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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O ORADOR

Sérgio Quirino Guimarães ARLS Presidente Roosevelt 025 
Belo Horizonte – Minas Gerais

Saudações estimados Irmãos, os doze trabalhos hercúleos do ORADOR

01) Zelar pelo cumprimento dos deveres, regulamentos e normas que regem a Ordem.

02) Comunicar à Loja, qualquer irregularidade praticada por Maçom no mundo profano.

03) Requerer a abertura de processo contra o Obreiro que venha infringir nossas leis.

04) Ler os decretos do Grão-Mestre e documentos determinados pelo Venerável Mestre.

05) Propor o adiamento de discussão e votação de qualquer assunto.

06) Apresentar suas conclusões quando solicitado pelo Venerável Mestre.

07) Assinar os balaústres e documentos à ele pertinentes.

08) Fiscalizar os trabalhos eleitorais.

09) Pedir a palavra ao Venerável Mestre, podendo interromper a palavra de qualquer Irmão que não esteja entre Colunas.

10) Desincompatibilizar-se do cargo, sempre que queira tomar parte pessoalmente nas discussões.

11) Saudar os Irmãos admitidos, autoridades, visitantes e aniversariantes.

12) Abrir e fechar o Livro da Lei, quando não estiver presente um Past-Venerável.

BASICAMENTE é só isso! O novo Orador deve tomar muito cuidado, pois a oratória é a vitrine para a venerabilidade. Ali pode começar ou terminar sua caminhada para o Trono de Salomão. O cargo não é de “Falador”, mas de “Selecionador da Oração” (frase/artigo/norma), que manterá os trabalhos justos e perfeitos, dentro da legalidade. Apesar da palavra Orador, representar aquele que pronuncia um discurso perante uma assembléia, o melhor para a Oficina é que ele tenha o comportamento de um Magistrado, pois está revestido de autoridade judicial e administrativa. Sua Jóia não é um Palanque, mas um Livro aberto sobre fundo radiante. Nas Sessões Magnas, já consta sua manifestação nos rituais e se nas conclusões, ele achar que tem algo mais a ser dito ao Iniciado, diga apenas: “- Bem-vindo”. Normalmente, o novo Irmão está tão extasiado com o momento, que não captará mais nada que lhe for falado. Na leitura dos decretos, deve pesar o bom senso, a leitura dos mesmos é obrigatória. Todos começam e terminam com o mesmo texto, basta então dizer o número dele e o que dispõem, com uma síntese do conteúdo. Nenhum Sereníssimo vai ficar chateado se o nome dele não for citado a cada leitura. Sua obrigação de conhecer os Landmarks, a Constituição de Anderson, o Regulamento e Constituição de sua Potência, Normas e Procedimentos, Regulamento da Oficina, não o faz o “Senhor da Lei”; antes de estar como uma Dignidade da Oficina, ele é um Irmão da Loja. Não deve apontar as falhas, mas apresentar soluções! Não deve dar lição de moral (nem ELE atirou a primeira pedra). Não deve procurar palavras eruditas, pois sentimentos puros, são ditos, por palavras simples. Se há um determinado momento para sua manifestação não há motivo para falar na hora da Pal∴ a Bem da Or∴, e deve se ater ao momento vivido pela Oficina, naquela reunião. Trazer discurso de casa ou ler um texto, é prova de falta de espontaneidade; estamos em família, basta apenas abrir o coração! Por fim, resta este aspecto: De olho no relógio! Na hora de suas conclusões, um breve: “ – Que Deus abençoe a todos”, permitirá que se feche com Chave de Ouro a Sessão. Estimado Irmão Marco Antônio Gonzaga Alves, Past-Venerável da ARLS Guido Marliére, espero que o texto acima esteja à altura do seu pedido. De acordo com o PROMAÇOM, cujo programa visa a integração das Lojas Maçônicas, envio-lhes em anexo, o quadro com as atividades das Lojas que se reúnem na avenida Brasil 478 e de algumas, situadas fora do Palácio Maçônico.

Fonte: JBNews - Informativo nº 326 - 20 de Julho de 2011

O PRIMEIRO INICIADO DO MUNDO


José Maurício Guimarães - M∴M∴
Repasse: IrM∴ Abtino Berlanda Costa

As pessoas adstritas ao simbolismo ou pouco versadas na simbologia debocham e riem do Reverendo James Anderson (1680-1739) atribuindo a ele a frase: "Adão foi o primeiro maçom, iniciado por Deus no paraíso". Se verificarmos o texto original de "The Constitution of The Fraternity of Accepted Free Masons" (Constituições de Anderson, 1723) veremos que Anderson escreveu o seguinte: "Adão, nosso primeiro Antepassado (first Parent), criado a partir da Imagem de Deus, o Grande Arquiteto do Universo, deve ter tido as Ciências Liberais, especialmente a Geometria, escritas em seu Coração (written on his Heart) pois mesmo desde a Queda, encontramos os Princípios dela nos Corações de seus descendentes e que nos processo do tempo (in process of time), têm sido depuradas em um conveniente Método de Proposições, pela observação das Leis da Proporções..."

O estudo do simbolismo e a simbologia parecem ser a mesma coisa. Mas são diferentes, tanto pelo objetivo quanto pelo método. Os expertos (e espertos) em SIMBOlismo restringem-se à expressão e à interpretação de símbolos. Já a SIMBOLOGIA estuda esses mesmos símbolos pelo prisma aprofundado do humanismo. James Anderson era mestre em artes e doutor em teologia. Quando redigiu a Constitution of Free Masons, Jean Théophile Desaguliers estava ao lado dele. Desaguliers era membro da Royal Society de Londres, assistente de Isaac Newton, professor de filosofia, inventor do planetário e terceiro Grão-Mestre da Grand Lodge of England, entre 1719 e 1720, e um dos pais da moderna maçonaria. Os textos atribuídos a James Anderson foram compilados sob a supervisão de Desaguliers. Rir de Anderson é um apanágio daqueles que estão à altura de rir da simbologia, dos graus acadêmicos M.A. e D.D. que o Reverendo possuía, do prestígio da Royal Society e da fundação da moderna maçonaria.

Partamos do princípio de que as ordens iniciáticas têm por objetivo despertar o potencial interior do ser humano e auxiliá-lo na redescoberta de sua relação com o Cosmos. Consideremos que cada pessoa seja portadora dos arquétipos que promovem sua evolução - arquétipos e leis escritos em seu Coração. Nada há de cômico ou risível na afirmação simbólica do Dr. James Anderson. Pelo contrário: é trágica a perspectiva de que o homem seja um vazio destituído de qualquer base sobre a qual possa sustentar seu templo interior. As etapas para se alcançar o conhecimento partem daquilo que vem antes ("a priori", em latim) e são, no caso da afirmação de James Anderson, uma anterioridade lógica sustentada nas noções de: 1) um Mestre primordial (Deus ou Imagem [representação] de Deus); 2) uma transmissão de potencialidades básicas (iniciação); 3) um recipiendário (Adão ou, se preferirem, nossos primeiros pais - first parent); 4) uma escola (templum - paraíso) preparado para aquele remoto cerimonial.

Quem estuda SIMBOLOGIA reconhece na afirmação do Dr. James Anderson os quatro pontos necessários para a comunicação de um pensamento sob forma figurada - uma ciência livre (liberal science) em especial as justas e perfeitas proporções (Geometria) gravadas em seu íntimo (Coração). O Adão a que Anderson se refere é o adamah hebraico ou "criatura feita da mãe-Terra". O Deus Iniciador é o (ainda) Desconhecido e Inefável.

A comunicação alegórica (iniciação no paraíso) deve ser compreendida mediante vários aspectos: num primeiro estágio da inteligência, o objeto comunicado passa pelas funções psíquicas da percepção e do julgamento: vejo isso; isso é bom ou é mal! - alegoria da árvore do conhecimento do bem e do mal. No segundo estágio, mais evoluído, ocorre a decomposição do objeto através da razão - o que é isso? como é isso? No terceiro, há uma transcendência, pela contemplação e pela iluminação, daquilo que foi comunicado - é o daqui para onde. Se não conseguimos conceber o conhecimento primordial, a forma de transmissão havida "a priori" (tempo) e uma objetividade factual (espaço) é porque estamos formal e prematuramente iniciados. Se não temos a percepção, o julgamento e o raciocínio superior, não podemos contemplar em conformidade com os três estágios mencionados. O despertar daquele potencial interior torna-se impossível e o reencontro do homem com o transpessoal, uma utopia.

É verdade que convivemos com pessoas que, apesar de terem recebido a iniciação apenas formal, negam os princípios da transmissão primordial. Por causa disso o formalismo e o ritualismo tendem a suplantar o conteúdo filosófico nas Ordens e nas Lojas que as compõem.

Por outro lado, é justamente nessa relação entre o Mestre primordial (D'us) e o recipiendário inocente (adão/adam/adamah) que reside a tradição judaica, os cânones da cabala e sua relação mais íntima com as iniciações (especialmente a maçônica). Vou além: mesmos as religiões - monoteístas ou politeístas – partem de princípios idênticos ao Bereshit hebraico seguido do Adam Kadmon - homem arquetípico ou anthropos - elementos cuja verdadeira compreensão e realização determinam o nível de evolução alcançado pelo discípulo, pelo aprendiz e pelos que almejam a maestria. Religiosos ou não, mesmo os mais radicais, céticos e materialistas admitem um process of time - processo do tempo nas palavras de Anderson, que equivale aos enunciados da evolução.

Quando o Dr. James Anderson sugeriu que Adão fora o primeiro maçom, iniciado por Deus no paraíso, ele quis expressar a seguinte verdade: o homem traz dentro de si (written on his Heart) as ferramentas necessárias para construir uma relação harmoniosa com seus semelhantes (templo-outro), com o templo-planeta e o templo-universo. Todo aquele que bate nos portais da Iniciação é um Adão (Adamah) que retoma um lugar entre nós, na oficina do Cosmos, dispondo-se a utilizar os instrumentos de trabalho - "especialmente a Geometria", diz Anderson referindo-se alegoricamente à Moral das justas e perfeitas proporções entre o homem e seu meio.

Observação: O saudoso e ilustre Irmão José Castellani escreveu uma divertida paródia sobre as diversas "interpretações" do texto de Anderson intitulada "Loja do Paraíso nº0", recentemente reeditada pelo valoroso Irmão João Guilherme Ribeiro em seu Almanaque Maçônico "Engenho & Arte" (2010). Trata-se de um texto inteligente e perspicaz, cheio de humor e da impaciência que Castellani tinha para com o achismo. Certamente o Irmão Castellani conhecia a SIMBOLOGIA e sabia em qual direção a frase de James Anderson estava apontando: "Adão foi o primeiro maçom... deve ter tido as Ciências Liberais escritas em seu Coração..." O humor da "Loja do Paraíso nº0" não é uma risada fácil nem gratuita, mas uma lição de maçonaria. Há riso e risos, por isso confio na alegoria registrada pelo Dr. James Anderson e me divirto com o texto sábio do grande Castellani.

Textos recomendados:
  • Anderson, James: As Constituições de Anderson, texto original, tradução de Valton 
  • Tempski-Silka: Juruá Editora, 2001
  • Almanaque Maçônico Engenho & Arte 2010 - www.artedaleitura.com.br 
  • Jung, C.G. - Fundamentos de Psicologia Analítica: Vozes, 1989
  • Halevi, Shimon - Cabala, a árvore da vida: Editora Três, 1973 
  • Lorenz, F.V. - A tradição esotérica do ocidente: Pensamento, 1976
  • Scholem, G.Gerson - A Cabala e seu simbolismo: Editora Perspectiva, 1978 Evola, Julius - A Tradição hermética: Edições 70, 1971
Fonte: JBNews - Informativo nº 326 - 20 de Julho de 2011

INSTRUÇÃO DE APRENDIZ

Antonio Marcus de Melo Ferreira, A.'. M.'.
ARLS Evolução Gonçalense, 50, Rio de Janeiro - Brasil.

Nós aprendizes, tomamos contato com mais pormenores dos símbolos que até então nos eram desconhecidas as suas significações e simbologias.

A exemplo, a orientação de nossa oficina do Or∴ ao Oc∴ e de N∴ ao S∴ que representam toda a grandiosidade e compromisso de nossa Instituição com os acontecimentos da humanidade, no trabalho árduo e incessante da Maçonaria em laborar a favor do desenvolvimento do homem para sua plenitude.

Sustentando nossa Loja vemos as três grandes colunas assim conhecidas SABEDORIA, FORÇA e BELEZA, que nos remetem aos princípios básicos que devem dirigir o aprendizado Maçônico, respectivamente:

A SABEDORIA – para através do discernimento, dar orientação aos nossos atos e pensamentos.

A FORÇA – que deve ter todo o Maçom para superar as adversidades do mundo profano e aprofundar-se mais e sempre nos Augustos Mistérios da maçonaria.

A BELEZA – Ítem importante e que deve estar sempre muito bem enraizado no coração de todo o Maçom, para que sejamos instrumentos de proliferação do amor emanado através do G.'.A∴D∴U∴

Descobrimos também no interior de nossa Loj.'. as luzes, que dentre elas, o SOL representando o G∴A∴D∴U∴ está sempre simbolizando toda a glória e esplendor do Criador, aquecendo-nos com seus raios energizantes e curativos, não apenas do corpo, mas principalmente, da alma.

O PAVIMENTO MOSAICO que, com seus quadrados brancos e pretos, remetem o Maçom à humildade que lhe deve ser inerente, perante as mais variadas representações da Fé no Criador, orientando-nos para o caminho da tolerância e desapego aos preconceitos quando nos deparamos com conceitos diversos de religiosidade mas, que não representando nenhuma afronta às Leis Maçônicas, devem ser respeitadas e vistas como a exteriorização do amor ao G∴A∴D∴U∴

Esta tolerância, deve se dar apenas no sentido de desapego à conceitos pré-concebidos que nossa vivência no mundo profano eventualmente nos faz incorporar, e o respeito às religiosidades humanas tem a finalidade de busca a uma harmonia Universal.

A ORLA DENTADA, simbolizando o princípio da Atração Universal a unirmos cada vez mais, nos mais variados níveis de convivência social, quer seja em nossos círculos de amizade, de família ou de fraternidade em torno de nossa Loj.'. e com nossos irmãos em todo o mundo, através do Amor Fraternal.

O ESQUADRO e o COMPASSO, cujas pontas estão ocultas, nos lembra de que, enquanto não estiver completo o nosso trabalho de desbastamento da P∴B∴ jamais poderemos fazer uso deste.

Nesta Instrução também nos são apresentadas as JÓIAS MÓVEIS que são:

ESQUADRO, representa a retidão que o Ven∴M∴ deverá ter em seus trabalhos e sentimentos perante seus obreiros e a Loj∴ 

O NÍVEL, decorativo do 1º Vig∴ tem em sua simbologia o Direito Natural, que é a base para a igualdade social, e que dele derivam todos os Direitos.

O PRUMO, que orna o 2º Vig∴ simboliza o desapego ao interesse ou à afeição no trato com os obreiros.

O NÍVEL e o PRUMO se auto-completam e devem sempre co-existir para que através da Justiça, Imparcialidade e observância dos regulamentos Maçônicos, os homens estejam sempre em posição de igualdade para responder ou se valer de seus atributos como Maçons na busca da Liberdade, e Justiça sem qualquer facilitação ou pendências para qualquer um, sob pena de, em havendo qualquer deferência à pessoa, ficar abalado o equilíbrio que deve haver para todos em todo o mundo.

Tomamos conhecimento também, nesta Instrução, das JÓIAS FIXAS que decoram nosso Templo que são:

A PRANCHETA DA LOJA, utilizada pelo M∴ na orientação dada ao Ap∴ rumo ao aperfeiçoamento na Real Arte Maçônica.

A PB∴, em cuja superfície o Ap∴ deve trabalhar e polir até ser considerado Obreiro competente e capaz, quando do julgamento do M∴ determinando estar a P∴B∴ polida. Ela representa o Obreiro, em seu estado anterior ao de sua entrada em nossa Augusta Instituição, cuja inteligência, costumes e atos estavam desfocados pela convivência no mundo profano.

É através do trabalho como Obr∴ e do seu comprometimento e entrega aos nossos Sereníssimos Regulamentos e Regras Morais, de Virtude e eterna Vigilância à vontade do G∴A∴D∴U∴ que o Apr.'.Maç.'. poderá atingir a qualidade de P.'.P.'., para então poder se tornar um membro produtivo e um amplificador da Doutrina maçônica.

A P∴Cúb∴, é a obra acabada do homem no fim de sua vida, que através do Labor e da exaustão, conseguiu atingir a plenitude da Virtude, Piedade, e do Amor.

A P∴Cúb∴, ou P∴P∴ deve ser sempre o objetivo do Maçom e deverá ser o porto ao qual todos nós deveremos encaminhar a Nau de nossas vidas à partir de agora.

Este porto, cujo solo tem origem Divina, será a recompensa de uma vida de entrega, desapego e trabalho na construção de Templos à Virtude e Masmorras ao Vício e às Trevas, que infelizmente, permeiam nossas vidas, mas que são sempre vencidas, quando em contato com a Luz e a Grandiosidade do G∴A∴D∴U∴

Esta 2ª Instrução, foi de grande valor, pois através destes ensinamentos pudemos, na qualidade de Ap∴ M∴ discernir a grandeza da Real Arte Maçônica.

Será através das simbologias e orientações apresentados que certamente iremos direcionar nossos passos rumo ao nosso aperfeiçoamento humano, e também de toda a humanidade.

Bibliografia Pesquisada

Ritual do Grau de Aprendiz Maçom 
Pesquisa WEB

Fonte: JBNews - Informativo nº 326 - 20 de Julho de 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

NADA

Autor: desconhecido – Tradução Ir.’. Kurt Max Hauser - Or∴ de Porto Alegre Publicado no Livro “Coletânea de Trabalhos A Trolha – Editora A Trolha - 1993

Nada

Conta-se que perguntaram a Pitágoras, após ter sido Iniciado nos mistérios, o que tinha visto no Templo, tendo ele respondido simplesmente: NADA.

Porém, Pitágoras era Pitágoras, Se ao sair do Templo egípcio não tinha visto “nada”, não se limitou a sair decepcionado, senão buscando a origem deste “nada”, descobriu que era em si mesmo que não tinha visto “nada mais” que desejos e ilusões. Foi então que começou seu caminho para a sabedoria.

Muitos Irmãos recém-iniciados se afastam da Ordem porque em nossas Lojas não encontram “nada”, porque o nosso simbolismo não lhes significa “nada”, porque na Maçonaria não se faz “nada”, outros se queixam que nas Lojas se fala muito de simbolismo e “nada”; que a Maçonaria é uma instituição para se fazer amigos e “nada mais”; que só comparecem aos trabalhos da Loja para perder tempo e “nada mais”. Propomos perguntar-nos: o que significa esse “nada” com respeito à Maçonaria?

“Fulano” não vai mais à sua Loja porque “não encontrou nada...”. E como é que não encontrou “nada”? Não encontrou o Templo com seu Altar, as Colunas, os móveis e a decoração? Não encontrou os Irmãos reunidos na Loja? E como é que diz que não encontrou “nada” e que o Simbolismo não lhe significa “nada”? Encontrou então pelo menos o Simbolismo... E como é que pode dizer na Maçonaria não se faz “nada” e que na Loja se fala muito e “nada” mais? Então, se faz algo, ainda que seja nada mais que falar...

Parece que o “nada” que se encontra na Maçonaria não deve ser tomado ao pé da letra. O Neófito que entra no Templo encontra algo, porem não encontra o que busca; isto dá margem a várias perguntas:

1º O “que busca” o profano que solicita ser Iniciado? 2º O que a Maçonaria “não pode oferecer”?

3º O que a Maçonaria “pode oferecer”?

4º “O que encontra” o Neófito ao dizer que “não tem nada”?

Procuramos responder estas perguntas de um ponto de vista estritamente pessoal.

1º O “que busca” o profano que solicita ser iniciado?

Pode solicitar seu ingresso pôr vários motivos, desde o mais grosseiros materialismo, o desejo de encontrar protetores para seus negócios de qualquer espécie, até o motivo de mais elevado sentimento de humanitarismo. Em regra geral, é mistura de tudo, acrescido de curiosidade; e freqüentemente haverá um sentimento da própria imperfeição acrescido do desejo de melhorar-se e de aperfeiçoar-se. Não é raro também que se espere encontrar na Maçonaria um estímulo à ação para compensar a própria falta de atividade; idéias extraordinárias e originais que ponham em funcionamento o pensamento e a imaginação própria.

É um dos problemas da Maçonaria que, pelo segredo e discrição que devem guardar seus integrantes, o profano chega geralmente a nossas portas, desconhecendo realmente o que o espera, vindo em contrapartida cheio de esperanças e ilusões que vão do inadequado até o absurdo.

2º O que a Maçonaria “não poder oferecer”?

A Maçonaria não é feita à medida das ilusões do neófito.

Se este esperou uma renovação completa de sua personalidade pôr meio de um remédio amostra grátis e que se oferece a todo aquele que entra na Ordem, equivocou-se, Damo-lhes a Luz, as ferramentas para trabalhar, mostrando-lhes a Pedra Bruta e o modo de trabalhar nela. O resto é assunto do Neófito. Tem que trabalhar para receber o “seu salário” e este lhe é dado segundo a quantidade e a qualidade do seu trabalho. Não poderá exigir que se lhe dê tudo de uma vez sem fazer o menor esforço. Então acontece que o Neófito não acha o que buscava.

Ele buscava um meio cômodo para tornar sua vida mais fácil e agradável, para sentir-se importante sem esforço algum, para viver em paz consigo mesmo. E como não acha o que buscava, diz simplesmente: “Não encontrei nada”. Com isto, expressa que tudo o mais que encontra não tem importância para ele; e que, aquilo que “não” encontra é o que ele queria e nada mais. Dizer que a Maçonaria não faz nada é outra maneira de revelar que se quer conseguir satisfações de amor próprio a baixo custo. Se na Maçonaria estivesse se cristalizando uma obra de autentico humanismo, poderíamos participar da glória de sua realização sem que tivéssemos o trabalho de planejar e organizar sua execução. Se a Maçonaria fosse aquilo que querem aqueles que se queixam de não encontrar nada nela, ela seria idêntica às sociedades múltiplas de beneficência e clubes de serviço. cujos principais objetivos parecem ser que seus membros apareçam na imprensa escrita e falada a qualquer pretexto. Todas estas satisfações de amor próprio, todas estas ilusões e esperanças vazias, é que a Maçonaria não oferece. Pôr isto é que, aqueles que buscam isto, não encontram “nada”.

3º O que a Maçonaria “pode oferecer”?

Do ponto de vista das pessoas mencionadas anteriormente, “nada”, pois para elas o trabalho, o estudo, não são nada, e se não tiverem a paciência necessária, se afastarão.

Quanto mais irreais, fantásticas forem suas esperanças, mais necessitarão para encontrar o que oferece a Maçonaria, e que é: trabalho, ferramentas para executá-lo, o “salário” que somente se obtém trabalhando. O Neófito tem que aprender que na Maçonaria não encontrará satisfação alguma senão em razão do seu próprio trabalho.

Através do seu aprendizado se dará conta de que se a maçonaria lhe der, sem sacrifício, as satisfações que estava procurando, então sim, poderá dizer “que não é nada”. O que acontece é que o homem moderno tem do trabalho um conceito muito diferente que tinha as corporações de construtores da antigüidade. Para a maioria, hoje, o trabalho é escravidão, atividade mecânica, impessoal, algo que se faz porque tem que se viver e comer, e sem trabalho, não há comida; algo que se faz sem grande satisfação, esperando que o relógio marque a hora da saída. Dali então partimos para o descanso, a diversão, as comodidades. São poucos aos quais a sorte reservou um trabalho construtivo e menos ainda existem pessoas capazes de buscar e achar o descanso em uma atividade de tipo superior, uma atividade criadora. O construtor medieval não se preocupava em apressar o tempo para terminar a catedral, mas sim se detinha nos detalhes da construção, acrescentando uma grande variedades de enfeites e esculturas tão belas como indispensáveis para a arquitetura, simplesmente porque sentia o gosto de criar algo belo e bonito.

Nós já não compreendemos mais facilmente este prazer pelo trabalho, Queremos que o trabalho termine o mais depressa possível, para que possamos nos dedicar a outras atividades nas quais encontramos mais prazer.

Necessitamos voltar a descobrir a vocação artística do homem - a única que lhe dá plena satisfação - é de não servir unicamente de apêndice pensante da maquina, e sim de procurar realizar um trabalho criador.

4º “O que encontra” o Neófito ao dizer que “não tem nada”?

Bate à porta do Templo, se abre a mesma para ele e não encontra nada. O que é este “nada”?

Já dissemos, tomar a palavra em sentido estrito é um absurdo. Algo ele encontra e se nós o pressionarmos um pouco, ele nos dirá “Não há nada, somente palavras, somente Ritualística, somente Símbolos, somente idéias antiquadas”. Algo portanto encontra, porem não “o que buscava”. E como o que ele encontra não é nada em comparação com o que buscava, diz simplesmente que não há nada.

Porém, este “nada” não é somente um fenômeno negativo. Este “nada” e como um gérmen, algo novo e grande.

O Irmão que se afasta da Loja queixando-se de “não haver encontrado nada”, não se limita somente a isto. Afasta-se desgostoso, decepcionado. O encontro com o “nada” o afetou no mais profundo do seu ser. Não achou o que buscava, porém achou precisamente seu próprio desgosto, sua própria decepção.

Ainda que se vá de nosso convívio, sua decepção o segue. E ainda que não o confesse, não deixará de pensar, de vez em quando, que, para encontrar algo, se necessitam duas coisas: algo que existe e alguém que saiba procurar. Ao lado do seu orgulho, porque ele” não se deixou enganar”, estará a constante inquietude acerca do que terão encontrado os que ficaram e que ele não soube encontrar. Se vê, assim, posto frente a frente, com sua própria insuficiência. Com seu próprio NADA.

Se for sincero consigo mesmo, reconhecerá que onde não encontrou nada, foi em si mesmo.

Este é o ponto onde começa a germinar a idéia Maçônica. Se o Irmão chegar a este ponto, começará a ser MAÇOM.

Fonte: JBNews - Informativo nº 325 - 19 de Julho de 2011

A CAIXA DE FERRAMENTAS

O repasse é do Ir∴ Abtino Berlanda Costa

Após seu renascimento simbólico para a vida, todo maçom recebe do Grande Arquiteto do Universo uma bela Caixa de Ferramentas

Em princípio, essa caixa encontra-se vazia e, como é de se esperar, o Aprendiz ávido por conhecimento logo quer encher esta caixa, pensando erroneamente que isso lhe trará a sabedoria e o transformará em um ser humano melhor. Do que adianta o Aprendiz ter em suas mãos ferramentas formidáveis se seu coração e suas mãos não estão preparados para usá-las?

As três primeiras ferramentas que serão guardadas dentro desta caixa são a régua de 24 polegadas, o maço e o cinzel. Ouso dizer que a régua de 24 polegadas representa para nós, maçons, homens livres, pensantes e formadores de opinião, a retidão que devemos ter em nossas vidas durante as 24 horas do dia, medindo milimetricamente nossas ações, reações e decisões para sermos o mais justos possível com nossos semelhantes, profanos ou iniciados, mas acima de tudo filhos do Grande Arquiteto do Universo.

O maço e o cinzel são as melhores ferramentas que o Aprendiz Maçom recebe, pois, junto com elas vem um grande desafio, que é simbolicamente desbastar a pedra bruta de nosso coração, que consiste em livrar-nos de tudo aquilo que é prejudicial a humanidade: vícios, inveja, preguiça, indiferença, ignorância (em todos os sentidos), acomodação e intolerância. Ficaríamos a noite toda aqui listando estas asperezas e não as terminaríamos. Daí, minha conclusão da importância destas ferramentas.

Ainda sobre o maço e o cinzel, estas ferramentas nos acompanharão pela vida toda, a cada degrau que subirmos na Escada de Jacó, a cada grau, a cada cargo, insígnia ou decisão, só seremos justos e perfeitos se tivermos usado o maço e o cinzel desde o dia que eles nos foram apresentados pelo Irmão Primeiro Vigilante.

Sendo seres humanos, herdamos a dualidade, a opção entre o bem e o mal, o certo e o errado, qualidades formidáveis e defeitos terríveis, e somos colocados à prova disso toda hora, mas aquele que realmente trabalhou com o maço e o cinzel a vida toda, saberá adoçar suas palavras, colocar suas opiniões de maneira que não firam a honra de seus semelhantes, mesmo quando as opiniões tomam rumos e caminhos diferentes.

É totalmente salutar ao maçom expor seus pontos de vista, inclusive é uma de nossas obrigações maçônicas, não devemos nos acovardar em nossas opiniões, mas, repito, mais importante que nosso ego e nossas opiniões é realmente a harmonia, a paz e a busca por conhecimento que nos motiva a deixar nossa família, o aconchego de nosso lar, para encontrarmos a família que escolhemos em nossas oficinas.

Junto com esta formidável caixa de ferramentas, o Grande Arquiteto do Universo nos dá um cadeado inquebrável feito do material mais resistente que existe, dificílimo de ser encontrado: o caráter. Este cadeado trancará a caixa de ferramentas, quando as mesmas não estejam sendo usadas.

Para este cadeado, uma chave nos é confiada e com ela o maçom, dentro da oficina, o abrirá, utilizará as ferramentas da caixa, aprenderá a pensar, agir e falar de forma maçônica, medindo palavras, colocando o ego em último lugar, procurando sempre ser democrático, agindo de maneira que a loja não perca a harmonia e seja preferencialmente unânime em suas decisões.

É importante lembrar que a quebra da harmonia, da justiça e da perfeição da Loja não deve ser medida com base em debates, decisões, opiniões, discussões e votações, pois maçons verdadeiros sabem que isso pode ser feito de maneira elegante, cortez e salutar. Nossos belos rituais simbólicos não devem ser quebrados baseados em atos e palavras proferidas sem antes serem medidas.

Voltando à chave, o maçom deverá guardá-la em segredo, num lugar de difícil acesso, lugar íntimo e puro, situado no lado esquerdo do peito, o coração. É ali que o verdadeiro maçom guarda sua chave e só revela àqueles que pertencem à Ordem.

Somente os resultados dos ensinamentos adquiridos com a Arte Real, de utilizar os instrumentos e ferramentas, deverão ser repassados ao mundo profano, na forma de bons exemplos, atos e decisões justas no dia-a-dia.

Desta forma, trabalharemos para que num futuro próximo possamos ser pessoas melhores e nosso mundo ser melhor do que o dia em que nele chegamos, pois essa é a obrigação de todo aquele que ousou ser reconhecido maçom.

Fonte: JBNews - Informativo nº 325 - 19 de Julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

PLATÃO

Ir∴ Rony Motta
ARLS Renascença Santista n° 339 
Santos – SP



Platão nasceu em Atenas, no ano de 427 a.C. e morreu em sua cidade natal no ano de 347 a.C.. Pertencente a uma família nobre de sua cidade, conheceu aos vinte anos seu mestre Sócrates, com quem conviveu até os seus vinte e nove anos, quando Sócrates foi condenado à morte por envenenamento. Durante sua vida, Platão viajou por muitas civilizações do mediterrâneo, passando pela Grécia, Egito, Cirene, sul da Itália e Siracusa.

Platão era discípulo de Sócrates que cultivava reservas profundas em relação à escrita porque, segundo ele, a escrita não seria um meio de adquirir conhecimento. Talvez por isso, Platão quando começou a escrever, preferiu escrever em diálogo, por entender que essa seria uma metodologia de investigação, de tal maneira que tudo possa ser transportado ao papel como acontece na realidade, para que a linguagem escrita mantenha a vivacidade e as marcas da oralidade, como uma imagem perfeita.

O primeiro trabalho filosófico escrito por Platão foi um discurso em defesa de seu mestre contando tudo o que Sócrates falou ao júri que o condenou e, a partir daí, não deixou mais de escrever. Sempre se utilizando de diálogos escritos envolvendo Sócrates e outras pessoas do seu cotidiano intelectual.

Consideram-se autênticos 28 diálogos, do total de 35, atribuídos a Platão. Em alguns percebe-se a preocupação dele em definir idéias como a mentira, a coragem, o dever, a natureza humana, a amizade, a sabedoria, a piedade, a virtude, a justiça, a ciência e a retórica.

Platão fundou, por volta de 387 a.C., sua própria escola. Localizada próxima a Atenas, em um bosque que tinha o nome do herói grego Academus e, devido a esse nome, sua escola ficou conhecida por Academia de Platão. Nela ensinava-se filosofia, matemática e ginástica utilizando-se, sempre que possível, de diálogos e discussões. Dizem, que na fachada da escola de Platão estava escrito: "Que aqui não entre quem não for geômetra." Por objetivo, Platão queria encontrar uma realidade que fosse eterna e imutável.

Platão, assim como Heráclito considerava que o mundo material ou físico é o que está sujeito a mudanças contínuas e a oposições internas, seria o mundo em que vivemos, formado de coisas imperfeitas, mal definidas, como sombras de uma realidade verdadeira. Um mundo onde as coisas fluem e não são eternas e imutáveis porque são corpos físicos que se desgastam e morrem um dia, cópias infiéis de suas idéias perfeitas, eternas e imutáveis que existiriam no "Mundo das Idéias".

Mundo inteligível, ou "Mundo das Idéias", segundo Platão, seria o mundo verdadeiro ou das essências imutáveis, sem contradições nem oposições, sem transformações. Coerente com suas teorias, Platão confiava apenas na razão e nunca nos sentidos, porque o conhecimento e as informações que chegam através dos sentidos são imprecisos diferentemente dos conhecimentos que tomamos com base na razão que não varia de pessoa para pessoa, por ser ela eterna e universal. Partindo daí, podemos compreender muito bem porque Platão gostava tanto da matemática, na qual, sempre se utiliza a razão para resolvê-la e as respostas são sempre precisas e comuns para todas as pessoas e eternamente as mesmas.

No pensamento de Platão o homem é um ser dual, ou seja, formado por duas partes diferentes: o corpo físico - impreciso e dotado de sentidos, pertencente ao "Mundo Material" ou "Mundo dos Sentidos", e a alma, que é imortal, vinda do "Mundo das Idéias", que é a morada da razão. E, por não ser material, a alma consegue se comunicar com o "Mundo das Idéias". Vinda do "Mundo das Idéias", a alma traria com ela as idéias perfeitas desse mundo que em contato com o "Mundo dos sentidos" seriam esquecidas. Segundo Platão, para a alma resgatar estas lembranças seria preciso que as pessoas, cada vez mais, entrassem em contato com as coisas da natureza.

Com relação as mulheres, Platão achava que: se elas recebessem a mesma formação que os homens e fossem liberadas dos trabalhos domésticos desenvolveriam igualmente suas capacidades mentais e conseqüentemente poderiam governar um Estado da mesma forma que eles.

Platão também se interessava por política e, segundo ele, o ideal seria a criação de um Estado baseado na estrutura de um corpo atuando sobre ele a alma e a virtude e uma República estruturada como o corpo humano. Neste tipo de organização: a cabeça seriam os governantes, que deveriam ser filósofos; o peito seriam os sentinelas, os guardas, o exército; o baixo ventre, os trabalhadores. Da seguinte forma:
  • Corpo - Alma, Virtude, Estado;
  • Cabeça - Razão, Sabedoria, Governantes;
  • Peito - Vontade, Coragem, Sentinelas;
  • Baixo-ventre - Desejo, Temperança, Trabalhadores.
A primeira parte da filosofia de Platão é conhecida por *Dialética que busca através dos diálogos a procura incessante com vistas a descobrir conceitos gerais, universais e reais, arquétipos eternos. Um diálogo, em que se confrontam opiniões diferentes sobre um mesmo assunto para que, através dos argumentos apresentados, possa-se chegar a um pensamento comum, passando-se das imagens contraditórias a conceitos idênticos.

A Dialética Platônica é um procedimento intelectual e lingüístico em que: se partindo de alguma coisa sobre a qual dividimos duas partes

contrárias ou opostas e que através dos conhecimentos de sua contradição se possa determinar qual dos contrários é verdadeiro. E assim sucessivamente vai se dividindo cada par de contrários que devem ser novamente divididos até que se chegue a um termo indivisível que seria, finalmente, a essência da coisa investigada e sobre a qual não há nenhuma contradição.

A Filosofia de Platão é baseada na ética, dialética, metafísica, teologia, antropologia, estética, cosmologia e pedagogia. É sobretudo uma crítica social. Foi traduzido para o cristianismo por Santo Agostinho e alguns o consideravam quase um deus como Plotino e a escola neoplatônica.

*Dialética - Originalmente, o termo (que tem origem grega) significava discorrer com, isto é, trocar impressões, conversar, debater... dialogar.

Evolui, entretanto, para um sentido mais preciso, designando "uma discussão de algum modo institucionalizada, organizando-se --habitualmente em presença de um público que acompanha o debate --como uma espécie de concurso entre dois interlocutores que defendem duas teses contraditórias. A dialética eleva-se, então, ao nível de uma arte, a arte de triunfar sobre o adversário, de refutar as suas afirmações ou de o convencer" (BLANCHÉ, Robert - História da Lógica de Aristóteles a Bertrand Russel. Lisboa: Edições 70, 1985).

Fonte: JBNews - Informativo nº 324 - 18 de Julho de 2011

MAÇOM - CIDADÃO IDEAL


Ir∴ Valdemar Sansão

Quando pediram a Aristóteles um Código Moral por onde pautar a vida, ele disse: Não posso dar-lhe um código; observe os homens melhores e mais sábios que você encontrar e imite-os.

Entende-se por lei maçônica, em sentimento amplo, a Constituição e o Regulamento Geral, além dos denominados landmarks (em número de 25, que são as mais antigas leis que regem a Maçonaria Universal) e por Atos normativos maçônicos aqueles representados por Regimentos Internos de Lojas e dos Tribunais Maçônicos, bem como por Decreto Maçônico.

As leis maçônicas são de ordem moral e estão restritas à Instituição.

Assim sendo, devem cingir-se, estritamente, à ritualística e a liturgia,sem gerar conflitos – vale dizer – sem colidir com a boa hermenêutica das leis civis.

A Constituição da República Federativa do Brasil, instituiu um Estado Democrático e a Maçonaria acolhe seu preâmbulo em seus PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS, definidos na abertura do Ritual do Aprendiz.

Trata-se de um preâmbulo maravilhoso pela riqueza conceitual de seu conteúdo que merece todo elogio, especialmente na vivência do cidadão Maçom, no desempenho de seus deveres que devem manifestar profunda reverência para com a Ordem e alta consideração para com a Loja.

Aparecem bem claros os valores supremos proclamados no papel e que precisamos professar com a nossa vida de homens livres e de bons costumes, conscientes de que somos a própria alma da Maçonaria. Ela tem a missão de educar, desenvolver e prosperar a humanidade, e é dita progressista. Combate, ainda, o vício, a tirania, a injustiça social e pretende libertar o homem.

Na abertura das nossas reuniões, o nosso Ritual faz alusão a uma das muitas definições do que seja, ou signifique a Maçonaria, explicando o seu objetivo, o qual explicita: "Tornar feliz a humanidade pelo exemplo, pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade e pelo respeito à autoridade e a crença de cada um".

Buscando e rebuscando o que temos diante de nós, dentro de nós, só é necessário que façamos cumprir na plenitude o que já temos. Em vez de observarmos e buscarmos fora, temos de observar e buscar dentro.

A Maçonaria tem, como um dos objetivos primeiros, a missão de levar à humanidade a felicidade real, pelo exemplo daqueles que fazem a Maçonaria, pelos seus integrantes. Ainda estamos engatinhando na construção desses objetivos. Precisamos de dirigentes que estejam imbuídos do espírito democrático e o transmitam especialmente com ações eficazes. Se não derem de saída, o bom exemplo, invalidarão o exercício do que se prega e na prática vai gorar certamente. Virtudes se ensinam mais pelos exemplos, que pelas palavras.

"Lutar pelo princípio da Eqüidade, dando a cada um o que for justo, de acordo com sua capacidade, obras e méritos".

Sem essa prática não existe, não existirá razão de nos filiarmos à Instituição, destinada a assegurar o exercício dos direitos, da liberdade, da igualdade e justiça como valores supremos.

Embora esses direitos sejam descurados, às vezes ignorados, maltratados, e longe de ser praticados por grande parte de nós e principalmente a partir das classes chamadas intelectualizadas, dirigentes, etc, aparecem com destaque, porque são a razão fundamental das demais prerrogativas anunciadas no Preâmbulo.

Na verdade, há muito o que fazer. É preciso, apenas, idéias e boa vontade de elevar a Ordem e assistir e valorizar o Maçom. Um Maçom bem formado e motivado só precisa de uma alavanca e um ponto para fazer este mundo melhor.

A Maçonaria preocupa-se com o analfabetismo, a violência, a superstição, a insegurança, a má distribuição de rendas, aonde o grande lucro vai para quem somente movimenta o dinheiro, dentre tantos outros. E busca soluções na raiz dos problemas, naquilo que provocam estes efeitos, estas causas.

LIBERDADE - Em seus enunciados a Maçonaria realça o direito do homem à Liberdade, sem a qual o ser humano deixa de o ser e perde até a razão de existir. Infelizmente muito se fala em liberdade e quanto mais se fala, menos ela existe.

Para ser alcançada a liberdade, está entre os clamores de nosso povo a Segurança, sem a qual é impossível funcionar a liberdade. Hoje, não se pode sair de casa tranqüilamente, até podemos, mas (quem garante!!!) retornarmos vivos e sadios?

Se inexiste a segurança como pode haver liberdade? Existe sim, profundo mal-estar,agravado ainda pela inércia, ou seja, a falta de ação, de atitudes corretas, de atividade das autoridades.

Se os requisitos básicos da liberdade estão em déficit, ou, sua existência é precária como pode haver dignidade da pessoa humana?

IGUALDADE – Um valor sumamente exaltado, desde a revolução Francesa, uma revolução de burguesia e não do povo, como muitos pensam. Quanta tinta derramada no papel, páginas, versos e versos, e as maravilhosas pregações de todos os iluminados que caminharam entre nós, pregando o amor e a reconciliação entre os povos, em todas as religiões; Quanto sangue derramado em nome da liberdade e da igualdade. A Maçonaria reconhece que todos os homens nasceram iguais e as únicas distinções que admite são o mérito, o talento, a sabedoria, a virtude e o trabalho.

A igualdade segundo temos constatado não existe nem em potência, nem em valor, nem em dimensão, nem em duração. O que existe e persiste, é que queremos ser diferentes e divulgamos sermos iguais, quando somos sujeitos a comparações diferentes.

Para ficarmos num único exemplo de "desigualdade" e garantia do direito de cada um ao critério de igualdade, retidão, equanimidade e principalmente justiça, seria aceitável que o Tribunal Eleitoral através dos órgãos oficiais de comunicação, (Boletins e Revistas oficiais) publicassem antes do pleito eleitoral em lugar de destaque as fotos, os currícula vitae, endereços, telefones e o PROGRAMA ADMINISTRATIVO ou de trabalho (Plataforma) de todos os candidatos aos cargos eletivos para que fosse garantida aos eleitores o direito de fazer seu julgamento e prestigiar o mais apto. Assim, os eleitos seriam, realmente, aqueles que mais conhecimento possuam, que mais espiritualidade tenham demonstrado e que sintam e se comprometam com deveres e responsabilidades. E teriam a chance de escolher melhor.

Isso, por acaso tem sido feito? Nem mesmo o acesso ao endereço do eleitor é facultado a todos os candidatos.

A "Saúde, Força e União" depende somente da abnegação e desprendimento. Mas ninguém dá o primeiro passo. Há medo de perder o "espaço conquistado"!

Sei que não conseguiríamos esse ideal porque tudo depende da aprovação e da boa vontade das cúpulas às quais estamos subordinados. Talvez, um dia, nossos dirigentes resolvam dar uma demonstração de eqüidade, reconhecendo igualmente o direito de cada um, vencendo suas paixões e submetendo suas vontades.

Isto poderá fortalecer a Democracia e a Maçonaria, dando um passo a frente no quesito Igualdade, e assim fariam jus serem chamados de "construtores da humanidade", "limpos e puros" e até de "sagrados".

Posso não concordar com nenhuma das suas palavras, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las. Voltaire

Fonte: JBNews - Informativo nº 324 - 18 de Julho de 2011

domingo, 17 de julho de 2011

MARIANNE

Ir. João Ivo Girardi
Loja Obreiros de Salomão nr. 39 (Blumenau)

Busto de Marianne
1. Marianne é a figura alegórica (uma mulher) que representa a República Francesa, sendo, portanto uma personificação nacional. Sob a aparência de uma mulher usando um barrete frígio, Marianne encarna a República Francesa e representa a permanência dos valores da república e dos cidadãos franceses: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Marianne é a representação simbólica da mãe pátria, simultaneamente enérgica, guerreira, pacífica e protetora e maternal.

O seu nome provém, provavelmente, da contração de Marie e de Anne, dois nomes muito frequentes no século XVIII entre a população feminina do Reino de França. Para os aristocratas contra-revolucionários, o nome tornou-se pejorativo porque figurava o povo, a plebe.

Os revolucionários adaptaram-na para simbolizar a mudança de regime. Os republicanos do Midi tiveram também um papel importante na associação deste nome a um ideal político, uma canção: La garisou de Marianno era muito popular no outono de 1792.


2. Pintura: O quadro de Eugene Delacroix: A Liberdade guiando o Povo, inspira a imagem da República, identifica Marianne com a Liberdade.

3. Marienne e a Maçonaria: Você sabe a relação entre a Estátua da Liberdade e a mulher estampada nas notas do Real? Elas são a mesma pessoa: Marianne. E, por incrível que pareça, Marianne não está presente apenas nos EUA e em nosso rico dinheirinho.

Ela também está presente na Maçonaria. Até os livros escolares já se renderam à verdade de que a Maçonaria teve papel fundamental na Revolução Francesa, com a qual compartilha seu principal lema: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Pois bem, a Liberdade deveria ser o primeiro princípio a ser alcançado, pois sem Liberdade não haveria como promover a Igualdade e vivenciar a Fraternidade. E os franceses adotaram como símbolo dessa liberdade a imagem de uma mulher, a qual ficou conhecida como Marianne. Seu surgimento deu-se entre Setembro e Outubro de 1792, e seu nome nada mais é do que a união de Marie e Anne, dois nomes muito comuns entre as mulheres francesas do século XVIII. Marianne se tornou símbolo da Revolução e de seus ideais e, com o êxito do povo, alegoria da República.

Era chamada por uns de Senhora da Liberdade e por outros de Senhora da Maçonaria. Bustos de Marianne contendo o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade não somente podem ser vistos em praticamente todas as prefeituras e principais edifícios públicos da França, como é peça obrigatória em todos os templos maçônicos daquele país.

Há várias versões de Marianne portando objetos diversos, entre o famoso barrete, feixes, coroa, triângulo, estrela flamígera ou mesmo segurando uma colméia (?). Em uma de suas versões mais populares, Marianne veste uma faixa maçônica contendo Esquadro e Compasso, abelhas, Nível e Prumo.

Quando a França resolveu presentear os EUA em comemoração aos seus 100 anos de declaração de independência, fez isso através da Estátua da Liberdade: uma versão maçônica de Marianne, feita pelo maçom Frederic Auguste. Não demorou para que Marianne se tornasse alegoria da República em todo o Ocidente, incluindo, é claro, o Brasil.

Se os americanos conseguem ver a Maçonaria na nota de um dólar, através do Olho que tudo vê, nós brasileiros podemos encontrá-la em todas as nossas notas através dela, Marianne, a Senhora da Liberdade, a Senhora da Maçonaria. (Kennyo Ismail). A coroa de louro que cinge a cabeça de Marianne na nota do Real, simboliza a majestade, poder, martírio, glória e triunfo.

4. Barrete Frígio: Barrete frígio ou barrete da liberdade é uma espécie de touca, adotado, na cor vermelha, pelos republicanos franceses que lutaram pela tomada e queda da Bastilha em 1789,que culminou com a instalação da primeira república francesa em 1793.

Por essa razão, tornou-se um forte símbolo do regime republicano. O Estado de Santa Catarina presta homenagem a esta simbologia utilizando o barrete frígio no desenho de sua bandeira.

5. Templos Maçônicos: Em alguns Templos Maçônicos encontramos bustos de deuses grego-romanos (Hércules, Minerva/Palas, Vênus/Afrodite), o olho de Hórus (cultura egípcia), e o busto de Marianne está
dentro de todos os Templos Maçônicos franceses.

6. Maria Madalena: A imagem da Maçonaria, como Liberdade (Marianne) sempre foi caracterizada como uma personalidade na França. Mas ao contrário da imagem guerreira da Liberdade, que porta a bandeira e personifica a República, a Marianne maçônica é uma figura mais delicada de caridade e benevolência. De acordo com o Grande Oriente, o nome Marianne se originou da cultura mariana de Languedoc, no sul da França, e se tornou popular ao final dos anos de 1700. Essa é a região provençal na qual a tradição de Maria Madalena existia havia muito tempo como um conceito libertador; e onde os monges cassianitas de Saint de La Saint-Baume haviam guardado seu sepulcro desde o século IV.

No livro, O Legado de Maria Madalena, Laurence Gardner cita que registros medievais do sul da França citam Maria Madalena como a esposa de Jesus, e ela foi muito venerada como tal. Ela se dirigiu para a região em 44 d.C. e morreu em Aix-em-Provence no ano 63 d.C.

Pela mesma razão, era também à Maria Madalena que os Cavaleiros Templários haviam consagrado as catedrais de Notre Dame de Lumiére (Nossa Senhora da Luz) na França, e para quem São Bernardo de Clairvaux exigiu obediência da Ordem. (V. Bandeira de Santa Catarina, Barrete Frígio, Coroa, Estátua da Liberdade, Liberdade, Maria Madalena, Revolução Francesa).

Fonte: JBNews - Informativo nº 323 - 17 de Julho de 2011

REFLEXÕES PESSOAIS

Ir∴ Luiz Felipe Brito Tavares
AM da Loja Luz do Planalto nr. 76 (GLSC) São Bento do Sul – SC

Quando a mudança se faz ordem e quando a complexidade se faz unidade?

Tudo muda de fato, mas porque algumas mudanças obedecem a eixos específicos permitindo o surgir da ordem?

A ordem permite a complexidade, mas como tal complexidade ordenada se torna lócus para o surgir de uma entidade una?

O que permite a elementos constituintes do universo poderem sincronizar seus movimentos?

Partículas subatômicas são compostas pela interação dinâmica de partículas elementares chamadas de quarks.

Átomos são compostos pela dinâmica e harmônica interatividade das partículas subatômicas.

Os átomos interagem, permutando suas energias em composições chamadas de moléculas.

Moléculas que se encaixam são a base da vida orgânica.

Células se associam e interagem permitindo o surgir de organismos complexos.

Organismos complexos passam a serem constituídos por órgãos especializados.

Órgão cerebral altamente complexo permite o surgir da mente no ser humano.

Organismos complexos se estabelecem em comunidades formando desde colônias até em sociedades.

Poderíamos elucubrar e dizer que tais complexidades possuem um eixo em comum? Um eixo que lhes permite o compartilhar?

Tal eixo permite o equilíbrio dinâmico da estrutura. Permite a conservação de energia.

Mudanças caóticas não duram, pois não conservam energia.

Mudanças que seguem um ritmo comum preservam energia e tornam a complexidade possível.

O que torna comum?

Um princípio equivalente permitindo eixos de sincronia e sinergia?

Poderíamos pensar em uma compatibilidade inicial permitida pela simetria de condições geradoras. Porém e depois com o evoluir da complexidade em patamares que se distanciavam da simplicidade elementar do começo?

Podemos dizer que as forças se associam em vetores. Da mesma forma poderíamos dizer que os eixos de equilíbrio podem suportar níveis cada vez maiores de complexidade?

Não pretendemos aqui esgotar o assunto, porém já podemos pressupor um sentido presente.

Relativamente à segunda pergunta, o que permitiria a complexidade a formar uma estrutura com características finais de unidade?

Uma estrutura complexa reage como um todo ao meio que o cerca, como se dotada de um eixo central mantenedor da coesão.

Existem muitas unidades compostas por complexidades como já referido no início, mas o que permite que a coexistência de mudanças tome o aspecto de uma inteireza?

Todos os elementos da complexidade compartilham elementos, possuindo mesmo um centro identificável, mas com bordas que se misturam em comunidade, formando elos verdadeiros.

Vórtices múltiplos de movimento compartilhando suas energias. Vibrações sincrônicas criando um acorde estável.

Existe então no universo uma ligação entre todas as coisas? E elucubrando uma coerência subjacente?

Tentamos sempre dar um sentido ao ambiente que nos cerca para podermos interagir de forma eficiente e de modo a preservarmos não apenas nossa complexidade, mas nossa coerência.

Muitos dirão que nosso universo tende a entropia, mas mesmo dentro deste cenário aparentemente desolador, a complexidade emerge e evolui.

Hoje se concebe a possibilidade que a expansão de nosso universo leve tudo ao zero absoluto, ou seja, à ausência de movimento ou vibração.

Porém da mesma forma se conjectura que nosso universo é apenas uma pequena bolha flutuando em uma grande massa de bolhas que se formam a todo instante.

Diria eu em minha percepção limitada que nosso universo é apenas uma onda a percorrer uma superfície sem fim, uma onda dentre infinitas ondas. Ondas a formar um cortejo de infindos vórtices que surgem e desaparecem no dorso de sua esteira.

Ondas vêm e vão, descortinando as possibilidades latentes. Porém tais possibilidades surgiriam com as ondas ou seriam imanentes ao leito infinito que alberga as vagas?

Quantas camadas teria este oceano absoluto?

E tais prováveis camadas estariam também interligadas?

Um universo como o nosso que descortina o sentido e a coerência não atenderia a sentido e a coerência ainda maiores?

De fato o que vemos é apenas uma infinita parte do grande Iceberg.

Fonte: JBNews - Informativo nº 323 - 17 de Julho de 2011