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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 10 de julho de 2011

LIONS ROTARY


Ir∴ João Ivo Girardi
Loja Obreiros de Salomão nr. 39 (Blumenau)


ROTARY CLUB:

1. Fundado em 1905 em Chicago por Paul Harris, Franco-Maçom. A antimaçonaria militante atacou essa vasta associação mundial, usando como argumento essa origem para afirmar que ela não passava de um disfarce da Maçonaria. A mesma acusação foi formulada contra o Lion’s International. Pode- se observar que, numa alocução aos membros dos Rotary Clubs da Itália, a 20 de março de 1965, Sua Santidade, o papa Paulo VI concedeu a estes a bênção apostólica.


2. É o Rotary Clube uma sociedade secreta? Entre a metade do século XIX e os primeiros anos do século XX vários grupos de ajuda humanitária surgiram em todo o mundo. Em torno deles, a polêmica: seriam clubes de serviço ou sociedades secretas? São muitas as opiniões a esse respeito. Elks (1868), Rotary (1905), Kiwanis (1915) e Lions (1917) entraram em evidência. Foram os precursores de uma nova modalidade de clube, onde ao invés de lazer prega-se a ajuda humanitária. Os membros se reúnem semanalmente com o objetivo de unir esforços e recursos financeiros a fim de financiar projetos de ajuda a pessoas carentes e comunidades necessitadas. No entanto, para alguns pesquisadores a ajuda humanitária seria apenas uma fachada para esconder sua verdadeira identidade. Entre os clubes de serviço, o Rotary é o que mais se destacou e em cuja organização está a maioria dos maçons de nosso país. Apesar de negar qualquer relação com a Maçonaria, existem evidências que comprovam seu envolvimento. Na verdade, o Rotary é apenas mais um dos muitos braços da Maçonaria.


O Que é o Rotary? Segundo nos informa o site oficial da organização, o Rotary é uma rede mundial de voluntários dedicados à prestação de serviço social. Fundada pelo maçom Paul Harris, em 23/2/1905, em Chicago, EUA, a instituição tem como lema dar tudo de si sem pensar em si. Suas metas são melhorar a qualidade de vida da humanidade reduzindo disparidades mundiais em áreas como saúde, educação, agricultura, saneamento, recursos hídricos e pequenos negócios, assim como promover a paz e a harmonia entre os homens. Não sectários e apolíticos, os Rotary Clubes são abertas a todas as raças, culturas e credos, e estão espalhados por diversas partes do Brasil e do mundo. Homens, mulheres, jovens e adolescentes integram os diversos programas da ONG. Para os jovens de 14 a 18 anos, o Interact. Para os universitários formados entre 18 e 30 anos, o Rotoract. Após os 30 anos, o cidadão pode ser membro efetivo do Rotary.

Como tudo começou: Nascido em Racine, Wisconsin (EUA), no dia 19/5/1868, Paul Percy Harris foi o segundo dos seis filhos de Gerg N. Harris e Cornélia Bryan Harris. Aos três anos de idade foi morar em Wallingford, Vermont, com seus avôs paternos, que o criaram. Casou-se com Jean Thompson (1881-1963), mas não tiveram filhos. Formou-se em Direito pela universidade de Iowa e obteve o título honorário da universidade de Vermont. Paul Harris trabalhou como repórter de um jornal, foi professor de economia, ator e caubói. Em 1896 decidiu advogar em Chicago. Certa noite, durante uma caminhada após jantar na casa de outro advogado, Paul Harris, depois de ser apresentado a alguns amigos do seu colega que eram proprietários de casas comerciais naquele bairro residencial de Chicago se lembrou da vida na cidade de New England onde cresceu.

Esse episódio inspirou Harris a organizar um clube, sem restrições políticas ou religiosas, para que executivos e profissionais liberais tivessem a oportunidade de desfrutar de companheirismo e estabelecer novas amizades. Membros do Rotary Club reunidos em Nova Yorque, 1927, para a eleição do novo presidente internacional da ordem, Henry A. Dorsey. Juntamente com Silvester Shile, comerciante de carvão, Gustavus Loehn, engenheiro de minas e Hiram Shorey, alfaiate, Harris formou o primeiro clube. O clube recebeu o nome de Rotary devido ao fato de que seus membros se reuniam em rodízio nos respectivos locais de trabalho. No terceiro ano do clube, Harris assumiu a presidência e decidiu que a ideia do Rotary deveria ser expandida para outras cidades e países. Em 1912, após a formação de clubes no Canadá e Inglaterra, a organização passou a se chamar Associação Internacional dos Rotary Clubes. Com o passar do tempo, abriram-se filiais na Europa, América do Sul, África e Ásia. Em 27 de janeiro de 1947, por ocasião da morte o Presidente Emérito do Rotary Internacional, Paul Harris, havia cerca de 6.000, Rotary clubes pelo mundo todo.

Uma entidade filantrópica? Usando a mesma estratégia da Maçonaria e de outras sociedades secretas, o Rotary Clube afirma ser apenas uma entidade filantrópica, não sectária e apolítica. Entretanto, sabemos que isso não é verdade. Além de algumas semelhanças com a Maçonaria, os rotarianos estão profundamente envolvidos com a política. A maioria dos rotarianos são políticos e muitos deles estão envolvidos na administração de várias cidades e estados do Brasil. Provas documentais: A relação entre o Rotary Clube e a Maçonaria é algo incontestável. Prova disso é que Lojas maçônicas amplamente divulgam na Internet destacam ambos os fundados do Rotary e Lions, Paul Harris e Melvin Jones, como maçons. Maçons famosos fundaram entidades que prestam serviços a humanidade, como Os Escoteiros, por Robert Power; o Rotary, por Paul Harris; o Lions, por Melvin Jones; o grupo de jovens de DeMolay, por Frank Sherman Lan. É praticamente impossível desassociar a imagem do Rotary da Maçonaria, até porque existem muitas evidências entre uma e outra sociedade. As características comuns a essas organizações como a composição, do seu quadro de membros efetivos e o método de ingresso dos novos sócios, isto é, previamente selecionados por uma comissão eletiva, são evidências que demonstram a ligação entre as sociedades. Algumas lojas maçônicas são compostas, exclusivamente, por rotarianos. Um dos casos é da loja Rotaria número 4195 de Londres, cujas correspondências destacavam carimbos da ONG e os típicos compassos com a letra G em evidência, símbolo internacional do Rito Escocês. Entre os anos de 1928 e 29 houve uma campanha internacional contra o Rotary liderado pelo jornal La Civilla, de Roma, que destacava que o código de ética do Rotary apregoava princípios semelhantes ao da Maçonaria, e que os ensinamentos filosóficos e morais tinham cunho religioso.

Distribuido em vários países, o jornal defendia a ideia que o clube era demasiadamente amigo dos maçons e perigosamente inclinado ao erro de tratar todas as religiões de igual valor.

A Loja Maçônica Paul Harris: Em São Paulo funciona desde 1981 a Loja Maçônica Paul Harris, em uma referência ao fundador do Rotary. Organizada por Maurice Alfred Sommer, a sociedade se diz ser herdeira dos ensinos de Paul Harris.

Vejamos o que diz:

A história da loja maçônica Paul Harris começa com o Rotary, já que Paul Harris, seu fundador, era maçom, conforme consta nos arquivos, e por isso existem muitos pontos em comum entre o Rotary e a Maçonaria, como o combate ao egoísmo, o respeito à igualdade absoluta de direitos e a todas as crenças religiosas e que cada um seja feliz com sua crença. No ano de 1981, o irmão Maurice Alfrede Sommer, na época membro do Rotary de Sumaré (SP), sabedor que o fundador do Rotary fora maçom, convocou alguns rotarianos para prestarem uma homenagem póstuma a Paul Harris, outorgando-lhe o patronato da loja que pretendia fundar. Em uma reunião realizada no restaurante Don Ciccilo, na Água Branca, com a presença de cinco rotarianos (Maurice Sommer, João Forte, Gilberto Leite, Justino de Matos, Victor Kothe) e mais dois iniciados (Romão Gomes e José Gouveia), expôs suas ideias. Aos 29 de junho de 1981, após um trabalho incansável do irmão Maurice, reunindo quinze irmãos, consegui instalar a loja, que é subordinada ao Grande Oriente de São Paulo e federada ao Grande Oriente do Brasil, sendo o Venerável da fundação o irmão José Caparroz Sallas. A primeira reunião foi realizada no templo da Unificação, sito na Av. Fagundes Filho, 671, Oriente de São Paulo, sob a presidência do venerável Sallas.

O estandarte da loja é descrito obedecendo aos seguintes princípios: a) em veículo azul claro; b) no centro a engrenagem do Rotary em suas cores originais, substituindo-se os raios pelo esquadro e o compasso na cor dourada contendo no centro a letra G em vermelho; c) abaixo da engrenagem colocar-se-á o nome Paul Harris e abaixo do nome a data de fundação. Dos 15 irmãos que fundaram a Loja Maçônica Paul Harris, sete eram rotarianos e outros três foram admitidos no Rotary Clube de Sumaré.

A Maçonaria caminha com o Rotary, em busca de Fraternidade, Respeito e Tolerância.

A liberdade de ação e a igualdade de direitos, não poderiam, por isto, deixar de orientar a conduta de seus membros na luta por ideais elevados. Traçando este paralelo, a Ordem Maçônica palude a existência do Rotary, que chegamos a apelidar de Maçonaria Branca, já que acreditamos que Paul Harris tenha se baseado na Maçonaria para elaborar o manual de procedimentos rotários, e isto facilmente poderá ser comparador por qualquer rotariano observando uma sessão branca maçônica. (Loja Maçônica Obreiros de Irajá, RJ). 

3. Rotarianos famosos: Albert Sabin; Ron Hubbard, George W. Bush; General Douglas MacArthur; Walt Disney; Soleiman Frangieh, Konosuke Matsushita, Ernest Medina, My Lai, Principe Bernardo de Lippe-Biesterfeld, Neville Chamberlain (Primeiro Ministro, Reino Unido), Hassan II de Marrocos, Rainier III de Mônaco; Nelson Pereira dos Santos, Charles Lindbergh, Bill Gates, etc. (V. Antimaçonaria, Clube de Serviços, Lions).

LIONS CLUB INTERNATIONAL:


Lions Clubs International é a maior organização internacional de clubes de serviço do mundo, voltada para serviços humanitários, fundada por Melvin Jones. Seus membros, denominados como Companheiro Leão são associados aos Lions Clubes espalhados pelo mundo. São aproximadamente 1,4 milhão de homens e mulheres realizando exames de vista e de saúde, construindo parques, apoiando hospitais oftalmológicos, concedendo bolsas de estudo, auxiliando jovens, distribuindo cestas básicas, dando apoio a entidades filantrópicas, fornecendo ajuda em momentos de catástrofes e muito mais.

Lions Clubs International foi fundada nos Estados Unidos da América em 1917 por Melvin Jones e se tornou internacional em 1920, quando foi fundado um Lions Club no Canadá. Sob a égide de Lions Clubs Internacional e Lions Clubes locais, são organizados os LEO Clubes: organizações de serviço voltadas à juventude, nos moldes do Leonismo.

Visão da Associação Internacional de Lions Clubes:
Ser o líder global em serviços comunitários e humanitários.

Propósitos da Associação Internacional de Lions Clubes:
Para atender sua missão, foram definidos os seguintes Propósitos do Lions
1) Organizar, fundar e supervisionar clubes de serviços a serem chamados de Lions Clubes.
2) Coordenar as atividades e uniformizar a administração de Lions clubes.
3)Criar e fomentar um espírito de compreensão entre os povos da Terra.
4) Incentivar os princípios do bom governo e da boa cidadania.
5) Interessar-se ativamente, pelo bem-estar cívico, cultural, social e moral da comunidade.
6) Unir os clubes pelos laços de amizade, bom companheirismo e compreensão mútua.
7) Promover um fórum para a livre discussão de todos os assuntos de interesse público, excetuando-se, entretanto, o partidarismo político e o sectarismo religioso, que não serão debatidos pelos associados no clube.
8) Incentivar as pessoas bem intencionadas a servir a suas comunidades sem benefício financeiro, estimular a eficiência e promover elevados padrões éticos no comércio, na indústria, nas profissões, nos serviços públicos e nos empreendimentos particulares. Código de Ética dos Leões:

O Lions possui um código de ética:
1) Demonstrar fé nos méritos da minha profissão esforçando-me para conseguir honrosa reputação mercê da excelência dos meus serviços.
2) Lutar pelo êxito e pleitear toda remuneração ou lucro que, equitativa e justamente mereça, recusando, porém, aqueles que possam acarretar diminuição de minha dignidade, devido à vantagem injusta ou ação duvidosa.
3 Lembrar que, para ser bem sucedido nos negócios ou empreendimentos, não é necessário destruir os dos outros. Ser leal com os clientes e sincero consigo mesmo.
4) Decidir contra mim mesmo no caso de dúvida quanto ao direito e a ética de meus atos perante meu próximo.
5) Praticar a amizade como um fim e não como um meio. Sustentar que a verdadeira amizade não é o resultado de favores mutuamente prestados, dado que não requer retribuição, pois recebe benefícios com o mesmo espírito desinteressado com que os dá.
6) Ter sempre presente meus deveres de cidadão para com a minha localidade, meu Estado e meu País, sendo-lhes constantemente leal em pensamento, palavras e obras, dedicando-lhes, desinteressadamente, meu tempo, meu trabalho e meus recursos.
7) Ajudar ao próximo, consolando o aflito, fortalecendo o débil e socorrendo o necessitado.
8) Ser comedido na crítica e generoso no elogio, construir e não destruir.

Lions Clubes no Mundo:

A organização tornou-se internacional em 12 de março de 1920, quando foi fundado o primeiro Lions Clube no Canadá, em Windsor, Ontário. Ao longo dos anos, espalhou-se pelo mundo, tornando-se a maior organização de clubes de serviço do mundo.

O Lions no Brasil:

Data de fundação: 1952 No Brasil o Lions está subdividido em quatro Distritos Múltiplos: LA, LB, LC e LD. Cada um dos Distritos Múltiplos por sua vez está dividido em Distritos.

Abaixo dos Distritos, estão as Regiões Leonísticas e/ou Divisões Leonísticas e, finalmente, os Lions Clubes. Cada Lions Clube é uma sociedade civil sem fins econômicos, de duração indeterminada, filiada à Associação Internacional de Lions Clubes, conforme estabelecem seus estatutos. Uma forma de encontrar os Lions Clubes no Brasil pode ser encontrada Domínio do Lions no Brasil

Lema: O lema da associação é Nós Servimos. Adotado em 1954.

Slogan: Liberdade, Igualdade, Ordem, Nacionalismo, Serviço. Ele foi adotado na Convenção Internacional de 1919. 

As Cores do Leonismo:


O roxo e o amarelo-ouro foram escolhidos quando a associação foi fundada em 1917. O roxo representa lealdade ao país natal, aos amigos, a si mesmo e à integridade da mente e da alma. É a cor da coragem, energia e dedicação a uma causa. O amarelo-ouro simboliza sinceridade de propósito, imparcialidade de julgamento, simplicidade de vida e generosidade espiritual e compromisso para com a humanidade. Muitas vezes o azul escuro é usado em lugar do roxo. 

Emblema Oficial: O atual emblema do Lions foi adotado na convenção de 1919. Hoje, Leões de todas as partes do mundo são facilmente reconhecidos ao usarem este emblema. O emblema consiste de um L dourado num círculo roxo ou azul.

Em torno deste círculo roxo há uma área circular dourada com o perfil de dois leões, de costas para o centro. A palavra Lions e International aparecem no topo e na parte inferior. Os leões estão olhando para um passado glorioso e com confiança para o futuro.


Melvin Jones: (1879-1961) foi o fundador do Lions Clubs International. Era filho de um capitão do Exército dos Estados Unidos da América que comandou um grupo de escoteiros. Mais tarde, seu pai foi transferido e a família mudou-se para o leste do país. Aos 20 anos de idade, Melvin Jones mudou-se para Chicago, Illinois, onde se associou a uma companhia de seguros e, em 1913, fundou sua própria agência.

Como membro do Círculo de Negócios de Chicago, um grupo de empresários que se reunia na hora do almoço, Melvin Jones foi logo eleito secretário. Este era um dos muitos grupos da época que se dedicava totalmente a promover os interesses financeiros de seus membros.

Devido ao seu apelo limitado, estes grupos estavam destinados a desaparecer. Melvin Jones, contudo, tinha outros planos.

Que tal se os homens, ele perguntou, que têm sucesso devido à sua energia, inteligência e ambição, usassem seus talentos para melhorar suas comunidades?

Em 1914, como secretário do Círculo de Negócios de Chicago, manteve contatos com vários clubes independentes e associações de clubes dos Estados Unidos da América, interessando-os na unificação para formar uma associação de clubes de serviço. Entretanto, somente a 7 de julho de 1917, e depois de numerosa correspondência, é que conseguiu reunir os delegados dos clubes, na Sala Leste do Hotel La Salle de Chicago, a fim de preparar os fundamentos para a formação da Associação, a qual começou a existir alguns meses após, na Convenção reunida em Dallas, estado do Texas, de 8 a 10 de outubro de 1917.

Nessa Convenção, Melvin Jones foi eleito Secretário. Foi estipulado que os clubes não teriam caráter social e que os seus sócios não poderiam promover seus interesses comerciais. Eventualmente, Melvin Jones abandonou sua agência de seguros e se dedicou totalmente ao Lions na sede internacional em Chicago. Foi sob sua liderança dinâmica que os Lions clubes conseguiram o prestígio necessário para atrair homens com mentalidade cívica.

Em julho de 1950, a Diretoria Internacional concedeu-lhe à Melvin Jones o título de Secretário-Geral Perpétuo e em julho de 1958 o de Secretário-Geral e Fundador do Leonismo. O fundador da associação também foi reconhecido como líder por outras entidades. Uma das maiores honras para Melvin Jones foi em 1945 quando ele representou Lions Clubs International como consultor na Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional em São Francisco, Califórnia quando foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU).

Melvin Jones, o homem cujo lema pessoal Você não pode ir muito longe enquanto não começar a fazer algo pelo próximo, se tornou o princípio condutor de pessoas com espírito de serviço humanitário em todas as partes do mundo. Uma frase célebre de Melvin Jones: Os sonhos são as simples idéias de ontem que se tornaram nos importantes milagres de hoje. O sonho de Melvin Jones tornou-se realidade e hoje, no Brasil, a presença do Movimento Leonístico atinge mais de meio século de relevantes serviços prestados à comunidade brasileira, nos diversos segmentos da sociedade: saúde, educação, bem-estar social, civismo, cidadania. Faleceu em 1 de junho de 1961 com 82 anos de idade. O dia de seu nascimento (13/01/1879) é consagrado no Leonismo Internacional como O Dia da Memória, momento de reverenciarmos mais uma vez o fundador de tão meritória obra.

Maçonaria: Logo: Em quase 100 anos de utilização, o logo do Lions mudou e evoluiu, mas sempre manteve a mesma idéia: Nós Servimos. 1916: O primeiro logo revela os laços iniciais com a Maçonaria: Um círculo com letra L em seu interior, sob o Esquadro e o Compasso. 1918: Neste logo, o leão mordendo uma clava (club em inglês) faz um trocadilho com referência a Lions Club. 1920: Esta versão com o monograma L e os Leões em direções opostas foi a base do logo atual. Loja Maçônica: No Brasil existe a Augusta e Respeitável Loja Simbólica Melvin Jones nº 3733, no Oriente de Campinas/Grande Oriente de São Paulo/GOB. (V. Clube de Serviços, Rotary).


Renovação da marca Lions
Da "The Lion Brasil Sudeste"

O Lions Internacional está iniciando um processo de renovação de sua marca. É claro que o que importa é o que o Lions faz, mas a renovação vai nos ajudar a

falar do que fazemos de maneira mais moderna e adequada ao nosso segundo século de crescimento.
Locais consultados a respeito da renovação da marca Lions

Em Porto Rico, o Lions organiza anualmente uma expedição médica de barco até a República Dominicana, para oferecer tratamento a 10.000 pessoas. Em Nova Iorque, o Lions paga a hipoteca de uma família de nove pessoas que perdeu o pai num acidente. Na Etiópia, o Lions colabora com o Carter Center para eliminar o tracoma, que causa cegueira. Na Cidade do Cabo, África do Sul, o Lions faz parceria com um supermercado para alimentar 60.000 pessoas por dia.

Apesar dos Leões serem conhecidos em todo o mundo, as notícias sobre nossas realizações não são divulgadas. Por que? Em parte porque o Lions investe muito pouco dinheiro em relações públicas e propaganda. Na realidade, outras organizações de serviço gastam de 25 a 80 vezes mais que o Lions com publicidade. Resultado: uma reputação forte que não é bem divulgada nem compreendida.

Com o auxílio de consultores especializados em Terceiro Setor, as lideranças leonísticas decidiram reverter essa tendência através de um grande esforço para renovação da Marca Lions. "Durante 90 anos deixamos nossas ações falarem por si", diz Peter Lynch, diretor executivo. "Agora, nesta era de comunicação, os Leões terão que falar mais e mais diretamente para o público. Cabe a nós definir quem somos”.

Fonte: JBNews - Informativo nº 316 - 10 de Julho de 2011

...ENTRANDO NA MAÇONARIA

e. figueiredo (*)

(Vale a pena abrir mão da “qualidade” em nome da “quantidade” ?)
Estamos vivendo num mundo onde tudo está acontecendo com rapidez jamais vista. Invenções utilizando tecnologia avançada permitem realizarmos varias coisas (nosso trabalho, nossas tarefas cotidianas) em tempo restrito e com qualidade. As expressões, que as empresas passaram a utilizar há alguns anos, principalmente as multinacionais, “qualidade total”, “controle de qualidade“, e outras, acabaram tendo aplicação não só no campo profissional, mas, também, abrangendo diferentes áreas de atuação.

Essa tecnologia, que vem transformando o nosso planeta Terra, chegou também à Sublime Ordem. Assim é que “qualidade total” e “controle de qualidade” passassem a ser termos empregados pelos seus integrantes. E não poderia ser diferente, pois os Maçons convivem com os avanços tecnológicos nos locais de trabalho, cuja experiência, indubitavelmente, é transportada para o interior dos Templos.

Há aqueles, os quais interpretam como uma profanação à tradição Maçônica, que não vêem isso com bons olhos, entretanto, não poderão negar o lado positivo, que é a consciência de que as coisas na Arte Real merecem ser preparadas e cuidadas com carinho, seriedade e não de qualquer maneira, além de acompanhar a evolução que a Humanidade assiste. A Maçonaria precisa, também, de pessoas de “qualidade” que expressem sua condição de livre e de bons costumes, cumpridores de suas obrigações junto à família e à sociedade, com um testemunho coerente de vida.

A despeito da Ordem se ver na necessidade de servir, com maior atenção possível, prestando assistência às pessoas, devemos ter o cuidado de não pensar que a Maçonaria é simples empresa de prestação de serviços, como muitos assim a interpretam. A Maçonaria, como reza em sua declaração de princípios, tem por objetivo lutar contra a ignorância sob todas as formas; é uma escola mútua cujo programa se resume em: obedecer às leis do seu país, viver segundo a honra, praticar a justiça, amar o seu semelhante, trabalhar sem descanso para a felicidade da Humanidade e prosseguir a sua emancipação progressiva e pacífica. A Maçonaria não é como um produto qualquer, que pode ser comprado ou consumido; ela é formada por pessoas que se esforçam, a cada dia, para fazer cumprir esses princípios, sob os quais fizeram juramento. E é por isso que, nem sempre a “qualidade“ atende às exigências de quem a vê de fora.

Muitos Maçons crêem que é necessário restringir a quantidade de Obreiros em nome da qualidade. Como em qualquer comunidade, seus integrantes têm formas diferentes de ver a situação, o que tem provocado divergências quanto à interpretação dos conceitos da Ordem. Nos debates, discussões e palestras, que as Lojas promovem, têm aparecido as expressões “qualidade total” e “controle de qualidade” como menção para que seja mais acurada a escolha do candidato. Saber aproveitar-se da tecnologia é ter coragem de buscar novos métodos para o bem da Ordem e do seu aperfeiçoamento.

A preocupação tem razão de ser, pois a escolha de um candidato para adentrar à Ordem, poder-se-ia dizer, é tão importante como respirar para viver. São os escolhidos que dão continuidade à Instituição.

A amizade, a posição social, o modo de vida, o parentesco e o relacionamento profissional são algumas das condições que devem ser consideradas, porém, não imperativas na admissão de um novo membro. Um amigo ou um parente por mais íntimo que seja, pode merecer toda consideração como tal, todavia, não ser digno de que depositem nele a confiança necessária para ser candidato a Maçom. Deve-se entender, entretanto, que por melhor que seja estabelecido um procedimento de escolha, com “qualidade total” e “controle de qualidade”, sempre estaremos vulneráveis, e, com possibilidade de receber quem se desviou desse critério. É aí que deve entrar a catequese por aqueles que são considerados “enquadrados” para fazer o Obreiro, que não se identifica com os princípios, a ter melhor participação e desempenho e captar em profundidade as regras da Maçonaria.

Os que já fazem parte da Maçonaria não podem se fechar em grupos, julgando-se os melhores, e, muito menos, manifestarem com ambigüidade deliberada – a exemplo de mensagem diplomática – quando há necessidade constante de se optar pela integridade da Ordem. Devem, sim, estar abertos para acolher todos os que foram chamados a participar da Sublime Ordem, cada um a seu modo, independentemente se foi uma boa ou má escolha. Após a admissão deve ser acompanhado com atenção, responsabilidade e carinho, assistência está suplementada com farta literatura Maçônica, para que tenha conhecimento exato da entidade em que ingressou. É necessário ensinar a desbastar a pedra bruta com poucas ou muitas pessoas, através de Maçons que já têm boa caminhada, orientando como manusear, corretamente, o maço e o cinzel. Os mestres estão incumbidos de fazer surgir, no espírito do neófito, alguma chama que permita abrir novos horizontes. É a missão que cabe aos mestres executar, isto é, ensinar-lhe o sentido de ação. Além do mais, o fato de pôr de lado uma obrigação presumida, não dá direito a nenhum mestre Maçom de abandonar, indefinidamente, uma obrigação inerente. Não deixa de ser uma forma de se tentar corrigir uma possível escolha errônea. Por analogia, seria podar a árvore para que dê bons frutos. Assim encarada, a Maçonaria nunca será considerada uma simples agremiação ou mera espécie de clube social, mas como uma das vias da sabedoria universal e uma verdadeira escola de iniciação.

Apregoar, como fazem alguns Maçons, de que a porta de entrada da Maçonaria deva ser estreitíssima, e, a de saída, a maior possível, é uma forma simplista de tentar resolver o problema. A busca, de se encontrar o homem de real valor moral e intelectual, nem sempre é conseguida, porém, claro está, a preocupação na seleção deve prevalecer sem ser negligenciada, sob o risco de surgirem problemas, motivados por má escolha, quem sabe, insolúveis.

O importante é ter em mente: Se o Obreiro entrou na Maçonaria, cabe a nós fazermos com que a Maçonaria entre nele....


(*) E. Figueiredo - pertence ao CERAT - Clube Epistolar Real Arco do Templo / Integra o GEIA – Grupo de Estudos Iniciáticos Athenas / Membro da Confraternidade Mesa 22, e é
Obreiro da ARLS Verdadeiros Irmãos – 669 (GLESP)

Fonte: JBNews - Informativo nº 316 - 10 de Julho de 2011

IGUALDADE (II)


Ir∴ Anatoli Oliynik 
Loja “Laélia Purpurata” nº 3496 de Camboriú

O lema da Maçonaria moderna, constituído pelas expressões Liberdade, Igualdade e Fraternidade, não é novidade para os maçons.

Todos os maçons sabem que, após a Revolução Francesa em 1789, a Maçonaria retirou as duas primeiras expressões, Liberdade e Igualdade do lema da própria revolução, acrescentando a elas uma terceira: Fraternidade, retirada do lema da 2ª República (1848), que substituiu a “ou la Mort” daquela.

Estas expressões são pronunciadas pela maioria dos maçons até a exaustão, entretanto, nem todos sabem o significado de cada uma destas palavras.

Neste ensaio procuraremos precisar a real dimensão da palavra igualdade, a mais desejada pelos povos e a menos compreendida.

Segundo o dicionário Aurélio, o verbete igualdade, de origem latina [aequalitate], é um substantivo feminino significando:

1. Qualidade ou estado de igual; paridade.

2. Uniformidade, identidade.

3. Eqüidade, justiça.

Temos ainda, segundo o conceito da ética, a “Igualdade moral” com o seguinte significado:

“Relação entre os indivíduos em virtude da qual todos eles são portadores dos mesmos direitos fundamentais que provêm da humanidade e definem a dignidade da pessoa humana.”

Afinal, o que é Igualdade?

Os homens são iguais por sua origem, natureza e destino.

Nos povos antigos, inexistia a compreensão da igualdade entre os homens. Platão (429-347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C. defenderam amplamente a instituição da escravatura, tida, à época, como normal. Aliás, no nosso país a escravatura foi considerada normal até por volta de 1850 quando foram iniciados os movimentos abolicionistas.

Na democracia ateniense, costumeiramente louvada entre nós, havia quatro escravos para cada homem livre. Em Roma, não era diferente, onde os escravos eram numerosos e postos a exercer muitas atividades.

Deve-se ao Cristianismo a mais antiga proclamação de igualdade substancial entre os homens: “criados por Deus, à sua imagem e semelhança, portadores da mesma essência e destinados ao mesmo fim, que é o próprio Deus, mediante o resgate advindo da Redenção”.

Essa igualdade confere aos homens uma dignidade ontológica, que lhes assegura o direito a igual tratamento no âmbito da ordem legal. Isso não significa que se deixe de atender aos princípios de justiça, pois, se é certo que é preciso tratar com igualdade os iguais, não é menos certo que se devem tratar com desigualdade os desiguais.

Nisto não vai nenhum atentado contra a dignidade humana, como pretendeu Marc Sangnier (1873-1950) ao defender uma igualdade absoluta que o levava até mesmo a insurgir-se contra a obediências – por entende-la contrária à “eminente dignidade da pessoa humana”- substituindo-a por uma “autoridade consentida”.

Estamos aqui diante de uma falsa dignidade humana, que acaba comprometendo a reta ordenação da sociedade. É o que vem acontecendo com determinados grupos de “Direitos Humanos” que se utilizam desta premissa, distorcendo completamente o conceito de tratar com desigualdade os desiguais.

O direito à igualdade, aliás, quando se defronta com o exercício de outros direitos fundamentais, acaba encontrando limitações que demonstram a insubsistência de seu caráter absoluto.

Quando a Revolução Francesa levantou a bandeira da “Liberté, Igualité, ou la Mort”, a igualdade irrompia com ímpeto radical, visando a extinção de todo e qualquer privilégio e hierarquia social. Na verdade, porém, o que se pretendia era menos a derrubada de um regime político do que a implantação de uma outra concepção do homem e da sociedade.

“Todos os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos”, diz o artigo 1º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. Mas não há igualdade entre uma criança e um adulto, entre um homem honesto e um homem desonesto etc. É justo, pois, que tenham tratamento desigual.

A igualdade absoluta, além de resultar de uma concepção abstrata do homem, põe a perder a justa compreensão da verdadeira igualdade, que considera os homens iguais quanto ao ser (origem, natureza e destino), mas não pode ignorar a evidência de que, ao mesmo tempo, são desiguais quanto ao modo de ser (inteligência, cultura, talento, aptidão, competência, iniciativa, empenho etc.). Estas desigualdades pessoais se harmonizam com a natureza das coisas e conferem dinamismo à vida social, especialmente se esse dinamismo, aberto aos princípios de justiça, ganhar expansão no quadro de uma estrutura orgânica da sociedade.

Enquanto a igualdade pretendida pelo liberalismo acabou gerando desigualdades odiosas, que deram origem ao intervencionismo do Estado e conseqüentemente mutilação da liberdade, a igualdade da utopia socialista, onde tentou implantar-se, mas não conseguiu mais do que um nivelamento mecanicista, ao preço da liberdade e do direito, sob a égide de um burocratismo assoberbante, elitizado na nomenclatura. (1)

Isto posto, a igualdade, assim como a liberdade, é um ideal. Sendo um ideal, passa a ser um conceito abstrato, relativo e não absoluto, que pode ser interpretado de muitas maneiras.

Na Grécia antiga, por exemplo, a idéia de igualdade caracterizava a democracia. Entre nós é caracterizada como repartição e paridade.

O conceito de igualdade, na prática, é relativo ao menos a três variáveis que precisam ser consideradas todas as vezes que se introduz o discurso sobre o maior ou menor desejo de realização da idéia de igualdade:

a) os sujeitos entre os quais se trata de repartir os bens e os ônus;
b) os bens e os ônus a serem repartidos;
c) o critério com base no qual os repartir.

Em outras palavras, nenhum projeto de repartição pode deixar de responder a estas três perguntas:

a) igualdade entre quem?
b) em relação a que?
c) com base em quais critérios?

Combinando estas três variáveis pode-se obter uma variedade enorme de tipos de repartição, todos passíveis de serem chamados de igualitários apesar de serem muito diversos entre si. Os sujeitos podem ser: todos, muitos, poucos e até mesmo um só. Os bens a serem distribuídos podem ser direitos, vantagens ou facilidades econômicas, posições de poder. Os critérios podem ser a necessidade, o mérito, a capacidade, o esforço e outros mais; e no limite da ausência de qualquer critério poder-se-ia dizer: A mesma coisa para todos.

Na sociedade familiar, por exemplo, o critério prevalente na distribuição dos recursos é mais a necessidade do que o mérito, mas este não está excluído. Na escola, por sua vez, o mérito como critério deve ser exclusivo, porque a escola não pode deixar de ter uma finalidade seletiva, assim como os concursos para um emprego qualquer.

Por outro lado, a máxima “a cada um o seu” é, em si mesma, vazia e deve ser preenchida especificando-se não apenas a quais sujeitos está referida e qual o bem a ser distribuído, mas também qual é o critério, exclusivo ou prevalente, que, com relação àqueles sujeitos e àquele bem, deve ser aplicado.

Segundo a maior ou menor extensão dos sujeitos interessados, a maior ou menor quantidade e valor dos bens a distribuir, e com base no critério adotado para distribuir tais bens a um certo grupo de pessoas, podem ser distinguidas doutrinas mais ou menos igualitárias.

Partindo-se da dupla constatação, de um lado a diversidade dos homens e, de outro, a multiplicidade de modos com que se pode responder à pergunta: “igualdade em que?” poder-se-ia afirmar que não existem teorias completamente inigualitárias, pois todas propõem a igualdade em alguma coisa como meio que conduz a uma boa vida. O juízo e a mensuração da igualdade dependem da escolha da variável - riqueza, felicidade, renda, etc. - que conforme as circunstâncias é selecionada pelas diversas teorias. A igualdade baseada em uma variável obviamente não coincide com a igualdade baseada em outra.

Destas observações, pode-se concluir que é tão irrealista afirmar que todos os homens devem ser iguais quanto todos os homens devem ser desiguais. Realista é apenas afirmar que uma forma de igualdade é desejável.

Fonte: JBNews - Informativo nº 316 - 10 de Julho de 2011

sábado, 9 de julho de 2011

EGOISMO

Marco Antonio Perottoni
M∴I∴ Loja Cônego Antonio das Mercês 
Loja Francisco Xavier ferreira de Pesquisas Maçônicas

IGUALDADE, LIBERDADE, FRATERNIDADE, TOLERÂNCIA e UNIÃO

Há vários anos vimos sofrendo com a situação econômica de nosso país, numa guerra surda que nos leva a lutar pelo pão nosso de cada dia, quase que de uma forma brutal para vencermos a concorrência de nosso próximo.

Devemos parar para pensar sobre esta situação. Será que esta guerra pela sobrevivência não tem alterado o caráter e os procedimentos do ser humano, ou, será que não posso estar me aproveitando da realidade para expor uma personalidade que tenho mantido no meu interior.

Nesta luta de cada um por si e o resto que se dane, me sobressalta uma pergunta: COMO SOMOS?

Não serei um EGOÍSTA, ou seja, não tenho um amor excessivo ao meu próprio bem, sem consideração aos interesses alheios, implicando, este comportamento, na subordinação do interesse de outrem ao meu próprio interesse. Não estarei agindo com o que chamamos de exclusivismo, que faz o indivíduo referir tudo a si próprio, e é próprio de quem trata somente de seus próprios interesses?

Ou serei aquele que refere tudo ao próprio eu, tomando a si como centro de todo o interesse, um personalista, ou seja, um EGOCÊNTRICO?

Não seria talvez um EGÓLATRA, aquele que tem culto de si mesmo. Sentimento excessivo da própria personalidade.

Poderia ainda ser enquadrado como um INDIVIDUALISTA, comportamento próprio de quem tem existência individual, com sentimentos e condutas egoístas e egocêntricas.

Sem dúvidas vivemos muito num mundo de EU, EU e EU.

Por que não sermos um conjunto ou grupo de pessoas que se aplicam a uma tarefa ou trabalho, uma verdadeira equipe?

Por que não sermos companheiros e camaradas, nos unido em busca de um objetivo comum, para o desenvolvimento individual e do grupo e, principal e fundamentalmente, do bem comum?

Por que não sermos um?

Não podemos nos esquecer que devemos unir esforços para buscar benefícios para toda a comunidade envolvida, e não pensar somente em mim e eventualmente, quando precisar de ajuda, do grupo a que pertenço.

Contra esta situação temos antídotos extremamente valiosos, e que encontramos disponíveis nas instruções de Aprendiz e que são preceitos que devem ser do conhecimento, respeitados e, principalmente, aplicados nos seus sentidos mais amplos por todos os maçons.

São cinco palavras que aprendemos a respeitar e aplicar em nossa vida e fundamentais para todo o ser humano, que são IGUALDADE, LIBERDADE, FRATERNIDADE, TOLERÂNCIA e UNIÃO.

IGUALDADE - um igual é o que tem a mesma grandeza, a mesma condição ou categoria. Em maçonaria, IGUALDADE não é o nivelamento total do homem, pois o homem deve impor-se pelos seus valores e méritos próprios, mas IGUALDADE é um postulado que busca igualar a todos os maçons sob um único título, o de IRMÃOS, e de não fazer distinção, ou discriminação, em virtude de sexo, raça, religião, nível cultural, cores partidárias, se mais ou menos favorecidos materialmente ou pelos cargos que ocupam.

Este comportamento maçônico devemos manter sempre, com IRMÃOS ou com profanos.

LIBERDADE - tenho certeza que todos nós, de uma forma ou de outra, temos nosso conceito de LIBERDADE. Será que nesses nossos conceitos incluímos que LIBERDADE é situação ou estado do homem integrado na plenitude da dignidade humana; que LIBERDADE é o livre arbítrio; que LIBERDADE é a faculdade de exigir, e insistir, que se cumpram a leis e regulamentos vigentes; que LIBERDADE é poder expressar seus pensamentos e idéias?

Sabemos, também, que a LIBERDADE é o ideal de vida de todo o ser humano espiritualmente bem formado e, atentando contra esta LIBERDADE, estaremos despojando-o de seu maior patrimônio, e onde não há LIBERDADE de pensamento e de ação haverá, invariavelmente, a opressão da consciência do ser humano e suas conseqüências danosas.

FRATERNIDADE - como define Aurélio Buarque de Holanda (Dicionário Aurélio), FRATERNIDADE é irmandade, é união ou convivência como irmãos, harmonia, paz, concórdia, é, enfim, amor ao próximo.

A FRATERNIDADE nos recorda a convivência sem oposição de uma para como o outro, é, antes de mais nada, amor e respeito mútuo.

Ser FRATERNO é tratar o Irm∴ como igual e respeitar a sua liberdade de pensamento e de posicionamentos.

TOLERÂNCIA - ser TOLERANTE é ter a qualidade de quem admite e respeita a opinião, os pensamentos e as atitudes de seus semelhantes, não esqueçamos, seus IGUAIS, mesmo que estas opiniões ou pensamentos sejam contrários a seus posicionamentos.

Ser TOLERANTE é jamais sequer pensar: “ou concorda com meus pensamentos e minhas posições ou é contra mim”.

Ser TOLERANTE é se aberto ao diálogo, através do qual sempre se chegará, sem dúvidas, ao consenso geral.

Por fim temos a UNIÃO, que é unificação, é tornar um só pela ligação afetiva. UNIÃO é a nossa convivência como IIr∴, convivência esta que devemos lutar com unhas e dentes para mantê-la, sem fissuras.

Nossa UNIÃO é algo palpável, sensível a todos e é esta UNIÃO, que faz com que nossos trabalhos transcorram justos e perfeitos.

Assim coloco: o que é melhor para o nosso desenvolvimento e para o progresso humano: agir sob os postulados do EGOÍSMO, EGOCENTRISMO ou INDIVIDUALISMO, ou agirmos

como uma EQUIPE, agindo sob os postulados da IGUALDADE, LIBERDADE, FRATERNIDADE, TOLERÂNCIA e UNIÃO?

Pensemos sobre isto e o levemos estes conceitos e procedimentos para todos os atos por nós praticados além das portas de nosso Templo, nas nossas relações pessoais entre IIr∴ ou profanos e, por certo estaremos contribuindo para uma vida melhor, para cada um individualmente, nossas famílias e de todas as pessoas com as quais nos envolvemos.

Fonte: JBNews - Informativo nº 315 - 09 de Julho de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O DEVER DO MESTRE

Ir∴ José Castellani

Os três graus da Maçonaria Simbólica simbolizam a senda iniciática, quando o candidato, vindo das trevas do Ocidente, caminha, como iniciado, em direção à Luz do Oriente.

A luz, nesse caso, não é aquela originária de corpos materiais, mas, sim, a Luz da Ciência, do Progresso, do conhecimento, simbolizada pelo Sol, o Apolo dos gregos, Mitra dos persas, Rá dos egípcios, a fonte da vida e a causa dos principais mitos religiosos da antiguidade.

Como Aprendiz, o iniciado dedica-se ao desbastamento da pedra informe, da pedra bruta, que é um trabalho material.

Como Companheiro, já lhe cabe um trabalho intelectual, para a concretização da pedra cúbica, como elemento fundamental das construções.

E, finalmente, como Mestre Maçom, cabe-lhe o trabalho espiritual, determinado, claramente, na sua missão de espalhar a Luz, de reunir o que está disperso, de partir do simples para o composto, da causa para o efeito, do princípio para as conseqüências.

Consagrado à firmeza de caráter e à moral intransigente, o grau de Mestre Maçom deve libertar o iniciado das paixões, dos preconceitos e das convenções sociais, para que possa, com plena consciência do seu dever, pesquisar e ir à procura da Verdade.

Morrendo, simbolicamente, para os vícios, para os erros e para as fraquezas humanas, o Mestre renasce com o espírito limpo e puro, no Amor, que lhe dá energia, na Virtude, que engrandece, e na Verdade, que dignifica, para que possa, cumprindo o seu dever de iniciado, que conheceu a Verdadeira Luz, dar o seu quinhão de trabalho pela evolução da Humanidade.

Todas as lições embutidas na ritualística da exaltação ao grau de Mestre, convergem para um ponto comum, através de uma lenda, que mostra o milagre da ressurreição, como o Sol, que renasce, todos os dias, no Oriente, e como os vegetais, que, em seu ciclo eterno e imutável, renascem anualmente, das cinzas de sua morte anual.

Os três graus simbólicos, comuns a todos os ritos, representam, na realidade, a essência total de toda a doutrina maçônica.

Síntese do universo maçônico, eles mostram a evolução racional da espécie humana, ou seja: intuição (Aprendiz), análise (Companheiro) e síntese (Mestre).

O Aprendiz, ainda inexperiente, embora guiado por seus Mestres, realiza seu trabalho de forma empírica, através apenas da intuição, representando o alvorecer das civilizações, marcadas pelo empirismo.

O Companheiro, já tendo um método de trabalho analítico e ordenado, simboliza uma fase mais avançada da evolução da mente humana.

E o Mestre, juntando, através da síntese, tudo o que está disperso, para a conclusão final da obra, representa o caminho derradeiro da mente, na busca da perfeição.

O maçom, ao atingir o grau de Mestre, deverá possuir, já, a plenitude do conhecimento iniciático moral, social e metafísico, necessário e pertinente aos objetivos da Ordem maçônica, restando-lhe, então, o trabalho, sempre constante, na busca da perfeição, nunca atingida, mas sempre buscada, pois ela é o estímulo onipresente, na vida do ser humano.

Terá, então, o Mestre, a humildade de prostrar-se perante os grandes mistérios da vida e os insondáveis escaninhos da Natureza, despojando- se de todas as vaidades, incluindo-se, entre elas, a busca da ascensão, a qualquer custo, numa escala, que, quase nunca reflete um conhecimento apreciável e um desejável mérito pessoal.

Deverá, o Mestre, lembrar-se, sempre, que a verdadeira beleza é a interior, mesmo que o exterior não seja coruscante e não brilhe em faíscas de ouro e prata, pois o maçom, o verdadeiro maçom, o maçom integral, é um Mestre pelas suas qualidades mentais e espirituais e não por sua posição na escala, ou por seus brilhantes paramentos e condecorações.


O hábito não faz o monge, diz a velha sabedoria popular.

E se pode, até, acrescentar que um muar ajaezado de ouro e prata nunca poderá ser confundido com um cavalo de alta linhagem.

Nas Lojas simbólicas, verdadeira e única essência da Maçonaria universal, o iniciado percorre um longo caminho desde as trevas do Ocidente até à Luz do Oriente, tendo o seu lugar de acordo com as suas aptidões e a sua ascensão de acordo com os seus méritos, concretizando as sábias lições da lenda do terceiro grau.

Ele terá o seu aumento de salário depois de um certo tempo de aprendizado e mediante a apresentação de trabalhos, que permitam aquilatar a sua evolução mental e cultural.

A sua ascensão não deverá, nunca, ser devida a favores pessoais, a apadrinhamentos, a rapapés bajulatórios, ou ao poder corruptor dos metais, expedientes, esses, tão comuns na sociedade profana, mas excluídos, pelo menos em suas leis, da verdadeira Maçonaria, desde os seus primórdios, nos velhos tempos em que só existiam Aprendizes e Companheiros, usando um simples avental de couro, símbolo humilde do trabalho, sem as riquezas flamejantes de uma nababesca farrambamba.

Fonte: JBNews - Informativo nº 314 - 08 de Julho de 2011

GIORDANO, O VISIONÁRIO

E. Figueiredo (*)

Que ingenuidade pedir a quem tem poder para mudar o poder! (Giordano Bruno)

Renascimento (ou Renascença) foi caracterizado por profundas transformações no continente europeu. Trata-se de um período de grandes mudanças e conquistas culturais que ocorreram na Europa entre o século XIV e o século XVI, que marca a passagem entre a Idade Média e a Idade Moderna. Os horizontes político-geográficos alargaram-se com os descobrimentos do caminho das Índias e das Américas. O comércio, indústria, classe social e o universo cultural cresceram, e a economia européia deixou de gravitar dentro das limitações dos feudos medievais. Todas as áreas sofreram transformações as quais não se fizeram sem conflitos profundos. Significavam, de maneiras diversas, a derrocada de uma ordem espiritual, social e econômica, que há séculos constituía o cerne da vida no Velho Mundo. Esse período histórico, mais que qualquer outra época, foi verdadeiramente uma transição. Os tradicionais setores ameaçados reagiram e enfrentaram as inovações, por vezes com violência levando à morte alguns representantes da nova mentalidade. E foi o que aconteceu com uma das figuras mais representativas da Renascença italiana, que foi GIORDANO BRUNO. Quando recordamos os heróis da liberdade de consciência e de pensamento é esse o nome que brilha como uma estrela de primeira grandeza entre muitos outros: GIORDANO BRUNO !

Como filósofo, astrônomo e matemático, Giordano Bruno foi importante pelas suas teorias sobre o Universo infinito e a multiplicidade dos sistemas siderais. Foi dono de uma personalidade peculiar: revelador e escarnecedor de superstições e hipocrisias, tanto mundanas como religiosas sem temor de enfrentar os dogmas da época, frade impaciente e rebelde perante os limites internos da sua vocação de regular, filósofo inspirado e polêmico, mas sensível ao conflito das heranças e das vigências culturais. Esteve sempre fascinado em prover, com embasamento filosófico, as grandes descobertas de seu tempo.

Há quem não compreenda o posicionamento de Giordano Bruno e tenta compará-lo a um vadio, um filósofo andarilho ou a um poeta errante, e é incapaz de vinculá-lo, diretamente, à linha do progresso moderno. Mas quem o compreende, sabe que ele foi um pioneiro que acordou a Europa de seu sono intelectual e foi martirizado em virtude de seu entusiasmo. Foi chamado, por Pierre Bayle (1647-1706), de “o cavaleiro errante da filosofia”, tendo sido comparado com Dom Quixote de La Mancha !

Bernardo Spaventa (1817-1883), entretanto, se pronunciou com expressão diferente dizendo que Giordano Bruno era o “arauto e mártir da nova e livre filosofia”.

Muitos tentam associar Giordano Bruno à Maçonaria porque ele acreditava na liberdade, tolerância e no direito de dizer o que se pensa não importando o reino ou o ducado em que o acolhiam. O seu fascínio por formas e maneiras diversas de perceber-se no mundo derivou dele ver o Universo composto por um número limitado de letras elementares em formas geométricas, triângulos, quadrados, círculos e pirâmides, como u´a maneira de encontrar escapes para a crescente opressão teológica exercida pelo catolicismo contra- reformista. No seu entendimento, a antiga e verdadeira filosofia não era feita de dogmas, mas da liberdade de duvidar e indagar, e da liberdade de construir hipóteses. Afirmava que a liberdade de indagar é a oposição mais poderosa aos totalitarismos teológicos e políticos, e acreditava que é a partir dela que nasce a razão grega. Tornou-se símbolo da luta pela liberdade de pensamento e de expressão. Obviamente, apesar de involuntária, não deixa de ser uma identificação e uma contribuição Maçônica, que prega levantar-se contra os dogmas (que cria a miséria, espalha a opressão, apaga a identidade cultural dos povos, mutila a razão). É o dever de todos os homens que amam a liberdade, porque eles são o seu oposto absoluto.

A época de Giordano Bruno foi de grande movimentação intelectual na Europa. Quando jovem dominicano, empolgado pelas idéias aristotélicas e tomistas – em baixa sob os papas daquele tempo – viajara por todo o continente, e nele pressentia o próximo nascimento daquele sol, o da  antiqua e vera filosofia. Considerado um pioneiro da filosofia moderna, foi um homem que viveu a frente do seu tempo.

É no século XVI que a filosofia se liberta da religião e propicia que a ciência moderna nasça a partir dela, eliminando o julgamento de que a ciência não está para a busca da verdade

na propriedade lógica de conceitos, mas, sim, através de lentes de microscópios e telescópios. Apesar de não ser um cientista, nessa transição, Giordano Bruno torna-se a figura principal. A grandeza e os limites de Giordano Bruno vincularam-se à sua condição de filósofo. Sua audácia cosmológica derrubou a construção aristotélica tirando as últimas conseqüências. E, mesmo não sendo um sábio, desprezou as matemáticas, permanecendo, ainda, impregnado das instituições animistas: a vida, a magia, o mito da unidade e outros tantos obstáculos. Ensinava a imanência da divindade em tudo que existe, Deus e o Universo constituindo um único ser animado do mesmo poder e experimentando igual perfeição. Por suas idéias revolucionárias e contrárias aos dogmas da Igreja (tanto Católica quanto da Protestante), foi aprisionado em masmorras escuras e fétidas, entre 1593 e 1600. Muitas vezes foi forçado a renegar seus escritos e suas idéias, porém sempre permaneceu firme e intransigente na defesa do que pregava.

O grande filósofo italiano Giordano Bruno, cujo nome verdadeiro era Filippo Bruno, nasceu (1548) em Nola, no então Reino de Nápoles, na Campônia, sul da Itália. Estudou filosofia e literatura em Nápoles e, mais tarde, teologia no Monastério de San Domenico Maggione. Era possuidor de tenaz memória e de uma extraordinária inteligência. Em 1572 se ordenou sacerdote, abandonando em 1576, quando pôs em dúvida muitos dos ensinamentos sobre o cristianismo, o que o tornou suspeito de heresia. Abandonou o hábito e evadiu-se para o norte da Itália, território que não estava sujeito às ordens monásticas, escapando, assim, tanto da Inquisição napolitana como do Santo Ofício de Roma. Todavia, acabou sendo queimado em público graças a uma reinterpretação radical do preceito de Cristo de dar a outra face quando se é ofendido.

O monge dominicano, concluem alguns pensadores daquela época, ao negar o dogma da Santíssima Trindade, e ao somar-se ao entendimento cósmico de Copérnico, negava o cristianismo, tal como a Igreja o apresentava, entretanto sem negar Deus, do qual tinha particular concepção. Embora essa concepção não fosse estruturalmente pagã, era pré-cristã, na busca de explicação para o universo, mas cristã, na ascensão do mundo, porque se rebelava, como Jesus Cristo se havia rebelado, contra o poder dos dogmas. O intuito maior de Giovanni Bruno era, com sua dúvida criadora, retornar à razão lógica antiga, aquela iluminada pelo sol das ilhas mediterrâneas.

Na ótica de Giordano Bruno, no Homem encontra-se o reflexo da plenitude e Deus não seria o criador do Universo, mas sim, o próprio Universo. É inegável a influência que exerceu sobre os filósofos de seu tempo e nos muitos que viveram anos depois, como o holandês Baruch de Espinosa (1682-1677) e no pensador alemão Gottfried Wilhem von Leibniz (1646-1716). Essas teses iam contra o pensamento dominante da época: o da Igreja Católica. Ele foi forçado a abandonar a ordem dos dominicanos em 1575 e passou a lecionar em várias universidades da Europa: em Genebra (Suíça), Paris (França), Londres e Oxford (Inglaterra), Frankfurt, Wittenberg e Helmsstadt (Alemanha), e Praga (República Tcheca). Giordano Bruno se aproximou do calvinismo e do luteranismo, porém foi excomungado, tanto da Igreja Católica como da Protestante.

Nos intervalos das aulas, que ministrava, Giordano Bruno escreveu alguns dos seus principais livros: “Despacho da Besta Triunfante”, “A Ceia das Cinzas”, “As Sombras das Idéias”, “Cabala do Cavalo Pégaso) e a sua obra-prima “Sobre o Infinito, o Universo e os Mundos”. Escreveu e publicou, também, em Paris, uma comédia: Il Candelaio.

Em seus períodos nesses centros de estudo, Giordano Bruno conquistou muitos admiradores, mas, em contra partida, grandes inimigos. Muitas vezes se queixava: “Se eu manejasse um arado, pastorasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse uma veste, ninguém me daria atenção, poucos me observariam, raras pessoas me censurariam e eu poderia, facilmente, agradar a todos. Mas, por ser eu delineador do campo da natureza, por estar preocupado com o alimento da alma, interessado pela cultura do espírito e dedicado à atividade do intelecto, eis que os visados me ameaçam, os observados me assaltam, os atingidos me mordem, os desmascarados me devoram. E não é só um, não são poucos, são muitos, são quase todos !”

No ano de 1581, o nobre veneziano Giovanni Mocenigo (1508-1585), católico fanático, convidou Giordano Bruno para retornar à Itália e dar- lhe aulas de técnica de memorização, tema sobre o qual o filósofo Bruno tinha efetuado várias pesquisas. Acreditando nas garantias de proteção, dadas por Giovanni Mocenigo, ele foi para Veneza. Entretanto, insatisfeito com os resultados obtidos nas aulas, seu aluno prendeu o filósofo e o entregou às autoridades eclesiásticas, e foi transferido para Roma em 1593, onde durante sete anos foi julgado por heresia e blasfêmia.


Depois de diversas tentativas para convencê-lo a se retratar sobre suas teses revolucionárias, Giordano Bruno acaba sendo condenado à fogueira, sob a acusação de heresia e por pensamento e idéias contra a Igreja Católica. No dia 8 de Fevereiro de 1600 a sentença de condenação de Giordano Bruno foi lida na Igreja de Santa Inês, firmada por Roberto Bellarmino e outros cardeais inquisidores expondo as circunstâncias do processo que foi disposta da seguinte maneira:

“Decidimos, pronunciamos, sentenciamos e te declaramos, frade Giordano Bruno, ser herege, impenitente, pertinaz e obstinado, e por isso deves incorrer em todas as censuras eclesiásticas e penas dos santos cânones, leis e constituições tanto gerais como particulares que se impõem a tais hereges manifestos, impenitentes, pertinazes e obstinados; e como tal te degradamos verbalmente e declaramos que deverás ser degradado de fato, como ordenamos e mandamos, de todas as ordens eclesiásticas maiores e menores em que hajas sido constituído conforme as disposições dos santos cânones, e deverás ser separado, como te separamos de nosso foro eclesiástico e de nossa santa e imaculada Igreja, de cuja misericórdia tens demonstrado ser indigno; e deverás ser entregue, e te entregamos ao tribunal secular, a Corte de Monsenhor Governador de Roma, aqui presente para castigar-te com a pena devida, contudo rogando-te ao mesmo tempo eficazmente que digne mitigar o rigor das leis concernentes à pena de tua pessoa, que esteja isenta do perigo da morte ou da mutilação de membros. Ademais, condenamos, reprovamos e proibimos todos os livros e escritos teus acima mencionado e outros, como heréticos, errôneos e abundantes de muitas heresias e erros, ordenando que daqui em diante todos os que se encontrem agora ou se encontrarem no futuro em mãos do Santo Ofício sejam desfeitos e queimados publicamente na praça de São Pedro, diante da escada, e como tais sejam postos no índice de livros proibidos, e faça-se como ordenamos. Assim dizemos, pronunciamos, sentenciamos, declaramos, mandamos e ordenamos, excomungamos, entregamos e rezamos, procedendo nisso e no resto de um modo incomparavelmente menos duro que de rigor podemos e devemos.”

Durante os sete anos do processo, Giordano Bruno tentou separar a filosofia da teologia católica, que dizia respeitar. Quando lhe exigiram rejeitar suas idéias, decidiu enfrentar a fogueira, que é a forma mais penosa de morrer. Ao ouvir a sentença e mediante à relutância dos seus algozes, com ironia serena disse: “Vocês pronunciam essa sentença contra mim com um medo maior do que eu sinto ao recebê-la !” (Marjori forsan cum timore setentiam in me fertis quam ego accipiam !) Após a sentença, foi lhe concedido mais oitos dias para se “arrepender”, o que obviamente não o fez.

A solicitação de mitigação da pena, e de isenção da pena de morte, era apenas pró-forma, pois visava apenas eximir a Inquisição da responsabilidade da pena capital. O tribunal secular ficava encarregado de mandar o sentenciado à fogueira, sob pena de responder pela desobediência. Condenado, em 17 de Fevereiro de 1600 Giordano Bruno foi levado para o campo de execução pelos verdugos, montado numa mula, o meio de transporte tradicional dos enviados à morte. Estava amordaçado com uma ponta fina de aço cravada em sua língua e foi amarrado, com uma corrente de ferro, a um poste colocado no centro da praça e atearam fogo. Enquanto estava morrendo queimado, recebeu um crucifixo para se “purificar”, porém jogou-o longe, com um desprezo feroz. As últimas palavras de Giordano Bruno foram: “Morro como mártir e por minha própria vontade !”

A maneira resoluta e contundente como defendeu, a vida toda, as suas convicções filosóficas, que eram consideradas heréticas pelo Santo Ofício, e o desenlace trágico que pôs fim à sua vida, fizeram do filósofo Giordano Bruno um ícone manchado de um mundo e de uma época em que línguas de fogo açoitavam de trevas a luz dos espíritos discordantes à quem detinham algum poder. Seus trabalhos foram incluídos no famigerado “Santo Index” (Lista de livros considerados sacrílegos pela Igreja Católica, e proibidos de serem lidos.). Não obstante, quatro séculos após a execução de Bruno, suas idéias continuam a provocar debates em universidades e instituições religiosas, todavia, ele nunca foi perdoado pela Igreja, que atualmente alega que a Inquisição estava errada em executá-lo, porém, certa por rejeitar suas heresias. Uma estátua foi erguida no lugar da fogueira que o cremou, tão logo ali cessou o poder opressor para perpetuar a sua imagem. Giordano Bruno se constituiu numa figura simbólica sempre lembrada, citada e rememorada, independentemente de qual seja a consistência de suas argumentações, com destaque na área ciência-filosófica.

Houve uma verdadeira “Brunomania” na Itália, no século XIX, com os escolares estudando e perseguindo, com grande ansiedade, os ensinamentos e os trabalhos de Giordano Bruno, classificando-o como um livre pensador futurista, visionário, filósofo e mártir da ciência. A Maçonaria italiana, sempre muito forte, destacava seu trabalho e sua filosofia de vida, enquadrando-os nos conceitos da Sublime Ordem, divulgando-os junto às Lojas jurisdicionadas.

Giordano Bruno pode não ter sido Maçom, todavia, não lhe faltaram atributos, qualidades e características de um idealista capaz de morrer por suas mais profundas crenças para defender as suas idéias, o que o consagraria, de maneira incomparável, para que fosse um grande Obreiro da Sublime Ordem !....

ES.IR.EIIT

Bibliografia:

Abril Cultural - Os Pensadores – Vários autores

Alquié, Ferdinad - Bernhardt, Jean, e outros – A Filosofia do Mundo Novo Bombassaro, Luiz Carlos – Giordano Bruno e a Filosofia na Renascença

Bossy, John – Giordano Bruno e o Mistério da Embaixada Drewermann, Eufen – Giordano Bruno o el Espejo de Infinito Fichte, Johann Gottlieb – Filosofia da Maçonaria

Franca, Leonel Padre – Noções de História da Filosofia Ordine, Nuccio – O Umbral da Sombra

Yates, Frances – Giordano Bruno e a Tradição Hermética

(*) E. Figueiredo - é jornalista - Mtb 34 947 e pertence ao CERAT - Clube Epistolar Real Arco do Templo / Integra o GEIA – Grupo de Estudos Iniciáticos
Athenas /

Membro da Confraternidade Mesa 22, e é Obreiro da ARLS Verdadeiros Irmãos– 669 (GLESP)

Fonte: JBNews - Informativo nº 314 - 08 de Julho de 2011