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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sábado, 25 de maio de 2024

CÂMARA DE REFLEXÃO II

(republicação)
Em 18/05/2018 o Irmão Aprendiz Alexandre Costa Maldonado, Loja União e Segredo, REAA, Grande Oriente Paulista (COMAB), Oriente de Franca, Estado de São Paulo, solicita o seguinte:

CÂMARA DE REFLEXÃO

Preciso de informações sobre a Câmara de Reflexões/Perseverança.

CONSIDERAÇÕES:

A câmara não é de reflexões, no plural, mas de reflexão, no singular, já que em Maçonaria ela significa a volta da consciência do candidato sobre si mesmo para examinar o seu próprio conteúdo por meio do entendimento da razão. Em linhas gerais é o ato de refletir sobre si.

É bom que se diga que não são todos os ritos maçônicos que adotam a Câmara. No Rito Escocês Antigo e Aceito, que é um dos ritos que a adota, a mesma deve ser compreendida sob três configurações. 

A primeira é como um local de medição e interiorização. Esse artifício é utilizado para conduzir o candidato a um momento único - consigo mesmo - quando ficam frente a frente à materialidade e a espiritualidade. Todo o cenário desse apólogo foi arquitetado para chamar atenção do postulante, por meio de símbolos, frases e alegorias, sobre a brevidade e a finitude da vida.

A segunda é que de modo figurado, a Câmara lembra as masmorras que aprisionam o homem. Menciona que são os vícios e os maus costumes que deformam a conduta humana. Nesse sentido, a Câmara é um marco referencial para que o homem se liberte das amarras que dormem nesses calabouços. 

Por fim, a terceira que sugere a morte e o renascimento. É uma concepção que compara a vida do homem aos ciclos da Natureza (renovação da vida). É a sua purificação pelos elementos. Nesse sentido a Câmara é a prova da Terra (o primeiro elemento). É o útero, a fecundação; é a escuridão onde a semente, como produto da putrefação do fruto que morreu no inverno começa agora a germinar. É o novo broto da planta que surge. Vem das profundezas da terra em direção à Luz. De maneira geral é o primeiro ciclo do iniciado. É agora o neófito, ou aquele que iniciaticamente se compara a uma “nova planta” (néo = novo; fito = planta, vegetal). O Mestre que o apadrinha é o semeador e o neófito o vegetal que no futuro proporcionará a colheita.

Por esse caráter é que existe toda a simbologia da Câmara de Reflexão no REAA∴, das quais a divisa “Vigilância e Perseverança”, onde o termo Vigilância está por sugerir ao postulante que ele vigie diuturnamente a sua consciência e as suas ações, enquanto que para o termo Perseverança, objeto da sua questão, seguem os comentários seguintes.

Alusivo à Câmara de Reflexão, a palavra “perseverança” é o procedimento de ser perseverante; se refere à constância e à firmeza. Relativo ao verbo transitivo indireto “perseverar”, ele sugere ao candidato que se conserve firme e constante no seu objetivo. Assim, o termo “perseverança” ensina que aquele que persiste em seus propósitos acaba um dia vencedor.

Não obstante os ensinamentos maçônicos lembrarem constantemente que todo o trajeto iniciático é e cheio de obstáculos, é na Câmara de Reflexão que o Iniciado se coloca à prova para vencer o seu primeiro grande empecilho, já que nessa fase, embora conduzido por um guia, ele ainda caminha nas trevas. Assim, ele só conseguirá transpor o umbral do Templo se adequadamente for um elemento perseverante. 

A alegoria da perseverança está bem representada pela figura de um galo que anuncia o raiar de um novo dia – não desista, pois quanto mais escura é a madrugada, mais próximo está o raiar de um novo dia. Seja perseverante.

Concluindo, é oportuno mencionar que a Câmara é um recinto para se refletir, portanto não são apropriados trotes e brincadeiras com o candidato à iniciação. Na realidade esse é o primeiro contato real que ele tem com a Maçonaria. Assim, espera-se que esse futuro Irmão tenha de nós a melhor das impressões.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS


JOÃO RODRIGUES CORIOLANO DE MEDEIROS (Patos, PB, Brasil, 1875 - João Pessoa, PB, 1974). Escritor, historiador, ensaísta, folclorista, musicólogo, poeta, jornalista e educador brasileiro.

Publicou seu primeiro livro, “Dicionário Chorographico do Estado da Parahyba” (1914), seguidos por: “Do Litoral ao Sertão”, livro de contos; “O Tesouro da Cega”, drama em três atos, (1925); “O Barracão” (1930) e “Manaíra” novela histórica em 1936. Por sua iniciativa, junto, a um grupo de notáveis fundou a “Academia Paraibana de Letras” em 14 de dezembro de 1941.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 1927.

Loja: Padre Azevedo n° 1609, em João Pessoa, PB, Brasil.

Idade que foi iniciado: 52 anos.

Faleceu aos 98 anos de idade.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

UMA LENDA MAÇÔNICA

Existe uma Antiga História, uma Lenda Maçônica, um exemplo de união que devemos observar e nos exemplificar, já que somos Maçons, ou... será que não somos Maçons?

O G.:A.:D.:U.: estava sentado, meditando sob a sombra de um pé de jabuticaba, lentamente o Senhor do Universo erguia a sua mão e colhia uma e outra fruta, saboreando o fruto de sua criação. Ao sentir o gosto adocicado de cada uma daquelas frutas fechava os olhos e permitia um sorriso caridoso, feliz, ao mesmo tempo em que de olhos abertos mantinha um olhar complacente. Foi então que, das nuvens, surge um dos seus Arcanjos vindo em sua direção:

Diz a lenda que a voz de um Anjo é como o canto de mil baleias. É como o pranto de todas as crianças do mundo. É como o sussurro da brisa. O Arcanjo tinha asas brancas como a neve,  imaculadas. Levemente desce ao lado do G∴A∴D∴U∴ e ajoelhando a seus pês disse ... - Senhor, visitei a vossa criação como me pediste. Fui a todos os cantos, estive no Sul, no Norte, no Oriente e no Ocidente. Vi e fiz parte de todas as coisas.

Observei cada uma das suas crianças humanas. Notei que em seus corações havia uma Iniciação, eram iniciados Maçons e que, deste a cada um destes, apenas uma asa. Senhor ... Não podem voar apenas com uma asa!!!

O G∴A∴D∴U∴ na brandura de sua benevolência. respondeu pacientemente a seu Anjo: - Sim, Eu sei disso.  Sei que fiz os Maçons com apenas uma asa. Intrigado com a resposta, o Anjo queria entender, e voltou a perguntar: - Senhor, mas porque deu aos Maçons apenas uma asa quando são necessário duas asas
para se poder 'voar ... Para poder ser livres.

Então respondeu o G∴A∴D∴U∴

Eles podem voar sim, meu Anjo. Dei aos Maçons apenas uma asa para que eles pudessem voar mais e melhor. Para poderem se evoluir levemente... Para voar, meu Arauto, você precisa de suas duas asas: Embora livre, você estará sempre sozinho, ou ser somente acompanhado. Como os pássaros que ao mesmo tempo que estão juntos se debandam. Mas, os Maçons, com sua única asa, necessitarão sempre de dar as mãos e entrelaçarem seus braços, assim terão suas duas asas. Na verdade, cada um deles tem um par de asas.

Em cada canto do mundo sempre encontrarão um outro Irmão com uma outra asa, e assim, sempre estará se completando, sempre sendo um par.

Dei aos Maçons a verdadeira Ll.BERDADE e a cada um dei-lhe também, em IGUALDADE,  uma única asa, para que desta forma, possam sempre viver em FRATERNIDADE.

Fonte: omalhete.blogspot.com

sexta-feira, 24 de maio de 2024

POSIÇÃO DO ESQUADRO

(republicação)
O Respeitável Irmão José Francisco Rodrigues, Deputado Federal da Loja 1.735, REAA, sem declinar o nome do Oriente (Cidade) e estado da Federação apresenta a seguinte questão: 
francisco.alagoas@gmail.com 

Meu Irmão, por favor, gostaria que você me enviasse fotos da posição correta do ESQUADRO e COMPASSO, na abertura do Livro da Lei, nos graus 1, 2 e 3.

ESCLARECIMENTOS:

Esquadro e o Compasso como componentes das Três Grandes Luzes Emblemáticas. 

a) No Grau de Aprendiz – Sobre o Livro da Lei na posição de quem procede à leitura (de costas para o Ocidente e frente para o Venerável) - Livro da Lei aberto e sobre o mesmo o Compasso aberto em aproximadamente 45º, hastes (pontas) voltadas para o Ocidente. Sobre o Compasso o Esquadro com o ângulo interno composto pelos ramos voltados para o Venerável. Ver a disposição dos dois instrumentos no Painel do Grau de Aprendiz, página 84 do Ritual de Aprendiz REAA, em vigência.

b) No Grau de Companheiro – Sobre o Livro da Lei na posição de quem procede à leitura (de costas para o Ocidente e frente para o Venerável) - Livro da Lei aberto e sobre o mesmo o Compasso aberto em aproximadamente 45º, hastes (pontas) voltadas para o Ocidente e entrelaçado a este o Esquadro com o ângulo interno composto pelos ramos voltados para o Venerável. Do ponto de vista de que lê o Livro, no entrelaçamento dos objetos a ponta direita do Compasso fica sobre o ramo direito do Esquadro, enquanto que a ponta esquerda do Compasso fica sob o ramo esquerdo do Esquadro. Ver a disposição dos dois instrumentos no Painel do Grau de Companheiro, página 26 do Ritual de Companheiro - REAA, em vigência.

c) No Grau de Mestre – Sobre o Livro da Lei na posição de quem procede à leitura (de costas para o Ocidente e frente para o Venerável) - Livro da Lei aberto e sobre o mesmo o Esquadro com o ângulo interno composto pelos ramos voltados para o Venerável. Sobre o Esquadro o Compasso aberto em aproximadamente 45º, hastes (pontas) voltadas para o Ocidente. Ver a disposição dos dois instrumentos no Painel do Grau de Mestre, página 86 do Ritual de Mestre - REAA, em vigência, porém observando-se que a sua disposição está inversa em relação ao Livro da Lei. Para o conjunto das Três Grandes Luzes, fazer o giro de 180º de maneira que o conjunto se apresente com as hastes, ou pontas do Compasso voltadas para o Ocidente e os ramos do Esquadro fiquem voltados para o Venerável. Em síntese a disposição do conjunto simbólico no Terceiro Grau é igual à de Aprendiz, invertendo-se, porém a disposição – o Compasso agora sobre o Esquadro. 

Ainda outra referência. Na disposição sobre o Livro da Lei aberto, obedecidas às colocações anteriormente descritas nos três Graus, os instrumentos têm como localização o centro do Livro aberto, ou divisa entre as duas páginas abertas – nela a base do vértice do Esquadro (inferior) e a cabeça, ou junção do Compasso (superior). 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.122 - Florianópolis (SC) – sábado, 28 de setembro de 2013

QUANDO ESTENDER AS MÃOS, ESCONDA O ROSTO...

Cesar Romão

Quando estender as mãos, esconda o rosto ..

Praticar o Bem é uma forma de gerar boas energias em nossa vida, o segredo desta pratica se tornar algo com efeitos benéficos para qualquer pessoa é que: quando estender a mão não mostre o rosto.

Tem muita gente que pratica o Bem, mas espera o reconhecimento de quem recebeu a ajuda, o universo na maioria das vezes não funciona assim.

Quando se espera reconhecimento de quem recebeu a ajuda, pode vir na verdade uma boa decepção. Esta decepção tem feito com que muita gente se afaste deste tão importante principio de evolução da energia positiva.

Praticar o Bem é como construir um caminho pelo qual talvez nunca vamos passar, mas este caminho vai servir de instrumento para nos tornar uma pessoa melhor em algum ponto primordial de nossa vida.

Fonte: Facebook_Pedreiros Livres

quinta-feira, 23 de maio de 2024

SESSÃO MAGNA PÚBLICA - PROCEDIMENTOS

(republicação)
Em 17/05/2018 o Respeitável Irmão José Roberto Ramos Menezes, Loja Fraternidade Campista, 0011, REAA, GOB-RJ, Oriente e Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte dúvida:

PROCEDIMENTOS PARA SESSÃO MAGNA PÚBLICA

Mais uma vez solicito sua ajuda para sanar uma dúvida: 

Sempre em Sessões Magnas Públicas, palestras profanas, ou como em nossa última sessão do dia 15 de maio, quando fizemos uma homenagem ao dia das mães: o Venerável Mestre suspendeu a sessão com um golpe de malhete e os convidados entraram no Templo. Após esta homenagem, os convidados se retiraram, e o Venerável Mestre como o mesmo procedimento reabre os trabalhos normalmente.

Surgiu então a seguinte dúvida: quando a sessão é suspensa pelos procedimentos mencionados, é necessário no REAA∴ GOB∴ fechar o Livro da Lei e apagar as luzes das dignidades, ou ficam como estavam?

Agradeço pela sua cordialidade e parabenizo seu grande trabalho que acompanho na Revista "A Trolha".

CONSIDERAÇÕES:

Sessões Magnas em que é admitida a presença de não maçons são previstas conforme o Regulamento Geral da Federação no seu Art.º 108, § 3º.

Nesse sentido, o que está faltando no GOB é uma orientação ritualística formal para essas sessões. Aqui no Paraná eu fiz um roteiro informal para auxiliar os Irmãos nessas oportunidades. No mês de maio próximo passado eu ouvi no Congresso Maçônico do GOB-PR que o Poder Central iria lançar um manual para essas sessões, porém até então eu o desconheço.

Então, até que o GOB apresente uma orientação oficial para essas ocasiões, em linhas gerais tem-se orientado que a Loja seja aberta normalmente no grau de Aprendiz até a Ordem do Dia, dispensando-se o Expediente e a circulação da Bolsa de Propostas e Informações.

Em seguida, abre-se então ritualisticamente a Ordem do Dia e nesse período ingressam na forma de costume os convidados não maçons. Estando todos já acomodados, dá-se ingresso do Pavilhão Nacional para que a seguir ocorra o desenvolvimento da Sessão Magna conforme os seus propósitos e afins. 

Concluídos os trabalhos pertinentes a esse período, a palavra, ainda na Ordem do Dia, é franqueada aos convidados. Finalizadas as manifestações, procede-se a saudação e retirada do Pavilhão. Em seguida os convidados não maçons se retiram.

Após a retirada o Venerável então encerra a Ordem do Dia e faz circular em seguida ritualisticamente o Tronco de Beneficência. Por fim encerra os trabalhos conforme o previsto no ritual.

Seguem ainda outras recomendações pertinentes:


a) Durante a presença de convidados não maçons ficam abolidos todos os Sinais;

b) Antes dos convidados não maçons ingressarem, o Venerável Mestre deve fazer as recomendações pertinentes à finalidade da sessão.

c) Não existe suspensão dos trabalhos, porém o que existe é a suspensão de algumas práticas ritualísticas que são veladas aos olhos dos não iniciados. Isso o Venerável recomenda antes do ingresso dos convidados;

d) A Ordem do Dia é aberta e encerrada conforme o ritual e sem a presença dos convidados;

e) Mesmo na presença de não iniciados a Loja permanece como foi aberta. Não há necessidade de fechar o Livro da Lei, cobrir o Painel, apagar luzes litúrgicas, etc. O que fica abolido nessa ocasião são apenas os sinais e os procedimentos litúrgicos utilizados na ritualística de abertura da Loja. De resto, tudo ocorre normalmente.

f) Se por opção a Loja não fizer o ingresso e retirada formal do Pavilhão Nacional, sugere-se que pelo menos seja feita nos moldes costumeiros a saudação à Bandeira.

g) Como a Loja é aberta ritualisticamente e assim permanece, no Oriente não ingressam Aprendizes e Companheiros e, principalmente, convidados não maçons.

h) Durante a ocupação das Colunas pelos não iniciados, as do sexo feminino ocupam a Coluna da Beleza e os do sexo masculino a Coluna da Força.

Eram essas as considerações pertinentes.

Por oportuno convido-o a visitar o Blog do Pedro Juk.

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

MAÇONARIA: DAS ORIGENS AOS DIAS ATUAIS - BREVES CONSIDERAÇÕES

Ir∴ Walter dos Santos Filho - Or.·. de Cruz das Almas (BA)
A Maçonaria atual, especulativa, tem suas origens na Maçonaria de Ofício ou Operativa, que congregava pedreiros, talhadores de pedra, escultores, pintores,carpinteiros, entalhadores, decoradores e demais artífices relacionados à Arte da Edificação. Reportando-se à Maçonaria Operativa, apesar de ser esta uma instituição que surgiu na Idade Média, as raízes de sua origem estendem-se a períodos remotos, da antiguidade, levando-nos, segundo uma visão de ancestralidade, a nos deparar com instituições cujas características se aproximam daquelas observadas na Maçonaria Operativa, quais sejam: foco principal notrabalho da construção; reconhecimento de seus membros como irmãos, os quaisdeviam se assistir mutuamente; admissão de seus integrantes mediante processos de iniciação; suas reuniões compreendiam práticas ritualistas. Segundo uma visão cronológica, tais instituições “ancestrais” podem ser assim identificadas:

1. Associações de construtores dos primórdios da antiguidade.

2. Colégios Romanos.

3. Associações monásticas de construtores, dentre as quais seencontram os Beneditinos, Cistercienses e Templários.

Sob a égide destas associações monásticas e sob a forma de confrarias laicas ou de Guildas, ocorre o nascimento e a formação da Maçonaria Operativa.

Com base neste intróito, vejamos:

1. Associações de construtores dos primórdios da antiguidade

Entre os povos da antiguidade, em razão do caráter sagrado do trabalho e da ciência, as associações profissionais sempre foram sacerdotais. No Egito, os sacerdotes formavam classes separadas e consagravam-se ao ensino de algum ramo especial do conhecimento humano. Em todos os casos, os alunos passavam por um noviciado e por provas de iniciação para se assegurar de sua vocação. Como as demais ciências, a Arquitetura também era ensinada em sigilo. A função sagrada de arquiteto construtor era exercida pelos sacerdotes, a exemplo Imhotep, sacerdote do Deus Amon e conselheiro do faraó Sozer (3.800 a.C.), que se notabilizou por construir a primeira pirâmide em Sakkarah.

O caráter sacerdotal e místico das associações de construtores é igualmente encontrado entre os persas, caldeus, sírios e gregos. Referindo-se à Grécia, as associações profissionais eram conhecidas por Hetarias. Uma lei de Sólon de 593 a.C. e cujo texto consta da obra de Gaius (sobre os Colégios e as Corporações) permite às Hetarias, ou Colégios, ter seus próprios regulamentos, desde que não fossem contrários às leis do Estado. Estrabão, em sua obra Theos, afirma que osreis de Pérgamo (300 a.C.) tinham uma iniciação particular que incluía palavras e sinais de reconhecimento. O mais antigo código até hoje descoberto, o código babilônico de Hamurabi (2.000 a.C.), encontrado em Susa, já menciona as associações dos carpinteiros e dos talhadores da pedra.

2. Colégios Romanos

Registros de Plutarco indicam que os Colégios de Artesãos foram fundados em Roma pelo rei Numa Pompílio, no ano 715 a.C. Sob Sérvio Túlio (578 a 534 a.C.) os Colégios Romanos mostram-se com o caráter definitivo de corporação.Cícero, em sua obra De Oficies (sobre as profissões), coloca os integrantes dos Colégios entre os cidadãos de primeira classe do Império Romano.

No reinado de Alexandre Severo, apesar de reprimidos pela Lei Lulia, já existiam 32 Colégios em atividade no Império. Como em todos os povos daantiguidade, o Direito e as Instituições Romanas tinham base essencialmente religiosa. O caráter sagrado do trabalho tinha por objetivo a divinização do homem. Para os membros dos Colégios de Construtores o mundo era um imenso canteiro de obras. O uso de sinais de reconhecimento garantia e protegia os segredos de sua profissão, herdados dos egípcios, dos gregos, dos judeus, dospersas e dos sírios.

Os artesãos dos Colégios eram os construtores dos palácios e das famosas Vilas dos Senadores e nobres romanos, além dos monumentos nas cidades próximas a Roma, como Pompéia e Herculano. Na cidade de Roma, destacam-se o Coliseu, o Circo Máximo, as Termas de Caracala, os edifícios do Fórum Romano, os Templos dos Deuses, as muralhas para a defesa da cidade, como as do Capitólio. Em Bolonha, capital da Reggio Emilia, ainda se pode apreciar a arte construtiva dos artesãos dos Colégios Romanos nos subterrâneos do metrô dacidade, a Via Lulia, que levava de Roma a Milão. Estes artesãos seguiam com as legiões romanas, com a finalidade de construir estradas, pontes, templos, termas epalácios nas regiões conquistadas pelo Império. Ainda hoje essas construçõespodem ser vistas em toda a Europa. Muitas delas, principalmente as pontes, estão ainda em uso. Em Portugal, construíram, entre outras obras, a cidade Conímbriga, próxima de Coimbra e o templo dedicado a Diana, na cidade Évora.

Os Colégios Romanos foram implantados na Gália, após sua conquista por Caio Júlio César. No século IV d.C. eles já existiam em Marselha, Valência, Nimes, Aix-la-Chapelle, Lion, Narbona e Lutécia (Paris), onde assumiram grande prestígio com a construção de importantes edifícios.

Em 43 d.C. o imperador Cláudio enviou à atual Inglaterra algumas brigadas dos Colégios de Construtores, com o objetivo de construir defesas contra ataques de celtas do norte, região hoje conhecida como Escócia. Na época ainda não existiam cidades nem castelos na Grã-Bretanha. Os Colégios foram encarregados de construir campos fortificados para as legiões, que se transformaram em cidades dotadas de termas, templos e palácios. Uma dessas cidades é York, então chamada de Eboracum, célebre na história da Maçonaria.

3. Associações monásticas de construtores

Ao final da antiguidade, com a queda do Império Romano, surgiram os pequenos Estados suseranos e as antigas instituições foram gradualmente desaparecendo, substituídas pelas classes de homens livres, aldeãos e servos. Para garantir sua sobrevivência, os Mestres Construtores se refugiaram nas igrejas, nos mosteiros e nos conventos que haviam construído na alta Idade Média. A história das Associações Monásticas está ligada à das Ordens Religiosas, em particular à Ordem dos Beneditinos e à Ordem do Templo. O papel dos Templários está intimamente ligado ao advento da Maçonaria Moderna. Para conhecer a extensão da influência dos Templários seria necessário analisar a formação das Associações Monásticas nas regiões góticas, assim como sua atuação na transição da arte romana para a arte gótica.

Fundada por São Bento, em 529 d.C., a Ordem Beneditina teve por berço o afamado mosteiro de Monte Cassino, na Itália. Foram os beneditinos que transcreveram, traduziram e interpretaram as obras gregas e romanas, bem como escritos e documentos do Oriente. Disseminaram a cultura medieval européia e serviram de exemplo a outras ordens religiosas que surgiram posteriormente. Na arte da construção, os beneditinos passaram a monopolizar e a dirigir a Maçonaria Operativa. Começaram pelo estilo românico. Depois implantaram na arquitetura suas próprias características e, mais tarde, também se dedicaram à Arquitetura Gótica. Associados aos pedreiros e canteiros fundaram autênticas organizações fraternais, as quais, por seus ordenamentos, costumes e certas cerimônias, seriam uma espécie primitiva de loja maçônica. Em 597 d.C. os beneditinos dirigiram-se à Inglaterra, à época também conhecida por Ilha dos Santos, e fundaram a Abadia (não catedral) de Cantuária (Canterbury). No século VII, espalhando-se pela Alemanha, fundaram as abadias de Ettenheim, Lauresheim, Prüm, Monse, Hirschfeld, Fulda e outras. Da Alemanha foram à Dinamarca e depois à França, pátria do estilo gótico, e enfim a quase toda a Europa. Em 910d.C. fundaram a Abadia de Cluny, pertencente à Ordem dos Cluniacenses, verdadeira alavanca da renascença medieval.

A Ordem de Cister foi instituída em 1098 pelo abade De Molésme, no retiro de Citeaux, próximo a Dijon, França. À semelhança dos beneditinos, seus mestres e fundadores, os cistercienses, dedicaram-se ao ensino gratuito e à agricultura. Posteriormente, seus mestres e arquitetos passaram a erigir grandes catedrais e grandes construções, seguindo o exemplo dos beneditinos.

Os beneditinos, seguidos dos cistercienses, podem ser considerados como os ancestrais da maçonaria atual, hábeis projetistas e geômetras e bons oficiais na arte de construir.

A transição da Maçonaria Operativa para Especulativa consolidou- se no século XVIII, com a admissão em seu seio estendida a cidadãos livres e de bons costumes, notadamente estudiosos do pensamento humano, dentre os quais filósofos, hermetistas, rosa-cruzes e alquimistas. Posiciona-se assim a Sublime Instituição na vanguarda do renascimento cultural e científico, bem como das lutas pelas grandes reformas sociais, mediante efetiva participação em movimentos de libertação humana, atuando no sentido de assegurar a Paz, a Justiça e a Fraternidade entre todos os homens, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade. Passa o maçom da condição de construtor de edificações materiais para a de construtor de uma sociedade igualitária, justa e perfeita, distinguindo-se como buscador da Verdade, do autoconhecimento, de sua origem real, de sua Essência, que é Deus.

Bibliografia consultada:

Fadista, Antônio Rocha. Origens religiosas e corporativas da Maçonaria. Pesquisa Google, em17/10/2009.

Varoli Filho, Theobaldo. Curso de maçonaria simbólica: Aprendiz. São Paulo: Editora A Gazeta Maçônica S.A., s.d. 319 p.

Fonte: JBNews - Informativo nº 239 - 24.04.2011

quarta-feira, 22 de maio de 2024

QUESTÕES SOBRE RITUALÍSTICA

(republicação)
Orientações apresentadas pelo Eminente Irmão Lourival Mariano Santana, Grão-Mestre Estadual do GOB-SE, Oriente de Aracajú, Estado de Sergipe. 
lourivalmsantana@hotmail.com 

Conforme conversa que tivemos por ocasião da Posse do Soberano Irmão Marcos José da Silva, nós temos como objetivo trabalhar dentro da ritualística de forma padronizada em todas as Lojas. No entanto, várias dúvidas surgiram em função de não termos um manual de orientação. Para que possamos esclarecer aos Irmãos do nosso Oriente, peço ao Irmão que nos oriente nas seguintes questões:

1- Ao fazermos os cumprimentos estando diversas autoridades presentes em uma Sessão, qual deve ser a ordem (Grão-Mestre, Grão-Mestre Adjunto, Presidente da PAEL, Grande Procurador, Deputados Federais Veneráveis....) 

2- Quem fala em pé e quem fala sentado? 

3- Quem tem assento no Altar por ordem hierárquica? 

4- Quando o Sinal de Ordem deve ser desfeito? 

5- Os Mestres Instalados usam colares? 

6- Um Venerável Mestre em visita a outra Loja usa os paramentos completos de Venerável? 

7- O visitante poderá ou deverá portar-se no Rito da Loja visitada ou no Rito que pratica em sua Loja de origem? 

8- O culto ao Pavilhão Nacional obedece ao Rito da Loja ou a uma Lei única para todos os Ritos? 

9- Um irmão do Rito Brasileiro quando fala em outra Loja estando este em comitiva os demais Irmãos ficam de pé?

10- A circulação do Saco de Propostas assim como do Tronco de Beneficência quando vai ao Altar do Venerável Mestre apresenta a todos do Altar ou somente ao Venerável para depois retornar? 

Meu Ilustre Irmão. Estas são as dúvidas mais constantes que ocorrem em nossas Lojas. Peço a gentileza de nos enviar às respostas para como já disse colocar em prática.

CONSIDERAÇÕES:

PÍLULAS MAÇÔNICAS

nº 48 - Quem inventou a Maçonaria?

Algumas Organizações, de um modo geral, semelhantes ou não à nossa Ordem, foram idealizadas, projetadas e, finalmente, estabelecidas. Por exemplo, podemos citar a o “Escotismo” que foi fruto de uma pequena experiência com um grupo de jovens, planejada, por seu fundador Lord Robert Baden Powell, na Inglaterra em 1907. Com o êxito dessa experiência, foi planejado e desenvolvido um movimento sem fins lucrativos, agora totalmente estruturado, com suas leis, símbolos, deveres, etc, que é um sucesso até hoje.

E quem inventou ou planejou a Maçonaria?

Baseado em pesquisas feitas em livros ingleses e neo-zelandeses, pode ser dito que ninguém ou qualquer grupo de indivíduos descobriu, planejou ou inventou a Maçonaria. Ela é uma Instituição que se desenvolveu gradualmente ao longo de um período de anos, e muitas pessoas tomaram parte e colaboraram com seu crescimento.

A nossa Ordem criou raízes dentro das Lojas dos Maçons Operativos e nós podemos seguir seu curso desde o começo através do “Cerimonial” (Iniciação, Colação de Grau, Instalação, etc).

Muito simbolismo tem sido enxertado no “Ritual” (Inglaterra) em tempos mais ou menos recentes e mesmo a eminência do Templo do Rei Salomão e a Lenda de Hiram Abif, aparecem, como já dito, em tempos comparativamente recentes.

A Grande Loja de Londres e Westminster (posteriormente transformada na Grande Loja Unida da Inglaterra em 1813) foi fundada em 1717, mas a Lenda de Hiram Abif somente aparece imprimida em 1730 no “livro” de Samuel Prichard denominado “A Maçonaria Dissecada”. Uma Lenda alternativa referente aos “Filhos de Noé” foi achada nos Manuscritos de Graham em 1726.

A maneira de se expressar, a “linguagem” do “Ritual”, foi extraída da Literatura Inglesa da época compreendida entre 1790 e 1820 e, a partir desse período, o “Ritual” assume a presente forma. Ele foi, também, enxertado com passagens da Bíblia e pensamentos de escritores ingleses famosos na época. Em torno de 1825, o “Ritual” foi praticamente estabelecido e somente pequenas alterações foram feitas. Relíquias da antiga forma do “Ritual” são ainda encontradas em livros catequéticos, na forma de perguntas e respostas.

Uma das maiores mudanças foi o abandono desse tipo de ensinamento (perguntas e respostas) e estabelecendo o tipo encontrado no atual “Ritual”.

Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com

CIRCULO ENTRE PARALELAS

Luis Genaro Ladereche Figoli

O Mistério da 2ª Instrução do Aprendiz

Diz nosso Ritual:

Em toda Loja Regular, Justa e Perfeita , existe um ponto dentro de um círculo pelo qual um Maçom não pode transpor. Este círculo é limitado entre o norte e o sul por duas grandes linhas paralelas, uma representando Moisés, a outra representando o Rei Salomão. Na parte superior do círculo fica o L∴da L∴, que suporta a Escada de Jacó, cujo cimo toca os Céus. Caminhando dentro deste circ∴, sem nunca o transpormos, limitar-nos-emos às duas linhas Paralelas e ao L∴ da L∴ e enquanto assim procedermos, não podemos errar.

Atrás desta explicação escondem-se alguns mistérios e simbologias, que tentaremos humildemente decifrar a partir desta peça de arquitetura.

Se o Temp∴ é a representação do Universo, e está orientado de Leste a Oeste e de Norte a Sul, podemos dizer que o eixo que vai do Ocidente (representado pelas colunas J e B) ao Oriente (representado pelo Delta), corresponde ao equador terrestre. Sua profundidade é da superfície ao centro da terra e sua altura é da Terra ao Céu.

Quando verificamos que o círculo é limitado entre norte e sul, podemos observar no Globo Terráqueo, que de fato, entre o equador e o norte e o sul, existe os trópicos de câncer (no Norte) e de Capricórnio (no sul). Assim, simbolicamente, estamos desvendando este mistério pela luz da Astronomia.

Algumas explicações astronômicas se fazem necessárias para entender melhor esta simbologia oculta.

Além de girar em torno de seu eixo, a Terra desloca-se no espaço, com um movimento de translação em torno do Sol, quando descreve uma elipse, de acordo com as leis de Kepler. Para o observador situado na Terra, todavia, é como se esta fosse fixa e o Sol se movesse em torno dela, seguindo um caminho, que, como já foi visto, é chamado de eclíptica.

Em sua marcha em torno do Sol, a Terra, descrevendo uma elipse, ficará mais próxima, ou mais afastada do astro da luz. O ponto mais próximo --- 147 milhões de quilômetros --- é o periélio; o mais afastado --- 152 milhões de quilômetros --- é o afélio. Se a Terra, no movimento de translação, girasse sobre um eixo vertical em relação ao plano da órbita, as suas diferentes regiões receberiam iluminação sempre sob o mesmo ângulo e a temperatura seria sempre constante, em cada uma delas. Mas, como o eixo é inclinado, em relação à órbita, essa inclinação faz com que os raios solares incidam sobre a Terra segundo um ângulo diferente, a cada dia que passa. E, assim, vão se sucedendo as estações: verão, outono, inverno e primavera.

Como os planos do equador terrestre e da eclíptica não coincidem, tendo uma inclinação, um em relação ao outro, de 23 graus e 27 minutos, eles se cortam ao longo de uma linha, que toca a eclíptica em dois pontos: são os equinócios. O Sol, em sua órbita aparente, cruza esses pontos, ao passar de um hemisfério celeste para outro; a passagem de Sul a Norte, marca o início da primavera no hemisfério Norte e do outono no hemisfério Sul; a passagem do Norte para o Sul, marca o início do outono no hemisfério Norte e da primavera no hemisfério Sul. Esses são os equinócios de primavera e de outono.

Por outro lado, nos momentos em que o Sol atinge sua maior distância angular do equador terrestre, ou seja, quando é máximo o valor de sua declinação, ocorrem os solstícios. Os dois solstícios ocorrem a 21 de junho e a 21 de dezembro; a primeira data marca a passagem do Sol pelo primeiro ponto do trópico de Câncer, enquanto que a segunda é a passagem do Sol pelo primeiro ponto do trópico de Capricórnio. No primeiro caso, o Sol está em afélio e é solstício de verão no hemisfério Norte e de inverno no hemisfério Sul; no segundo, o Sol está em periélio e é solstício de inverno no hemisfério Norte e de verão no hemisfério Sul. Portanto, o solstício de verão no hemisfério Norte e de inverno no hemisfério Sul, ocorre quando o Sol está em sua posição mais boreal (Norte), enquanto que o solstício de verão no hemisfério Sul e de inverno no hemisfério Norte, ocorre quando o Sol está em sua posição mais austral (Sul).

Por herança recebida dos membros das organizações de ofício, que, tradicionalmente, costumavam comemorar os solstícios, essa prática chegou à Maçonaria moderna, mas já temperada pela influência da Igreja sobre as corporações operativas. Como as datas dos solstícios são 21 de junho e 21 de dezembro, muito próximas das datas comemorativas de São João Batista --- 24 de junho --- e de São João Evangelista --- 27 de dezembro --- elas acabaram por se confundir com estas, entre os operativos, chegando à atualidade. Hoje, a posse dos Grão-Mestres das Obediências e dos Veneráveis Mestres das Lojas realiza-se a 24 de junho, ou em data bem próxima; e não se pode esquecer que a primeira Obediência maçônica do mundo, como já foi visto, foi fundada em 1717, no dia de São João Batista.

Graças a isso, muitas corporações, embora houvesse um santo protetor para cada um desses grupos profissionais, acabaram adotando os dois São João como padroeiros, fazendo chegar esse hábito à moderna Maçonaria, onde existem, segundo a maioria dos ritos, as Lojas de São João, que abrem os seus trabalhos “à glória do Grande Arquiteto do Universo (Deus) e em honra a S. João, nosso padroeiro”, englobando, aí, os dois santos.

No templo maçônico, essas datas solsticiais estão representadas num símbolo, que é o Círculo entre Paralelas Verticais e Tangenciais. Este significa que o Sol não transpõe os trópicos, o que sugere, ao maçom, que a consciência religiosa do Homem é inviolável; as paralelas representam os trópicos de Câncer e de Capricórnio e os dois S. João.

Tradicionalmente, por meio da noção de porta estreita, como dificuldade de ingresso, o maçom evoca as portas solsticiais, estreitos meios de acesso ao conhecimento, simbolizados no círculo cósmico, no círculo da vida, no zodíaco, pelo eixo Capricórnio-Câncer, já que Capricórnio corresponde, ao solstício de inverno e Câncer ao de verão (no hemisfério Norte, com inversão para o Sul). A porta corresponde ao início, ou ao ponto ideal de partida, na elíptica do nosso planeta, nos calendários gregorianos e também em alguns pré-colombianos, dentro do itinerário sideral.

O homem primitivo distinguia a diferença entre duas épocas, uma de frio e uma de calor, conceito que, inicialmente, lhe serviu de base para organizar o trabalho agrícola. Graças a isso é que surgiram os cultos solares, com o Sol sendo proclamado --- como fonte de calor e de luz --- o rei dos céus e o soberano do mundo, com influência marcante sobre todas as religiões e crenças posteriores da humanidade. E, desde a época das antigas civilizações, o homem imaginou os solstícios como aberturas opostas do céu, como portas, por onde o Sol entrava e saía, ao terminar o seu curso, em cada círculo tropical.

Tradicionalmente, tanto para o mundo oriental, quanto para o ocidental, o solstício de Câncer, ou da Esperança, alusivo a São João Batista (verão no hemisfério Norte e inverno no hemisfério Sul), é a porta cruzada pelas almas mortais e, por isso, chamada de Porta dos Homens, enquanto que o solstício de Capricórnio, ou do Reconhecimento, alusivo a São João Evangelista (inverno no hemisfério Norte e verão no hemisfério Sul), é a porta cruzada pelas almas imortais e, por isso, denominada Porta dos Deuses. Para os antigos egípcios, o solstício de Câncer (Porta dos Homens) era consagrado ao deus Anúbis; os antigos gregos o consagravam ao deus Hermes. Anúbis e Hermes eram, na mitologia desses povos, os encarregados de conduzir as almas ao mundo extraterreno.

Continua, aí, a dualidade, princípio da vida: diante de Câncer, Capricórnio; diante dos dias mais longos, do verão, os dias mais curtos, do inverno; diante de São João “do inverno”, com as trevas, Capricórnio e a Porta de Deus, o São João “do verão”, com a luz, Câncer e a Porta dos Homens (vale recordar que, para os maçons, simbolicamente, as condições geográficas são, sempre, as do hemisférios Norte).

Ainda para os cabalistas que influenciaram no início da Maçonaria especulativa, as linhas paralelas simbolizam Moisés e o Rei Salomão. O Rei Salomão conforme descrição cabalística representa além da sabedoria, o arguto espírito científico, a observação minuciosa das coisas da natureza, a comparação inteligente entre a natureza e o ser humano, que dever guiar todo Iniciado. Moisés é, segundo o Zoar, um portador da Verdadeira Luz, um ser espiritualizado, pois Moisés viu a Deus, isto é, era detentor da verdadeira Gnose, do auto-conhecimento, depois de uma vida sofrida e cheia de atribulações.

O círculo, também pode ser representado por uma serpente mordendo a própria cauda, é um dos símbolos mais antigos, é um símbolo de eternidade – o universo sem começo ou fim, completo em si e totalmente sábio. O ponto no centro do círculo representa a unidade absoluta, o Centro da Criação, o princípio gerador universal, o G A D U.

Podemos ainda interpretar este símbolo da seguinte maneira: as paralelas representam as colunas B e J que dão entrada aos nossos Templos, o círculo representa a própria Loja, ou seja, o universo que ela encerra, e o ponto central é o próprio Grande Arquiteto do Universo, presidindo nossos trabalhos, distribuindo o Verdadeiro Amor a todos os Obreiros.

Fonte de Consulta:
Prancha “São João” de Jose Castellani
Ritual do Grau do Apr:. M:.
Prancha do Irm:. Altivo Tavares de Souza Filho;
Outros artigos da Internet

Fonte: http://espacodomacom.blogspot.com

terça-feira, 21 de maio de 2024

SAUDAÇÃO AO DELTA DO ORIENTE

(republicação)
Em 17/05/2017 o Respeitável Irmão Bernardo Bosak de Rezende, Loa Sephira, 447, Rito Azul (?), GORGS, (COMAB), Estado do Rio Grande do Sul, pede esclarecimentos para o seguinte:

DELTA DO ORIENTE

Primeiramente, gostaria de dizer que sou muito fã da sua obra. Adquiri vários exemplares do livro Exegese Simbólica para o Aprendiz Maçom e estou sempre incentivando os nossos aprendizes a estudarem por ele. É um livro bastante lúcido e objetivo! Você é um dos meus escritores maçônicos prediletos, junto com Castellani, Xico Trolha e o Kennyo Ismail e é um prazer poder questioná-lo!

Bem, em minha Loja praticamos o Rito Azul (também conhecido aqui no GORGS como M∴L∴A∴A∴ - Maçons Livres Antigos e Aceitos). É um Rito que foi criado pelo GORGS, mas basicamente é o REAA praticado pelas Grandes Lojas estaduais, ou seja, o azul (infelizmente no Brasil temos bastante essa deterioração do padrão ritualístico do REAA). 

Minha dúvida é a seguinte: o nosso ritual prega a utilização de dois triângulos no Oriente: um equilátero com o IOD dentro (preso no dossel) e outro isósceles com o Olho da Providência (atrás do Trono de Salomão). Neste caso, qual dos dois "deltas" devemos saudar quando cruzamos o eixo e por qual motivo? Procurei em várias fontes para compreender a diferenciação dos dois símbolos, algumas dizem que no fundo remetem ao mesmo simbolismo, outras dizem que são diferentes, outras que um pode substituir o outro, outras que dizem que podemos substituir a letra G pelo olho, e por aí vai... Porém, nunca encontrei a informação de qual delta saudar quando ambos se fazem presentes dentro do templo.

Para facilitar, anexo abaixo o trecho do ritual que orienta a utilização de ambos:

“O dossel do Trono é formado por duas CCol∴ Compósitas, uma de cada lado do Trono, ligadas por um arco revestido de tecido azul celeste, com franjas de prata ou brancas, do centro do qual penderá um triângulo equilátero, em cujo centro estará, presa por arame invisível, a letra hebraica Iod.

Na parede do fundo, no Or∴, em um painel, são pintados ou bordados os astros do dia (o Sol), no lado S∴, e da noite (a Lua, em quarto crescente) no lado N∴ tendo, no meio dos dois, um triângulo isósceles com o Olho Onividente ou Olho da Providência, com fundo azul e raios luminosos.”.

CONSIDERAÇÕES:

SINAIS COM INSTRUMENTOS DE TRABALHO

Paulo Roberto Marinho
Grande parte dos Rituais impressos do R∴E∴A∴A∴ proíbe, na dinâmica da ritualística, fazer quaisquer sinais com instrumentos de trabalho. Por mais absurdo que pareça, as Luzes da Loja – Ven∴ Mestre e VVig∴ –, em tempos passados, costumavam executar o sinal gutural, o sinal de aclamação e apontar, tudo, com os Malhetes e não com a mão que é a maneira correta; o M∴ de CCer∴ e DDiác∴ batiam com os bastões no chão, quando da execução das baterias (Que era o correto e passou a ser incorreto); o G∴ Templo apontava e fazia o sinal da aclamação estendendo o braço com a Espada empunhada. Daí transformaram uma clara frase disciplinadora – “Não se faz nenhum sinal COM os instrumentos de trabalho” – em outra complicadora – “Não se faz nenhum sinal PORTANDO instrumentos de trabalho”.

Não há nada de errado em executar a saudação portando quaisquer objetos na mão esquerda – não sendo ferramenta de trabalho simbólico ou litúrgico –, tais como, Rituais, Livros ou objetos de uso pessoal. Basta para isso estar parado, com os PP∴ em Esq∴ e com o corpo ereto. Há exceção para o sinal de Comp∴ pois este sofreu um enxerto no passado; um complemento usando a mão esquerda, copiado do sinal de súplica do Rito York, e, que faz também a alegria de alguns Maçons ocultistas, pois, argumentam que é uma clara alusão à quiromancia – mostrar nas linhas das mãos o “M” de Maçonaria, “triângulos” e outros significados quiméricos.

No R∴E∴A∴A∴ genuíno executava-se o Sinal de Ordem, mesmo portando instrumentos ou ferramentas na mão esquerda. Existem hoje, alguns procedimentos que são inexplicáveis justamente por terem sido modificados sem fundamentação, por exemplo, por que se porta a Espada com a mão esquerda quando o neófito recebe a Luz? Somente porque é o lado do coração? Vejamos o que diz um Ritual da Grande Loja do Rio de Janeiro editado na década de 60:

“O Neófito e novamente vendado e conduzido ao Templo, ... todos voltam para seus lugares, onde permanecem de pé e à Ordem, com a Espada na mão esquerda.

Isto é o que diz, também, o Vade-Mecum Iniciático do saudoso Irmão Nicola Aslan:

“No decorrer de todas estas Cerimônias, os Maçons seguram as Espadas com a mão esquerda, a mão direita permitindo-lhe pôr-se à Ordem..” (Comentários ao Ritual de Aprendiz – Editora A Trolha)

Cabe aqui um comentário para reflexão: sempre culpamos Mário Behring por todos os enxertos no R∴E∴A∴A∴, mas a grande verdade é que nossos Rituais sofreram mais nos últimos 25 anos com adequações desprovidas de fundamentação do que todo o período sob a influência de Behring.costumes;

Fonte: Revista Arte Real nº 8

segunda-feira, 20 de maio de 2024

DÚVIDA SIGNIFICADO

(republicação) 
O Respeitável Irmão Rivadavia Zimermam Borges, Loja Três Malhetes, 1.886, REAA, GOB, sem declinar o nome do Oriente (Cidade) e Estado da Federação, apresenta a seguinte questão: 
rivazb@yahoo.com.br 

Eu já há bastante tempo, venho com uma dúvida razoável na nossa ritualística. Certo Irmão de minha Loja Três Malhetes, um muito bom Irmão por sinal, sustenta de que a nossa resposta quando indagados sobre a Palavra Sagrada de Aprendiz, quando respondemos devemos dizer: seguinte ou segunda. Dai-me a Palavra Sagrada. Não v∴p∴d∴s∴sol∴d∴ a p∴l∴q∴e∴v∴ a seg∴. Pergunto, para que possamos também ter uma definição abalizada pelos altos corpos. O que é exatamente “Seg∴”. Ele sustenta que gramaticalmente tem de ser SEGUINTE. 

CONSIDERAÇÕES:

A questão parece subjetiva. Se a Palavra é conhecida dos maçons, por conseguinte o número de letras que a compõe, a pergunta que trata de como transmiti-la, no meu modesto entender tanto faz – segunda ou seguinte. 

Assim, “segunda” (feminino do numeral ordinal), ou seguinte (adjetivo de dois gêneros), não encerram a Palavra, já que entre os protagonistas exaram-se ainda uma terceira e uma quarta letra para completa-la. 

Nesse caso o adjetivo “seguinte” (que se segue; que vem ou ocorre depois, imediato; subsequente) como parte final da sentença poderia estar mais próprio. 

Ocorre que, talvez de modo coloquial, a palavra “segunda” é praticamente unânime nos nossos costumes. 

Talvez algum Irmão que opere como professor de português pudesse melhor esclarecer essa questão. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.118 - Florianópolis (SC) – terça-feira, 24 de setembro de 2013

PATRONO OU PADROEIRO

Ir∴ Osvaldo Novaes
ARLM Fraternidade Sergipense nº 11

NA MAÇONARIA, consideramos São João Batista (ou o Batista) como nosso patrono, e mesmo considerando São João Evangelista como também nosso padroeiro, não o invocamos regularmente, vez por outra é apenas referido. No caso de João Batista, escrevemos um artigo para o Jornal da Cidade, de Sergipe, com as informações pertinentes à sua ligação com a Maçonaria. Se for o caso, nosso site poderá publicar o artigo na íntegra, conforme o espaço disponível, podendo ser em duas vezes.

ENCONTRAMOS rituais (1998, 2007, 2012), da GLMESE onde é referido o nome de São João como “Padroeiro” e não como “Patrono” da Maçonaria. Mas, se usasse qualquer das palavras, nada se alteraria, pois no fundo significam a mesma coisa: Defensor, Protetor. O problema talvez resida naquilo que os Espíritos guias de Allan Kardec disseram: “Procurem entender-se com sua linguagem. Por que não tem uma palavra apenas para cada coisa?”, e assim a comunicação entre as pessoas fosse melhor assimilada. Veja um exemplo: matéria na escola é uma disciplina; em física, química, aquilo que constitui uma coisa; na palestra, é um tema a discutir; no jornal, tema de reportagem ou notícia. Pode?!!

PADROEIRO é comumente usado designando um Santo da Igreja Católica que abençoa, protege. Na Inglaterra, é São Jorge; em Nova York é São Patrício; no Rio de Janeiro, temos São Sebastião; Santo Eloi é padroeiro dos ourives; São Pedro é padroeiro das viúvas ; São Cristóvão é padroeiro dos motoristas; Santo Ivo é padroeiro dos Advogados. Os santos Cosme e Damião são protetores das crianças. E por aí vamos... SERÁ INTERESSANTE que se uniformize a denominação, que se escolha Padroeiro ou Patrono; que rituais, revistas, sites, jornais de natureza maçônica das Lojas em geral (no nosso caso, das Grandes Lojas, através de recomendação feita pela CMSB) adotem uma única denominação. Evitar-se-ia a diversidade, a dúvida, a hesitação na hora de invocação: “será padroeiro ou patrono?”, mesmo sendo São João Batista uma coisa e/ou a outra, isto é, protetor e exemplo na Maçonaria.

Fonte: https://fraternidadesergipense.mvu.com.br

domingo, 19 de maio de 2024

QUESTÕES SOBRE RITUALÍSTICA

(republicação)
O Respeitável Irmão Gilmar Dietrich, Venerável Mestre da Loja Perseverança e Vigor, 2.638, GOB, REAA, Oriente de Rio Claro, Estado de São Paulo apresenta as questões seguintes: 
gil@cr.cnt.br 

Gostaríamos de esclarecer, para que não incorramos em erros ou desrespeitos, e por isso solicitamos vossa ajuda. Conforme o “Manual de Dinâmica Ritualística”, editado pelo GOB, fruto de um trabalho consciente e sério da Grande Secretaria Geral de Orientação Ritualística, então, dirigida pelo Eminente Irmão Álvaro Gomes dos Santos, com a inestimável colaboração do Poderoso Irmão Fuad Haddad, Grande Secretário Geral Adjunto da mesma Grande Secretaria, especificamente, na parte “NORMAS GERAIS DE COMPORTAMENTO RITUALÍSTICO”, no paragrafo 23 consta: “23 -Aprendizes e Companheiros não podem ter acesso ao Oriente (exceto na Iniciação e Elevação) que é o fim da escalada iniciática, só acessível aos Mestres. Da mesma maneira, os Aprendizes não devem ter acesso à Coluna dos Companheiros; perguntamos: 

Em ocasiões em que os Aprendizes e Companheiros, devam receber certificado (ex. Certificado de conclusão do ERAC, ou outra coisa qualquer, como um mimo) efetuado em Loja, os mesmos deverão se postar entre Colunas, ou em seus devidos lugares, ou seja, Coluna do Norte aos Aprendizes e Coluna do Sul aos Companheiros? Entendemos ser totalmente errado, coloca-los no Oriente! 

Outro ponto que estamos em dúvida é quando da circulação do Saco de Propostas e Informações e ou Tronco de Beneficência, quando o Irmão Mestre de Cerimonias ou Hospitaleiro são auxiliados pelos seus adjuntos. Ao término do giro, o Mestre de Cerimonias ou Hospitaleiro devem permanecer entre colunas “aguardando” ordens. Nesses casos os Adjuntos que auxiliaram na circulação, devem permanecer entre Colunas em Pé e a Ordem, ou podem retornar diretamente aos seus lugares, permanecendo entre Colunas somente o titular? 

E ainda sobre a circulação do Saco de Propostas e o Tronco, o primeiro a depositar é sempre o Venerável, depois os Vigilantes e assim por diante. Quando temos além do Venerável, o Ex Venerável sentado ao lado, deve ser colhido dele, junto com o Venerável, ou deve-se respeitar a circulação e apenas depois recolher do Ex Venerável?

CONSIDERAÇÕES:

1 - Realmente Aprendizes e Companheiros em Loja aberta não têm ingresso no Oriente. Essa questão de apenas na Iniciação e Elevação é resquício ainda das extintas Lojas Capitulares que no seu bojo ritualístico elevaram o Oriente e o dividiram por uma balaustrada nos primórdios do Século XIX. Após a sua extinção, infelizmente as coisas não voltaram ao normal no simbolismo, permanecendo a balaustrada e o desnível do Oriente. Sob essa premissa ainda permanece essa desculpa de que apenas na Iniciação e Elevação há essa possibilidade. Em linhas gerais a boca se entortou conforme o hábito do cachimbo. Realmente Aprendizes e Companheiros lá não ingressam por ser o final da escalada iniciática – o Oriente é privativo dos Mestres. Como permaneceu consuetudinariamente a balaustrada e o Altar dos Juramentos fica verdadeiramente bem próximo e na frente do Altar ocupado pelo Venerável, à contradição virou a desculpa de que lá adentram os dois primeiros graus somente nas respectivas cerimônias de Iniciação e Elevação – se não existisse essa divisão de quadrante não existiria esse ato equivocado. O primeiro ritual simbólico do Rito Escocês datado de 1.804 na França mostra perfeitamente a realidade (a não existência de degraus e balaustrada no limite do Oriente – apenas o sólio se eleva por três degraus). Também pelo formato iniciático está o fato de os Aprendizes se posicionarem na Coluna do Norte e Companheiros na Coluna do Sul. É nesse sentido que os cargos em Loja são ocupados apenas por Mestres. Assim, Aprendizes tomam assento no topo do Norte e os Companheiros no topo do Sul. Obviamente que a regra do bom senso deve prevalecer, já que na hipótese do Templo ser coberto aos Aprendizes, eles em retirada passam pelo Sul (circulação), o que não significa que eles venham permanecer iniciáticamente na Coluna do Sul. 

2 – Somente se houver necessidade pelo grande número de Irmãos presentes, aplicada à ação do bom-senso, o procedimento de auxiliares adjuntos para o Mestre de Cerimônias e Hospitaleiro podem exercer ofício. Nesse caso, primeiro o titular completa os seis cargos de costume para em seguida o auxiliar executar assistência no ofício. Há que se observar uma disposição que não se contraponha ao ato do giro horário de uma para outra Coluna. Dadas essas considerações e concluída a circulação, ambos se posicionam entre Colunas (do Norte e do Sul) no extremo do Ocidente. O auxiliar, ou adjunto entrega a sua bolsa ao titular e retorna ao seu lugar. Estando de posse das bolsas o titular, o Segundo Vigilante informa conforme disposto no ritual. 

3 – Não importa quem esteja porventura sentado ao lado do Venerável. Durante a circulação da bolsa, o titular aborda primeiramente os que detêm os respectivos malhetes por ordem hierárquica, posteriormente o Orador, o Secretário e finalmente o Cobridor Interno. Ato seguido todos os do Oriente, a começar por aquele que porventura esteja tomando assento ao lado do Venerável. Na sequência conclui-se então a circulação no Ocidente na forma de costume. É oportuno salientar que os primeiros seis cargos mencionados não possuem qualquer relação com uma pretensa estrela de seis pontas, símbolo este que nem mesmo é abordado Maçonaria de vertente francesa. À bem da verdade os primeiros seis cargos abordados referem-se às cinco Dignidades na Maçonaria francesa (Luzes, mais o Orador e o Secretário) somadas ao cargo tradicional do Cobridor. Esses seis cargos mais o Oficial circulante compõem os Sete Mestres para abertura de uma Loja. Infelizmente aqui no Brasil, além de ainda se mencionar a tal “estrela de seis pontas” (difícil de desenha-la pelos cargos percorridos) ainda somam o Chanceler e o Tesoureiro como Dignidades. O equívoco em relação às verdadeiras cinco Dignidades e os primeiros cargos estão em confundir outros dois eletivos com Dignidades da Loja. Dignidades legitimamente são cinco, nunca sete. Sete verdadeiramente é o número mínimo de Mestres para a abertura de uma Loja. Finalizando não me furtaria aqui a mencionar o belíssimo trabalho elaborado pelos Irmãos Álvaro e Fuad. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.116 - Florianópolis (SC) – domingo, 22 de setembro de 2013

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

O ASTRAL

O astral é um plano cósmico entre a Terra e o limiar do que é celestial.

Mundo invisível, onde se movimentariam as almas desencarnadas. A origem da palavra vem de "astro", que é o corpo que gravita no espaço; contudo, com o acesso do homem a esses "corpos" no Cosmos, o astral distancia-se do que passa a ser visível e corpóreo.

Os cabalistas denominam de luz astral, o AUR, a "alma do mundo", de onde tudo teria se originado.

Em linguagem hindu, o homem possui em si um veículo de matéria astral denominado Kamarupa, que é o elemento intermediário entre o "corpo mental" e o corpo físico; o "corpo mental" possui centros de consciência denominados chacras.

Maçonicamente, nenhuma influência possui o astral.

Apenas se tem dado valor aos chacras, por serem "pontos vitais de referência".

O maçom crê em Deus e em uma vida futura, não perambulando por um astral, mas localizada em um Oriente Eterno.

Trata-se de um dos Landmarks a que o maçom está sujeito, seja por tradição ou por compromisso.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 57.

VENCER MINHAS PAIXÕES

No Telhamento o V∴M∴ indaga: 

- O que vindes aqui fazer?

Segue-se a resposta do interrogando: 

- Submeter minha vontade, vencer minhas paixões e fazer novos progressos na Maçonaria.

Como alcançar esses objetivos?

Vez por outra vemos ou ouvimos que o maçom é um agente de transformação social. Penso que o melhor caminho para ser um transformador é o exemplo.

Adiante alguns trechos do livro Pense de Novo, de Adam Grant:

Enquanto pensamos e falamos, é comum assumirmos a mentalidade de três profissões: pastor, advogado ou político. Em cada um desses modos, assumimos uma identidade específica e usamos um conjunto diferente de ferramentas.

Entramos no modo pastor quando nossas crenças sagradas são desafiadas: fazemos pregações para proteger e promover nossos ideais.

Passamos para o modo advogado quando reconhecemos falhas no raciocínio de outra pessoa: apresentamos argumentos para desbancar teorias contrárias e ganhar o caso.

Vamos para o modo político quando tentamos conquistar uma plateia: fazemos campanha e lobby pela aprovação dos eleitores.

O risco disso é nos tornarmos tão envolvidos em pregar nossas crenças certas, em argumentar contra as crenças erradas dos outros e em discursar em busca de apoio que não nos damos ao trabalho de repensar nossas visões.

Qualquer exemplo baseado nos três modos indicados, cedo ou tarde será desacreditado. Certamente não será um bom exemplo a ser dado para quem se arroga na condição de transformador social.

Então, qual seria a alternativa?

Se você for um cientista profissional, repensar é essencial ao seu trabalho. A ciência exige uma percepção constante dos limites da sua compreensão. Espera-se que você duvide do que sabe, tenha curiosidade a respeito do que não sabe e atualize suas opiniões diante de novos dados. Só no último século, a aplicação de princípios científicos gerou um progresso enorme. Biólogos descobriram a penicilina. Cientistas espaciais nos levaram para a Lua. Cientistas da computação criaram a internet.

Mas ser cientista não se trata apenas de uma profissão. É um estado de espírito – uma forma de pensar diferente de pregar, de advogar e de fazer política. Entramos no modo cientista quando buscamos a verdade: fazemos experimentos para testar hipóteses e encontrar conhecimento. As ferramentas científicas não são exclusivas de pessoas com jaleco branco e tubos de ensaio, e não precisamos passar anos com um microscópio e uma placa de Petri para utilizá-las. As hipóteses pertencem à nossa vida tanto quanto aos laboratórios. Experimentos podem nos revelar nosso processo de tomada de decisão cotidiano.

Enquanto o maçom não olvidar as profissões pastor, advogado e político, dificilmente conseguirá vencer suas paixões. Consequentemente não estará fazendo novos progressos na maçonaria e não será um transformador social.

Sim, é um processo lento e gradual, que se aperfeiçoa a cada momento da vida do maçom e não apenas naquelas duas (2) horas semanais horas dedicadas a uma sessão. 

Assim, volvemos aos preceitos fundamentais: o desbaste da pedra bruta e o livre arbítrio. Sem eles, não se chega a lugar algum.

Concluo: A Maçonaria não é para os fracos.

sábado, 18 de maio de 2024

INSTALAÇÃO

(republicação)
O Respeitável Irmão Geraldo Silva de Luna, sem declinar o nome da Loja, Rito e Oriente (Cidade), GLEAC, apresenta dúvida seguinte: 
geraldodluna@bol.com.br 

Estou com uma duvida, pode algum irmão ser Mestre Instalado sem ter sido Venerável, pois aqui na GLEAC tivemos três.

CONSIDERAÇÕES:

Embora originalmente só exista Instalação nos costumes do Craft inglês, e por extensão no americano, aqui no Brasil enxertaram essa prática em ritos de vertente francesa, como é o caso do Rito Escocês Antigo e Aceito. 

Assim, o que genuinamente deveria acontecer é que o ato de se Instalar alguém seria privativo daqueles que foram regularmente eleitos para o cargo de Venerável Mestre. 

Nesse sentido, algumas Obediências, adotam também a Instalação para o Grão-Mestre e algumas ainda também o Grão-Mestre Adjunto quando estes não tenham ainda exercido o cargo de Venerável Mestre. 

Embora até pareça estranho um Grão-Mestre ser eleito sem que antes tenha sido Venerável, o fato pode acontecer. 

No tal do “tira e põe” é isso que tem acontecido na Maçonaria Brasileira. Assim, em linhas gerais, só é instalado aquele que tenha sido eleito para o cargo de dirigente de uma Loja. 

Como um Grão-Mestre é tradicionalmente o Venerável de todas as Lojas da sua jurisdição, nada mais justo que ele seja também instalado (se ainda não tenha sido). 

Agora, instalar Irmãos que não tenham o objetivo do dirigente da Loja (empunhar o primeiro malhete) é ato altamente equivocado e sem sentido algum. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com 
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.111 - Florianópolis (SC) – terça-feira, 17 de setembro de 2013

MAÇONS FAMOSOS


JAMES CECIL DICKENS, nome de batismo de Little Jimmy Dickens (Virginia, EUA, 1920 - Tennessee, 2015). Músico e cantor de música country americano.

Começou sua carreira musical nos anos 1930, tocando em uma estação de rádio enquanto frequentava a West Virginia University e abandonou os estudos para seguir carreira musical em tempo integral. Ficou famoso por suas canções humorísticas, seu pequeno tamanho, 1,50m de altura, e seu roupas cravejadas de strass e brilhos. Em 1965, ele lançou seu maior sucesso, "May the Bird of Paradise Fly Up Your Nose", alcançando o primeiro lugar na parada country e o 15º lugar na parada pop.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 1971.

Loja: Hiram nº 4, em Franklin, Tennessee, EUA.

Idade que foi iniciado: 51 anos.

Faleceu aos 94 anos de idade, vítima de hemorragia cerebral.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria