seria sempre constante, em cada uma delas. Mas, como o eixo é inclinado, em relação à órbita, essa inclinação faz com que os raios solares incidam sobre a Terra segundo um ângulo diferente, a cada dia que passa. E, assim, vão se sucedendo as estações: verão, outono, inverno e primavera.

Como os planos do equador terrestre e da eclíptica não coincidem tendo uma inclinação, um em relação ao outro, de 23 graus e 27 minutos, eles se cortam ao longo de uma linha, que toca a eclíptica em dois pontos: são os equinócios. O Sol, em sua órbita aparente, cruza esses pontos, ao passar de um hemisfério celeste para outro; a passagem de Sul a Norte, marca o início da primavera no hemisfério Norte e do outono no hemisfério Sul; a passagem do Norte para o Sul, marca o início do outono no hemisfério Norte e da primavera no hemisfério Sul. Esses são os equinócios de primavera e de outono.

Por outro lado, nos momentos em que o Sol atinge suamaior distância angular do equador terrestre, ou seja, quando é máximo o valor de sua declinação, ocorrem os solstícios. Os dois solstícios ocorrem a 21 de junho e a 21 de dezembro; a primeira data marca a passagem do Sol pelo primeiro ponto do trópico de Câncer, enquanto que a segunda é a passagem do Sol pelo primeiro ponto do trópico de Capricórnio. No primeiro caso, o Sol está em afélio e é solstício de verão no hemisfério Norte e de inverno no hemisfério Sul; no segundo, o Sol está em periélio e é solstício de inverno no hemisfério Norte e de verão no hemisfério Sul. Portanto, o solstício de verão no hemisfério Norte e de inverno no hemisfério Sul, ocorre quando o Sol está em sua posição mais boreal (Norte), enquanto que o solstício de verão no hemisfério Sul e de inverno no hemisfério Norte, ocorre quando o Sol está em sua posição mais austral (Sul).

Por herança recebida dos membros das organizações de ofício, que tradicionalmente, costumavam comemorar os solstícios, essa prática chegou à Maçonaria moderna, mas já temperada pela influência da Igreja sobre as corporações operativas. Como as datas dos solstícios são 21 de junho e 21 de dezembro, muito próximas das datas comemorativas de São João Batista --- 24 de junho --- e de São João Evangelista --- 27 de dezembro --- elas acabaram por se confundir com estas, entre os operativos, chegando à atualidade. Hoje a posse dos Grão-Mestres das Obediências e dos Veneráveis Mestres das Lojas realiza-se a 24 de junho, ou em data bem próxima; e não se pode esquecer que a primeira Obediência maçônica do mundo, como já foi visto, foi fundada em 1717, no dia de São João Batista.

Graças a isso, muitas corporações, embora houvesse um santo protetor para cada um desses grupos profissionais, acabaram adotando os dois São João como padroeiros, fazendo chegar esse hábito à moderna Maçonaria, onde existem, segundo a maioria dos ritos, as Lojas de São João, que abrem os seus trabalhos “à glória do Grande Arquiteto do Universo (Deus) e em honra a S. João, nosso padroeiro”, englobando, aí, os dois santos.

No templo maçônico, essas datas solsticiais estão representadas num símbolo, que é o Círculo entre Paralelas Verticais e Tangenciais. Este significa que o Sol não transpõe os trópicos, o que sugere, ao maçom, que a consciência religiosa do Homem é inviolável; as paralelas representam os trópicos de Câncer e de Capricórnio e os dois S. João. Tradicionalmente, por meio da noção de porta estreita, como dificuldade de ingresso, o maçom evoca as portas solsticiais, estreitos meios de acesso ao conhecimento, simbolizados no círculo cósmico, no círculo da vida, no zodíaco, pelo eixo Capricórnio-Câncer, já que Capricórnio corresponde, ao solstício de inverno e Câncer ao de verão (no hemisfério Norte, com inversão para o Sul).

A porta corresponde ao início, ou ao ponto ideal de partida, na elíptica do nosso planeta, nos calendários gregorianos e também em alguns pré-colombianos, dentro do itinerário sideral. 

O homem primitivo distinguia a diferença entre duas épocas, uma de frio e uma de calor, conceito que, inicialmente, lhe serviu de base para organizar o trabalho agrícola. Graças a isso é que surgiram os cultos solares, com o Sol sendo proclamado como fonte de calor e de luz o rei dos céus e o soberano do mundo, com influência marcante sobre todas as religiões e crenças posteriores da humanidade. E, desde a época das antigas civilizações, o homem imaginou os solstícios como aberturas opostas do céu, como portas, por onde o Sol entrava e saía, ao terminar o seu curso, em cada círculo tropical.

A personificação de tal conceito, no panteão romano, foi o deus Janus, representado como divindade bifásica, graças à sua marcha pendular entre os trópicos; o seu próprio nome mostra essa implicação, já que deriva de janua, palavra latina que significa porta. Por isso, ele era, também, conhecido como Janitur, ou seja, porteiro, sendo representado com um molho de chaves na mão, como guardião das portas do céu. Posteriormente, essa alegoria passaria, através da tradição popular cristã, para São Pedro, mas sem qualquer relação com o solstício.

Janus era um deus bicéfalo, com duas faces simetricamente opostas, cujo significado simbolizava a tradição de olhar, uma das faces, constantemente, para o passado, e a outra, para o futuro. Os Césares da Roma imperial, em suas celebrações e para dar ingresso ao Sol nos dois hemisférios celestes, antepunham o deus Janus, para presidir todos os começos de iniciação, por atribuir-lhe a guarda das chaves.

Tradicionalmente, tanto para o mundo oriental, quanto para o ocidental, o solstício de Câncer, ou da Esperança, alusivo a São João Batista (verão no hemisfério Norte e inverno no hemisfério Sul), é a porta cruzada pelas almas mortais e, por isso, chamada de Porta dos Homens, enquanto que o solstício de Capricórnio, ou do Reconhecimento, alusivo a São João Evangelista (inverno no hemisfério Norte e verão no hemisfério Sul), é a porta cruzada pelas almas imortais e, por isso, denominada Porta dos Deuses. Para os antigos egípcios, o solstício de Câncer (Porta dos Homens) era consagrado ao deus Anúbis; os antigos gregos o consagravam ao deus Hermes. Anúbis e Hermes eram, na mitologia desses povos, os encarregados de conduzir as almas ao mundo extraterreno .

A importância dessa representação das portas solsticiais pode ser encontrada com o auxílio do simbolismo cristão, pois, para o maçom, as festas dos solstícios são, em última análise, as festas de São João Batista e de São João Evangelista. São dois São João e há, aí, uma evidente relação com o deus romano Janus e suas duas faces: o futuro e o passado, o futuro que deve ser construído à luz do passado. Sob uma visão simbólica, os dois encontram-se num momento de transição, com o fim de um grande ano cósmico e o começo de um novo, que marca o nascimento de Jesus: um anuncia a sua vinda e o outro propaga a sua palavra. Foi a semelhança entre as palavras Janus e Joannes (João, que, em hebraico é Ieho-hannam = graça de Deus) que facilitou a troca do Janus pagão pelo João cristão, com a finalidade de extirpar uma tradição “pagã”, que se chocava com o cristianismo. E foi desta maneira que os dois São João foram associados aos solstícios e presidem às festas solsticiais.

Continua, aí, a dualidade, princípio da vida: diante de Câncer, Capricórnio; diante dos dias mais longos, do verão, os dias mais curtos, do inverno; diante de São João “do inverno”, com as trevas, Capricórnio e a Porta de Deus, o São João “do verão”, com a luz, Câncer e a Porta dos Homens (vale recordar que, para os maçons, simbolicamente, as condições geográficas são, sempre, as do hemisférios Norte).

Dentro dessa mesma visão simbólica, podemos considerar a configuração da constelação de Câncer. Suas duas estrelas principais tomam o nome de Aselos (do latim Asellus, i = diminutivo de Asinus, ou seja: jumento burrico). Na tradição hebraica, as duas estrelas são chamadas de Haiot Nakodish, ou seja, animais de santidade, designados pelas duas primeiras letras do alfabeto hebraico, Aleph e Beth, correspondentes ao asno e ao boi. Diante delas, há um pequeno conglomerado de estrelas, denominado, em latim, Praesepe, que significa presépio, estrebaria, curral, manjedoura, e que, em francês, é crèche, também com o significado de presépio, manjedoura, berço. Essa palavra créche já foi, inclusive, incorporada a idiomas latinos, com o significado de local onde crianças novas são acolhidas, temporariamente.

Esse simbolismo dá sentido à observação material: Jesus nasceu a 25 de dezembro, sob o signo de Capricórnio, durante o solstício de inverno, sendo colocado em uma manjedoura, entre um asno e um boi.

Essa data de nascimento, todavia, é puramente simbólica. Para os primeiros cristãos, Jesus nascera em julho, sob o signo de Câncer, quando os dias são mais longos no hemisfério Norte. O sentido cristão, no plano simbólico, abordaria, então, apenas a Porta dos Homens e, assim, só haveria a compreensão de Jesus, como ser, como homem. Mas Jesus é o ungido, o messias, o Cristo segundo a teologia cristã e o outro polo, obrigatoriamente complementar, é a Porta de Deus, sob o signo de Capricórnio tornando a dualidade compreensível.

Dois elementos, entretanto, um material e um religioso, viriam a influir na determinação da data de 25 de dezembro. O material refere-se aos hábitos dos antigos cristãos e o religioso, ao mitraismo da antiga Pérsia, adotado por Roma:

Os primeiros cristãos do Império Romano, para escapar às perseguições, criaram o hábito de festejar o nascimento de Jesus durante as festas dedicadas ao deus Baco, quando os romanos, ocupados com os folguedos e orgias, os deixavam em paz.

Mas a origem mitraica é a que é mais plausível para explicar essa data totalmente fictícia: os adeptos do mitraismo costumavam se reunir na noite de 24 para 25 de dezembro, a mais longa e mais fria do ano, numa festividade chamada --- no mitraismo romano --- de Natalis Invicti Solis (nascimento do Sol triunfante). Durante toda a fria noite, ficavam fazendo oferendas e preces propiciatórias, pela volta da luz e do calor do Sol, assimilado ao deus Mitra. O cristianismo, ao fixar essa data para o nascimento de Jesus, identificou-o com a luz do mundo, a luz que surge depois das prolongadas trevas.

Fonte: Revista Arte Real nº 4

sexta-feira, 1 de julho de 2022

CARTA CONSTITUTIVA E O USO DA PALAVRA DE PASSE

Em 01.12.2021 o Respeitável Irmão José Antônio Silva dos Santos, Loja Guaicurus, 4.317, REAA, GOB-MS, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta as dúvidas seguintes:

CARTA CONSTITUTIVA E PALAVRA DE PASSE

A dúvida e referente à carta constitutiva, como a maioria das Lojas loca o templo não seria correto cada loja no dia do seu trabalho colocar sua carta constitutiva documento este que da legalidade para funcionamento da oficina? A segunda pergunta se refere a palavra de passe do Companheiro Maçom, quando usamos ela em loja? Onde o ritual fala quando entra em Loja?

CONSIDERAÇÕES:

Sem dúvida, isso seria o ideal, ou seja, só estivesse presente a Carta Constitutiva da Loja aberta na ocasião.

Sabemos, contudo, que geralmente não é assim que acontece. Provavelmente por comodidade, as Lojas que ocupam o recinto acabam deixando as Cartas expostas. O mesmo acontece com os Estandartes.

O certo é que o Arquiteto, ao preparar o templo para a sessão, isto é, antes de se abrir a Loja, tome as devidas providências nesse sentido.

No tocante à Palavra de Passe, ela, pela sua própria definição, já demonstra que a sua serventia é para pedir passagem. Obviamente que essa passagem é para se ingressar no Templo.

Dado a isso é que quando da verificação dos Vigilantes na liturgia de abertura, eles não a pedem, pois todos já estão dentro do templo (não se trata de passagem de fora para dentro).

Essa orientação está escrita no SOR – Sistema de Orientação Ritualística que está na página oficial do GOB e existe para ser aplicado sobre os rituais – Decreto 1784/19 do Grão-Mestre Geral.

A Palavra de Passe, a despeito do seu cunho iniciático, somente é solicitada para ingresso no Templo. Isto é, o visitante a dá depois de ter sido antes examinado pelo Sin∴, pelo Toq∴ e pela Pal∴ Sagr∴. Assim, é por último que o examinador pede a Palavra de Passe para que possa se efetivar a “passagem” (do Átrio para dentro do Templo).

T.F.A.
PEDRO JUK- jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A TROLHA

Rui Bandeira"

A Maçonaria utiliza os artefatos e ferramentas ligados à atividade da construção como símbolos ilustrativos dos ensinamentos que procura transmitir e preservar. É o caso, por exemplo, da trolha.

A trolha, ou colher de pedreiro, é uma ferramenta do ofício da construção utilizada para separar, transportar, projetar ou colocar argamassa, massa ou cimento nas superfícies, paredes ou muros, de uma construção. Serve também para alisar a massa, argamassa ou cimento colocada, por exemplo, numa placa ou na união entre pedras ou tijolos de uma parede ou muro.

Tendo em conta estas utilidades para o ofício da construção, a Maçonaria Especulativa adapta o conceito para simbolizar virtudes ou comportamentos que devem ser adotados pelos maçons e naturais numa Loja maçónica.

Tal como a ferramenta operativa alisa as superfícies, assim também o maçom deve utilizar a trolha da concórdia, da conciliação, para alisar, regularizar, aplainar diferenças ou conflitos entre Irmãos.

A Fraternidade não é necessariamente um oásis de paz e ausência de conflitos. Tal como os irmãos biológicos, embora mantendo entre si laços fortes de solidariedade e amor fraternal, não obstante têm frequentes desacordos, querelas, conflitos, que aprendem a regular sem pôr em causa a sua relação fraternal, também os Irmãos maçons estão sujeitos á erupção de conflitos e desacordos entre si, que devem regular preservando as suas fraternais relações.

Devem, por isso, sempre ter ao alcance de sua consciência a trolha da conciliação, da boa-vontade, do saber olhar pelo ponto de vista do outro, para alisar as diferenças, conciliar os interesses ou propósitos divergentes.

A trolha simboliza ainda a benevolência, a tolerância, a indulgência, perante as asperezas, os defeitos alheios, espalhando sobre eles a massa do perdão, do esquecimento de injúrias ou agravos, em prol da harmonia da construção.

O maçom não se deve também esquecer nunca que, tal como se vê na necessidade de utilizar a trolha para alisar as asperezas que vê em outros, também os demais utilizam idêntico instrumento simbólico em relação às suas próprias imperfeições. A tolerância, a fraternidade, funcionam em sentido duplo. Ninguém tem o direito de reclamar para si o perdão ou a complacência em relação aos seus erros sem ele próprio ter idêntica atitude em relação aos demais.

Manejar a trolha simbólica não é fácil. Exige treino, exige habituação, exige bom-senso. Só progressivamente aquele que entra na Maçonaria se habitua a manejar esta ferramenta simbólica. Enquanto as ferramentas por excelência do Aprendiz são o maço e o cinzel, com que desbastam a sua pedra bruta, corrigindo-se das maiores asperezas e dando-se forma adequada para colocação útil no Grande Templo da Harmonia Universal, e que as ferramentas do Companheiro são essencialmente o prumo, o nível e o esquadro, com que colocam a pedra já aparelhada no sítio certo e útil, o Mestre Maçom tem como instrumentos essenciais a Prancha de Traçar, onde traça os planos da construção de si mesmo e do seu comportamento e - precisamente - a trolha, com que espalha o cimento da harmonia, que une definitivamente todos os materiais da sua construção de si.

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br