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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 25 de julho de 2023

SUBSTITUIÇÃO DO VIGILANTE PELO EXPERTO

(republicação)
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Marcos André Malta Dantas, sem declinar o nome da Loja, Grande Loja do Espírito Santo, Oriente de Vitória, Estado do Espírito Santo. 
clinicadador@bol.com.br 

Tenho uma duvida recorrente. Sabemos que quando o Segundo Vigilante falta o Irmão Experto é que ocupa seu lugar, mas quando o Irmão Primeiro Vigilante falta, existem duas alternativas, a primeira descrita no livro do Irmão Denizart, que o Segundo Vigilante ocupa o malhete e o Experto a coluna do Segundo Vigilante, mas lendo o Irmão Xico Trolha no seu livro cargos em maçonaria, diz: quando ocorre falta do Primeiro Vigilante, o Irmão Primeiro Experto assume o malhete, ficando o Segundo Vigilante no seu lugar. Qual a sua opinião? Em consulta ao Eminente Grão-Mestre ele concordou com o Irmão Xico Trolha. 

CONSIDERAÇÕES:

Verdadeiramente quem substitui o Segundo Vigilante em caráter precário é o Primeiro Experto. No caso da ausência do Primeiro, assume em seu lugar o Segundo e, por conseguinte o Primeiro Experto ostenta o malhete ao Meio-Dia.

Comentando o saudoso Irmão e amigo “Xico”, discutíamos em não raras vezes o assunto, fato que o autor faria uma revisão corrigindo esse equívoco. Em princípio, comentava o mano Xico, que a sua opinião estava presa à posição topográfica assumida pelo Primeiro Experto no Rito Escocês, fato que dava a impressão que pela proximidade com o Primeiro Vigilante ele seria o seu substituto imediato. 

Com o aprofundamento das pesquisas, notou-se que a concepção estava equivocada, pois pela hierarquia das Luzes da Loja, na ausência do Primeiro Vigilante (segunda Luz da Loja), assume o Segundo Vigilante (terceira Luz da Loja). 

Assim, na ausência do Segundo Vigilante na Coluna do Sul pelo motivo de substituição ao Primeiro Vigilante, é que o Primeiro Experto entra em ação para ocupar o posto vago no Sul. 

Infelizmente, o saudoso Mano resolveu descansar na sombra da Acácia sem que antes tivesse feito à correção do tópico na sua obra Cargos em Loja. 

T.F.A. 
PEDRO JUK  - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 0969, Florianópolis (SC) – segunda-feira, 29 de abril de 2013

III CONGRESSO DO RITO MODERNO NO BRASIL

Pedro Juk

RITO MODERNO – ELEMENTOS GENÉRICOS PARA A SUA HISTÓRIA.
TEÍSMO E DEÍSMO – O DOGMATISMO E ADOGMATISMO

1. Inicialmente segue uma breve abordagem envolvendo os principais ritos por aqui conhecidos e os seus conceitos de teísmo, deísmo e agnosticismo.

Dos muitos ritos praticados pela MAÇONARIA, muitos deles já desapareceram completamente. Já escrevia Ragon em 1853 no seu livro Ortodoxia Maçônica que “o número de Maçonarias ultrapassa sessenta”. Ragon já expunha a diversidade de ritos encontrados na Maçonaria daquela época.

De certa forma, todos os ritos maçônicos apresentam uma adequada unidade no simbolismo, diferindo, entretanto, na liturgia e na abordagem filosófica, principalmente quando se trata de concepções metafísicas.

Entre os ritos mais conhecidos na Maçonaria brasileira, e que aqui serão abordados, destacamos quatro ritos: o Craft (York) vertente inglesa, o REAA, o Rito Moderno, e o Adoniramita - esses três últimos da vertente latina de Maçonaria.

Embora esses quatro ritos possam trazer diferenciais na prática particular da sua liturgia e ritualística, entendemos que as diferenças doutrinárias fundamentais são aquelas que envolvem concepções metafísicas.

NOTA - Metafísica é uma das bases da Filosofia e é também o ramo responsável pelo estudo da existência do ser. Por meio da metafísica procura-se dar uma interpretação do mundo, da Natureza e da constituição das estruturas básicas da realidade.

No aristotelismo, é o estudo do ser enquanto ser e especulação em torno dos primeiros princípios e das causas.

Nessas circunstâncias, muitos autores, a exemplo de Paul Naudon, classificam esses quatro ritos como teístas, deístas e racional. Outros, no entanto, como José Castellani, os classificam apenas como dogmáticos e adogmáticos.

Ritos teístas.

NOTA – Genericamente, Teísmo é a crença absoluta na existência de Deus, um Deus pessoal, causa do mundo, e que interage com a sua criação.

No tocante a ritos teístas, o Rito (working) de York, amparado pelo anglicanismo britânico, é tipicamente um deles. Com um caráter religioso muito particular, esse rito anglo-saxônico preconiza a crença em Deus com sentimentos antropomórficos. Nesse contexto, a vertente anglo-saxônica de Maçonaria tem o Rito de York como um instrumento para externar a crença em Deus, ao mesmo tempo em que auxilia o maçom a pautar a sua vida conforme a sua crença religiosa, que deve ser monoteísta, com caráter sublime e elevado da divindade (transcendental).

Ritos deístas

NOTA – Deísmo é o sistema que, rejeitando qualquer revelação divina, aceita a existência de Deus, porém, um Deus destituído de atributos morais e intelectuais, não se admitindo interferência divina nas coisas do mundo.

Nesse cenário, o REAA, nascido em berço francês e com costume deísta, acabou, por razões históricas, se misturando com o teísmo anglo-saxônico. Já o Rito Adoniramita, que chegou no seu inicio a conservar feição deísta por não ter sofrido diretamente influências anglo-saxônicas, no andamento da sua história acabou sofrendo influências que lhe deram aparências diferenciadas, ou seja, um misto de deísmo e teísmo. Desse modo, tanto o REAA, um rito solar por excelência, assim como o Adoniramita não possuem característica deísta pura.

À vista disso, dos ritos elencados, fora das concepções deístas e teístas temos o Rito Moderno.

NOTA – Cabe observar que as abordagens aqui apresentadas se prendem exclusivamente ao franco-maçônico básico, também conhecido como simbolismo.

Diferente dos ritos anteriores aqui mencionados, originalmente o Rito Moderno é classificado por muitos autores como um rito racional, onde as concepções de crença dos seus membros são consideradas de foro íntimo, portanto, com respeito absoluto à liberdade de pensamento.

Nessa conjuntura, o Rito Moderno também é tido como um rito agnóstico. Isso pela razão de o mesmo se colocar como incapaz de compreender a realidade das coisas incognoscíveis – essa característica não deve ser compreendida como ateísmo.

À vista de que no percurso da história muitos ritos deístas acabariam também absorvendo características do teísmo, é que apareceu, por parte de alguns autores, outra classificação, talvez a mais apropriada nessa conjuntura: a que os classifica como ritos dogmáticos e adogmáticos.

Com isso, o que se quer dizer é que por circunstâncias próprias alguns ritos se basearam integralmente emdogmas absorvidos da Igreja Medieval, ou do Anglicanismo, fazendo aos seus membros imposições metafísicas. Esses ritos são consideramos ritos dogmáticos. Deles, acentuadamente, o York pelo berço de nascimento, e os ritos Escocês Antigo e Aceito, e Adoniramita por influências adquiridas durante a construção das suas histórias. Já o Moderno, por se distinguir pelo respeito à liberdade de crença e de pensamento, é considerado um rito racional e adogmático.

2. O teísmo a partir da Maçonaria de Ofício. Como se deu a influência teísta nos ritos maçônicos? Qual a sua origem?

A conhecida Maçonaria dos Aceitos (depois Moderna Maçonaria), formada exclusivamente por maçons especulativos, sucedeu à Maçonaria de Ofício (Operativa), que era um conjunto de organizações de pedreiros da Idade Média.

Destas corporações medievais, destacam-se, no ordenamento da história da Maçonaria, as seguintes organizações:

a) Os Collegia Romanos ou Collegia Fabrorum. Eram organizações que já existiam desde o século VI a. C. e possuíam um forte apelo religioso. Davam ao trabalho um caráter sagrado haurido de cultos à determinadas divindades pagãs. Inicialmente politeístas, se tornariam mais tarde, monoteístas.

b) As Associações Monásticas. Surgidas aproximadamente no século VII, tinham como objetivo principal construir igrejas, mosteiros, abadias, conventos e catedrais. Por serem formadas exclusivamente por clérigos, elas se caracterizavam por uma acentuada religiosidade.

NOTA – As Associações Monásticas eram originárias principalmente do reino dos godos.

c) As Confrarias Leigas. Criadas no século XI para atender ao “ofício” durante a expansão dos domínios da Igreja, eram organizações formadas por leigos que aprenderam arquitetura e arte de construir com os clérigos construtores. Assim, nada a estranhar que essas organizações acabassem também herdando o acentuado cunho religioso que era dado ao trabalho.

d) As Guildas de Construtores. Com características germânicas e anglo-saxônicas, inicialmente eram apenas entidades religiosas, passando, a partir do século XII, a formar corpos de profissionais, entre eles os dos canteiros construtores. Assim, as guildas permaneceriam como associações expressivamente religiosas.

e) Os Ofícios Francos, ou a Franco-maçonaria. Eram grupos privilegiados de artesãos construtores que apareceram após o século XII. Esses corpos profissionais, acompanhados de forte religiosidade, eram livres dos feudos, das obrigações e do poder monárquico. Com isso, protegidos pela igreja-estado, tinham liberdade de locomoção. Nesse cenário, a palavra franco designava aquele que era livre, não só em oposição ao que era servil, mas livre das obrigações e tutelas senhoriais. Os Ofícios Francos conservavam características religiosas hauridas da Igreja “protetora”.

Nota-se, dessa forma, que todas as corporações que formaram a Maçonaria Operativa, ou de Ofício, estavam impregnadas pelo espírito religioso e dogmático daquela época. Entre os seus membros existia a obrigatoriedade de respeitar a Igreja e a religião.

Isso pode ser perfeitamente constatado em se perscrutando os Estatutos das Corporações (manuscritos), conhecidos como Old Charges, onde nelas eram previstos juramentos sobre os santos evangelhos. Na verdade, era o teísmo a dominar as profissões, coisa própria de um tempo em que o clero comandava governantes e governados.

Nesse cenário da história, além do misticismo religioso, normalmente peculiar às corporações, cada uma das antigas Lojas também tinha o seu santo protetor - algo natural para organizações que se estabeleciam nos adros das igrejas, mosteiros e catedrais.

As organizações de ofícios francos (Franco-maçonaria), por exemplo, em face às comemorações solsticiais - costume herdado das guildas – tinham como patronos, João, o Batista e João, o Evangelista. Esses personagens religiosos são encontrados ainda hoje em ritos dogmáticos, a exemplo do REAA.

As iniciações (admissões) na época do ofício não eram apenas os ensinamentos básicos da profissão de pedreiro, eram também um meio de aproximar o admitido da religião – vide as orações que eram feitas em favor do candidato no dia da sua admissão. Nessas condições, o ofício não era apenas um elemento econômico de subsistência, era também uma maneira de servir a Deus e à Igreja Católica Romana.

Essa aparência católica imposta à Maçonaria Operativa (de ofício) pela “proteção do clero”, mais tarde, já no período da aceitação, iria assumir na Inglaterra uma configuração teísta protestante, onde a Primeira Grande Loja de Londres e Westminster impunha nas suas Lojas as convicções do anglicanismo.

3. O deísmo na Moderna Maçonaria - Especulativa por excelência.

NOTA – Maçonaria Especulativa (Aceitos) e Moderna Maçonaria. O registro documental da iniciação em uma Loja do primeiro aceito é datada do ano de 1600 na Escócia, sendo, portanto, esse o marco inicial da Maçonaria Especulativa. Já a Moderna Maçonaria, especulativa por excelência, tem como referência primitiva de existência a fundação da Primeira Grande Loja em Londres em 1717 (sistema obediencial).

A transformação da Maçonaria Operativa em Especulativa que ocorrera com a iniciação de John Boswell, na Loja Capela de Maria, em Edimburgo na Escócia, possivelmente aconteceu graças à maior liberdade que imperava na Inglaterra em contraposição às perseguições sofridas Maçonaria no século XVI, na França e na Alemanha.

No século XVI apareceriam no continente europeu as “Academias”. Existentes na França e na Itália, principalmente, elas reuniam um grande número de personagens ligados ao mundo científico e artístico daquela época na Europa.

A partir do século XV, após o advento da Renascença, iniciava-se o espírito da crítica científica em oposição aos dogmas impostos pela Igreja Católica. Com isso, acirravam-se as lutas entre os defensores intransigentes do “papado” e os que atacavam os dogmas e as interferências da Igreja no Estado, mas não eram ateus.

É bom que se diga que os contrários ao papado não combatiam propriamente a religião e a crença em Deus, mas de maneira geral lutavam contra um sistema obscuro de crença que existia amparado em dogmas impostos pela classe clerical.

Essa combatividade, no entanto, não nos autoriza a afirmar que essa foi uma ação em favor do ateísmo. Grande parte dos que faziam oposição ao clero acreditavam na possibilidade de existir um Princípio Criador, contudo, eram contrários ao dogmatismo proposto pela Igreja Católica.

Muitos deles, grandes pensadores e filósofos, externavam pareceres de que a rudeza da mente humana era incapaz de perscrutar os mistérios da Criação, rejeitando, com isso, qualquer revelação divina que pudesse interferir nas coisas do mundo. Esse conceito era o do deísmo e acabaria sendo integrado à Maçonaria Francesa por pensadores, filósofos e artistas que, principalmente a partir do século XVIII, iriam fazer parte dos quadros das Lojas maçônicas na França.

Na Itália, Leonardo Da Vinci, Américo Vespúcio e Paulo Toscanelli formavam a Academia de Milão com o propósito de criar um centro de cultura científica e artística isento de ideias dogmáticas. Muitos dos membros dessa Academia, capitaneados por Da Vinci, iriam se transferir para Paris onde se filiariam ao “Colégio Francês”, então criado em 1517 e que mais tarde se tornaria em um centro de maçons especulativos, movidos pelo espírito, científico e racional, contrários aos dogmas que impunham grilhões ao conhecimento e à verdade.

Notoriamente isso não agradou à Igreja, fazendo crescer cada vez mais o ódio clerical que mais tarde se transformaria nas grandes perseguições à Maçonaria. Graças a isso, o polo de atuação maçônica da França se mudaria para a Inglaterra, onde aparentemente havia maior tolerância por parte da Igreja Anglicana.

Isso fez com que a na Inglaterra do anglicanismo, a Maçonaria evoluísse bastante, sobretudo por encontrar um ambiente propício para expor os seus ideais.

Com a presença de muitas Lojas livres espalhadas pelas Ilhas Britânicas, os ingleses, ao contrário de persegui-las como ocorria no continente, logo resolveram aproveitá-las em prol do anglicanismo e em favor da nobreza, não obstante tenham para isso sido amputados muitas ideais deístas, liberais e de espírito crítico que acompanhavam a Maçonaria na França.

Foi com esse espírito que em 1717 nasceu a Primeira Grande Loja em Londres, e logo teve, em 1723, a sua primeira constituição que ficaria conhecida como As Constituições de Anderson. Essa Constituição, embora regulamentasse uma Maçonaria de cunho teísta em prol do anglicanismo, surpreendentemente trazia no seu Artigo 1º um texto com tendências deístas e com certa liberalidade.

4. Uma característica Deísta que apareceu nas Constituições de Anderson de 1723.

Em 1721 a Primeira Grande Loja solicitou a James Anderson, pastor presbiteriano nascido em Aberdeen na Escócia, que fizesse uma compilação dos antigos regulamentos e preceitos da Francomaçonaria. Anderson, que teve como colaboradores George Payne e Jean Théophile Desaguliers, segundo e terceiro Grão-Mestres da 1ª Grande Loja, submeteu a compilação à aprovação de uma comissão composta por 14 maçons, e assim, em 1723 era aprovada e publicada a Constituição dos Franco-maçons que ficaria conhecida como As Constituições de Anderson.

No que diz respeito à essa Constituição e as concepções metafísicas, é possível nela observar no seu artigo inicial, um discreto deísmo acompanhado de uma ampla tolerância vestida com atributos de liberalidade.

Possivelmente essas qualidades se deve à influência de Jean Théophile Desaguliers, um importante personagem ligado à Primeira Grande Loja.

Oriundo de uma família de huguenotes franceses, Desaguliers nascera em um subúrbio de La Rochelle na França. Homem pragmático e preocupado em resolver os problemas do seu tempo, possuía uma sólida formação científica. Era um homem de escol e ainda hoje é considerado como um dos pais da Moderna Maçonaria.

Nessa condição, vale registrar o que menciona o Art. 1º da Constituição de Anderson de 1723:

“O maçom está obrigado, por vocação, a praticar a moral e, se compreender seus deveres, nunca se converterá em um estúpido ateu e nem em religioso libertino. Apesar de, nos tempos antigos, os maçons estarem obrigados a religião que se observava, nos países que habitavam, hoje, crê-se mais conveniente não lhe impor outra religião, senão aquelas que todos os homens aceitam e dar-lhes completa liberdade com referência às suas opiniões particulares. Essa religião consiste em ser homens bons e leais, quer dizer, homens honrados e justos, seja qual for a diferença de nome, ou de convicções. Deste modo a Maçonaria se converterá em um centro de união e um meio de estabelecer relações amistosas entre pessoas que, fora dela, teriam permanecido separadas.”

Note-se que originalmente no artigo inicial da Constituição não existe nenhuma imposição de um padrão religioso e dogmático, senão um deísmo intrínseco nas suas entrelinhas.

No entanto, essa primitiva característica encontrada na Constituição de 1723 seria posteriormente modificada, primeiramente já em 1738 e finalmente em 1815 por imposição política anglicana e também por forte imposição dos ditos “Antigos de York” que, juntamente com a Primeira Grande Loja, dita dos “Modernos”, após a reconciliação (Antigos e Modernos) iria formar, em novembro de 1813, a Grande Loja Unida da Inglaterra.

Além da maioria das práticas ritualísticas serem conservadas no formato antigo, o teísmo dos Antigos de York também acabaria prevalecendo após a união de 1813. Assim, o Livro das Constituições passaria novamente por adequações em 1815, não obstante ela já tivesse sofrido suas primeiras alterações em 1738.

Esse teísmo pode ser constatado no Artigo 1º das Constituições de 1815 da Grande Loja Unida, bem diferente do de 1723. Segue descrito o Artigo 1º reformado pelas convicções teístas:

“Um maçom é obrigado, por seu título, a obedecer a lei moral, e se compreender bem a Arte, nunca será ateu estúpido nem libertino irreligioso. De todos os homens deve ser o que melhor compreende que Deus enxerga de maneira diferente do homem, pois o homem vê a aparência externa, ao passo que Deus vê o coração. Seja qual for a religião de um homem, ou a sua forma de adorar, ele não será excluído da Ordem, se acreditar no Glorioso Arquiteto do Céu e da Terra e praticar os sagrados deveres da moral...”

É impossível não se notar nesse texto que ao liberalismo e tolerância originais da primitiva Constituição de 1723, sobrepuseram-se o teísmo pessoal, o dogmatismo e a imposição, algo que nos parece incompatível com a liberdade de consciência e de pensamento.

No entanto, cabe observar que mais tarde, na França, sob a égide do Grande Oriente da França, o Rito Moderno seguiria o liberalismo e a tolerância exposta na Constituição inglesa de 1723.

Expostas essas colocações, seguem outros comentários.

5. A Maçonaria Francesa, Grande Oriente da França e o Rito Moderno.

MAÇONARIA FRANCESA E O GOF - À vista dos argumentos até aqui apresentados, foi a Grande Loja de Londres e Westminster quem diretamente influenciou a Moderna Maçonaria na França.

Por iniciativa de Charles Radclyffe (Conde de Derwentwater), em 1725 a Moderna Maçonaria era instalada em uma Loja em Paris. Sem ainda existir uma Obediência genuinamente francesa, em 1728 o Duque de Wharton, um dos ex-Grãos-Mestre da Primeira Grande Loja londrina (1722 e 1723), foi reconhecido como o primeiro Grão-Mestre dos maçons franceses, sendo sucedido por dois outros Grão-Mestres ingleses, como James H. MacLean e Charles Radclyffe.

Por pressão das lojas francesas, em assembleia geral ocorrida no ano de 1738, era instalado como Grão-Mestre Geral e Perpétuo dos Maçons da França, Louis de Pardaillan Gondrin, o Duque de Antin. Enfim um Grão-Mestre francês para a Maçonaria Francesa.

Com o falecimento de Antin e 1743, assume Louis Bourbon de Condé, o Conde de Clermont que, por sua vez, seria sucedido em 1771, por decorrência da sua morte, por Louis Philippe Joseph D’Orléans, o Duque de Chartres. Sem muita afinidade para com o cargo, Chartres, por ser primo do Rei, mais empresta o seu nome do que dirige a Maçonaria, ficando a Grande Loja de fato sob a administração do Duque de Luxemburgo. Ainda em 1771 inicia-se uma grande reforma administrativa culminando com a extinção da Grande Loja da França, aparecendo no ano seguinte a Grande Loja Nacional da França que adotaria, anda no ano de 1772, o título de Grande Oriente da França.

Inicialmente, a grande inovação promovida pelo GOF foi a chamada “democracia maçônica” – o Grão-Mestre e os deputados das Lojas.

Já em 1877, em nome da liberdade de consciência e do livre arbítrio, o Grande Oriente da França passa a rejeitar qualquer afirmação dogmática, não existindo mais a obrigatoriedade das suas Lojas trabalharem à G∴ D∴ G∴ A∴ D∴ U∴

RITO MODERNO – Em linhas gerais, avalia-se que nome Moderno, dado ao Rito Moderno, está intimamente ligado à prática da moderna Maçonaria exercitada na Grande Loja de 1717 e inserida em solo francês pelos ingleses desde 1725.

Por questões de ordem, e no intuito de combater o caos causado pela enorme proliferação de altos graus pela França daquela época, o GOF, no intuito de organizar a situação, nomeou uma comissão de estudos para fazer uma depuração no sistema de altos graus vigente. Inicialmente esse grupo de estudos, após trabalhar por três anos e levar em conta vários aspectos, recomendou a utilização dos três primeiros graus apenas. Temendo com isso um cisma no Grande Oriente, a comissão renunciou, mas mesmo assim o GOF, em 1777, declarou por circular às suas Lojas que só reconheceria os três graus básicos da Maçonaria.

No entanto, a resolução de não reconhecer os altos graus acabou causando muitos ressentimentos por parte dos que se utilizavam daqueles “vistosos” paramentos. Graças a isso, em 1782 era então criada uma Câmara de Graus sob a liderança de Alexandre Roëttiers de Montaleau, com a proposta de formatar o Rito dando-lhe apenas o essencial dos Altos Graus. Em 1784, sete Lojas Capitulares Rosa Cruz formam o Grande Capítulo Geral da França. Depois de mais de 4 anos de estudos era apresentado, em 1786, um projeto contendo, além do franco-maçônico básico, mais 4 graus superiores, resultando assim em um total de 7 graus, cujo último era o Grau Rosa Cruz. Aprovado pela assembleia, o rito foi posto em prática e ficou conhecido como o Rito dos Sete Graus.

Somente em 1801, com a publicação do Le Régulateur du Maçon na França, é que o Rito Moderno, ou dos 7 Graus, passa a ter os seus rituais. No itinerário da sua história, entre os séculos XIX e XX, o seu simbolismo acabaria passando por várias revisões a exemplo da de Murat, em 1858; Amiable, em 1887; Blatin, em 1907; Gérard em 1922; Groussier, em 1946.

Vamos à conclusão desse trabalho.

6. Finalização.

Assim, o Grande Oriente da França serviu de suporte para muitos ritos maçônicos, dogmáticos como o REAA que é filho espiritual da França, mas com influências anglo-saxônicas (deísta/teísta) no seu simbolismo; como o Rito Adoniramita, inicialmente deísta, mas depois contaminado pelo teísmo; e o Rito Moderno que atravessaria reformas importantes que o levariam a ser em um rito adogmático, racional e agnóstico, não obstante alguns paradoxos, naturais pela sua adoção em algumas Obediências Maçônicas.

Desse modo, no cenário desse despretensioso arrazoado, vale destacar que tanto os ritos teístas, assim como os deístas, os racionais ou mesmo deístas teístas, enfim, dogmáticos ou adogmáticos, nenhum deles, pelas suas características, possui mais qualidade do que o outro. Em sua grande maioria nascidos no século XVIII, sempre tiveram o desiderato de superar os resquícios do nebuloso período coercitivo que havia paralisado por séculos a evolução racional da humanidade durante a Idade Média.

Eram esses os elementos genéricos que procurei trazer no intuito de contribuir com o estudo sobre a história da Maçonaria em geral, do Grande Oriente da França e do Rito Moderno em particular.

ROTEIRO BIBLIOGRÁFICO
AMIABLE, L. – Repport Confidentiel au Grand Collège des Rites, Paris, 1890.
BAYLOT, J. – Dossier Français de la Franc-Maçonnerie Régulier, Paris, 1965
BORD, G. – La Franc-Maçonnerie en France des origines a 1815, Paris, 1908.
CASTELLANI, J. – Moderna Maçonaria, Gazeta Maçônica, São Paulo, 1987.
_____________ - Rito Escocês Antigo e Aceito. História Doutrina e Prática, A Trolha, Londrina, 1988.
FINDEL, J. G. – Histoire de La Franc-maçonnerie (tradução francesa), Paris, 1866.
GOULD, R. F. – History of Freemasonry, Londres, 1951.
JONES, B. – The Fremansonry – Guide and Compendium, Londres, 1950.
PATUTO, G. V. – Introdução ao Rito Moderno ou Rito de Fundação de Maçonaria Especulativa, Curitiba, 2022.
NAUDON, P. – La Franc-maçonnerie, Paris, 1963.
RAGON, J. M – Orthodoxie Maçonnique, Paris, 1853.
MELLOR, A. Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons, Martins Fontes, São Paulo, 1989.
CARR, H. – Seiscentos Anos de Rituais, Londres.

Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

segunda-feira, 24 de julho de 2023

RECONHECIMENTO E REGULARIDADE ENTRE AS OBEDIÊNCIAS

(republicação)
Em 14/01/2018 o Respeitável Irmão Marcelo Souza, Loja Montasalvat, 123, REAA, GLMMG (CMSB), Oriente de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

RECONHECIMENTO E REGULARIDADE

Caríssimo Irmão, a CMSB consta na List of Lodges, mas não no site da GLUI (http://ugle.org.uk/about/foreign-grand-lodges). A Grande Loja Maçônica de Minas Gerais não consta nem em uma nem no outro.

Entretanto, visitamos/somos visitados e temos parcerias com Lojas do GOB.

Como está definida a questão da regularidade/reconhecimento entre GLUI, GOB, CMSB e GG∴ LL∴?

CONSIDERAÇÕES:

Esse tem sido um assunto muito delicado em algumas circunstâncias. Em linhas gerais o Grande Oriente do Brasil é reconhecido pela Grande Loja Unida da Inglaterra enquanto que as Grandes Lojas Estaduais Brasileiras são reconhecidas pelas Grandes Lojas Norte-Americanas. Já a COMAB tem sido paulatinamente reconhecida pelas Grandes Lojas Norte-Americanas. Atualmente muitas Grandes Lojas da América do Norte também reconhecem o Grande Oriente do Brasil.

Em linhas gerais, os ingleses seguem a regra de reconhecer apenas uma Obediência num País. 

Atualmente em termos de Brasil criou-se um estigma de que o “List of the Lodges” é um órgão regulador, mas ele é na realidade um divulgador publicado nos Estados Unidos e, no meu entender, não é um órgão oficial que sirva como parâmetro maçônico para reconhecimento mundial – entendo que o reconhecimento da GLUI é uma coisa, enquanto que o List of the Lodges é um volume de divulgação de nomes de Lojas que pertencem a inúmeras Obediências regulares espalhadas pelo mundo.

No mais, para se evitar “melindres” eu peço vênia para não entrar nesse assunto de “regularidade e reconhecimento”, até porque na minha humilde opinião, em termos de Brasil, entendo que são também Obediências Maçônicas regulares aquelas surgidas das duas grandes cisões no GOB, uma em 1927 e outra em 1973. Outras, além do GOB, da CMSB e da COMAB que porventura apregoam regularidade por aqui, não entram na minha conta. Algumas, inclusive, são até casos de polícia.

Ratifico que essa é uma opinião pessoal, cuja qual não tem o desiderato de afrontar decisões legais emanadas das nossas Obediências. Opinião não significa orientação.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 23 de julho de 2023

MAÇOM ADORMECENDO - QUITE PLACET

(republicação)
Em 06/01/2018 o Respeitável Irmão Diego Santos, sem mencionar o nome da Loja, Rito, Obediência, Rito e Estado da Federação, solicita a seguinte informação:

MAÇOM ADORMECENDO

Estou passando por algumas dificuldades financeiras, e a Loja a qual pertenço é em outra cidade cujos gastos para eu estar participando no momento não estou conseguindo manter. Seria sensato eu pedir para adormecer para não atrapalhar os serviços em Loja?

Caso realmente eu venha a adormecer qual é a maneira correta de ser feito este procedimento?

COMENTÁRIOS:

Sim, devemos considerar sempre o equilíbrio das nossas ações. Se o momento é de dificuldades financeiras, o que eu espero seja breve, o Irmão tem o direito de solicitar o seu Quite-Placet até que a situação melhore.

Eu ainda sugeriria ao Irmão que antes exponha essa situação à sua Loja. Quem sabe se os demais Irmãos não o auxiliam nessas dificuldades? Afinal na justa necessidade aprendemos que devemos ser solidários uns com os outros. Um obreiro possui valor inestimável para a sua Loja.

De qualquer modo, em sendo necessário um Irmão se afastar da Loja, deve ele solicitar formalmente (por escrito) colocando na Bolsa de Propostas e Informações o seu pedido de Quite-Placet, lembrando que para tanto, o solicitante deve estar rigorosamente em dia com as suas obrigações, sobretudo com a tesouraria. 

Recebido o pedido pela Loja, o Venerável Mestre, de acordo com os procedimentos legais dá destino à súplica e não deve ser questionada a decisão de quem pediu.

Estando tudo nos conformes e cumpridas as formalidades o Quite é então expedido pela Obediência e entregue pela Loja a quem o solicitou.

De posse do Quite-Placet e dentro da sua validade, o portador pode solicitar o seu retorno às atividades por filiação em Loja da mesma Obediência ou se já tiver expirado o prazo do documento, solicitar retorno por processo de regularização. 

De acordo com as leis das Obediências, geralmente um Quite-Placet tem a validade de 180 dias a contar da sua publicação no boletim oficial. Também se faz cogente observar o que prescrevem os regulamentos das Obediências, pois podem existir diferenças entre eles.

A Loja tem a obrigação de informar aos seus obreiros quais os procedimentos que devem ser seguidos para a se solicitar um Quite-Placet.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

O SIGNIFICADO DA PEDRA BRUTA

A filosofia da designação litúrgica “Pedra Bruta” simboliza o início do aperfeiçoamento moral, que deve buscar todo ser humano–maçom. Sintetiza, para o Maçom, um objetivo a ser buscado, qual seja, de que através do seu burilar moral, transformará também, simbolicamente aquela pedra bruta numa “Pedra Polida”.

Esta conquista representa a passagem do Grau de Aprendiz para o Grau de Companheiro. Representa, ainda, uma contribuição que a Maçonaria confere para um efetivo burilar universal a partir do próprio iniciado.

O trabalho atribuído ao Aprendiz para vencer esse primeiro degrau na sua evolução de existência templária é executado na Col∴J∴, sob a orientação do Irmão 2° Vig....

Sua tarefa básica consiste, portanto, “em desbastar e esquadrejar a pedra bruta”, a qual transcorre sob “mui fraca luz”. Essa é uma característica do Setentrião, espaço de abrigo dos Aprendizes, exatamente porque apenas iniciam seus aprendizados maçônicos.

Seus instrumentos de trabalho são o maço e o cinzel, que, também, têm caráter simbólico.

O maço é uma espécie de martelo de madeira, que simboliza o combate às imperfeições do espírito. Representa, pois, a força da consciência dominando a totalidade dos pensamentos vãos pela determinação da vontade virtuosa agindo com vigor para incitar o combate às asperezas da ignorância.

O cinzel de aço, cortante numa das extremidades, agindo sob a ação do maço, sintetiza o esforço para se gravar no ego os exemplos revestidos de virtude que enobrecem e purificam o espírito. Consubstancia, assim, a chama divina buscada e conquistada pelos que dão ouvidos aos ecos da verdade.

Num sentido mais amplo, a filosofia da pedra bruta é embasada no paralelismo verificado do homem da era paleolítica com o neófito recém-chegado à Maçonaria.

Ou seja, o homem que habitava as cavernas tinha uma capacidade intelectual quase nula, na medida em que eram criaturas sem instrução, por conseguinte rudes e impolidas, assemelhando-se ao sentimento de despreparo do neófito ao tomar conhecimento do complexo da instrução ministrada pela Maçonaria, daí porque o proclama com mero aprendiz.

Assim, conforme explicado, o neófito-aprendiz deverá ser induzido a trabalhar simbolicamente no desbastar da pedra bruta, pedra essa de formas toscas e imperfeitas, objetivando a sua lapidação.

Portanto, o transformar de uma pedra bruta informe e irregular numa pedra lapidada significa simbolicamente uma etapa da evolução do home-maçom na sua carreira templária, caracterizando a lapidação de seu ego, conforme já indicado.

O atingir daquele objetivo representa que o aprendiz terá vencido a si mesmo, desfraldando a bandeira da sua evolução interior.

Terá descoberto seus defeitos, suas fraquezas, seus deslizes e suas vaidades, que o fará pensar tão somente em construir o poder do seu próprio caráter virtuoso, que outra coisa não é senão a base fundamental do templo moral de sua vida, consubstanciado pelo seu ajustamento à índole dos símbolos maçônicos e, sobretudo, aos mandamentos divinos.

Ressalte-se que o trabalhar na pedra bruta é um caminhar ininterrupto na busca do ideal de uma moralização plena do individuo. Deve-se entender como um processo de aprendizado contínuo porque, embora a simbologia maçônica estabeleça o trabalho na pedra bruta apenas no grau inicial de aprendiz para efeito de evolução do maçom na vida templária, o ser humano, em sua essência, não é desprovido de sentimentos como a inveja, o egoísmo, a luxúria, a cobiça, a intolerância, etc., que corroboram para dificultar a consecução de um estágio moral supremo.

Aqueles poucos que atingem em vida esse estágio, prestam elevados serviços à Humanidade.

A “Pedra Bruta” simboliza, portanto, que o Aprendiz-Maçom deve ser induzido a trabalhar no seu desbaste, porque possui formas imperfeitas, objetivando a sua lapidação.

O transformar, então, de uma pedra informe numa pedra esculpida representa que o Homem Maçom adquiriu força de caráter voltado para um ideal elevado, ferramenta fundamental para desempenhar uma liberdade bem dirigida aos interesses da Humanidade e de sua Pátria, pois eliminou os traços de egoísmo e ambição, que se verdadeiramente postos em prática contribuirá para uma contínua transformação do Mundo para melhor.

Que a paz, a harmonia e a concórdia, tríade maior da maçonaria, estejam fincadas em nossos corações!

Fonte: Facebook_Pedreiros Livres

sábado, 22 de julho de 2023

OCUPAÇÃO DO ORIENTE DA LOJA NO REAA

Em 02.04.2023 o Respeitável Irmão Huarandir Nunes dos Santos, Loja União Catoleense, 2971, REAA, GOB-PB, Oriente de Catolé do Rocha, Estado da Paraíba, faz a pergunta seguinte:

OCUPAÇÃO DO ORIENTE DA LOJA

Gostaria de tirar uma dúvida: Mestres Maçons sem títulos ou não sendo autoridades podem ocupar o Oriente?

CONSIDERAÇÕES:

Não vamos confundir o direito que um Mestre Maçom tem de ingressar (transitar) pelo Oriente, com os Mestres Maçons que, por dever de ofício, conforme prevê o ritual, ocupam lugar no Oriente.

À vista disso, no REAA, conforme o ritual de Aprendiz em vigência do GOB, páginas 22 e 23, é possível encontrar a distribuição dos cargos, assim como a ocupação dos respectivos lugares na Loja.

Desse modo, segue-se o previsto no ritual e no SOR.

Entenda-se que só podem ingressar no Oriente em Loja aberta maçons que alcançaram o 3º Grau. Assim, todos os que, determinados pelo ritual, ocupam lugar no Oriente, por si só já são Mestres Maçons.

Por conseguinte, o Oriente é privativo de Mestres Maçons e não apenas de Mestres Instalados. Afinal, Mestre Instalado é uma categoria especial honorífica, não um grau iniciático (Artigo 42 do RGF).

Existem cargos, cujos oficiais ocupam lugar no Ocidente, mas que transitam livremente pelo Oriente – o Mestre de Cerimônias, por exemplo, é um deles. Essa é uma das razões pelas quais cargos em Loja somente podem ser ocupados por Mestres Maçons (Artigo 229 do RGF).

Finalizando, reitera-se que para se transitar pelo Oriente, ou mesmo nele ocupar lugar de acordo com o ritual, é preciso antes que o maçom tenha alcançado o 3º Grau (plenitude maçônica). Nesse contexto, destaca-se que Autoridades e Mestres Instalados, por si só são Mestres Maçons.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

Há muitas especulações (e invencionismo) sobre várias personalidades da História, se elas foram iniciadas ou não. Quando o assunto são os presidentes dos Estados Unidos, muitos os tratam como se todos eles fossem envolvidos com a Ordem.

Dois dos primeiros presidentes daquele país, George Washington e James Monroe, eram Maçons. Além deles, figuras importantes dos Estados Unidos, como Benjamin Franklin, John Hancock e Paul Revere também foram iniciados. 

Porém, muitas figuras importantes na Revolução Americana, incluindo John e Samuel Adams, Thomas Jefferson, James Madison e Thomas Paine, NÃO eram Maçons.

Das 56 figuras que assinaram a Declaração de Independência, apenas nove eram maçons reconhecidos, de acordo com a Grande Loja da Pensilvânia; e dos 39 delegados do Congresso Continental que assinaram o projeto de Constituição da nova nação em 1787, apenas 13 (um terço) eram Maçons.

Thomas Jefferson por exemplo, o terceiro presidente dos Estados Unidos, não é reconhecido como Maçom pelas Obediências americanas e seu nome não aparece na "Lista de Presidentes Maçons". Não obstante, não há registro em nenhuma Loja sobre a sua iniciação, nem há quaisquer referências à sua filiação maçônica nos seus documentos pessoais.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

ESTAR ENTRE COLUNAS

(Repasse do Ir∴ Laurindo Gutierrez - Londrina – PR)

I- INTRODUÇÃO

O propósito do presente trabalho é delinear os direitos e obrigações do “Entre Colunas”, prática muito usada especialmente nas reuniões capitulares de uma das ordens Básicas da Maçonaria, que foi a Ordem dos Cavaleiros Templários. Infelizmente, não mais tem sido ensinada e nem posta em práticas nas Lojas.

O interior de uma loja Maçônica (Templo) é dividido em quatro partes, onde a mesma simboliza o Universo. Assim temos o Oriente, o Norte e o Sul. Em algum tempo na história, logo após a construção do primeiro templo Maçônico do mundo, o Freemasons Hall, em Londres, no ano de 1776, baseado inteiramente no parlamento Inglês, construído em 1296, estabeleceu-se que as áreas pertencentes ao Norte e ao Sul chamar-se-iam Coluna do Norte e Coluna do Sul. Assim, quando um Irmão, em Loja está Entre a Coluna do Norte e a do Sul, e não entre as Colunas B e J. Mesmo próximo à grade que separa o Oriente do resto da Loja, o Irmão estará Entre Colunas. Desta forma é extremamente incorreto dizer que o passo ritualístico dos maçons tem que começar entre as Colunas B e J. Tanto isso é verdade, que os Templos modernos, especialmente de Lojas de Jurisdição do grande Oriente do Brasil e MG, têm suas Colunas B e J no Átrio, e não no interior do Templo.

Em síntese, podemos apresentar algumas situações do que é Estar Entre Colunas:

• É conjunto de Obreiros que formam as Colunas Norte Sul;
• Em sentido figurado, são os recursos físicos, financeiros morais e humanos, que mantêm uma instituição maçônica em pleno funcionamento;
• É quando a palavra está nas Colunas em discussão; 
• É quando o Irmão, colocar-se ou postar-se entre as Colunas Norte e do Sul, no centro do piso de mosaico onde isto evidencia que o Obreiro que assim o faz, é o Alvo de atenção de toda Oficina; 
• Na circulação do Tronco de Beneficência, o 1o Decágono aguarda Entre Colunas;
• Quando a Porta-Bandeira, com a Bandeira apoiada no ombro, entra no templo este por sua vez se põe Entre Colunas.
• Na apresentação de Trabalhos, o Irmão se apresentar Entre Colunas durante o Tempo de Estudos; • No atraso do Irmão, o mesmo ao adentrar ao Templo ficará à ordem e Entre Colunas nas, aguardando a ordem do V∴M∴ para que tome posse do assento. • Em atividades ou em conversas sigilosas; • Em assuntos ditos ou feitos, o qual jura segredo;

II - DESENVOLVIMENTO

Em toda a Assembléia Maçônica, os irmãos poderão se haver do uso da palavra em momento oportuno; caso queira obter a palavra estando “Entre Colunas”, poderá solicitá-la com antecedência ao Venerável Mestre, e obrigatoriamente levar ao seu reconhecimento o assunto a ser tratado. Sendo o Obreiro impedido de falar, ou sofra algum desrespeito a seus direitos, poderá solicitar ao Venerável Mestre que o conduza ”Entre Colunas”, e se autorizado pela parte Venerável o mesmo poderá falar sem ser interrompido desde que haja um decoro de um Maçom. Se, para estar Entre Colunas é necessária a autorização do V??? M???, em contrapartida, nenhum Irmão pode se negar de ocupar aquela posição, quando legalmente solicitado pela Loja, sob pena de punição.

No entanto, as possibilidades do uso da Palavra Entre Colunas são muitas e constituem um dos melhores instrumentos dos Obreiros do Quadro, sendo uma das maiores fontes de direito, de liberdade e de garantia, tanto para os irmãos, quanto para a loja. Não há regulamentação; tal vez por isso, cada dia esse direito vem sendo eliminado dos trabalhos maçônicos.

Atualmente um Irmão somente é solicitado a estar Entre Colunas, em situação de humilhação e situações tanto quanto degradantes e constrangedoras. Associou-se a idéia de responder Entre Colunas à idéia de punição, quando em realidade isso deveria ser diferente e muito melhor explorado, em beneficio do Quadro de Obreiros de todas as lojas.

Estando Entre Colunas, um Irmão pode acusar, defender a sua ou outrem, pedir e julgar, assim como comunicar algo que necessite sigilo absoluto, devendo estar consciente da posição que está revestido, isto é, grande responsabilidade por tudo que disser ou vier a fazer.

A tradição maçônica é tão rigorosa no tange á liberdade de expressão, que quando um Irmão estiver em Pé e a Ordem e Entre Colunas, para externar sua opinião ou defender-se, não pode ser interrompido, exceto se tiver sua palavra cassada pelo venerável Mestre, ato este conferido ao mesmo.

Estando Entre Colunas, o Irmão NÃO poderá se negar a responder a qualquer pergunta, por mais íntima que seja e também não poderá mentir ou omitir sobre a verdade dos fatos, pois desta forma o Irmão perde sumariamente os seus direitos maçônicos, pelo que deve ser julgado não importando os motivos que o levaram a tal atitudes. Por motivos pessoais, um maçom pode se negar a responder a quem que seja, aquilo que não lhe convier, mas se a indagação for feita Entre Colunas, nenhuma razão justificará qualquer resposta infiel.

Igual crime comete aquele que obrigar alguém a confessar coisas Entre Colunas injustificadamente, aproveitando-se da posição em que se encontra o Irmão sem que haja razão lícita e necessária, por perseguição ou com intuito de ofender, agravar ou humilhar desnecessariamente.

Quando um irmão está Entre Colunas e indaga os demais Irmãos sobre qualquer questão, de forma alguma lhe pode ser negada uma resposta. Nenhuma razão justificará que seja mantido silêncio por aquele que tenha algo a responder.

Uma aplicação prática do Entre Colunas pode ser referência a assuntos do mundo profano. É lícito e muito útil pedir informações Entre Colunas, sejam sociais, morais, comerciais, etc., sobre qualquer pessoa, Irmão ou Profano, desde que haja razões válidas para tal fim. Qualquer dos presentes que tiver conhecimento de algo está obrigado a declarar, sob pena de infração ás leis Maçônicas. O Irmão que solicitou as informações poderá fazer uso das mesmas, porém deve guardar o mais profundo silêncio sobre tudo que lhe for revelado e jamais poderá, com as informações recebidas, praticar qualquer ato que possa comprometer a vida dos informantes ou a própria Loja. Se não agir dessa forma será infrator das Leis Maçônicas.

Suponhamos que um Irmão tenha algum negócio a realizar em outro Oriente e necessita informações, mesmo comerciais, sobre alguma pessoa ou firma. A ele é lícito indagar essas informações Entre Colunas e todos os demais Irmãos, se souberem de algo a respeito, são obrigados a darem respostas ao solicitante.

Outro meio Lícito e útil de se obter informações é através de uma prancha, endereçada a uma determinada Loja, para se lidar Entre Colunas. Neste caso, a Loja é obrigada a responder, guardar o mais profundo silêncio sobre o assunto, cabendo todos os direitos, obrigações e cabendo todos os direitos, obrigações e responsabilidades ao solicitador, que deverá guardar segredo sobre tudo o que lhe foi respondido e a fonte de informações.

III - CONCLUSÃO

Muitas são acepções que norteiam sobre os ensinamentos do significado de Estar entre Colunas, porém, deve o Maçom sempre edificar suas Colunas interiores embaçado pelos Princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, primando pelo bem-estar da família e pelo aperfeiçoamento da sociedade através do trabalho e do estudo, para com isso perfazer-se um homem livre e de bons Costumes.

Como dissemos no início, não há mais regulamentação ou Leis Normativas para o uso do Entre Colunas; e se não há normas que sejam encontradas nos livros maçônicos, é porque pura e simplesmente os princípios da condição Estar Entre Colunas, somente a verdade pode ser dita. Obedecido este princípios tudo mais é decorrência.

Este, alegoricamente, talvez seja o real significado no bojo dos ministérios que reagem as Colunas da Maçonaria, pois Estar entre Coluna é estar entre Irmãos.

BIBLIOGRAFIA
  • ASLAN, Nicola. Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia. Londrina: “ A TROLHA.
  • CARVALHO, Assis. Companheiro Maçom. Londrina ”A TROLHA”.
  • _____. Símbolos Maçônicos e suas origens. Londrina: “A TROLHA”. CASTELLANI, José. Liturgia e Ritualística do Grau de Aprendiz Maçom
  • EGITO, José Laércio do. In Coletânea 2. Londrina: “ A TROLHA”.
  • PUSCH, Jaime. A B C do aprendiz.
  • Santos, Amando Espósito dos Santos; CONTE, Carlos Basílio, FERREIRA, Cláudio Roque Buono, COSTA, Wagner Veveziani. Manual Completo para lojas Maçônicas. São Paulo: Madras, 2004
Fonte: JBNews - Informativo nº 212 - 28/03/2011

sexta-feira, 21 de julho de 2023

QUESTÃO SOBRE A COLETA

(republicação)
Questão que faz o Respeitável Irmão Luiz Roberto Lopes, Loja Fé e Perseverança, sem declinar a Obediência, Oriente (Cidade) e Estado da Federação. feeperseveranca@uol.com.br 

Há muito temos acompanhado o seu trabalho junto ao JB NEWS e temos aprendido a admirá-lo não somente pelas respostas, mas principalmente pelo seu respeito às leis e normas emanadas pelo GOB. Apaixonado que somos pela ritualística principalmente aquela definida pelo REAA vimos a sua presença para solicitar o seu parecer sobre dois assuntos. Antes, porém quero justificar o motivo pelo qual a minha solicitação é feita por e-mail e não através do JB NEWS. É que um dos assuntos se refere aos graus filosóficos. Aqui vão às duvidas: 1. Nos rituais do Grau 4 ao 30 não aparece o comando para que o Orador se pronuncie no final. Ele não se pronuncia mesmo? 2. Nas circulações, quer pelo Mestre de Cerimônias, quer pelo Hospitaleiro, se houver mais que um Irmão sentado(s) junto(s) ao Venerável eles recolhem dos mesmos no primeiro instante ou após recolher dos 1º e 2º Vigilantes, Orador, Secretário e Cobridores? 

CONSIDERAÇÕES:

1 – Geralmente os rituais assim não apregoam, pois ao que parece, salvo engano, não existem nesses graus, representantes do Ministério Público Maçônico que é comum nas Obediências Simbólicas. Graus ditos superiores não fazem parte e nem influenciam o simbolismo maçônico. Em tempo, não vejo nenhuma revelação em proferir essa simples resposta. 

2 – Em qualquer circunstância, primeiro o Oficial circulante aborda por ordem hierárquica as Luzes da Loja (aqueles que detêm o malhete). Ato seguido às duas outras Dignidades (Orador e Secretário) e por fim desse ciclo de abordagem o Cobridor Interno. O Oficial circulante de retorno ao Oriente após ter cumprido obrigatoriamente os seis primeiros Cargos, recolhe daquele que porventura esteja ao lado do Venerável no sólio. Cumprida a coleta no Oriente, segue-se a trajetória na forma de costume.

Cabe aqui um pequeno alerta. Os seis primeiros cargos são abordados apenas e tão somente pela importância dos mesmos. Esse procedimento nada tem a ver com a equivocada estrela hexagonal. Primeiro que pela posição dos titulares dos cargos fica difícil se imaginar a Estrela de David. Segundo é que no Rito Escocês não existe o símbolo relacionado a essa estrela. Para o Rito em questão que é de origem francesa a estrela abordada na doutrina é a Estrela Flamejante, ou Estrela Hominal (pitagórica) que se caracteriza por cinco pontas (pentagrama). 

A Estrela de David, Magsen David, Blazing Star, etc. (seis pontas), pertence ao simbolismo do Craft inglês, ou dos Trabalhos Ingleses, já que no Reino Unido não se reconhecem “ritos”, porém “trabalhos”. Ah! Lá também não existe coleta com bolsas circulantes tanto para o tronco como para informações. 

Finalizando. A trajetória da coleta não está sob qualquer justificativa relacionada a uma estrela, seja ela de cinco ou seis pontas. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com 
Fonte: JB News – Informativo nr. 0968, Florianópolis (SC) – domingo, 28 de abril de 2013

EU, PEDRA BRUTA QUE SOU...

Um dos vários motivos que me levaram a “bater à porta” do Templo e entrar na Maçonaria, e o mais importante (disso tenho a certeza!) foi o de precisamente puder “desbastar a minha pedra bruta”.

Pedra Bruta essa que não é uma capa ou camada rochosa que sirva de sustentação para a minha pele ou corpo; mas antes sim, uma capa que envolve a minha Alma.

Essa Pedra Bruta a ser (e que quer ser!!!) lapidada sou EU!!!

Não que eu tenha imperfeições ou quaisquer defeito no meu corpo. Nada disso!!!

Tenho antes, algumas imperfeições na Alma. Imperfeições essas que me impedem de ser um Homem Bom e Perfeito.

São vícios, são vontades e paixões a combater, muitos “Eus” e poucos “Outros”, que me impedem de ser alguém melhor do que aquilo que sou na realidade.

E são estas arestas defeituosas que eu quero desbastar, partir, extirpar de Mim.

A Pedra Bruta em si, simboliza a Imperfeição do Homem comum, com os seus vários defeitos. E é o seu trabalho, o seu desbastar, o seu polir, que importa reflectir.

Quais as ações a tomar, quais as ferramentas a ser usadas. Essas sim, são as tarefas de quem quer polir a sua pedra bruta.

Quando na cerimónia da minha Iniciação segurei as ferramentas de Aprendiz e dei as pancadas rituais na Pedra Bruta, senti naquele momento que algo em mim estava a mudar, senti que algo mudava para melhor. Senti que naquele momento aquela pedra era eu, e reparei que ainda tinha muito trabalho pela frente. Pois aquela pedra bruta, com as faces “mal amanhadas” como se usa dizer, em nada se parecia com a Pedra Cúbica e Perfeita que tanto almejo em me tornar.

E sei que só cultivando a prática do Bem, da Solidariedade bem como da Caridade, do cultivo da Fraternidade, Tolerância e Respeito pelo próximo, com uma enorme disciplina e vontade de aprender; somente dessa forma me poderei tornar numa Pedra Polida, e deixar de ser esta pedra tosca e feia que hoje sou.

Não sei se algum dia terei as minhas faces tão polidas e serei tão perfeito como a pedra polida que se encontra no interior do Templo; mas uma coisa tenho eu bem por certa, é que não me cansarei de usar o malho e o cinzel, por mais que as "mãos me doam" ou que os "calos me incomodem", até que a minha forma se assemelhe a ela.

E quando chegar esse dia, poderei pousar e guardar finalmente as minhas ferramentas e então, poderei partir contente e satisfeito, pois pouco terei mais a fazer...

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

quinta-feira, 20 de julho de 2023

PRONÚNCIA

(republicação)
Questão que faz o Respeitável Irmão Pedro Bolis Junior, Loja Barão de Ramalho, 1.254, REAA, GOB, Oriente de Pirassununga, Estado de São Paulo. 
pedrobolis@oi.com.br 

Surgiu uma dúvida em instruções para Companheiros sobre a pronúncia da Palavra de Passe no Grau 02. O correto da pronúncia é “chiado” ou “ski”? 

CONSIDERAÇÕES:

A Palavra de Passe do Grau de Companheiro e dada de forma, digamos “chiada” na sua primeira sílaba. Esse procedimento não está preso a nenhuma concepção mística ou oculta como alguns “achistas” já andaram escrevendo no FEBEAMA (festival de besteiras que assola a Maçonaria).

Na verdade essa Palavra está presa à lenda bíblica (Juízes) e está relacionada à guerra dos Efrainitas e Gleaditas. Em consequência da decisiva vitória o general Jefté enviou destacamentos para guardar as passagens do Rio Jordão. 

Nesse sentido o famoso general deu ordens severas para que fosse executado qualquer fugitivo que por ali passasse e se confessasse efrainita. Para que ficasse assegurado que ninguém fizesse uso do engano e subterfúgio, eram obrigados a pronunciar a palavra SC∴. Os efrainitas por defeito vocal do seu dialeto, não conseguiam pronunciar a palavra SC∴, porém SI∴. 

Por essa ligeira diferença de pronúncia era então descoberto a nacionalidade, cujo preço era pago com a vida. Conforme a lenda bíblica perderam a vida no campo de batalha e às margens do Jordão 42.000 efrainitas. 

Ainda de maneira lendária, a palavra SC∴ seria adotada para distinguir amigos de inimigos. Assim o Rei Salomão a adotaria como Palavra de Passe dos Companheiros. Obviamente essa é apenas e tão somente uma explanação lendária e não uma confirmação histórica.

Na verdade o sentido doutrinário é o de preparação e conhecimento, já que na Maçonaria essa alegoria representa a qualificação do Companheiro para ingressar na Câmara do Meio quando da sua Exaltação ao Grau de Mestre, o que em resumo simbolicamente é representado na pronúncia da palavra. Em estando ela correta (SC∴) o Vigilante dá passagem dizendo: “PASSE SC∴” 

T.F.A. 
PEDRO JUK  - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 0967, Florianópolis (SC) – sábado, 27 de abril de 2013

FRASES ILUSTRADAS

CONSTRUINDO MAÇONS

Ninguém entra na Maçonaria pelo seu valor intelectual, tampouco pela sua capacidade econômico-financeira ou pela posição social que ocupa.

Também é procedimento comum que, depois de o Irmão ser recebido maçom, e com maior razão, será tratado como igual, independente das suas qualificações na vida profana. Essa é a regra!

Mesmo as investigações que se fazem sobre o profano, as chamadas sindicâncias, equivalentes a uma devassa na vida do candidato proposto, não o preparam para a iniciação maçônica, por outro lado, essas apenas podem nos dar algumas informações sobre de quem se trata, o seu grau de instrução, o comportamento na sociedade, a posição financeira e profissional e alguns aspectos da sua moral comum.

Quem, verdadeiramente, abre a porta dos Templos para os profanos, são Mestres Maçons, líderes em suas Lojas, que o fazem, via de regra, intuitivamente, senão apenas baseados naquilo que está revelado nas sindicâncias e nas informações que foram colhidas do padrinho; quando então, avaliam se aquela alma tem predisposição para a prática do bem e se possui em si, terreno fértil para a semeadura das virtudes maçônicas.

Ora, isso demonstra que apenas neófitos bem orientados pelos seus instrutores, desde que assimile todas as lições simbólicas e a essência da filosofia maçônica; aquela que nos proclama a prevalência do espírito sobre a matéria, sem conotações religiosas e o aperfeiçoamento moral do ser e da humanidade, sem pretensões de escola noturna; poderão vir a fortalecer as colunas de nossas Lojas.

Sendo assim, cabe à Instituição como um todo e a cada um de seus Mestres, de forma particular, exercitar todos os ensinamentos dos seus neófitos, de modo a igualar e disciplinar – pelo nível, com também, impor a retidão dos seus conhecimentos – pelo prumo, buscando no tempo de aprendizado regulamentar maçônico, o melhor caminho para a formação dos verdadeiros Pedreiros Livres.

Pois, tão somente assim poderemos construir um melhor futuro para a nossa Sublime Ordem, preparando novos e mais comprometidos Irmãos que, realmente, possam vir a enriquecer as nossas colunas: aqueles que sintam amor pelo Deus Altíssimo e pela Sua obra, que então, deixem-se atrair pelos mistérios da vida e da morte, que buscam conhecer ou apenas respeitar nossas milenares tradições iniciáticas e que sejam capazes de aplicar, com dignidade o ensinamento superior, colhido na extraordinária escola da alma, que é a Maçonaria.
Autor

Enviado pelo Ir∴ Eduardo Panda • M∴M∴
A∴R∴L∴S∴ Brisas Suaves Nº 3739 • GOSP/GOB
Or∴de Votuporanga/SP • Agosto de 2010 E∴V∴
*Baseado em pronunciamento do Grão-Mestre geral do GOB,
(Sob.’.Ir.’.Marcos José da Silva)

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

quarta-feira, 19 de julho de 2023

INFORMAÇÃO SOBRE LOJA DE MESA

(republicação)
Informações que pede o Respeitável Irmão Ismael Mendonça, membro da Academia Mogicruzense de Letras, Ciências e Artes Maçônicas e da Loja Cruzeiro de Itapevi, GOB, Oriente de Mogi das Cruzes, Estado de São Paulo. 
imendonca@superig.com.br

Faço parte da Academia Mogicruzense de Letras Ciências e Artes Maçônicas, como secretário e estamos desenvolvendo um trabalho para tentar unificar a ritualística de nosso oriente, do REAA e surgiram algumas dúvidas com relação ao Jantar Ritualístico ou Loja de Mesa, ao qual tenho várias informações e nada definitivo, como segue: Tenho como base um Livro, onde o jantar é realizado internamente, no ocidente e a formação da mesa é em “U”.

1 Nos arranjos de mesa, além das flores é obrigatório o uso de velas e candelabros como o shekinah (7 velas) em frente ao Venerável Mestre e também nos Irmãos Primeiro e Segundo Vigilantes ou pode ser usado somente as luzes já existentes nos altares?

2 No caso dos castiçais, acende todas as velas ou somente a referente ao Grau de Aprendiz, como se faz nas Sessões normais?

3 No caso de obrigatoriedade dos castiçais com velas na mesa, tem necessidade de acender as dos altares?

4 Tem que fazer a exposição do quadro, com o painel do Grau? E onde ele ficará dentro da Loja?

5 A circulação continua em sentido horário, mesmo se o painel não ficar no centro do ocidente?

6 Existe algum manual específico para o Jantar Ritualístico, se tiver como posso adquirir? 

CONSIDERAÇÕES:

O nome correto é mesmo Loja de Mesa. Outros títulos não se coadunam com o ideário ritualístico maçônico. Infelizmente muitos autores que se enveredam nesse campo têm tratado essa cerimônia tradicional da Maçonaria como “jantar” e “banquete”. Isso acontece talvez pelas pesquisas superficiais feitas em rituais equivocados e escritos que não raras vezes são meras cópias de uns para os outros. 

Penso que muitos rituais especiais referentes ao tema confundem o brinde maçônico com uma Loja de Mesa. As mesas de brindes não possuem data específica para a sua realização, todavia a autêntica Loja de Mesa costumeiramente é realizada nas datas solsticiais e em alguns casos nas equinociais, daí elas possuírem uma ritualística, liturgia e decoração específicas, fato que atualmente elas são adaptadas conforme o Rito, posto que a sua origem venha das antigas Guildas de construtores (no caso da Maçonaria) e, à época, nem mesmo existiam arremedos de ritos e rituais. 

Ainda considerando e respeitado a antiga tradição das tabernas medievais não é de boa geometria realizar uma Loja de Mesa dentro de um Templo Maçônico, senão em um recinto próprio e espaçoso, desde que o acontecimento esteja protegido (coberto) dos olhos e ouvido alheio, dos não iniciados. 

Comentar sobre os ágapes fraternais demanda do palmilhar do mosaico histórico da Ordem desde os tempos das Associações Monásticas, Confrarias Leigas e posteriormente a Franco Maçonaria. 

Trazer essas tradições espalhadas pelas diversas latitudes do Hemisfério Norte para a Moderna Maçonaria não é tão simples como possa parecer. Note que os primeiros arremedos de uma Loja de Mesa estão condicionados as Guildas que, inclusive originaram o termo Loja. 

Nos antigos tempos das confrarias dos construtores essas reuniões eram realizadas em torno de uma grande mesa retangular estando o Mestre da Obra no centro e nas extremidades os seus auxiliares imediatos (Wardens), zeladores que posteriormente assumiriam o rótulo de Vigilantes na Maçonaria. 

Essas reuniões eram realizadas principalmente nas datas solsticiais para discussão dos planos da obra e instrução de novos artífices da pedra calcária (origem da Iniciação maçônica). Ao final dessas reuniões era servida a refeição onde os confrades brindavam e se alimentavam fraternalmente (o ágape). 

Posteriormente com o advento da Franco Maçonaria Operativa essas reuniões tomavam um formato mais direcionado ao canteiro e surgiria a mesa em formato de “U” que dispunha os arremedos iniciais de orientação – O Mestre da Obra no Ocidente e os seus Vigilantes na extremidade final das figuradas pernas do “U”. 

Daí em diante respeitado os períodos solsticiais e ás vezes equinociais as diversas confrarias de construtores (canteiros medievais) se encarregariam de dar um formato mais conhecido por nós da Moderna Maçonaria. 

É sempre bom repetir que essas concentrações de comensais (convivas maçons) não obedeciam a um rito maçônico específico, já que à época eles eram desconhecidos dos nossos Irmãos do passado. 

Outro aspecto para ser lembrado é que as datas solsticiais, por influência da Igreja, acabariam por se confundir com as datas comemorativas de João, o Batista e de João, o Evangelista. 

A bem da verdade essas Lojas de Mesa ficariam norteadas para uma espécie de celebração e nunca uma reunião de brindes aleatórios e impensados. 

Dadas essas considerações seguem os apontamentos de acordo com os tópicos solicitados: 

1 – Além da decoração de alinhamento das bandejas, canhões, barricas, etc., o bom gosto pode ser arranjado de acordo com o Rito na Moderna Maçonaria. Assim algumas toponímias maçônicas são indispensáveis sobre a mesa em forma de “U”. Diante do Venerável estará um candelabro com uma vela, ou luz elétrica se for o caso. Assim também fica posicionadas uma em cada extremidade longitudinal da mesa, ou seja, em frente aos Vigilantes. Ainda, diante do Venerável e sobre a mesa estarão o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso. Toda Loja de Mesa tradicionalmente só é realizada no Grau de Aprendiz, assim as três luzes dispostas relembram os tocheiros do passado. Como a Loja é de mesa, nela não existe “altar”. No tocante ao termo “shekinah” ele é impróprio quando confundido com o candelabro de sete braços, ou a “menorá” (menorah). Em Loja de Mesa do simbolismo esse símbolo judaico é impróprio, embora muitos autores apregoem o seu uso. Não há como confundir com a cerimônia de endoenças ou do Cordeiro Pascal do grau 18 do escocesismo, a despeito da influência hebraica no Rito Escocês Antigo e Aceito. 

2 – Essa questão acredito estar respondida na explanação do item um. 

3 – De maneira tradicional uma Loja de Mesa não é realizada dentro do Templo. Assim no recinto coberto (cobertura maçônica) ocupado para a finalidade não existe altar. 

4 – Como dito, no item anterior, também não existe Painel da Loja. 

5 – Na Moderna Maçonaria (especulativa) em se obedecendo à tradição do Rito, em havendo neste a circulação, esta é feita ao redor da mesa passando inclusive por trás do Venerável. Não existe circulação no espaço entre as colunas dispostas através dos Vigilantes (entre as duas pernas do “U”). 

6 – Estarei enviando em anexo dois projetos de rituais que são frutos da minha pesquisa e adaptados para o Rito Escocês Antigo e Aceito. Esse trabalho é produto de pesquisa por aproximadamente cinco anos tendo como elementos primários os costumes das Guildas e Canteiros medievais, os Estatutos Schaw (1.500) e as casas de duelo da Escócia (Edimburgo), as comemorações do Craft, dentre outros roteiros bibliográficos. Embora adaptados, procurei manter o número tradicional das saúdes de obrigação (fogo), me aproximando no máximo com a dialética a que se referia cada uma destas saúdes. Um dos rituais é para uso nas datas solsticiais (junho e dezembro). O outro nas datas equinociais (março e setembro) Esses rituais servem para experimentos e estudos, todavia não estou com isso recomendando-os para afrontar os que porventura estejam legalmente aprovados nas Obediências brasileiras. Esses projetos de pesquisa darão dentre outros a verdadeira posição das Três Grandes Luzes Emblemáticas colocadas diante do Venerável. 

T.F.A. 
PEDRO JUK  - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 0964, Milano – quarta-feira, 24 de abril de 2013