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PERGUNTAS & RESPOSTAS
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025
ESPADAS APONTADAS PARA O NEÓFITO
SEMICÍRCULO E ESPADAS
Ao visitar uma Loja aqui de Poços de Caldas em uma Sessão de Iniciação, percebi uma mudança na ritualística, qual seja o posicionamento dos Irmãos com as espadas apontadas para os Neófitos. Ao invés de formarem um semicírculo de frente para eles, estavam 6 seis irmãos, naturalmente, em linha na Coluna do Sul e outros 6 irmãos em linha na Coluna do Norte e com as espadas sim apontadas para os Neófitos. Me informaram que esse posicionamento é de origem e se presta a permitir que o(s) Neófito(s) tenham uma visão do Livro da Lei. Pergunto: isso procede? É de fato um posicionamento original do REAA?
No REAA não se forma nenhum semicírculo com Irmãos armados de espadas e voltados para o(s) neófito(s). Este semicírculo é prática de outro Rito que indevidamente foi enxertado nos rituais do REAA. Assim, as espadas são apontadas pelos titulares, porém das cadeiras frontais nas Colunas Norte e Sul.
No que diz respeito ao REAA, logo que o Neófito recebe a Luz, a sua visão não deve ser coberta ou ofuscada por nenhum objeto ou obstáculo, de tal maneira que ele possa, neste momento, enxergar ao fundo, à sua frente, o Livro da Lei, o Comp∴ e o Esq∴ sobre o Alt∴ dos JJur∴.
Na alegoria do “Faça-se a Luz”, o Iniciado no REAA recebe a Luz no extremo do Ocidente. Nesse instante, voltado para o Oriente, ele vislumbra ao fundo o lugar da Luz, objetivo final que todo o iniciado deve alcançar para obter a sua plenitude maçônica.
T.F.A.PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
ALDRAVA E TERNO COM LISTRAS
ALDRAVA E TERNO COM LISTRAS
Estou com algumas dúvidas e preciso de sua orientação, por favor:
1. Podemos usar aldrava na porta do templo ou as batidas do grau tem que ser com a mão fechada apenas, sem qualquer tipo de dispositivo?
2. O terno e a camisa do traje têm que ser lisos ou podem ter listras na cor (terno com listras pretas e camisa com listras brancas)?
CONSIDERAÇÕES:
Aldrava[1] - Não vejo problemas, desde que nos momentos antevistos pelo ritual a bateria seja dada conforme o que nele estiver previsto - com o punho cerrado, ou com o punho da espada. Ocasiões em que não se façam necessárias estas observações, nada impede bater à porta se utilizando da aldrava.
Listras - Deixando de lado os excessos de preciosismo, se as listras forem discretas, pouco perceptíveis, é aceitável. No entanto, alerta-se: o mais recomendável é que a vestimenta seja literalmente preta ou azul marinho, como está previsto no Ritual.
[1] Aldrava - Argola ou maça de metal com que se bate às portas, chamando a atenção de quem está dentro.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
A LUZ
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025
AS LOJAS DE SÃO JOÃO
LOJAS DE SÃO JOÃO
Pretendo fazer um trabalho sobre Telhamento e na resposta à pergunta "De onde vindes" gostaria de saber o porquê de as Lojas Maçônicas serem chamadas de Lojas de São João
CONSIDERAÇÕES:
Consulte o meu blog - http://pedro-juk.blogspot.com.br - Lá o Irmão encontrará várias respostas que eu dei a respeito desse tema. Pesquise sobre o significado do símbolo “círculo entre paralelas tangenciais verticais”.
T.F.A.PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
LITURGIA E RITULAÍSTICA - QUESTÕES RITUAL DE APRENDIZ 2024 - REAA
Vou tirar mais umas dúvidas, embora eu já tenha minha convicção, mas prefiro ir pela opinião do nosso Secretário Geral de Orientação Ritualística.
Estou fazendo Seminários de Ritualística em todo o Estado, e pairam sempre dúvidas dos irmãos no Geral. Vou enumera-las e se o irmão puder responder ficaria agradecido.
1. Terno preto de risca, pode?
2. VVen∴ Mestres têm assento no Oriente junto aos Mestres Instalados ou do lado das Autoridades?
3. Ordem de assinatura da ATA: Secr∴ - V∴ M∴ e por último Orad∴?
4. Sinal de aprovação do REAA, mão reta para frente ou levantada?
5. Vigilantes não devem mais usar avental e punhos, conforme SOR?
6. Autoridade quando for trabalhar em Loja, a exemplo de um Deputado, usa seus paramentos ou o colar do cargo que for exercer?
7. Ordem correta de saudação na hora da palavra estando presente um Grão-Mestre?
8. Quanto o Tesoureiro anuncia o troco de beneficência, o Venerável Mestre anuncia logo em seguida ou deixa para o momento de sua fala?
9. Quanto as substituições em Sessões ordinárias, 1º Vig substitui o Ven∴Mestre, 2º Vig∴ substitui o 1º Vig∴, 2º Exp∴ substitui o 2º Vig∴?
10. Na mesma linha, quando ocorrem as substituições o substituto, substitui o cargo com os seus paramentos? No caso 1º Vig assume o cargo de Ven∴ Mestre com os paramentos de 1º Vig∴, e assim sucessivamente?
Acredito que essa são os questionamentos que sempre vem à tona com mais frequência no Seminário, e para continuar com as instruções, acho que grande valia as respostas desse Irmão pelo seu elevado conhecimento.
ORIENTAÇÕES:
- Sem os excessos de preciosismo, sendo um terno preto ou azul-marinho com riscas bem finas e discretas, não existem óbices;
- Tanto faz, pois ambos, Venerável Mestre e Mestre Instalado, também são tratados como autoridade da Faixa 01;
- Venerável Mestre, Orador e, por fim, o Secretário, que assina depois de ter recebido de volta a Ata assinada pelas outras duas Dignidades.
- Mão espalmada para baixo no alinhamento antebraço que vai esticado horizontalmente à frente. Isto não é Sinal, mas um "gesto de aprovação". Ninguém faria Sinal sentado;
- Os Vigilantes continuam usando os aventais próprios para Vigilantes, com o colar, a joia e os punhos. Estes paramentos constam no novo ritual de 2024. Isso foi melhor avaliado e optou-se por não mudar;
- Autoridade ocupando cargo se mantém com seus paramentos completos (avental, colar/joia). Veste por cima do seu colar, o colar correspondente ao cargo que ele estiver preenchendo naquela na Loja. É imprescindível o uso do colar do cargo ocupado em Loja. Tudo isso está previsto no Ritual 2024 de Aprendiz, REAA, página 214;
- Ao se dirigir protocolarmente à Loja (isto não é saudação), dirige-se por primeiro às Luzes da Loja (detentores do malhete), depois as Autoridades presentes, sem a necessidade de nominá-las individualmente, e finalmente, de modo genérico, “demais Irmãos”. Mesmo que o Grão-Mestre esteja ao lado do Venerável Mestre, o usuário da palavra deverá se dirigir primeiramente às três Luzes;
- É recomendado que ele fale nas suas considerações finais. O Tesoureiro deve pedir, em momento apropriado, ao Vigilante para informar o valor da coleta. Vale salientar que a coleta deve ser conferida e anunciada na sessão, sendo proibido deixá-la lacrada para posterior conferência;
- Sim, esta é a ordem de substituições nas sessões ordinárias;
- Na substituição das Luzes, o substituto usará os seus paramentos, vestindo apenas a joia do cargo de quem ele estará substituindo. O 1º Vigilante, com avental e punhos dele, ocupará o lugar do Venerável Mestre vestindo a joia de Venerável; o 2º Vigilante substituirá o 1º com os seus paramentos (avental e punhos) vestindo o colar com a joia do 1º Vigilante; o 2º Experto substituirá o 2º Vigilante com o seu avental de Mestre, usando o colar e a joia do 2º Vigilante.

PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail..com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
A CARBONÁRIA
MAÇONARIA: UMA SÍNTESE
domingo, 23 de fevereiro de 2025
ESCLARECIMENTOS - NOVO RITUAL DE APRENDIZ, 2024
ESCLARECIMENTOS – RITUAL 2024
Tem algumas questões que tem surgido nesta edição do Ritual de 2024, que se possível, gostaria de receber a orientação do Irmão como nosso Secretário-Geral de Or∴ Ritualística.
1) - Na pág. 19, consta que o “2º Exp∴” será o substituto do 2º Vig∴. Por questão de hierarquia, não seria o “1º Exp∴”?
3) - Também na pág. 41, no como realizar ou executar o “Trip∴ Frat∴ Abr∴”, não faltou estabelecer a *posição do Rosto ou da Face*?
5) - Na pág. 48 na verificação se todos nas CCol∴ são Maçons, os Irmão não deveriam ficar em Pé e a Ordem, “voltados pra o Oriente”?
Desculpe incomoda-lo com essas coisas pequenas, porém entendo importante falarmos a mesma língua nesse momento de transição de Rituais, e a palavra oficial tem que vir do Estimado Irmão. TFA.
ORIENTAÇÕES:
1) O 2º Exp∴, por ocupar lugar na Coluna do Sul, é quem substitui o 2º Vigilante. Entende-se que entre as Luzes da Loja, Dignidades e Oficiais, há hierarquia, o que ocorre somente entre as Luzes. No caso dos Expertos, como Oficiais de uma Loja, o numeral serve apenas como identificação.
2) De fato, foi um erro de impressão e constará no novo SOR como uma “errata”.
3) A colocação simultânea do br∴ de um Ir∴ por cima do ombr∴ do outro já é o suficiente. Mencionar face com face pode induzir à prática do ósculo, o que não está previsto nos três movimentos.
4) Por uma questão de padronização, no ingresso no Templo para a abertura dos trabalhos, há formação de préstito na ordem prevista no ritual. Aqui, o temo “em família” significa a entrada de visitantes que não ingressarão após a Ord∴do Dia. Assim, a prática menciona apenas organização para a entrada.
5) No 1º Grau não, até porque é apenas o 1º Vig∴ que faz a verificação, do seu lugar. À vista disto, não faria sentido que todos do Ocidente se voltassem para o Oriente, ficando todos praticamente de costas para o examinar. É por isso, como consta no ritual, que o 1º Vigilante se coloca em pé com o malhete apoiado no peito, razão pela qual, ele assim procedendo, hipoteticamente não mostra o Sin∴àqueles que devem se identificar pelo “Sin∴ que fazem”.
T.F.A.PEDRO JUK – SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
MANEIRA DE PEDIR A PALAVRA
PEDINDO A PALAVRA
Hoje, como Companheiro do quadro de minha Loja, carrego uma dúvida desde minha iniciação: o pedido de fala no momento da Palavra a Bem da Ordem em Geral e do Quadro em Particular.
No REAA percebo que os irmãos pedem a palavra às Luzes dando um tapa na mão para fazer barulho.
Pois bem, não encontrei isso nos rituais. Poderia auxiliar-me nessa questão?
1) Qual a origem dessa prática?
2) Tem alguma fundamentação legal?
3) Quais assuntos podem ser abordados neste momento?
4) E a principal questão: Qual a forma correta de pedir a palavra às Luzes?
CONSIDERAÇÕES.
1. Cada rito, em muitos aspectos ritualísticos, possui particularidades próprias. Assim, um Irmão, para pedir a palavra, antes precisa chamar a atenção. Nesse sentido, em alguns ritos é comum bater-se com a palma da mão sobre a coxa, geralmente com a mão direita. Entretanto, em outros ritos chama-se a atenção batendo-se a palma da mão direita sobre o dorso da mão esquerda, levantando-se, em seguida, o respectivo braço à frente para chamar atenção. Normalmente, todos esses procedimentos são feitos sentados. Deste modo, quem pede a palavra, depois de autorizado, fala em pé, de acordo com o que prescreve o rito.
A origem desses costumes é imemorial. Não há registro de quando isso começou. Vale salientar que o gestual utilizado para se pedir a palavra não é um sinal maçônico, senão apenas um gesto que, na maioria das vezes, se faz sentado.
- Ora, a fundamentação legal é seguir o que o ritual determina para o caso.
- São inúmeros, e não caberia lista-los aqui. O uso da palavra será de acordo com os assuntos previstos nos períodos previstos pelo Ritual. A Loja deve orientar os seus obreiros a respeito.
- Depende do Rito. Isto, como dito, geralmente está contido nos respectivos rituais, além dos ensinamentos que a Loja deve prestar aos seus obreiros nesse sentido. No caso do REAA, pede-se a palavra batendo, com a palma da mão direita, no dorso da mão esquerda fechada, levantando-se, depois, o braço direito à frente com a respectiva palma da mão voltada para baixo, tendo os dedos unidos. Ressalte-se, mais uma vez, que este aceno não é sinal maçônico, senão um gesto visando chamar atenção efetuado por quem estiver pedindo a palavra.
PEDRO JUK – SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
BREVIÁRIO MAÇÔNICO
O LAMPIÃO E A CARREIRA MAÇÔNICA
sábado, 22 de fevereiro de 2025
ESTANDARTE NA CONSAGRAÇÃO DE UM IRMÃO
POSICIONAMENTO COM O ESTANDARTE
Solicito vossa fineza em esclarecer qual deva ser o posicionamento do Estandarte da Loja por ocasião da consagração de um Irmão. O mesmo deve ser posicionado atrás do irmão e voltado para o altar do Venerável, ou seu posicionamento deve ocorrer de frente para o irmão, ou seja, voltado para o ocidente?
Finalmente, se há obrigatoriedade de posicionar o estandarte, ou esse procedimento ė facultativo ou mesmo inexistente?
Cumpre-me esclarecer-vos que possuo em arquivo diversos questionamentos feitos ao eminente irmão e definitivamente solucionados. Deixo aqui meus agradecimentos e receba meu fraternal abraço.
CONSIDERAÇÕES:

No que diz respeito ao REAA, durante o ato de consagração de um candidato, o que significa conferir dignidade ao grau, não está previsto nenhum deslocamento ou apresentação do Estandarte, o qual deve permanecer no seu lugar, isto é, ao fundo, no oriente da Loja (sudeste), como especifica o ritual.
O Ir∴ Porta-Estandarte não sai do seu lugar nessa ocasião.
Finalizando, reitero: é inexistente qualquer prática de deslocamento do Estandarte pela Loja no ato de consagração de um Irmão. Aquilo que o ritual não preconizar, obrigatoriamente não deve ser feito.
T.F.A.PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
EXISTE CONSAGRAÇÃO DE ESPADA FLAMÍGERA?
CONSAGRAÇÃO DE ESPADA
Existe algum Ritual de Consagração de espada Flamejante? Pois tem alguns Irmãos "pseudos doutores em ritualística", em minha Loja que afirmam a existência de tal Ritual.

CONSIDERAÇÕES:
É como diz o caso, se só existe no Brasil e não é jabuticaba, ou é besteira ou é privilégio de alguns.
No mais, é mesmo impressionante até aonde chega à imaginação de alguns Irmãos.
Ora, consagração de Espada Flamígera é mesmo d’escrachar.
Isso não existe, simplesmente porque não faz nenhum sentido consagrá-la. Sem mais comentários.
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
MAÇONS FAMOSOS
COMO É QUE O ORGULHO DO MAÇOM SE MANIFESTA?
A resposta é simples: “O orgulho é para um Maçom o que uma miragem é para um errante desesperado no deserto”. É uma ilusão necessária e irresistível. Por conseguinte, é necessário tornar-se seu senhor através de um trabalho árduo, correndo o risco de permanecer seu escravo submisso.
Como todos sabemos, tudo na Loja é uma dualidade:
- Sol / Lua
- Branco / Preto do pavimento
- Meio-dia / Meia-noite
- Zénite / Nadir
- Este / Oeste
- Norte / Sul
- Coluna J / B
- Espada / Bastão
- 1º Vig. / 2º Vig.
Podemos, portanto, deduzir que o orgulho também tem o seu binómio, é uma realidade. Chama-se humildade. Este termo grego é mais conhecido por “húmus”, a terra, que quase beijámos quando passámos pela porta inferior durante a nossa iniciação.
Voltemos ao orgulho para o definir melhor. Peço a Henri Bergson que o faça por mim:
“Há uma diferença entre o orgulho e a vaidade. O orgulho é o desejo de estar acima dos outros; é o amor solitário de si próprio. A vaidade, por outro lado, é o desejo de ser aprovado pelos outros. No coração da vaidade está a humildade, uma incerteza sobre si mesmo que é curada pelo elogio”.
Bergson diz-nos que o orgulho é compararmo-nos com os outros. Não certamente para nos alimentarmos deles e crescermos, mas para os anularmos, a fim de nos tranquilizarmos quanto aos nossos medos fundamentais. O orgulho é uma manifestação de esquizofrenia: é dizer ao outro: “Preciso de ti para que me reconheças”, mas ao mesmo tempo dizer-lhe: “Nego-te para não perder o meu lugar de escolhido, de mais amado”.
Assim, tudo o que vou dizer baseia-se no seguinte princípio: “A escuridão não existe como entidade, é apenas o resultado de uma ausência de luz. Da mesma forma que o frio é uma ausência de calor”. Assim, parece-me que o orgulho é uma ausência de humildade. Se a humildade é terrena, sólida, concreta, a sua antítese é a vacuidade ou a ilusão.
O Maçom que cresceu de acordo com as etapas convencionais da Maçonaria (Aprendiz, Companheiro e Mestre), aquele que estudou os símbolos e os integrou, para lhes dar sentido na vida quotidiana e na fraternidade, torna-se como um fio de prumo. É equilibrado, alinhado, justo e ocupa o seu próprio lugar, com os dois pés bem assentes na terra. Não procura ocupar o lugar do vizinho. Não procura ser considerado mais do que aquilo que se considera ser, simplesmente É.
Por outro lado, o Maçom que perdeu a verdadeira intensidade das provas de iniciação sabe muito bem que lhe faltam peças, partes do seu todo pessoal. Não está completamente cheio de si e esta falta leva-o a intelectualizar-se, a fantasiar com o seu espírito. Então, ele pensa! Pensa, encontra respostas lógicas. Discute e, sobretudo, agita-se. Cria perturbações, porque o que é na sua essência mais profunda diz-nos muito mais sobre ele do que aquilo que nos diz com as suas palavras ou gesticulações estéreis.
Surgem então os debates e as rivalidades. Como dizia Augusto Comte: “O orgulho divide-nos ainda mais do que o interesse”. O Maçom torna-se incapaz de reunir o que está disperso, porque está agora num estado de separação, de divisão e, sobretudo, de discriminação de todas as coisas. O masculino e o feminino já não são duas faces da mesma moeda, mas dois géneros humanos distintos que devem ser colocados em dualidade e mesmo em conflito. Para ele, os aprendizes tornam-se pequenos principiantes. Os companheiros são de baixo nível e facilmente humilhados, e todos os outros mestres são rivais que devem ser ultrapassados o mais rapidamente possível. Este tipo de Maçom orgulha-se do seu avental e das suas promoções no seio da loja. Alguns chegam mesmo a pensar que os cargos são uma forma de reconhecimento, uma forma de patente. Deve ser verdade, porque durante a distribuição dos cargos no início do ano, ouvimos outros irmãos ou irmãs virem felicitá-los pela sua nova nomeação. Pensemos bem: as únicas felicitações possíveis são as que devem vir no fim do ano, quando o oficial fez um bom trabalho.
No século XVIII, Antoine de Rivarol dizia:
“É preciso fazer morrer o orgulho sem o ferir. Porque se o ferirmos, ele não morre”.
O orgulho é um animal duro. Quanto mais é ferido, mais incha. Está desligado da realidade das coisas, não tem contacto com os seus vizinhos, refiro-me à inteligência do coração ou à da razão. Todos nós conhecemos pessoas eruditas ou muito cultas, mas totalmente cheias de um orgulho que tenta desesperadamente mantê-las acima dos outros, como se os outros pudessem diluí-las. Conheço até uma categoria de orgulhosos que ultrapassam todos os outros. Chamam-lhes os modestos. Como escreveu La Rochefoucauld nos seus Pensamentos: “A modéstia é o mais alto grau de orgulho”. Não devemos confundir humildade com modéstia. Jules Renard escreveu: “Sê modesto! É o tipo de orgulho que menos desagrada”.
Gostaria agora de vos falar de um outro tipo de orgulho. Chama-se “orgulho espiritual”. O seu representante é um escolhido. Ele é o embaixador do Grande Arquitecto na Terra. Está em ligação directa com ele. Foram-lhe atribuídos superpoderes. Faz questão de ser o líder indiscutível da prática do ritual. Pode mostrar-vos a lista dos seus títulos e distinções… em suma, diz-vos com falsa modéstia que o seu percurso maçónico o tornou melhor. Pode até ser condescendente. Este tipo de pessoa é bastante perigoso, porque avança sorrateiramente com a máscara de um Maçom que só trabalha para si e não se interessa pela sua própria vida. Poderíamos dar-lhe Deus sem confissão. Bem, quando eu digo Deus, quero dizer GADO!
Parafraseando Auguste Detoeuf, eu diria:
“Os maçons dividem-se naturalmente em três classes: os vaidosos, os orgulhosos e os outros. Mas eu ainda não conheci os outros”.
Esta afirmação, deliberadamente provocadora, não tem por objectivo magoar ninguém. Quero simplesmente afirmar que todos nós, e eu sou o primeiro, somos dotados desta função que é específica do ser humano. Como podemos viver com este sentimento e usá-lo como uma bússola para nos mostrar o caminho errado e ajudar-nos a encontrar o caminho certo?
Antes de mais, entendamos que “o que torna o orgulho dos outros insuportável é o facto de ferir o nosso próprio orgulho”. Então, porque não usar esta reacção comum para trabalhar o nosso próprio orgulho? Imaginemos que, sempre que nos sentimos incomodados por uma pessoa orgulhosa, é o nosso próprio orgulho que é afectado. Porque não tentar ser grato e agradecer a esse parceiro involuntário do seu orgulho, para nos ajudar a libertarmo-nos do nosso próprio orgulho. Para além da ajuda que estaríamos a dar a este Maçom que precisa de brilhar em vez de irradiar, poderíamos finalmente tornar-nos um exemplo e, acima de tudo, poderíamos finalmente deixar o mundo infernal da comparação para SER.
As iniciações maçónicas são uma série de dissoluções e coagulações ou, se preferirem, uma série de destruições e reconstruções que permitem a transmutação no sentido alquímico do termo e convidam o Maçom a passar da Obra em preto para a Obra em vermelho. É o dissolve e coagula, o “dissolver e coagular” dos alquimistas. Se ousássemos tomar o nosso orgulho como antimónio, essa matéria-prima, e tentar transformá-lo em pedra filosofal, então poderíamos produzir uma essência de humildade que seria um perfume de humanidade, como gostamos de cheirar nas nossas Lojas.
Para concluir este trabalho, gostaria de citar um pensamento de Thich Nhat Hanh, esse sábio que está actualmente a lutar contra a morte enquanto leio o meu trabalho: “A humanidade sofre de 3 complexos, o complexo de superioridade, o complexo de inferioridade… e o complexo de igualdade”. Como todos compreenderam, isto remete-nos para o “Torna-te quem tu és” de Nietzsche e, sobretudo, para o nosso “Conhece-te a ti mesmo…” que nos é citado quando entramos na Loja. De facto, como vejo com demasiada frequência, os verdadeiros problemas de orgulho surgem no momento em que vestimos o avental de Mestre. Para alguns, o avental torna-se um ecrã que nos separa, em vez de uma ponte que nos liga.
Frank FouquerayTradução: António Jorge, M∴ M∴







