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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

segunda-feira, 22 de junho de 2020

NORTE MAIS ESCURO

NORTE MAIS ESCURO
(republicação)

Em 01/10/2015 o Respeitável Irmão Gilberto Nielsen, Loja União Santelenense, 100, REAA, GLMEGO, Oriente de Santa Helena de Goiás, Estado de Goiás, solicita esclarecimento para o que segue: gilbertonielsen@hotmail.com

Meu Irmão fui nomeado pelo Venerável Mestre de minha Loja para o cargo de Mestre de Instrução e Liturgia, e sou Mestre Instalado. 

Estou procurando-lhe para que me ajude a sanar uma dúvida, que, não estou conseguindo dentro dos canais procurados. Gostaria de saber o porquê de algumas Lojas que seguem o REAA∴, tem o lado norte da Loja mais escuro na iluminação do Templo, assim era em nossa Loja, desde quando iniciei na Ordem há mais ou menos 20 anos, mas reformaram o Templo recentemente e iluminaram tudo, questionei, mas, no Ritual não tem nada sobre o assunto diz apenas que na preparação do Templo para as reuniões, todas as luzes deverão ser acesas. Gostaria de contar com a ajuda do Poderoso Irmão para sanar essa dúvida e esquecer o problema, mas com a consciência do dever cumprido.

CONSIDERAÇÕES:

A MAÇONARIA NA INTERNET

A MAÇONARIA NA INTERNET

Há na Maçonaria uma turma mais conservadora, que acredita ser a Internet a decadência da Maçonaria. Para esses, a Internet vem promovendo uma “banalização” da tradição e ensinamentos maçônicos, ao tornar acessível todo tipo de material literário maçônico que se possa imaginar. 

O engraçado é que, enquanto a Internet é algo relativamente jovem, tendo mal alcançado sua maioridade, faz pelo menos três séculos que a Maçonaria tem enfrentado ataques, através, principalmente, de livros e bulas papais. A Internet é apenas um meio de comunicação. Não é a Internet que causa algum mal à Maçonaria, senão a ignorância, a intolerância e o fanatismo dos homens. 

Faça um exercício simples: vá até um parente ou amigo que não seja Maçom e pergunte se ele já visitou algum site ou blog de Maçonaria. Provavelmente, você escutará um não, por não ser um assunto de interesse dele. Na Internet, assim como em qualquer outro meio, a literatura não cai no seu colo, você tem que procurar. E só procura por um tema aquele que se interessa por ele. Aqueles que leem sobre Maçonaria na Internet são, quase que em totalidade, Maçons. Os curiosos são pouquíssimos, e para esses há também uma infinidade de livros nas livrarias e bibliotecas de todo o país. A culpa, definitivamente, não é da Internet. 

Faça um outro exercício: pesquise os sites antimaçônicos na Internet. Esses sites argumentam, de forma intolerante, contra a Maçonaria e realizam interpretações literais distorcidas e equivocadas de frases isoladas de obras maçônicas. Verifique se as fontes maçônicas usadas por esses movimentos fanáticos são sites da Internet ou se são livros. Você irá descobrir que utilizam uma densa bibliografia maçônica de autores consagrados como Pike, Mackey e Oliver. Mas nenhum site ou blog maçônico. 

Mesmo assim, o preconceito dos mais conservadores para com a Maçonaria na Internet e os Irmãos que a promovem ainda é forte. E, por conta disso, pode-se ver um grande contraste de conceitos dentro da Instituição: Por um lado, você tem os Maçons escritores de livros, cujos livros estão disponibilizados nas livrarias de qualquer shopping do país, acessíveis a qualquer um disposto a pagar. Esses são considerados pelos conservadores como os intelectuais de Maçonaria, imortalizados pelas páginas impressas. Por outro lado, você tem os Maçons blogueiros, cujos blogs proporcionam literatura maçônica diária, gratuita e de qualidade aos Irmãos. Esses últimos são considerados pelos conservadores, muitas vezes, como os traidores da Ordem. 

Mas a verdade é que tanto o autor de livros como o blogueiro fazem a mesma coisa: escrevem. Ambos são escritores, apenas publicando, em formato diferentes. Não se deve julgá-los pelo meio de publicação, e sim pelo conteúdo que produzem. 

Há ainda outros pontos a serem considerados:

No caso dos livros maçônicos publicados, seus preços são relativamente altos, visto a leitura ser específica, não havendo economia de escala; há a necessidade do Irmão se deslocar até uma grande livraria ou comprar pela internet, o que gera um custo de frete e demanda tempo; como registrado anteriormente, são poucas as editoras que publicam o gênero, o que faz com que as obras demorem muito a serem publicadas. Em contrapartida, as editoras servem como “filtro”, em que grandes aberrações não costumam ser publicadas, além dos livros serem mais densos, proporcionando conteúdo mais completo sobre o tema abordado. 

Já no caso dos blogs maçônicos, o prazo entre a produção e a publicação é praticamente inexistente, assim como o prazo para acesso ao conteúdo; os escritores não são reféns da boa vontade de editoras; o conteúdo é gratuito e a publicação e distribuição não ficam restritas geograficamente. Em contrapartida, não existe um “filtro de qualidade”, o qual deve ser feito pelo próprio leitor, e o conteúdo é, necessariamente, resumido. 

Enfim, cada meio possui os seus prós e contras. O sociólogo canadense McLuhan estava certo em sua afirmação de que “o meio é a mensagem”, pois o meio impacta diretamente no formato e modo de transmissão da mensagem e, consequentemente, sua absorção. Mas até McLuhan manteve o conteúdo isento de tal conceito. 

O que o Maçom de hoje precisa ter em mente é que este é o mundo em que vivemos. Blogueiros são convidados para cobrirem grandes eventos, entrevistam presidentes da república e dão entrevistas para rádios, revistas e programas de TV. Um curioso não descobrirá mais ou menos sobre Maçonaria com um blog do que visitando uma livraria ou biblioteca pública. Seja livro, blog, revista, site ou jornal, todos são escritores, e quase nunca se restringem a um único meio. 

Por isso, valorize o escritor maçônico. Valorize aqueles Irmãos que se preocupam em compartilhar conhecimento com os demais. O meio pouco importa, desde que o conteúdo chegue aos Irmãos, faça-os refletir e colabore em seus desenvolvimentos.

Bibliografia: 
Ismail, Kennyo.
Debatendo tabus maçônicos / Kennyo Ismail. – 1ª. Ed. – Londrina: Ed. Maçônica “A Trolha”, 2016. (Coleção Biblioteca do Maçom) - págs. 73 a 76

Fonte: https://martinlutherking63.mvu.com.br

domingo, 21 de junho de 2020

FOTO MAÇÔNICA DE DOMINGO

Por Géplu

Foi nosso irmão Thierry, de St. Avold, quem nos enviou esta foto e este comentário:

Uma pequena foto de Bonifacio, onde eu estava de férias na semana passada. Bem no meio do cemitério marinho, nas alturas da cidadela, encontrei uma lápide que parece bastante simbólica (?).

Não sei se o assunto já foi tratado no seu blog e se realmente tem um caráter maçônico, mas se não, será um prazer compartilhá-lo….

Parabéns novamente pelo seu blog, que é um verdadeiro prazer para ler toda semana.

Sim, uma tumba com um simbolismo bastante claro, mesmo que pareça estar faltando o terceiro pilar na parte inferior da foto. Sem dúvida, desapareceu com o tempo. Se pudéssemos conhecer a orientação da tumba, poderíamos saber se os 3 pilares (ou colunas para alguns) estão dispostos na REAA ou no Rito Francês, SO, SE, NO ou NE, SO, SE. Se eles evocam força, sabedoria e beleza, ou o sol, a lua e o venerável mestre ...

Se você também estiver perto de sua casa ou viajando, perceber um edifício, um objeto ou uma decoração maçônica ou evocar alvenaria, não hesite em nos enviar fotos com algumas explicações.

Esses "depoimentos" são muito populares entre os leitores de blogs. (tradução livre)

Fonte: Blog hiram.be

FISICAMENTE HÍGIDO

FISICAMENTE HÍGIDO
(republicação)

Em 29/09/2015 o Respeitável Irmão Antonio Raia, sem declinar o nome da Loja, REAA, GOB-PE, Oriente de Recife, Estado de Pernambuco apresenta a situação seguinte e pede opinião: antonio_raia@hotmail.com

O fato aconteceu em uma Loja no Recife, o Irmão Aprendiz, iniciou já há um ano e sofreu um acidente automobilismo, daí resultou em uma redução da sua perna, o que faz com que ele manque e não tenha a mesma mobilidade de antes. Sabemos que o mesmo para sua Elevação o Irmão terá dificuldades para conclusão dos passos e que já pensando em Exaltação, ficamos em dúvida, pois, ele não terá condições de atender as necessidades devido a sua fragilidade. O que se faz neste caso? Temos que ser Tolerantes? Ou infelizmente o Irmão não teria condições de continuar sua escalada? Quando um Irmão sofre um acidente qualquer e já é Mestre Maçom, ele já passou pelas provas e por isso pode continuar entre nós? 

O RGF no seu Cap. 1 da Admissão diz no Art. 1º - A admissão depende da comprovação dos seguintes requisitos. 

VII - não apresentar limitação ou moléstia que o impeça de cumprir os deveres maçônicos. 

Vemos que o Irmão foi Iniciado, sem anormalidade, e que alguns dizem que pelo direito adquirido o Irmão pode continuar na sua escalada. Mais tenho minhas dúvidas.

CONSIDERAÇÕES:

Mano Antonio, o que segue é minha opinião, portanto não a tome como uma consideração laudatória.

Penso que cada caso é um caso, e não um causo.

Vejo que o protagonista que for portador de deficiência física pode ser perfeitamente auxiliado pelos Irmãos em um belo exemplo e ato de solidariedade.

Arrazoo que amparado, ajudado, é grande a possibilidade de que algum portador de deficiência possa executar os movimentos inerentes à ritualística maçônica.

Além do mais, vejo que o mais importante é o executor entender a prática – qual o seu significado? Para que ela serve? Qual o seu objetivo?

No meu modesto modo de entender não é o gesto ou o movimento o mais importante, porém a atitude que o aceno possa representar e a sua prática realmente vivida.

Praticamos hoje a Moderna Maçonaria e não a Maçonaria de Ofício onde o operário realmente precisava ser fisicamente hígido para cumprir a sua missão no canteiro de obras – cortar e esquadrejar a pedra e elevar a construção.

Penso que na Maçonaria Especulativa o Obreiro precisa ser sim fisicamente hígido de cabeça – que tenha o mínimo de cultura, qualificação e vontade para aprender as mensagens da Sublime Instituição e dela não fazer apenas um palco de vaidades e proselitismos.

Ora, é comum encontrarmos por aí alguns elementos nas nossas lides que são verdadeiros profanos de avental. Estes se “acham” e até fazem com perfeição os movimentos maçônicos inerentes aos Sinais, Toques, Marchas, etc., todavia fica a pergunta: E eles entendem o que estão fazendo? E eles praticam a Arte? Realmente esses elementos sofreram transformação e vivenciaram a sua iniciação?

Bem essa questão - do fisicamente hígido - deveria ser mais bem discutida pelos nossos legisladores maçônicos. Dar a ela atenção e zelo seria de boa geometria.

A propósito, não raras vezes tenho recebido notícias do exterior que muitos Irmãos portadores de deficiência física tem sido regularmente iniciados na atualidade. Não seria então esse um assunto que merecesse mais atenção e boa vontade?

T.F.A. 
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
JB News – Informativo nr. 2.039 – Melbourne (Vic.) segunda-feira, 2 de maio de 2016

TAUTOLOGIA E MASSIFICAÇÃO EM MAÇONARIA

TAUTOLOGIA E MASSIFICAÇÃO EM MAÇONARIA
José Maurício Guimarães

Tautologia significa “dizer a mesma coisa”, uma locução não informativa que, com a aparente intenção de definir ou ilustrar um conceito, afirma no <Predicado> o que está compreendido no <Sujeito>. Em Lógica (parte da Filosofia considerada a ciência do raciocínio, que trata das operações intelectuais e do pensamento), <Sujeito> é a locução que designa um elemento singular; e <Predicado>, um conceito universal que possa ser atribuído a qualquer ser concreto ou várias extensões de uma espécie. Talvez pareça complicado ou pedante de minha parte escrever assim, mas tenho certeza que meus leitores entenderão. Acontece que não fui buscar definições no google nem na wikipedia; em se tratando da essência do Conhecimento, cuido de não me instruir na internet. As explicações acima constam do “Dicionário de Filosofia” de Nicola Abbagnano, da Universidade de Nápoles − filósofo, escritor e professor falecido em 1990. 

Essa parte da Lógica parece difícil, mas não é; eu poderia “trocar em miúdos”, mas isso seria desconsiderar a inteligência e a cultura dos meus leitores. Felizmente, para simplificar, o próprio Abbagnano prossegue na obra citada: “... Nesse sentido, tautologia é, por exemplo, a seguinte afirmação: ‘Triângulo é uma figura geométrica com três ângulos’; por conseguinte, a afirmação de uma tautologia é sentida como o enunciado de algo óbvio”. (1)

A massificação da maçonaria virou moda nos últimos 10 anos, nivelando por baixo os conceitos mais elevados da Arte Real. Na falta de projetos sólidos, exequíveis e permanentes, as instituições lançam mão das ilusórias aparências de poder, enquanto muitos sonham acordados de que temos influência sobre os destinos da sociedade. Na prática, valorizam-se os aspectos externos na vã esperança de que supostas prerrogativas motivem as pessoas; ou que a pompa dos cargos sejam reconhecidas e reverenciadas neste mundo de angústias, incertezas e conflitos. Para exemplificar, haja vista nossa imobilidade e perplexidade diante da crise atual que também pegou o mundo profano, os sábios, cientistas, religiosos e iniciados “com as calças na mão”.

A massificação e vulgarização das artes, das ciências e da filosofia criou, principalmente na internet, uma falsa impressão de que “todo mundo sabe tudo”: qualquer pessoa pode falar sobre o que quiser, tenha ou não estudo acadêmico ou conhecimento técnico para tanto; opina-se, através da telinha dos celulares, sobre Direito e Medicina, sobre os trâmites legais, sentenças, acórdãos e mesmo sobre medicamentos ou terapias a serem ministrados diante de uma pandemia, com a mesma cara-de-pau com que se opina sobre a escalação de um zagueiro num time de várzea.

Todo mundo sabe tudo – inclusive "sobre maçonaria" – seja o palpiteiro iniciado na Ordem, ou não. Por exemplo: nessa Páscoa, recebi uma dezena de mensagens abordando as cerimônias do Grau 18 ("Cavaleiro Rosacruz"), postadas por Aprendizes, Companheiros e Mestres recém-exaltados no Grau III. Daí, vocês podem imaginar o pandemônio em que se tem transformado a "maçonaria-digital” dos whatsapp, facebook, blogs, instagram e em ALGUNS grupos de discussão. 

Vivemos TAUTOLOGIAS, conjuntos de palavras, "nada mais que palavras“, desinformações com aparente intenção de ensinar, cujos letrados patinam no escorregadio pântano das opiniões pessoais, achismos que dizem combater, irrelevâncias e o óbvio. 

Recentemente, um tolo bastante conhecido veio a público afirmar que certo atentado político, que abalou a nação, foi uma farsa criada pela maçonaria em conluio com determinado líder religioso. Paspalhices dessa monta circulam também em nosso meio, entre os “iniciados” nos augustos mistérios da “pura maçonaria”. Como não há estudo sério e poucos são os que consultam fontes (livros) de autores mundialmente reconhecidos, qualquer aventureiro pode dizer o que bem entende, pois em nossas fileiras não há quem os conteste pelo argumento. 

“Maçons, alerta!, tende firmeza!” – diz a letra daquele hino maçônico.

Vivemos um tempo em que A EXTREMA LIBERDADE É TRANSFORMADA EM EXTREMA IRRELEVÂNCIA.

Movidos por intenções canhestras, “novas maçonarias” surgem do nada ministrando tautologias como, por exemplo:

“Compasso, em maçonaria, é um instrumento composto de duas hastes unidas por uma articulação móvel, que serve para traçar círculos”;

“Maço é a ferramenta, de madeira ou ferro, munida de cabo, que os pedreiros usam para bater, quebrar e entalhar pedras”;

“Coluna é um suporte vertical usado como como elemento de sustentação para as partes elevadas de um edifício”;

“Lewis é um apetrecho com encaixe e argola que os antigos pedreiros usavam, por fulcro e pivô, para erguer pedras enormes”...

... e outras preciosidades tão enormes quanto as tais pedras erguidas mediante lewis.

A extrema liberdade rebaixada à extrema irrelevância produz tais monstrengos; ignoram que as ferramentas simbólicas da maçonaria servem para provocar uma reflexão nos iniciados, e não para explicar o trabalho dos pedreiros de hoje ou da Idade Média.

A maçonaria é “um sistema de Moral, velado por alegorias e ilustrado por símbolos” – ouvimos essa instrução um trilhão de vezes nas Lojas; lemos isso um bilhão de vezes nos livros... e os neo-sábios vêm “explicar”, tautologicamente, o que é uma ferramenta num canteiro-de-obras. Explicações como essas (“compasso é um instrumento composto que serve para traçar círculos”) são plenamente sabidas por qualquer criança do ensino fundamental, entre os 6 e 14 anos de idade. 

As alegorias e símbolos são VELADOS para que cada maçom cresça por si mesmo, REFLITA por si mesmo como fez na Câmara das REFLEXÕES, e desperte para outra realidade de vida. As alegorias e símbolos não foram colocados nos Templos e Rituais para que os gulosos de última hora agarrem seus Irmãos pelas mãos e os conduzam através do espinheiro. São cegos guiando outros cegos.

Portanto,

“... Maçons, alerta!, tende firmeza!,
Nobres intentos não morrem
Vencem do tempo a porfia
Há de os séculos afrontar
A pura Maçonaria.”

(Letra do Hino da Maçonaria, escrita por Otaviano Bastos, com música de Dom Pedro I).

(1) ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia: edição revista e ampliada. 5ª edição. São Paulo: Martins Fontes , 2007.

(Nota): A ilustração que acompanha este artigo, refere-se aos sete maçons belgas que, em 1943, fundaram a Loja “Libertè Chérie” em pleno campo de concentração Hut Emslandlager, na cidade de Esterwegen-Alemanha. Escolhi a imagem para honrar os verdadeiros maçons e a cadeia invisível de união que protege e enobrece a Maçonaria.

sábado, 20 de junho de 2020

RITUALÍSTICA DO REAA

RITUALÍSTICA DO REAA
(republicação)

Em 28.09.2015 o Respeitável Irmão Jackson Lucio Wendt, atual Venerável Mestre da Loja Cavaleiros do Contestado, 3.878, REAA, GOB-SC, sem declinar o nome do Oriente, Estado de Santa Catarina, formula as seguintes questões: cavaleiros3878@gmail.com

1 - Entrada dos Irmãos necessita fazer o giro pelo Painel ou não? Como a forma correta de entrada. 

2 - E com relação a circulação em Loja no Ocidente. Necessita fazer a parada na linha do equador? 

3 - Circulação no Oriente. Pelo que sabemos não existe, mas alguns Irmãos comentaram com relação ao Livro da Lei que não poderia passar entre o Altar e o Livro. 

4 - Com relação aos Diáconos quando o 1º sobe pelo norte e fica a frente do Venerável, nossa Loja a mesa do Altar é grande e fica difícil passar a palavra pela frente? E com relação aos Vigilantes eles vão pelo lado direito e passam a palavra por esse lado? E quanto a Loja esta aberta, por exemplo, o Diácono sobe os degraus, fica à Ordem? Desfaz o sinal para receber a palavra e faz novamente o sinal gutural para sair? E assim por diante com os Vigilantes? 

Espero que o Irmão tenha entendido as questões. Fico no aguardo da resposta. Agradeço novamente e peço desculpas pelo incomodo.

CONSIDERAÇÕES:

1 – Para ingresso no Templo antes da abertura dos Trabalhos não. Obedecendo a ordem de entrada organizada pelo Mestre de Cerimônias, todos ingressam cada qual ocupando o seu lugar em Loja conforme especifica o Ritual. 

A circulação na forma de costume somente começa a partir do momento em que o Venerável ocupar o seu lugar e solicitar aos Irmãos que o ajudem a abrir a Loja. Desse instante em diante, segue-se a circulação horária – não confundir circulação com Sinais. 

2 – Não está prevista nenhuma parada ao se transpor o eixo no Ocidente. Parada rápida e formal ou mesmo a saudação será feita se em deslocamento um protagonista ingressar no Oriente em Loja aberta – ao ingressar e sair do quadrante ele para e saúda o Venerável Mestre pelo Sinal. Estando com a mão(s) ocupada(s) ele fará apenas uma parada rápida e formal sem inclinação do corpo ou maneios com a cabeça. Ratificando: no Ocidente simplesmente se cruza o Equador, sem parada ou Sinal. 

3 – Pura bobagem. Não existe nenhuma circulação no Oriente. Em havendo espaço, nada impede que liturgicamente alguém passe entre o Altar dos Juramentos e o Altar ocupado pelo Venerável. Isso seria o mesmo que procurar pelo em ovo. 

4 – O Primeiro Diácono sobe pelo norte do Altar (ombro direito do Venerável) e para. Ato seguido o Venerável vira-se para o Diácono e ambos ficam de frente um para o outro para a transmissão da Palavra. Transmitida a Palavra, o Venerável volta-se novamente para o Ocidente e o Primeiro Diácono se retira para cumprir a sua missão. 

Meeeeu Deeeeeus!!!!! O Diácono não vai pela frente do Altar. Isso não existe. O Venerável é abordado pelo seu ombro direito. 

Os Diáconos ao abordarem os Vigilantes nas suas respectivas mesas o fazem pelo lado direito do Vigilante, não pela frente da mesa. 

Assim que o Diácono chegar, o Vigilante se vira e ambos ficam de frente um para o outro (igual ao Venerável). 

Também é equivocado o Diácono dar a volta em torno da mesa ocupada pelo Vigilante. 

Uma boa regra para não se inventar procedimento é a que as Luzes da Loja (o Venerável e os Vigilantes) são abordadas sempre pela sua direita (seu ombro direito). 

Quando a Transmissão ocorrer no encerramento (a Loja ainda está aberta) os Diáconos ao pararem se posicionam à Ordem para receber e transmitir a Palavra. É o cumprimento de outra regra no Rito em questão – obreiro em pé e parado em Loja aberta fica à Ordem. É oportuno salientar que o mesmo ocorre também com as Luzes da Loja que, nessa oportunidade deixam os seus malhetes e compõem o Sinal com a mão(s). 

Em qualquer situação, tanto na abertura como no encerramento os Diáconos sobrem os degraus – tanto os que levam ao trono ou aqueles que levam às respectivas cátedras dos Vigilantes. 

Por fim, é adequado salientar que Altar é somente aquele ocupado pelo Venerável e o dos Juramentos (que é uma extensão do primeiro), além do tal “dos perfumes” que não serve para nada no simbolismo do REAA. Os Vigilantes, assim como o Orador, o Secretário, o Chanceler e o Tesoureiro ocupam “mesas”, não altares.

T.F.A. 
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.036 – Melbourne (Vic.) sexta-feira, 29 de abril de 2016

AVENTAIS


Kilwinning Apron Scotland - séc XIX

MAÇONARIA - CONCEITO

MAÇONARIA - CONCEITO

Maçonaria, forma reduzida e usual de francomaçonaria, é uma sociedade discreta e por discreta, entende-se que se trata de ação reservada e que interessa exclusivamente àqueles que dela participam. De carácter universal, cujos membros cultivam o aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade, democracia, igualdade, fraternidade e aperfeiçoamento intelectual, sendo assim uma associação iniciática e filosófica. A maçonaria é, portanto, uma sociedade fraternal, que admite todo homem livre e de bons costumes, sem distinção de raça, religião, ideário político ou posição social. Suas principais exigências são que o candidato acredite em um princípio criador, tenha boa índole, respeite a família, possua um espírito filantrópico e o firme propósito de tratar sempre de ir em busca da perfeição, aniquilando seus vícios e trabalhando para a constante evolução de suas virtudes. Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células autônomas, designadas por Oficinas, Ateliers ou (como são mais conhecidas e designadas) Lojas.

Fonte: https://liberdadeeamorcassia.mvu.com.br

sexta-feira, 19 de junho de 2020

TRANSFORMAÇÃO DA LOJA

TRANSFORMAÇÃO DA LOJA
(republicação)

Em 27/09/2015 o Respeitável Irmão Marcos Almeida, Loja Guardiões do Roncador, REAA, GOB, Oriente de Barra do Garças, Estado do Mato Grosso, formula a seguinte questão: almeidabourbom@gmail.com

Tenho dito oportunidades de participar de sessões onde o Venerável Mestre, em dado momento transforma a Loja de Aprendiz para Companheiro para que o Irmão Companheiro possa apresentar uma peça de arquitetura referente ao seu Grau. Diante desta citação, pergunto: Deve o Orador Ler os salmos referentes aos graus de Companheiro e Mestre ou apenas modificar o Esquadro e Compasso esta de bom tamanho. 

Quero reiterar que admito qualquer resposta, mas, acreditando em ritualística, na mudança de painel e somente à alteração do Esquadro e Compasso não dão ênfase aos propósitos da transformação esta ficando monótonas estas transformações e não há sessão de Companheiros e nem de Mestres.

CONSIDERAÇÕES:

Do meu ponto de vista uma Loja transformada deveria passar no mínimo pelos elementos que a compõe. No caso do REAA, apesar das contradições e aspectos confusos dos rituais, no mínimo deveria haver leitura do trecho correspondente no Livro da Lei e a alteração do Esquadro e do Compasso conforme o Grau transformado. Do mesmo modo deveria se suceder com as Luzes litúrgicas acesas e o Painel do Grau conforme a transformação. Há ainda o procedimento de verificação individual, se for o caso, feita pelos Vigilantes nos Graus de Companheiro e Mestre. 

Penso que está se tratando de Loja aberta e assim o mínimo dos requisitos para tal deveria ser obedecido. 

Infelizmente, muitas vezes na Maçonaria latina ainda se dá mais valor ao molho do que à carne. Até mesmo a Maçonaria às vezes parece contaminada com o “jeitinho” para se ganhar tempo ou, quando não, “pelo adiantado da hora”. 

Dever-se-ia pensar sim, em nome da humildade, era em abreviar certos protocolos de recepção, pompas, homenagens e palavreados vazios que muitas vezes mais sustentam vaidades do que dão suporte aos verdadeiros desígnios da Sublime Instituição. 

Quanto às sessões completas, não por transformação, é falta haurida quando da confecção dos calendários das Lojas, lembrando que há obrigatoriedade sim das sessões conforme a legislação.

T.F.A. 
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.034 – Florianópolis (SC) – quarta-feira, 27 de abril de 2016

APRENDENDO COM OS IRMÃOS

APRENDENDO COM OS IRMÃOS
por Álvaro Rodriguez Perez

Durante toda a vida estamos aprendendo, seja de forma deliberada, quando nos inscrevemos em curso, ou quando entramos em contato com pessoas que mesmo sem ter essa intenção nos ensinam as mais diversas coisas, às vezes muito mais valiosas do que as aprendias nos bancos escolares.

A criança, campo fértil para o ensino e aprendizagem, vai dia a dia conhecendo o mundo que a cerca e aprende a interagir com ele, por mais inóspito que seja. Com o decorrer da idade nosso aprendizado vai mudando, algumas vezes aprendemos na escola, outras vezes com os mais velhos, amigos e até com estranhos.

Entretanto algumas vezes deliberadamente nos colocamos no caminho do aprendizado, um momento especial é quando aceitamos ingressar na Maçonaria. Uma pergunta que ouvi mais de uma vez foi "O que você ganha fazendo parte da maçonaria?", de fato ganhar no sentido material da expressão nós não ganhamos nada, talvez até percamos uma vez que a ordem nos impõe algumas obrigações de ordem pecuniária, no entanto o "ganho" em fazer parte da Ordem Maçônica é justamente o ensinamento que recebemos diariamente, quando nos confrontamos com a moral maçônica. Os valores morais da ordem são sólidos a ponto de modificar nossa visão do mundo.

Ao ingressar em uma sociedade que tem por fim aprimorar o homem, não é possível ficar indiferente, e a primeira coisa que nos vem à mente é fazer uma autocrítica para saber por onde começar essa mudança. Quem de nós não reconhece seus próprios defeitos, mesmo que não tenha a coragem de admiti-los publicamente.

Recentemente tive a oportunidade de reunir-me com alguns irmãos para tratar de assuntos de nossa Loja e em determinado momento um irmão me perguntou seu o ingresso na Ordem me havia modificado de alguma maneira, confesso que embora no momento não tive dificuldade em admitir que eu havia mudado nesse período, somente depois, pensando melhor é que pude avaliar o quanto foi grande essa mudança. Apesar de ter ingressado a alguns poucos anos na instituição meus valores hoje são outros, quando olho para outra pessoa consigo ver além da imagem material que essa pessoa possui. Isso não se obtém facilmente, mas com muito estudo e perseverança, hoje tomo decisões com mais tranqüilidade e com melhor avaliação de todos os aspectos envolvidos, o conhecimento nos traz a serenidade para tomar decisões, isso evidentemente não impede que erremos, mas certamente erramos menos.

A Maçonaria, dado a seu aspecto universal e ecumênico, onde convivem pessoas de todos os povos, raças e religiões, é possivelmente a única entidade com condições de realmente levar a fraternidade a todos os recantos da terra, seus ensinamentos permeiam a sociedade em diversos níveis, visto que temos em nossas fileiras Irmãos de todas as classes sociais. Se isso, no entanto é um privilégio, por outro lado nos impõe uma obrigação, pois de nada serviria uma organização com essas características se ela não tiver o poder de transformar o mundo. Hoje vemos diariamente nos meios de comunicação atrocidades sendo cometidas em várias partes do planeta, e parece que isso não consegue mais nos indignar. Em que momento deixamos que isso ocoresse conosco? Como pode um pai de família ouvir com indiferença que uma criança foi molestada sexualmente dentro de sua própria casa pela pessoa que devia protege-la, em que momento perdemos nossa capacidade de revolta e indignação?

Onde estão os milhões de maçons espalhados pela terra, quando essas ações se perpetuam? A pouco tempo ouvi de um eminente maçom uma frase que no primeiro momento me chocou, mas depois percebi que ele tinha a mais completa razão; dizia ele que a Maçonaria é respeitada por todos os setores da sociedade, menos pelos próprios maçons. Ele dizia isso no sentido de que o maçom não percebe a força que tem e não age por que não acredita em seus próprios méritos.

Nossos irmãos em outros tempos modificaram a face deste mundo, derrubaram monarquias absolutistas, interviram decisivamente na independência de vários países, inclusive o nosso, libertaram escravos e tornaram o mundo mais humano. E nós no conforto de nossos lares não temos a coragem de organizar uma ação que modifique esse estado de coisas em que vivemos.

A criança que hoje nasce espera receber de nós o exemplo e a sinalização do caminho a ser seguido, se o que ensinarmos for indiferença e inércia, não podemos esperar que eles aprendam coisa diversa.

A oportunidade que temos de reunirmos, semanalmente em um ambiente reservado, onde podemos tratar livremente de qualquer assunto, é um privilégio que não podemos desperdiçar, lembrem-se que os nossos irmãos de outrora chegaram a ser mortos simplesmente por serem maçons.

De que vale o conhecimento e o aprimoramento pessoal que adquirimos se isso não for o motor de algo maior que nós mesmos? Acredito que a solução de graves problemas estão mais próximos da solução do que nós imaginamos, basta vencermos alguns vícios, como orgulho e vaidade e unirmos em torno de um objetivo comum. Já dizia o filósofo "Você pode escolher o que plantar, mas será obrigado a colher o fruto de seu trabalho"

Fonte: http://www.pedreiroslivres.com.br

quinta-feira, 18 de junho de 2020

INGRESSO DO MESTRE INSTALADO

INGRESSO DO MESTRE INSTALADO
(republicação)

Em 22/09/2015 o Respeitável Irmão Paulo Leonardo Ferri, atual Mestre de Cerimônias da Loja Filhos da Luz, 4.235, Rito Brasileiro, GOB-PR, Oriente de Cascavel, Estado do Paraná, solicita esclarecimento de procedimentos no que segue: paulo_ferri@hotmail.com

Segundo o Ritual de Aprendiz-Maçom do Rito Brasileiro, no Item Ingresso no Tempo (pagina 89) temos duas divisões de entrada: 

“a” Dos Irmãos em Geral 
À hora fixada, o Templo deve estar totalmente iluminado, inclusive o A∴ do Ven∴ M∴, os AA∴ dos 1 e 2 VVig∴ e as mesas das demais Dignidades; todos devem estar revestidos de suas insígnias e convenientemente trajados. Antes do ingresso informal, ainda no átrio, o M∴ de CCer fará uma exortação à paz e à harmonia dos trabalhos, tendo o cuidado de não ferir convicções religiosas. Então, o Mestr∴ de CCer∴ convocará os IIr∴ a ingressarem no Templo, todos rompendo com qualquer pé, menos o Ven∴ M∴, o Ex-Ven∴ imediato, os VVig∴, o Orad∴, o Secr∴, o Tes∴, o Chanc∴ e as autoridades com direito a recepção regulamentar, que devem formar um cortejo. 

Os IIr∴ tendo a frente o Mestr∴ de CCer∴, ingressam silenciosamente, pela porta, que estará totalmente aberta, os CCobr∴ postados em pé, em suas respectivas posições, espada na vertical, cotovelo direito colado no corpo, braço em esquadria com o antebraço para frente. Ingressando, sem formalidades, rompendo com qualquer pé, cada Ir.´. tomará o respectivo lugar, permanecendo em pé. Parados, assumem o Sinal de Ob∴ Após os Irmãos Aprendizes, Companheiros, Mestres que não ocupam cargos e os Visitantes entrarem no Templo e ocuparem diretamente seus lugares o Mestr∴ de CCer∴ comandará: -"Meus IIr∴ todos voltados para o Or∴ em S∴ de Ob∴", após os IIr∴ se voltarem para o Or∴ o Mestr∴ de CCer∴ retornará ao Átrio ou S∴ dos PP∴ PP∴ e dará a entrada ao Cortejo das Dignidades. 

“b”- Do Cortejo. 
Após o ingresso dos IIr∴ em geral, o Mestr∴ de CCer∴ retorna a S∴ dos PP∴ PP∴ e organiza a formação do cortejo, assim: à frente, ao lado direito, adiantados a todos, o Mestr∴ de CCer∴; depois, sempre em fila, dois a dois, o Tes∴ (esq) e o Chanc∴ (dir); o Orad∴ (esq) e o Sec∴ (dir); o 1 Vig∴ (esq) e o 2 Vig∴ (dir). A seguir vêm o Ex-Ven∴ imediado (dir) e Ven∴ M∴ (esq, um pouco atrás do Ex-Ven∴), encerrando o cortejo. As autoridades maçônicas ingressam com o cortejo, tomando posição indicada pelo Ven∴ M∴. 

O cortejo caminha em linha paralela, cada Ir∴ tomando o respectivo lugar em loja sem circular, os VVig∴, contudo, antecedendo ao Ven∴ M∴, acompanham até a Grade do Oriente, aguardando a passagem do Ven∴ M∴ O Mestr∴ de CCer∴ acompanha o Ven∴ até o A∴, antecedendo-o. Após a chegada do Ven∴ a sua posição, os VVig∴ e Mestr∴ de CCer∴ regressam, tomando os respectivos lugares. 

Durante o ingresso dos Irmãos e do cortejo das Dignidades, os IIr∴ cantarão o Hino de Abertura, iniciado sob o comando do Mest∴ de Harm∴"

Dito isto, vem minha pergunta. Como ingressam os Mestres Instalados? Segundo o Rito Brasileiro. 

A pergunta surgiu, pois na ultima sessão nossa, sexta-feira dia 18/09/2015, no ingresso ao templo, fiz o primeiro cortejo convocando desde Aprendizes até Mestres, incluindo os Mestres Instalados, e, após a sessão, um Mestre Instalado veio me corrigir quanto a entrada dele como Mestre Instalado. Mostrei-o esse trecho, digitado acima, para tentarmos esclarecer essa situação. E o que ele me falou me intrigou mais ainda, o que ele me disse é que Mestre Instalado é Dignidade, e deve ter entrada junto com o segundo cortejo. 

Mas pensando como ele falou, o Ex-Ven∴ imediato também é um Mestre Instalado e está muito claro pelo ritual que é o único que fica para o segundo cortejo, não é? 

Talvez a diferença pode ocorrer pois praticamos o Rito Brasileiro, e esse Mestre Instalado é originário do R∴E∴A∴A∴

O que encontrei na internet em alguns sites, não muito confiáveis, todos diziam que Mestre Instalado não é Cargo, porém alguns diziam que são dignidades, alguns diziam que são autoridades, alguns os dois e outros nenhum dos dois. 

Gostaria, se possível o Ir∴ possa esclarecer essa nossa dúvida e ainda mandar alguma bibliografia para complementar vossa resposta, visto que é um Ir.´. muito dedicado a Ordem e especialista em Ritos.

CONSIDERAÇÕES:

FRASES ILUSTRADAS


É POSSÍVEL FLEXIBILIZAR A MAÇONARIA?

É POSSÍVEL FLEXIBILIZAR MAÇONARIA?
José Maurício Guimarães

Como bem ilustra o desenho anexo do Irmão João Guilherme Ribeiro, citando célebre humorista do cinema norte-americano nos anos 30, "Não entro para clubes que me aceitam como sócio".

VAMOS AO CAMPO DA PURA FICÇÃO, começando pela máxima do poeta neolatino, Jean de Santeuil: RIDENDO CASTIGAT MORES (Corrigem-se os costumes através do riso).

A PEDRA BRUTA NO COCURUTO OCCIPITAL

Imaginem uma Loja no ano 40.000 antes de Cristo – Loja Neanderthal – como visualizam os maçons que nutrem bom-humor em relação à cronologia do Ano da Verdadeira Luz, distante de nós 42.020 anos. Imaginem esse alvorecer da humanidade: ainda restam alguns dinossauros pastando do lado de fora da caverna de Platão quando, de repente, iluminado pela leitura do 'voltaire' da época, e cansado de levar pedras brutas no cocuruto occipital, um troglodita chamado Julius Henry Marx resolve pedir iniciação na Loja Neanderthal. Havido o escrutínio secreto, ele é aprovado. Mas antes mesmo da iniciação Julius Marx descobre qual tipo de pitecantropos e sapiens fazem parte daquela Loja. Acende o charutão davidoff e assume sua verdadeira identidade: ele é o Groucho da família Marx, ancestral indireto do Karl do Capital. Temperamental, não aceita, doravante, ser iniciado como tal; afasta-se do portal e toma a decisão fatal, dizendo:

− Não entro para uma sociedade que me aceita como membro!,

... e o desespero se abateu pesadamente sobre os stonecutters da Neanderthal Lodge.

SAINDO DO CAMPO DA FICÇÃO

Nessa vetusta sabedoria deveriam se debruçar, em decúbito lombar, os ludâmbulos limnologistas, pantanosos girinos da vida maçônica que, passados esses 42.020 anos, ainda inflam nossas Lojas fazendo da Maçonaria algo que ela não é.

Posso não saber ainda o que é Maçonaria; mas aprendi, por experiência o que ela não é. Estou naquela terceira margem do rio de onde clamava João Guimarães Rosa o seguinte:

− Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. 

Posso não ter lido todos os sábios, profetas, videntes, bruxos e adivinhos da escola autêntica, mas aprendi que, nos primórdios da Maçonaria, os poderosos, nobres e reis, batiam nos portais do Templo operativo – e que hoje, são os pedreiros especulativos que batem às portas dos políticos para aparecerem em fotografias ao lado deles.

Progredimos pouco...

PASSANDO PARA O CAMPO DA EDUCAÇÃO

Nos últimos anos, o estudo de Maçonaria tem se fixado no intento de reformar hábitos considerados espúrios ou subversivos da tradição. Dois terços da nossa energia têm sido desperdiçados em esmiuçar os processos de admissão de novos maçons e a qualidade das sindicâncias. Digo desperdiçados porque, não obstante tanto barulho ao redor do tema, nada muda nesse aspecto – melhor dizendo: vem piorando. Os formulários de proposta foram simplificados e mutilados; os procedimentos são feitos às pressas. Atos e diligências que objetivam a apuração e averiguações sistemáticas sobre os candidatos correm o risco de acontecerem pelo whatsapp.

Uma péssima forma de fazer Maçonaria, diga-se de passagem, surgiu nas telinhas dos celulares, porque em monitores de 15 a 29 polegadas o conhecimento parece muito amplo! Presenciamos um sentimento de má vontade, uma aversão e antipatia pelo texto escrito, pela leitura e pelo esmero na redação, como se não bastasse a falta de zelo pelos cânones que regem qualquer ofício.

Há 5 ou 6 anos eu me indignava com a afirmação de que "maçons não gostam de ler". Até mesmo escrevi um livro, na esperança de que os obreiros da minha aldeia se interessassem pela história, fundamentos e formação da Maçonaria. Adquiriram, sim, o livro − mas para servir como peso de papéis em seus escritórios. Hoje sou obrigado a concordar com aquele idiota atrás da vitrine do stand: a esmagadora maioria dos maçons não gosta mesmo de ler − e sabem por que? Porque essa é a realidade brasileira que se agrava desde os anos 70. Pergunto (e vocês não precisam me responder): quantos livros, não importa o assunto, você leu no último ano? Se leu 11(onze), você é um bom leitor; se leu 7(sete), é um leitor mediano; se leu 2(dois) é um mau leitor; se não leu nenhum, você está perdido (conclusão minha com base, entre outros textos, em "Retratos da Leitura no Brasil - Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil" ).

Se é impossível imaginar um cidadão ou eleitor que não leia ou não procure se informar mediante livros, revistas e jornais, mais estapafúrdio é ainda existirem maçons que não leem. TODOS os preceitos, rituais, leis, fundamentos e formação da Maçonaria − enquanto organização e instituição − estão REGISTRADOS EM TEXTOS ESCRITOS e têm que ser interpretados pela inteligência e discernimento redacional se pretendemos fazer algo sério. 

Considera-se fundamental, para admissão na Maçonaria, ser o candidato homem íntegro e atualizado em relação ao seu tempo; mas também se espera, como condição, que ele esteja apto a apreender conhecimentos filosóficos e litúrgicos. 

Nem por isso, entretanto, o homem simples – a que, se destina a Maçonaria − precisa ser proficiente em inglês, francês ou latim para adentrar o vasto mundo da literatura especializada. Ninguém precisa virar maçonólogo (nova modalidade do folclore neanderthalensis brasiliensis) para entender o bê-a-bá da Arte Real. A virtude está no meio e não podemos esnobar sapiências com o propósito dissimulado de humilhar o "common man" (homem simples) e fazê-lo desistir em suas buscas; ou fazê-lo abaixar a cabeça na hora de votar.

A compreensão dos textos maçônicos, destinados ao homem simples e inteligente (o "common man"), depende, contudo, de uma alfabetização diferenciada (leitura e interpretação de texto, como dizem nas escolas). Sem isso vamos nos transformando, progressivamente, numa população que engrossa as fileiras dos analfabetos funcionais. Repito a máxima de Horatius Quintus Flaccus (28 a.C): "In Medio Stat Virtus": a virtude está no meio.

Dito isso, imaginem o que resulta da compreensão torta dos textos legais das Lojas e Potências (Constituições, Regulamentos, Leis, Decretos), sem falar no volume, a meu ver exagerado, de atos, circulares, processos administrativos e normas penais. Resulta o caos, já que ninguém consegue entender mais do que duas linhas de whatsapp ou 210 letras num twitter. Falo daquele mesmo caos de onde os alquimistas e prestidigitadores da escola autêntica tentam extrair ordo como se tirassem um coelho de dentro de uma cartola... e haja "cartolas"!

Se me perguntarem sobre uma solução para esses desafios, confesso que não sei, nem tenho receitas prontas. "Quase que nada não sei, mas desconfio de muita coisa..."

Ainda estamos no primeiro passo que consiste na identificação do problema. Chegamos a esse ponto e precisamos nos virar com o que temos – adotando a prudência necessária, pois nosso futuro é incerto. 

PAIS E EDUCADORES MAÇONS

O hábito da leitura se forma entre os 8 e 12 anos de idade. Se nesse período, quando as conexões cerebrais e neurônios ainda estão "maleáveis" e "receptivos" à educação formal, não forem semeados bons hábitos no lar e nas escolas, passada a adolescência é praticamente impossível consertar o estrago. 

Não concordo nem generalizo ao ponto de culpar os problemas sociais e conjunturais brasileiros pela derrocada do cabedal de conhecimentos entre jovens e adultos. Machado de Assis, que viveu entre 1839 e 1908, era brasileiro, nasceu no Morro do Livramento, Rio de Janeiro; era mestiço, filho de família pobre, mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade. Além disso era gago e sofria de ataques de epilepsia. Hoje, Joaquim Maria Machado de Assis é reconhecido como o maior escritor brasileiro de todos os tempos − um dos maiores da língua portuguesa e, mesmo como filósofo e crítico social, um dos grandes da literatura universal. Inspirado na Academia Francesa, Machado de Assis liderou um grupo de intelectuais – entre os quais Medeiros e Albuquerque, Lúcio de Mendonça − e fundou, em 1897, a Academia Brasileira de Letras.

Outro mestiço, Lima Barreto (1881-1922), filho de uma escrava com um madeireiro português, destaca-se nas letras como um verdadeiro titã (autor, dentre outras obras, da "Recordações do Escrivão Isaías Caminha" e "Triste Fim de Policarpo Quaresma"), não obstante ele ter sido vitimado pelo preconceito social e sucumbido ao vício – sendo frequentemente internado em hospícios − vindo a morrer aos 40 anos de ataque cardíaco.

Citei Machado de Assis e Lima Barreto para exemplo (emulação) da nossa causa, na certeza de que, embora tardiamente, podemos remediar e replanejar nosso futuro. Citei Machado de Assis e Lima Barreto, para não cometer injustiças ao negligenciar grandes personalidades e maçons que ainda vivem entre nós, porém excluídos dos processos decisórios sobre a Ordem. Citei Machado e Barreto, porque na época deles não existia essa preguiça e essa vaidade que engessa nossos empreendimentos; nem havia a internet, nem o professor google.

Espero que o bondoso fantasma de Julius (Groucho) Henry Marx venha a sussurrar um dia, dessa vez sério, atrás dos óculos e do bigode e sem o charuto davidoff:

− Entrei nessa sociedade porque ela só aceita como membros pessoas como eu que, através do riso, sejam capazes de corrigir os costumes e refletir criticamente sobre si mesmas.

"O homem atrás do bigode
É sério, simples e forte
Quase não conversa
Tem poucos, raros amigos
O homem atrás dos óculos e do bigode"
("Poema de Sete Faces", Carlos Drummond de Andrade).

quarta-feira, 17 de junho de 2020

ACLAMAÇÃO

ACLAMAÇÃO
(republicação)

Em 22/09/2015 o Respeitável Irmão Carlos Eduardo Silva e Sousa, Loja Apóstolos da Caridade, 0344, REAA, GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, formula a seguinte pergunta: carlos.pernambucanas@hotmail.com

Peço a gentileza de esclarecer uma dúvida se possível. Minha dúvida é por que na seção de Grau 3, não utilizamos a Aclamação Huzzé? Tenho seu e-mail quando me repassou em um ERAC, quando comprei seu livro Exegese Simbólica para A∴M∴ 

CONSIDERAÇÕES:

Em se despindo das roupagens místicas que alguns querem dar para a aclamação Huzzé a exemplo daquela que a liga com a região epigástrica do abdome e outras fantasias do gênero, ela, a aclamação, verdadeiramente representa na Maçonaria uma saudação ao Sol e a volta da Luz, princípios esses hauridos dos cultos solares da antiguidade, tão caros ao ecletismo maçônico.

Alguns autores autênticos, entretanto atribuem a aclamação Huzzé relacionando-a com a flor da árvore denominada por Acácia e os costumes praticados no Antigo Egito, sobretudo em certas regiões árabes onde, por exemplo, a Acácia era considerada uma planta sagrada. 

Era costume em certas tribos – como a dos Drusos – de se saudar a volta do Sol manejando e agitando um ramo florido de Acácia (shittah ou shittin), ao mesmo tempo em que se proferia a aclamação “Huzzah” (Viva!) ou “Uezzah”, conforme os dialetos locais - essa prática, todavia, fora mais tarde proibida por Maomé pelo advento do Islã.

Da aclamação “Huzzah, ou Uezzah” é que resultou através dos tempos, a corruptela “Huzzé” (Viva!), por influência de pronuncia dos ingleses. É o caso da aclamação inglesa “ip hurrah!” que quer dizer “viva!” ou “salve!” em consonância com a dos árabes “huzzah” (viva!).

Assim antiga prática de se saudar a volta do Sol (cultos solsticiais) acabou sendo inserida no simbolismo de alguns Ritos da Moderna Maçonaria como forma de preleção moral, já que essa atitude, a de se saudar a volta do Astro Rei, é uma prática muito antiga entre as civilizações, o que ocorria nas datas solsticiais.

Conforme a doutrina de alguns Ritos maçônicos, as datas solsticiais e a renovação da Natureza revivendo os costumes operativos das Guildas de canteiros medievais, estão intimamente ligadas ao arcabouço doutrinário que inspira a alegoria do aperfeiçoamento humano.

É nesse sentido que o REAA adota a aclamação Huzzé para a abertura dos trabalhos dos Graus de Aprendiz e Companheiro com o escopo de saudar a hora de grande esplendor de iluminação (Meio-Dia), quando o Sol a pino denota que não há sombra, portanto, é um momento de extrema igualdade onde ninguém faz sombra a ninguém. Tempo perfeito para o exercício do trabalho no Canteiro - Igualdade.

Alude também ao Meio-Dia da juventude e a idade propícia para produção da Obra – a Primavera e o renascimento. A Natureza revive e o Sol está pronto para fecundar a Terra.

No que tange à aclamação pronunciada no encerramento dos trabalhos, a mesma significa que embora a jornada tenha terminado um novo dia em breve irá raiar, pois quanto mais escura é a madrugada mais próxima está à hora de raiar um novo dia.

A Meia-Noite simboliza o inverno que se avizinha. É o fim da vida e o momento de reflexão sobre a passagem pelo plano terrestre. Quiçá tenha sido ela pautada por atos de Sabedoria para permanecer para sempre como exemplo na mente dos pósteros – se aproxima o momento em que o corpo será devolvido à mãe Natureza (essa idade não me agrada...), restando para a eternidade a Obra que ficou – “vede a sua Obra?”.

Desse modo, no Grau de Mestre onde, dentre outros, é teatralizada a alegoria da morte da Natureza (o inverno e a morte de H.´.), não mais existe saudação ao Sol. A Natureza cumprindo os desígnios da Criação está agora morta, entretanto pronta para novamente renascer para um novo ciclo. O inverno com seus dias curtos e noites longas simboliza a Terra que fica viúva do Sol.

É certo, porém, que a Luz retornará na Primavera e um novo ciclo irá iniciar - o Mestre revive e ingressa na Luz do Oriente.

Nesse sentido é que o teatro representativo da chave da Iniciação não comporta no Terceiro Grau a saudação Huzzé, pois no princípio a Câmara do Meio está em luto e ainda lamentando a morte de H.´., enquanto que e no epílogo o Mestre reviveu na Luz. O Mestre agora é a Luz. Assim, nos seus domínios não há saudação para si próprio.

Em tese a Loja de Aprendiz e Companheiro simboliza o plano material onde o espírito é preparado, enquanto que a Loja de Mestre simboliza o plano espiritual – vide o Compasso sobre o Esquadro. Daí a razão existir aclamação nos dois primeiros Graus e não existir na Câmara do Meio.

T.F.A. 
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.029– Florianópolis (SC) – sexta-feira, 22 de abril de 2016

MINUTO MAÇÔNICO

O COMPASSO 2º

1º - A primeira figura geométrica que se pode traçar com a ajuda do compasso, é o círculo centrado pelo ponto. Como instrumento simbólico, é emblema de medida de justiça. 

2º - A Bíblia, em várias passagens, refere-se ao Compasso e, durante a Idade Média, o Criador foi representado segurando um Compasso. 

3º - Como todo símbolo, o do Compasso comporta sentidos diversos, e esta diversidade não implica nenhuma contradição, eis que não existe nenhuma significação oficial em simbolismo. 

4º - No Rito Emulação o Compasso significa os justos limites dentro dos quais o Maçom deve se manter nas relações com os seus semelhantes e particularmente seus Irmãos em Maçonaria. 

5º - Encarado não como a terceira Grande Luz mas como ferramenta do grau de Mestre, simboliza a imparcialidade como a infalibilidade da justiça do Todo-Poderoso, que fixou os limites do bem e do mal para a instrução dos homens, que “recompensará ou punirá segundo que terão obedecido ou faltado às suas divinas ordens. 

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

GRANDE ORIENTE DO BRASIL

GRANDE ORIENTE DO BRASIL

Embora tenha, a Maçonaria brasileira, se iniciado em 1797 com a Loja Cavaleiros da Luz, criada na povoação da Barra, em Salvador, Bahia, e ainda com a Loja União, em 1800, sucedida pela Loja Reunião em 1802, no Rio de Janeiro, só em 1822, quando a campanha pela independência do Brasil se tornava mais intensa, é que iria ser criada sua primeira Obediência, com Jurisdição nacional, exatamente com a incumbência de levar a cabo o processo de emancipação política do país.

Criado a 17 de junho de 1822, por três Lojas do Rio de Janeiro – a Commercio e Artes na Idade do Ouro e mais a União e Tranquilidade e a Esperança de Niterói, resultantes da divisão da primeira – O Grande Oriente Brasileiro teve, como seus primeiros mandatários José Bonifácio de Andrada e Silva, ministro do Reino e de Estrangeiros e Joaquim Gonçalves Ledo, Primeiro Vigilante. A 4 de outubro do mesmo ano, já após a declaração de independência de 7 de setembro, José Bonifácio foi substituído pelo então príncipe regente e, logo depois, Imperador D. Pedro I (Irmão Guatimozim). Este, diante da instabilidade dos primeiros dias de nação independente e considerando a rivalidade política entre os grupos de José Bonifácio e de Gonçalves Ledo – que se destacava, ao lado de José Clemente Pereira e o cônego Januário da Cunha Barbosa, como o principal líder dos maçons – mandou suspender os trabalhos do Grande Oriente, a 25 de outubro de 1822.

Somente em novembro de 1831, após a abdicação de D. Pedro I – ocorrida a 7 de abril daquele ano – é que os trabalhos maçônicos retomaram força e vigor, com a reinstalação da Obediência, sob o título de Grande Oriente do Brasil, que nunca mais suspendeu as suas atividades.

Instalado no Palácio Maçônico do Lavradio, no Rio de Janeiro, a partir de 1842, e com Lojas em praticamente todas as províncias, o Grande Oriente do Brasil logo se tornou um participante ativo em todas as grandes conquistas sociais do povo brasileiro, fazendo com que sua História se confunda com a própria História do Brasil Independente.

Através de homens de alto espírito público, colocados em arcas importantes da atividade humana, principalmente em segmentos formadores de opinião, como as Classes Liberais, o Jornalismo e as Forças Armadas – o Exército, mais especificamente – O Grande Oriente do Brasil iria ter, a partir da metade do século XIX, atuação marcante em diversas campanhas sociais e cívicas da nação.

Assim, distinguiu-se na campanha pela extinção da escravatura negra no país, obtendo leis que foram abatendo o escravagismo, paulatinamente; entre elas, a “Lei Euzébio de Queiroz”, que extinguia o tráfico de escravos, em 1850, e a “Lei Visconde do Rio Branco”, de 1871, que declarava livre as crianças nascidas de escravas daí em diante. Euzébio de Queiroz foi maçom graduado e membro do Supremo Conselho da Grau 33; o Visconde do Rio Branco, como chefe de Gabinete Ministerial, foi Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil. O trabalho maçônico só parou com a abolição da escravatura, a 13 de maio de 1888.

A Campanha republicana, que pretendia evitar um terceiro reinado no Brasil e colocar o país na mesma situação das demais nações centro e sul americanas, também contou com intenso trabalho maçônico de divulgação dos ideais da República, nas Lojas e nos Clubes Republicanos, espalhados por todo o país. Na hora final da campanha, quando a república foi implantada, ali estava um maçom a liderar as tropas do Exército com seu prestígio: Marechal Deodoro da Fonseca que viria a ser Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil.

Durante os primeiros quarenta anos da República – período denominado “República Velha” – foi notória a participação do Grande Oriente do Brasil na evolução política nacional, através de vários presidentes maçons, além de Deodoro: Marechal Floriano Peixoto Moraes, Manoel Ferraz de Campos Salles, Marechal Hermes da Fonseca, Nilo Peçanha, Wenceslau Brás e Washington Luís Pereira de Souza.

Durante a 1ª Grande Guerra (1914 – 1918), o Grande Oriente do Brasil, a partir de 1916, através de seu Grão-Mestre, Almirante Veríssimo José da Costa, apoiava a entrada do Brasil no conflito, ao lado das nações amigas. E, mesmo antes dessa entrada, que se deu em 1917, o Grande Oriente já enviava contribuições financeiras à Maçonaria Francesa, destinadas ao socorro das vítimas da guerra, como indica a correspondência, que, da França, era enviada ao Grande Oriente do Brasil, na época.

Mesmo com uma cisão, que, surgida em 1927, originou as Grandes Lojas Estaduais brasileiras, enfraquecendo, momentaneamente, o Grande Oriente do Brasil, este continuou como ponta-de-lança da Maçonaria, em diversas questões nacionais, como: anistia para presos políticos, durante períodos de exceção, com estado de sítio, em alguns governos da República; a luta pela redemocratização do país, que fora submetido, desde 1937, a uma ditadura, que só terminaria em 1945; participação, através das Obediências Maçônicas européias, na divulgação da doutrina democrática dos países aliados, na 2ª Grande Guerra (1939 – 1945); participação no movimento que interrompeu a escalada da extrema-esquerda no país, em 1964; combate ao posterior desvirtuamento desse movimento, que gerou o regime autoritário longo demais; luta pela anistia geral dos atingidos por esse movimento; trabalho pela volta das eleições diretas, depois de um longo período de governantes impostos ao país.

E, em 1983, investia na juventude, ao criar a sua máxima obra social; a Ação Paramaçônica Juvenil, de âmbito nacional, destinada ao aperfeiçoamento físico e intelectual dos jovens – de ambos os sexos, filhos ou não filhos de maçons.

Presente em Brasília – capital do país, desde 1960 – onde se instalou em 1978, o Grande Oriente do Brasil tem, hoje, um patrimônio considerável, e em diversos Estados, além do Rio de Janeiro, e na Capital Federal, onde sua sede ocupa um edifício com 7.800 metros quadrados de área construída.

Com mais de 2.600 Lojas, cerca de 67.000 obreiros ativos (2008), reconhecido por mais de 250 Obediências regulares do mundo, o Grande Oriente do Brasil é, hoje, a maior Obediência Maçônica do mundo latino e reconhecida como regular e legítima pela Grande Loja Unida da Inglaterra, de acordo com os termos do Tratado de 1935.

Fonte: https://www.deldebbio.com.br - 17/06/2009

terça-feira, 16 de junho de 2020

PROPOSTA E ÓBOLO

PROPOSTA E ÓBOLO
(republicação)

Em 18.09.2015 o Respeitável Irmão Cláudio Rodrigues, sem declinar o nome da Loja, REAA, GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, formula a seguinte questão:
claudiorodrix33@gmail.com

Sobre a mão direita no Tronco de Solidariedade, objeto deste Informativo (JB NEWS, 1.814) o que fazemos em MG, com a mão esquerda. A mão direita o fazemos quando da Proposta e Informações. Por favor, Mano Juk dê sua - Professoral - respeitada e abalizada opinião.

CONSIDERAÇÕES:

Mano Cláudio, mesmo que a situação seja adversa aos verdadeiros costumes, saliento que o Ritual deve ser rigorosamente cumprido.

Quanto à mão que vai à bolsa, tradicionalmente, seja ela destinada para as propostas ou para a caridade faz-se o gesto sempre com a mão direita (com a mesma mão que executa a pena simbólica pelo Sinal).

Infelizmente alguns tratadistas abeirados pelas suas próprias opiniões inseriram ao longo dos tempos na Maçonaria opiniões oriundas dos seus costumes pessoais, tal como aqueles que justificam ser a mão esquerda propícia para a caridade por ser ela coincidente com lado do coração – eu particularmente penso que essa justificativa é capenga e não se coaduna com a razão. 

Penso assim até porque a coleta do óbolo nos moldes como praticamos no REAA é oriunda da Maçonaria Francesa que é filha espiritual do Século das Luzes, o que a fez deixar que os credos pessoais respeitosamente ficassem restritos ao de foro íntimo de cada um.

Assim, em Maçonaria essa atitude que corresponde à mão do coração não pode ser tomada como justificativa, sobretudo pelo respeito à coletividade maçônica que deve sempre estar distante de opiniões individuais ou de grupos particulares.

Infelizmente isso nem sempre é observado em alguns rituais das Obediências brasileiras, daí o aparecimento dessas distinções de costumes na prática de um mesmo Rito aqui no Brasil.

Por fim eu gostaria de salientar que essas considerações não têm qualquer intuito de desrespeitar um ritual legalmente aprovado. A opinião aqui emitida tem apenas o propósito de colaborar com o esclarecimento.

T.F.A. 
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.027– Florianópolis (SC) – quarta-feira, 20 de abril de 2016

IMPORTÂNCIA DO SIMBOLISMO

IMPORTÂNCIA DO SIMBOLISMO
Alessandro Krohling

Segundo Carl Jung, o símbolo é um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida diária, embora possua conotações especiais além do seu significado evidente e convencional. Implica alguma coisa vaga, desconhecida ou oculta para alguém que esteja “vendo por fora”, como um não iniciado.

Tomemos como exemplo o caso de um indiano que, após uma visita à Inglaterra, contou na volta aos seus amigos que os britânicos adoravam animais, isto porque vira inúmeros leões, águias e bois nas velhas igrejas. Não estava informado (tal como muitos cristãos) que estes animais são símbolos dos evangelistas, símbolos provenientes de uma visão de Ezequiel que, por sua vez, tem analogia com Hórus, o deus egípcio do Sol e seus quatro filhos.

Para entender o simbolismo, tomamos aqui como exemplo o Grau de Aprendiz, o maçom tem que estar preparado psicologicamente para poder entender o que o simbolismo representa, ou seja, o sentido simbólico do Grau. Grandes autores já afirmaram que nenhum outro grau é mais importante que o de Aprendiz. É a partir da simbologia que o maçom compreende o verdadeiro sentido da Arte Real. Se pensarmos na Maçonaria como uma escola filosófica, ela se utiliza dos símbolos para aumentar a cultura do “aluno”, contribuindo para sua evolução. O simbolismo desempenha para a educação do maçom um papel a que a forma profana não pode corresponder. Esse método satisfaz à necessidade funcional do espírito, mobília as outras faculdades e opera de maneira diferente das que são empregadas no ensino convencional.

Todo conhecimento do homem está associado aos elementos externos que ele vê. Na antiguidade, para ocultar seus segredos e mistérios aos olhos profanos, os egípcios, caldeus, persas, indianos e outros tantos místicos, ministravam seus pensamentos por meio de símbolos, parábola e alegorias. A maçonaria encerra seus ensinamentos e filosofia também em símbolos e alegorias, pelos quais mantém oculta as verdades de que é Guardiã.

Os símbolos maçônicos são em geral uma mistura de símbolos naturais e artificiais, comunicados nas iniciações de cada grau e cujo entendimento depende do estudo e meditação de cada um. É através do simbolismo que a Maçonaria preserva e transmite seu antigo e tradicional conhecimento. É com justas razões que nossa Ordem o mantém através dos tempos e dos povos.

Fonte: https://luizsergiocastro.files.wordpress.com

segunda-feira, 15 de junho de 2020

CADEIRAS QUE LADEIAM O TRONO

CADEIRAS QUE LADEIAM O TRONO
(republicação)

Em 16.09.2015 o Respeitável Irmão Francisco Monteiro de Sales, Loja Dr. Pedro Germano Costa, 2.408, GOB, sem declinar o nome do Rito, Oriente de Natal, Estado do Rio Grande do Norte, solicita
o seguinte esclarecimento: narfselas@hotmail.com

Acabo de ler um comentário de sua lavra, intitulado "Trono ou Sólio", visto no Blog do Bianchi, datado de 10/10/2011. Preciso de um esclarecimento. Em Sessão Magna Pública, as cadeiras que ladeiam o assento do Venerável Mestre, podem ser ocupadas por profanos? Faço referência no caso de a Sessão ser destinada a uma palestra. O palestrante pode ter assento ao lado do Venerável? É uma dúvida que gostaria do seu esclarecimento.

OPINIÃO

Eu entendo o seguinte: No Oriente de uma Loja Maçônica aberta, seja ela coberta a profanos ou aquela que permita a presença de elementos não maçons, ingressa somente Mestre Maçom.

No caso de um palestrante não maçom ele pode perfeitamente ocupar um cátedra preparada para essa oportunidade no Ocidente do recinto. Aliás, qualquer convidado que não seja iniciado, em sendo do sexo feminino, é costume na Maçonaria, nas ocasiões permitidas, que ele ocupe a Coluna do Sul e o do sexo masculino a Coluna do Norte.

Eu justifico a minha opinião pelo devido respeito que devo e que merecem os nossos Irmãos Aprendizes e Companheiros que, pelo aspecto iniciático, não ingressam no Oriente em Loja Aberta.

Então fica a pergunta: como poderiam ali se posicionar elementos que não são iniciados? 

A situação seria no mínimo contraditória?

Quanto às cadeiras que ladeiam o Trono, o fato não merece de nenhum comentário nesse sentido, já que elas se situam no Oriente. Aliás, essas cadeiras, denominadas “de honra”, somente são ocupadas de acordo com o que está previsto no Rito e na Legislação da Obediência – em nenhum desses casos está prevista para elas ocupação por pessoas não iniciadas, sejam elas autoridades civis, militares ou eclesiásticas.

Trocando em miúdos, Oriente da Loja Maçônica é lugar destinado apenas e tão somente para Mestres Maçons em qualquer circunstância. 

T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.025 – Florianópolis (SC) – segunda-feira, 18 de abril de 2016

A MAÇONARIA ESPERA QUE SEJAMOS MAÇONS

Foto de Jacques DeMolays
A MAÇONARIA ESPERA QUE SEJAMOS MAÇONS

Queridos Irmãos, 

A humanidade sempre foi repleta de desencontros. 

A vaidade exarcebada do Ser Humano sempre levou e ainda tem levado homens e mulheresa buscarem, em primeiro lugar, as conquistas pessoais, em detrimento do bem comum, pois a estes o que verdadeiramente importa são as honrarias e o poder, custe o que custar - perderíamos horas citando exemplos.

Quantas divisões, quantas separações, quantas dispersões em nome de um poder sem limites. 

Infelizmente poucos são aqueles que se dispõem a somar. Preferem, sempre, dividir em prol de um espúrio e nefasto projeto de dominação pessoal. 

Em nosso meio não tem sido muito diferente. Quantos que da boca para fora se dizem Irmãos fraternos, mas, agindo na obscuridade, articulam a divisão e o enfraquecimento de sonhos, de idéias, de projetos e de realizações. Quantos se oferecem, antecipando fatos, para a ocupação de cargos, seja em Loja, seja na própria Potência a que pertencem. 

Meus caros, é muito fácil dividir, dispersar esforços e desagregar pessoas, tirando do foco uma Instituição, mesmo sendo ela tão consolidada como a nossa Sublime Ordem. 

A ânsia pelo poder, a obsessão por cargos e o desejo de aparecer fazem com que Irmãos deixem-se levar pela vaidade e pela soberba, passando por cima de princípios e colocando em risco projetos bem embasados e estruturados - é o eterno recomeço das coisas, como acontece frequentemente no mundo da política profana. Como acontece todos os dias em nosso amado Brasil.

A Maçonaria espera que tenhamos a vontade e a disposição para somarmos forças em prol de um projeto maior e que agregue valor à vida e ao caminhar maçônico, possibilitando o crescimento e o fortalecimento de nossas bases, de nossas relações internas e externas e, sobretudo, de nossa estrutura humana e social. É por isso que vejo com muita tristeza, fatos que apontam para um rumo diferente, na medida em que falta paciência, prudência, serenidade e, em especial, discernimento acerca do que venha ser o papel de um Maçom na busca da construção e fortalecimento de relações sinceras, leais e éticas. 

Não podemos agir pautados no interesse pessoal. Isso é jogar na vala comum os Sãos Princípios que norteiam a vida maçônica. Não é isso que a Maçonariaespera de nós, muito pelo contrário, ela espera que sejamos leais a um Jur.'. Sagr.'. e Solene que um dia livremente prestamos diante de nós mesmos, de outros homens e sob a Vigilância Divina do Grande Arquiteto do Universo - a consciência de quem for perjuro será o juiz que atormentará a sua mente, o seu coração e a sua alma, até que o tempo que lhe foi concedido para refletir e crescer, esteja esgotado. 

A Maçonaria chora quando um filho seu, em nome da vaidade e do poder, tenta desagregar um trabalho que vem sendo realizados com dedicação e zelo. Em especial quando esse trabalho começa a agregar valor às atividades das Lojas e de todos os entes que as cercam, inclusive os familiares dos Obreiros que delas fazem parte. 

Precisamos atender a todos com presteza, carinho e consideração, não medindo esforços para darmos o melhor de nós, prol de causas justas e perfeitas. 

Meus Estimados e Amados Irmãos, a Maçonaria espera que sejamos MAÇONS. E, Maçom é aquele que procura, sempre, somar em prol do bem comum, de forma serena, prudente e harmoniosa.

É nessa Maçonaria que esse Irmão que vos escreve acredita, e essa a Maçonaria que eu pratico, defendo e prego. 

Um Tríplice e Fraternal Abraço, 

Leonel Ricardo de Andrade
Grande Segundo Vigilante da GLMMG Uberlândia - MG,

Fonte: http://blogoaprendiz.blogspot.com