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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sábado, 24 de junho de 2023

ESPADA FLAMEJANTE E O PORTA ESPADA

(republicação)
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão e amigo Paulo Afonso Fernandes de Carvalho, Loja Abolição, nº 6, Grande Loja Unida do Piauí, Oriente de Teresina, Estado do Piauí.
paafc2010@hotmail.com 

Pelo presente, venho solicitar uma consulta sobre algo que não consegui esclarecer para meus Irmãos de Loja. PERGUNTAMOS: Se ocorrer a seguinte situação durante uma sessão de Maçons, praticando o Rito Escocês Antigo e Aceito: No momento em que o Venerável Mestre declarar aberta a Loja o Estandarte é desfraldado pelo Porta Estandarte, o Mestre de Cerimônias expõe o Painel da Loja e o 1º Diácono expõe a Carta Constitutiva da Loja onde um Ex-Venerável terá que desembainhar a Espada Flamejante, a qual só pode ser manuseada por um Mestre Instalado. Esta última parte é que surgiu a dúvida. Vejamos: Se nessa dita Sessão não tiver presente o Ven∴ Mestre onde o Irmão Primeiro Vigilante está dirigindo a Sessão na interinidade da Venerança, e não esteja presente nenhum Mestre Instalado, quem executará o ato de desembainhar a Espada Flamejante? Ou tem outra variante para suprir esse ato? Espero que a pergunta esteja clara. Agradecemos a gentileza. 

CONSIDERAÇÕES:

Cabem antes algumas ponderações. Genuinamente no Rito Escocês é corretíssima a prática de se desfraldar o Estandarte. Já a exposição da Carta Constitutiva deveria também ser feita pelo Mestre de Cerimônias e nunca pelo Diácono que em Loja no Rito em questão tem apenas a função de transmitir a Palavra Sagra em alusão aos antigos oficias de chão da Maçonaria Operativa. 

Agora, o ato de desembainhar a Espada Flamejante não está de acordo. Primeiro porque essa Espada não é desembainhada, pois simbolicamente ela representa uma chama de fogo, ou talvez um raio e, nesse sentido ficaria estranho um raio ou uma labareda de fogo ser embainhada. Nesse caso a Espada Flamejante fica dentro de um escrínio ou sobre uma almofada colocada geralmente sobre o Altar ocupado pelo Venerável. Segundo que essa Espada é empunhada durante a sagração do candidato na Iniciação, ou mesmo no ato de consagrar durante a Elevação e Exaltação. 

Assim entendo que não existe procedimento ritualístico durante a abertura dos trabalhos da Loja no tocante ao uso da Espada Flamejante. 

Ainda em relação à Espada, o costume de empunhá-la somente é viável através de um Venerável, ou ex-Venerável (Mestre Instalado), todavia o Irmão Porta Espada não precisa ser um ex-Venerável, bastando que para tanto ele seja um Mestre Maçom. 

Essa é a razão pela qual a Espada Flamejante fica depositada dentro de um escrínio ou sobre uma almofada de tal maneira que o condutor desse instrumento em não sendo um Mestre Instalado possa conduzi-la pelo escrínio ou almofada – não há assim o contato com a Espada. 

Daí existe uma regra que em não havendo na Sessão Magna (Iniciação, Elevação ou Exaltação) um Mestre Instalado não existe possibilidade alguma do ato da consagração e, por extensão, essa Sessão não pode ser realizada. 

Já nas Sessões Econômicas (ordinárias) ou mesmo Magnas em que não haja o procedimento de sagração a Espada permanece sobre o Altar. 

Assim reputo um erro essa prática de se desembainhar (sic) a Espada Flamejante em qualquer Sessão, senão naquelas que pela passagem ritualística mereça a sua condução pelo Oficial até o elemento que fará a consagração. 

Não no intuído de corrigir, mas o de orientar, melhor seria o uso do termo “veneralato” no lugar de “venerança”. 

Finalizando devo salientar aqui que essas considerações não possuem a intenção de se insurgir contra os rituais aprovados por essa Grande Loja Unida, senão o objetivo de orientação. 

Da mesma forma fica o alerta para aqueles Irmãos que porventura tenham acesso a essas considerações, que tenham o cuidado de observar que não estou me referindo aos Rituais do GOB, CMSB e COMAB. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 0933 Florianópolis (SC) – domingo, 24 de março de 2013

MAÇONS FAMOSOS


LÉON DENIS (Foug, 1 de janeiro de 1846 - Tours, 12 de Abril de 1927) foi um pensador espírita, médium e um dos principais continuadores do Espiritismo após a morte de Allan Kardec, ao lado de Gabriel Delanne e Camille Flammarion. Fez conferências por toda a Europa em congressos internacionais espíritas e espiritualistas, defendendo ativamente a ideia da sobrevivência da alma e suas conseqüências no campo da ética nas relações humanas. Foi Iniciado na Maçonaria, no Rito de Mizraim, em 26 de outubro de 1868, na Loja Demófilos nº 5957, Tours, França. Faleceu aos 81 anos de idade, vítima de pneumonia.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

SÃO JOÃO, NOSSO PATRONO

Autor: Bruno Calil Fonseca

Decapitação de São João Batista – Caravaggio (1607-08)

São João, o Evangelista – Valentin de Boulogne (1622-23)

Quando os trabalhos são declarados abertos, há referência a São João, dito nosso patrono. Porém, qual o São João? São muitos, na Igreja Cristã, os santos com o nome de São João “disso e daquilo, etc.” Os regulamentos maçônicos recomendam se festejar a dois: a São João, “o Batista”, e a São João, “o Evangelista”.

O Batista

São João Batista, também dito “o Precursor”, era filho de Isabel, prima da Virgem Maria e, por conseguinte, também parente de Jesus. Ele ganhou o epíteto de “batista” porque, no rio Jordão, “batizava” as pessoas, derramando -lhes água sobre as cabeças, assim limpando-os espiritualmente (batismo significa banho ). Era também conhecido por viver no deserto, alimentando-se de mel e gafanhotos, vestindo apenas com uma pele de carneiro, andando assim meio nu, meio vestido. Seguramente, pertencia, entre os judeus, ao grupo dos essênios, que vivia em Quram, perto do mar Morto. Local onde, em 1947, foram encontrados alguns documentos de sua época. Tinha vários seguidores, mas se dizia Precursor de Alguém Maior que ele, e de quem não era digno sequer de Lhe desatar as sandálias. Vituperava a Herodes Antipas ¾o rei imposto pelos romanos aos judeus ¾ , porque Antipas mandara matar a seu meio-irmão para ficar com a sua esposa. Antipas mandou decapitar a João Batista, atendendo o pedido de Salomé, sua enteada, filha de seu meio-irmão, acima referido.

O dia 24 de junho foi estipulado pela Igreja Católica como o de sua comemoração.

O Evangelista

O outro São João, o Evangelista, era apóstolo de Jesus. Chamam-no de Evangelista porque, além de pregar os ensinamentos do Mestre, foi o autor do 4º Evangelho, de três epístolas e do famoso Apocalipse. Essa palavra quer dizer “revelação”. Nele, João relata as revelações que teria tido sobre o fim dos tempos e dos caminhos para a salvação. Por falar nos fins dos tempos, catástrofes, guerras, pestes, castigos, a palavra “apocalipse” ganhou a conotação de “algo ruim, apavorante, cataclismático, terrificante”. A linguagem é extremamente simbólica, de difícil compreensão.

Seu dia é comemorado em 27 de dezembro.

Maçonaria Operativa

Na verdade, porém, como vem registrado no item XXII, dos Regulamentos Gerais das Constituições de Anderson, de 1723, e com elas publicados, o dia que os maçons operativos do passado tinham escolhido para a reunião anual era o de São João Batista, em 24 de junho, ou, opcionalmente, no dia de São João Evangelista, em 27 de dezembro. Mas, com ênfase ao primeiro. Aliás, notar que a fundação da Grande Loja de Londres, em 1717, ocorreu precisamente nesse dia, 24 de junho. Veja-se como vem redigido esse cânone dos Regulamentos Gerais, aprovados, pela segunda vez, no dia de São João, 24 de junho de 1721, por ocasião da eleição do Príncipe João, duque de Montagu, para Grão-Mestre:

“XXII. Os Irmãos de todas as Lojas de Londres e Westminster e das imediações se reunirão em uma COMUNICAÇÃO ANUAL e Festa, em algum Lugar apropriado, no Dia de São João Batista, ou então no Dia de São João Evangelista, como a Grande Loja pensa fixar por um novo Regulamento, pois essa reunião ocorreu nos Anos passados no Dia de São João Batista: Provido(…)”

Razões Esotéricas

Só por uma segunda opção a reunião e festa ocorreria, portanto, no dia 27 de dezembro, na festa do outro São João. Mas, por quê? O porque dessa alternativa tem uma explicação esotérica, que remonta às prováveis origens da Maçonaria, aos Collegia Fabrorum dos romanos. A esses colégios de artesãos, de diferentes ofícios, pertenciam também os da construção. Eles acompanhavam as tropas romanas, para o trabalho de reconstrução e instalação da administração imperial, nas terras conquistadas e colonizadas. E com eles ia a sua religião ou religiões, para ser mais exato, ainda que entre os romanos a predominante fosse a da adoração à Mitra, que era representado por uma figura humana. No lugar da cabeça, um Sol.

Havia muitos outros deuses, notadamente, o de Janus, uma figura de duas cabeças coladas e opostas, cada uma olhando em sentido contrário a da outra, e que simbolizavam: uma, o solstício da entrada do verão (21 de junho, hemisfério norte); a outra, o solstício da entrada do inverno (21 de dezembro, hemisfério norte). Esses solstícios estão sempre presentes nas festas pagãs, vinculadas à Natureza. É aí que encontramos uma provável explicação histórica para os festejos juninos e os natalinos, a que a nova religião romano-cristã, não podendo desenraizar dos costumes populares, o mínimo que conseguiu foi a substituição. Todavia, no seio da maçonaria operativa, mesmo sob tal disfarce, ambas as datas sobreviveram, em face do conteúdo esotérico de seus significados. Não esquecer que os colégios, principalmente, os dos construtores, seriam depositários dos conhecimentos e mistérios de antiquíssimas sociedades iniciáticas, todas praticantes de ritos solares.

Fonte: https://opontodentrodocirculo.com

sexta-feira, 23 de junho de 2023

SAUDAÇÃO NO USO DA PALAVRA - RITO BRASILEIRO

(republicação)
Em 01.12.2017 o Respeitável Irmão Mahatma Gandhi Salh, Loja Universitária Panamericana, 3.324, Rito Brasileiro, GOB-PR, Oriente de Foz do Iguaçu, apresenta a seguinte questão:

SAUDAÇÃO NO USO DA PALAVRA

Infelizmente ainda não tive o prazer de pessoalmente conhece-lo. 

Aproveitando, gostaria de tirar uma duvida referente a Ritualística.

Em nossa Loja praticamos o Rito Brasileiro. Minha dúvida e de mais alguns irmãos esta referente ao pedido da palavra. 

Na saudação aos irmãos, qual seria a ordem correta para fazer esta saudação? Antes de proferir a palavra. 

No ritual esta mal colocada ou tenho uma interpretação errada. No começo diz que devemos saudar Venerável Mestre e autoridades, demais Luzes e irmãos. Na Palavra a Ordem e Bem Geral do Quadro em Particular diz que devemos saudar Luzes, autoridades e demais irmãos. 

CONSIDERAÇÕES:

À bem da verdade sabe-se perfeitamente que o Rito Brasileiro foi criado acompanhando bem de perto a liturgia do Rito Escocês Antigo e Aceito. Infelizmente o Rito Escocês na época – e ainda hoje – foi muito descaracterizado na sua prática por influência de outros Ritos, sobretudo numa Maçonaria ainda rudimentar num Brasil do século XIX. Assim, o Rito Brasileiro acabou adotando muitas contradições por conta de um escocesismo deturpado e feito uma “colcha de retalhos”. 

Independente desses pormenores, o uso da palavra por um obreiro segue determinadas normas comuns à vertente francesa de onde a Maçonaria brasileira é filha espiritual.

Nessa vertente é regra geral que nas Colunas (exceto os Vigilantes em alguns casos) o usuário da palavra fale à ordem e, antes de proferir o seu pronunciamento, siga um protocolo respeitoso (que na verdade não é saudação) mencionando genericamente por primeiro as Luzes da Loja, em seguida as autoridades presentes e por fim os demais Irmãos. Não existe a necessidade de se nominar um a um durante a menção protocolar.

No que diz respeito ao que menciona o Ritual do Rito Brasileiro, parece que ele se equivoca ao tentar no primeiro caso separar o Venerável Mestre das demais Luzes, inserindo entre eles as autoridades. Isso não passa de pura firula, pois os primeiros mencionados no protocolo sempre serão os detentores dos malhetes por serem eles os dirigentes da Loja. Assim, a melhor forma é aquela adotada na Palavra a Bem da Ordem, ou seja, Luzes, Autoridades e demais Irmãos. É simples, prático e objetivo, portando de bom senso. 

Destaque-se que as Luzes da Loja correspondem aos cargos de Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes. 

Para que se evitem manifestações dos “puristas”, bem como daqueles que dão mais valor ao molho do que à carne, devo, ao concluir, esclarecer que as minhas colocações a respeito sugerem apenas a autenticidade maçônica, portanto não existe da minha parte nenhuma intenção de desrespeitar ritual em vigência. O meu parecer tem a intenção de apontar para o que é correto, ou pelo menos para o que deveria ser correto.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

PEDRA FUNDAMENTAL


A Cerimônia de Pedra Fundamental é um dos poucos acontecimentos maçônicos rico em simbologia e que pode ser visto por qualquer pessoa, pois geralmente acontece em público.

Devido à nossa herança como construtores de catedrais e outras estruturas públicas, os maçons realizam historicamente uma cerimônia especial no assentamento de pedras fundamentais de novos edifícios, mediante solicitação.

Nos tempos atuais, esses eventos são pouco notados pelo público, mas, nos séculos anteriores, o lançamento da pedra fundamental era uma celebração grande e festiva. Quando se tratava de prédios públicos, de tribunais, câmaras municipais, etc, desfiles eram realizados com frequência, discursos eram proferidos e os maçons lançavam simbolicamente a pedra fundamental.

Nas cerimônias de pedra fundamental maçônicas, a pedra é verificada com ferramentas antigas para se ter a certeza de que seus ângulos são retos, de que está a “prumo” (perpendicular) e nivelada, porque um edifício construído sobre uma base fraca não será forte. Em seguida, a pedra fundamental é consagrada com milho (ou trigo), vinho e azeite.

Por fim, a pedra é simbolicamente colocada no lugar com a batida de um malhete (pequeno martelo).

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

quinta-feira, 22 de junho de 2023

O SINAL NA ELEVAÇÃO

(republicação)
O Respeitável Irmão Luiz Carlos Fernandes, Loja Simbólica Filhos de Hiran, 2.879, GOB-RO, REAA, Oriente de São Miguel do Guaporé, Estado de Rondônia, apresenta a seguinte questão: arls2879@gobro.org.br

Reporto-me respeitosamente ao Irmão a fim de tirar algumas dúvidas a respeito de Ritualística pois já li em um site onde o Irmão responde sobre o tema balandrau que pode ser encontrado no site http://arlspentalpha.webnode.com.br/news/balandrau. Gostaria de saber se a resposta que está lá é realmente do Poderoso Irmão, ou é obra de Fake, caso seja do Irmão peço autorização para copiar e ler em nossa Loja. Outra situação que me faz entrar em contato com o Irmão é a seguinte: estive presente em uma Loja para participar de uma Sessão Magna de Elevação e, no momento em que o Venerável determina em pé e a ordem meus irmãos (pag.85, ritual de Companheiro, REAA 2009), o Deputado que estava ao lado do orador aponta para o Venerável com o dedo em riste sinalizando de forma negativa, diz não, não pode ser feito sinal de companheiro. A partir desse momento os Irmãos presentes à sessão ficam divididos. No oriente, ao lado norte, onde estava o deputado todos ficam a ordem no grau de Aprendiz; do outro lado, ao sul, os Mestres Instalados e o Secretário ficam em grau de Companheiro; no ocidente, em ambas as colunas todos ficam com o sinal de Companheiro. Resumindo, a cerimônia foi um fiasco e após a mesma o que não faltou foi conversa sobre o fato tendo cada qual achado que o outro estava errado e cada um ficou com a sua própria certeza. 01- qual era o Sinal correto a se fazer naquela ocasião? Por quê? 02- A fim de tirarmos outras dúvidas, gostaria de saber se o Irmão possui algum manual de dinâmica Ritualística e caso positivo, qual a possibilidade de nos enviar? 03 – existe na Internet um manual de Ritualística do REAA, supostamente escrito por um Irmão de nome Fuad Haddad. Gostaria de saber se tal manual é digno de fé e se pode ser usado em nossas lojas.

CONSIDERAÇÕES:

Sobre a publicação de uma resposta minha dada através do JB NEWS, tenho a informar que ela é verdadeira. Alerto, entretanto que essa resposta foi dirigida a um Irmão da COMAB e não do Grande Oriente do Brasil, muito embora o conteúdo da resposta possa ser perfeitamente aplicado nas Lojas do GOB. Quanto ao uso do conteúdo para explanação em Loja não existe qualquer óbice.

Na questão da Cerimônia de Elevação. O nosso Irmão Deputado além de faltar com o decoro maçônico dando de dedo no Venerável, praticou um desrespeito à Lei, já que o Ritual citado e que está em vigor não prevê em Loja de Companheiro, Irmãos compondo o Sinal de Aprendiz. 

Talvez o douto Deputado quisesse na oportunidade "dourar a pílula" com a justificava de que o Obreiro em processo de Elevação não fosse ainda um Companheiro. Ora, isso é mesmo excesso de preciosismo e não está previsto no Ritual. 

Penso que o Orador estando ao lado da "autoridade" naquela oportunidade, deveria fazer cumprir o que está escrito e não fazer de conta que nada viu e ouviu. Infelizmente é atitude como essa que empana o brilho de uma Sessão. 

Em resposta à sua questão no tocante ao Sinal correto obviamente é o de Companheiro sob o seguinte, por que: primeiro porque não está escrito no Ritual que naquele momento os Irmãos compõem o Sinal de Aprendiz. Segundo, porque a Sessão Magna de Elevação é executada no Grau de Companheiro. 

Quando aos manuais de dinâmica eles estão suspensos pelo Soberano. Demandamos de muitas correções ainda nos rituais em vigência. Nesse ínterim fico a disposição para quaisquer esclarecimentos e dúvidas. 

Ainda quanto ao manual do Fuad ele serve para consulta, porém como dito, não está em vigência no GOB. 

Aliás, o Mano Fuad é de uma competência ímpar e digno de respeito e fé, pois o mesmo já ocupou o cargo que ora labuto no Grande Oriente do Brasil – Secretário Geral Adjunto para o REAA.

T.F.A. 
PEDRO JUK -jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 0932 Florianópolis (SC) – sábado, 23 de março de 2013

FRASES ILUSTRADAS

MAÇONARIA E O SIMBOLISMO

A Ordem Maçônica baseia os seus muitos princípios e os seus diversos ensinamentos em símbolos e rituais. Podemos afirmar que uma das principais características da Maçonaria, seja justamente aquela de procurar velar e proteger os seus muitos segredos dos olhos daqueles que ainda sejam considerados profanos. A maneira encontrada pela Ordem Maçônica para ministrar os seus muitos segredos e ensinamentos aos seus Iniciados, é procurar sempre fazê-lo utilizando-se de símbolos e metáforas (CAMPANHA, 2003, p.38). Esta Simbologia Maçônica, sua interpretação e o seu entendimento são as ferramentas utilizadas pelos maçons para o seu constante escavar de masmorras ao vício e no seu permanente edificar e levantar de templos às virtudes:

“Para tornar sua doutrina mais facilmente assimilável, como também para inspirar conceitos mais amplos, a Maçonaria transmite seus ensinamentos por meio de símbolos. Cada maçom vê nestes símbolos conforme o seu grau de evolução, sem contudo afastar-se dos fundamentos da doutrina (...)” (GRANDE LOJA DO PARANÁ, 2000, p.3).

Em seu “Dicionário de Maçonaria”, uma obra que consideramos fundamental, Joaquim Gervásio de Figueiredo, nos coloca uma interessante definição da Ordem Maçônica, em que procura destacar a importância da utilização de símbolos para a difusão dos princípios maçônicos:

“A Maçonaria é um sistema sacramental que, como todo sacramento, tem um aspecto externo visível, consistente em seu cerimonial, doutrinas e símbolos, e acessível somente ao maçom que haja aprendido a usar sua imaginação espiritual e seja capaz de apreciar a realidade velada pelo símbolo externo (...)” (FIGUEIREDO, 1998, p.231).

Na Maçonaria a maior parte dos símbolos e metáforas que são utilizados, provêm da antiga atividade profissional e corporativa dos pedreiros medievais. Construtores que eram, principalmente de Igrejas, grandiosas Catedrais, sólidos castelos e fortalezas, os pedreiros medievais organizados em uma Corporação, constituíam a Maçonaria Operativa que evoluiu para as Organizações Maçônicas Simbólicas e Especulativas contemporâneas:

Podemos, com base no trabalho desenvolvido pelos pedreiros medievais, concluir que existiam três diferentes grupos de instrumentos operativos. Cada um destes instrumentos estava ligado a uma das fases da construção. Cada fase exigia do construtor um nível diferente de conhecimento para a sua execução e finalização:

· A medição ou especificação do tamanho e do formato das pedras;
· O desbaste, adequação das formas e o polimento para dar o acabamento adequado às pedras;
· A aplicação e o assentamento das pedras na construção.

Estes conjuntos de instrumentos necessários a execução de cada etapa da obra., indicam na Ordem Maçônica, simbolicamente os diversos Graus que nela existem. Cada Grau, representa dentro da organização de cada Rito Maçônico, todo um conjunto de conhecimentos que são considerados necessários ao aperfeiçoamento e ao crescimento moral e ético dos Maçons.

Uma das muitas certezas que a vida em sociedade e a evolução do conhecimento humano nos deram, foi a de que nem todos os homens assimilam de maneira semelhante as mensagens da Simbologia Maçônica. Como se coloca em alguns rituais: devemos pensar mais do que falamos. A reflexão e a conseqüente meditação são essenciais a compreensão da linguagem maçônica. O avanço pelos diversos graus, portanto não deve ser considerado pelo tempo que esta sendo empregado, não devem ser conduzidos pela pressa. o que deve ser levado em conta é o esforço individual e o desprendimento pessoal de cada Maçom, conforme o seu potencial e capacidades para poder galgar com segurança e sabedoria os degraus da Escada de Jacó.

A linguagem simbólica ou metafórica é característica das sociedades iniciáticas, pois exige-se do interprete dos símbolos, na maioria das vezes um conhecimento que somente será possível existir, se este já for um iniciado naqueles mistérios, cujos símbolos se pretende analisar. Este contato possibilita uma maior familiaridade e um convívio mais profundo e significativo. E este é, ao nosso ver o caso da Maçonaria.

“Herdeira espiritual das Sociedades Inciáticas da Antigüidade, a Maçonaria perpetua o tradicional método iniciático no ensino de suas doutrinas. Por este sistema que se funda no simbolismo, isto é, na interpretação intuitiva dos símbolos, o ensino maçônico torna-se muito pessoal e praticamente autodidático. É, com efeito, como tão bem explicou o eminente escritor maçom J. Cornelup: ‘ O próprio de um símbolo é de poder ser entendido de várias maneiras, segundo o ângulo sob o qual ele é considerado’, de modo que ‘um símbolo admitindo apenas uma única interpretação não será verdadeiro símbolo’ (...)”. (ASLAN, 2000, p.5).

Procuramos considerar neste trabalho, que a Maçonaria seja acima de tudo e antes de qualquer outra consideração a seu respeito, apresentada como uma sociedade iniciática. O indivíduo, que é denominado simplesmente de profano, somente consegue adentrar a Maçonaria através de um cerimonial próprio de iniciação. A cerimônia de Iniciação, somente encontra paralelos quando é comparada a um “Rito de Passagem”, evento comum a muitas culturas e mesmo civilizações ao longo da história.

“(...) os ritos de passagem se associam às grandes mudanças na condição do indivíduo. As principais transições marcadas por estes ritos são o nascimento, a entrada na vida adulta, o casamento e a morte.

Tais ritos costumam simbolizar uma Iniciação. O nascimento é a iniciação na vida, enquanto a morte é a iniciação em uma nova condição no reino dos mortos, ou na vida eterna.

De uma forma ou de outra, todas as sociedades tem ritos de passagem, mesmo aquelas em que a religião não desempenha nenhum papel na vida pública. Em geral, é grande a importância deles nas culturas agrárias, nas religiões primais. Nestas, os ritos de passagem estão claramente ligados às noções de tabu. Tabu é uma palavra polinésia adotada pelos historiadores da religião para indicar uma severa proibição, restrição ou exclusão, e se aplica a algo que é considerado perigoso ou impuro (...)” (HELLERN, 2000. p.28)

Partindo deste pressuposto, podemos colocar que a ocasião representada pela Iniciação Maçônica, pode ser concebida como um novo nascimento, ou ainda mais claramente, trata-se de um nascimento maçônico, onde o neófito é submetido a diversas provas ritualísticas, que irão demonstrar a sua coragem, força de espírito e determinação em adentrar a ordem:

“(...) O iniciado é, pois, um homem que se libertou de paixões, de constrangimentos e de superstições, pode avançar no desconhecido, nas trevas da ignorância, apoiado no conhecimento que ganhou sobre si próprio e sobre a Natureza, e depois partilhar com outros este estádio de elevação da sua consciência.

O iniciado é, pois, alguém que atingiu a Luz, a compreensão de si, dos outros e da Natureza, e assim goza com discrição do saber e o poder adquiridos, antecipa o futuro, trabalha o presente, e recorda-se do passado. O verdadeiro iniciado não se abate, não desiste, não se rende aos homens sem espiritualidade (...) A iniciação maçônica é típica das sociedades secretas, em especial das corporações de mesteres da idade média (...)” (CARVALHO, 2002, passim)

SIMBOLOGIA:

Os símbolos aliados às metáforas e a prática da analogia sempre foram utilizadas na transmissão de informações e mensagens, principalmente aquelas que são consideradas religiosas ou até mesmo esotéricas. Assim foi com o cristianismo ao longo de sua evolução, e também com a imensa maioria das religiões que existem na atualidade ou que já existiram. Uma cerimônia religiosa ou ritual é um exemplo prático da riqueza representada pelos símbolos, bem como da sua utilização, assunto a que fazemos referência neste trabalho.

“(...) A cerimônia religiosa desempenha um papel importante em todas as religiões (...) invoca-se ou louva-se um deus ou vários deuses, ou ainda manifesta-se gratidão a ele ou a eles. Tais cerimônias religiosas, ou ritos, tendem a seguir um padrão bem distinto, ou ritual (...)” (HELLERN, op. cit., p. 25).

Ao analisarmos o conjunto das cerimônias pertencentes e próprias de uma religião, qualquer que seja ela, conhecido também como culto ou liturgia, encontraremos aí o maior número das representações simbólicas desta mesma religião:

“(...) A palavra culto (do verbo latino colere ‘cultivar’) é empregada em geral para significar ‘adoração’, mas na ciência das religiões é um termo coletivo que designa todas as formas de rito religioso (...)” (Idem).

O objetivo do culto é procurar promover ou mesmo estabelecer um contato efetivo entre o fiel, a pessoa que crê, e o sagrado, o divino, o sobrenatural, enfim um contato com Deus ou ainda com os deuses cultuados. Neste ponto é que reside a sua maior representação simbólica. A prática dos cultos costuma ser efetivada em locais que também são considerados dotados e revestidos por um profundo valor simbólico, como os templos, as mesquitas, as igrejas e as sinagogas. Procurar explicitar e analisar as causas do surgimento das religiões e do misticismo entre os homens, neste trabalho, seria uma realização com certeza de extrema importância e utilidade. Porém, acabaríamos por certo fugindo ao objetivo central e principal deste trabalho que se apresenta como sendo o de procurar estudar e entender a forma de utilização e também a utilidade dos símbolos e da linguagem simbólica.

Cabe-nos também aqui procurar destacar que a Ordem Maçônica, ou simplesmente Maçonaria, não é todavia e muito menos pode vir a ser encarada como uma religião. Nem mesmo pode ser considerada um sociedade dogmática. A Maçonaria, porém, utiliza-se em seus diversos rituais e em sua simbologia própria, influência de muitas outras religiões e seitas que existiram ou ainda existem no mundo. Esse aspecto em particular da Ordem Maçônica, já foi também afirmado por José Castellani em diversas oportunidades:

" (...) Embora a Maçonaria não seja uma religião e nem seja uma ordem mística, ela utiliza, em seus rituais, na sua simbologia e na sua estrutura filosófica e doutrinária, os padrões místicos de diversas seitas, associações e civilizações antigas, principalmente os relativos às religiões e às ordens iniciáticas de cunho religioso daqueles povos que representaram o alvorecer das civilizações e que representam o alvorecer das civilizações e que concentravam, desde o século V a. C., em torno dos rios Tigre e Eufrates e do Mar Mediterrâneo. (...) [A Maçonaria] nascida em sua forma moderna, nas asas das aspirações liberais e libertárias dos povos subjugados pelo poder real absoluto e pelos privilégios do clero, ela, também, é liberal e libertária, evolutiva e adaptável às épocas, racional e democrática. Para armar todavia, a sua doutrina moral, ela buscou o simbolismo nascido da mística de civilizações perdidas na noite dos tempos; e o simbolismo, fonte de espiritualidade oculta, será, sempre, por mais que a cibernética e a materialidade dominem o mundo, uma LUZ no caminho da humanidade (...)” (CASTELLANI: 1996. p.92)

CONDIÇÕES PARA O ENTENDIMENTO DOS SÍMBOLOS:

Sobre a interpretação e o correto entendimento dos símbolos, bem como dos próprios ritos ou rituais, quer sejam eles religiosos ou mesmo filosóficos, Fernando Pessoa teceu algumas poucas, mas mesmo assim muito importantes considerações. Cabe, no entanto ressaltar, antes de qualquer outra consideração, que Fernando Pessoa é um dos mais importantes escritores da língua portuguesa de todo o século XX. Segundo ele próprio, que por diversas vezes claramente destacou, nunca pertenceu a Maçonaria, apesar de nutrir por esta instituição um profundo respeito, consideração e apreço. Em um artigo jornalístico, intitulado “Associações Secretas: Análise Serena e Minuciosa a Um Projeto de Lei Apresentado ao Parlamento”, e publicado no Diário de Lisboa no início do ano de 1935, Fernando Pessoa faz uma defesa e uma apologia muito bem fundamentada da Maçonaria e dos direitos do homem. Porém ele procura enfatizar de maneira bastante clara a sua condição de não maçom, destacando as dificuldades advindas de tal condição. Ele destaca as barreiras e limitações naturais que são encontradas por aqueles que não pertencem à Ordem Maçônica, para pesquisar sobre os seus conteúdos e os seus muitos mistérios:

“(...) Não sou maçom, nem pertenço a qualquer outra Ordem semelhante ou diferente. Não sou, porém, anti-maçom, pois o que sei do assunto me leva a ter uma idéia absolutamente favorável da Ordem Maçônica (...) assunto muito belo, mas muito difícil, sobretudo para quem o estuda de fora (...)” (PESSOA, 1935, passim).

Fernando Pessoa, em uma nota preliminar ao seu livro “Mensagem”, disponibilizado no site da Loja São Paulo nº 43 (http://www.lojasaopaulo43.com.br/referencias.php), nos coloca aquelas que seriam consideradas como as cinco condições básicas ou qualidades necessárias para a mais perfeita interpretação e compreensão dos símbolos:

“O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles. (PESSOA: 2003, passim)

Estas cinco condições ou qualidades fundamentais ao entendimento dos símbolos e da linguagem simbólica e que são expostas, listadas e qualificadas por Fernando Pessoa, seriam as seguintes:

· Simpatia;
· Intuição;
· Inteligência;
· Compreensão;
· Graça ou Revelação.

SIMPATIA:

A primeira destas condições que nos são apresentadas e exaustivamente explicitadas por Fernando Pessoa, trata-se da Simpatia:

“(...) A primeira é a simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar. (...)” (PESSOA: 2003, passim)

Em primeiro lugar, por simpatia, devemos entender e procurar compreender a afinidade e a atração natural que sentimos pelo símbolo que nos é apresentado. Parece-nos óbvio que somente um símbolo que promova uma atração para o interprete e que lhe pareça simpático, poderá transmitir alguma mensagem que lhe sirva como um ensinamento. Como uma das muitas provas desta colocação, apresentamos o caso que é representado pela “Cruz Suástica”, que foi usada como um símbolo, dístico e emblema pela Alemanha Nazista, hoje a suástica nos representa apenas o ódio e a intolerância racial. Tornou-se um símbolo emblemático e odioso do totalitarismo e da opressão, mesmo que alguns estudiosos e escritores tentem destacar o seu original ou inicial significado simbólico de progresso. Causa-nos estranheza o fato de que alguns escritores mesmo aqueles que são maçons, tenham tentado constantemente, mesmo que de maneira inconsciente reabilitar a suástica.

Dentro ainda da análise deste conceito de simpatia e em relação a Ordem Maçônica, podemos, como um exemplo simples, rapidamente analisar o significado do Esquadro e do Compasso justapostos e aquilo que a nós representam. Apenas não iremos no entanto procurar considerar ou nos aprofundarmos muito na análise dos significados que representam cada um destes instrumentos operativos de maneira distinta.

Para qualquer maçom e até mesmo para aqueles que da Maçonaria não façam parte, mas que assim mesmo possuam sobre ela algum parco conhecimento, o Esquadro e o Compasso quando justapostos ou entrelaçados passam a significar e acabam por representar praticamente a própria Instituição da Maçonaria:

“(...) O símbolo da Maçonaria remete aos instrumentos dos trabalhadores que, na Idade Média dominavam as técnicas de construção em pedra: O COMPASSO, que desenha círculos perfeitos, representa a busca da perfeição pelo homem; A letra G, no centro de tudo, vem de GOD, ‘Deus’ em inglês. Para os maçons, é Ele o Grande Arquiteto do Universo; O ESQUADRO, que forma ângulos retos, lembra que o homem deve levar uma vida igualmente reta: ética e Honesta (...)” (SUPERINTERESSANTE, 2001, p.39)

Não existe, portanto um símbolo que se apresente de uma maneira mais simpática aos maçons e também não existe um que seja também, tão mais representativo da Ordem Maçônica do que este representado pelo Esquadro e pelo Compasso quando se encontram entrelaçados. O símbolo que é formado por esta imagem, representa a medida justa que deve ser característica de todas as ações dos maçons e dos seus corpos regulares, lembra-os que não podem se afastar da justiça e da retidão determinados pelos seus profundos princípios:

“(...) Quando entrelaçam-se o Esquadro e o Compasso, formamos o mais significativo Emblema da Maçonaria de todos os tempos. Os chineses, muitos séculos antes de Cristo, já usavam esse símbolo, sugerindo ordem, regularidade e propriedade.

De todos os símbolos dos Painéis primitivos e dos atuais, o mais forte, o mais consciente, ainda é o Esquadro e o Compasso entrelaçados. Cada um desses símbolos possui vida própria, inclusive com vida anterior ao advento da Maçonaria que nós conhecemos como Operativa. Todavia unidos, formando um terceiro símbolo, um poderoso Emblema que embora tenha tido vida anterior à Maçonaria, tornou-se um símbolo maçônico por excelência em todos os Ritos. (...) (KAPFENBERGER FILHO, 2001, p. 7-8)

Devemos também ter a consciência de que o significado que procuramos enxergar e encontrar em um símbolo, enquanto maçons, é justamente e necessariamente o seu sentido e representações maçônicos. Procuramos encontrar e enxergar e absorver a sua mensagem e significados éticos e morais, absorvendo aquilo que não for possível e claramente perceptível dos seus ensinamentos.

INTUIÇÃO:

Dando continuidade e seqüência às colocações e ao pensamento que foi exposto por Fernando Pessoa, analisaremos desta feita, aquela que é colocada como a segunda das condições ou qualidades necessárias para a interpretação e para um perfeito entendimento e compreensão dos símbolos:

“(...) A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja. (...)” (PESSOA, 2003, passim)

Podemos compreender por intuição a ocorrência da percepção clara das verdades, sem que, no entanto seja perceptível a intermediação e a utilização do raciocínio. A intuição seria como que a primeira impressão, mais do que um palpite ou impressão, ela se apresenta como sendo uma certeza inconsciente, a imagem que nos marca em definitivo e a representação que nos é causada por um símbolo. Esta impressão é primeiro formada pela simpatia que nos é despertada por este símbolo.

“A Intuição da forma como é vista pela filosofia, torna-se um dos sentidos mais importantes dentro do Estudo Maçônico, principalmente na interpretação dos símbolos(...)

O método discursivo, para a investigação e o conhecimento do objeto em estudo, adota uma metodologia indireta, analisando-o sob vários aspectos, aprimora sua tese até atingir por completo o conceito do objeto. Há uma relação direta entre o objeto analisado e o indivíduo que o analisa.

Note-se ai que a intuição é primordial entre nosso pensamento e o objeto pensado. Sem a intuição não teríamos idéias novas, não haveria evolução.” (CAMPANHA, op. cit., p.38)

INTELIGÊNCIA:

A terceira das condições ou qualidades para se obtenha a perfeita compreensão e o entendimento dos símbolos, apresentada por Fernando Pessoa, trata-se, pois, da inteligência. Compreendida como uma condição ou qualidade que atua conjuntamente e correlacionando-se de maneira análoga com as demais condições anteriormente citadas, a inteligência se apresenta como um fator considerado fundamental e essencial para a compreensão dos símbolos, das metáforas e das analogias que nos são colocadas constantemente dentro dos ensinamentos maçônicos:

“A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; (...) Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado. (...)” (PESSOA, 2003, passim)

Cabe-nos ressaltar, porém, que a inteligência atua de uma maneira paralela a razão, sendo que com esta chega a ser confundida. Sabemos da importância que é atribuída a razão[8] pelos maçons, pois dentro da Ordem Maçônica, a razão deve acabar por se sobrepor ao misticismo.

Cabe destacar novamente a inter-relação que é apontada por Fernando Pessoa, colocando que uma condição ou qualidade interpretativa, no tocante aos símbolos, nada vale e nada representa se não atuar em conjunto com a outra. A simpatia é um sentimento importante para despertar o interesse e por lançar nossos olhares sobre o símbolo, a intuição nos faz ver além da imagem representada pelo símbolo, nos fazendo buscar seus mais profundos significados e fazendo-o revelar a sua mensagem oculta. Por fim, a inteligência nos faz relacionar todos estes significados e mensagens com os outros que já foram, em momentos anteriores decodificados e assimilados. A inteligência sintetiza as informações recebidas, procurando compreende-las de uma maneira que seja profunda e integral.

COMPREENSÃO:

É a qualidade representada pela inteligência que nos encaminha para a compreensão que é a quarta condição ou qualidade necessária para a interpretação dos símbolos e a assimilação da linguagem simbólica. A compreensão pode ser também considerada como o entendimento completo, praticamente a perfeita e a total absorção e a fixação da mensagem e os significados que nos são transmitidos pelo símbolo:

“(...)A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes. (...)”(Idem, op. cit.)

Ao decodificar e compreender a mensagem transmitida pelo símbolo, o interprete deve sintetizá-la e passar a procurar nela o seu íntimo e pessoal significado e representação.

GRAÇA OU REVELAÇÃO:

Por fim Fernando Pessoa nos coloca a quinta que é também a ultima das qualidades ou condições fundamentais para o entendimento e a interpretação dos símbolos. Condição ou qualidade esta que, em sua opinião, é a que possui uma maior e mais profunda dificuldade para a sua definição e a sua completa compreensão. A Graça, que é esta quinta condição, acaba possuindo uma das mais dispersas possibilidades concretas de entendimento e assimilação imediata:

“(...) Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo (...)”(Idem, op. cit.)

Nos parece bastante claro que Fernando Pessoa ao realizar a sua explanação sobre esta quinta qualidade ou condição, nos coloca frente a frente com uma possibilidade, que ele considera bastante profunda da intervenção de um poder superior que poderia ser considerado, conforme as suas palavras como que divino. Uma intervenção de poderes sobrenaturais que atuando na capacidade de compreensão acabariam dando um clareamento das idéias. A ação desta “Luz” divina sobre a compreensão dos significados das mensagens, a representação e o ensinamento dos símbolos para aqueles que seriam os seus interpretes. Pode ser que neste momento ocorra aquilo a que muitos denominam simplesmente de “insight”. Esta intervenção ou atuação do “Superior Incógnito”, do “Ser Supremo”, do “Grande Arquiteto do Universo”, enfim, a intervenção de Deus ou dos deuses, poderia e pode ser simplesmente chamada de Revelação.

De nada adiantaria ao ser humano possuir a simpatia por um símbolo, conseguir adquirir capacidades para enxergar através deste. Conseguir ver além das suas formas e dos seus contornos, com o uso da intuição. Possuir a inteligência necessária para analisá-lo, a capacidade exigida e necessária para compreendê-lo e as habilidades para sintetizar os seus conteúdos, de nada adiantaria todos esses dons e qualidades se não lhe for revelado pelo Grande Arquiteto do Universo um íntimo e pessoal significado para este símbolo.

Um exemplo prático que poderíamos usar para ilustrar de maneira mais clara e objetiva esta quinta condição ou qualidade, seria o significado atribuído à Estrela de Davi para os judeus, e aquele atribuído à Cruz para os cristãos. Estes símbolos revelam significados religiosos e íntimos que transcendem a simples compreensão humana, que não poderiam jamais ser traçados em papel ou outro material que fosse. O sentimento sagrado, esotérico, pessoal e intimo que estes símbolos transmitem aos fiéis destas religiões não podem ser simplesmente dissecados e compreendidos pela razão humana. São sentimentos que teriam sido colocados por Deus diretamente no coração e na alma de cada ser humano.

Sem a atuação e a manifestação desse Dom divino jamais se compreenderia o significado de um símbolo com toda a magnitude esotérica e mística que ele poderia representar. Portanto, o seu significado seria incompleto.

CONCLUSÕES:

A Ordem Maçônica, atuando como uma autêntica escola provedora dos mais profundos ensinamentos éticos e morais, necessita como nenhuma outra instituição procurar continuadamente afirmar, reafirmar e principalmente procurar repassar os seus diversos princípios aos seus membros e também à sociedade em que ela se insere. Devido as suas origens corporativas, desde os mais remotos tempos, a Maçonaria procurou sempre traçar paralelos e estabelecer analogias entre os seus princípios morais e ensinamentos éticos, utilizando-se como base os instrumentos laborais dos pedreiros medievais.

“(...) Embora não haja documentação que o comprove, deve-se admitir que os Maçons Operativos, os franco-maçons, usavam seus instrumentos de trabalho como símbolos de sua profissão, pois caso contrário não se teria esse simbolismo na Maçonaria Moderna. A existência desse simbolismo é a mais evidente demonstração de que houve na Inglaterra, contatos diretos entre os Maçons Modernos e os franco-maçons profissionais, e demorados o suficiente para que essa transmissão se consolidasse (...).” (PETERS, 2003, passim)

Ambrósio Peters nos coloca ainda aqueles que seriam considerados os símbolos principais e essenciais a existência da atual Maçonaria Especulativa (Simbólica). Cabe destacar também que são destes símbolos que os Maçons metaforicamente retiram os princípios básicos e os seus principais ensinamentos éticos e morais:

“(...) O trabalho dos franco-maçons, limitava-se aos canteiros de obras e à construção em si. Os instrumentos que eles usavam eram o esquadro, o compasso e a régua para determinar a forma exata das pedras a serem lavradas, o maço e o cinzel, para dar-lhes a forma adequada, e o nível e o prumo, para assentá-las com perfeição nos lugares previstos na estrutura da obra. Eram, portanto três diferentes grupos de instrumentos, cada qual representando uma etapa da obra, a saber: a medição ou a determinação do formato das pedras, o desbastamento das pedras para dar-lhes a forma adequada e finalmente a aplicação das peças lavradas na construção do edifício.

Cada trabalhador tinha para sua tarefa, instrumentos apropriados que indicavam a especialidade de cada um. Os Mestres mediam e transmitiam suas instruções aos aprendizes, estes executavam as instruções dos Mestres, e os Companheiros aplicavam os trabalhos dos aprendizes na estrutura da obra (...)” (Idem)

Possivelmente a linguagem simbólica utilizada pela Maçonaria, na atualidade somente encontre paralelos significativos, se comparada, com aquela que é utilizada ainda nos dias de hoje pela Igreja Católica. A igreja Católica que talvez seja ainda a única outra instituição que na atualidade ainda faça uso de símbolos e metáforas para poder ministrar os seus ensinamentos, conforme nos foi afirmado por Nicola Aslan (ASLAN, 2000, p.5).

Como já colocamos neste trabalho, o significado de um símbolo, é íntimo e pessoal para cada pessoa ou interprete. A interpretação dos símbolos depende da formação de cada pessoa ou ainda da maneira como estas qualidades que aqui procuramos retratar, se manifestam em cada um individualmente. Tais afirmações encontram respaldo nas afirmações de Luís Roberto Campanha, quando fez referência ao chileno Moisés Mussa Battal:

“(...) As escolas filosóficas caracterizam-se por serem criadas por um mentor intelectual, possuem um sistema ideológico, verifica-se nela certa uniformidade de pensamento e ação, desenvolvem seu trabalho em torno do ser, do conhecer e do valer, atuam nas áreas da metafísica e da ciência, assumem aspectos esotéricos e exotéricos.

A Escola Maçônica difere em alguns aspectos das escolas filosóficas, pois não foi fundada por um pensador, seu sistema ideológico não é fixo, se adapta às evoluções do mundo e da cultura, sua doutrina e prática não são ortodoxas, pois o Símbolo permite uma interpretação ampla e variada, fundamenta suas preocupações nos problemas do ser, do saber e do valer, não exige obediência cega a ela dando a todos a liberdade de pensamento.

A Maçonaria, mais que uma escola filosófica, é uma escola que permite o livre exame, a crítica, a dúvida metódica, a aceitação de postulados, ainda que superficiais, no intúito de melhorar a condição humana, individual e coletiva (...)” (CAMPANHA, op. cit., p.34-35).

Porém, Theobaldo Varoli Filho, em seu livro “Simbologia e Simbolismo da Maçonaria”, da Editora A Trolha, nos coloca algumas posições contrárias e contraditórias às afirmações de Luís Roberto Campanha. O principal ponto seria a questão da liberdade de opinião como recurso para a livre interpretação dos Símbolos Maçônicos.

Theobaldo Varoli Filho, nos coloca que dentro da Maçonaria, devemos ao interpretar um Símbolo Maçônico, sempre procurar analisá-lo justamente do ponto de vista maçônico. A Maçonaria nos coloca algumas tradições, princípios e significados gerais que devem ser sempre respeitados, caso contrario desvirtuaríamos os objetivos da Sublime Ordem:

“(...) A Loja Maçônica não é lugar de psicanálise, onde cada um interpreta os Símbolos como lhe aprouver. Esta é a resposta que damos aos que afirmam que os Símbolos Maçônicos são livremente interpretados subjetivamente e livremente, isto é, licenciosamente (...) É importante assinalar que o Símbolo Maçônico é sempre ideológico e não simplesmente ideográfico.

O símbolo Maçônico se distingue por sua universalidade e como expressão de idéias pacificamente aceitas pela humanidade civilizada. Por conseguinte, o maçom não deve ‘particularizar’ o Símbolo a seu gosto. Todo Símbolo Maçônico é de comunicação nos âmbitos da Sublime Instituição, ainda que, por motivos históricos, não seja originário da Maçonaria, mas de tradições morais profanas. Assim o Maçom licencioso prejudica a comunicação iniciatória universal. É Obreiro pernicioso e vaidoso, ainda que invoque a liberdade de opinião a seu favor, a sua falsa maneira de defender-se e de impor as suas inventivas pessoais.

Ainda, todo Símbolo Maçônico requer interpretação coerente, lógica, e inspiradora de lições morais.

Roberto Bondarik
(http://www.pedreiroslivres.com.br/?area=artigos/p1/03)

Ao longo do tempo, os maçons são conhecidos pela utilização de símbolos capazes de estabelecer a reafirmação de vários princípios que fortalecem os valores de seus praticantes. Para muitos, essa simbologia deveria ser a chave fundamental de um misterioso conjunto de mensagens que acobertaria uma faceta obscura desta sociedade. Contudo, essa postura de desconfiança e conspiração está bastante afastada do lugar que os símbolos ocupam no universo maçom.

Uma significativa parcela dos símbolos maçônicos é figurada por instrumentos empregados na construção civil. O sentido maior da construção reforça junto ao maçom a necessidade constante de aprimoramento moral, intelectual e espiritual. Não por acaso, o processo evolutivo do maçom está dividido em vários graus que são relacionados a um conjunto específico de símbolos. Dessa maneira, qual o significado de cada conjunto de símbolos presente em um determinado grau específico da Maçonaria?

Ao contrário do que se supõe, os símbolos não teriam uma função ritualística ou comportariam algum tipo de habilidade mágica. De fato, você nunca terá a oportunidade de ver um maçom prestando homenagens ou se curvando mediante os símbolos. Os símbolos possuem a função de um texto que fora construído pelo próprio participante da Maçonaria. Com isso, o universo simbólico maçom emite uma mensagem que se entrelaça com o processo de reflexão e aprendizagem particular de cada seguidor.

Um dos mais importantes símbolos da Maçonaria é o triângulo que carrega um olho em seu centro. Ele faz referência ao Grande Arquiteto do Universo, aquele ser de natureza onisciente que tudo vê e tudo julga. Oriundo da antiga arte egípcia, esse símbolo está fortemente vinculado ao todo poderoso princípio criativo que organiza o Universo. Dessa forma, é errado acreditar que a Maçonaria se alia a uma perspectiva deísta do mundo, pois os ateus e agnósticos também podem integrar tal irmandade.

Outro significativo símbolo da Maçonaria é a associação entre o esquadro e o compasso, surgido no século XVIII. O esquadro pode fazer referência ao quadrado, ao número quatro ou à própria terra. Já o compasso faz referência à imensidão dos céus, ao princípio de unidade e ao círculo. Unidos, esquadro e compasso empregam a função de salientar a importância da associação indispensável e fundamental entre o mundo espiritual e o mundo material.

A trolha estabelece a representação de um importante princípio para os maçônicos. Na construção, essa ferramenta desempenha o discreto, mas significativo papel de aplicar a argamassa que promove a junção entre as pedras. Lançada ao campo moral, essa ferramenta salienta a necessidade de amor e tolerância entre aqueles que estão unidos pelos fundamentos da Maçonaria. Na medida em que “perdem” a sua forma de pedra bruta (outro símbolo maçom), os congregados buscam a perfeição entre seus convivas.

De fato, existem tantos outros símbolos que são empregados entre os maçons. Ao longo do conhecimento e da experiência na Maçonaria, estes símbolos passam a extrapolar a dimensão fixa de um significado de natureza invariável. Sendo o conhecimento do mundo e o autoconhecimento processos de natureza dinâmica, os símbolos maçons coerentemente assumem este mesmo comportamento.


Por Rainer Sousa - Graduado em História - Equipe Brasil Escola – site http://www.brasilescola.com/curiosidades/a-simbologia-maconica.htm

Hoje nós iremos tratar da Simbologia Universal dos milhares de Símbolos que podem ser encontrados nos diversos Ritos e Rituais da Ordem.

Um símbolo pode ser estudado de várias maneiras, por mais que muitos Maçons ainda insistam que só existe uma forma de fazê-lo – e que, coincidentemente, está sempre ligado a sua forma de enxergar as coisas.

Os Símbolos podem ser entendidos de forma Litúrgica, Antropológica, Mística e etc. No entanto, também não é incomum que cada um defenda sua forma de encarar os símbolos como sendo a “Verdadeira” forma de se entendê-los.

O Ocultista irá dizer que a “Verdadeira Maçonaria” é aquela compreendida pelos preceitos espiritualistas e que é assim porque foi idealizado pelos “Mestres Superiores”.

Aquele que tende a uma visão “antropológica” irá defender que a Maçonaria, com sua influência do movimento Humanista, quer apenas fazer dos Símbolos uma referência do Homem, afirmando que é o que realmente importa, a nível de conhecimento.

Já o Litúrgico irá buscar a causa do porque o Símbolo (ou “procedimento ritualístico”) foi parar na Ordem – e seu conhecimento será mais profundo nas causas e movimentos históricos, que tiveram consequências dentro da Ordem, do que, nos Símbolos em si.

Mas ainda fica a pergunta: Deve-se, ou não, limitar a interpretação de um Símbolo apenas à forma como ele foi inserido na Ordem?

O Conhecimento
Essa é uma opinião particular, mas a verdade é que ninguém poderá dizer que não se pode interpretar os Símbolos da Ordem, afinal, um Símbolo não perde a sua história nem a significação que ele teve, ao longo dos tempos.

Vejamos a seguinte situação:

Imagine que um determinado Símbolo tenha sido retirado de uma Ordem da Idade Média, como a Ordem dos Cavaleiros Templários (e realmente isso acontece em muitos graus). Digamos que o membro resolva apresentar a história do Símbolo, insistindo que este vem do Antigo Egito – e dê a respectiva explicação acerca do mesmo. E, digamos também, que apareça um outro Irmão para dizer que o Símbolo não tem relação com o Antigo Egito, porque o Símbolo está ali pela referência aos Cavaleiros Templários.

Ele está certo ou não?

Sim, ele está certo, mas isso não inviabiliza a história do Símbolo. Tentar impedir isso acaba criando barreiras para o conhecimento dos demais Irmãos que não se interessam muito pela Literatura Maçônica e acabam criando a ideia de que só existe uma única forma de entender todos esses Símbolos.

Claro que é importante sabermos qual é a referência direta dos Símbolos. Os “Graus Simbólicos”, por exemplo, tem quase todas as suas referências ligadas aos Maçons Operativos e o fato desses Símbolos serem mais referenciados com outros significados, do que o significado Operativo, faz com que muitos acabem não conhecendo a história de como aquele símbolo foi parar na Ordem – e o significado “Operativo” acaba ficando prejudicado.

Todavia, a solução para isso não é impedir que todo o conhecimento, acerca do Símbolo, seja anulado. A Solução é propagar a importância de se conhecer a origem do símbolo, na Ordem. Dessa forma, haverá mais conhecimento para todos.

Impedir que isso aconteça, na minha opinião, não acrescenta nada a ninguém.

(Voltando ao exemplo lá de cima) Não se pode dizer apenas que o Símbolo “X” é um Símbolo Templário e dizer que aquele símbolo não tem origem no Egito Antigo – porque, além do fato de ter existido no Egito (no caso de ter existido mesmo, obviamente), existe a possibilidade dos Cavaleiros Templários terem retirado esse Símbolo de outro grupo, ou civilização, e estes podem sim tê-lo retirado do Egito Antigo – e, se isso não for pontuado, todos os Irmãos perdem a oportunidade de ter esse grande aprendizado.

Eu entendo que aqueles que propagam uma defesa estritamente pragmática estão apenas defendendo as origens diretas da Ordem, que muitos ignoram, como se a Maçonaria só tivesse importância se tudo que tem nela tivesse tido origem nas “Antigas Escolas de Mistério”.

Problemas de Critério

Isso tudo faz com que não seja incomum a falta de critérios em uma avaliação simbólica.

[Vamos ilustrar a situação]

O Irmão vai apresentar um trabalho e tem dificuldade em conceituar e pontuar o símbolo. Ele começa:

“E esse símbolo tem ligação com o número 3986457 que vem da multiplicação de uma equação universal ashtariana que, dividida com o 9 da iniciação e levando em conta o seu formato divino, representa o Ser que precisa evoluir segundo os princípios milenares da….”
(Sim, eu exagerei propositalmente no exemplo…)

Daí você termina de ouvir o estudo sem saber porque aquele Símbolo está inserido na Ordem e nem a Origem dele em si – e essas são duas informações essenciais.

Primeiro, obviamente, você precisa saber o que ele representa dentro do contexto. Se for uma Virtude, ótimo, você já sabe para que serve. Mas também é importante saber em que contexto ele foi parar ali e, indo mais além, a história dele.

Não fosse essa falta de critérios, a Ordem teria membros mais preparados e que também poderiam aprender com outras diversas formas de conhecimento distintas. Afinal, se a explicação de um Símbolo acabar citando a Cabala Judaica, por exemplo, poderiamos (e porque não?) aproveitar como incentivo para que os Irmãos viessem a estudar e conhecer um pouco da Cabala em um outro momento mais apropriado.
É por esse prisma que o universo de conhecimentos da Ordem pode ser tão amplo. É pelo fato de termos 

Símbolos diversos e distintos – e Símbolos permitem quase tudo isso.

Não vamos negar o conhecimento, tão importante para o nosso aprimoramento. Que mal pode haver na erudição de um membro acerca da essência profunda dos Símbolos que compõe a sua Ritualística??
Volto a dizer, o problema é PONTUAR tudo isso da forma mais correta possível e não anular os conhecimentos adicionais. Pense nisso antes de criticar um Irmão dizendo que a informação dele está errada.
Defenda que esse conhecimento deve ser pontuado e justificado. Critique apenas se REALMENTE a referência estiver errada. Afinal, se ele diz que o Símbolo era utilizado pelos Pitagóricos, mas isso não é verdade, então sim, alguém precisa atentar-se para isso e corrigir.

Conhecimento Simbólico Através dos Ritos

Da mesma forma, pode-se aplicar esses preceitos ao Simbolismo de vários outros Ritos, como aqueles que não são aplicados no Brasil. E não estou dizendo para que eles sejam realizados. Estou dizendo apenas para que eles sejam conhecidos e estudados, na medida do possível.

Já existiram Ritos na Ordem de questões que quase ninguém imagina. Por exemplo, existe um Rito que fala sobre Quetzalcoalt, que foi um dos Deuses da Mitologia Maia.

Perceba que, se esse Rito fosse levado para a Loja, com a finalidade de Estudo, o Maçon conseguiria aprender sobre “quem foram os Maias”, aproveitar pra falar da sua Cultura, do seu Estilo de Vida, suas Crenças e Práticas Religiosas, enfim.

Você percebe o quanto se pode aprender com tudo isso? É válido alguém tentar impedir que se aprenda tudo isso, sobre a ótica de que “esse Rito apenas foi feito porque foram descoberto as primeiras evidências sobre a existência da civilização Maia, na Europa, naquela época?”

Não, não é. O conhecimento é importante e melhor ainda quando todos podem aprender com isso dentro de uma Ordem como a Maçonaria.

Bem, imagino que essa questão já tenha ficado clara.

Da mesma forma que a “Filosofia da Virtude” é a Essência da Ordem, o “Simbolismo Universal” é a Ferramenta de Conhecimento, que nos permite explorar novas ideias – que irão nos ajudar em nosso árduo trabalho que é polir a nossa “pedra bruta”.

Fonte: https://liberdadeeamorcassia.mvu.com.br

quarta-feira, 21 de junho de 2023

ESTAR EM PÉ SEM ESTAR À ORDEM

Em 21/03/2023 o Respeitável Irmão Édson dos Santos, Loja Regeneração Sul Bahiana, 994 e Sabedoria, Equilíbrio e Poder, 4404, REAA, GOB-BA, Oriente de Ilhéus, Estado da Bahia, apresenta a dúvida seguinte:

POSTURA DO CORPO

Na abertura dos trabalhos, qual a postura do irmão, no REAA, quando o Venerável diz: Em pé meus irmãos. O irmão fica na posição de sentidos ou sinal de obediência? Ou tanto faz? Já que a Loja ainda está fechada?

CONSIDERAÇÕES:

Inicialmente é oportuno se considerar que Sinal de Obediência não existe REAA, sendo, portanto, prática de outro Rito.

Assim, na ocasião em que a Loja estiver em processo de abertura, os Irmãos, conforme preconiza o ritual, ficam em pé naturalmente, ou seja, com os braços caídos verticalmente ao longo do corpo.

No caso, todos ficarão à Ord∴ a partir do momento em que o Livro da Lei for aberto na forma de costume.

Vale lembrar que ficar à Ord∴ é se manter em pé com o corpo ereto e os pp∴uu∴ pelos cc∴ em esq∴ compondo o Sin∴ de Ord∴ do grau.

Ficar em pé naturalmente e sem Sin∴, também não é posição de sentido à moda militar. É simplesmente ficar em pé sem fazer o Sin∴ de Ord∴

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

REFLEXÕES

Deparei-me com um artigo sobre estórias em quadrinhos, chamando-me a atenção uma parte:

A história concentra o foco na constante batalha que os heróis têm para derrotar ameaças de proporções gigantescas e ao mesmo tempo serem confiáveis aos seus protegidos, que muitas vezes temem pela corrupção de seres tão poderosos no comando da defesa da Terra. A Liga da Justiça luta aqui não só para impedir o avanço de uma poderosa ameaça, como também para mostrar à sociedade que, apesar de seus dons extraordinários, cada integrante compartilha de um sentimento comum com a maioria dos humanos, a compaixão e a solidariedade.

Seriamos nós simples maçons passíveis do mesmo sentimento a que afligem aqueles super heróis? Será este mesmo sentimento que levam muitos a temerem um maçom?

Por nossa formação, o caráter maçônico que aflora de dentro de nós, e vamos expondo a cada partícula que por nosso trabalho conseguimos lapidar, desperta em mim um sentimento de responsabilidade, de ser atuante, de ser um catalisador, de ser um formador de opiniões, de ser responsável no combate de muitas injustiças.

Por esta atuação, muitos reconhecem um maçom em nós, outros ficam temerários, pois não sabem de onde vem este sentimento desprovido de interesse com objetivos pessoais, mas sim pela defesa do próximo.

Sinto orgulho, em ter sido localizado como um maçom e convidado a fazer parte de uma loja e poder crescer através da minha lapidação pessoal, onde o menos vale mais, pois a cada lasquinha lapidada, perco um pedaço de mim, mas um pedaço ruim, pois este impedia a visualização de uma parte mais nobre.

Independentemente dos sentimentos que posamos despertar, devemos sim é nos preocupar em sermos bons maçons e compartilharmos nossos sentimentos de compaixão, solidariedade e responsabilidade não com nossos Irmãos, mas com todos que estão em nosso raio de influencia, principalmente em momentos tão vergonhosos, como este pelo qual passa nosso país.

Douglas Ribas Busse
(Grande Loja do Paraná)

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

AS QUALIDADES PARA A INICIAÇÃO

Walter Sarmento de Sá Filho
As qualidades do profano para o ingresso devem levar em conta, as condições morais e a sabedoria, no que diz respeito ao sentimento profundo e altruísta, com relação ao procedimento legitimo de respeito e apreço aos semelhantes.

Em recente evento, na cidade de Campina Grande-PB, ouvíamos falatório de profanos, alusivos a nossa Sublime Ordem, da decadência que atravessava a Instituição, em função do grande número de irmãos iniciados em nossos Augustos Mistérios e, atualmente, se declaravam ex-maçons, e, para confirmarem, era bastante realizarem uma pesquisas com os ex-maçons e indagarem os motivos que os levaram a abandonarem a Ordem Maçonica.

Dentre os motivos alocados afirmaram a falta de cultura dos maçons, a falta de força moral dos que a dirigem, a realidade de que a maçonaria é um simples clube de serviço e entretendimento, além do que a bandeira que defendia na antiguidade, tais como, liberdade, igualdade e fraternidade, está fora de época, ultrapassada, sem serventia para os nossos dias.

Assim, após presenciar tantos disparates e arrogância, filhas legitimas da ignorância, respeitosamente, pedi licença e solicitei a palavra para expressar a verdade sobre o significado da filosofia maçonica, tão tragicamente e covardemente agredida, começando pelos seguintes pontos:

1 - Embora todos os candidatos a iniciação sejam honrados e justos, não perseveram na luta intima de combate aos vícios e as paixões e fogem para continuarem com os vícios e paixões nos seus corações.
2 - A finalidade primeira da Ordem é melhorar os que lá se matricularam em seres humanos mais dignos e honrados, através de boas ações e de estudos edificantes, para poderem contribuírem com futuro melhor para toda a humanidade.
3 - Salvo as excecões, a grande maioria dos que abandonam a Maçonaria o fazem por fraqueza intima, não conseguem suportar a qualidade de vida que lhe é orientada para construir um homem de ideal, humilde, honesto em todos os aspectos, tanto no profissional, no familiar, no cidadão e perante o que seja bom, belo e justo, no mais fiel entendimento de uma estrita moral.
4 - Percebemos que ao saírem da Maçonaria não aprenderam a dominar as más paixões e, consequentemente, não realizaram nenhum progresso na Maçonaria.
5 - Ao ingressarmos buscamos, verdadeiramente, o verdadeiro maçom, olhar para a Luz, para o Alto, para o GADU, ao contrário, em atitude exatamente oposta o incauto se compraz em continuar alimentando o seu orgulho em olhando para baixo, persistindo alimentar os vícios e as paixões que o animalizam.
6 - Todo verdadeiro maçom tem - a língua de boa reputação -, ou seja, apresenta um som espiritual de evolução, cujo proceder identificamos em qual degrau da escada evolutiva nos encontramos, falamos e exemplificamos aquilo que sai da boca em consonância com o nosso coração.
7 - O bem está em alta, sendo o bem a moeda corrente de nossa INSTITUIÇÃO, em hipótese alguma, está decadente. Ao contrário, decadente esta o mal que é de responsabilidade dos macons extirpá-lo da face da Terra, a fim de cumprir o seu o objetivo maior que é o de tornar feliz a humanidade.
8 - Não obstante, serve de alerta para todos nós macons, que, peremptóriamente, inadvertidamente, muitas vezes, nos descuidamos de beber da fonte fecunda de nossa Respeitável Ordem.
9 - Percebe-se que a ignorância anda solta a todo vapor. Prudência e cautela nos compete assumir.

Finalizando, quando Buda foi indagado por um discípulo para que resumisse todos os seus ensinamentos. Depois de pensar um momento, respondeu:

Cessa de praticar o mal;
Aprende a praticar o bem;
Limpa teu coração;
Tal é a religião dos Budas.

Nós somos um só.
A TODOS TFA
Walter Sarmento de Sá Filho

Fonte: http://blogoaprendiz.blogspot.com

terça-feira, 20 de junho de 2023

O OFÍCIO DOS DIÁCONOS NO REAA

Em 21/03/2023 o Irmão Aprendiz Gustavo Goulart, Loja Concórdia, 0368, REAA, GOB-PR, Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, solicita o que segue:

DIÁCONOS NO REAA

Primeiramente, digo que é uma honra poder estar lhe enviando um e-mail para tentar sanar uma dúvida.

Sabe-se que em breve teremos o ERAC no GOB-PR.

O tema escolhido para o nosso trabalho é sobre o trabalho dos Diáconos no grau de Aprendiz.

Porém, estou tendo dificuldades para encontrar literaturas acerca deste tema. Nos poucos livros que encontrei, a abordagem sobre os Diáconos é bem simples.

Na próxima quinta feira participarei de uma sessão de iniciação na Sede do GOB-PR, e soube que lá temos a disposição uma boa biblioteca.

Por este motivo lhe pergunto, poderia me indicar algum(s) livro(s) que seja robusto no que diz respeito aos Diáconos?

Desde logo agradeço e expresso votos de elevada estima e consideração.

COMENTÁRIOS:

A respeito dos Diáconos como oficias que participam dos trabalhos maçônicos, no Brasil não há muita literatura a respeito. Isso se explica porque dos três principais ritos de origem francesa por aqui praticados - REAA, Rito Frances ou Moderno e o Rito Adonhiramita - apenas o REAA utiliza o cargo de 1º e 2º Diáconos no desenvolvimento ritualístico dos seus trabalhos.

Essa característica ocorre graças à influência dos maçons irlandeses da Grande Loja dos "Antigos" de 1751 na Inglaterra que indiretamente acabariam ajudando a construir o primeiro ritual para o simbolismo do REAA em 1804 na França.

No mais, para melhor compreensão do assunto remeto-o a estudar com afinco a história da Maçonaria Inglesa, particularmente sobre a demonstração da nova forma de trabalho ritualístico após a união das duas Grandes Lojas Rivais inglesas que ocorreu em novembro de 1813. Nesse contexto é possível se observar que os Diáconos, antigos oficiais de chão, foram inseridos na liturgia maçônica do ritual inglês pelos maçons irlandeses, então ligados, segundo eles, à forma antiga de trabalho.

Sobre esse assunto, certamente o Irmão irá encontrar apontamentos no Blog do Pedro Juk, hospedado em http://pedro-juk.blogspot.com.br

Ainda posso lhe adiantar que no REAA a única função dos Diáconos na Loja é a de atuar como mensageiros na liturgia da transmissão da Palavra durante a abertura e encerramento dos trabalhos.

Nesse sentido, apesar da dialética de abertura expressa no ritual, eles têm apenas e tão somente essa função na Loja, não estando ali para atuar como ajudantes de ordem do Venerável e dos Vigilantes.

Historicamente, como os velhos oficiais de chão, os Diáconos relembram na Moderna Maçonaria os mensageiros que atuavam nos imensos canteiros de obras da Maçonaria Operativa. Essa é uma longa história e não pode ser confundida com Diáconos levando bilhetes, recados e outros expedientes nos atuais trabalhos da Loja na Moderna Maçonaria.

Entenda-se que no REAA o ajudante de ordens do Venerável Mestre é apenas o Mestre de Cerimônias, cabendo somente a ele levar expediente e mensagens durante os trabalhos, nunca os Diáconos, pois como visto, esses se fazem presentes no REAA só para atuar na liturgia da transmissão da Palavra.

No meu Blog, com paciência o irmão encontrará explicação para muitos desses procedimentos.

Quanto à biblioteca, recomendo consultar o Irmão Hamilton Sampaio Jr no GOB-PR.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br