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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 25 de agosto de 2020

COR DO AVENTAL

COR DO AVENTAL
(republicação)

Em 21/01/2016 o Respeitável Irmão Raimundo Nonato Rebouças, Loja Emídio Fagundes, REAA, GOIERN (COMAB), Oriente de Natal, Estado do Rio Grande do Norte formula a seguinte questão: raimundo1005@hotmail.com

Por que o GOB e as Grandes Lojas usam aventais azuis, uma vez que, o REAA tem a cor vermelha como oficial? Fico no aguardo da sua ajuda a fim de dirimir as minhas dúvidas sobre a confusão que reina em nossos rituais.

CONSIDERAÇÕES:

Mesmo depois de já ter sido esse um assunto exaustivamente abordado e provado à luz da história e da razão que os aventais de Mestre no REAA são verdadeiramente confeccionados em pele, ou material similar na cor branca e recobertos nas suas bordas e abeta por uma fita vermelha (encarnada) com aproximadamente cinco centímetros de largura, tendo ainda bordadas em vermelho sobre o avental as letras M e B, descrição essa oficializada desde 1.875 por ocasião do Congresso de Lausanne na Suíça, ainda no Brasil, mesmo na contramão da história, o GOB e as Grandes Lojas Estaduais Brasileiras, insistem equivocadamente em manter seus aventais de Mestre do REAA em azul no lugar do vermelho, agravando-se ainda pela substituição das autênticas letras M e B por três rosetas azuis dispostas sobre o avental.

A cor vermelha (púrpura, encarnada, escarlate – cor do Cardeal) faz parte da decoração do REAA graça às influências jacobitas dos Stuarts – reis católicos (ver revolução puritana de Cromwell na Inglaterra a partir de 1.649 in origens do escocesismo) e posteriormente com o aparecimento na França, já no século XIX, das hoje já extintas Lojas Capitulares, cuja decoração das mesmas era sabidamente vermelha, assim como continua sendo a cor Capitular dos Graus filosóficos que vivem sob a égide de um Supremo Conselho do REAA.

Historicamente essa anomalia brasileira de azular os aventais de Mestre no escocesismo, muito ao gosto dos que acham bonito o azul, já apareceria pontualmente em um decreto do Grão Mestre do GOB no ano de 1.889, inclusive muito discutível como um decreto inconstitucional, até porque a Constituição gobiana da época previa aventais de Mestre no escocesismo orlados em escarlate.

Alguns autores ainda destacam que provavelmente esse decreto veio aparecer por influência de Irmãos dos Ritos Moderno e Adonhiramita, Ritos esses praticados desde os primórdios do GOB e que possuem sabidamente aventais orlados de azul.

Entretanto, o fato que viria sacramentar esse equívoco de aventais azuis no simbolismo do REAA aqui no Brasil, foram os acontecimentos hauridos da grande cisão determinada pelo Irmão Mário Marinho Béhring ocorrido no Grande Oriente do Brasil em 1.927 cujos acontecimentos resultaram na fundação do sistema das Sereníssimas Grandes Lojas Estaduais brasileiras.

Sem se aprofundar nos detalhes históricos desse acontecimento, no que concerne a cor do avental um fato seria o vetor principal que sacramentaria esse matiz azulado na insígnia do Mestre.

Béhring, buscando reconhecimentos para a sua Obediência recém-criada, fez por buscar os mesmos nas Grandes Lojas dos Estados Unidos da América do Norte que, sabidamente praticam os três Graus do Craft Americano, sistema esse oriundo dos Antigos de 1.751 na Inglaterra, cujos Graus do Francomaçônico básico são denominados em solo Norte-Americano como as Lojas Azuis e possuem aventais para os seus Mestres coincidentemente também orlados em azul (cor haurida do Craft inglês).

Apenas para esclarecer: o título “Lojas Azuis”, embora pareça sugestivo, nada tem a ver com a cor dada aos aventais do Rito Americano. Como título ele é apenas o nome dado ao simbolismo na Maçonaria norte-americana - a Maçonaria Azul (não confundir cor distintiva de um sistema simbólico com a cor constitutiva de um rito e nem especificamente a de um avental).

Disso tudo, Béhring na busca do reconhecimento mencionado que, diga-se de passagem, fora conseguido, provavelmente para agradar os norte-americanos, acabou adotando a mesma cor dos aventais das Lojas Azuis norte-americanas para os aventais escoceses aqui no Brasil.

Assim, viria então aparecer de modo oficial nas Grandes Lojas Estaduais brasileiras, mesmo que contramão da história, o matiz azulado para os aventais do Terceiro Grau do REAA.

No tocante aos aventais azuis e o escocesismo no GOB, com o completo desaparecimento a partir de 1.951 das irregulares Lojas Capitulares (sistema misto simbólico-filosófico) da Maçonaria brasileira e ainda por influência de muitos Irmãos oriundos das Grandes Lojas Estaduais, paulatinamente o Grande Oriente do Brasil também viria adotar em definitivo esse outro erro crasso (aproximadamente desde 1965), não sem antes ter ainda inventado a aberração de um avental orlado por um debrum vermelho em torno do azul (a emenda ficava assim maior do que o soneto) – felizmente esses aventais a posteriori vieram a desaparecer.

Entretanto o avental de Mestre do REAA acabou continuando a afrontar a verdadeira tradição, permanecendo quase que consuetudinariamente todo orlado em azul tal como ele continua até o presente no GOB, assim como nas Grandes Lojas estaduais brasileiras.

À bem da verdade, atualmente aqui no Brasil apenas as Lojas subordinadas à COMAB é que mantém no REAA o verdadeiro e tradicional avental MB vermelho do Mestre Maçom.

Nesse bonde dos equívocos, além de outros, pegaria carona também a cor das paredes internas do Templo simbólico do escocesismo, cuja cor autêntica é aquela escarlate idêntica à dos aventais e não azuis como comumente é encontrada numa grande parcela de Templos do REAA no Brasil.

Segue uma pequena transcrição que eu publiquei no livro de minha autoria denominado Exegese Simbólica para o Aprendiz Maçom – Tomo I, relativa à cor dos aventais e decoração escocesa onde mantive a grafia da época conforme o “Guia dos Maçons Escossezes ou Reguladores dos Três Gráos Symbólicos do Rito Antigo e Aceito – Grande Oriente Brazileiro” impresso em 1.834 na tipografia Seignot-Plancher, Rua do Ouvidor, 96, Rio de Janeiro, página 46 – Decoração da Loja ou Templo:

“As paredes do templo, mezas, docel, etc., são forradas de encarnado1 no rito escossez e de azul no rito moderno e adonhiramita; nestes dous últimos os galões e franjas dos paramentos devem ser de prata ou de fazenda de côr branca e no primeiro de ouro”.

Ainda no mesmo Guia, página 49 - Das insígnias e joias do Rito Escocês Antigo e Aceito:

“Gráo 3.º - Fita azul orlada de escarlate2 a tiracollo da esquerda para a direita, suspensa em baixo a joia, que é um esquadro e um compasso de ouro entrelaçados; a joia pode ser cravejada de pedras. Avental branco de pelle forrado e orlado de escarlate com uma algibeira abaixo da abêta, sobre a qual estão bordadas as letras MB”.

T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.141 – Florianópolis (SC) – sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A TOLERÂNCIA

A TOLERÂNCIA

A nossa Sublime ordem exige dos seus Iniciados o cumprimento de sérios deveres e enormes sacrifícios.

A Maçonaria proclama nos seus princípios gerais "que os homens são livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o princípio cardeal nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um".

A nossa Sublime ordem proclama a TOLERÂNCIA entre os seus Iniciados. 

O vocábulo TOLERAR não significa apenas ser indulgente, ser condescendente, ser transigente, ser permissivo, mas acima de tudo significa saber suportar.

No mundo atual, praticar a tolerância a cada dia exige muito de nós, pois a conturbação social e a pressão psicológica exercida sobre o homem, torna-o mais que nunca exigente, imprudente, agressivo e até inconsequente.

É nesse contexto que tolerar assume importância fundamental entre os homens.

Se o profano se sente desobrigado de praticar a tolerância, o Maçom não: TOLERAR É UM DEVER. Este princípio está intrinsecamente ligado a um dos fins supremo da Sublime Ordem: A FRATERNIDADE

O Salmo 133 da Bíblia Sagrada é o elogio da concórdia e união fraterna, quando diz: "Ó quão bom e quão suave é que os Irmãos vivam em união! É como o óleo precioso, derramado sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Aarão, e que desce sobre a orla de suas vestes, É como orvalho do Hermon, que desce sobre o monte de Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre".

A cada dia, nós Maçons temos por obrigação exercitar a prática da tolerância, o que facilita de sobremaneira todo o relacionamento entre os Irmãos, ampliando o espírito fraterno que existe no seio da nossa entidade milenar.

A partir da Iniciação o Maçon é uma pessoa diferenciada, porque se abrem as portas da verdadeira amizade. A fraternidade que passa a existir entre os Irmãos é a exteriorização concreta da felicidade de ser Maçon.

A tolerância do Maçon não pode se limitar apenas ao relacionamento com o próximo. Há que ter também paciência no desenvolvimento das etapas, que permite o crescimento e o progresso individual em todos os aspectos.

Não é fácil ser Maçon; relacionar-se exige paciência e tolerância, fazer progresso na Maçonaria exige muito mais.

Entrar na Maçonaria é uma coisa, fazer progressos na ordem é outra. Manter-se motivado é fundamental para o crescimento interior do Obreiro, o que lhe dá um prazer imensurável de ser Maçon.

Não raramente, Iniciados deixam a Instituição logo após o seu ingresso. A verdade é que esses Irmãos não buscam a LUZ, pelo que assim, não conseguem ver o seu brilho e muito menos descobrir a sua direção. Para os que buscam o crescimento, o caminho é longo, contínuo e às vezes áspero - é preciso perseverar.

No seio da Ordem, é necessário querer progredir, tolerar, estudar, buscar a verdade para que haja a transformação do homem que renasceu para o mundo.

O homem profano perde-se nas solicitações mundanas. O consumismo, a falta de interiorização deixa-o esquecido de si mesmo. A sua convivência com os vícios, acaba por fazê-lo infeliz. Nessa alienação passa a buscar a felicidade fora de si mesmo, nas drogas, no fanatismo religioso e tudo o mais que foge à própria pessoa, numa fuga do seu mundo vazio. A Maçonaria é o oposto de tudo isso, daí a dificuldade em buscar o crescimento no seu seio.

Acostumados que fomos à vida profana, às vezes perdidos na busca de objetivos vãos, encontramos dificuldades para alcançar a plenitude Maçônica. É por isso que alguns desistem. Contudo, o estudo contínuo propicia o aperfeiçoamento, pois através dele há uma constante evolução de conhecimentos.

A Iniciação de novos valores fortalece cada vez mais a nossa Instituição, porque vêm somar forças para a construção da sua grande obra - O BEM DA HUMANIDADE. 

Adaptado de Autor Desconhecido

Fonte: http://jamilkauss24.blogspot.com

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

USO DA PALAVRA - SESSÃO DE FINANÇAS

USO DA PALAVRA - SESSÃO DE FINANÇAS
(republicação)

Em 14/02/2015 o Respeitável Irmão Hudson Vieira dos Reis, Loja Abrigo da Virtude, 1.701, REAA, GOB-DF, Oriente de Brasília, Distrito Federal, apresenta a seguinte questão.
hudson38@gmail.com

Valho-me do presente para indagar-lhe a respeito do uso da palavra na Sessão de Finanças no REAA.

O parágrafo 1o do artigo 109 do RGF, dispõe:

§ 1º. Para a realização da sessão ordinária de finanças é indispensável o parecer prévio da comissão de finanças, não se admitindo que seja tratado qualquer outro assunto.

A proibição de não ser tratado qualquer outro assunto, que não finanças, se estende ao uso da palavra a bem da ordem em geral e do quadro em particular?

Outrossim, indago-lhe se, por ser a Sessão de Finanças uma Sessão Ordinária, devemos ter nesta sessão tempo de estudos? Tal questionamento é realizado pelo de o ritual prever ser proibida a supressão/inclusão de qualquer procedimento nas sessões.

CONSIDERAÇÕES:

Mano, esse não é bem o meu ofício – o de interpretar Leis. Talvez o legislador pudesse lhe enviar uma resposta mais apropriada.

De qualquer modo, sem me asseverar pelo campo laudatório, penso o seguinte: o parágrafo 1º do Artigo 109 menciona – Para a realização de uma sessão ordinária de finanças... (o grifo é meu). Então; a despeito do parecer prévio da comissão de finanças, também o Diploma Legal exara que nenhum outro assunto (senão o de finanças) será admitido. Parece-me que essa assertiva se refere à “sessão” e não apenas parte dela. Assim, na Palavra a Bem da Ordem em Geral e do Quadro em Particular, como período integrante da “sessão”, também só seria admitido o uso da palavra que versasse assunto de finanças.

Na questão do Tempo de Estudos, não se trata bem de uma supressão, porém o de estar de acordo com o RGF que é uma Lei, enquanto que o Ritual, salvaguardado o aspecto histórico, tradicional, doutrinário e de uso e costumes do Rito, ele é um Decreto. Entendo que a Lei se sobrepõe ao Decreto nesse caso.

Ainda nesse particular, se o caso for do fiel cumprimento do termo “proibida à supressão” mencionado no Ritual, que tal então um tema para o Tempo de Estudos que abordasse um assunto instrutivo sobre finanças? Agradar-se-iam gregos e troianos.

Sem o propósito de apagar o fogo com gasolina, eu fico ainda na seguinte dúvida: seria proibido qualquer assunto que não o relativo às finanças, ou apenas o atinente ao assunto de finanças específico para aquela Sessão de Finanças?

Minhas escusas se eu deixei a questão mais duvidosa ainda.

T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
FONTE: JB News – Informativo nr. 2.139 – Florianópolis (SC) – quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A MAÇONARIA NA INTERNET

A MAÇONARIA NA INTERNET

Há na Maçonaria uma turma mais conservadora, que acredita ser a Internet a decadência da Maçonaria. Para esses, a Internet vem promovendo uma “banalização” da tradição e ensinamentos maçônicos, ao tornar acessível todo tipo de material literário maçônico que se possa imaginar. 

O engraçado é que, enquanto a Internet é algo relativamente jovem, tendo mal alcançado sua maioridade, faz pelo menos três séculos que a Maçonaria tem enfrentado ataques, através, principalmente, de livros e bulas papais. A Internet é apenas um meio de comunicação. Não é a Internet que causa algum mal à Maçonaria, senão a ignorância, a intolerância e o fanatismo dos homens. 

Faça um exercício simples: vá até um parente ou amigo que não seja Maçom e pergunte se ele já visitou algum site ou blog de Maçonaria. Provavelmente, você escutará um não, por não ser um assunto de interesse dele. Na Internet, assim como em qualquer outro meio, a literatura não cai no seu colo, você tem que procurar. E só procura por um tema aquele que se interessa por ele. Aqueles que leem sobre Maçonaria na Internet são, quase que em totalidade, Maçons. Os curiosos são pouquíssimos, e para esses há também uma infinidade de livros nas livrarias e bibliotecas de todo o país. A culpa, definitivamente, não é da Internet. 

Faça um outro exercício: pesquise os sites antimaçônicos na Internet. Esses sites argumentam, de forma intolerante, contra a Maçonaria e realizam interpretações literais distorcidas e equivocadas de frases isoladas de obras maçônicas. Verifique se as fontes maçônicas usadas por esses movimentos fanáticos são sites da Internet ou se são livros. Você irá descobrir que utilizam uma densa bibliografia maçônica de autores consagrados como Pike, Mackey e Oliver. Mas nenhum site ou blog maçônico. 

Mesmo assim, o preconceito dos mais conservadores para com a Maçonaria na Internet e os Irmãos que a promovem ainda é forte. E, por conta disso, pode-se ver um grande contraste de conceitos dentro da Instituição: Por um lado, você tem os Maçons escritores de livros, cujos livros estão disponibilizados nas livrarias de qualquer shopping do país, acessíveis a qualquer um disposto a pagar. Esses são considerados pelos conservadores como os intelectuais de Maçonaria, imortalizados pelas páginas impressas. Por outro lado, você tem os Maçons blogueiros, cujos blogs proporcionam literatura maçônica diária, gratuita e de qualidade aos Irmãos. Esses últimos são considerados pelos conservadores, muitas vezes, como os traidores da Ordem. 

Mas a verdade é que tanto o autor de livros como o blogueiro fazem a mesma coisa: escrevem. Ambos são escritores, apenas publicando, em formato diferentes. Não se deve julgá-los pelo meio de publicação, e sim pelo conteúdo que produzem. 

Há ainda outros pontos a serem considerados:

No caso dos livros maçônicos publicados, seus preços são relativamente altos, visto a leitura ser específica, não havendo economia de escala; há a necessidade do Irmão se deslocar até uma grande livraria ou comprar pela internet, o que gera um custo de frete e demanda tempo; como registrado anteriormente, são poucas as editoras que publicam o gênero, o que faz com que as obras demorem muito a serem publicadas. Em contrapartida, as editoras servem como “filtro”, em que grandes aberrações não costumam ser publicadas, além dos livros serem mais densos, proporcionando conteúdo mais completo sobre o tema abordado. 

Já no caso dos blogs maçônicos, o prazo entre a produção e a publicação é praticamente inexistente, assim como o prazo para acesso ao conteúdo; os escritores não são reféns da boa vontade de editoras; o conteúdo é gratuito e a publicação e distribuição não ficam restritas geograficamente. Em contrapartida, não existe um “filtro de qualidade”, o qual deve ser feito pelo próprio leitor, e o conteúdo é, necessariamente, resumido. 

Enfim, cada meio possui os seus prós e contras. O sociólogo canadense McLuhan estava certo em sua afirmação de que “o meio é a mensagem”, pois o meio impacta diretamente no formato e modo de transmissão da mensagem e, consequentemente, sua absorção. Mas até McLuhan manteve o conteúdo isento de tal conceito. 

O que o Maçom de hoje precisa ter em mente é que este é o mundo em que vivemos. Blogueiros são convidados para cobrirem grandes eventos, entrevistam presidentes da república e dão entrevistas para rádios, revistas e programas de TV. Um curioso não descobrirá mais ou menos sobre Maçonaria com um blog do que visitando uma livraria ou biblioteca pública. Seja livro, blog, revista, site ou jornal, todos são escritores, e quase nunca se restringem a um único meio. 

Por isso, valorize o escritor maçônico. Valorize aqueles Irmãos que se preocupam em compartilhar conhecimento com os demais. O meio pouco importa, desde que o conteúdo chegue aos Irmãos, faça-os refletir e colabore em seus desenvolvimentos.

Bibliografia: 
Ismail, Kennyo.
Debatendo tabus maçônicos / Kennyo Ismail. – 1ª. Ed. – Londrina: Ed. Maçônica “A Trolha”, 2016. (Coleção Biblioteca do Maçom) - págs. 73 a 76

Fonte: https://martinlutherking63.mvu.com.br

domingo, 23 de agosto de 2020

FOTO MAÇÔNICA DE DOMINGO

Por Géplu



Foi Isabelle quem nos enviou essas fotos com este comentário:

Atualmente, na Maison Victor Hugo, na Place des Vosges em Paris, uma exposição muito bonita e muito interessante de caricaturas de Victor Hugo com, entre outras, esta caricatura do escritor onde vemos a insígnia maçônica tatuada em sua testa.

Também incluí o comentário que acompanhava o cartoon.

Se também estiver perto de casa ou em viagem e notar um edifício, um objeto ou decoração maçônica ou uma decoração tipo alvenaria, envie-nos fotos com algumas explicações.

Esses "depoimentos" são muito populares entre os leitores do Blog. (tradução livre)

Fonte: Blog hiram.be

DESAVENÇAS RITUALÍSTICAS

DESAVENÇAS RITUALÍSTICAS
(republicação)

Em 18/01/2016 o Respeitável Irmão Paulo Fernandes, Orador da Loja Sebastião Vasconcelos dos Santos, 3.579, GOB, REAA, Oriente de Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte, pede os esclarecimentos seguintes: 
paulo@fernandesassociados.net.br

DEAVENÇAS RITUALÍSTICAS E DESLOCAMENTO NO ORIENTE

1. Sabemos que existe o Conselho de Família para dirimir eventuais conflitos entre Irmãos, mas há uma prática, neste Oriente, de o Venerável chamar ao fim de sessão os Irmãos conflituosos para uma reunião chamada de “Tronco ou Trono?”, sem avisar com antecedência a parte “acusada”. Nesse “Trono ou Tronco” o Venerável chama outros Irmãos para dirimir o problema. Essa prática é regular?

2. No REAA é lícito deambular no Oriente da Loja com o Sinal Penal composto? Pois há Mestre Instalado que se arvora dessa condição para dizer que está certo.

3. Embora saibamos que Mestre Instalado é distinção Maçônica e não Grau há uma concepção generalizada, neste Oriente, de que Mestre Instalado é superior ao Mestre Maçom. Qual a concepção do Douto Irmão sobre essa situação?

CONSIDERAÇÕES:

1 – Completamente irregular. Se existe uma questão para ser resolvida em Loja, ela impreterivelmente deve seguir os trâmites legais, cujos acontecimentos são acompanhados de perto pelo Orador que é o fiscal da Lei.

Não vou nem comentar essa invenção de “Tronco ou Trono”, simplesmente porque ela não existe. O Orador deve coibir esse tipo de ação, seja ela vinda de quem for.

2 – No REAA, salvo a Marcha do Grau, ninguém, mas, absolutamente ninguém, anda como o Sinal composto. Isso pode ser perfeitamente observado no Ritual em vigência.

É como eu tenho dito: Mestre Instalado não é grau, senão um título distintivo. Muito menos lhe é dado o direito de se arvorar a alterar a ritualística. Aliás, um ex Venerável que se preze deve acima de tudo, com humildade, dar bons exemplos e não ficar se achando a inventar procedimentos ilegais.

3 – Como eu comentei no item número 2; é apenas um título distintivo dado àquele que já exerceu o veneralato de uma Loja. Essa distinção também lhe dá o direito de ocupar o Oriente em lugar destinado conforme o Ritual.

Como ofício de ex Venerável mais recente ele pode dirigir os trabalhos da sua Loja na hipótese de ausência precária do Venerável em sessões magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação se porventura o substituto legal do Venerável (um Vigilante) não tiver sido ainda um Mestre Instalado. Isso se justifica pelo uso da Espada Flamejante, cujo manuseio é de direito exclusivo de um Mestre Instalado.

Agora, essa concepção de superioridade aos portadores desse título é puro equívoco. Uma besteira mesmo. Coisas da vaidade humana.

Um Mestre Instalado nada mais é do que um ex Venerável. Assim, instalação é simplesmente o mesmo que a posse daquele Mestre Maçom que foi legalmente eleito para dirigir os trabalhos de uma Loja.

Sem generalizar, alguns Mestres Instalados realmente precisam aprender que genuinamente no REAA (rito de origem francesa) não existe Instalação, senão a posse do Venerável. Quem deixa o cargo é simplesmente um ex Venerável. Essa história de Instalação no REAA feita no Brasil é puro enxerto legalizado de um costume que é originário mesmo da vertente inglesa de Maçonaria, que, diga-se de passagem, também não trata um Mestre Instalado como um grau ou mesmo seja ele portador de regalias.

Ah! É necessária também a atenção para uma verdade incontestável: o Rito Escocês Antigo e Aceito, apesar do título “escocês”, é mesmo filho espiritual da França e não da Escócia.

Prosseguindo:

Se aqui no Brasil oficializaram de há muito tempo o equívoco da prática de instalação no escocesismo (inventaram até ritual e sinais para a dita), quem somos nós para não cumprir uma Lei que por aqui já virou um costume consuetudinário. Entretanto pedimos “vênia” para afirmar sem medo de errar que esse título também não é nenhuma espécie de Grau, muito menos lhe é dada qualificação de superioridade para os seus portadores.

Concluindo, penso que “os que se acham superiores”, deveriam antes primeiro conhecer a verdadeira história da Maçonaria e, por segundo, exercer a fundamental virtude que qualifica um Maçom - a humildade.

T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.137 – Florianópolis (SC) – segunda-feira, 8 de agosto de 2016

PÍLULAS MAÇÔNICAS

TÁBUA ESMERALDINA

Vez ou outra é interessante relembrar certas coisas e refletir, novamente, sobre os ensinamentos nelas contidas. É o caso da “Tábua Esmeraldina” de Hermes Trimegisto.

Isto é complexo, mas é verdadeiro sem mentiras:
Tudo o que está aqui embaixo também está no alto;
também no alto está o que está embaixo,
pois tudo é obra de uma só coisa.
Todas as coisas vieram e vem de uma,
da qual tudo nasceu e à qual tudo se ajustou,
pois tudo se adaptou a ela, a Causa Ùnica.
O Pai de tudo, que é a realidade, que é o querer do universo,
Aqui está, com sua força total convertida em Terra.
Se quiserdes saber o segredo dessa força suprema,
deveis separar a terra do fogo,
o fino e sutil do espesso e grande,
Suavemente e com todo cuidado.
Sobe da terra ao céu e, dali, volte à terra,
para receber a força do que está em cima e
do que está embaixo.
Assim, receberás a luz de todo o mundo
e as trevas se afastarão de ti.
Esta é a força de todas as forças, que vencerá tudo o que é sutil,
como vencerá tudo quanto é grande,
e que penetrará em tudo o que é sólido e palpável.
Portanto, o mundo pequeno está feito,
à semelhança do mundo grande.
Assim e desse modo, ocorrerão mudanças prodigiosas.
Por isso me chamam Hermes Trimegisto,
Pois possuo as três partes da Sabedoria de todo o mundo.
Terminado está o que disse sobre a Obra do Sol.

Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com

CALENDÁRIO MAÇÔNICO

O vocábulo “calendário” emana do latim – calendae, calendarum, f., e signifcava para os romanos o primeiro dia de cada mês.

Calendário, portanto, é a contagem da passagem dos tempos com o registro de fatos que cada um pode emprestar importância ou a comunidade local, nacional ou universal, confere valor, mérito ou interesse para comemorar, homenagear ou observar outras atividades.

Este é o sentido do sistema de marcação, em seqüência, dos dias e noites desde que o homem aqui chegou.

Com a expansão do Império Romano, inclusive na Grécia, sua cultura levou até aquela região seu calendário, e, como os helênicos não tinham “calendas”, criou-se a idéia de que esses tempos nunca viriam, pois, tudo que era enviado as “calendas gregas”, estava fadado à perpetuidade. Como inexistia “calendas” na Grécia, nada aconteceria: ad calendas graecas! Para o dia de S. Nunca!

Daí a origem da expressão – enviar ou remeter algo para as “calendas gregas”, sugerindo o entendimento de que se destina ao sem-fim, ao nada.

Foi no governo do Imperador Júlio César (ano 46, a.C.), entretanto, que se adotou o calendário atualmente usado no mundo ocidental, inspirado no similar egípcio e que em 04 de outubro de 1582, o então Papa Gregório XIII, efetuou sua atualização.

Verificou-se a necessidade de ser ajustado ao sistema solar e o astrônomo Luigi Lilio orientou o pontífice sua correção e assim foi editado a Bula Gravíssima de 24 de fevereiro daquele ano. Ocorreu que o dia seguinte a 04 de outubro de 1582, passou a ser o 15 daquele mesmo mês e ano, operando-se o ajuste naquela época até que outro seja feito, eis que já passou período superior a quatro séculos.

O calendário romano de Júlio César passou então a ser conhecido como gregoriano como lembrança do Papa Gregório XIII que o corrigiu. O Concílio de Trento de 1563 já havia acolhido essa exigência de correção de conformidade com os movimentos de rotação e translação da Terra.

Todavia o calendário gregoriano contém uma falha em sua contagem, considerando-se seu início o nascimento de Jesus de Nazareno, o Cristo.

“Como ponto de partida, no uso da era vulgar ou cristã, enquanto o ano 1 deveria ser o do nascimento de Jesus, cumpre dizer, de fato que, por causa de um erro inicial de cálculo cometido pelo primeiro que introduziu essa era no cômputo das datas (o monge Dionísio, o Pequeno, no ano 525; conf. Migne, Patrologia Latina – 67, 497-502), deve-se transportar aquele memorável e fundamental acontecimento para alguns anos atrás. Com efeito, consta, com certeza do Evangelho (Mt. 2, 1-15; Lc. 1, 5), que Jesus nasceu antes da morte de Herodes, o Grande, que caiu (como devemos deduzir por vários fios de História profana) no início de abril do ano 750 de Roma, que corresponde ao 4º antes da Era Vulgar. No ano precedente, colocamos o nascimento de Jesus Cristo, embora permanecendo incerto, quantos meses se passaram, desde o seu nascimento até à morte do tirano. Outro caso grave de incerteza é a duração da vida pública de Jesus. A opinião que mais respeita os dados do texto evangélico é a que fixa em dois anos e alguns meses.” (Novo testamento – 9a Edição – Edições Paulinas – págs. 8/9)

Vê-se, pois, que o apontado erro do monge Dionísio, o Pequeno, teria desconsiderado quatro ou cinco anos, implicando na crença, se verdadeiro o erro, que quando os Reis Magos foram visitar Jesus, este já poderia contar com quatro ou cinco anos de idade, e, portanto, não seria mais o bebê que aprendemos nos catecismos de infância.

E dentro dessa linha histórica, é admissível até estarmos vivendo nos anos 2.011 ou 2.012 do calendário gregoriano, conforme esse referencial, se aceito.

Surgimento da Franco-Maçonaria

As dificuldades vividas pela maçonaria operativa no começo do Século XVII, em especial na Inglaterra, trouxeram amargas conseqüências para as guildas, chegando ao declínio ou quase extinção.

Novos tempos surgiram e foi preciso oxigenar a Sublime Ordem com a intelectualidade da época, subsistindo o artesanato, símbolo da operatividade de grandes construções de monumentos em toda a Europa. Cérebros que não faziam parte da Ordem, mas que desejassem ingressar e tivessem os requisitos morais eram aceitos pelos irmãos operativos que simbolizavam o passado maçônico.

Nasceu, assim, a Franco-Maçonaria no começo do Século XVIII (1717-1724), anunciando uma nova Era para a Instituição se expandir no cenário universal. Figuras importantes da sociedade da Europa iniciaram-se na Ordem; nobres, poderosos econômicos e amantes do saber, com destaque para filósofos e ciências políticas.

Implantou-se, assim, a Maçonaria Especulativa, subsistindo a Operativa, com departamentos próprios, mas com unidade de essência, como sendo frente e verso de uma mesma moeda.

Com o advento da especulação maçônica no Século XVIII, as correntes da Inglaterra (Reino Unido da Grã-Bretanha, atual), e da França, sentiram a necessidade de traçar rumos, direção e atualização sem perder, porém, o elo com o passado histórico da Instituição.

Várias assembléias efetuaram-se com esse objetivo, sempre precedidas de egrégoras, versando sobre temas variados como ritos, regras de condutas para os obreiros, oficinas, hierarquia, etc., culminando em 1724 com a Constituição do Bispo Anglicano James Anderson que marcou a História Maçônica até nossos dias.

Dentre os assuntos tratados, o calendário maçônico foi analisado e ficou decidido que também seria adaptado à modernidade, pois datava de pretérito muito distante.

Indagou-se, inicialmente, qual modelo deveria ser eleito, ou seja, o gregoriano, o hebraico, o muçulmano ou critérios de outras culturas para essa alteração.

Ficou decidido, após lúcidos debates, um modelo misto: gregoriano e hebraico.

Adotou-se o calendário gregoriano com predominância, porém a contagem inicial seria o Gênesis do Antigo Testamento, cujo autor foi Moisés, com acréscimo de 4.000 anos. Assim, o ano maçônico passou a ser contado semelhante ao calendário gregoriano somado a 4.000 anos, signficando que o ano 2.007 da marcação gregoriana, verbi gratia, corresponde a 6.007 – E M . Não se considerou o erro de quatro ou cinco anos que teria cometido Dionísio, o Pequeno, como noticiado linhas acima, por conveniência.

Estabelecido esses ajustes e critérios ao antigo calendário maçônico, surgiu um problema no sentido de que aceito o referencial gregoriano predominante, deveria também o ano maçônico iniciar-se no primeiro dia de janeiro de cada ano?

Muitas propostas foram apresentadas, porém a vitoriosa foi a de que não seria o início do ano maçônico no primeiro dia do mês de janeiro, pois isso prestigiaria mais ainda o calendário gregoriano.

Poderia ser interpretado como sinal de religiosidade com a cristandade, ferindo o princípio absoluto maçônico de não ser religião ou seita, mas método, em última análise, de crença no GADU e admitir vida post-mortem, no OR ET

Mais uma vez a Ordem, com o costumeiro acerto, fugiu dessa possibilidade de interpretação errônea e escolheu como paradigma a época do equinócio de verão na Europa que ocorre no mês de março.

O ano maçônico, então, se inicia no mês de março e vai até fevereiro do ano seguinte.

Traçadas essas diretrizes, a assembléia maçônica daquele momento, fixou a nomenclatura dos meses maçônicos que tem como fonte raízes persas (época de Zoroastro), passando pelas civilizações da Índia, Egito e Hebraica. 

Mencionamos os nomes dos meses maçônicos:

Março - Niçan 
Abril - Içar 
Maio - Sivan 
Junho - Tamuz 
Julho - AB 
Agosto - Elul
Setembro - Etramon
Outubro - Maskevan
Novembro - Crisleu
Dezembro - Thebet
Janeiro - Sabet
Fevereiro - Adar

BIBLIOGRAFIA    
  • – História e Doutrina da Franco-Maçonaria – Marius Lepage – Ed. Pensamento.
  • A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática – Jean Palou – Ed. Pensamento.
  • Pequena História de Maçonaria – C.W. Leadbeater – Ed. Pensamento.
  • A Vida Oculta da Maçonaria – C.W. Leadbeater – Ed. Pensamento.
  • Novo Testamento – 9a Edição – Edições Paulinas.
  • Dicionário da Maçonaria – Joaquim Gervásio de Figueiredo – Ed. Pensamento.
José Geraldo de Lucena Soares, M∴I∴ – 33o A∴R∴L∴S∴ FRATERNIDADE JUDICIÁRIA, 3614 – GOB-SP – GOB

Fonte: Fonte: http://redecolmeia.com.br

sábado, 22 de agosto de 2020

BASTÃO E O MESTRE DE CERIMÔNIAS

BASTÃO E O MESTRE DE CERIMÔNIAS
(republicação)

Em 08/01/2016 o Respeitável Irmão Enildo José Pires Cabral, Loja Custódia do Moxotó, 3.986, GOPE/GOB, REAA, Oriente de Custódia, Estado de Pernambuco, formula a questão seguinte: enildojpcabral@yahoo.com.br

Peço a sua ajuda para esclarecer a seguinte duvida levantada em nossa Oficina por alguns Irmãos. Após a realização de uma sessão Magna de Iniciação, houve um debate entre alguns Irmãos sobre o trabalho executado pelo Irmão Mestre de Cerimônias. Uns argumentando que o mesmo ao cumprir a determinação do Venerável Mestre durante todo o Ritual de Iniciação deverá portar o seu bastão, (páginas 118, 120, 131,133, 135, 138, 141), outros, no entanto argumentam o contrário, de que o nosso Ritual não prevê tal procedimento. Gostaria que se possível o nobre Irmão me esclarecesse, via e-mail sobre a prática correta de circulação do Mestre de Cerimônias durante uma Sessão Magna de Iniciação, como também onde posso encontrar mais informações a respeito.

CONSIDERAÇÕES:

Páginas 118 – 120 envolvem procedimentos relativos à prova da T∴S∴ com a participação do Mestre de Cerimônias. Em face dessa prática ritualística, cujo protagonista está vendado, o Oficial não porta o bastão, justificando-se pela necessidade de mobilidade na condução do Candidato e outros procedimentos de acordo com o ritual, o que faz com que o Mestre de Cerimônias careça estar com as mãos livres nessa oportunidade.

Página 131. Trata-se do ato de conduzir o candidato ainda vendado e ajuda-lo nos procedimentos pertinentes ao Juramento – é dispensado o uso do bastão para facilitar a missão do Mestre de Cerimônias ao prestar auxílio, inclusive ao Venerável.

Página 133. Trata-se da condução do candidato vendado para se recompor após o Juramento e em seguida posicioná-lo no lugar de costume para receber a Luz. Nessa oportunidade também o Mestre de Cerimônias tem a missão de desvendar o iniciando. Pelas características desse ofício, é dispensado o uso do bastão.

Páginas 135 – 138. Nelas destacam-se procedimentos da Sagração e constituição do Aprendiz, entrega dos paramentos, instrução e comunicação dos segredos do Grau Aprendiz, etc. Assim, também o Mestre de Cerimônias como auxiliar imediato do Venerável não usa o bastão no exercício dessa atividade iniciática.

Página 141 - Nela há a saudação da Loja ao recém-iniciado que também agradece pela bateria, auxiliado pelo Mestre de Cerimônias. Devido a esse procedimento, e os que se seguem no ato (assinatura no Livro e condução ao lugar devido), ele também não usa bastão.

RECOMENDAÇÕES PELO BOM SENSO NA PRÁTICA RITUALÍSTICA

Evidentemente que existem situações ritualísticas que não comportam o uso do bastão pelo Mestre de Cerimônias, até pela praticidade da ação e da agilidade e conforto do ofício no ato. Isso significa que o bastão como instrumento de ofício, não deve atrapalhar a prática conforme a situação. É a história do bom-senso e não uma questão de estar ou não escrito.

Em resumo, o Ritual de Aprendiz na sua página 44 exara o seguinte: “O M∴ de CCer∴ estará munido de bastão, não devendo usá-lo quando circular em Loja, excetuando-se na abertura e no encerramento dos Trabalhos, ou quando conduzir um Irmão em Loja, ou ainda quando o Ritual o determinar”.

Analisando o escrito vê-se que há uso obrigatório nos procedimentos que envolvem o Mestre de Cerimônias quando da abertura e encerramento ritualístico da Sessão. No que diz respeito a conduzir um Irmão em Loja, significa nas conduções formais e não naquelas que envolvem conduções em segmentos de práticas do teatro iniciático, já que se a situação exigir bastão o Ritual assim determinará.

Nas demais situações o Mestre de Cerimônias em cumprimento ao seu ofício não porta o bastão. Isso é facilmente compreendido em se analisando atentamente as práticas litúrgicas e ritualísticas de uma sessão maçônica, sem que com isso haja a necessidade de que tudo precise estar escrito. O ideal é que o praticante de Maçonaria saiba primeiro o verdadeiro significado dos fatos e das ações antes de coloca-las em prática – isso se faz com acurada atenção e estudo.

T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.134 – Florianópolis (SC) – Sexta-feira, 5 de agosto de 2016

AVENTAIS

Sublime Prince of the Royal Secret Apron 1850

MAÇONARIA NA SUPERINTERESSANTE

MAÇONARIA NA SUPERINTERESSANTE

Em um salão, senhores conversam sobre atualidades e amenidades. A noite termina com um jantar descontraído, alguns até acompanham a novela de relance. Normal, não fossem os chapéus e aventais com símbolos milenares, as colunas gregas e as imagens de sóis e luas. Mas, além das roupas e da decoração esquisitas, há uma diferença mais importante. Todos têm compromisso de ajudar uns aos outros, e vários têm como: são empresários, advogados, formadores de opinião. Por falar em opinião, tudo que é debatido ali fica entre aquelas quatro paredes - sem janelas, como toda Loja maçônica. 

A Maçonaria pode não ter mais a influência de quando liderava revoluções e fundava países, mas continua atiçando a imaginação. Sabe-se que para entrar no clube é preciso ser homem e acreditar em algum deus, e pouco mais que isso. O maior best seller de 2009, O Símbolo Perdido, de Dan Brown, joga com essa curiosidade, decifrando quebra-cabeças maçons espalhados por Washington.

Conforme esperado, a 3ª aventura de Robert Langdon (herói dos romances Anjos & Demônios e O Código Da Vinci) obteve ótimas vendas e péssimas resenhas. Mas há uma crítica nova: dessa vez, Brown é acusado de não revelar tudo o que sabe. Uma colunista do New York Times insinuou que o autor teria sido silenciado pela sociedade secreta. Será que a Maçonaria tem poder para amedrontar o maior vendedor de livros do mundo? E que mistérios ela teria para revelar? 

A aura de mistério acompanha os maçons desde a sua origem. Origem, aliás, que vem sendo criativamente recuada: alguns maçons incluem entre seus antecessores guerreiros das cruzadas, arquitetos do templo do rei Salomão e até os egípcios responsáveis pelas pirâmides (importantíssimas em O Símbolo Perdido). Realmente, os maçons surgiram em canteiros de obras, mas já no fim da Idade Média, na Inglaterra. Daí o nome deles: mason - se diz "mêisson" - era o termo para pedreiro em inglês. 

Mas os pedreiros da época equivaliam a arquitetos, engenheiros, empreiteiros. Para não perderem a hegemonia na construção civil, militar e religiosa, eles mantinham em segredo os macetes da profissão, passados só aos aprendizes mais confiáveis e em ocasiões especiais. Com o tempo, essas aulas viraram fóruns, atraíram gente de fora e foram transferidas para locais chamados lodges (em português, "Lojas"). Em 1717, 4 unidades se unificaram na Grande Loja de Londres. Surgia, oficialmente, a Maçonaria. 

Estados Maçons da América 

Assim como muitos europeus, foi emigrando para a América que a Maçonaria atingir o seu potencial. Na verdade, o grande "segredo" revelado no best seller de Dan Brown é consenso entre historiadores: em nenhum país a Maçonaria foi tão importante quanto nos EUA. 

Para começo de conversa, os maiores acontecimentos que marcaram a independência do país foram decididos em Lojas maçônicas. Em 1773, não foi de improviso que comerciantes jogaram caixas e caixas de chá no mar, em protesto contra impostos extorsivos dos ingleses. A "festa do chá" de Boston foi um evento organizado por irmãos. 

Nove dos 55 homens que assinaram a Declaração de Independência vinham da Maçonaria, assim como um terço dos 39 que aprovaram a Constituição. Benjamin Franklin era maçom convicto, e George Washington, grão-mestre da Loja Alexandria, teria aparecido de avental cerimonial no lançamento da pedra fundamental da nova cidade. 

Por falar em capital, a cidade de Washington é cheia de referências à Maçonaria. Algumas são forçadas: encontram-se compassos e estrelas no traçado das ruas de qualquer cidade - como é esclarecido já no 6º dos 133 capítulos de O Símbolo Perdido. Outras são explícitas: o tema "George Washington foi maçom" inspirou pinturas e esculturas, marcando presença nas portas do Senado e no teto do Capitólio. Além disso, como Robert Langdon confere ao longo de 12 horas movimentadas, a cidade tem pelo menos 17 edifícios com arquitetura típica da ordem - uma mistura de estilo grego e romano, sempre acompanhada de esquadros, compassos e letras G (de God, "Deus" em inglês). Entre eles, a agora célebre Casa do Templo (no original, House of the Temple), sede americana do Rito Escocês Maçônico, cenário do prólogo e do clímax do livro. 
Após o sucesso da independência americana, em 1776, a Maçonaria passou a ditar o passo das mudanças do planeta. Ser maçom no final do século 18 e no começo do 19 era muito cool: um clube que reunia as mentes mais inquietas e influentes. 

Trazendo liberdade, igualdade e fraternidade no DNA, claro que a Maçonaria estava na Revolução Francesa, em 1789. Os principais líderes, Danton e Robespierre, não eram da ordem, mas a Marselhesa foi composta na Loja de Marselha. Em 1810, a Maçonaria inspirou a criação da Carbonária, sociedade secreta que buscaria a independência da Itália. Três futuros libertadores da América, o chileno Bernardo O’Higgins, o venezuelano Simón Bolívar e o argentino José de San Martín, frequentavam a mesma Loja em Londres, uma convivência que mudou um continente. "A Maçonaria participou da independência de todos os países da América do Sul", diz Andrew Prescott, diretor de estudos da Maçonaria da Universidade de Sheffield, na Inglaterra. 

O que inclui o Império Brasileiro, do início ao fim (ver quadro Pais do Brasil, na página 69). Em 1822, nossa independência de Portugal foi proclamada por um grão-mestre, dom Pedro 1º. E a Proclamação da República, em 1899, foi feita por outro, o marechal Deodoro da Fonseca. E os maçons continuaram atuantes durante a nossa República Velha, chegando inclusive à Presidência, com Nilo Peçanha e, na sequência, Hermes da Fonseca. 

Mundialmente, a ordem viveu uma crise a partir da década de 1930, quando seus membros mais à direita (fascistas) e à esquerda (comunistas) não vestiam mais o mesmo avental. Aliás, os maçons também estão entre as vítimas do Holocausto - entre 80 mil e 200 mil irmãos morreram em campos nazistas. 

Nos anos 50, a ordem chegou a ter uma filiação recorde nos EUA - até Fred e Barney, dos Flintstones, frequentavam uma paródia da Maçonaria, o Clube dos Búfalos D’Água. Mas, a geração seguinte, dos babyboomers, não se interessou - as revoluções passaram longe das Lojas. "Mas, mesmo onde não voltou a ter a influência de antes, a Maçonaria nunca ficou irrelevante", diz o historiador alemão Jan Snoek, que pesquisa o tema na Universidade de Heidelberg. 

Prática da conspiração 

A lista de maçons poderosos ainda é grande. Entre os 6 milhões de membros no mundo estão o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o príncipe Philip, o premiê italiano, Silvio Berlusconi, e até Al Gore, vice-presidente de Bill Clinton - um quase maçom, como você vê na página ao lado. O fato de haver nos EUA muitos políticos e juízes membros da Maçonaria é explorado em O Símbolo Perdido: o vilão do livro ameaça colocar na internet um vídeo que flagra a elite de Washington em rituais maçônicos - se não abalasse os pilares da democracia, com certeza bombava no YouTube. 

É inegável que a Maçonaria ainda possui membros influentes - o que não significa que ela ainda exerça influência. Um exemplo prático vem do Reino Unido, onde, a partir de 1997 todos os maçons trabalhando no sistema judiciário foram obrigados a declarar que eram membros da ordem. O argumento era de que a lealdade dos irmãos à irmandade poderia distorcer seu trabalho, e o público tinha direito de saber quem era maçom, para poder acompanhar sua conduta a partir desse fato. Em 12 anos, "nenhuma impropriedade ou má prática foi verificada por parte dos juízes pelo fato de eles serem maçons", declarou o secretário de Justiça inglês, Jack Straw, ele mesmo um apoiador da lei, que derrubou em 5 de novembro deste ano. 

E quanto à Nova Ordem Mundial? Para quem não está por dentro dessa teoria da conspiração, seria um governo único, que comandaria todo planeta e que estaria sendo planejado por maçons - ou pelos illuminati, ou pelos cavaleiros templários, pelo 4º Reich, enfim. Não há informações sobre os últimos 3 grupos, até porque não consta que eles existam. Isso é impedido pela própria forma como a Maçonaria é organizada: as Lojas maçônicas são independentes, abrigam irmãos com pontos de vista muito diferentes e não têm de onde tirar uma ação global coordenada. Ainda mais secreta. 

Na verdade, a grande mudança que espera quem entra na Maçonaria não é no mundo, mas na própria vida. 

Maçom 24 horas 
Tudo indica que uma ditadura mundial não está nos planos, mas não se engane: todo maçom tem uma agenda. Se não secreta, certamente lotada. Mas, para a maioria dos membros, compensatória. 

As regras começam já na candidatura - geralmente posterior a um convite de um maçom. Não basta ter fé em um deus e cromossomo XY: é preciso ser maior de idade, ter endereço fixo e renda própria e declarar seus motivos para fazer parte da ordem (dica: "Li sobre vocês na SUPER e quis ver qual era" não vai levar longe). Se for casado, a patroa precisa estar de acordo. Se for homossexual, de acordo com as regras, não entra. 

Os maçons também pesquisam os amigos, o emprego e a vida financeira e policial do irmão em potencial. Depois de investigado por 6 meses a 1 ano, o nome é avaliado por toda a Loja - e precisa ser aprovado por unanimidade. Aí basta participar da iniciação e prometer não revelar o que escutar - o tal pacto de silêncio da irmandade. 

O iniciante é reavaliado com frequência, e tem a obrigação de participar de uma reunião semanal, que ocupa uma noite inteira em dia útil. Para faltar, só por causa de trabalho ou de estudo, vai ser necessário pedir autorização. 

Além disso, as Lojas maçônicas da mesma cidade se visitam, e é aconselhável participar de alguns desses momentos de intercâmbio. Isso para não falar de viagens mais longas, no caso de visitas a maçons de outros estados. E, a cada 3 anos, é preciso se envolver na votação para grão-mestre, coordenada por um Tribunal Eleitoral Maçônico. 

Tem mais: cada Loja cobra uma mensalidade que, em São Paulo, gira em torno R$ 150. Motivo: toda Loja tem um fundo de amparo que cobre despesas inesperadas de irmãos. O fundo também funciona como uma previdência paralela: viúvas de maçons recebem pensão mensal. 

Nos fins de semana, os maçons ainda fazem trabalho voluntário nas instituições mantidas pela ordem - na maioria dos casos, creches e hospitais. Esse é o momento em que levar a esposa e os filhos não só é possível como recomendável. "Chamamos as esposas dos irmãos maçons de cunhadas e os filhos de sobrinhos", diz o aposentado baiano Paulo Borges, maçom em Salvador há 15 anos. É comum que um irmão em dificuldade seja socorrido a qualquer hora por outros maçons. Ótimo quando é você quem precisa, mas significa que o celular precisa estar ligado o tempo todo. 

Clube de vantagens 

Os irmãos garantem que dá um gás na autoestima: sentem-se parte de um clube exclusivíssimo, que seleciona seus membros com rigor. "A sensação de ser aceito depois de meses de investigação é muito boa. E a cerimônia de iniciação é um dos momentos mais gratificantes e emocionantes da vida de um maçom", afirma o empresário Adriano Aparecido Moraes, maçom há 19 anos, de Sorocaba. A Loja aparentemente até transforma o comportamento: "Eu era muito temperamental, agressivo. Com a Maçonaria, mudei", diz o baiano Paulo Borges. 

Bonito, bonito. Mas, além das recompensas psicológicas, há critérios mais palpáveis. "Não fosse a Maçonaria, a gente não teria acesso a diretor da Polícia Federal, a funcionário público do alto escalão, a empresários que são possíveis clientes", diz Adriano. "Não é privilégio, porque o maçom deve corresponder às expectativas profissionais. Mas ajuda bastante, cria oportunidades." 

Um maçom do Rio de Janeiro, que prefere se manter anônimo, afirma: "Se o maçom é vendedor e o comprador da empresa é irmão, ele vai ser atendido mais rápido. Conheço filhos de maçons que, graças aos contatos do pai, conseguiram estágios em empresas com irmãos na diretoria". E conclui: "Claro, o talento é o que consolida profissionalmente, mas a Maçonaria abre portas em todos os lugares". 

Em uma grande metrópole, onde as relações de poder são mais diluídas, as amizades da Loja talvez não façam tanta diferença. Mas imagine o impacto desses contatos em uma cidade pequena, em que o delegado, o prefeito, o dono do jornal e o do supermercado são maçons. Na verdade, não precisa nem imaginar: em São Vicente, praia no litoral paulista ao lado de Santos, o ex-prefeito Márcio França disponibilizou um assessor maçom para atender as demandas da ordem. França hoje é deputado federal e líder do "bloquinho" (formado por PSB, PDT, PCdoB, PMN e PRB). 

A influência também se dá em outras esferas do Estado. Funcionários e pessoas ligadas à Petrobras se reúnem por todo o país em Lojas maçônicas chamadas Monteiro Lobato - que não era maçom, mas disse que "o petróleo é nosso". Dizem que há dinheiro da empresa nisso, mas a Petrobras não confirma o envolvimento com os "irmãos monterianos", que fazem debates e ações junto a políticos em defesa do patrimônio nacional. 

Independentemente da ambição dentro da estrutura da Maçonaria, é preciso manter a linha. Barracos, bebedeiras, adultério e prisões são inaceitáveis. "Temos o objetivo de fazer homens bons ser ainda melhores e levamos essa meta muito a sério", diz o maçom paulistano Fábio Amauchi, engenheiro de 37 anos. É esse conceito de "homens bons" que explica a recusa de gays, por exemplo. "Não se pode dizer que esse seja um bom costume", diz Fábio. 

Secretos não, discretos 

"Os maçons já foram secretos. Ao longo do século 20, passaram a se definir como discretos. Hoje, caminham para se tornar uma sociedade civil aberta", diz o ex-maçom britânico Martin Short, autor de Inside the Brotherhood, que critica a ordem. 

No entanto, a abertura da sociedade secreta mais conhecida do mundo incomoda alguns irmãos, que vêem a proliferação de sites, jornais e revistas como um afastamento das origens. De fato, hoje já é possível se candidatar a maçom por e-mail (apesar de que um convite pessoal é, de longe, a forma mais garantida de entrar). Em seu site, a Grande Loja Maçônica do Espírito Santo mantém uma Rádio Cultura Maçônica. E a página do Grande Oriente do Brasil, seção Rio de Janeiro, oferece um tour virtual pelo Palácio Maçônico do Lavradio. 

"Não existem mais segredos na Maçonaria. Eles vêm sendo revelados lentamente", diz o historiador britânico W. Kirk MacNulty, maçom há 4 décadas. "Se existe algum segredo, ele é individual, intransferível - é a experiência dos rituais maçônicos. Como explicar o gosto de uma laranja para quem nunca a comeu?", diz o pesquisador alemão Snoek.Por outro lado, se faltam mistérios, sobram boatos. 

Que tal uma bancada maçônica? Um grão-mestre garante que, nas últimas eleições para prefeitos e vereadores, a Maçonaria no estado de São Paulo fez campanha interna para que maçons votassem e apoiassem candidatos maçons. Segundo ele, deu certo: a Maçonaria teria emplacado 13 prefeitos e 54 vereadores - ele só não diz quem e onde. Pretendem fazer o mesmo com deputados em 2010. 

E esta é internacional: em Israel, a Grande Loja de Tel-Aviv é um espaço de encontro de cristãos, judeus e muçulmanos. Apesar de a Maçonaria ser contra discussões políticas nos templos, todos ali estão dispostos a encontrar soluções para os problemas milenares da região. "Só em um local fechado e completamente sigiloso esse tipo de reunião improvável pode acontecer regularmente", afirma o historiador alemão Jan Snoek, que pesquisa o tema na Universidade de Heidelberg. Ou seja: se qualquer plano de paz surgir daqui para a frente para resolver a questão entre israelenses e palestinos, é possível que haja o dedo da Maçonaria. 

E o que os maçons acham de toda a curiosidade em torno da ordem? Em conversas privadas, reclamam muito dos livros, filmes e sites que prometem revelar seus segredos - de reportagens como esta também. Argumentam que o tratamento é injusto e exagera aspectos menos importantes. Nesse caso, a postura oficial é não se manifestar publicamente. 

Mas há uma corrente do "falem mal, mas falem de mim", da qual faz parte Christopher Hodapp, um americano ex-mestre maçom e autor de livros sobre Maçonaria, grato ao que Dan Brown e outros fizeram pela ordem. "Tínhamos dificuldades para atrair novos membros. Assim, o interesse é renovado", diz. "De certa forma, a divulgação até ajuda, porque cria um fascínio que atrai muita gente para a ordem", diz Adriano Moraes. "Enquanto o mundo externo se preocupa excessivamente com detalhes pouco importantes, os verdadeiros mistérios estão bem guardados." 
(Revista Superinteressante, dezembro de 2009)

Fonte: https://liberdadeeamorcassia.mvu.com.br

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

JUSTO E PERFEITO

JUSTO E PERFEITO
(republicação)

Em 04/01/2016 o Respeitável Irmão Hugo Schirmer, Loja Honra e Verdade, 439, Rito Adonhiramita, GORGS/COMAB, Oriente de Santa Maria, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta o seguinte: schirmer.hugo@gmail.com

Boa tarde Amado irmão Pedro, que o ano de 2016 lhe seja perfeito em todos os sentidos. Lendo o ultimo JB de nº 1920 de 04/01/16, me dei de cara com uma situação, que se não recordo de assistir ou não, mas também não devo deixado de ter ouvido alguma “besteira” de parte de algum Amado Irmão, seja em que posição estiver em Loja ou ocupando um Cargo e principalmente se for o do ORADOR ou GUARDA DA LEI. Esclareço que no nosso Rito Adonhiramita o Orador também tem as atribuições do Guarda da Lei, quando se fizerem necessárias. No nosso caso está explícito: Tudo está J∴ e P∴, Sábio Mestre e só.

O que quero chamar a atenção é que muitos Oradores em diversas Lojas estão procedendo assim: 

Uma coisa que as Lojas não se preocupam é com a exatidão dos trabalhos litúrgicos e ritualísticos, cada um a sua vez, mas a sua maneira e nada é feito contra as invenções. Quanto ao se referir à Gloria do Criador, vamos encontrar “ennes” situações criadas, pelos Oradores e ou Guardas da Lei. 

Uma delas após fazer a leitura do salmo ou passagem respectiva é levantar a bíblia ao alto e depois de abaixá-la colocar o esquadro e o compasso e no encerramento, faz uma repetição, ou seja, retira o esquadro e o compasso e levanta a bíblia ao alto e ao descê-la, fecha-a. 

Assim vamos criando maus usos e péssimos costumes, como dizia Castellani.

CONSIDERAÇÕES:

É isso aí Mano. Invenções mais invenções na razão direta da nossa Sublime Instituição e na razão inversa daquilo que é natural. 

Infelizmente isso vem ocorrendo pelos adoradores de achismos, independente dos Ritos praticados e muitas vezes justamente por aqueles que no mínimo deveriam dar exemplo de coerência e conhecimento. 

No caso de muitos Oradores da Loja como Guardas da Lei eu acho até engraçado certas locuções desnecessárias. Ora, se uma Sessão chegou ao seu final, obviamente que ela transcorreu dentro dos conformes legais, caso contrário ela teria que ter sido antes interrompida. Então ao final bastaria simplesmente a conclusão que os trabalhos transcorreram “justos e perfeitos”. Alguns Oradores precisam aprender que a sua missão não é a de declamar retóricas, porém de fiscalizar a aplicação da Lei. 

No tocante a abertura e encerramento da sessão e o Livro da Lei eu também tenho visto muitas estranhas peripécias. Essa “estória” de expor no alto (erguer) o Livro é mera firula, já que a sua abertura e exposição sobre o Altar dos Juramentos já denota o seu verdadeiro objetivo. 

Como diz o Irmão, essas invenções somente tem dado margem para práticas alienígenas que acabam se enraizando como verdadeiras ervas daninhas e não trazem qualquer ensinamento maçônico. 

Penso que sempre que possível se faz cogente o combate a essas práticas equivocadas e de um refinado mau gosto.

T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.132 – Florianópolis (SC) – quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A INTERPRETAÇÃO E O ENTENDIMENTO DOS SÍMBOLOS

A INTERPRETAÇÃO E O ENTENDIMENTO DOS SÍMBOLOS
Roberto Bondarik*

RESUMO: Baseado na análise de um texto escrito pelo português Fernando Pessoa, o presente trabalho realiza uma estudo sobre as cinco condições ou qualidades para o perfeito entendimento e interpretação dos símbolos. Estas condições seriam a Simpatia, a Intuição, a Inteligência, a Compreensão e a Graça ou Revelação. Seu conteúdo pode ser aplicado aos símbolos das mais diversas origens, tanto maçônicas, religiosas ou profanas.

1 - INTRODUÇÃO:

A Ordem Maçônica baseia os seus muitos princípios e os seus diversos ensinamentos em símbolos e rituais. Podemos afirmar que uma das principais características da Maçonaria, seja justamente aquela de procurar velar e proteger os seus muitos segredos dos olhos daqueles que ainda sejam considerados profanos. A maneira encontrada pela Ordem Maçônica para ministrar os seus muitos segredos e ensinamentos aos seus Iniciados, é procurar sempre faze-lo utilizando-se de símbolos e metáforas (CAMPANHA, 2003, p.38). Esta Simbologia Maçônica, sua interpretação e o seu entendimento são as ferramentas utilizadas pelos maçons para os seu constante escavar de masmorras ao vício e no seu permanente edificar e levantar de templos às virtudes:

“Para tornar sua doutrina mais facilmente assimilável, como também para inspirar conceitos mais amplos, a Maçonaria transmite seus ensinamentos por meio de símbolos. Cada maçom vê nestes símbolos conforme o seu grau de evolução, sem contudo afastar-se dos fundamentos da doutrina (...)” (GRANDE LOJA DO PARANÁ, 2000, p.3).

Em seu “Dicionário de Maçonaria”, uma obra que consideramos fundamental, Joaquim Gervásio de Figueiredo, nos coloca uma interessante definição da Ordem Maçônica, em que procura destacar a importância da utilização de símbolos para a difusão dos princípios maçônicos:

“A Maçonaria é um sistema sacramental que, como todo sacramento, tem um aspecto externo visível, consistente em seu cerimonial, doutrinas e símbolos, e acessível somente ao maçom que haja aprendido a usar sua imaginação espiritual e seja capaz de apreciar a realidade velada pelo símbolo externo (...)” (FIGUEIREDO, 1998, p.231).

Na Maçonaria a maior parte dos símbolos e metáforas que são utilizados, provêm da antiga atividade profissional e corporativa dos pedreiros medievais. Construtores que eram, principalmente de Igrejas, grandiosas Catedrais, sólidos castelos e fortalezas, os pedreiros medievais organizados em uma Corporação[1], constituíam a Maçonaria Operativa que evoluiu para as Organizações Maçônicas Simbólicas e Especulativas contemporâneas:

Podemos, com base no trabalho desenvolvido pelos pedreiros medievais, concluir que existiam três diferentes grupos de instrumentos operativos. Cada um destes instrumentos estava ligado a uma das fases da construção. Cada fase exigia do construtor um nível diferente de conhecimento para a sua execução e finalização:

· A medição ou especificação do tamanho e do formato das pedras;
· O desbaste, adequação das formas e o polimento para dar o acabamento adequado às pedras;
· A aplicação e o assentamento das pedras na construção.

Estes conjuntos de instrumentos necessários a execução de cada etapa da obra., indicam na Ordem Maçônica, simbolicamente os diversos Graus que nela existem. Cada Grau, representa dentro da organização de cada Rito Maçônico, todo um conjunto de conhecimentos que são considerados necessários ao aperfeiçoamento e ao crescimento moral e ético dos Maçons.

Uma das muitas certezas que a vida em sociedade e a evolução do conhecimento humano nos deram, foi a de que nem todos os homens assimilam de maneira semelhante as mensagens da Simbologia Maçônica. Como se coloca em alguns rituais: devemos pensar mais do que falamos. A reflexão e a conseqüente meditação são essenciais a compreensão da linguagem maçônica. O avanço pelos diversos graus, portanto não deve ser considerado pelo tempo que esta sendo empregado, não devem ser conduzidos pela pressa. o que deve ser levado em conta é o esforço individual e o desprendimento pessoal de cada Maçom, conforme o seu potencial e capacidades para poder galgar com segurança e sabedoria os degraus da Escada de Jacó.

A linguagem simbólica ou metafórica é característica das sociedades iniciáticas, pois exige-se do interprete dos símbolos, na maioria das vezes um conhecimento que somente será possível existir, se este já for um iniciado naqueles mistérios, cujos símbolos se pretende analisar. Este contato possibilita uma maior familiaridade e um convívio mais profundo e significativo. E este é, ao nosso ver o caso da Maçonaria.

“Herdeira espiritual das Sociedades Inciáticas da Antigüidade, a Maçonaria perpetua o tradicional método iniciático na ensinança de suas doutrinas. Por este sistema que se funda no simbolismo, isto é, na interpretação intuitiva dos símbolos, o ensino maçônico torna-se muito pessoal e praticamente autodidático. É com efeito, como tão bem explicou o eminente escritor maçom J. Cornelup: ‘ O próprio de um símbolo é de poder ser entendido de várias maneiras, segundo o ângulo sob o qual ele é considerado’, de modo que ‘um símbolo admitindo apenas uma única interpretação não será verdadeiro símbolo’ (...)”. (ASLAN, 2000, p.5).

Procuramos considerar neste trabalho, que a Maçonaria seja acima de tudo e antes de qualquer outra consideração a seu respeito, apresentada como uma sociedade iniciática. O indivíduo, que é denominado simplesmente de profano, somente consegue adentrar a Maçonaria através de um cerimonial próprio de iniciação[2]. A cerimônia de Iniciação, somente encontra paralelos quando é comparada a um “Rito de Passagem”, evento comum a muitas culturas e mesmo civilizações ao longo da história.

“(...) os ritos de passagem se associam às grandes mudanças na condição do indivíduo. As principais transições marcadas por estes ritos são o nascimento, a entrada na vida adulta, o casamento e a morte.

Tais ritos costumam simbolizar uma Iniciação. O nascimento é a iniciação na vida, enquanto a morte é a iniciação em uma nova condição no reino dos mortos, ou na vida eterna.

De uma forma ou de outra, todas as sociedades tem ritos de passagem, mesmo aquelas em que a religião não desempenha nenhum papel na vida pública. Em geral, é grande a importância deles nas culturas agrárias, nas religiões primais. Nestas, os ritos de passagem estão claramente ligados às noções de tabu. Tabu é uma palavra polinésia adotada pelo historiadores da religião para indicar uma severa proibição, restrição ou exclusão, e se aplica a algo que é considerado perigoso ou impuro (...)” (HELLERN, 2000. p.28)

Partindo deste pressuposto, podemos colocar que a ocasião representada pela Iniciação Maçônica, pode ser concebida como um novo nascimento, ou ainda mais claramente, trata-se de um nascimento maçônico, onde o neófito é submetido a diversas provas ritualísticas, que irão demonstrar a sua coragem, força de espirito e determinação em adentrar a ordem:

“(...) O iniciado é pois um homem que se libertou de paixões, de constrangimentos e de superstições, pode avançar no desconhecido, nas trevas da ignorância, apoiado no conhecimento que ganhou sobre si próprio e sobre a Natureza, e depois partilhar com outros este estádio de elevação da sua consciência.

O iniciado é pois alguém que atingiu a Luz, a compreensão de si, dos outros e da Natureza, e assim goza com discrição do saber e o poder adquiridos, antecipa o futuro, trabalha o presente, e recorda-se do passado. O verdadeiro iniciado não se abate, não desiste, não se rende aos homens sem espiritualidade (...) A iniciação maçônica é típica das sociedades secretas, em especial das corporações de mesteres da idade média (...)” (CARVALHO, 2002, passim)

2- SIMBOLOGIA:

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

QUESTÕES SOBRE O TERCEIRO GRAU

Em 09.03.2020 o Respeitável Irmão Luiz Antonio Marques, Loja Cadeia de União, 3.057, REAA, Oriente de Casa Branca, Estado de São Paulo, formula a seguinte questão:

QUESTÕES DO 3º GRAU

Por gentileza poderia tirar algumas dúvidas relacionadas as perguntas:

1- Como é chamada a Loja de Mestre e qual o seu significado?
2- Qual o significado simbólico do S∴ de M∴?
3- O que significa o c∴ de H∴ A∴ sep∴?

Desde já agradeço pela atenção.

CONSIDERAÇÕES:

Uma Loja aberta no 3º Grau é chamada de C∴ do M∴. Isso se dá porque algumas instruções mencionam a lenda de que os MM∴ MM∴, quando da construção do T∴ de J∴, ali recebiam os seus salários. Lendariamente é mencionado que à C∴ do M∴se subia por uma E∴ em C∴ (sinuosidade/dificuldade) até onde havia um pórtico que dava passagem para o lugar onde se encontrava a A∴ da V∴. É por essa razão que a senha de reconhecimento do M∴ M∴ é pronunciada como A A∴ M∴ É C∴.

Essa síntese compreende lições profundas de ética, moral e sociabilidade, aspectos esses que o M∴ M∴ deve perscrutar e meditar com constância, fervor e zelo.

Se faz oportuno mencionar que a C∴ do M∴ é um lugar abstrato. Não a confundir com o espaço central do Oc∴ onde se executam as circulações e perambulações pela Loja durante os trabalhos. Imaginar que a C∴ do M∴ corresponde o centro do recinto de trabalho é ideia arcaica e inconsistente, portanto, equivocada.

Se a referência for ao Sin∴ de Ord∴ do 3º Grau, o mesmo se relaciona com a pen∴ simb∴ mencionada pelo cand∴ durante a tomada de obrigação na cerimônia Exaltação. Figuradamente esse Sin∴ se desenvolveu no contexto narrativo da L∴ de H∴, quando um dos três mm∴ CComp∴, arrependido, evoca para si a aplicação desse castigo. Além do seu profundo significado esotérico, esse sin∴ pen∴, também conhecido como v∴, exprime a ideia de universalidade desse Grau, sobretudo quando menciona a divisão dos dois hemisférios.

Dentre outros, alegoricamente representa o período em que a Terra fica v∴ do Sol. Desse modo, H∴ morto e sepultado simula o fenecimento do Sol perante o inverno. Destaque-se que a L∴ de H∴ é decalcada nos cultos solares da antiguidade. A morte e o renascimento da Natureza é uma alegoria solar comum às passagens iniciáticas de várias civilizações. Desse modo, na L∴ do 3º Grau H∴ simboliza o Sol que morre “golpeado” pelo inverno (dias curtos e noites longas) para reviver (ressurreição) na primavera – alusão astronômica ao hemisfério norte do nosso Planeta. Basicamente é o ápice da grande iniciação, cuja qual somente será alcançada na Exaltação (plenitude maçônica). 

É bom que se diga que muitos ritos maçônicos, a exemplo do REAA, adotam a alegoria da renovação anual da Natureza para compor a sua senda iniciática.

Não obstante a citação dos cultos solares da antiguidade, compreenda-se que isso não afirma a presença da Maçonaria naqueles tempos de antanho. Destaque-se que o 3º Grau maçônico somente apareceria em 1.725 na Inglaterra quanto então passaria a compor os três graus universais, sendo o nec plus ultra (nada mais além) do simbolismo da Moderna Maçonaria. A L∴ de H∴ fora então criada e adaptada para compor o relicário iniciático do grau de M∴ M∴.

Esses são os comentários básicos e superficiais que envolvem as questões aqui apresentadas, obviamente que respostas e conteúdo mais aprofundados não são recomendáveis nesse arrazoado. A observação e a meditação sobre esse contento iniciático deve ser criterioso e silente, lembrando que durante a construção do T∴ de J∴, figuradamente não se ouvia nenhum ruído proveniente das ferramentas aplicadas naquela Obra.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br